“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Nossos Hierarcas em Lublin

A comunidade ortodoxa de Lublin no dia da festa do Ícone da Mãe de Deus de Lublin solenemente comemorou os 400 anos de sagração da pedra fundamental da Catedral.

Tradicionalmente no primeiro domingo depois da Festa da Proteção da Mãe de Deus são organizadas em Lublin as solenidades da Festa do Ícone da Mãe de Deus desta cidade. Seu original foi presenteado à igreja de Lublin pelos príncipes: Constatino e Ivana Ostrogski em 1663, como presente para a sagração da igreja.

O metropolita Sawa presidiu as solenidades. Presentes também estiveram o bispo João, de Bresk-Kobryn (Bielorussia) assim como os hierarcas da Igreja do Brasil: arcebispo Chrisóstomo e bispo Ambrósio em visita à Polônia.

A catedral de Lublin, no domingo 21 de outubro, estava repleta de fiéis. O metropolita em sua homilia referiu-se à particular mediação da Mãe de Deus no espaço destes séculos. Uma vez que ela cerca com sua proteção todos os seus filhos. Durante a procissão solene o metropolita Sawa consagrou uma placa comemorativa dos 400 anos de sagração da pedra fundamental da igreja (1607-2007).

No final da solenidade o metropolita Sawa condecorou com a ordem de Santa Maria Madalena de 2° grau o dr. Kazimierz Chrzanowski de Zamość – diretor do departamento de Educação da cidade, assim como membros do coro da catedral: Lídia Kostko – com a ordem de 2°grau, Walentina Roszczenko e Tomasz Lewandowski com a de 3° grau.Finalmente o arcebispo Chrisóstomo apresentou a todos ali reunidos a situação da ortodoxia no Brasil assim como compartilhou reflexões relacionadas com a permanência da delegação brasileira na Polônia.
reportagem: Wadim Sztemburski


fotos: Andrzej Klucha

OrtoFoto

Basílica de São Basílio - Moscou

A basílica teve sua construção ordenada pelo Czar Ivan o Terrível para comemorar a conquista do Cantão de Kazan, e foi construída entre 1555 e 1561, depois da construção, mandou arrancar os olhos do arquiteto para que não pudesse construir outra coisa igual. Em 1588 o Czar Fiodor Ivanovich ordenou que se agregasse uma nova capela no lado leste da construção, sobre a tumba de São Basílio o Bendito, santo pelo qual foi chamada popularmente a basílica.

A basílica se encontra no extremo sudeste da Praça Vermelha, justamente na frente da Torre Spasskaya do Kremlin e contém 9 pequenas capelas.

Em um jardim em frente a igreja tem um estátua de bronze, erguida em honra a Dmitry Pozharsky e Kuzma Minin, que reuniram voluntários para o exército que lutara contra os invasores poloneses durante o período conhecido como "Tempos de Dificuldades".

O conceito inicial era construir um grupo de capelas, cada uma dedicada a cada um dos santos em cujo o dia o Czar ganhou uma batalha, mas a construção de uma torre central unificou estes espaços em uma só catedral.

fonte: wikipedia

Santo Apóstolo e Evangelista Lucas

Comemorado pela Santa Igreja Ortodoxa em 18/31 de outubro, São Lucas nasceu, provavelmente, em Antioquia da Síria. Foi amigo e companheiro de São Paulo, apóstolo, na tarefa da propagação do Evangelho de Jesus Cristo. Toda a sua ciência médica e literária colocou à disposição do grande apóstolo. Entregou-lhe a sua pessoa e seguiu-o por toda a parte.
Pertencente a uma família pagã, Lucas converteu-se ao cristianismo. Segundo São Paulo, era médico: “Saúdam-vos, Lucas, o médico amado e Demas (Colossenses” 4,14).
Lucas, entretanto, é mais conhecido como aquele que escreveu o terceiro Evangelho.
Segundo a tradição, escreveu o seu Evangelho por volta do ano 70. É o mais teólogo dos evangelistas sinóticos (Mateus, Marcos). Ele apresenta-nos uma visão completa do mistério da vida, da morte e da ressurreição de Cristo. Embora escrevesse mais para os gregos do que para os judeus, seu Evangelho dirige-se a todos os homens. Mostra, com isto, que a salvação que Jesus de Nazaré veio trazer dirige-se a todos os homens. É uma mensagem universal: o Filho do homem veio para procurar e salvar o que estava perdido (Lucas 19,10). De acordo com ele, Jesus é o amigo dos pecadores; é o consolador dos que sofrem. A vinda de Jesus é causa de grande alegria. O Evangelho de Lucas propõe-se como regra de vida não somente para a pessoa em si, mas para toda a comunidade. Daí o seu cunho social.
Nele se cumpriu a máxima de Jesus: “bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus”.
Foi, também, o principal biógrafo da Virgem Maria e o primeiro a expressá-la através da pintura.

Oração de São Macário, o Grande (II)

Nós Te bendigamos, ó Deus Altíssimo e Senhor de misericórdia, que realizas, em todo tempo, grandes e insondáveis, gloriosas, numerosas e inauditas maravilhas, Tu que nos concedeste o sono para o repouso de nossa fraqueza e alivias as penas que abatem a nossa carne. Nós Te damos graças por não nos haver aniquilado com nossas iniquidades, antes em Teu amor pelos homens nos ergueste a nós, que inconscientes jazíamos, para a glorificação do Teu Poder. Eis porque nós imploramos a Tua bondade sem medida: ilumina os olhos do nosso entendimento, arranca o nosso espírito do pesado sono da indolência, abre a nossa boca e preenche-a com o Teu louvor, afim de que, sem cessar, possamos cantar, salmodiar e confessar-Te a Ti, Deus glorificado em tudo e por todos, Pai sem-princípio, com o Teu Filho Unigênito e o Teu santíssimo, bom e vivificante Espírito, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Amém.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

“Da Humilde Submissão”

Que te importa os discursos e os pensamentos dos homens? Não são eles que te hão de julgar. Se te acusam sem razão, Aquele que vê o fundo das consciências já te justificou. Se te lançam em rosto faltas reais, não és, porventura, feliz de sofrer uma mortificação saudável?

O que te perturba, é a soberba que não pode suportar ser repreendida.

O humilde não se irrita, não se comove, ainda quando a paixão o condena injustamente. Penetrado do sentimento de sua miséria, nunca o humilham tanto quanto ele mesmo se humilha em seu coração.

Queres tu que nada altere o sossego de tua alma? Abandona-te a Deus em todas as coisas e nos trabalhos, nas consumições, nas adversidades e nos contratempos da vida, dize com Jesus Cristo: “Sim, meu Pai, porque essa é Vossa vontade (Lc. 10,21)”.

“Que é o homem para que vos lembreis dele, Senhor? Que é o filho do homem para que o visites? Bom me foi o ter sido humilhado, possa assim aprender Vossos preceitos” (Sl. 8,5; 118, 71).

Meu divino Salvador, que Vos humilhastes a Vós mesmo, fazendo-Vos obediente até a morte, e morte de cruz, livrai-me do espírito de soberba que é o princípio de todos os pecados; daí-me o profundo sentimento do meu nada, para que, imitando tão perfeito modelo, possa pelo caminho da cruz, chegar à pátria dos bem-aventurados.

Cálice

Cálice do Patriarca Theoleptos II - 1580
Folheado em prata incrustado com pedras.
Está inscrito: na borda, "Cálice do mosteiro sagrado dos Arcanjos Miguel e Gabriel na montanha de Saga", no anel octogonal, "Doado ao Arcipreste Theoleptos" e na base, "fundido e doudaro por Rizas"

Oração ao Nosso Senhor Jesus Cristo

Ó Senhor de grande misericórdia e de suprema compaixão, Jesus Cristo, meu Deus, que pelo Teu amor infinito desceste e Te encarnaste para salvar a todos. Eu Te peço, ainda uma vez, ó Salvador, salva-me por graça. Posto que se me salvas em virtude de minhas obras, não é mais graça nem dom, antes dívida. Eis que Tu próprio disseste, ó meu Cristo, grande em ternura e inefável em misericórdia: quem crê em Mim, viverá e jamais verá a morte. Se então a fé em Ti salva os desesperados, eu creio: salva-me, pois Tu és o meu Deus e Criador. Seja-me a fé contada no lugar das obras, ó meu Deus, pois não encontrarás nada para justificar-me. Que esta minha fé possa as substituir, responder em meu favor, justificar-me e revelar-me como participar à Tua glória eterna; que Satanás não se apodere de mim e nem se vã-glorie, ó Verbo, por tomar-me de Tuas mãos e de Tua salvaguarda. Querendo eu ou não, salva-me, ó Cristo meu Salvador, apressa-Te pois estou em perigo, Tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. Torna-me digno, Senhor, de agora Te amar tal como outrora amava o pecado, e que eu novamente Te sirva sem negligência como dantes a Satanás. Eu Te servirei cada vez mais, Senhor e Deus meu, Jesus Cristo, a cada dia de minha vida, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Amém.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

"A Manipulação da Pessoa Humana"

Nos últimos meses a mídia tem focado quase que exclusivamente sobre a contínua ameaça do terrorismo em casa, no Afeganistão e em qualquer lugar. Como resultado, nossa atenção tem sido desviada daquilo que é potencialmente uma ameaça mais perigosa para nosso bem-estar: a virtualmente desinibida manipulação e destruição dos embriões humanos ao interesse de uma “nova eugenia”.

A pesquisa sobre as células embrionárias tronco começou seriamente nos inícios de 1999. Isto veio à tona pela capacidade das células-tronco desenvolverem-se em todos os tecidos e órgãos no corpo humano. De igual interesse são as crescentes pressões para patentear genes humanos, segmentos de DNA que carregam o código da vida humana. Não nos surpreende que o quê empurre em direção a estas iniciativas seja de ordem econômica: elas prometem ganhos virtualmente ilimitados para a florescente indústria biotécnica que provê a maioria dos fundos de pesquisa. Apesar da presente ênfase ser sobre o potencial médico – ultimamente estão construindo novos órgãos para substituir os velhos, e eliminando várias anomalias genéticas – o mercado continua ainda pressionando os especialistas em criar “modelos de bebês” com características pré-selecionadas, inclusive, através da magia da clonagem, uma outra constituição genética da pessoa. Como fica a Igreja Ortodoxa sobre este assunto, que envolve manipulação da vida humana no seu nível mais básico? Apesar de nem as Escrituras nem os ensinamentos patrísticos falarem sobre a matéria diretamente, juntos eles oferecem uma visão que é endereçada a ela muito claramente. Esta visão oferece preciosa compreensão sobre o sentido e o valor da pessoa humana.

