“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Sobre como apenas o tolo nega Deus"

O tolo disse em seu coração: Não há Deus. São corruptos.
Realizam abomináveis obras (Salmo 14: 1).

A mente é o leme do ser inteiro do homem. Aconselha, persuade e guia. Tanto a alma como o corpo agem seguindo a mente. Se a mente está de pé, assim também está todo o homem. Se ela for, entretanto, ímpia diante de Deus, assim o é todo homem. Ainda que se considere meramente a idéia de que “Deus não existe”, essa idéia manifesta-se imediatamente em suas obras. Pensamentos malignos vêem primeiro e más obras seguem-nos inevitavelmente. Vêem quanto o profeta inspirado conhece a natureza do homem? Primeiro, ele analisa a causa, então menciona as conseqüências. Más ações procedem necessariamente de maus pensamentos. Eis por que, irmãos, vós não deveis crer naqueles que proclamam: “Não creio em Deus, mas faço boas obras.” Antes de qualquer coisa, quem não crê em Deus não sabe o que é bom, nem pode diferenciar entre o bem e o mal. Com sua descrença, o homem corta a si mesmo do Deus sumamente maior e Fonte de todo o bem! Além do mais, vamos considerar cuidadosamente isto: você descobrirá que todas as obras dos ímpios são corruptas e odiosas. São corruptos, porque são maus, indignos e transitórios; são odiosos, porque contrariam a vontade do Deus Vivo. Os perversos não conseguem distinguir entre o bem e o mal, pois somente na luz da lei de Deus pode-se saber precisamente o bem e o mal. Por outro lado, não pode acontecer que há quem diga que acredita em Deus, mas fazem obras odiosas e corruptas, reconhecendo Deus em seus lábios e negando-O em suas obras. É salutar confessar Deus com teus lábios, mas você ainda está muito longe de ser o suficiente! Tem que se confessá-Lo com o coração e confirmar sua fé com boas obras. Ainda assim, acontece de um homem crer em seu coração e com os lábios e ainda peca. Isso ocorre tanto por causa da fraqueza de vontade ou das flechas do inimigo. Basta que esse homem se arrependa, ele será perdoado imediatamente. O arrependimento é salvífico com arrependimento. Mas, quem pode ter certeza de que seu tempo continuará além desta noite? Portanto, adiar o arrependimento é uma completa idiotice.

Infinitamente gracioso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, ajuda-nos a arrependermo-nos, como nos ajudas a respirar.

A Ti, sejam a glória e o louvor eternamente. Amém.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Sobre o único Caminho, Verdade e Vida"

Eu sou o Caminho, e a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (Jo. 14,6)

Irmãos, essas palavras não foram somente ditas, mas foram embebidas com sangue, confirmadas pela Ressurreição, instiladas pelo Espírito Santo nos corações dos fiéis e comprovadas reiteradamente pela Igreja durante os séculos dos séculos. De todos os tesouros da terra, o que os homens mais amam é a vida – amam-na mais do que à verdade, a despeito de não haver vida sem verdade. Assim, o mais alto bem é a vida, mas a verdade é o fundamento da vida. Quem ama a vida, também tem que amar a verdade. Mas onde está o caminho para a verdade? O Nosso Senhor diz: Eu sou o Caminho. Ele não disse "Eu sou um caminho", para que ninguém pensasse haver um outro caminho para a verdade além do Senhor Jesus. E Ele não é apenas o Caminho, mas também a Verdade e a Vida, para que ninguém pensasse haver alguma outra verdade e alguma outra vida além do Senhor Jesus. Para isso é que Ele nasceu como homem: para mostrar aos homens o caminho. Para isso é que Ele foi crucificado: para marcar o caminho com o Seu sangue. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim. Isso se dirige àqueles que enganam a si mesmos pensando que podem conhecer Deus e adquirir o Reino de Deus sem o Senhor Jesus Cristo. Com aquelas palavras o Senhor afastou completamente essa falsa esperança e auto-engano desesperado. O apóstolo que ouviu e escreveu essas palavras no Evangelho as exprimiu em sua Epístola desse modo: Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai (I Jo. 2,23).

