“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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terça-feira, 14 de outubro de 2008

História Resumida do Patriarcado da Bulgária

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O cristianismo no território da atual Bulgária surgiu muito cedo. O apóstolo Paulo durante sua segunda viagem missionária em torno do ano 52 visitou esta região. Relembra isso em sua Epístola aos Romanos: “...pela força de sinais e prodígios, na força do Espírito de Deus: como de Jerusalém e arredores até a Ilíria, eu levei a termo o anúncio do Evangelho de Cristo,...” (Rm 15, 19). De acordo com a Santa Tradição, também o Santo Apóstolo André pregou no litoral do Mar Negro, na foz do rio Dunai.

O rápido desenvolvimento do cristianismo ocorreu particularmente nos séculos III e IV. Depois do édito de Milão do ano de 313, existia aqui, uma estrutura eclesiástica já bastante organizada. Em 343 em Sardyka (Sófia) teve lugar um Concílio Local em defesa da ortodoxia de Nicéia e a condenação do arianismo. O traço característico do cristianismo nos Bálcãs foi seu caráter nacional. Os cristãos desta região não foram forçados nem à cultura romana nem à helenística. Ainda antes do século VII eram usados aqui os idiomas litúrgicos nacionais.

No começo do século V a Igreja Búlgara enfrentou o problema de invasões de povos bárbaros: hunos, visigodos, ostrogodos e tribos eslavas. No ano de 681 o soberano Asparuch (Isperych 681-702), filho de Kubrata, depois da ocupação de Dobrudja e do baixo Mezja fundou o primeiro país búlgaro-eslavo com capital em Pliska. Os novos soberanos intencionavam a total dominação dos povos nativos dos Bálcãs. Destruíram sua cultura e tradições. Muitas igrejas e mosteiros forma destruídos. Com o tempo, entretanto, os invasores depois de familiarizaram-se com a cultura local eles mesmos renderam-se à cristianização.

Em 865 (ou como citam outros historiadores, em 25.05.866) o soberano búlgaro Boris I aceitou o batismo, em Bizâncio, e com a ajuda de clérigos gregos iniciou a cristianização do país. Em 870 o Concilio em Constantinopla estabeleceu no território da Bulgária um arcebispado autônomo, cujo primeiro bispo foi José. Esta independência parcial favoreceu um desenvolvimento dinâmico da Igreja.

No tempo do filho de Boris, Simeão o Grande (893-927), a Bulgária tornou-se uma potência no caráter político e militar. O exército búlgaro conquistou quase toda a Península Balcânica. Simeão proclamou-se, então, “czar–imperador dos Búlgaros”.

Em 919 aconteceu o Concilio de todos os bispos búlgaros, no qual foi anunciada a Autocefalia da Igreja Búlgara. O arcebispado foi elevado à dignidade de patriarcado com sede na capital PresBavie. O primeiro líder tornou-se Leôncio. Apesar dos protestos da parte de Bizâncio, no reinado de filho mais jovem de Simeão foi assinado um acordo búlgaro-bizantino, à força do qual foram aceitas as conquistas territoriais da Bulgária, ratificado o titulo imperial de seus soberanos, confirmada a independência da Igreja e ao patriarca foi concedido o título de seu líder. Como primeiro patriarca foi reconhecido, entretanto, não Leôncio, mas seu sucessor Demétrio.

No ano de 979, o imperador bizantino João Tsimski invadiu e conquistou a Bulgária oriental, e posteriormente a subordinou a si, politicamente e eclesiasticamente. Neste mesmo ano o patriarcado e a independência eclesiástica foram liquidados. Apenas na parte ocidental e independente da Bulgária foi conservada a independência política e eclesiástica. Foi transferida a cátedra patriarcal para Triadic, capital do país búlgaro-ocidental do czar Samuel (976-1014). Nesta parte da Bulgária conseguiu-se preservar a autocefalia, mas apesar disso a Igreja estava bastante enfraquecida.

Em 1018, Bizâncio sob a autoridade de Basílio II, o Matador de búlgaros (976-1025), finalmente conquistou e subordinou toda a Bulgária a si. Destronado o patriarca Davi. João tornou-se líder de toda a Igreja Búlgara, com o título de arcebispo de Ochryd. Em 1020 foi anulado o patriarcado. O imperador Basílio conservou, entretanto, a independência da Igreja Búlgara. Ratificou as leis que a Igreja obteve de soberanos anteriores. Os búlgaros não queriam concordar com a perda da independência. Desejavam a autonomia política e eclesiástica. Em 1186 explodiu a insurreição dos irmãos Pedro e Asen Asenow, que abrangeu praticamente todo o território da Bulgária. Depois de alguns meses chegaram à assinatura de um armistício. O país búlgaro renasceu parcialmente. Em 1187 Asen é aclamado czar. Renasce, então, também a Igreja Búlgara independente. Para além de suas fronteiras permaneceram, entre outros, o arcebispado de Ochryd. As relações com Constantinopla eram bastante tensas. Nessa situação o czar Kalojana (1197-1207) começou a buscar apoio no papa. O papa Inocente III aproveitando-se desta situação ofereceu ao czar a coroa real, e ao arcebispo concedeu o título de primaz. Desta maneira a Igreja Búlgara tornou-se dependente de Roma.

O rompimento dos contatos com Roma ocorreu no governo do czar Ivan Asen II (1218-1241), que em 1235 estabeleceu um acordo com o imperador bizantino João III Vatatzes (1222-1254). Por força deste acordo, o bispo Joaquim II obteve o título de patriarca búlgaro.

Em 1393 os turcos dominavam a Bulgária, e negativamente relacionaram-se com os cristãos locais. Foram destruídas tanto as estruturas estatais como eclesiásticas, então existentes. Sob pressão das autoridades, muitos cristãos aceitaram o islamismo. Igrejas e mosteiros foram demolidos ou transformados em mesquitas. Os cristãos foram obrigados a pagar altos impostos. Todas as manifestações de rebelião eram sufocadas sangrentamente. A Igreja Búlgara foi privada do patriarcado e autocefalia e ficou subordinada em parte ao patriarca de Constantinopla e em parte ao arcebispo de Ochryd. Em 1767 quando a independência do arcebispado de Ochryd foi aniquilada toda a Igreja ficou subordinada à jurisdição de Constantinopla.

Na interface dos séculos XVIII e XIX começou a surgir um forte sentimento de distinção nacional nos búlgaros. Como precursor do renascimento búlgaro é considerado o monge Paísios do mosteiro Chilander do Monte Atos, que escreveu “História eslavo-búlgara do país, dos czares, dos santos, e de todos os acontecimentos da história búlgara”. A obra foi escrita no idioma nacional com incrível fidelidade à verdade histórica sobre o país, a nação e a Igreja Búlgara. Neste livro foram relembradas a glória e a independência do patriarcado e ao mesmo tempo era um apelo à preservação das tradições nacionais e à luta pela independência. O processo de renascimento da Bulgária não se seguiu imediatamente. A idéia desenvolveu-se aos poucos. No começo desejava-se a independência da Igreja. Graças à firmeza dos búlgaros, em 1848, o patriarca de Constantinopla sagrou quatro bispos de nacionalidade búlgara. Em 1851 Hilarion, líder do movimento nacionalista búlgaro, foi sagrado como bispo titular.

No dia 28 de fevereiro de 1870 o sultão, com decreto, estabeleceu o Exarcado Autônomo Búlgaro. Sua liderança era exercida pelo Sínodo Búlgaro. Em importantes questões dogmáticas ele tinha que consultar Constantinopla de onde obtinha o santo óleo, assim como era obrigado comemorar o nome do patriarca de Constantinopla nos ofícios litúrgicos. Em 1872, Antym I foi escolhido como primeiro exarca. O patriarca de Constantinopla opôs-se duramente à esta decisão, que estava em acordo apenas com o sultão e sem a aprovação do patriarca ecumênico e excomungou o episcopado. Iniciaram-se, assim, 73 anos de cisma.

Em 1878, depois da guerra turco-russo, a Bulgária obteve independência como principado, e em 1908 foi proclamada a restauração da monarquia. O príncipe Ferdinando foi aclamado como czar e proclamado o terceiro reino búlgaro.

Não se encerrava, entretanto, o processo de formação da moderna nação búlgara. Em conseqüência da guerra do Bálcãs no começo do século XX, apesar da conquistas à custa da Turquia, o país perdeu parte de seus territórios para a Romênia, Grécia e Sérvia. Durante a I Guerra Mundial a Bulgária lutou do lado das potências centrais (Alemanha e Itália). Em 1917 ocorre a revolução bolchevique. De modo a não permitir a propagação no ocidente das tendências comunistas, foi assinado em Tessalônica um acordo de paz por força do qual a Bulgária recuperava as fronteiras anteriores à guerra. Entretanto, o país encontrava-se a beira de uma crise econômica. Até o momento da eclosão da II Guerra Mundial a Bulgária lutava pela recuperação da economia do país.

Em 1941, sob pressão alemã, a Bulgária desistiu da posição de país neutro e partiu para a guerra ao lado da Alemanha. Porém, não se subordinava à ideologia fascista. Graças a protestos conseguiu-se deter totalmente a propaganda anti-semita. A Bulgária foi um dos poucos países onde os judeus escaparam de perseguições abertas.

No dia 22 de fevereiro de 1945, por iniciativa da Igreja Russa deu-se a reconciliação da Igreja Búlgara com o patriarcado de Constantinopla. O patriarca retirou o anátema da Igreja Búlgara e novamente concedeu-lhe a autocefalia. A restituição do patriarcado seguiu-se, com a aprovação de Constantinopla, no Sínodo Búlgaro de 1953 em Sófia. O primeiro patriarca, depois de vários séculos de intervalo, foi Cirilo.

Em 1992 ocorre um cisma na Igreja Búlgara. Quatro bispos do Metropolita Estevão questionaram a canonicidade da eleição de Máximo, patriarca em exercício, e acusaram-no de atividades prejudiciais à Igreja. Com apoio do departamento búlgaro de questões religiosas criaram uma hierarquia paralela. O conflito durou até outubro de 1998. Nos dias 30 de setembro e 1º. de outubro de 2001 teve lugar em Sófia, um encontro dos líderes de todas as Igreja Ortodoxas Autocéfalas. Em conseqüência das conversações, três bispos cismáticos com o patriarca de Sófia à frente, em nome dos demais apresentaram um ato de arrependimento. Foram recebidos de volta à unidade canônica, entretanto, os bispos cismáticos de novo opuseram-se ao patriarca Máximo e queriam sua demissão. O cisma na Igreja Búlgara dura até hoje.
A Igreja Búlgara conta com 8 milhões de fiéis, 26 bispos e 2300 clérigos. Em 123 mosteiros vivem 500 monges e monjas. A Igreja possui 3200 igrejas e 500 capelas (dados de 1995). Além das dioceses nacionais a Igreja possui duas dioceses nos Estados Unidos e uma na Europa Ocidental. A formação dos futuros clérigos se dá em dois seminários clericais e em duas Academias Teológicas.

