“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Santos Mártires Sebastião, General Romano, e seus companheiros (+287) – 18/31 dez

Esse glorioso santo nasceu na Itália e foi criado na cidade de Milão. Ainda jovem, dedicou-se ao serviço militar. Por ser instruído, belo e corajoso, recebeu o favor do Imperador Diocleciano, que o designou capitão de sua guarda imperial. Em segredo, confessava a fé cristã e orava ao Deus Vivo. Como um homem honorável, justo e misericordioso, Sebastião era muito amado por seus soldados. Sempre que pôde, salvou cristãos da tortura e da morte; e, quando incapaz de fazê-lo, exortou-os a morrer por Cristo Deus Vivo sem voltar atrás. Dois irmãos, Marcos e Marcelino, que haviam sido presos por Cristo e já estavam a um passo de repudiá-lo e adorarem os ídolos, foram confirmados na Fé por Sebastião, que os revigorou para o martírio. Enquanto falava com eles, encorajando-os a não temer a morte por Cristo, sua face se iluminou. Todos viram seu rosto radiante como o de um anjo de Deus. Sebastião também confirmou suas palavras com milagres: curou Zoé, mulher do carcereiro Nicóstrato, que era muda havia seis anos; levou ela, Nicóstrato e sua família inteira ao batismo; curou os dois filhos doentes de Cláudio, o comandante, e trouxe ele e sua família ao batismo; curou Tranquilino, pai de Marcos e Marcelino, de gota e dores nas pernas que o atormentavam havia onze anos, e levou-o ao batismo com toda a sua casa; curou o Eparca romano Cromácio da mesma doença e trouxe ele e seu filho Tibúrcio ao batismo. O primeiro deles a sofrer foi Santa Zoé, capturada junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, onde orava a Deus. Depois de a torturarem, lançaram-na no Rio Tibre. Em seguida prenderam Tibúrcio, e o juiz pôs carvões em brasa diante dele, dizendo-lhe que escolhesse entre a vida e a morte, isto é, atirar incenso sobre os carvões e incensar os ídolos ou permanecer descalço sobre os carvões quentes. São Tibúrcio fez o sinal da Cruz, pisou descalço sobre os carvões incandescentes e permaneceu ileso. Depois disso, foi degolado. Nicóstrato foi morto com uma estaca, Tranquilino foi afogado, e Marcos e Marcelino foram torturados e trespassados por lanças. Então Sebastião foi trazido perante o Imperador Diocleciano. O imperador censurou-lhe por sua traição, mas Sebastião disse: "Eu sempre orei ao meu Cristo pela tua saúde e pela paz do Império Romano". O imperador ordenou que ele fosse despido de suas vestes e cravejado de flechas. Os soldados o alvejaram com flechas, até o mártir ficar tão completamente coberto de flechas que o seu corpo não podia mais ser visto por causa delas. Quando todos pensaram que ele estava morto, apareceu vivo e plenamente são. Então os pagãos o mataram com cajados. Padeceu gloriosamente pelo Cristo seu Senhor e tomou posse de sua morada no Reino de Cristo no ano de 287, no tempo de Diocleciano, o imperador, e Gaio, o Bispo de Roma.

Hino de Louvor
O santo Sebastião foi coberto de flechas –
Com um saco de flechas seu corpo foi vestido.
Mas por baixo das flechas, sua alma estava intacta;
Seu coração se elevava até os céus em oração.
Sebastião suportou sofrimento pelo Cristo.
Que são reinos poderosos, que são grandes riquezas,
Comparados a essa honra, comparados a essa iluminação –
Ser cravejado de flechas por amor ao Deus Vivo?
O maravilhoso Sebastião desejou isso:
Ser crucificado pelo Salvador crucificado,
Confirmar a verdade pelo sofrimento e pelo sangue,
Testemunhar a Fé perante o céu e a terra.
O Senhor Onividente, que vê toda a criação,
Mediu e contou cada gota de sangue,
E recompensou Sebastião no Reino Eterno,
Banhando-o de bênçãos sem medida.
Ó Mártir gloriosíssimo, que sofreste pelo Cristo,
E por meio de teu sofrimento ampliaste a Igreja:
Ora a Deus pela Igreja na terra,
Para que ela se torne cada vez mais bela e ainda maior.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Santo Profeta, Daniel, e os três três Santos Jovens: Ananias, Azarias e Misael (+séc.VI a.C.) -- 17/30 dez

Todos os quatro eram da tribo real de Judá. Quando Nabucodonosor destruiu e saqueou Jerusalém, Daniel, ainda menino, foi levado como escravo junto com o rei judeu Joaquim e inúmeros outros israelitas. Um relato detalhado de sua vida, sofrimentos e profecias pode ser encontrado em seu livro.

Completamente devotado a Deus, São Daniel desde o início de sua juventude recebeu de Deus o dom de grande discernimento. Sua fama entre os judeus na Babilônia começou quando denunciou dois anciões devassos e iníquos, juízes judeus, e salvou a casta Susana de uma morte injusta. Mas sua fama entre os babilônios começou no dia em que decifrou e interpretou o sonho do Rei Nabucodonosor. Por isso, o rei fez dele um príncipe em sua corte. Quando o rei fez um ídolo de ouro na planície de Dura, as Três Crianças se recusam a adorá-lo, e por isso foram lançados à uma fornalha ardente. Mas um anjo de Deus apareceu na fornalha e resfriou o fogo, de modo que as crianças caminhavam pela fornalha intocadas pelo fogo, cantando: Bendito és Tu, ó Senhor Deus de nossos Pais! (Daniel 3 - Oração de Azarias e Hino dos Três, 2) O rei viu esse milagre e se assombrou. Trouxe então as crianças para fora da fornalha e concedeu-lhes grandes honrarias.

No tempo do Rei Baltasar, estando o rei e seus convidados comendo e bebendo num banquete com vasos consagrados retirados do Templo de Jerusalém, uma mão invisível escreveu três palavras na parede: Mane, Tekel, Fares (Daniel 5:25-28). Ninguém foi capaz de interpretar essas palavras, exceto Daniel. Naquela noite, o Rei Baltasar foi assassinado. Daniel foi lançado duas vezes na cova dos leões por causa de sua fé no Deus Uno e Vivo, e em ambas as vezes o Senhor o salvou e ele permaneceu vivo. Daniel viu Deus num trono com as hostes celestiais; viu anjos; discerniu o futuro de certas pessoas, de reinos e de toda a raça humana; e profetizou o tempo da vinda do Salvador à terra. Segundo São Cirilo de Alexandria, Daniel e as três crianças viveram até a velhice na Babilônia e foram decapitados pela verdadeira Fé. Quando decapitaram Ananias, Azarias estendeu seu manto e recolheu a sua cabeça; depois disso, Misael recolheu a cabeça de Azarias e Daniel recolheu a cabeça de Misael. Um anjo de Deus trasladou seus corpos até a Judéia, ao Monte Gebal, e os depositou sob uma rocha. Segundo a Tradição, esses quatro servos de Deus ressuscitaram no momento da morte do Cristo Senhor, apareceram a muitos e adormeceram novamente. Daniel é contado entre os quatro Grandes Profetas (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel). Ele viveu e profetizou quinhentos anos antes de Cristo.

Hino de Louvor
Todo o que teme o verdadeiro Deus
Não tem medo de homens, nem de demônios.
O Senhor recompensa os servos fiéis
E os guarda de todo mal.
Entre os leões,
O santo Daniel permaneceu incólume;
Na fornalha ardente,
As Três Crianças permaneceram vivas;
No meio do fogo, glorificaram a Deus,
Com um anjo, um mensageiro de Deus.
Como Noé no mundo mau,
Como o santo Ló na bestial Sodoma,
E como José no Egito decadente,
Assim Daniel no meio de Babilônia
Permaneceu fiel e justo
Com três de seus jovens amigos:
Ananias e Azarias
E o fiel jovem Misael.
As torturas vieram e as torturas passaram.
Os martirizados foram gloriosamente glorificadosNo Reino Imortal do Cristo.

Reflexão
A pureza corporal é primeiramente adquirida pelo jejum, e pela pureza corporal a pureza espiritual é também alcançada. A abstinência de alimento, de acordo com as palavras daquele filho da graça, Santo Efrém, o Sírio, significa: "Não desejar nem pedir comidas variadas, quer doces, quer caras; não comer nada fora do horário determinado; não sucumbir ao espírito da gula; não excitar a fome em si mesmo observando uma comida boa; e não desejar num momento um tipo de comida e noutro momento outro tipo de comida." Grande é a falácia de que o jejum e a alimentação de quaresma prejudicam a saúde do corpo. É fato notório que os ascetas viviam o máximo e eram os menos propensos a doenças. São Daniel e as Três Crianças na Babilônia nos oferecem um exemplo disso. Quando o rei ordenou o eunuco que alimentasse esses jovens com a comida da mesa real e que lhes desse bom vinho para beber, Daniel disse ao eunuco que não desejavam aceitar a comida e o vinho reais, mas queriam apenas hortaliças para comer (pois Daniel não queria comer o alimento aspergido com o sangue dos sacrifícios idólatras). O eunuco, temendo que os jovens enfraquecessem com os alimentos de jejum, relatou seu temor a Daniel. Então o profeta sugeriu que fizesse um teste e se convencesse de que a alimentação de jeum não os debilitaria: alimentasse os outros jovens da corte real com a comida da mesa do rei e alimentasse a eles quatro apenas com legumes, pelo decurso de dez dias, e depois fizesse uma comparação. O eunuco ouviu Daniel e fez o que ele sugeriu. Depois de dez dias, as faces dos quatro jovens ascetas eram mais radiantes e seus corpos mais fortes do que os corpos dos jovens babilônios que haviam comido e bebido da mesa do rei

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

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Romênia
autor: Ovidiu Man

"Sobre Moisés"

E Moisés era um varão muito manso, mais que todos os homens que havia sobre a terra (Números 12:3).

Um homem eleito, um grande taumaturgo, um tipo do Senhor Jesus Cristo em seus milagres, um vitorioso no Egito, um vitorioso no deserto, o líder de um povo – como poderia não ser orgulhoso? Mas caso tivesse se tornado orgulhoso, Moisés não teria sido tudo o que foi. Tornam-se orgulhosos os que pensam que fazem suas próprias obras e não as de Deus neste mundo, e os que pensam operar pelo seu próprio poder e não pelo poder de Deus. Mas o grande Moisés sabia que era executor das obras de Deus e o poder com o qual ele as operava era o poder de Deus e não o seu. É por isso que ele não se ensoberbeceu pelos assombrosos milagres que operava, nem pelas grandes vitórias que obtinha, e nem pelas sábias leis que dava ao povo. O Senhor é minha fortaleza e meu louvor (Êxodo 15:2), disse Moisés. Da assembléia inteira dos israelitas no deserto, nenhum sentia sua própria fraqueza particular tanto quanto ele, o maior daquela assembléia. Em cada tarefa, em cada lugar e a cada momento, ele esperava auxílio de Deus somente. "Que devo fazer?", clamava ele a Deus, e incessantemente ouvia a resposta de Deus e buscava o poder de Deus. "Mais manso do que todos os homens da terra". Pois todos os outros se consideravam alguma coisa, confiavam ser alguma coisa, mas ele nada. Ele era completamente absorto em Deus, completamente humildado perante Deus. Se o povo precisasse de alimento ou bebida, ele se voltava para Deus; se fosse necessário mover batalha contra os inimigos, ele erguia suas mãos aos céus; se fosse necessário acalmar uma rebelião entre o povo, ele clamava a Deus. O manso, o todo-manso Moisés! E Deus recompensou Seu fiel servo com grande glória e o fez digno de aparecer sobre o Monte Tabor com Elias ao lado do Senhor Salvador.

Ó Senhor, Deus dos mansos, Bom Pastor, torna-nos também mansos como Moisés e os Apóstolos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Ageu, um dos Doze Santos Profetas Menores (+séc.Va.J.C) - 16/29 dez

Ageu nasceu na Babilônia, na época do cativeiro de Israel. Era da tribo de Levi e profetizou por volta de 470 a.C. Ainda jovem visitou Jerusalém. Incitou Zorobabel e Jesus, o sacerdote, a restaurarem o Templo do Senhor em Jerusalém, profetizando para esse Templo glória maior do que a do antigo Templo de Salomão: Porque grande será a glória desta casa, a última superior à primeira, diz o Senhor Onipotente (Ageu 2:9), pois que o Senhor e Salvador haveria de aparecer nesse novo Templo. Viveu o bastante para ver uma parte do Templo construída por Zorobabel. Morreu na velhice, juntando-se a seus ancestrais.

domingo, 28 de dezembro de 2008

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Basílica de São Basílio, Moscou, Rússia
autor: Mariusz Broszkiewicz

"Sobre José"

E tendo [José] deixado suas vestes nas mãos dela, fugiu e foi embora (Gênesis 39: 12).

