ROMA, Itália - Arqueólogos do Vaticano encontraram o que afirmam ser o mais antigo ícone do Apóstolo São Paulo, que pode ser datado, segundo o parecer dos mesmos, do século IV da era cristã.
O ícone estava na catacumba de Santa Tekla, em Roma, próximo à Basílica de São Paulo fora dos muros, na Via Ostiense. A datação foi atestada através de testes a laser realizados por arqueólogos e teve sua divulgação no último no dia 19 de junho. Este achado arqueológico ratifica a imagem clássica do Apóstolo das Nações, São Paulo, escrita nos ícones bizantinos, através da história da arte cristã bizantina. Fonte: Romfea.gr
terça-feira, 30 de junho de 2009
Encontrado em Roma o mais antigo ícone do Apóstolo São Paulo
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09:23
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
"Sobre o sacerdócio e a hierarquia eclesiástica."
A instituição divina do sacerdócio
Uma particularidade que diferencia a Igreja Ortodoxa, assim como todas as igrejas antiquíssimas (a Armênia, a Católico-romana, a Copta, Nestoriana e outras), vem a ser a existência do sacerdócio e de missas. Apesar das sociedades cristãs surgidas após Lutero (1520) não reconhecerem nem um nem outro, o sacerdócio e as missas surgiram não por força de quaisquer motivos externos, humanos, mas foram instituídos pelo próprio Deus.
Claro que no plano espiritual-moral todos os homens são iguais perante Deus, Que com imparcialidade julga e perdoa a todos como Seus filhos. No entanto, de acordo com o apóstolo Paulo, de forma semelhante como diversas partes do corpo desempenham diversas funções de acordo com a sua finalidade, dentro da Igreja, há também necessidade de diversas funções. Não foram os homens, mas o próprio Jesus Cristo que "a uns constituiu Apóstolos; a outros profetas; a outros Evangelistas, pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho da tarefa que visa a construção do corpo de Cristo (Igreja)," porque "assim como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo" (Ef 4:11-13).
Pouco a pouco ocorria a seleção e o preparo dos primeiros servidores da Igreja. A partir de praticamente primeiros dias do seu trabalho social, o Senhor Jesus Cristo selecionava alguns do meio dos ouvintes, que Ele preparava para serem os Seus enviados e continuadores da Sua obra. A eles, Ele determinou por meio de ensinamento e batismo (Mt 28:19), atrair novos discípulos, celebrar a Eucaristia (Lc 22:19), perdoar os pecados (João 20:21-23), divulgar e fortalecer a Igreja fundada por Ele. "Como o Pai Me enviou, assim também Eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles, dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (João 20:22-23) e um pouco mais tarde: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi" (Mateus 28:19-20). Aqui, Jesus Cristo não apenas encarregou Seus discípulos eleitos para o sacrifício de serviço apostólico, mas também os reforçou com o dom especial de Espírito Santo. Esse dom em toda a sua plenitude eles receberam, após a Ascensão do Senhor ao Céu, no dia de Pentecostes (Atos, cap. 2).
Tudo que ocorreu com eles, os apóstolos aceitaram como orientação superior. Não foi sua própria decisão, nem a sociedade e nem as circunstâncias externas, mas foi Deus quem os encarregou da missão de serviço apostólico. "Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou Consigo por Cristo e nos confiou o ministério desta reconciliação" — escreveu o apóstolo Paulo sobre a sua vocação (2 Cor 5:18).
Inicialmente, os próprios Apóstolos ensinavam a fé cristã, batizavam os crentes, impunham as mãos para transmitir os dons da graça, realizavam a Eucaristia e guiavam as comunidades cristãs fundadas por eles. No entanto, como visto no livro de Atos, nas epístolas, e também nos escritos cristãos antigos, os apóstolos estavam sempre preocupados em atrair auxiliares "pastores e mestres" que eram preparados para sucede-los, e que eram ordenados como bispos, presbíteros e diáconos. Não era para todos que desejassem, mas as pessoas escolhidas pelos apóstolos eles designavam realizar tudo aquilo que inicialmente eles mesmos realizavam seguindo as ordens do Senhor. Além disso, não eram casos isolados, que tivessem caráter temporário, mas sim, era um plano definido que os orientava por toda a parte e por unanimidade. Agindo dessa maneira, eles lançaram as bases da estrutura hierárquica sólida e segura que deveria garantir a divulgação correta e o desenvolvimento da Igreja de Cristo por todos os séculos vindouros.
Sobre a necessidade de determinadas funções na Igreja, o apóstolo Paulo escreve: "Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida... Aquele que é chamado ao ministério dedique-se ao ministério; se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte ... aquele que preside, presida com zelo" (Rom 12:4-8). Exortando as pessoas encarregadas de desempenhar com afinco as suas funções, o apóstolo proibia severamente as pessoas, assíduas acima da medida, apropriar-se por si de algumas funções na Igreja, já que "ninguém se apropria desta honra, senão aquele que é chamado por Deus, como Aarão" — ensina o apóstolo (Heb 5:4).
Dessa forma, não importam as qualidades morais elevadas ou úteis que a pessoa detenha, ela não pode, sem ser especialmente escolhida e ordenada pelas pessoas encarregadas da Igreja, dirigir os outros e nem exercer sacerdócio. O Apóstolo Paulo escreve sobre si mesmo que "não da parte de homens, nem por meio de algum homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai [ele tornou-se] Apóstolo" (Gal 1:1). "Que os homens nos considerem pois, como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis" (1 Cor 4:1-2).
A sucessão apostólica e a impossibilidade de apagar a marca do sacerdócio.
Comparando diversos textos das Escrituras Sagradas que falam sobre a seleção e a ordenação nas funções eclesiásticas, vê-se que nesse processo dois momentos entrelaçam-se intimamente: de um lado — a escolha de Deus, e outro — a concretização da escolha e uma ordenação especial do candidato por servidores autorizados da Igreja.
Assim, após a Ascensão do Salvador ao céu, os Seus apóstolos preencheram o lugar deixado vago por Judas, elegendo um novo discípulo para completar os doze. Tendo rezado a Deus, pedindo para indicar-lhes um candidato digno, eles deitaram sorte. E a sorte caiu sobre Matias (não Mateus, o Evangelista mas outro), que a partir desse momento foi declarado colaborador pelos apóstolos com plenos poderes (Atos cap. 1).
Como é visto do Evangelho e dos antigos documentos cristãos, a ordenação para servir na Igreja — seja bispo, presbítero ou diácono — sempre foi realizada por imposição das mãos (em russo — "rukoplojenie"), isto é pela formal colocação das mãos dos que ordenam sobre a cabeça do ordenado. Assim, lemos no livro de Atos dos Apóstolos sobre a ordenação de sete diáconos: "Apresentaram-nos aos apóstolos e estes, orando, impuseram-lhes as mãos" (At 6:6). A respeito da ordenação dos presbíteros em Listra, Iconio e Antioquia, o Santo Lucas escreve: Paulo e Barnabé "em cada igreja ordenaram presbíteros e após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em Quem eles tinham fé" (At 14:23). O apóstolo Paulo lembra ao seu discípulo Tito, instituído como bispo da Ilha de Creta: "Eu te deixei em Creta para acabardes de organizar tudo e estabelecer presbíteros em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei" (Tito 1:5), mas "a ninguém imponhas as mãos inconsideradamente para que não venhas tornar-te cúmplice dos pecados alheios" (1 Tim 5:22) — evidentemente porque o que ordena tem a responsabilidade pelo que é ordenado.
É importante notar que a imposição das mãos dos apóstolos era tido não apenas como um sinal visível de designação para uma outra função na Igreja, mas era considerado como condutor da força divina real e perceptível, apesar de invisível. Apenas nesse plano tornam-se compreensíveis as palavras do apóstolo Paulo dirigidas ao Timóteo que ele ordenou bispo da cidade de Efeso: "Não negligencies o dom de Deus que está em ti e que te foi dado por profecia quando a assembléia dos presbíteros te impôs as mãos" (1 Tim 4:14) e um pouco mais tarde: "eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos" (2 Tim 1:6).