Na liderança da Igreja Ortodoxa Búlgara está Máximo, o 21º. patriarca búlgaro. O patriarca Máximo nasceu a 29 de outubro de 1914. Em 30 de dezembro de 1950 foi elevado à dignidade de bispo. A eleição de Sua Beatitude Máximo, como Chefe da Igreja Búlgara teve lugar a 4 de junho de 1971 e sua entronização neste mesmo dia.

O Chefe da Igreja Búlgara tem direito a usar o título de: “Sua Santidade Patriarca Búlgaro, Metropolita de Sófia”.

A residência e cátedra patriarcal dedicada a Santo Alexandre Newski situam-se em Sófia.


Sua Santidade MÁXIMO
Patriarca da Bulgária
Metropolita de Sophia

sábado, 11 de outubro de 2008

História Resumida do Patriarcado da Romênia

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O cristianismo no território da atual Romênia surge já no tempo dos apóstolos. O apóstolo André e os discípulos do Santo apóstolo Paulo (Atos 16, 17 e 20; Rm 15, 19) proclamaram o Evangelho nesta região. A influência do cristianismo nesta região fortaleceu-se, particularmente, após a conquista da Dácia pelo imperador Trajano no ano 106. Colônias gregas de Schytia Menor (atual Dobrudja) mantiveram intensos contatos com as cidades do Oriente Próximo e conseqüentemente com os cristãos destas cidades. Isto nos confirma Tertuliano, que no ano de 196 escreveu: “...também povos e localidades distantes de Roma, na Gália e Bretanha, sarmaci e dakowie1, dobrudjanos, e muitas outras nações de províncias distantes são fiéis a Jesus e confessam o Seu nome”.

Depois da proclamação do Édito de Milão em 313 pelo imperador Constantino, o Grande, os bispos de Schytia Menor desenvolvem uma intensa atividade, cuja prova são as participações com delegações numerosas nos Concílios Ecumênicos (2o. em 381, 3o. em 431 e 4o. em 451).

Infelizmente, esta precoce organização da Igreja foi destruída no período das migrações das populações nos séculos VI e VII. O renascimento da Igreja inicia-se depois da missão na Moldávia de São Cirilo e Metódio, na segunda metade do século IX por intermédio da Bulgária. Por mais de 200 anos os cristãos locais, em questões administrativas, estavam subordinados à Igreja Búlgara. Emanciparam-se, parcialmente, em 1014 depois da derrota da nação búlgara pelo imperador bizantino Basílio II, o matador de búlgaros (976-1025). A diocese local da Valáquia ficou subordinada ao arcebispo de Orchryd e posteriormente ao arcebispo de Tyrnow, que usava, então, o título de “Arcebispo de Tyrnow, Primaz dos búlgaros e dos valaquianos”. A emancipação da Igreja dava à Igreja Romena a possibilidade de desenvolvimento em diversas direções. Surgiram, então, os mais antigos mosteiros e igrejas locais. Sob a influência de famosos padres, como São Nicodemos, desenvolveu-se o hesicasmo. Floresce a cultura e a arte. Não é de se estranhar que nos anos 1389-1394 o bispado da Ungaro-Valáquia foi elevado ao nível de metropolia. A partir do ano 1396 a metropolia passa para a supervisão de Constantinopla. Em 1456 (depois da queda de Bizâncio em 1453) novamente volta para a supervisão de Orchryd.

Por volta do final do século XV o sultanato otomano abrangia toda a Ásia Menor, Península Balcânica até depois dos rios Sawa e Dunai, assim como estendia sua supervisão sobre a Valáquia (1396), Krymsk (1475) e Moldávia (1501). Durante o domínio turco a Igreja Romena conservou uma relativa independência. A Romênia situava-se no extremo do império otomano. Logo ao lado encontravam-se países europeus independentes que aguardavam o enfraquecimento da Turquia e procuravam pretextos para aumentar, às custas dela, seus territórios. Os mulçumanos não puderam, então, se permitir uma demasiadamente clara perseguição aos cristãos romenos. Entretanto, sufocaram sangrentamente os mais significativos sinais de insurreição. Tentaram islamizar o país, o que, porém, terminou em total fracasso.

No final do século XVII a Turquia cada vez mais intensamente tendia para o declínio. No ano de 1699, depois da guerra austríaco-turca, por força do acordo de paz de Karlowack, a Áustria recebeu uma grande parte do território romeno. A Igreja ortodoxa pode respirar aliviada do jugo mulçumano, mas ao mesmo tempo ficou sujeita a uma forte propaganda uniata. O país reconhecia apenas quatro confissões religiosas, todas ocidentais: católica romana, luterana, calvinista e uniata. Ao longo de todo o século XVIII de diversas maneiras induziram os ortodoxos à subordinação ao bispo de Roma. Esta mesma política, conduziram em Siedmiogrodz. A maior parte daqueles cristãos era formada de cristãos ortodoxos da Romênia. O clero ortodoxo foi rebaixado ao status de servos campônios. Em conseqüência das pressões, significativa parte dos romenos de Siedmiogrodz aceitou em 1701 a união com Roma. Os que permaneceram com a Ortodoxia ficaram privados de seus próprios bispos e entregues à supervisão do clero sérvio. Só em 1810 obtiveram seu próprio bispo, Basílio Moga (1810-1846).

No século XIX entre os romenos aumentava o desejo de independência. Encontraram solidariedade e apoio da Rússia e de países da Europa Ocidental. Sob as pressões destes países a Turquia consentiu, que em 1861 os principados de Moldávia e Valáquia unissem–se em um só país – a Romênia. Em 1864 o país chegou a uma revolução política, em conseqüência da qual todas as autoridades aceitaram a soberania do príncipe Aleksander Jan Kuza. Durante seu governo a Igreja Ortodoxa Romena proclamou sua autocefalia em 1865, que em novembro de 1878 foi confirmada, com decreto, pelo patriarca de Constantinopla Joaquim III. As determinações do decreto e ratificação final da autocefalia ocorreu somente em 25 de abril de 1885. Isto coincidiu com o Congresso de Berlim, que reconheceu a independência da Romênia e ao mesmo tempo aumentou o seu território anexando Dobrudz. Para a Igreja Romena haviam chegado os anos de muito trabalho interno em função da ampliação da estrutura das dioceses e desenvolvimento da atividade educacional e caritativa. Revitalizaram-se, também nesta época, os antigos mosteiros.

Depois da 1a. Guerra Mundial para a Igreja Romena tornaram-se incluidas as dioceses das terras anexadas à Romênia: Moldávia, Siedmiogrod, Transilvânia e Bukowina.

Em 4 de fevereiro de 1925 o Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico tomou a decisão de criação do patriarcado romeno com sede do patriarca em Bucareste. As Igrejas Locais expressaram sua concórdia para esta decisão.

Em 1925 o patriarca da Romênia participou na proclamação da autocefalia da Igreja Ortodoxa da Polônia.

Depois da II guerra mundial com relação à mudança das fronteiras nacionais, o patriarca perdeu a Metropolia de Bukowina e o arcebispado da Moldávia. Em 1948 retornaram para a Igreja Ortodoxa Romena os fiéis e clero uniata da Igreja Greco-Católica da Transilvânia.

No ano de 1946 a Frente Nacional-Democrática de diretriz comunista conquista a maioria dos mandatos na Assembléia Nacional. É proclamada a República Popular Romena. A situação do Patriarcado sob o seu governo foi favorável inicialmente. O país apoiava a reconstrução de tudo que havia sido destruído pela guerra, assegurava total tolerância e a igualdade de direitos. A partir da metade dos anos 60 inicia-se um período de martírio na história da Igreja Romena. No tempo do governo de G. Gheorghiu-Deja (até 1965) e N. Ceausescu (1967-1989) cai sobre o patriarcado as mais terríveis perseguições. Foram destruídas, neste período, igrejas e mosteiros, dioceses liquidadas e dos 10 mil clérigos de então, 5 mil foram presos acusados de inimigos do sistema. Foram proibidas as atividades editoriais e catequéticas. Dificultada a vida litúrgica. O patriarcado começa a revitalizar-se após a queda do regime de N. Ceausescu em 1989.

Atualmente o número de fiéis do patriarcado chega 20 milhões, o que constitui 86% da população do país. O patriarcado divide-se em 22 dioceses e 123 decanatos. A igreja possui 8941 paróquias com 12546 igrejas. A assistência pastoral é exercida por 40 bispos e aproximadamente 9400 padres e diáconos. A Igreja dispõe de 14 departamentos teológicos nas universidades federais, 33 seminários e 12 escolas para salmistas. Atualmente existem na Romênia 400 mosteiros e eremitérios, nos quais oram e trabalham 4100 monges e 4500 monjas.

Na liderança da Igreja Ortodoxa Romena está o patriarca que usa o título: Sua Beatitude Arcebispo de Bucareste, Metropolita da Ungaro-Valáquia e patriarca de toda a Romênia.

Atualmente o chefe da Igreja Romena e sexto patriarca da Romênia é Daniel. Nasceu a 22 de julho de 1951, na localidade de Dobrestia nas proximidades de Lugoj. Eleito em 12 de setembro de 2007, foi entronização em 30 de setembro na catedral patriarcal em Bucareste dedicada a São Constantino e Santa Helena, iguais aos apóstolos.

A Igreja Ortodoxa da Polônia foi representada pelo Arcebispo Jeremias de Wroclaw e Szczecin.


Sua Beatitude DANIEL
Patriarca da Romênia
Metropolita da Ungro-Vlachia
Arcebispo de Bucarest

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

História Resumida do Patriarcado da Sérvia

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O Cristianismo nos territórios da atual Sérvia começou a desenvolver-se já no primeiro século de nossa era. A Tradição fala que a Boa Nova trouxeram aqui os próprios apóstolos, durante suas viagens missionárias: Apóstolo André e o Apóstolo Paulo, que para os Bálcãs enviou seu discípulo Tito. No século IV nos Bálcãs já havia o arcebispado de Tessalônica e a Metropolia de Sirmijum. As posteriores invasões dos Awar quase totalmente destruíram a, então existente, estrutura da Igreja. No século VII a cristianização destas terras rivalizava entre si Roma e Constantinopla. Até o ano de 732 a Sérvia encontrava-se na jurisdição da Igreja do Ocidente. Em 732 o imperador Leão III, Isáurico realizou nova divisão do império, em conseqüência da qual a Sérvia passa para a jurisdição do Patriarcado de Constantinopla.

