“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mensagem Pascal do Santo Sínodo dos Bispos da Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia para os veneráveis clérigos, reverendos monges e para todos os fiéis.

“Vinde todos fiéis,
reverenciar a Santa Ressurreição de Cristo,
pois eis que pela cruz chegou a alegria ao mundo inteiro"

CRISTO RESSUSCITOU!

“Jesus saiu do túmulo como havia predito...” e nós, hoje, tendo consciência desta verdade comemoramos este dia pleno de luz que é a Santa Páscoa e inclinamo-nos diante da luz da Ressurreição de Cristo dentre os mortos, o Doador da Vida, que destruiu o inferno e a morte e deu-nos a vida eterna.

A Ele pertence a glória e o poder pelos séculos dos séculos!, pois que nesta santa e salvífica noite ...a luz eterna do túmulo de Cristo iluminou corporalmente a todos. A verdade contida nestas palavras nos dá a alegria espiritual e dá “alegria ao mundo todo”.

Irmãos e irmãs! A verdade Pascal, dando-nos alegria espiritual, permanecerá a base da vida humana que vence a morte e a destruição. Cristo pela Sua Ressurreição conduziu-nos da morte para a vida e deu-nos a possibilidade da vida espiritual assim como a entrada no Reino celeste.

A Santa Igreja, nossa Mãe, tendo consciência desta verdade, proclama: “Dia da Ressurreição! Resplandecei de alegria, povos todos! Ó Páscoa, Páscoa do Senhor! Da morte para a vida e da terra para o céu, Cristo Deus nos transportou, a nós que cantamos este hino triunfal”!

Cristo vencedor da morte é o começo da nossa ressurreição e vida eterna: “Eu sou a ressurreição e a vida - disse o Senhor – quem crê em mim, ainda que morra viverá” (Jo 11, 25). Ele é a “Verdadeira Luz, que ilumina e instrui cada ser humano vindo ao mundo”. (Jo 1, 9).

Irmãos e irmãs! Cristo Ressuscitou! Ressuscitemos nós também! Ele em si mesmo ressuscitou a humanidade. Ressuscitará, também, aqueles, que com Ele aceitam seu Puríssimo Corpo e Sangue e, assim, tornam-se membros da Santa Igreja, da qual Ele é a Cabeça. Ele preenche a vida do homem com sentido e esperança, ajuda a dar resposta às diversas perguntas da vida diária do homem. Sua Verdade afugenta de nós o medo, o desânimo e o desespero. São Serafim de Sarov dizia: “Cristo Ressuscitou! Minha alegria!”. E o apóstolo Paulo disse: “...tudo posso naquele que me fortalece”. (Fp 4, 13).

O Triunfo Pascal abrange toda a criação, o mundo todo, valoriza-o com Sua Graça. Hoje tudo está pleno de luz, o céu e a terra e todo o abismo. São João Chrisóstomo fala: “Cristo ressuscitou e a vida brilha em sua plenitude”.

O Cristo ressuscitado em sua ressurreição dos mortos une tudo: “o futuro, o presente e o passado”. Sai do túmulo como o Noivo da câmara nupcial, com o sinal da vitória sobre a morte. “Cristo saiu do túmulo como havia predito e deu-nos a vida eterna e a sua grande misericórdia”. A morte perdeu sua força e já não possui poder sobre a vida: “... Onde então, ó morte, está teu aguilhão? Onde está tua vitória, ó inferno?” (Os 13, 14).

A Igreja responde a estas perguntas com as palavras do Verbo de Deus: “Celebremos a morte da morte e a derrocada do inferno e o começo da vida eterna”. “Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito o primogênito dentre os mortos” (I Co 15, 20). Triunfa todo o mundo angélico e o humano: “É justo que os Céus rejubilem, que a terra permaneça na alegria, que o mundo esteja em festa, o visível e o invisível, pois Cristo alegria eterna, ressuscitou”.

