“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Sobre o Verbo, Filho de Deus"

No princípio, era o Verbo (João 1:1)

O Logos – racional e inteligível Verbo - existia no princípio. Isso pertence à Natureza Divina de nosso Senhor Jesus Cristo. Irmãos, ao dizermos No princípio, achamos que o Verbo de Deus teve um princípio? Ou, houve certa data no tempo em que o Filho de Deus nasceu de Deus Pai? De jeito nenhum! Pois, o nascimento do Filho de Deus traz nem uma data nem um princípio, já que o tempo é uma condição deste mundo transitório e não afeta o Deus Eterno, logo afetando nada que seja de Deus. Pode o sol continuar sendo sol, se o seu brilho deixá-lo? Pode um homem continuar sendo homem se seu intelecto lhe for tirado? Pode o mel ser ainda mel se a doçura separar-se dele? Não pode. Muito menos ainda pode-se conceber Deus como separado de Seu Logos, de Seu Verbo racional, de Sua inteligência, de Sua sabedoria: o Eterno Pai separado de Seu Filho co-Eterno.

Não, irmãos, aquelas palavras não se referem ao princípio do Filho de Deus a partir de Deus Pai, mas sobre o início da história do mundo criado e a salvação da humanidade. Este princípio está no Verbo de Deus, no Filho de Deus. Ele deu o início tanto à criação do mundo como a salvação do mundo. Quem quer que fale da criação dos mundos visível e invisível ou da salvação da humanidade tem que começar com o Princípio. E este Princípio é o Verbo de Deus, a Sabedoria de Deus, o Filho de Deus. Por exemplo, se alguém contasse uma história sobre navegar numa lagoa, poderia começar assim: "No começo, havia um lago e, sobre ele, navegava um canoa branca..." Nenhuma pessoa sensata interpretaria as palavras "No começo, havia um lago..." como se o lago viesse à existência no mesmo dia em que a canoa navegava sobre ele. Do mesmo modo, nenhuma pessoa racional pode tomar as palavras do Evangelista, No princípio era o Verbo como se o Verbo de Deus fosse gerado por Deus no mesmo momento em que o mundo foi criado! Tanto como o lago existia centenas de anos antes de a canoa navegar sobre ele, assim existia por toda eternidade o Verbo de Deus antes da criação do mundo.

Filho de Deus, co-Eterno com o Pai e o Espírito Santo, ilumina-nos e salva-nos.

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ortophoto

Bulgária
autor: Boris Nikolaev

COMEÇO DA INDICÇÃO – NOVO ANO ECLESIÁSTICO - 01/14 setembro

O Primeiro Concílio Ecumênico (Nicéia, 325) decretou que o ano eclesial começasse em 1º. de setembro. Para os antigos hebreus, o mês de setembro era o início do ano civil (Êxodo 23:16), mês de realizar-se a colheita e de ofertar ações de graças a Deus. Foi na ocasião desta festa em que o Senhor Jesus entrou numa sinagoga em Nazaré (Lucas 4: 16-21), abriu o livro do Profeta Isaías e leu as palavras: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim para pregar boas-novas aos humildes; enviou-me para reerguer o angustiado, proclamar a liberdade aos cativos, abrir a prisão aos aprisionados e proclamar um ano da graça do Senhor, o dia da vingança de nosso Deus e confortar todos os aflitos (Isaías 61: 1-2).

O mês de setembro também é de suma importância para a história do Cristianismo, porque o Imperador Constantino, o Grande, derrotou Maxêncio, inimigo da fé cristã, em setembro. Após a vitória, Constantino conferiu liberdade de confissão à Fé Cristã em todo o Império Romano. Por muito tempo, o ano civil do mundo cristão seguia o ano eclesial com o início em 1º de setembro. Mais tarde, o ano civil foi modificado, transferindo seu começo para 1º de janeiro. Primeiramente, a mudança ocorreu na Europa Ocidental e, tempos mais tarde, na Rússia, sob Pedro, o Grande.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Degolação de São João Profeta, Precursor e Batista do Senhor - 29ago/11set