Além disso, ordenando pessoas escolhidas por eles para um determinado cargo na igreja, os apóstolos tinham a consciência que a causa primeira da eleição e da ordenação vem a ser não eles, mas o Senhor. "Que os homens nos considerem pois como servos de Cristo e administradores dos mistérios da fé" (1 Cor 4:1). Dirigindo-se aos pastores de Efeso, o apóstolo Paulo diz: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastorear a Igreja do Senhor e Deus, que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue" (At 20:28).
Já a partir do primeiro século do cristianismo se firmou a tradição, com certeza estabelecida pelos apóstolos, que somente bispos podem efetuar a ordenação. Além disso, para ordenação de um bispo são necessários dois ou mais bispos, sendo que, para a ordenação em funções inferiores basta um bispo. Eis trechos das orações que são lidas durante a ordenação sacerdotal: "A graça de Deus, que sempre cura os enfermos e preenche os que estão empobrecidos, eleva o reverendíssimo diácono ... a presbítero. Rezemos por ele, para que a graça do Espírito Santíssimo desça sobre ele." O coro, respondendo, canta lentamente: "Senhor, tenha piedade." Mais adiante, o bispo reza: "Deus, grande em força, insuperável na razão, admirável no conselho mais que os filhos dos homens, Senhor, preencha com o dom de Espírito Santo esse Teu servo a quem benevolentemente elevaste ao degrau de presbítero, para que ele seja digno perante o Teu altar, proclame o Teu Evangelho, leve a palavra da Tua verdade, faça os sacrifícios espirituais, renove as Tuas pessoas com a pia batismal do novo nascimento. Para que ele, tendo sido digno de encontrar Jesus Cristo, Deus e nosso Salvador, Teu Filho Unigênito na Sua segunda vinda, receba a recompensa de bom administrador de acordo com a missão que lhe foi confiada, pela Tua graça ... "
Desde os tempos mais antigos, a Igreja Ortodoxa zelava com muita severidade pela continuidade da sucessão apostólica, isto é, que cada novo bispo recebesse a sua ordenação dos bispos legítimos, cuja ordenação levasse ininterruptamente até os apóstolos. Sabemos da "História da Igreja" do bispo Eusedio do Cesarea (início do século IV), que todas as igrejas cristãs antigas locais conservam a lista de seus bispos, na sua seqüência ininterrupta. Isso dava a possibilidade de rejeitar os impostores.
"Nós podemos, — escreve o Santo Irineu do Lyon (meados do século III), — enumerar aqueles, que foram colocados como bispos nas igrejas, desde apóstolos até nós" e realmente cita na seqüência de sucessão os bispos da Igreja Romana até quase o final do século II. Também Tertulian (século III), manifestou-se a favor da importância da sucessão. Ele escreve sobre os hereges do seu tempo: "Que eles mostrem a origem de suas igrejas e anunciem a seqüência de seus bispos, tal que o primeiro de seus bispos tivesse antes dele algum dos apóstolos, ou homens apostólicos, que tenham tido muito contato com os apóstolos. Pois, as igrejas apostólicas mantém as suas listas de bispos exatamente assim: a smirna, por exemplo, apresenta Policarpo (início do século II), que foi colocado por João; a romana — Clemente, que foi ordenado por Pedro; assim também outras igrejas apresentam os homens que foram elevados a bispos a partir dos próprios apóstolos, tinham brotos da semente apostólica."
Se a corrente da sucessão apostólica por alguma razão encontra-se interrompida, então as ordenações seguintes não são consideradas válidas, e as missas e os mistérios, realizados pela pessoas ilegalmente ordenadas — desprovidos da graça divina. Essa condição é tão séria que a ausência de sucessão dos bispos em uma ou outra denominação cristã despoja-a da qualidade de Igreja verdadeira, mesmo que o bensino dogmático presente nela não esteja deturpado. Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu início.
Ao mesmo tempo, o sacramento da ordenação feito corretamente é indelével. Por isso é proibido ordenar duas vezes a mesma pessoa para o mesmo cargo.
O Sacramento de Ordenação, assim como os sacramentos de Batismo e da Cura, muda essencialmente o homem, dotando-o de direito e de força espiritual para ensinar os crentes, rezar missas. No entanto, esse poder e força somente atuam enquanto o servidor da Igreja encontra-se na Igreja e em total obediência a ela. Os sacramentos oficiados pelos sacerdotes proibidos — não são válidos.
Degraus de sacerdócio e as particularidades do episcopado.
Já que Cristo é o Primeiro Sacerdote (Heb 7:26-27), deve-se concluir que Ele deve ter sacerdotes. [Textos sobre esse assunto: Mt 18:17; Mt 28:19-20; Jo 20:21-23; At 8:14-17; At 14:23; At 20:28; Tg 5:14; 1 Pe 5:1-5; Rom 10:15; 1 Cor 3:9-12; 1 Cor 4:1-2; 1 Cor 4:15; 1 Cor 12:12-31; Gal 1:1; Ef 4:11-16; 1 Tes 5:12-13; 1 Tim 4:14; 1 Tim 5:17-18; 1 Tim 5:22, 2 Tim 1:6-7; 2 Tim 4:13; Tit 1:5-10; Heb 5:4; Heb 10:25; Heb 13:7 e 17.]
O Evangelho distingue 3 degraus de sacerdócio: bispo, sacerdote (presbítero) e diácono. Sendo sucessores dos santos apóstolos, eles, dentro dos limites de suas funções, continuam a obra dos apóstolos.
Sobre os presbíteros, lemos no livro Atos dos apóstolos. Apóstolo Paulo diz: "Tendo ordenado os presbíteros de cada igreja (para os cristãos de Listra, Iconio e Antioquia), orou em jejum e encomendou-os ao Senhor ao Qual eles tinham dado a sua fé" (At 14:23). O apóstolo Tiago encarregou os presbíteros de realizar o sacramento de unção dos enfermos: "Está alguém enfermo? Chame os presbíteros da Igreja e estes façam orações sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor" (Tg 5:14).
O apóstolo Paulo exortava os crentes a honrar os presbíteros, segundo o seu desempenho: "Os presbíteros que desempenham bem o encargo de presidir sejam muito honrados, principalmente os que trabalham na pregação e no ensino. Pois, diz a Escritura: não atarás a boca do boi quando ele pisar o grão; e ainda: aquele que trabalha é digno da sua recompensa" (1 Tim 5:17-18). E em outro lugar, sobre isso: "Suplico-vos, irmãos que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para dirigir-vos no Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor em vista do cargo que exercem. Conservai a paz entre vós," — ensina o apóstolo Paulo (1 Tes 5:12-13).
A função de presbíteros (mais tarde chamados de sacerdotes) era reconhecida abaixo da do bispo: os presbíteros (sacerdotes) batizavam, celebravam a Eucaristia, perdoavam os pecados aos que se arrependiam, mas não podiam ordenar outros.
A respeito do surgimento de diáconos (o nível inferior na hierarquia da Igreja), relata o livro de Atos. A razão para o estabelecimento da função de diácono foi a dificuldade que os apóstolos tinham em conciliar o servir à palavra de Deus com os cuidados com os pobres e as refeições que lhes eram servidas. "Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios de Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos desse ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra" (At 6:2-4). Com o passar do tempo, a função principal dos diáconos tornou-se ajudar os bispos e presbíteros durante a realização dos mistérios e pregação da palavra de Deus. Na epístola aos Filipenses, o apóstolo Paulo, juntamente com os bispos, saúda os diáconos (Fil 1:1). Ele também discorre sobre como devem ser os diáconos e suas famílias. (1 Tim 3:8-12).
