“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Santos Mártires e Irmãos, Floro e Lauro, de Ilírico (+ séc. II) - 18/31 ago

Floro e Lauro eram irmãos de carne, de espírito e de vocação. Ambos eram fervorosos cristãos e eram cortadores de pedras por profissão. Eles viviam na Iliria. Aconteceu que um príncipe pagão contratou-os para construir um templo aos ídolos. Durante a execução da obra, um pedaço de pedra saltou e acertou o olho do filho do sacerdote pagão Merentius, que estava observando o trabalho dos construtores curiosamente. Vendo o olho do filho cego e sangrando, o sacerdote pagão começou a vociferar contra Floro e Lauro e queria agredir os dois. Então, os santos irmãos disseram-lhe que, se ele acreditasse no Deus n’O qual eles acreditava, seu filho seria curado. O sacerdote pagão prometeu. Floro e Lauro, em lágrimas, oraram ao único, vivente Senhor Deus, e traçaram o sinal da Cruz sobre o olho ferido do garoto. O menino ficou imediatamente curado, e seu olho ficou totalmente são, como antes. Merentius e seu filho foram batizados. Pouco tempo depois, ambos sofreram por Cristo, sendo torturados no fogo. Quando os irmãos completaram o templo, Floro e Lauro colocaram uma cruz sobre ele, reuniram todos os cristãos e consagraram-no no nome do Senhor Jesus, com uma vigília noturna e cântico de hinos. Ouvindo isto, o deputado iliriano queimou muitos desses cristãos que participaram da consagração, e Floro e Lauro foram lançados num poço. O deputado, então, encheu o poço com terra para sufocá-los. Mais tarde, suas relíquias foram reveladas e transladadas para Constantinopla. Esses dois admiráveis irmãos sofreram, foram martirizados por Cristo e glorificados por Ele no segundo século.

domingo, 30 de agosto de 2009

"Sobre a Divina Criança Portadora do Espírito"

E o Espírito do Senhor repousará sobre Ele, o espírito de sabedoria e entendimento, espírito de conselho e poder, espírito de conhecimento e temor do Senhor (Isaías 11:2).

O Santo Espírito de Deus não Se separa do Pai, nem Se separa do Filho; nem o Pai se separa do Filho e do Espírito; nem o Filho Se separa do Pai e do Espírito. O Espírito Santo profetizou sobre o Filho pelos profetas; o Espírito Santo envolveu a Santíssima Virgem e preparou-a para o nascimento do Filho de Deus; o Espírito Santo permaneceu inseparavelmente sobre o Filho durante todo o tempo de Sua permanência no mundo e no corpo. O espírito de sabedoria – as visões dos mistérios celestiais; o espírito de entendimento – a compreensão dos laços entre os mundos visível e invisível; o espírito de conselho – a separação do bem e do mal; espírito de poder – autoridade sobre a natureza criada; o espírito de conhecimento – conhecimento da essência das coisas criadas; espírito de temor do Senhor – o reconhecimento do poder divino sobre os dois mundos e a submissão à vontade de Deus. Quem, em algum momento entre os homens, usufruiu dessa plenitude de riquezas dos dons do Espírito Santo? Ninguém, a não ser Jesus Cristo. Portanto, o Espírito Santo distribui Seus dons livremente e dá-os aos homens, este a alguns, aqueles a outros. Mas, o universo da plenitude indivisível de Seus dons brilha somente no Filho de Deus.

Por que o Senhor Jesus precisou ter medo de Deus, se Ele próprio é Deus? Como Deus, Ele não precisava temer a Deus; mas como homem, Ele teve temor de Deus, como exemplo para nós. Assim como Ele jejuava, fazia vigília e laborava como um homem pelo bem de ensinar os homens, assim Ele temia Deus como um homem, para o bem de ensinar os homens. O que é mais eficiente na cura dos homens infectados com o pecado do que o temor a Deus? Ele, o Sadio, tomou sobre Si mesmo o remédio para o pecado, para que assim Ele pudesse encorajar-nos, os enfermos, a tomar o mesmo remédio. Não fazem os pais a mesma coisa com as crianças doentes, que têm medo de tomar o medicamento prescrito?