Herodes Antipas (filho do Herodes, que matou as crianças de Belém, na época do nascimento de Cristo) era governante da Galiléia, quando João, o Batista, estava pregando. Ele era casado com a filha de Aretas, um príncipe árabe. Mas, Herodes, um rebento maligno de uma raiz maldita, largou sua legítima esposa e infidedignamente tomou Herodias como sua concubina. Herodias era a esposa de seu irmão Felipe, que anda vivia. João, o Batista, levantou-se contra esta depravação e firmemente denunciou Herodes, que, por sua vez, lançou João à prisão. Durante um banquete em sua corte em Sebastia, na Galiléia, Salomé (filha de Herodias e Felipe) dançou diante dos convidados. Herodes, bêbado por causa do vinho, ficou tão inebriado pela dança que prometeu a Salomé qualquer coisa que ela lhe pedisse, até que fosse a metade seu reino. Persuadida por Herodias, ela pediu a cabeça de João, o Batista. Herodes, então, deu ordens aos guardas, João foi decapitado na prisão, e sua cabeça foi dada de presente a ela num prato. Os discípulos de João levaram o corpo de seu mestre à noite e honrosamente o enterraram, mas Herodias perfurou várias vezes a língua de João com um prego e enterrou sua cabeça num lugar impuro. O que veio a acontecer, mais tarde, à cabeça de João, o Batista, pode ser lido em 24 de fevereiro. Entretanto, a punição divina rapidamente caiu sobre o grupo de malfeitores. Príncipe Aretas, vingando-se da honra da filha, declarou guerra com seu exercito contra Herodes e derrotou-o. Derrotado, Herodes foi sentenciado pelo César Romano, Calígula, ao exílio (a princípio na Gália, mais tarde na Espanha). Herodes e Herodias viveram em extrema pobreza e humilhação no exílio, até que a terra abriu-se e engoliu-os. Salomé veio a ter uma terrível morte no Rio Sicaris (Sula) (veja “Reflexão” abaixo). A decapitação de São João ocorreu bem antes da Páscoa, mas estabeleceu-se sua celebração em 29 de agosto, porque uma igreja que havia sido construída sobre seu túmulo em Sebastia (pelo Imperador Constantino e a Imperatris Helena) foi consagrada em 29 de agosto. As relíquias dos discípulos de São João, o Batista – Eliseu e Audius – também foram depositadas nesta igreja.

Hino de Louvor
Ó São João, admirável Precursor,
Foste o Precursor do Glorioso Salvador,
Tua pureza tocou as almas humanas
E ressoou qual temível trombeta desde o Jordão.
Despertando os homens do sono e do vício da indolência,
Quando o machado estiver fincado à raiz da árvore.

A ti, eu me curvo; a ti, eu oro:
Ajuda-me a resistir a todos os ataques.
Ó mais poderoso de todos os profetas, a ti eu me curvo,
E, diante de ti, ponho-me de joelhos; diante de ti, eu rogo:
De teu coração, concede-me a força de um leão;
De teu espírito, concede-me o testemunho angélico.

Concede-me tua força, para que pela prática eu possa obter
Submissão a Deus e auto-controle,
Ser batizado pelo jejum, purificado pelas vigílias,
Adocicado pela oração e pela vista celestial;
Encarar qualquer martírio sem temor,
Com tua coragem e inabalável fé.

Ó São João, homem de Deus,
Glorioso Mártir da suprema justiça:
É a ti que os iníquos exércitos temem.
Não deixes de ouvir minha oração,
Para que eu possa apresentar-me, como uma verdadeira vela,
Diante do Senhor.

Reflexão
Se você observar a maneira em que uma pessoa morre, você descobrirá que a morte de um homem geralmente se assemelha a seu pecado: Pois todo aquele que tomar da espada pela espada morrerá (Mateus 26:52). Todo pecado é como uma faca, e os homens frequentemente são mortos pelo pecado que eles mais prontamente cometem. Um exemplo disso é o de Salomé – a tola filha de Herodias – que pediu e recebeu a cabeça de João Batista numa tigela. Vivendo na cidade espanhola de Lérida, com Herodes e Herodias exilados, Salomé cruzou, um dia, o rio congelado de Sicaris. O gelo, entretanto, quebrou, e ela afundou até a altura do pescoço. Fragmentos de gelo começaram a cercar seu pescoço, enforcando-a, e ela lutava sacudindo os pés na água, como certa vez ela dançara na corte de Herodes. Ela nem sequer conseguia erguer-se da água nem afundar, até que uma lâmina de gelo cortou-lhe a cabeça. A correnteza levou o corpo embora, mas sua cabeça foi levada a Herodias numa tigela, como outrora foi trazida a cabeça de João, o Batista. Observem o quão terrível uma morte assemelha-se ao pecado cometido.

Tropário, t. 2
A memória do justo é acompanhada de elogios, mas a ti Precursor, é suficiente o testemunho do Senhor; verdadeiramente te mostraste como o maior de todos os Profetas; tu foste digno de batizar nas águas do Jordão Aquele que eles haviam apenas anunciado; sobre a terra lutaste pela verdade, até nos Infernos, cheio de alegria, tu anunciaste o Deus manifestado na carne, que tira o pecado do mundo e nos concede a graça da salvação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Orthofoto

Georgia
autor: Paata Vardanashvili

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Grande Dodeca-Festa da Dormição da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 15/28 ago