O servir do bispo — é o superior. Os bispos da Igreja são sucessores diretos dos apóstolos e continuadores da sua obra. O apóstolo Paulo se dirige a eles com as seguintes palavras: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santos vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue" (At 20:28). Vê-se dessas palavras que a responsabilidade pela Igreja repousa sobre os bispos — pela pureza do seu ensino, pela perfeição moral dos seus membros e pela boa organização da vida na igreja.
Como exemplo de bispo do século I pode-se citar Timóteo, a quem são endereçadas duas epístolas do Evangelho. Ele era bispo em Efeso. São Tito era bispo na Ilha de Creta e também recebeu uma epístola.
O bispo, em primeiro lugar, é o principal mestre da sua igreja para os crentes comuns e também para os pastores. Isto é mostrado por:a) a epístola para Timóteo do apóstolo Paulo, onde o apóstolo com especial vigor, recomenda: "Olha por ti e pela instrução dos outros.." "Prega a palavra, insiste oportuna e importuntamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir" (1 Tim 4:16; 2 Tim 4:2-5). O apóstolo encarrega o Timóteo do trabalho de preparo de futuros bispos (2 Tim 2:2), que ele observasse os presbíteros em seu trabalho de ensino e os que pregam com fervor sejam muito honrados (1 Tim 5:17). A regra nr.58 dos apóstolos diz: "Bispo, que não é dedicado ao clero e às pessoas, que não as ensina a vida na devoção a Deus, que seja excomungado; caso permaneça nesta falta de dedicação e na pregiça — que seja expulso. "As orientações dos apóstolos, onde é dito ao bispo para observar que na Igreja se conserve a pureza da verdade e as regras dos Concílios que sucederam regem que os primazes das igrejas devem todos os dias e principalmente aos domingos ensinar o clero e o povo com palavras de devoção." Eis porque os antigos apologistas do cristianismo afirmavam contra os hereges que a tradição verdadeira e o ensinamento de Cristo se conservou na Igreja a partir dos apóstolos e exatamente através da ininterrupta sucessão dos bispos.
Em segundo lugar, o bispo, pela força do Espírito é quem primeiro atua nos ritos sagrados e quem oficia os sacramentos na sua diocese. Alguns ritos sagrados são exclusivos dele, hoje e na Antigüidade. Assim, somente o bispo tem o direito de ordenar sacerdote e outras funções baseado na Palavra de Deus (Tit 15; 1 Tim 5:22), nas regras dos santos apóstolos e dos santos Concílios, e segundo o ensinamento unânime dos santos mestres da Igreja, que chamavam a essa regra o privilégio mais importante do bispo sobre o presbítero e diziam: "O cargo de bispo foi criado principalmente para o nascimento de pais: pois a ele compete aumentar o número de pais espirituais na Igreja. O outro cargo (presbítero), faz nascer para a Igreja filhos pelo batismo, mas não pais nem mestres. Como é possível que presbítero ordene presbítero quando não tem nenhum direito de imposição das mãos? Ou de que maneira um presbítero pode ser chamado de igual a um bispo? Apenas o bispo tem o direito de benzer o óleo da crisma (miro), e o altar ou "antimenso," o que se vê das regras dos Concílios e dos ensinamentos da Igreja Ortodoxa."
O bispo, afinal, é o dirigente principal da sua igreja (At 20:28; 1 Tim 5:19). Ele deve zelar pelo cumprimento dos mandamentos de Deus e das leis da igreja, dirigir a vida das igrejas que se encontram na sua diocese, nomear os presbíteros para as igrejas.
As qualidades espirituais dos servidores eclesiásticos
Em suas epístolas "aos pastores" o apóstolo Paulo diversas vezes se depara com o tema sobre quais qualidades devem distinguir os servidores eclesiásticos. Por exemplo: "O bispo deve ser irrepreensível... firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder ser forte e exortar segundo sã doutrina e rebater os que a contradizem" (Tit 1:9). Apóstolo Pedro instrui da seguinte forma os bispos e os sacerdotes:
"Eis a exortação que dirijo aos pastores que estão entre vós; porque sou pastor como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e serei participante com eles daquela glória que se há de manifestar: velai sobre o rebanho de Deus que vos é confiado. Tende cuidado dele, não constrangidos, mas espontaneamente; não por amor de interesse sórdido, mas com dedicação; não como dominadores absolutos sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos de vossos rebanhos; e quando aparecer o Supremo Pastor, recebereis a coroa imperecível da glória" (1 Pe 5:1-5).
Apóstolo Paulo instrui Tito que o presbítero [ou bispo] nomeado por ele deve ser: "irrepreensível, casado uma só vez, tenha filhos fiéis e não acusados de má conduta ou insubordinação. Porquanto é mister que o bispo seja irrepreensível como administrador que é posto por Deus. Não arrogante, nem colérico, nem intemperante, nem insolente, nem cobiçoso. Ao contrário, seja hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, continente, firmemente apegado à doutrina tal como foi ensinada, para poder ser forte e exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem" (Tit 1:5-10).
Esperando qualidades morais elevadas do clero os fiéis devem levar em consideração que a graça de Deus recebida pelo sacerdote durante a ordenação, apesar de auxilia-lo na vida espiritual, não o torna perfeito. O sacerdote ou outro representante do clero é também um homem, com fraquezas humanas comuns a todos e também sujeito às mesmas tentações que os outros homens. Por isso, a Igreja sempre ensinou que o efeito dos sacramentos e da benção sacerdotal dependem não da estatura espiritual do sacerdote, mas da fé e da devoção de quem a recebe.
O Senhor e Seus apóstolos não recomendavam aos fiéis tornarem-se juízes de seus pastores porque eles são responsáveis perante Deus. "A quem muito foi dado, muito será cobrado." Por isso o Santo João Taumaturgo (século IV), dizia: "Eu não penso que muitos pastores vão se salvar."
Quando tão poucos estão dispostos a sacrificar-se pelo bem espiritual do próximo, deve-se pelo menos valorizar os que aceitam o encargo de servir a Deus e ao próximo.
"Lembrai-vos de vossos guias, — instruiu o Apóstolo Paulo — que vos pregam a palavra de Deus. Considerai como souberam encerrar a sua vida. E imitai-lhes a fé... sede submissos e obedecei aos que vos guiam pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta" (Heb 13:7,17). "Suplico-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para dirigir-vos ao Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. Conservai a paz entre vós" (1 Tes 5:12-13). "Os presbíteros que desempenham bem o encargo de presidir sejam muito honrados, principalmente os que trabalham na pregação e no ensino" (1 Tim 5:17-18).
Assim, vamos valorizar o fato que a nossa Igreja conservou não somente o ensinamento de Cristo na sua pureza inicial, mas também o sacerdócio e os mistérios que foram passados à Igreja pelos santos apóstolos. A maioria das "igrejas" modernas já perdeu tudo isso faz muito tempo. Rezemos por aqueles que oficiam as missas na Igreja e nos ajudam a renovar-nos e fortalecer-nos espiritualmente.
Tradução: Elga Drizul
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Suíça abriga IV Assembléia Pan-Ortodoxa
Chambésy, 11 jun (RV) - Realiza-se no centro ortodoxo da cidade de Chambésy, na Suíça, a IV Assembleia Pan-ortodoxa pré-sinodal.
O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, desejou aos representantes de todas as Igrejas Ortodoxas que participam dos trabalhos, que encontrem soluções pacíficas e consensuais sobre a questão da ortodoxia na diáspora.
Participam da assembléia representantes das Igrejas Ortodoxas, de Chipre, Bulgária, Romênia, Polônia, Grécia e Geórgia. A conferência é coordenada pelo metropolita ortodoxo de Pérgamo, Ioannis Zizoulas, e se concluirá no próximo dia 13.