A antropologia ortodoxa – a doutrina da pessoa humana – começa com a afirmação do Gênesis que todo ser humano é criado “à imagem e semelhança de Deus”. Não obstante o termo “imagem” deva ser definido, ele implica no que os teólogos hoje chamam “estar em comunhão”. A pessoa humana não é um ente isolado, mas um membro de uma comunidade. E a comunidade primária e primordial é aquela da Igreja, o Corpo do Ressuscitado e Glorificado Senhor, Jesus Cristo.

O supremo modelo para a comunidade eclesial é o próprio Deus: a vida-em-comunhão eterna do Pai, Filho e Espírito Santo. “Sede perfeitos”, Jesus instrui seus seguidores, “como vosso Pai celeste é perfeito”. Esta perfeição, como Deus a expressa, consiste acima de tudo em amor de auto-sacrifício, oferecido como um livre presente ao outro: para as outras Pessoas da Santíssima Trindade, e para o mundo criado, particularmente para as pessoas humanas.

A fim de refletirmos sobre a perfeição da Trindade, nós não podemos evitar de nos engajar num avanço na luta contra as tendências de nosso lado escuro, que a tradição ascética chama de “paixões”. Em acordo, muitos dos Padres da Igreja fazem distinção entre “imagem” e “semelhança”, definindo “semelhança” como a meta do combate ascético, o “combate invisível” da alma. Como todo ser humano é criado na divina “imagem”, então todos são chamados a assumir a divina “semelhança”. A imagem, em outras palavras, se refere à nossa natureza, a “dádiva” da vida humana que nós todos dividimos. A semelhança, por outro lado, constitui a meta em direção à qual cada “pessoa” ou cada ser humano em particular é chamado a esforçar-se por atingir. A meta é descrita pelos Padres como “theosis”, uma palavra grega significando “deificação”.

Isto significa que o propósito e o fim da vida humana é participar eternamente na vida de Deus, em Suas “energias” ou atributos tais como justiça, verdade, beleza e amor.

A Ortodoxia é bem conhecida pela sua “elevada cristologia”, sua convicção que Jesus de Nazaré é nada menos que o Deus-Homem, o eterno Filho do Pai que “sem mudança tornou-se homem e foi crucificado” a fim de realizar a nossa salvação. Igualmente “elevada”, entretanto, é a antropologia Ortodoxa: sua compreensão do valor eterno da pessoa humana. Por mais que isto possa realçar a realidade do pecado humano, a Cristandade Ortodoxa também reconhece que o principal alvo da existência humana – em direção ao qual toda pessoa é chamada a esforçar-se e a lutar – é glorificar Deus e entrar na eterna e jubilosa comunhão com as Pessoas da Santíssima Trindade.

Em que isto implica em relação à nossa questão original a respeito da manipulação e exploração do material genético humano e embrião humano?

Acima de tudo, quer dizer que nenhuma manipulação da pessoa humana, no nível macro ou micro, pode ser aceita sem que esta manipulação seja para propósitos estritamente terapêuticos que servirão aos melhores benefícios da pessoa interessada. Isto necessariamente exclui experiências usando viáveis embriões humanos (que, aos olhos de Deus são completamente pessoas, portadores da imagem divina, e não meramente “pedaços de tecido”), como também exclui o patenteamento do gene humano para fins comerciais.

Alguns físicos já têm se queixado que certos testes diagnósticos recentemente desenvolvidos envolvendo genes (por exemplo, para o mal de Alzheimer) não estão disponíveis para eles porque as patentes dos procedimentos são mantidas sob controle das corporações privadas. Na América nós costumamos nos chocar com o modo como as companhias Japonesas virtualmente “possuem” seus empregados. O risco hoje é infinitamente maior: que os interesses comerciais irão literalmente nos “possuir”, à medida que eles controlem o uso de nosso DNA.

Em 1998, o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa da América (OCA) chamou para uma moratória nos principais experimentos em direção à clonagem de seres humanos. Este apelo foi renovado no outono de 2001, com o manifesto dos bispos condenando as pesquisas com células tronco embrionárias e clonagem humana em geral. Com a conclusão, no início do último ano, do projeto de genoma humano, aquele apelo necessita se expandir para cobrir toda e qualquer manipulação de material genético humano para propósitos comerciais que não incluam claros e aceitáveis resultados terapêuticos. E a legislação precisa definitivamente legalizar a proibição do patenteamento dos genes humanos.

Esta recente aquisição de conhecimento sobre genética, com seu extraordinário potencial para o bem ou para o mal, precisa ser mantida no domínio público. Os Cristãos Ortodoxos precisam insistir neste ponto através da mídia e por qualquer outro meio à sua disposição. Caso contrário nós enfrentaremos um verdadeiro risco real de sucumbir a uma nova e insidiosa forma de escravidão, na qual nossa herança genética é literalmente pertencente por interesses – comercial ou governamental – a outros que não nós mesmos. Similarmente, nós devemos deixar clara nossa inequívoca oposição à manipulação e destruição de embriões humanos, particularmente desde células tronco adultas, junto com aqueles colhidos dos cordões umbilicais, que provaram ter tão grande potencial terapêutico quanto suas duplicatas embrionárias. A pessoa humana, criada à imagem de Deus e chamada a progredir em direção à divina semelhança, é única e de infinito valor. Qualquer tentativa de reduzir a pessoa a um reservatório de componentes genéticos ou reproduzir aquela pessoa através de clonagem, é uma ofensa não somente contra os direitos humanos e a dignidade humana. É acima de tudo uma ofensa contra o Deus que cria e ama cada pessoa, e chama cada um sem exceção a compartilhar para sempre de Sua vida divina.

Revmo. Padre John Breck
“Boletim Interparoquial” agosto 2004

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Iconostase do Mosteiro de Santa Catarina a Grande, século XVIII
Monte Sinai - Egito

Comunicado Oficial da Igreja Ortodoxa da Estônia (EAÖK)

Devido às muitas controvérsias provocadas pela participação da delegação da Igreja Ortodoxa da Estônia nos trabalhos da comissão encarregada do diálogo ortodoxo-católico, a Igreja da Estônia editou comunicado oficial relembrando a todos sua história e status.

Tallin, 23 de outubro de 2007.

A autonomia da Igreja Ortodoxa da Estônia, cuja denominação oficial é Igreja Apostólica Ortodoxa da Estônia (EAÖK), foi concedida pelo Patriarca Ecumênico em 1923 logo depois da ratificação do tratado de Tart de 2 de fevereiro de 1920, no qual a Rússia reconhecia a independência da Estônia. Entretanto as autoridades russas tanto seculares como eclesiásticas abertamente questionam este fato, disso tivemos um exemplo há pouco tempo. Segundo eles a nação Estônia surgiu apenas no ano de 1991, o exército soviético nunca ocupou a Estônia, mas justamente ao contrário, libertou-a do nazismo e a Estônia ainda permanece parte do território canônico do Patriarcado de Moscou, ainda que este país nunca tenha se encontrou dentro das fronteiras determinadas pelo Tomos de 1589, que concedeu a autocefalia à Igreja Russa.

De acordo com o Tomos que concedeu autonomia (1923), desde o ano de 1923 até 1941, todos os ortodoxos na Estônia tanto os cidadãos da Estônia como os russos pertenciam a uma única Igreja, a EAÖK. Entretanto, a 30 de março de 1941 o Metropolita Aleksander foi chamado a Moscou e forçado a assinar uma declaração de subordinação da Igreja da Estônia ao Patriarcado de Moscou e seu “retorno ao seio da “Igreja-mãe”. Este documento, apesar das pressões do regime daquela época nunca pode ser ratificado pelas autoridades da EAÖK e a 30 de dezembro de 1942 o metropolita Aleksander na carta aberta de número 191 retirou sua assinatura, que colocou sob pressão na declaração citada.

Em 1944 o metropolita Aleksander foi forçado a emigrar do país junto com 22 clérigos e 8 mil fiéis para a Suécia onde o metropolita morreu no ano de 1957.

A 9 de março de 1945 o Patriarcado de Moscou, auxiliado pelas autoridades soviéticas, dá início a um processo de dissolução da autonomia da Igreja Ortodoxa da Estônia e em seu lugar cria uma diocese, diretamente subordinada a ele. Apesar destas ações a Igreja Ortodoxa Russa nunca conseguiu remover completamente as pegadas da existência da EAÖK. Em 1978 o atual patriarca de Moscou Aleksy II, nesta época responsável pela diocese da Estônia, dirigiu-se diretamente a Constantinopla, para que “em nome da unidade eclesiática“ o patriarca revogasse seu Tomos que concedia autonomia à EAÖK. Em resposta, levando em consideração a situação política da Estônia, o patriarca ecumênico concorda apenas em suspender a autonomia (13.04.1979), entretanto este ato concerne exclusivamente aos ortodoxos da Estônia que permaneceram no país e não aos que estavam na emigração.

Em 1991 a Estônia, novamente, recupera sua independência. O Tomos concedendo sua autonomia é reativado em 24 de fevereiro de 1996 pelo patriarca ecumênico. Ao mesmo tempo, em sintonia com a base eclesiástica da economia, o patriarca de Constantinopla concede à Igreja Ortodoxa Russa a possibilidade de prorrogação da sua presença jurisdicional na Estônia (acordo de Zurique de 22.04.1996) na esperança de que um dia na Estônia exista, novamente, uma única Igreja Ortodoxa da Estônia, como assim foi até o ano de 1945. Depois de tantos anos de sofrimento provocados pelas numerosas perseguições das quais a Igreja Ortodoxa da Estônia caiu vítima, a EAÖK deseja, hoje, só uma coisa: viver em paz e em harmonia com os irmãos do Patriarcado de Moscou, de modo a dar testemunho comum em nome de Cristo e de sua Igreja na Estônia.

