“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Ecfonese

Do grego έκφώνησις, em eslavão vózglas, exclamação em voz alta feita pelo bispo ou por um presbítero ao final de uma Litania em louvor da Santíssima Trindade, com a qual a Litania é concluída. Fórmula abreviada de doxologia trinitária, a palavra vem do advérbio grego que significa “em voz alta”.

domingo, 30 de dezembro de 2007

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Rostov
autor: Belfry Zaitsev

Doxologia

Do grego δοξολογία, hino de glória, em eslavão slavoslóvie. Hino de grande antiguidade encontrado no final de Matinas (e em Pequenas Completas), que se inicia com as palavras: “Glória a Deus no mais alto dos céus e Paz na terra aos homens a quem Ele ama” (Lc 2, 14). Assume duas formas:

  • Grande Doxologia, cantada nas Grandes Festas, domingos e certos dias de Festa ou Festa de Santos (de acordo com a categoria da Festa)
  • Pequena Doxologia, lida nos dias comuns.

sábado, 29 de dezembro de 2007

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Macedônia
autor: Slavicca

Doxastikon

Do grego δοξαστικόν, de δόξα “Glória”, é um tropário ou estikério inserido após o verso: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo” e antes de: “Eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos”. Em muitos casos não há doxastikon e a segunda parte se segue imediatamente à primeira. Encontra-se doxastikon, principalmente, em Vésperas e Matinas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Santo Pontífice e Mártir Eleutério, Bispo de Ilírico, e sua mãe, Santa Mártir Anthia- 15/28 dezembro


Santo Eleutério é nascido em Roma ao correr do século II. Órfão de pai, ele foi educado na fé cristã por sua mãe Anthia, a qual havia, ela mesma, ouvido a pregação dos discípulos de S. Paulo.

Para lhe assegurar a educação religiosa, ela o confia ao bispo de Roma, o papa Aniceto (155-166); este, percebendo as qualidades do jovem rapaz, o faz percorrer rapidamente todos os graus da hierarquia eclesiástica. Nenhuma regra impunha ainda uma idade mínima para as Ordens.


Eleutério se torna diácono aos 15 anos e presbítero aos 17; depois, aos 20 anos, foi sagrado bispo da Ilíria, esta província romana que se estendia sobre toda a costa oriental do Adriático, desde a Croácia até a Grécia continental passando pela Dalmácia e Albânia.


O apostolado do jovem bispo teve um tal sucesso entre os pagãos que o Imperador o mandou prender. De início torturado em praça pública, depois recolhido à prisão, em seguida conduzido a Roma para aí terminar o seu martírio. Seu corpo ainda aí repousa.


O nome de Eleutério, que significa “homem livre”, é utilizado, sob a forma grega ou eslava, por muitos albaneses e sérvios.

Tropário, t.5
Paramentado com os ornamentos pontificais e banhado pelos rios do teu sangue, triunfado sobre satanás, subiste para Cristo, o teu Mestre, ó Bem-aventurado Eleutério. Não deixes então de interceder por nós, os fiéis que veneram a tua memória sagrada.


Kondákion, t.6
Nós te veneramos, Venerável Pai, todos nós a uma só voz, esplendor dos Bispos e modelo dos Atletas vitoriosos. Pontífice e mártir Eleutério, nós te suplicamos, livra-nos dos múltiplos perigos, pois celebramos a tua memória com todo coração, e sem cessar, interceda em favor de todos nós.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

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Oração
autor: Pavel Ryzhenko

“Os Santos Mistérios – A Vida da Igreja no Espírito Santo”

A Nova Vida
A Igreja é rodeada pelo mundo pecador, privado de luz: todavia, ela é em si uma nova criação, criadora de uma nova vida. E cada um de seus membros é chamado a receber e a criar nele esta nova vida que deveria ser precedida, da parte do futuro membro da Igreja, por uma ruptura com a vida “do mundo”. No entanto, esta ruptura com o “mundo” não significa um afastamento total de toda vida terrestre, de toda co-habitação com o resto da humanidade, geralmente descrente e corrompida: porque então, como escreve o Apóstolo Paulo, vos seria necessário sair do mundo (I Cor. 5,10). Uma fronteira nítida deve ser traçada entre si próprio e o “mundo”, e eis porque, abertamente e com retidão, nos esforçamos em renunciar ao diabo, pois não podemos servir a dois mestres. “Alimpai-vos pois do fermento velho, para que sejais uma nova massa” (I Cor. 5,7).

Em consequência, desde as épocas mais antigas da Cristandade, a entrada na Igreja é precedida por um a “renunciação ao diabo” especial, à qual sucede o Batismo, com a purificação da mancha do pecado. As leituras catequéticas de São Cirilo de Jeusalém nos informam de maneira detalhada a este respeito. Em suas homilias aos catecúmenos, vemos que as “orações de exorcismo”, figuradas na celebração atual do Batismo ortodoxo, bem como a verdadeira “renunciação à Satanás” pronunciada pela pessoa que se apresenta ao Batismo são fundamentalmente muito similares ao Antigo rito cristão. É seguidamente que a entrada no Reino da graça, o renascer “da água e do espírito” é franqueado (Jo. 3, 5-6).

As palavras do Salvador nos ensinam como crescer, em seguida, nesta nova vida: “O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga” (Mc. 4, 26-28). Assim, esta nova vida – na medida em que é acolhida interiormente, onde um homem deseja sinceramente permanecer nela, onde, de seu lado, ele se esforça para nela permanecer – age nele com o poder místico do Espírito Santo, ainda que este processo possa lhe parecer insensível.

A vida inteira da Igreja é atravessada pelas ações místicas do Espírito Santo. “A causa de toda preservação repousa no Espírito Santo. Se Ele pensa que é bom soprar sobre um homem, Ele o eleva acima das coisas da terra, o faz crescer e o estabelece no alto” (Antífonas das Matinas Dominicais, sexto tom). Em consequência, cada oração na Igreja, pública ou privada, inicia-se pela invocação do Espírito Santo: "Rei dos Céus, Consolador, Espírito de Verdade, Tu que estás presente em tudo e enches tudo, Tesouro de bem e Doador de Vida, vem e habita em nós. Purifica-nos de toda a impureza e salva as nossas almas, Tu que és Bom”. Assim como a água e o orvalho, caindo sobre a terra vivificam, alimentam e fazem crescer tudo o que é susceptível ao crescimento, desta mesma maneira, os poderes do Espírito Santo agem na Igreja.

Nas Epístolas dos Apóstolos, as ações do Espírito Santo são chamadas grandeza do poder – “excelência do poder” – (II Cor. 4,7) , “divino poder” (II Pe. 1,3), ou “pelo Espírito Santo”. Todavia, mais frequentemente elas são designadas pela palavra “graça”. Aqueles que entram na Igreja, entram no Reino da graça, e são convidados a chegarem com confiança ao trono da graça, para que possam alcançar misericórdia e achar graça, afim de serem ajudados em tempo oportuno (Hb. 4, 16).

A Graça
A palavra “Graça”, nas Escrituras Santas tem vários sentidos. Ela significa em geral a misericórdia de Deus: Deus é o Deus de toda graça (I Pe. 5,10). Aqui, compreendida em um sentido mais amplo, a graça é a benevolência de Deus a respeito dos homens dignos da história da humanidade, e particularmente dos Justos do Antigo Testamento, tais como Abel, Enoque, Noé, Abraão, o Profeta Moisés, e os últimos Profetas.

Em um sentido mais precioso, o conceito de graça se refere ao Novo Testamento onde distinguimos dois sentidos fundamentais deste conceito. Primeiramente, a graça de Deus – a graça de Cristo – significa a inteira economia de nossa salvação, realizada pela vinda do Filho de Deus sobre a terra, pela Sua vida terrestre, Sua morte sobre a Cruz, Sua Ressurreição e Sua Ascensão ao céu: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2, 8-9). Em segundo lugar, a graça é o nome aplicado aos dons do Espírito Santo que foram enviados e são enviados à Igreja de Cristo sobre a terra, para santificação de seus membros, para seu crescimento espiritual e para o acesso ao Reino dos Céus.

O Novo Testamento, nesta segunda concepçaão da palavra “graça”, designa uma energia enviada do alto a baixo, a energia de Deus que está na Igreja de Cristo, que dá nascimento, que dá a vida, aperfeiçoa e que gratifica o cristão crente e virtuoso da aquisição da salvação, trazida pelo Senhor Jesus Cristo.

Os Apóstolos em seus escritos conferem geralmente à palavra charis: “graça” – um sentido idêntico à palavra dynamis: “energia ou força agindo (agente)”. O termo “graça” no sentido de “energia” dada do alto para a vida santa aparece várias vezes nas Epístolas dos Apóstolos (II Pe. 1,3;Rom. 5,2; Rom. 16, 20; I Pe. 5, 12; II Pe.3, 18; II Tm. 2,1; I Cor. 16, 23; II Cor. 13, 14; Gl. 6, 18; Ef. 6, 24; e outras passagens). O Apóstolo Paulo escreve: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Cor. 12, 9).

É importante sublinhar esta distinção entre as duas significações da palavra “graça”, assim como a sua interpretação preponderante nas Escrituras Sagradas do Novo Testamento, enquanto que energia divina, sobretudo porque o ensinamento do Protestantismo, à respeito da graça, concerne unicamente a significação geral da grande tarefa de nossa redenção do pecado pelo prodígio do Salvador sobre a Cruz, depois do qual – como pensam os protestantes – um homem que chega a crer e que recebeu a remissão dos pecados já está salvo. Todavia, os Apóstolos nos ensinam que um cristão, recebendo a justificação pela graça geral da redenção, encontra-se nesta vida como um indivíduo somente “salvo” (I Cor. 1, 18) e tem necessidade do suporte das energias dadas pela graça. “Temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm. 5, 12); “Porque em esperança somos salvos” (Rm. 8, 24).

Como age então a graça salvadora de Deus?

O nascimento espiritual e em seguida o crescimento espiritual têm lugar sob a ação mútua de dois princípios. Um deles é agraça do Espírito Santo; o outro é a abertura do coração do homem para a receber, uma sêde por ela; o desejo de recebê-la, tal como uma terra sedenta e seca recebe a humidade da chuva – em outro termos, um esforço pessoal pela recepção, a preservação e a ação na alma dos dons divinos.