A alegria da Santa Páscoa veio ao mundo através da Sexta-Feira Santa e da Santa Cruz, na qual foi crucificado o Deus-homem Jesus Cristo. A Cruz, a partir deste momento torna-se o centro da vida humana e da vida do mundo. A verdade esta expressa nos hinos da Igreja: “....Nós veneramos a Tua Cruz, ó Cristo, nós cantamos e glorificamos a Tua Santa Ressurreição, ...”. Daí a nossa compreensão ortodoxa da Páscoa, da Cruz e da Ressurreição.

A Santa Cruz é o fortalecimento da nossa fé. Ela ao longo de toda a história do cristianismo venceu o mal. Ela vence também hoje e nenhuma oposição ou força inimiga a podem vencer. Nós, seres humanos, acreditamos profundamente nisso e confessamos ao mundo: “Confiem, confiem, povo de Deus, pois que Ela venceu os inimigos como toda Poderosa”. Com tudo que colocam contra a Cruz, relembremos as palavras do crucificado nela, Jesus: “...Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34).

Irmãos e irmãs! Fiéis da nossa Igreja ao longo de toda a história humildemente carregam suas cruzes. Carreguemo-la também hoje e amanhã, lembrando as palavras do Cristo Ressuscitado: “....Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8, 34). Nos cânticos da Igreja cantamos: “...sou grande pecador nesta vida terrena ajuda-me, Deus, a carregar a minha cruz”.

Este caminho seguiram nossos antepassados. Nos momentos de difíceis experiências sempre encontraram a ajuda de Cristo, o Vencedor do abismo. Assim foi há 300 anos atrás. No ano de 1710, vivenciando um período de doença, eles se dirigiram com suas cruzes para o milagroso ícone de Cristo Salvador no Santo Monte Grabarka. À sombra de sua cruz, que fincaram em torno da igreja, conseguiram a cura. As cruzes no monte Grabarka são o exemplo visual do poder da Santa Cruz. Os milagres do ícone do Salvador e as cruzes trazidas por nós para este lugar santo testemunham ao mundo o grande poder da santa Cruz. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. (At 4, 12).

Irmãos e irmãs! Celebrando a Páscoa de 2010 façamos nossos agradecimentos ao Crucificado e Ressuscitado Jesus por toda a Sua misericórdia dirigida à nós, pelas alegrias e pelas tristezas. Ele nos convoca: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30).

“Tende bom ânimo, sou eu, não temais” (Mt 14, 27). Com entusiasmo espiritual chegamos com a alegria de Nosso Senhor. Tanto os primeiros como os últimos alcançarão o prêmio do misericordioso Senhor. “Que ninguém lamente os pecados, porque o perdão resplandeceu do túmulo”, para aqueles que desejam recebê-lo.

Caros padres, monges e monjas, irmãos e irmãs, jovens e crianças!

Convocamos todos vocês, que se tornem participantes da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Ofertemos tudo na Ressurreição”, de modo a saciarmo-nos com a alegria e a luz da Ressurreição de Cristo Salvador.

CRISTO EM VERDADE RESSUSCITOU!

Pela Misericórdia Divina, humildemente:

+ Sawa, Metropolita de Varsóvia e toda a Polônia
+ Simão, Arcebispo de Lodz e Poznan
+ Adão, Arcebispo de Peremysl e Novy Sonde
+ Jeremias, Arcebispo de Vratislávia e Estétino
+ Abel, Arcebispo de Lublin e Chelm
+ Miron, Bispo de Gajnovka
+ Tiago, Bispo de Bialystok e Gdansk
+ Gregório, Bispo de Bielski
+Chrisóstomo, Arcebispo de Rio de Janeiro e Olinda-Recife
+Ambrósio, Bispo de Recife
+ Jorge, Bispo de Siemiatycz
+ Paísios, Bispo de Piotrkow

Páscoa de Cristo do Ano de 2010, Varsóvia.

domingo, 21 de março de 2010

O Quinto Domingo da Grande Quaresma – Domingo de Santa Maria do Egito

Não é possível estabelecer com precisão o que é a história e o que é lenda nas tradições relativa a “Santa Maria do Egito”. Deve-se admitir simplesmente o fato de a Igreja ter querido fazer dela, como o cantamos nas matinas: “um exemplo de arrependimento”. Ela é um símbolo de conversão, de contrição e de austeridade. . Ela exprime, neste último domingo da Quaresma, o derradeiro, o apelo mais urgente que a Igreja nos dirige antes dos dias sagrados da Paixão e da Ressurreição.