O inocente e casto José suportou duas grandes e difíceis tentações e as venceu: a tentação da inveja maligna por parte de seus irmãos de sangue e a tentação da paixão adulterina da tentadora egípcia. O ciúme o vendeu como escravo e a paixão do adultério levou o inocente à prisão. Em ambos os casos ele pagou o mal com o bem: ele deu alimento a seus irmãos famintos e preservou a vida, o trono e o povo do Faraó atemorizado. Seus irmãos pensaram em matá-lo, mas Deus o salvou; a mulher adúltera pensou em destruí-lo, mas Deus o salvou. Da escravidão e do encarceramento, Deus o coroou de glória e de autoridade ilimitada. E aquele a quem seus irmãos maldosos poderiam ter matado com um só golpe e a quem a poderosa mulher de Putifar poderia ter esmagado num instante, Deus o fez senhor ilimitado das vidas de milhões de pessoas e o único provedor de seus irmãos famélicos. Assim é a admirável misericórdia de Deus para com o justo. Assim sabe o Senhor como salvar e glorificar os inocentes e os castos. Na grandeza do destino de José, vemos a grandeza da misericórdia de Deus. Há um olho que nunca dorme, meus irmãos. Apeguemo-nos a Deus e não temamos ninguém. Sejamos inocentes e castos e não temamos o mal, nem a calúnia, nem a prisão, nem o ridículo e nem o infortúnio. Pelo contrário, rejubilemo-nos quando nos sobrevier tudo isso por causa de nossa inocência e castidade; rejubilemo-nos e aguardemos com fé a revelação das maravilhas de Deus para conosco. Que em toda tempestade aguardemos o trovão da justiça de Deus -- e depois a bonança.

Ó Senhor misterioso, que secreta mas vigilantemente acompanhas o justo na escravidão e na prisão, e manifestas a Tua misericórdia em Teu próprio tempo, ajuda-nos a sermos inocentes e castos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Sto. Pont. e Márt., Eleutério, Bp. de Ilírico, e sua mãe, Sta. Márt. Anthia, e seus comp., Pont. e Márt., Coremonus e dois carrascos que sofreram com

De uma boa árvore, vêm bons frutos. Esse santo maravilhoso teve pais nobres e muito eminentes. Eleutério nasceu em Roma, onde seu pai era procônsul imperial. Sua mãe Ântia ouviu o Evangelho do grande Apóstolo Paulo e foi por ele batizada. Tendo enviuvado cedo, confiou seu único filho ao estudo e ao serviço sob os cuidados de Aniceto, Bispo de Roma. Vendo como Eleutério era bem-dotado por Deus e iluminado pela graça de Deus, o Bispo o ordenou diácono aos quinze anos de idade, presbítero aos dezoito e bispo aos vinte. A sabedoria dada por Deus a Eleutério compensava aquilo que lhe faltava em idade, e esse eleito de Deus foi designado Bispo da Ilíria, com sé em Valona (Avlona), na Albânia. O bom pastor guardava bem seu rebanho e aumentava seu número a cada dia. O Imperador Adriano, um perseguidor dos cristãos, enviou o comandante Félix com seus soldados para capturar Eleutério e trazê-lo a Roma. Quando o encolerizado Félix chegou a Valona e entrou na igreja, viu e ouviu o santo hierarca de Deus; de repente, seu coração mudou e ele se tornou cristão. Eleutério batizou Félix e partiu para Roma com ele, regressando com alegria, como se fosse a uma festa e não a juízo e tortura. O imperador submeteu o nobre Eleutério a severa tortura: foi açoitado, assado num leito de ferro, cozido em piche e queimado numa fornalha em chamas. Mas Eleutério foi liberto de todas essas torturas mortais pelo poder de Deus. Ao ver tudo isso, Caribo, o eparca romano, declarou que também ele era cristão. Caribo foi torturado e depois degolado, tal como o Beato Félix. Por fim, os carrascos imperiais cortaram a honorável cabeça de Santo Eleutério. Quando sua mãe, a santa Ântia, veio e inspecionou o corpo morto de seu filho, também ela foi degolada. Seus corpos foram trasladados a Valona, onde até hoje Santo Eleutério glorifica o Nome de Cristo por meio de seus muitos milagres. Padeceu durante o reinado de Adriano, no ano de 120.

Hino de Louvor
Eleutério, santo de Deus,
Não escondeste dos homens a Verdade de Deus,
Mas com a Verdade de Deus iluminaste os homens
E ofereceste a salvação a cada um e a todos.
Que a Igreja de Deus rejubile;
Que toda a Ilíria rejubile.
Eis que Deus lhe enviou um homem maravilhoso:
Eleutério, um verdadeiro santo.
Seu próprio nome quer dizer "liberdade":
Eleutério traz a liberdade,
A verdadeira liberdade da escravidão do pecado.
A verdadeira liberdade não existe sem o Cristo.
Que a cidade de Valona rejubile também.
Nela repousam as relíquias do santo:
Relíquias milagrosas que curam os doentes,
Chama da qual fogem os demônios.
Bendita é a mãe que dá à luz um santo.
Santa Ântia, três vezes bendita,
Agora é consolada nos jardins do Paraíso,
E fixa os olhos em seu filho, Eleutério.
Ó Eleutério, ora por nós,
Para de que o Deus gracioso tenha piedade também de nós.

sábado, 27 de dezembro de 2008

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Montenegro
autor: Hadzi Miodrag Miladinovic

"Sobre Jacó"

Pois vi Deus face a face, e minha alma foi salva (Gênesis 32:30).

O Deus de Abraão e Isaac é também o Deus de Jacó, o obediente, o misericordioso e o manso. O manso contemplador de Deus, Jacó, pode ser chamado "aquele que viu Deus". Pois em verdade ele era manso, viu Deus e falou com Deus, e viu os anjos de Deus e a escada que leva da terra aos céus. Por sua mansidão derrotou Labão, seu sogro, e Esaú, seu irmão; por sua mansidão promoveu a paz entre suas mulheres, Lia e Raquel; por sua mansidão foi querido até ao Faraó. A mansidão de Jacó é uma prefiguração da mansidão do Cristo. Bem-aventurados os mansos, diz o Senhor, porque eles herdarão a terra (Mateus 5:5). Essas palavras também se cumpriram em Jacó. Ele herdou a terra de seus pais; seus descendentes foram libertos do Egito e herdaram a Terra Prometida; por meio do Cristo Senhor, seu descendente segundo a carne, ele herdou a terra inteira, isto é, a Igreja de Deus que se espalhou pelo mundo inteiro. Vi Deus face a face. Jacó viu Deus na forma de homem, mas não como um verdadeiro homem. E mesmo essa visão foi apenas uma prefiguração da verdadeira Encarnação de Deus como homem. E minha alma foi salva. Sua alma foi salva do medo e de toda iniqüidade. Se Jacó foi salvo por contemplar uma mera visão de Deus, quão mais fácil a salvação é para nós, que conhecemos Deus como verdadeiro homem e como Deus-homem.

Ó manso Senhor, força e glória do manso: assim como salvaste Jacó pela Tua visão, salva também a nós pelo Teu verdadeiro Corpo e Teu verdadeiro Sangue.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santos Mártires, Tirso (Firso), Léucio (Lúcio), e Calínico, de Nicomédia (+c.250) - 14/27 dez

São Lêucio e São Tirso eram cidadãos honrados de Cesaréia da Bitínia, sendo o primeiro batizado e o segundo um catecúmeno cristão. Calínico, porém, era um sacerdote pagão. Quando o herdeiro do Imperador Décio, Cumbrício, começou a torturar e matar impiedosamente os cristãos, o destemido Lêucio compareceu perante ele e, censurando-lhe, disse: "Por que moves guerra contra a tua própria alma, Cumbrício?" O juiz enfurecido ordenou que ele fosse açoitado, torturado e ao fim degolado. O torturado Lêucio foi à sua degola tão exultante como se fosse a um casamento. Testemunhando a morte do corajoso Lêucio, o abençoado Tirso, inflamado com o mesmo zelo divino de Lêucio, compareceu também perante o juiz e reprovou os seus crimes malignos e sua descrença no Único Deus Verdadeiro. Ele também foi açoitado e lançado à prisão. A mão invisível de Deus curou suas chagas, abriu a porta da prisão e conduziu-o para fora. Tirso dirigiu-se imediatamente a Filéias, Bispo de Cesaréia, a fim de ser por ele batizado. Depois de seu batismo, foi novamente capturado e torturado, mas suportou as torturas, como se fizessem parte de um sonho e não da realidade. Pelo poder de sua oração, muito ídolos desabaram. O sacerdote pagão Calínico, vendo isso, converteu-se à fé cristã e tanto ele quanto Tirso foram condenados à morte. Calínico foi decapitado e Tirso posto num caixão de madeira que seria serrado ao meio. No entanto, o poder de Deus não permitiu isso e a serra foi incapaz de cortar a madeira. Então São Tirso levantou-se do caixão e orou a Deus, rendendo-Lhe graças pelas torturas, e entregou em paz a sua alma ao Senhor. No final do século IV, o Imperador Flaviano construiu uma igreja a São Tirso perto de Constantinopla e depositou ali suas relíquias. O santo apareceu numa visão à Imperatriz Pulquéria e aconselhou-a a sepultar as relíquias dos Quarenta Mártires ao lado das suas.

Hino de Louvor
Conhecestes a Fé, reconhecestes o Cristo,
Destes vossos corpos para salvardes vossas almas:
Por isso vossos nomes brilham nos céus
E um fogo inextinguível ilumina a Igreja.
Heróis imortais, orai por nós,
Para que as nuvens pecaminosas se afastem de nós.
Beato Lêucio e nobre Tirso,
Glorioso Calínico e digno Filêmon,
E os outros em ordem, que suportastes atrozes tormentos –
Agora sois cidadãos de um universo melhor.
Ó belos faróis, orai por nós;
Mártires de Deus, orai pela Igreja.
Conhecestes o amor, posse celestial,
A terra não o conheceu, nem sequer ao seu nome verdadeiro;
Vós o vistes inteiro no Filho de Deus,
No sinal da Crucifixão e em Seu semblante ensangüentado.
Agora estais próximos de Deus e contemplais a Sua Face.Cobris nossos pecados pelas vossas orações

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

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Polônia
autor: Alicja Ignaciuk

"Sobre o Cristo, Cabeça de Todos os Santos"

Segundo o Seu beneplácito (...) de tornar a congregar em Cristo todas as coisas (...) tanto as que estão nos céus como as que estão na terra (Efésios 1:10)

O pecado causa pânico e confusão. Um homem mergulhado no pecado e no vício é como uma galinha com a cabeça amputada que, morrendo, debate-se compulsivamente e corre para a frente e para trás. Antes da Encarnação do Cristo, todo o mundo pagão era confuso, um corpo sem cabeça morrendo em convulsões. O Cristo juntou a cabeça amputada com o tronco obscurecido e trouxe o corpo da raça humana de volta à vida. Ele é, e sempre foi, a Cabeça do exército celeste. E, como Verbo criador de Deus, Ele foi desde o princípio a Cabeça de tudo o que foi criado no mundo visível, em especial da raça humana. Mas o pecado, como uma espada, separou o tronco pecador de Adão da sua Cabeça. Entretanto, o Senhor reconciliou o Céu e a terra em sua Encarnação, trazendo o Céu à terra, erguendo a terra ao Céu e firmando tudo isso sobre Sua Mente, sobre Sua Capitania. Pelo Cristo somos reconciliados com a Trindade Santa, com os anjos de Deus, uns com os outros, e com a natureza criada ao nosso redor. A Cabeça perdida foi encontrada e tudo foi disposto harmoniosamente abaixo dela. O Apóstolo diz: Nós temos a mente de Cristo (I Coríntios 2:16) Como a cabeça está para o homem físico, também a mente está para o homem espiritual interior. Portanto, se somos do Cristo, em todas as coisas temos que pensar e julgar de acordo com nossa Cabeça, Jesus Cristo, e com Ele somente. Pensando e julgando por Ele, perceber-nos-emos como órgãos de um só corpo que inclui outros homens e os anjos: um só corpo, cuja Cabeça é o Cristo. Dessa forma o nosso amor por Deus é aceso, a nossa fé é fortalecida e a nossa esperança é iluminada. Apenas um corpo dormente não sente ligação alguma com sua cabeça. Despertemos, meus irmãos, despertemos enquanto é tempo.