Um dos objetivos da assembléia é aprovar uma série de documentos relativos à questão da diáspora ortodoxa no mundo, em vista de uma maior coordenação do trabalho pastoral num espírito conciliar.
A aprovação desses documentos faz parte de uma longa fase preparatória, iniciada nos anos 60, que deve levar à realização de um grande Concílio da Igreja Ortodoxa. (MJ)
às
17:15
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domingo, 7 de junho de 2009
PENTECOSTES - Grande Festa da Santíssima Trindade - Festa da Descida do Espírito Santo - Festa do vivificante corpo místico de Cristo: A IGREJA
Ele revestia-se, assim, de um caráter familiar: todas as pessoas da casa, incluindo os escravos, deveriam tomar parte no festim. Ao agradecer a Deus pela colheita, Israel não deveria esquecer que ele próprio havia sido pobre e escravizado no Egito. O Pentecostes enquadra-se, portanto, no ciclo das festividades pascais, o qual fecha solenemente.
Jesus, tendo tornado-Se Primícia da humanidade, envia Seus discípulos a juntar o resto da colheita, e Pentecostes não é senão a inauguração desse trabalho espiritual que ocupará, a partir de agora, toda a duração do tempo: a colheita dos séculos!
Senhor, Tua colheita recomeça sempre em nossas almas ou em qualquer novo país. Como ceifador judeu de antigamente, nós Te proclamamos Mestre da terra, ao Te oferecer esses presentes repletos de amor.
Celebrada 50 dias após a Páscoa, Pentecostes era também uma festa “jubilar”, a exemplo do ano jubilar celebrado a cada 50 anos: ela é também a festa da libertação da escravatura, fruto da intervenção redentora de Deus. O ano jubilar comportava 3 obrigações: repouso da terra, retorno do solo aos primeiros proprietários e libertação dos escravos. Josefo acrescenta (antiguidades 3,12,3) até mesmo a extinção das dívidas. Jesus apresentou-Se como o Libertador (Lc. 4,21). No dia de Pentecostes, os discípulos, por sua vez, iniciam seu papel de arautos da liberdade, da salvação total das almas e do grande perdão. Pelo Espírito Santo, nós retornamos à graça e amizade de Deus, à liberdade dos filhos de Deus, à herança e à posse do Reino. Festa da liberdade e da redenção, Pentecostes nos convida a um reconhecimento e à alegria.
Na tradição judaica posterior a Nosso Senhor, atribuía-se essa data de Pentecostes à promulgação da Lei dita por Moisés sobre o Sinai (historicamente o acontecimento coloca-se no 3º mês após a saída do Egito e, portanto, no mínimo 60 dias após a Páscoa). Para nós, Pentecostes é a proclamação da nova humanidade, o Evangelho que sucede a Lei. Como diz Santo Isidoro, é a festa do Evangelho. Da mesma forma que no Sinai, há também aqui o som do trovão, o fogo proveniente do céu e a força do Espírito Santo. E no entanto, grande é a diferença: a Lei era somente para o povo judeu; o Evangelho é para todas as nações, ou melhor, para todos os homens, sem distinção de nação, de raça, de cultura ou de religião. A Lei era inscrita em uma pedra, o Evangelho é impresso em nossos corações.
Nosso reconhecimento – para nós cristãos – deve ser superior ao dos judeus, de que a nova lei é a mais magnânima. Deus, nela, nos chama a uma intimidade mais estreita, mais definitiva, mas gratuita.
Na liturgia, esse dia tomou as características de uma festa da Trindade, sendo a descida do Espírito Santo festejada sobretudo no próprio dia da festa. Às Vésperas (dia anterior) recita-se, e de joelhos, uma série de longas orações (rito da genuflexão), de caráter penitencial bastante acentuado.
Duas idéias principais se desprendem do ofício do dia. A primeira é a descida da Santidade Divina, para unir todos os povos na confissão da Trindade. O Espírito Santo possui uma obra a realizar na Igreja e os fiéis devem abandonar-se à sua ação. Ao comunicar-se, Ele santifica as almas; elas vivem a partir de então, a vida do Cristo em união à Santíssima Trindade.
A segunda idéia é que apenas os apóstolos receberam o Espírito Santo, para transmiti-lo aos fiéis. Portanto, aquele que, deliberadamente, procurar o Dom do Espírito Santo fora da Igreja não conseguirá chegar à participação da vida divina. A festa de Pentecostes encerra a cinqüentena pascal. Ela é seguida de um período pós-festa, durante o qual nos é permitido comer de todos os alimentos, mesmo à quarta e à sexta-feira. Ela termina no sábado seguinte.
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06:00
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
"Regras para uma vida piedosa"
Traduzido por Balark de Sá Peixoto Junior
Obrigue-se a acordar cedo, numa hora previamente marcada. Tão logo levante, volte sua mente para Deus. Faça o sinal da cruz, e agradeça-lhe pela noite que passou e por todos os seus dons em seu favor. Peça-lhe para guiar todos os seus pensamentos, sentimentos e desejos de forma que tudo o que você disse ou desejar seja agradável a Ele.
Enquanto se arruma, perceba a presença do Senhor e de seu anjo da guarda. Peça ao Senhor Jesus Cristo para lhe colocar o manto da salvação.
Depois de banhar-se, recolha-se nas orações matinais. Reze ajoelhado, com concentração, reverência e simplicidade, como‚ adequado diante dos olhos do Altíssimo. Peça que lhe dê fé‚ esperança e prática da caridade, como também resignação para aceitar tudo o que o dia que chegou possa trazer - suas dificuldades e problemas. Peça-lhe que abençoe as suas atividades. Peça-lhe ajuda: para realizar aquela tarefa especialmente desagradável que lhe espera, para evitar de maneira especial um determinado pecado.
Se puder, leia algum trecho da bíblia, especialmente do Novo Testamento ou do Livro dos Salmos. Leia com o desejo de receber luz espiritual, inclinando seu coração para reconhecer seus pecados e deles se arrepender. Tendo lido um pouco, pare e reflita sobre o que leu; e leia mais um pouco, escutando aquilo que o Senhor sugere ao seu coração.
Tente reservar ao menos quinze minutos para contemplar espiritualmente os ensinamentos da fé‚ e tirar proveito espiritual do que tiver lido.
Sempre agradeça ao Senhor que não lhe deixa perecer em seus pecados, mas cuida de você e de todas as maneiras possíveis o conduz para o seu reino celestial.
Comece o dia como você tivesse acabado de decidir tornar-se cristão e viver de acordo com os mandamentos de Deus.
Ao cumprir suas obrigações, esforce-se para que tudo seja feito para a glória de Deus. Nada comece sem orar, pois tudo o que fazemos sem rezar depois se mostra improdutivo ou incompleto. As palavras do Senhor são verdadeiras: "Sem mim, nada podeis fazer."
Imite Nosso Senhor, que trabalhou ajudando José e sua puríssima Mãe. Enquanto trabalha, mantenha-se em bom estado de espírito, sempre contando com a ajuda do Senhor. É bom repetir sem cessar a oração: "Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim, pecador."
Se suas atividades têm sucesso, agradeça a Deus. Se não, coloque-se no Seu arbítrio, pois Ele cuida de você e tudo direciona para o melhor. Aceite as dificuldades como uma penitência por seus pecados em espírito de obediência e humildade.
Antes de qualquer refeição, peça que Deus abençoe a comida e a bebida; ao terminar, agradeça e peça-Lhe que não o prive de suas bênçãos espirituais. É bom deixar a mesa ainda com um pouco de fome. Em tudo, evite excessos. Seguindo o exemplo dos antigos cristãos, jejue às quartas e sextas-feiras.
Não seja guloso. Contente-se em ter o que comer e o que vestir, imitando Cristo que veio pobre para o nosso bem.