Ao contrário da afirmação propagada, incessantemente, pelo patriarca de Moscou, é devido esclarecer que o patriarca de Moscou Tikon, de memória eterna, concedeu aos ortodoxos da Estônia unicamente uma ampla autonomia nas questões da diocese e a ela concernia, principalmente, às questões relacionadas com as atividades pastorais, educacionais assim como nas questões econômicas. Nunca, entretanto, proclamou um Tomos concedendo autonomia real e canônica. Com relação a isso, o único Tomos concedendo autonomia à Igreja Ortodoxa da Estônia é o de 1923.

Metropolita Estevão de Tallin e Toda a Estônia
Texto retirado de http://www.cerkiew.pl/
Tradução do Igúmeno Lucas

Oração à Toda Santa Mãe de Deus (I)

Eu glorifico a Tua graça, ó Soberana e peço-Te que cumules de graças o meu entendimento. Ensina-me a andar no reto caminho dos Mandamentos de Cristo. Revigora-me a mim afim de que possa vigiar em oração e afasta para longe a acedia e o torpor. Enlaçado que estou pelas amarras dos pecados, ó Esposa de Deus, liberta-me pela Tua intercessão. Preserva-me de noite como em pleno dia e guarda-me dos inimigos que combatem contra mim. Tu que geraste o Autor da Vida, torna a dar-me aquela que as paixões me tomara. Tu que geraste a Luz sem ocaso, ilumina a minha cega alma. Ó esplêndido Palácio do Mestre e Senhor, faz de mim um habitáulo do Espírito Divino. Tu, que geraste o Médico das nossas almas, vem curar as paixões que transtornam a minha alma, desde há tantos anos. Dirige-me na via do arrependimento, pois que em mim agitam-se as torpes torrentes da vida. Preserva-me do fogo eterno, do verme que ruge assim como da chama infernal, afim de que não me torne o escárnio dos demônios, eu que por tantos pecados me sinto acusado. Faz de mim, envelhecido pelo ignóbil pecado, ó toda irrepreensível, um homem novo. Implora junto do Mestre de todos para que se afaste de mim todo tormento. Torna-me digno de desfrutar, com todos os Santos, da alegria celeste. Ó Virgem Toda-Santa, atende o clamor do Teu inútil servidor. Concede-me, ó Toda Pura, deitar uma torrente de lágrimas, afim de que purifique as impurezas da minha alma. Aceita, ó Soberana, os gemidos de meu coração que sem cessar Te apresento; acolhe minha suplicação, dirigindo-a ao Deus de misericórdia. Tu que estás acimas dos Anjos, faz-me então superar todos os afazeres mundanos. Ó Portadora de Luz e Nuvem Celeste, faz descer sobre mim a graça do Espírito. Eis que apresento ao Teu louvor, ó Toda-Imaculada, meus lábios e minhas mãos. Livra-me dos males que ameaçam a minha alma, suplicando a Cristo em todo tempo, a Ele convém honra e adoração, agora e sempre e pelos séculos.
Amém.

domingo, 28 de outubro de 2007

Nossos Hierarcas na Herzegovínia

Sua Exa. Revma. Chrisóstomo e Sua Exa. Revma. Ambrósio na Liturgia desse Domingo (28 de outubro) na Catedral de Trebinje, Eparquia de Zahumsko-Hercegovacka, Patriarcado da Sérvia.





Dias antes, no Mosteiro dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.


“Uma Reflexão Ortodoxa sobre Verdade e Tolerância”

O Cristianismo Ortodoxo é comprometido com o chamamento à verdade da Fé Cristã. Este chamamento inclui a verdade Bíblica de que todo ser humano foi criado por Deus à Sua Imagem e Semelhança e de que Cristo é o único Salvador do mundo.

Conseqüentemente, a Ortodoxia é fortemente comprometida com Cristo como o Messias e com a tolerância com as outras expressões religiosas. Nestes dois comprometimentos repousa a fonte da tensão criativa para os Cristãos Ortodoxos envolvidos no diálogo entre crenças e atitudes das religiões não-Cristãs.

A Ortodoxia afirma continuamente a centralidade de Cristo na Igreja e no mundo. Ele é “o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb.13:8). Os Cristãos Ortodoxos estão comprometidos com o chamamento à verdade da Fé Cristã não como uma ideologia, mas como uma expressão de santidade. Por isso mesmo a Ortodoxia está comprometida com a tolerância com as outras expressões religiosas.

Os Cristãos Ortodoxos quase sempre vivem em sociedades de pluralismo cultural, lingüístico e religioso. Por esta razão, desenvolveu uma atitude de respeito pelos outros, e uma tolerância e entendimento para com as pessoas de outras crenças. A Igreja Ortodoxa não tem um pronunciamento “oficial” expressando uma atitude em relação a outras religiões. Entretanto, a Ortodoxia tem uma tradição duradoura mostrando respeito e tolerância por pessoas de outras religiões. Isto é bem exposto por um teólogo Cristão Ortodoxo, o Arcebispo, Anastasios Yannoulatos, da Albânia, que, “sendo criado à imagem de Deus, cada ser humano é nosso irmão e irmã”.

É uma firme visão Ortodoxa que nosso comprometimento com o chamamento à verdade Cristã deve afirmar um cenário pluralista-democrático para todas as pessoas viverem em paz e harmonia. A Ortodoxia abraça firmemente a verdade do Cristianismo e defende o direito de outras expressões religiosas coexistirem em harmonia num sistema democrático onde a lei protege todos igualmente.

A questão da verdade é da mais alta importância para a Ortodoxia. “O que é a Verdade?” Pôncio Pilatos perguntou (Jo. 18:38). Cristo permaneceu em silêncio. Os Cristãos interpretam este silêncio como Sua resposta de que a “Verdade” estava diante dele – Cristo é a “Verdade”. “Verdade” faz referência ao conhecimento do ser. Tolerância “implica numa relação certa da fé religiosa com a verdade em todas as manifestações concretas do mundo, sejam nacionalistas, políticas ou sociológicas” (Damaskinos Papandreou, “Verdade e Tolerância na Ortodoxia”). A fonte de toda a verdade é Deus o Criador, que dá existência a todo ser. Deus é a origem e o ser humano é o receptor.

Para a Ortodoxia há uma fusão entre o chamamento à verdade pelo Cristianismo e um mandato por tolerância. Podemos dizer que não se pode ser Cristão se não se abraçar à doutrina da tolerância como um mandamento do amor Cristão.

O mais significativo ensinamento de tolerância na Ortodoxia está contido em uma carta encíclica do Patriarca Ecumênico Mitrophanes III (1520-1580). Este documento foi escrito para os Gregos Ortodoxos em Creta (1568) depois de ouvir sobre os maus tratos aos Judeus. No documento ele afirma, “Injustiça, portanto, é e permanece ainda como injustiça, independente de quem a tenha feito ou sofrido”.

A pessoa injusta nunca está livre da responsabilidade desses atos injustos sob o pretexto de que a injustiça feita foi feita contra um heterodoxo e não contra um fiel. Como Nosso Senhor Jesus Cristo no Evangelho disse, “Não oprima ou acuse alguém falsamente; nunca faça nenhuma distinção ou dê espaço para os crentes ferirem aqueles de uma outra crença.”

Eu encerro com o pensamento de que todos os seres humanos são filhos de Deus criados à Sua Imagem, e tolerância para com as outras pessoas que têm uma fé diferente é um mandamento imperativo dado pelo próprio Cristo. Estou também comprometido com as palavras de Nosso Senhor, “Eu sou o Caminho, a Verdade, e a Vida” (Jo. 14:6).
Rev. Dr. George C. Papademetriou
“Boletrim Interparoquial " – fev 2003

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Oração ao Anjo Guardião

Santo Anjo que assiste a minha pobre alma e preside à minha vida tão plena de paixões, não abandones o pecador que eu sou e não Te afastes de mim em virtude de minha intemperança. Não dê espaço ao maligno demônio para reinar sobre mim, dominando com força este corpo mortal. Fortifica minha pobre e miserável mão e conduz-me na via da salvação. Ó santo Anjo de Deus, Guardião e Protetor tanto de minha pobre alma como de meu corpo, perdoa-me tudo que Te ofendi em todos os dias de minha vida; se pequei à noite passada, defende-me neste dia e protege-me de toda tentação diabólica, afim de que eu não encolerize por pecado algum meu Deus: Ora por mim ao Senhor para que Ele me consolide em Seu temor e faça de mim um servo digno de Sua bondade.
Amém.

sábado, 27 de outubro de 2007

"Ícones e Afrescos"

Ícones e afrescos — representações artísticas do nosso Salvador, dos anjos, dos santos e de passagens bíblicas — são uma parte importante de uma igreja Ortodoxa. Os ícones servem para nos lembrar de Deus, de Seus feitos de bondade e do Reino dos Céus. Eles transmitem em linhas e cores o que as Sagradas Escrituras descrevem em palavras. Essas imagens santas criam uma atmosfera de oração na igreja. Sem eles, a igreja pareceria um salão de reuniões secular.

Quando rezamos diante de um ícone, devemos nos lembrar de que não estamos orando ao material do que ele é feito, mas ao Senhor, à Mãe de Deus e aos Santos, que nele estão representados. Tudo o que vemos ou ouvimos tem um efeito nos nossos pensamentos e no nosso estado de humor; este é o modo pelo qual funciona nossa natureza humana. Por esta razão, achamos muito mais fácil concentrar na oração tendo a imagem de Deus diante de nós, do que olhando simplesmente para uma parede nua, ou outra coisa não relacionada com a oração.

Aqueles que não são Ortodoxos, frequentemente condenam o uso dos ícones, por um mal-entendimento do significado do Segundo Mandamento, no Velho Testamento, o qual proíbe a veneração de falsos deuses. Sabemos, pela História da Bíblia, que, enquanto o Senhor proibia a idolatria, também ordenava a Moisés mandar esculpir um querubim de ouro para cobrir a Arca da Aliança, onde Ele prometera aparecer a Moisés. “Faz um querubim numa extremidade, e um outro querubim na outra ponta... Aí hei de vir ter contigo, e contigo comungarei, desde o trono da misericórdia, entre os dois querubins que ficam em cima da arca do testemunho” (Êxodo, 25:18-22; 26:1-37).

