“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

OrtoFoto

Romênia
autor: Goran Boricic

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Domingo do Carnaval - Domingo do Juízo Final (Abstinência da Carne)

O sábado, vésperas desse domingo, é especialmente dedicado à comemoração dos fiéis defuntos. Existe uma ligação evidente entre essa comemoração e a evocação do julgamento final, evocação que é o tema principal desse domingo.

Da mesma forma que no domingo precedente, o jejum figura como um tema secundário na Liturgia. É chamado Domingo da Abstinência da Carne, pois é o último dia no qual o uso da carne é autorizado. A partir da manhã de segunda-feira, devemos nos abster de carne até a Páscoa. Lê-se, na Liturgia, uma parte da Epístola de São Paulo aos Coríntios (Co. 8, 8-9,2), na qual, em essência, o que se segue: comer ou não comer é uma coisa indiferente em si. Mas essa liberdade que temos não deve se constituir num escândalo, uma pedra de tropeço para os fracos. Um homem que crê no Deus Único e não crê nos ídolos pode comer em sã consciência a carne sacrificada aos ídolos; no entanto, se um irmão menos esclarecido puder pensar que isso é uma espécie de associação com o culto dos ídolos, é melhor que esse homem se abstenha de tal uso, para respeitar a consciência desses irmãos para quem também Cristo está morto. Da mesma forma, durante a Quaresma, se nós nos inspiramos na idéia de São Paulo, um homem que estime ter razões válidas para não jejuar ou jejuar menos, evitará tudo que possa escandalizar ou ofender consciências menos esclarecidas.

O Evangelho da Liturgia (Mt. 25, 31-46) descreve o julgamento final. “Quando o Filho do Homem vier em Sua Glória”, com os anjos, todas as nações serão reunidas diante do Seu Trono. Ele separará as ovelhas dos bodes, colocando os justos à Sua direita e os pecadores à Sua esquerda. Ele convidará a entrar no Reino do Pai àqueles que O tiverem alimentado, vestido, visitado, sob a forma humana de pobres, de prisioneiros, de doentes. Ele excluirá do Reino àqueles que tiverem agido diferentemente. Essa descrição do julgamento contém, evidentemente, uma parte de simbolismo. Nós pronunciaremos, nós mesmos, nosso próprio julgamento, conforme tenhamos voluntariamente aderido a Deus ou O tenhamos rejeitado. É nosso amor ou nossa falta de amor que nos situará entre os benditos, ou aqueles que serão apartados.Se nós não somos forçados a dar uma interpretação literal dos detalhes do julgamento, tal como o evangelista os descerve, nós devemos, ao contrário, entender de uma maneira muito realista, o que o Salvador diz de Sua presença entre àqueles que sofrem, pois é entre eles somente que nós podemos acorrer em ajuda ao Nosso Senhor Jesus Cristo.

As orações de Vésperas do sábado à tarde e das Matinas do Domingo, dão uma impressão geral de terror diante do julgamento de Deus. Há a questão de livros abertos, de anjos assustados, de rios de fogo, de tremores diante do Altar. Tudo isso é justo, e numerosas passagens dos Evangelhos nos apressam a convertermo-nos antes que seja tarde. Mas o lado das sombras, das trevas, onde o pecador obstinado pode escolher para se jogar, não deve fazer esquecer o lado da luz e da esperança. Eis aqui uma frase de um canto de Vésperas onde esse dois aspetos se encontram unidos como convém: “Ó, minh´alma, a hora se aproxima. Eu pequei, Senhor, eu pequei; mas conheço Teu amor e Tua misericórdia, ó Bom Pastor....”

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

OrtoFoto

Montenegro
autor: Radoje Zivkovic

domingo, 15 de fevereiro de 2009

"O Santo Encontro de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo (Apresentação do Cristo no Templo - Hypapante)"

A Festa da Apresentação nasceu em Jerusalém. Conhecemos a celebração que se fazia nessa cidade no século IV, pela descrição do peregrino de Etérea. De Jerusalém a festa se expandiu para toda a Igreja. No ocidente, conservou-se até hoje a procissão solene e a bênção das velas que já se fazia em Jerusalém no século IV.

Esta festa que encerra o ciclo da Natividade, nos lembra que, no 40º dia após o nascimento de seu Filho “primogênito”, Maria leva-O ao templo, segundo a Lei de Moisés, para ali ser oferecido ao Senhor pelo sacrifício de duas rolas ou duas pombinhas (Lc. 2,22-37).

“Hoje, Aquele que havia dado a Lei a Moisés, sujeita-Se aos preceitos da Lei, fazendo-Se – por nós – semelhante a nós, em Seu amor pelos homens...” (Vésperas).

O Verbo divino Se abaixa dessa forma, pois Ele é verdadeiramente homem e Se submete à lei: “Tu que reproduzes fielmente a obra d´Aquele que Te engendra antes dos séculos, revestiste por compaixão da fraqueza dos mortais” (Ode VI).

Porém, esse ato de submissão à Lei é também o primeiro encontro oficial de Jesus com Seu Povo, na pessoa de Simeão. Por isso a Festa se chama Encontro (Hypapante). “ Aquele a quem os Espíritos suplicam com temor, é recebido aqui na terra nos braços corporais de Simeão, que proclama a união da divindade com os homens” (Grandes Vésperas). Encontro mas também manifestação. “Hoje a Santa Mãe de Deus, maior em dignidade que o Santuário, aí penetra para manifestar ao mundo Aquele que fez a Lei e também a cumpriu” (Grande Vésperas). A Virgem hoje acompanha a Criança em Sua primeira oferenda ao Pai, porém Ela também O acompanhará até a realização de Seu Sacrifício pela humanidade: “E Tu, imaculada, anunciou Simeão à Mãe de Deus, uma espada trespassará também a Tua própria alma, quando na Cruz vires Teu Filho” (Ode VII).