A Epístola lida na Liturgia (Hb. 9, 11-14) compara o ministério de Cristo ao do Sumo Sacerdote hebreu, que entrava uma vez por ano no Tabernáculo; mas Cristo “entra de uma vez por todas no santuário nos garantindo a salvação eterna”. O Sumo Sacerdote purificava e santificava os fiéis derramando sobre eles o sangue e os restos mortais das vítimas. “Quando mais o sangue de cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu ele mesmo sem mácula a Deus, purificará nossa consciência das obras mortas afim de que prestemos um culto a Deus Vivo?”.
 O Evangelho (Mc. 10, 32-45) descreve a ida de Jesus a Jerusalém, antes de sua Paixão. Jesus toma à parte os doze Apóstolos e começa a lhes dizer que será preso, condenado, morto e que ressuscitará. No início da Semana Santa, nós somos levados à parte pelo Salvador para uma conversa íntima onde ele nos explica o mistério da Salvação. Nós pedimos ao Mestre para nos mostrar mais profundamente o que se passa, por nós, no Gólgota? Nós damos a Jesus a possibilidade de tal encontro secreto? Aproveitamos as ocasiões de um “tête-à-tête” com o Senhor? Pois eis que os filhos de Zebedeu se aproximam de Jesus e lhe pedem para sentar em Sua glória, um à Sua direita e outro à Sua esquerda. Jesus lhes faz - e nos faz esta pergunta: “podereis vós beber o cálice que eu bebo”? O Mestre explica pois aos discípulos que a verdadeira grandeza consiste em servir. “O Filho do homem... não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos”.

A tarde desse último domingo de Quaresma já deixa entrever os clarões da entrada na Semana Santa, domingo próximo. Domingo próximo será o domingo de Lázaro, que Jesus ressuscitou. As vésperas celebradas na tarde do quinto domingo de Quaresma anunciam já Lázaro, o pobre da parábola angélica. “Permita que eu fique com o pobre Lázaro e livra-me do castigo do rico... Concede-nos rivalizar com sua resistência e sua longevidade”. A Igreja, de certa forma impaciente para entrar nos santíssimos dias que começarão na próxima semana, nos empurra, neste último domingo de Quaresma, de ir adiante da Festa que celebramos em sete dias: “Elevemos os cantos de oferenda para Domingo de Ramos, para que o Senhor, vindo gloriosamente a Jerusalém faça morrer a morte por seu poder divino... Preparemos com fé os estandartes da vitória gritando: “Hosana ao criador de todas as coisas!”

sexta-feira, 12 de março de 2010

O Quarto Domingo da Grande Quaresma – Domingo de São João Clímaco

A Igreja chama hoje nossa atenção sobre São João Clímaco, pois esse padre, que viveu no século VII, realizou em sua vida o ideal de penitência que deveríamos manter sob a vista durante a Quaresma. “Honremos João, orgulho dos ascetas...”, é o que cantamos às Vésperas. Durante as Matinas, nós dizemos ao Santo: “Ao emagrecer teu corpo pela abstinência, tu renovaste a força de tua alma, enriquecendo-a de glória celeste”. No entanto, a Igreja dá à doutrina de São João Clímaco uma interpretação correta, quando proclama que a ascese não tem nenhum sentido nem nenhum valor se não for uma expressão de amor e quando, ainda em Vésperas, ela dirige ao Santo as seguintes palavras: “...pois a todos (nós) tu clamaste: Amai O Senhor e encontrareis a graça para sempre, pois nada é preferível ao Seu Amor...”


