“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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terça-feira, 7 de abril de 2009

"Sermão sobre a Anunciação da Santíssima Mãe de Deus"

Nossa presente assembléia em honra da Santíssima Virgem me inspira, irmãos, a falar Dela uma palavra de louvor, também em favor daqueles que vieram para esta solenidade da igreja. Esta palavra inclui um louvor às mulheres, uma glorificação ao seu gênero, cuja glória é trazida por Ela, Ela que é ao mesmo tempo Mãe e Virgem. Ó desejada e maravilhosa assembléia! Celebre, ó natureza, na qual é rendida honra à Mulher; rejubila, ó raça humana, na qual a Virgem é glorificada. “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rom.5;20). A Santa Mãe de Deus e Virgem Maria nos reuniu aqui, Ela o puro tesouro da virgindade, o paraíso planejado para o Segundo Adão – o lugar exato, em que foi cumprida a co-união das naturezas, em que foi confirmado o Conselho da salvífica reconciliação.

Quem alguma vez viu, quem alguma vez ouviu, que dentro de um ventre o Ilimitado Deus poderia habitar, Aquele que os Céus não podem conter, Aquele que o ventre de uma Virgem não pode limitar?

Aquele que nasceu da mulher não é somente Deus e Ele não é somente Homem. Este que nasceu fez da mulher, sendo a antiga porta do pecado, a porta da salvação; onde o Mal, pela desobediência, despejou seu veneno, lá o Verbo fez para Ele próprio,pela obediência, um templo vivificante, de onde o arqui-pecador Caim saltou para fora, lá sem semente nasceu Cristo o Redentor da raça humana. O Amante da Humanidade não desdenhou nascer da mulher, uma vez que isto concedeu a Sua vida. Ele não estava sujeito à impureza, sendo assentado dentro do ventre, que Ele mesmo adornou livre de toda iniqüidade. Se por acaso esta Mãe não permanecesse Virgem, então aquele que nascesse Dela poderia ser um mero homem, e o nascimento não seria nenhum sábio milagre; mas uma vez que Ela depois do nascimento permaneceu uma Virgem, então como é que Aquele que nasceu de fato – não é Deus? É um mistério inexplicável, uma vez que de uma maneira inexplicável nasceu Ele Que sem nenhum impedimento passa através das portas quando elas estão fechadas. Tomé, confessando Nele a co-união de duas naturezas, gritou: “Meu Senhor, e meu Deus” (Jo.20:28).

O Apóstolo Paulo diz, que Cristo é “escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (I Cor. 1:23): eles não perceberam o poder do mistério, uma vez que Ele era incompreensível para a mente: “porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da Glória” (I Cor.2:8). Se o verbo não fosse colocado dentro do ventre, então a carne não teria ascendido com Ele ao Trono Divino; se Deus tivesse desdenhado entrar no ventre, que Ele criou, então os Anjos também poderiam ter desdenhado servir à humanidade.

Aquele, que por Sua natureza não estava sujeito aos sofrimentos, através de Seu amor por nós sujeitou-Se a muitos sofrimentos. Nós cremos, não que Cristo através de alguma gradual elevação em direção à natureza Divina foi feito Deus, mas que sendo Deus, através da Sua misericórdia Ele foi feito Homem. Nós não dizemos: “um homem feito Deus”; mas nós confessamos, que Deus encarnou e se fez Homem. Sua Serva foi escolhida para Ele mesmo como Mãe por Aquele que, em Sua essência não tinha mãe, e Aquele que, através da Divina providência apareceu sobre a terra na imagem de homem, não tem pai aqui. Como alguém, Ele mesmo pode ser ambos sem pai e sem mãe, de acordo com as palavras do Apóstolo: “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida...” (Heb. 7:3)? Se Ele – fosse somente um homem, então Ele não poderia ser sem mãe – mas verdadeiramente Ele teve uma Mãe. Se Ele – fosse somente Deus, então Ele não poderia ser sem Pai – mas de fato Ele tem um Pai. E ainda como Deus o Criador Ele não tem mãe, e como Homem Ele não tem pai.

Nós podemos ser convencidos disto pelo verdadeiro nome do Arcanjo, fazendo anunciação a Maria: seu nome é Gabriel. O que este nome significa? Ele significa: “Deus e homem”. Uma vez que Aquele sobre Quem ele anunciava era Deus e Homem, então seu verdadeiro nome aponta antecipadamente para este milagre, então com fé aceitamos o fato da Divina revelação.