Esforce-se por louvar ao Senhor em tudo, de forma que você não seja reprovado pela sua própria consciência. Lembre-se: Deus sempre vê você e observa cuidadosamente os sentimentos, pensamentos e desejos do seu coração.
Evite mesmo os menores pecados, para não cair nos grandes. Tire de seu coração cada um e todo pensamento e desígnio que o leva para longe do Senhor. Lute especialmente contra os desejos impuros; tire-os do seu coração como você tiraria uma fagulha de suas roupas. Se você não quer ficar confuso com desejos impuros, aceite humildemente ser humilhado pelos outros.
Não fale muito. Lembre-se que prestaremos contas a Deus por cada palavra que tivermos dito. É melhor ouvir que falar: falar muito torna impossível evitar pecados. Não seja curioso para ouvir novidades, as quais apenas envolvem e distraem o espírito. Não condene ninguém, e considere-se o pior de todos. Quem condena os outros, está tomando para si os seus pecados. É melhor se apiedar do pecador, e rezar para que Deus o corrija à sua maneira. Se alguém não ouve os seus conselhos, não discuta. Mas se os atos desse alguém são uma tentação para outros, tome atitudes corretas, pois os bem dos outros, que são muitos, pesam mais que o bem de um só.
Nunca rejeite ou invente desculpas. Seja gentil, calmo e humilde. Resista a tudo, de acordo com o exemplo de Jesus. Ele não vai sobrecarregar você com uma cruz que exceda a sua força; e sim ajudá-lo a carregar a cruz que você tem.
Peça ao Senhor a graça de cumprir seus santos mandamentos da melhor maneira que puder, mesmo se pareçam muito difíceis de observar. Agindo bem, não espere gratidão, mas tentação: pois o amor a Deus é testado pelos obstáculos. Não espere adquirir alguma virtude sem sofrimento. No meio das tentações, não desespere, mas dirija-se a Deus com pequenas orações: "Senhor, me ajude... Ensina-me a... Não deixe-me... Proteje-me..." O Senhor sempre permite tentações e provações. Ele também dá a força para superá-las.
Peça a Deus para tirar de você tudo o que alimenta seu orgulho, mesmo que isso seja amargo. Evite ser áspero, aborrecido, desanimado, desconfiado, suspeitoso ou hipócrita, e evite a rivalidade. Seja sincero e simples em suas atitudes. Humildemente aceite os conselhos dos outros, mesmo se você conhece mais e é mais experiente.
O que você não quer que seja feito para você, não faça para os outros. Ao invés, faça aos outros aquilo que você queria que fizessem para você. Se alguém lhe visita, seja atencioso com ele. Seja modesto, sensato e, às vezes, dependendo das circunstâncias, seja também cego e surdo.
Quando se sentir mole ou resfriado, não deixe de realizar suas habituais orações e práticas piedosas. Tudo o que você faz em nome do Senhor Jesus, mesmo as menores e imperfeitas coisas, tornam-se um ato de piedade.
Se você quer encontrar paz, confie-se inteiramente a Deus. Você não encontrará paz até que repouse em Deus, amando somente a Ele.
De vez em quando, isole-se, seguindo o exemplo de Jesus, para orar e contemplar Deus. Contemple o infinito amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, seus sofrimentos e morte, sua ressurreição, sua Segunda vinda e o Juízo Final.
Vá à Igreja tanto quanto possível. Confesse-se mais freqüentemente e receba os santos mistérios. Fazendo isso, você aproxima-se de Deus, e essa é a maior bênção. Durante a confissão, reconheça e confesse abertamente e com contrição todos os seus pecados, pois os pecados não reconhecidos levam à morte.
Dedique os domingos para obras de caridade e misericórdia. Por exemplo, visite alguém doente, console quem estiver sofrendo, salve quem estiver perdido. Se alguém ajuda o perdido a encontrar Deus receberá uma grande recompensa nesta vida e no mundo futuro. Estimule seus amigos a ler literatura espiritual cristã e a debater temas espirituais.
Deixe Cristo Jesus, o Senhor, ser seu mestre em tudo. Constantemente recorra a Ele, voltando sua mente a Ele; pergunte a si mesmo: "O quê Ele faria em similar circunstância?"
Antes de ir dormir, reze abertamente e com todo o coração, examinando os pecados cometidos durante o dia que passou. Condicione-se a reconhecer seus pecados com coração contrito, com sofrimento e lágrimas, para que não repita os pecados cometidos. Ao ir para a cama, faça o sinal da cruz, beije a cruz e confie-se ao Senhor Deus, que é o seu bom Pastor. Considere que talvez você possa encará-lo nesta noite.
Recorde-se do amor do Senhor para com você e ame-O com todo o seu coração, sua alma e sua mente.
Agindo assim, você alcançará a vida abençoada no reino da eterna luz.
A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco. Amém.
terça-feira, 26 de maio de 2009
“Como ler a Bíblia”
Tradução da Dra. Rosita Diamantopoulos
Podemos distinguir na Igreja Ortodoxa quatro formas de ler as escrituras, denominadas
-Nossa leitura deve ser obediente
-Ela deve ser eclesiástica, junto com a Igreja
-Ela deve ser centrada em Cristo
- Ela deve ser pessoal
No entanto, embora divinamente inspirada, a Bíblia é, também, humanamente expressada. É uma verdadeira biblioteca de diversos livros escritos em diferentes tempos por pessoas diferentes. Cada livro da Bíblia reflete o momento em que foi escrito e a visão particular do autor. Para Deus, nada é isolado,a graça divina colabora com a liberdade humana.
Deus não termina com a nossa liberdade, ao contrário, a aumenta e isso é refletido na forma com que as Escrituras são redigidas. Os autores não são um instrumento passivo, alguém meramente escrevendo um ditado, cada autor nas escrituras reflete os seus dons pessoais. Portanto, ao longo do aspecto divino das escrituras, há uma participação humana e devemos valorizar as duas.
Cada um dos quatro Evangelhos, por exemplo, tem o seu relato particular. Mateus apresenta, principalmente, uma visão judaica de Cristo, com ênfase no Reino dos Céus. Marcos contém detalhes específicos do Ministério de Cristo não contidos em outro lugar. Lucas expressa a universalidade do amor de Cristo, a sua compaixão que abraçava judeus e gentios. Em João, há uma introspecção e uma visão mais mística de Cristo, com ênfase na luz e na reencarnação divinas. Essa variedade deve ser explorada por nós ao lermos a Bíblia.
Em razão de serem as escrituras a Palavra de Deus expressa em linguagem humana, há um espaço para questionamentos honestos ao se ler a Bíblia. Explorando o seu aspecto humano, enfatizamos a razão humana para os atos de Deus. A Igreja Ortodoxa não exclui a pesquisa da origem, datas e autores da Bíblia. No entanto, ao deparamo-nos com o elemento humano, vemos, também, o divino, ou seja, que não são livros simples escritos por autores comuns, nós ouvimos nas Escrituras não apenas palavras humanas, marcadas por uma maior ou menor percepção, mas a Palavra Eterna, Não Criada de Deus, a Palavra Divina de Salvação. Quando se lê a Bíblia, não o fazemos apenas por curiosidade ou informação, nos perguntamos "Como posso ser salvo"?
Como Palavra Divina de Deus em linguagem humana, as Escrituras devem maravilhar-nos. Você já não sentiu o quanto elas não lhe parecem familiares? A Bíblia é maçante? Não, continuamente devemos limpar a nossa percepção e olhar extasiados e com novos olhos o Senhor diante de nós. Devemos sentir expectativa e surpresa ao lermos a Bíblia, pois, certamente, ainda temos muitos livros a explorar. Há muita majestade e profundidade a ser descoberta, portanto a obediência implica em maravilhar-se, em prestar atenção.
Em geral, nos damos melhor falando do que ouvindo. Ouvimos o som da nossa própria voz, mas não paramos quando outro nos fala. Portanto, o primeiro requisito ao ler a Bíblia é parar e ouvir, e ouvir com obediência.
