“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

OrtoFoto

Rússia
autor: Igor D.

"Sobre o homem perfeito"

(…) Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. (Efésios 4:13).

A unidade da fé, irmãos, e o conhecimento do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, o Salvador, une dois homens em um único homem, mil pessoas em um único homem, e muitos milhões de pessoas em um único homem. A unidade da Fé em Cristo, o Senhor, e o verdadeiro conhecimento ortodoxo de Cristo, o Senhor, unem os homens com mais força do que o sangue, com mais força do que a língua, com mais força do que todas as circunstâncias externas e laços materiais. Quando muitas almas pensam como a mesma e única alma, desejam como a mesma e única alma e sentem como a mesma e única alma, então essas muitas almas são como uma alma, uma alma grande e poderosa. As diferenças físicas nesse caso têm muito pouco significado, e quase não devem ser levadas em conta. Assim, as mesmas almas são tomam a forma de um homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. As partes de um todo perfeito são, elas mesmas, perfeitas. Toda a alma cristã é uma parte do homem perfeito. Cristo é o homem perfeito de quem a Igreja é o Corpo Místico. Ele enche consigo mesmo todos aqueles que Nele crêem, de acordo com a medida da estatura de cada um. Ele é a plenitude acima de toda plenitude, a fonte viva que jorra e preenche todo o espaço digno. Na medida em que um homem se esvazia de tudo que não é de Cristo, Cristo irá entrar nele e irá preenchê-lo adequadamente.

Ó meus irmãos, além de uma fé firme, uma humildade profunda é necessária para que a Água Viva possa ser derramada em nós. Mesmo na natureza, podemos ver que a água irriga facilmente as terras baixas. Assim, quanto mais humilde é nosso rebaixamento perante o Senhor Jesus, mais voluntariamente Ele se derramará em nós, nos irrigará com o Seu Ser Vivificante, e nos preencherá como Seus vasos com a plenitude de Sua imortalidade.

Ó Senhor Jesus, Plenitude da vida, sabedoria, beleza e doçura, ajuda-nos a nos humilharmos perante Tua Divina Majestade, para que possamos ser dignos da Tua visitação.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

OrtoFoto

Romênia
autor: Ovidiu Man

domingo, 6 de dezembro de 2009

"Sobre a graça e o dom"

Mas a graça foi dada a cada um de nós, segundo a medida do dom de Cristo. (Efésios 4:7).

Aqui está o princípio das distinções entre cristãos. Em primeiro lugar, o Apóstolo enumera aquilo que nos une, isto é, um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo, um só Deus e Pai de todos (Efésios 4:5-6). Todavia, aqui ele enfatiza aquilo que nos faz involuntariamente diferentes. A medida do dom de Cristo nos faz diferentes, a medida segundo a qual a graça do Espírito Santo é dada. Cristo é a Cabeça do grande corpo que é chamado de Igreja. Ele cria esse corpo e individualmente cria cada membro desse corpo; Ele é o Construtor e Ele é o Único que conhece o plano desta construção. Ele não permite que um membro nessa construção seja desproporcionalmente grande ou pequeno. Ele concede a medida apropriada para cada coisa e pessoa. Assim, Ele dá a um cinco talentos, ao outro dois e ao outro um. Ele mede e o Espírito Santo derrama Sua graça de acordo com essa medida. Ninguém deve ficar bravo ou ser invejoso. Ninguém deve ficar bravo, pois se alguém recebeu menos, terá que responder por menos. Ninguém deve ser invejoso, pois se alguém, recebeu mais, não pertence a ele, mas a Deus. Se ele tem muito, muito será cobrado dele, como está dito na divina parábola dos talentos.

Ó meus irmãos, que cada um de nós esteja consciente da medida do nosso dom e da nossa responsabilidade. Respeitemos nosso dom e o dom do nosso vizinho, pois todos os dons vêem de Deus e são de Deus.

