“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

ok
Mostrando postagens com marcador Pastoral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pastoral. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre o propósito da partilha de dons, ministérios e vocações

(…) Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério,
para a edificação do corpo de Cristo (Efésios 4:12)


É por isso que o Espírito Santo partilhou os dons, e fez de uns apóstolos, outros profetas, outros evangelistas e, outros pastores e mestres: para que os santos, os fiéis cristãos, se tornassem perfeitos. Assim como em um lar, o serviço e a honra são partilhados, e há o serviço e honra próprios para os pais, honra e serviço próprios a cada filho ou filha adulto e serviço e honra próprios para filhos jovens e servos – e ainda assim todos trabalham juntos para o benefício de todos, assim é na cada de Deus, a Santa Igreja: com cada honra vem um serviço correspondente, e as obras de cada um são benéficas a todos. Assim, o corpo de Cristo, a Santa Igreja de Deus, é construída de forma sábia e gradual. Cada um dos fiéis, assistido pelos outros, cresce e se desenvolve como um membro desse corpo, cresce e se desenvolve em santidade e pureza, e em medidas e proporções correspondentes a todo o grande corpo. O corpo inteiro, do começo ao fim dos tempos — especialmente desde e encarnação de Deus, o Verbo, na terra até ao Temível Julgamento — é a Santa Igreja de Deus. O corpo é digno da imortalidade, a construção é digna de Deus. Os olhos humanos não podem ver de ponta a ponta, e nem a mente humana pode compreender. A construção é feita com materiais selecionados: pedras vivas, olhos e corações, sem dureza ou feiúra, sem corrupção ou mudança. Cada coisa em seu lugar, tudo é mais belo por inteiro e em partes. Aqui está, irmãos, o objetivo da nossa jornada! Aqui está o significado da nossa queimação na fornalha do sofrimento! Aqui está nossa vida, melhor que todos os nossos planos e mais adorável que todos os nossos desejos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Sobre o único Caminho, Verdade e Vida"

Eu sou o Caminho, e a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (Jo. 14,6)

Irmãos, essas palavras não foram somente ditas, mas foram embebidas com sangue, confirmadas pela Ressurreição, instiladas pelo Espírito Santo nos corações dos fiéis e comprovadas reiteradamente pela Igreja durante os séculos dos séculos. De todos os tesouros da terra, o que os homens mais amam é a vida – amam-na mais do que à verdade, a despeito de não haver vida sem verdade. Assim, o mais alto bem é a vida, mas a verdade é o fundamento da vida. Quem ama a vida, também tem que amar a verdade. Mas onde está o caminho para a verdade? O Nosso Senhor diz: Eu sou o Caminho. Ele não disse "Eu sou um caminho", para que ninguém pensasse haver um outro caminho para a verdade além do Senhor Jesus. E Ele não é apenas o Caminho, mas também a Verdade e a Vida, para que ninguém pensasse haver alguma outra verdade e alguma outra vida além do Senhor Jesus. Para isso é que Ele nasceu como homem: para mostrar aos homens o caminho. Para isso é que Ele foi crucificado: para marcar o caminho com o Seu sangue. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim. Isso se dirige àqueles que enganam a si mesmos pensando que podem conhecer Deus e adquirir o Reino de Deus sem o Senhor Jesus Cristo. Com aquelas palavras o Senhor afastou completamente essa falsa esperança e auto-engano desesperado. O apóstolo que ouviu e escreveu essas palavras no Evangelho as exprimiu em sua Epístola desse modo: Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai (I Jo. 2,23).

Ó Bendito Senhor Jesus Cristo, Fonte de todas as bênçãos, verdadeiramente és para nós o único Caminho, a única Luz, a única Verdade, a única Vida e Vivificador. Reconhecemos-Te perante os homens e os anjos como nosso único Deus e Salvador. Tem piedade de nós e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Sobre o Senhor Ressuscitado e Vivo, que é a Ressurreição e a Vida"

Eu sou a ressurreição e a vida (Jo. 11,25)

O Senhor Jesus Cristo falou essas santas palavras. Não apenas as falou, como também as comprovou com Seus atos. Ressuscitando a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e o Seu amigo Lázaro, Ele provou que é a ressurreição e a vida, o Ressuscitador e o Vivificante. E mesmo assim Ele as comprovou melhor pela Sua própria Ressurreição dentre os mortos. Pois estar vivo e assim ajudar os mortos eram coisas de que já se ouvira antes. Mas estar morto e enterrado, jazer no túmulo por três dias e dar a vida a si mesmo, isso era inaudito até a Ressurreição de Cristo. É o milagre dos milagres e a prova de um poder acima de qualquer outro poder. Esse milagre foi operado pelo nosso Senhor. O nosso Senhor manifestou esse poder. Logo, verdadeiras são Suas palavras, Eu sou a ressurreição e a vida: verdadeiras, santas e consoladoras para todos nós que viajamos rumo à inescapável morte do corpo e esperamos viver além do túmulo e ver o nosso Senhor Vivo em glória.

Entretanto, o Senhor não é somente o Ressuscitador do corpo mas também o Ressuscitador da alma. Durante Sua vida sobre a terra, ressuscitou apenas uns poucos corpos humanos, mas incontáveis almas -- para demonstrar que a ressurreição da alma é muito mais importante do que a ressurreição do corpo. Quase todas as almas humanas estavam mortas quando Ele veio ao mundo; e Ele ressuscitou inúmeras almas pelo Seu poder e imbuiu nelas a Sua vida. Tanto os judeus quanto os pagãos estavam mortos em alma e Ele avivou a uns e a outros. Meus irmãos, deixemos de lado todas as preocupações com a ressurreição de nossos corpos e batalhemos, enquanto ainda temos tempo, pela ressurreição de nossas almas. Pois se as nossas almas não ressuscitarem e não forem avivadas pelo Cristo ainda sobre a terra, não esperemos nenhum júbilo pela ressurreição de nossos corpos no Dia do Juízo, o Dia da Ira. Pois nessa ocasião os corpos de nossas almas mortas serão ressuscitados, não para a vida, mas para o tormento eterno.

Senhor Jesus Cristo, nossa única ressurreição e vida, ajuda-nos pelo Teu poder e pela Tua misericórdia, para que sejamos ressuscitados e avivados por Ti para a salvação e a vida eterna.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"Sobre o Verbo de Deus revelado na carne"

E o Verbo Se fez carne (João 1:14)

Aqui, irmãos, temos um novo, bendito e salvífico princípio – o princípio de nossa salvação. Adão esteve na carne, quando ele caiu sob a autoridade do pecado e da morte. Agora, o Criador de Adão apareceu na carne, para libertar a posteridade deste do poder do pecado e da morte. O Filho de Deus – o Verbo, a Sabedoria, a Luz e a Vida – desceu ao meio dos homens na carne humana e com uma alma humana. Ele Se encarnou, mas não Se separou de Sua Divindade. Ele desceu sem separar-Se de Seu Pai. Ele reteve consigo tudo o que Ele tinha sido e seria por toda a eternidade e, ainda assim, Ele recebeu algo novo: a natureza humana. Seus eternos atributos não foram diminuídos pela Encarnação, nem foi modificada Sua relação com o Pai e com o Espírito Santo. Vejam, o Pai testificou disso tanto no Jordão quanto no Monte Tabor: Este é o Meu Filho amado! Ele não disse: "Este foi o Meu Filho", mas "Este é o Meu Filho". O Espírito Santo esteve com Ele em Sua concepção corporal e por toda Sua missão sobre a terra. As naturezas divina e humana uniram-se n'Ele, mas não se mesclaram. Como? Não indague, você nem sequer sabe como explicar sobre você a você mesmo e nem sequer dizer como sua alma e seu corpo estão unidos em você. Apenas saiba disto: Deus veio visitar a terra, trazendo inefáveis tesouros valiosos para a humanidade – presentes reais, dons incorruptíveis, eternos, insubstituíveis e inegociáveis. Saiba disto e deixe seu coração dançar de alegria. Lute para limpar suas mãos, purificar seus sentidos, lavar sua alma, alvejar seu coração e vigiar sua mente, para que você receba os dons reais. Pois, eles não são dados aos impuros.

Senhor Jesus Cristo, ajude-nos a purificar-nos e lavar-nos pelo Teu Sangue e pelo Teu Espírito, para que possamos tornar-nos dignos de Teus dons reais.