Nós continuamos, durante a Liturgia, a leitura da Epístola aos Hebreus (Hb. 6, 13-20). Ela nos fala da paciência e da permanência de Abraão e da realização final das promessas que Deus havia feito ao Patriarca. É impossível a Deus mentir. É por isso que, como Abraão, nós somos “encorajados”- nós que encontramos um refúgio - a agarrar fortemente a esperança que nos é oferecida.

O Evangelho (Mc. 9, 16-30) descreve a cura de um filho mudo, possuído pelo demônio, que o pai conduz a Jesus. O Senhor diz ao pai: “Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”. O pai do menino clama em lágrimas: “Eu creio Senhor! (porém) ajuda a minha incredulidade”. Nós não poderíamos encontrar uma melhor fórmula para expressar ao mesmo tempo a existência de nossa fé e a fraqueza dessa fé. Porém somos nós capazes de chorar com lágrimas ardentes quando dizemos à Nosso Salvador: “Eu creio... mas ajuda a minha incredulidade!”? Jesus tem piedade do pai. Ele aceita aquela fé. Ele cura o filho. Os discípulos, indo ter com o Mestre em particular, perguntam-lhe porque não puderam eles mesmos expulsar o demônio. Jesus responde: “Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum”. Não vamos nós, porém, acreditar, que, uma abstinência prolongada e a repetição de algumas orações sejam suficientes para dar esta força que os discípulos ainda não possuíam. A oração e o jejum, no sentido mais profundo dessas palavras, significam uma renúncia radical a si próprio, a fixação da alma nessa atitude de confiança e de humildade que tudo espera da misericórdia de Deus, a submissão de nossa vontade à vontade do Senhor, a colocação de nosso ser inteiro nas mãos do Pai. Aquele que pela graça de Deus atinge este estado pode expulsar os demônios. Não poderíamos nós tentar dar ao menos os primeiros passos nesse caminho? Se tentarmos, seremos surpreendidos pelo resultado que obteremos.

domingo, 7 de março de 2010

O Terceiro Domingo da Grande Quaresma – Domingo da Adoração da Santa Cruz

A meio da quaresma, a Igreja, ergue diante de nós a Cruz de Cristo. Duas outras vezes durante o ano, a 14 de setembro e 1 de agosto, ela propõe a Cruz à nossa lembrança e à nossa veneração. Nessas duas festas, a adoração da Cruz está ligada a episódios históricos. Porém a memória da Cruz, no terceiro domingo da quaresma, faz somente apelo à nossa fé e à nossa piedade. Trata-se de proclamar o papel da Cruz na história da Salvação e de prepararmo-nos para a visão, ainda distante, daquela Cruz que, na Sexta-feira Santa será levantada sobre o Gólgota.

Durante as Matinas, ao fim da Grande Doxologia, o presbítero coloca uma Cruz sobre uma bandeja ornada de flores. Trazendo a Cruz acima de sua própria cabeça, ele sai do Santuário e da iconostase. É precedido de velas acesas e turíbulos. Chegando ao centro do Templo, ele coloca a Cruz sobre uma mesa. Ele a incensa. O cor canta: “Nós adoramos a Tua Cruz, ó Mestre, e glorificamos a Tua Santa Ressurreição”. O povo vem beijar a Cruz, que permanece assim exposta ao Centro da nave durante toda a festa. O sentido desta encontra-se bem expresso nesse cântico de matinas: “Contemplando, neste dia, a preciosa Cruz de Cristo, adoremo-la na fé, alegremo-nos e abracemo-la ardentemente, implorando ao Senhor que foi voluntariamente crucificado que nos torne dignos de adorar sua Crua preciosa e esperar o dia da Ressurreição, libertados de toda impureza”.
 A Epístola lida à Liturgia (Hb. 4,14 a 5,6), exorta-nos, já que temos Jesus como Sumo Sacerdote, a aproximarmo-nos com certeza do trono de graça, afim de obter o perdão dos nossos pecados. “Porque não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”.