Ó Senhor Jesus, o grande Doador de diversos dons, a Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

sábado, 5 de dezembro de 2009

OrthoFoto

Rússia
autor: Katerina Man'shine

"Sobre aquilo que constitui a unidade dos fiéis"

(...) um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos (Efésios 4:5-6).

Aqui está a razão importantíssima e extremamente óbvia para todos os cristãos guardarem a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Efésios 4:3) e ser um só corpo e um só espírito (Efésios 4:4). Pois o Único Senhor Jesus Cristo é nosso Criador, Redentor e Ressuscitador. Não há dois Cristos verdadeiros, para que haja divisão entre nós. Um só e o mesmo sangue foi derramado sobre a Cruz por todos nós, assim como uma só e mesma boca orou por todos nós no Getsêmani. Temos uma fé única na Santa Trindade, indivisível e vivificante: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, um em Essência e três em Pessoas – o Pai não gerado, o Filho gerado e o Espírito que procede do Pai. Temos um só batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Esse batismo é por imersão tríplice na água, para a morte para o pecado e o demônio, e para a ressurreição e vida no Cristo Senhor. Um só Deus e Pai de todos – o Pai do Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, que por meio do Cristo e por causa do Cristo nos adota e dá o direito de dizermos a Ele "Pai nosso".

Vedes, meus irmãos, quão fortes são os vínculos que nos unem? Nem mesmo as próprias estrelas estão ligadas por vínculos tão fortes, nem a água à terra, e nem o fogo ao ar. Vedes as avassaladoras razões que temos para a unidade? Tudo o mais que, da mão esquerda, nos compeliria à divisão é irrelevante comparado a essas razões, como um grão de areia comparado às altas montanhas. O demônio não pode destruir nossa unidade se não o ajudarmos. O demônio jamais pode nos sobrepujar se não nos rendermos a ele.

Ó Senhor Jesus, doce e gracioso, quão firmemente nos vinculaste para o bem eterno! Rogamos para que nos guarde neste vínculo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Apresentação no Templo da Santa Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 21 nov/04 dez


Nesse dia festejamos a Entrada no Templo da Mãe de Deus. Foi quando Joaquim e Ana, seus pais, a conduziram ao Templo, em cumprimento à promessa que haviam feito antes de Seu nascimento, de consagrarem-na a Deus. Maria contava, então com 3 anos.

Joaquim fez convocar jovens raparigas entre os hebreus de raça pura, a fim de escoltá-la com tochas e precedê-la em direção ao Templo, para que, trazida pela luz, a criança não fosse tentada a voltar atrás em busca de seus pais. Porém, a Santa Virgem, Toda Pura ultrapassa as virgens de sua escolta e, sem um único olhar ao mundo, lança-se aos braços do Sumo-Sacerdote Zacarias, que a esperava sob o pórtico, em companhia dos anciãos. Zacarias a abençoou dizendo: “O Senhor glorificou teu nome de geração em geração. É em ti que, nos últimos dias, Ele revelará a Redenção que preparou para seu povo”. E, coisa inaudita para os homens da Antiga Aliança, ele faz a criança entrar no Santo dos Santos, onde somente entrava o Sumo-Sacerdote uma vez por ano, no dia da Festa da Expiação. Sentou-a no terceiro degrau do Altar e o Senhor fez descer a Sua graça sobre ela, que se levantou e pôs-se a dançar a fim de expressar sua alegria. Todos os presentes maravilharam-se contemplando esse espetáculo promissor das grandes maravilhas que Deus em breve realizaria nela.

Tendo, dessa forma, abandonado o mundo, seus pais e qualquer ligação com as coisas sensíveis, a Santa Virgem permaneceu no Templo até a idade de 12 anos, quando os sacerdotes e anciãos confiaram-na a José, para que fosse o guardião de Sua virgindade, tornando-se seu noivo.

Quando a Mãe de Deus penetrou no Santo dos Santos, o tempo de preparação e de provação da Antiga Aliança teve fim e, nesse dia, celebramos os esponsais de Deus com a natureza humana. Eis porque a Igreja rejubila e exorta a todos a retirarem-se também ao templo de seus corações, a fim de preparar a vinda do Senhor, pelo silêncio e pela oração.