Os himnógrafos não criaram expressões belas o suficiente para louvar o papel da Virgem que se associa, dessa forma, à obra de Seu Filho. “Ornamenta tua câmara nupcial, Sião e recebe o Cristo Rei, abraçai, Maria, a Porta do Céu, pois Ela aparece semelhante ao trono dos Querubins. Ela traz o Rei da Glória. A Virgem é nuvem de luz trazendo em Sua carne Seu Filho nascido antes da estrela da manhã...” (Grandes Vésperas)

Ela é, certamente, a Porta do Céu, uma vez que faz entrar entre nós Aquele de quem não poderíamos nos aproximar e que nos liberta. É isso o que a Igreja exprime pela boca de Simeão:

“Agora, Senhor, deixa o Teu servidor, segundo a Tua palavra, partir em paz, porque os meus olhos viram a Salvação que vem de Ti. Luz que brilhará sobre todas as nações e glória de Teu povo Israel” (Ode VII)

E o ancião se faz profeta da alegria que virá: “Eu vou me juntar a Adão, preso nos infernos, e anunciar a Eva a boa nova” (Ode VII)

Hoje, juntamente com toda a Igreja, “vamos nós também, ao som dos cantos e hinos, ao encontro de Cristo, e acolhamos Aquele em quem Simeão viu a Salvação” (Grandes Vésperas).

Tropário, t.1
Salve, ó cheia de graça, Virgem Mãe de Deus, pois de Ti Se levantou o Sol de Justiça, o Cristo nosso Deus, iluminando aqueles que estavam nas trevas. Rejubila também, justo Simeão, que recebeste nos teus braços Aquele que liberta as nossas almas e nos dá a Ressurreição.

Kondákion, t. 1
Tu que santificaste, pelo Teu Nascimento, o seio virginal e abençoaste, na Tua Apresentação, as mãos de Simeão, salvaste-nos agora ao vir a nosso encontro, ó Cristo nosso Deus. Conceda a Paz à Tua Igreja confirma nossos pastores no Teu amor, Tu único Amigo do homem.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

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Egito
autor: Aleksandar Andrić

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"ZAQUEU"


Por São João (Maximovitch) de Shangai e São Francisco
Fonte:La Lumière du Thabor – Revue internacionale de théologie orthodoxe n]47-48
Fraternité Orthodoxe St. Grégoire Palamas / L´Age d´homme
Tradução: Manastir Sv. Apostola Petra I Pavla (BiH)

Quem era Zaqueu? Um publicano de posição superior, “um chefe de publicanos”. O hábito que temos de opor as duas figuras do humilde publicano e do orgulhoso fariseu obscurece as coisas e impede nosso espírito de apreciar justamente estes dois tipos de personagens. Para melhor compreender o Evangelho torna-se indispensável saber claramente quem eles eram.

Os fariseus eram, a bom modo, justos. Hoje, este termo “fariseu” ressoa como sorte de reprovação; o que era completamente diferente na época de Cristo e durante as primeiros decênios do Cristianismo. Longe de ver um defeito, o Apóstolo Paulo confessa, contrariamente, com orgulho diante dos judeus:"Sou fariseu, filho de fariseu” (Atos 23, 6). Mais tarde ainda, dirigindo-se aos cristãos, aos seus próprios filhos espirituais, ele escreve: “Eu sou da raça de Israel, da Tribo de Benjamim, hebreu dentre os hebreus, no que concerne a Lei, fariseu” (Fp. 3,5). O Apóstolo Paulo não foi o único fariseu a abraçar o Cristianismo, houveram ainda muitos outros: José, Nicodemos, Gamaliel...

Os fariseus – em hebreu arcaico perushim, em aramaico pherisim, que significa “outros, aqueles que estavam a parte, separados, diferentes” – eram zelotas da Lei de Deus. Eles “se repousavam na Lei”, em outros termos, meditavam-na constantemente, amavam-na e se esforçavam em realizar exatamente as exigências; delas se faziam os predicadores e os intérpretes.

As admoestações do Senhor aos fariseus tinham por objeto adverti-los que todo o combate deles, todos os esforços verdadeiramente louváveis aos quais se entregavam eram anulados, perdiam todo preço aos olhos de Deus, e valiam não a bênção do Senhor, mas antes a condenação, desde que se glorificassem orgulhosamente de seus atos de justiça e, sobretudo, se julgassem seus próximos. Um exemplo comovedor deste gênero de atitude aparece no Fariseu da parábola, o qual declara: “Ó Deus, eu Te dou graças por não ser como o resto dos homens” (Lucas 18, 11).

Por outro lado, os publicanos eram pecadores revelados, que transgrediam as leis mais sagradas do Senhor. Estes coletores de taxas levantavam impostos sobre os judeus para a conta de Roma. Lembremos que os judeus, conscientes de seu papel único de povo eleito de Deus, gabavam-se de serem “a semente de Abraão” e de “não serem nunca escravos de ninguém” (Jo. 8, 33). Nesta época, todavia, como conseqüência de fatos históricos bem conhecidos, encontravam-se na sujeição, escravos de um povo orgulhoso e brutal, de um povo de “ferro” – os romanos pagãos. O jugo desta servidão os oprimia cada vez mais estreitamente e lhes tornava mais pesado e doloroso.

O sinal mais tangível e manifesto desta submissão, deste sujeitar-se aos romanos residia na obrigação feita aos judeus de deitarem, em tributo, todas sortes de taxas aos seus escravagistas. Para os judeus, como para todos os povos da antiguidade, pagar tributo era símbolo de sujeição. E os romanos, que tornam-se um povo vencido, não sentiam o menor castigo, exigiam imperiosamente e sem poupar-lhes, taxas ordinárias e extraordinárias.

Evidentemente, os judeus pagavam com raiva e desgosto. Os escribas sabiam o que faziam quando, ao desejarem comprometer o Senhor aos olhos de Seu povo, Lhe perguntaram: “É permitido pagar o tributo a César?”(Mat. 22, 17). Eles sabiam que se o Cristo respondesse negativamente, tornar-se-ia muito fácil acusá-Lo diante dos romanos, e que se Ele declarasse imperativo deitar o tributo, encontrar-Se-ia definitivamente comprometido aos olhos do povo.

