“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Stº Apóstolo do Senhor TIAGO, o filho de Alfeu, um dos Doze – 9/22 out

Tiago, filho de Alfeu, era um dos Doze Apóstolos. Era irmão de sangue do Apóstolo e Evangelista Mateus. Foi testemunha das verdadeiras palavras e milagres de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, uma testemunha de Seus sofrimentos, Ressurreição e Ascensão. Depois da descida do Espírito Santo em Pentecostes, a sorte que caiu a Tiago foi pregar o Evangelho de Cristo em Euleuterópolis e nas áreas circunvizinhas e, então, no Egito, onde ele sofreu pelo seu Salvador. Com grande poder em palavras e obras, Tiago disseminou as salvíficas boas-novas do Verbo de Deus Encarnado, destruindo a idolatria, expulsando os demônios dos homens, curando toda enfermidade e doença no nome do Senhor Jesus Cristo. Seu zelo e labor foram coroados com grande sucesso. Muitos pagãos vieram a acreditar em Cristo, igrejas foram construídas e organizadas, padres e bispos, ordenados. Tiago sofreu na cidade egípcia de Ostracina, sendo crucificado pelos pagãos. Deste modo, este magnânimo e genial apóstolo de Cristo tomou posse de sua habitação no Reino Celestial, para reinar eternamente com o Rei da Glória.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Grande Festa da Proteção da Santa Mãe de Deus - 01/14 out

Desde tempos imemoriais, a Igreja tem celebrado a Santíssima Mãe de Deus como padroeira e protetora do povo cristão que, por suas orações intercessoras, implora a misericórdia de Deus por nós, pecadores. O auxílio da Santíssima Mãe de Deus tem sido claramente manifesto várias vezes, tanto para indivíduos como para nações, na paz e na guerra, nos desertos monásticos e nas cidades densamente povoadas. O evento que a Igreja comemora e celebra hoje confirma a proteção contínua do povo cristão. No dia 1º. de outubro de 911, no reinado do Imperador Leão, o Sábio, houve uma vigília noturna na Igreja da Mãe de Deus de Blaquerné, em Constantinopla. A igreja estava lotada de gente. Santo André, o Louco por Cristo, estava de pé, no fundo da igreja, com seu discípulo Epifânio. Às quatro da manhã, a Santíssima Mãe de Deus apareceu acima das pessoas, segurando seu omofórion e estendendo-o como um manto protetor sobre os fiéis. Estava vestida em púrpura cravejada de ouro e irradiava-se com um inefável fulgor, rodeada pelos apóstolos, santos, mártires e virgens. Santo André disse ao Bem-aventurado Epifânio: "Vês, irmão, a Rainha e Senhora de tudo rogando por todo o mundo?" Epifânio respondeu: Sim, pai, e estou boquiaberto de espanto!" A Festa da Proteção da Mãe de Deus foi instituída para comemorar esse evento e para nos lembrar que podemos receber em oração a incessante proteção da Santíssima Mãe de Deus em quaisquer momentos de dificuldade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Santas Mártires Sofia e suas filhas, Fé, Esperança e Caridade, de Roma (+ c. 137) - 17/30 set

Todas viveram e sofreram em Roma, durante o reinado do Imperador Adriano. Sofia era sábia, como indica seu nome. Caíra na viuvez e firmara bem a si própria e a suas filhas na fé cristã. Quando a mão perseguidora de Adriano estendeu-se até sobre a virtuosa casa de Sofia, Fé tinha apenas doze anos de idade, Esperança tinha dez anos e Caridade, nove. Trazidas perante o imperador, as quatro seguravam as mãos uma das outras "como uma coroa entretecida"; humilde mas firmemente confessaram sua fé no Cristo Senhor e se recusaram a oferecer sacrifícios ao ídolo pagão de Ártemis. Antes de seus sofrimentos, a mãe exortou as filhas a perseverarem até o fim: "Vosso Noivo Celestial, Jesus Cristo, é a saúde eterna, a beleza inefável e a vida eterna. Quando vossos corpos forem mortos pela tortura, Ele vos revestirá de incorrupção e as chagas de vossos corpos brilharão nos céus como as estrelas." Os torturadores infligiram cruéis torturas a uma de cada vez, primeiro a Fé, depois a Esperança e depois a Caridade. Espancaram-nas, açoitaram-nas, atiraram-nas às chamas e ao piche fervente e, finalmente, degolaram-nas com a espada, uma após a outra. Sofia levou os corpos mortos de suas filhas para fora da cidade e as enterrou honrosamente. Permaneceu em seu túmulo por três dias e três noites, orando a Deus. Em seguida, rendeu seu espírito a Deus, partindo para o Paraíso, onde as almas benditas de suas gloriosas filhas esperavam por ela.


Hino de Louvor
Sofia, toda-sábia, glorificou o Senhor,
Como um sacrifício a Ele, ofereceu três belíssimas filhas.
A suas filhas disse: "Não temais, filhas minhas;
Fortalecei-vos no Cristo, perseverai na Fé,
E não temeis torturas nem infortúnios cruéis.
Não chorais por vossos corpos – melhor é no céu.
Deus vos dará corpos maravilhosos no céu.
Não chorais por vossa beleza – com a beleza divina
Resplendecereis entre os anjos no Reino de Deus,
Como filhas do Rei dos Reis!
Não chorais pela vida – de que vale esta vida terrena?
Não passa de no máximo cem anos.
No céu, a vida sem fim vos aguarda:
Vida sem fim, vida sem início.
Não chorais pela companhia de amigos terrenos,
Pois a companhia dos Santos maravilhosos vos aguarda ali.
Nem a companhia de parentes mundanos vos deve fazer chorar –
Pois vossa parentela, nos céus, são os mártires gloriosos."
Assim a pia mãe instruía as suas santas filhas,
Enquanto, uma a uma, partiam elas para o céu:
Três pombas brancas, inocentes e puras,
Voaram ligeiras para o seio do Cristo.
E com sua alma elevada, sua mãe partiu atrás delas,
E juntou-se a suas filhas gloriosas no Paraíso;
E nosso misericordioso Deus recebe as suas orações.

Tropário
Como uma oliveira carregada dos seus frutos, venerável mártir Santa Sofia, tu cresceste nos átrios do Senhor e, por meio de nobres combates, ofereceste a Cristo o teu fruto mais dôce, as três filhas saídas do teu seio, Vera Esperança e Agápia. Ora com elas em benefício de todos nós.

A Beleza do Sagrado – 25 de setembro

O evento contou com a participação de membros do clero e fiéis das Igrejas ortodoxas antioquina (árabe), russa e grega, assim como estudantes africanos da República do Congo que são fiéis da Igreja de Alexandria (Egito), todos apresentaram amostras dos seus cantos litúrgicos. Tivemos também monges beneditinos que proporcionaram uma breve apresentação de Canto Gregoriano.

A exposição contou com a apresentação de 44 ícones produzidos pelo Atelier São Lucas e de um mosaico de São Jorge.

Inclusa na exposição, uma apresentação visual de todas as fazes da escritura de um ícone. Também estavam disponíveis textos e um cd a respeito da técnica, da história e da teologia do ícone.

D. Chrisóstomo pronunciou uma palestra a respeito de ícones famosos e sobre a pessoa que contempla o ícone.

O evento também proporcionou a oportunidade do público presente conhecer uma recém pintada composição mural, que traz a Santíssima Virgem. Na composição também temos a representação simbólica do prédio de nossa Igreja e de seus arredores que incluem a comunidade e o mar.

Também puderam ser apreciadas a nova pintura e iluminação do prédio da Catedral. E também o trabalho de jardinagem e paisagismo feito pelos próprios fiéis.