Ó Bendito Senhor Jesus Cristo, Fonte de todas as bênçãos, verdadeiramente és para nós o único Caminho, a única Luz, a única Verdade, a única Vida e Vivificador. Reconhecemos-Te perante os homens e os anjos como nosso único Deus e Salvador. Tem piedade de nós e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Sobre o Senhor Ressuscitado e Vivo, que é a Ressurreição e a Vida"

Eu sou a ressurreição e a vida (Jo. 11,25)

O Senhor Jesus Cristo falou essas santas palavras. Não apenas as falou, como também as comprovou com Seus atos. Ressuscitando a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e o Seu amigo Lázaro, Ele provou que é a ressurreição e a vida, o Ressuscitador e o Vivificante. E mesmo assim Ele as comprovou melhor pela Sua própria Ressurreição dentre os mortos. Pois estar vivo e assim ajudar os mortos eram coisas de que já se ouvira antes. Mas estar morto e enterrado, jazer no túmulo por três dias e dar a vida a si mesmo, isso era inaudito até a Ressurreição de Cristo. É o milagre dos milagres e a prova de um poder acima de qualquer outro poder. Esse milagre foi operado pelo nosso Senhor. O nosso Senhor manifestou esse poder. Logo, verdadeiras são Suas palavras, Eu sou a ressurreição e a vida: verdadeiras, santas e consoladoras para todos nós que viajamos rumo à inescapável morte do corpo e esperamos viver além do túmulo e ver o nosso Senhor Vivo em glória.

Entretanto, o Senhor não é somente o Ressuscitador do corpo mas também o Ressuscitador da alma. Durante Sua vida sobre a terra, ressuscitou apenas uns poucos corpos humanos, mas incontáveis almas -- para demonstrar que a ressurreição da alma é muito mais importante do que a ressurreição do corpo. Quase todas as almas humanas estavam mortas quando Ele veio ao mundo; e Ele ressuscitou inúmeras almas pelo Seu poder e imbuiu nelas a Sua vida. Tanto os judeus quanto os pagãos estavam mortos em alma e Ele avivou a uns e a outros. Meus irmãos, deixemos de lado todas as preocupações com a ressurreição de nossos corpos e batalhemos, enquanto ainda temos tempo, pela ressurreição de nossas almas. Pois se as nossas almas não ressuscitarem e não forem avivadas pelo Cristo ainda sobre a terra, não esperemos nenhum júbilo pela ressurreição de nossos corpos no Dia do Juízo, o Dia da Ira. Pois nessa ocasião os corpos de nossas almas mortas serão ressuscitados, não para a vida, mas para o tormento eterno.

Senhor Jesus Cristo, nossa única ressurreição e vida, ajuda-nos pelo Teu poder e pela Tua misericórdia, para que sejamos ressuscitados e avivados por Ti para a salvação e a vida eterna.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Água e a Luz do Mundo (Jo. 7:37 – 8:12)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amados irmãos.

No Evangelho que acaba de ser proclamado, nosso Senhor afirma “Se alguém tem sede, venha a mim” e se tornará a fonte de “rios de água viva”. E depois diz “Eu sou a luz do mundo”. Ele escolheu esses dois elementos, a água e a luz, não por acaso, mas porque, na terra, sem esses dois elementos, a vida é impossível.

A nossa vida, a vida de todos os seres vivos deste planeta, depende da água e depende da luz. Mas quando Cristo usa a água e a luz, Ele não usa esses elementos apenas como símbolo ou como imagem. As palavras que Deus profere são expressões do plano de Deus (ou da Sua vontade, do amor ou o querer do Deus criador, neste contexto tudo tem o mesmo sentido).

Deu disse “Haja luz” e houve luz. Ele proferiu a palavra “Haja”. E com essa palavra a luz se fez. Essa palavra é o Logos de Deus, a Sabedoria de Deus, o Verbo de Deus. A imagem da vontade divina que organiza e possibilita a existência de toda a criação.

Mas, para que essa luz tenha se feito, algum “combustível”, alguma energia, alguma potência, alguma força teve que fazê-la acontecer. E tudo existe assim. Tudo tem uma força, ou, na linguagem usada pela Igreja, todo movimento tem um espírito ou é conforme um espírito. Da mesma forma que nenhum carro anda sem combustível, nós também precisamos de força, de energia, para poder agir. Tudo na criação é assim, pressupõe uma energia, uma força, uma potência que oferece condições para que algo aconteça. E isso é assim porque no sublime momento da Criação uma potência estava presente para que a palavra se realizasse. Essa força procede de Deus, é o Seu Espírito, a terceira Pessoa da SS. Trindade.

Se nós pararmos para lembrar, tudo foi criado pela Palavra. Tudo foi criado por Deus Pai, pelo Cristo e com Espírito Santo. Se nós formos parar para pensar na profundidade das realidades, podemos dizer que todo o alimento, assim como tudo que mata a sede, é, em última instância, a Palavra, pela qual tudo foi criado. O Verbo de Deus é a última instância de tudo o que existe em nossa vida e no mundo. Tudo deriva da palavra criadora que foi proferida e da ação (potência) do Santo Espírito. E a criação está aí, decaída ou não decaída, não importa está aí. Mantêm-se.