O Evangelho (Mc. 8,34 a9,1) nos relembra as palavras graves e prementes do Mestre: “Aquele que quiser seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á; porém aquele que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á”. Estou eu pronto a seguir Jesus carregando a Cruz (não aquela que eu escolhi, porém aquela que Ele próprio colocará sobre meus ombros)? Quando, logo mais, eu me aproximar da Cruz exposta no meio da Igreja e lhe der um beijo, será o meu beijo o de um pecador não arrependido, um beijo de Judas, ou um gesto respeitoso e superficial que não mudará nada em minha vida, ou um sinal de adoração, de fé, de ternura que comprometerá toda a minha existência?

Evangelho do dia termina com a frase seguinte: “Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte, sem que vejam chegado o Reino de Deus com poder”. Não se trata aqui da segunda e gloriosa vinda de Cristo, no fim do mundo. Trata-se desta vinda de Cristo com força, inaugurada pelo Pentecostes e da qual a primeira geração cristã iria ser testemunha. Porém trata-se também de uma vinda invisível, não espetacular, do Reino, na alma dos crente e fervorosos. Oh! Que possa ser meu próprio destino e que eu não morra sem que o Reino de Jesus tenha tomado posse de minha alma.

terça-feira, 2 de março de 2010

O Segundo Domingo da Grande Quaresma - Domingo de São Gregório Palamas


Evangelho do primeiro domingo de quaresma termina com uma alusão ao mistério dos anjos. E são também os anjos que a Epístola de hoje evoca (Hb. 1, 10-2; 3). O texto sagrado compara o mistério àquele infinitamente maior, do próprio Salvador. Se a desobediência às mensagens que os anjos nos transmitem é justamente punida, quão mais seria punido o homem que negligencia a salvação anunciada e trazida pelo Cristo! Pois “a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés”?
Evangelho de hoje (Mc. 2, 1-12), relata a cura do paralítico de Cafarnaum. Jesus perdoa-lhe seus pecados e, como os escribas assombram-se de que outro que não Deus possa perdoar os pecados, ele responde: “Qual é mais fácil dizer ao paralítico?: estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: levanta-te, e toma o teu leito e anda?... para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, a ti te digo: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. O tema central deste episódio é a força tanto de perdão quanto de cura que possui o Senhor Jesus, A seguir, há a afirmação - mais ainda: a demonstração - de que a cura e o perdão não devem ser separados. O paralítico, deitado sobre seu leito foi colocado aos pés de Cristo. Ora, a primeira palavra de Jesus não foi: “Sê curado!”, porém: “Teus pecados te são perdoados”. Em nossos males físicos, antes mesmo de pedir por nossa libertação material nós devemos orar por nossa purificação interior, pela absolvição de nossas faltas. Jesus, enfim, ordena ao paralítico curado,de levar sua cama para casa. De um lado, a multidão seria convencida da realidade do milagre se visse esse homem tornado forte o bastante para carregar seu leito. De outro lado, aquele que foi perdoado, interiormente modificado por Jesus, deve mostrar aos de sua casa, por qualquer sinal evidente (não mais por carregar um leito, porém, por palavras, atos e atitudes), que ali está um homem novo que retoma seu ligar em seu ambiente.

Notaremos que a Epístola e o Evangelho desse dia não possuem nenhuma relação com São Gregório Palamas, apesar do calendário associar seu nome ao segundo domingo de Quaresma. É que a comemoração de Palamas só foi introduzida no século XIV quando a estrutura litúrgica desse domingo já encontrava-se fixadas segundo outras linhas. A memória de São Gregório Palamas é evocada nos ofícios de Vésperas e Matinas. São Gregório Palamas expôs e defendeu, no decorrer de vivas controvérsias, a doutrina teológica relativa à “Luz” divina. Os textos do ofício não entram nos detalhes ou precisões sobre os conceitos próprios a Palamas, mas falam de uma maneira geral da luz e D’Aquele que disse: “Eu sou a luz do mundo”. Em um resumo bastante substancial, um dos textos de Matinas associa três idéias: a do Cristo que ilumina os pecadores e da abstinência de Quaresma e a da palavra “levanta-te”, que o Salvador dirigiu ao paralítico e que nós dirigimos agora à ele próprio: “Tu trouxeste, Ó Cristo, a luz àqueles que viviam nas trevas do pecado, neste tempo de abstinência. Mostra-nos então o dia glorioso de Tua Paixão, afim de que possamos clamar à Ti: Levanta-Te, ó Deus, e tem piedade de nós!”