Seria impossível para um mero homem salvar as pessoas, uma vez que todo homem necessita do Salvador: “Porque todos pecaram – diz São Paulo - e destituídos estão da glória de Deus” (Rom. 3:23). Desde que o pecado sujeita o pecador ao poder do demônio, e o demônio o sujeita à morte, então nossa condição torna-se extremamente infeliz: não existe nenhum caminho que nos livre da morte. Foram mandados médicos, isto é, os profetas, mas eles somente podiam apontar mais claramente a enfermidade. O que eles fizeram? Quando eles viram, que a doença estava fora do alcance da habilidade humana, eles chamaram do Céu o Médico; um deles disse “Abaixa, ó Senhor, os teus céus, e desce” (Salmos 143[144]:5); outros gritaram: “Cura-me, Ó Senhor, e eu serei curado” (Jer. 17:14); “faze resplandecer o Teu rosto, e seremos salvos” (Sl. 79[80]:3). E ainda outros: "Mas, na verdade, habitaria Deus na terra?” (I Reis 8:27); “apressa-te e antecipem-se-nos as tuas misericórdias, pois estamos muito abatidos” (Sl.78[79]:8). Outros disseram: “Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto” (Miq.7:2). “Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, apressa-te em ajudar-me” (Sl.69[70]:1). “Se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará” (Hab.2:3). “Desgarrei-me como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos” (Sl.118[119]:176). “Virá o nosso Deus, e não se calará” (Sl.49[50]:3). Aquele que, por natureza é Senhor, não desdenhou a natureza humana, escravizada pelo sinistro poder do demônio, o misericordioso Deus não consentiu que ela estivesse para sempre sob o poder do demônio, o Eterno veio e deu em resgate o Seu Sangue; para a redenção da raça humana da morte Ele deu Seu Corpo, que Ele aceitou da Virgem, Ele livrou o mundo da maldição da lei, aniquilando a morte pela Sua morte. “Cristo nos resgatou da maldição da lei” – exclama São Paulo (Gal. 3:13).

Portanto sabemos, que nosso Redentor não é simplesmente um mero homem, uma vez que toda a raça humana estava escravizada pelo pecado. Mas Ele da mesma forma não é somente Deus, não participante da natureza humana. Ele tinha um corpo, porque se Ele não tivesse Se revestido em mim, então Ele, da mesma maneira, não poderia ter me salvado. Mas, tendo habitado o ventre da Virgem, Ele Se vestiu em meu destino, e dentro deste ventre Ele concluiu uma mudança miraculosa: Ele concedeu o Espírito e recebeu um corpo, o Único Que verdadeiramente (habitou) com a Virgem e (nasceu) da Virgem. E então, Quem é Ele, que Se manifesta a nós? O Profeta Davi mostra isto para ti nestas palavras: “Bendito aquele que vem em Nome do Senhor” (Sl. 117[118]:26). Mas diga-nos mais claramente, Ó profeta, Quem é Ele? O Senhor é o Deus das Multidões, diz o profeta: “O Senhor é Deus, e ele Se nos manifestou” (Sl.117[118]:27). “O Verbo Se fez carne” (Jo.1;14): foram unidas as duas naturezas, e a união permaneceu sem se misturar.

Ele veio para salvar, mas teve também que sofrer. O que um tem em comum com o outro? Um mero homem não pode salvar; e Deus em Sua natureza não pode sofrer. Por que meios foi feito um e outro? Como que Ele, Emanuel, sendo Deus, foi feito também Homem; Ele salvou através do que Ele era – e isto, Ele sofreu pelo que Ele foi feito. Razão pela qual quando a Igreja observou que a multidão dos Judeus O coroou com espinhos, lamentando a violência dos espinhos, ela disse: “Filhas de Sião, saiam e vejam a coroa, de quê é coroado Ele, Filho da Sua Mãe” (Cant. 3:11). Ele usou a coroa de espinhos e destruiu o julgamento sofrendo pelos espinhos. Ele, somente Ele, é Aquele que é ambos no seio do Pai e no ventre da Virgem; Ele, somente Ele, é Aquele – nos braços da Sua Mãe e nas asas dos ventos (Sl.103[104]:3); Ele, a Quem os Anjos inclinam-se em adoração, ao mesmo tempo reclina-se na mesa dos publicanos. Ele, sobre Quem os Serafins não ousam fitar, sobre Ele, ao mesmo tempo, Pilatos pronunciou a sentença. Ele é Aquele e o Mesmo, a Quem o servo golpeou e perante O Qual toda a criação treme. Ele foi pregado na Cruz e subiu ao Trono de Glória – Ele foi colocado no sepulcro e Ele estendeu os céus como uma tenda (Sl.103[104]:2) – Ele foi contado no meio dos mortos e Ele esvaziou o inferno; aqui sobre a terra, eles blasfemaram contra Ele como um transgressor – lá no Céu, eles exclamaram a Ele glória como o Todo-Santo. Que mistério incompreensível! Eu vejo os milagres, e eu confesso, que Ele é Deus; eu vejo os sofrimentos, e eu não posso negar, que Ele é Homem. Emanuel abriu as portas da natureza, como homem, e preservou intacto o selo da virgindade, como Deus: Ele emergiu do ventre da mesma maneira com que Ele entrou através da Anunciação; da mesma forma maravilhosa Ele foi ambos, nascido e concebido: sem paixão Ele entrou, e sem dano Ele emergiu; como se referindo a isto o Profeta Ezequiel diz: ”Então me fez voltar para o caminho da porta do santuário exterior, que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor: Esta porta estará fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor Deus de Israel entrou por ela: por isso estará fechada” (Ez.44:1-2). Aqui ele claramente indica a Santa Vigem e Mãe de Deus, Maria. Cessemos toda contenda, e deixemos que as Sagradas Escrituras iluminem nossa razão, assim nós também receberemos o Reino dos Céus por toda a eternidade. Amém!