O Senhor, Que no Monte Sinai, declarou o Quinto Mandamento, Honrará teu pai e tua mãe, mostrou com o próprio exemplo que se deve respeitar os pais. Pendurado na Cruz, em agonia, Ele Se lembrou de Sua Mãe e, apontando ao Apóstolo João, Ele Lhe disse: Mulher, eis o Teu filho. Depois disto, Ele disse a João: Eia a tua Mãe. E assim, cuidando de Sua Mãe, Ele deu o último suspiro. João possuía uma casa no Monte Sião, em Jerusalém, na qual, então, a Teotokos passou a morar. Ela morou lá até o fim de Seus dias sobre a terra. Com suas orações, gentil acompanhamento, humildade e paciência, ela imensamente assistiu os apóstolos do Filho. Ela passou a maior parte de sua vida restante sobre a terra em Jerusalém, geralmente visitando os lugares que A faziam lembrar dos grandes momentos e das grandes obras do Filho. Ela visitava especialmente o Gólgota, Belém e o Monte das Oliveiras. Já de Suas poucas viagens mais distantes, está registrada Sua visita a Santo Inácio, o Portador de Deus, em Antioquia; assim como Sua visita a Lázaro (aquele que o Senhor ressuscitou no quarto dia), Bispo de Chipre. Ela também visitou Monte Atos, que Ela abençoou; e Ela permaneceu em Éfeso com São João, o Evangelista, na época da grande perseguição aos cristãos em Jerusalém. Em Sua idade avançada, Ela geralmente orava a Seu Senhor e Deus no Monte das Oliveiras, o local da Ascensão, para que Ele A levasse deste mundo o mais breve possível. Numa dessas ocasiões, o Arcanjo Gabriel apareceu-Lhe e revelou-Lhe que Ela repousaria dentro de três dias. O anjo deu-Lhe uma ramo de palmeira, que deveria ser levado na procissão fúnebre d’Ela. Ela voltou para casa com grande alegria, trazendo em Seu coração a esperança de reencontrar os Apóstolos do Filho mais uma vez nesta vida. O Senhor realizou Seu desejo, e os apóstolos, trazidos pelos anjos nas nuvens, reuniram-se na casa do Monte Sião. Com imensa alegria, Ela os reencontrou, encorajou-os, aconselhou-os e confortou-os. Então, Ela, pacificamente, entregou Sua alma a Deus sem dores nem sofrimento físico. Os apóstolos conduziram-Na em Seu caixão, do qual exalava uma fragrância celestial. E, na companhia de muitos cristãos, carregaram o caixão ao Jardim do Getsêmani, ao sepulcro de Seus pais, Santos Joaquim e Ana. Pela Providência Divina, a procissão foi cancelada por uma turba de ímpios judeus. Mesmo quando Afitônio, um sacerdote judeu, agarrou o caixão a fim de virá-lo, um anjo de Deus prendeu-lhe as duas mãos. Ele, por sua vez, clamou aos apóstolos por ajuda e foi curado, declarando sua fé no Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo Tomé estava ausente – novamente, por Divina Providência – a fim de que um novo e gloriossíssimo mistério da Santa Teotokos fosse revelado. Tomé chegou apenas no terceiro dia e desejou venerar o corpo da Santa Puríssima. Porém, quando os apóstolos abriram o sepulcro, eles encontraram somente o sudário. O corpo não estava mais no túmulo! Naquela noite, a Teotokos, cercada pelo exército de anjos, apareceu aos apóstolos e disse-lhes: “Regozijai-vos! Eu estarei convosco para sempre.” Quanto à idade da Teotokos na ocasião de Sua Dormição, não se sabe exatamente, mas a opinião geral é a de que Ela ultrapassava os sessenta anos de idade.

Hino de Louvor
Assim falou o Pontentíssimo Senhor:
“De Teu coração, Virgem Pura,
Correrá água viva,
Os sedentos beberão Cristo.”
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Os sedentos beberão Cristo.
Por Ele, o amargo se torna doce;
Por Ele, a dor dos angustiados é sanada.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Doce bebida jorrada da eternidade,
Córrego que inunda nossa árida idade,
Mais uma vez, aos Céus, elevada,
Nosso mundo ressequido refresca-se.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Glória a Ti, Puríssima!
Glória a Ti, Mãe de Deus!
Geraste para nós o Cristo Vivente,
A Água Viva da graça!
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Reflexão
Cada fiel pode aprender alguma coisa – de fato, muita coisa – a partir da vida da Virgem Teotokos. Eu queria mencionar duas coisas. Primeiro, Ela frequentemente ia ao Gólgota, ao Monte das Oliveiras, ao Jardim do Getsêmani, Belém e aos outros lugares que ainda traziam a fragrância de Seu Filho. Ela orava de joelhos em todos esses lugares, especialmente o Gólgota. Deste modo, Ela deu o primeiro exemplo e ímpeto aos fiéis a visitarem os santos lugares por amor Àquele Que, por Sua presença, paixão e glória, tornou esses mesmos lugares santos e significantes. Também, aprendemos como Ela orava por uma breve partida desta vida, para que, quando se separasse de Seu corpo, Sua alma não encontrasse o príncipe da escuridão, seus horrores; e, escondido das regiões tenebrosas, Ela não visse a punição dos enegrecidos pelo pecado. Vês o quanto é terrível para a alma atravessar as Mansões de Provação? Se Ela – que deu a luz ao Destruidor do Hades e que possuía tremendo poder sobre os demônios – assim orava, o que nos resta, então? Por extrema humildade, Ela Se entregou a Deus e não confiou em Suas próprias obras. Portanto, muito menos devemos confiar em nossas obras e mais ainda entregarmos às mãos de Deus, clamando por Sua misericórdia, especialmente no momento em que alma partir do corpo.