No que concerne a sinergia ou cooperação destes dois princípios, o Apóstolo Pedro diz: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento d’Aquele que nos chamou por sua glória e virtude; pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por ela fiqueis participantes da natureza divina, havendo escpado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude a ciência. E à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência piedade. E à piedade amor fraternal; e ao amor fraternal caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados”. (II Pe. 1, 3-9). Acerca deste mesmo propósito, nós lemos no Apóstolo Paulo: “E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Fp. 2, 11-13); quer dizer, vós próprios cooperais, mais recordai-vos que tudo vos é dado pela graça de Deus. “Se o Senhor não constroe a casa das virtudes, em vão nós obramos” (Hino dos degraus das Matinas Dominicais, terceiro tom).

De acordo com o ensinamento sagrado, o Concílio de Cartago, no tercerio século decreta: “Quem quer que disser que a graça de Deus, pela qual o homem é justificado pelo nosso Senhor Jesus Cristo, só serve à remissão dos pecados passados, e não a prevenir de cometer os futuros, que ele seja anátema, porque a graça de Cristo, não somente dá o conhecimento do nosso dever, como também nos inspira o desejo de poder realizar o que nós sabemos” (Cânones 125, e também 126 e 127).

A experiência dos ascetas ortodoxos inspira-nos a alertar os cristãos, de toda a sua energia, ao humilde reconhecimento de sua própria enfermidade, afim de que a graça salvadora de Deus possa agir. A este propósito, as expressões de São Simeão o Novo Teólogo (X século) são muito significativas: “Se o pensamento vos advêm, instigado pelo diabo, de que a vossa salvação é realizada, não pelo poder de vosso Deus, mas antes pela vossa própria sabedoria e pelo vosso próprio poder; e se a vossa alma esboça um tal pensamento, a graça a deixa. A luta contra esta batalha tão poderosa e tão árdua que se ergue na alma deve ser levada até o nosso último suspiro”. A alma deve, juntamente como o abençoado Apóstolo Paulo, clamar em plena voz, à atenção dos Anjos e dos homens: “Não sou eu, mas a graça de Deus que está em mim”. “Os Apóstolos e os Profetas, os Mártires e os Hierarcas, os santos Monges e os Justos, todos confessarm esta graça ao Espírito Santo, e pelo amor de tal confissão e com o seu auxílio, eles lutaram valentemente completando seus caminhos” (Homilias de São Simeão o Novo Teólogo, Homilia 4).

Aquele que traz o nome de cristão (nós o lemos no mesmo Santo Padre), “se ele não traz em seu coração a convicção de que a graça de Deus, dada pela fé, é a misericórdia de Deus... se ele não se esforça em receber a graça de Deus, inicialmente pelo Batismo, ou se a tendo possuido e ela o tenha deixado em virtude de seus pecados, ele não se esforça em fazê-la voltar pelo arrependimento, a confissão, e uma vida contrita; e se pela esmola, as vigílias, as orações e todo o resto, ele pensa que realiza gloriosas virtudes e boas ações, válidas nelas próprias, - então ele obra e se desgasta em vão” (Homilia 2).

Qual é então, o sentido da luta ascética? É um a arma contra “a concupiscência da carne, e a concupiscência dos olhos e o orgulho da vida” (Jo. 2, 15-16). É o decifrar do terreno da alma, o afastar de suas pedras, o arrancar de suas ervas daninas, a secura de seus mangues, afim de preparar as sementes sagradas que serão ceifadas do alto pela graça de Deus.

A Providência de Deus e a Graça
Do que vem a ser exposto, nos decorre a existência de uma diferença entre os conceitos da Providência Divina e a graça. A Providência é o que chamamos de poder de Deus no mundo, que suporta a existência do mundo, sua vida, nela compreendendo a existência e a vida da humanidade e de cada homem; enquanto que a graça é a energia ou a força que age do Espírito Santo, a qual penetra o ser interior do homem, e o conduz à perfeição espiritual e à salvação.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

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Patriarca São Tikon
autor: Nataliya k. Miroshnik

Dogmatikon

Do grego δογματικόν (plural δογματικα dogmatika), é um termo aplicado à certos Theotokia, são assim chamados por que mencionam os dogmas do nascimento de Cristo e de Suas duas naturezas. Ocorrem nas Vésperas Festivas e Grandes Vésperas no final dos Salmos do Lucernário após o: “Eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos” sendo cantados durante a Procissão de Entrada.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

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"A Bênção", 1999
autor: Vladimir Shcherbinin

“Monte Athos – A Montanha Santa"

Chamado pelos cristãos ortodoxos de Montanha Sagrada, este Estado-monástico-teocrático, no norte da Grécia, permanece isolado e distante da vida profana, como bem simbolizam a maioria de seus mosteiros no alto de penhascos sobre o mar Egeu. Os vinte mosteiros que compõem o conjunto, jamais visitados por uma mulher, guardam a arte, a rigidez ascética e a memória de mil anos de cristianismo. O cotidiano dos quase 1500 monges inclui de cinco a oito horas de orações, além de jejum e trabalho dedicados a Deus e à padroeira do Monte Atos, a Virgem Maria.

Não se sabe, exatamente, desde quando a vida monástica está presente no Monte Atos. Sabe-se, entretanto, que já no século VII lá peregrinavam ascetas do oriente e Egito perseguidos pelos árabes. Neste período chega no Monte Atos muitos monges procurando segurança, silêncio e isolamento indispensável para o desenvolvimento espiritual e, por isso intencionavam, viver longe do mundo.

Uma tradição milenar e a imutável hierarquia dos vinte mosteiros, onde vivem 1500 monges, guardam a memória do cristianismo ortodoxo desde o século X da nossa era. Sobre um promontório, com seu ápice no Monte Atos a 2033 metros de altura, os monges vivem imunes às turbulências da vida moderna, as paredes dos mosteiros preservam milhares de ícones, relicários, imagens sagradas e afrescos valiosos da arte da Macedônia e cretense. Ali, nessa república autônoma, monástico-teocrática o tempo não conta. Até o calendário usado no Monte Atos é diferente: está atrasado 13 dias em relação ao civil, é utilizado o calendário Juliano, que é o calendário litúrgico de toda a Igreja Ortodoxa. As horas os monges começam a contar a partir do crepúsculo.

Ao norte da Grécia, a província conhecida como Macedônia – terra de Alexandre, o Grande, apresenta uma grande península, a região da Calcídia. Na forma aproximada de um tridente, a Calcídia lança três faixas de terra sobre o Mar Egeu: as penínsulas de Cassandra, Longos e Athos, que é a mais oriental delas, medindo cerca de 60 quilômetros de comprimento por oito a doze de largura.

Com o litoral recortado por baías e enseadas, o local já foi conhecido como Pequena Grécia. Os gregos chamam o Monte Atos de Agion Oros, que significa Monte Santo. O politeísmo da Grécia antiga narra-nos lendas sobre os primórdios da península. Uma delas afirma que uma briga feroz entre o deus das profundezas marinhas, Posêidon (Netuno, para os romanos) e o gigante Atos, que teria atirado um imenso rochedo sobre o deus. Errou o alvo e acabou lançando ao mar o Monte Atos. Outra versão diz que Posêidon teria sido o agressor, arrancando um fragmento da península de Palena para golpear o oponente.

A Tradição Cristã nos diz que, após a Ressurreição de Jesus Cristo, a Virgem Maria teria viajado em um barco, acompanhada do apóstolo João, rumo à ilha de Chipre. Lá visitaria Lázaro, que, havia sido ressuscitado algum tempo antes pelo Messias, durante sua estada em Betânia, uma aldeia próxima a Jerusalém. Uma forte tempestade teria surpreendido a Virgem Maria e São João no meio do caminho e eles foram obrigados a procurar refúgio na península de Atos, no local onde hoje se encontra o mosteiro de Iveron. De acordo com a Tradição, a Virgem Maria ficou impressionada com a beleza do lugar e orou para que seu filho lhe concedesse a soberania eterna do Monte Atos. Em resposta ao pedido, ouviu-se uma voz que parecia vir do céu, dizendo: “Que este lugar seja teu prêmio, teu jardim, teu paraíso e um refúgio para todo aquele que deseja a salvação”. Por causa disso, todos os mosteiros construídos na região foram dedicados à Virgem Maria, considerada protetora eterna do lugar.

Do ponto mais alto da península, avistam-se as lendárias costas da Macedônia e da Trácia e ainda o Monte Olimpo, situado a mais de 200 quilômetros de distância e considerado pelos antigos politeístas como a morada dos deuses. Mas é o cristianismo ortodoxo que governa o Monte Atos desde o século X.

A proximidade com Bizâncio, posteriormente chamada de Constantinopla depois da transferência da capital do império por Constantino, atual Istambul, na época uma cidade forte e próspera, favorecia a proteção e ao isolamento. De 330 quando da transferência da capital até 1453, Constantinopla, cidade fundada pelos gregos à margem do estreito de Bósforo, foi a capital do Império Romano do Oriente, também chamado Império Bizantino.

O Monte Atos foi o principal local de concentração de eremitas e anacoretas de toda a Grécia, moravam sozinhos ou em pequenas casas comunitárias para dois ou no máximo três monges. Praticavam ascetismo rigoroso – jejum e oração incessante. A exposição ao tempo frio e quente aliada à oração, dava a eles forças para resistir às paixões carnais. Viviam em total tranqüilidade no seio da natureza com o mínimo de necessidades e o mínimo de contato com o mundo exterior. Por estes motivos obtiveram respeito da população da península Calcídica e posteriormente de toda Grécia e hoje de todo o mundo. O período entre os séculos X e XII é considerado a “Era de Ouro” do Monte Atos, quando sua fama cruzou as fronteiras da península e atraiu monges ortodoxos da Sérvia, Rússia, Bulgária, Romênia e Geórgia. Durante este período o Monte Atos chegou a ter 120 mosteiros e mais de 20.000 monges.

O Santo Monte Atos constitui uma parte independente do país grego atuando sob orientação espiritual do Patriarcado de Constantinopla. A capital deste estado teocrático-monástico é a vila de Karyes que é a sede do governo civil e onde situa-se a residência do Protos (Primaz), que está diretamente ligado ao Ministério das Relações Exteriores. A Autoridade Legislativa está nas mãos da Santa Synaxeis, uma assembléia constituída de 20 membros, que se reúne duas vezes anualmente em Karyes. A Santa Comunidade é um corpo administrativo constituído de 20 membros com mandato anual sob a liderança do representante da Grande Lavra. Decisões judiciais são tomadas por várias autoridades: crimes e delitos leves são levados aos tribunais em Tessalônica; disputas entre diferentes mosteiros (dependendo da natureza) são resolvidos, ou pela Santa Comunidade ou pelo Santo Sínodo do Patriarcado de Constantinopla; enquanto problemas menores são julgados nos respectivos mosteiros. O corpo executivo dos comitês acima é a Santa Epistasia, que é composta de 4 membros representantes de quatro grupos de mosteiros do Monte Atos, nomeada a cada ano pela Santa Comunidade. Os 20 mosteiros existentes no Monte Atos são distintos pela denominação: real, aqueles que foram fundados por autorização de um decreto imperial e apoiados pelo Imperador bizantino; patriarcal e stavropegial, os que estão diretamente subordinados ao Patriarca de Constantinopla.