São Proklos, Patriarca de Constantinopla
Traduzido pelo Sr. Dom Ambrósio, Bispo Ortodoxo do Recife
Boletim Interparoquial de abril de 2004

sábado, 4 de abril de 2009

“Os Hinos a Mãe de Deus”

Assim como todos os hinos da Igreja Ortodoxa, os hinos à Mãe de Deus ancoram seus termos de inspiração na Escritura Santa, nas Tradições apócrifas e na reflexão teológica.

Os hinos em honra da Mãe de Deus se inspiram essencialmente no Evangelho de Lucas e no dogma definido pelo Concílio Ecumênico de Éfeso. Os apócrifos e a legenda tiveram aí sua parte, uma legenda mais verdadeira que a história porque ela cristaliza em símbolos eternos a história sagrada da intervenção de Deus no mundo para a salvação dos homens.

Do Evangelho de Lucas, nossos hinos empregam inicialmente a saudação angélica que o Oriente nos conservou em sua verdadeira formulação original “Rejubila” - da mesma forma que os ícones nos apresentam um Arcanjo dinâmico, radiante e jubiloso mensageiro da boa-nova, nossas anunciações ocidentais (católico-romana) o desfiguram geralmente, ele é representado como um Anjo tímido, portador de uma mensagem que começa mais prosaicamente pela palavra “Salve”, ou “Ave”. A expressão “Rejubila” nos põe diretamente em relação com a causa de nosso júbilo, de nossa alegria, seja ela a encarnação anunciada pelo Arcanjo ou a Ressurreição proclamada pelo Anjo no túmulo. Ela aparece freqüentemente nos hinos e se repete incansavelmente nas estrofes do Acatiste.

Da mesma forma que a expressão “O Senhor está contigo” e todas as variações poéticas que sugere a presença do Deus feito homem no seio daquela que o Concílio proclamou Mãe de Deus. A Virgem é o Templo Santo do Senhor, a Arca Viva, o Habitáculo dos Céus, o Cálice da Salvação, a Morada do Salvador, sua Virginal e toda preciosa Câmara Nupcial e o tesouro sagrado da glória de Deus. Deus estabelece sua morada inteiramente nela, sem sofrer alteração; a Virgem substitui o Trono dos Querubins: de seu seio o Senhor fez seu Trono, Ele a tornou mais vasta do que os Céus, Ele que o universo inteiro não pode conter.

O cântico da Mãe de Deus ou Magnificat empregado como nona ode no cânone de Matinas, gera todos os desenvolvimentos conhecidos sob o nome de “Megalinário”. Estas peças começam, algumas vezes por “enaltece, ó minha alma...” e terminam mais geralmente por “nós te enaltecemos”. O cântico da Virgem fornece igualmente o tema da benção eterna: “todas as gerações proclamarão bem-aventurada; todas as nações da terra, de geração em geração te proclamam bem-aventurada; é digno e justo que te bendigamos, ó sempre bem-aventurada...”. Sua glória supera aquela dos próprios Anjos: Ela é mais alta dentre todas as obras do divino Criador, “mais venerável que os Querubins, mais gloriosa que os Serafins...”

O ciclo das Festas fixas apresenta a Mãe de Deus como aquela em quem se realiza o plano do Criador. Seu nascimento de um casal estéril recorda as intervenções de Deus na história do Povo Eleito e já libera Adão e Eva da sombra da morte. Sua entrada no Templo já anuncia a salvação do mundo pela vinda de Cristo e aporta ao Antigo Templo a graça do Espírito Santo. A Anunciação é a aurora da nossa salvação onde é manifesto o mistério eterno pelo qual o Filho de Deus torna-se Filho da Virgem. O megalinário do Hypapante (Santo Encontro) celebra o Verbo, Filho Primogênito do Pai Eterno e Primogênito de uma Virgem Mãe. Em sua Dormição, a Mãe de Deus vai ao encontro da Fonte da Vida e, viva ainda após sua morte, ela ultrapassa, de um extremo ao outro de seu mistério, as Leis da Natureza, ela que permanece Virgem em seu parto.

Pois o seu papel devia culminar na grande maravilha do Natal, este mistério admirável que ultrapassa o entendimento e que o Oriente não deixa de admirar em todos os seus detalhes: não somente a concepção virginal, mas a encarnação da Palavra,a entrada do Eterno no tempo, o Deus de antes dos séculos tornou-se menino recém-nascido, o Criador do mundo habitando uma gruta e repousando em uma manjedoura, o Sol de Justiça revelado aos Magos adoradores dos astros, os Pastores cantando sua glória sobre a terra tal como os Anjos no céu.

E a Virgem, neste novo Éden encontra a humanidade primária de antes da queda: maravilhoso Jardim do Paraíso, ela faz germinar o Cristo sem semente nem labores; Sarça Ardente, ela faz nascer em seu seio o Fogo da Divindade, sem ser consumida. Sem perder sua integridade, ela concebeu Deus Verbo. Virgem Inesposada, Esposa sempre Virgem, ela é sobretudo “a única Mãe e Virgem”, “a única Mãe de Deus”.