Ó Senhor Jesus Cristo, nossa Cabeça Onissapiente, una-nos Contigo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

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Rússia
autor: Егор Иванов

"Sobre a vontade de Deus de que todos os cristãos sejam santos"

Como também nos elegeu Nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante Dele em caridade (Efésios 1:4)

Somente a Igreja ensina e mostra que primeiro houve um plano para o mundo e depois o mundo foi criado. Esse plano estava na sabedoria, vontade e poder de Deus. E nós, cristãos, como a Igreja de Deus, estamos nesse plano. De acordo com esse plano, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo para a santidade, a justiça e o amor. Deus nos escolheu de antemão e nos adotou através Dele – através de quem? Através do Senhor Jesus Cristo. Pois tudo o que somos para Deus, o somos para Ele através de Jesus Cristo. O homem não tem outra ligação, outro relacionamento ou outro parentesco com Deus além de Jesus Cristo, e assim a nossa escolha e adoção foram através do Senhor Jesus Cristo. Ele escolheu a nós, Sua Santa Igreja, segundo o beneplácito de sua vontade (Efésios 1:5), assim como havia outrora escolhido Israel dentre todas as nações da terra. Que ninguém diga que essa escolha de Deus destrói o livre arbítrio do homem, de modo que nem um cristão tem mérito por ser cristão e nem um pagão é condenado por ser pagão. Não; essa é uma interpretação totalmente errônea. Pois outrora Deus também escolheu Israel e alguns em Israel pereceram, enquanto outros foram salvos. Ele também escolheu Sua Santa Igreja, chamando a ela todas as nações e povos. Mas a salvação daqueles dentre os escolhidos não depende somente da escolha de Deus, mas também da vontade e esforço do homem.

Ó Deus eterno, nosso criador, que nos escolheste para a salvação antes mesmo de nos teres criado, tem misericórdia de nós e salva-nos!

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

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Grécia
autor: Hadzi Miodrag Miladinovic

Comemoração da Concepção da Santíssima Mãe de Deus por Sant´Ana - 09/22 dez

Os Justos Joaquim e Ana foram casados por cinqüenta anos, sem filhos. Em sua velhice, o Arcanjo Gabriel apareceu a cada um deles separadamente, dizendo-lhes que Deus ouvira suas orações e que dariam à luz uma filha, Maria. Então Santa Ana concebeu de seu marido e após nove meses pariu uma filha bendita por Deus e por todas as gerações dos homens: a Santíssima Virgem Maria, a Deípara.

Hino de Louvor
Ó Deus Gloriosíssimo, prodigioso e maravilhoso,
Bom e misericordioso para com toda a criação,
Aos orgulhosos derrubas, aos humildes exaltas;
Tu que extingues, Tu que fazes viver,
De acordo com Teu plano, ó Criador, tudo podes fazer,
De acordo com Teu plano, eterno e divino.
Com Tua benção, a terra fértil produz fruto;
Pela Tua palavra santa, pões um selo sobre a estéril.
Daquela que dá à luz, Tu podes tomar-lhe,
E da estéril, Tu podes produzir bom fruto.
Tu fizeste fértil a estéril Ana;
Tu lhe concedeste uma filha santa e nobre.
Àquela que era objeto de zombaria, Tu coroaste de glória;
O sonho de uma mulher sem filhos, Tu superaste amplamente.
A velha orou; Tu aceitaste sua oração.
O selo da esterilidade removeste de seu corpo;
Encheste de vida o seu corpo morto;
Deste-lhe uma Virgem, admirável em beleza,
E uma filha nasceu: a Santíssima Virgem,
Uma Filha, uma Mãe, e a Mãe de Deus!
De acordo com Teu plano, ó Criador, tudo podes fazer,
De acordo com Teu plano, eterno e divino.

sábado, 20 de dezembro de 2008

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Rússia
autor: Slawek Kiryluk

"Sobre como tudo o que Deus criou era muito bom "

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom (Gênesis 1:31).

Irmãos, quando todas as partes de um edifício são boas, então o edifício por completo é muito bom. Cada um dos tijolos é bom, e cada pedra, a argamassa, o cimento, e as vigas e os pilares; mas o homem é levado à admiração somente quando vê a estrutura por inteiro. Com freqüência, um certo detalhe no edifício lhe parece ininteligível e inadequado, mas ele esquece disso num minuto quando volta o seu olhar para o todo. E, de fato, há muitos detalhes neste mundo, bem como nas coisas e nos acontecimentos, que são ininteligíveis e inadequados para nós. Somente quando a coisa inteira nos é revelada como um todo é que compreendemos e nos tranqüilizamos. Consideramos muitos dos sofrimentos e privações de nossas vidas como verdadeiramente feias e desprovidas de sentido no momento em que ocorrem. Todavia, com o passar dos dias e dos anos, esses mesmos sofrimentos e privações brilham como pedras preciosas em nossa memória, iluminando o caminho posterior de nossa vida. Portanto, se alguma coisa na criação de Deus te ofender, olha para o conjunto; se alguma coisa na vida te amargurar, espera pacientemente, com fé e esperança, por novos dias e anos. E se esta vida inteira te parece dolorosa e pesarosa, ergue teus olhos espirituais para o outro mundo e terás paz e alegria. Pois que este mundo visível inteiro não é um todo perfeito: existe também o outro mundo. Por isso foi dito: No princípio criou Deus o céu e a terra (Gênesis 1:1). Até o artista orienta o espectador para ver a sua pintura de uma certa distância, para que ele a possa vê-la em toda a sua beleza.

Ó Senhor, Artista Imortal, como é muito bom tudo o que criaste!

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

Santo Pontífice e Confessor Ambrósio, Arcebispo de Milão (+397) - 07/20 dez

Esse grande Santo Padre da Igreja Ortodoxa era de ilustre nascimento. Seu pai era o Prefeito imperial da Gália e da Hispânia; ele era de fé pagã, mas sua mãe era cristã. Quando no berço, um enxame de abelhas posou nele, derramou mel em seus lábios e partiu em seguida. E ainda criança, estendeu sua mão e disse profeticamente: "Beija-a, pois serei bispo." Após a morte de seu pai, o imperador o designou seu representante na província da Ligúria, da qual Milão era a principal cidade. Quando o bispo de Milão morreu, irrompeu uma grande disputa entre os cristãos ortodoxos e os hereges arianos acerca da eleição do novo bispo. Ambrósio entrou na igreja para impôr a ordem, conforme era seu dever. Nesse momento, uma criança no peito de sua mãe exclamou: "Ambrósio para bispo!" Todo o povo tomou isso como a voz de Deus, e por unanimidade elegeram Ambrósio como seu bispo, contra a vontade dele. Ambrósio foi batizado, passou por todas as ordens necessárias e foi consagrado ao Episcopado, tudo isso em uma semana. Na condição de bispo, Ambrósio fortaleceu a Fé Ortodoxa, pôs um fim aos hereges, adornou as igrejas, espalhou a fé entre os pagãos, escreveu muitas obras instrutivas e serviu como um exemplo de verdadeiro cristão e verdadeiro pastor cristão. Compôs o famoso hino "Louvamos-Te, Deus" (Te Deum Laudamus). Esse glorioso hierarca, a quem os homens vinham de terras distantes visitá-lo pela sua sabedoria e doçura de palavras, era muito comedido, diligente e vigilante. Dormia muito pouco, trabalhava e orava constantemente, e jejuava todos os dias, com exceção dos sábados e domingos. Dessa forma, Deus lhe permitiu testemunhar muitos de Seus milagres e operar milagres ele próprio. Ele descobriu as relíquias dos Santos Mártires Protásio, Gervásio, Nazário e Celso (14 de outubro). Manso perante homens de condição humilde, era destemido perante os grandes. Censurou a Imperatriz Justina como herege, anatematizou Máximo, o tirano e assassino, e proibiu o Imperado Teodósio de entrar numa igreja até que ele se arrependesse de seu pecado. Também recusou-se a encontrar Eugênio, o imperador tirânico e auto-proclamado. Deus concedeu a esse homem que Lhe era tão agradável tamanha graça que ele até ressuscitava os mortos, expulsava os demônios dos homens, curava os doentes de todas as enfermidades e previa o futuro. Ambrósio morreu em paz na manhã da Páscoa do ano de 397.

Hino de Louvor
Ambrósio, convertido tarde na vida,
Ambrósio, breve consagrado,
Uma coluna da verdade, um luminar da piedade,
Um soldado do Cristo, um perseguidor da impiedade,
Serviu divinamente a Igreja de Deus,
E a Igreja recompensou o seu pastor.
Com hinos e amor a Igreja o glorifica,
E os anjos estão entre os que o glorificam.
A Igreja o glorifica como um pai,
Como um pastor e como um taumaturgo;
E como um homem sábio, igual a Salomão,
Reconhece-o o universo inteiro,
Tanto o invisível quanto o visível,
E ao Deus Vivo rende louvor.
A Ti, ó Deus, também glorificamos,
E perante Teu poder prostramo-nos,
Perante Tua força e Tua misericórdia,
Justiça eterna, sabedoria admirável.
Da maneira mais bela brilhou a Tua glória
Através do Teu maravilhoso Santo Ambrósio.
Quão misericordioso és Tu, ó Deus,Quão admirável és em Teus Santos!

Reflexão
Irmãos, Deus devolve o cêntuplo do que Lhe é emprestado, quando o é através dos pobres. Certa vez, havia uma mulher cristã casada com um pagão, e eles viviam juntos no amor e na pobreza. Quando o marido, com muita dificuldade, juntou cinqüenta peças de prata, disse à mulher que esse dinheiro deveria ser dado em empréstimo a alguém, com juros. Do contrário, afirmou, haveriam de gastar suas poupanças moeda por moeda, e mais uma vez ficariam sem nada. Sua mulher respondeu: "Se queres dá-lo em empréstimo, empresta-o ao Deus cristão". "E onde está o Deus cristão?", perguntou o marido. Sua mulher levou-o à igreja e falou-lhe para distribuir o dinheiro aos pedintes em frente à igreja, dizendo ao marido: "O Deus cristão o aceitará da parte deles, uma vez que todos eles Lhe pertencem". Distribuíram todas as cinqüenta peças de prata aos pobres e voltaram para casa. Após algum tempo, ficaram sem nenhum pão em casa. Então a mulher disse ao marido para ir à igreja e ele receberia o dinheiro que emprestara a Deus. O homem foi à igreja e viu ali apenas mendigos e, em sua perplexidade sobre quem lhe daria dinheiro, caminhou ao redor da igreja. De repente ele viu uma moeda de prata bem na sua frente. Ele a tomou, comprou com ela um peixe e levou o peixe para casa. Reclamou com sua mulher que não havia visto ninguém e que ninguém lhe dera nada, mas que por acaso encontrara uma moeda de prata. A mulher respondeu: "Deus é invisível e opera de maneira invisível". Quando a mulher abriu o peixe, encontrou uma pedra brilhante lá dentro. Deu essa pedra ao marido e ele a levou a um mercador para ver o quanto poderia obter por ela. O mercador lhe ofereceu cinco peças de prata, e o homem começou a rir, pensando que o mercador estava brincando ao oferecer um valor tão alto. Entretanto o mercador, pensando que o homem estivesse rindo por causa do pequeno preço que lhe oferecera, propôs-lhe então dez, e depois quinze, depois trinta e depois cinqüenta peças de prata. O homem, dando-se conta de que era uma pedra preciosa, começou a hesitar. O mercador aumento o preço cada vez mais, até chegar ao valor de trezentas peças de prata. O homem então aceitou as trezentas peças de prata e foi alegre para casa. "Vês quão bom é o Deus cristão?", disse-lhe a mulher. O marido, assombrado, foi imediatamente batizado e, com a sua mulher, glorificava a Deus.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Grécia
autor: јм.Георгије М

"Sobre a ausência de pecado nas obras de Deus"

E viu Deus que isso era bom (Gênesis 1).

