“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sábado, 3 de outubro de 2009

Mártires, Eustáquio (ou Plácido), sua esposa, Teopista, e seus filhos Agápio e Teopisto, de Roma (+c.118)

Eustáquio foi um grande general romano durante os reinados dos Imperadores Tito e Trajano. Embora fosse pagão, Plácidas (pois esse era seu nome pagão) era um homem justo e misericordioso, semelhante a Cornélio, o Centurião, que foi batizado pelo Apóstolo Pedro (Atos 10). Certo dia, numa caçada, ele perseguia um veado. Pela Providência Divina, uma cruz apareceu entre os chifres do veado e a voz do Senhor veio a Plácido, ordenando-lhe que fosse ter com um sacerdote cristão e recebesse o batismo. Plácido foi batizado, junto com sua mulher e dois filhos. No batismo, recebeu o nome de Eustáquio; sua mulher, o de Teopista ("fiel a Deus"); e seus dois filhos, Agápio e Teopisto. Depois de batizado, voltou ao lugar em que tivera a revelação do veado e, de joelhos, deu graças a Deus por ter-lhe trazido à verdade. Nesse instante, mais uma vez a voz do Senhor se lhe manifestou, predisse-lhe que sofreria por Seu Nome e o encorajou. Então Eustáquio deixou Roma em segredo com a família, com a intenção de se esconder entre a gente simples e servir a Deus em ambientes humildes e desconhecidos. Chegando ao Egito, foi imediatamente acossado por provações. Um bárbaro mau raptou a sua mulher e os dois filhos foram capturados por feras selvagens e levados embora. Entretanto, o bárbaro logo perdeu a vida e os filhos foram salvos das feras selvagens por pastores. Eustáquio se estabeleceu na aldeia egípcia de Vadisis, onde viveu por quinze anos como trabalhador assalariado. A essa altura bárbaros atacaram o Império Romano e o Imperador Trajano deplorou não ter consigo o bravo General Plácido, que conseguira a vitória por todas as partes em que lutara. O Imperador enviou dois de seus oficiais para vasculhar o império inteiro em busca do grande comandante. Pela Providência de Deus, esses oficiais (que haviam sido outrora companheiros de Eustáquio) chegaram à aldeia de Vadisis, encontraram Eustáquio e levaram-no de volta ao Imperador. Eustáquio reuniu um exército e derrotou os bárbaros. No caminho de volta para Roma Estácio encontrou sua mulher e seus dois filhos. Nesse ínterim, o Imperador Trajano morrera e o Imperador Adriano ocupava o trono. Quando Adriano convocou o General Estácio para oferecer sacrifícios aos deuses, Estácio se recusou, declarando ser cristão. O imperador submeteu-lhe a ele, sua mulher e filhos às torturas. Foram lançados às feras selvagens, mas isso não lhes fez mal algum. Então foram enfiados dentro de um boi de metal oco e incandescente. Ao terceiro dia seus corpos mortos foram removidos, mas não haviam sido lesados pelo fogo. Assim, esse glorioso comandante deu a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Lucas 20:25) e tomou posse de sua morada no Reino Eterno do Cristo, nosso Deus.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OrtoFoto

Grécia
autor: m.stefanovic

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Sobre a unidade de Essência entre o Pai e o Filho"

Eu e o Pai somos um (João 10: 30)

Quanto mais milagres o Senhor Jesus operava, e quanto mais Ele Se aproximava de Sua morte, tanto mais abertamente Ele falava de Si mesmo. Os numerosos milagres e a crescente duração do tempo para contemplá-los promoviam mudanças tanto nos bons quanto nos ímpios. Os bons se tornavam receptivos à revelação dos elevados mistérios de Deus. Os ímpios, agarrando-se ao mal, obscureciam-se cada vez mais e se tornavam incapazes de receber esses mistérios. É por isso que os os ímpios pegaram (...) em pedras para O apedrejar (João 10: 31).