É este aspecto que o Ocidente contempla com a maior admiração. Aquela que o Ocidente chama “a Virgem” e que as estátuas representam geralmente sem o seu Filho, é para o Oriente “a Mãe de Deus”, aquela que gerou nosso Deus e Salvador Jesus Cristo – em grego Theotokos e em eslavônico Bogoroditse – e que os ícones não saberiam representar de uma outra forma que não fosse aquela de Mãe de Deus, que traz o Cristo ou permanece ao seu lado em uma atitude de intercessão (Deísis). Enquanto o Ocidente exalta a virgindade, em seu aspecto moral, buscando tirar ensinamento prático, um remédio à concupiscência, o Oriente dimensiona, sobretudo, o aspecto funcional da maternidade. Não é a virgindade, por ela própria que nos comove, mas sim o fato de que um Virgem conceba e que ela concebe para nós o nosso Deus Salvador. As virgens são inumeráveis na história do mundo, a Mãe de Deus, no entanto, é única.

Compreendemos, neste contexto, as hesitações dos himnógrafos, o embaraço dos poetas que não encontram os termos adequados, a vertigem que dizem provar diante do mistério desta concepção divina, a perplexidade que eles alegam ao próprio Arcanjo Gabriel. Não é prosa, mas sim a expressão singela e sincera de seu respeito diante do mistério que escapa à análise, o qual só podemos “cantar” em termos poéticos.

Introdução do livro de melodias das éditions de Chevetogne
P. Denis Guillaume – moine de Chevetogne
Tradução da Monja Rebeca

quinta-feira, 2 de abril de 2009

OrtFoto

Rússia
autor: Сергей Мялковский

sexta-feira, 27 de março de 2009

Santo Abade Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente - 14/27 de março

O Monge Bento, fundador da ordem monástica ocidental dos Beneditinos, nasceu na cidade italiana de Núrsia, no ano de 480. Com 14 anos de idade o santo foi mandado por seus pais para estudar em Roma, mas aborrecido com a imoralidade que o cercava, ele decidiu devotar-se a uma forma diferente de vida. Primeiramente São Bento fixou-se perto da igreja do santo Apóstolo Pedro na aldeia de Effedeum, mas as notícias sobre sua vida ascética o levaram a ir mais longe nas montanhas. Lá ele encontrou o eremita Romanus, que o tonsurou no monasticismo e o enviou para uma caverna remota como domicílio. De tempos em tempos o eremita trazia comida para o santo. Por três anos em total solidão o santo travou uma severa luta com as tentações e as venceu. Pessoas rapidamente começaram a se juntar a ele, ansiando viver sob sua orientação. O número de discípulos cresceu muito, que o santo os dividiu em doze comunidades. Cada comunidade era composta de doze monges e era um mosteiro separado. E para cada grupo o santo deu um hegúmeno-abade dentre seus discípulos experientes.

Com o Monge Bento permaneciam somente os recém-recebidos monges para instrução.
A rigorosa regra monástica, estabelecida por São Bento para os monges, não entrou no coração de todos, e o santo mais de uma vez tornou-se vítima de abuso e opressão.
Finalmente ele estabeleceu-se em Campagna e no Monte Cassino ele fundou o mosteiro de Monte Cassino, que por muito tempo foi um centro de educação teológica da Igreja Ocidental. No mosteiro foi criada uma extraordinária biblioteca. Neste mosteiro o Monge Bento escreveu sua regra, baseada na experiência de vida oriental dos Padres do deserto e nos preceitos do Monge João Cassiano, o Romano (comemorado em 29 de fevereiro). As regras monásticas foram aceitas posteriormente por muitos dos mosteiros Ocidentais (no ano de 1595 ela tinha sido publicada em mais de 100 edições). A regra prescrevia para os monges uma absoluta renúncia de suas posses pessoais, obediência incondicional, e trabalho constante. Ela considerava dever dos monges mais velhos ensinar as crianças e copiar manuscritos antigos. Isto ajudou a preservar muitos escritos memoráveis, provenientes dos primeiros séculos do Cristianismo. De cada novo postulante era requerido viver como um noviço obediente pelo decorrer de um ano, para aprender a regra monástica e tornar-se aclimatado com a vida monástica. Cada ação requeria uma bênção. O cabeça desta vida monástica comum é o hegúmeno-abade, tendo toda a plenitude de poder. Ele discerne, ensina e explica. O hegúmeno solicita o conselho dos mais velhos e dos irmãos mais experimentados, mas ele pessoalmente toma a decisão. O cumprimento das regras monásticas é estritamente obrigatório para todos e é visto como um importante passo em direção à perfeição.

São Bento foi agraciado pelo Senhor com o dom da presciência e da cura. Ele curou muitos dos seus devotos. O monge profetizou o seu fim antecipadamente.
A irmã de São Bento, Santa Escolástica, do mesmo modo tornou-se célebre por sua estrita vida ascética e foi elevada à dignidade dos Santos.