Do mesmo modo, no Templo de Salomão, imagens esculpidas e bordadas do querubim foram encontradas no local para onde o olhar dos sacerdotes se dirigia no momento da oração. (1 [3] Reis 6:27-29; 2 Cron. [2 Paral.] 3:7-14). O Templo de Jerusalém, restaurado, no qual nosso Senhor Jesus Cristo, Seus Apóstolos e os primeiros Cristãos oraram, também continham figuras semelhantes ao querubim.

Um dos ícones mais antigos é aquele com a imagem chamada de Salvador “Não feito por mãos humanas”. A Tradição nos conta que o nosso Senhor Jesus Cristo enviou um retalho de linho com uma imagem de Sua Face, miraculosamente impressa, a Abgar, Príncipe de Edessa, que sofria de lepra. Depois de ter rezado diante daquela imagem, Abgar foi curado de seu mal.

São Lucas, o Evangelista, era um artista; ele pintou um número de retratos da Santíssima Virgem Maria. Estes, serviram como modelos para ícones subseqüentes, muitos dos quais operaram milagres.

As catacumbas, aqueles lugares santificados pelas orações dos antigos cristãos, preservaram a arte sagrada daquele tempo até o presente, Em comparação com a iconografia atual, essas imagens antigas tinham uma natureza mais simbólica; no entanto, o propósito é o mesmo: lembrar-nos de Deus. Dentre as imagens usadas na antiga Arte Cristã, devemos mencionar as seguintes: o cordeiro, simbolizando o Senhor Jesus Cristo em seu sofrimento sacrificial por nós; o leão — um símbolo do Seu poder; o peixe — a palavra grega, ichthys, é um acrônimo de “Jesus Cristo, filho de Deus, Salvador”; a âncora — um símbolo da esperança cristã; a pomba — símbolo do Espírito Santo; o galo e a fênix — aves símbolo da Ressurreição; o pavão — símbolo de imortalidade; a vinha e a cesta de pão — símbolos do Sacramento da Santa Eucaristia; e muitos outros. Também encontrado nas catacumbas encontram-se composições artísticas mais complexas, ilustrando eventos bíblicos e as parábolas das Escrituras: Noé na arca; a adoração dos Magos; a ressurreição de Lázaro; o Profeta Jonas na baleia; o Profeta Moisés recebendo as tábuas da lei; as palavras do semeador, das virgens sábias e das virgens néscias, etc. Com a passagem dos séculos, esses símbolos e composições cristãos iniciais desenvolveram-se em mais finas e variadas obras de arte.

Nos ícones, Deus está representado na imagem pela qual Se revelou ao homem. Por exemplo, a Santíssima Trindade é representada na figura de três viajantes angélicos sentados a uma mesa. Este é o modo pelo qual o Senhor apareceu ao reto Abraão. Em alguns ícones, cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade recebe uma representação simbólica distinta. Jesus Cristo é pintado na forma humana, tal como Ele apareceu quando desceu à Terra e se fez homem — como um Infante nos braços da Virgem Maria, ou ensinando às multidões e fazendo milagres, ou transfigurado, ou sofrendo na Cruz, ou jazendo na sepultura, ou ressurgindo dos mortos, ou subindo aos céus. Deus Espírito Santo é representado na forma de uma pomba, tal como Ele se revelou no Batismo de Nosso Senhor no Jordão, ou na forma de línguas de fogo, tal como desceu visivelmente sobre os santos Apóstolos no qüinquagésimo dia depois da Ressurreição de Cristo.

Os ícones são diferentes das pinturas e fotografias comuns. As imagens nos ícones devem estar de acordo com a tradição iconográfica, que foi trabalhada durante séculos. Um ícone recém pintado deveria ser abençoado na igreja, aspergido com água benta. Depois disto, torna-se um objeto sagrado, através do qual a graça do Espírito Santo atua invisivelmente. Sabe-se bem que há muitos ícones milagrosos, que proporcionaram muitas curas.

Envolvendo a cabeça do Salvador e dos santos nos ícones, há um esplendor, um círculo de luz, chamado nímbus. O nímbus simboliza a graça de Deus que repousa naquele que ele envolve. O esplendor da luz de Deus normalmente é invisível ao olho físico, mas houve tempos em que, pela vontade de Deus, tornou-se visível ao homem. Assim, por exemplo, o Profeta Moisés tem que cobrir seu rosto com um véu para não cegar as pessoas com a luz que brilhava em sua face. No Monte Tabor, aos Apóstolos foi permitido verem a irradiação da Divindade de Cristo.

Durante uma conversa com Motovilov, o rosto de São Serafim de Sarov ficou como o sol. O próprio Motovilov escreveu que ele ficou impossibilitado de mirar o rosto do santo naquele momento. Tais relatos podem ser encontrados nas vidas de muitos santos também.

Nos ícones do Salvador, as palavras gregas “IC XC”, isto é, “Aquele que é”, geralmente são inscritas no nímbus, pois Ele, sendo Deus, é para sempre. Nos ícones da Mãe de Deus, inscreve-se as letras gregas “MP OY” . Elas são uma abreviação de M_t_r Theoutokous — Mãe de Deus.

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autor da gravura: Akim Karneyev

Oração de São Basílio

Senhor Todo-Poderoso, Deus das Potestades e de toda carne, que habitas nas alturas e lanças o Teu olhar, Tu que sondas os corações e os rins conhecendo claramente os segredos dos homens, ó Luz sem princípio e eterna, na Qual não há alteração nem sombra de mudança alguma, Tu-Próprio, Rei Imortal, acolhe a nossa oração que neste tempo presente, confiando em Tua imensa bondade, Te dirigimos de lábios impuros; perdoa os nossos pecados, que cometemos em ações, em palavras e em pensamentos, consciente ou inconscientemente, purifica-nos de toda mancha da carne e do espírito e faz de nós templos do Espírito Santo. E concede-nos de que com um coração vigilante e um intelecto sóbrio passemos toda a noite da vida presente, esperando a vinda do dia luminoso e resplandecente de Teu Filho Unigênito nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo, o Qual virá em glória como Juíz atribuir a cada um segundo as Suas obras. Que Ele não nos encontre caídos e nem adormecidos, antes retos e vigilantes na prática dos Seus Mandamentos, prontos a entrar juntos com Ele no júbilo da câmara divina de Sua glória, onde ressoam sem cessar os clamores festivos e o gozo inexprimível daqueles que contemplam a inefável beleza da Tua Face. Pois Tu és a luz verdadeira, que ilumina e santifica tudo e todos, bem como toda a criação Te canta pelos séculos dos séculos.
Amém.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

"O MISTÉRIO DA SALVAÇÃO", São Máximo o Confessor

TRATADO DO MAL
Dando as definições que se seguirão, S. Maximo permanece na linha do pensamento patrístico clássico. Ele aproveita, contudo, a ocasião para expor uma de suas idéias mestras: as paixões, fruto da primeira transgressão da vontade divina, rebaixaram o homem ao nível de animal. A dialética entre a paixão do prazer e aquela da dor determina a condição mesma do ser humano e de seu futuro e o conduz à morte, visto que o homem perde todo o contato com seu Criador. Nesta perspectiva psicológica e existencial, o mal não é mais uma noção abstrata; ele é, ao contrário, tudo aquilo que há de trágico e de corrompido na natureza humana: a ignorância do Criador e o apego animal aos objetos sensíveis que impulsionam o homem a adorar a criação. Esta constatação nos faz perceber as duas dimensões que comporta a natureza humana: uma, espiritual, leva o homem ao conhecimento de Deus e à união com Ele; outra, corporal, o impulsiona para as criaturas sensíveis e o submete à sua servidão sob as formas variadas das paixões múltiplas. É apenas em conseqüência da libertação desses males e da via direta para a salvação que, de uma parte, na denúncia absoluta dos vínculos da alma com o corpo e com o mundo aqui de baixo, de outra parte, no amor verdadeiro e consciente por Deus. Dizendo de outra forma, é necessário abolir o amor por si mesmo que se exerce na adoração da criação e manifestar a adoração unicamente a Deus pela prática das virtudes. Um tal conhecimento ativo de Deus nos introduz no seu amor e na união com Ele, operada pela graça.

DEFINIÇÃO DO MAL
O Mal não tem existência própria e não a terá jamais. Ele não tem, de modo algum, nem essência, nem natureza, nem hipóstase, nem faculdade, nem ação, como os outros seres criados. Ele não é nem qualidade, nem quantidade, nem relação, nem lugar, nem tempo, nem posição, nem ação, nem movimento, nem hábito, nem paixão, e não pode ser observado como tal na natureza de nenhum ser. Ainda mais, ele não tem ligação natural estrita com os seres. Ele não é nem começo, nem meio, nem fim. Definindo-o, poderíamos dizer que o Mal é apenas a ausência de ação das faculdades colocadas na natureza dos seres com a finalidade de as impelir para seu objetivo. Ou ainda, o Mal é um movimento irrefletido das faculdades naturais que as conduziu, por falsos julgamentos, a outra coisa que não seu verdadeiro objetivo. Compreendo por “objetivo”, o Autor de toda criatura para o qual tendem, por sua própria natureza, todos os seres. Isto era verdadeiro antes que o diabo levasse o homem a ignorar seu Criador empurrando-o para as criaturas; e isto, por um ciúme dissimulado sob uma aparente benevolência.