A festa contou com um bazar, um bistrô e um espaço infantil.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Grande Festa da Exaltação Universal da Venerável e Vivificante Cruz - 14/27 set

Neste dia, comemoram-se dois eventos relacionados com a Honorável Cruz do Cristo; o primeiro é a descoberta da Honorável Cruz no Gólgota, e o segundo é o retorno da Honorável Cruz a Jerusalém, vinda da Pérsia. Ao visitar a Terra Santa, a santa Imperatriz Helena decidiu encontrar a Honorável Cruz do Cristo. Um idoso judeu de nome Judá era o único que sabia onde estava a Cruz e, pressionado pela Imperatriz, revelou que a Cruz estava enterrada debaixo do templo de Vênus que o Imperador Adriano construíra sobre o Gólgota. A imperatriz ordenou que esse templo idólatra fosse demolido e, ao cavar fundo abaixo dele, descobriu três cruzes. Enquanto a imperatriz refletia sobre como haveria de verificar qual delas era a do Cristo, uma procissão fúnebre passava por perto. O Patriarca Macário disse ao povo para que depusessem as cruzes, uma de cada vez, sobre o morto. Enquanto a primeira e, depois, a segunda cruz foram postas sobre o cadáver, o defunto permaneceu como estava. Quando lhe depuseram a terceira cruz, o morto voltou à vida. Foi assim que descobriram que esta era a Preciosa e Vivificante Cruz do Cristo. Então depuseram a Cruz sobre uma mulher enferma e ela ficou sã. O Patriarca ergueu a Cruz para que todas as pessoas pudessem vê-la, e o povo, entre lágrimas, cantou: "Senhor, tem piedade!" A Imperatriz Helena mandou fazer uma urna de prata e nela dispôs a Venerável Cruz. Tempos mais tarde, o imperador persa Cosroés conquistou Jerusalém, escravizou muita gente e levou a Cruz do Senhor à Pérsia. A Cruz permaneceu na Pérsia por quatorze anos. No ano 628, o Imperador grego Heráclio derrotou Cosroés e, com muita cerimônia, trouxe a Cruz de volta a Jerusalém. Enquanto adentrava na cidade, o imperador Heráclio carregava a Cruz nas costas; mas a certa altura, de repente, não conseguiu dar mais nenhum passo. O Patriarca Zacarias viu um anjo que impedia o imperador de conduzir a Cruz pela mesma trilha em que o Senhor caminhara descalço e humilhado. O Patriarca comunicou essa visão ao imperador. O imperador despiu-se de suas indumentárias e, descalço e em andrajos, tomou a Cruz, carregou-a ao Gólgota e depositou-a na Igreja da Ressurreição, para alegria e consolo de todo o mundo cristão.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A BELEZA DO SAGRADO II – 25 de setembro de 2010


A Igreja Ortodoxa do Brasil promove no dia 25 de setembro (sábado), a Segunda Edição do evento A Beleza do Sagrado, em Copacabana. O objetivo é difundir a cultura e a arte Ortodoxa, integrar cristãos ortodoxos e não ortodoxos e aproximar as Igrejas Ortodoxas do Rio de Janeiro.

Faz parte do evento a exposição de ícones produzidos pelo Atelier Ortodoxo São Lucas, apresentação de canto litúrgico, venda de artesanato e objetos religiosos, projeção de slides sobre a Arte do ícone, exibição de filmes e palestra sobre iconografia na Tradição Ortodoxa e o significado da imagem sagrada como representação pictórica artística e espiritual do Cristianismo Oriental.

Para quem não conhece a cultura cristã ortodoxa, é uma excelente oportunidade.

O Evento contará ainda também com um bistrô. Terá início às 16:00 hs e término previsto para às 21:00 hs.

Local: Catedral Ortodoxa da Santíssima Virgem Maria
Endereço: Rua Saint Roman 226, Copacabana.
Ingressos: R$ 10,00 (inteira),
Estacionamento com manobrista na garagem ao lado

O Atelier Ortodoxo São Lucas

Festa do Nascimento da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 08/21 set


A Santíssima Virgem Maria nasceu de pais idosos, Joaquim e Ana. Seu pai provinha da linhagem de Davi, e sua mãe da de Aarão. Deste modo, ela tanto tinha nascimento real por parte do pai quanto sacerdotal por parte de sua mãe. Nestes nascimentos, ela prefigurou Aquele que dela nasceria como Rei e Sumo Sacerdote. Seus pais eram muito velhos e não tiveram filhos, pelo que viviam envergonhados perante o povo e humilhavam-se diante de Deus. Em sua humildade, eles oravam a Deus em lágrimas para que Ele lhes trouxesse esta alegria em sua velhice, dando-lhes um filho, tal como Ele concedera essa alegria, Isaac, ao idoso Abraão e à sua esposa Sara. O Altíssimo Deus, que tudo vê, recompensou-os com uma alegria que ultrapassou todas as expectativas e os mais belos sonhos do idoso casal. Pois Ele lhes concedeu não apenas uma menina, mas a Mãe de Deus. Ele os iluminou não apenas com uma alegria temporal, mas também com a eterna. Deus deu-lhes apenas uma filha, que tempos mais tarde lhes daria um único neto – mas que filha e que neto! Maria, cheia de graça, Bendita és entre as mulheres, Templo do Espírito Santo, Altar do Deus Vivo, Mesa do Pão Celestial, Arca da Santidade de Deus, Árvore do Dulcíssimo Fruto, Glória da Raça Humana, Louvor da Feminilidade, Fonte da Virgindade e Pureza – eis a filha entregue por Deus a Joaquim e a Ana. Ela nasceu em Nazaré e, aos três anos de idade, foi levada ao Templo de Jerusalém. Em sua jovem feminilidade, ela retornou novamente a Nazaré, onde, breve tempo depois, ouviu a Anunciação do Santo Arcanjo Gabriel sobre o nascimento do Filho de Deus, o Salvador do mundo, de seu puríssimo corpo virginal.

Hino de Louvor
Imensamente desejada e longamente esperada,
Ó Virgem, foste obtida do Salvador por lágrimas!
Templo corporal do Santíssimo Espírito, tendes-te tornado,
E hás de ser chamada Mãe do Eterno Verbo.
Ardente Sarça, chamam-te,
Pois recebeste dentro de ti o Fogo Divino:
Inflamada em chamas, mas não consumida,
Gerarás o Dourado Fruto e oferecê-Lo-á ao mundo.
Serás a Portadora d'Aquele Que porta os céus,
A Quem, todos no céu levantam louvores!
Milagre dos milagres passar-Se-á dentro de ti,
Pois trouxeste o céu, tu que és "mais vasta do que os céus!"
És-nos a mais preciosa, ó Virgem, mais do que preciosas pedras,
Pois tu és a fonte de salvação da humanidade.
Por isso, que o universo Te glorifique,
Ó Santíssima Virgem, ó Alva Pomba!
O Rei dos Céus deseja entrar no mundo,
E passará por ti, ó Belíssimo Portal!
Ó Virgem, quando te tornares mulher gerará Cristo por nós;
De teu corpo, o Sol raiará.
Tropário da Natividade, t.4
O teu Nascimento, ó Puríssima Virgem, anunciou a alegria a todo o Universo, pois de ti nasceu o Sol de Justiça, o Cristo nosso Deus que, levantando a maldição, nos abençoou e, destruindo a morte, nos deu a Vida Eterna.
Kondakion da Natividade, t.4
Com o teu Nascimento, ó Puríssima Mãe, Joaquim e Ana libertaram-se da desonra da esterilidade, Adão e Eva da corrupção e da morte. O teu povo, também liberto da escravidão do pecado e que hoje festeja o teu Nascimento, exclama: “Aquela que era estéril deu à luz a Mãe de Deus e nossa Mãe”.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Degolação de São João Profeta, Precursor e Batista do Senhor - 29ago/11set