Posteriormente, o cristianismo fortaleceu-se com a atividade missionária dos irmãos Cirilo (826-869) e Metódio (820-885). Em 869 por recomendação do imperador Basílio dirige-se para a Sérvia um grupo de clérigos gregos. Em 879/880 sob o governo do príncipe Mutimir, ocorre o batismo oficial da nação sérvio. Foi aberto, então, o bispado com capital em Ras, subordinado ao patriarca de Constantinopla. Em conseqüência da conquista da Sérvia pelo rei búlgaro Simeão I, o Grande (893-927), a Igreja sérvia tornou-se parte da Igreja búlgara. No ano de 1018, depois da derrota da Bulgária pelo imperador bizantino Basílio II, o Matador de búlgaros o bispado foi anexado ao arcebispado independente de Ochrid do patriarcado de Constantinopla.

Significado decisivo na história da nação sérvia e da Igreja foi o governo do rei Estevão I Nemani (1159-1195). Ele facilitou a reconstrução tanto da independência do país quanto da Igreja. Ele apoiou o desenvolvimento da Igreja, fundou mosteiros, templos, hospitais e asilos. O rei Estevão em 1196 recebeu os votos monásticos com o nome de Simeão e estabeleceu-se no Monte Atos. O poder transmitiu a seu filho Estevão, o Jovem. Junto com ele no Monte Atos esteve seu segundo filho – São Sawa. Juntos construíram o mosteiro sérvio de Chilandar no Monte Atos. Depois de 20 anos de trabalhos no mosteiro, São Sawa voltou ao país para enterrar o pai, morto no ano de 1200.

Em 1219, São Sawa foi elevado à dignidade de bispo e tornou-se, de fato, o criador da Igreja Sérvia independente. Ele dirigiu a Igreja por 14 anos. Este é o período mais esplendoroso do desenvolvimento da cultura religiosa sérvia. Em 1221 no dia da Ascensão do Senhor, São Sawa coroou seu irmão Estevão, o Jovem como primeiro rei da Sérvia.

Em 1346, no concílio em Skopije com a presença de arcebispos búlgaros e de Ochrid assim como de monges do Monte Atos, foi criado o patriarcado sérvio com capital em Pecz. O primeiro patriarca eleito foi Joanicio II (1346-1354). A criação do patriarcado ocorreu sem negociações com Constantinopla e por isso Calisto, o patriarca de Constantinopla, não apenas não reconheceu a criação do patriarcado sérvio como também o excomungou em 1352. Somente depois de conversas e negociações, em 1353, as decisões do concílio em Skopije foram aceitas como canônicas.

O patriarcado sérvio usufruiu um período muito curto de independência. Depois da sofrerem derrota pelos turcos no Kosovo em 1389 a Sérvia praticamente deixou de existir em 1459 e tornou-se parte do país turco. A Igreja encontrou-se em situação muito difícil e ficou privada de seus direitos e da proteção do estado. A maioria das igrejas foram transformadas em mesquitas. Foram fechados mosteiros e as atividades educacionais e editoriais vinculadas a eles suspensas. A Igreja Sérvia tornou-se uma jurisdição subordinada ao patriarca de Constantinopla. Os cristãos ortodoxos eram compelidos a converterem-se ao islamismo à força ou com pressões administrativas.

Os sérvios não se renderam e lutaram pelo direito à independência política e liberdade de confissão da fé de seus antepassados. No tempo do patriarca Macário Sokolowicz (1557-1571) a Igreja Sérvia gradualmente revivifica-se e consegue independência. Foram feitas, também, tentativas no sentido de reinstalar o patriarcado. Os turcos entenderam que a fé é a força espiritual da nação e assim querendo lutar contra ela em 1594 queimaram nas proximidades de Belgrado as relíquias do primeiro arcebispo sérvio São Sawa. Entretanto, isto não refreou as aspirações de libertação nacional. Revoltas e insurreições explodiam a cada dezena de anos até metade do século XIX.

As autoridades turcas, todo o tempo, aspiravam destruir a independência religiosa sérvia. A liquidação final da autocefalia aconteceu a mando do sultão Mustafá III no dia 11 de setembro de 1766, no tempo do patriarca Samuel I de Constantinopla. O patriarcado de Pecz foi degradado ao nível das menores metropolias subordinadas ao patriarca de Constantinopla. Iniciou-se um tempo de dinâmica helenização da hierarquia, e posteriormente de toda a Igreja e nação sérvia. Os bispos sérvios ficaram privados de suas cátedras, e em seus lugares foram enviados gregos. A língua litúrgica passou a ser o grego. Foram proibidas as homilias em sérvio. As perseguições por parte dos turcos e fanariat 1 obrigou muitos sérvios emigrar.

Depois da guerra turco-russa (na qual os turcos foram derrotados) à força das decisões do Congresso de Berlim de 1878, a Sérvia obteve a independência política. O novo governo e as autoridades da Igreja enviaram moção ao patriarca Joaquim III solicitando a concessão da autocefalia. Em 1879 o patriarca concede a autocefalia à Igreja Sérvia, entretanto não para todos os territórios do antigo patriarcado. No ano de 1882 depois da formação do Reino Sérvio seguiu-se a reforma da lei interna. A finalização da formação administrativa da estrutura da Igreja Sérvia aconteceu em 1890. As novas regras não garantiam, entretanto, na medida do possível uma vida normal de Igreja, porque o país estava esfacelado politicamente. Diversas de suas partes encontravam-se sob o patronato de vários países (Turquia, Áustria, Hungria), e em conseqüência os bispados também, o que desfavoravelmente afetava a percepção da nova lei e condução da política de unidade da Igreja. Foram criadas metropolias distintas, por exemplo, Montenegro, e as Igrejas Autônomas na Bósnia, Herzegovínia e na Macedônia.

Na composição do patriarcado sérvio, então, entravam 21 dioceses. As dioceses foram divididas em três metropolias. Além delas a Igreja exercia proteção canônica sobre mais algumas poucas dioceses no Canadá, América do Norte e nos territórios da atual República Tcheca.

Em 1918, ocorre a unificação da Sérvia, Herzegovínia, Montenegro e Bósnia. Em 1919, uniram-se a esses países a Croácia e a Eslovênia. Assim surgiu o reino dos sérvios, croatas e eslovenos. O novo país recebeu o nome de Iugoslávia.

No dia 30 de agosto de 1920, no concílio em Sremsk Karlowca foi anunciada a restauração do patriarcado. O metropolita de Belgardo tornou-se o chefe da Igreja. Apesar do silêncio inicial o patriarca de Constantinopla ratificou este ato com decreto em 1921.

No ano de 1941os fascistas alemães atacaram e dominaram o território da Sérvia. Dominaram-na, aliados com as turbas croatas. O controle do país foi tomado por Ante Paveli. Este período foi para os sérvios o mais duro de toda a sua história. Os sérvios eram perseguidos pela sua fé e nacionalidade, porque a única fé permitida no país era a católica romana. Neste período sucumbiram um milhão e setecentos mil ortodoxos. Particularmente e ativamente combateram a hierarquia ortodoxa. O extermínio estava relacionado com a re-cristianização que foi conduzida com o uso da força. Freqüentemente a aceitação do batismo latino era a única saída para evitar a morte. O terror durou até a libertação da Iugoslávia.

Depois da guerra, as autoridades da Iugoslávia encontraram-se diante de um sério dilema, no território da Iugoslávia estavam em contato grandes grupos religiosos: ortodoxos, católicos romanos e mulçumanos. De modo a conduzi-los a uma convivência pacífica, já em 1946 foi registrado na constituição um artigo inteiro sobre as bases da Igreja no país.

O final dos anos oitenta foi um período de renascimento da Igreja. Os ortodoxos constituíam o mais numeroso grupo religioso na Iugoslávia. O número de ortodoxos ultrapassava os 10 milhões. A Igreja contava, então, com 21 dioceses no país e 10 na Europa Ocidental, USA, Canadá e Austrália. Em 3000 paróquias encontravam-se 4200 templos (no território do país), em torno de 200 mosteiros, nos quais viviam cerca de 1000 monges e monjas. A Igreja possuía 4 seminários (com capacidade para cerca de 600 alunos) assim como um departamento de teologia na universidade de Belgrado. Esta estrutura quebrou-se em 1991, quando explode na Iugoslávia a guerra civil. Ao longo das atividades de guerra, como também em conseqüência do fanatismo descontrolado, muitos templos foram destruídos. Quando a Croácia torna-se um país independente, a Igreja Ortodoxa não abandonou seus fiéis que permaneceram naquele território. A Igreja apelou para um perdão mútuo das culpas e a reconstrução de casas e igrejas.

Em 1999 explode novo conflito, desta vez entre a Sérvia e o os albaneses. Isto levou a uma intervenção da OTAN no Kosovo. Em conseqüência de ataques aéreos destruidores mais igrejas, templos, monumentos de arte sacra foram danificados ou totalmente destruídos. Depois da guerra a Igreja, novamente, renasce, entretanto, constantemente acontecem ataques de membros do Exército de Libertação do Kosovo em mosteiros e igrejas ortodoxas. Segundo dados da Igreja Ortodoxa Sérvia, no período de junho a outubro de 1999 foram danificados e saqueados 76 igrejas e mosteiros, 64 foram incendiados, 39 minados e o alicerce de 5 minados.

O patriarca atual da Igreja Sérvia é sua Santidade Patriarca Paulo, que é o 44o. patriarca na história da Igreja Sérvia. Nasceu em 11 de setembro de 1914, em Slavonia. Foi elevado à dignidade de bispo em 22 de setembro de 1957. Foi eleito, em 1 de dezembro de 1990, chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia e a entronização ocorreu no dia seguinte.

O chefe da Igreja Sérvia tem direito a usar o título de oficial de: Sua Santidade Patriarca Sérvio, Arcebispo de Belgrado-Karlowac. A residência do patriarca e sua catedral dedicada ao Arcanjo Gabriel situam-se em Belgrado. Sua Santidade, Patriarca Paulo realizou visita à Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia em 2001.