Irmãos, tudo o que foi criado, e os meios pelos quais o Deus puro e sem pecado o criou, são puros e sem pecado. Cada criatura de Deus é pura e sem pecado, enquanto estiver voltada para Deus, enquanto não estiver nem separada de Deus e nem hostil a Deus. Cada criatura, por si só, louva e glorifica a Deus, enquanto for pura e sem pecado. É por isso que o Salmista canta: Que tudo o que respira louve ao Senhor. Aleluia! (Salmo 150:6). Cada criatura inteligente de Deus sente que seu propósito natural e primário é louvar ao Senhor. Portanto, irmãos, as pessoas perguntam: "Se é assim, de onde vem o mal ao mundo?" Vem do pecado, e do pecado apenas. O pecado transformou um anjo fulgurante num demônio. O demônio se fez deliberadamente um vaso do pecado e então se apressou a tornar outras criaturas de Deus em vasos semelhantes. Por sua própria e livre escolha, outros anjos consentiram em pecar com o demônio e posteriormente as primeiras pessoas, Adão e Eva, consentiram-no. Daí proveio a mistura do bem e de mal no mundo. Todavia, até hoje, aquilo que vem de Deus na criação é bom, tal como nos primeiros dias da criação. O veneno veio do pecado, pois o pecado é de fato veneno, o mais amargo veneno que existe. O pecado foi a causa da maldição. Ele acarretou o obscurecimento das mentes e fez com que as coisas criadas se tornassem hostis para com o seu Criador. Ele apartou o homem de Deus, o homem do homem, o homem da natureza e a natureza do homem. Ó meus irmãos: tudo o que vem de Deus é bom e tudo o que vem do pecado é mal. Não existe mal algum que seja ligado a Deus, e não existe nenhuma espécie de mal que não seja ligada ao pecado. Muitos filósofos examinaram a essência do mal e, por causa de suas mentes brutas, afirmaram que o mal está na matéria e que a matéria é má. Contudo apenas nós, cristãos, sabemos que o pecado é a essência do mal e que o mal não tem nenhuma outra essência além do pecado. Daí se segue obviamente que, se desejamos nos proteger do mal, temos que nos proteger do pecado.

Ó Deus sem pecado, ajuda-nos a protegermo-nos do pecado e da corrupção do pecado.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Pontífice e Confessor, Nicolau, o Taumaturgo, Arcebispo de Mira – Lícia – Ásia Menor (+c.345) - 06/19 dez

Esse glorioso santo, celebrado até hoje no mundo inteiro, foi o único filho de seus eminentes e ricos pais Teófanes e Nona, cidadãos da cidade de Patara em Lícia. Uma vez que ele era o único filho que Deus lhes concedera, os pais devolveram o dom a Deus, dedicando a Ele o seu filho. São Nicolau aprendeu a vida espiritual com seu tio Nicolau, Bispo de Patara, e foi tonsurado monge no Mosteiro de Nova Sião, fundado por seu tio. Após a morte de seus pais, Nicolau distribuiu aos pobres toda a sua herança, não retendo nada para si. Como sacerdote em Patara, ficou conhecido por sua caridade, a despeito dele ocultar cuidadosamente suas obras caritativas, cumprindo as palavras do Senhor: Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita (Mt. 6:3). Quando se entregou à solidão e ao silêncio, pensando em viver dessa maneira até a morte, uma voz do alto lhe foi dirigida: "Nicolau, para o teu esforço ascético, vai trabalhar entre as gentes, caso desejes ser coroado por Mim". Logo depois disso, pela admirável Providência de Deus, ele foi escolhido arcebispo da cidade de Mira, na Lícia. Misericordioso, sábio e destemido, Nicolau foi um verdadeiro pastor para o seu rebanho. Durante a perseguição dos cristãos sob Diocleciano e Maximiano, foi lançado à prisão, mas mesmo ali ele instruiu o povo na Lei de Deus. Esteve presente no I Concílio Ecumênico de Nicéia (325) e, movido por grande zelo pela verdade, bateu com sua mão no herege Ário. Por esse ato ele foi afastado do Concílio e de suas funções arquiepiscopais, até que o próprio Cristo Senhor e a Santíssima Deípara apareceram a vários dos principais hierarcas e revelaram a sua aprovação a Nicolau. Defensor da verdade de Deus, esse maravilhoso santo foi sempre um valente defensor da justiça entre as pessoas. Em duas ocasiões, salvou três homens de uma injusta sentença de morte. Misericordioso, verdadeiro e amante da justiça, andou entre as gentes como um anjo de Deus. Mesmo ainda em vida, o povo o considerava um santo e invocava sua assistência nas dificuldades e tribulações. Ele aparecia tanto em sonhos quanto pessoalmente para aqueles que o invocavam, e facil e prontamente os ajudava, quer estivesse por perto, quer distante. Uma luz brilhava de seu rosto, tal como da face de Moisés, e ele, pela sua mera presença, trazia consolação, paz e boa vontade entre os homens. Na velhice ficou brevemente doente e, após uma vida cheia de esforços e trabalhos muito frutíferos, repousou no Senhor para o júbilo eterno no Reino dos Céus, continuando a glorificar a Deus e a ajudar os fiéis na terra com os seus milagres. Repousou em 6 de dezembro de 343.

Hino de Louvor
Santo Padre Nicolau,
Os quatro cantos do mundo te glorificam
Como um cavaleiro da poderosa Fé,
A Fé de Deus, a Verdadeira Fé.
Desde o berço foi devotado a Deus,
Desde o berço até o fim;
E Deus o glorificou –
Ao seu fiel Nicolau.
Famoso foi durante a vida,
E ainda mais renomado após a morte;
Poderoso na terra era ele
E ainda mais poderoso é nos Céus.
Espírito radiante, coração puro,
Um templo do Deus Vivo ele foi;
Por isso o povo o glorifica
Como um santo admirável.
Nicolau, rico em glória,
Ama os que o honram em sua "Krsna Slava" [Nota do tradutor: festa sérvia do onomástico da família];
Perante o trono do Deus eterno
Ele ora pelo seu bem.
Ó Nicolau, abençoa-nos,
Abençoa o teu povo,
Que perante Deus e perante ti
Apresenta-se humildemente em oração.

Reflexão
Nos ícones de São Nicolau, o Senhor Salvador geralmente é retratado de um lado com um Evangelho em Suas mãos, e a Santíssima Virgem Deípara é retratada do outro lado com um omofório [Nota do tradutor: faixa de seda bordada com cruzes, usada pelos bispos ortodoxos ao redor do pescoço e dos ombros, semelhante ao pálio usado por alguns bispos católicos] episcopal em suas mãos. Isso tem um duplo significado histórico: em primeiro lugar, significa a vocação de Nicolau ao ofício hierárquico; e, em segundo lugar, significa sua absolvição da condenação que se seguiu ao seu confronto com Ário. São Metódio, Patriarca de Constantinopla, escreve: "Certa noite, São Nicolau viu o nosso Salvador em glória, de pé ao seu lado e oferecendo-lhe o Evangelho, adornado de ouro e pérolas. Ao seu outro lado, viu a Deípara, que punha o pálio episcopal sobre seus ombros." Pouco depois dessa visão, João, o Arcebispo de Mira, morreu e São Nicolau foi designado arcebispo daquela cidade. Esse foi o primeiro incidente. O segundo incidente ocorreu ao tempo do I Concílio Ecumênico em Nicéia. Incapaz de impedir, pela razão, que Ário prosseguisse na blasfêmia irracional contra o Filho de Deus e Sua Santíssima Mãe, São Nicolau acertou Ário no rosto com a sua mão. Os Santos Padres do Concílio, protestando contra tal ação, expulsaram Nicolau do Concílio e o despojaram de todos os emblemas de seu posto episcopal. Naquela mesma noite, vários dos Santos Padres tiveram a mesma visão: o Senhor Salvador e a Santíssima Deípara estavam em pé ao lado de São Nicolau -- de um lado o Senhor Salvador com o Evangelho, e do outro lado a Santíssima Deípara com um pálio, entregando ao santo os emblemas episcopais que lhe haviam sido removidos. Vendo isso, os Padres ficaram perplexos e rapidamente restituíram a Nicolau aquilo que lhe havia sido removido. Passaram a respeitá-lo como um grande eleito de Deus e interpretaram suas ações contra Ário não como ato de fúria irracional, mas como expressão de grande zelo pela Verdade de Deus.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Rússia
autor: Bogdan Misiejuk

"Sobre a ausência de mal nas obras de Deus"

E viu Deus que isso era bom (Gênesis 1).

Irmãos, a primeira revelação sobre este mundo que as Sagradas Escrituras nos comunicam é que este mundo proveio do bem e não do mal, de Deus e não de algum poder contrário a Deus, e não de alguma mistura primordial imaginária de bem e de mal. A segunda revelação, irmãos, sobre este mundo é que tudo o que o bom Deus criou é bom. A luz é boa, o firmamento do céu é bom, a terra é boa, o mar é bom, a relva, a vegetação e as árvores frutíferas são boas, os luminares celestes – o sol, a lua e as estrelas -- são bons, as criaturas vivas na água e os pássaros do ar são bons, todos os seres vivos conforme suas espécies são bons, o gado, os animaizinhos e as feras da terra são bons. E finalmente, o homem – o senhor, sob a suserania de Deus, de todas as coisas criadas – também é bom. E viu Deus que isso era bom. O avaliador do valor deste mundo não é e não pode ser alguém que veja este mundo superficial e parcialmente, mas apenas Aquele que vê toda a criação por inteiro e cada parte individualmente, Aquele que conheceu o seu número, nome, composição e essência incomparavelmente melhor do que todos os homens da Terra. E viu Deus que isso era muito bom (Gênesis 1:31). Mas, não obstante, homens há que caluniaram a obra de Deus, dizendo que este mundo é mau em sua essência, que cada criação individual é má, e que a matéria, da qual todos os seres terrenos são formados, é má. Todavia, o mal se encontra no pecado, e o pecado vem do espírito maligno; portanto, o mal habita no espírito do mal e não na matéria. Esse espírito, decaído perante Deus, é o semeador do mal no mundo, do qual vem o joio no trigo de Deus. O espírito do mal se empenha em usar tanto o espírito humano quanto as coisas materiais em geral como as suas armas do mal. Também é ele que inculca na mente humana o pensamento de que todo o mundo criado é mal e que a matéria, da qual a criação foi formada, é fundamentalmente maligna. Ele calunia as obras de Deus para ocultar as suas próprias obras; acusa Deus para não ser acusado. Ó meus irmãos, guardemo-nos da astúcia do espírito maligno. Guardemo-nos, em particular, dos maus pensamentos que ele semeia em nossas mentes.

Ó Senhor Jesus Cristo, nosso verdadeiro Iluminador e Salvador; em Tuas mãos entregamos nossas mentes e nossos corações. Ilumina-nos com Tua luz verdadeira.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

São Igúmeno e Míst., Savas, o Consagrado, da Palestina, Doutor da Vida Monástica (+ 532) - 05/18 dez

A desconhecida aldeia de Mutalasca, na província de Capadócia, tornou-se famosa por meio desse grande luminar da Igreja Ortodoxa. Sabas nasceu ali, de seus pais João e Sofia. Aos oito anos deixou a casa de seus pais e foi tonsurado monge numa comunidade monástica próxima, dedicada a Flaviano. Dez anos depois, transferiu-se para os mosteiros da Palestina e permaneceu por mais tempo no Mosteiro de Santo Eutímio, o Grande (20 de janeiro), e Teoctisto. O clarividente Eutímio profetizou que Sabas viria a ser um monge famoso e mestre de monges e que haveria de fundar uma laura [Nota do tradutor: laura é uma comunidade monástica de grande porte] maior do que todas as lauras daquela época. Após a morte de Eutímio, Sabas retirou-se para o deserto, onde viveu por cinco anos como eremita numa caverna que lhe foi indicada por um anjo de Deus. Posteriormente, ao tornar-se perfeito na vida monástica, ele começou a reunir ao seu redor, pela Providência divina, muitos que desejavam a vida espiritual. Em pouco tempo um número tão grande havia se reunido que Sabas teve que construir uma igreja e muitas celas. Alguns armênios também vieram a ele, e a estes ele providenciou uma caverna na qual poderiam celebrar os ofícios na língua armênia. Quando seu pai morreu, sua idosa mãe Sofia veio até ele e ele a tonsurou monja. Ele deu a ela uma cela localizada à distância de seu mosteiro, onde ela viveu uma vida de ascetismo até a morte. Esse Santo Padre suportou muitas investidas de todos os lados: dos que lhe eram próximos, dos hereges e dos demônios. Mas ele a todos sobrepujou: a seus próximos, através da amabilidade e da indulgência; aos hereges, por meio da inabalável confissão da Fé Ortodoxa; e aos demônios, pelo sinal da Cruz e pelo apelo à ajuda divina. Travou um combate particularmente grande contra os demônios no Monte Castélio, onde fundou seu segundo mosteiro. Sabas fundou sete mosteiros ao todo. Ele e Teodósio, o Grande, seu vizinho, são considerados as maiores luzes e pilares da Ortodoxia no Oriente. Admoestaram imperadores e patriarcas em matérias de Fé e a todos serviram de exemplo de humildade santa e do poder miraculoso de Deus. Após uma vida trabalhosa e muito frutífera, São Sabas repousou no ano de 532, aos noventa e quatro anos. Entre suas muitas obras boas e admiráveis, mencione-se ao menos que foi ele o primeiro a compilar a Ordem dos Ofícios para uso em mosteiros, agora conhecida como Típico de Jerusalém.