E Cristo nela permanece. E quando a plenitude dos tempos chegou, Ele apresentou-se como homem. E foi como homem que proferiu essas palavras que acabamos de ouvir. Ele, como homem, cumpriu os princípios que foram estabelecidos na natureza para todos os homens. Também teve que entregar Seu corpo a Terra e como Deus que é, ascender aos céus. Ele fez isso em Seu corpo glorioso, no corpo ressuscitado. Mas Ele prometeu que, quando viesse o Paráclito, Ele permaneceria conosco até os confins dos tempos. E Ele permanece. Hoje. Ele está aqui, misteriosamente presente, não mais em carne e osso. Ele está numa forma diferente, Ele está espiritualmente. Atualizado pelo Espírito Santo. O Seu corpo é que agora é oferecido na forma de pão e vinho misteriosamente transformados pelo Espírito.

Esse pão era um trigo que foi amassado, macerado, foi levado ao fogo, para só então ficar pronto para ser doado, entregue e consumido. A uva era uma fruta singela que foi esmagada e fermentada, elevada as últimas temperaturas da fermentação, para se transformar num vinho bom. São transformações naturais, ainda no plano do nosso entendimento, da nossa vivência. Depois, esse pão e esse vinho são, misteriosamente, transformados em carne e sangue de Cristo. Aí, já é um mistério que a nossa inteligência não alcança. Mas também não precisamos dela nesse estágio. Precisamos de outra coisa, precisamos da fé.

Todos nós que temos sede. Quando ela aperta, vamos imediatamente atrás de um copo d’água. Mesmo sem entender qual é o processo bioquímico que faz com que a sede cesse. Quando a luz elétrica pifa, a primeira coisa que fazemos é buscar uma vela, uma luz. Nós temos esse instinto de proteção de não ficar na escuridão. Nós procuramos a luz, independentemente de prévios questionamentos. Nós fazemos isso porque luz e água são necessárias ao nosso bem estar.

Mas aqueles homens, que estavam lá, caíram na armadilha da inteligência carnal. Eles questionaram que aquele homem não podia ser profeta. Eles estavam presos a regras, a princípios, a leis, a raciocínios humanos. Porque a Lei dizia que o Messias viria de Belém, da casa de Davi. Ora, aquele ali vinha da Galiléia. Mal eles sabiam que estavam arando em plena ignorância. Eles não sabiam que, na verdade, Cristo havia nascido em Belém. Tal como nós, que ignoramos como a água mata a sede.

Na hora que temos sede, nós não nos deixamos cair na armadilha do raciocínio. Nós não assumimos a postura de não beber a água antes de entender o processo pelo qual ela faz a sede cessar. A conclusão é que há um “que” de fé ao saciarmos a nossa sede. Por isso que Cristo diz “Se alguém tem sede, venha a mim” e dele “jorrarão rios de água viva”. A relação com Cristo é a mesma coisa. Tem que necessariamente ser um ato de fé. Não interessa saber se Ele é da Galileia ou se é de Belém. Ou se é profeta ou se não é. Não temos que ficar fazendo essas contabilidades e esses raciocínios. É para se investir na Fé.

Ou agente ama ou agente não ama. Ou agente quer ou agente não quer. Ou agente tem sede ou agente não tem sede. E nisso Cristo não interfere. Ele deixa que sintamos a sede que nos é natural. Mas de uma coisa se pode ter certeza, Ele mata a sede. Essa é a relação. Não há outra maneira de se relacionar com Deus que não seja assim. É preciso que nós, de certa forma, no cotidiano, nos processos da vida, sejamos um pouco pão e um pouco vinho. São os exercícios de fé.

É preciso se deixar ser macerado como o grão, amassado como a massa, para crescer, tomar forma, ser assado e virar alimento. É preciso que nos deixemos esmagar e fermentar como a uva para que viremos vinho. Isso por nossa própria decisão. Nessa dimensão da vida, nós temos o domínio necessário para tomar a decisão de buscar a ascese espiritual, a decisão de nos empenharmos no exercício das virtudes cristãs, para assim sermos imagem do pão. E ao mesmo tempo tomar a atitude, perante Deus, de se entregar, se derramar e aceitar a Fé que Ele nos convida a viver e, assim, ser imagem do vinho.

Isso é necessário. Porque se nós não formos um pouco pão e um pouco uva, não haverá comunhão alguma entre nós e a carne e o sangue que nós recebemos na Eucaristia. Para haver comunhão é preciso que haja sinergia (encontro de vontades, esse é o amor verdadeiro). Deus vem e nós vamos, para que haja um encontro. Se Deus vem e nós não vamos, o encontro não acontece. E a comunhão se torna uma mentira. No plano do humano, nós precisamos fazer esse exercício de ser pão e vinho. Mas, depois, temos que fazer o exercício da sede, que é a própria fé. É preciso a entrega. É preciso ir buscar aquilo de que se sente necessidade interior. Se não houver o exercício, nós não vamos descobrir essa sede e fome interior. Por isso são necessários os exercícios cristãos. Por isso nós nos reunimos em Igreja. Por isso rezamos. Por isso nos confessamos. Por isso jejuamos.