Atualmente vivem no Monte Santo em torno de 1500 monges ortodoxos de diversas nacionalidades em 20 mosteiros, em numerosas “kellia”, “kalyvae”, “skit” e eremitérios. “Kellion” é uma ampla sede de um só prédio com capela e contendo uma pequena área de terra para cultivo, acessível através do mosteiro destinada a grupos de três monges, que normalmente ocupam-se com agricultura, as “kellia” estão subordinadas a um dos 20 mosteiros principais. “Kalyva” é menor que uma “kellion” contendo uma capela, mas sem terra para cultivo associada, uma pequena mensalidade é paga por cada monge da “kalyva” ao mosteiro principal a que está ligada a “kalyva”. “Skit” são comunidades organizadas constituídas de várias “kalyvae”, normalmente são antigos mosteiros, localizados no terreno de um mosteiro principal; os monges que vivem em “skit” normalmente ocupam-se com artesanato e escultura. Eremitérios ou hesicastérios são normalmente grutas ou pequenas cabanas para aqueles que querem viver a vida ascética em inviolável solidão; os eremitérios encontram-se, principalmente em lugares isolados tais como na parte sudoeste da península.

Igúmeno Lukas

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

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Panikhida
autor: veresh

Díptico

Lista de nomes de vivos e defuntos, que são lidos durante a realização da Proskomídia, na intenção dos quais roga-se a Deus pela saúde e uma vida reta dentro da Igreja (vivos) e o perdão dos pecados, descanso e salvação das almas para os defuntos. Cada Igreja Autocéfala possui o díptico com o nome dos hierarcas das demais Igrejas-Irmãs que são comemorados pelo Primaz da Igreja durante a Grande Entrada na Sagrada Liturgia, simbolizando a fraternidade e unidade da Igreja.

domingo, 23 de dezembro de 2007

OrtoFoto

utor: Andrzej Popławski

Dikerion

Candelabro para duas velas, que simboliza a dupla natureza de Cristo, com o qual o bispo dá bênçãos em alguns ofícios litúrgicos, segurando-o com a mão esquerda.

"Confessar os Pecados"

Antes da Confissão, cada cristão deveria recordar todos os seus pecados, pecados de todos os gêneros, voluntários ou involuntários: devendo examinar a sua vida e conduta com cuidado e atenção a fim de saber, o tanto quanto possível, de todos os seus pecados, e não somente aqueles que cometemos após as nossas confissões mais recentes, mas também aqueles que ainda não foram confessados. Somente desta maneira devemos nos aproximar da Cruz e do Evangelho: na compunção e humildade.

Confesse os teus pecados abertamente, pois não é a um homem os confessa mas a Deus, que apesar de já os conhecer de todas as formas deseja somente que tu próprio os reconheça. Tu não deves ter vergonha diante de teu Pai Espiritual, ele é um homem, igual a ti, que conhece a fraqueza humana e a inclinação do homem para o pecado. Não é ele um juiz irredutível. Mas, talvez tenha vergonha de confessar os teus pecados diante dele para que ele não perca a boa opinião que tem de ti.

Ao contrário, se é somente a boa opinião de teu Pai Espiritual que te é agradável, seu amor por ti será ainda maior ao ver que tua confissão é sincera e aberta. Além do que, se tens vergonha e teme revelar os teus pecados diante de um confessor, se não te purificares por um verdadeiro arrependimento, como suportarias tu esta mesma vergonha aquando do Julgamento Eterno, diante do Tribunal de Deus, onde todos os pecados, conhecidos ou desconhecidos, serão revelados diante d´Ele próprio e dos Seus Santos Anjos?

Confesse todos os teus pecados detalhadamente e cada pecado separadamente. São João Crisóstomo dizia: “Não nos basta somente dizer eu pequei, ou então, eu sou pecador. Nos é necessário nomear cada pecado”. “Revelar os pecados, dizia São Basílio o Grande, cai sob a mesma lei que a declaração das enfermidades de um corpo (as doenças).” Enquanto pecadores, somos doentes da alma, ao passo que o Pai Espiritual é o médico: torna-se necessário, por conseqüência, confessar teus pecados ao Pai Espiritual, da mesma maneira que aquele que está enfermo corporalmente descreve ao médico suas deficiências e enfermidades a fim de obter, pelo seu intermédio, a cura.

Procure não a mencionar outras pessoas à tua confissão, e não lamentes de quem quer que seja, senão qual gênero de confissão será esta? Não uma Confissão, mas um julgamento, logo, nada de outro que um novo pecado.

Não procures justificar-te, de maneira alguma sob o pretexto de fraqueza ou de hábitos. Na confissão, quanto mais nos justificamos menos somos justificados diante de Deus. Por esta razão, não devemos nos justificar durante a confissão, mas ao contrário, acusarmo-nos, criticarmo-nos e condenarmo-nos ao máximo possível, a fim de sermos dignos de obter o perdão de nosso Senhor.

E se teu Pai Espiritual apresentar-te alguma questão, não digas que não te lembras ou, que, talvez, tenhas pecado desta forma também. Deus ordenou que lembrássemos sempre de nossos pecados. E para que não sejamos justificados em virtude de esquecimento, devemos confessarmo-nos o mais geralmente possível.

Em efeito, aqueles que não vivem por suas almas, muito raramente, por negligência, e desta maneira, esquecem seus pecados, são eles próprios responsáveis e, por esta razão, não podem esperar o perdão dos pecados, os quais não confessaram. É por isso que devemos, sem falta, nos recordar de nossos pecados. Quando alguém, contra nós, comete qualquer ato indesejável, logo não lembramos com tantas mágoas deste gesto, mas, em contrapartida, não agimos da mesma forma para com a nossa alma, diante d´Aquele a quem chamamos Deus. Não será isto uma extrema negligência para conosco?

Confesse, então, todos os teus pecados com Fé em nosso Senhor Jesus Cristo, esperando sempre na Sua misericórdia divina. Pois somente pela Fé e Esperança em Cristo Jesus podemos obter o perdão dos pecados; sem Fé, torna-se absolutamente impossível, assim como o exemplo daquele que traiu o Senhor, Judas.

Eis então, meus irmãos, uma pequena noção quanto à Confissão dos pecados e o Arrependimento dentro do convite que a Igreja faz à nossa Salvação. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”. (I Jo. 1-9)
"Boletim Interparoquial"

sábado, 22 de dezembro de 2007

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autor: Adam Falkowski

Entrada

Do grego είσοδος, em eslavão vkhod. Uma procissão na qual o presbítero e o diácono, precedidos por uma ou mais velas processionais, saem pela porta norte da Iconostase para o centro da igreja, e retornam ao santuário pelas Portas Reais. A Entrada ocorre como a seguir:

- Nas Grandes Vésperas e Vésperas Festivas: aqui o diácono ou presbítero leva o turíbulo (e o Evangeliário, se houver leitura do Evangelho).

- Na Liturgia, há duas Entradas:

  1. Pequena Entrada: o diácono ou o presbítero leva o Evangeliário (e turíbulo na Liturgia Pontifical);
  2. Grande Entrada: o clero leva os Santos Dons preparados, mas ainda não consagrados para a Eucaristia, da mesa da Protese para o Santo Altar. O diácono, segurando o turíbulo leva a Patena, e o presbítero o Santo Cálice. Ambos, Patena e Santo Cálice, cobertos com véus.

"A luz que vem do céu"

Deus criou o mundo e disse: “E faça-se a luz.” Na nossa vida criativa nós somos um reflexo do Criador que criou o mundo. Quando nós estamos atentos e dirigimos nossa atenção para a esfera da luz, dentro de nós surge um pensamento bom, como reflexo natural do criativo pensamento de Deus. Um pensamento bom é a luz, pois Ele tem origem na Fonte de luz. Ele é o início criativo, Ele penetra no caos entre o bem e o mal existentes nos relacionamentos humanos e cria uma nova vida. Ele nos desperta para vencermos a escuridão. Foi dito: “Enquanto tendes luz, crede na luz para que sejais filhos da luz” (João 12:36). A luz de Deus permanentemente esparrama-se pelo mundo. A escuridão de nossa alma o afasta. Quando nós desvanecemos a escuridão, nós nos iluminamos. Existe até uma expressão: Eu tive uma idéia luminosa. É como se um raio de luz caísse do céu e iluminasse tudo dentro de nós e ao redor de nós. É assim que se manifesta a força de Deus. É como se o Senhor falasse através de nós: “Seja feita a luz.” E a luz surge e frente aos nossos olhos abre-se uma nova vida, de cuja existência nós nunca suspeitávamos. Nós podemos transformar nossa vida acinzentada numa nova existência, se fixarmos nossa atenção num pensamento bom. Um pensamento bom, como impulso de nossa vida, irá empurrar nossa vontade para vencer o mal, iluminar e criar para nós um novo caminho na vida. Para evitar isso, o mal de todas as formas luta para capturar nossa atenção. É necessário permanentemente estarmos em guarda e combatermos a aproximação do mal.


A luz da vontade de Deus ilumina tudo dentro de nós. Ela deve existir dentro de nós permanentemente. Porém nós escolhemos aquilo que nos parece mais fácil, aquilo que parece ser mais conveniente à nossa natureza. Nós freqüentemente nos deixamos seduzir e entregamo-nos ao pecado repetidas vezes em nossas vidas.


O principal desafio de nossas vidas — é expulsar a escuridão de dentro de nosso coração. “A noite está quase passada e o dia aproxima-se. Deixemos pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Romanos 13:12) fala o apóstolo Paulo. Trocando a escuridão de nossos corações pela luz, nós nos preenchemos com o Espírito Santo. O Espírito Santo cria uma nova vida, trazendo-a da não existência para a existência. É necessário fazer força para abrir nosso coração a Deus, o Qual entra dentro dele: “ Eis que estou à porta e bato.” (Apocalipse 3:20). É claro que o Reino dos Céus não é dado sem esforço, ele deve ser tomado à força. “...O reino dos Céus adquire-se à força...” (Mateus 11:12). O Reino dos Céus é o nosso bem, o bem comum e totalmente possível na Terra e não apenas atrás das nuvens. Para isso nós precisamos nos desafiar para a luta com o pecado. Este esforço trás junto de si uma nova vida, novas experiências, ainda não conhecidas por nós.