A Ti, glória e louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Grande Dodeca-Festa da Dormição da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 15/28 ago



O Senhor, Que no Monte Sinai, declarou o Quinto Mandamento, Honrará teu pai e tua mãe, mostrou com o próprio exemplo que se deve respeitar os pais. Pendurado na Cruz, em agonia, Ele Se lembrou de Sua Mãe e, apontando ao Apóstolo João, Ele Lhe disse: Mulher, eis o Teu filho. Depois disto, Ele disse a João: Eia a tua Mãe. E assim, cuidando de Sua Mãe, Ele deu o último suspiro. João possuía uma casa no Monte Sião, em Jerusalém, na qual, então, a Teotokos passou a morar. Ela morou lá até o fim de Seus dias sobre a terra. Com suas orações, gentil acompanhamento, humildade e paciência, ela imensamente assistiu os apóstolos do Filho. Ela passou a maior parte de sua vida restante sobre a terra em Jerusalém, geralmente visitando os lugares que A faziam lembrar dos grandes momentos e das grandes obras do Filho. Ela visitava especialmente o Gólgota, Belém e o Monte das Oliveiras. Já de Suas poucas viagens mais distantes, está registrada Sua visita a Santo Inácio, o Portador de Deus, em Antioquia; assim como Sua visita a Lázaro (aquele que o Senhor ressuscitou no quarto dia), Bispo de Chipre. Ela também visitou Monte Atos, que Ela abençoou; e Ela permaneceu em Éfeso com São João, o Evangelista, na época da grande perseguição aos cristãos em Jerusalém. Em Sua idade avançada, Ela geralmente orava a Seu Senhor e Deus no Monte das Oliveiras, o local da Ascensão, para que Ele A levasse deste mundo o mais breve possível. Numa dessas ocasiões, o Arcanjo Gabriel apareceu-Lhe e revelou-Lhe que Ela repousaria dentro de três dias. O anjo deu-Lhe uma ramo de palmeira, que deveria ser levado na procissão fúnebre d’Ela. Ela voltou para casa com grande alegria, trazendo em Seu coração a esperança de reencontrar os Apóstolos do Filho mais uma vez nesta vida. O Senhor realizou Seu desejo, e os apóstolos, trazidos pelos anjos nas nuvens, reuniram-se na casa do Monte Sião. Com imensa alegria, Ela os reencontrou, encorajou-os, aconselhou-os e confortou-os. Então, Ela, pacificamente, entregou Sua alma a Deus sem dores nem sofrimento físico. Os apóstolos conduziram-Na em Seu caixão, do qual exalava uma fragrância celestial. E, na companhia de muitos cristãos, carregaram o caixão ao Jardim do Getsêmani, ao sepulcro de Seus pais, Santos Joaquim e Ana. Pela Providência Divina, a procissão foi cancelada por uma turba de ímpios judeus. Mesmo quando Afitônio, um sacerdote judeu, agarrou o caixão a fim de virá-lo, um anjo de Deus prendeu-lhe as duas mãos. Ele, por sua vez, clamou aos apóstolos por ajuda e foi curado, declarando sua fé no Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo Tomé estava ausente – novamente, por Divina Providência – a fim de que um novo e gloriossíssimo mistério da Santa Teotokos fosse revelado. Tomé chegou apenas no terceiro dia e desejou venerar o corpo da Santa Puríssima. Porém, quando os apóstolos abriram o sepulcro, eles encontraram somente o sudário. O corpo não estava mais no túmulo! Naquela noite, a Teotokos, cercada pelo exército de anjos, apareceu aos apóstolos e disse-lhes: “Regozijai-vos! Eu estarei convosco para sempre.” Quanto à idade da Teotokos na ocasião de Sua Dormição, não se sabe exatamente, mas a opinião geral é a de que Ela ultrapassava os sessenta anos de idade.

Hino de Louvor
Assim falou o Pontentíssimo Senhor:
“De Teu coração, Virgem Pura,
Correrá água viva,
Os sedentos beberão Cristo.”
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Os sedentos beberão Cristo.
Por Ele, o amargo se torna doce;
Por Ele, a dor dos angustiados é sanada.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Doce bebida jorrada da eternidade,
Córrego que inunda nossa árida idade,
Mais uma vez, aos Céus, elevada,
Nosso mundo ressequido refresca-se.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Glória a Ti, Puríssima!
Glória a Ti, Mãe de Deus!
Geraste para nós o Cristo Vivente,
A Água Viva da graça!
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Reflexão
Cada fiel pode aprender alguma coisa – de fato, muita coisa – a partir da vida da Virgem Teotokos. Eu queria mencionar duas coisas. Primeiro, Ela frequentemente ia ao Gólgota, ao Monte das Oliveiras, ao Jardim do Getsêmani, Belém e aos outros lugares que ainda traziam a fragrância de Seu Filho. Ela orava de joelhos em todos esses lugares, especialmente o Gólgota. Deste modo, Ela deu o primeiro exemplo e ímpeto aos fiéis a visitarem os santos lugares por amor Àquele Que, por Sua presença, paixão e glória, tornou esses mesmos lugares santos e significantes. Também, aprendemos como Ela orava por uma breve partida desta vida, para que, quando se separasse de Seu corpo, Sua alma não encontrasse o príncipe da escuridão, seus horrores; e, escondido das regiões tenebrosas, Ela não visse a punição dos enegrecidos pelo pecado. Vês o quanto é terrível para a alma atravessar as Mansões de Provação? Se Ela – que deu a luz ao Destruidor do Hades e que possuía tremendo poder sobre os demônios – assim orava, o que nos resta, então? Por extrema humildade, Ela Se entregou a Deus e não confiou em Suas próprias obras. Portanto, muito menos devemos confiar em nossas obras e mais ainda entregarmos às mãos de Deus, clamando por Sua misericórdia, especialmente no momento em que alma partir do corpo.

Tropário, t.2
Conservando intacta a glória da tua virgindade, tu deste à luz o Verbo de Deus. Na tua Dormição, tu não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus. Tu te juntaste a Fonte da vida, tu que concebeste o Deus vivo, e que pelas tuas orações resgatas as nossas almas da morte

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Água e a Luz do Mundo (Jo. 7:37 – 8:12)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amados irmãos.

No Evangelho que acaba de ser proclamado, nosso Senhor afirma “Se alguém tem sede, venha a mim” e se tornará a fonte de “rios de água viva”. E depois diz “Eu sou a luz do mundo”. Ele escolheu esses dois elementos, a água e a luz, não por acaso, mas porque, na terra, sem esses dois elementos, a vida é impossível.

A nossa vida, a vida de todos os seres vivos deste planeta, depende da água e depende da luz. Mas quando Cristo usa a água e a luz, Ele não usa esses elementos apenas como símbolo ou como imagem. As palavras que Deus profere são expressões do plano de Deus (ou da Sua vontade, do amor ou o querer do Deus criador, neste contexto tudo tem o mesmo sentido).

Deu disse “Haja luz” e houve luz. Ele proferiu a palavra “Haja”. E com essa palavra a luz se fez. Essa palavra é o Logos de Deus, a Sabedoria de Deus, o Verbo de Deus. A imagem da vontade divina que organiza e possibilita a existência de toda a criação.

Mas, para que essa luz tenha se feito, algum “combustível”, alguma energia, alguma potência, alguma força teve que fazê-la acontecer. E tudo existe assim. Tudo tem uma força, ou, na linguagem usada pela Igreja, todo movimento tem um espírito ou é conforme um espírito. Da mesma forma que nenhum carro anda sem combustível, nós também precisamos de força, de energia, para poder agir. Tudo na criação é assim, pressupõe uma energia, uma força, uma potência que oferece condições para que algo aconteça. E isso é assim porque no sublime momento da Criação uma potência estava presente para que a palavra se realizasse. Essa força procede de Deus, é o Seu Espírito, a terceira Pessoa da SS. Trindade.

Se nós pararmos para lembrar, tudo foi criado pela Palavra. Tudo foi criado por Deus Pai, pelo Cristo e com Espírito Santo. Se nós formos parar para pensar na profundidade das realidades, podemos dizer que todo o alimento, assim como tudo que mata a sede, é, em última instância, a Palavra, pela qual tudo foi criado. O Verbo de Deus é a última instância de tudo o que existe em nossa vida e no mundo. Tudo deriva da palavra criadora que foi proferida e da ação (potência) do Santo Espírito. E a criação está aí, decaída ou não decaída, não importa está aí. Mantêm-se.

E Cristo nela permanece. E quando a plenitude dos tempos chegou, Ele apresentou-se como homem. E foi como homem que proferiu essas palavras que acabamos de ouvir. Ele, como homem, cumpriu os princípios que foram estabelecidos na natureza para todos os homens. Também teve que entregar Seu corpo a Terra e como Deus que é, ascender aos céus. Ele fez isso em Seu corpo glorioso, no corpo ressuscitado. Mas Ele prometeu que, quando viesse o Paráclito, Ele permaneceria conosco até os confins dos tempos. E Ele permanece. Hoje. Ele está aqui, misteriosamente presente, não mais em carne e osso. Ele está numa forma diferente, Ele está espiritualmente. Atualizado pelo Espírito Santo. O Seu corpo é que agora é oferecido na forma de pão e vinho misteriosamente transformados pelo Espírito.

Esse pão era um trigo que foi amassado, macerado, foi levado ao fogo, para só então ficar pronto para ser doado, entregue e consumido. A uva era uma fruta singela que foi esmagada e fermentada, elevada as últimas temperaturas da fermentação, para se transformar num vinho bom. São transformações naturais, ainda no plano do nosso entendimento, da nossa vivência. Depois, esse pão e esse vinho são, misteriosamente, transformados em carne e sangue de Cristo. Aí, já é um mistério que a nossa inteligência não alcança. Mas também não precisamos dela nesse estágio. Precisamos de outra coisa, precisamos da fé.