Tropário, t.2
Conservando intacta a glória da tua virgindade, tu deste à luz o Verbo de Deus. Na tua Dormição, tu não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus. Tu te juntaste a Fonte da vida, tu que concebeste o Deus vivo, e que pelas tuas orações resgatas as nossas almas da morte

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Grande Dodeca-Festa da Transfiguração de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo – 06/19 ago


No terceiro ano de Sua pregação, com bastante freqüência o Senhor Jesus falava aos seus discípulos sobre Sua paixão próxima, como também de Sua glória que se seguiria ao Seu sofrimento na Cruz. Para que Sua inevitável paixão não desolasse completamente Seus discípulos e para que ninguém desviasse d’Ele, Ele, o Todo-Sábio, queria mostrar-lhes uma porção de sua divina glória antes de Sua paixão. Por esta razão, Ele tomou consigo Pedro, Tiago e João e, à noite, foi ao Monte Tabor, onde Ele foi transfigurado diante dos discípulos. Sua face reluziu como o sol, e suas vestimentas tornaram-se brancas como a luz (Mateus 17:2). Moisés e Elias, os grandes Profetas do Antigo Testamento, também Lhe apareceram. Vendo isto, Seus discípulos ficaram estupefatos. Pedro disse: Senhor, é bom estarmos aqui! Se desejares, façamos aqui três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias (Mateus 17:4). Pedro ainda falava, quando Moisés e Elias partiram, e uma nuvem luminosa envolveu o Senhor e Seus discípulos. Da nuvem, provinha uma voz que dizia: Este é o Meu Filho bem-amado, em quem Me comprazo; escutai-O (Mateus 17:5). Ouvindo à voz, os discípulos caíram com face por terra, como mortos, e permaneceram neste estado, prostrados de medo, até que o Senhor chegou a eles e disse: Levantai e não tende medo (Mateus 17:7). Por que o Senhor levou somente três discípulos, e não todos, ao Tabor? Porque Judas não era digno de contemplar a divina glória do Mestre, quem ele trairia; e o Senhor não o queria sozinho no sopé da montanha, para que o traidor não justificasse sua traição por causa disso. Por que Se transfigurou Nosso Senhor numa montanha e não num vale? Para ensinar-nos duas virtudes: amor ao trabalho e pensamentos santos – pois escalar ao alto requer esforço, e as próprias alturas representam a elevação de nossos pensamentos às coisas de Deus. Por que Nosso Senhor transfigurou-Se à noite? Porque a noite é bem mais adequada do que o dia para a oração e aos bons pensamentos; e a noite, com sua escuridão, oculta toda a beleza da terra e revela a beleza dos céus estrelados. Por que Moisés e Elias apareceram? A fim de destruir a falácia judia de que Cristo era um dos profetas – Elias, Jeremias ou outro. Eis porque Ele apareceu como Rei, acima dos profetas, e Moisés e Elias como servos. Até este momento, nosso Senhor manifestou Seu poder aos discípulos em muitas ocasiões, mas, no Monte Tabor, Ele manifestou Sua natureza divina. A visão de Sua Divindade e o ouvir do celestial testemunho de ser Ele o Filho de Deus deveriam servir aos discípulos nos dias da paixão do Senhor – no fortalecimento de uma fé inabalável n’Ele e na Sua vitória final.

