“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Santo Protomártir e Arcediago Estevão (+ 34) - 27 dez/09 jan

Estêvão era parente do Apóstolo Paulo e um dos judeus que viviam nas províncias helênicas. Estêvão era o primeiro dos sete diáconos a quem os santos apóstolos ordenaram e designaram para o serviço da assistência aos pobres em Jerusalém. Por isso era chamado de Arquidiácono. Pelo poder de sua fé, Estêvão operou grandes milagres entre o povo. Os pérfidos judeus discutiam com ele, mas eram sempre vencidos pela sua sabedoria e pelo poder do Espírito, Que agia através dele. Então os infames judeus, acostumados a calúnias e à difamação, incitaram o povo e os anciões do povo contra o inocente Estêvão, acusando-o caluniosamente de ter blasfemado contra Deus e contra Moisés. Rapidamente se encontraram falsas testemunhas para confirmar isso. Estêvão então se pôs perante o povo, e todos viram o seu rosto como o rosto de um anjo (Atos 6:15), isto é, seu rosto estava iluminado com a luz da graça, tal como outrora o rosto de Moisés quando falou com Deus. Estêvão abriu a sua boca e enumerou as muitas boas obras e milagres que Deus realizara no passado pelo povo de Israel, bem como os muitos crimes e oposição a Deus por parte desse povo. Censurou-os especialmente pela morte do Cristo Senhor, chamando-os de traidores e homicidas (Atos 7:52). E enquanto eles rangiam seus dentes, Estêvão presenciou e viu os céus abertos e a glória de Deus. Aquilo que viu, declarou aos judeus: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus! (Atos 7:56). Então os homens maliciosos o levaram para fora da cidade e o apedrejaram até a morte. Entre seus perseguidores estava seu parente Saulo, mais tarde o Apóstolo Paulo. Naquela ocasião a Santíssima Deípara, de pé sobre uma rocha, à distância, com São João, o Teólogo, testemunhou o martírio desse primeiro mártir da verdade de Seu Filho e Deus, e orou a Deus por Estêvão. Isso aconteceu um ano depois da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Gamaliel, um príncipe dos judeus e cristão em segredo, tomou clandestinamente o corpo de Santo Estêvão e o sepultou em sua própria quinta. Assim este primeiro dentre os mártires cristãos repousou gloriosamente e tomou posse de sua morada no Reino do Cristo Deus.

Hino de Louvor
Rumo a Estêvão, iluminado pelo Espírito,
Os assassinos judeus acorreram.
O ensangüentado Estêvão ajoelhou-se
E em alta voz clamou a Deus:
"Ó Senhor, Que da Cruz perdoaste
O maior pecado que jamais abalou a terra,
O maior pecado que o céu jamais contemplou:
Perdoaste Teus assassinos.
E agora, ó Graciosíssimo, perdoa-me a mim também!
Este crime – que é comparado àquele?
E eu, que sou, comparado ao meu Senhor?"
Dizendo isso, entregou seu espírito a Deus.
Os anciões furiosos, covardes feios,
Dispersaram-se depois de o matarem.
Então do céu desceram anjos
Ao redor do corpo do Protomártir.
Cantaram em coro um hino a ele
E levaram ao Paraíso a sua alma paradisíaca.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

OrtoFoto

Sérvia
autor: Slobodan Simic

"Sobre a Santíssima Virgem, a Deípara"

Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor (Lucas 1:38).

Aqui de fato, irmãos, está uma verdadeira serva do Senhor! Se uma serva é aquela que substitui completamente a sua vontade pela de seu Senhor, então a Santíssima Virgem é a primeira dentre todas as servas do Senhor. Se uma serva é aquela que com intenção e toda a atenção contempla o seu Senhor, então novamente a Santíssima Virgem é a primeira dentre as servas do Senhor. Se uma serva é aquela que mansa e silenciosamente suporta todos os insultos e provações, esperando somente a recompensa de seu Senhor, então ainda uma vez mais a Santíssima Virgem é a primeira e a mais excelente de todas as servas do Senhor. Ela não se preocupou em agradar ao mundo, mas somente a Deus; nem se preocupou em justificar-se perante o mundo, mas apenas perante Deus. Ela é a própria obediência; ela é o próprio serviço; ela é a própria mansidão. A Santíssima Virgem podia, em verdade, dizer ao anjo de Deus: Eis aqui a serva do Senhor. A maior perfeição e a maior honra que uma mulher pode atingir na terra é a de ser uma serva do Senhor. Eva perdeu essa perfeição e honra no Paraíso sem esforço, e a Virgem Maria atingiu essa perfeição e essa honra fora do Paraíso com o seu esforço.

Pelas orações da Santíssima Virgem Deípara, ó Senhor Jesus Cristo, tem piedade de nós.