Todos nós que temos sede. Quando ela aperta, vamos imediatamente atrás de um copo d’água. Mesmo sem entender qual é o processo bioquímico que faz com que a sede cesse. Quando a luz elétrica pifa, a primeira coisa que fazemos é buscar uma vela, uma luz. Nós temos esse instinto de proteção de não ficar na escuridão. Nós procuramos a luz, independentemente de prévios questionamentos. Nós fazemos isso porque luz e água são necessárias ao nosso bem estar.

Mas aqueles homens, que estavam lá, caíram na armadilha da inteligência carnal. Eles questionaram que aquele homem não podia ser profeta. Eles estavam presos a regras, a princípios, a leis, a raciocínios humanos. Porque a Lei dizia que o Messias viria de Belém, da casa de Davi. Ora, aquele ali vinha da Galiléia. Mal eles sabiam que estavam arando em plena ignorância. Eles não sabiam que, na verdade, Cristo havia nascido em Belém. Tal como nós, que ignoramos como a água mata a sede.

Na hora que temos sede, nós não nos deixamos cair na armadilha do raciocínio. Nós não assumimos a postura de não beber a água antes de entender o processo pelo qual ela faz a sede cessar. A conclusão é que há um “que” de fé ao saciarmos a nossa sede. Por isso que Cristo diz “Se alguém tem sede, venha a mim” e dele “jorrarão rios de água viva”. A relação com Cristo é a mesma coisa. Tem que necessariamente ser um ato de fé. Não interessa saber se Ele é da Galileia ou se é de Belém. Ou se é profeta ou se não é. Não temos que ficar fazendo essas contabilidades e esses raciocínios. É para se investir na Fé.

Ou agente ama ou agente não ama. Ou agente quer ou agente não quer. Ou agente tem sede ou agente não tem sede. E nisso Cristo não interfere. Ele deixa que sintamos a sede que nos é natural. Mas de uma coisa se pode ter certeza, Ele mata a sede. Essa é a relação. Não há outra maneira de se relacionar com Deus que não seja assim. É preciso que nós, de certa forma, no cotidiano, nos processos da vida, sejamos um pouco pão e um pouco vinho. São os exercícios de fé.

É preciso se deixar ser macerado como o grão, amassado como a massa, para crescer, tomar forma, ser assado e virar alimento. É preciso que nos deixemos esmagar e fermentar como a uva para que viremos vinho. Isso por nossa própria decisão. Nessa dimensão da vida, nós temos o domínio necessário para tomar a decisão de buscar a ascese espiritual, a decisão de nos empenharmos no exercício das virtudes cristãs, para assim sermos imagem do pão. E ao mesmo tempo tomar a atitude, perante Deus, de se entregar, se derramar e aceitar a Fé que Ele nos convida a viver e, assim, ser imagem do vinho.

Isso é necessário. Porque se nós não formos um pouco pão e um pouco uva, não haverá comunhão alguma entre nós e a carne e o sangue que nós recebemos na Eucaristia. Para haver comunhão é preciso que haja sinergia (encontro de vontades, esse é o amor verdadeiro). Deus vem e nós vamos, para que haja um encontro. Se Deus vem e nós não vamos, o encontro não acontece. E a comunhão se torna uma mentira. No plano do humano, nós precisamos fazer esse exercício de ser pão e vinho. Mas, depois, temos que fazer o exercício da sede, que é a própria fé. É preciso a entrega. É preciso ir buscar aquilo de que se sente necessidade interior. Se não houver o exercício, nós não vamos descobrir essa sede e fome interior. Por isso são necessários os exercícios cristãos. Por isso nós nos reunimos em Igreja. Por isso rezamos. Por isso nos confessamos. Por isso jejuamos.

E, uma vez que essa necessidade seja encontrada, vamos buscar a saciedade em Cristo. Sem questionamento, sem querer entender, sem querer fazer como Lúcifer ou como Adão no Paraíso. Sem essa de querer entender primeiro para depois aceitar.

Não. Uma vez que a sede e a fome interior foram encontradas, nós estamos preparados para a comunhão. Então é só aceitar. Da mesma forma que o Criador enviou o Seu Espírito Santo sobre a Terra, através de Seu Filho, para que os Apóstolos obrassem em Igreja. O mesmo acontecerá com cada um de nós. Se nós fizermos o exercício espiritual de buscar a comunhão com Deus. De aceitar os preceitos da Igreja. De se entregar a uma vida cristã.

Depois, conscientes da própria fome e sede de Espírito, vamos saciá-la em Cristo e com Cristo. Nesse momento já não é mais a nossa vontade, já não é nossa a inteligência, já não é o nosso entendimento. É o Espírito Santo que estará nos conduzindo.

Se não fizermos isso, ficaremos como cegos na escuridão, como aqueles homens, presos ao questionamento sobre se é possível, se é verdade. “Será possível que um Profeta venha de Belém?”

Aqueles homens estavam na escuridão, discutindo se Jesus seria ou não um profeta. Enquanto, no final do Evangelho, Cristo diz: “Eu sou a Luz do mundo”.

Portanto, amados irmãos. Essa é a mensagem do Evangelho de hoje, nesse dia de Pentecostes, ela diz que nós devemos nos deixar iluminar pelo Espírito de Deus. Se nós não estivermos dispostos a nos entregar, pela fé, ao desconhecido, na esperança de que o Espírito nos conduza à Vida eterna, então, a vida nesse mundo será inútil. As nossas relações uns com os outros serão inúteis. E estarmos aqui presentes nessa Igreja também será uma inutilidade total.

É necessário que primeiro tenhamos essa pré-disposição interior (humana, psicológica, da inteligência) de querer e aceitar o que a Igreja nos chama a viver. É a partir desse momento que verdadeiramente começaremos a nos conhecer, conhecer a nossa sede interior. Aos poucos, vamos descobrir quem nós somos no plano de Deus. Então a Luz irá se fazendo em nossa vida. Descobriremos qual é a nossa imagem, qual é a nossa semelhança, qual é o nosso papel, ou seja, o que Deus quer de nós. E nós vamos saber isso através da nossa própria fome e sede. Ao tentar saciar a sede e a fome interior, estaremos sendo iluminados e conduzidos pelo Espírito até a Vida Eterna. Onde viveremos todos pela Graça de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Arcebispo Chrisóstomo

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Jesus entre os samaritanos (Jo. 4,5-42)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amados irmãos.

Quase não temos esse Deus Salvador do mundo, foi por pouco, muito pouco. Isso, é claro, se imaginarmos que a Igreja é apenas obra dos homens. Pois os Apóstolos se reuniram em Jerusalém, no chamado “Proto Concílio de Jerusalém”, para decidirem se os seguidores de Cristo necessariamente precisavam ser judeus e cumprir a antiga Lei para também seguir a Cristo. Ou se essa nova “lei”, essa Boa nova, era para todo o universo. Esses homens, quando tomaram a decisão, disseram: “Nós e o Espírito Santo decidimos...”. Até parece muita pretensão, mas a verdade é que é o Espírito que inspira e ilumina os homens que servem em Igreja. Mas de onde eles tiraram a ideia de que o Cristo veio para o mundo inteiro e não só para os Judeus, eles inventaram? Não, tiraram desse episódio que acabamos de ouvir. Esse é um dos episódios, houve outros.

Mas vejam bem, a palavra sicário, que significa traidor, vem dos habitantes dessa cidade chamada Sicar. Os judeus tinham ódio desse povo, porque ele tem origem numa das Tribos de Israel que se misturou com outras cinco tribos pagãs. Fizeram um sincretismo religioso que resultou na pratica de um ritual completamente diferente daquele que se realizava no Templo de Jerusalém. Eles eram considerados como um enclave de traidores, seres perigosos, corruptores. Cristo passa por cima disso tudo e, ainda por cima, se dirige a uma mulher. Os Apóstolos se espantaram dele estar falando com uma mulher. Outro escândalo! Um homem sozinho, em um lugar deserto, dialogando com uma mulher.

Essa mulher, nós sabemos, é a imagem de nossa alma. Ele diz: “Vai, chama teu marido e volta aqui”. Ela responde: “Não tenho marido”. Jesus treplica: “Falaste bem: ‘não tenho marido’, pois tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido”. Essa mulher fora submissa aos cinco maridos da mesma forma que nossa alma encontra-se submissa aos cinco sentidos. A nossa psique reage, julga, em função do que os nossos sentidos captam. Se nós gostamos é bom, se nós não gostamos é ruim. E assim, emocionalmente, apaixonadamente, nós nos conduzimos na vida. Quando ela diz que não tem marido, Cristo confirma “o que agora tens não é teu marido”, ou seja, não é um dos cinco sentidos. Trata-se de um outro sentido que não submete nem é submetido. A mulher unida a esse sexto sentido é a imagem da alma em plena contemplação. Ela está ali, a borda do poço, prestes a receber a Água viva, que nada mais é do que o Espírito Santo de Deus, dialogando com Cristo, em plena contemplação. É uma imagem bela, poética, bonita de um momento de oração do fiel. Um diálogo íntimo e verdadeiro com Cristo. E a comprovação de que o sexto marido é outra coisa está em que ela mesma diz que sabe que um Messias chamado Cristo virá e se revelará como o Salvador. E, nesse momento, Ele se revela: “Sou eu, que falo contigo”. É uma imagem linda.