O esforço para a salvação freqüentemente é postergado para a velhice. O começo da salvação nós imaginamos empurrar para o futuro, esquecendo-se que talvez nós não iremos viver até a velhice. O futuro está sempre ao redor de nós, ele está ligado ao nosso arrependimento e a vontade de melhorar. O mistério da vida atual consiste em que a preocupação com a salvação não seja postergada para um futuro incerto, mas para que cada um de nossos passos seja iluminado pela luz da Verdade e Vontade de Deus e nessa luz esteja nossa melhoria. É indispensável lembrar-se que se nós vivemos pelo caminho do pecado, estaremos à beira da destruição, esta lembrança é fundamental para que a luz da verdade ilumine nossa vida.


Nós todos sempre estamos atentos a alegrias exteriores, mas aquilo que existe dentro de nós, nós desconhecemos. Por isso é que nós estamos envolvidos pela escuridão dentro e fora de nós. Em nossos corações está a escuridão do pecado e nós atribuímos às coisas e fatos significados que não são os verdadeiros. Nós nos embaraçamos em detalhes insignificantes, exaurimo-nos em situações sem nexo, o que deveria ser feito não é feito, e brigamos uns com os outros. Assim passa um dia após o outro, e determinados momentos passam e vão se embora sem aquele conteúdo divino que traz vida, e que poderia nos preencher. Nós não avaliamos o significado do tempo: os minutos, horas, dias, as coisas... Nós sentimo-nos como se estivéssemos cegos. Em nossa vida diária é exigida uma constante capacidade de ultrapassar obstáculos para termos bons relacionamentos, porém nós não temos consciência da importância disto. Nós caminhamos na escuridão e freqüentemente tropeçamos e por isso sofremos. Se nós tentássemos vencer a escuridão em nós mesmos, somente isso já iluminaria tudo em volta de nós. Se nós conseguirmos conquistar este momento de iluminação, então tudo muda, e todos os que nos rodeiam tornam-se subitamente muito familiares.

Arcebispo Sergio Korolev de Praga (1881-1952)
Traduzido por Boris Petrovich Poluhoff
http://www.fatheralexander.org/

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

OrtoFoto

autor: Andrey Popov

Completas

É um ofício de orações para antes do recolhimento noturno, principalmente realizado em mosteiros após o jantar. Existem dois tipos de Completas: Grandes Completas e Pequenas Completas. Este ofício começou como um rito seguido pelos monges em suas celas antes de ir dormir. Com o tempo foi dada uma expressão mais pública e fixou-se como é realizado hoje. Durante a maior parte do ano celebra-se Pequenas Completas de segunda a sexta-feira à noite. Nas vigílias do Natal e da Teofania, assim como nos dias de semana durante a Grande Quaresma, celebra-se Grandes Completas. O ofício de Pequenas Completas pode conter um cânon à Theotokos ou ao santo do dia, é consideravelmente mais curto, sendo considerado uma abreviação do ofício de Grandes Completas.

Santo Eremita e Místico, Patápio o Justo, de Tebas, Egito - 8/21 dez - Sexta-feira


São Patápios era um egípcio, nascido em Tebas, que torna-se célebre como monge do deserto no século VII. Após os longos anos de solidão, ele não pôde impedir do seu renome espalhar-se pelo mundo, atraindo para ele uma multidão de visitantes.

Ele que queria escapar à glória dos homens para dialogar sem interrupção com Deus, decide partir para Constantinopla; lá, na capital do Império, afastado da massa de uma numerosa população, ele se põem ao abrigo dos vãos louvores e pôde continuar suas explorações divinas. Ao exemplo dos Anjos, ele louva o Senhor dia e noite, e Deus lhe oferece, em contrapartida, o poder de realizar milagres. Cita-se entre outros, a cura de um cego e a de um hidrópico.

Ele adormece em paz após haver edificado a Igreja com a sua presença e confirmado a fé de numerosos fiéis com os seus milagres.

Mas somente em 1904 que se descobre na Grécia, perto de Corinto, no monastério de Loutraki, a relíquia inteira do seu corpo, a qual ainda produz numerosos milagres.

Desde então este monastério é dedicado ao Santo, cujo culto e o renome ficaram acrescido devido ao fervor dos monges, das monjas e dos leigos, pelo advento do santo “reaparecido”.

Tropário
Por ter, na tua juventude, respondido ao chamado divino, brilhaste sobre o mundo com os teus ascéticos esforços e, glorificado pelas graças da impassível condição, curas todo tipo de paixão, Pai venerável, roga a Cristo nosso Deus para nos conceder a graça da salvação.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Catisma poético

Um curto tropário cantado ou lido em Matinas no fim de cada catisma do Saltério após a Pequena Litania. Ocorre, também, no cânon de Matinas após a Pequena Litania da 3ª. Ode. Também denominado, em inglês, sessional hymn e, em eslavão, siedalen, alguns usam a denominação tropário-catisma. Os ofícios do Menaia sempre apresentam um catisma-poético após o Polieleos. Durante o canto do catisma-poético os fiéis podem sentar-se.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Frescos

Pantocrator
Paróquia de Santa Bárbara
Igreja Ortodoxa Grega, USA

Catisma

Catisma (grego κάθισμα, de κάθησθαι, estar sentado). Um termo significando:

  • cada uma das vinte divisões (de tamanho aproximadamente igual) nas quais o Saltério é subdividido na Igreja Ortodoxa, lido em Vésperas, Matinas e no Ofício da Meia-noite, é permitido sentar durante a leitura destes catismas. O Saltério é indicado para ser lido totalmente no curso de uma semana (na Quaresma, duas vezes);
  • Um curto tropário cantado ou lido em Matinas no fim de cada catisma do Saltério, também denominado catisma-poético (em inglês sessional hymn; em eslavão siedalen).

Entre a numeração dos Salmos da Septuaginta (versão grega) e a da Bíblia Hebraica existe uma pequena diferença, a Hebraica sendo de uma unidade a mais que a grega.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

OrtoFoto

Mosteiro de São Nicolau
Conde - Paraíba

Novo Patriarca da Romênia

Em 12 de setembro próximo passado o Santo Sínodo elegeu o novo chefe da Igreja Ortodoxa da Romênia. O, até então, metropolita Arcebispo de Jass, metropolita da Moldávia e Bukowina Daniel foi eleito sexto arcebispo de Bucareste, metropolita de Munteneia e Dobrogeia e patriarca da Romênia. Na última eleição ele recebeu 95 dos 161 votos, ganhando do Metropolita de Clui Bartolomeu. O recém eleito chefe da Igreja da Romênia declarou que pretende ser um continuador da obra do patriarca Teoctisto. A entronização do novo patriarca ocorreu a 30 de setembro na catedral patriarcal em Bucareste. A Igreja Ortodoxa da Polônia foi representada pelo Arcebispo Jeremias de Wroclaw e Szczecin.


O patriarca Daniel (Dan Ilie Ciobotea) nasceu a 22 de julho de 1951, na localidade de Dobrestia nas proximidades de Lugoj. Em 1974 concluiu o Instituto de Teologia em Sibiu, dois anos depois o Instituto de Teologia em Bucareste, já em 1978 a Faculdade de Teologia Protestante em Strasburgo na França. Nos anos 1978-1980 continuou seus estudos em Freiburgo na Alemanha. Em 1979 defendeu tese de doutorado em Straburgo, e um ano depois em Bucareste. Nos anos 1980-1988 trabalhou no Instituto Ecumênico em Bossey na Suíça, dirigindo-o nos anos 1986-1988. No dia 6 de agosto de 1987 fez seus votos monásticos no mosteiro Sihastria e tornou-se conselheiro do patriarca Teoctisto nas questões do diálogo ecumênico. Em 14 de setembro deste mesmo ano foi ordenado diácono e a 15 de setembro, sacerdote. Em 4 de março de 1990 foi sagrado bispo, com o título de bispo de Lugoj, vigário da diocese de Timisoara. Ainda neste mesmo ano assumiu a metropolia de Jass e recebeu o título de professor de Teologia. Durante sua gestão na Metropolia de Jass surgiram cerca de 300 novas paróquias e 40 mosteiros. O patriarca Daniel é conhecido por sua ampla atividade ecumênica. É membro do comitê central do Conselho Mundial de Igrejas assim como da junta diretora da Conferência de Igrejas Européias. Em 2003 recebeu o título de doutor Honoris Causa do Sacred Heart Fairfield (USA).

Publicado na revista Wiadomości número 10 (215) de 2007
Tradução do Igúmeno Lucas

Cântico de Comunhão

Em grego κοινωνικόν, em eslavão prichásten. Versículos das Escrituras (normalmente dos Salmos), cantados na Sagrada Liturgia após as palavras do padre: “Os Santos aos Santos” e o coro canta: “Um só é Santo, um só é Senhor...” Enquanto o coro canta o Cântico de Comunhão o padre prepara a Eucaristia. É uma das partes variáveis da Sagrada Liturgia.

Santo Igúmeno e Místico, Savas, o Consagrado, da Palestina, Doutor da Vida Monástica - 05/18 dez


São Savas nasceu em 439 na cidade de Moutalaska, uma pequena aldeia da Capadócia e desde cedo ingressou na vida monástica sobre a orientação de São Eutímio, o Grande. Tornou-se pai espiritual de muitos monges e instrutor e administrador de inúmeros mosteiros na Palestina. Tendo vivido 94 anos, repousou no ano de 533


Tropário, t.8
Com os rios das tuas lágrimas fizeste florescer o árido deserto, pelos teus profundos gemidos fizeste frutificar os teus feitos cem vezes mais, pelos teus espantosos milagres te tornaste um farol iluminando o mundo inteiro. Venerável Pai Savas, rogue ao Cristo nosso Deus que salve as nossas almas.