Quando entramos na Igreja Ortodoxa, decorada em sua maneira tradicional, e olhamos o lado oeste do santuário vemos o ícone da Virgem Maria com suas mãos elevadas ao céu- que é a maneira antiga de se rezar, descrita nas Escrituras e usada até hoje. Esse ícone simboliza a nossa atitude quando decidimos ler as Escrituras, a de receptividade, com as mãos invisivelmente elevadas aos céus. Lendo a Bíblia, modelamono-nos como a Virgem Maria, a que mais ouviu. Na Anunciação, ela ouviu com obediência "seja feito conforme a Sua vontade" (Lucas 1:38). Ela não poderia ter dado a luz à Palavra de Deus se não tivesse, primeiramente, escutado a Palavra de Deus em seu coração. Depois, foi dito que "ela guardava todas essas coisas em seu coração" (Lucas 2:19). Mais uma vez, ao encontrar Jesus no templo, Maria "guardou todas essas coisas em seu coração" (Lucas 2:51). A mesma atitude de ouvir é dita a nós em Caná, na Galiléia, quando ela menciona "façam tudo o que Ele disser" (João 2:5). Em tudo isso, a Virgem Maria nos serve de espelho,como um ícone vivo dos cristãos bíblicos. Devemos ser como Ela ao ouvir a Palavra de Deus: ponderar, guardar todas essas coisas em nosso coração e fazer o que Ele nos disser. Devemos ser obedientes ao que Deus fala.
É a Igreja quem nos diz quais são as Escrituras e também é a Igreja quem nos diz como elas devem ser entendidas. Falando sobre o Etíope ao ler o Velho Testamento em sua carruagem, o Apóstolo Felipe perguntou-lhe: "Entendes o que lês?" E o etíope respondeu-lhe: "Como eu poderia, a não ser se fosse guiado por um homem?" (Atos 8:30-31). Todos nós estamos na mesma posição do etíope. As palavras da Sagrada Escritura não são auto-explicativas, Deus fala diretamente ao nosso coração quando lemos a Bíblia. A leitura das Escrituras é um diálogo pessoal entre cada um de nós e Cristo, mas precisamos de um guia, e o nosso guia é a Igreja. Podemos usar o nosso entendimento em plenitude, assistidos pelo Espírito Santo, podemos usar os achados de nossas pesquisas Bíblicas modernas, mas sempre submetemos a nossa opinião privada, seja a individual ou de nossos alunos, à total experiência da Igreja em todos estes séculos.
A opinião da Igreja Ortodoxa aqui se resume à questão utilizada pelos recém-convertidos nos serviços introdutórios da Igreja Ortodoxa Russa: "Você reconhece que a Sagrada Escritura deve ser aceita e interpretada de acordo com a nossa crença herdada de nossos Santos Patriarcas, a qual a Santa Igreja Ortodoxa, nossa Mãe, sempre guardou e ainda guarda?"
Lemos a Bíblia pessoalmente, mas não como indivíduos isolados, mas sim como membros de uma família, a família da Igreja Católica Ortodoxa. Quando a lemos não podemos dizer "eu," mas sim "nós," lemos em comunhão com outros membros do Corpo de Cristo, em todas as partes do mundo e em todas as gerações temporais. O teste decisivo e criterioso para o nosso entendimento do que é a Sagrada Escritura é o pensamento da Igreja. A Bíblia é o livro de nossa Igreja.
Por onde começarmos para descobrir qual é o pensamento da Igreja? Nosso primeiro passo é observar como a Escritura é usada em seus trabalhos, como as lições Bíblicas são particularmente escolhidas para serem lidas em diferentes festividades. Igualmente devemos consultar as anotações de nossos Patriarcas e ponderar como eles interpretaram a Bíblia, porque a maneira Ortodoxa da leitura Bíblica é, igualmente, litúrgica e patriarcal. E isto, como podemos perceber na prática, não é fácil de ser feito, porque dispomos de poucos comentários Ortodoxos das Escrituras em português, e a maior parte não engloba a visão patriarcal.
Como um exemplo do que significa interpretar as Escrituras liturgicamente, guiados pelas que são usadas em nossas festividades, podemos procurar no Velho Testamento pelas lições apontadas para a Festa da Anunciação, que são três: Gênesis 28:10-17, relatando o sonho de Jacó com a escada que ia da Terra ao Céu, Ezequiel 43:27—44:4, relatando a visão do Profeta sobre o Santuário de Jerusalém, com a porta fechada onde ninguém, com exceção do príncipe poderia passar e Provérbios 9:1-1, uma das mais sábias passagens do Antigo Testamento que diz "-A Sabedoria construiu a sua casa." Estes textos do Antigo Testamento portanto, uma vez selecionados para a Festividade da Anunciação, devem ser entendidos como profecias sobre a Encanação da Virgem Maria, que é descendente de Jacó, e supriu a forma carnal da entrada de Deus em nosso mundo humano. Maria é o portão fechado pelo qual pariu uma criança e permaneceu inviolada. Maria forneceu a casa na qual a nossa visão cristã de Deus (1 Cor 1:24) baseia-se. Explorando dessa forma a escolha das lições Bíblicas para as diferentes festividades, descobrimos camadas de interpretação Bíblica não evidenciadas em uma primeira leitura.
Tomando outro exemplo, no Sábado de Aleluia, a primeira parte da antiga Vigília Pascal tem quinze lições no Antigo Testamento, que iniciam-se para nós como um esquema inteiro da História Sagrada enquanto, ao mesmo tempo, subentendem uma maneira mais profunda de encarar a Ressurreição de Cristo. A primeira lição é Gênesis 1:1-13, a descrição da Criação: a Ressurreição de Cristo é uma nova Criação. A quarta lição, integralmente no livro de Jonas, descrevendo a permanência do Profeta por três dias no interior de uma baleia sugere, mesmo que por uma sombra, a Ressurreição de Cristo em sua tumba após três dias (conforme Mateus 12:40). A sexta lição nos lembra a passagem dos israelitas pelo Mar Vermelho (Êxodo13:20-15:19), que nos antecipa a nova passagem da morte para a vida (conforme Coríntios 5:7; 10:1-4). A lição final é a história dos três jovens no caldeirão (Daniel 3), mais um tipo de profecia do renascimento de Cristo de sua tumba.
Este é o efeito eclesiástico da Escritura, na Igreja e com a Igreja. Ao estudarmos liturgicamente o Antigo Testamento com a ajuda de nossos Patriarcas, podemos encontrar em todos os sinais apontando para o Mistério de Cristo e de sua Santa Mãe. Lendo o Novo Testamento à luz do Antigo, e o Antigo à luz do Novo, como nos encoraja a Santa Igreja, descobrimos a unidade do Espírito Santo. Uma das melhores maneiras de identificar as correspondências entre o Antigo e o Novo testamento é usar uma boa concordância Bíblica, que pode nos dizer um pouco mais sobre o significado das Escrituras e seus comentários.
Em estudos bíblicos em grupo, é interessante encarregar uma pessoa de anotar quais as passagens do Antigo Testamento usada para uma festividade em particular, para que as razões para isso possam ser discutidas, tendo como base a palavra dos patriarcas, como, por exemplo, as homilias de São Crisóstomo, que fora traduzidas em inglês. Os cristão sempre devem persistir na mente encontrar a Cristo quer onde procurem.