Sua Santidade PAULO I
Patriarca da Sérvia,
Arcebispo de Belgrado-Karlovci

sábado, 9 de agosto de 2008

História Resumida do Patriarcado de Moscou

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O batismo da Rússia em 988 não foi o início de sua cristianização, mas o começo de um processo bastante longo de penetração do cristianismo na região às margens do rio Dniepr. Segundo a tradição da Igreja o primeiro anunciador da fé em Cristo no território da futura Rússia foi o apóstolo André. Ele teve que assentar a cruz nos montes de Kiev e predizer que chegariam os dias em que lá reluziriam as cúpulas de numerosas casas de Deus. Claro que não possuímos nenhum monumento do cristianismo dos primórdios deste tempo (sabemos ser verdade que foram enviados para a Criméia no tempo das perseguições muitos cristãos, entre outros São Clemente, o terceiro bispo de Roma). Entretanto, a costa norte do Mar Negro sempre esteve na órbita dos interesses do Império Bizantino. Enviaram uma missão cristã sob a supervisão de São Constantino (Cirilo) para o país dos tártaros, que se estendia desde os Cárpatos até depois dos Montes Urais. Particular importância também merece o batismo dos russos efetuado nos anos 60 do século IX, no governo dos príncipes Askold e Dir. Provavelmente, entretanto, limitou-se a unicamente ao cortejo dos príncipes. Sob o governo dos príncipes Oleg e Igor (primeira metade do século X) o cristianismo começa cada vez mais intensamente penetrar abaixo do rio Dniepr. Depois da morte de Igor em 945 assume o poder na Rússia a princesa cristã Olga (batizou-se me Constantinopla, embora antes já tivesse seu capelão pessoal). No governo de seu neto Vladmir em 988 a Rússia finalmente aceitou o cristianismo. Nas mais importantes cidades foram estabelecidos bispados e foram conduzidas missões internas. No decurso de menos de um século cristianizaram os mais distantes recantos do país.

Período importante, embora muito difícil na história da Igreja Russa foi o domínio dos mongóis. Depois de três devastadoras expedições (1237-1241) eles conquistaram toda a Rússia, com exceção dos principados mais ao norte. Kiev e outras cidades maiores foram totalmente incendiadas. Milhares de pessoas foram assassinadas ou levadas em escravidão. Salvaram-se unicamente Nowogród e Psk. Os mongóis depois da finalização da conquista mostraram uma relativa tolerância com a Ortodoxia. Libertaram os metropolitas de Kiev com a condição de pagarem impostos e permitiram a eles andar livremente por todo o país. Ao mesmo tempo para a cátedra metropolitana convocaram de igual modo russos e gregos. Um deles de nome Teognost (1325-1352) no ano de 1328 decidiu trazer definitivamente a sede da metropolia da destruída Kiev para Moscou, o que iniciou a formação da metropolia de Moscou. Desde metade do século XIV Moscou tornou-se o principal centro de renascimento religioso e nacional.

No reinado do príncipe Demétrio de Moscou (1359-1389), na batalha de Kulikowy Polu (1380) o exercito tártaro-mongol sofreu uma derrota. A vitória, entretanto, não pôs fim ao domínio tártaro. Os mongóis continuamente mostravam-se fortes e impuseram à Rússia sua soberania. A vitória na batalha de Kulikowy Polu desempenhou um importante papel na história da Rússia, porque abalou a convicção da impossibilidade de derrotar os invasores.

O século XV foi para a Rússia tempo de renascimento espiritual. Nesta época foi iniciada a construção de muitas igrejas e o restabelecimento da vida monástica. Desenvolveram-se, então, os estudos teológicos, enquanto a arte da iconografia atravessou seu século de ouro. Os mosteiros russos mantinham constante contato com Constantinopla e com os mosteiros do Monte Atos.

No ano de 1448 a metropolia moscovita obteve o status de Igreja Autocéfala. Sob o reinado do príncipe Ivan III (1462-1505), no ano de 1480, Moscou libertou-se do domínio tártaro. A partir deste momento o estado moscovita transformou-se em potência. Isto favoreceu o desenvolvimento da Igreja Ortodoxa. Fundaram novos mosteiros, junto aos quais surgiram oficinas de iconografia, asilos, hospitais e oficinas de artesanato.

Em 1589, por decisão dos patriarcas do oriente a Igreja Russa é elevada ao status de Patriarcado. O patriarcado constituía-se de 4 metropolias, 6 arcebispados e 8 bispados. Nas solenidades de proclamação do patriarcado participou o Patriarca de Constantinopla Jeremias II. O primeiro a tornar-se patriarca foi Job, metropolita de Moscou.

A transição do século XVI para o século XVII, apesar do sucesso religioso, não foi um período vantajoso para a história do patriarcado. Nos anos 1598 a 1613 a Rússia experimentou grandes abalos políticos. O fim do governo da dinastia Ruryk e a morte do czar Teodoro levaram à guerra civil e à anarquia. As invasões polonesas e suecas pioraram a situação. Novamente a Rússia subsistiu unicamente graças aos esforços do Patriarca Hermógenes e dos monges do mosteiro de São Sérgio. A Assembléia nacional no ano de 1613 elegeu como czar Miguel Romanov de 16 anos, o que causou uma lenta estabilização da situação no país.

Em 1652 Nikon (1652-1681) tornou-se patriarca de Moscou, e com objetivo de uniformização dos livros litúrgicos com os originais gregos recomendou traduzi-los de novo e ordenou aplicar os ritos gregos em todos os lugares onde os ritos locais estavam diferentes. Parte do clero, com o protopresbítero Habacuque na liderança, recusou obediência ao patriarca. Os adversários de Nikon formaram uma comunidade própria de fiéis ao rito antigo. Nos anos 1666-1667 foi convocado um concílio em Moscou, no qual estiveram presentes Paisios, o patriarca de Alexandria e Macário, o patriarca de Antioquia. O concílio condenou os seguidores do rito antigo e julgaram também o Patriarca Nikon.

Um importante acontecimento do período citado foi a incorporação ao império moscovita das terras da parte ocidental da Ucrânia, que encontravam-se nas fronteiras com a Polônia. Em virtude do tratado de união em Krew, o grande principado da Lituânia uniu-se à Polônia, e em 1569 foi formado a partir deles um único país, a Polônia. Em 1596 ocorre a chamada “união de Brest” que tentou subordinar ao papa católico romano a Igreja Ortodoxa na Polônia. Isso deu origem a um dos motivos da explosão do levante cossaco na Ucrânia sob a liderança de Bogdan Chmielnicki em 1648. Buscando ajuda do czar Aléxis em 1654 em Perjaslaw, a assembléia dos cossacos aceitou a autoridade dos soberanos moscovitas. A guerra moscovita-polonesa, iniciada em conseqüência deste acordo, durou até 1667. Nenhum dos lados conseguia alcançar supremacia que caracterizasse uma vitória. Em virtude do conteúdo do acordo chamado “paz eterna” (1686), a Ucrânia foi dividida - a regiões à esquerda da Ucrânia incluindo Kiev entraram na composição do estado moscovita, enquanto as regiões à direita permaneceram com a Polônia. Em resultado dessas decisões, a partir de 1685 a metropolia de Kiev passou a estar subordinada ao Patriarcado de Moscou (o patriarca de Constantinopla Dionísio IV expressou sua anuência ao acordo em 1686).

O governo do czar Pedro, o Grande (1682-1725) teve influência desvantajosa para a Igreja Ortodoxa. No seu governo foram elaboradas reformas ao interior da Igreja, que tinham como objetivo subordinar a Igreja ao estado. No ano de 1700 morre o patriarca Hadrian, e o trono patriarcal é assumido, então, por Stefan Jaworski. Entretanto, ele não é elevado à dignidade de patriarca. Pelos próximos 20 anos o czar Pedro plantou nas sedes episcopais pessoas escolhidas por si. Sob supervisão do czar, o bispo Teofan Prokopowicz elaborou o “Regulamento clerical” publicado em 1721, que modificava a situação legal da Igreja. A mais importante deliberação deste novo regulamento foi a extinção do patriarcado e sua substituição por conselho administrativo fixo composto de clérigos e chamado de Santo Sínodo. O Sínodo compunha-se de um superior ou líder e dois substitutos, e outros oito membros indicados entre os bispos, monges e sacerdotes. O Sínodo não era um órgão formado por eleição, mas cada um dos seus membros era indicado pelo czar e ele mesmo podia destituir do cargo. Isto significava, é claro, a subordinação da Igreja às autoridades seculares e o cerceamento de suas atividades. Em face ao despotismo das autoridades, toda e qualquer oposição terminava com a morte ou aprisionamento dos insatisfeitos.

A limitação da influência e da liberdade da Igreja alcançou o seu ápice sob reinado da czarina Catarina II (1762-1796), quando foram tomadas terras da Igreja e fechados muitos mosteiros. Esta situação provocava protestos de muitos bispos. O mais conhecido foi Arsênio Matsiewicz, metropolita de Rostov, que no ano de 1772 a czarina mandou matar de fome, porque ele havia criticado sua política. Outros bispos foram enviados para a prisão ou privados do direito de usar os paramentos clericais. Neste tempo, apesar da difícil situação surgiram na vida da igreja sinais de renascimento espiritual. Estes indicativos estavam relacionados com a atuação de pessoas notáveis como São Tikon Zadonski (1724-1783) e São Paisios Wieliczkowski (1722-1794). Os maiores deles foram: São Serafim de Sarov, Metropolita Filaret (Drozdow), o bispo Teofan, o Recluso (Zatwornik), o bispo Inácio Branczaninow assim como os anciãos do eremitério de Optina com destaque para São Ambrósio de Optina.

No começo do século XX na igreja russa aparecia um anseio cada vez mais forte em direção ao restabelecimento do patriarcado. No dia 15 de agosto de 1917 foi aberto o Sínodo Local da Igreja Russa, cuja mais importante decisão foi a reabertura do patriarcado. Para patriarca de Moscou e de toda a Rússia foi eleito Tikon (Biellajewa), o metropolita de Moscou.

Infelizmente, eram já os turbulentos tempos pré-revolucionários. Em outubro de 1917, depois da revolução bolchevique, o Governo Provisório assume a autoridade no país, a Igreja fica privada de identidade legal. Confiscam, então, todo o seu patrimônio e inicia-se a perseguição ao clero. Até 1939 foram assassinados 130 bispos, milhares de padres e monges, e centena de milhares de fiéis. Um número ainda maior de pessoas foi condenado à deportação e a trabalhos forçados. A repressão, entretanto, não conseguiu destruir a Igreja.

As perseguições foram parcialmente interrompidas com a eclosão da II Guerra Mundial. Stálin buscando o pleno apoio da sociedade muda a política religiosa no país. Chega um tempo de tolerância para a Igreja. As autoridades comprometeram-se a cessar a propaganda anti-religiosa. Permitiram a eleição de um patriarca que foi o metropolita Sérgio (Starogorodski). Foram restituídas à Igreja 20 mil templos e 70 mosteiros, assim como permitiram a abertura de um seminário clerical. Nesta ocasião muitos clérigos foram libertados da prisão.

Depois da morte do Patriarca Sérgio em 1944, foi eleito patriarca Aléxis I (1944-1970), que pretendeu um amplo renascimento da vida da igreja. Entretanto, quando Nikita Kruchev assumiu o governo da URSS, novamente caiu sobre a Igreja terríveis perseguições. Dezenas de bispos, milhares de clérigos e dezena de milhares de simples fiéis alimentava os campos de trabalhos forçados, postos de trabalho e prisões. A destruição de igrejas cresce a um ponto inesperado, até então. A vida monástica passa a ser totalmente proibida. As atividades editoriais e educativas são rigidamente controladas.