Durante o tempo em que os romanos governavam a Judéia pelo intermediário de tetrarcas locais – como Herodes, Arquelau, Agripa e outros ainda – a sujeição à Roma, e notoriamente a obrigação e pagar taxas, torna-se pouco mitigada para os judeus na medida em que só eram sujeitos indiretos e pagavam o tributo aos seus reis, os quais tinham a posição de sujeitos e tributários de Roma. Ora, pouco tempo antes do início do ministério público de Cristo, uma mudança se produz no sistema de governo aplicado a Judéia. O recenseamento universal mencionado a propósito do Nascimento de Cristo constitua a primeira etapa de um processo visando estabelecer uma capitação – uma taxa pessoal, paga para cada indivíduo – sobre todos os sujeitos de Roma desta região.

No ano 6 ou 7 depois de Cristo, depois da expulsão de Arquelau, a introdução de tal taxa pesando sobre todos os habitantes da Palestina desencadeia, da parte dos judeus, revoltas conduzidas pelo fariseu Sadduc e por Judas o Galileu (At. 5, 37). É com grandes esforços que o Sumo-Sacerdote Joazar consegue acalmar o povo. No lugar de reis locais, os romanos instalaram procuradores como governadores da Judéia e das províncias vizinhas. Para levantar as taxas com mais sucesso, os romanos introduziram o sistema dos publicanos. Esta instituição existia em Roma desde a alta antiguidade, mas enquanto em Roma e na Itália, os publicanos eram recrutados dentre os membros de uma classe prezada – aquela dos cavaleiros – na Judéia, os romanos viram-se constrangidos a empregar como publicanos homens sem-modos, desprezados da sociedade, judeus vergonhosos que consentiam com eles a colaborar em forçar seus irmãos a pagarem o tributo.

Aceitar tal estado significava a mais profunda decadência moral. Era tornar-se traidor à sua pátria e, acima de tudo, à sua fé. Para tornar-se, ao serviço de rudes pagãos, o instrumento da dominação do povo eleito de Deus, era necessário renunciar suas esperanças.

Além do mais, ao aceitar um posto, o publicano deveria prestar um sermão pagão de fidelidade ao imperador e oferecer um sacrifício pagão em honra de seu espírito, o genius do imperador. Os romanos não tinham respeito algum pelas convicções religiosas de seus agentes. Os publicanos, não contentes de servir os interesses de Roma levantando taxas sobre seus próprios compatriotas, saciavam seus próprios apetites mercenários e, se enriqueciam as custas de seus irmãos na escravidão, tornando ainda mais pesado o jugo da opressão romana. Tais eram os publicanos! Eis porque, a justo título, a raiva e o desprezo os rodeava; traidores de seu povo, não traíam simplesmente um povo, mais o povo escolhido de Deus, Seu instrumento no mundo, o único povo pelo qual o renascimento e a salvação deveriam vir ao mundo.

Todos estes traços que descrevemos se aplicam eminentemente a Zaqueu, que não era um publicano ordinário, antes um chefe dos publicanos, um architelones. Sem sombra de dúvidas, ele tinha feito tudo: oferecido sacrifícios pagãos, prestado um sermão pagão, extorquido brutalmente taxas a seus irmãos, aumentando mesmo para seu benefício próprio. Ele havia se tornado, como testemunha o Evangelho, um homem rico. Decerto, Zaqueu compreendia claramente que as esperanças de Israel estavam perdidas para ele. Toda predicação dos Profetas, todo amor sentido desde a infância, tudo o que fazia vibrar de alegria toda alma piedosa do Antigo Testamento, cada alma “conhecendo a jubilação” – tudo isto não existia mas para ele. Ele era um traidor, um renegado, um fora-da-lei. Ele não tinha mais parte com Israel.

Ora, eis que um ruído lhe sobrevêm: o Santo de Israel, o Messias anunciado pelos Profetas apareceu no mundo e, com um punhado de Discípulos, percorre os campos da Galiléia e da Judéia, pregando o Evangelho do Reino e operando grandes milagres. Nos corações fiéis, jubilosas esperanças se acendem. E Zaqueu? Como é que ele vai reagir? Para ele, pessoalmente, a vinda do Messias ressoa catastrófica. O reino dos romanos deve acabar e Israel triunfando não deixaria de se vingar dos estragos que ele havia lhe causado, dos abusos e das extorsões aos quais fora entregue. E mesmo se acontecesse de maneira diferente – pois que o Messias, testemunhado pelos Profetas, vinha como um justo, um portador de salvação, um homem humilde e doce (Zac. 9, 9) – o triunfo do Messias só pode lhe trazer, a Zaqueu, a vergonha total, a perda de toda fortuna de do posto social que adquirira a um terrível custo: aquele da traição de seu Deus, de seu povo, de todas as esperanças de Israel.

Talvez, no entanto, não era ainda assim. O novo predicador poderia não ser o Messias. Nem todos criam n´Ele. Fariseus e saduceus – os maiores inimigos dos publicanos e, em particular, do próprio Zaqueu – não criam n´Ele. Talvez esta história não passava de um rumor atiçado pelo povoado. Neste caso, poderíamos continuar a viver à pequena semana, tal como vivíamos até então... Mas Zaqueu não procura fortificar-se neste pensamento. Ele deseja ver Jesus para saber, para verdadeiramente saber: “Quem é Ele?“ Sim, Zaqueu quer que o predicador que vai passar seja verdadeiramente o Cristo, o Messias. Ele quer clamar com os Profetas: “Ó! Se fendesses os céus e descesses!” (Is. 64, 1). Que venha este tempo, mesmo se ele signifique ruína e decadência para ele, Zaqueu. Em sua alma, abre-se - o que parece – profundezas que ele mesmo não havia percebido até então; nele arde, flamba, devora, um amor totalmente desinteressado por Aquele que é “a Espera das Nações”, para a imagem do humilde Messias descrito pelos Profetas, “Que tomou sobre Si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre Si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is. 53, 4). E quando se apresenta a ocasião de O ver, Zaqueu se esquece dele próprio. No triunfo do Messias reside, para ele pessoalmente, para Zaqueu, o desastre e a perdição. No entanto, ele não sonha. Ele deseja perceber, nem que seja do cantinho, Aquele que Moisés e os Profetas previram.