Reflexão
Por que Nosso Senhor, no Tabor, não manifestou Sua divina glória a todos os discípulos, ao invés de apenas três deles? Primeiro, Ele Mesmo concedeu a Lei pela boca de Moisés: Pela boca de duas ou três testemunhas, estebelecer-se-á a questão (Deuteronômio 19:15). Deste modo, três testemunhas são suficientes. Estas três testemunhas representam as três principais virtudes: Pedro – a Fé, pois ele foi o primeiro a confessar sua fé como o Filho de Deus; Tiago – a Esperança, pois com a fé na promessa de Cristo, ele foi o primeiro que renegou sua vida pelo Senhor, sendo o primeiro a ser morto pelos judeus; João – o Amor, pois ele repousou a cabeça sobre o peito do Senhor e permaneceu ao pé da Cruz do Senhor até o fim. Deus não é chamado o Deus de muitos, mas o Deus dos escolhidos. Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e Jacó (Êxodo 3:6). Muitas vezes, Deus valorizou um simples fiel do que uma nação inteira. Assim, em muitas ocasiões, desejou Ele destruir a nação judaica inteira, porém – pelas orações do justo Moisés – Ele poupou a nação, para que esta pudesse existir. Deus atentou mais ao fiel Profeta Elias do que a todo o reino incrédulo de Acab. Em atenção às orações de um único homem, Deus salvou cidades e povos. Por conseguinte, a cidade pecadora de Ustiug seria eliminada pelo fogo e granizo, se não fosse salva pelas orações do único homem justo que nela residia, São Procópio, o Loco-por-Cristo (8 de Julho).

Tropário, t.7
Ó Cristo, nosso Deus, que Te transfiguraste sobre o monte Tabor, mostrando a Teus discípulos a Tua glória, tanto quanto lhes era possível contemplá-la, faz brilhar também sobre nós pecadores a Tua Luz eterna, pelas orações da Mãe de Deus. Glória a Ti, Senhor, que nos fizeste ver a verdadeira Luz!

Kondakion, t. 7
Ó Cristo, nosso Deus, Tu Te transfiguraste sobre o monte, mostrando a Teus discípulos a Tua glória, tanto quanto lhes era possível contemplá-la, a fim de compreenderem, quando Te vissem crucificado, que aceitaste livremente a Tua Paixão e anunciarem ao mundo que Tu és verdadeiramente o esplendor

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ortophoto

Rússia
autor: Hongor

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os Santos Apóstolos Pedro e Paulo – 29 de junho/ 12 de julho


No tempo após o Pentecostes consideramos algumas festas liturgicamente secundárias. Voltemos agora às três grandes festas deste período. A primeira pela data (29 de junho/12 de julho) é a dos Apóstolos Pedro e Paulo. Existe um estreito laço espiritual entre esta festa e a do Pentecostes, pois o testemunho dos apóstolos é o fruto direto da descida do Espírito Santo sobre eles. A importância da festa de São Pedro e São Paulo no ciclo litúrgico bizantino é indicada pelo fato de uma quaresma especial - chamada de “quaresma dos apóstolos” - prepara os fiéis para esta solenidade. Este período de jejum começa na 2ª feira que se segue ao 1º domingo após o Pentecostes e termina no dia 28 de junho/11 de julho.

“Exaltemos Pedro e Paulo, estes dois luzeiros da Igreja pois eles brilham no firmamento da fé...” Assim cantamos nas vésperas da festa, na noite de 28 de junho. Nas matinas como nas vésperas os hinos parecem partilhar igualmente o louvor entre os dois apóstolos, a quem nos dirigimos um a cada vez. Entretanto o evangelho lido nas matinas trata especialmente sobre o apóstolo Pedro. Aí ouvimos nosso Senhor (Jo. 21,14-25) perguntar três vezes a Pedro: “Tu me amas?”. Na primeira vez Jesus diz: “Tu me amas mais do que estes?” Três vezes Pedro responde com uma humildade às vezes triste e às vezes chorosa: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. E três vezes Jesus lhe diz para apascentar o rebanho do Bom Pastor: “Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas...” Depois Jesus prediz a Pedro de maneira velada “o gênero de morte pelo qual Pedro devia glorificar a Deus”. Este evangelho tem duas coisas para nos dizer. Primeiro, coloca claramente a pergunta única, pergunta que temos e que teremos que responder: “Tu me amas?” Tudo, na vida cristã, se reduz a esta pergunta. Podemos nós responder como Pedro: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo?” Não seriam nossas ações um lamentável desmentido desta afirmação? Entretanto responder simplesmente que não amamos o Senhor seria desconhecer e sufocar as aspirações - por mais fracas que sejam - que o Espírito Santo põe em nossos corações e dirige para Cristo. Digamos, então, a Jesus: “Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo. Não espero nada de mim; espero tudo da Graça”. O segundo ensinamento dado por este evangelho concerne a natureza da autoridade na Igreja. O Senhor confere aqui a Pedro uma autoridade especial. Percebemos primeiro que esta autoridade está fundamentada sobre uma primazia do amor - “tu me amas mais do estes?” - e em seguida que ela consiste em um serviço humilde e desinteressado - “apascenta minhas ovelhas...”. Entre cristãos toda preeminência que não for uma preeminência de amor e de serviço não corresponde às intenções de nosso Senhor. Toda autoridade que, na Igreja, se expressasse em termos de prestígio ou de posse material ou de domínio tornar-se-ia estranha e hostil à solicitude verdadeiramente pastoral à qual Jesus chama Pedro para participar. Sobre estas palavras do Senhor a Pedro serão julgados todos aqueles que reivindicam uma autoridade no seio da comunidade dos fiéis.