Eu e o Pai somos um. O Pai e o Filho são um em Essência, mas não são um em Pessoa (Hipóstase). Do contrário, não se poderia chamá-los por dois nomes, Pai e Filho. Tanto o Filho quanto o Espírito Santo têm todos os atributos da Essência do Pai. Entretanto, os atributos da Pessoa do Pai pertencem apenas ao Pai, os atributos da Pessoa do Filho pertencem apenas ao Filho, e os atributos da Pessoa do Espírito Santo pertencem somente ao Espírito Santo. Mas quando o discurso é sobre a Essência Divina, o Filho pode dizer "Eu e o Pai somos um"; e o Pai pode dizer "Eu e o Filho somos um"; e o Espírito Santo, pode dizer "Eu, o Pai e o Filho somos um."

O Senhor Jesus Cristo exprimiu a unidade de Seu Ser com o Pai nas seguintes palavras: O Pai está em Mim e Eu Nele (João 10:38). Pode a Divindade do Filho ser expressa com mais clareza? Pode a língua humana comunicar a unidade do Deus Triuno em termos mais fortes? O dogma da divindade do Filho de Deus, bem como o dogma da unidade do Ser de Deus, foi revelado e exposto pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Portanto, que ninguém dê crédito às mentiras de certos incrédulos e hereges, que supõem que o Senhor Jesus não revelou a Sua divindade, e alegam que esse dogma foi introduzido pela Igreja muito mais tarde. Se Cristo não tivesse proclamado a Sua divindade, por que os judeus lhe teriam dito: Tu (...) Te fazes Deus a Ti mesmo (João 10: 33)? E por que pegaram em pedras contra Ele?

Senhor Jesus, Cristo, Filho de Deus, uno em Essência com o Pai e o Espírito Santo, tem piedade de nós e salva-nos pelo poder e bondade de Tua onipotente e onijusta divindade.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santas Mártires Fé, Esperança e Caridade, e sua Mãe Sofia

Todas viveram e sofreram em Roma, durante o reinado do Imperador Adriano. Sofia era sábia, como indica seu nome. Caíra na viuvez e firmara bem a si própria e a suas filhas na fé cristã. Quando a mão perseguidora de Adriano estendeu-se até sobre a virtuosa casa de Sofia, Fé tinha apenas doze anos de idade, Esperança tinha dez anos e Caridade, nove. Trazidas perante o imperador, as quatro seguravam as mãos uma das outras "como uma coroa entretecida"; humilde mas firmemente confessaram sua fé no Cristo Senhor e se recusaram a oferecer sacrifícios ao ídolo pagão de Ártemis. Antes de seus sofrimentos, a mãe exortou as filhas a perseverarem até o fim: "Vosso Noivo Celestial, Jesus Cristo, é a saúde eterna, a beleza inefável e a vida eterna. Quando vossos corpos forem mortos pela tortura, Ele vos revestirá de incorrupção e as chagas de vossos corpos brilharão nos céus como as estrelas." Os torturadores infligiram cruéis torturas a uma de cada vez, primeiro a Fé, depois a Esperança e depois a Caridade. Espancaram-nas, açoitaram-nas, atiraram-nas às chamas e ao piche fervente e, finalmente, degolaram-nas com a espada, uma após a outra. Sofia levou os corpos mortos de suas filhas para fora da cidade e as enterrou honrosamente. Permaneceu em seu túmulo por três dias e três noites, orando a Deus. Em seguida, rendeu seu espírito a Deus, partindo para o Paraíso, onde as almas benditas de suas gloriosas filhas esperavam por ela.

Hino de Louvor
Sofia, toda-sábia, glorificou o Senhor,
Como um sacrifício a Ele, ofereceu três belíssimas filhas.
A suas filhas disse: "Não temais, filhas minhas;
Fortalecei-vos no Cristo, perseverai na Fé,
E não temeis torturas nem infortúnios cruéis.
Não chorais por vossos corpos – melhor é no céu.
Deus vos dará corpos maravilhosos no céu.
Não chorais por vossa beleza – com a beleza divina
Resplendecereis entre os anjos no Reino de Deus,
Como filhas do Rei dos Reis!
Não chorais pela vida – de que vale esta vida terrena?
Não passa de no máximo cem anos.
No céu, a vida sem fim vos aguarda:
Vida sem fim, vida sem início.
Não chorais pela companhia de amigos terrenos,
Pois a companhia dos Santos maravilhosos vos aguarda ali.
Nem a companhia de parentes mundanos vos deve fazer chorar –
Pois vossa parentela, nos céus, são os mártires gloriosos."
Assim a pia mãe instruía as suas santas filhas,
Enquanto, uma a uma, partiam elas para o céu:
Três pombas brancas, inocentes e puras,
Voaram ligeiras para o seio do Cristo.
E com sua alma elevada, sua mãe partiu atrás delas,
E juntou-se a suas filhas gloriosas no Paraíso;
E nosso misericordioso Deus recebe as suas orações.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