E, uma vez que essa necessidade seja encontrada, vamos buscar a saciedade em Cristo. Sem questionamento, sem querer entender, sem querer fazer como Lúcifer ou como Adão no Paraíso. Sem essa de querer entender primeiro para depois aceitar.

Não. Uma vez que a sede e a fome interior foram encontradas, nós estamos preparados para a comunhão. Então é só aceitar. Da mesma forma que o Criador enviou o Seu Espírito Santo sobre a Terra, através de Seu Filho, para que os Apóstolos obrassem em Igreja. O mesmo acontecerá com cada um de nós. Se nós fizermos o exercício espiritual de buscar a comunhão com Deus. De aceitar os preceitos da Igreja. De se entregar a uma vida cristã.

Depois, conscientes da própria fome e sede de Espírito, vamos saciá-la em Cristo e com Cristo. Nesse momento já não é mais a nossa vontade, já não é nossa a inteligência, já não é o nosso entendimento. É o Espírito Santo que estará nos conduzindo.

Se não fizermos isso, ficaremos como cegos na escuridão, como aqueles homens, presos ao questionamento sobre se é possível, se é verdade. “Será possível que um Profeta venha de Belém?”

Aqueles homens estavam na escuridão, discutindo se Jesus seria ou não um profeta. Enquanto, no final do Evangelho, Cristo diz: “Eu sou a Luz do mundo”.

Portanto, amados irmãos. Essa é a mensagem do Evangelho de hoje, nesse dia de Pentecostes, ela diz que nós devemos nos deixar iluminar pelo Espírito de Deus. Se nós não estivermos dispostos a nos entregar, pela fé, ao desconhecido, na esperança de que o Espírito nos conduza à Vida eterna, então, a vida nesse mundo será inútil. As nossas relações uns com os outros serão inúteis. E estarmos aqui presentes nessa Igreja também será uma inutilidade total.

É necessário que primeiro tenhamos essa pré-disposição interior (humana, psicológica, da inteligência) de querer e aceitar o que a Igreja nos chama a viver. É a partir desse momento que verdadeiramente começaremos a nos conhecer, conhecer a nossa sede interior. Aos poucos, vamos descobrir quem nós somos no plano de Deus. Então a Luz irá se fazendo em nossa vida. Descobriremos qual é a nossa imagem, qual é a nossa semelhança, qual é o nosso papel, ou seja, o que Deus quer de nós. E nós vamos saber isso através da nossa própria fome e sede. Ao tentar saciar a sede e a fome interior, estaremos sendo iluminados e conduzidos pelo Espírito até a Vida Eterna. Onde viveremos todos pela Graça de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Arcebispo Chrisóstomo

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Jesus entre os samaritanos (Jo. 4,5-42)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amados irmãos.

Quase não temos esse Deus Salvador do mundo, foi por pouco, muito pouco. Isso, é claro, se imaginarmos que a Igreja é apenas obra dos homens. Pois os Apóstolos se reuniram em Jerusalém, no chamado “Proto Concílio de Jerusalém”, para decidirem se os seguidores de Cristo necessariamente precisavam ser judeus e cumprir a antiga Lei para também seguir a Cristo. Ou se essa nova “lei”, essa Boa nova, era para todo o universo. Esses homens, quando tomaram a decisão, disseram: “Nós e o Espírito Santo decidimos...”. Até parece muita pretensão, mas a verdade é que é o Espírito que inspira e ilumina os homens que servem em Igreja. Mas de onde eles tiraram a ideia de que o Cristo veio para o mundo inteiro e não só para os Judeus, eles inventaram? Não, tiraram desse episódio que acabamos de ouvir. Esse é um dos episódios, houve outros.

Mas vejam bem, a palavra sicário, que significa traidor, vem dos habitantes dessa cidade chamada Sicar. Os judeus tinham ódio desse povo, porque ele tem origem numa das Tribos de Israel que se misturou com outras cinco tribos pagãs. Fizeram um sincretismo religioso que resultou na pratica de um ritual completamente diferente daquele que se realizava no Templo de Jerusalém. Eles eram considerados como um enclave de traidores, seres perigosos, corruptores. Cristo passa por cima disso tudo e, ainda por cima, se dirige a uma mulher. Os Apóstolos se espantaram dele estar falando com uma mulher. Outro escândalo! Um homem sozinho, em um lugar deserto, dialogando com uma mulher.