A imagem de Maria ultrapassando as ordens angélicas reencontram-se no hino cantado na Liturgia de São João Crisóstomo e repetido em cada celebração: “Verdadeira é digno e justo que te bendigamos, ò bem aventurada Mãe de Deus! Tu mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins, deste à luz o Verbo de Deus conservando intacta a glória da tua virgindade. Nós te glorificamos, ó Mãe do nosso Deus”.

A Igreja escolheu coloca essa Festa no início do Advento, período onde nós revivemos a espera do Messias pelo Povo Judeu. Maria representa toda Israel, Ela engloba em Sua pessoa, a espera, Ela realiza a Promessa.
Tropário da Apresentação, t.4
Hoje é o prólogo da benevolência de Deus e a proclamação antecipada da salvação dos homens. No Templo de Deus a Virgem é apresentada para anunciar à todos os homens a vinda do Cristo. Em sua honra, nós também, à plena voz cantamos-lhe: Rejubila-te, ó Virgem em quem se realiza o plano do Criador.

Kondákion da Apresentação, t. 4
O Templo puríssimo do Salvador, Sua preciosa câmara nupcial, a sempre Virgem, tesouro sagrado da glória de Deus, é hoje conduzida à casa do Senhor, transportando n’Ela a graça do Espírito Divino e diante dela os Anjos de Deus cantam: “É este o Tabernáculo Celeste!”

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"A Beleza do Sagrado" - a cultura cristã da Igreja Ortodoxa

No próximo dia 12 de dezembro será realizado nas dependências da Catedral Ortodoxa da Santíssima Virgem Maria a exposição "A Beleza do Sagrado", onde exporemos uma parte da cultura e da arte cristã da Igreja Ortodoxa, através do canto, dos ícones e de eventos paralelos.

Para reservar seu ingresso disponibilizamos o email belezadosagrado@gmail.com para compras antecipadas com desconto (R$ 20,00). Todos os ingressos darão direito ao sorteio de uma" cesta ortodoxa". Estacionamento no local.

sábado, 28 de novembro de 2009

OrtoFoto

Rússia
autor: mial (Сергей Мялковский)

"Sobre Paulo, o prisioneiro"

Eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios (Efésios 3:1).

Irmãos, esse apóstolo do Cristo chama a si mesmo de "prisioneiro de Cristo". Como é que um apóstolo pode ser um prisioneiro? Um prisioneiro não é acorrentado? Sim, e o Apóstolo está acorrentado -- acorrentado pelo amor ao Senhor Jesus Cristo, com tanta força que sente que nenhum elo comparável existe na terra. O Apóstolo está acorrentado em sua mente ao Senhor Jesus, com tanta força que não consegue pensar em mais nada, exceto em Jesus Cristo, o Senhor. O Apóstolo está tão firmemente acorrentado, pela sua vontade, ao Senhor Jesus que, em essência, ele não tem uma vontade sua própria, mas submeteu completamente a sua vontade ao Senhor Jesus. E assim ele ama o que o Cristo ama, pensa o que o Cristo pensa e faz o que o Cristo deseja. Não é isso prisão? Ó bendita prisão, que é não para a vergonha mas para a glória, e não para a destruição mas para a salvação! Dessa forma o Cristo é o Senhor completo da vida do Apóstolo, tanto exterior quanto interiormente. Pois exterior e interiormente, o Cristo permite que ele seja tentado; exterior e interiormente, Ele lhe revela os prodígios de Sua Providência; exterior e interiormente, Ele o orienta ao bem perfeito, em prol de sua salvação e da de muitos outros.

Irmãos, encomendemo-nos também nós ao Senhor Jesus Cristo como o Seu Apóstolo o fez, e então estaremos nas mãos mais seguras e no caminho mais seguro.