"Sobre o Senhor, o Detentor do Poder "

Tenho poder para a dar [a Minha vida], e poder para tornar a tomá-la. (João 10: 18).

O poder divino de nosso Senhor Jesus Cristo manifestou-se em Seu pleno poder sobre Si mesmo. Se o poder divino pudesse ser separado do amor divino, então se poderia dizer do Cristo que Ele teria sido capaz de encarnar, ou de não encarnar; ou ainda, que teria sido capaz de morrer, ou de não morrer. Mas Ele encarnou, de acordo com Seu divino amor pelos homens, e de acordo com esse mesmo inexprimível amor, Ele Se entregou à morte, como um Bom Pastor por Suas ovelhas (João 10:11). Um homem que se mata não tem verdadeiramente poder sobre sua vida, pois ele não se mata por seu próprio poder, mas antes pelo poder do pecado, ou pelo poder do diabo, ou pelo poder de alguma outra circunstância grave. Assim também um homem a quem outros matam não tem poder sobre sua vida, nem pode falar pela sua vida perante seus assassinos: não pode dizer tenho poder para a dar, pois tem que dá-la contra a vontade. Somente nosso Senhor Jesus Cristo pôde dizer na presença de seus assassinos, os judeus: tenho poder para a dar. Tendo tal poder, Ele podia, por um milagre que Lhe teria sido fácil, fazer todos os judeus perecerem antes de O crucificarem na Cruz. Contudo Ele antevia os frutos salvadores de Sua morte, e é por isso que Ele voluntariamente Se entregou para ser morto.

E poder para tornar a tomá-la. Com essas palavras Ele predisse Sua Ressurreição. Portanto, o Senhor tanto morreu quanto ressuscitou pelo Seu divino poder.

Ó Senhor Onipotente e Filantropo, quão belamente planejaste a salvação dos homens pelo Teu divino amor e poder. Ajuda-nos, ó ajuda-nos, para que possamos abraçar essa salvação!

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santa Grã-Mártir Eufêmia


Eufêmia nasceu em Calcedônia. Seu pai Filofrono, um senador, e sua mãe Teodorísia eram cristãos devotos. Eufêmia era uma bela virgem de corpo e de alma. Quando o Procônsul Prisco celebrou uma festa ofereceu sacrifícios a Ares em Calcedônia, quarenta e nove cristãos rejeitaram essa estulta festa sacrifical e se esconderam. Entretanto, foram descobertos e trazidos perante Prisco. Entre eles estava Santa Eufêmia. Quando o arrogante Prisco perguntou-lhes por que haviam desafiado o decreto imperial, responderam: "Tanto as ordens do imperador quanto as tuas devem ser obedecidas, se não forem contrárias ao Deus do céu; mas, se forem contrárias a Deus, devem não apenas ser desobedecidas, como também resistidas." Por dezenove dias consecutivos, Prisco lhes impôs várias torturas. No vigésimo dia, ele separou Eufêmia dos demais e começou a bajulá-la por sua beleza, tentando conquistá-la para a idolatria. Como suas lisonjas fossem em vão, ele ordenou que a virgem fosse torturada de novo. Primeiro a torturaram na roda, mas um anjo de Deus apareceu a Eufêmia e despedaçou a roda. Lançaram-na, então, numa fornalha flamejante, mas ela foi preservada intacta pelo poder de Deus. Vendo isso, dois soldados, Vítor e Sóstenes, vieram a crer no Cristo, pelo que foram lançados às feras selvagens e assim terminaram com glória as suas vidas terrenas. Eufêmia foi então jogada num poço cheio de água e de toda sorte de bichos venenosos; mas ela fez o sinal da Cruz sobre a água e permaneceu incólume. Finalmente, foi lançada às feras selvagens e, com uma oração de agradecimento a Deus, entregou seu espírito. Seus pais enterraram honrosamente seu corpo. Eufêmia sofreu no ano de 304 e adentrou no júbilo eterno. Ela é comemorada também em 11 de julho.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Sobre o duplo testemunho do Filho de Deus"