A Ti seja a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

MENSAGEM DE NATAL DO SANTO SÍNODO DE BISPOS DA IGREJA ORTODOXA AUTOCÉFALA DA POLÔNIA

Para o venerável clero, reverendos monges e todos os cristãos ortodoxos que amam a Deus.

“E sem dúvida alguma grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado no espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória”. (I Tm 3, 16)

Estas palavras ditas pelo Apóstolo Paulo, anualmente no período da Festa do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo nos lembram o grande mistério – o Mistério da Encarnação do Filho de Deus, que salvou do pecado e da morte o gênero humano. Com este objetivo Jesus aceitou o corpo e sangue humanos (Hb 2, 14) e denominou-nos seus irmãos (Hb 2, 11). Pela sua vinda à terra, não apenas aproximou-se do homem, mas também tornou-se nosso Salvador. A encarnação de Deus é um grande mistério que revela ao homem o Reino de Deus. Este Reino está entre nós e em nós (Lc 17, 20).

São Gregório, o Teólogo em sua homilia para o Natal diz: “.... agora nasceu Cristo e no mundo resplandeceu a luz espiritual. Deus desceu à terra para que os seres humanos se elevem até Ele ....Este que é o clarão da glória do Pai, Imagem de Sua Hipóstase e imagem de misericórdia, com vistas à nossa salvação aniquilou-se a si mesmo, encarnou e nasceu de uma Virgem”

Irmãos e Irmãs!
A realidade da Encarnação de Deus dependia da “aniquilação e auto-limitação” do Filho de Deus, que tomou para Si finalmente nossa pequenez – tomando a forma de servo (Fp 2, 7). O Salvador curou as feridas infligidas ao homem pela flechas do diabo (irmos da 6ª ode, 2º cânon) e removeu a mortalidade da peçonha da víbora, destruidora de tribos e nações. (1º tropário, ode 4, cânon 3). O Senhor se tornou fonte interna de transformação espiritual do homem e de libertação moral do pecado. Cristo realizou através de seu sacrifício, esforço salvífico, que se iniciou a partir de sua Encarnação.

Irmãos e Irmãs!
O Nascimento de Cristo, hoje celebrado, revelou o caminho da criação do novo homem. Aquele que reina sobre os Céus sendo Verbo imaterial, aceita o corpo humano de modo a atrair para Si o homem e fortalecê-lo qualitativamente através desta nova comunhão. Esta comunhão realiza-se pela concepção na Mãe de Deus do Verbo, que nasceu dela sem violação do selo da virgindade.

Grande é o dia de hoje e grande é nosso amor ao Senhor recém-nascido e, também, à nossa Santíssima Virgem Maria. Por isso, também, adequadamente, com profunda fé e em silêncio estaremos diante da manjedoura de Cristo e meditaremos sobre o irrepetível mistério do Seu Nascimento. Desta maneira nos aproximaremos de Cristo e estaremos com Cristo e em Cristo, e isto significa amar e cumprir seus mandamentos. Guardando Seus mandamentos favorecemos a ordem no mundo e a paz em nossos corações e, também, a paz em torno de nós. E isto é muito importante, estar em paz, porque o Senhor nesta vida passageira nos envia numerosas experiências e dores. A Igreja, nossa Mãe compartilha as dores e alegrias da comunidade inteira, assim como, os sofrimentos de cada homem. São eles provocados pela falta de ordem, pela pobreza, doenças, ódio e falta de paz, isto tudo existe muito no mundo de hoje. A Igreja, enriquecida pelas experiências históricas, proclama a eterna Verdade, é a Divina embarcação que navega pelas ondas da vida, pelas tempestades e experiências, sendo conduzida por Cristo para um porto seguro.

Irmãos e Irmãs!
Nossa Santa Igreja vivenciou muitos momentos tempestuosos em sua história. Nos anos 2007 e 2008 relembramos em orações os difíceis momentos de sua vida, a chamada “Ação Vístula”, quando há setenta anos atrás ocorreu a destruição de templos ortodoxos em nossa pátria. No ano de 2009 que se inicia completam-se os setenta anos da eclosão da 2ª Guerra Mundial, em conseqüência da qual a vida da nossa Igreja ficou totalmente destruída. Na Igreja restaram apenas um metropolita e um bispo. Mais tarde, em 1948 o metropolita Dionísio foi afastado da direção da Igreja pelas autoridades nacionais e condenado à prisão domiciliar em Sosnow.

Apesar de tudo isso, a Igreja Ortodoxa na Polônia, guiada pelo Espírito Santo, hoje vive e cumpre sua missão, convocando a todos a se tornarem membros do Reino de Deus, que está em nós e entre nós. Cumprem-se as palavras do cabeça da Santa Igreja, Jesus Cristo: “.....edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Hoje a nossa Igreja conta com um metropolita e vários bispos, um quadro de clérigos jovens, que receberam formação e educação em nossas escolas teológicas e alegra-se com a plenitude de sua vida eclesiástica.