A liturgia de 29 de junho/ 12 de julho manifesta, pelos textos que nos faz ouvir, o quanto o ministério de Pedro e o de Paulo são todos dois necessários e complementares. O evangelho (Mt.16,13-19) contém a confissão de Pedro em Cesaréia de Filipos: “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo...” e a resposta de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja, e as Portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Este texto levantou muitas controvérsias. Mas permanece certo que Jesus quis reconhecer e sancionar pela concessão de um poder espiritual eminente, o ato de Fé que Pedro acabava de formular. A epístola (2Co.11,21-12;9) - da qual ouvimos a maior parte no 19º domingo após o Pentecostes - enumera os títulos de Paulo, chamado diretamente ao apostolado por Cristo, foi considerado como igual ou mesmo superior em autoridade aos ministros do Evangelho já regularmente instituídos e reconhecidos: “Eles são ministros de Cristo?...Eu, mais do que eles...” Paulo fundamenta esta afirmação de um lado pelos sofrimentos que enfrentou, de outro pelas graças e revelações que lhe foram concedidas. Um estudo atento das relações dele com os Onze pode ensinar-nos muito sobre a questão da autoridade na Igreja. Paulo nunca levantou-se contra o elemento institucional representado pelo apostolado “histórico” dos Onze. Ele recebeu a imposição de mãos daqueles que já eram reconhecidos como possuindo o Espírito Santo. Ele submeteu à aprovação da Igreja reunida em Jerusalém seus próprios métodos de apostolado. Mas jamais admitiu nem que sua vocação extraordinária fosse inferior à vocação normal dos outros apóstolos, nem que seu conhecimento de Cristo, todo espiritual e recebido pela graça, fosse menor que o conhecimento que tinham de Jesus os seus primeiros discípulos; nem que ele devesse sacrificar suas próprias convicções face ao mais autorizado dos apóstolos: “quando Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe em face, porque ele estava errado”. Quanto mais a Igreja for dominada pelo Espírito Santo, mais ela ultrapassará toda tensão entre autoridade regularmente adquirida e a liberdade espiritual. Uma síntese deve estabelecer-se entre a tradição e a inspiração. Pedro e Paulo não podem ser separados; e é por isso que a Igreja os comemora no mesmo dia. Digamos com ela: “Rejubila, ó Apóstolo Pedro, tu, o grande amigo do Mestre, Cristo nosso Deus. Rejubila bem amado Paulo, pregador da fé e doutor do universo. Por isso, intercedei junto a Cristo nosso Deus pela salvação de nossas almas”.

A Igreja quer associar todos os outros apóstolos à homenagem que ela presta a Pedro e Paulo. Assim, no dia 30 de junho, ela dedica à comemoração coletiva dos Doze. Como diz o Kondakion do dia: “... comemorando hoje a sua memória, nós glorificamos Aquele que os glorificou”.
Tropário dos Apóstolos, t. 4
Príncipes dos divinos Apóstolos e doutores do Universo, intercedeis junto do Mestre Universal para que ao mundo Ele dê a Paz e que conceda às nossas almas a graça da salvação.
Kondákion dos Apóstolos, t. 2
Os infalíveis pregadores da palavra de Deus, os Corifeus dos teus Apóstolos, Senhor, encontraram junto de ti o lugar do seu repouso, no usufruto dos Teus bens, pois Tu acolheste os seus sofrimentos e suas mortes melhor que outra oferenda das primícias da terra, Tu, O único que pode ler o coração dos homens.
Extraído de “L’An de Grace du Seigneur” - Ed. du Cerf, 1988
Boletim Interparoquial, Julho de 2002

terça-feira, 6 de julho de 2010

OrtoPhoto

Igreja de São Nectários, em Faliraki, Rhodos, Grécia
autor: alik

terça-feira, 8 de junho de 2010

OrtoPhoto

Bulgária
Autor: Damianka

A Água e a Luz do Mundo (Jo. 7:37 – 8:12)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amados irmãos.

No Evangelho que acaba de ser proclamado, nosso Senhor afirma “Se alguém tem sede, venha a mim” e se tornará a fonte de “rios de água viva”. E depois diz “Eu sou a luz do mundo”. Ele escolheu esses dois elementos, a água e a luz, não por acaso, mas porque, na terra, sem esses dois elementos, a vida é impossível.

A nossa vida, a vida de todos os seres vivos deste planeta, depende da água e depende da luz. Mas quando Cristo usa a água e a luz, Ele não usa esses elementos apenas como símbolo ou como imagem. As palavras que Deus profere são expressões do plano de Deus (ou da Sua vontade, do amor ou o querer do Deus criador, neste contexto tudo tem o mesmo sentido).