Hino de Louvor
O Venerável Sabas, príncipe dos monges,
Comandante espiritual dos heróis do Cristo,
Foi glorificado pelo jejum, pelas vigílias e mansidão,
Pela oração, pela fé e bendita misericórdia.
Ensinaste aos monges a não se preocuparem com o pão;
Confiaste-te aos Céus, com trabalho e oração.
Não buscastes a precedência, nem qualquer posição que fosse.
Rarissimamente provaste do azeite e do vinho.
Guardaste todos os ofícios, no tempo estabelecido.
"Que o ofício seja uma alegria e não um fardo pesado,"
Dizia São Sabas aos monges,
E o demonstrou a todos pelo seu exemplo.
Como um sábio jardineiro, cercou a sua horta,
E plantou com cuidado muitos jovens.
Os jovens cresceram e produziram fruto:
Um regimento de monges, para a glória de Sabas.
Quinze séculos se passaram,
E o jardim espiritual de Sabas ainda floresce:
Mil monges, cem mil,
Cresceram na comunidade de Sabas até hoje.
São Sabas, glorioso recluso,Ó servo de Deus, ora também por nós.

Reflexão
Um homem pode ser grande em alguma habilidade, como um estadista ou um líder militar, mas ninguém dentre os homens é maior do que o homem grande na fé, na esperança e no amor. Quão grande era São Sabas, o Santificado, na fé e na esperança em Deus é algo que se pode avaliar melhor pelo seguinte incidente: certo dia, o ecônomo do mosteiro veio a Sabas e informou-lhe que no sábado e no domingo seguintes ele não poderia tocar o semantro [Nota do tradutor: placa de madeira ou ferro suspensa, na qual se bate com um martelo, e usado no lugar dos sinos em certos mosteiros ortodoxos] , conforme a tradição, para convocar os irmãos para o ofício e a refeição comuns, porque não havia nem um vestígio sequer de farinha no mosteiro, e tampouco qualquer coisa que fosse para comer ou beber. Por essa mesma razão, nem a Divina Liturgia seria possível. O santo respondeu sem hesitação: "Não cancelarei a Divina Liturgia por falta de farinha; fiel é Aquele que nos ordenou que não nos preocupássemos com coisas corporais, e poderoso é Ele para nos alimentar em tempo de fome". E depositou toda a sua esperança em Deus. Nessa necessidade extrema, ele estava disposto a enviar alguns dos vasos ou paramentos eclesiásticos para serem vendidos na cidade, a fim de que nem os ofícios divinos e nem a refeição costumeira dos irmãos fossem suprimidas. Todavia, antes do sábado, alguns homens movidos pela Providência divina trouxeram trinta mulas carregadas de trigo, vinho e azeite ao mosteiro. "Que dizes agora, irmão?", perguntou Sabas ao ecônomo. "Não devemos tocar o semantro e reunir os padres?" O ecônomo se envergonhou de sua falta de fé e implorou o perdão ao abade. O biógrafo de Sabas descreve esse santo como "severo com os demônios, mas suave com os homens". Certa vez, alguns monges se rebelam contra São Sabas, e por isso foram expulsos do mosteiro por ordem do Patriarca Elias. Construíram eles mesmos umas cabanas às margens do rio Tecoa, onde suportaram a privação de tudo. Ao ouvir que passavam fome, São Sabas carregou mulas com farinha e as trouxe a eles pessoalmente. Vendo que não tinham igreja, construiu uma para eles. A princípio os monges o receberam com ódio, mas mais tarde responderam ao seu amor com amor e se arrependeram de suas anteriores más ações contra ele.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Eslováquia
autor: Marianna Šmigová

"Sobre como é bom tudo o que é de Deus"

E viu Deus que isso era bom (Gênesis 1:4, 10, 12, 18, 21, 25).

Irmãos, do bom Criador procedem apenas boas obras. Portanto, que se calem todos aqueles que dizem que tanto o bem como o mal provêm de Deus. Após cada ato Seu, o próprio Deus afirma que ele é bom. Seis vezes Ele repetiu que o que criara era bom, e finalmente, pela sétima vez, ao ver tudo em sua plenitude, pronunciou Seu juízo de que tudo o que havia criado era muito bom (Gênesis 1:31). Dessa forma, Ele repetiu ao todo sete vezes que tudo o que veio à existência pela Sua santa vontade era bom. Não é um grande espanto que algumas pessoas se levantem com a ímpia afirmação de que tanto o bem como o mal procedem igualmente de Deus? Deus, como que sabendo que tais calúnias seriam lançadas contra Ele – ou melhor dizendo, que tais calúnias seriam lançadas ao longo dos séculos – ofereceu de antemão a Sua defesa e repetiu-a sete vezes, para todos os tempos e para todas as gerações. O mal vem do pecado, e não há pecado em Deus. Portanto, Deus não pode fazer mal algum. Ele é chamado Onipotente porque é poderoso para fazer qualquer bem. Maldosos e confundidos são os comentaristas de Deus que alegam que Deus é "Onipotente" porque pode fazer tanto o bem quanto o mal. Deus é a fonte do bem e não é obscurecido por nada, e nada que seja contrário ao bem pode proceder Dele. É óbvio a qualquer homem normal que o mal é contrário ao bem. Sabei, irmãos, que aqueles que falam de dualidade de Deus, a Fonte eterna do bem, são aqueles em quem se encontra a dualidade do bem e do mal. No entanto, todos aqueles que amam o bem, seguem o caminho da bondade e anseiam pelo bem têm dentro de si uma revelação clara de que Deus é bom, e apenas bom.

Ó Deus nosso e Criador nosso, és o Criador de todo bem e todas as Tuas obras são boas.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santa Virgem Megalomártir, Bárbara, de Nicomédia e sua companheirta Juliana (+ 306) - 04/17 dez

Essa gloriosa seguidora de Cristo foi prometida a Cristo desde sua tenra infância. Seu pai, Dióscoro, era um pagão, renomado por sua posição e riqueza na cidade de Heliópolis, no Egito. Dióscoro encarcerou Bárbara, sua filha única, brilhante de mente e de belo porte, numa alta torre. Rodeou-lhe de todo conforto, deu-lhe servas, ergueu ídolos para o culto e construiu-lhe uma sala de banhos com duas janelas. Ao olhar pela janela para a terra abaixo e os céus estrelados acima, a mente de Bárbara foi aberta pela graça de Deus. Ela reconheceu o único Deus Verdadeiro, o Criador, apesar do fato de não ter um mestre humano para conduzi-la a esse conhecimento. Certa vez, enquanto seu pai estava fora da cidade, ela desceu da torre e, de acordo com a Providência de Deus, encontrou algumas mulheres cristãs que lhe revelaram a verdadeira Fé do Cristo. O coração de Bárbara ficou inflamado de amor pelo Cristo Senhor. Ordenou que uma terceira janela fosse aberta na sala de banhos, para que as três janelas representassem a Santa Trindade. Sobre uma parede ela traçou com seu dedo uma cruz, e a cruz gravou-se fundo na pedra, como se tivesse sido entalhada com um cinzel. Uma poça d'água brotou de suas pegadas no chão do banheiro, a qual mais tarde trouxe a muitos a cura de doenças. Ao saber da fé de sua filha, Dióscoro espancou-a severamente e retirou-a da torre. Ele a perseguiu com a intenção de matá-la, mas um penhasco se abriu e escondeu Bárbara de seu pai brutal. Quando ela reapareceu, seu pai a levou a Marciano, o magistrado, que a entregou à tortura. Eles despiram a inocente Bárbara e a açoitaram até que seu corpo ficasse coberto de sangue e chagas, mas o próprio Senhor aparece a ela na prisão com Seus Anjos e a curou. Uma certa mulher, Juliana, vendo tudo isso, desejou para si o martírio. Ambas foram severamente torturadas e conduzidas pela cidade em meio ao escárnio. Seus seios foram amputados e muito sangue verteu deles. Enfim, foram levadas ao local de execução, onde o próprio Dióscoro executou sua filha e Juliana foi morta pelos soldados. Naquele mesmo dia, raios atingiram a casa de Dióscoro, matando a ele e a Marciano. Santa Bárbara sofreu no ano de 306. Suas relíquias milagrosas repousam em Kiev. Glorificada no Reino de Cristo, apareceu em muitas ocasiões até em nossos próprios dias, às vezes sozinha e às vezes na companhia da Santíssima Deípara.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Romênia - Maramures
autor: Tomi Tohaneanu

"Sobre os dois mundos"

No princípio Deus criou o céu e a terra (Gn. 1:1).

Irmãos, tudo o que Deus deseja revelar aos homens é revelado e tudo o que Ele não deseja revelar permanece oculto. Moisés, o único a ver Deus, não pôde dizer mais nada acerca o céu além de que, no princípio, Deus o criou. Tendo dito isto, continuou a descrever em detalhes a criação da terra. Porque Moisés não fala detalhadamente sobre a criação do céu? Porque Deus não quis revelar-lhe mais nada, uma vez que os homens de seu tempo não eram nem maduros o suficiente e nem capazes de compreender assuntos celestiais além de seus sentidos. Apenas depois que muitos séculos se passaram e o Novo Testamento de Deus veio aos homens é que Deus revelou muito mais acerca do mundo celestial aos Seus fiéis e eleitos. Apenas os cristãos começaram a ver os céus abertos. São João, o Teólogo, dá testemunho disso: depois disso olhei, e eis que uma porta estava aberta no céu (Ap 4:1). Santo Estevão, o Protomártir, testemunha: eis que vejo os céus abertos (At 7:56). O Apóstolo Paulo, que foi arrebatado ao terceiro céu (...) e ouviu palavras inefáveis (II Cor 12:2,4) fala dos coros angélicos, dos Tronos, Dominações, Principados e Potestades, e diz: tudo foi criado por Ele e para Ele (Col 1:16). Seu discípulo, São Dionísio, descreve a hierarquia celeste com tão grande detalhes quanto Moisés descreve o mundo terreno em sua criação. Assim quis a insondável sabedoria de Deus: aquilo que Deus não quis revelar a Moisés, Ele revelou aos Apóstolos e seus seguidores. O que não podia ser dito a crianças é dito a homens maduros. A revelação dos mistérios veio através da maturidade espiritual.

Aqui está uma bela lição para todos nós. Sejamos diligentes na busca da Verdade, e ainda mais diligentes na purificação de nossos corações, pacientes na espera, e inabaláveis na Fé; e Deus nos dará tudo no tempo oportuno, da maneira e na medida necessária à nossa salvação.

Ó Senhor Sapientíssimo e Filantropo, que nos ensinas e nos conduz à salvação, sem pressa e sem atraso; a Ti, ó Gracioso, seja a glória e o louvor.

A Ti seja a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Sofonias, um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 03/16 dez

Sofonias era nativo do Monte Sarabata, da Tribo de Simeão. Viveu e profetizou no VII século a.C., no tempo de Josias, o piedoso rei de Judá. Sofonias era contemporâneo do Profeta Jeremias. Tendo grande humildade e uma mente pura elevada a Deus, foi julgado digno de discernir o futuro. Profetizou o dia da ira de Deus e do castigo de Gaza, Ascalon, Azoto, Acaron, Nínive, Jerusalém e Egito. Ele viu Jerusalém como uma cidade provocadora e redimida (...); seus príncipes estão no meio dela como leões rugidores; seus juízes, como os lobos da Arábia (...); seus profetas são levianos, homens escarnecedores; seus sacerdotes profanam as coisas santas e transgridem a Lei (Sofonias 3:1-4). Prevendo o advento do Messias, exclamou com entusiasmo: Rejubila, ó filha de Sião; exclama, ó filha de Jerusalém; alegra-te e deleita-te de todo o coração, ó filha de Jerusalém (Sofonias 3:14). Este vidente de mistérios repousou em sua terra natal, à espera da Ressurreição Geral e de sua recompensa de Deus.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

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Sérvia
autor: Aleksa Stojkovic

"Sobre as jubilosas revelações da primeira frase da Bíblia"

No princípio Deus criou o céu e a terra (Gn. 1:1).