Muitos críticos ocidentais modernos da Escritura adotaram um modo de ver analítico, quebrando cada livro de acordo com as suas fontes diferentes, não revelando as conexões entre elas, reduzindo a Bíblia a um amontoado de idéias primárias. Há um certo valor nisso, mas devemos ver a unidade acima da diversidade da Escritura,o seu fim que engloba toda a Escritura e seus inícios confusos. A Ortodoxia prefere sintetizar o todo do que promover uma abordagem analítica, vendo as escrituras como um todo integrado, assinado um papel particular ao método "tipológico"de interpretação, onde "tipos" de Cristo, sinais e símbolos de seu trabalho são discernidos ao longo de todo o Antigo Testamento. Um notável exemplo é Melquisedeque, o rei-sagrado de De Salém, que ofereceu pão e vinho a Abraão, (Gênesis 14;18), visto como um tipo de Cristo não apenas pelos Patriarcas, mas também pelo Novo Testamento (Hebreus 5:6;7:1). Outra circunstância é quando a velha passagem é substituída pela nova: a libertação de Israel pelo Faraó no Mar Vermelho antecipa a nossa libertação do pecado através da morte e ressurreição do Salvador. Este é o método de interpretação aplicado em toda a Bíblia.
Por que, por exemplo, a segunda parte do Levítico e as leituras de Gênesis no Antigo Testamento são dominadas pela figura de José? Por que lemos o Livro de Jô durante a Semana Santa? Porque José e Jô são sofredores inocentes, como "sombras "de Jesus Cristo, cujo sofrimento inocente na Cruz é motivo de celebração. Tudo se encaixa.
Um cristão Bíblico é aquele que encontra a Cristo em qualquer lugar em que lê, nas Escrituras.
Cabe a mim ver todas as histórias da Bíblia como fazendo parte da minha própria história. Quem é Adão? Esse nome significa "humano," homem, e a queda de Adão relatada no Antigo testamento também tem a ver comigo. É isso que Deus fala a Adão quando pergunta: "quem és TU? Onde estás?" (Gênesis 3:9). Freqüentemente perguntamos onde está Deus, mas a real questão é que Deus nos perguntou primeiro onde estamos.
Quando, na história de Caim e Abel lemos as palavras de Deus a Caim: "Onde está o seu irmão Abel?" (Gênesis 4:9), elas estão endereçadas a cada um de nós. Quem é Caim? Sou eu mesmo. E Deus pergunta ao Caim de cada um de nós onde está o nosso irmão. A maneira de permanecer em Deus passa através do amor a outras pessoas e não há outro modo. Desonrando o meu irmão, eu substituo a imagem de Deus com a marca de Caim,e renuncio à minha humanidade vital.
Lendo as escrituras, podemos atravessar três caminhos: Primeiro: a Escritura é uma História Sagrada, é a história da Palavra da Criação, a história do povo escolhido,a história do Deus encarnado na Palestina, e os trabalhos distribuídos após o Pentecostes. O Cristianismo encontrado na Bíblia não é uma ideologia, nem uma teoria filosófica, mas uma história de Fé.
Vamos tomar o segundo caminho: a história é apresentada na Bíblia como pessoal, vemos a intervenção de Deus em tempos e lugares específicos, a medida que Ele dialoga com as pessoas. Ele se dirige a cada um pelo nome. Nós podemos salientar os chamados específicos de Deus a Abraão, Moises e Davi, de Rebeca e Ruth, de Isaías e de seus profetas e, finalmente, a da Virgem Maria e dos apóstolos. Podemos perceber a seletividade da ação divina na história, não um escândalo, mas uma benção. O amor de Deus é universal, mas Ele escolhe Encanar em um ser humano em particular, em um tempo particular e de uma Mãe em particular. Dessa forma, fica provada a unicidade de Deus em toda a Sagrada Escritura e a sua unicidade, também como fala a Sagrada Escritura.
O homem ama os aspectos da datação da Bíblia e a Ortodoxia tem uma intensa devoção à Terra Santa e aos lugares exatos onde Cristo viveu e ensinou, morreu e ressuscitou. Uma excelente maneira de aprofundar-se na Sagrada Escritura é peregrinar a Jerusalém e à Galiléia por onde Jesus andou. Ir ao Mar Morto, sentar-se sozinho em frente às pedras, sentir-se como Cristo sentiu-se durante os seus quarenta dias de tentação neste ambiente selvagem. Beber da mesma fonte frente à qual ele falou à Samaritana. Ir à noite ao Jardim de Getsêmane, sentar sobre as velhas oliveiras no escuro e olhar as luzes da cidade através do vale. Experimentar a plena realidade do cenário histórico, e ter a experiência de voltar no tempo em sua leitura Bíblica.
Aqui estamos prontos para o terceiro passo. Revendo a História Bíblica em suas particularidades, a aplicamos diretamente em nossas vidas, quando dizemos "estes lugares não estão distantes nem perdidos no tempo, mas fazem parte do meu encontro pessoal com Cristo! Essas histórias incluem-me!"
A traição, por exemplo, faz parte da vida pessoal de cada um de nós, não somos traídos em alguma parte de nossa existência e não sabemos o que é ser traído e, ainda mais, a memória destes acontecimentos ainda não está em nossa alma? Portanto, lendo o relato da traição de São Pedro a Cristo e a sua reparação após a ressurreição, podemos nos imaginar como atores na história. Considerando o que tanto Jesus como Pedro devem experimentado no momento imediato após a traição, entramos em seus sentimentos e fazemos com que sejam nossos. Eu sou Pedro: nesta situação como posso ser Cristo? Refletindo o processo de reconciliação de outra forma, vendo como Cristo ressuscitou para um amor devotado ao Pedro restaurado e vendo como Pedro, de seu lado, teve forças para aceitar essa restauração. Perguntamos a nós mesmos: como reajo ao Pedro traidor e ao Cristo que perdoa? E quanto às minhas próprias traições, estou preparado para aceitar o perdão alheio, estou preparado para perdoar a mim mesmo? Ou sou tímido, procuro esconder-me, e nunca estou pronto para nada, seja bom ou ruim? Como os nossos Patriarcas do Deserto disseram: "É melhor que alguém tenha pecado e se arrependido e se arrependido do que uma pessoa que não tenha pecado e se ache justa."
Já não ganhamos a constância de Nossa Senhora Madalena, sua constância e lealdade, quando ela anunciou a falta do corpo de Cristo na tumba? (João 20:1). Eu ouvi o Salvador chamar-me pelo nome, como Ele a chamou, e respondi Raboni (mestre) com sua simplicidade e plenitude? (João 20:16).
Lendo a Escritura desta forma, — na obediência, como um membro da Igreja de Cristo, encontrando Cristo em todos os lugares, vendo tudo como parte de sua história pessoal, podemos experimentar um pouco da profundidade encontrada na Bíblia. No entanto, devemos sempre imaginar que a nossa exploração Bíblica está apenas no começo. Somos como alguém timidamente atravessando o oceano em um bote.
"A Sua Palavra é como um facho que ilumina meus passos e luz no meu caminho" (Psalm 118[119]: 105).
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Santo Apóstolo e Evangelista João, o Teólogo (+c.117) - 08/21 maio
Primeiro, João era discípulo do são João Batista. Ao ouvir a pregação dele sobre Cristo como o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo, ele junto com o André o Primeiro Chamado seguiu Jesus. No entanto era um pouco mais tarde que ele se tornou discípulo constante do Senhor, quando, após a milagrosa pesca no lago de Genezaré (mar de Galiléia) o Próprio Senhor chamou-o, junto com o seu irmão Tiago.
Ao apóstolo João, junto com o Pedro e o seu irmão Tiago foi concedida uma proximidade especial ao Senhor, pois estes três apóstolos estavam sempre junto com o Senhor nos momentos mais importantes e solenes da Sua vida na terra. Assim ele foi digno de presenciar a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração do Senhor no monte, ouvir as Suas palavras sobre os sinais da Sua segunda vinda, ser testemunha da Sua oração no Getsêmani. E durante a Ceia ele era apoiado no peito do Senhor, conforme ele mesmo testemunha.