Oração

Senhor nosso Deus, que pela penitência concedeste aos homens a remissão de seus pecados e que, como exemplo de reconhecimento e confissão dos nossos pecados, nos mostraste a penitência que fez o profeta David para obter o Teu perdão. Mestre, pela Tua grande misericórdia, tem piedade de nós que caímos em numerosas e grandes faltas e, pela imensidão da Tua compaixão, dissipa as nossas iniqüidades. Pois foi contra Ti que pecamos, Senhor, Tu que conheces os recessos invisíveis e ocultos do coração dos homens e somente Tu tens o poder de perdoar os pecados. Depois de terdes estabelecido em nós um coração puro e de nos firmares pelo Espírito de força, depois de nos fazeres conhecer a alegria da Tua salvação, não nos afastes para longe da Tua face, mas nos torna dignos, Tu que és bom e amigo dos homens, de Te trazer, até o último suspiro, um pão de justiça e uma oferenda sobre o Teu Santo altar. Pela misericórdia e amor pelo homem de Teu Filho Único, com o qual és Bendito e com Teu Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

OrtoFoto

autor: Виктор Солодухин

"O papel da família na salvação"

A questão da salvação — é uma pergunta fundamental na história da humanidade no todo e no destino individual de cada um. A ela (ou também na questão da felicidade) são adequadas as palavras — “foi, é e será.” Tudo está resumido nesta questão e na sua realização em vida. Neste sentido a felicidade está em nossas mãos. Ela é decorrente da vitória sobre o pecado. O meio mais próximo para o combate com o pecado é antes de tudo na família e em todos aqueles que nos rodeiam. Nos olhamos para o meio, para o ambiente no qual vivemos como algo meio acidental e quase não reparamos na nossa família como um caminho, dado a nós por Deus para a salvação. A vida em família parece-nos algo do acaso e o mais importante na família escapa a nossa atenção. A família — pelas palavras do apóstolo — é uma pequena igreja. Ela pode de forma especial ajudar o ser humano a alcançar o seu mais importante objetivo na vida. Na família se procura a felicidade. Mas o que devemos entender como felicidade? As respostas para isso são nebulosas. Isto é um testemunho de que o mais importante não é extraído desta condição dada por Deus.


A vida em pecado e a correta vida espiritual — ambas ocorrem dentro do ser humano e o ambiente desta vida é o meio, com a ajuda do qual o ser humano deve voltar-se para o seu íntimo. Já foi dito, que o pecado é uma força que gera conflitos e desunião. Vamos explicar isto com um exemplo de vida. As pessoas magoaram uma a outra, se ofenderam, não queriam ceder uma a outra e machucadas se separaram. Eis aí a infelicidade. Isto mostra que devemos combater o pecado para garantir a nossa felicidade, assim como a irritação é a infelicidade em nossa vida. O ser humano é criado com o desejo de felicidade e pode aprender pela sua felicidade como lutar contra a sua infelicidade, isto é, contra o pecado no seu ambiente que lhe é mais próximo. As forças do pecado e da pureza encontram-se dentro do ser humano em aparente estado de calma. E dependendo em como nós tocamos este ser, reagem dentro dele e no mundo as forças do bem ou do mal. Nós precisamos sempre encontrar um ambiente tal, que mantivesse limpo nosso mundo interior, nos desse forças e condições de um verdadeiro conhecimento de si mesmo.


O meio ambiente em geral, como mero encontro acidental de pessoas, pouco pode ajudar. Frente as outras pessoas o ser humano esconde as suas mentiras, empurra-as para dentro e esforça-se em parecer limpinho. Ele tem vergonha daquilo o que pode ser pensado dele, tem medo da opinião pública e por isso não se expõe. Somente num ambiente costumeiro, num ambiente familiar o mal escondido no ser humano começa esvair-se para fora. Nestas condições o ambiente familiar — cria um momento indispensável para o auto-conhecimento. Não é por acaso que nós temos receio de estarmos num ambiente familiar. Fugindo dele, nós nos interessamos em tudo, encontramos diversão e isso basta para fugirmos do ambiente favorável para o nosso auto-conhecimento.


Por que a família parece o meio mais favorável para a salvação? Em família o ser humano inevitavelmente abre seus sentidos, enquanto perante desconhecidos ele encobre seu mundo interior. Em sociedade o ser humano controla-se, encobre a irritação, esforça-se em parecer diferente. Ele demonstra sua face externa e não a interna. Em família ele não esconde suas condições, não se envergonha de expor o seu estado em pecado em palavras ou ações. E um mundo em pecado oculto revela-se frente à família e aos mais próximos e perante ele próprio. Dessa forma, o ser humano atento à sua salvação, dentro do ambiente familiar entende mais facilmente o que há de pecado dentro dele e o que o isola dos outros. É necessário apenas, que o conhecimento de seu mundo interior, permaneça combatendo o pecado.

Arcebispo Sergio Korolev de Praga (1881-1952)
Traduzido por Boris Petrovich Poluhoff
http://www.fatheralexander.org/

Santa Virgem Megalomártir, Bárbara de Nicomédia – 04/17 dez


A Grande Santa e Mártir Bárbara viveu e sofreu durante o reinado do imperador Maximiano (305-311). Seu pai, um pagão de nome Dióscoro era um homem rico e ilustre da cidade fenícia de Heliópolis; como ele ficou viúvo muito cedo, voltou toda a sua atenção em devoção a sua filha única. Bárbara tinha uma beleza tão extraordinária que seu pai decidiu criá-la afastada dos olhos de estranhos. Para isso ele construiu uma torre, na qual ela vivia, junto de seus tutores pagãos.


Do alto da torre, ela podia vislumbrar a imensidão da criação de Deus: durante o dia, ela via colinas cobertas de florestas, rios que cortavam a terra e campinas cobertas por flores de todas as cores do arco-íris; e, a noite, o impressionante espetáculo da harmonia e majestade dos céus estrelados. Logo a jovem donzela passou a se questionar sobre o Criador de um mundo tão esplêndido e harmonioso. Aos poucos elas foi se convencendo que os ídolos pagão eram criação das mãos humanas, e embora seu pai e tutores a ensinavam a adorá-los, os ídolos não se mostravam sábios ou divinos o suficiente para terem criado o mundo. O desejo de Bárbara de conhecer o Deus Verdadeiro consumia sua alma de tal maneira que ela decidiu devotar toda a as vida a isto, vivendo em castidade.


Mas a fama de sua beleza espalhou-se pela cidade, e surgiram muitos pretendentes à sua mão. E apesar das súplicas de seu pai, ela recusou, dizendo-lhe que sua persistência poderia separá-los para sempre, tendo um final trágico. Dióscoro, então, decidiu que o temperamento de sua filha havia sido afetado por sua vida reclusa – ele, então, permitiu que ela deixasse a torre, concedendo-lhe a liberdade de escolha de seus amigos e conhecidos. Foi assim que a donzela conheceu na cidade jovens cristãos, que lhe revelaram sobre os ensinamentos de Deus, a vida de Nosso Senhor, a Trindade e a Sabedoria Divina. Pela Providência Divina, após um certo tempo, um padre de Alexandria, disfarçado como mercador, chegou a Heliópolis, e posteriormente veio a batizar Bárbara.


Enquanto isso, um luxuoso quarto de banho estava sendo construído na casa de Dióscoro. Segundo suas ordens, os operários deveriam construir duas janelas na parede sul; mas Bárbara, aproveitando-se da ausência de seu pai, pediu-lhes para que fosse feita uma terceira janela, representando a Trindade. Sobre a entrada do quarto de banho Bárbara esculpiu em pedra uma cruz – segundo o hagiógrafo Simeão Metafrastes, certo tempo após a fonte que originalmente abastecia o quarto de banho ter secado, ela voltou a jorrar água com poderes curativos.


Quando Dióscoro retornou, expressando insatisfação com as mudanças em sua obra, sua filha lhe contou sobre seu conhecimento do Deus Triuno, sobre a salvação pelo Filho de Deus e da futilidade de adorar falsos ídolos. Dióscoro imediatamente foi tomado pela fúria, tomando uma espada para matá-la; a jovem fugiu de seu pai, que partiu em sua perseguição; quando Santa Bárbara chegou a uma colina, nele se abriu uma caverna para esconde-la em seu interior. Após uma busca longa e sem resultados por sua filha, Dióscoro viu dois pastores em uma colina. Um deles lhe mostrou a caverna onde a Santa havia se escondido – quando a encontrou, Dióscoro lhe deu uma surra terrível, para depois mantê-la em cativeiro, em um jejum forçado. Vendo que não conseguia vencer a fé de Santa Bárbara, ele a levou para Marciano, o governador da cidade. Juntos, eles voltaram a surrá-la e chicotea-la, salgando suas feridas. À noite, a Santa Donzela rezou com fé ao Senhor, e Ele lhe apareceu em pessoa, curando seus ferimentos. Ela, então, sofreu tormentos mais cruéis ainda.


Entre a multidão que se encontrava próximo ao local da tortura, havia uma cristã moradora de Heliópolis, de nome Juliana, e seu coração havia se enchido de compaixão pelo martírio voluntário da bela e ilustre donzela. Também desejando se sacrificar por Cristo e sua fé, e começou a denunciar os torturadores em voz alta, sendo presa logo em seguida. Ambas a Santas Mártires foram torturadas por muito tempo; após serem flageladas, foram levadas pelas ruas da cidade, em meio à zombaria e escárnio da multidão.


Após a humilhação, as fiéis seguidoras de Cristo, Santas Bárbara e Juliana foram decapitadas. O próprio Dióscoro executou Santa Bárbara. A fúria de Deus não tardou a punir seus torturadores e executores: logo em seguida, Dióscoro e Marciano foram fulminados por raios e relâmpago.

No século VI, as relíquias da Santa Mártir Bárbara foram transladados para Constantinopla. No século XII, a filha do Imperador Bizantino Aleixo Comenes, a princesa Bárbara, após contrair matrimônio com o príncipe russo Miguel Izyaslavich as transladou para Kiev, capital da atual Ucrânia. Hoje suas santas relíquias descansam na Catedral de São Valdomiro em Kiev.