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

OrtoFoto

Rússia
autor: Vladimir Esenkin

sábado, 23 de janeiro de 2010

Irineu de Nis é entronizado como Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia

O Concílio Geral da Igreja Ortodoxa Sérvia elegeu o bispo de Nich Irinei o novo Patriarca da Igreja Sérvia. Segundo a agência sérvia “Tanug”, Irinei é o 45 Chefe da Igreja Ortodoxa da Sérvia. O novo Patriarca nasceu em 1930 na aldeia de Vidovo perto da cidade de Chachak.

O novo Patriarca da Igreja Ortodoxa da Sérvia foi entronizado, este sábado, na Catedral de Belgrado. Irineu (Irinej) de Nis, 80 anos, sucede ao Patriarca Paulo, falecido no dia 15 de Novembro do ano passado, aos 95 anos, e pode abrir uma nova página do diálogo inter-religioso e ecumênico. O novo líder dos ortodoxos sérvios é visto como uma figura moderada. Mostrou-se favorável a uma visita do Papa Bento XVI à Sérvia, em 2013. Essa será a data dos 1700 anos do Édito de Milão, também conhecido como «édito da tolerância», que concedeu liberdade religiosa aos cristãos no Império Romano. O encontro seria o primeiro desde o cisma de 1054 que dividiu cristãos católicos e ortodoxos. A Igreja Ortodoxa Sérvia tem cerca de onze milhões de fiéis em todo o mundo e um grande peso na política nacional. Irineu de Nis já se mostrou contra a independência do Kosovo, que qualificou de «terra santa». (CET | euronews)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

OrtoFoto

Sérvia
autor: Branislav Backovic

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

OrtoFoto

Mosteiro de Optima
Rússia

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MENSAGEM DE NATAL DO SANTO SÍNODO DE BISPOS DA IGREJA ORTODOXA AUTOCÉFALA DA POLÔNIA

Para o venerável clero, reverendos monges e todos os cristãos ortodoxos que amam a Deus.

“Cristo nasceu, para elevar o homem decaído” Tropário da Vigília de Natal.

Guiados pela Providência Divina, de novo, em humildade nos aproximamos da modesta gruta com este objetivo: reverenciar dignamente a Cristo, o menino-Deus que nela repousa. Aproximemo-nos d’Ele com glória angélica: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa-vontade” (Lc 2, 14), compreendendo que o homem apenas é digno de se chamar homem quando glorifica seu Criador, o Celeste Deus-Pai.

Como nos fala o Santo Evangelho lido neste dia santo, os anjos rejubilam por todo o mundo com a extraordinária proclamação de Deus, que em carne se revelou aos homens. Esta proclamação depois da passagem de milênios, hoje, particularmente ressoa em nossos templos.

Irmãos e Irmãs!

Na santa noite do Nascimento de Cristo a Santa Igreja proclama a todos em seus hinos, não apenas a nós, a grande alegria da vinda à terra do Criador de todo o mundo, que para o homem torna-se Salvador. Esta alegria não é comparável com nenhuma outra, uma vez que revela à humanidade a esperança da vida eterna. Por isso, não apenas relembramos, mas festejamos o Nascimento de Cristo como se ele se realizasse hoje.

Na noite do Nascimento de Cristo rejubilam o céu e a terra, os homens e os anjos juntos glorificam a Deus. O Senhor nos convoca à alegria e à paz do mesmo modo que aos humildes pastores em Belém. Entretanto, nossa alegria é ainda mais plena e perfeita. Graças ao Santo Evangelho sabemos que o Nascimento de Cristo é o começo da economia Divina da nossa salvação.