Como é compacta e plena cada palavra de Deus! É como uma peça de tecido dobrada, que pode ser levada debaixo do braço e estendida sobre a grama por uma vasta área. Quantas, quantas coisas boas e inestimáveis nos revela esta palavra de Deus: No princípio, Deus criou o céu e a terra. Antes de tudo, isso nos mostra que Deus é o único Ser eterno e incriado. E essa primeira revelação suscita em nós a primeira inexprimível alegria. Neste redemoinho de mudanças e transitoriedade, somos inexprimivelmente felizes de que o nosso Criador esteja acima da mudança e da transitoriedade. Além disso, ela nos diz que o Deus uno, o único bom, é o Criador do mundo, e uma vez que Ele é o Criador, Ele também é o Todo-Poderoso e o Provedor. E essa segunda revelação suscita em nós uma segunda alegria inexprimível. O mundo não proveio do caos ou do acaso, sem pensamento ou propósito, mas proveio antes do Deus Onissapiente, Onisciente e Misericordiosíssimo, que está no controle dele e o está conduzindo ao seu objetivo desejado. Revela também a nós que este mundo teve um princípio, e conseqüentemente terá um fim. E essa terceira revelação suscita em nós uma alegria inexprimível. Seria triste se este mundo fosse eterno e se todos os seus objetivos, os imediatos e os distantes, houvessem de se encontrar apenas dentre dele próprio. Isto em verdade causaria uma confusão na mente do inteligente e tristeza no coração do justo. Por fim, ela nos assinala que Deus criou dois mundos, o celeste e o terrestre, ou o incorpóreo e o corpóreo. E essa quarta revelação suscita em nós uma quarta alegria inexprimível. Tal como nós agora erguemos o nosso olhar para as alturas e nos alegramos com o sol, a lua e as estrelas acima de nossas cabeças, assim também podemos erguer nosso espírito ao mundo espiritual, ao mundo angélico, o qual é semelhante a nós, mas mais puro e mais luminoso do que nós. Rejubilamo-nos, pois sabemos que há um mundo melhor do que o nosso, no qual também adentraremos e, como viajantes exaustos, voltaremos para casa e encontraremos repouso. Ó, quão triste perambularia o olhar do homem pelo mundo se este fosse o único mundo e não houvesses céus estrelados! E com quanto pesar perambularia o espírito do homem pelo mundo material, se não houvesse um mundo espiritual - o celeste!

Ó Senhor Graciosíssimo, a Ti a glória e o louvor.

A Ti somente sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Habacuc um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 02/15 dez

Habacuc era filho de Asafá, da Tribo de Simeão. Profetizou 600 anos antes de Cristo, ao tempo do Rei Manassés, e previu a destruição de Jerusalém. Quando Nabucodonosor, Rei da Babilônia, atacou Jerusalém, Habacuc buscou refúgio na terra dos ismaelitas. Dali retornou à Judéia, onde viveu como fazendeiro. Certo dia, enquanto levava almoço aos trabalhadores nos campos, um anjo do Senhor lhe apareceu subitamente e disse: Leva a Babilônia esse jantar que tens, para o dares a Daniel, que lá está no lago dos leões (Daniel 12 - Bel e o Dragão:34). Mas Habacuc respondeu: Senhor, eu nunca vi Babilônia, e não sei onde é o lago (Daniel 12 - Bel e o Dragão:35). O Anjo então o tomou pelos cabelos e o trouxe no mesmo instante a Babilônia, por uma distância imensa, até o lago dos leões, onde Daniel fora lançado pelo Rei Ciro, como punição por não ter adorado os ídolos. Daniel, Daniel, clamou Habacuc, toma o jantar que Deus te enviou (Daniel 12 - Bel e o Dragão:37), e Daniel tomou-o e comeu. Então o anjo de Deus novamente tomou Habacuc e o levou de volta para seu campo na Judéia. Habacuc também profetizou a libertação de Jerusalém e o tempo da vinda do Cristo. Ele repousou em idade muito avançada e foi sepultado em Quelá. Suas relíquias foram descobertas durante o reinado de Teodósio, o Grande.

domingo, 14 de dezembro de 2008

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Patriarca Alexis II - Memória Eterna
autor: Vladimir Kruglov

"Sobre a criação do mundo"

No princípio Deus criou o céu e a terra (Gen. 1:1).

Irmãos, esta é a resposta de Deus através da boca do Profeta; a resposta à questão que todos nós somos sedentos em saber: "De onde vem este mundo?" Deus ouve a nossa pergunta, falada ou não; Ele ouve e lhe dá resposta. Tal como Ele dá chuva à terra seca, tal como dá saúde a uma pessoa doente, tal como dá pão e vestimenta ao corpo, assim também Ele dá uma resposta ao nosso espírito. Ele dá uma resposta à pergunta que lhe causava fome e sede, dor e nudez, até que ele (o espírito) seja alimentado e saciado, restaurado à saúde e vestido com a resposta verdadeira. Esta é a pergunta: "De onde, portanto, vem este mundo?" Eis a resposta: No princípio Deus criou o céu e a terra. Este mundo não é por si só, assim como nada neste mundo é por si só, e nem é este o mundo de um poder maligno, nem é este o mundo de muitos criadores, bons e maus; mas sim de um único e bondoso Deus. Esta resposta suscita alegria no coração de todo homem e o incita às boas obras. E daí sabemos, dentre outras coisas, que esta é a única resposta correta e verdadeira. Qualquer outra resposta contraditória a esta suscita pesar e temor em nós e nos incita às más obras, e por aí sabemos, dentre outras coisas, que tais respostas são falsas. Irmãos, o mundo é de Deus – rejubilemos e alegremo-nos! O mundo é de origem divina, e conseqüentemente o seu fim também será em Deus. O mundo provém de uma raiz boa, e conseqüentemente dará bons frutos. Ele procede da câmara de luz, e terminará na luz. Quando sabemos que a origem é boa, então sabemos que ele tende para o bem e que o fim será bom. Eis que nessas palavras acerca do princípio, a profecia acerca do fim já está oculta. Tal como foi o princípio, assim também será o fim. Naquele de Quem veio o princípio, Nele também está o fim. Guardemos portanto essa verdade salvadora, a fim de termos uma esperança radiante e sermos fortificados no amor para com Aquele que, por amor, nos criou.

Ó Senhor Deus, nosso Criador Todo-Poderoso, Deus único e único Criador, boa Fonte da bondade, nós Te adoramos e a Ti oramos: conduz-nos a um bom fim, pelo Teu Espírito Santo, através do Senhor Jesus Cristo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Naum, um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 01/14 dez

Naum nasceu da Tribo de Simeão, em uma localidade chamada Elcosh, para além do Jordão. Viveu mais ou menos 700 anos antes de Cristo e profetizou a destruição de Nínive, cerca de 200 anos depois do Profeta Jonas. Por causa da pregação de Jonas, os ninivitas haviam se arrependido e Deus, com isso, preservou-os da destruição. Mas, com o decorrer do tempo, esqueceram-se da misericórdia de Deus e corromperam-se novamente. O Profeta Naum profetizou sua destruição e, uma vez que não houve arrependimento, Deus não os preservou. Toda a cidade foi destruída por terremotos, enchentes e pelo fogo, de modo que sua localização já não é mais conhecida. São Naum viveu quarenta e cinco anos e repousou no Senhor, deixando-nos um pequeno livro com estas profecias verdadeiras.

sábado, 13 de dezembro de 2008

"Sobre a ignorância e dureza de coração dos pagãos"

Os gentios andam na vaidade de sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração (Efésios 4:17-18).


Que é a vaidade, meus irmãos? Tudo o que é visto fora de Deus, separado de Deus e feito sem o temor de Deus. Que é a vaidade da mente, meus irmãos? Viver e interpretar a vida não pela Lei de Deus mas antes pelos próprios pensamentos e desejos passageiros. Donde vem, meus irmãos, esse mal aos homens? Da dureza de coração e da ignorância interior. O que significa a dureza de coração, irmãos? Significa um coração vazio do amor de Deus e do temor de Deus e repleto de luxúria e de temor de tudo por amor ao corpo. Irmãos, que nasce da dureza de coração? A ignorância -- a completa ignorância das coisas divinas, dos caminhos divinos e das leis divinas; um coração completamente entorpecido para a vida espiritual e para o pensamento espiritual. Qual é a conseqüência final, irmãos, da dureza de coração e da ignorância da verdade divina? Um entendimento obscurecido e a alienação do Deus Vivo. O entendimento obscurecido acontece quando a mente do homem se torna tão obscurecida quanto o corpo, e a luz que há no homem se torna trevas. Oh, que trevas! Um entendimento obscurecido é uma mente obscurecida. Uma mente obscurecida não conhece o sentido de nada, ou nega o sentido de tudo. Numa tal condição, um homem fica alienado da vida de Deus, resseca e morre como uma parte do corpo amputada do corpo. Assim são os pagãos; assim são os ímpios; e assim são os de pouca fé ou os falsos cristãos. Mas até o lenho seco, quando regado com a água vivificante do Cristo, vêm à vida e floresce verdejante. Até o mundo pagão ressequido foi ressuscitado e trazido à vida pelo Cristo Senhor. Quanto mais aconteceria com pecadores cristãos arrependidos!

Olhemos para nós mesmos, meus irmãos. Façamos isso todo dia. Perguntemo-nos a cada dia se nos tornamos obscurecidos e alienados da vida de Deus por causa de nossa vaidade. Em breve haverá a morte, o fim e o juízo. O lenho seco será lançado ao fogo inextinguível.
Ó Senhor Jesus, nossa Mente e nossa Vida, ajuda-nos a pensar Contigo e a viver Contigo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

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Rússia
autor: Марина Журбенко

Santo Apóstolo, André, de Betsaida, o Primeiro-Chamado (+62) - 30 nov/13 dez

André, filho de Jonas e irmão de Pedro, nasceu em Bestaida e era pescador de profissão. No começo era discípulo de São João Batista, mas quando São João apontou para o Senhor Jesus e disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus (Jo 1:36), André deixou seu primeiro mestre e seguiu o Cristo. Depois André trouxe seu irmão Pedro ao Senhor. Após a descida do Espírito Santo, coube por quinhão a Santo André, o primeiro apóstolo do Cristo, pregar o Evangelho em Bizâncio e na Trácia, depois nas terras ao longo do Danúbio e na Rússia ao redor do Mar Negro e enfim no Epiro, na Grécia e no Peloponeso, onde padeceu. Em Bizâncio, designou Santo Estáquis como seu primeiro bispo; em Kiev, fincou uma Cruz num local elevado e profetizou um brilhante futuro cristão para o povo russo; pela Trácia, Epiro, Grécia e Peloponeso, converteu multidões de pessoas para a Fé e ordenou para eles bispos e padres. Na cidade de Patras, realizou muitos milagres em nome de Cristo e ganhou muitos para o Senhor. Entre os novos fiéis estavam o irmão e a mulher do Procônsul Egeates. Enfurecido com isso, Egeates submeteu Santo André à tortura e depois o crucificou. Enquanto o Apóstolo do Cristo estava ainda vivo na Cruz, dava instruções benéficas aos cristãos reunidos à sua volta. O povo queria retirá-lo da cruz, mas ele se recusou a permitir-lhes. Então o Apóstolo orou a Deus e uma luz extraordinária o envolveu. Essa iluminação brilhante durou meia hora e, quando desapareceu, o Apóstolo rendeu sua santa alma a Deus. Assim terminou sua trajetória terrena o Apóstolo Protocleto, o primeiro dos Doze Grandes Apóstolos a conhecer o Senhor e segui-lo. Santo André sofreu pelo seu Senhor no ano de 62. Suas relíquias foram levadas a Constantinopla; sua cabeça mais tarde foi levada a Roma, e uma mão foi levada a Moscou.