Orthodox Church in America
Traduzido pelo Sr. Dom Ambrósio, Bispo do Recife
Boletim Interparoquial de março de 2004

quinta-feira, 26 de março de 2009

"O Verdadeiro Herói da Quaresma é o Corpo"

Uma conversa com Jean-François COLOSIMO (“La Croix”, 15 de março de 2008)
Suplemento de SOP (Servisse Orthodoxe de Presse) nº 327, abril 2008
Tradução para a língua portuguesa: Manastir Sv. Apostola Petra i Pavla, BiH.

Por que, durante a Quaresma, os ortodoxos dão um tão grande lugar ao jejum?
A Quaresma é uma regra. Uma regra de jejum, universalmente aceita, muito estrita: sete semanas de abstinência de carne, laticínios, ovos e peixe. Durante dois meses, todo mundo renuncia ao sangue, à animalidade. Este jejum é acompanhado de períodos de abstinência severa, onde não comemos nada: bem como os três primeiros dias da Grande Quaresma. Muitas pessoas o fazem. E assim, na primeira refeição depois da comunhão eucarística que segue estes três dias de jejum rigoroso, o gosto das coisas é completamente extraordinário! Sentimos em nossos corpos a própria idéia de estarmos nas mãos de Deus. É uma das primeiras lições da Quaresma.

O jejum pode ser ele compreendido, no século XXI, como sendo uma privação só de alimentos?
É claro que não existe somente o jejum de alimentos! Não se trata de jejuar e ir ao baile todas as noites... mas comecemos primeiramente pelo ventre, pelo instinto. A Quaresma é um tempo de luto, mas dum luto jubiloso, pacífico, apaziguado, radioso. É bom que o corpo pague seu tributo. O jejum de alimentos permite ritmar diferentemente o tempo. Ele provoca rupturas interessantes: não podemos mais sair e receber. É um apelo extremamente forte na cotidianidade. Sobretudo, ele leva a pensar em outros jejuns: como o da carne, compreendendo o casamento. Existe também o silêncio, ou ainda o jejum do tempo: saber abrandar as coisas, no lugar de estar na agitação. Mas não escolhemos nosso jejum: é necessário passar pela suspensão da Criação na Liturgia e pelo jejum vivido em comunhão.

Como os ortodoxos vivem a Quaresma no plano litúrgico?
É um tempo de ofícios específicos, com textos próprios centrados sobre o sentido do retorno a Deus. A Liturgia da Quaresma descreve a queda do homem, sua história espiritual e sua salvação. A mistura do jejum e da abundância dos ofícios torna este tempo realmente particular para o ortodoxo. O horizonte de Páscoa torna-se verdadeiramente um horizonte de esperança, no sentido mais concreto do termo: o tempo pós Páscoa permitirá de reatar com um alimento vivificante e tornar leve a Liturgia.

Qual é o lugar da dimensão do partilhar?
A Quaresma não é somente um tempo forte de partilha litúrgica, mas também de partilha comunitária onde os ortodoxos se encontram. E lá, o personagem central e o pobre. Em grego, existem dois vocábulos para “pobre”: penês e ptôchos. O penês é aquele que tem necessidade daquilo que podemos cumular pela filantropia. O ptôchos é o pobre absoluto, o qual não podemos cumular a espera. Só podemos nos livrar dele dando-lhe aquilo que nos custa. Ora, o quê nos custa, senão nós mesmos? Este pobre é a imagem de Deus sobre a terra. Todas as privações da Quaresma não têm outro sentido além da caridade.

A Quaresma é então um tempo de conversão?
A grande palavra, é metanóia: o reverter-se, em grego, quer dizer arrependimento, o retorno a Deus (o contrário de metanóia, é a paranóia!). Logo, é um convite a descobrir que eu não sou o centro do mundo: antes de julgar os outros, devo me julgar a mim mesmo. A Quaresma é o tempo de julgamento. É necessário fazer esta experiência do julgamento de nós mesmos para chegar ao perdão. Não que seja bom em si julgar-se, mas nos é necessário compreender a que ponto estamos enfermos, para provar como somos perdoados e o quanto devemos perdoar. É o que os Padres do deserto chamam de penthos, a “jubilosa tristeza” ou a “alegria dolorosas”. Dolorosa, porque provamos na paciência, tal como o Cristo em Sua Paixão. Mas este sofrimento de estar longe de Deus tornar-se também uma alegria, pois que ele nos aproxima do Deus Que nos libera. A Quaresma é a experiência desta libertação. No deserto, fazemos a experiência de nossos limites, e eis que a graça ergue nossos limites.

Não existe certo risco dum dolorismo?
Absolutamente não! Lastimar-se antropologicamente sobre o limite, descobrir sua finitude e ver como ai habita o infinito de Deus, não é sofrer. O dolorismo é ainda muito de mim. Ora, justamente, a Quaresma nos convida a suspendermos nossa psicologia, este diálogo perpétuo do eu com o eu. A radiosa tristeza é compreender que somos libertados. Descobrimos o quanto, no sono e na saciedade, havíamos esquecido de Deus. Poderíamos nos afligir, mas a redescoberta de Sua presença é tão boa que nos encontramos num estado de ultrapassagem. Logo não é uma glorificação do sofrimento mas, muito pelo contrário, a redescoberta do amor louco de Deus.