Nos dias de Sua vida terrena o Senhor consolou os que choravam, curou os doentes, purificou os leprosos, ergueu os paralíticos, fortaleceu a fé dos duvidosos. Toda a Sua atividade terrena foi uma demonstração de amor, misericórdia e compaixão pelo homem pecador.

Eis por que a alegria do Natal pode tocar o mais petrificado coração. Na noite de Natal esquecemos as doenças e infortúnios. A consolação Divina abrange e preenche cada alma sofredora e triste. Com Sua Graça o Senhor nos dá ajuda nas mais difíceis situações, não apenas na vida das pessoas comuns, mas também na vida de toda a Igreja, do país e da nação.

Irmãos e Irmãs!

Cada um de nós é chamado a proclamar Nosso Senhor Jesus Cristo não apenas com palavras, mas também com atitudes. Por isso, o digno do nome de cristão não é aquele que com a boca glorifica o menino Deus encarnado, mas aquele que com oração visita os doentes e com boas obras ajuda os necessitados, aquele que com sábias palavras aquece a alma de outro homem.

Somente o Nosso Senhor Jesus Cristo nos dá o sentido da vida e coragem para passar pela morte. Apenas Ele pode nos dar esperança para uma vida melhor. Apenas Ele inflama em nós o amor para todo o bem. Por isso, a Santa Igreja hoje nos chama, a todos nós, para irmos ao Seu encontro proclamando com as palavras do Cânon da Santa Festa do Natal: “Cristo nasceu, glorificai-o! Cristo desceu dos céus, ide ao Seu encontro! Cristo está na terra, exaltai-o! Toda terra cante ao Senhor, e cante louvores em alegria! Ó povos, cantem louvores pois Ele foi glorificado” (1ª Ode do Cânon)

Irmãos e Irmãs!

A Festa do Nascimento de Cristo é também excelente oportunidade de encerramento do ano que passou. Na nossa Igreja, pela misericórdia de Deus, o ano transcorreu em paz e tranqüilidade. Fomos testemunhas da nossa viva fé no Salvador e de Sua dedicação à Sua Santa Igreja. Neste ano, pela primeira vez na história, nos visitou o chefe da antiga Igreja Apostólica de Chipre, Sua Beatitude Arcebispo Chrisóstomo que participou da principal Festa no Santo Monte em Grabarka. Tiveram lugar também outros acontecimentos na vida de nossa Igreja, como a comemoração dos vinte anos de ensino religioso para crianças e jovens nas escolas, o que é muito importante para nós.

Avaliamos a atuação de nossos jovens, que outras Igrejas Locais consideram como modelo. Com agradecimento ao Supremo Deus festejamos os 30 anos de peregrinação de jovens ao Santo Monte Grabarka. Alegrando-nos com estas conquistas, nos voltamos hoje com particular atenção para a educação das futuras gerações, que antes de tudo realiza-se na família.Cada geração humana possui suas particularidades, suas características próprias. Isto é natural, uma vez que a vida não copia o passado. O tempo não pára, e usufruindo das experiências anteriores, incessantemente segue em frente.

A experiência da saúde da vida familiar é sinal de saúde da futura geração. Precisamente em tal família forma-se a consciência da criança, depois a do jovem homem e no final a do adulto. Na família repousa a grande responsabilidade pela educação de seus filhos. Esta responsabilidade a Igreja divide com a família e, por isso, dá grande significado à pequena Igreja que constitui a família ortodoxa, e sua saúde demarca a saúde de toda a comunidade da Igreja e do nosso país.

O homem é obrigado a viver entre muitos escândalos de todo tipo. Por isso, a Igreja e a família devem ajudar ao jovem homem, que ingressa na vida, em independentes realizações e opções a escolher aquilo que é melhor e mais sensato.