Eu sou O que testifico de Mim mesmo, e de Mim testifica também o Pai que Me enviou (João 8:18).

Está escrito na Lei que duas testemunhas são necessárias para se provar alguma coisa. Antes de tudo, o Senhor ofereceu aos incrédulos judeus três grandes testemunhas de Si mesmo: o Pai, Suas próprias obras e a Sagrada Escritura (João 5: 36 - 39). E contudo, mesmo depois de Seus inúmeros milagres e depois de ter exposto amplamente os Seus ensinamentos, Ele lhes disse que o Seu próprio testemunho de Si mesmo era verdadeiro e suficiente (João 8:14). Finalmente, Ele de novo enfatizou dois testemunhos – o Dele e o de Seu Pai –, de acordo com a letra da Lei, que exigia duas testemunhas. Assim o Senhor sela os lábios dos incrédulos de todas as maneiras e não lhes deixa escapatória alguma a não ser o crime de homicídio, que é o último recurso daqueles que se recusam a se deixar convencer pela verdade, a despeito da razão ou das provas. Neste último caso em particular, com a apresentação, pelo Senhor, dos testemunhos Seu e de Seu Pai, Ele também quis mostrar que era uma Pessoa [Hipóstase] separada do Pai e, mesmo assim, uno em Essência com o Pai. Portanto, Ele apresenta dois testemunhos: o Seu próprio testemunho em separado e o testemunho de Deus Pai. Confirmam isso as seguintes palavras: Se vós Me conhecêsseis a Mim, também conheceríeis a Meu Pai (João 8: 19). Aqui, está expressa a completa unidade essencial do Pai e do Filho, e não resta a menor dúvida sequer de que o Senhor estava pensando em Sua igualdade essencial com Seu Pai. As palavras aqui se referem à Natureza Divina e não a natureza humana. Quem quer que conceba a Santa Trindade como três seres corpóreos engana a si mesmo. Apenas o Filho de Deus apareceu na carne, em prol da salvação do mundo. O Pai e o Espírito Santo não tomaram a carne. De acordo com Sua Natureza Divina, o Filho, mesmo na carne, permaneceu igual ao Pai e ao Espírito Santo. Ele Se revestiu da natureza humana e acrescentou-lhe Sua Natureza Divina por amor à humanidade, para que assim Ele Se revelasse aos homens e os salvasse.

Ó Santa Trindade, una em Essência e indivisa, que nos iluminou e esclareceu pelo Verbo Encarnado de Deus, sustenta-nos até o fim pela Tua santidade, Tua força e Tua imortalidade, e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Mártir Aniceto

Aniceto era godo de nascimento. Foi discípulo de Teófilo, Bispo dos Godos, que participou no Primeiro Concílio Ecumênico [Nicéia, 325]. Quando o príncipe godo Atenarico começou a torturar cristãos, São Nicetas apresentou-se diante do príncipe e o censurou pelo seu paganismo e sua desumanidade. Duramente torturado em seguida, Nicetas confessou sua fé em Cristo com ainda mais firmeza e orou a Deus em ação de graças. Sua mente estava constantemente elevada até Deus, e sobre o peito, coberto pelo manto, ele trazia um ícone da Santíssima Deípara com o Menino Cristo Pré-Eterno de pé e segurando a Cruz em Suas mãos. São Aniceto trazia este ícone porque a Santa Deípara aparecera para ele e o consolara. Finalmente, o torturador lançou ao fogo o soldado do Cristo, onde o santo mártir deu seu último suspiro, mas seu corpo permaneceu intocado pelas chamas. Seu companheiro Mariano levou seu corpo da terra dos godos (Valáquia e Bessarábia) à vila de Mopsuéstia, na Cilícia. Lá, ele construiu uma igreja dedicada a São Nicetas e nela depositou as relíquias milagrosas do mártir. Aniceto sofreu e foi glorificado no ano 372.