Deu disse “Haja luz” e houve luz. Ele proferiu a palavra “Haja”. E com essa palavra a luz se fez. Essa palavra é o Logos de Deus, a Sabedoria de Deus, o Verbo de Deus. A imagem da vontade divina que organiza e possibilita a existência de toda a criação.

Mas, para que essa luz tenha se feito, algum “combustível”, alguma energia, alguma potência, alguma força teve que fazê-la acontecer. E tudo existe assim. Tudo tem uma força, ou, na linguagem usada pela Igreja, todo movimento tem um espírito ou é conforme um espírito. Da mesma forma que nenhum carro anda sem combustível, nós também precisamos de força, de energia, para poder agir. Tudo na criação é assim, pressupõe uma energia, uma força, uma potência que oferece condições para que algo aconteça. E isso é assim porque no sublime momento da Criação uma potência estava presente para que a palavra se realizasse. Essa força procede de Deus, é o Seu Espírito, a terceira Pessoa da SS. Trindade.

Se nós pararmos para lembrar, tudo foi criado pela Palavra. Tudo foi criado por Deus Pai, pelo Cristo e com Espírito Santo. Se nós formos parar para pensar na profundidade das realidades, podemos dizer que todo o alimento, assim como tudo que mata a sede, é, em última instância, a Palavra, pela qual tudo foi criado. O Verbo de Deus é a última instância de tudo o que existe em nossa vida e no mundo. Tudo deriva da palavra criadora que foi proferida e da ação (potência) do Santo Espírito. E a criação está aí, decaída ou não decaída, não importa está aí. Mantêm-se.

E Cristo nela permanece. E quando a plenitude dos tempos chegou, Ele apresentou-se como homem. E foi como homem que proferiu essas palavras que acabamos de ouvir. Ele, como homem, cumpriu os princípios que foram estabelecidos na natureza para todos os homens. Também teve que entregar Seu corpo a Terra e como Deus que é, ascender aos céus. Ele fez isso em Seu corpo glorioso, no corpo ressuscitado. Mas Ele prometeu que, quando viesse o Paráclito, Ele permaneceria conosco até os confins dos tempos. E Ele permanece. Hoje. Ele está aqui, misteriosamente presente, não mais em carne e osso. Ele está numa forma diferente, Ele está espiritualmente. Atualizado pelo Espírito Santo. O Seu corpo é que agora é oferecido na forma de pão e vinho misteriosamente transformados pelo Espírito.

Esse pão era um trigo que foi amassado, macerado, foi levado ao fogo, para só então ficar pronto para ser doado, entregue e consumido. A uva era uma fruta singela que foi esmagada e fermentada, elevada as últimas temperaturas da fermentação, para se transformar num vinho bom. São transformações naturais, ainda no plano do nosso entendimento, da nossa vivência. Depois, esse pão e esse vinho são, misteriosamente, transformados em carne e sangue de Cristo. Aí, já é um mistério que a nossa inteligência não alcança. Mas também não precisamos dela nesse estágio. Precisamos de outra coisa, precisamos da fé.

Todos nós que temos sede. Quando ela aperta, vamos imediatamente atrás de um copo d’água. Mesmo sem entender qual é o processo bioquímico que faz com que a sede cesse. Quando a luz elétrica pifa, a primeira coisa que fazemos é buscar uma vela, uma luz. Nós temos esse instinto de proteção de não ficar na escuridão. Nós procuramos a luz, independentemente de prévios questionamentos. Nós fazemos isso porque luz e água são necessárias ao nosso bem estar.

Mas aqueles homens, que estavam lá, caíram na armadilha da inteligência carnal. Eles questionaram que aquele homem não podia ser profeta. Eles estavam presos a regras, a princípios, a leis, a raciocínios humanos. Porque a Lei dizia que o Messias viria de Belém, da casa de Davi. Ora, aquele ali vinha da Galiléia. Mal eles sabiam que estavam arando em plena ignorância. Eles não sabiam que, na verdade, Cristo havia nascido em Belém. Tal como nós, que ignoramos como a água mata a sede.

Na hora que temos sede, nós não nos deixamos cair na armadilha do raciocínio. Nós não assumimos a postura de não beber a água antes de entender o processo pelo qual ela faz a sede cessar. A conclusão é que há um “que” de fé ao saciarmos a nossa sede. Por isso que Cristo diz “Se alguém tem sede, venha a mim” e dele “jorrarão rios de água viva”. A relação com Cristo é a mesma coisa. Tem que necessariamente ser um ato de fé. Não interessa saber se Ele é da Galileia ou se é de Belém. Ou se é profeta ou se não é. Não temos que ficar fazendo essas contabilidades e esses raciocínios. É para se investir na Fé.