E então: o Cristo passa. A multidão o rodea. Zaqueu, em virtude de sua pequena estatura, não pode vê-Lo. Todavia, a sede de Zaqueu, a sede absolutamente livre e gratuita que ele tem de ver o Cristo, pelo menos de longe, é tão ilimitada, tão irresistível, que este homem rico e poderoso, oficial do Império, no meio da multidão que lhe reserva raiva e desprezo, não presta atenção a nada, consumido do desejo de ver o Cristo, desprezando todas as conveniências, abandona toda forma, e sobe numa árvore, num sicômoro que crescia nas margens do caminho. E os olhos deste grande pecador, deste chefe dos traidores e dos renegados, encontram os olhos do Santo de Israel, do Cristo o Messias e Filho de Deus. Jesus vê o que um olhar indiferente ou hostil não saberia ver. Amando de um amor desinteressado a imagem do Messias, Zaqueu é instantaneamente capaz de reconhecer o Senhor Cristo no doutor galileu que passa; e o Senhor, pleno de amor divino e humano, discerne o amor em Zaqueu que O perscruta lá dos ramos altos de seu sicômoro; o Senhor vê as profundezas espirituais desta alma, profundezas que o próprio Zaqueu até então nem desconfiava. O Senhor vê, neste coração de traidor, este amor ardente pelo Senhor de Israel, amor que não estanca numa suspeita de interesse pessoal, amor que pode regenerá-lo e renová-lo. A voz de Deus se faz ouvir: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje Me convém pousar em tua casa”. E o reconhecimento moral, a salvação, o renovo vêm a Zaqueu e à toda sua casa. Sim, o Filho do Homem veio verdadeiramente buscar e salvar o que estava perdido.

Senhor, Senhor, não Te traímos, Tu e a Tua obra, tal como Zaqueu o fez; nós nos privamos a nós próprios dentre uma parte de Israel; nós renegamos nossa esperança! Todavia, para que não se converta em nossa vergonha e confusão, bem como naquela de nossos semelhantes, que o Teu Reino venha! E a Tua vitória, e o Teu triunfo!

Sim, mesmo pelos nossos pecados, - e é justiça –
O Teu acontecimento nos deve portar ruína e condenação
Vem, Senhor, apressa-Te!
Mas dá-nos de ver, nem que seja de longe,
O triunfo da Tua justiça,
Mesmo até quando não sabemos dele participar.
E tem piedade de nós contra toda esperança,
Como outrora fizeste para com Zaqueu!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

OrtoFoto

Romênia
autor: Florina Stan

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

"Impaciência e seus sinônimos e significado "

Sofreguidão, ansiedade, avidez, pressa, urgência, irritação, ânsia, precipitação, leviandade, irreflexão, imprudência, prurido, comichão, coceira, tentação, cobiça, ambição, ansiedade, voracidade.

Um grande Mal dos nossos tempos, leva as pessoas a cometerem erros nas suas vidas e muitas das vezes pagando com ela ou diminuindo o tempo desta.

As maiorias das vezes acabaram por não mais podê-la controlar. Muitas das vezes em seu principio não sabemos que a possuímos, pois não damos ouvidos as pessoas que nos tentam alertar, pois achamos que isso seria uma situação natural. Estes preceitos se devem a inversão com que vemos o mundo e suas leis naturais.

Pesquisadores de uma universidade em Chicago (EUA) publicaram na semana passada, os resultados de uma pesquisa sobre as conseqüências da impaciência para a saúde das pessoas. Pessoas impacientes sofrem mais com problemas de hipertensão e têm mais probabilidades de contrair doenças cardíacas. Eles utilizaram algumas perguntas para avaliar se uma pessoa é impaciente: Você se aborrece quando tem de esperar? Você come depressa? Você costuma sentir-se pressionado no fim de um dia normal de trabalho? Costuma sentir-se pressionado pelo tempo? Aproveite e faça uma auto-avaliação.Você é uma pessoa impaciente?

A Bíblia afirma que a impaciência é uma manifestação de incredulidade e desconfiança. O profeta Isaías apresenta quatro atitudes geradas pela impaciência:

A impaciência leva-nos a substituir os planos de Deus pelos nossos. (Is 30.1)

A impaciência nos conduz a fazer coisas proibidas por Deus. (Is 30.1)

A impaciência gera frustrações e decepções. (Is 30.2-3)

A impaciência produz a rejeição do tempo ou do momento certo de Deus. (Is 30.4-5).


A impaciência, portanto, é danosa e prejudicial. Ela é uma evidencia clara da falta de fé em Deus. O profeta Isaías apresenta a solução para a impaciência: Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, esta a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força, mas não o quisestes (Is 30.15).

Três lições bíblicas para superarmos a impaciência:

1. Precisamos de conversão para Deus.
A conversão é voltar à mente e o coração para Deus. Ela é imprescindível no começo da vida cristã e indispensável no crescimento espiritual. Deus diz ao seu povo: Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. (2Cr 7.14). Quando o apostolo Pedro estava tomado pelo pecado da soberba, Jesus lhe disse: Tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos (Lc 22.32).

2. Precisamos sossegar ou tranqüilizar o coração
A conversão a Deus sossega o coração. A fé tranqüiliza e nos dá acesso a paz de Deus: Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti (Is 26.3). E é na tranqüilidade que aprendemos quem é Deus, e o seu grande poder. O salmista declara que no contexto de turbulência e agitação, precisamos ficar quietos: Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus (Sl 46.10). Ore e transfira para Deus toda a sua ansiedade.

3. Precisamos confiar nas promessas de Deus
As promessas de Deus estão em sua Palavra. Confiar em Deus e acreditar na sua pessoa e naquilo que Ele diz. Aguardo o Senhor, a minha alma o aguarda; eu espero na sua palavra (Sl 130.5). Josué testemunha de maneira maravilhosa: Nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o Senhor falara a casa de Israel; tudo se cumpriu. (Js 21.45). Deus nunca falhou ou descumpriu o que prometeu. Ninguém jamais ficou envergonhado em esperar no Senhor.