sábado, 26 de setembro de 2009

"Sobre como o mundo aborrece o testemunho de seu pecado"

O mundo não vos pode aborrecer, mas ele Me aborrece a Mim (João 7: 7)

Por que o mundo aborrece (isto é, odeia) o Cristo Senhor? O Senhor em pessoa prontamente explica o motivo: Porquanto dele testifico que as suas obras são más (João 7:7). Não há nada que os homens aborreçam tanto quanto o testemunho de seus pecados. Por isso, as piores atrocidades do mundo são cometidas durante a noite, na escuridão. Mas não vê Deus na noite, na escuridão? De fato Ele vê, mas os malfeitores não vêem Deus. E, mesmo que alguns deles creiam em algo sobre Deus, pensam (devido à própria iluminação insuficiente) que a escuridão é a cortina entre Deus e os homens. O próprio Senhor Jesus Cristo revelou claramente que Deus é o que vê tudo, e não há escuridão que impeça Seus olhos de verem algo. Ele mesmo avistara homens à distância, como Natanael debaixo da figueira. Ele viu uma mula e seu potrinho numa outra vila. Sua visão desconhecia qualquer distância espacial. Previu a negação de Pedro, a traição de Judas, Sua própria morte e Ressurreição, a destruição de Jerusalém, a eternidade de Sua Igreja, o sofrimento de Seus seguidores e os eventos dos finais dos tempos. Sua visão desconhecia a distância de tempo. Há porém algo mais para mencionar? Há algo mais oculto do que o coração dos homens? Não é o coração encoberto pela fina cortina do corpo? Não são os pensamentos do coração mais ocultos do que o próprio coração? No entanto Ele penetrou na escuridão dos corações dos homens e ali leu seus pensamentos: Por que pensais mal em vossos corações? (Mt 9:4) Irmãos, não admira que todos cujo pensamento e obra sejam maldade temam tamanha e tão poderosa testemunha. É de admirar, portanto, que os malfeitores O aborreçam?

O mundo não vos pode aborrecer. Quem? Todos vós que participais no mal do mundo e que, dada sua aquiescência nessa participação, não vos atreveis a testemunhar contra o mundo. Como pode os que temem os homens testemunhar contra estes? Como pode os que buscam a glória dos homens trazerem a condenação contra esses mesmos homens?

Irmãos meus, melhor para nós que o mundo nos aborreça e o Cristo nos ame, do que o mundo inteiro nos ame e nos glorifique e o Cristo vire Sua face de nós, dizendo: não vos conheço. Se o mundo nos aborrece, confortemo-nos com as palavras do Salvador: Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim (Jo 15:18).

Bendito Senhor, Fonte de todas as bênçãos, fortalece nossos corações, para que não temamos quando o mundo nos aborrecer. Apenas abençoa-nos e ama-nos, ó Benigno Salvador.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Consagração da Igreja da Ressurreição de Cristo

Quando a Imperatriz Helena descobriu a Cruz de nosso Senhor em Jerusalém, ela permaneceu na Cidade Santa por algum tempo e erigiu igrejas no Getsêmani, em Belém e sobre o Monte das Oliveiras, como também em outros lugares significativos da vida e atividade do Senhor Jesus Cristo. No Gólgota, onde foi descoberta a Venerável Cruz, ela deu início à construção de uma enorme igreja. Essa igreja foi projetada para abranger o Lugar da Caveira, onde o Senhor foi crucificado, e também o local onde Ele foi enterrado. A santa imperatriz desejava incluir o lugar de Seu sofrimento e o de Sua glória sobre o mesmo teto. Entretanto, Helena repousou no Senhor antes que essa majestosa igreja fosse concluída. Ao chegar a época de seu término, Constantino festejava o trigésimo ano de seu reinado, celebrando-se portanto no mesmo dia (13 de setembro de 335) a consagração da igreja e o jubileu do imperador. Na ocasião, reunia-se um concílio local de bispos em Tiro. Esses bispos e muitos outros vieram a Jerusalém para a solene consagração da Igreja da Ressurreição do Senhor. Estabeleceu-se, então, que este dia – o dia da vitória e do triunfo da Igreja de Cristo – fosse solenemente comemorado a cada ano.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"De como a alma deve se alimentar do Cristo a fim de viver "