Herodes Antipas (filho do Herodes, que matou as crianças de Belém, na época do nascimento de Cristo) era governante da Galiléia, quando João, o Batista, estava pregando. Ele era casado com a filha de Aretas, um príncipe árabe. Mas, Herodes, um rebento maligno de uma raiz maldita, largou sua legítima esposa e infidedignamente tomou Herodias como sua concubina. Herodias era a esposa de seu irmão Felipe, que anda vivia. João, o Batista, levantou-se contra esta depravação e firmemente denunciou Herodes, que, por sua vez, lançou João à prisão. Durante um banquete em sua corte em Sebastia, na Galiléia, Salomé (filha de Herodias e Felipe) dançou diante dos convidados. Herodes, bêbado por causa do vinho, ficou tão inebriado pela dança que prometeu a Salomé qualquer coisa que ela lhe pedisse, até que fosse a metade seu reino. Persuadida por Herodias, ela pediu a cabeça de João, o Batista. Herodes, então, deu ordens aos guardas, João foi decapitado na prisão, e sua cabeça foi dada de presente a ela num prato. Os discípulos de João levaram o corpo de seu mestre à noite e honrosamente o enterraram, mas Herodias perfurou várias vezes a língua de João com um prego e enterrou sua cabeça num lugar impuro. O que veio a acontecer, mais tarde, à cabeça de João, o Batista, pode ser lido em 24 de fevereiro. Entretanto, a punição divina rapidamente caiu sobre o grupo de malfeitores. Príncipe Aretas, vingando-se da honra da filha, declarou guerra com seu exercito contra Herodes e derrotou-o. Derrotado, Herodes foi sentenciado pelo César Romano, Calígula, ao exílio (a princípio na Gália, mais tarde na Espanha). Herodes e Herodias viveram em extrema pobreza e humilhação no exílio, até que a terra abriu-se e engoliu-os. Salomé veio a ter uma terrível morte no Rio Sicaris (Sula) (veja “Reflexão” abaixo). A decapitação de São João ocorreu bem antes da Páscoa, mas estabeleceu-se sua celebração em 29 de agosto, porque uma igreja que havia sido construída sobre seu túmulo em Sebastia (pelo Imperador Constantino e a Imperatris Helena) foi consagrada em 29 de agosto. As relíquias dos discípulos de São João, o Batista – Eliseu e Audius – também foram depositadas nesta igreja.

Hino de Louvor
Ó São João, admirável Precursor,
Foste o Precursor do Glorioso Salvador,
Tua pureza tocou as almas humanas
E ressoou qual temível trombeta desde o Jordão.
Despertando os homens do sono e do vício da indolência,
Quando o machado estiver fincado à raiz da árvore.

A ti, eu me curvo; a ti, eu oro:
Ajuda-me a resistir a todos os ataques.
Ó mais poderoso de todos os profetas, a ti eu me curvo,
E, diante de ti, ponho-me de joelhos; diante de ti, eu rogo:
De teu coração, concede-me a força de um leão;
De teu espírito, concede-me o testemunho angélico.

Concede-me tua força, para que pela prática eu possa obter
Submissão a Deus e auto-controle,
Ser batizado pelo jejum, purificado pelas vigílias,
Adocicado pela oração e pela vista celestial;
Encarar qualquer martírio sem temor,
Com tua coragem e inabalável fé.

Ó São João, homem de Deus,
Glorioso Mártir da suprema justiça:
É a ti que os iníquos exércitos temem.
Não deixes de ouvir minha oração,
Para que eu possa apresentar-me, como uma verdadeira vela,
Diante do Senhor.

Reflexão
Se você observar a maneira em que uma pessoa morre, você descobrirá que a morte de um homem geralmente se assemelha a seu pecado: Pois todo aquele que tomar da espada pela espada morrerá (Mateus 26:52). Todo pecado é como uma faca, e os homens frequentemente são mortos pelo pecado que eles mais prontamente cometem. Um exemplo disso é o de Salomé – a tola filha de Herodias – que pediu e recebeu a cabeça de João Batista numa tigela. Vivendo na cidade espanhola de Lérida, com Herodes e Herodias exilados, Salomé cruzou, um dia, o rio congelado de Sicaris. O gelo, entretanto, quebrou, e ela afundou até a altura do pescoço. Fragmentos de gelo começaram a cercar seu pescoço, enforcando-a, e ela lutava sacudindo os pés na água, como certa vez ela dançara na corte de Herodes. Ela nem sequer conseguia erguer-se da água nem afundar, até que uma lâmina de gelo cortou-lhe a cabeça. A correnteza levou o corpo embora, mas sua cabeça foi levada a Herodias numa tigela, como outrora foi trazida a cabeça de João, o Batista. Observem o quão terrível uma morte assemelha-se ao pecado cometido.

Tropário, t. 2
A memória do justo é acompanhada de elogios, mas a ti Precursor, é suficiente o testemunho do Senhor; verdadeiramente te mostraste como o maior de todos os Profetas; tu foste digno de batizar nas águas do Jordão Aquele que eles haviam apenas anunciado; sobre a terra lutaste pela verdade, até nos Infernos, cheio de alegria, tu anunciaste o Deus manifestado na carne, que tira o pecado do mundo e nos concede a graça da salvação.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Grande Dodeca-Festa da Dormição da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 15/28 ago



O Senhor, Que no Monte Sinai, declarou o Quinto Mandamento, Honrará teu pai e tua mãe, mostrou com o próprio exemplo que se deve respeitar os pais. Pendurado na Cruz, em agonia, Ele Se lembrou de Sua Mãe e, apontando ao Apóstolo João, Ele Lhe disse: Mulher, eis o Teu filho. Depois disto, Ele disse a João: Eia a tua Mãe. E assim, cuidando de Sua Mãe, Ele deu o último suspiro. João possuía uma casa no Monte Sião, em Jerusalém, na qual, então, a Teotokos passou a morar. Ela morou lá até o fim de Seus dias sobre a terra. Com suas orações, gentil acompanhamento, humildade e paciência, ela imensamente assistiu os apóstolos do Filho. Ela passou a maior parte de sua vida restante sobre a terra em Jerusalém, geralmente visitando os lugares que A faziam lembrar dos grandes momentos e das grandes obras do Filho. Ela visitava especialmente o Gólgota, Belém e o Monte das Oliveiras. Já de Suas poucas viagens mais distantes, está registrada Sua visita a Santo Inácio, o Portador de Deus, em Antioquia; assim como Sua visita a Lázaro (aquele que o Senhor ressuscitou no quarto dia), Bispo de Chipre. Ela também visitou Monte Atos, que Ela abençoou; e Ela permaneceu em Éfeso com São João, o Evangelista, na época da grande perseguição aos cristãos em Jerusalém. Em Sua idade avançada, Ela geralmente orava a Seu Senhor e Deus no Monte das Oliveiras, o local da Ascensão, para que Ele A levasse deste mundo o mais breve possível. Numa dessas ocasiões, o Arcanjo Gabriel apareceu-Lhe e revelou-Lhe que Ela repousaria dentro de três dias. O anjo deu-Lhe uma ramo de palmeira, que deveria ser levado na procissão fúnebre d’Ela. Ela voltou para casa com grande alegria, trazendo em Seu coração a esperança de reencontrar os Apóstolos do Filho mais uma vez nesta vida. O Senhor realizou Seu desejo, e os apóstolos, trazidos pelos anjos nas nuvens, reuniram-se na casa do Monte Sião. Com imensa alegria, Ela os reencontrou, encorajou-os, aconselhou-os e confortou-os. Então, Ela, pacificamente, entregou Sua alma a Deus sem dores nem sofrimento físico. Os apóstolos conduziram-Na em Seu caixão, do qual exalava uma fragrância celestial. E, na companhia de muitos cristãos, carregaram o caixão ao Jardim do Getsêmani, ao sepulcro de Seus pais, Santos Joaquim e Ana. Pela Providência Divina, a procissão foi cancelada por uma turba de ímpios judeus. Mesmo quando Afitônio, um sacerdote judeu, agarrou o caixão a fim de virá-lo, um anjo de Deus prendeu-lhe as duas mãos. Ele, por sua vez, clamou aos apóstolos por ajuda e foi curado, declarando sua fé no Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo Tomé estava ausente – novamente, por Divina Providência – a fim de que um novo e gloriossíssimo mistério da Santa Teotokos fosse revelado. Tomé chegou apenas no terceiro dia e desejou venerar o corpo da Santa Puríssima. Porém, quando os apóstolos abriram o sepulcro, eles encontraram somente o sudário. O corpo não estava mais no túmulo! Naquela noite, a Teotokos, cercada pelo exército de anjos, apareceu aos apóstolos e disse-lhes: “Regozijai-vos! Eu estarei convosco para sempre.” Quanto à idade da Teotokos na ocasião de Sua Dormição, não se sabe exatamente, mas a opinião geral é a de que Ela ultrapassava os sessenta anos de idade.