Depois que os discípulos retornam, Ele lhes fala: “Erguei os olhos e vede os campos: estão brancos para a colheita” e “Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhastes”. Isso para nós é muito importante, é algo que deve estar sempre diante de nossa atenção. Nós somos um povo de Reis, Profetas e Sacerdotes. O sacerdócio inaugurado por Cristo permanece no interior da Igreja com todo o povo reunido. Nós temos de continuar essa colheita. Foi dito que a seara é grande e os operários são poucos. Somos poucos sim, mas não podemos deixar de trabalhar. Temos que colher para nós o que outros semearam e continuar semeando para que outros venham e colham. Caso contrário, nós não estaremos fazendo nada. Se nós somos um povo de sacerdotes, nós não podemos egoisticamente estar na Igreja apenas pensando na salvação pessoal e romper essa cadeia da Tradição. Assim, não vamos nos salvar nunca. Nós estamos aqui porque somos o sal da terra, a luz na escuridão, o levedo da massa. Não adianta fazer discurso, não adianta convencer. Só precisamos (e devemos) é ter atitude. O que importa é o nosso comportamento e a nossa maneira de ser. Se nós não fizermos como essa mulher. Se nós não mergulharmos em nós mesmos para contemplar e dialogar com Cristo e não cumprirmos o que Ele disse: “Chegará o tempo em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade”.

Tudo o que temos aqui (os ícones, o turíbulo, a liturgia, os sacramentos, a música, o incenso) são apenas alavancas. São apenas meios materiais que a nossa alma precisa para se elevar em direção a Deus. Nós ainda estamos aprisionados aos cinco sentidos. Então, nós temos que ver ícones, cheirar incenso, ouvir música e saborear o corpo e o sangue. Nós ainda temos que fazer exercício com os cinco sentidos. Mas isso é um estágio. É um momento transitório, para que um dia, com espírito puro, adoremos o Deus que é puro Espírito. Para isso, é necessário que nós vivamos como servidores de Cristo, seguindo Seu exemplo. É necessário que, como essa mulher samaritana, nós façamos o exercício de contemplação, antecedido pelo jejum e pela oração. Mas, também é necessário que nós, como um povo de sacerdotes, e a exemplo dos Apóstolos, façamos a colheita do que já está pronto para ser colhido e a semeadura do que, mais tarde, outros colherão. Se não, nós não estaremos fazendo nada. É nesse sentido que a Igreja é hospital e escola. Porque é pela Igreja (ou seja, pelos ícones, pelo incenso, pela música, pelo ritual, pela oração e pelos sacramentos) que a mensagem de Cristo, inaugurada há dois mil anos, se perpetua.

Quando Cristo diz que os Apóstolos colherão onde não semearam, Ele está falando da Lei de Moisés, dos profetas e até da cultura, do processo civilizatório. Porque, tempos atrás, quando Cristo encarnou, foi dito que os tempos estavam maduros. Antes da encarnação do Verbo, houve tempos em que a humanidade vivia numa barbárie tal que, na intenção de adorar Deus, cometia sacrifícios humanos. Foi necessário toda uma preparação da humanidade para que ela estivesse pronta para ver e conviver com o Messias prometido. É nesse sentido que Ele diz que colherão onde não plantaram. Quando Cristo vem, é a plenitude dos tempos. Depois, Ele parte para os céus. Desse momento em diante é só corrupção e decadência. Pois nesse mundo, nesse plano (e planeta) que estamos agora encerrados, todas as coisas nascem, se desenvolvem, se desgastam e fenecem. É assim com cada coisa porque no plano geral essa é a lei. No aspecto espiritual não se foge à regra, há uma correspondência entre o material e o imaterial.

A plenitude dos tempos aconteceu e agora o nosso mundo está se afastando dessa plenitude. Quanto mais o tempo passa, mais difícil espiritualmente vai ficando a vida. Há um apotegma de um Pai do deserto em que um monge interroga seu pai espiritual perguntando o que era necessário para ser salvo. E ele diz que é não comer, não dormir, orar tanto quanto respirar e cumprir os mandamentos de Deus, ou seja, o mandamento do amor. E a próxima geração? A cada nova resposta do Pai, o monge volta a perguntar pela geração seguinte. E, por último, o pai espiritual diz para o monge calar-se, concluindo, que chegará o tempo em que, para ser salvo, basta manter-se vivo. Basta manter o dom da vida em si.

Mas o Verbo tomou nossa carne. Uma Ponte ou Portal para uma nova realidade ficou estabelecido. Cristo, Filho unigênito e eterno não está limitado às leis do mundo natural, Ele transcende tudo. É por isso que: Por Ele, com Ele e n’Ele a Salvação acontece. A alma (a Samaritana) reencontrou-se com Deus nas bordas da água do poço. Belíssima imagem da Igreja e do batismo da regeneração. Qualquer um, a qualquer momento que se aproximar do Cristo ultrapassa os cinco sentidos e as leis naturais deste mundo. Essa é a utilidade da Igreja e de seus sacramentos. A Salvação é exatamente transcender os limites do mundo natural, não ficar retido na morte, e ressuscitar na Vida Eterna, santificado pelo Espírito Santo.

Nós estamos, ainda aqui, com a possibilidade de usar a nossa liberdade e optar sobre que tipo de vida nós queremos ter. E, se nós temos essa liberdade, nós temos que usa-la com consciência do que queremos. E se nós somos verdadeiramente cristãos, nós temos que seguir os passos de Cristo. E para isso temos que semear, porque o talento que nos foi dado é para ser multiplicado. Nós temos que semear através do nosso comportamento, com nossas atitudes e com o nosso ser por inteiro. Não bastam só as intenções. A carne, cuja ressurreição nós esperamos, tem de participar desse processo salvífico. Tem a nossa inteligência, tem a nossa alma nas orações, na contemplação. Tem a nossa boa vontade, mas tem que ter também o nosso comportamento, as nossas atitudes. É por isso que muitas vezes Cristo agiu, quando podia apenas estalar os dedos. Ele agiu como homem para mostrar o caminho que deveria ser seguido.

Essa atitude de Cristo, de estar diante de um poço, sozinho, conversando com uma mulher sicária, era o absurdo dos absurdos para a mentalidade judaica. Isso é para provar que nós não devemos ser ritualistas, nem achar que, porque somos cristãos ortodoxos, estamos sentados sobre a salvação. Como se por causa disso estivesse tudo feito e garantido. Não. Nosso Senhor sendo judeu não ficou restrito à Lei. Como discípulos do Cristo nós temos que ultrapassar as paredes desse templo. Nós temos que agir no mundo. Como Cristo, que ultrapassou os limites da Lei mosaica, nós temos que ultrapassar os limites desse conforto, desse útero em que estamos reunidos, e partir para o mundo para nele viver a nossa fé. Nós temos que agir no mundo. Se não, nós estamos sendo egoístas e os egoístas não são discípulos de Cristo. É isso que significa o Evangelho que foi proclamado hoje.

Se nós quisermos verdadeiramente beber a Água viva e contemplar Cristo face a face, como aquela Samaritana, nós temos que fazer como ela e como Ele, ultrapassar os limites da nossa humanidade na busca dessa verdade espiritual. Em busca desse encontro que Cristo nos prometeu. E, como Ele não nos enganaria, nós podemos confiar em Sua promessa e levarmos a nossa vida de acordo com isso. Para que nós possamos, na Vida eterna, dialogar face a face, com o Pai, com Filho e com Espírito Santo. Amém.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cura de enfermo na piscina de Betesda (Jo 5, 1-15)

Arcebispo Chrisóstomo

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amados irmãos.

No Evangelho que acabou de ser proclamado, tem uma frase que nós precisamos aprender a entender para não cair na armadilha que a nossa cultura possibilita.

Quando o nosso Senhor Jesus Cristo volta a encontrar o paralítico curado, Ele diz: “não peques mais, para que não te aconteça coisa pior”. E o entendimento próprio de nossa cultura, fundado no pensamento racional, vai chegar a uma conclusão lógica: Se Ele diz que “não peques mais para que não te aconteça algo ainda pior” é lógico que o paralítico estava paralítico porque pecou. Engano! Isso é o que o moralismo diz. Isso é o que a mentalidade racionalista diz. Mas não é a realidade dos fatos.

Para entendermos isso, nós precisamos andar um pouco para trás e vermos o diálogo anterior de Nosso Senhor Jesus Cristo com esse doente. Jesus encontra esse homem na beira da piscina, onde se proporciona curas, e pergunta: “Queres ficar curado?”. E isso já cria em nós um certo questionamento para nossa racionalidade: Mas que cristo mais duro e injusto é esse que curou apenas aquele? Por que Ele curou só um e não curou todo mundo? Que predileção é essa? Se nós seguirmos esse raciocínio, nós vamos cair em armadilhas. Se podia fazer com que todos os cegos saíssem dali enxergando, todos os aleijados andando e todos os surdos ouvindo, por que Ele escolheu aquele, e só aquele, para ser curado. É claro que aí tem coisa.