Somente no governo de Michail Gorbaczow ocorreram mudanças significativas. A Rússia começa a caminhar em direção à Europa e tinha que rever sua relação com a religião. Passam a permitir a abertura de templos e mosteiros. Até o ano de 2000 foram restituídos à Igreja 60 mosteiros, 4000 igrejas e abertas mais de 2000 novas paróquias. As necessidades, entretanto, eram significativamente maiores. Sentia-se sensivelmente a falta de clero, igrejas e literatura religiosa. E o pior é que se aproveitando da situação de “fome de clero”, algumas confissões religiosas e seitas começaram aqui intensa agitação e proselitismo. Isto levou ao enfraquecimento da, até então, ativa participação do Patriarcado de Moscou no movimento ecumênico e esfriamento das relações com a Igreja Católica Romana (principalmente pelo seu retomado apoio ao revitalizado greco-catolicismo).

Atualmente o Patriarcado de Moscou possui 12 metropolias e 115 bispados, em torno de 500 mosteiros e 20 mil paróquias. Na composição do clero entram 151 bispos, 17500 padres e 2275 diáconos. Os fiéis estão em torno de 70 milhões. Na composição do patriarcado entram a Igreja Ortodoxa Ucraniana (5 metropolias, 32 bispados), a Igreja Ortodoxa da Bielo-Rússia (1 metropolia e 9 bispados), a Igreja Autônoma do Japão e várias dioceses na Europa e América do Norte. O chefe da Igreja atualmente é o Patriarca de Moscou e toda a Rússia, Aléxis II, que é o 15o. patriarca desde a formação do patriarcado. O atual patriarca nasceu a 23 de fevereiro de 1929 em Tallin. No dia 3 de setembro de 1961 teve lugar sua quirotonia para bispo. No dia 7 de julho de 1990 o Concílio local da Igreja Ortodoxa Russa elegeu o metropolita Aléxis para patriarca. A intronizaçao ocorreu a 10 de julho de 1990. O patriarca de Moscou usa oficialmente o título: “Sua Santidade, Patriarca de Moscou e toda a Rússia”. A residência do patriarca e sua catedral dedicada à Teofania situam-se em Moscou.



Sua Santidade ALEXIS II
Patriarca de Moscou e toda Rússia

terça-feira, 5 de agosto de 2008

História Resumida do Patriarcado de Antioquia

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas
O primeiro anunciador da Boa Nova no território do futuro Patriarcado de Antioquia foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Os Evangelistas Mateus e Marcos relembram como o Salvador tendo cruzado as fronteiras de Tiro e Sidônia cura a filha da mulher de origem sírio-fenícia, possuída por demônios (Mt 15, 21; Mc 7, 24). Entre os sete primeiros diáconos é citado Nicolau de Antioquia. Este fato testemunha que desde os primeiros momentos de existência do cristianismo atuava ali uma comunidade em expansão, da qual um de seus membros foi um colaborador dos Santos Apóstolos. Também está relacionada com Antioquia a atividade do Apóstolo Paulo, originário da cidade de Tarso não muito distante de Antioquia. Ainda como fervoroso perseguidor de cristãos, Saulo (o futuro Paulo) desejou ir a Damasco, a fim de perseguir os confessores de Cristo do local. Durante a viagem ocorreu a sua milagrosa conversão. Em Damasco aceitou o batismo das mãos de Ananias, superior da comunidade local. Deve-se lembrar também do apóstolo Pedro que significativamente contribuiu para a cristianização da cidade e é considerado seu primeiro bispo.

Os Atos dos Apóstolos falam muito da cristianização do território do atual patriarcado. Depois da morte do Arcediago Estevão cristãos em massa fugiram das perseguições: “... espalharam-se até a Fenícia, Chipre e Antioquia pregando a Palavra só aos judeus” (Atos 11, 19). Particularmente nesta última localidade a quantidade de convertidos foi tão grande que, “... a notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé a Antioquia. Em seguida, partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Achou-o e levou-o para Antioquia. Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos de Cristo, pela primeira vez foram chamados de cristãos” (Atos 11, 22-26)

Antioquia nos primeiros séculos do cristianismo foi uma das mais importantes cidades da região. Cruzavam-se aqui duas vias comerciais e chocavam-se correntes filosóficas de regiões de todo o império. O ensino cristão local dinamizava a cidade. Existia nesta cidade uma escola catequética nos mesmos moldes da existente em Alexandria, que desempenhava um importante papel na formação ortodoxa do ensino da Igreja.

Hierarcas da igreja local opuseram-se ao arianismo – heresia que questionava a divindade do Filho de Deus e proclamada por um padre de Alexandria chamado Ário. O concílio local em 324 expressou este repúdio. Ativamente participaram também nos trabalhos do I Concílio Ecumênico, no qual os bispos de Antioquia, Damasco, Irenópolis, Selêucia, Sodoma, Sidônia, Tiro e muitas outras cidades do Oriente Próximo assinaram a decisão condenando a heresia do arianismo. As heresias que apareceram no século V – nestorianismo e monofisismo – violando a unidade da Igreja trouxeram muita confusão na vida da sociedade antioquina.

O período dos Concílios Ecumênicos foi um tempo de formação das fronteiras do patriarcado. No começo do século III o bispo de Antioquia era já, não apenas Metropolita, mas exarca de toda a Síria. O sexto cânon do I Concílio Ecumênico fala: “Que também sejam conservadas as prerrogativas da Igreja em Antioquia e outras eparquias” O lugar definitivo do patriarcado de Antioquia no díptico das igrejas foi determinado no 4o. Concílio Ecumênico (451) e no Concílio de Trullo (692).

No ano de 638 a Síria toda foi ocupada pelos árabes. Por motivos políticos a Igreja Jacobita (monofisita) os apoiou e os árabes perseguiram a Igreja Ortodoxa (Melquita), dificultando com isso a atuação do patriarcado. Havia chegado o tempo da intensificação da islamização. O idioma dominante passa a ser o árabe. Foi proibida a construção de novas igrejas cristãs e a realização de discussões religiosas com os mulçumanos. Limitações foram impostas à vida dos mosteiros. Seguiu-se, então, gradual enfraquecimento da Igreja de Antioquia.

Em 969 Antioquia foi resgatada por Bizâncio. Foi declarada a liberdade religiosa, revitalizada a vida espiritual dos cristãos e cresceu significativamente a importância do patriarcado. Infelizmente, já em 1084 Antioquia foi novamente conquistada pelos árabes. Seu poderio foi de curta duração desta vez e não causou à Igreja grandes prejuízos.
Em 1098 foi conquistada pelos cruzados, o que contribuiu para uma significativa influência da Igreja Ocidental no território do patriarcado.Os cruzados fundaram aqui um bispado latino com o patriarca Bernardo a frente do mesmo. Nesta época os patriarcas antioquinos orientais permaneciam em Constantinopla. De lá, também, sagravam os bispos e os enviavam para Antioquia. A situação se complicou ainda mais depois da ocupação de Constantinopla pelos cruzados em 1204. Dois anos mais tarde o governante de Antioquia Bohemund IV permitiu ao Simeão II voltar a Antioquia. Isto provocou ácidos protestos do papa e do patriarca latino Pedro. Apesar destes protestos o patriarca Simeão II permaneceu na sua cátedra até o ano de 1214. Finalmente, o patriarca ortodoxo foi obrigado a fugir e refugiou-se no reino de Nicéia onde morreu em 1235.

No ano de 1268 o sultão do Egito Mameluk Beibars el Bondogary (1261-1277) ocupou toda a Síria junto com Antioquia. Este cativeiro não foi, entretanto, tão incômodo quanto a liberdade sob o cetro dos cruzados. Nesta época, devido à destruição de Antioquia a sede do patriarcado foi transferida para Damasco. A Igreja pode, até certo ponto, desenvolver-se tranqüilamente.

Em 1517 o território da Ásia Menor foi dominado pelos turcos otomanos. Foi concedido ao patriarca local o direito de vigilância sobre a população cristã da Síria com a objeção de que com a vida ele deveria responder pela lealdade deles face às autoridades. Em troca poderia ter relativa liberdade em questões religiosas e a possibilidade de determinar os próprios impostos. Entretanto, a manutenção da paz não era devida a simples tarefas. Os gregos queriam lutar por sua liberdade, e isto significava perseguições. Outro grande problema da Igreja de Antioquia era as tentativas de forçar os ortodoxos à união com Roma. Isto teve lugar no período de declínio do império bizantino e intensificou-se após a queda de Constantinopla. Muitos esforços de propagação da união aconteceram em 1583 quando os jesuítas chegaram à Síria. Em resultado da atuação deles surgiu a Igreja Católico-Árabe Uniata na Síria. A atividade dos uniatas não arregimentou muitos confessores da Ortodoxia. Além disso, em 1846 muitos uniatas retornaram para a Igreja Ortodoxa (entre outros o bispo Amidy junto com seus fiéis). No tempo do patriarca Hieroteu este processo se intensificou ainda mais. Para a Ortodoxia voltaram milhares de fiéis do Egito e Síria. Em 1860 foi editada a encíclica dos quatro patriarcas do oriente, na qual aceitavam o retorno deles para a Igreja. O patriarcado contava, então, com 4 metropolias e 15 dioceses, mantinha 14 mosteiros e um seminário clerical.

Depois da I Guerra Mundial em 1918, parte da Síria foi anexada ao território do reino do Iraque. Na parte restante, no dia 25 de julho de 1922 foi ratificada pela Liga das Nações o mandato francês, o que de todo não contribuiu para a melhora da situação da Igreja Ortodoxa.

Depois da II Guerra Mundial foram tomadas iniciativas para a aproximação com as Igrejas Ortodoxas Irmãs. Foram aprofundados também os contatos com outros cristãos pela participação no movimento ecumênico. No final dos anos 40 o movimento de jovens revitalizou-se significativamente.

O número de fiéis pertencentes ao patriarcado, hoje, ultrapassa 3 milhões (não apenas na Ásia). Em sua maioria são árabes. O patriarcado compõe-se de 19 metropolias, das quais: 6 encontram-se na Síria, 6 no Líbano, 3 na Turquia, 1 no Iraque, uma em Bagdá, uma no Kwait, uma na Austrália assim como 5 nas Américas do norte e do sul. Paróquias independentes do patriarcado encontram-se no território: do Brasil, Argentina, Arábia Saudita, Austrália e Nova Zelândia. A Igreja possui ainda a Academia de Teologia São João Damasceno (desde 1988 ela constitui um departamento da universidade em Balamand).