Essa mulher, nós sabemos, é a imagem de nossa alma. Ele diz: “Vai, chama teu marido e volta aqui”. Ela responde: “Não tenho marido”. Jesus treplica: “Falaste bem: ‘não tenho marido’, pois tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido”. Essa mulher fora submissa aos cinco maridos da mesma forma que nossa alma encontra-se submissa aos cinco sentidos. A nossa psique reage, julga, em função do que os nossos sentidos captam. Se nós gostamos é bom, se nós não gostamos é ruim. E assim, emocionalmente, apaixonadamente, nós nos conduzimos na vida. Quando ela diz que não tem marido, Cristo confirma “o que agora tens não é teu marido”, ou seja, não é um dos cinco sentidos. Trata-se de um outro sentido que não submete nem é submetido. A mulher unida a esse sexto sentido é a imagem da alma em plena contemplação. Ela está ali, a borda do poço, prestes a receber a Água viva, que nada mais é do que o Espírito Santo de Deus, dialogando com Cristo, em plena contemplação. É uma imagem bela, poética, bonita de um momento de oração do fiel. Um diálogo íntimo e verdadeiro com Cristo. E a comprovação de que o sexto marido é outra coisa está em que ela mesma diz que sabe que um Messias chamado Cristo virá e se revelará como o Salvador. E, nesse momento, Ele se revela: “Sou eu, que falo contigo”. É uma imagem linda.

Depois que os discípulos retornam, Ele lhes fala: “Erguei os olhos e vede os campos: estão brancos para a colheita” e “Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhastes”. Isso para nós é muito importante, é algo que deve estar sempre diante de nossa atenção. Nós somos um povo de Reis, Profetas e Sacerdotes. O sacerdócio inaugurado por Cristo permanece no interior da Igreja com todo o povo reunido. Nós temos de continuar essa colheita. Foi dito que a seara é grande e os operários são poucos. Somos poucos sim, mas não podemos deixar de trabalhar. Temos que colher para nós o que outros semearam e continuar semeando para que outros venham e colham. Caso contrário, nós não estaremos fazendo nada. Se nós somos um povo de sacerdotes, nós não podemos egoisticamente estar na Igreja apenas pensando na salvação pessoal e romper essa cadeia da Tradição. Assim, não vamos nos salvar nunca. Nós estamos aqui porque somos o sal da terra, a luz na escuridão, o levedo da massa. Não adianta fazer discurso, não adianta convencer. Só precisamos (e devemos) é ter atitude. O que importa é o nosso comportamento e a nossa maneira de ser. Se nós não fizermos como essa mulher. Se nós não mergulharmos em nós mesmos para contemplar e dialogar com Cristo e não cumprirmos o que Ele disse: “Chegará o tempo em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade”.

Tudo o que temos aqui (os ícones, o turíbulo, a liturgia, os sacramentos, a música, o incenso) são apenas alavancas. São apenas meios materiais que a nossa alma precisa para se elevar em direção a Deus. Nós ainda estamos aprisionados aos cinco sentidos. Então, nós temos que ver ícones, cheirar incenso, ouvir música e saborear o corpo e o sangue. Nós ainda temos que fazer exercício com os cinco sentidos. Mas isso é um estágio. É um momento transitório, para que um dia, com espírito puro, adoremos o Deus que é puro Espírito. Para isso, é necessário que nós vivamos como servidores de Cristo, seguindo Seu exemplo. É necessário que, como essa mulher samaritana, nós façamos o exercício de contemplação, antecedido pelo jejum e pela oração. Mas, também é necessário que nós, como um povo de sacerdotes, e a exemplo dos Apóstolos, façamos a colheita do que já está pronto para ser colhido e a semeadura do que, mais tarde, outros colherão. Se não, nós não estaremos fazendo nada. É nesse sentido que a Igreja é hospital e escola. Porque é pela Igreja (ou seja, pelos ícones, pelo incenso, pela música, pelo ritual, pela oração e pelos sacramentos) que a mensagem de Cristo, inaugurada há dois mil anos, se perpetua.

Quando Cristo diz que os Apóstolos colherão onde não semearam, Ele está falando da Lei de Moisés, dos profetas e até da cultura, do processo civilizatório. Porque, tempos atrás, quando Cristo encarnou, foi dito que os tempos estavam maduros. Antes da encarnação do Verbo, houve tempos em que a humanidade vivia numa barbárie tal que, na intenção de adorar Deus, cometia sacrifícios humanos. Foi necessário toda uma preparação da humanidade para que ela estivesse pronta para ver e conviver com o Messias prometido. É nesse sentido que Ele diz que colherão onde não plantaram. Quando Cristo vem, é a plenitude dos tempos. Depois, Ele parte para os céus. Desse momento em diante é só corrupção e decadência. Pois nesse mundo, nesse plano (e planeta) que estamos agora encerrados, todas as coisas nascem, se desenvolvem, se desgastam e fenecem. É assim com cada coisa porque no plano geral essa é a lei. No aspecto espiritual não se foge à regra, há uma correspondência entre o material e o imaterial.