Tropário, t.8
Honremos com os nossos hinos à santa Bárbara; ela rompeu as redes do inimigo e como um pássaro escapou dela pelo socorro e proteção da santa Cruz.
Texto retirado do site: http://www.oca.org/
Tradução e adaptação por Ricardo Williams G. Santos

domingo, 16 de dezembro de 2007

OrtoFoto

autor: Lazar Lekovic

sábado, 15 de dezembro de 2007

"O Papel do Sacerdote na Igreja"

“Porque todo o sumo-sacerdote, tomado dentre os homens é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados, e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. E por esta causa deve ele, tanto pelo povo, como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados” Hb. 5, 1-3

Vemos aí a vocação sacerdotal na Igreja, ela é marcada pelo serviço e a intercessão do povo perante Deus. Tudo na Igreja tem o seu fundamento no Antigo Testamento, na Antiga Aliança, aliança esta selada entre Deus e os homens. O sacerdócio reflete o serviço de interceder pelo povo, por meio de ofertas, pela expiação dos pecados, pelas comemorações dos ciclos e das festas, pelos sacrifícios de suave aroma... todas aquelas leis e exigências descritas no Livro do Levítico (Terceiro Livro de Moisés). O Deus do Antigo Testamento é um Deus severo, Ele deve selar, marcar, educar, pedagogar o Seu Povo (eleito); Ele quer fazê-lo Seu; Ele lhe ensina como servir a Ele-Próprio. Primeiramente estabelece a relação com o homem por meio dos Patriarcas Abrãao, Isaac e Jacob. Ele pede obediência, fé, sacrifício, serviço, fidelidade, lealdade, dignidade, todos os atributos que fazem de nós homens de Deus, homens com Deus. Ele envia Profetas, estabelece Aarão como primeiro sacerdote, divide as tribos e dentre elas escolhe aquele que servirá, pelos séculos dos séculos, o Tabernáculo terrestre, a Tribo de Levi; Ele faz Sua morada dentre os homens, envia tábuas da Lei, prova a fidelidade do Seu Povo, castiga-o e ama-o, corrige-o, envia-lhes o alimento terrestre e celeste (prefigurando a Igreja, a comunhão, a eucaristia, a participação ao Corpo e Sangue do Filho e Verbo de Deus - a Sua Carne se mistura à nossa carne!), por meio de milagres vencem reis poderosos, converte a água em sangue, atravessam o Mar Vermelho a seco, conquistam a Terra Prometida, erguem um Tabernáculo, conhecem Reis, bem-aventurados, justos exemplos. Este é o diálogo do Deus da Antiga Aliança. Ele pede com tamanha força este testemunho, pois ao homem é pedido o sangue, o sacrifício interno (e por tantas vezes também o externo).

Vemos nesta cronologia distante como um povo deve servir a Deus, como um sacerdote serve a Deus, como o povo serve um sacerdote, como um sacerdote serve um povo, para e por um povo: “Os sacerdotes levitas, toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança em Israel: das ofertas, queimadas ao Senhor e da sua herança comerão. Pelo que não terá herança no meio de seus irmãos: o Senhor é a sua herança, como lhe tem dito. Este será pois o direito dos sacerdotes, a receber do povo, dos que sacrificarem sacrifício, seja boi ou gado miúdo: que dará ao sacerdote a espádua, e as queixadas, e o bucho. Dar-lhe-ás as primícias do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e as primícias da tosquia das tuas ovelhas. Porque o Senhor teu Deus o escolheu de todas as tuas tribos, para que assista a servir no Nome do Senhor, ele e seus filhos, todos os dias. E, quando vier um levita de alguma das tuas portas, de todo o teu Israel, onde habitar, e vier com todo o desejo da sua alma ao lugar que o Senhor escolheu. E servir no Nome do Senhor seu Deus, como também todos os seus irmãos, os levitas, que assistem ali perante o Senhor; Igual porção comerão, além das vendas do seu patrimômio” (Dt. 18, 1-8).

O sacerdócio de Melquisedeque é a figura do sacerdócio eterno de Cristo: Melquisedeque era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regessava da matança dos reis, e o abençoou; a quem também Abraão deu o dízimo de tudo. Considerai pois quão grande era este, a quem até o Patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a Lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão (cF. Hb.7,1-2, 4-5).

É portanto assim ministrado a ordem do sacerdote. Cada qual têm sua parte: o povo oferece ao sacerdote, e o sacerdote que oferece (e intercede) a Deus pelo (em nome do) povo. Vemos aí a verdadera noção do serviço, do serviço do homem, de todo homem que está em Igreja. Seja ele povo ou sacerdote, é-lhe pedido uma oferta, um sacrifício. O sentido de toda vida em Igreja se baseia nesta noção. A Igreja é o Corpo de Cristo que reúne em si todos nós, Ela é a nossa assembléia; não existe Igreja sem comunidade e não existe comunidade sem sacrifício.

É esta conexão de amor, humildade, disponibilidade, de santa “tolerância” e extrema (e talvez plena) liberdade que a Igreja pede a cada um de nós. O homem tem corpo e alma. Ele só vive porque e enquanto tem o sôpro da vida: a alma. E uma alma não sabe viver só, ela precisa, tem necessidade de amor e de amar, pois ela foi criada para ser eterna! Só pode amar aquele que tem a quem amar, só aquele que está em uma comunidade. E estando em uma comunidade, ele automaticamente aprende o que é sacrifício. “Não há amor lá onde não há sacrifício”- frase de um grande Hierarca e Santo de nossa época, Nikolaj Velimirovitch. Aprendamos com a Cruz do Senhor que nos liberta de toda queda e paixão. Ele que Se entrega nas mãos dos judeus, Sua gente, Sua raça, e aceita ser crucificado por nós, e pelos nossos pecados, por todos os nossos pecados, pelos pecados de cada homem e de todos os homens. Ele, que não conheceu pecado! Quão grande amor é este sacrifício e quão grande certeza de imortalidade ele nos ensina. Só este amor é Verdade e Vida. Este Amor é o próprio Cristo. Que cada serviço, sacrifício e oferta seja fundado neste amor que nos garante a imortalidade, a Vida Eterna junto do Amor Eterno.

O homem, no entanto, precisa de parâmetros terrestres, palpáveis, visíveis, simples e concertos que o ajudem a concretizar este sacrifício, este serviço. A Igreja, desde a sua fundação, enquanto Templo terrestre, feita de pedra e Pedras (Pedro) – homens – por meio de sua sabedoria revela cada e todas as formas de fazer arder em cada coração a chama deste amor. A nós, basta-nos alimentá-lo por meio de nossos sacrifícos, serviços e ofertas pessoais e comunitários. Tantas simbologias, significados, e símbolos em tantos ofícios, comportamentos, organizações... mas, no entanto, tudo é plenamente selado na Verdade primária e fonte de todas as coisas. A Igreja nos ensina a servir nossos sacerdotes, ela nos ensina que cada oferta, seja ela uma oração, um coração contrito, seja ela um dízimo, uma garrafa de óleo para fazer arder as lamparinas, ou ainda a lágrima de uma alma angustiada, uma ação de graças, um simples gesto tal como aquele da viúva que deita dois óbulos na arca marca o nosso serviço, o nosso sacrifício, a nossa oferenda.

Não há fórmula, nem limite para este amor que se sacrifica porque serve. A oração é justamente esta oferta, é ela o ato de ofertar, de dispôr-se a dar (-se). Enquanto que a Igreja, Casa de Oração, é o local concreto (não espaço nem geográfico, antes uma assembléia) onde dirigimos esta oferta. Esta relação com o Tabernáculo do Antigo Testamento e com a Igreja hoje, marca a dinâmica da nossa fé, porque inabalável no decorrer da eras, gerações e épocas. Só a liberdade que o Espírito Santo faz insuflar nos filhos de Deus pode tornar sempre possível nossa Igreja viva, plena e sempre a mesma (em essência). Falo de liberdade porque só pode servir aquele que é livre, aquele que livremente escolhe o serviço, que quer servir, que quer oferecer, que quer se sacrificar, que quer dar a vida pelo próximo, que quer amar; que quer a imortalidade. E porque ele quer, ele luta por isso... ele combate.

A vida espiritual do homem é um combate e uma conquista. É-lhe necessário sempre lutar pelo que ele assume, pela palavra que ele dá, pela vocação que ele escolhe, pelo amor ao próximo, pela ressurreição de dentro dos seus pecados. Amor também é combate, é-nos preciso lutar pelo que amamos, e é nesta medida que alcançamos a graça de tudo suportar e de querer se sacrificar por todos.

Importante é lembrar que dispor-se a orar é em verdade oferecer, fazer uma oferta, uma oferenda; e a Igreja é o local onde concretizamos este ato de amor. Seria estranho limitar a oração a um rosário bem rezado ou a um tropário bem entoado, um ofício de vigília ou até mesmo se restringir a Sagrada Liturgia. Liturgia é algo de supremo, algo de pleno; ela é oração por excelência, exemplo de sacrifício, de oferta, de sacerdócio, de amor divino, de ação de graças. O quê não quer dizer que a recíproca seja verdadeira: que orar é somente estar em Liturgia. Orar é dispôr-se a oferecer, a ofertar, a se sacrificar. E é na oração comunitária que aprendemos toda plenitude do Povo de Deus, porque vivemos na prática este convite à santidade que a Igreja faz a cada um de nós, comunitária, pessoal e hierarquicamente. Sirvamos pois à Igreja, à sua Hierarquia, aos santos Bispos e clérigos, às ordens monásticas, aos fiéis irmãos nossos aqui hoje presentes e àqueles que já partiram antes de nós. Estejamos em comunhão de Igreja com toda a Criação. Ser cristão é ser sacerdote, porque Cruz é servir.

“E assim, todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; mas Este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os Seus inimigos sejam postos por escabelo de Seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as Minhas Leis em seus corações e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais Me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado. Tendo pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa. Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu”. – Hb. 10, 11-23.


Monja Rebeca
Boletim Interparoquial, nov. 2006

OrtoFoto

autor: Slobodan Simic

Cânon

Cânon do grego κανών. Esta palavra significa originalmente regra, medida. Os cânones, textos preparados entre outros pelos concílios e os Padres da Igreja, são em geral regras, padrões, destinados, sobretudo a excluir falsas aproximações sobre alguma questão. O termo cânon ou cânone se aplica, assim, a um grande leque de textos que se pode, de um modo geral, agrupar da seguinte maneira:

  1. regras de vida da Igreja (dogmáticas e disciplinares);
  2. listas, catálogos dos livros autênticos da Bíblia;
  3. coleções de odes e textos litúrgicos.