Hino de Louvor
Santo André, iluminado pelo Espírito,
E o Apóstolo Protocleto do Cristo,
Proclamava o Senhor dia após dia
E batizava o povo com a Cruz.
Como um jardineiro em seu próprio jardim,
Andava ele por cidades e aldeias,
E com talento enxertava árvores bravias,
Regando-as com a Água Viva,
Até chegar ao fim de seus dias
E ver a Cruz a aguardá-lo.
O jubiloso André disse à Cruz:
"Saudações, ó Cruz! Deus te santificou,
O Cristo te santificou com Seu corpo.
Ó Cruz, sê meu lugar de repouso.
Leva-me do pó da terra;
Ergue-me a Deus nas alturas
E deixa o Cristo tomar-me de ti;
O próprio Cristo que, por minha causa, foi crucificado em ti."
Discípulo do santo Batista
E apóstolo do Cristo Salvador,
Ó André, astro protocleto,Ajuda-nos pelas tuas orações.

Reflexão
São João Crisóstomo diz: "Tudo é dado aos apóstolos". Isto é, todos os dons, todos os poderes, toda a plenitude da graça que Deus dá aos fiéis. Vemos isto na vida do grande apóstolo, Santo André, o Protocleto: ele era apóstolo, evangelista, profeta, pastor e doutor (Efésios 4:11). Como evangelista, levou a boa nova do Evangelho aos quatro cantos da terra; como profeta, profetizou o batismo do povo russo e a grandeza de Kiev como cidade e centro cristão; como pastor, estabeleceu e organizou muitas igrejas; como doutor, ensinou incessantemente as pessoas, até e durante a sua própria crucificação, quando ensinou da cruz até o seu último suspiro. Em acréscimo a isso, ele foi um mártir, o que também é conforme o dom do Espírito Santo, e não é dado a todos. E assim vemos neste apóstolo, como nos outros, a plenitude da graça do Espírito de Deus. E toda grande obra que um seguidor do Cristo realiza deve ser atribuída àquela graça. São Frumêncio nos dá testemunho disso. Quando retornou de Alexandria para a Abissínia como um bispo consagrado, começou a operar os maiores milagres, convertendo assim grandes massas de gente à Fé. Então o rei perplexo lhe perguntou: "Tantos anos viveste entre nós e nunca te vimos realizar tais maravilhas. Como é que agora as fazes?" A isso o Beato Frumêncio respondeu ao imperador: "Isso não é obra minha, mas obra da graça do sacerdócio". O santo então explicou ao rei como ele tinha abandonado pais, casamento e o mundo inteiro pelo Cristo, e como ele havia -- pela imposição das mãos de Santo Atanásio -- recebido a graça do sacerdócio: a graça da taumaturgia.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

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Eslováquia
autor: Marianna Šmigová

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"O novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa será eleito no final de janeiro e entronizado em 1º de fevereiro"

A Rússia de despediu do Patriarca ortodoxo Alexis II na última terça-feira, dia 9 de dezembro, em um grande funeral, no qual os oradores o elogiaram por reanimar a fé cristã no país depois de décadas de ateísmo comunista. As ruas do centro de Moscou foram interrompidas e a televisão estatal cancelou a programação para transmitir o tributo a Alexis II, que morreu na sexta-feira, aos 79 anos. O presidente Dmitry Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin, ambos vestidos de preto, chegaram acompanhados de suas mulheres três horas depois que a cerimônia começou. Eles ficaram ao lado do caixão, segurando velas acesas. «O número de igrejas subiu para 30 mil e o número de monastérios subiu de 18 para 700 (sob o comando de Alexis)», disse o arcipreste Dimitry Smirnov, chefe do departamento do Patriarcado para a cooperação com o Exército e forças de reforço da lei. «Este é um número fantástico, tão fantástico que é difícil acreditar, mas é verdade».

O Concílio da Igreja Ortodoxa Russa será o encarregado de escolher durante sua sessão de 27 a 29 de janeiro, o sucessor de Alexei II, o patriarca russo desde 1990 que morreu na sexta-feira passada, segundo as agências russas.
A entronização acontecerá na Catedral Cristo Salvador, em Moscou, onde aconteceu o velório de Alexei II.

"O Santo Sínodo decidiu convocar o Concílio no qual deve ser eleita Sua Santidade, o patriarca", disse o metropolita Kirill, guarda do trono até a escolha do novo líder dos ortodoxos russos.

Antes de 15 de janeiro do próximo ano, as 156 dioceses devem nomear seus três representantes e o chefe da delegação que assistirá ao Concílio.

O Concílio também terá a presença de dois representantes das dioceses ortodoxas dos Estados Unidos, Canadá e Escandinávia.

O metropolita Kirill, que protagonizou recentemente uma viagem pela América Latina na qual consagrou vários templos e se reuniu com Fidel Castro em Havana, é considerado o principal candidato a substituir Alexei II.

Metropolita Kirill de Smolensk e Kaliningrado

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Sérvia
autor: Sreten Pantelic

"Sobre como os fiéis devem crescer"

Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo Naquele que é a cabeça, Cristo (Efésios 4:15).

Irmãos, eis aqui tudo o que é pedido de nós nessa jornada terrena: que nos mantenhamos fiéis à verdade e que vivamos em amor. A verdade é revelada pelo Cristo Senhor, e o exemplo de amor é dado pelo Cristo Senhor. Não podemos alcançar a verdade sem o Cristo Senhor, e nem podemos encontrar um exemplo de amor verdadeiro sem Ele. Ao ver nesse caminho o único e verdadeiro caminho para a luz e salvação na confusão de muitos caminhos falsos, o Apóstolo Paulo nos lembra de antemão: Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina (Efésios 4:14). Somente Deus pode revelar a verdade; somente Deus pode demonstrar o amor verdadeiro. Um homem pode saber mais do que outro homem, mas somente Deus pode revelar a verdade. Os pensamentos vêm ao homem como o vento, e as ilusões podem parecer verdade para ele. Iludido por seus próprios pensamentos, um homem ilude o outro; enganado por muitas ilusões, um homem engana o outro; mas a verdade está em Deus e é de Deus. Irmãos, Cristo é toda a nossa verdade e todo nosso amor. Quando pensamos em Cristo, pensamos na verdade; quando agimos de acordo com Cristo, agimos corretamente; quando amamos Cristo, amamos o próprio Amor. Por Cristo nós vivemos, por Cristo nós crescemos, por Cristo tornamo-nos imortais e somos glorificados. Ele é nossa Cabeça – não simplesmente a cabeça titular de um grupo, mas a verdadeira cabeça de um corpo vivo, do qual somos membros. Ao aderirmos à verdade e ao amor, nos tornamos dignos de habitar nesse Corpo de Cristo eternamente.

Ó Senhor Cristo, nossa verdade maravilhosa e nosso amor terno, entra em nós e recebe-nos em Ti.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Eremita e Mártir, Estêvão o Novo, de Constantinopla, (+767) - 28 nov/11 dez

Tal como em certa ocasião Ana, a mãe de Samuel, orou a Deus para que lhe desse um filho, assim também fez Ana, a mãe de Estêvão. Orando dessa forma na Igreja de Blaquernas perante o ícone da Santíssima Deípara, um leve sono lhe sobreveio e ela viu a Santíssima Virgem radiante como o sol, e ouviu uma voz vindo do ícone: "Mulher, vai em paz. Conforme a tua oração, tens um filho em teu ventre." Ana de fato concebeu e deu à luz um filho, o santo Estêvão. Aos dezesseis anos, Estêvão recebeu a tonsura monástica no Monte Auxêncio, perto de Constantinopla, das mãos do ancião João, que também lhe ensinou a sabedoria divina e o ascetismo. Quando João repousou no Senhor, Estêvão permaneceu na montanha, numa vida de rigoroso ascetismo, tomando sobre si trabalho após trabalho. Sua santidade atraiu para ele muitos discípulos. Enquanto o Imperador Constantino Coprônimo perseguia ícones com maior ferocidade do que o seu tolo pai Leão, o Isauriano, Estêvão mostrou-se um zeloso defensor da veneração dos santos ícones. O imperador demente aceitou várias calúnias obscenas contra Estêvão e pessoalmente tramou intrigas para quebrantar Estêvão e tirá-lo do seu caminho. Estêvão foi banido para a ilha de Proconeso e depois levado a Constantinopla, acorrentado e lançado à prisão, onde veio a encontrar 342 monges, trazidos de toda parte e aprisionados por venerarem os ícones. Ali, na prisão, eles cumpriam o Típico inteiro da Igreja, como num mosteiro. Então o pérfido imperador condenou Estêvão à morte. O santo previu sua morte com quarenta dias de antecedência e pediu perdão aos irmãos. Os serviçais do imperador arrastaram-no da prisão e, aos murros e empurrões, arrastaram-no pelas ruas de Constantinopla, convocando todos os que fossem leais ao imperador para apedrejarem esse "inimigo do imperador". Um dos hereges acertou o santo na cabeça com um pedaço de madeira e o santo rendeu a sua alma. Assim como Santo Estêvão Protomártir sofreu nas mãos dos judeus, também este Estêvão sofreu nas mãos dos hereges iconoclastas. Esse glorioso soldado do Cristo sofreu no ano de 767, aos cinqüenta e três anos de idade, e foi coroado com a glória imperecível.

Hino de Louvor
Do mesmo nome que o primeiro Estêvão,
Estêvão, o Novo, também deu sua vida em batalha.
O orgulhoso imperador herege, o poder maligno encarnado,
Estava armado até os dentes com armas terrenas.
A arma de Estêvão era um poder que não tinha origem física,
Uma arma espiritual: a verdade celeste.
O imperador tinha soldados, defensores da falsidade,
Enquanto Estêvão era posto à vontade pelo Deus invisível.
Sereno como o céu, Estêvão aguardou a tortura,
A morte e a vida eterna depois deste século.
Enquanto, em seu ódio, o imperador rugia
E assinava a sentença de morte e suplícios para o homem justo.
Estêvão não desanimou, mesmo espancado e pressionado,
Unido que estava aos céus em espírito e em oração.
O imperador, mais forte que o corpo do santo, esmagou seu corpo;
Porém o santo era mais forte em espírito e acabou vitorioso.
Ó Santo Estêvão, cavaleiro espiritual,
Ajuda-nos a evitar as redes do demônio,
E a venerar com honra os santos ícones,
Para que sempre possamos seguir seu exemplo admirável

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

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Rússia
autor: Jozef Klucha

“A Busca de Deus na Tradição hesicasta”

Pode ser importante, para começar, tentar dar uma tradução, uma definição da palavra Hesíquia. É uma palavra de origem grega, que poderia ser traduzida como paz, silêncio, e talvez também como «tranqüilidade do coração». Vocês sabem como é difícil, partindo de uma palavra estrangeira, chegar a uma tradução exata. E é por esta razão que evoco vários significados. De qualquer forma, neste termo que significa paz, silêncio, repouso, temos que tomar o cuidado de não deformar o sentido da tradução. Por exemplo, se nos referimos à palavra repouso, não se trata de um repouso que evocaria o sono. Na tradição hesicasta não se trata, em absoluto, de dormitar, como veremos logo; muito pelo contrário, é uma tradição de ação e de vigilância.

Não quero lhes dar uma aula de história sobre as origens do hesicasmo. Apenas gostaria de recordar rapidamente como a hesíquia se desenvolveu. Como nasceu? Pois bem, eu diria que nós a recebemos como recebemos muitas outras coisas; é a atitude do Cristo no Novo Testamento. Temos aqui uma curta passagem do Evangelho que mostra a atitude do Cristo e que nos ajuda a compreender o que é a hesíquia.

Neste episódio, é a entrada de Jesus na sinagoga de Nazaré, seu país de origem, o que se evoca. Ele fala e é mal recebido, mal entendido. O final do relato nos conta: «Todos os que estavam na sinagoga, ao ouvirem estas coisas, ficaram cheios de ira. E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até o despenhadeiro do monte em que a sua cidade estava edificada, para dali o precipitarem. Ele, porém, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.» (Luc 4, 28-30). A última frase deste texto é significativa. O hesicasta, aquele que vai tentar viver na Paz do coração, na quietude, encontra o seu modelo na atitude do Cristo. Ele que, agredido, contestado, violentado, pôde passar através desse gentio, sem dizer nada, sem demonstrar nenhuma agressividade, porque tinha, evidentemente à perfeição, um coração cheio de paz. O seu coração silencioso, banhado de hesíquia, era a resposta à agressividade do entorno.