A plenitude dos tempos aconteceu e agora o nosso mundo está se afastando dessa plenitude. Quanto mais o tempo passa, mais difícil espiritualmente vai ficando a vida. Há um apotegma de um Pai do deserto em que um monge interroga seu pai espiritual perguntando o que era necessário para ser salvo. E ele diz que é não comer, não dormir, orar tanto quanto respirar e cumprir os mandamentos de Deus, ou seja, o mandamento do amor. E a próxima geração? A cada nova resposta do Pai, o monge volta a perguntar pela geração seguinte. E, por último, o pai espiritual diz para o monge calar-se, concluindo, que chegará o tempo em que, para ser salvo, basta manter-se vivo. Basta manter o dom da vida em si.

Mas o Verbo tomou nossa carne. Uma Ponte ou Portal para uma nova realidade ficou estabelecido. Cristo, Filho unigênito e eterno não está limitado às leis do mundo natural, Ele transcende tudo. É por isso que: Por Ele, com Ele e n’Ele a Salvação acontece. A alma (a Samaritana) reencontrou-se com Deus nas bordas da água do poço. Belíssima imagem da Igreja e do batismo da regeneração. Qualquer um, a qualquer momento que se aproximar do Cristo ultrapassa os cinco sentidos e as leis naturais deste mundo. Essa é a utilidade da Igreja e de seus sacramentos. A Salvação é exatamente transcender os limites do mundo natural, não ficar retido na morte, e ressuscitar na Vida Eterna, santificado pelo Espírito Santo.

Nós estamos, ainda aqui, com a possibilidade de usar a nossa liberdade e optar sobre que tipo de vida nós queremos ter. E, se nós temos essa liberdade, nós temos que usa-la com consciência do que queremos. E se nós somos verdadeiramente cristãos, nós temos que seguir os passos de Cristo. E para isso temos que semear, porque o talento que nos foi dado é para ser multiplicado. Nós temos que semear através do nosso comportamento, com nossas atitudes e com o nosso ser por inteiro. Não bastam só as intenções. A carne, cuja ressurreição nós esperamos, tem de participar desse processo salvífico. Tem a nossa inteligência, tem a nossa alma nas orações, na contemplação. Tem a nossa boa vontade, mas tem que ter também o nosso comportamento, as nossas atitudes. É por isso que muitas vezes Cristo agiu, quando podia apenas estalar os dedos. Ele agiu como homem para mostrar o caminho que deveria ser seguido.

Essa atitude de Cristo, de estar diante de um poço, sozinho, conversando com uma mulher sicária, era o absurdo dos absurdos para a mentalidade judaica. Isso é para provar que nós não devemos ser ritualistas, nem achar que, porque somos cristãos ortodoxos, estamos sentados sobre a salvação. Como se por causa disso estivesse tudo feito e garantido. Não. Nosso Senhor sendo judeu não ficou restrito à Lei. Como discípulos do Cristo nós temos que ultrapassar as paredes desse templo. Nós temos que agir no mundo. Como Cristo, que ultrapassou os limites da Lei mosaica, nós temos que ultrapassar os limites desse conforto, desse útero em que estamos reunidos, e partir para o mundo para nele viver a nossa fé. Nós temos que agir no mundo. Se não, nós estamos sendo egoístas e os egoístas não são discípulos de Cristo. É isso que significa o Evangelho que foi proclamado hoje.

Se nós quisermos verdadeiramente beber a Água viva e contemplar Cristo face a face, como aquela Samaritana, nós temos que fazer como ela e como Ele, ultrapassar os limites da nossa humanidade na busca dessa verdade espiritual. Em busca desse encontro que Cristo nos prometeu. E, como Ele não nos enganaria, nós podemos confiar em Sua promessa e levarmos a nossa vida de acordo com isso. Para que nós possamos, na Vida eterna, dialogar face a face, com o Pai, com Filho e com Espírito Santo. Amém.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cura de enfermo na piscina de Betesda (Jo 5, 1-15)

Arcebispo Chrisóstomo

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amados irmãos.

No Evangelho que acabou de ser proclamado, tem uma frase que nós precisamos aprender a entender para não cair na armadilha que a nossa cultura possibilita.