Hino de Louvor
Assim falou o Pontentíssimo Senhor:
“De Teu coração, Virgem Pura,
Correrá água viva,
Os sedentos beberão Cristo.”
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Os sedentos beberão Cristo.
Por Ele, o amargo se torna doce;
Por Ele, a dor dos angustiados é sanada.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Doce bebida jorrada da eternidade,
Córrego que inunda nossa árida idade,
Mais uma vez, aos Céus, elevada,
Nosso mundo ressequido refresca-se.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Glória a Ti, Puríssima!
Glória a Ti, Mãe de Deus!
Geraste para nós o Cristo Vivente,
A Água Viva da graça!
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Reflexão
Cada fiel pode aprender alguma coisa – de fato, muita coisa – a partir da vida da Virgem Teotokos. Eu queria mencionar duas coisas. Primeiro, Ela frequentemente ia ao Gólgota, ao Monte das Oliveiras, ao Jardim do Getsêmani, Belém e aos outros lugares que ainda traziam a fragrância de Seu Filho. Ela orava de joelhos em todos esses lugares, especialmente o Gólgota. Deste modo, Ela deu o primeiro exemplo e ímpeto aos fiéis a visitarem os santos lugares por amor Àquele Que, por Sua presença, paixão e glória, tornou esses mesmos lugares santos e significantes. Também, aprendemos como Ela orava por uma breve partida desta vida, para que, quando se separasse de Seu corpo, Sua alma não encontrasse o príncipe da escuridão, seus horrores; e, escondido das regiões tenebrosas, Ela não visse a punição dos enegrecidos pelo pecado. Vês o quanto é terrível para a alma atravessar as Mansões de Provação? Se Ela – que deu a luz ao Destruidor do Hades e que possuía tremendo poder sobre os demônios – assim orava, o que nos resta, então? Por extrema humildade, Ela Se entregou a Deus e não confiou em Suas próprias obras. Portanto, muito menos devemos confiar em nossas obras e mais ainda entregarmos às mãos de Deus, clamando por Sua misericórdia, especialmente no momento em que alma partir do corpo.

Tropário, t.2
Conservando intacta a glória da tua virgindade, tu deste à luz o Verbo de Deus. Na tua Dormição, tu não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus. Tu te juntaste a Fonte da vida, tu que concebeste o Deus vivo, e que pelas tuas orações resgatas as nossas almas da morte

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Grande Dodeca-Festa da Transfiguração de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo – 06/19 ago


No terceiro ano de Sua pregação, com bastante freqüência o Senhor Jesus falava aos seus discípulos sobre Sua paixão próxima, como também de Sua glória que se seguiria ao Seu sofrimento na Cruz. Para que Sua inevitável paixão não desolasse completamente Seus discípulos e para que ninguém desviasse d’Ele, Ele, o Todo-Sábio, queria mostrar-lhes uma porção de sua divina glória antes de Sua paixão. Por esta razão, Ele tomou consigo Pedro, Tiago e João e, à noite, foi ao Monte Tabor, onde Ele foi transfigurado diante dos discípulos. Sua face reluziu como o sol, e suas vestimentas tornaram-se brancas como a luz (Mateus 17:2). Moisés e Elias, os grandes Profetas do Antigo Testamento, também Lhe apareceram. Vendo isto, Seus discípulos ficaram estupefatos. Pedro disse: Senhor, é bom estarmos aqui! Se desejares, façamos aqui três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias (Mateus 17:4). Pedro ainda falava, quando Moisés e Elias partiram, e uma nuvem luminosa envolveu o Senhor e Seus discípulos. Da nuvem, provinha uma voz que dizia: Este é o Meu Filho bem-amado, em quem Me comprazo; escutai-O (Mateus 17:5). Ouvindo à voz, os discípulos caíram com face por terra, como mortos, e permaneceram neste estado, prostrados de medo, até que o Senhor chegou a eles e disse: Levantai e não tende medo (Mateus 17:7). Por que o Senhor levou somente três discípulos, e não todos, ao Tabor? Porque Judas não era digno de contemplar a divina glória do Mestre, quem ele trairia; e o Senhor não o queria sozinho no sopé da montanha, para que o traidor não justificasse sua traição por causa disso. Por que Se transfigurou Nosso Senhor numa montanha e não num vale? Para ensinar-nos duas virtudes: amor ao trabalho e pensamentos santos – pois escalar ao alto requer esforço, e as próprias alturas representam a elevação de nossos pensamentos às coisas de Deus. Por que Nosso Senhor transfigurou-Se à noite? Porque a noite é bem mais adequada do que o dia para a oração e aos bons pensamentos; e a noite, com sua escuridão, oculta toda a beleza da terra e revela a beleza dos céus estrelados. Por que Moisés e Elias apareceram? A fim de destruir a falácia judia de que Cristo era um dos profetas – Elias, Jeremias ou outro. Eis porque Ele apareceu como Rei, acima dos profetas, e Moisés e Elias como servos. Até este momento, nosso Senhor manifestou Seu poder aos discípulos em muitas ocasiões, mas, no Monte Tabor, Ele manifestou Sua natureza divina. A visão de Sua Divindade e o ouvir do celestial testemunho de ser Ele o Filho de Deus deveriam servir aos discípulos nos dias da paixão do Senhor – no fortalecimento de uma fé inabalável n’Ele e na Sua vitória final.

Reflexão
Por que Nosso Senhor, no Tabor, não manifestou Sua divina glória a todos os discípulos, ao invés de apenas três deles? Primeiro, Ele Mesmo concedeu a Lei pela boca de Moisés: Pela boca de duas ou três testemunhas, estebelecer-se-á a questão (Deuteronômio 19:15). Deste modo, três testemunhas são suficientes. Estas três testemunhas representam as três principais virtudes: Pedro – a Fé, pois ele foi o primeiro a confessar sua fé como o Filho de Deus; Tiago – a Esperança, pois com a fé na promessa de Cristo, ele foi o primeiro que renegou sua vida pelo Senhor, sendo o primeiro a ser morto pelos judeus; João – o Amor, pois ele repousou a cabeça sobre o peito do Senhor e permaneceu ao pé da Cruz do Senhor até o fim. Deus não é chamado o Deus de muitos, mas o Deus dos escolhidos. Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e Jacó (Êxodo 3:6). Muitas vezes, Deus valorizou um simples fiel do que uma nação inteira. Assim, em muitas ocasiões, desejou Ele destruir a nação judaica inteira, porém – pelas orações do justo Moisés – Ele poupou a nação, para que esta pudesse existir. Deus atentou mais ao fiel Profeta Elias do que a todo o reino incrédulo de Acab. Em atenção às orações de um único homem, Deus salvou cidades e povos. Por conseguinte, a cidade pecadora de Ustiug seria eliminada pelo fogo e granizo, se não fosse salva pelas orações do único homem justo que nela residia, São Procópio, o Loco-por-Cristo (8 de Julho).

Tropário, t.7
Ó Cristo, nosso Deus, que Te transfiguraste sobre o monte Tabor, mostrando a Teus discípulos a Tua glória, tanto quanto lhes era possível contemplá-la, faz brilhar também sobre nós pecadores a Tua Luz eterna, pelas orações da Mãe de Deus. Glória a Ti, Senhor, que nos fizeste ver a verdadeira Luz!