A partir do estudo e da meditação sobre o modo de ser do Cristo durante a sua vida, os cristãos, e principalmente os primeiros monges, buscaram a aquisição desta hesíquia, desta paz silenciosa, desta tranqüilidade do coração. E se pode dizer que o ideal monástico está totalmente ligado à tradição hesicasta. Podemos ouvir dizer, entre os cristãos ortodoxos, que existem monges hesicastas e monges não hesicastas. Não gosto muito de fazer esta distinção O monge, que é fundamentalmente um buscador de Deus, como outros buscam ouro, deve obrigatoriamente passar por esta busca de paz, de silêncio, de abandono, que entranha outras virtudes, como veremos mais tarde. Portanto, não faço nenhuma diferença entre monges hesicastas e monges não hesicastas. Acho que todos são fundamentalmente hesicastas.

Os primeiros monges, os primeiros ermitãos – posto que, como provavelmente já sabem, o monasticismo nasceu no século IV, com homens e mulheres dos quais Santo Antônio é o mais célebre – foram ao deserto para buscar por Deus. E vemos imediatamente — observem com atenção — que há um objetivo na hesíquia. Esse objetivo é o descobrimento de Deus. Eu diria, inclusive, que é o desejo de encontrar Deus. O hesicasta é um homem de desejo, o seu coração está cheio de desejo de Deus, e, por causa disso, vai buscar um modo de liberar o seu coração das paixões, para encontrar seu Deus. Os primeiros monges partem para o deserto, e isto é significativo. O deserto, como sabemos, é o lugar de retiro, o lugar de silêncio. Opõe-se, de certa forma, à cidade turbulenta. Esta solidão, este isolamento são desejados e vão ser um dos terrenos do hesicasta, do monge, para encontrar Deus. Não podemos encontrar Deus na agitação. Deus mesmo, em certos textos do Antigo Testamento, diz isso. Explica ao profeta Elias: «Ao que Deus lhe disse: Vem cá fora, e põe-te no monte perante o Senhor: E eis que o Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada.» (cf. 1 Reis 19, 11-13). Deus não pode ser encontrado mais que no silêncio, e é preciso que o monge hesicasta parta para o deserto ou busque a solidão interior. Se falo do monge, é porque tudo isso veio da tradição monástica, mas é evidente que cada qual pode viver esta tradição hesicasta, se deseja encontrar Deus. Um leigo pode ser um hesicasta e alguns deles foram canonizados e reconhecidos santos pela Igreja.

No começo, o movimento monástico foi essencialmente eremítico e os primeiros monges eram principalmente solitários. Ocorreu, depois, uma evolução bastante rápida, privilegiando a vida em comunidade. Isto se concretizou, sobretudo, com São Basílio, no século IV, com São Teodoro, o Estudia, no século X, entre outros. Eles organizaram o monasticismo e propuseram regras de conduta relativas ao modo de viverem juntos esta busca de Deus. Isto gerou os mosteiros que conhecemos e que continuam esta tradição hoje em dia. Portanto, há duas correntes: a dos eremitas, que se retiram realmente, vivendo na solidão total ou quase total; e a dos que vivem em comunidade. As duas empreendem uma busca idêntica, as duas passam pela tradição da hesíquia, e não somente pelo método. Sou reticente em utilizar o termo “método”, porque devemos ter muito cuidado com isso. A hesíquia não pode ser um método, no sentido «técnico», no sentido que corremos o risco de compreender hoje em dia, e que é ambíguo.

O homem de hoje está como que perdido. Ele procura – porém, todos nós procuramos desde que estamos nesta terra – busca como se achar. Esquece-se, entretanto, de que é dirigindo-se Àquele que o fez, à Deus, ao seu Criador, que poderá encontrar-se. E vive esta busca com uma tremenda agitação, tanta agitação que até quer experimentar qualquer meio para chegar a se encontrar.

A hesíquia não é um método como há um método para aprender inglês, ou como existem todos esses métodos que conduzem necessariamente a um resultado caso sejam bem aplicados. Não, a hesíquia não é esse tipo de coisa. A hesíquia é uma atitude, e não é só porque o monge se retira para o deserto, foge do mundo, e busca o silêncio, que vai encontrar Deus. O método não é mágico. O método é um suporte, mas precisa, como já disse, de uma tensão de amor, de um desejo profundo do encontro com Deus. Então, o método é posto no seu lugar no momento que convém, e o monge procura viver dessa hesíquia. Vai viver no silêncio, num certo retiro, e vai orar. Vai utilizar o que chamamos a «oração do coração» ou também «oração de Jesus». Esta forma de oração está totalmente ligada à tradição hesicasta. Como é esta oração? Repetimos com um rosário, que sempre levamos à mão: «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Vivo, tem piedade de mim pecador». Essa é a fórmula mais completa. Pode ser simplificada, dizendo simplesmente: «Senhor» ou «Jesus».

Os gregos dizem «Kyie eleison», «Senhor, tem piedade». É a mesma fórmula, mais ou menos desenvolvida. Esta oração repetitiva que o monge utiliza não é um meio que, depois de duzentas ou trezentas repetições, possibilita que ele encontre Deus. É, simplesmente, um grito de amor, porque quando se ama, os amantes gostam de manifestar o seu amor. O amor, bem sabemos, passa pela palavra, mas pela palavra mais limpa. Quando um casal se encontra e decide casar-se, o efeito amoroso lhes dá uma possibilidade de encontro que passa pelas palavras. Cada um quer dizer sem cessar ao outro que o ama, mas quando voltamos a encontrar esse casal no final da sua vida, eles já não se dizem nada, eles apenas se olham um ao outro. O simples olhar é suficiente para manifestar esse amor, que se vive no silêncio, na paz, no coração totalmente despojado daquilo que o estorvava no começo, provavelmente por causa da paixão. O monge vive isso, ao seu modo, claro, transpondo esta experiência. É preciso que ele se cale; é preciso que vá até o silêncio e que repita este nome de amor: Jesus. «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim»: trata-se de uma declaração de amor. Reconhecemos nosso Deus, e Lhe dizemos: «Tem piedade de mim», não numa atitude miserável, na que estaríamos como que “pisoteados” pelo nosso Deus, não se trata disso de jeito nenhum. Simplesmente, reconhecemos, na humildade, que não sabemos amar. Não sabemos amar, mas queremos amar. Por causa disso, dizemos: «Tem piedade de nós. Ajuda-nos a amar». Já que se queremos ser amantes de Deus, pois bem, é preciso que Ele, que nos criou e que é Amor, mostre-nos este Amor, faça-nos partícipes Dele, acolha-nos Nele. Não há outra fonte. Então, o monge hesicasta vai se esforçar ao longo da sua vida para orar ao Cristo, o Cristo que disse: «Orar sem cessar» (Cf. Luc 18,1). Poderíamos responder-lhe: «Mas como, Senhor, se ora sem parar? O que significa este convite perpétuo?»

Não se trata, para o Cristo, de repetir-nos sem parar: «Fala comigo», já que Ele nos advertiu: «E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos.» (Mt 6,7). Já sabemos, nós lhe falamos muito amiúde para lhe pedir, pedir e mais pedir. Em certos momentos, Ele deve colocar algodões nas orelhas dizendo: «Parem, parem de sempre pedir alguma coisa!». Acho que o nosso Deus, quando nos diz que oremos sem cessar, convida-nos a contemplá-lo, a desejá-lo. É isso a oração. Não é obrigatoriamente uma formulação exterior, mas é, principalmente, uma atitude do coração. É preciso desejar o Senhor. É neste desejo que se instala esta oração perpétua. A oração de Jesus, a oração do coração que utilizamos, ajuda-nos a isto, já que é muito limpa. Torna-se, é verdade, um hábito, uma chamada interior à qual é preciso responder.

Quase sempre, quando monges jovens vêm ao meu mosteiro, me dizem: «Bom, ensina-me a orar». Não sabem orar direito. Então, dou-lhes um rosário de oração. Além disso, eles o recebem litúrgicamente, com a tomada do hábito. Eu lhes digo: «Agora, começa esta oração!». Como são monges jovens, cheios de desejo, de energia e de brio, querem uma regra de oração forte, densa, a mais dura possível. Então, deixo que eles façam isso e lhes digo, “está bem”. E depois, quinze dias ou três semanas mais tarde, vêm e chamam à porta da minha cela dizendo: «Não consigo!». Não compreenderam que não é um método. Cansam-se, e isso pode ser inclusive perigoso, ficar repetindo esta invocação obstinadamente. Isto não tem nenhum interesse no plano espiritual e pode representar um perigo, inclusive no plano físico. Não compreendem que é preciso começar muito suavemente, mas tendo uma atitude de desejo de Deus.

De fato, talvez simplesmente seja suficiente dizer o nome de Jesus. Vocês sabem quanta importância, em nossas tradições comuns, tem o nome. Aí está, simplesmente tem que dizer este nome e deslizar para dentro, muito suavemente, sem o desejo de realizar uma proeza. É preciso que a nossa oração seja humilde se quer ser verdadeiramente hesicasta. A humildade é absolutamente indispensável. É muito evidente que nenhum de nós, neste mundo, é perfeitamente humilde. Somos aprendizes do amor e da humildade. E temos de aceitar isso, mas também é preciso lutar para adquirir esta humildade, que nos permite então o verdadeiro encontro com Deus. Buscar a humildade e pedir a humildade a Deus, são outras atitudes indispensáveis para os monges hesicastas.

Gostamos muito de um santo russo do século passado, São Serafim de Sarov, um homem extremamente humilde. Um dia, explicou a alguém que veio vê-lo como viver a hesíquia, como viver esta quietude em Deus. E lhe disse esta frase: «Se tu tens a Paz no teu coração, isto é, se és hesicasta, então salvarás milhares de almas ao teu redor». O que significa esta frase? É preciso compreendê-la. Se São Serafim diz: «Se tu tens a Paz no teu coração, salvarás milhares de almas», é porque ele passou por todo um caminho que é para nós um exemplo. Mostrou-nos através da sua vida que é preciso ser humilde, que temos que aceitar sermos pequenos, não sabermos, não conhecermos Deus, principalmente não o possuirmos, o que seria um erro fundamental. Temos que passar pela humildade e pelo abandono, e São Serafim passou por isso. O que é a humildade, senão o descobrimento objetivo do que nós somos: pobres, pequenos, desamparados, não amantes. Isto pode nos conduzir ao desespero, o qual não é o bom caminho. É preciso que esse descobrimento na humildade nos conduza à paz. E a única via possível é o abandono nas mãos de Deus. Se descubro que sou pobre, não devo me desesperar, nem me rebelar. Não é a melhor solução. Quando me desespero e me rebelo, a quem faço referência? A mim, mas não ao meu Criador! Mas se sei ver a minha fraqueza humildemente, se sei não me rebelar, se sei realmente voltar-me para Deus, na confiança, dizendo-lhe: «Sou pequeno e pobre, mas Tu, Tu podes tudo, toma-me na palma da Tua mão e guia-me!», então este abandono, que é a segunda etapa – humildade, depois abandono – vai me conduzir à quietude, à paz do coração, porque estarei finalmente nas mãos do Único que pode me dar esta paz, Aquele que é o Amor, o nosso Deus. Aqui está, então, pelo exemplo de São Serafim de Sarov, como a tradição hesicasta pode ser vivida.

Gostaria de terminar com um exemplo bíblico, evangélico, que vocês conhecem. Trata-se do episódio no qual Jesus está na casa dos seus amigos Lázaro, Marta e Maria, judeus que amavam o Senhor, a quem acolhiam freqüentemente. Neste episódio, não se fala muito de Lázaro, mas principalmente das irmãs dele, Marta e Maria. Uma delas, Marta, atarefada, prepara a comida, move-se, põe a mesa, enfim, podemos imaginar tudo o que acontece. A outra, Maria, está aos pés do Senhor, olha para Ele, simplesmente, e o escuta. Então, a que põe a mesa diz para Jesus: « Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. » (Luc, 10, 38-42) Dito de outra forma, nesta passagem evangélica, nesta experiência de Marta e Maria, o Cristo ensina: «Atenção com a agitação inútil!». Não quer dizer que não fosse acolhedora esta agitação. Ele não censura a que prepara a comida, mas simplesmente diz: «Atenção, Maria escolheu a melhor parte!»

Todos nós temos uma Marta e uma Maria dentro de nós. Vamos tentar escolher, nós também, a melhor parte. Amém.

Ighúmeno Simeon
Mosteiro de Saint-Silouane (Saint-Mars-de-Locquenay)
Bokletim Interparoquial, Novembro 2003