Quando o nosso Senhor Jesus Cristo volta a encontrar o paralítico curado, Ele diz: “não peques mais, para que não te aconteça coisa pior”. E o entendimento próprio de nossa cultura, fundado no pensamento racional, vai chegar a uma conclusão lógica: Se Ele diz que “não peques mais para que não te aconteça algo ainda pior” é lógico que o paralítico estava paralítico porque pecou. Engano! Isso é o que o moralismo diz. Isso é o que a mentalidade racionalista diz. Mas não é a realidade dos fatos.

Para entendermos isso, nós precisamos andar um pouco para trás e vermos o diálogo anterior de Nosso Senhor Jesus Cristo com esse doente. Jesus encontra esse homem na beira da piscina, onde se proporciona curas, e pergunta: “Queres ficar curado?”. E isso já cria em nós um certo questionamento para nossa racionalidade: Mas que cristo mais duro e injusto é esse que curou apenas aquele? Por que Ele curou só um e não curou todo mundo? Que predileção é essa? Se nós seguirmos esse raciocínio, nós vamos cair em armadilhas. Se podia fazer com que todos os cegos saíssem dali enxergando, todos os aleijados andando e todos os surdos ouvindo, por que Ele escolheu aquele, e só aquele, para ser curado. É claro que aí tem coisa.

Prestemos atenção no diálogo. Cristo pergunta: “Queres ficar curado?”. Mas o homem não responde: “Sim. É tudo o que eu quero” assim como quem pensa: “Oba! me dei bem!”. Não. A resposta do homem foi a de uma pessoa resignada. É a resposta de alguém que diz: “Senhor, não tenho quem me jogue na piscina quando a água é agitada” (A água é agitada pelo Anjo do Senhor, quando isso acontece o primeiro que entrar é curado).

Aquele homem apenas relata os fatos para aquele que o interpela. E faz isso de forma humilde, falando de seus limites humanos e pessoais. Ele diz que não tem ninguém que o jogue na piscina e “ao chegar, outro já desceu antes de mim”. Que estado interior é o desse aleijado que está ha 38 anos esperando por uma cura, mas que está sempre sendo deixado de lado. A resposta desse homem não é a de um revoltado. Não é de um inconformado. Não é de alguém que está egoisticamente em busca da sua solução. É alguém que está ali sabendo que existe uma salvação e está a espera dela, em busca dela. Nesse meio tempo, refletiu sobre si próprio, sobre seus próprios limites e resignadamente concluiu em simplesmente esperar, mesmo não tendo ninguém por ele. Esse homem há 38 anos devia estar fazendo esse exercício de contemplação interior e de oração. Por isso ele, e não outro, foi interpelado e curado por Cristo (que acabou deixando o homem numa situação difícil quando mandou-o carregar a própria cama em pleno sábado, quando todo trabalho é interditado para os judeus).

Um mendigo, quando vê alguém mais aprumado, naturalmente trata por Senhor. Aquele homem chamara Cristo de Senhor, mas ele não tinha a menor ideia de quem se tratava. Ele não tinha ideia de que estava falando com o Senhor do universo, o Filho de Deus vivo. E a prova disso é que, quando os judeus o interpelaram por estar carregando a cama num sábado, ele respondeu “Aquele que me curou disse: ‘Toma o teu leito e anda’”. Mas ele não soube dizer quem o havia curado. Ele não conhecia o Cristo, exatamente como nós que também não conhecemos. E aí tem mais uma armadilha mais séria que a da interpretação da frase.

Depois disso o que o homem faz? Vai para o templo (olha o estado interior dele). Lá ele encontra novamente com Cristo. E então questiona: Quem és Tu? Esse diálogo não aparece explícito no Evangelho, mas nós sabemos que ocorreu porque depois o Evangelho esclarece: “O homem saiu e informou aos judeus que fora Jesus quem o havia curado”.

Então houve esse diálogo dentro do templo e é nesse contexto que vem a tal frase: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior!”. O que pode haver de pior do que viver 38 anos na borda de uma piscina buscando uma cura sem conseguir? Algo pode ser pior do que isso? Sim, pode ser pior se algo acontecer com nossa alma, pois é nela que está a essência do nosso ser. É a nossa alma, o nosso ser interior, que não pode ficar aleijado, nem ficar perdido. E Cristo quando curou o corpo é obvio que já tinha perdoado os pecados. É claro que a alma daquele homem já havia sido reintegrada. Era uma alma em plenitude. Só faltava a ressurreição da carne, só faltava a cura do corpo e o Salvador veio e o curou. É nesse momento que Cristo diz: “não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior”, que é exatamente perder a alma e a Vida do mundo que há de vir.