Ao primeiro homem, por ter feito mau uso de suas faculdades naturais, que deviam conduzi-lo a seu termo, aconteceu ignorar seu Criador. Ele tomou, assim, por Deus – seguindo o conselho da serpente – o que Deus lhe ordenou considerar como seu inimigo. Tornando-se desobediente e ignorando Deus, o homem misturou, até as confundir, suas faculdades intelectuais e seus sentidos e foi atraído pelo conhecimento das coisas sensíveis, conhecimento complexo e desastroso, visto que lhe desdobrava as paixões. Ele pôde, assim, ser comparado aos animais sem inteligência e se lhes assemelhou. De fato, agia, pensava e decidia como os animais. Tornou-se, mesmo, pior que os animais, pois trocou aquilo que era natural nele, por aquilo que é contra a natureza. Ora, quanto mais o homem se dirigia para as coisas sensíveis, por meio, apenas, dos sentidos, mais a ignorância de Deus o acabrunhava; quanto mais era aprisionado pela ignorância de Deus, mais se entregava ao gozo das coisas materiais conhecidas pela experiência; quanto mais se impregnava desse gozo, mais excitava o amor por si mesmo, sua conseqüência; quanto mais cultivava o amor por si mesmo, mais inventava múltiplos meios de obter o prazer, fruto e finalidade do amor por si mesmo. Mas, como o prazer desaparecia com os meios que o produzem e, como à experiência do prazer sucede, sempre, o sofrimento, o homem se dirigia tanto mais violentamente para o gozo quanto mais ensaiava evitar o sofrimento. Por esta tática, ele pensava poder separar um do outro e guardar para si só o prazer, junto com seu amor por si mesmo e estranho a todo sofrimento. Mas era impossível. Na sua paixão, o homem parecia esquecer que o prazer não pode jamais existir sem a dor. De fato, os sofrimentos físicos da dor estão incluídos no gozo, mesmo quando, sob influência do prazer, os homens não se dão conta disso; pois está na natureza das coisas que o mais forte leva a melhor sobre o mais fraco que está caído.É assim que a imensa e inumerável loucura das paixões invadiu a vida dos homens. Sua vida tornou-se, assim, deplorável. Pois os homens honram a causa mesma do aniquilamento de sua existência e perseguem, sem o saber, a causa de sua corrupção. A unidade da natureza humana se desmorona em mil pedaços e os homens, como feras, devoram sua própria natureza. De fato, procurando obter o prazer e evitar o sofrimento, impulsionado pelo amor por si mesmo, o homem inventa formas múltiplas e inumeráveis de paixões corruptoras. Por exemplo, se pelo prazer, se cultiva o amor por si mesmo, suscita-se, em si mesmo, a gulodice, o orgulho, a vaidade, a presunção, a avareza, a avidez, a tirania, a arrogância, a ostentação, a crueldade, o furor, o sentimento de superioridade, a teimosia, o desprezo pelos outros, a injúria, a impiedade, a permissividade nos costumes, a prodigalidade, o desregramento, a frivolidade, a bazófia, a indolência, o insulto, o ultraje, a prolixidade, a tagarelice, a obscenidade, e todo outro vício desse gênero. Mas, se o amor por si mesmo é ferido pelo sofrimento, faz nascer a cólera, a inveja, o ódio, a hostilidade, o rancor, o ultraje, a maledicência, a calúnia, a tristeza, o desespero, a angústia, a falsa acusação da providência divina, a indiferença, a negligência, o desânimo, o abatimento, a pusilâminidade, a lamentação, a melancolia, a amargura, o ciúme, e todos os outros vícios provenientes da privação do prazer. A mistura sofrimento-gozo, que engendra a malevolência e a maldade faz nascer em nós a hipocrisia, a ironia, a astúcia, a dissimulação, a adulação, a complacência, e os outros vícios nascidos dessa mistura.

“Boletim Interparoquial” abril de 2003
Textos traduzidos e apresentados por Astérios ARGYRIOU
Les Éditions du Soleil Levant, Namur, Belgique, 1964

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Mosaico - Manastir Sv. Apostola Petra i Pavla, Trebinje, Herzegovínia
autor: p.marcos

Oração de São Macário, o Grande (I)

Ao despertar do sono, eu recorro a Ti, Mestre Amigo dos homens, e por efeito de Tua caridade, me disponho à Tua obra.
Eu Te peço em assistir-me em todo o tempo e acontecimento; preserva-me de todo malefício deste mundo, bem como de toda artimanha do diabo, salva-me e conduz-me ao Teu Reino eterno.
Pois Tu és o meu Criador, o Mediador e o Dispensador de todo o bem, em Ti eu ponho a minha confiança e a Ti dirijo a glória, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Amém.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

"A Presbitéria - seu papel na família sacerdotal e na vida eclesiástica"

Bênção, sacrifício, serviço e responsabilidade.

Primeiramente, eu devo dizer quão grande benção é para a nossa Santa Igreja Ortodoxa o fato de ela ter consagrado também, entre tantas outras coisas, o clero casado, ao contrário da Igreja Católico-Romana, que neste aspecto segue uma outra via. Em todas as suas questões, bem como nesta, nossa Santa Igreja Ortodoxa mostra-se muito mais humana, muito mais calorosa, muito mais próxima do homem, e de suas necessidades, e eu o repito, que considero isto como uma grande benção: os Padres casados constituem a maioria dos Padres. Eles vivem o mistério do sacerdócio e, ao mesmo tempo, o calor do lar familial e do amor familial. Eu quero crer que se as coisas não fossem assim, a Igreja estaria, de alguma forma, afastada dos problemas do homem contemporâneo, e isto porque é no seio da família que vivemos a plenitude das necessidades humanas, bem como as soluções santas e sagradas nas necessidades e nos problemas dos homens. No que concerne a nossa é necessário sublinhar quatro palavras-chaves: primeiramente, benção; em segundo lugar, sacrifício; em terceiro lugar, serviço e em quarto lugar, responsabilidade.

Antes de tudo, insistamos sobre a benção. Eu sei muito bem, e nós sabemos todos, que o fato de alguém ser Padre não é resultado de seu esforço próprio, mas sim de uma escolha e uma eleição de Deus: “Não me escolhestes vós a mim, mas Eu vos escolhi a vós,e vos nomeei; Eu vos escolhi do mundo”(Jo.15, 16 e 19), conhecemos também a passagem “Ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Aarão”(Hb. 5,4). A tomada de consciência do fato e da verdade que trata-se de uma inclinação-apelo, que provém da escolha de Deus para nós, constitui em efeito uma grande honra, o que é uma benção. E isto, não devem jamais esquecer nem os Padres e nem os Bispos, nem as famílias de nossos Padres que participam desta benção. Eis uma fonte de inspiração e de força cotidiana...

A segunda palavra é o sacrifício. O sacrifício é inseparável à missão sacerdotal. E, certamente a Presbitéria, como esposa e mãe na casa, tem mais sacrifícios a sofrer, porque de certa forma ela participa da missão do Padre no mundo e na sociedade, mas, todavia, tem também seus problemas a mais, como esposa e mãe.

Na época atual não é assim tão fácil para uma mulher ser esposa de Padre. Se nossos Padres, em nossa época, e em todo o tempo, portaram o opróbrio de cristo, o mesmo é válido, guardando, no entanto, todas as proporções, para a esposa do Padre e para seus filhos e crianças.

Nós devemos sustentar as famílias sacerdotais, para que elas possam portar a escolha de um tal sacrifício, sempre certas na lógica da benção com a qual começamos precedentemente. Os problemas das famílias sacerdotais, talvez não sejam largamente conhecidos, mas, todavia existem: são problemas que reúnem nela cada família; são problemas que todos nós temos o dever e a obrigação de abordar, estendendo uma mão que socorre.

A terceira palavra-chave é o serviço. O serviço provém da concepção, que nós temos e que nós aprendemos a ter, de que somos imitadores de Cristo Jesus, o qual “não veio para ser servido, mas para servir, e dar a Sua vida em resgate de muitos”. (Mt. 20,28). O serviço, o senso do serviço é inseparável ao senso do sacerdócio e pré-suposto, certamente, de grandes reservas de amor na alma do Padre, mas também na alma da Presbitéria, sua esposa. E este serviço é aquele que se estende e abraça todo o homem como entidade psicossomática.

E, enfim, a palavra responsabilidade, a quarta palavra é também aquela que convém ao povo da Igreja, e aos Padres e às Presbitérias. O fato de viver com responsabilidade, com consciência de uma alta missão, que temos que realizar no mundo; isto também é único. É algo que vivemos mais do que podemos descrever. O que significa viver com responsabilidade? Isto significa exatamente que cada um viva com o sentido da oferenda no seio da sociedade, como também o da recompensa pelo que ele oferece à sociedade.

Sua Beatitude o Arcebipo Cristódulos de Atenas e toda a Grécia
Revista Ephimerios, Athenas, Junho 2000)
Traduzido pela monja Rebeca - Manastir Sv. Apostola Petra i Pavla
Boletim Interparoquial” (set. 2004)

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Iconostase da Capela de Santa Maria Madalena
Mosteiro Ortodoxo da Dormição da Santa Mãe de Deus
Penedo, Itatiaia, Rio de Janeiro

Oração de Manassés, Rei de Judá

Senhor, Todo-Poderoso, Deus de nossos Pais Abraão, Isaac e Jacob e de sua santa posteridade; Tu, que criaste os céus e a terra com todo o seu esplendor; Tu, que pela Tua palavra fixaste os limites do mar, Tu que formaste o abismo selando-o pelo Teu Nome temível e glorioso. Tu, cujo poder faz tremer toda criação, face à magnificência de Tua glória inacessível e o fogo abrasador da Tua ira para com os pecadores; Tu nos ofereces, também, a Tua insondável e imensa misericórdia, segundo a Tua santa promessa. Pois Tu és o Senhor Altíssimo, compassivo, longânime e cheio de misericórdia, que perdoas as iniqüidades dos homens. Tu, Senhor, na Tua infinita bondade, prometeste a penitência e o perdão, àqueles que pecaram contra Ti e, na abundância de Tua compaixão, estabeleceste o arrependimento, não para os justos, visto que não pecaram contra Ti, mas para mim, pecador, cujas faltas ultrapassam em número os grãos da areia do mar. Eu acresci as minhas faltas, sim, Senhor, eu acresci-as e não sou digno de elevar os olhos e olhar ao alto para o céu, em virtude da multidão das minhas iniqüidades. Eis que vergo-me e não mais posso erguer a cabeça, por ter exasperado o Teu furor e praticado o mal diante de Ti, no lugar de cumprir a Tua vontade e guardar os Teus preceitos. E agora, faço prostrar o meu coração, implorando a Tua bondade. Pequei, Senhor, pequei contra Ti e reconheço as minhas faltas; mas imploro-Te, suplicando: Perdoa-me, Senhor, perdoa-me; não me faças perecer pelas minhas faltas, não Te detenhas para sempre pelo mal que cometi e não me lances às profundezas da terra. Pois Tu és, ó Senhor, o Deus daqueles que se arrependem, Tu manifestarás em mim a Tua plena bondade, posto que apesar da minha indignidade, salvar-me-ás na Tua grande misericórdia. Eu Te louvarei para todo o sempre, em todos os dias da minha vida, assim como os Poderes Celestes que Te exaltam nos céus. Pois que a Ti pertence a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Festividades na Paróquia de Santa Zenaide"

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2007

Atendendo ao convite do Rev. Padre Vassily (Gelevan) e representando sua Exa. Revma. Chrisóstomo (atualmente em viagem pastoral à Igreja da Polônia e ao Patriarcado da Sérvia), o Revmo. Arcipreste Bento e o Rev. Padre Marcos, acompanhados de alguns fiéis e crianças da Catedral da Santíssima Virgem Maria, estiveram presentes no último dia 21, nas festividades dos 70 anos da consagração da Paróquia de Santa Zenaide do Patriarcado de Moscou, em Santa Teresa no Rio de Janeiro.