Vivemos dias agitados. Estamos sempre sob pressão. Neste contexto, a impaciência é considerada uma virtude, por muitos. A medicina e a Bíblia, porém, advertem: a impaciência é prejudicial a sua saúde física e espiritual.

O Prof Paulo Geraldo, prof. de português em Portugal nos escreve:

Reconhecemos, tal como já sucedia com os nossos antepassados, que estamos feitos para a felicidade, mas queremo-la no imediato. Não estamos dispostos a esperar por um além, do qual, aliás, nos acostumamos a duvidar. Paraísos... só se forem já e aqui.
Os antigos desconfiavam do imediato. Parecia-lhes pouco e pequeno. Encontravam dentro de si ânsias e desejos que nenhuma coisa daqui seria capaz de satisfazer. Parecia-lhes natural que um bem tão grande como aquele que pressentiam se fizesse esperar. Que custasse - em sacrifício - um preço muito elevado. Que se encontrasse, em plenitude, somente no final do caminho. Que estivesse tantas vezes escondido - como os tesouros.

Mas nós habituamo-nos a carregar em botões que fazem funcionar mecanismos que realizam - imediatamente e sem esforço da nossa parte - tarefas árduas e demoradas. Não cabe na nossa cabeça que não exista uma forma moderna, rápida e fácil de encontrar a felicidade.

Lançamo-nos, portanto, a procurá-la no que está perto, no que é fácil, no imediato.

Mas sucede - e todos vamos verificando isso - que não somos felizes. Que erramos o método. Que não existe modernidade neste campo.

Aquilo que está à nossa volta pode, sem dúvida, servir de caminho, fornecer pistas, funcionar como uma janela para o ponto de chegada. Mas não é o ponto de chegada.

Conseguimos apenas recolher prazer, satisfazer gostos e caprichos, saborear alguma comodidade - o que é muito, muito pouco. O nosso coração tem outras medidas. Por isso, continuamos a chorar por dentro, a sentir o desencanto e até a amargura.

Quem poderá descrever aquilo que existe dentro de nós?

Mas, para não termos de reconhecer o fracasso, chamamos a isso felicidade. Andamos emproados com as nossas roupas de marca, os nossos telefones celulares de último modelo, a nossa conta bancária, o nosso "poder de compra", a nossa ração diária de conforto...

Os resultados de confundirmos prazer com felicidade foram devastadores: animalizamos a sexualidade, desistimos da família, usamos as outras pessoas como nunca se tinha feito no planeta, tornamo-nos a nós mesmos semelhantes às coisas a que tínhamos entregado o coração.

E transmitimos tudo isso aos nossos filhos, pelo menos com o nosso exemplo ou com os nossos silêncios indesculpáveis. Ao mesmo tempo em que - como andávamos muito ocupados com os nossos prazeres rasteiros - os deixávamos abandonados num mundo que não é fácil de entender.

Teriam precisado de nós muito mais do que aquilo que de nós lhes demos. Em tempo, em sinceridade, em exemplos de virtudes, em verdadeira amizade. Teriam precisado, antes de mais, de que lhes déssemos irmãos, muitos irmãos - que são os grandes educadores e os grandes amigos para a vida.

Muitos deles também procuram agora a felicidade no prazer. Bebem, drogam-se, curtem. Freqüentam casas noturnas. Divertem-se em risos tontos e vazios. Tornaram-se bonecos nas mãos dos mercadores. Estudam como loucos para virem a ser ricos. Enfeitam-se extravagantemente por fora, porque ninguém lhes disse que se deviam enfeitar principalmente por dentro.

Tenho como certo que trazemos sobre os ombros o peso do sofrimento de uma geração. Se não nos emendarmos, a nossa saída de cena - não falta muito - será um alívio para o mundo.

Ficarão por aqui as vítimas da nossa impaciência. Hão de crescer amparados apenas uns aos outros; hão de errar muito e sofrer aquilo que não seria necessário sofrer. Mas encontrarão o caminho e serão homens.

Retornando ao nosso texto vemos o quanto aprendemos sobre a impaciência e indo procurá-la encontramo-la como sendo tão antiga quanto ao homem. O próprio Adão “impaciente” quis um resultado imediato e ouviu a Eva. Sabemos a conseqüência.

Nos tempos atuais vemos que as novas ciências não trouxeram nenhum alivio para ela, porem, tornou-a muitas vezes vestida de disfarces. Com isso dificultando a nossa tarefa de dominá-la.

Muitas brigas surgem motivadas por coisas sem sentido, mas que se avolumam e se inflamam com o calor da discussão. Isso porque algumas pessoas têm a tola pretensão de não levar desaforo para casa, mas acabam levando à prisão, ao hospital ou ao cemitério!

Por isso, é importante aprender a arte de não se irritar e encontrar uma saída inteligente. A pessoa que se irrita aspira o ar tóxico que exterioriza em volta e envenena a si mesma.

Ninguém discorda que é preciso amar para ser amado, e só quem ama de verdade cultiva os dons divinos que nos trazem graças em abundância. Os frutos da paciência são incontáveis em número, mas muito contados em histórias verídicas de amor ao próximo. A Virgem é o maior exemplo disso, por sofrer com paciência e confiança, aguardando a ressurreição.

Muitas pessoas falam a respeito de dosar a paciência. E de usar um pouco de impaciência para não ser confundido como conformista ou submisso e etc. Existem problemas que necessitam que a pessoa seja atirada e perca um pouco a paciência e com isso não cairá no que se diz, que tudo vem dos Céus. Dosar impaciência e muito difícil para uma pessoa impaciente seria mais fácil dosar a paciência para uma pessoa paciente. Devemos ter cuidado com o que ensinamos, pois poderíamos levar uma pessoa a desaprender tudo que conseguiu entender. Temos que nos lembrar o que Deus nos disse: “Tendes ouvido da paciência de Jó” (Tg 5:11).