Ó Triuno e Eterno Deus – diante de Quem as hostes celestiais se prostram, cantando o admirável hino Santo, Santo, Santo, Senhor Sabaoth, recebe também nossa adoração e salva-nos.

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sábado, 29 de agosto de 2009

Ícone do Senhor Jesus Cristo, “Não feito de mãos humanas”

Na época em que nosso Senhor pregava as Boas Novas e curava todos os sofrimentos e enfermidades dos homens, vivia na cidade de Edessa, às margens do Eufrates, um príncipe chamado Agbar, que estava completamente contaminado pela lepra. Ele ouviu falar de Cristo, o Curador de todas as dores e doenças, e enviou a Palestina um artista de nome Ananias, com uma carta dirigida a Cristo, na qual o príncipe implorava ao Senhor que fosse a Edessa e curasse-o da lepra. Em caso de o Senhor não poder ir, o príncipe ordenou a Ananias que pintasse Seu semblante e que o levasse de volta, crendo que este semblante seria capaz de restaurar-lhe a saúde. O Senhor respondeu que não poderia ir a Edessa, pois a hora de Sua Paixão aproximava-se. Então, Ele enxugou Sua face numa toalha, e a imagem de Sua face permaneceu gravada na toalha. O Senhor deu-a a Ananias com a mensagem de que o príncipe seria curado por ela, mas não inteiramente, pois Ele enviaria, mais tarde, ao príncipe uma mensagem que completaria sua cura. Recebendo a toalha, príncipe Abar beijou-a, e seu corpo ficou completamente curado da lepra, mas um pouco ainda ficou em sua face. Tempos depois, o Apóstolo Tadeu foi ter com Agbar, pregou o Evangelho, curou-o e batizou-o secretamente. O príncipe, então, destruiu os ídolos plantados nos portões da cidade. No lugar deles, acima dos portões, ele depositou a toalha com o semblante de Cristo, com o fundo madeirado, envolto em moldura de ouro e adornado de pérolas. O príncipe também escreveu abaixo do ícone, bem no caminho em direção ao portão “Ó Cristo Deus, jamais se envergonhará aquele que espera em Ti.” Mais tarde, um dos descendentes de Agbar restaurou a idolatria, e o Bispo de Edessa, à noite, erigiu um muro, cobrindo o ícone sobre os portões. Séculos se passaram. No reinado do Imperador Justiniano, o rei persa Crozoés atacou Edessa, e a cidade passou por grandes dificuldades. Eis que o Bispo Eulábio teve uma visão da Santíssima Teotokos, que lhe revelou o mistério da parede selada e do ícone perdido. O ícone foi descoberto e, com seu poder, o exército persa foi derrotado.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

OrtoFoto

Batismo da Princesa Olga
autor: Sergei Kirillov, 1993 (Rússia)

Santo Profeta Miquéias (+ SécVIII a. J.C.) - 14/27 ago

Miquéias pertencia à tribo de Judá e era natural da vila de Morast, pelo qual ele era chamado “o Morastita” Ele era contemporâneo dos profetas Isaías, Amós e Oséias, assim como dos reis judeus Joatã, Acaz e Ezequias. Miquéias repreendeu o povo por causa de seus vícios e os falsos profetas que profetizavam vinho e forte bebida (Miquéias 2:11). Ele predisse a destruição da Samaria. Ele também profetizou a destruição de Jerusalém, que aconteceria em conseqüências de seus líderes aceitarem suborno, de seus sacerdotes ensinarem por dinheiro e de seus profetas, por dinheiro, profetizarem boas-sortes. Portanto, por vossa causa, Sião será ceifada como uma lavoura e Jerusalém tornar-se-á como um amontoado (Miquéias 3:12). Mas, de todas as suas profecias, a profecia mais importante refere-se a Belém como local do nascimento do Messias. Não se sabe exatamente se esse profeta foi assassinado pelos judeus ou se teve uma morte pacífica (cf. Jeremias 26: 18-19). Contudo, sabe-se que ele foi enterrado em sua vila. Teodósio Magno e Bispo Zevim de Eleuterópolis tiveram uma visão mística que os levaram a encontrar as relíquias de Miquéias juntamente com as do profeta Habacuque.