Com a presença de Sua Exa. Revma. Bispo Platão, Metropolita da Argentina e América do Sul, do cônsul russo e inúmeros fiéis da comunidade de Santa Zenaide, foi oferecido, após as celebrações litúrgicas, um almoço agápico onde pudemos desfrutar da fraternidade e amor cristão dos nossos irmãos na fé.

Desejamos à comunidade de Santa Zenaide e ao Rev. Padre Vassily e família, que o Senhor nosso Deus os abençoe, preserve e os proteja pelos séculos.

A história detalhada da “Paróquia de Santa Zenaide” (desde 1937), em artigo cedido pelo Rev. Padre Vassily, será publicado na próxima edição do “Boletim Interparoquial”.

Santa Mártir Zenaide - 11/24 de outubro

As santas irmãs Zenaide e Filonila nasceram na cidade de Tarso, na região da Cilícia, na Ásia Menor (hoje, Turquia). A Tradição relata que elas eram parentes do Apóstolo Paulo. Paulo, que outrora chamara-se Saulo e fora um dos principais perseguidores dos cristãos e da Igreja de Deus, após sua conversão tornou-se um confessor da fé cristã. Vendo a grande mudança na vida do seu tio, as jovens virgens, refletindo sobre as coisas vãs deste mundo e os ensinamentos de São Paulo, desejaram de alma inteira trabalhar somente para Cristo. Escolhendo cuidar apenas das necessidades de suas almas, estabelecendo-as na fé e ensinamentos cristãos, Zenaide e Filonila viajavam pelas cidades e vilarejos pregando o Evangelho e curando todo tipo de doenças e enfermidades do povo. Deixando sua mãe e renunciando às suas propriedades, as virgens realizaram obras verdadeiramente apostólicas. Tendo nos seus corações as palavras do Profeta Davi: “O quão bom e suave é viverem os irmãos em união” (Sal. 132:1), Zenaide e sua irmã decidiram ir morar em uma caverna próxima à cidade de Demetríade, ao norte de Tarso. Lá as virgens levavam vidas iguais as dos anjos. Zenaide tratava de todas as doenças possíveis e Filonila, entregando-se ao jejum e à vigília, operava grandes milagres. Mas foi agradável a Deus que estas pérolas não ficassem escondidas da população, que necessitava da sua ajuda e serviço. Cada vez mais e mais pessoas vinham à caverna das virgens para serem curadas. As santas irmãs curavam tanto as enfermidades físicas como as enfermidades espirituais do povo, firmando-o na fé Cristã. Vendo a quantidade de pessoas que se recuperavam através da grandiosa graça das virgens cristãs, muitos pagãos converteram-se ao Cristianismo e foram batizados. Não sabemos quanto tempo as Santas Zenaide e Filonila permaneceram em Demetríade, porém, alguns dos pagãos que ali viviam enfureceram-se com o resultado da pregação e dos milagres operados pelas virgens, pois devido a elas os templos pagãos ficaram desertos e a adoração aos demônios diminuiu. Sentindo-se ameaçados, os pagãos resolveram matá-las, e à noite foram a caverna das virgens e as apedrejaram até a morte, enviando assim seus espíritos ao Paraíso. Foi assim que as santas virgens Zenaide e Filonila receberam suas mortes martíricas. Rezamos para as Santas Mártires Zenaide e Filonila pedindo a cura de toda enfermidade da alma e do corpo.

Pelas orações de Santa Zenaide, ó Cristo Nosso Deus, tem piedade de nós.
Texto gentilmente cedido pelo Rev. Padre Vassily Gelevan
Igreja Ortodoxa Russa - Patriarcado de Moscou
Diocese da Argentina e América do Sul
Paróquia de Santa Zenaide, Santa Teresa, Rio de Janeiro

Oração de São Policarpo de Smirna

Ó Senhor, Deus Todo-Poderoso, Pai de Jesus Cristo, Teu Filho Bem-Amado e bendito, por Quem nós Te conhecemos; Deus dos Anjos e das Potestades, Deus de toda a criação e de toda família dos Justos, que vivem em Tua presença.
Eu Te bendigo por me teres julgado digno de ser contado no número de Teus mártires e de participar do cálice de Teu Cristo para a ressurreição da alma e do corpo na vida eterna, e na incorruptibilidade do Espírito Santo.
Possa eu hoje, com eles, ser aceite em Tua presença, como oblação preciosa e agradável: Tu me preparaste para ela, Tu ma revelaste, guardaste Tua promessa, Deus de fidelidade e de verdade.
Por esta graça e por tudo, eu Te louvo, Te bendigo, Te glorifico por meio de Jesus Cristo, Teu Filho Bem-Amado, eterno Sumo-Sacerdote nos Céus.
Por Ele, que está con´Tigo e com o Espírito Santo, Te seja dada toda a glória, agora e pelos séculos vindouros.
Amém.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

"O que sabe a Alma"

"A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si"

O padre intelectual Fr. Pavel Florensky, que pereceu num campo de trabalhos forçados soviético escreveu o comentário acima sobre a nossa fé. Ele quis dizer que aprender a religião Cristã Ortodoxa é uma questão do coração descoberto na alma daquele que procura. Não é encontrada na mente apenas. A pessoa não chega a conhecer Deus; a pessoa O experimenta. Quem insiste numa explicação racional da fé em Deus muito provavelmente partirá com seu ateísmo e ceticismo renovados.

Um tratado clássico sobre a espiritualidade, “O Sagrado” (Das Heilig), de Rudolf Otto, começa com um chamado ao leitor para que recorde uma experiência de sua vida que transcenda tudo aquilo que pudesse explicá-la. A avassaladora sensação luminosa, ele assim a designou. Otto insistia em que: cada indivíduo possui (...) tal evento no baú de sua memória; entretanto, se o leitor for incapaz de relembrar um tal motivo de espanto transcendental, ele nada obterá do livro de Otto.

Certa feita, depois de Beethoven tocar uma de suas sonatas ao piano, uma mulher o perguntou: “Qual o significado disso?” O grande compositor ponderou a pergunta um largo instante. “O que significa?”, repetiu. Voltando ao seu banquinho ao piano, ele tocou a sonata toda de novo. “É isto o que significa”, gritou. Algumas experiências desafiam a explicação.

Aquele que chamamos, o Senhor, nos manda, no Evangelho lido em nosso Batismo: “Ide e pregai, ensinai e batizai”. A Ordem divina permanece um desafio para todos, e é, frequentemente, desdenhada. Nós a deixamos para os especialistas e evangelistas. Porém, é nossa preocupação compartilhar a fé; por não estarmos dentre o clero, ou dentre um dos teólogos, não quer dizer que estejamos dispensados da evangelização. De fato, as dificuldades são colossais, mas você pode sair-se bem dirigindo-se à pessoa que você quer conquistar para Cristo. É só você pensar que está se dirigindo à alma desse que você quer trazer para Cristo na Ortodoxia. Você vai dizer uma palavrinha sobre a Palavra se você sempre começar onde a outra pessoa está espiritualmente. O que ela sabe sobre a Bíblia? Quais são as partes dominantes, quais são as partes desconhecidas ou ignoradas? E, quanto você conhece a Bíblia? Você é capaz de explicar o modo pelo qual a Igreja captou, e até expandiu, a mensagem básica do Evangelho?

As características externas da Igreja Ortodoxa podem intrigar à pessoa que você está tentando conquistar para o Senhor. Os ícones podem fasciná-la, também os mosaicos, a adoração e a tradição – e você pode partir daí, desde que o interesse deles vá além do superficial. Tudo o que fazemos tem um significado mais profundo, e a finalidade dos nossos sons e gestos está em direcionar o fiel à uma cada vez mais profunda união entre si e a Santíssima Trindade. Muitos são como banhistas no litoral, que gostam da água, mas nunca entram nela porque podem se molhar. Temos visitantes, espectadores, que chapinham nas coisas Ortodoxas. A Iconografia está em voga hoje em dia. Existem verdadeiros experts, auto-proclamados que podem palestrar sobre as centenas de estilos da Theotokos, discernir, pela cor, entre um ícone de Novgorod e um de Moscow, mas jamais se dignariam a venerar qualquer um deles. A Ortodoxia não é para espectadores ou diletantes; ela é o caminho para ser um com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Como está na citação de St. Fr. Florensky, acima, os ícones são mais que tinta e forma sobre a madeira. Eles honram àqueles escolhidos para serem retratados, àqueles que em suas vidas tornaram-se mais semelhantes a Deus, a quem ofereceram suas vidas e a quem entregaram suas vontades.
Rev. Vladimir Berzonsky

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Paróquia de Santa Catarina, a Grande
Mosteiro Ortodoxo de São Nicolau, o Taumaturgo
Conde, João Pessoa, Paraíba
autor: p. marcos