Prestemos atenção no diálogo. Cristo pergunta: “Queres ficar curado?”. Mas o homem não responde: “Sim. É tudo o que eu quero” assim como quem pensa: “Oba! me dei bem!”. Não. A resposta do homem foi a de uma pessoa resignada. É a resposta de alguém que diz: “Senhor, não tenho quem me jogue na piscina quando a água é agitada” (A água é agitada pelo Anjo do Senhor, quando isso acontece o primeiro que entrar é curado).

Aquele homem apenas relata os fatos para aquele que o interpela. E faz isso de forma humilde, falando de seus limites humanos e pessoais. Ele diz que não tem ninguém que o jogue na piscina e “ao chegar, outro já desceu antes de mim”. Que estado interior é o desse aleijado que está ha 38 anos esperando por uma cura, mas que está sempre sendo deixado de lado. A resposta desse homem não é a de um revoltado. Não é de um inconformado. Não é de alguém que está egoisticamente em busca da sua solução. É alguém que está ali sabendo que existe uma salvação e está a espera dela, em busca dela. Nesse meio tempo, refletiu sobre si próprio, sobre seus próprios limites e resignadamente concluiu em simplesmente esperar, mesmo não tendo ninguém por ele. Esse homem há 38 anos devia estar fazendo esse exercício de contemplação interior e de oração. Por isso ele, e não outro, foi interpelado e curado por Cristo (que acabou deixando o homem numa situação difícil quando mandou-o carregar a própria cama em pleno sábado, quando todo trabalho é interditado para os judeus).

Um mendigo, quando vê alguém mais aprumado, naturalmente trata por Senhor. Aquele homem chamara Cristo de Senhor, mas ele não tinha a menor ideia de quem se tratava. Ele não tinha ideia de que estava falando com o Senhor do universo, o Filho de Deus vivo. E a prova disso é que, quando os judeus o interpelaram por estar carregando a cama num sábado, ele respondeu “Aquele que me curou disse: ‘Toma o teu leito e anda’”. Mas ele não soube dizer quem o havia curado. Ele não conhecia o Cristo, exatamente como nós que também não conhecemos. E aí tem mais uma armadilha mais séria que a da interpretação da frase.

Depois disso o que o homem faz? Vai para o templo (olha o estado interior dele). Lá ele encontra novamente com Cristo. E então questiona: Quem és Tu? Esse diálogo não aparece explícito no Evangelho, mas nós sabemos que ocorreu porque depois o Evangelho esclarece: “O homem saiu e informou aos judeus que fora Jesus quem o havia curado”.

Então houve esse diálogo dentro do templo e é nesse contexto que vem a tal frase: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior!”. O que pode haver de pior do que viver 38 anos na borda de uma piscina buscando uma cura sem conseguir? Algo pode ser pior do que isso? Sim, pode ser pior se algo acontecer com nossa alma, pois é nela que está a essência do nosso ser. É a nossa alma, o nosso ser interior, que não pode ficar aleijado, nem ficar perdido. E Cristo quando curou o corpo é obvio que já tinha perdoado os pecados. É claro que a alma daquele homem já havia sido reintegrada. Era uma alma em plenitude. Só faltava a ressurreição da carne, só faltava a cura do corpo e o Salvador veio e o curou. É nesse momento que Cristo diz: “não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior”, que é exatamente perder a alma e a Vida do mundo que há de vir.

Porque para nós é tão difícil corresponder a esse “não peques mais”. Nós não estamos mais na borda da piscina, nós já mergulhamos na piscina. Nós fomos salvos, nós fomos recuperados, nós fomos curados. E mais do que lavados de nossas faltas pessoais, nós fomos ungidos (...) com o óleo e o selo do Espírito Santo. Então esse aviso fica para nós: “não volte a pecar”. Por que é tão difícil? Será que é porque nós não ficamos 38 anos aleijados com tempo para meditar sobre nós próprios para assim adquirirmos a humildade necessária? Será que ainda estamos pensando na vida a partir do nosso próprio umbigo, a partir do nosso próprio ego, e não conseguimos perceber o que se passa? Será que ainda não encontramos o lugar da cura ou ainda não acreditamos na cura? Será que ainda não buscamos a cura como aquele homem?

Primeiro, para que se tenha o espírito que aquele homem tinha, é preciso se considerar aleijado. Segundo, é preciso buscar a cura do “aleijão”. Depois, tem que encontrar o lugar da cura, se reconhecer aleijado e ficar em busca dessa cura para que ela venha. Pois esse tipo de cura não pode ser realizada por nós mesmos. Então temos que desistir dessa mania idólotra que temos de tentar resolver todos os nossos problemas por nossa própria conta. É necessária a vivência na fé. É necessário o apelo à fé. É necessária a confiança de que Cristo vem nos curar e nos salvar. Mas, para isso, precisamos buscar essa cura, querer essa cura e acreditar nessa cura. Isso é a vivência e o exercício na fé. Depois, é preciso guardar em nossa memória. E, quando digo memória, não estou falando de lembrança, porque lembrança é uma coisa e memória é outra. Memória significa ter sempre presente no entendimento o banho de cura que recebemos e viver coerentemente com o que aconteceu. Por isso que Cristo diz “vá e não voltes a pecar”.

É isso que está nessa frase. Quando nós detectamos que fizemos uma coisa errada, porque mentimos ou invejamos, o pecado já estava lá atrás, antes do sentimento, do pensamento ou do fato ter acontecido. A ‘coisa errada’ só acontece porque antes desviamos o olhar do Cristo, meu Criador e Salvador. Em vez de estarmos centrados na essência, na busca daquilo que sou enquanto homem... Não. Eu me distraio com as coisas mundanas, aceitei a máscara/personalidade que o mundo me impõe através de sua cultura e estou agindo conforme essa lógica. Nessa distração, personificação e aculturação já me separei de Deus. Estou agindo igualzinho a Adão no paraíso. O pecado já aconteceu mesmo antes da sua materialização. E quando nós conseguimos ter essa consciência e reverter essa atitude interior, o que foi feito não conta, já foi. É só um aleijão que nós vamos ficar esperando a hora de curá-lo. Mas antes é preciso que haja essa conversão, essa mudança da atitude interior. Em outras partes da sagrada Escritura, está dito: “onde está o teu olhar está o teu tesouro” e “os olhos são a candeia da alma”.

O quê que nós buscamos? Para o quê estamos olhando? O quê que nós queremos? Esse exercício de interiorização, que a Quaresma nos deu uma oportunidade impar, pelo jejum e pela oração, de olharmos para dentro de nós mesmos e sabermos quem nós somos, o que queremos e como conseguir o que queremos. É uma oportunidade ímpar que continua existindo dentro da Igreja e nós podemos e devemos continuar a investir nela. Se não, não adianta ser cristão de casca, ser cristão de verniz, ser cristão apenas de presença. O apóstolo Thiago disse: “A fé sem obras é morta”. Nós temos que agir e agir sobre nós próprios. É isso que significa “não peques mais, para que não te suceda coisa pior”. Se nós entendermos essas coisas por essa lógica, então nós entenderemos a justiça divina. Porque os outros continuaram lá tentando se lavar na água. Os outros cegos continuaram cegos, os aleijados continuaram aleijados, etc. Cristo não tem nada a haver com isso. Porque não é povo de Deus, não é gente de seu rebanho. Não são criaturas que buscam ser Seu discípulo. Não são ovelhas que se possam resgatar. Porque não são ovelhas. São lobos travestidos de ovelha.

Diante dessa frase do evangelho, nós devemos nos perguntar qual é a nossa dificuldade. Nós nos batizamos, depois reconhecemos o pecado, buscamos o confessor. E, daqui a pouco, estamos, de novo fazendo a mesma coisa. (Pelo menos vamos ser mais criativos, vamos inventar um pecado novo ao invés de estarmos sempre voltando para os mesmos e velhos).

É preciso se lembrar dessa frase: “para que não suceda algo ainda pior” e sim o melhor. Para que possamos além de curar os nossos aleijões sociais, os nossos aleijões psíquicos, os nossos aleijões espirituais, antes que se tornem aleijões na alma.

Para que com ela ressuscitemos na vida eterna junto com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. Amém.

domingo, 21 de março de 2010

O Quinto Domingo da Grande Quaresma – Domingo de Santa Maria do Egito

Não é possível estabelecer com precisão o que é a história e o que é lenda nas tradições relativa a “Santa Maria do Egito”. Deve-se admitir simplesmente o fato de a Igreja ter querido fazer dela, como o cantamos nas matinas: “um exemplo de arrependimento”. Ela é um símbolo de conversão, de contrição e de austeridade. . Ela exprime, neste último domingo da Quaresma, o derradeiro, o apelo mais urgente que a Igreja nos dirige antes dos dias sagrados da Paixão e da Ressurreição.