Ó Senhor Jesus Cristo, grande e admirável Senhor, liga-nos a Ti, aprisiona-nos em Ti pelos séculos dos séculos, em ambos os mundos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Santo Apóstolo Filipe

Filipe nasceu em Betsaida, às margens do Mar da Galiléia, tal como Pedro e André. Instruído nas Sagradas Escrituras desde a juventude, Filipe respondeu imediatamente ao chamado do Senhor Jesus e O seguiu (João 1:43). Após a descida do Espírito Santo, Filipe pregou com zelo o Evangelho por muitas regiões da Ásia e da Grécia. Na Grécia, os judeus quiseram matá-lo, mas o Senhor o salvou por meio de Seus poderosos milagres. Dessa forma, um alto sacerdote judeu que corria rumo a Filipe para espancá-lo foi subitamente cegado e ficou completamente negro. Houve então um grande terremoto, a terra se abriu e engoliu o pérfido perseguidor de Filipe. Muitos outros milagres se manifestaram, especialmente a cura dos doentes, pelos quais muitos pagãos acreditaram no Cristo. Na cidade frígia de Hierápolis, São Filipe se viu num trabalho evangélico conjunto com sua irmã Mariana, São João o Teólogo e o Apóstolo Bartolomeu. Nessa cidade havia uma serpente perigosa que os pagãos alimentavam cuidadosamente e adoravam como um deus. O apóstolo de Deus matou a serpente pela oração, como que por uma lança, mas incorreu também na ira do povo ignorante. Os pérfidos pagãos capturaram Filipe e o crucificaram de cabeça para baixo em uma árvore; depois crucificaram Bartolomeu também. Nisso, a terra se abriu e engoliu o juiz e muitos outros pagãos com ele. Com grande temor, o povo correu para resgatar os apóstolos crucificados, mas apenas Bartolomeu ainda estava vivo; Filipe já havia expirado. Bartolomeu ordenou Estáquio bispo para aqueles a quem ele e Filipe haviam batizado. Estáquio fora cego por quarenta anos; Bartolomeu e Filipe haviam-no curado e batizado. As relíquias de Filipe foram mais tarde trasladadas para Roma. Esse admirável apóstolo padeceu no ano de 86, ao tempo do Imperador Domeciano.

"Sobre o fundamento e a pedra angular"

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra angular (Ef 2:20).

Irmãos, o fundamento dos apóstolos e profetas é a vida e obra dos apóstolos e profetas, isto é, o Velho e o Novo Testamentos. Quem une os apóstolos e os profetas? Cristo, o Senhor. Sem ele, nem os profetas entenderiam os apóstolos nem os apóstolos entenderiam os profetas. Assim sendo, Ele é o cumprimento dos profetas e testemunha dos apóstolos. Assim, Ele é a Pedra Angular, que ligou os profetas aos apóstolos e os mantêm juntos como a pedra angular mantém as paredes unidas. O Velho e Novo Testamentos inteiros estão unidos por Ele, encontram um significado Nele e revolvem em torno Dele, inspirados por Ele e suportados por Ele – o Senhor Jesus Cristo. Onde é que pagãos e judeus se encontrariam e onde entenderiam um ao outro se não em Jesus Cristo, o Senhor? Em lugar nenhum, a não ser Nele. Nele e por Ele, eles estão unidos em um Novo Homem, em um corpo imortal, em Uma, Santa e Católica Igreja. O corpo e a alma estão unidos em uma amizade mais grandiosa e santa somente através do Senhor Jesus. Os vínculos da alma e do corpo estavam em inimizade até Sua vinda na carne e essa inimizade conduziu à destruição da alma. Ele reconciliou e santificou ambos. Deste modo, se tornou a Pedra Angular de todo edifício imortal e agradável a Deus, seja ele um indivíduo ou família ou nação ou toda a raça humana, seja no presente, passado ou futuro ou da Velha Aliança ou da Nova Aliança. Ele é a pedra principal em todo edifício já que Ele é a Cabeça do Corpo, a Igreja de Deus.

Ó Senhor Jesus Cristo, Pedra Angular da nossa salvação, tem piedade de nós e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.