Kondakion, t. 7
Ó Cristo, nosso Deus, Tu Te transfiguraste sobre o monte, mostrando a Teus discípulos a Tua glória, tanto quanto lhes era possível contemplá-la, a fim de compreenderem, quando Te vissem crucificado, que aceitaste livremente a Tua Paixão e anunciarem ao mundo que Tu és verdadeiramente o esplendor

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os Santos Apóstolos Pedro e Paulo – 29 de junho/ 12 de julho


No tempo após o Pentecostes consideramos algumas festas liturgicamente secundárias. Voltemos agora às três grandes festas deste período. A primeira pela data (29 de junho/12 de julho) é a dos Apóstolos Pedro e Paulo. Existe um estreito laço espiritual entre esta festa e a do Pentecostes, pois o testemunho dos apóstolos é o fruto direto da descida do Espírito Santo sobre eles. A importância da festa de São Pedro e São Paulo no ciclo litúrgico bizantino é indicada pelo fato de uma quaresma especial - chamada de “quaresma dos apóstolos” - prepara os fiéis para esta solenidade. Este período de jejum começa na 2ª feira que se segue ao 1º domingo após o Pentecostes e termina no dia 28 de junho/11 de julho.

“Exaltemos Pedro e Paulo, estes dois luzeiros da Igreja pois eles brilham no firmamento da fé...” Assim cantamos nas vésperas da festa, na noite de 28 de junho. Nas matinas como nas vésperas os hinos parecem partilhar igualmente o louvor entre os dois apóstolos, a quem nos dirigimos um a cada vez. Entretanto o evangelho lido nas matinas trata especialmente sobre o apóstolo Pedro. Aí ouvimos nosso Senhor (Jo. 21,14-25) perguntar três vezes a Pedro: “Tu me amas?”. Na primeira vez Jesus diz: “Tu me amas mais do que estes?” Três vezes Pedro responde com uma humildade às vezes triste e às vezes chorosa: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. E três vezes Jesus lhe diz para apascentar o rebanho do Bom Pastor: “Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas...” Depois Jesus prediz a Pedro de maneira velada “o gênero de morte pelo qual Pedro devia glorificar a Deus”. Este evangelho tem duas coisas para nos dizer. Primeiro, coloca claramente a pergunta única, pergunta que temos e que teremos que responder: “Tu me amas?” Tudo, na vida cristã, se reduz a esta pergunta. Podemos nós responder como Pedro: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo?” Não seriam nossas ações um lamentável desmentido desta afirmação? Entretanto responder simplesmente que não amamos o Senhor seria desconhecer e sufocar as aspirações - por mais fracas que sejam - que o Espírito Santo põe em nossos corações e dirige para Cristo. Digamos, então, a Jesus: “Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo. Não espero nada de mim; espero tudo da Graça”. O segundo ensinamento dado por este evangelho concerne a natureza da autoridade na Igreja. O Senhor confere aqui a Pedro uma autoridade especial. Percebemos primeiro que esta autoridade está fundamentada sobre uma primazia do amor - “tu me amas mais do estes?” - e em seguida que ela consiste em um serviço humilde e desinteressado - “apascenta minhas ovelhas...”. Entre cristãos toda preeminência que não for uma preeminência de amor e de serviço não corresponde às intenções de nosso Senhor. Toda autoridade que, na Igreja, se expressasse em termos de prestígio ou de posse material ou de domínio tornar-se-ia estranha e hostil à solicitude verdadeiramente pastoral à qual Jesus chama Pedro para participar. Sobre estas palavras do Senhor a Pedro serão julgados todos aqueles que reivindicam uma autoridade no seio da comunidade dos fiéis.

A liturgia de 29 de junho/ 12 de julho manifesta, pelos textos que nos faz ouvir, o quanto o ministério de Pedro e o de Paulo são todos dois necessários e complementares. O evangelho (Mt.16,13-19) contém a confissão de Pedro em Cesaréia de Filipos: “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo...” e a resposta de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja, e as Portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Este texto levantou muitas controvérsias. Mas permanece certo que Jesus quis reconhecer e sancionar pela concessão de um poder espiritual eminente, o ato de Fé que Pedro acabava de formular. A epístola (2Co.11,21-12;9) - da qual ouvimos a maior parte no 19º domingo após o Pentecostes - enumera os títulos de Paulo, chamado diretamente ao apostolado por Cristo, foi considerado como igual ou mesmo superior em autoridade aos ministros do Evangelho já regularmente instituídos e reconhecidos: “Eles são ministros de Cristo?...Eu, mais do que eles...” Paulo fundamenta esta afirmação de um lado pelos sofrimentos que enfrentou, de outro pelas graças e revelações que lhe foram concedidas. Um estudo atento das relações dele com os Onze pode ensinar-nos muito sobre a questão da autoridade na Igreja. Paulo nunca levantou-se contra o elemento institucional representado pelo apostolado “histórico” dos Onze. Ele recebeu a imposição de mãos daqueles que já eram reconhecidos como possuindo o Espírito Santo. Ele submeteu à aprovação da Igreja reunida em Jerusalém seus próprios métodos de apostolado. Mas jamais admitiu nem que sua vocação extraordinária fosse inferior à vocação normal dos outros apóstolos, nem que seu conhecimento de Cristo, todo espiritual e recebido pela graça, fosse menor que o conhecimento que tinham de Jesus os seus primeiros discípulos; nem que ele devesse sacrificar suas próprias convicções face ao mais autorizado dos apóstolos: “quando Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe em face, porque ele estava errado”. Quanto mais a Igreja for dominada pelo Espírito Santo, mais ela ultrapassará toda tensão entre autoridade regularmente adquirida e a liberdade espiritual. Uma síntese deve estabelecer-se entre a tradição e a inspiração. Pedro e Paulo não podem ser separados; e é por isso que a Igreja os comemora no mesmo dia. Digamos com ela: “Rejubila, ó Apóstolo Pedro, tu, o grande amigo do Mestre, Cristo nosso Deus. Rejubila bem amado Paulo, pregador da fé e doutor do universo. Por isso, intercedei junto a Cristo nosso Deus pela salvação de nossas almas”.

A Igreja quer associar todos os outros apóstolos à homenagem que ela presta a Pedro e Paulo. Assim, no dia 30 de junho, ela dedica à comemoração coletiva dos Doze. Como diz o Kondakion do dia: “... comemorando hoje a sua memória, nós glorificamos Aquele que os glorificou”.
Tropário dos Apóstolos, t. 4
Príncipes dos divinos Apóstolos e doutores do Universo, intercedeis junto do Mestre Universal para que ao mundo Ele dê a Paz e que conceda às nossas almas a graça da salvação.
Kondákion dos Apóstolos, t. 2
Os infalíveis pregadores da palavra de Deus, os Corifeus dos teus Apóstolos, Senhor, encontraram junto de ti o lugar do seu repouso, no usufruto dos Teus bens, pois Tu acolheste os seus sofrimentos e suas mortes melhor que outra oferenda das primícias da terra, Tu, O único que pode ler o coração dos homens.
Extraído de “L’An de Grace du Seigneur” - Ed. du Cerf, 1988
Boletim Interparoquial, Julho de 2002

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Grande Festa da Ascenção de Nosso Senhor Jesus Cristo - 13 maio/30 abril


Essa festa já se encontrava instituída e era celebrada em Jerusalém no século IV. Tem por objetivo o triunfo do Salvador que, corporalmente, adentra aos céus para, Ele próprio, assentar nossa humanidade sobre o Trono Divino.