A partir de julho de 1979 o patriarca de Antioquia é Inácio IV, que é o 166o patriarca de Antioquia. Nasceu em 1920 na Síria. Foi elevado a dignidade de bispo em 1961. No dia 2 de julho de 1979 foi eleito patriarca de Antioquia e sua entronização ocorreu a 9 de julho do mesmo ano. O título oficial do patriarca é: “Sua Beatitude Patriarca da Grande Antioquia, Síria, Cilícia, Mesopotâmia e todo o Oriente”


A residência do patriarca e sua catedral dedicada à Dormição da Santíssima Virgem Maria encontram-se em Damasco.

Sua Beatitude INÁCIO IV
Patriarca de Antioquia e Todo o Oriente

domingo, 3 de agosto de 2008

História Resumida do Patriarcado de Alexandria

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

Os primórdios do cristianismo em Alexandria estão relacionados com a pessoa do Santo Evangelista Marcos. Que pregou no Egito e na província Sirenaica ( atualmente Líbia). Ele organizou a Igreja Cristã em Alexandria e tornou-se seu primeiro bispo. Ordenou os primeiros presbíteros, ente eles Milaios, Sabino e Kerdon, assim como 7 diáconos. Encontramos também testemunhos que afirmam que em Alexandria São Barnabé pregou ( aqui encontrou e batizou Clemente o futuro bispo de Roma) assim como São Lucas, Evangelista (fala sobre isso, entre outros, o cronista do século XIII Salomão de Bássora, afirmando que justamente aqui São Lucas morreu sob martírio). O desenvolvimento do cristianismo em Alexandria é quase rival do ocorrido em Jerusalém.

No final do século II em Alexandria surgiu importante centro de estudo teológico cristão, a Escola Alexandrina de catequese. Sua fama e influência rapidamente cruzaram as fronteiras do Egito. A escola desempenhou importante papel na formação dos dogmas cristãos e abrigou muitos defensores da Ortodoxia.

O período das perseguições levou à divisão do cristianismo egípcio. O critério da divisão apoiava-se na nacionalidade. A elite cristã concentrava-se em torno do bispado e da escola de catequese e constituía-se de cristãos de procedência grega. Os cristãos procedentes da nação egípcia, chamados coptas, concentravam-se na devoção prática. A atmosfera entre ambos os grupos tornou-se várias vezes desagradável e frequentemente não amistosa.

O lugar de Alexandria na hierarquia das Igrejas ortodoxas foi determinado nos Concílios Ecumênicos. O 1º Concílio Ecumênico teve para a Igreja de Alexandria importância significativa – com o 6º cânon foi ratificada sua habilitação jurisdicional. O bispado de Alexandria foi elevado ao 2º lugar na hierarquia entre as Igrejas, logo após Roma. O 2º Concílio Ecumênico concedeu o segundo lugar a Constantinopla. Os alexandrinos a princípio não quiseram concordar com isso. O 4º Concílio Ecumênico com o cânon 28 ratificou a atual ordem das cátedras patriarcais. Infelizmente, neste concílio muitos cristãos de Alexandria não aceitaram o dogma sobre as duas naturezas de Cristo e pronunciaram-se a favor da heresia do monofisismo. Disputas dogmáticas por muitos anos consumiam a comunidade egípcia. Dividiram-se no momento em que mais precisavam se unir em face ao iminente perigo vindo do oriente.

Um período muito difícil da história do patriarcado de Alexandria foi o do domínio árabe nos anos 642-1517. Todos os cristãos independentemente do grupo a que pertenciam, sejam os ortodoxos ou heréticos, foram englobados no chamado “Sistema de Omar”. Este sistema dizia que os cristãos constituíam uma camada inferior da nação e que eram elemento estrangeiro no Egito. Foram determinados para eles impostos fixos e pesados, e eram ainda obrigados a pagar diversos tipos de impostos adicionais. Foram confiscados deles vários templos e foram privados da liberdade civil. Foram fechadas escolas, bibliotecas e até mesmo hospitais. Bizâncio não pode acomodar-se com a perda do seu celeiro (o Egito). Foram organizadas várias expedições com o objetivo de libertação do Egito, que terminavam sem sucesso e com novas sansões para os cristãos. Os cruzados também não conseguiram libertar o norte da África.

Depois do domínio árabe seguiu-se a dominação turca. Em 1517 o exército turco do sultão Selim I, o Magnífico (1512-1520) subordinou a si todo o Egito. Para os cristãos isto implicava em muitas mudanças. O califa turco concedeu ao patriarca de Alexandria, Joaquim (1487-1567) acordo reconhecendo sua dignidade e privilégios, assim como assegurando aos cristãos liberdade de desenvolvimento sob a condição de que os cristãos se tornassem súditos fiéis. Graças a essas mudanças e atividade do próprio patriarca, a Igreja começou a desenvolver-se. Foram construídas novas igrejas e reformadas as antigas. As estruturas administrativas da Igreja sofreram reformas. Foram restabelecidas as atividades educacionais e editoriais. Não significava, entretanto, que a vida dos cristãos na África tornava-se totalmente segura. Já em 1517, quando as forças reunidas de Veneza, Espanha e Roma derrotaram a frota turca, nos quadros da repressão revanchista foram fechados a maior parte dos templos, aumentados os impostos, limitados os direitos da população, o próprio patriarca temporariamente teve que mudar-se para Jerusalém.

Em 1590 Melecius Pigas tornou-se patriarca (até 1600). O endividamento junto aos turcos (cada patriarca tinha que pagar pesado imposto pela permissão para o exercício da atividade patriarcal) forçava-o a voltar-se para a Geórgia, Creta e Rússia com pedido de ajuda. Com objetivo de estabelecer relações de amizade com a Rússia, participou no sínodo endymus em Constantinopla, que concedeu o status de patriarcado à Igreja Russa.

O maior problema interno que o patriarca Melecius Piga teve que eliminar foi a atividade da ordem dos jesuítas, que foram convidados a Alexandria pelos coptas (monofisitas). O patriarca copta Gabriel VIII, a princípio contra qualquer contato com Roma em 1594 aceitou o primado do papa Clemente VIII. Os jesuítas tinham que apoiar os esforços coptas visando à conversão dos ortodoxos. Entretanto, os jesuítas rapidamente começaram a introduzir uma política própria. O patriarca Melecius conseguiu, então, estabelecer um acordo com os coptas, na força do qual os coptas desistiriam da atividade missionária com relação aos ortodoxos (não conseguiu, entretanto, realizar a unificação dogmática com os coptas, para que o patriarca envidou todos os esforços).

Em 1798 o Egito foi dominado pelo exército francês de Napoleão Bonaparte. Porém, já em 1805 os turcos novamente dominavam o leste da África. Neste mesmo tempo ocorreu o cisma entre os cristãos ortodoxos. Depois da morte do patriarca Hieroteu I, os cristãos do Egito, contra a tradição do século XVII de aceitação de novo patriarca indicado por Constantinopla, independentemente elegeram como patriarca o arquimandrita Hieroteus, aceito pelas autoridades locais. Os colonos gregos opuseram-se a tal comportamento. A pedido deles o patriarca de Constantinopla nomeou para a posição Artemius. Só depois de vários anos encerrou-se o litígio. Constantinopla aceitou a escolha de Hieroteus (Artemius desistiu da pretensão ao trono). O novo patriarca mostrou-se um bom pastor. Colocou muito esforço na elevação da importância da Igreja de Alexandria. Criou novos bispados e conduziu a abertura de representações da Igreja de Alexandria em outros países, por exemplo, Rússia e Romênia.

No ano de 1886 ocorreu a reforma organizacional a administrativa da Igreja, de maneira significativa aumentou a participação do laicato na vida da Igreja, por exemplo, a escolha do patriarca começou a ser decidida por uma assembléia geral do país. A segunda metade do século XIX trouxe também para o patriarcado de Alexandria uma série de outras mudanças. Depois da insurreição árabe de 1882 – sob o mote “Egito para os egípcios” – a cidade foi ocupada pelo exército inglês. O governo egípcio convocou-o com a participação de grande parte da população de origem árabe. Isto visava facilitar a “arabização” do patriarcado. Até, então, os gregos tinham maior influência na escolha do patriarca e na tomada de decisões. Os árabes começaram a exigir que fosse aceita e considerada também a opinião deles. O governo também queria ter influência na escolha do patriarca. Finalmente, foi decidido que a Igreja iria escolher três candidatos e as autoridades designariam um entre eles como patriarca. O primeiro patriarca escolhido desta maneira foi Melecius Metaksatis (1926-1935). Ele criou uma série de instituições, que melhoraram o trabalho do patriarcado: proibiu a ordenação de candidatos a sacerdote que não possuíssem formação teológica, fundou o seminário de Santo Atanásio, regularizou os direitos e privilégios do patriarca e aumentou-os, em 1934 e submeteu-os à aprovação nacional com o documento: “Regulamento do Patriarcado Grego-Ortodoxo de Alexandria”, dinamizou a atividade missionária e educacional. Tentou fazer de Alexandria o centro africano da ortodoxia. No tempo do patriarca Nicolau V(1936-1939) finalmente foi decidido a questão da escolha do patriarca. Ficou decidido, então, que a realização da escolha seria feita por um grupo composto, em igual número, de representantes do clero, leigos de origem grega e leigos de origem árabe (tinha por objetivos tornar a eleição independente da indulgência do governo).

A mais importante obra do patriarca Cristóvão (1939-1967) foi a dinamização da atividade missionária do patriarcado. Foram abertas duas novas dioceses fora das fronteiras do Egito. Foram enviados missionários ao Zaire, Quênia, Camarões e Gana; igrejas ortodoxas foram construídas em Uganda. Alexandria tornava-se a coordenadora da cristianização da África. Seus sacerdotes enfrentaram muitas dificuldades (várias vezes pagavam com a vida por seu fervor religioso) ao levar a luz espiritual a diversas tribos africanas.

O patriarcado de Alexandria atualmente constitui-se de 15 dioceses e aproximadamente 300.000 fiéis. A jurisdição estende-se por toda a África e Malta. O Santo Sínodo composto por 12 metropolitas auxilia o patriarca.

Desde outubro de 2004 o patriarca de Alexandria é Theodoros II. É o 116º patriarca de Alexandria, eleito em 09 de outubro de 2004.

O título oficial do patriarca de Alexandria é: “Sua Beatitude Papa e Patriarca da Grande cidade de Alexandria, Líbia, Etiópia, Todo o Egito e toda a África, Pai dos Pais, Pastor dos Pastores, 13º apóstolo e Juiz do Mundo”.


S. Beatitude THEODOROS II,
Papa e Patriarca de Alexandria e toda África.

domingo, 27 de julho de 2008

História Resumida do Patriarcado de Constantinopla

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O fundador da primeira comunidade cristã em Bizâncio (pequena cidade junto ao estreito de Bósforo, no local onde o Imperador São Constantino, o grande construiu no século IV a cidade-capital de Constantinopla) foi o apóstolo André. Como cita o texto “Milagres de Santo André” de autoria de São Gregório de Tours (538-594) ele sagrou como bispo seu discípulo Eustáquio e seguiu para o norte para os lados das terras da futura região de Kiev.