O jejum e a vigília permitem estarmos atentos, no corpo e no tempo, à presença de Deus. Por que jejuamos? Para aprendermos a ter fome e sede de outra maneira, sair do biológico. Por que vigiamos? Para aprendermos a esperar, a vencer a noite e a obscuridade, vencer o esquecimento e o que mais se assemelha à morte: o sono. Para vencermos a irrealidade do sonho. Assim, fazemos o luto da ilusão que representa nossa vida biológica. Ao acreditarmos sermos imortais nos lançamos sobre os alimentos, nos lançamos sobre nossos leitos. Ora, a Quaresma é esta suspensão: eu não me lanço, antes me contenho e me examino: “Onde Ele está?” “O que Ele faz?”, “O que Ele diz?” É um tempo de espera. Nós rompemos com a morte – que representam nossos hábitos.

Como isto se traduz na Liturgia oriental?
A Quaresma é a ocasião de dois grandes textos da tradição ortodoxa. Primeiramente, o Grande Cânone de Santo André de Creta, que Olivier Clèment chama o “canto das lágrimas”. Ele evoca as lágrimas jubilosas que marcam o recomeçar do mundo. É a água do Gênesis, as águas do Mar Vermelho, a água maternal. É a água viva que sai do lado de Cristo sobre a Cruz. Estas lágrimas do homem são o sinal do retorno a Deus. O homem se redescobre capaz de render graças por ter compreendido que lhe era inútil lastimar sua sorte. Ele compreendeu que a Ressurreição não espera, que a graça não espera.

O outro texto que recitamos durante a Quaresma é a Oração de Santo Efrém:

“Senhor e Mestre de minha vida,
afasta de mim o espírito de preguiça,
de dissipação, de domínio
e de vã-loquacidade!

Concede a Teu servo
o espírito de temperança, de humildade,
de paciência e de caridade.

Sim, Senhor e Rei,
concede-me que veja as minhas faltas
e que não julgue a meu irmão,
pois Tu és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

Ó Deus, purifica-me a mim pecador (12 vezes).”

Por muito tempo achava esta oração simplíssima: perguntava-me porquê a Igreja lhe concede um lugar tão importante. De fato, ela é simples e difícil, certas vezes. Ela parece ir de si, mas é terrivelmente difícil pô-la em prática. E finalmente, é a oração mais difícil que eu conheço. Pois que se chegares a realizar este programa, logo és um Santo! Logo, estás na paz de Deus, tendo saído das vagas remotas do Mar Vermelho, estás a caminho da Terra prometida, saíste do mundo, fizeste a experiência deste outro mundo que é o Reino.

A Oração de Santo Efrém se acompanha de grandes genuflexões (grandes metanóias), que sublinham este corpo que ora, suplica e pede a tornar-se o corpo glorioso. Descobrimos a opacidade do corpo, para se dar contas do quanto ele tem sede e fome de tornar-se glorioso. O grande herói da Grande Quaresma é o corpo, porque o grande herói de Páscoa é o corpo.

Pois para a Ortodoxia, a Quaresma é indissociável da alegria pascal.

Quem não vive a noite pascal no Oriente cristão não sabe o quê é a Páscoa! Ele não conheceu esta alegria comunitária, ele não provou este corpo que, depois de semanas de privação, reata com o óleo e o vinho, com o cordeiro cevado e tudo o que a terra traz de bom. É o banquete do Reino no clamor do “Cristo Ressuscitou!”, até a manhã que é o renovo matinal do mundo. Não podemos compreender a Quaresma sem esta alegria pascal, sem esta explosão pascal, sem esta irradiação pascal. Nesta noite, no coração das trevas é a luz que se impõe, no coração da tristeza é a alegria que se impõe: a vida triunfa definitivamente da morte. Na hinografia oriental, o Cristo sai do túmulo ofercendo-Se ao inferno. E o inferno descobre que ele não pode conter Deus. A Quaresma é uma viagem que nos preparou a compreender tudo isto.

O quê entendes por “viagem”?
A Quaresma é um êxodo, uma peregrinação. O Judaísmo e o Islão são religiões à peregrinação. Menos o Cristianismo, onde não é uma obrigação. Pois que nossa peregrinação é espiritual: como não praticamos mais a peregrinação como uma obrigação, é a Páscoa que é esta viagem. Nós vamos em direção da Páscoa, que é o próprio lugar da passagem, a realização de toda coisa, a reconciliação de Deus e do homem no Cristo ressuscitado, porque aceitamos passar através da morte com Ele. A quarentena do Êxodo e aquela de Cristo no deserto se articulam perfeitamente: no Êxodo, vamos em direção à Terra prometida e Deus está adiante de nós, enquanto Cristo parte ao deserto para descer dentro dele.