É portanto, para nós também, um dia triunfal: por nossa união com o Cristo, na unidade de Seu Corpo místico, fazemos igualmente nossa entrada no céu, pelo menos em direito, esperando que o Senhor venha novamente para julgar o universo e chame seus eleitos, para introduzi-los em Seu Reino.
Tropário, t.4
Tu foste elevado em glória, ó Cristo nosso Deus, enchendo de alegria Teus Discípulos com a promessa do Espírito Santo e confirmando-os pela bênção, pois Tu és o Filho de Deus, o Salvador do mundo.
Kondákion, t.6
Tendo realizado em nosso favor Tua obra de salvação, após haver unido os céus e a terra e os homens a Deus, Tu Te elevaste em glória para o céu, ó Cristo nosso Deus, sem nos abandonar mas permanecendo entre nós, garantindo para aqueles que Te amam: “Eu estou sempre convosco e ninguém poderá nada contra vós”.

terça-feira, 2 de março de 2010

O Segundo Domingo da Grande Quaresma - Domingo de São Gregório Palamas


Evangelho do primeiro domingo de quaresma termina com uma alusão ao mistério dos anjos. E são também os anjos que a Epístola de hoje evoca (Hb. 1, 10-2; 3). O texto sagrado compara o mistério àquele infinitamente maior, do próprio Salvador. Se a desobediência às mensagens que os anjos nos transmitem é justamente punida, quão mais seria punido o homem que negligencia a salvação anunciada e trazida pelo Cristo! Pois “a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés”?
Evangelho de hoje (Mc. 2, 1-12), relata a cura do paralítico de Cafarnaum. Jesus perdoa-lhe seus pecados e, como os escribas assombram-se de que outro que não Deus possa perdoar os pecados, ele responde: “Qual é mais fácil dizer ao paralítico?: estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: levanta-te, e toma o teu leito e anda?... para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, a ti te digo: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. O tema central deste episódio é a força tanto de perdão quanto de cura que possui o Senhor Jesus, A seguir, há a afirmação - mais ainda: a demonstração - de que a cura e o perdão não devem ser separados. O paralítico, deitado sobre seu leito foi colocado aos pés de Cristo. Ora, a primeira palavra de Jesus não foi: “Sê curado!”, porém: “Teus pecados te são perdoados”. Em nossos males físicos, antes mesmo de pedir por nossa libertação material nós devemos orar por nossa purificação interior, pela absolvição de nossas faltas. Jesus, enfim, ordena ao paralítico curado,de levar sua cama para casa. De um lado, a multidão seria convencida da realidade do milagre se visse esse homem tornado forte o bastante para carregar seu leito. De outro lado, aquele que foi perdoado, interiormente modificado por Jesus, deve mostrar aos de sua casa, por qualquer sinal evidente (não mais por carregar um leito, porém, por palavras, atos e atitudes), que ali está um homem novo que retoma seu ligar em seu ambiente.

Notaremos que a Epístola e o Evangelho desse dia não possuem nenhuma relação com São Gregório Palamas, apesar do calendário associar seu nome ao segundo domingo de Quaresma. É que a comemoração de Palamas só foi introduzida no século XIV quando a estrutura litúrgica desse domingo já encontrava-se fixadas segundo outras linhas. A memória de São Gregório Palamas é evocada nos ofícios de Vésperas e Matinas. São Gregório Palamas expôs e defendeu, no decorrer de vivas controvérsias, a doutrina teológica relativa à “Luz” divina. Os textos do ofício não entram nos detalhes ou precisões sobre os conceitos próprios a Palamas, mas falam de uma maneira geral da luz e D’Aquele que disse: “Eu sou a luz do mundo”. Em um resumo bastante substancial, um dos textos de Matinas associa três idéias: a do Cristo que ilumina os pecadores e da abstinência de Quaresma e a da palavra “levanta-te”, que o Salvador dirigiu ao paralítico e que nós dirigimos agora à ele próprio: “Tu trouxeste, Ó Cristo, a luz àqueles que viviam nas trevas do pecado, neste tempo de abstinência. Mostra-nos então o dia glorioso de Tua Paixão, afim de que possamos clamar à Ti: Levanta-Te, ó Deus, e tem piedade de nós!”

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Apresentação no Templo da Santa Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 21 nov/04 dez


Nesse dia festejamos a Entrada no Templo da Mãe de Deus. Foi quando Joaquim e Ana, seus pais, a conduziram ao Templo, em cumprimento à promessa que haviam feito antes de Seu nascimento, de consagrarem-na a Deus. Maria contava, então com 3 anos.

Joaquim fez convocar jovens raparigas entre os hebreus de raça pura, a fim de escoltá-la com tochas e precedê-la em direção ao Templo, para que, trazida pela luz, a criança não fosse tentada a voltar atrás em busca de seus pais. Porém, a Santa Virgem, Toda Pura ultrapassa as virgens de sua escolta e, sem um único olhar ao mundo, lança-se aos braços do Sumo-Sacerdote Zacarias, que a esperava sob o pórtico, em companhia dos anciãos. Zacarias a abençoou dizendo: “O Senhor glorificou teu nome de geração em geração. É em ti que, nos últimos dias, Ele revelará a Redenção que preparou para seu povo”. E, coisa inaudita para os homens da Antiga Aliança, ele faz a criança entrar no Santo dos Santos, onde somente entrava o Sumo-Sacerdote uma vez por ano, no dia da Festa da Expiação. Sentou-a no terceiro degrau do Altar e o Senhor fez descer a Sua graça sobre ela, que se levantou e pôs-se a dançar a fim de expressar sua alegria. Todos os presentes maravilharam-se contemplando esse espetáculo promissor das grandes maravilhas que Deus em breve realizaria nela.

Tendo, dessa forma, abandonado o mundo, seus pais e qualquer ligação com as coisas sensíveis, a Santa Virgem permaneceu no Templo até a idade de 12 anos, quando os sacerdotes e anciãos confiaram-na a José, para que fosse o guardião de Sua virgindade, tornando-se seu noivo.

Quando a Mãe de Deus penetrou no Santo dos Santos, o tempo de preparação e de provação da Antiga Aliança teve fim e, nesse dia, celebramos os esponsais de Deus com a natureza humana. Eis porque a Igreja rejubila e exorta a todos a retirarem-se também ao templo de seus corações, a fim de preparar a vinda do Senhor, pelo silêncio e pela oração.

A imagem de Maria ultrapassando as ordens angélicas reencontram-se no hino cantado na Liturgia de São João Crisóstomo e repetido em cada celebração: “Verdadeira é digno e justo que te bendigamos, ò bem aventurada Mãe de Deus! Tu mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins, deste à luz o Verbo de Deus conservando intacta a glória da tua virgindade. Nós te glorificamos, ó Mãe do nosso Deus”.

A Igreja escolheu coloca essa Festa no início do Advento, período onde nós revivemos a espera do Messias pelo Povo Judeu. Maria representa toda Israel, Ela engloba em Sua pessoa, a espera, Ela realiza a Promessa.
Tropário da Apresentação, t.4
Hoje é o prólogo da benevolência de Deus e a proclamação antecipada da salvação dos homens. No Templo de Deus a Virgem é apresentada para anunciar à todos os homens a vinda do Cristo. Em sua honra, nós também, à plena voz cantamos-lhe: Rejubila-te, ó Virgem em quem se realiza o plano do Criador.

Kondákion da Apresentação, t. 4
O Templo puríssimo do Salvador, Sua preciosa câmara nupcial, a sempre Virgem, tesouro sagrado da glória de Deus, é hoje conduzida à casa do Senhor, transportando n’Ela a graça do Espírito Divino e diante dela os Anjos de Deus cantam: “É este o Tabernáculo Celeste!”