As regiões do posterior patriarcado foram cristianizadas, também, por outros apóstolos. Por lá seguiram os caminhos missionários da viagem apostólica de São Paulo e Barnabé. A Igreja de Éfeso por vários anos foi dirigida pelo apóstolo João , o teólogo. Para o desenvolvimento da Igreja contribuíram, também, fatores de natureza político-econômica. No século IV Constantinopla tornou-se a capital do império, graças a isso cresceu também significativamente o papel da Igreja local e seu bispo. A nova capital era chamada “Nova Roma” e no 2° Concílio Ecumênico (381) foi concedida ao bispo de Constantinopla a primazia de honra depois do bispo de Roma.

A Igreja de Constantinopla conquistou no mundo cristão daquele tempo ampla autoridade graças a notáveis personalidades que ocuparam sua cátedra.

Foram bispos de Constantinopla, entre outros: São Gregório de Nazianzo (379-381), São Nectário (381-397) e São João Crisóstomo (398-404).

No tempo do patriarca Nectários foram tomadas as primeiras iniciativas com o objetivo de concessão ao bispo de Constantinopla autoridade jurisdicional sobre um território maior, porque até este tempo sua jurisdição abrangia exclusivamente a região da cidade de Constantnopla,. Foi criado um sínodo fixo junto à cátedra patriarcal chamado sínodo endymes. Em sua composição entravam bispos presentes, no momento, na capital do império sem importar qual a sua jurisdição.

No 4º Concílio Ecumênico em Calcedônia (451) ratificaram finalmente o lugar da Igreja de Costantinopla entre as outras igrejas locais. Os padres do concílio com o cânon geral, deliberaram: “...reunidos no Concílio do tempo do piedoso imperador Teodósio decidimos quanto aos privilégios da Santa Igreja de Constantinopla, Nova Roma e deliberamos o mesmo. Visto que os Padres concederam privilégios à cátedra da antiga Roma, porque era a cidade do imperador. Por estes mesmos motivos 150 bispos concederam privilégios iguais à cátedra da Nova Roma, justamente tendo ponderado, que a cidade, que elevou-se em dignidade ser cidade do imperador e do Conselho Superior, assim como possui os mesmos privilégios que o antigo império romano, ficará também elevada em questões eclesiásticas de igual modo a Roma, e será a primeira imediatamente após ela...”. Este cânon provocou forte oposição da parte dos bispos de Roma, que não queriam aceita-la vendo nele ameaça à Igreja de romana. O imperador Justiniano querendo regularizar a situação entre os patriarcados (Roma e Constantinopla) e definir sua hierarquia emitiu um édito especial: “Em concordância com as decisões (dos concílios) decidimos que Sua Santidade o Papa da antiga Roma é o primeiro entre todos os bispos, enquanto o Santo Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma, ocupa a segunda capital em hierarquia, depois da santa capital apostólica em Roma, mas que tenha primazia ante todas as outras capitais”. Finalmente afirmaram, então, que alegrando-se com a mesma honra que Roma nos dípticos eclesiásticos, Constantinopla passa a ocupar o lugar após ela.

No século VII na composição do patriarcado de Constantinopla entravam 418 bispados, 33 metropolitas e 34 arcebispos. Importantes papéis na vida da Igreja desempenharam, também, os monges. Em 536 somente em Constantinopla havia 68 mosteiros, enquanto em Calcedônia (parte da cidade do lado asiático do Bósforo) havia em torno de 40. De igual modo aconteceu em todo o território do patriarcado.

Constantinopla desenvolveu-se como centro cristão de ciência, cultura e arte, aqui ocorreram os debates do 2º, 5º e 6º Concílios Ecumênicos.

Infelizmente, também, em Constantinopla tiveram lugar os mais tristes acontecimentos da história da Igreja. No dia 16 de julho de 1054 representantes do papa Leão IX – o cardeal Humberto, o arcebispo Pedro de Analfia e Frederico de Lotaríngia excomungaram o patriarca Miguel Celulário e a Igreja do oriente. O sínodo patriarcal respondeu com igual decisão. Este cisma do ano de 1054 não foi ainda a separação definitiva da Igreja oriental e ocidental. A separação definitiva ocorreu depois da 4ª cruzada, que ao invés de libertar a Terra Santa, em 1204 invadiu e saqueou Constantinopla. Seus templos foram profanados. Milhares de moradores sucumbiram, outros tiveram que fugir da cidade. De parte do império bizantino criaram o “Império Latino do Oriente”, com patriarca latino subordinado ao papa.

O patriarca ortodoxo e autoridades civis do império transferiram-se para Nicéia. O imperador Miguel VIII Paleólogo em 25 de julho de 1261 derrotou os cruzados e recuperou Constantinopla. No renovado patriarcado foram criadas 35 metropolias, 7 arcebispados e dezenas de bispados. Havia chegado o tempo chamado de “Renascença dos Paleólogos”, que caracterizou-se não apenas por excepcional desenvolvimento da vida monástica (hesicasmo) mas também por sua influência na cultura, arte e mesmo na política. Os mais eminentes nomes deste período foram São Gregório Palamas, São Gregório, o Sinaíta, e São Nicolau Cabasilas. Não foram, entretanto, anos felizes para o império. DE todos os lados os inimigos ameaçavam-no. Os imperadores tentando salvá-lo voltavam-se com pedido de ajuda até mesmo para a cavalaria do ocidente. Em suas tentativas até mesmo concordaram com o conteúdo das decisões dos Concílios Uniatas (visavam a reunificação da Igreja) de Lion (1274) e de Florença (1431). Além da confusão religiosa e intranqüilidade interna não trouxeram nenhum efeito.

No dia 29 de maio de 1453 os turcos ocuparam Constantinopla e Bizâncio deixa de existir. A Igreja, entretanto, não foi destruída, pois as autoridades turcas permitiram às minorias religiosas conservar sua autonomia interna, e isto abrangia também os cristãos. O sultão Maomé II passou a autoridade patriarcal às mãos de Genádio II. Os patriarcas pessoalmente responsabilizaram-se pela lealdade dos cristãos face às autoridades turcas e às suas decisões no território de todo o império otomano.

Depois da mal-sucedida insurreição grega em 1821, na noite de Páscoa enforcaram o patriarca Gregório V, 14 arcebispos – membros do Santo Sínodo, importantes fanares (gregos ricos do bairro de Fanar em Constantinopla), assim como limitaram os direitos do patriarca e a liberdade dos cidadãos cristãos.

Apesar de tais terríveis repressões as insurreições não eram raras. As autoridades turcas locais as provocavam porque muito frequentemente violavam os direitos dos cristãos. Felizmente, com o passar do tempo os cristãos conquistaram cada vez maior simpatia das potências européias. Em conseqüência da ação comum dos países europeus (particularmente a Rússia) e insurrectos em 1830.

A Grécia consegue a independência. Isto forçou o sultão a reformas nas relações internas dos países. Os cristãos conseguiram mais direitos e liberdade. Em 1920 termina a guerra grego-turca. Como resultado do acordo de Lausane em 1923 a população grega foi expulsa. O patriarcado perdeu em torno de 1,5 milhões de fiéis, o que levou à extinção de muitas dioceses asiáticas. A redução da Igreja de Constantinopla também estava relacionada com a independência de igrejas locais, que receberam o status de Igrejas autocéfalas - por exemplo, a Igreja da Polônia em 1925.

Os traços característicos do patriarcado de Constantinopla nos tempos atuais são a abertura para o mundo e o movimento ecumênico. Este processo foi iniciado pelo patriarca Atenágoras I. Em 1965 isto levou à remoção recíproca da excomunhão de 1054 (encontro do patriarca Atenágoras I e do papa Paulo VI em Jerusalém em 1964).

Atualmente o patriarcado compõe-se de 5 dioceses na parte européia da Turquia (aproximadamente 30 mil fiéis), 35 dioceses no norte da Grécia, ao nas ilhas gregas, assim como muitas fora da Europa, por exemplo, em ambas as Américas (acima de 2 milhões de fiéis), Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, França, Áustria, Bélgica e Suécia. O patriarcado também possui numerosos centros monásticos, por exemplo: Athos, Pamos. Em Chambes perto de Geneve possui um centro no qual executa atividades educativas e ecumênicas. O patriarcado possui suas próprias escolas teológicas (a maioria fora da fronteiras da Turquia), editora e centros eclesiástico-ecumênicos. No mundo todo existe em torno de 5 milhões de fiéis do patriarcado de Constantinopla. Sob sua jurisdição permanece também a Igreja Autônoma da Finlândia.

Os patriarcas de Constantinopla usam o tradicional título bizantino – “Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma e Patriarca Ecumênico”. O patriarca atual é Bartolomeu I que é o 232º patriarca de Constantinopla. Nasceu a 12 de março de 1940 na ilha de Imbros (Turquia). No dia 25 de dezembro de 1973 ocorreu a sua quirotomia parta bispo. A eleição de Bartolomeu para chefe da Igreja de Constantinopla se deu em 22 de outubro e sua entronização no dia 2 de novembro de 1991.

A residência do patriarca e sua cátedra na Igreja de São Jorge, grande-mártir situam-se em Fanar (bairro de Istambul).

No ano de 1987 o patriarca Demétrio I realizou uma visita oficial à Igreja da Polônia. O atual patriarca ecumênico Bartolomeu I visitou a Igreja da Polônia duas vezes, em 1998 2 2000.



S. Santidade BARTOLOMEU I
Arcebispo de Constantinopla - Nova Roma
Patriarca Ecumênico

sexta-feira, 25 de julho de 2008

História Resumida do Patriarcado de Jerusalém

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução Igúmeno Lucas
A Igreja de Jerusalém é a mãe de todas as Igrejas. Em Jerusalém foi realizada a obra de nossa salvação e no dia de Pentecostes nasce a Igreja de Cristo. Por primeiro bispo da Igreja de Jerusalém considera-se São Tiago, irmão de nosso Senhor Jesus Cristo.

O desenvolvimento local do Cristianismo não foi um processo tranqüilo, desde o começo foi acompanhado de perseguições – deram suas vidas por Cristo o santo Arcediago Estevão (At. 6,8 – 7,60) e o apóstolo Tiago. Em 51 teve lugar aqui o chamado Concílio de Jerusalém no qual foi resolvida a questão sobre a forma de recebimento dos pagãos na Igreja. No ano de 70, depois da insurreição judia contra o poderio dos imperadores romanos, Jerusalém é destruída e seus moradores são obrigados a abandonar as ruínas da cidade. As relações entre cristianismo e judaísmo são finalmente rompidas. Em 135 o imperador Adriano, sobre os escombros da antiga cidade de Jerusalém, constrói nova cidade chamada Aelia Capitolina. Para a cidade voltam os cristãos, sobre os quais o cuidado espiritual exercia o bispo Marcos. Os cristãos passam a proteger os lugares santos e a organizar missões entre as populações das redondezas. A Igreja de Jerusalém começa a desenvolver-se dinamicamente e a obter importância cada vez maior em toda a região.