Lá estão as duas grandes dimensões da Quaresma: Deus como nosso horizonte e Deus como nossa profundeza. A Quaresma é então quarenta dias de deserto, quarenta dias de morte, onde partimos a re-encontrar a vida nova. Levantamo-nos e partimos, mas não sabemos para onde. Existe ai uma dimensão abraâmica: eis todo problema desta viagem que, como aquela do Filho Pródigo, é o retorno do Exílio. Partimos em viagem mas sem bagagem. É pelo fato de termos aceitado de nos levantarmos que participamos deste erguer do mundo, desta re-Criação que é a Ressurreição. Não é inocente que na Igreja primitiva, a Quaresma preparava ao Batismo. O sentido do Batismo é aquele da Ressurreição: morrer e renascer com Cristo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

OrtoFoto

Montenegro
autor: Goran Boricic

domingo, 22 de março de 2009

Os 40 Santos Mártires de Sebástia - Armênia (+c.320) – 09/22 março

No ano de 313 São Constantino, o Grande promulgou um édito libertando os cristãos das perseguições de fé e equiparou-os aos pagãos diante da lei. Mas seu co-regente Licinius favorecia aos pagãos e na sua parte do império decidiu erradicar o cristianismo, que era, lá, consideravelmente difundido. Licinius preparou suas tropas para lutar contra Constantino, que temendo uma rebelião, decidiu liberar os cristãos do seu exército.

Na época, um dos comandantes militares da cidade armênia de Sebástia era Agricolaus, um adepto zeloso do paganismo. Sob seu comando estava a companhia do forte da Capadócia – Bravos Soldados – que lhe renderam vitórias em numerosas batalhas. Todos eram cristãos. Quando estes soldados recusaram oferecer sacrifícios aos deuses pagãos, Agricolaus prendeu-os. Os soldados mergulharam em profunda oração e num determinado momento à noite ouviram uma voz: “Perseverem até o fim então vós sereis salvos”.

Na manhã seguinte os soldados foram levados a Agricolaus. Neste momento o pagão tentou lisonjeá-los. Ele começou a enaltecer seus valores, sua juventude e força; mas, exigiu-lhes a renúncia à Cristo, e por recompensa ganhar o respeito e as benesses do Imperador. Após ouvir novamente as recusas, Agricolaus deu ordens para algemar os soldados. O mais velho deles, Kyrion, disse: ”O imperador não lhe deu o direito de nos algemar”. Agricolaus ficou embaraçado e ordenou que os soldados voltassem à prisão sem algemas.

Sete dias depois, o renomado juiz Licius chegou em Sebastia e julgou os soldados. Os santos responderam firmemente: “Podem tirar as nossas insígnias e também nossas vidas, pois nada é mais precioso para nós do que Cristo Deus”. Em vista disto, Licius ordenou que os mártires fossem apedrejados. Mas as pedras voavam por eles inteiramente; e a pedra atirada por Licius golpeou Agricolaus na face. Os torturadores imaginaram que os santos eram guardados por alguma força invisível. Na prisão, os mártires passaram a noite a rezar e novamente ouviram a voz do Senhor, confortando-os: “Aquele que acreditar em Mim não morrerá, mas viverá. Sejam bravos, não tenham medo e obtereis uma coroa incorruptível”.

No dia seguinte o juiz novamente os interrogou na frente do torturador, mas os soldados permaneceram inflexíveis.

Era inverno, e havia um espessa neve. Eles alinharam os soldados e os colocaram num lago gelado não muito longe da cidade, sob guarda durante toda a noite. A fim de persuadir os mártires a mudar de vontade, uma aquecida casa de banhos foi instalada perto da margem. Durante a primeira hora da noite, quando o frio estava insuportável, um dos soldados não agüentou e teve um ímpeto de ir à casa de banho, mas mal tropeçara na soleira da porta, caiu morto. Na terceira hora da noite, o Senhor enviou consolações aos mártires: repentinamente apareceram luzes, o gêlo derreteu e a água do lago tornou-se quente. Todos os guardas dormiam, exceto um que fazia a vigília, de nome Aglaios. Ele viu no lago, uma radiante coroa sobre a cabeça de cada mártir. Aglaios contou trinta e nove coroas e imaginou que o soldado que fugira, tinha perdido a sua coroa. Em seguida, Aglaios acordou os outros guardas, tirou seu uniforme e lhes disse: “Eu também sou cristão” e se uniu aos mártires. De pé no lago ele rezava: “Senhor Deus, eu creio em Ti, em Quem estes soldados acreditam. Me junte a eles também e considere-me digno de sofrer com Teus servos”.

Pela manhã os torturadores viram com surpresa que os mártires ainda estavam vivos, e que seu guarda Aglaios glorificava Cristo com eles. Então tiraram os soldados da água e lhes quebraram as pernas. Durante esta terrível execução, a mãe do mais novo dos soldados, Meliton, pediu que seu filho não sofresse durante a execução. Eles colocaram os corpos dos mártires num carro para queimá-los. O pequeno Meliton ainda respirava e o deixaram na grama. Sua mãe então levantou seu filho e carregou-o sobre seus próprios ombros, atrás do carro. Quando Meliton ofegante deu seu último suspiro, sua mãe o colocou no carro ao lado dos corpos de companheiros de sofrimentos. Os corpos dos santos foram queimados e os ossos carbonizados foram atirados na água, para que os cristãos não os recolhessem.

Três dias depois os mártires apareceram em sonho ao abençoado Pedro, Bispo de Sebástia, e mandou-o pegar suas relíquias no local do “enterro”. O bispo acompanhado de vários clérigos recolheu as relíquias dos gloriosos mártires à noite e sepultou-as com honra.