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Santo Apóstolo Filipe

Filipe nasceu em Betsaida, às margens do Mar da Galiléia, tal como Pedro e André. Instruído nas Sagradas Escrituras desde a juventude, Filipe respondeu imediatamente ao chamado do Senhor Jesus e O seguiu (João 1:43). Após a descida do Espírito Santo, Filipe pregou com zelo o Evangelho por muitas regiões da Ásia e da Grécia. Na Grécia, os judeus quiseram matá-lo, mas o Senhor o salvou por meio de Seus poderosos milagres. Dessa forma, um alto sacerdote judeu que corria rumo a Filipe para espancá-lo foi subitamente cegado e ficou completamente negro. Houve então um grande terremoto, a terra se abriu e engoliu o pérfido perseguidor de Filipe. Muitos outros milagres se manifestaram, especialmente a cura dos doentes, pelos quais muitos pagãos acreditaram no Cristo. Na cidade frígia de Hierápolis, São Filipe se viu num trabalho evangélico conjunto com sua irmã Mariana, São João o Teólogo e o Apóstolo Bartolomeu. Nessa cidade havia uma serpente perigosa que os pagãos alimentavam cuidadosamente e adoravam como um deus. O apóstolo de Deus matou a serpente pela oração, como que por uma lança, mas incorreu também na ira do povo ignorante. Os pérfidos pagãos capturaram Filipe e o crucificaram de cabeça para baixo em uma árvore; depois crucificaram Bartolomeu também. Nisso, a terra se abriu e engoliu o juiz e muitos outros pagãos com ele. Com grande temor, o povo correu para resgatar os apóstolos crucificados, mas apenas Bartolomeu ainda estava vivo; Filipe já havia expirado. Bartolomeu ordenou Estáquio bispo para aqueles a quem ele e Filipe haviam batizado. Estáquio fora cego por quarenta anos; Bartolomeu e Filipe haviam-no curado e batizado. As relíquias de Filipe foram mais tarde trasladadas para Roma. Esse admirável apóstolo padeceu no ano de 86, ao tempo do Imperador Domeciano.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla

João nasceu em Antioquia no ano de 354 A.D., de seu pai, o Comendador Segundo e sua mãe Antusa. Estudando a filosofia grega, João ficou enojado com o paganismo helênico e adotou a Fé Cristã como a verdade que tudo abrange. Melécio, Patriarca de Antioquia, batizou João e, depois disso, seus pais também receberam o batismo. Após a morte de seus pais, João foi tonsurado monge e começou a viver uma vida de ascetismo intenso. Ele então escreveu um livro "Sobre o Sacerdócio" após o que os santos Apóstolos João e Pedro apareceram para ele, profetizando para ele um grande serviço, grande graça, mas também um grande sofrimento. Na altura em que ele seria ordenado padre, um anjo de Deus apareceu ao mesmo tempo para o Patriarca Flaviano (sucessor de Melécio) e para o próprio João. Enquanto o Patriarca deitava suas mãos sobre João (ordenando-o), todos viram uma brilhante pomba branca sobre a cabeça de João. Glorificado pela sua sabedoria, ascetismo e poder com as palavras, João foi escolhido, segundo desejo do Imperador Arcádio, como Patriarca de Constantinopla. Como patriarca, ele governou a Igreja por seis anos com zelo e sabedoria inigualáveis. Ele enviou missionários aos pagãos celtas e citas; erradicou a simonia na Igreja, depondo muitos bispos – os simonistas; ele ampliou as obras de caridade da Igreja; escreveu uma ordem especial da Divina Liturgia; envergonhou os heréticos; denunciou a Imperatriz Eudóxia; interpretou as Santas Escritura com sua mente e língua douradas e legou à Igreja muitos livros preciosos com suas homilias. O povo o glorificava, os invejosos o abominavam e a Imperatriz, em duas ocasiões, o mandou para o exílio. João passou três anos no exílio e morreu na Festa da Elevação da Venerável e Santa Cruz, 14 de setembro de 407, na cidade de Comana na Armênia. Antes da sua morte, os Santos Apóstolos João e Pedro lhe apareceram novamente, assim como o Santo Mártir Basilisco (22 de maio) na igreja de quem ele recebeu Comunhão pela última vez. Suas últimas palavras foram: "Glória a Deus por todas as coisas!" E com essas palavras a alma do patriarca de boca de ouro foi levada ao Paraíso. Quanto às relíquias de Crisóstomo, sua cabeça repousa na igreja da Dormição em Moscou e seu corpo no Vaticano, em Roma.

Hino de Louvor
A Igreja glorifica São João,
"A Boca de Ouro", abençoada por Deus,
Grande soldado de Cristo,
Que é o adorno e o orgulho da Igreja:
Profundo de coração e de mente,
E, com palavras, uma harpa de cordas de ouro.
Sondou as profundezas dos mistérios
E encontrou a pérola que brilha como as estrelas.
Exaltado em espírito até as alturas dos céus,
Expôs a verdade divina,
E sua visão é verdadeira por toda a história.
Ele deu tudo ao Filho de Deus.
Revelou-nos os horrores do pecado
E as virtudes que adornam o homem;
Mostrou-nos os mistérios mais preciosos
E toda a doce riqueza do Paraíso.
Evangelista, intérprete do Evangelho,
E portador da alegria espiritual,
Zeloso por Cristo como um apóstolo,
Não aceitava nenhuma injustiça.
Foi supliciado como qualquer mártir,
E recebeu seu suplício como um penhor de salvação.
Esse Servo de Cristo mostrou-se verdadeiro;Portanto, a Igreja glorifica Crisóstomo.

Reflexão
Punição e recompensa! Ambos estão nas mãos de Deus. Mas, como essa vida terrena é apenas uma sombra da verdadeira vida no céu, então punição e recompensa aqui são apenas uma sombra da verdadeira punição e recompensa da eternidade. Os principais perseguidores de Crisóstomo, o santo de Deus, foram Teófilo, Patriarca de Alexandria e a Imperatriz Eudóxia. Após a morte por martírio de Crisóstomo, uma grande punição recaiu sobre eles, a saber, Teófilio ficou maluco e a Imperatriz Eudóxia foi banida da corte imperial pelo Imperador Arcádio. Eudóxia rapidamente ficou doente de uma enfermidade incurável e feridas se abriram por todo o seu corpo e vermes saltavam de suas feridas. Tal era o fedor que emanava dela que não era fácil sequer para uma pessoa na rua passar pela sua casa. Os médicos usaram todas as melhores fragrâncias e aromas, mesmo incenso, tanto quanto era possível, para eliminar o odor da perversa imperatriz, mas não tiveram grande êxito e a imperatriz acabou morrendo no fedor e em agonia. Mesmo após a morte a mão de Deus caiu com peso sobre ela. O caixão com seu corpo sacudia noite e dia durante trinta e quatro dias até que o Imperador Teodósio trasladou as relíquias de São Crisóstomo para Constantinopla. E o que aconteceu a Crisóstomo após a morte? Recompensa – recompensa como somente Deus pode conceder. Adelfo, o bispo árabe, que recebeu o exilado Crisóstomo na sua casa em Cucuso, orou a Deus após a morte do santo para que Ele lhe revelasse onde a alma de João poderia ser encontrada. Certa vez, enquanto orava, Adelfo, como se estivesse fora de si, viu um jovem radiante que o conduziu pelos céus e o mostrou, em ordem, todos os hierarcas, pastores e mestres da Igreja, chamando cada um pelo nome, só que ele não viu João. Então, o anjo de Deus o levou para a saída do Paraíso e Adelfo se entristeceu. Quando o anjo lhe perguntou a razão de sua tristeza, Adelfo respondeu que sentia muito não ter visto seu amado mestre, João Crisóstomo. O anjo respondeu: "Nenhum homem que ainda esteja na carne pode vê-lo, pois ele está no trono de Deus com os Querubins e Serafins".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Santa igual aos Apóstolos, Tecla, a Protomártir de Icônio (Séc.I)