A coleção clássica dos cânones bizantinos que servirá de base para o direito canônico da Igreja Ortodoxa atual é o chamado Nomocânone em 14 capítulos. Como texto de origem puramente eclesiástica, ele compreende:
  • os cânones apostólicos;
  • os cânones dos concílios ecumênicos;
  • os cânones dos concílios locais;
  • os cânones dos santos Padres.
Os cânones consistindo de coleções de odes e textos litúrgicos são poemas litúrgicos compostos de nove partes ou estâncias chamadas odes. Cada ode consiste de, no mínimo, um irmos e quatro tropários. Um cânon pode ser laudatório, compuncional, penitencial etc. O cânon ocorre em Matinas após a leitura do Saltério e do Salmo 51 (aos domingos e festas após a Litania: Salva, Senhor, o teu povo....). Originalmente em Matinas os nove cânticos (odes) bíblicos eram cantados, com um pequeno refrão inserido entre os versos. Santo André de Creta (séc. VII-VIII) estabeleceu a prática de expandir estes pequenos refrãos em tropários celebrando algum tema particular: arrependimento (como em sua própria obra-prima, O Grande Cânon); os defuntos; etc. Com o passar do tempo o costume de ler o texto bíblico real desapareceu, embora ainda seja observado por muitas comunidades monásticas durante a Quaresma (também, ao longo do ano todo, em mosteiros do Monte Atos, Patmos, e em alguns outros lugares). Como resultado desta prática os tropários do cânon são, agora, recitados sozinhos, acompanhados por uma curta invocação como: “Glória a Ti, ó Deus, glória a Ti”; ou “Salva-nos, ó Santa Mãe de Deus”. O único cântico bíblico cantado em sua totalidade é o Magnificat: este nunca é omitido, exceto nas Grandes Festas. Na prática atual, não há a segunda ode no cânon, exceto na Quaresma: assim, o cânon que teoricamente possui nove odes, na realidade possui apenas oito. Os cânones de dia de semana na Quaresma possuem como regra duas, três, ou quatro odes.


Os cânones possuem um variado número de tropários em cada ode. Normalmente mais que um cânon é prescrito para ser lido em Matinas: aos domingos 4; em dias normais 3; nas Grandes Festas, normalmente 2. Para a leitura dos cânones as seguintes regras são observadas. Ode um do primeiro cânon é lida; então a ode um do segundo, terceiro, etc cânon; então a ode três do primeiro cânon, e etc. Os cânones devem ser combinados de tal modo que o número total de tropários em cada ode some, sempre, no máximo 14. Se os cânones previstos para serem lidos possuem tropários demais, então dois tropários são lidos juntos, como se fossem um só; ou, também, alguns dos tropários são omitidos. Se há poucos tropários, então, alguns tropários são repetidos duas ou mesmo três vezes de modo a somar o total exigido. Ao se determinar o número de tropários, a primeira estância de cada ode (o irmos) é incluída na contagem, mas não a katavásia do final.


Cânones não são lidos apenas em Matinas, mas também em Completas, e aos domingos no Ofício da Meia-noite; eles ocorrem também em outros ofícios, tais como unção de enfermos, ofício de defuntos, preparação antes da Sagrada Comunhão.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Báculo

É o símbolo do serviço pastoral de um bispo, como lembrança do cajado dos pastores e de que ele é um pastor do rebanho de Cristo. Está relacionado também com o bastão de Aarão (Nm 9, 4) e é um sinal da autoridade arquipastoral do bispo. O báculo episcopal possui uma dupla haste no topo e uma cruz em cima. Às vezes, esta dupla haste possui a forma da cabeça de duas serpentes, simbolizando a serpente de cobre levantada por Moisés no deserto que, por sua vez, simbolizava Cristo elevado na cruz, de quem o bispo é um ícone, simbolizando também a proteção contra os inimigos dos ensinamentos de Cristo e a cruz no alto, a vitória sobre eles. O báculo também é dado a alguns arquimandritas e abades como um sinal de sua autoridade espiritual sobre o mosteiro que comandam.

Boletim Interparoquial – dezembro de 2007

Sumário:
- A Salvação Pessoal e a Salvação do Mundo
- Caminhando no Amor
- Deus precisa do Homem
- Santoral e Leituras

Pedidos e Assinatura: boletim.interparoquial@gmail.com

Santo Profeta Naum, um dos doze Pequenos Profetas (+séc.VII a.J.C.) - 1/14 dez

São Nahum nasceu na cidade de Elqosh na Galiléia, da Tribo de Simeão. Seu nome significa “consolação”. Ele profetiza durante o tempo dos reis Ezequias e Manassés, aproximadamente 700 anos antes de nossa era. Contado entre os doze profetas menores, ele deixou um pequeno livro de profecias, no qual prediz a destruição próxima de Ninive, a capital do reino da Assíria, pelos Medas (em 612), a sua completa devastação e a restauração do reino de Judá. Ele descreve com grandiosidade a cólera do Senhor contra os inimigos do Seu povo e ao mesmo tempo a ternura de Deus para com os Seus eleitos.

De longe ele vê vindo Àquele que deve conceder a paz definitiva ao povo de Deus: o Cristo.

Após haver realizado a sua missão, Nahum adormece em paz e é sepultado na terra dos seus ancestrais.

Tropário do Profeta, t.2
Celebrando, Senhor, a memória do Teu Profeta Nahum, por suas orações, nós Te suplicamos, salve as nossas almas.

Oração

Nós Te damos graças, Senhor, Deus da nossa salvação, por tudo o que fazes para o bem da nossa vida, a fim de que, sem cessar, os nossos olhos estejam voltados para Ti, Salvador e Benfeitor das nossas almas. Pois Tu nos fizeste repousar durante a noite, despertaste-nos dos nossos leitos e fizeste-nos levantar para a adoração do Teu nome venerável. Por isso Te pedimos, Senhor, concede-nos graça e força, a fim de que sejamos dignos de cantar continuamente em Tua honra, com temor e tremor, realizando a nossa própria salvação, com o auxílio do Teu Cristo. Lembra-Te, Senhor, daqueles que ao nascer do dia clamam para Ti; atende-os, tem piedade deles e esmaga a seus pés os inimigos invisíveis. Pois que Tu és o Rei da Paz e Salvador das nossas almas e nós Te damos glória, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

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Ordenação de Diácono – 09/09/07
Catedral Metropolitana de Santa Maria Madalena
Varsóvia, Polônia

"A sede pelo bem"

A alma do ser humano tem sede, conforme sua natureza, de unir-se ao bem e de todas as formas esforça-se em aprender, reunir-se e encontrar o bem. O bem é como se fosse feito de fios dos quais o ser humano tece para si as vestes com as quais estará um dia frente a frente ao altar Divino onde permanecerá para sempre. Esta vestimenta tecida de fios do bem e do amor, clareará e brilhará com a luz Divina. Se tecida pelos fios do mal, atos maus, escurecerá ainda mais em contraste à luz Divina, trará vergonha e uma dor amarga, àquele que estiver vestido com ela. Através das nossas próprias mãos, isto é, através de nossa própria vontade e arbítrio — apesar de pouco desenvolvidos, enfraquecidos pelo pecado mas com facilidade, nós podemos vestir a vestimenta da alegria ou, da vergonha. Nossa liberdade - aquilo de bom, que Nosso Senhor nos deu, como prêmio de Sua criação - direito ao qual Ele mesmo nos garante e não faz a menor pressão para nos influenciar em nossas escolhas. Porém nós não cuidamos deste nosso livre arbítrio e freqüentemente sem pensarmos nas conseqüências nos colocamos a serviço do pecado. Submissos ao pecado, como poderemos nos restabelecer no bem, quando as nossas forças encontram-se enfraquecidas? Somente com as nossas forças não podemos consertar a situação, mas com a graça de Deus isto é possível: A Deus tudo é possível! Enquanto nossa alma ainda permanece no caminho rumo ao Reino de Deus, enquanto ainda há tempo, vamos reforçar e fortalecer nossa vontade, enfraquecida, inerte, com a graça da força de Deus e vamos encontrar nela a força indispensável e o apoio na luta com o mal.


A vida exige um grande esforço. É necessário aprender a viver com sabedoria em Cristo e então tudo ao redor de nós irá adquirir significado e valor para a eternidade. Se nós formos atentos, então as circunstancias que nos rodeiam ficarão a nosso favor. Os “Santos Mestres” nos ensinarão a obediência a Deus, nos ajudarão com paciência e amor a percorrer nosso caminho na vida e conquistar a salvação. Onde quer que estejamos, em todos os lugares estaremos cercados por situações que poderão nos salvar; em quaisquer situações que a vida nos coloque — sempre poderemos amadurecer espiritualmente e nos aperfeiçoar. Nossa vida em cada circunstancia pode ser o caminho que nos conduz ao bem, a bem-aventurança - que está acessível aqui mesmo, na Terra.

Arcebispo Sergio Korolev de Praga (1881-1952)
Traduzido por Boris Petrovich Poluhoff
www.fatheralexander.org

Santo Apóstolo André de Betsaida, o Primeiro Chamado (+62) - 30 nov/13 dez


Os gregos chamam a este ousado apóstolo "Protókletos", que significa: o primeiro chamado. Ele foi um dos afortunados que viram Jesus na verde planície de Jericó. Ele passava. O Baptista indicou-o com o dedo de Precursor e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". André e João foram atrás d'Ele. Não se atreveram a falar-Lhe até que Jesus se virou para trás e perguntou: "Que procurais?" - Mestre, onde habitas? - "Vinde e vede". A Igreja deve muito a Santo André. Terá sido martirizado numa cruz em forma de aspa ou X, que é conhecida pelo nome de cruz de Santo André.


André foi o primeiro a reconhecer o Senhor como seu mestre... O seu olhar percebeu a vinda do Senhor e deixou os ensinamentos de João Baptista para entrar na escola de Cristo... João Baptista tinha dito: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Eis aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou enviado, não como o esposo, mas como quem o acompanha (Jo 3,29). Vim como servo e não como mestre. Levado por estas palavras, André deixa o seu antigo mestre e corre para quem ele anunciava..., levando consigo João, o evangelista. Ambos deixam a lâmpada (Jo 5,35) e caminham para o Sol... Tendo reconhecido o profeta de quem Moisés dissera: "É a Ele que escutareis" (Dt 18,15), André conduz até ele o seu irmão Pedro. Mostra a Pedro o seu tesouro: "Encontramos o Messias (Jo 1,41), aquele que desejávamos; vem agora saborear a sua presença". Ainda antes de ser apóstolo, conduz a Cristo o irmão... Foi o seu primeiro milagre.


Após Pentecostes, Santo André foi pregar na Trácia, na Macedônia, na Grécia e na Ásia Menor. Foi também o pregador do Evangelho em Bizâncio. As numerosas conversões que obteve suscitaram o furor dos idólatras, que o acusaram e o levaram ao tribunal de Egea, pró-consul da cidade de Patrás, na Criméia. Obrigado a sacrificar oferendas aos deuses e tendo-se recusado, foi condenado a morrer crucificado. Durante sua lenta agonia exortava à verdadeira fé a multidão que o rodeava. E assim, com humildade e alegria, entregou seu espírito ao Senhor.