Estou escrevendo sobre a impaciência, pois passei a perceber que as maiorias das pessoas não as possuem inclusive eu. E tenho certeza que muitas de nossas atitudes são regidas por ela e nos tornam pessoas vulneráveis e frágeis tanto na construção de nosso ser pessoal como no nosso relacionamento com o próximo, comprometendo inclusive aquilo que estamos desenvolvendo. Quisera aprender que Deus que está esperando julgar, não quando Sua paciência Se esgotar, mas quando o cálice da iniqüidade do mundo se encher. À hora do julgamento fica por conta da Sua vontade e não depende de maneira alguma da Sua paciência. Ele é infinito em paciência e o julgamento não será um ato de impaciência, mas de severa justiça. Deus nos revela que assim como tratarmos aos outros assim Ele nos tratará, e mesmo sabendo disso somos passiveis e tardos em mudar.

Continuaremos a escrever sobre este tema ate que um dia isto esteja escrito em nossos corações e que a razão já tenha sido superada.

Com ampor e com a vossa paciência em ler .

Presbítero Levy

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Metropolita Kirill de Smolensk e Kaliningrado é eleito Patriarca de Moscou e Toda Rússia

MOSCOU, RÚSSIA [OCA Comunicações] - Nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2009, o Santo Sínodo Local da Igreja Ortodoxa Russa elegeu Sua Eminência, Metropolita Kirill de Smolensk e Kaliningrado como o 16º Patriarca de Moscou e Toda Rússia. O Patriarca-eleito Kirill nasceu em 20 de novembro de 1946, em Leningrado, atual São Petersburgo], onde seu pai servia como sacerdote. Formou-se no ensino secundário em 1964 e no Seminário Teológico Leningrado em 1970. Em Abril de 1969 recebeu o diaconato e foi tonsurado monge. Em junho do mesmo ano foi ordenado sacerdote. Em março de 1976 foi consagrado bispo de Vyborg e Auxiliar da Diocese de Leningrado. Em 1984 foi eleito bispo de Smolensk. Em 1991, foi elevado à cátedra metropolitana. Desde 1970, o Patriarca-eleito Kirill esteve envolvido em inúmeras atividades administrativas da Igreja Ortodoxa Russa, incluindo seu ofício de reitor do Seminário Teológico de Leningrado, de 1974 a 1984. Em 1989, foi nomeado presidente do Departamento de Relações Exteriores da Igreja, tornando-se membro permanente do Santo Sínodo da Igreja Russa. Em 6 de dezembro de 2008, após o repouso em Cristo de Sua Santidade o Patriarca Alexis II, o Metropolita Kirill foi eleito «locum tenens» Patriarcal da Igreja Ortodoxa Russa. Sua entronização como Patriarca será no próximo domingo, 1º de fevereiro de 2009, na Catedral de Cristo, o Salvador, em Moscou. Que o Senhor conceda ao Patriarca-eleito de Moscou e Toda Rússia muitos anos de vida e um fecundo ministério patriarcal. Axios!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

OrtoFoto

Polônia
autor: o.Serafim Telep

"Homilia sobre o Dia do Batismo de Cristo - São João Crisóstomo, Arcebispo de Constantinopla"

Diremos agora alguma coisa sobre esta presente festa. Muitas pessoas comemoram os dias festivos e conhecem seus significados, mas a causa pelas quais elas foram estabelecidas, elas não conhecem. Neste caso, a presente festa é chamada de Teofania – todos sabem; mas o que ela é, a Teofania, não sabem. É vergonhoso – celebrar-se o dia da festa, todo ano, e não saber-se sua razão.

Por causa disso, antes de tudo, é necessário dizer que não há uma Teofania, mas duas: uma atual, que já ocorreu, e a segunda no futuro, que acontecerá com a Glória do final dos tempos. Sobre uma e outra você ouvirá hoje de Paulo, que conversa com Tito, falando assim, do presente: “A Graça de Deus se há manifestado, tendo salvado toda a humanidade, decretando que rejeitássemos as iniqüidades e os desejos mundanos e habitássemos no tempo presente na prudência, na retidão e na piedade”. E sobre a outra, o futuro: “Na expectativa da bem-aventurada esperança e no aparecimento glorioso de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tit 2:11-13).Um profeta fala assim sobre Esta última: “O sol tornar-se-á em escuridão e a lua em sangue antes que venha o grande e iluminado Dia do Senhor” (Joel 2:31).

Por que o dia do nascimento de Cristo não é considerado o dia da Teofania? Mas exatamente no dia no qual Ele foi batizado? Porque neste dia Ele batizou e santificou a natureza da água. Por causa deste dia, nós obtemos água para levar para casa e guardá-la todo o ano. Desde este dia as águas ficaram santificadas e um fenômeno óbvio ocorre: estas águas em sua essência não se estragam com o passar do tempo, mas obtidas hoje, por um ano inteiro e freqüentemente por dois ou três anos permanecem incólumes e frescas e posteriormente por longo tempo, não deixando de ser água como aquelas obtidas nas fontes.

Por que então este dia é chamado Teofania? Porque Cristo fez-Se conhecer a todos não quando Ele nasceu, mas quando Ele foi batizado. Até este momento Ele estava desconhecido do povo E como o povo não o conhecia, quem Ele era, ouviram falar d’Ele através de João Batista, que disse “No meio de vós está um a quem vós não conheceis” (Jo 1:26). E não é uma surpresa que os outros não O conhecessem, pois mesmo o Batista não o conhecia até aquele dia. “E eu – disse ele – não O conhecia, mas o que me mandou batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1:33).

Nisto está evidente que, há duas Teofanias, por esta razão é necessário conhecer uma e igualmente a outra. Primeiramente é importante falar sobre Seu amor sobre o último, de modo que aprendamos sobre o Criador.

Havia o batismo judaico, que limpava as imundices corporais, mas não removia pecados. Assim, aquele que cometia adultério, roubo, ou quem tivesse cometido qualquer espécie de crime, ele não o livrava da culpa. Mas aquele que tivesse tocado os ossos de um morto ou em uma comida proibida pela lei, que tivesse se contaminado ou contraído lepra, estando impuro até à tarde, após lavar-se, já estaria limpo. “Deixe que lave seu corpo em água pura – diz a Escritura – e se estiver impuro até à tarde, então será limpo” (Lev 15:5, 22:4). Não se tratava de fato, apenas, de pecados ou impurezas, mas de que: quando os judeus tornaram-se imperfeitos, Deus, manifestando nisso Sua grande piedade, preparou-os para a iniciação da observância das coisas importantes. Então, rituais judaicos não perdoam pecados, mas livram as impurezas corporais.

O mesmo não acontece conosco: ele é muito mais sublime e manifesta a poderosa Graça, por meio da qual Ele nos livra dos pecados, limpa o espírito e confere os dons do Espírito.

O batismo de João foi muito mais sublime do que aquele dos judeus, mas menos do que o nosso: ele foi como uma ponte entre dois batismos, fazendo passar por ele mesmo do primeiro ao último. Por qual razão João não nos indicou apenas a observância das purificações corporais, mas juntamente com elas ele nos exortou e advertiu à conversão dos vícios às boas ações e a confiar na esperança da salvação e na realização das boas ações, do que em diferentes lavagens e purificações pela água. João não disse: lavem vossas roupas, lave vosso corpo e tu ficarás puro, mas o quê?: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:8). Desde então, o batismo de João foi maior para os judeus, mas menos para nós: o batismo de João não nos concedeu o Espírito Santo e não outorgou-nos o perdão pela Graça: ele deu os mandamentos para o arrependimento, mas não estava capacitado à absolvição dos pecados. Esta é a razão pela qual João também disse: “Eu vos batizo com água... Todavia, Aquele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3:11). Obviamente ele não batizou com o Espírito.

Mas o que isto significa: “com o Espírito Santo e com fogo?” Lembremos aquele dia no qual os Apóstolos “lá apareceu diferentes línguas como fogo que repousaram sobre cada um deles” (At 2:3). E que o batismo de João não concedera o Espírito e a remissão dos pecados fica evidente pelo que se segue: Paulo encontrou alguns discípulos e lhes perguntou: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? ”Eles lhe responderam : “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo”. Ele respondeu-lhes: “Em que fostes batizados?” Eles responderam: “No batismo de João”. Paulo então disse: “João de fato batizou com o batismo do arrependimento” – arrependimento, mas não remissão dos pecados; para quem ele batizou? “... dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram isto foram batizados em nome do Senhor Jesus. E impondo-lhes as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo” (At 19:1-6). Veja, como incompleto estava o batismo de João. Se este não estivesse incompleto, Paulo então os teria batizado novamente e colocado suas mãos neles; tendo realizado apenas o segundo ato ele mostrou a superioridade do batismo apostólico e que o batismo de João era inferior ao dele. Assim, deste modo reconhecemos a diferença dos batismos.

Agora é necessário perguntar: por quem Cristo batizou-Se e em qual batismo? Nem pelo Criador dos judeus, nem pelos os últimos – nós. Por acaso teve ele necessidade da remissão dos pecados, como isto foi possível para Ele, que não tem pecados? É dito nas Escrituras: “O qual não cometeu pecado, nem na Sua boca se achou engano” (1 Pe 2:22) e mais “Quem dentre vós me convence do pecado ?” (Jo 8:46). Se Sua carne estava privada do Espírito Santo; como poderia ser isto possível, quando ela no começo foi talhada pelo Espírito Santo? E deste modo, se Sua carne estava privada do Espírito Santo e Ele não estava sujeito aos pecados, então por quem foi Ele batizado?

Antes de mais nada é necessário conhecermos por qual batismo Ele foi batizado e então ficará mais claro para nós. Em qual batismo Ele foi de fato batizado? – Não no Judeu, nem no nosso, nem no de João. Por que Ele foi batizado não por causa do pecado e não havendo necessidade do dom do Espírito; no entanto, como demonstramos, este batismo estava ligado tanto a um quanto ao outro. É evidente que Ele veio ao Jordão não para o perdão dos pecados e não para receber os dons do Espírito. Mas deste modo, algumas pessoas daquele tempo não pensaram que Ele veio para o arrependimento como outros, ouvindo o que João prevenira. Eis o que ele falou a aqueles: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”; mas ouça o que ele disse a Ele: “Eu tenho necessidade de ser batizado no Teu (batismo) e Tua sabedoria vem até a mim? (Mt 3:8,14). Nestas palavras ele demonstrou que Cristo veio a ele não movido pelas mesmas necessidade que as pessoas vinham e que Ele estava muito distante da necessidade de ser batizado por esta razão – ele que é muito mais sublime e perfeitamente puro do que o próprio batismo.

Por que Ele foi batizado? Isto foi feito não por arrependimento, não pela remissão dos pecados, não para receber os dons do Espírito. Mas outras duas razões, na qual sobre uma o discípulo fala, e sobre a outra Ele próprio fala à João. João não declarou qual foi a razão deste batismo? Isto é, que o Cristo deveria ser revelado às pessoas, como Paulo também menciona: “João, portanto, batizou com o batismo de arrependimento, de modo que cressem naquele que viria” (At 19:4). Esta foi a razão do batismo. Se, ao contrário, João tivesse ido ao íntimo de cada um ou ficado na porta, proclamando o Cristo dizendo: “Ele é o filho de Deus”, tal testemunho deveria ser duvidoso, esta ação causaria extrema perplexidade. Mesmo ainda, se ele estivesse, em defesa de Cristo, ido às sinagogas e testemunhasse sobre Ele, este testemunho poderia ser suspeito de ser fabricado. Mas quando todas as pessoas invadiram o Jordão vindo das suas cidades e permaneceram às margens do rio quando Ele próprio veio para ser batizado e recebeu o testemunho do Pai pela voz do alto e pela descida do Espírito na forma de pomba, então o testemunho de João sobre Ele foi dado além de qualquer questionamento.
E desde então ele disse: “E eu não O conhecia” (Jo 1:31), Seu testemunho dado é digno de confiança. Eles eram parentes consangüíneos “pelo que Isabel, Sua parenta também concebeu um filho – disse o Anjo à Maria sobre a mãe de João (Lc 1: 36); se as mães foram parentes, então obviamente também foram as crianças. Apesar de parentes - não nos parece que João testificasse o Cristo por causa de seu parentesco; a Graça do Espírito formou-o com tal ardor, que João passara todos os últimos anos no deserto. Deste modo não parecia ter João dado seu testemunho devido amizade ou outra razão similar. Mas João, exatamente, como tinha sido instruído por Deus, assim anunciou sobre Ele, mesmo quando disse: “e eu não O conhecia”. Como tu o conheceste? “Ele me havia enviado a batizar com água, Aquele que me disse...” - “O que ele te disse ?” – “ Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba, e repousar sobre Ele. Este é batizado pelo Espírito Santo” (Jo 1: 32-33). Veja, o Espírito Santo não desceu como na primeira vez, abaixando sobre Ele, a fim de proclamar Sua inspiração – como através de um dedo, ele apontou-O a todos. Por esta razão Ele veio ao batismo.

E a segunda razão, sobre a qual Ele próprio falou – o que exatamente foi? Quando João disse: “Eu tenho necessidade de ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?” Ele lhe respondeu: “Deixa por ora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3:14-15). Por justiça compreendemos o cumprimento de todos os mandamentos, como é dito: “ambos eram justos, andando sem repreensão nos mandamentos do Senhor” (Lc 1:6). O cumprimento da justiça era necessário para todo o povo – mas nenhum deles guardava-o ou cumpria-o – Cristo veio então e cumpriu esta justiça.

E que justiça está lá, alguém diria, em ser batizado? Obediência a um profeta era correto. Como Cristo estava circuncidado, sacrifício oferecido, guardava o Sábado e observava as festas judaicas, assim Ele também acrescentou este gesto tradicional, sendo obediente ao ter sido batizado por um profeta. Foi a vontade de Deus então, que todos fossem batizados – após ter ouvido João, que disse: “Ele me enviou para batizar com água” (Jo 1:33); assim também disse Cristo: “os publicanos e o povo de Deus realmente justificaram Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus em relação a eles próprios, não sendo batizados por ele” (Lc 7:29-30).

Desse modo, se obediência a Deus significa justiça, e Deus enviou João para batizar a nação, então Cristo também cumpriu isto juntamente com os outros mandamentos. Considerar que o mandamento da lei é o ponto essencial entre dois valores: dívida, esta, que nossa raça precisava pagar; mas nós não a pagamos, e fracassados diante de uma acusação, ficamos contidos na morte. Cristo veio, e nos encontrando aflitos por esta dívida – pagou – realizou o necessário e ligou aqueles que não foram capazes de pagar.

Por esta razão Ele não disse: “é necessário para nós fazer isto ou aquilo”, mas “cumprir toda justiça”. “É da Minha responsabilidade, sendo o Mestre – Ele disse – fazer o pagamento do que é necessário”. Tal foi a razão do Seu batismo – por conseguinte, eles puderam ver, que Ele cumprira a lei – tanto esta quanto a outra, sobre a qual Ele falara antes. Por isso também o Espírito desceu como uma pomba: porque onde houver reconciliação com Deus – também haverá uma pomba. Deste modo, também na arca de Noé a pomba trouxe um ramo de oliveira – um sinal do amor de Deus pela humanidade e da cessação do dilúvio. E agora, na forma de pomba, e não num corpo – este particular merece ser notado – que o Espírito desceu, anunciando a universal Misericórdia de Deus e mostrando com ela, que o homem espiritual necessita ser gentil, simples e inocente, como Cristo sempre diz : “Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18:3). Mesmo como aquele arco, após o término do dilúvio, permaneceu sobre a terra; este arco, após a cessação da fúria, é colocado no céu, e agora este Imaculado e Imperecível Corpo é colocado à direita do Pai.

Tendo feito menção sobre o Corpo do Senhor, direi um pouco sobre Ele e então concluiremos esta conversa.

Muitos agora se aproximarão da ceia por ocasião da festa. Mas alguns se aproximarão não com tremor, mas empurrando, ferindo uns aos outros, em fúria de raiva, gritando, blasfemando, asperamente com seus companheiros, com muita confusão. Com o que, meu amigo, estás preocupado? O que o inquieta? Certamente assuntos urgentes te chamam. Até esta hora tu estás particularmente consciente do que estes assuntos te lembram, que tu estás situado sobre a terra e que tu pensas realmente em se unir com as pessoas? Mas não pense com a alma igual a uma pedra, que neste caso tu estarás sob a terra e não exultante com os Anjos, com os quais levantamos uma vitoriosa canção a Deus. Por isso Cristo representou-nos como Anjos, dizendo: “onde estiver o corpo, ali se reunirão as águias” (Mt 24:28). Deste modo devíamos subir ao céu e elevarmo-nos às alturas, tendo ascendido nas asas do Espírito; mas, ao contrário, como cobras, nós nos arrastamos sobre a terra e comemos sujeiras. Tendo Deus nos convidado à ceia, tu, embora saciado com muitas coisas, não ousaria deixar antes estas coisas enquanto elas estão ainda sujeitas? Enquanto os acontecimentos sagrados continuam, tu passarias por tudo, exatamente no meio, e irias embora? É por uma desculpa merecida? Que desculpa poderia ser? Judas tendo traído no final da tarde, naquela última noite, deixou-os apressadamente enquanto todos os outros, calmos, ainda reclinavam. (...).Se ele não tivesse ido embora, não teria concluído a traição; se não tivesse deixado seus co-discípulos, não teria perecido; se não tivesse se retirado do rebanho, o lobo não o teria agarrado e o devorado sozinho. Por esta razão, ele (Judas) permaneceu com os judeus, e aqueles (os apóstolos) foram embora com o Senhor. Veja atentamente, de qual maneira a oração final após a oferta do sacrifício é finalizada.

Nós devíamos, amados, lembrados disso, ponderar, receosos do julgamento que haveremos de ter. Nos aproximaríamos do Sacrifício Sagrado com grande respeito, com uma piedade adequada, de modo que venhamos a ter a benevolência de Deus, para limpar nossas almas e recebermos as bênçãos eternas, das quais todos nós seremos dignos pela Graça e Amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos homens, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, tenham Glória e Poder.

Eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

"Boletim Interparoquial jan 2003, Tradução Irmã Irene"

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

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autor: Ринат