Porque para nós é tão difícil corresponder a esse “não peques mais”. Nós não estamos mais na borda da piscina, nós já mergulhamos na piscina. Nós fomos salvos, nós fomos recuperados, nós fomos curados. E mais do que lavados de nossas faltas pessoais, nós fomos ungidos (...) com o óleo e o selo do Espírito Santo. Então esse aviso fica para nós: “não volte a pecar”. Por que é tão difícil? Será que é porque nós não ficamos 38 anos aleijados com tempo para meditar sobre nós próprios para assim adquirirmos a humildade necessária? Será que ainda estamos pensando na vida a partir do nosso próprio umbigo, a partir do nosso próprio ego, e não conseguimos perceber o que se passa? Será que ainda não encontramos o lugar da cura ou ainda não acreditamos na cura? Será que ainda não buscamos a cura como aquele homem?

Primeiro, para que se tenha o espírito que aquele homem tinha, é preciso se considerar aleijado. Segundo, é preciso buscar a cura do “aleijão”. Depois, tem que encontrar o lugar da cura, se reconhecer aleijado e ficar em busca dessa cura para que ela venha. Pois esse tipo de cura não pode ser realizada por nós mesmos. Então temos que desistir dessa mania idólotra que temos de tentar resolver todos os nossos problemas por nossa própria conta. É necessária a vivência na fé. É necessário o apelo à fé. É necessária a confiança de que Cristo vem nos curar e nos salvar. Mas, para isso, precisamos buscar essa cura, querer essa cura e acreditar nessa cura. Isso é a vivência e o exercício na fé. Depois, é preciso guardar em nossa memória. E, quando digo memória, não estou falando de lembrança, porque lembrança é uma coisa e memória é outra. Memória significa ter sempre presente no entendimento o banho de cura que recebemos e viver coerentemente com o que aconteceu. Por isso que Cristo diz “vá e não voltes a pecar”.

É isso que está nessa frase. Quando nós detectamos que fizemos uma coisa errada, porque mentimos ou invejamos, o pecado já estava lá atrás, antes do sentimento, do pensamento ou do fato ter acontecido. A ‘coisa errada’ só acontece porque antes desviamos o olhar do Cristo, meu Criador e Salvador. Em vez de estarmos centrados na essência, na busca daquilo que sou enquanto homem... Não. Eu me distraio com as coisas mundanas, aceitei a máscara/personalidade que o mundo me impõe através de sua cultura e estou agindo conforme essa lógica. Nessa distração, personificação e aculturação já me separei de Deus. Estou agindo igualzinho a Adão no paraíso. O pecado já aconteceu mesmo antes da sua materialização. E quando nós conseguimos ter essa consciência e reverter essa atitude interior, o que foi feito não conta, já foi. É só um aleijão que nós vamos ficar esperando a hora de curá-lo. Mas antes é preciso que haja essa conversão, essa mudança da atitude interior. Em outras partes da sagrada Escritura, está dito: “onde está o teu olhar está o teu tesouro” e “os olhos são a candeia da alma”.

O quê que nós buscamos? Para o quê estamos olhando? O quê que nós queremos? Esse exercício de interiorização, que a Quaresma nos deu uma oportunidade impar, pelo jejum e pela oração, de olharmos para dentro de nós mesmos e sabermos quem nós somos, o que queremos e como conseguir o que queremos. É uma oportunidade ímpar que continua existindo dentro da Igreja e nós podemos e devemos continuar a investir nela. Se não, não adianta ser cristão de casca, ser cristão de verniz, ser cristão apenas de presença. O apóstolo Thiago disse: “A fé sem obras é morta”. Nós temos que agir e agir sobre nós próprios. É isso que significa “não peques mais, para que não te suceda coisa pior”. Se nós entendermos essas coisas por essa lógica, então nós entenderemos a justiça divina. Porque os outros continuaram lá tentando se lavar na água. Os outros cegos continuaram cegos, os aleijados continuaram aleijados, etc. Cristo não tem nada a haver com isso. Porque não é povo de Deus, não é gente de seu rebanho. Não são criaturas que buscam ser Seu discípulo. Não são ovelhas que se possam resgatar. Porque não são ovelhas. São lobos travestidos de ovelha.

Diante dessa frase do evangelho, nós devemos nos perguntar qual é a nossa dificuldade. Nós nos batizamos, depois reconhecemos o pecado, buscamos o confessor. E, daqui a pouco, estamos, de novo fazendo a mesma coisa. (Pelo menos vamos ser mais criativos, vamos inventar um pecado novo ao invés de estarmos sempre voltando para os mesmos e velhos).

É preciso se lembrar dessa frase: “para que não suceda algo ainda pior” e sim o melhor. Para que possamos além de curar os nossos aleijões sociais, os nossos aleijões psíquicos, os nossos aleijões espirituais, antes que se tornem aleijões na alma.

Para que com ela ressuscitemos na vida eterna junto com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. Amém.