Oração dos Startsi de Optina

Senhor, concede-me a graça de saber aceitar tudo que venha acontecer neste dia que se inicia.
Permita que eu me entregue completamente à Tua santa vontade em todo momento deste dia. Ajuda-me e orienta-me em tudo, em todos os meus atos e palavras.
Guia meus pensamentos e sentimentos em todos os casos inesperados.
Não permita que eu me esqueça que tudo vem de Ti.
Ensina-me a agir corretamente para com cada membro de minha comunidade afim de que eu não venha a ofender nem a magoar ninguém.
Senhor, dá-me a força de superar a fadiga deste dia, e suportar tudo o que possa acontecer no dia de hoje.
Dirige a minha vontade, e ensina-me a orar, a ter fé, esperança, paciência, saber perdoar e amar.
Amém.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

OSTROV (A Ilha)

Repassando email da minda amiga e irmã em Cristo Anastácia do Recife:

Prezados amigos,
Em novembro de 2006, estreou nos cinemas russos o filme Ostrov , do cineasta Pavel Lungin. Um grande sucesso de bilheteria e de crítica na Rússia, foi o ganhador de seis Prêmios Nika em 2007 (o principal troféu do cinema russo), incluindo melhor filme, diretor e ator. Contudo, fora da Rússia, o filme ainda não recebeu a atenção que merece.
Trata-se de uma obra maravilhosa, especialmente tocante para cristãos ortodoxos. É a história (fictícia, mas que poderia perfeitamente ser real) de um monge santo, taumaturgo e de conduta extravagante, um louco-por-Cristo que vive seus esforços ascéticos em um pequeno mosteiro isolado numa ilha do Mar Branco, próximo ao Pólo Ártico, durante a década de 1970, na então União Soviética.
Aqui no Brasil, o filme ainda não entrou em cartaz, e nem foi lançado em DVD, até onde eu saiba. Contudo, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está promovendo três exibições do filme. Em português, ele recebeu o nome de A Ilha. A primeira sessão do filme já foi ontem; a segunda vai ser hoje (20 de outubro), às 20h50, no IG Cine, e a terceira será amanhã (21 de outubro), às 15h40, na Cinemateca - Sala Petrobrás. Mais informações aqui, na página da Mostra: http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_149.shtml
A imprensa divulgou a seguinte notícia sobre o filme: O Patriarca Aleixo II e outros clérigos de alto escalão elogiaram A Ilha pela sua descrição profunda da fé e da vida monástica. Pronunciando-se numa conferência eclesiástica em 29 de janeiro, o patriarca chamou A Ilha de "um exemplo vívido de esforço em promover uma abordagem cristã da cultura".
Aqueles que lêem russo encontrarão mais informações sobre o filme em seu site oficial: http://www.ostrov-film.ru/
E os que lêem inglês vão gostar desta crítica, escrita por um padre ortodoxo americano: http://fatherstephen.wordpress.com/2007/05/28/small-things-great-hopes
Abraços, Felipe Ortiz

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Interior da Igreja do Mosteiro da Dormição da Santa Mãe de Deus
Duzi - Trebinje, Bósnia e Herzegovínia
autor: p.marcos

Oração de São Filarete de Moscou

Acorda-me, Senhor, para acolher em paz o dia que se levanta; ajuda-me, em todas as coisas, a apoiar-me na Tua santa vontade; revelando-ma a cada hora do dia.
Abençoa o meu comportamento para com os meus companheiros.
Ensina-me a aceitar, com a alma serena, todo imprevisto do dia e dá-me a convicção profunda de que nada me acontecerá que não seja com o Teu consentimento.
Guia os meus pensamentos e os meus sentimentos em todas as minhas palavras e ações, e que eu me lembre que todo acontecimento imprevisto o é com o Teu consentimento.
Ensina-me agir com firmeza e sabedoria, sem exercer de aflição ou de opressão para com os outros.
Dá-me a força de suportar todas as fadigas deste dia; dirige a minha vontade. Ensina-me a orar, ora em mim.
Amém.

domingo, 21 de outubro de 2007

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Igreja de São João Batista em Tolchkovo, Yaroslavl , Russia - séc. XVII
autor: Vladimir Neelov

“Da leitura das Sagradas Escrituras”

Nas “Sagradas Escrituras” deve procurar-se a verdade, não a eloqüência.
Devem ser lidas com o mesmo espírito com que foram ditadas.
Busque-se antes a utilidade que a subtileza da linguagem.
Devemos ler com igual boa vontade, tanto os livros simples e piedosos, como os sublimes e profundos.
Não te mova a autoridade de quem escreve, se é de pouca ou de muita erudição: seja o puro amor da verdade que te leve à leitura.
Não procures saber quem disse, mas o que foi dito.
Os homens passam, mas a verdade do Senhor permanece eternamente.
De vários modos ela nos fala de Deus, sem acepção de pessoa.
Nossa curiosidade, muitas vezes, nos prejudica na leitura das Escrituras; porque pretendíamos entender e discernir tudo, quando conviria, simplesmente, ir além.
Se queres tirar proveito, lê com humildade, com fé e simplicidade e não aspires jamais ter fama de letrado.
De boa vontade consulta e ouve calado as palavras dos santos; e não te enfades com as sentenças dos mais velhos. Porque eles não as proferiram sem razão.

sábado, 20 de outubro de 2007

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autor: Slobodan Simic

"Há duas doutrinas, mas não há senão uma só Verdade"

Há duas doutrinas, uma de Deus, imutável, como Ele: outra do homem, mutável como ele. A sabedoria incriada, o Verbo divino espalha a primeira nas almas preparadas para recebê-la; e a luz que lhes comunica é uma parte dele mesmo, de Sua Verdade substancial e sempre viva. A todos Se oferece, mas com mais abundância se comunica ao humilde de coração; e como dele não venha, nem de seu entendimento dependa, ele a possui sem ser tentado de vã complacência possuí-la.
A doutrina do homem, pelo contrário, adula seu orgulho, porque ele é seu autor: “Esta idéia é minha; fui eu o primeiro que disse isto; nada se sabia a esse respeito antes de mim”. Espírito soberbo, eis aqui tua linguagem. Mas bem depressa contestarão a essa poderosa razão o que faz sua alegria; rirão de suas idéias falsas que ele tinha por verdadeiras, de suas descobertas imaginárias: no dia seguinte, já ninguém pensa em tal, e o tempo leva consigo até o nome do insensato que não viveu senão para ser imortal na terra.
Oh Cristo! Dignai-Vos de inspirar em mim Vossa Verdade Santa; preserve-me ela para sempre dos extravios de minha razão.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

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autor: Marina D.

"Do humilde sentir de si mesmo"

Todo homem, naturalmente, deseja “o saber”; de que vale, porém, a ciência sem o temor de Deus?
Melhor, sem dúvida, é o camponês humilde que serve a Deus que o filósofo orgulhoso o qual, de si mesmo esquecido, considera o curso dos astros.
Quem se conhece bem, despreza-se e não se compraz em humanos louvores.
Soubesse eu tudo no mundo, faltando-me a caridade, de que me valeria, diante de Deus que me julgará pelas minhas obras?
Abstém-te do desejo desordenado de saber, pela muita distração e ilusão que dele advêm.
Os doutos estimam ter tidos como sábios e que assim os considerem.
Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma.
E muito sensato é quem a outras coisas se aplica, indiferente à própria salvação.
A abundância de palavras não sacia a alma; uma vida santa, porém, refrigera a inteligência e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.
Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, a não ser que tenhas vivido mais santamente.
Não te desvaneças, pois, de qualquer arte ou ciência; antes teme pelas luzes que recebeste.
Se te parece que sabes muitas coisas e perfeitamente as compreendes, considera que muito mais é o que desconheces.
Não te presumas de alta sabedoria; antes, confessa tua ignorância.
Por que te preferes aos demais, quando há outros mais doutos e versados na lei?
Se queres alguma coisa saber e aprender, utilmente, estima ser ignorado e tido em nenhuma conta.
Não há melhor e mais útil ciência que o conhecimento e desprezo de si mesmo.
Ter-se por nada e julgar bem aos outros, é grande sabedoria e perfeição.
Ainda mesmo que visses alguém manifestamente pecar ou cometer faltas graves, nem por isso te deverias ter por melhor; pois não sabes o tempo em que perseverarás no bem.
Fracos somos todos, mas a ninguém tenhas por mais fraco que tu.

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autor: Yevgeniy Cherin

"Da imitação de Cristo e do desapego das vaidades do mundo"

“Quem me segue não anda em trevas”, diz o Senhor. São estas as palavras de Cristo pelas quais somos exortados a imitar Sua vida e Seus costumes, se verdadeiramente desejamos ser esclarecidos e livres de toda a cegueira de coração.
Seja, pois, nosso principal empenho meditar a vida de Jesus Cristo.
A Sua doutrina sobreleva a de todos os santos e quem possuir o seu espírito encontrará um maná escondido.
Acontece, porém, que muitos da freqüente audição do Evangelho tiram pouco proveito, por não terem o espírito de Cristo.
Quem quiser, pois, entender plenamente e com proveito as palavras de Cristo, deve conformar sua vida com a Dele.
Que te aproveita discorrer sabiamente sobre Trindade se, por falta de humildade, lhe desagradas?
De certo não são as palavras sublimes que tornam o homem santo e justo; mas uma vida virtuosa o faz agradável a Deus.
É preferível, experimentar a compunção a saber defini-la.
Ainda que soubesse de cor toda a Bíblia e as máximas de todos os filósofos, de que serviria tudo isso sem caridade e a graça de Deus?
Vaidade das vaidades é tudo vaidade; exceto amar a Deus e só a Ele servir.
A suprema sabedoria consiste em procurar o Reino dos céus pelo desprezo do mundo.
Vaidade, pois, buscar riquezas perecedouras e nelas pôr sua confiança.
Vaidade também desejar honras e comprazer-se na elevação.
Vaidade seguir os apetites da carne e ambicionar o que mais tarde deve ser severamente punido.
Vaidade aspirar à longa vida, sem cuidar de que seja boa.
Vaidade atender somente à vida presente, sem prever as coisas futuras.
Vaidade amar o que tão depressa passa e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.
Lembra-te amiúde, do provérbio: “Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir”.
Aplica-te, pois, em desviar de teu coração o amor das coisas visíveis e volta-te para as invisíveis; pois, os que seguem os atrativos da carne, mancham a consciência e perdem a graça de Deus.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Santa Pelágia, a Penitente - 08/21 de outubro

Santa Pelágia vivia em Antioquia na segunda metade do quinto século. Entregue à dança e aos prazeres impuros, ela era a prostituta mais conhecida desta grande cidade e tinha retirado de seus fundos uma grande fortuna que ela utilizava somente para os cuidados do corpo e em perfumes voluptuosos para atrair novas vítimas às suas redes. Ela tinha muitos escravos e servidores que a escoltavam quando ela passeava pela cidade, sentada em seu carro luxuoso.