A Epístola lida na Liturgia (Hb. 9, 11-14) compara o ministério de Cristo ao do Sumo Sacerdote hebreu, que entrava uma vez por ano no Tabernáculo; mas Cristo “entra de uma vez por todas no santuário nos garantindo a salvação eterna”. O Sumo Sacerdote purificava e santificava os fiéis derramando sobre eles o sangue e os restos mortais das vítimas. “Quando mais o sangue de cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu ele mesmo sem mácula a Deus, purificará nossa consciência das obras mortas afim de que prestemos um culto a Deus Vivo?”.
 O Evangelho (Mc. 10, 32-45) descreve a ida de Jesus a Jerusalém, antes de sua Paixão. Jesus toma à parte os doze Apóstolos e começa a lhes dizer que será preso, condenado, morto e que ressuscitará. No início da Semana Santa, nós somos levados à parte pelo Salvador para uma conversa íntima onde ele nos explica o mistério da Salvação. Nós pedimos ao Mestre para nos mostrar mais profundamente o que se passa, por nós, no Gólgota? Nós damos a Jesus a possibilidade de tal encontro secreto? Aproveitamos as ocasiões de um “tête-à-tête” com o Senhor? Pois eis que os filhos de Zebedeu se aproximam de Jesus e lhe pedem para sentar em Sua glória, um à Sua direita e outro à Sua esquerda. Jesus lhes faz - e nos faz esta pergunta: “podereis vós beber o cálice que eu bebo”? O Mestre explica pois aos discípulos que a verdadeira grandeza consiste em servir. “O Filho do homem... não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos”.

A tarde desse último domingo de Quaresma já deixa entrever os clarões da entrada na Semana Santa, domingo próximo. Domingo próximo será o domingo de Lázaro, que Jesus ressuscitou. As vésperas celebradas na tarde do quinto domingo de Quaresma anunciam já Lázaro, o pobre da parábola angélica. “Permita que eu fique com o pobre Lázaro e livra-me do castigo do rico... Concede-nos rivalizar com sua resistência e sua longevidade”. A Igreja, de certa forma impaciente para entrar nos santíssimos dias que começarão na próxima semana, nos empurra, neste último domingo de Quaresma, de ir adiante da Festa que celebramos em sete dias: “Elevemos os cantos de oferenda para Domingo de Ramos, para que o Senhor, vindo gloriosamente a Jerusalém faça morrer a morte por seu poder divino... Preparemos com fé os estandartes da vitória gritando: “Hosana ao criador de todas as coisas!”

sexta-feira, 12 de março de 2010

O Quarto Domingo da Grande Quaresma – Domingo de São João Clímaco

A Igreja chama hoje nossa atenção sobre São João Clímaco, pois esse padre, que viveu no século VII, realizou em sua vida o ideal de penitência que deveríamos manter sob a vista durante a Quaresma. “Honremos João, orgulho dos ascetas...”, é o que cantamos às Vésperas. Durante as Matinas, nós dizemos ao Santo: “Ao emagrecer teu corpo pela abstinência, tu renovaste a força de tua alma, enriquecendo-a de glória celeste”. No entanto, a Igreja dá à doutrina de São João Clímaco uma interpretação correta, quando proclama que a ascese não tem nenhum sentido nem nenhum valor se não for uma expressão de amor e quando, ainda em Vésperas, ela dirige ao Santo as seguintes palavras: “...pois a todos (nós) tu clamaste: Amai O Senhor e encontrareis a graça para sempre, pois nada é preferível ao Seu Amor...”


Nós continuamos, durante a Liturgia, a leitura da Epístola aos Hebreus (Hb. 6, 13-20). Ela nos fala da paciência e da permanência de Abraão e da realização final das promessas que Deus havia feito ao Patriarca. É impossível a Deus mentir. É por isso que, como Abraão, nós somos “encorajados”- nós que encontramos um refúgio - a agarrar fortemente a esperança que nos é oferecida.

O Evangelho (Mc. 9, 16-30) descreve a cura de um filho mudo, possuído pelo demônio, que o pai conduz a Jesus. O Senhor diz ao pai: “Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”. O pai do menino clama em lágrimas: “Eu creio Senhor! (porém) ajuda a minha incredulidade”. Nós não poderíamos encontrar uma melhor fórmula para expressar ao mesmo tempo a existência de nossa fé e a fraqueza dessa fé. Porém somos nós capazes de chorar com lágrimas ardentes quando dizemos à Nosso Salvador: “Eu creio... mas ajuda a minha incredulidade!”? Jesus tem piedade do pai. Ele aceita aquela fé. Ele cura o filho. Os discípulos, indo ter com o Mestre em particular, perguntam-lhe porque não puderam eles mesmos expulsar o demônio. Jesus responde: “Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum”. Não vamos nós, porém, acreditar, que, uma abstinência prolongada e a repetição de algumas orações sejam suficientes para dar esta força que os discípulos ainda não possuíam. A oração e o jejum, no sentido mais profundo dessas palavras, significam uma renúncia radical a si próprio, a fixação da alma nessa atitude de confiança e de humildade que tudo espera da misericórdia de Deus, a submissão de nossa vontade à vontade do Senhor, a colocação de nosso ser inteiro nas mãos do Pai. Aquele que pela graça de Deus atinge este estado pode expulsar os demônios. Não poderíamos nós tentar dar ao menos os primeiros passos nesse caminho? Se tentarmos, seremos surpreendidos pelo resultado que obteremos.

domingo, 7 de março de 2010

O Terceiro Domingo da Grande Quaresma – Domingo da Adoração da Santa Cruz

A meio da quaresma, a Igreja, ergue diante de nós a Cruz de Cristo. Duas outras vezes durante o ano, a 14 de setembro e 1 de agosto, ela propõe a Cruz à nossa lembrança e à nossa veneração. Nessas duas festas, a adoração da Cruz está ligada a episódios históricos. Porém a memória da Cruz, no terceiro domingo da quaresma, faz somente apelo à nossa fé e à nossa piedade. Trata-se de proclamar o papel da Cruz na história da Salvação e de prepararmo-nos para a visão, ainda distante, daquela Cruz que, na Sexta-feira Santa será levantada sobre o Gólgota.

Durante as Matinas, ao fim da Grande Doxologia, o presbítero coloca uma Cruz sobre uma bandeja ornada de flores. Trazendo a Cruz acima de sua própria cabeça, ele sai do Santuário e da iconostase. É precedido de velas acesas e turíbulos. Chegando ao centro do Templo, ele coloca a Cruz sobre uma mesa. Ele a incensa. O cor canta: “Nós adoramos a Tua Cruz, ó Mestre, e glorificamos a Tua Santa Ressurreição”. O povo vem beijar a Cruz, que permanece assim exposta ao Centro da nave durante toda a festa. O sentido desta encontra-se bem expresso nesse cântico de matinas: “Contemplando, neste dia, a preciosa Cruz de Cristo, adoremo-la na fé, alegremo-nos e abracemo-la ardentemente, implorando ao Senhor que foi voluntariamente crucificado que nos torne dignos de adorar sua Crua preciosa e esperar o dia da Ressurreição, libertados de toda impureza”.
 A Epístola lida à Liturgia (Hb. 4,14 a 5,6), exorta-nos, já que temos Jesus como Sumo Sacerdote, a aproximarmo-nos com certeza do trono de graça, afim de obter o perdão dos nossos pecados. “Porque não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”.

O Evangelho (Mc. 8,34 a9,1) nos relembra as palavras graves e prementes do Mestre: “Aquele que quiser seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á; porém aquele que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á”. Estou eu pronto a seguir Jesus carregando a Cruz (não aquela que eu escolhi, porém aquela que Ele próprio colocará sobre meus ombros)? Quando, logo mais, eu me aproximar da Cruz exposta no meio da Igreja e lhe der um beijo, será o meu beijo o de um pecador não arrependido, um beijo de Judas, ou um gesto respeitoso e superficial que não mudará nada em minha vida, ou um sinal de adoração, de fé, de ternura que comprometerá toda a minha existência?