Nossas escolas junto com a Santa Igreja e com as famílias carregam a responsabilidade diante de Deus e com o destino da nação. Elas estão comprometidas em inculcar no jovem que ama o bem, a desenvolver a percepção interna, que ajudará a ele a reconhecer e superar os escândalos da vida.

Nossos tempos de secularização e relativismo exigem de nós, ortodoxos, particular vigilância de modo a não perder esta grande herança espiritual e cultural da Santa Ortodoxia, que nos legaram nossos ancestrais. Nesta obra, a família, sob vários aspectos, deve auxiliar a Ortodoxia.

Nós, fiéis ortodoxos, somos chamados a realização do bem, porque todo bem procede de Deus, Vifivicante Fonte de toda alegria, de modo a levar o bem ao mundo e o enriquecer. É esta nossa tarefa no século XXI.

Irmãos e Irmãs!

Nesta noite festiva do Nascimento de Cristo, cordialmente cumprimentamos o venerável clero, monges, jovens, e crianças e todos os fiéis da nossa Igreja com a plena alegria da Festa do Nascimento de Cristo e o Ano Novo de 2010.

CRISTO NASCEU, LOUVAI-O!

Humildemente:

+ Savas, Metropolita de Varsóvia e toda a Polônia,

+ Simeão, Arcebispo de Lodz e Poznan

+ Adão, Arcebispo de Przemysl e Novo Sacz

+ Jeremias, Arcebispo de Wroclaw e Szczecin

+ Abel, Arcebispo de Lublin e Chelm

+ Mirão, Bispo de Hajnówka

+ Tiago, Bispo de Bialystok e Gdansk

+ Gregório, Bispo de Bielsk Podlaski

+ Jorge, Bispo de Siemiatycze

+ Paísios, Bispo de Piotrkow

+ Chrisóstomo, Arcebispo do Rio de Janeiro e Olinda - Recife

+Ambrósio, Bispo do Recife

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, 2010.

Vársóvia

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

OrtoFoto

Interior da Igreja do Cristo Salvador, Moscou, Rússia

"Sobre a Virgem Toda-Santa, a Mãe de Deus"

“Sua Mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto Ele vos disser” (Jo. 2: 5).

Eis a alegria para todos os fiéis: aquela que é próxima ao Cristo Salvador nos céus, tal como fora na terra, cuida de todos os fiéis, ajuda-os e alerta-os, o que quer que Ele, Meu Filho e meu Deus, vos disser, fazei. É assim que Ela alerta os serventes nas Bodas de Cana, e eles A obedecem e vêm o milagre. Destas poucas palavras da Virgem Toda-Santa, Noiva de Deus, gravadas no Evangelho, recebemos uma preciosa instrução, em verdade a única instrução evangélica que Ela dá ao gênero humano durante Sua vida na terra. Fazei tudo quanto Ele vos disser. Embora Ela quisesse dizer: “Ele sabe tudo; Ele pode fazer tudo: Ele ama todos vós; todavia, deveis olhar nem aqui nem ali, antes ouvi-Lo e obedecê-Lo.” Ela compreendeu a responsabilidade neste mundo de viver para Ele e dirigir outros a Ele como a Fonte de vida, e ela voluntariamente continua a levar esta responsabilidade até dos céus. Através de toda história da Igreja, Ela disse aos fiéis de fazerem tudo o quê Ele diz. E até hoje, de sua glória celeste, Ela desce misticamente entre os fiéis a fim de aconselhá-los a fazerem o que Ele ordenara. Este é o Evangelho d´Ela – o Evangelho da Virgem Toda-Santa, da Mãe de Deus. Consiste não em quatro Evangelhos, mas antes quatro palavras: fazei tudo quanto Ele vos disser. Ó meus Irmãos, vamos obedecê-La! Vamos obedecê-La como uma mãe e mais do que nossa mãe, pois que deseja o maior bem para nós – o reinar no Reino Eterno de Seu Filho.

Ó Virgem Toda-Santa, ajuda-nos a cumprirmos Suas palavras.

A Ti e a Ele seja a glória e o louvor para sempre. Amém.