Ora, certo dia o Arcebispo de Antioquia havia convidado Nonnus, o Bispo de Edessa, um santo homem cujas palavras inspiradas traziam seus auditores ao arrependimento e o amor à virtude, a pregar diante do povo. Pelágia acabava de passar diante da assembléia com seu cortejo habitual. Quando todos voltavam os olhos a este espetáculo, São Nonnus olha esta mulher chorando. Ele diz aqueles que o rodeavam: “Pobre de nós, preguiçosos e negligentes, pois nós devemos dar contas no dia do julgamento, por não termos agradado a Deus pelo mesmo zelo e cuidado que põe esta pobre mulher a ornar seu corpo por um prazer passageiro”. E ele ora ardentemente ao Senhor pela sua conversão.

No dia seguinte, quando Nonnus comentava o Santo Evangelho ao curso da Divina Liturgia, Pelágia encontrava-se na assembléia. As palavras do Bispo sobre o julgamento final e a eternidade das penas do inferno penetram no coração da jovem mulher tal como uma espada pontiaguda e despertam nela o único e verdadeiro amor, aquele do esposo celeste.

De retorno ao seu palácio, ela dirige uma carta ao Santo Bispo, pedindo que ele aceitasse de recebê-la e que não desprezasse sua torpeza, sendo ele verdadeiramente discípulo daquele que é vindo para chamar “não os justos, mas os pecadores à conversão” (Mt. 9,13).

Nonnus responde-lhe que se ela estivesse verdadeiramente decidida a arrepender-se, ela deveria apresentar-se na Igreja, diante de toda a assembléia dos clérigos e do povo, para confessar suas faltas.

Pelágia precipita-se à igreja, esquecendo seu cortejo e seu orgulho de outrora. Em seguida ela prostra-se aos pés do Bispo e o suplica de fazê-la renascer à vida divina pelo Santo Batismo, a fim de que o demônio e o hábito não a lembrassem de sua vida de desleixo. Quando do batismo de Pelágia, toda a cidade de Antioquia rejubila-se neste acontecimento e da salvação desta alma.

Ela foi confiada à uma monja romana, que a inicia no combate espiritual e à vida do arrependimento. Pela oração e pelo sinal da cruz, ela vence assim as tentações de retornar à sua vida de pecado, que não tardam a confundi-la. Alguns dias depois de seu batismo, Pelágia faz distribuir todas as riquezas aos pobres e junta-se aos escravos.

Assim, liberada de todo apego do mundo, ela troca seus vestidos femininos por rudes vestimentas masculinas e parte em secreto para praticar a ascese na Palestina, sobre o Monte das Oliveiras. Ela permanece muitos anos fechada em uma pequena cela, lutando a cada dia contra as paixões que estavam enraizadas em seu corpo e colocando a partir de então todo cuidado que ela tinha outrora pelos cuidados exteriores ao ornamento de sua alma pela vida eterna.

Permanecendo na solidão, o renome de seus esforços espalha-se entre os ascetas da Palestina, os quais acreditavam que ela era um homem. Quando a Santa Penitente rende em paz sua alma a Deus, todos os monges da região reúnem-se para venerar suas santas relíquias e glorificam grandemente o Senhor, aprendendo de um discípulo de Nonnus a verdadeira história de Pelágia, que ensina todos aqueles que estão mergulhados nas trevas do pecado a não mais desesperar, mas a perseverarem com valentia sobre a via do arrependimento.
Tropário, t.4
No meio dos espinhos, floresceste para a Igreja como uma rosa de doce perfume e alegraste-nos pela prática das virtudes; como um perfume de agradável suavidade, ó Venerável Mãe, ofereceste a tua vida para Aquele que, por ti, realizou maravilhas; suplique a Ele, então, para nos salvar de todas as paixões da alma e do corpo.
Kondákion, t.2
Tendo desfeito o teu corpo nos jejuns, nas tuas orações de noites a fio suplicavas, ó Venerável Mãe, ao Criador para conceder-te plena remissão dos teus pecados; na verdade, recebeste este perdão por ter percorrido o caminho do arrependimento.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

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autor: Adam Falkowski

"PESSOA (Hipóstase)"

Na Igreja, ouvimos frequentemente a expressão: “Um Deus em Três Pessoas”. Sabemos, de fato, que nosso Deus é um Deus pessoal: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus não é apenas unidade, mas união, pois as pessoas divinas são “unidas sem confusão: distintas, porém não divididas” (São João Damasceno). Cada uma das três Pessoas da Trindade habita nas outras duas, em razão de um movimento perpétuo de amor (o que designa a palavra “pericorese”, que significa interpretação, reciprocidade, fluxo de vida).

Deus é uma essência em três Pessoas. Nesta expressão, a palavra “pessoa” é frequentemente substituída por “hipóstase” (pessoa vem do latim ´persona´: máscara, e corresponde à palavra grega “hypóstasis”: o que se põe por cima, o que se sobrepõe). Assim, diz-se que a união das duas naturezas em Cristo – a natureza divina e a natureza humana – é uma união “hipostática”, quer dizer, da pessoa. Não podemos aqui entrar em explicações complexas desses termos, mas deve-se compreender que, na teologia ortodoxa, a “hipóstase” designa a “pessoa”, e que “Deus Se fez homem para nos comunicar e plenitude da existência pessoal”.

De fato, estas palavras se aplicam também aos homens. Todos os homens possuem uma natureza comum que nos parece fragmentada pelo pecado, dividida em vários indivíduos. Ou, não se deve confundir, como o fazemos com freqüência, “indivíduos” e “pessoas”. Indivíduos, parcelas da natureza humana decaída, aquilo que chamamos liberdade, a submissão aos caprichos, aos desejos, às paixões e à vontade própria que afirmamos nossa natureza, opondo-se aos outros como nosso “eu” egoísta e separado. Tudo isso é causa de sofrimento e de morte. Mas não somos apenas isso. Somos, ou antes, nos tornaremos pessoas enxertadas no Corpo de Cristo e recebendo a unção do Espírito pelo Batismo, pelo Crisma, ou seja, os sacramentos e a vida em Igreja. É enquanto pessoa que o homem deve se realizar e tornar-se livre frente à natureza comum para não ser determinado por ela. Para que alguém ‘seja´ realmente, é necessário que ele seja uma “pessoa” (hipóstase) e que ele esteja em relação de ´comunhão´ (pericorese) com Deus e com os outros, pois a pessoa humana, à imagem de cada uma das Pesoas Divinas, só existe em relação com as outras pessoas.

A pessoa é criada à imagem de Deus. Cada qual é única, indefinível, insubstituível. E na Igreja que é a unidade primordial do homem enquanto pessoa será restabelecida como Corpo de Cristo, reflexo da vida divina das Pessoas da Trindade Santa.

É isto, porque pessoa não é uma entidade estática, fechada nela mesma, mas uma realidade dinâmica, chamada a realizar ´livremente´ sua semelhança divina. Ela se determina por sua relação universal de comunhão com Deus e com os outros. Ela é chamada a conhecer Deus e a tomar parte de Sua vida. Enquanto imagem de Deus, o homem é um ser pessoal, diante de um Deus Pessoal. À imagem de Deus é o homem enquanto pessoa. Realizar sua salvação é receber a vida da Trindade, é fazer-se à imagem da Trindade na comunhão de todos.
Boletim Interparoquial - julho de 2002

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Boletim Interparoquial - outubro de 2007

Sumário:
- Viagem ao Nordeste Brasileiro
- Memória de Santa Pelágia
- A Imagem do Invisível
- Sabemos Nós o Significado da Palavra "Paróquia"?
- Santoral e Leituras

Pedidos e Assinatura: boletim.interparoquial@gmail.com

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Proteção da Santa Mãe de Deus - 01/14 de outubro

A festa da Santa Proteção da Mãe de Deus, comemorada em 01/14 de outubro, foi instituída após uma visão que teve nosso Santo Pai André, Louco em Cristo, um dia quando celebrava-se uma vigília na Igreja de Blachernes, em Constantinopla. À quarta hora da noite, o santo – mergulhado em oração – elevou os olhos em direção aos céus e viu a Santa Mãe de Deus permanecer acima da assembléia e recobrir seus fiéis com seu véu (mamphorion). André assegurou- se da realidade de sua visão junto a seu discípulo, que também havia sido digno de contemplar tal espetáculo. O santo precipitou-se então para dentro do Santuário abriu uma caixa que continha o precioso véu da Rainha do Mundo, e, diante, das portas santas (hoje, mais comumente chamadas de Portas Reais), ele o estendeu acima da multidão. O véu era tão grande que recobria toda a numerosa assembléia e, no entanto, permanecia suspenso no ar, sustentado por uma força misteriosa. A Mãe de Deus eleva-se então aos céus, envolta num fortíssimo clarão de luz e desaparece, deixando ao povo cristão seu véu, como garantia de sua proteção benevolente. Essa proteção, a Mãe de Deus mostrou numerosas outras vezes em relação à cidade imperial e, por analogia, a toda a santa Igreja de Cristo, a nova Jerusalém. É, com efeito, por todos os lugares e em todos os momentos que a Soberana do mundo estende misticamente seu véu sobre os cristãos, dirigindo a seu Filho e Senhor suas orações e suas intercessões para a salvação do mundo.

*Essa festa é particularmente solenizada nas Igrejas eslavas. Na Grécia, após 1960, ela foi transferida para o dia 28 de outubro, em memória da proteção concedida pela Mãe de Deus às tropas gregas que resistiram à invasão nazista no front albanês, em 1940.