Hino de Louvor
Miquéias, profeta de Deus, incendiado com o fogo divino,
Predizendo miséria e proclamando salvação:
“Escutai, ó lideres da casa de Jacó:
Quando o fogo irromper, o refogo não será salvo.
Odiais o bem e deleitais no mal;
Defraudais impiedosamente o povo de Deus;
Abandonastes a Lei e os profetas de antigamente;
Escutais não a Deus, mas aos feiticeiros!
Desgraça, dor e lamento advirão;
Clamareis aos Céus, mas em vão, tarde demais.
Samaria será um campo de debulho para os Assírios,
E Jerusalém, para os bárbaros Caldeus!
Mas tu, Belém, pequena Efrata,
Embora a última, és-Me a mais querida.
De ti, virá o Líder que precisamos.
Sua descendência será do coração dos Céus;
De Seu fervoroso amor, Ele virá com prontidão.
Ele guiará Seu povo com Seu poderoso cajado.
Ele será grande até os confins da Terra.
Os Céus e a Terra cantarão a Sua misericórdia,
E a paz reinará – Ele será a paz.
Ele glorificará a raça dos homens em Si mesmo.

Tropário, t. 5
Encontrando em tua alma um puríssimo instrumento, a graça do Espírito nela fixa a Sua morada e a desperta para que ela exponha como presente o futuro, ó Profeta que anuncias o Cristo; por isso então não interrompas de interceder por nós que veneramos, como se deve, neste dia, a tua lembrança.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

OrtoFoto

Montenegro
autor: Goran Boricic

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Divina Liturgia


Nós, da EPARQUIA ORTODOXA DO BRASIL, sob a jurisdição e proteção canônica da IGREJA ORTODOXA AUTOCÉFALA DA POLÔNIA, temos a grata satisfação de apresentar ao povo de língua portuguesa este incomensurável tesouro da Tradição Cristã Ortodoxa. São os Ofícios Divinos da Eucaristia, segundo o Rito Bizantino.

Antes de tudo é preciso ter presente que para os cristãos ortodoxos o ritual da Sagrada Eucaristia é definitivamente o ponto alto de um diálogo entre o ser criado e o seu Deus Criador. Diálogo intenso e profundo, que revela teologicamente, ao longo de um certo tempo, todo o misterioso drama da sua existência.

Em seus dois milênios de existência, a vida da Igreja produziu, vários ritos, que foram elaborados a partir da vivência na fé e da cultura própria de cada povo. São os Ritos Caldeu, o Ambrosiano, o Latino, o Sírio, o Bracarense, o Napolitano, o Galicano, o Copta, dentre outros. Alguns destes Ritos ainda persistem, mas em grande parte estes rituais caíram em desuso. Hoje, entre as Igrejas Ortodoxas, o que é mais comumente utilizado é o chamado Rito Bizantino, surgido a partir da cidade de Constantinopla e que aqui apresentamos.

Esta Sagrada Liturgia foi elaborada ao longo de séculos, pelo povo santo de Deus e contando com a participação decisiva de grandes nomes da Igreja. Homens que, sob a inspiração do Santo Espírito, souberam traduzir e harmonizar o chamado de Deus e o anseio do fiel. Foram expoentes tais como São Sawa, o Consagrado (+532), São Romano, o Mélodo (+séc.VI), Santo Efrém, o Sírio(+373), São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém (+640), São João Damasceno (+760) e ainda outros.

Mas a Tradição da Igreja creditou a três grandes luminares da Igreja, os três formatos de Ofícios que apresentaremos aqui: a de São João Crisóstomo, de Constantinopla (+407), a de São Basílio, o Grande (+379) e a de São Gregório, Magno (+604). Cada uma destas Liturgias tem características próprias e são celebradas em situações diferentes.

A chamada Liturgia de São João Crisóstomo é a mais utilizada, e é celebrada todos os dias ao longo do ano. A Liturgia de São Basílio é celebrada aos domingos da Grande Quaresma e no dia de São Basílio e a de São Gregório nos dias alitúrgicos (as quartas e sextas feiras) da Grande Quaresma.

Para nós, fiéis ortodoxos do Brasil, também houve uma espécie de processo de elaboração. Nosso primeiro contato com a Fé Ortodoxa foi a partir de Portugal.

Naquele tempo, eram ofícios ainda simples, mas com uma tradução para o português que já continha uma poética verdadeiramente rica. A música que utilizávamos era o conhecido retotom, monótono e simples, mas belo. Pouco depois descobrimos partituras com a polifonia eslava, uma música mais ricamente elaborada. Com o tempo fomos tomando conhecimento de outros detalhes que ignorávamos e pouco a pouco, principalmente a partir da união canônica com a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia, fomos nos definindo pela celebração na chamada tradição eslava. Também fomos traduzindo algumas orações desconhecidas e rúbricas litúrgicas, fomos depurando o linguajar lusitano para o português do Brasil.

Hoje, podemos dizer que os nossos ofícios estão, por assim dizer, ‘bem nossos’. Mas, o trabalho ainda não está definitivamente terminado. Já sentimos a necessidade de ajustarmos as melodias que cantamos em nossos ofícios a alguma coisa um pouco mais brasileira. Isso fará com que necessariamente, ajustemos uma parte do fraseado existente nas orações às melodias que encontrarmos.

Não temos pressa; afinal, isso não é uma tarefa meramente técnica. É antes de tudo, um desabrochar e um amadurecimento da nossa fé. Por hora, podemos dizer que é o melhor que conseguimos com estes poucos vinte anos de Igreja Ortodoxa no Brasil.

E consideramos que devemos partilhar esse tesouro da Fé Cristã com todos os que se interessam por Tradição, Espiritualidade, Teologia, Poesia e Beleza.

Mas, acima de tudo, que este nosso modesto trabalho sirva para manifestar uma maior glória de Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo e Sua Igreja, em terras do Brasil.
+Chrisóstomo
Arcebispo Ortodoxo do Rio de Janeiro e Olinda-Recife

domingo, 23 de agosto de 2009

"Sobre a fraqueza dos pecadores"

Para o meu povo, crianças são seus opressores, e mulheres governam sobre eles (Isaías 3:12).

Tudo o que é de Deus é belíssimo e sapientíssimo. Todas as coisas criadas por Deus percorrem obedientemente seu respectivo rumo traçado por Ele. As estrelas movem-se, animais vivem, e as correntes atmosféricas correm – tudo de acordo com a ordem estabelecida por Deus. Apenas o homem, a mais inteligente criatura, abandona muitas vezes a trilha de Deus, caindo na ignorância e abrindo estranhos caminhos de acordo com suas idéias. Por causa disso, pode acontecer que crianças conduzam ao invés de anciães, e – ao invés de homens – mulheres passem a governar. Quando crianças governam, reina a opressão. Quando mulheres governam, geralmente reina a desordem. Quando essas coisas são permitidas por Deus – o que não acontece ao menos que o povo peque, ou pela permissão divina – o povo encontra-se sob punição de seus pecados no mesmo modo em que um inimigo tivesse subjugado a terra em uma guerra. Pois toda opressão é guerra, e toda desordem é punição dos pecados.

Do mesmo modo em que a opressão e a desordem são capazes de reinar sobre uma nação, elas também são de reinar na alma do homem. Imaturos e ímpios pensamentos são contribuídos por parte das crianças, e alimentar pensamentos sensuais e físicos é contribuição das mulheres. Ao prevalecerem pensamentos ímpios e impuros, eles oprimem o homem e lançam-no de mal a pior – como uma criança vingativa. Quando prevalecem os pensamentos físicos sobre os espirituais e a sabedoria masculina – que é de Deus, eles governam o homem qual uma mulher má. Sob o conceito espiritual de “mulheres”, o profeta compreende não apenas as mulheres, mas também homens com a fraqueza das mulheres.

Assim, para que a petulância das crianças e os caprichos de mulheres não dominem um homem (ou uma nação), é necessária aderir-se firmemente à lei prescrita por Deus para os homens, tal como todas as coisas criadas aderem-se às leis que lhes foram prescritas por Deus.

Senhor, Nosso Criador e Doador da Lei, ilumine-nos e fortalece-nos. Ilumine-nos com a graça do Espírito, para que possamos sempre conhecer Tua Lei. Fortalece-nos com o poder do Espírito, para que possamos sempre aderir-mos à Tua Lei.

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santos Mártires Arquidiácono Lourenço; Sixto, Papa de Roma e seus companheiros - 10/23 ago

Quando o Papa Estevão foi assassinado (2 de agosto), Sisto, ateniense de nascimento, foi designado para ocupar seu lugar. Sixto já fora filósofo uma vez e, então, tornou-se um cristão. Era uma época em que os bispos de Roma eram mortos um após o outro: tornar-se um Bispo de Roma significava ser condenado ao martírio. O Imperador Décio estava determinado em aniquilar o Cristianismo. Rapidamente, o Papa Sisto foi trazido a julgamento, juntamente com dois diáconos: Felicíssimo e Agapito. Sendo os três lançados à prisão, o Arquidiácono Lourenço disse ao Papa: “Aonde vais, ó pai, sem vosso filho? Onde, ó bispo, sem o vosso arquidiácono?” O Papa consolou-o, profetizando que Lourenço sofreria maiores torturas ainda por Cristo e que em breve ele seguiria seu caminho. De fato, assim que decapitaram Sixto e seus dois diáconos, Lourenço foi aprisionado. Lourenço previamente realizara suas tarefas e pusera em ordem todos os assuntos relacionados à Igreja. Na qualidade de tesoureiro e administrador da Igreja, ele removeu todos os objetos de valor da Igreja para a casa do viúvo Ciríaco. (Nesta ocasião, ele curou Ciríaco de uma terrível dor de cabeça por um simples toque seu e restaurou a visão a um cego, Crescêncio). Depois de ter sido lançado à prisão, Lourenço curou de cegueira a Lucílio, prisioneiro de muitos anos, batizando-o em seguida. Testemunhando isso, Hipólito, o carcereiro, também foi batizado. Mais tarde, este veio a sofrer por Cristo (13 de agosto). Visto que Lourenço não negaria Cristo, pelo contrário aconselhou Décio a rejeitar seus falsos deuses, espancaram sua face com pedras, e seu corpo foi flagelado com o scorpion (uma corrente com dentes afiados e pontudos e um cabo encurvado à semelhança de uma causa de escorpião). Romanus, que estivera presente na tortura, converteu-se à fé cristã e foi imediatamente decapitado. Por último, eles colocaram Lourenço nu sobre uma enorme grelha e ascenderam fogo debaixo dele. Consumindo-se pelo fogo, São Lourenço dava glórias a Deus e zombava o imperador por seu paganismo. Depois, Lourenço entregou sua heróica e pura alma a Deus. Hipólito levou seu corpo na calada da noite à casa de Ciríaco e, depois, para uma gruta, onde Hipólito honrosamente enterrou-o. São Lourenço com os outros sofreram no ano 258.

Tropário, t.3
Aceso pelo Espírito divino, como brasa consumiste as ervas daninhas do erro, ó vitorioso mártir Lourenço; como um incenso de espiritual suavidade tu queimaste por Aquele que te glorificou, atingindo assim com o teu fogo o último tom da perfeição; de todo dano, Arcediácono de Cristo, guarde os fiéis que veneram a tua memória.

sábado, 22 de agosto de 2009

“Sobre o nada do pecador perante à majestade de Deus”

Adentre na rocha e esconde-te no pó, por temor do Senhor e pela glória de Sua majestade (Isaías 2:10).

Eis um mordaz escárnio de um Israel idolatra por parte do profeta. O povo rejeitara a fé no único verdadeiro Deus e passara a adorar os ídolos feitos de pedra e barro. “Que farás tu, ó povo maligno, quando o temor do Senhor vier? Para onde fugirás, quando se revelar a glória de Sua majestade? Foge para as montanhas das quais erigiste deuses para ti mesmo!” Oh, que terrível escárnio pelo consciente profeta! Quem poderá infiltrar-se na montanha e esconder-se? Quem poderá jogar-se no pó e ocultar-se do Altíssimo?

Entretanto, irmãos, deixemos de lado a idolatria dos judeus – por causa da qual eles já foram por demais punidos – e, por um momento, olhemos a idolatria que há entre nós, os cristãos. O que é um amontoado de ouro a não ser um ídolo? O que são campos lavrados a não ser um ídolo de terra? Que são roupas luxuosas a não ser ídolos feitos de peles e pêlos de animais? Esconder-se-ão os idolatras de nossas gerações, quando o temor do Senhor surgir e quando a glória do Senhor revelar-se? Foge para o ouro, adorador do ouro! Foge para a terra, cultuador da terra! Esconde-te nas peles de animais e enterre-te em pêlos de raposas e alimento de vermes mortais e perniciosos, ó idólatras! Oh, cruel ironia! Tudo isso será consumido pelo fogo no Dia do Senhor, naquele Temível Dia. O homem ficará cara a cara com o único Majestoso e Eterno. Todos os ídolos da humanidade serão destruídos às vistas dos homens; ao que o Imortal Juiz perguntará aos idólatras: “Onde estão vossos deuses?”

Isaías, filho de Amós, profeta de Deus, viveu neste mundo há muito tempo atrás, mas sua visão, até hoje, continua sendo temível, instrutiva e novamente temível.

És o Um, ó único Senhor vivente, e a Ti nós adoramos! Tudo o mais não passa de pó. Ajuda-nos, ó Senhor, ajuda-nos: que nossas mentes e corações não se unam ao transitório pó, mas a Ti, apenas a Ti, o único Vivente.

A Ti sejam a glória e o louvor. Amém.

Santo Apóstolo Matias (+c.63) – 09/22 ago

Matias nasceu da tribo de Judá, em Belém. Foi instruído por São Simeão, que recebeu Deus nos braços em Jerusalém. Quando o Senhor partiu para pregar sobre o Reino de Deus, Matias juntou-se aos demais que amavam o Senhor – pois ele próprio O amava de todo coração, ouvia Suas palavras e testemunhava Suas obras com alegria. A princípio, Matia foi contado entre os setenta discípulos menores de Cristo; entretanto, seguindo-se à Ressurreição do Senhor e o lugar de Judas ficando vago, os apóstolos lançaram a sorte, assim elegendo Matias como um dos Doze Grandes Apóstolos (Atos 1: 23-26). Recebendo o Espírito Santo em Pentecostes, Matias partiu para pregar o Evangelho, primeiramente na Judéia e, em seguida, na Etiópia, onde ele passou por grandes torturas por amor a Cristo. Acredita-se que ele pregou por toda a Macedônia, onde tentaram cegá-lo, mas ele ficou invisível aos torturadores e, deste modo, escapou do perigo. O Senhor apareceu-lhe na prisão, encorajou-o e libertou-o. Finalmente, ele retornou mais uma vez à sua atividade na Judéia. Na Judéia, ele foi acusado e levado à corte, perante o sumo-sacerdote Ananias, diante do qual destemidamente testemunhou Cristo. Ananias (o mesmo que assassinara o Apóstolo Tiago) condenou Matias a morte. Tiraram-no da presença do sumo-sacerdote, apedrejaram-no e, então, decapitaram-no com um machado. (Esse era o costume romano de matar uma pessoa sentenciada à morte, e os hipócritas judeus aplicaram esse método a Matias a fim de demonstrar aos romanos que o apóstolo tinha sido inimigo de Roma). Por conseguinte, esse grande apóstolo de Cristo repousou e acolheu sua habitação na eterna alegria de seu Senhor.