Pelas orações de Santo André, ó Cristo Nosso Deus, tem piedade de nós!

Doxastikon do Lucernário, t.4
Abandonando a pesca dos peixes, é aos homens que fisgas com o caniço da divina pregação e o anzol da fé, ilustre Apóstolo que resgata do abismo do erro as assembléias das nações. Tu o irmão do Corifeu, cuja voz ressoa para instruir o mundo inteiro, ó André, não pare de interceder por nós, os fiéis que celebram de todo coração a tua sagrada memória.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

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Altar do Mosteiro de Santa Catarina
Monte Sinai, Egito
autor: Bruce White

Apodosis

Do grego άπόδοσις, em eslavão otdanie, o último dia de pós-festa no qual a festa se encerra. O ofício da festa é repetido quase que inteiramente neste dia, isto é, os tropários, kontakions e demais cânticos relativos à festa.

Oração de São Basílo (II)

Mestre e Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, que Te mostraste paciente diante de nossas faltas, e nos conduziste até a hora presente, onde sobre a Cruz Vivificante abriste ao Ladrão arrependido a porta do Paraíso. Tu, que pela morte venceste a morte, tem piedade de nós pecadores, Teus indignos servos; pois nós pecamos, cometemos a iniqüidade, e não somos dignos de levantar os olhos e contemplar as alturas celestes, tendo abandonado a via da justiça e marchado sobre os desejos de nossos corações. Mas na Tua inefável Bondade, concede-nos a Tua graça, Senhor, e na Tua infinita Misericórdia, salva-nos, pois nossos dias passam em vão. Livra-nos da mão do Inimigo, mortifica nossos pensamentos carnais, a fim de que despojados do homem velho, nos revistamos do novo e vivamos por Ti, nosso Mestre e Defensor; concede-nos que ao cumprirmos os Teus Preceitos alcancemos o Repouso Eterno, lá onde os justos permanecem na alegria. Pois Tu és na verdade a jóia e a alegria daqueles que Te amam, ó Cristo nosso Deus, e nós Te glorificamos assim como ao Teu Pai Eterno e a Teu Bom e Vivificante Espírito, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

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Igreja Ortodoxa do Profeta Elias em Podujevo (Kosovo),
após a destruição e profanação em 19 de Março de 2004 por extremistas Albaneses



"Sem Kosovo, a Sérvia não existe"


Pristina, 11 dez 2007 - "Sem o Kosovo, a Sérvia não existe", garante o bispo Artemije, responsável pela diocese kosovar de Raska-Prizren da Igreja Ortodoxa Sérvia e uma das vozes sérvias mais influentes do território.

Em entrevista a jornalistas portugueses no mosteiro de Gracanica, onde reside, num enclave sérvio a meia dúzia de quilômetros de Pristina, o bispo afirma a sua completa oposição à independência do Kosovo, que deverá ser brevemente proclamada pelos kosovares albaneses. O Kosovo "é o berço da Sérvia" e deve manter-se como parte integrante da "pátria sérvia".

"A Sérvia não pode ficar parada se lhe tirarem 15% do seu território", nota o bispo, defendendo a tomada de posições por parte de Belgrado no caso da proclamação da independência pelos albaneses, como "a mobilização, o fechamento de fronteiras e outras medidas".

Para Artemije, "a Sérvia deve demonstrar que se importa que o Kosovo fique na Sérvia e, no caso de secessão violenta, deve atuar como qualquer outro Estado democrático atuaria".

O religioso procura realçar as suas palavras, dizendo que "não se trata de uma declaração de guerra" e que "não deseja a guerra". Contudo, "a Sérvia deve defender-se em caso de perigo", adverte.

Segundo o bispo, desde 1999, data da intervenção da Otan para pôr fim à guerra no Kosovo, pouco mudou nas condições de vida dos kosovares sérvios. "Continuamos sem direitos humanos, sem direito de associação, sem liberdade, sem educação", afirma. "Em 1999, havia dez mortos sérvios por dia às mãos dos albaneses e agora há menos, mas ainda há", acrescenta o bispo, denunciando ainda a destruição das condições de vida e da herança cultural sérvia no Kosovo. "Dezenas de milhares de casas de sérvios foram destruídas, bem como mais de 150 igrejas e mosteiros, toda uma herança cultural dos séculos XIII e XIV", assegura.

O bispo é também resolutamente crítico da intervenção internacional. "A resolução da ONU (que instituiu a administração internacional do território, em 1999) visava possibilitar a criação de condições de paz e segurança, mas essas condições só foram criadas para os albaneses, e não para os outros", afirma.

O religioso nota ainda que cerca de 250.000 sérvios foram forçados a fugir do Kosovo e que, apesar de a resolução 1244 da ONU afirmar que todos os refugiados têm direito a regressar, "nem 2% dos sérvios regressou". "Esses 250.000 sérvios foram forçados a fugir pelos albaneses, que fizeram ainda mais de 13.000 seqüestros e mil mortes", aponta o bispo, notando que, ainda hoje, há mais sérvios a sair do território do que a regressar. "Trata-se de crimes não punidos cometidos pelos albaneses. Nem um perpetrador foi identificado", garante.

Quanto à atuação da Kfor, a força da Otan que garante a segurança no Kosovo, Artemije diz também "não ter bases para confiar" nela. "Os crimes e o sofrimento aconteceram na presença da Kfor, que não garantiu a segurança", afirmou, exemplificando com os acontecimentos de março de 2004, em que questões aparentemente menores levaram a que multidões albanesas se voltassem contra os seus vizinhos sérvios.

O bispo elogia contudo as autoridades de Belgrado, considerando que o atual governo sérvio "tem um grande nível de preocupação, tentando proteger e manter o Kosovo na Sérvia".

Artemije manifesta ainda a esperança de que a independência não se verifique, adiantando que, a concretizar-se, "serão violadores, assassinos e terroristas que estarão a ser recompensados pela comunidade internacional com a independência".

Como solução para a crise kosovar, Artemije vê apenas "as várias propostas para uma solução mutuamente aceitável apresentadas pela equipe negociadora sérvia" nas negociações com a parte albanesa, mediadas pela troika internacional (UE, EUA e Rússia), sucessivamente rejeitadas por Pristina.

As conversações não permitiram qualquer acordo entre as duas partes, com Belgrado, com o apoio da Rússia, a aceitar apenas conceder uma autonomia alargada ao território, enquanto os kosovares, suportados pelos Estados Unidos e alguns países europeus, não cedem na sua pretensão de independência.

"A outra parte teve o apoio dos Estados Unidos e de vários países europeus à sua pretensão de independência", podendo assim recusar as propostas sérvias, notou o bispo. Segundo ele, a acontecer a proclamação de independência, manter-se-á "uma situação de crise e poderá verificar-se uma cisão na União Européia e o alargamento da instabilidade aos Bálcãs e à Europa".

As perspectivas de reconciliação, no entender do bispo, só existirão quando as duas partes estiverem empenhadas nela. "Os sérvios já provaram essa vontade, ao permanecerem no Kosovo. Os albaneses, pelo contrário, continuam empenhados numa limpeza étnica", sublinha.
O bispo Artemije mantém contudo ainda algumas esperanças. "Um homem que acredita em Deus, também acredita num futuro melhor", conclui.

Nada, contudo, parece indicar que os kosovares albaneses tenham a intenção de desistir da proclamação da independência, que garantem para breve, mas em acordo com a comunidade internacional, como reafirmou recentemente o primeiro-ministro eleito kosovar Hasim Thaci.

Observadores internacionais em Pristina apontam para os dois primeiros meses do próximo ano como data possível para a declaração de independência do Kosovo. Onde o bispo Artemije garante que vai continuar.

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Manastir Sv. Apostola Petra i Pavla
Bósnia-Herzegovínia

Lucas (Lc 6, 29-30)

“Ao que te ferir numa face, oferece-lhe a outra, e a quem te tomar o manto não lhe estorves o tomar-te a túnica. Dá a todo aquele que te pedir, e não reclames de quem te toma o teu”


O amor do inimigo não é fácil. Nós nos colocamos em posição de defesa contra a injustiça; queremos vingança, se sofremos injustiça; pela retribuição pretendemos colocar o mal em xeque. “Assim como me fazes a mim, eu faço a ti” (cf. Mt 5,38). Cristo exige que o mal não seja retribuído com o mal; pelo contrário, ao mal não se retribua com o mal; ao mal não se ofereça resistência; o mal seja vencido pelo bem.. Estas normas valem para a injúria pessoal que nos é feita. Ao que te ferir numa face... Valem também para o caso de sermos lesados em nossas posses. A quem te tomar o manto...


A alegria do discípulo de Cristo em orar deve desconhecer limites. Dá a todo aquele que te pedir, sem levar em consideração nacionalidade, comunhão de fé, pontos de vista diferentes, dignidade... Sempre de novo, dá. Cristo vai mais longe ainda: propriedade tirada dolosamente e à força nem deve ser reclamada. Quem sofrer tais prejuízos não se defenda, não procure recuperar sua propriedade. Porventura a injustiça deve se tornar justiça?


Podemos ficar tranqüilos ouvindo essas exigências de Cristo? Não se revolta algo dentro de nós? Não se levanta a resistência, porque temos nossas dúvidas? Não se sacrifica a personalidade com os seus direitos? Não se abrem todas as portas ao desenvolvimento dos mais baixos instintos de homens perversos?


Por que os homens agem entre si segundo regras totalmente diferentes, os exemplos soam tão espantosamente paradoxais e escandalosos. Eles revelam como é contrário a Deus o procedimento dos homens, caso o domínio de Deus não os tenha mudado e transformado. Nós imaginamos que o mal é exterminado, quando lhe opomos resistência, quando o mal é retribuído com o mal. Cristo, porém, anuncia que o mal é vencido pelo bem. Ele traz o Reino de Deus. E pela soma de todos os bens, que no Reino se desenvolvem, surge o triunfo de bem sobre o mal.


O modo pelo qual Cristo fala é plástico e vivo. Ele pretende inquietar, despertar, sacudir, transformar. Exemplos são exemplos para uma atitude para a qual Ele nos conclama. Cristo não dá uma preleção sobre deveres morais, preleção que esclareça todos os “se” e “mas”. Com Suas palavras não pretende anunciar novo código de Leis, contido em quatro parágrafos: 1) ao que te ferir... 2) a quem te tomar o manto... Isto seria deturpar o sentido das palavras de Cristo. Este procedimento Ele o quer. E o discípulo deve, na multiplicidade dos acontecimentos da vida, realizar tal procedimento e leva-lo à ação.