Evangelho do dia termina com a frase seguinte: “Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte, sem que vejam chegado o Reino de Deus com poder”. Não se trata aqui da segunda e gloriosa vinda de Cristo, no fim do mundo. Trata-se desta vinda de Cristo com força, inaugurada pelo Pentecostes e da qual a primeira geração cristã iria ser testemunha. Porém trata-se também de uma vinda invisível, não espetacular, do Reino, na alma dos crente e fervorosos. Oh! Que possa ser meu próprio destino e que eu não morra sem que o Reino de Jesus tenha tomado posse de minha alma.

terça-feira, 2 de março de 2010

O Segundo Domingo da Grande Quaresma - Domingo de São Gregório Palamas


Evangelho do primeiro domingo de quaresma termina com uma alusão ao mistério dos anjos. E são também os anjos que a Epístola de hoje evoca (Hb. 1, 10-2; 3). O texto sagrado compara o mistério àquele infinitamente maior, do próprio Salvador. Se a desobediência às mensagens que os anjos nos transmitem é justamente punida, quão mais seria punido o homem que negligencia a salvação anunciada e trazida pelo Cristo! Pois “a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés”?
Evangelho de hoje (Mc. 2, 1-12), relata a cura do paralítico de Cafarnaum. Jesus perdoa-lhe seus pecados e, como os escribas assombram-se de que outro que não Deus possa perdoar os pecados, ele responde: “Qual é mais fácil dizer ao paralítico?: estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: levanta-te, e toma o teu leito e anda?... para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, a ti te digo: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. O tema central deste episódio é a força tanto de perdão quanto de cura que possui o Senhor Jesus, A seguir, há a afirmação - mais ainda: a demonstração - de que a cura e o perdão não devem ser separados. O paralítico, deitado sobre seu leito foi colocado aos pés de Cristo. Ora, a primeira palavra de Jesus não foi: “Sê curado!”, porém: “Teus pecados te são perdoados”. Em nossos males físicos, antes mesmo de pedir por nossa libertação material nós devemos orar por nossa purificação interior, pela absolvição de nossas faltas. Jesus, enfim, ordena ao paralítico curado,de levar sua cama para casa. De um lado, a multidão seria convencida da realidade do milagre se visse esse homem tornado forte o bastante para carregar seu leito. De outro lado, aquele que foi perdoado, interiormente modificado por Jesus, deve mostrar aos de sua casa, por qualquer sinal evidente (não mais por carregar um leito, porém, por palavras, atos e atitudes), que ali está um homem novo que retoma seu ligar em seu ambiente.

Notaremos que a Epístola e o Evangelho desse dia não possuem nenhuma relação com São Gregório Palamas, apesar do calendário associar seu nome ao segundo domingo de Quaresma. É que a comemoração de Palamas só foi introduzida no século XIV quando a estrutura litúrgica desse domingo já encontrava-se fixadas segundo outras linhas. A memória de São Gregório Palamas é evocada nos ofícios de Vésperas e Matinas. São Gregório Palamas expôs e defendeu, no decorrer de vivas controvérsias, a doutrina teológica relativa à “Luz” divina. Os textos do ofício não entram nos detalhes ou precisões sobre os conceitos próprios a Palamas, mas falam de uma maneira geral da luz e D’Aquele que disse: “Eu sou a luz do mundo”. Em um resumo bastante substancial, um dos textos de Matinas associa três idéias: a do Cristo que ilumina os pecadores e da abstinência de Quaresma e a da palavra “levanta-te”, que o Salvador dirigiu ao paralítico e que nós dirigimos agora à ele próprio: “Tu trouxeste, Ó Cristo, a luz àqueles que viviam nas trevas do pecado, neste tempo de abstinência. Mostra-nos então o dia glorioso de Tua Paixão, afim de que possamos clamar à Ti: Levanta-Te, ó Deus, e tem piedade de nós!”

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

"Sobre a Virgem Toda-Santa, a Mãe de Deus"

“Sua Mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto Ele vos disser” (Jo. 2: 5).

Eis a alegria para todos os fiéis: aquela que é próxima ao Cristo Salvador nos céus, tal como fora na terra, cuida de todos os fiéis, ajuda-os e alerta-os, o que quer que Ele, Meu Filho e meu Deus, vos disser, fazei. É assim que Ela alerta os serventes nas Bodas de Cana, e eles A obedecem e vêm o milagre. Destas poucas palavras da Virgem Toda-Santa, Noiva de Deus, gravadas no Evangelho, recebemos uma preciosa instrução, em verdade a única instrução evangélica que Ela dá ao gênero humano durante Sua vida na terra. Fazei tudo quanto Ele vos disser. Embora Ela quisesse dizer: “Ele sabe tudo; Ele pode fazer tudo: Ele ama todos vós; todavia, deveis olhar nem aqui nem ali, antes ouvi-Lo e obedecê-Lo.” Ela compreendeu a responsabilidade neste mundo de viver para Ele e dirigir outros a Ele como a Fonte de vida, e ela voluntariamente continua a levar esta responsabilidade até dos céus. Através de toda história da Igreja, Ela disse aos fiéis de fazerem tudo o quê Ele diz. E até hoje, de sua glória celeste, Ela desce misticamente entre os fiéis a fim de aconselhá-los a fazerem o que Ele ordenara. Este é o Evangelho d´Ela – o Evangelho da Virgem Toda-Santa, da Mãe de Deus. Consiste não em quatro Evangelhos, mas antes quatro palavras: fazei tudo quanto Ele vos disser. Ó meus Irmãos, vamos obedecê-La! Vamos obedecê-La como uma mãe e mais do que nossa mãe, pois que deseja o maior bem para nós – o reinar no Reino Eterno de Seu Filho.

Ó Virgem Toda-Santa, ajuda-nos a cumprirmos Suas palavras.

A Ti e a Ele seja a glória e o louvor para sempre. Amém.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

"Sobre a ausência de pecado nas obras de Deus"

“E viu Deus que era bom” (Gênesis 1).

Irmãos, tudo o que foi criado e como fora criado pelo mais puro e sem pecado Deus é puro e sem pecado. Cada criatura de Deus é pura e sem pecado, enquanto ela estiver voltada para Deus. Cada criatura louva de si - mesma e glorifica a Deus enquanto ela for pura e sem pecado. Eis porque o salmista canta: “Que tudo o que respira louve o Senhor. Louvai ao Senhor (Aleluia)!” (Salmo 150:6). Cada criatura inteligente de Deus sente como que natural e fim primário o louvar o Senhor. E desde que é assim, irmãos, as pessoas perguntam: “Se fosse assim, de onde vem então o mal no mundo?” Ele vem do pecado, somente do pecado. O pecado fez mudar um Anjo de luz (Lúcifer) em um demônio. O próprio demônio fez-se a si - mesmo, de bom grado um vaso de pecado, apressando-se também a fazer de outras criaturas o mesmo. Pelas suas livres escolhas outros anjos consentem ao pecado como demônio e depois disto, as primeiras pessoas, Adão e Eva. Disto provém a mistura do bem como mal no mundo. Todavia, ainda hoje, o que é de Deus na criação é bom, tal como nos primeiros dias da criação. O veneno veio pelo pecado, pois que o pecado é veneno, o mais acre veneno que existe. O pecado foi a causa da maldição, trazido pelo obscurecimento das mentes, causando a hostilidade da criação para com o seu Criador, distanciou o homem de Deus e o homem do homem, e o homem da natureza e a natureza do homem. Ó meus irmãos, tudo o que provém de Deus é bom e tudo o que provém do pecado é mal. Não existe mal algum ligado a Deus, e não existe mal algum que não esteja ligado ao pecado. Muitos filósofos examinaram a essência do mal e, por causa de suas mentes primitivas, afirmaram que o mal está na matéria e que a matéria é má. Todavia, somente nós cristãos sabemos que o pecado é a essência do mal e que o mal não tem essência alguma além do pecado. A partir disto, é óbvio que se desejamos nos proteger do mal, devemos nos proteger do pecado.

Ó Deus sem pecados, ajuda-nos a protegermos a nós - próprios do pecado e da corrupção do pecado.

A Ti a glória e o louvor para sempre. Amém.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"Sobre o homem perfeito"

(…) Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. (Efésios 4:13).

A unidade da fé, irmãos, e o conhecimento do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, o Salvador, une dois homens em um único homem, mil pessoas em um único homem, e muitos milhões de pessoas em um único homem. A unidade da Fé em Cristo, o Senhor, e o verdadeiro conhecimento ortodoxo de Cristo, o Senhor, unem os homens com mais força do que o sangue, com mais força do que a língua, com mais força do que todas as circunstâncias externas e laços materiais. Quando muitas almas pensam como a mesma e única alma, desejam como a mesma e única alma e sentem como a mesma e única alma, então essas muitas almas são como uma alma, uma alma grande e poderosa. As diferenças físicas nesse caso têm muito pouco significado, e quase não devem ser levadas em conta. Assim, as mesmas almas são tomam a forma de um homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. As partes de um todo perfeito são, elas mesmas, perfeitas. Toda a alma cristã é uma parte do homem perfeito. Cristo é o homem perfeito de quem a Igreja é o Corpo Místico. Ele enche consigo mesmo todos aqueles que Nele crêem, de acordo com a medida da estatura de cada um. Ele é a plenitude acima de toda plenitude, a fonte viva que jorra e preenche todo o espaço digno. Na medida em que um homem se esvazia de tudo que não é de Cristo, Cristo irá entrar nele e irá preenchê-lo adequadamente.

Ó meus irmãos, além de uma fé firme, uma humildade profunda é necessária para que a Água Viva possa ser derramada em nós. Mesmo na natureza, podemos ver que a água irriga facilmente as terras baixas. Assim, quanto mais humilde é nosso rebaixamento perante o Senhor Jesus, mais voluntariamente Ele se derramará em nós, nos irrigará com o Seu Ser Vivificante, e nos preencherá como Seus vasos com a plenitude de Sua imortalidade.