Quem de Mim se alimenta, viverá por Mim (João 6: 57)

Assim fala o Cristo, o Senhor, a Vida e Fonte da Vida. Uma árvore se alimenta de terra, ar e luz. Se uma árvore não se alimentar desses elementos, será ela capaz de crescer e viver? De que se alimenta um bebê nos seios da mãe, a não ser dela? Se o bebê não se alimentar de sua mãe, crescerá e viverá? Do mesmo modo nossa alma não crescerá, nem viverá, se não se alimentar do Cristo, o Vivente e Imortal. As palavras dessa passagem não se referem à vida em geral, pela qual vive a natureza, nem à vida deformada na qual vivem os pagãos, mas a uma vida especial, divina e eterna – vida plena e cheia de alegria. Apenas o Cristo concede essa vida aos homens, e ela vem apenas àqueles que se alimentam do Cristo. Cada homem é tão grande quanto a comida de que se alimenta; cada homem é tão vivo quanto a comida de que se alimenta. As palavras, aqui, não são sobre comida corporal, pois apenas o corpo do homem – não seu espírito – alimenta-se de comida material. Os homens se diferenciam tanto na vida física quanto no crescimento físicos, mas tais diferenças são totalmente insignificantes. Entretanto, a diferença na vida e no crescimento espirituais entre os homens é enorme. Ao passo que algumas pessoas, pelo amadurecimento das almas, mal conseguem se erguer sobre a terra, outros se erguem para os céus. A diferença entre Herodes e João Batista não é menor do que a diferença entre um rei e um anjo. Enquanto aquele arrasta o corpo e alma pela terra e impiamente defende seu trono, este coloca o próprio corpo sobre uma rocha no deserto e é levantado em alma aos céus, entre os anjos.

Ó irmãos meus, ergamos nossas almas aos Céus, onde o Cristo Senhor Se assenta no trono da eterna glória, e alimentemos e nutramos nossas almas e corações com Ele, a Vida pura e onipotente. Somente então, seremos feitos dignos de sermos Seus co-herdeiros no Reino dos Céus.

Senhor Jesus, nosso verdadeiro Deus, nosso doce alimento e Nutridor filantropo, não nos lances fora de Teu seio divino, pois somos fracos e desamparados. Alimenta-nos contigo mesmo, ó nosso misericordioso Nutridor.

A Ti, glória e louvor para sempre. Amém.

Hieromártir Autônomo

Durante as perseguições de Diocleciano, Autônomo partiu da Itália para a Bitínia asiática, para um lugar chamado Soréus. Lá, ele converteu muitos ao Cristianismo e construiu-lhes uma igreja dedicada ao santo Arcanjo Miguel. Autônomo vivia na casa de um devoto cristão, Cornélio, quem ele primeiro ordenou como presbítero e, mais tarde, consagrou ao episcopado. Não muito longe de Soréus, havia um lugar chamado Limanas, habitado somente por pagãos. Santo Autônomo dirigiu-se àquela região e, em breve tempo, iluminou a muitos com o Evangelho de Cristo, o que enfureceu os pagãos. Um dia, os pagãos invadiram a Igreja do Santo Arcanjo Miguel em Soréus em pleno serviço divino, assassinaram Autônomo no santuário e mataram muitos cristãos na igreja. No reinado do Imperador Constantino, Severiano, um nobre real, edificou uma igreja sobre o túmulo de Santo Autônomo. Duzentos anos depois de sua morte, Santo Autônomo apareceu a um soldado chamado João. João exumou as relíquias do santo, encontrando-as completamente incorruptas, e muitos enfermos receberam curas a partir das relíquias de Autônomo. Assim Deus glorifica aquele que O glorificava enquanto vivia na carne.