Ou agente ama ou agente não ama. Ou agente quer ou agente não quer. Ou agente tem sede ou agente não tem sede. E nisso Cristo não interfere. Ele deixa que sintamos a sede que nos é natural. Mas de uma coisa se pode ter certeza, Ele mata a sede. Essa é a relação. Não há outra maneira de se relacionar com Deus que não seja assim. É preciso que nós, de certa forma, no cotidiano, nos processos da vida, sejamos um pouco pão e um pouco vinho. São os exercícios de fé.

É preciso se deixar ser macerado como o grão, amassado como a massa, para crescer, tomar forma, ser assado e virar alimento. É preciso que nos deixemos esmagar e fermentar como a uva para que viremos vinho. Isso por nossa própria decisão. Nessa dimensão da vida, nós temos o domínio necessário para tomar a decisão de buscar a ascese espiritual, a decisão de nos empenharmos no exercício das virtudes cristãs, para assim sermos imagem do pão. E ao mesmo tempo tomar a atitude, perante Deus, de se entregar, se derramar e aceitar a Fé que Ele nos convida a viver e, assim, ser imagem do vinho.

Isso é necessário. Porque se nós não formos um pouco pão e um pouco uva, não haverá comunhão alguma entre nós e a carne e o sangue que nós recebemos na Eucaristia. Para haver comunhão é preciso que haja sinergia (encontro de vontades, esse é o amor verdadeiro). Deus vem e nós vamos, para que haja um encontro. Se Deus vem e nós não vamos, o encontro não acontece. E a comunhão se torna uma mentira. No plano do humano, nós precisamos fazer esse exercício de ser pão e vinho. Mas, depois, temos que fazer o exercício da sede, que é a própria fé. É preciso a entrega. É preciso ir buscar aquilo de que se sente necessidade interior. Se não houver o exercício, nós não vamos descobrir essa sede e fome interior. Por isso são necessários os exercícios cristãos. Por isso nós nos reunimos em Igreja. Por isso rezamos. Por isso nos confessamos. Por isso jejuamos.

E, uma vez que essa necessidade seja encontrada, vamos buscar a saciedade em Cristo. Sem questionamento, sem querer entender, sem querer fazer como Lúcifer ou como Adão no Paraíso. Sem essa de querer entender primeiro para depois aceitar.

Não. Uma vez que a sede e a fome interior foram encontradas, nós estamos preparados para a comunhão. Então é só aceitar. Da mesma forma que o Criador enviou o Seu Espírito Santo sobre a Terra, através de Seu Filho, para que os Apóstolos obrassem em Igreja. O mesmo acontecerá com cada um de nós. Se nós fizermos o exercício espiritual de buscar a comunhão com Deus. De aceitar os preceitos da Igreja. De se entregar a uma vida cristã.

Depois, conscientes da própria fome e sede de Espírito, vamos saciá-la em Cristo e com Cristo. Nesse momento já não é mais a nossa vontade, já não é nossa a inteligência, já não é o nosso entendimento. É o Espírito Santo que estará nos conduzindo.

Se não fizermos isso, ficaremos como cegos na escuridão, como aqueles homens, presos ao questionamento sobre se é possível, se é verdade. “Será possível que um Profeta venha de Belém?”

Aqueles homens estavam na escuridão, discutindo se Jesus seria ou não um profeta. Enquanto, no final do Evangelho, Cristo diz: “Eu sou a Luz do mundo”.

Portanto, amados irmãos. Essa é a mensagem do Evangelho de hoje, nesse dia de Pentecostes, ela diz que nós devemos nos deixar iluminar pelo Espírito de Deus. Se nós não estivermos dispostos a nos entregar, pela fé, ao desconhecido, na esperança de que o Espírito nos conduza à Vida eterna, então, a vida nesse mundo será inútil. As nossas relações uns com os outros serão inúteis. E estarmos aqui presentes nessa Igreja também será uma inutilidade total.

É necessário que primeiro tenhamos essa pré-disposição interior (humana, psicológica, da inteligência) de querer e aceitar o que a Igreja nos chama a viver. É a partir desse momento que verdadeiramente começaremos a nos conhecer, conhecer a nossa sede interior. Aos poucos, vamos descobrir quem nós somos no plano de Deus. Então a Luz irá se fazendo em nossa vida. Descobriremos qual é a nossa imagem, qual é a nossa semelhança, qual é o nosso papel, ou seja, o que Deus quer de nós. E nós vamos saber isso através da nossa própria fome e sede. Ao tentar saciar a sede e a fome interior, estaremos sendo iluminados e conduzidos pelo Espírito até a Vida Eterna. Onde viveremos todos pela Graça de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Arcebispo Chrisóstomo