O bispado de Aelia (Jerusalém) apesar do status particular e significância espiritual, administrativamente estava subordinado ao Metropolita da cidade de Cesárea Palestina, que era a capital da província.

Os primeiros séculos para os cristãos de Jerusalém assim como para os cristãos de todo o império romano, foi um tempo de perseguições da parte dos imperadores pagãos. As perseguições cessam apenas no governo de Constantino, o Grande que restituiu à cidade o seu nome e esplendor antigo. Limpou-a de todos os templos pagãos e construiu novas igrejas relacionados com a vida e atividade do Salvador. Destacava-se entre outros o templo da Ressurreição do Senhor, que junto com outras construções sagradas constituía o conjunto da Basílica do Túmulo do Senhor. Nestes tempos também surge o dinâmico movimento do monasticismo. Surgem vários mosteiros os mais famosos são o Mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai e o mosteiro de São Sava, o iluminado. A Igreja de Jerusalém conseguia prestígio cada vez maior e fica elevada acima de todas as Igrejas locais das redondezas.

Os bispos de Jerusalém envidavam esforços para a concessão à Igreja Santa e a dignidade de patriarcado tanto no século IV como no século V. Isto foi causa de vários conflitos com o Metropolita de Cesárea Palestina a quem Jerusalém era subordinada. No III Concílio Ecumênico em 431, o bispo de Jerusalém, Juvenal, exigia o desligamento da Igreja de Antioquia: Palestina, Fenícia, Arábia e ainda subordinação deles ao novo Patriarcado com sede em Jerusalém. Opuseram-se a isso tanto, o então, Patriarca de Antioquia João como seus sucessores. Esta questão permaneceu sem solução até o IV Concílio Ecumênico em 451. Neste concílio o bispado de Jerusalém foi elevado à dignidade de patriarcado sendo concedido a ele o quinto lugar na hierarquia das Igrejas da antiguidade, depois de Roma, Constantinopla, Alexandria e Antioquia.

Heresias afligindo toda a Igreja Cristã da antiguidade não evitaram a Palestina também. Contra a heresia do arianismo foi convocado aqui, em 335, o Concílio de Tiro. O maior defensor foi, então, São Cirilo bispo de Jerusalém. No período de querelas monofisitas, em defesa da fé, participou ativamente o Santo Patriarca Juvenal e sofreu no exílio por seu fervor ortodoxo. Depois do retorno do exílio em 457 convocou um concílio, que ratificou as decisões do IV Concílio Ecumênico da Calcedônia. Do mesmo modo em fases posteriores da luta contra o monofisismo, o patriarcado de Jerusalém e seu patriarca Elias, inflexivelmente defenderam a pureza da fé. Opuseram-se aos pedidos de união dos imperadores Zenon e Anastácio. Continuaram a luta com a heresia monofisita os patriarcas de Jerusalém até o fim das querelas, o que ocorreu apenas no governo do Imperador Justino (518-527). Durante todo o período das desavenças dogmáticas, a Igreja de Jerusalém foi apoiada pelos monges palestinos. Grandes monges como Santo Eufêmio (+473) e São Teoctisto (+464) deram começo a uma linhagem de monges cultos e instruídos chamados “teólogos do deserto”.

No período das desavenças dogmáticas surge um significativo esfriamento das, até então, amistosas relações entre a Igreja de Jerusalém e a de Roma. Contribuiu para isso o Papa Hormisda (514-523), que desejou a exclusão dos dípticos das igrejas de todos os patriarcas de Constantinopla que (de Acácio a Timóteo) que assinaram a união com o Imperador Zenon. O Patriarca de Jerusalém, afirmou que tais patriarcas fizeram isto com o objetivo de manutenção da paz na Igreja e não porque fossem heréticos.

Depois do Imperador São Constantino, o Grande os seus sucessores protegeram Jerusalém. O maior período de florescimento da Igreja de Jerusalém deve-se ao Imperador Justiniano (527-565). Seu excepcional interesse pelo patriarcado mostra-se pela construção de templos e mosteiros, como por exemplo a Igreja da Mãe de Deus junto ao templo de Salomão (543). Com igual preocupação distinguiram-se imperadores de períodos posteriores. Heráclito, em resposta à ofensiva persa na Palestina no começo do século VII, não só organizou uma expedição, que em 614 libertou Jerusalém. Como também resgatou o Patriarca Zacarias raptado pelos persas, assim como reconstruiu templos destruídos por eles.

Em 637 Jerusalém foi conquistada pelo califa Omar. Oficialmente o patriarcado não perdeu os direitos sobre os lugares santos. Os soberanos reconheceram o estatuto interno e específico do culto do patriarcado. Apesar disso, a ocupação da Cidade Santa foi o começo de sua lenta queda. No período da dominação árabe a maioria dos califas desejava a islaminização das nações dominadas por eles. Grandes perseguições tiveram lugar na época do califa Omar II (711-720) e intensificaram-se ainda mais na 2ª metade do século X, quando o Patriarca João VII (964-966) foi assassinado. Neste período, na gestão do califa Al-Hakima (966-1020) foi incendiado o templo da Ressurreição do Senhor. Apesar de tão duro jugo a Igreja de Jerusalém permanecia o centro da Ortodoxia. Isto foi particularmente visível durante a luta iconoclasta, tempo no qual um dos mais famosos defensores do culto aos ícones foi São João Damasceno (+749).

A dominação árabe e as perseguições iconoclastas não foram, entretanto, as maiores atribulações do patriarcado. Seu destino tornou-se ainda mais amargo quando os turcos tomaram o poder sobre a Palestina em 1078. Eles praticamente não tinham idéia de tolerância religiosa e os tempos cristãos foram fechados. Cessaram todas as peregrinações. Isto levou à uma efervescência em toda a Europa e foi a causa direta da organização das cruzadas. Em 1099 os cavaleiros da primeira cruzada conquistaram Jerusalém e fundaram aí um estado latino. Simão o patriarca grego de Jerusalém foi exilado e morreu na ilha de Chipre. Para o trono patriarcal foram nomeados latinos, forçando o clero grego a submeter-se a eles. Os latinos também tomaram posse da maior parte dos lugares santos. Aos gregos restou o direito a apenas parte do templo da Ressurreição do Senhor, do túmulo do Senhor e de alguns mosteiros próximos ao rio Jordão. Nesta época os patriarcas de Jerusalém eram escolhidos e conduziam sua atividade pastoral em Constantinopla.

O período de dominação doa cruzados sobre os lugares santos, entretanto, não durou muito. Mamelucos, bárbaros de procedência turca, que assumiram o poder sobre o Egito por volta de 1254, e em 1268 assumiram o controle sobre a Palestina e Síria. Depois da expulsão dos cruzados de Jerusalém, os gregos novamente tomaram posse dos lugares santos. Lentamente foi verificada a tradição ortodoxa aqui. Ainda assim, neste período não faltaram perseguições.

Em 1517, assumiram o poderio sobre Jerusalém os sultões de Constantinopla (Selim I). Isto significava a diminuição da já limitada tolerância religiosa. Sério problema, também, constituía a falta de meios materiais para a reconstrução dos templos destruídos. Ajuda ocorreu procurar fora das fronteiras do império otomano. Foram estabelecidas, então, relações bastante próximas com a Rússia. Estas relações foram tão importantes, que neste período da história da Igreja de Jerusalém caracterizou-se por anos de disputas e lutas pela guarda dos lugares santos entre cristãos de diversas confissões. Diversas vezes tais disputas se agravaram a ponto de serem contestadas em fórum internacional. Apoio financeiro e diplomático de potências ortodoxas mostrou-se, então, indispensável. O problema foi resolvido, finalmente em Paris em 1856. Foi incluído então, um sistema tripartite entre a Turquia, França e Rússia, na força do quais todos os lados pretendentes do direito de guarda dos lugares santos, comprometeram-se com as reformas e reconstruções de templos destruídos. Tal sistema, com pequenas mudanças, mantém-se até hoje.

Em 8 de dezembro de 1917 os ingleses entraram na Palestina. Encontraram o patriarcado imerso em disputas entre ortodoxos de procedência árabe e grega. O problema árabe consistia das limitações ao acesso a funções eclesiásticas superiores. No ano de 1926 foi convocada uma comissão com objetivo de solucionar este conflito. A disputa entre os árabes e gregos foi amenizada pelo patriarca Timóteo (a partir de 1931). Lentamente ele aumentou a participação dos árabes no comando da Igreja. Já no seu tempo foram restaurados uma série de templos assim como foi organizada a solenidade dos 1500 anos de existência do patriarcado.

Em 1957 sobe ao trono o patriarca Benedito I. Em sua versátil atuação conseguiu grande reconhecimento por dois acontecimentos. Graças a seus esforços em 1958 o rei Hussein da Jordânia editou resolução que obrigava o seu governo a dar plena proteção ao patriarcado. Em 1964, em Jerusalém, ocorreu o encontro do patriarca de Constantinopla Atenágoras com o papa católico Paulo VI. Infelizmente, tais promissoras relações com a Igreja Católica Romana não foram duradouras. Em 1989 o patriarcado de Jerusalém afastou-se do movimento ecumênico em sinal de protesto em face o crescente proselitismo por parte da Igreja Católica Romana. Depois da morte do patriarca Benedito I, a partir de 1981 o patriarca de Jerusalém passa a ser Diódoros I.

O patriarcado de Jerusalém conta hoje com 16 metropolitas, dois arcebispos e dois bispos. A fraternidade do Túmulo do Senhor é um órgão colaborador do patriarcado. Sua composição compreende aproximadamente 130 pessoas; patriarcas, arcebispos, sacedortes, diáconos e monges. A Igreja de Jerusalém tem aproximadamente 300 mil fiéis. Parte deles vive na Jordânia, assim como na diáspora; na América, África e Austrália.

Oficialmente o título de patriarca é: “Beatíssimo Patriarca da Cidade Santa de Jerusalém e Toda a Palestina”. A residência do patriarca de Jerusalém situa-se em Jerusalém e a cátedra patriarcal é a catedral da Ressurreição de Cristo.

Em 22 de Agosto de 2005, o Santo Sínodo elegeu por unanimidade um novo patriarca, Theófilos III como novo Patriarca de Jerusalém. Pela primeira vez na história moderna do Patriarcado de Jerusalém um patriarca foi eleito de forma unânime".

Sua Beatitude THEOPHILOS III