Tecla nasceu em Icônio, de pais eminentes, mas pagãos. Aos dezoito anos, tornou-se noiva de um jovem, na mesma época em que o Apóstolo Paulo chegou em Icônio com Barnabé para pregar o Evangelho. Ouvindo o testemunho de Paulo por três dias e três noites, Tecla se converteu à Fé Cristã e fez voto de viver em virgindade. Sua mãe, ao ver que ela agora ignorava seu noivo e não pensava mais em casamento, tentou dissuadi-la; mais tarde a espancou e a torturou por meio da fome. Enfim, essa mãe pérfida entregou Tecla ao juiz e exigiu que Tecla fosse queimada. O juiz a lançou ao fogo, mas Deus a conservou incólume. Depois disso, Tecla seguiu o Apóstolo Paulo e foi a Antioquia com ele. Atraído pela beleza exterior de Tecla, um certo ancião da cidade quis tomá-la para si a força, mas Tecla escapou de suas mãos. O velho pagão a denunciou ao eparca como uma cristã que desprezava o casamento. O eparca a condenou à morte e fez com que fosse lançada às feras selvagens; mas as feras selvagens não tocaram o corpo dessa virgem santa. Assombrado com isso, o eparca lhe perguntou: "Quem és tu e que espécie de poder habita em ti, que nada consegue te fazer mal?" Tecla respondeu: "Sou uma serva do Deus Vivo." O eparca então a libertou e ela partiu para pregar o Evangelho. Conseguiu converter muitos à verdadeira Fé, entre os quais Trífena, viúva proeminente e honrada. Mais tarde, com as bençãos do Apóstolo Paulo, ela partiu para um lugar isolado perto de Selêucia. Ali viveu por longo tempo uma vida de ascetismo e, por curar os doentes com um poder miraculoso, converteu muitos ao Cristianismo. Os médicos e adivinhos de Selêucida tinham inveja dela e enviaram alguns jovens para a deflorarem, esperando que a perda de sua virgindade significasse também a perda de seu poder miraculoso. Tecla fugiu desses jovens arrogantes, mas quando estavam prestes a apanhá-la, rogou a Deus por socorro. Uma grande rocha se abriu e ocultou essa santa virgem e noiva do Cristo. Essa rocha foi o seu refúgio e a sua sepultura. Dessa maravilhosa heroína e santa cristã, São João Crisóstomo diz: "Parece-me quase que vejo essa bendita virgem: numa mão ela oferece a Cristo a virgindade e, na outra, o martírio."

sábado, 3 de outubro de 2009

Mártires, Eustáquio (ou Plácido), sua esposa, Teopista, e seus filhos Agápio e Teopisto, de Roma (+c.118)

Eustáquio foi um grande general romano durante os reinados dos Imperadores Tito e Trajano. Embora fosse pagão, Plácidas (pois esse era seu nome pagão) era um homem justo e misericordioso, semelhante a Cornélio, o Centurião, que foi batizado pelo Apóstolo Pedro (Atos 10). Certo dia, numa caçada, ele perseguia um veado. Pela Providência Divina, uma cruz apareceu entre os chifres do veado e a voz do Senhor veio a Plácido, ordenando-lhe que fosse ter com um sacerdote cristão e recebesse o batismo. Plácido foi batizado, junto com sua mulher e dois filhos. No batismo, recebeu o nome de Eustáquio; sua mulher, o de Teopista ("fiel a Deus"); e seus dois filhos, Agápio e Teopisto. Depois de batizado, voltou ao lugar em que tivera a revelação do veado e, de joelhos, deu graças a Deus por ter-lhe trazido à verdade. Nesse instante, mais uma vez a voz do Senhor se lhe manifestou, predisse-lhe que sofreria por Seu Nome e o encorajou. Então Eustáquio deixou Roma em segredo com a família, com a intenção de se esconder entre a gente simples e servir a Deus em ambientes humildes e desconhecidos. Chegando ao Egito, foi imediatamente acossado por provações. Um bárbaro mau raptou a sua mulher e os dois filhos foram capturados por feras selvagens e levados embora. Entretanto, o bárbaro logo perdeu a vida e os filhos foram salvos das feras selvagens por pastores. Eustáquio se estabeleceu na aldeia egípcia de Vadisis, onde viveu por quinze anos como trabalhador assalariado. A essa altura bárbaros atacaram o Império Romano e o Imperador Trajano deplorou não ter consigo o bravo General Plácido, que conseguira a vitória por todas as partes em que lutara. O Imperador enviou dois de seus oficiais para vasculhar o império inteiro em busca do grande comandante. Pela Providência de Deus, esses oficiais (que haviam sido outrora companheiros de Eustáquio) chegaram à aldeia de Vadisis, encontraram Eustáquio e levaram-no de volta ao Imperador. Eustáquio reuniu um exército e derrotou os bárbaros. No caminho de volta para Roma Estácio encontrou sua mulher e seus dois filhos. Nesse ínterim, o Imperador Trajano morrera e o Imperador Adriano ocupava o trono. Quando Adriano convocou o General Estácio para oferecer sacrifícios aos deuses, Estácio se recusou, declarando ser cristão. O imperador submeteu-lhe a ele, sua mulher e filhos às torturas. Foram lançados às feras selvagens, mas isso não lhes fez mal algum. Então foram enfiados dentro de um boi de metal oco e incandescente. Ao terceiro dia seus corpos mortos foram removidos, mas não haviam sido lesados pelo fogo. Assim, esse glorioso comandante deu a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Lucas 20:25) e tomou posse de sua morada no Reino Eterno do Cristo, nosso Deus.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Santas Mártires Fé, Esperança e Caridade, e sua Mãe Sofia

Todas viveram e sofreram em Roma, durante o reinado do Imperador Adriano. Sofia era sábia, como indica seu nome. Caíra na viuvez e firmara bem a si própria e a suas filhas na fé cristã. Quando a mão perseguidora de Adriano estendeu-se até sobre a virtuosa casa de Sofia, Fé tinha apenas doze anos de idade, Esperança tinha dez anos e Caridade, nove. Trazidas perante o imperador, as quatro seguravam as mãos uma das outras "como uma coroa entretecida"; humilde mas firmemente confessaram sua fé no Cristo Senhor e se recusaram a oferecer sacrifícios ao ídolo pagão de Ártemis. Antes de seus sofrimentos, a mãe exortou as filhas a perseverarem até o fim: "Vosso Noivo Celestial, Jesus Cristo, é a saúde eterna, a beleza inefável e a vida eterna. Quando vossos corpos forem mortos pela tortura, Ele vos revestirá de incorrupção e as chagas de vossos corpos brilharão nos céus como as estrelas." Os torturadores infligiram cruéis torturas a uma de cada vez, primeiro a Fé, depois a Esperança e depois a Caridade. Espancaram-nas, açoitaram-nas, atiraram-nas às chamas e ao piche fervente e, finalmente, degolaram-nas com a espada, uma após a outra. Sofia levou os corpos mortos de suas filhas para fora da cidade e as enterrou honrosamente. Permaneceu em seu túmulo por três dias e três noites, orando a Deus. Em seguida, rendeu seu espírito a Deus, partindo para o Paraíso, onde as almas benditas de suas gloriosas filhas esperavam por ela.

Hino de Louvor
Sofia, toda-sábia, glorificou o Senhor,
Como um sacrifício a Ele, ofereceu três belíssimas filhas.
A suas filhas disse: "Não temais, filhas minhas;
Fortalecei-vos no Cristo, perseverai na Fé,
E não temeis torturas nem infortúnios cruéis.
Não chorais por vossos corpos – melhor é no céu.
Deus vos dará corpos maravilhosos no céu.
Não chorais por vossa beleza – com a beleza divina
Resplendecereis entre os anjos no Reino de Deus,
Como filhas do Rei dos Reis!
Não chorais pela vida – de que vale esta vida terrena?
Não passa de no máximo cem anos.
No céu, a vida sem fim vos aguarda:
Vida sem fim, vida sem início.
Não chorais pela companhia de amigos terrenos,
Pois a companhia dos Santos maravilhosos vos aguarda ali.
Nem a companhia de parentes mundanos vos deve fazer chorar –
Pois vossa parentela, nos céus, são os mártires gloriosos."
Assim a pia mãe instruía as suas santas filhas,
Enquanto, uma a uma, partiam elas para o céu:
Três pombas brancas, inocentes e puras,
Voaram ligeiras para o seio do Cristo.
E com sua alma elevada, sua mãe partiu atrás delas,
E juntou-se a suas filhas gloriosas no Paraíso;
E nosso misericordioso Deus recebe as suas orações.