Lives of the Saints
Orthodox Church of America
Traduzido por Irmã Irene
Boletim Interparoquial março de 2003

quinta-feira, 19 de março de 2009

OrtoFoto

Polônia
autor: Alicja Ignaciuk

quarta-feira, 18 de março de 2009

“O jejum”


Um jejum proporcional às tuas forças favorecerá a vigilância espiritual. Não se pode meditar as coisas de Deus com estômago muito cheio, dizem os mestres espirituais. Para um amigo da boa mesa, os segredos menos misteriosos da Santíssima Trindade, se assim se pode dizer, permanecem escondidos. O Cristo nos deu o exemplo com seu longo jejum; quando venceu o demônio, saía de um jejum de quarenta dias. Gostarias de consegui-lo com menor sacrifício? Depois, só depois, "... os anjos de Deus se aproximaram e puseram-se a servi-lo" (Mt 4:11). Para te servir, eles também esperam.

O jejum refreia a tagarelice, diz São João Clímaco (Escada, Degrau 14:34). Ele te fará misericordioso e disposto a obedecer; destrói os pensamentos maus e elimina a insensibilidade do coração. Quando o estômago está vazio, o coração é humilde. Quem jejua ora com espírito sóbrio, ao passo que o espírito do intemperante é repleto de imaginações e de pensamentos impuros.

O jejum é uma maneira de exprimir o amor e a generosidade; através dele, sacrificam-se os prazeres da terra, para obter as alegrias do céu. Uma parte excessivamente grande de nossos pensamentos é açambarcada pela preocupação com a subsistência e com os prazeres da mesa; gostaríamos de nos libertar dessa preocupação. Assim, o jejum se mostra como uma etapa do caminho da libertação, e um aliado indispensável na luta contra os desejos egoístas. Ao lado da oração, o jejum é um dos mais preciosos dons concedidos aos homens, caro a todos os que fizeram a experiência.

Quando jejuamos, sentimos crescer o nosso reconhecimento para com Deus, que deu ao homem o poder de jejuar. O jejum dá acesso a um mundo de cuja existência mal suspeitas. Todos os pormenores da tua vida, tudo o que se passa em ti e ao teu redor, é visto sob uma nova luz. O tempo que passa será utilizado de um modo novo, rico e fecundo. Durante as vigílias, a modorra e a confusão dos pensamentos dão lugar a uma grande lucidez de espírito; ao invés de nos revoltarmos contra o que nos contraria, nós o aceitamos calmamente, na humildade e na ação de graças; problemas que pareciam graves e complexos, resolvem-se por si mesmos, com a mesma simplicidade do desabrochar da corola de uma flor. A oração, o jejum e as vigílias são a maneira de bater à porta que desejamos ver abrir-se.

Os santos Padres muitas vezes consideraram o jejum uma medida de capacidade: se jejuamos muito, é que amamos muito; e se amamos muito, é que muito nos foi perdoado (cf. Lc 7:47). Aquele que jejua muito receberá muito.

No entanto, os santos Padres recomendam que se jejue com medida: não é preciso impor ao corpo uma fadiga excessiva, pois a própria alma se prejudicaria com isso. Tampouco é preciso começar a jejuar muito de repente; todas as coisas exigem uma adaptação, e cada um deve levar em conta a própria compleição e as próprias ocupações. Evitar alguns tipos de alimentos seria condenável: toda alimentação é um dom de Deus. Contudo, é prudente abster-se dos alimentos que causam moleza ou que só servem para deleitar o gosto: pratos muito condimentados, carnes, álcool, etc... Quanto ao resto, pode-se comer de tudo o que é barato e fácil de encontrar. Para os Padres, jejuar com medida significa, no entanto, fazer uma única refeição por dia, refeição essa suficientemente leve, para evitar a saciedade.

terça-feira, 17 de março de 2009

OrtoFoto

Mosteiro de São João Batista - Grécia
autor: Iliana Giannousi

quinta-feira, 12 de março de 2009

OrtoFoto

Monte Athos, Grécia
autor: Pawel Zelezniakowicz

quarta-feira, 11 de março de 2009

Celebração Festiva

Foi realizada no último domingo (8/jan) “Domingo do Triunfo da Ortodoxia”, uma liturgia na Paróquia de Santa Zenaíde com a presença de padres e fiéis de todas as jurisdições canônicas do Rio de Janeiro.

O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla esteve representado pelo Rev. Pe. Dimítrios Nikolayïdis da paróquia de Santo André, o Patriarcado de Antioquia foi representado pelo Rev. Pe. Marcelo da Catedral de São Nicolau, pelo Patriarcado de Moscou e toda a Rússia, o Rev. Pe. Vasily (Basílio) da paróquia de Santa Zenaíde e o Arcipreste Tercílio da Missão de São João Apóstolo, pela Igreja Autocéfala da Polônia os Revs. Pe. Marcos e Pe.Levi da Catedral da Santíssima Virgem Maria.

Pretende-se que essa data seja festejada todos os anos por todas as jurisdições ortodoxas do Rio de Janeiro.
A próxima celebração acontecerá na Paróquia de Santo André do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.