Ó Senhor Jesus, Plenitude da vida, sabedoria, beleza e doçura, ajuda-nos a nos humilharmos perante Tua Divina Majestade, para que possamos ser dignos da Tua visitação.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

domingo, 6 de dezembro de 2009

"Sobre a graça e o dom"

Mas a graça foi dada a cada um de nós, segundo a medida do dom de Cristo. (Efésios 4:7).

Aqui está o princípio das distinções entre cristãos. Em primeiro lugar, o Apóstolo enumera aquilo que nos une, isto é, um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo, um só Deus e Pai de todos (Efésios 4:5-6). Todavia, aqui ele enfatiza aquilo que nos faz involuntariamente diferentes. A medida do dom de Cristo nos faz diferentes, a medida segundo a qual a graça do Espírito Santo é dada. Cristo é a Cabeça do grande corpo que é chamado de Igreja. Ele cria esse corpo e individualmente cria cada membro desse corpo; Ele é o Construtor e Ele é o Único que conhece o plano desta construção. Ele não permite que um membro nessa construção seja desproporcionalmente grande ou pequeno. Ele concede a medida apropriada para cada coisa e pessoa. Assim, Ele dá a um cinco talentos, ao outro dois e ao outro um. Ele mede e o Espírito Santo derrama Sua graça de acordo com essa medida. Ninguém deve ficar bravo ou ser invejoso. Ninguém deve ficar bravo, pois se alguém recebeu menos, terá que responder por menos. Ninguém deve ser invejoso, pois se alguém, recebeu mais, não pertence a ele, mas a Deus. Se ele tem muito, muito será cobrado dele, como está dito na divina parábola dos talentos.

Ó meus irmãos, que cada um de nós esteja consciente da medida do nosso dom e da nossa responsabilidade. Respeitemos nosso dom e o dom do nosso vizinho, pois todos os dons vêem de Deus e são de Deus.

Ó Senhor Jesus, o grande Doador de diversos dons, a Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

sábado, 5 de dezembro de 2009

"Sobre aquilo que constitui a unidade dos fiéis"

(...) um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos (Efésios 4:5-6).

Aqui está a razão importantíssima e extremamente óbvia para todos os cristãos guardarem a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Efésios 4:3) e ser um só corpo e um só espírito (Efésios 4:4). Pois o Único Senhor Jesus Cristo é nosso Criador, Redentor e Ressuscitador. Não há dois Cristos verdadeiros, para que haja divisão entre nós. Um só e o mesmo sangue foi derramado sobre a Cruz por todos nós, assim como uma só e mesma boca orou por todos nós no Getsêmani. Temos uma fé única na Santa Trindade, indivisível e vivificante: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, um em Essência e três em Pessoas – o Pai não gerado, o Filho gerado e o Espírito que procede do Pai. Temos um só batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Esse batismo é por imersão tríplice na água, para a morte para o pecado e o demônio, e para a ressurreição e vida no Cristo Senhor. Um só Deus e Pai de todos – o Pai do Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, que por meio do Cristo e por causa do Cristo nos adota e dá o direito de dizermos a Ele "Pai nosso".

Vedes, meus irmãos, quão fortes são os vínculos que nos unem? Nem mesmo as próprias estrelas estão ligadas por vínculos tão fortes, nem a água à terra, e nem o fogo ao ar. Vedes as avassaladoras razões que temos para a unidade? Tudo o mais que, da mão esquerda, nos compeliria à divisão é irrelevante comparado a essas razões, como um grão de areia comparado às altas montanhas. O demônio não pode destruir nossa unidade se não o ajudarmos. O demônio jamais pode nos sobrepujar se não nos rendermos a ele.

Ó Senhor Jesus, doce e gracioso, quão firmemente nos vinculaste para o bem eterno! Rogamos para que nos guarde neste vínculo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sábado, 28 de novembro de 2009

"Sobre Paulo, o prisioneiro"

Eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios (Efésios 3:1).

Irmãos, esse apóstolo do Cristo chama a si mesmo de "prisioneiro de Cristo". Como é que um apóstolo pode ser um prisioneiro? Um prisioneiro não é acorrentado? Sim, e o Apóstolo está acorrentado -- acorrentado pelo amor ao Senhor Jesus Cristo, com tanta força que sente que nenhum elo comparável existe na terra. O Apóstolo está acorrentado em sua mente ao Senhor Jesus, com tanta força que não consegue pensar em mais nada, exceto em Jesus Cristo, o Senhor. O Apóstolo está tão firmemente acorrentado, pela sua vontade, ao Senhor Jesus que, em essência, ele não tem uma vontade sua própria, mas submeteu completamente a sua vontade ao Senhor Jesus. E assim ele ama o que o Cristo ama, pensa o que o Cristo pensa e faz o que o Cristo deseja. Não é isso prisão? Ó bendita prisão, que é não para a vergonha mas para a glória, e não para a destruição mas para a salvação! Dessa forma o Cristo é o Senhor completo da vida do Apóstolo, tanto exterior quanto interiormente. Pois exterior e interiormente, o Cristo permite que ele seja tentado; exterior e interiormente, Ele lhe revela os prodígios de Sua Providência; exterior e interiormente, Ele o orienta ao bem perfeito, em prol de sua salvação e da de muitos outros.

Irmãos, encomendemo-nos também nós ao Senhor Jesus Cristo como o Seu Apóstolo o fez, e então estaremos nas mãos mais seguras e no caminho mais seguro.

Ó Senhor Jesus Cristo, grande e admirável Senhor, liga-nos a Ti, aprisiona-nos em Ti pelos séculos dos séculos, em ambos os mundos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"Sobre o fundamento e a pedra angular"

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra angular (Ef 2:20).

Irmãos, o fundamento dos apóstolos e profetas é a vida e obra dos apóstolos e profetas, isto é, o Velho e o Novo Testamentos. Quem une os apóstolos e os profetas? Cristo, o Senhor. Sem ele, nem os profetas entenderiam os apóstolos nem os apóstolos entenderiam os profetas. Assim sendo, Ele é o cumprimento dos profetas e testemunha dos apóstolos. Assim, Ele é a Pedra Angular, que ligou os profetas aos apóstolos e os mantêm juntos como a pedra angular mantém as paredes unidas. O Velho e Novo Testamentos inteiros estão unidos por Ele, encontram um significado Nele e revolvem em torno Dele, inspirados por Ele e suportados por Ele – o Senhor Jesus Cristo. Onde é que pagãos e judeus se encontrariam e onde entenderiam um ao outro se não em Jesus Cristo, o Senhor? Em lugar nenhum, a não ser Nele. Nele e por Ele, eles estão unidos em um Novo Homem, em um corpo imortal, em Uma, Santa e Católica Igreja. O corpo e a alma estão unidos em uma amizade mais grandiosa e santa somente através do Senhor Jesus. Os vínculos da alma e do corpo estavam em inimizade até Sua vinda na carne e essa inimizade conduziu à destruição da alma. Ele reconciliou e santificou ambos. Deste modo, se tornou a Pedra Angular de todo edifício imortal e agradável a Deus, seja ele um indivíduo ou família ou nação ou toda a raça humana, seja no presente, passado ou futuro ou da Velha Aliança ou da Nova Aliança. Ele é a pedra principal em todo edifício já que Ele é a Cabeça do Corpo, a Igreja de Deus.

Ó Senhor Jesus Cristo, Pedra Angular da nossa salvação, tem piedade de nós e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Sobre a única Paz e o Pacificador"

Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um (Ef 2:14).

Entre os israelitas e os pagãos se abriu um largo abismo, que nenhum mortal podia preencher ou nivelar. O Senhor Cristo é o único que podia fazer isso e assim o fez. Aquilo que havia sido separado, Ele aproximou e juntou. Através de que? Pelo "Seu Sangue", i.e., por "Seu Sacrifício" Ele substituiu qualquer outro sacrifício. Por isso, Ele redimiu toda a natureza e substituiu por Si próprio aquilo que os homens trouxeram e ofereceram a Deus (em outras palavras, aos deuses) como sacrifício. Um sacrifício é suficiente para ambos, israelitas e pagãos – isto é, o sacrifício de Cristo. Além do mais, o sangue dos animais separou os israelitas dos pagãos, ambos nos lugares onde foram oferecidos, pela divindade a quem eles ofereceram, pelo tipo de animal que foi oferecido e pelo modo como foi oferecido. E agora, o Mais Puro Sangue de Cristo une e faz de israelitas e pagãos irmãos. Um e outro se tornaram irmãos de sangue assim como todos nós, fiéis, somos irmãos de sangue por causa do Sangue de Cristo, pelo qual somos libertados da maldição e pelo qual somos alimentados. A parede de separação que estava no meio (Ef 2:14), que dividia e separava, Ele destruiu e juntou as mãos e os corações dos israelitas e dos pagãos. Através do que? Através do "Seu Corpo", i.e., pela verdade viva, pela verdade encarnada Nele próprio. A sombra da lei substituiu a verdade para os israelitas e as fábulas deram lugar à verdade para os pagãos. Ele removeu ambas e revelou a verdade viva no Corpo e o mundo viu e se alegrou.

Ó, Senhor Jesus Cristo, nosso abençoadíssimo Redentor, una os corações de nós, Seus fiéis.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém