“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

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Bulgária
autor: Vladimir Evstatiev

terça-feira, 7 de julho de 2009

Grande Festa do Nascimento de São João, Profeta, Precursor e Batista de Nosso Senhor Jesus Cristo – 24 jun/07 jul

No dia 24 junho/07 julho comemora-se a natividade de São João Batista, Profeta e Precursor.

Seis meses antes da aparição à Santíssima Virgem Maria em Nazaré, Gabriel, Arcanjo do Senhor, apareceu para Zacarias o Sumo Sacerdote no templo de Jerusalém. Antes de revelar a miraculosa concepção por uma virgem que não havia conhecido homem, o Arcanjo revelou a maravilhosa concepção por uma mulher velha e estéril. Zacarias foi incapaz de acreditar de imediato nas palavras do arauto de Deus, e por isso sua língua foi posta em mudez e assim permaneceu até oito dias após o nascimento de João. Nesse dia reuniram-se os parentes de Zacarias e Isabel para a circuncisão da criança e escolha de seu nome. Quando perguntaram ao pai como ele queria que o filho chamasse, ele, estando ainda mudo escreveu numa lousa: “João”. Nesse instante sua língua foi liberada e ele voltou a falar. A casa de Zacarias era nas colinas entre Belém e Hebron. A notícia da aparição do Arcanjo a Zacarias, de sua mudez e da liberação de sua língua no exato momento que ele escreveu “João”, foi espalhada por todo Israel, chegando aos ouvidos de Herodes. Assim, quando ele enviou homens, para matar todas as crianças em torno de Belém, ele também enviou homens para a casa da família de Zacarias nas montanhas, para matar João mas Isabel escondeu o menino a tempo. O Rei enraiveceu-se com esse fato, e enviou um executor ao templo para matar Zacarias (pois era o turno de Zacarias servir ao templo novamente). Zacarias foi morto entre o pátio e o templo, e seu sangue coagulou e solidificou-se nas lajes da pavimentação lá permanecendo como um testemunho permanente contra Herodes. Isabel escondeu-se com a criança numa caverna, onde morreu logo depois. O jovem João permaneceu no deserto sozinho, cuidado por Deus e Seus Anjos.

Boletim Interparoquial, julho de 2002

segunda-feira, 6 de julho de 2009

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Rússia
autor: B.Bort

"O Centurião"

Domingo último ouvimos São Paulo dizer-nos que somos “justificados pela fé”. O evangelho do 4º domingo após o Pentecostes (Mt.8,5-13) mostra-nos que fé é esta que justifica. Um centurião romano, em Cafarnaum, obtém de Jesus a cura de seu servo doente. Esta cura é uma reposta ao ato de fé do centurião: “Vai, e como creste te seja feito...” O centurião não é um filho de Israel. Por outro lado, Jesus não lhe pede nenhuma profissão de uma fé intelectual; não o submete a nenhum teste doutrinal. E, contudo, é no centurião e não nos judeus os mais “ortodoxos” que Jesus encontra a fé que Ele deseja: “Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé...”. Em que consiste a fé vivida, a fé salvífica do centurião? Ela não se identifica nem à adesão a um dogma, nem à realização de um rito ou de um preceito legal. Ele é, antes de tudo, fundamentada sobre uma profunda humildade: “Senhor... não sou digno que entres sob meu teto...” pois ela é toda voltada para a palavra do Senhor: “...mas diz uma só palavra...”. A palavra do Senhor, aqui, não é somente recebida com respeito e fé, mas também é desejada, buscada, como um princípio de fé e de salvação. Aquela palavra pela qual o centurião espera com todo o seu ser, ele não a coloca numa esfera “religiosa”, estranha à vida cotidiana. “Diz somente uma palavra e meu servo será curado”. O centurião crê que a palavra de Jesus vai entrar em sua vida, irromper entre as realidades domésticas e operar um resultado definido. Enfim, a fé do centurião é uma disposição de obediência. “Eu sou homem sob autoridade”, diz o centurião: comando soldados e servos; o que lhes ordeno fazerem, eles fazem. Ele próprio está sob as ordens de oficiais superiores e executa as ordens deles. Portanto, acha natural que Jesus ordene e que suas ordens sejam imediatamente realizadas. Ele espera a ordem de Jesus. Esta é a fé do centurião, a fé que Jesus elogia. E esta é a fé que Jesus pede de nós: um dom confiante de todo o nosso ser na palavra que salva e que faz viver. Esta fé não exclui nem uma crença precisa nas verdades reveladas, nem uma prática exata da lei divina. Mas uma fé que fosse somente uma crença ou uma prática, sem o elã interior que leva o centurião até Jesus, seria uma fé morta. A fé viva do centurião - “um subalterno”- implica uma submissão da vontade à palavra de Jesus; no momento em que o centurião dirige seu pedido a Nosso Senhor, coloca-se sob Sua autoridade, “entre as suas mãos”. Devo, eu também, tornar-me um “subalterno”, um homem que, tendo colocado toda a sua vida sob a direção do Senhor, encontra a cada instante, nesta obediência e nesta confiança, a segurança e a certeza que aqueles que são regra para si mesmos ignoram.

A espístola deste domingo (Rm.6,18-23) é, também, um comentário sobre a verdadeira natureza da justificação pela fé (sem que, aliás, a Igreja tenha buscado estabelecer uma concordância entre a epístola e o evangelho deste dia). São Paulo continua a expor aos Romanos o que é a nossa justiça em Cristo. “...Pois se outrora oferecestes vossos membros à impureza, oferecei-vos hoje igualmente à justiça para santificar-vos... libertos do pecado... fortificai para a santidade”. Somos justificados pela fé, mas a fé não é nada se não transformar a nossa vida, se ela não der frutos, se não conduzir à santidade. A justificação não deve estar separada da santificação. “Santidade”: São Paulo não exita em colocar esta grande palavra, esta grande coisa, diante do conjunto da comunidade de Roma; ele considera a santidade como natural do cristão, como acessível a todos os fiéis. Para ele, a santidade não consiste em explorações ascéticas extraordinárias: o “santificai para a santidade” é simplesmente o serviço atento a Deus, a conformidade de nossa vontade à Sua.

Extraído de L’An de Grâce du Seigneur, Ed. du Cerf - 1988
Boleim Intrerparoquial, julho 2002

quarta-feira, 1 de julho de 2009

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Rússia
autor: Hongor

terça-feira, 30 de junho de 2009

Encontrado em Roma o mais antigo ícone do Apóstolo São Paulo

ROMA, Itália - Arqueólogos do Vaticano encontraram o que afirmam ser o mais antigo ícone do Apóstolo São Paulo, que pode ser datado, segundo o parecer dos mesmos, do século IV da era cristã.

O ícone estava na catacumba de Santa Tekla, em Roma, próximo à Basílica de São Paulo fora dos muros, na Via Ostiense. A datação foi atestada através de testes a laser realizados por arqueólogos e teve sua divulgação no último no dia 19 de junho. Este achado arqueológico ratifica a imagem clássica do Apóstolo das Nações, São Paulo, escrita nos ícones bizantinos, através da história da arte cristã bizantina. Fonte: Romfea.gr

sexta-feira, 26 de junho de 2009

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Rússia
autor: B.Bort

"Sobre o sacerdócio e a hierarquia eclesiástica."

"Nós somos os colaboradores de Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus. Segundo a graça que me foi dada, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode por outro diverso daquele que já foi posto — Jesus Cristo" (1Cor 3:6-11).

A instituição divina do sacerdócio
Uma particularidade que diferencia a Igreja Ortodoxa, assim como todas as igrejas antiquíssimas (a Armênia, a Católico-romana, a Copta, Nestoriana e outras), vem a ser a existência do sacerdócio e de missas. Apesar das sociedades cristãs surgidas após Lutero (1520) não reconhecerem nem um nem outro, o sacerdócio e as missas surgiram não por força de quaisquer motivos externos, humanos, mas foram instituídos pelo próprio Deus.

Claro que no plano espiritual-moral todos os homens são iguais perante Deus, Que com imparcialidade julga e perdoa a todos como Seus filhos. No entanto, de acordo com o apóstolo Paulo, de forma semelhante como diversas partes do corpo desempenham diversas funções de acordo com a sua finalidade, dentro da Igreja, há também necessidade de diversas funções. Não foram os homens, mas o próprio Jesus Cristo que "a uns constituiu Apóstolos; a outros profetas; a outros Evangelistas, pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho da tarefa que visa a construção do corpo de Cristo (Igreja)," porque "assim como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo" (Ef 4:11-13).

Pouco a pouco ocorria a seleção e o preparo dos primeiros servidores da Igreja. A partir de praticamente primeiros dias do seu trabalho social, o Senhor Jesus Cristo selecionava alguns do meio dos ouvintes, que Ele preparava para serem os Seus enviados e continuadores da Sua obra. A eles, Ele determinou por meio de ensinamento e batismo (Mt 28:19), atrair novos discípulos, celebrar a Eucaristia (Lc 22:19), perdoar os pecados (João 20:21-23), divulgar e fortalecer a Igreja fundada por Ele. "Como o Pai Me enviou, assim também Eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles, dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (João 20:22-23) e um pouco mais tarde: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi" (Mateus 28:19-20). Aqui, Jesus Cristo não apenas encarregou Seus discípulos eleitos para o sacrifício de serviço apostólico, mas também os reforçou com o dom especial de Espírito Santo. Esse dom em toda a sua plenitude eles receberam, após a Ascensão do Senhor ao Céu, no dia de Pentecostes (Atos, cap. 2).

Tudo que ocorreu com eles, os apóstolos aceitaram como orientação superior. Não foi sua própria decisão, nem a sociedade e nem as circunstâncias externas, mas foi Deus quem os encarregou da missão de serviço apostólico. "Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou Consigo por Cristo e nos confiou o ministério desta reconciliação" — escreveu o apóstolo Paulo sobre a sua vocação (2 Cor 5:18).

Inicialmente, os próprios Apóstolos ensinavam a fé cristã, batizavam os crentes, impunham as mãos para transmitir os dons da graça, realizavam a Eucaristia e guiavam as comunidades cristãs fundadas por eles. No entanto, como visto no livro de Atos, nas epístolas, e também nos escritos cristãos antigos, os apóstolos estavam sempre preocupados em atrair auxiliares "pastores e mestres" que eram preparados para sucede-los, e que eram ordenados como bispos, presbíteros e diáconos. Não era para todos que desejassem, mas as pessoas escolhidas pelos apóstolos eles designavam realizar tudo aquilo que inicialmente eles mesmos realizavam seguindo as ordens do Senhor. Além disso, não eram casos isolados, que tivessem caráter temporário, mas sim, era um plano definido que os orientava por toda a parte e por unanimidade. Agindo dessa maneira, eles lançaram as bases da estrutura hierárquica sólida e segura que deveria garantir a divulgação correta e o desenvolvimento da Igreja de Cristo por todos os séculos vindouros.

Sobre a necessidade de determinadas funções na Igreja, o apóstolo Paulo escreve: "Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida... Aquele que é chamado ao ministério dedique-se ao ministério; se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte ... aquele que preside, presida com zelo" (Rom 12:4-8). Exortando as pessoas encarregadas de desempenhar com afinco as suas funções, o apóstolo proibia severamente as pessoas, assíduas acima da medida, apropriar-se por si de algumas funções na Igreja, já que "ninguém se apropria desta honra, senão aquele que é chamado por Deus, como Aarão" — ensina o apóstolo (Heb 5:4).

Dessa forma, não importam as qualidades morais elevadas ou úteis que a pessoa detenha, ela não pode, sem ser especialmente escolhida e ordenada pelas pessoas encarregadas da Igreja, dirigir os outros e nem exercer sacerdócio. O Apóstolo Paulo escreve sobre si mesmo que "não da parte de homens, nem por meio de algum homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai [ele tornou-se] Apóstolo" (Gal 1:1). "Que os homens nos considerem pois, como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis" (1 Cor 4:1-2).

A sucessão apostólica e a impossibilidade de apagar a marca do sacerdócio.
Comparando diversos textos das Escrituras Sagradas que falam sobre a seleção e a ordenação nas funções eclesiásticas, vê-se que nesse processo dois momentos entrelaçam-se intimamente: de um lado — a escolha de Deus, e outro — a concretização da escolha e uma ordenação especial do candidato por servidores autorizados da Igreja.

Assim, após a Ascensão do Salvador ao céu, os Seus apóstolos preencheram o lugar deixado vago por Judas, elegendo um novo discípulo para completar os doze. Tendo rezado a Deus, pedindo para indicar-lhes um candidato digno, eles deitaram sorte. E a sorte caiu sobre Matias (não Mateus, o Evangelista mas outro), que a partir desse momento foi declarado colaborador pelos apóstolos com plenos poderes (Atos cap. 1).

Como é visto do Evangelho e dos antigos documentos cristãos, a ordenação para servir na Igreja — seja bispo, presbítero ou diácono — sempre foi realizada por imposição das mãos (em russo — "rukoplojenie"), isto é pela formal colocação das mãos dos que ordenam sobre a cabeça do ordenado. Assim, lemos no livro de Atos dos Apóstolos sobre a ordenação de sete diáconos: "Apresentaram-nos aos apóstolos e estes, orando, impuseram-lhes as mãos" (At 6:6). A respeito da ordenação dos presbíteros em Listra, Iconio e Antioquia, o Santo Lucas escreve: Paulo e Barnabé "em cada igreja ordenaram presbíteros e após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em Quem eles tinham fé" (At 14:23). O apóstolo Paulo lembra ao seu discípulo Tito, instituído como bispo da Ilha de Creta: "Eu te deixei em Creta para acabardes de organizar tudo e estabelecer presbíteros em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei" (Tito 1:5), mas "a ninguém imponhas as mãos inconsideradamente para que não venhas tornar-te cúmplice dos pecados alheios" (1 Tim 5:22) — evidentemente porque o que ordena tem a responsabilidade pelo que é ordenado.

É importante notar que a imposição das mãos dos apóstolos era tido não apenas como um sinal visível de designação para uma outra função na Igreja, mas era considerado como condutor da força divina real e perceptível, apesar de invisível. Apenas nesse plano tornam-se compreensíveis as palavras do apóstolo Paulo dirigidas ao Timóteo que ele ordenou bispo da cidade de Efeso: "Não negligencies o dom de Deus que está em ti e que te foi dado por profecia quando a assembléia dos presbíteros te impôs as mãos" (1 Tim 4:14) e um pouco mais tarde: "eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos" (2 Tim 1:6).

Além disso, ordenando pessoas escolhidas por eles para um determinado cargo na igreja, os apóstolos tinham a consciência que a causa primeira da eleição e da ordenação vem a ser não eles, mas o Senhor. "Que os homens nos considerem pois como servos de Cristo e administradores dos mistérios da fé" (1 Cor 4:1). Dirigindo-se aos pastores de Efeso, o apóstolo Paulo diz: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastorear a Igreja do Senhor e Deus, que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue" (At 20:28).

Já a partir do primeiro século do cristianismo se firmou a tradição, com certeza estabelecida pelos apóstolos, que somente bispos podem efetuar a ordenação. Além disso, para ordenação de um bispo são necessários dois ou mais bispos, sendo que, para a ordenação em funções inferiores basta um bispo. Eis trechos das orações que são lidas durante a ordenação sacerdotal: "A graça de Deus, que sempre cura os enfermos e preenche os que estão empobrecidos, eleva o reverendíssimo diácono ... a presbítero. Rezemos por ele, para que a graça do Espírito Santíssimo desça sobre ele." O coro, respondendo, canta lentamente: "Senhor, tenha piedade." Mais adiante, o bispo reza: "Deus, grande em força, insuperável na razão, admirável no conselho mais que os filhos dos homens, Senhor, preencha com o dom de Espírito Santo esse Teu servo a quem benevolentemente elevaste ao degrau de presbítero, para que ele seja digno perante o Teu altar, proclame o Teu Evangelho, leve a palavra da Tua verdade, faça os sacrifícios espirituais, renove as Tuas pessoas com a pia batismal do novo nascimento. Para que ele, tendo sido digno de encontrar Jesus Cristo, Deus e nosso Salvador, Teu Filho Unigênito na Sua segunda vinda, receba a recompensa de bom administrador de acordo com a missão que lhe foi confiada, pela Tua graça ... "

Desde os tempos mais antigos, a Igreja Ortodoxa zelava com muita severidade pela continuidade da sucessão apostólica, isto é, que cada novo bispo recebesse a sua ordenação dos bispos legítimos, cuja ordenação levasse ininterruptamente até os apóstolos. Sabemos da "História da Igreja" do bispo Eusedio do Cesarea (início do século IV), que todas as igrejas cristãs antigas locais conservam a lista de seus bispos, na sua seqüência ininterrupta. Isso dava a possibilidade de rejeitar os impostores.

"Nós podemos, — escreve o Santo Irineu do Lyon (meados do século III), — enumerar aqueles, que foram colocados como bispos nas igrejas, desde apóstolos até nós" e realmente cita na seqüência de sucessão os bispos da Igreja Romana até quase o final do século II. Também Tertulian (século III), manifestou-se a favor da importância da sucessão. Ele escreve sobre os hereges do seu tempo: "Que eles mostrem a origem de suas igrejas e anunciem a seqüência de seus bispos, tal que o primeiro de seus bispos tivesse antes dele algum dos apóstolos, ou homens apostólicos, que tenham tido muito contato com os apóstolos. Pois, as igrejas apostólicas mantém as suas listas de bispos exatamente assim: a smirna, por exemplo, apresenta Policarpo (início do século II), que foi colocado por João; a romana — Clemente, que foi ordenado por Pedro; assim também outras igrejas apresentam os homens que foram elevados a bispos a partir dos próprios apóstolos, tinham brotos da semente apostólica."

Se a corrente da sucessão apostólica por alguma razão encontra-se interrompida, então as ordenações seguintes não são consideradas válidas, e as missas e os mistérios, realizados pela pessoas ilegalmente ordenadas — desprovidos da graça divina. Essa condição é tão séria que a ausência de sucessão dos bispos em uma ou outra denominação cristã despoja-a da qualidade de Igreja verdadeira, mesmo que o bensino dogmático presente nela não esteja deturpado. Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu início.

Ao mesmo tempo, o sacramento da ordenação feito corretamente é indelével. Por isso é proibido ordenar duas vezes a mesma pessoa para o mesmo cargo.

O Sacramento de Ordenação, assim como os sacramentos de Batismo e da Cura, muda essencialmente o homem, dotando-o de direito e de força espiritual para ensinar os crentes, rezar missas. No entanto, esse poder e força somente atuam enquanto o servidor da Igreja encontra-se na Igreja e em total obediência a ela. Os sacramentos oficiados pelos sacerdotes proibidos — não são válidos.

Degraus de sacerdócio e as particularidades do episcopado.
Já que Cristo é o Primeiro Sacerdote (Heb 7:26-27), deve-se concluir que Ele deve ter sacerdotes. [Textos sobre esse assunto: Mt 18:17; Mt 28:19-20; Jo 20:21-23; At 8:14-17; At 14:23; At 20:28; Tg 5:14; 1 Pe 5:1-5; Rom 10:15; 1 Cor 3:9-12; 1 Cor 4:1-2; 1 Cor 4:15; 1 Cor 12:12-31; Gal 1:1; Ef 4:11-16; 1 Tes 5:12-13; 1 Tim 4:14; 1 Tim 5:17-18; 1 Tim 5:22, 2 Tim 1:6-7; 2 Tim 4:13; Tit 1:5-10; Heb 5:4; Heb 10:25; Heb 13:7 e 17.]

O Evangelho distingue 3 degraus de sacerdócio: bispo, sacerdote (presbítero) e diácono. Sendo sucessores dos santos apóstolos, eles, dentro dos limites de suas funções, continuam a obra dos apóstolos.

Sobre os presbíteros, lemos no livro Atos dos apóstolos. Apóstolo Paulo diz: "Tendo ordenado os presbíteros de cada igreja (para os cristãos de Listra, Iconio e Antioquia), orou em jejum e encomendou-os ao Senhor ao Qual eles tinham dado a sua fé" (At 14:23). O apóstolo Tiago encarregou os presbíteros de realizar o sacramento de unção dos enfermos: "Está alguém enfermo? Chame os presbíteros da Igreja e estes façam orações sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor" (Tg 5:14).

O apóstolo Paulo exortava os crentes a honrar os presbíteros, segundo o seu desempenho: "Os presbíteros que desempenham bem o encargo de presidir sejam muito honrados, principalmente os que trabalham na pregação e no ensino. Pois, diz a Escritura: não atarás a boca do boi quando ele pisar o grão; e ainda: aquele que trabalha é digno da sua recompensa" (1 Tim 5:17-18). E em outro lugar, sobre isso: "Suplico-vos, irmãos que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para dirigir-vos no Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor em vista do cargo que exercem. Conservai a paz entre vós," — ensina o apóstolo Paulo (1 Tes 5:12-13).

A função de presbíteros (mais tarde chamados de sacerdotes) era reconhecida abaixo da do bispo: os presbíteros (sacerdotes) batizavam, celebravam a Eucaristia, perdoavam os pecados aos que se arrependiam, mas não podiam ordenar outros.

A respeito do surgimento de diáconos (o nível inferior na hierarquia da Igreja), relata o livro de Atos. A razão para o estabelecimento da função de diácono foi a dificuldade que os apóstolos tinham em conciliar o servir à palavra de Deus com os cuidados com os pobres e as refeições que lhes eram servidas. "Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios de Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos desse ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra" (At 6:2-4). Com o passar do tempo, a função principal dos diáconos tornou-se ajudar os bispos e presbíteros durante a realização dos mistérios e pregação da palavra de Deus. Na epístola aos Filipenses, o apóstolo Paulo, juntamente com os bispos, saúda os diáconos (Fil 1:1). Ele também discorre sobre como devem ser os diáconos e suas famílias. (1 Tim 3:8-12).

O servir do bispo — é o superior. Os bispos da Igreja são sucessores diretos dos apóstolos e continuadores da sua obra. O apóstolo Paulo se dirige a eles com as seguintes palavras: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santos vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue" (At 20:28). Vê-se dessas palavras que a responsabilidade pela Igreja repousa sobre os bispos — pela pureza do seu ensino, pela perfeição moral dos seus membros e pela boa organização da vida na igreja.

Como exemplo de bispo do século I pode-se citar Timóteo, a quem são endereçadas duas epístolas do Evangelho. Ele era bispo em Efeso. São Tito era bispo na Ilha de Creta e também recebeu uma epístola.

O bispo, em primeiro lugar, é o principal mestre da sua igreja para os crentes comuns e também para os pastores. Isto é mostrado por:a) a epístola para Timóteo do apóstolo Paulo, onde o apóstolo com especial vigor, recomenda: "Olha por ti e pela instrução dos outros.." "Prega a palavra, insiste oportuna e importuntamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir" (1 Tim 4:16; 2 Tim 4:2-5). O apóstolo encarrega o Timóteo do trabalho de preparo de futuros bispos (2 Tim 2:2), que ele observasse os presbíteros em seu trabalho de ensino e os que pregam com fervor sejam muito honrados (1 Tim 5:17). A regra nr.58 dos apóstolos diz: "Bispo, que não é dedicado ao clero e às pessoas, que não as ensina a vida na devoção a Deus, que seja excomungado; caso permaneça nesta falta de dedicação e na pregiça — que seja expulso. "As orientações dos apóstolos, onde é dito ao bispo para observar que na Igreja se conserve a pureza da verdade e as regras dos Concílios que sucederam regem que os primazes das igrejas devem todos os dias e principalmente aos domingos ensinar o clero e o povo com palavras de devoção." Eis porque os antigos apologistas do cristianismo afirmavam contra os hereges que a tradição verdadeira e o ensinamento de Cristo se conservou na Igreja a partir dos apóstolos e exatamente através da ininterrupta sucessão dos bispos.

Em segundo lugar, o bispo, pela força do Espírito é quem primeiro atua nos ritos sagrados e quem oficia os sacramentos na sua diocese. Alguns ritos sagrados são exclusivos dele, hoje e na Antigüidade. Assim, somente o bispo tem o direito de ordenar sacerdote e outras funções baseado na Palavra de Deus (Tit 15; 1 Tim 5:22), nas regras dos santos apóstolos e dos santos Concílios, e segundo o ensinamento unânime dos santos mestres da Igreja, que chamavam a essa regra o privilégio mais importante do bispo sobre o presbítero e diziam: "O cargo de bispo foi criado principalmente para o nascimento de pais: pois a ele compete aumentar o número de pais espirituais na Igreja. O outro cargo (presbítero), faz nascer para a Igreja filhos pelo batismo, mas não pais nem mestres. Como é possível que presbítero ordene presbítero quando não tem nenhum direito de imposição das mãos? Ou de que maneira um presbítero pode ser chamado de igual a um bispo? Apenas o bispo tem o direito de benzer o óleo da crisma (miro), e o altar ou "antimenso," o que se vê das regras dos Concílios e dos ensinamentos da Igreja Ortodoxa."

O bispo, afinal, é o dirigente principal da sua igreja (At 20:28; 1 Tim 5:19). Ele deve zelar pelo cumprimento dos mandamentos de Deus e das leis da igreja, dirigir a vida das igrejas que se encontram na sua diocese, nomear os presbíteros para as igrejas.

As qualidades espirituais dos servidores eclesiásticos
Em suas epístolas "aos pastores" o apóstolo Paulo diversas vezes se depara com o tema sobre quais qualidades devem distinguir os servidores eclesiásticos. Por exemplo: "O bispo deve ser irrepreensível... firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder ser forte e exortar segundo sã doutrina e rebater os que a contradizem" (Tit 1:9). Apóstolo Pedro instrui da seguinte forma os bispos e os sacerdotes:

"Eis a exortação que dirijo aos pastores que estão entre vós; porque sou pastor como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e serei participante com eles daquela glória que se há de manifestar: velai sobre o rebanho de Deus que vos é confiado. Tende cuidado dele, não constrangidos, mas espontaneamente; não por amor de interesse sórdido, mas com dedicação; não como dominadores absolutos sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos de vossos rebanhos; e quando aparecer o Supremo Pastor, recebereis a coroa imperecível da glória" (1 Pe 5:1-5).

Apóstolo Paulo instrui Tito que o presbítero [ou bispo] nomeado por ele deve ser: "irrepreensível, casado uma só vez, tenha filhos fiéis e não acusados de má conduta ou insubordinação. Porquanto é mister que o bispo seja irrepreensível como administrador que é posto por Deus. Não arrogante, nem colérico, nem intemperante, nem insolente, nem cobiçoso. Ao contrário, seja hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, continente, firmemente apegado à doutrina tal como foi ensinada, para poder ser forte e exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem" (Tit 1:5-10).

Esperando qualidades morais elevadas do clero os fiéis devem levar em consideração que a graça de Deus recebida pelo sacerdote durante a ordenação, apesar de auxilia-lo na vida espiritual, não o torna perfeito. O sacerdote ou outro representante do clero é também um homem, com fraquezas humanas comuns a todos e também sujeito às mesmas tentações que os outros homens. Por isso, a Igreja sempre ensinou que o efeito dos sacramentos e da benção sacerdotal dependem não da estatura espiritual do sacerdote, mas da fé e da devoção de quem a recebe.

O Senhor e Seus apóstolos não recomendavam aos fiéis tornarem-se juízes de seus pastores porque eles são responsáveis perante Deus. "A quem muito foi dado, muito será cobrado." Por isso o Santo João Taumaturgo (século IV), dizia: "Eu não penso que muitos pastores vão se salvar."

Quando tão poucos estão dispostos a sacrificar-se pelo bem espiritual do próximo, deve-se pelo menos valorizar os que aceitam o encargo de servir a Deus e ao próximo.

"Lembrai-vos de vossos guias, — instruiu o Apóstolo Paulo — que vos pregam a palavra de Deus. Considerai como souberam encerrar a sua vida. E imitai-lhes a fé... sede submissos e obedecei aos que vos guiam pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta" (Heb 13:7,17). "Suplico-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para dirigir-vos ao Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. Conservai a paz entre vós" (1 Tes 5:12-13). "Os presbíteros que desempenham bem o encargo de presidir sejam muito honrados, principalmente os que trabalham na pregação e no ensino" (1 Tim 5:17-18).

Assim, vamos valorizar o fato que a nossa Igreja conservou não somente o ensinamento de Cristo na sua pureza inicial, mas também o sacerdócio e os mistérios que foram passados à Igreja pelos santos apóstolos. A maioria das "igrejas" modernas já perdeu tudo isso faz muito tempo. Rezemos por aqueles que oficiam as missas na Igreja e nos ajudam a renovar-nos e fortalecer-nos espiritualmente.
Bispo Alexander Mileant
Tradução: Elga Drizul

quinta-feira, 18 de junho de 2009

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Batismo no Kongo, África
autor: Vasileos Dagalos

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Suíça abriga IV Assembléia Pan-Ortodoxa

Chambésy, 11 jun (RV) - Realiza-se no centro ortodoxo da cidade de Chambésy, na Suíça, a IV Assembleia Pan-ortodoxa pré-sinodal.

O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, desejou aos representantes de todas as Igrejas Ortodoxas que participam dos trabalhos, que encontrem soluções pacíficas e consensuais sobre a questão da ortodoxia na diáspora.

Participam da assembléia representantes das Igrejas Ortodoxas, de Chipre, Bulgária, Romênia, Polônia, Grécia e Geórgia. A conferência é coordenada pelo metropolita ortodoxo de Pérgamo, Ioannis Zizoulas, e se concluirá no próximo dia 13.

Um dos objetivos da assembléia é aprovar uma série de documentos relativos à questão da diáspora ortodoxa no mundo, em vista de uma maior coordenação do trabalho pastoral num espírito conciliar.

A aprovação desses documentos faz parte de uma longa fase preparatória, iniciada nos anos 60, que deve levar à realização de um grande Concílio da Igreja Ortodoxa. (MJ)

domingo, 7 de junho de 2009

PENTECOSTES - Grande Festa da Santíssima Trindade - Festa da Descida do Espírito Santo - Festa do vivificante corpo místico de Cristo: A IGREJA


Esta era, para os judeus, que a chamavam “festa das semanas”, a festa das primícias da colheita: “festa das semanas” pois ela caía sempre 7 semanas mais um dia, após a Páscoa, de onde seu nome grego de “Pentecostes” ou do 50º dia. Comemorava-se esse 50º dia, festa agrícola por excelência, através da oferenda de sacrifícios especiais; as oferendas eram recomendáveis.

Ele revestia-se, assim, de um caráter familiar: todas as pessoas da casa, incluindo os escravos, deveriam tomar parte no festim. Ao agradecer a Deus pela colheita, Israel não deveria esquecer que ele próprio havia sido pobre e escravizado no Egito. O Pentecostes enquadra-se, portanto, no ciclo das festividades pascais, o qual fecha solenemente.

Jesus, tendo tornado-Se Primícia da humanidade, envia Seus discípulos a juntar o resto da colheita, e Pentecostes não é senão a inauguração desse trabalho espiritual que ocupará, a partir de agora, toda a duração do tempo: a colheita dos séculos!

Senhor, Tua colheita recomeça sempre em nossas almas ou em qualquer novo país. Como ceifador judeu de antigamente, nós Te proclamamos Mestre da terra, ao Te oferecer esses presentes repletos de amor.

Celebrada 50 dias após a Páscoa, Pentecostes era também uma festa “jubilar”, a exemplo do ano jubilar celebrado a cada 50 anos: ela é também a festa da libertação da escravatura, fruto da intervenção redentora de Deus. O ano jubilar comportava 3 obrigações: repouso da terra, retorno do solo aos primeiros proprietários e libertação dos escravos. Josefo acrescenta (antiguidades 3,12,3) até mesmo a extinção das dívidas. Jesus apresentou-Se como o Libertador (Lc. 4,21). No dia de Pentecostes, os discípulos, por sua vez, iniciam seu papel de arautos da liberdade, da salvação total das almas e do grande perdão. Pelo Espírito Santo, nós retornamos à graça e amizade de Deus, à liberdade dos filhos de Deus, à herança e à posse do Reino. Festa da liberdade e da redenção, Pentecostes nos convida a um reconhecimento e à alegria.

Na tradição judaica posterior a Nosso Senhor, atribuía-se essa data de Pentecostes à promulgação da Lei dita por Moisés sobre o Sinai (historicamente o acontecimento coloca-se no 3º mês após a saída do Egito e, portanto, no mínimo 60 dias após a Páscoa). Para nós, Pentecostes é a proclamação da nova humanidade, o Evangelho que sucede a Lei. Como diz Santo Isidoro, é a festa do Evangelho. Da mesma forma que no Sinai, há também aqui o som do trovão, o fogo proveniente do céu e a força do Espírito Santo. E no entanto, grande é a diferença: a Lei era somente para o povo judeu; o Evangelho é para todas as nações, ou melhor, para todos os homens, sem distinção de nação, de raça, de cultura ou de religião. A Lei era inscrita em uma pedra, o Evangelho é impresso em nossos corações.

Nosso reconhecimento – para nós cristãos – deve ser superior ao dos judeus, de que a nova lei é a mais magnânima. Deus, nela, nos chama a uma intimidade mais estreita, mais definitiva, mas gratuita.

Na liturgia, esse dia tomou as características de uma festa da Trindade, sendo a descida do Espírito Santo festejada sobretudo no próprio dia da festa. Às Vésperas (dia anterior) recita-se, e de joelhos, uma série de longas orações (rito da genuflexão), de caráter penitencial bastante acentuado.

Duas idéias principais se desprendem do ofício do dia. A primeira é a descida da Santidade Divina, para unir todos os povos na confissão da Trindade. O Espírito Santo possui uma obra a realizar na Igreja e os fiéis devem abandonar-se à sua ação. Ao comunicar-se, Ele santifica as almas; elas vivem a partir de então, a vida do Cristo em união à Santíssima Trindade.

A segunda idéia é que apenas os apóstolos receberam o Espírito Santo, para transmiti-lo aos fiéis. Portanto, aquele que, deliberadamente, procurar o Dom do Espírito Santo fora da Igreja não conseguirá chegar à participação da vida divina. A festa de Pentecostes encerra a cinqüentena pascal. Ela é seguida de um período pós-festa, durante o qual nos é permitido comer de todos os alimentos, mesmo à quarta e à sexta-feira. Ela termina no sábado seguinte.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

OrtoFoto

Santorini, Grécia
autor: Vasileos Dagalos