Hino de Louvor
De Cristo, Matias, o Apóstolo, dizia,
Abertamente O testemunhava aos judeus:
“Ele é o Messias, de Quem as Escrituras falam;
Ele é o Filho de Deus, Que desceu das Alturas;
Ele é o Verbo de Deus, a Divina Hipóstase.
Dele, claramente proclamaram os Profetas!
Moisés profetizou: ‘Deus vos erguerá um Profeta,
Como a mim, do meio de teu povo;
E Sua glória brilhará entre vós.’
Disse Rei Davi: ‘Todas as gerações da terra
Serão glorificadas e benditas por Ele.’
O valente Isaías arrebatou-se aos céus em espírito,
Viu e disse: ‘Uma virgem conceberá e dará a luz a um Filho, que será chamado
Emanuel, que quer dizer Deus está conosco.
Imagem de Seu sepultamento foi Jonas –
Como prefigurava ele o sepultamento, quanto mais a ressurreição:
Quando Jonas esteve no ventre da baleia por três dias,
E foi novamente agraciado por Deus com a vida.
Cumpridas foram as profecias, dissiparam-se as sombras,
As palavras da promessa foram realizadas na carne!”
Em vão, porém, um desperto fala aos que ainda dormem:Aquele que dorme por todo o dia, não pode crer no dia

Tropário, t.3
Escolhido por sorte, graças ao Espírito, completaste o círculo dos doze Apóstolos divinos; com eles proclamaste o Verbo que por nós Se aniquilou em nossa carne, foste coberto de maravilhas pelo Senhor, aos que te cantam, ilustre Apóstolo Matias, rogue a Cristo para conceder o perdão das faltas e a graça da salvação.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

“Sobre o estabelecimento da paz de Cristo”

Quão pictoricamente o profeta previu a Cristo, o Realizador da Paz! O profeta elucidou, um a um, os méritos do Salvador. Primeiro, revelou-O como o Doador da Nova Lei, uma lei para todos os povos sobre a terra. Por conseguinte, ilustrou Sua exaltação sobre todas as glórias terrenas e históricas. No trecho que lemos acima, o profeta apresenta-O como o Cumpridor da Paz, cujo poder e amor farão das espadas arados e das lanças podadeiras. Já se cumpriu essa grande profecia da paz? Sim, já, se bem que ainda existam guerras. Veja: as guerras entre os povos cristãos não são como as guerras entre os pagãos. Os pagãos lutam com orgulho, ao passo que os cristãos lutam com vergonha. As crenças pagãs concedem apenas seus próprios céus aos soldados, enquanto que a Fé Cristã promete o Céu aos santos. Como cristãos às vezes cometem, devido às suas fraquezas, os mesmos pecados dos pagãos, do mesmo modo aqueles também cometem o pecado de promover a guerra. Todavia, Deus perscruta os corações e conhece a disposição com que os pagãos pecam e a com que os cristãos pecam. Os Fariseus negaram a Cristo, e Pedro também O negou. Mas, os Fariseus negaram-Lhe com uma malícia irredutível, mas Pedro foi por vergonha, para arrepender-se e confessá-Lo novamente.

Irmãos, o que podemos dizer sobre as espadas e lanças das paixões, pelas quais assassinamos nossas almas e a alma de nosso próximo? Oh, quando transformaremos essas espadas em arados que lavrarão profundamente as almas e semearão a nobre semente de Cristo em nós mesmos? E quando faremos das lanças podadeiras, para extrairmos o joio de nossas almas e queimá-lo? Somente então, a paz de Cristo habitará em nossas almas, assim como habita nas dos santos. Quem, portanto, chegaria a pensar em guerra contra seus próximos ou povos vizinhos?

Oh, quão admirável é a visão de Isaías, filho de Amós, o profeta de Deus!

Oh, quão admirável é a visão de Isaías, filho de Amós, o profeta de Deus!