Ele era tão humilde, que ao escrever sobre si no seu Evangelho, ele não menciona o seu nome, contentando-se a dizer somente "o discípulo predileto do Senhor." Este amor do Senhor teve a sua maior expressão nas palavras proferidas por Ele da cruz: "Eis aí a tua Mãe," desta forma encarregando-o de cuidar da Sua Puríssima Mãe.
Amando o Senhor com todo o seu coração, João era cheio de indignação dos que eram hostis ao Senhor, ou aqueles que estranharam Ele. Por isso ele proibia ao homem, que não andava junto com eles, de expulsar o demônio com o nome de Jesus e pediu a permissão ao Senhor de mandar descer o fogo sobre os habitantes de uma aldeia samaritana, que não queriam aceitá-Lo, quando Ele se dirigia ao Jerusalém, atravessando a Samária. Por causa disto, o Senhor chamou a ele e ao Tiago de "filhos de trovão." João sentiu a predileção do Senhor, mas ainda não era iluminado pela graça do Espírito Santo e portanto decidiu pedir para ele e para o seu irmão um lugar ao lado do Senhor no Reino dos Céus, e recebeu como resposta o anúncio dos futuros sofrimentos dos ambos.
Após a Ascensão vemos muitas vezes o apóstolo João junto com o apóstolo Pedro. Estes dois apóstolos são considerados os pilares da Igreja e o apóstolo João permanece na maior parte do tempo em Jerusalém e fiel ao mandamento do Senhor, cuida da Puríssima Virgem Maria, tornando-se o Seu filho mais fiel e somente após a assunção da Virgem, ele começa a pregar em outros países.
Na atividade missionária do apóstolo João percebemos uma particularidade: ele escolhe uma determinada região e se empenha com todas as suas forças para erradicar o paganismo e firmar lá o cristianismo. O seu alvo principal eram sete igrejas da Ásia Menor: Êfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Ele morava principalmente em Êfeso.
Sob o reinado do imperador Domiciano (81-96), o apóstolo João foi chamado para a Roma, pois ele era a único apóstolo ainda vivo, e sob a ordem do imperador foi jogado num caldeirão cheio de óleo fervendo, mas Deus salvou o seu fiel servo, que ficou ileso, igual aos três jovens na fornalha incandescente. Depois disto, Domiciano exilou o apóstolo para a ilha deserta de Patmos e foi aqui que ele escreveu o Apocalipse, que é uma revelação sobre o destino da Igreja e do mundo.
Após a morte de Domiciano o apóstolo João voltou do seu exílio para Êfeso. Os bispos e presbíteros da igreja de Êfeso lhe mostraram os três Evangelhos escritos pelos apóstolos Mateus, Marcos e Lucas. Ele aprovou estas obras, porém achou necessário completar ainda aquilo que foi omitido lá e que ele, como o último testemunha ocular ainda vivo conhecia bem de perto. Isto era muito importante, pois lá pelo final do século 1 se difundiam várias seitas gnósticas, que humilhavam ou até mesmo negavam a divindade do nosso Salvador, Jesus Cristo. E assim tornou-se absolutamente necessário proteger os fieis deste ensinamento.
O apóstolo João no seu Evangelho relatou os ensinamentos de Jesus, ditos por Ele na Judéia. Estes ensinamentos que eram dirigidos aos escribas cultos eram mais difíceis para a compreensão geral e provavelmente foi por isto que eles não foram relatados nos três primeiros Evangelhos, destinados aos pagãos recém convertidos. Antes de começar escrever o seu Evangelho, o apóstolo João impôs jejum à igreja de Êfeso e se retirou junto com o seu discípulo Prokhor para um monte, onde escreveu o Evangelho, que leva o seu nome.
O Evangelho de João era desde o começo chamado de "espiritual," pois nele, comparando com os três outros Evangelhos, são contidos os ensinamentos do Nosso Senhor sobre as verdades mais profundas da fé — sobre a encarnação do Filho de Deus, sobre a Trindade, sobre a redenção dos homens, sobre a ressurreição espiritual, sobre a graça de Espírito Santo e sobre a Comunhão. Logo no começo, nas primeiras palavras, João eleva os pensamentos dos fiéis para as alturas de procedência divina do Filho de Deus do Deus Pai: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). O apóstolo João explica assim a finalidade do seu Evangelho: "Esses foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e assim crendo tenhais a vida em Seu nome" (João 20:31).
Além do Evangelho e do Apocalipse, o apóstolo João escreveu ainda três epístolas, que também foram incluídas no conjunto dos livros do Novo Testamento, pois eram dirigidas à toda a comunidade cristã. O primeiro e principal ensinamento é sobre o amor dos cristãos: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo aquele que ama nasce de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é Amor" (1 João 4:7-8).
"O amor que Ele nos tem terá seu cumprimento no dia do Juízo, infundindo-nos confiança. Porque como Ele é, também nós somos neste mundo. No amor não há lugar para o temor: o perfeito amor expele o temor, pois o temor supõe castigo e o que teme não é perfeito no amor. Quanto a nós, amemos à Deus, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém diz: ‘Amo a Deus’ e detesta seu irmão, ele mente. Pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, não é possível que ame a Deus, a Quem não vê. Sim, eis o mandamento que d’Ele recebemos: quem ama a Deus, ame também a seu irmão" (1 João 4:17-21).
A tradição nos deixou várias informações muito valiosas sobre as atividades do apostolo João, que nos mostram todo o seu amor que ele sentiu por todos. Durante a sua visita a uma das igrejas da Ásia Menor, João notou no meio da multidão um jovem que se destacava por talentos excepcionais e o confiou aos cuidados especiais de um bispo. Mais tarde este jovem fez amizade com maus elementos e enfim virou chefe de bandidos. Ao saber disto do próprio bispo, João foi até as montanhas, onde os bandidos atacavam as pessoas, foi capturado por eles e trazido até o chefe deles.
Quando o jovem viu o Apóstolo, ele ficou tão desconcertado, que se pôs a correr. João correu atras dele, o encorajou com as suas palavras cheias de amor, levou-o pessoalmente até a igreja, dividiu com ele a penitencia e não sossegou, enquanto não o reconciliou completamente com a Igreja. Nos últimos anos de sua vida o Apóstolo não se cansou de repetir sempre: "Meus filhos, amem uns aos outros." Os discípulos perguntaram: "Porque repetes sempre a mesma coisa?" O Apóstolo respondeu: "Porque este é o mandamento principal. Quem cumpre este mandamento, cumpre toda a lei Divina."
Este amor se transformava num ardente zelo, quando o Apóstolo se deparava com heresiarcas, que deturpavam os ensinamentos, privando as pessoas da eterna salvação. Uma vez, num edifício público ele se encontrou com um heresiarca Querinto, que rejeitava a divindade do Nosso Senhor Jesus Cristo. "Vamos sair rapidamente daqui, — disse o Apóstolo ao seu discípulo, — pois tenho medo que este prédio cairá encima de nos."
São João Teólogo era o único apostolo que morreu de morte natural na idade de quase 105 anos, durante o reinado do imperador Trajano. As circunstancias da morte dele eram extraordinárias e até misteriosas. Por insistência do próprio apostolo ele foi enterrado vivo. No dia seguinte, quando abriram o túmulo do apostolo, se verificou que ele era vazio. Este acontecimento confirmou a suposição de alguns cristãos, que o apóstolo não ia morrer, mas que ficaria vivo até a Segunda Vinda do Nosso Senhor e acusaria o Anticristo. O motivo desta suposição eram as palavras proferidos por Jesus um pouco antes da Sua ascensão. Respondendo a uma pergunta do apostolo Pedro sobre o que aconteceria com o apostolo João, Nosso Senhor respondeu: "Assim Eu quero que ele permaneça até que Eu venha (pela segunda vez), e que te importa isso?" E o apostolo João continua, a respeito disso: "Espalharam-se por isso entre os irmãos essas palavras de que tal discípulo não morreria" (João 21:22-23).

