Por todas estas alegrias e tristezas agradeçamos a Deus e tenhamos a esperança, que, também, no futuro Ele conduzirá a nau da nossa Igreja pelas ondas do agitado mundo contemporâneo.

Cordialmente cumprimentamos o venerável clero, monges, jovens, e crianças e todos os fiéis da nossa Igreja na grande Festa do Nascimento de Cristo e no Ano Novo de 2009.

Que o Filho de Deus Encarnado ilumine com a luz plena de Graça do Seu nascimento nossas almas e corações, que ilumine nossa razão e fortaleça nossa vontade em direção à realização do bem.

Que a alegria dos pastores de Belém e dos sábios do Oriente permaneça entre nós. Que o Ano Novo de 2009 seja um tempo abençoado por Deus para a nossa Santa Igreja, para a nossa pátria e para cada um de nós.

Que as Bênçãos do Cristo menino esteja com todos vocês.

CRISTO NASCEU, LOUVAI-O!

Humildemente:

+ Savas, Metropolita de Varsóvia e toda a Polônia,

+ Simeão, Arcebispo de Lodz e Poznan

+ Adão, Arcebispo de Przemysl e Novo Sacz

+ Jeremias, Arcebispo de Wroclaw e Szczecin

+ Abel, Arcebispo de Lublin e Chelm

+ Mirão, Bispo de Hajnówka

+ Tiago, Bispo de Bialystok e Gdansk

+ Gregório, Bispo de Bielsk Podlaski

+ Jorge, Bispo de Siemiatycze

+ Paísios, Bispo de Piotrkow

+ Chrisóstomo, Arcebispo do Rio de Janeiro, Olinda e Recife

+Ambrósio, Bispo do Recife
Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, 2008/2009.
Vársóvia

"Sobre o Nascimento do Senhor, o Filho de Deus"

Saí do Pai, e vim ao mundo (João 16:28).
O Filho Unigênito de Deus, irmãos, gerado na eternidade do Pai e sem mãe, nasceu no tempo de uma mãe e sem pai. Aquela primeira geração é um mistério insondável da Santa Trindade na eternidade, e o segundo é o mistério insondável do poder de Deus e de Seu amor pela humanidade no tempo. O maior mistério no tempo corresponde ao maior mistério na eternidade. Sem adentrar nesse mistério máximo com a pequena vela de nosso entendimento, contentemo-nos, irmãos, com o conhecimento de que a nossa salvação se originou não do homem e nem da terra, mas das máximas alturas do invisível mundo divino. Tão grande é a misericórdia de Deus e tão grande é a dignidade do homem que o próprio Filho de Deus desceu da eternidade ao tempo, do Céu à terra, do Trono da glória à gruta do pastor, apenas para salvar a humanidade, para purificar os homens do pecado e reconduzi-los ao Paraíso. Saí do Pai, onde tinha tudo, e vim ao mundo, que nada pode Me dar. O Senhor nasceu numa gruta para mostrar que o mundo inteiro é uma gruta escura que somente Ele pode iluminar. O Senhor nasceu em Belém – e Belém quer dizer "a Casa do Pão" – para mostrar que Ele é o único Pão da Vida digno de homens verdadeiros.

Ó Senhor Jesus, Filho Pré-eterno do Deus Vivo e Filho da Virgem Maria, ilumina-nos e alimenta-nos Contigo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

NATAL DE NOSSO SENHOR, DEUS E SALVADOR JESUS CRISTO - 25 dez/07 jan

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho (Gálatas 4:4) para salvar a raça humana. E quando decorreram nove meses da Anunciação, na qual o Arcanjo Gabriel aparecera à Santíssima Virgem em Nazaré, dizendo: Salve, agraciada; (...) eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um Filho (Lucas 1:28-31), naquele tempo baixou-se um decreto de César Augusto ordenando que todo o povo do Império Romano fosse recenseado. De acordo com esse decreto, cada um deveria se dirigir à sua própria cidade e se registrar. É por isso que o justo José veio com a Santíssima Virgem a Belém, a cidade de Davi, pois eram ambos da linhagem real de Davi. Uma vez que muitos desceram a essa pequena cidade para o censo, José e Maria não conseguiram encontrar alojamento em casa alguma e procurarem abrigo numa gruta que os pastores usavam como redil. Nessa gruta, na noite de sábado para domingo, em 25 de dezembro, a Santíssima Virgem deu à luz o Salvador do mundo, o Senhor Jesus Cristo. Tendo dado-O à luz sem dor, tal como fora Ele concebido sem pecado pelo Espírito Santo e não por homem, ela mesma O envolveu em panos, adorou-O como Deus e deitou-O numa manjedoura. Então o justo José aproximou-se e adorou-O como o Fruto Divino do ventre da Virgem. Em seguida os pastores vieram dos campos, por ordem de um anjo de Deus, e O adoraram como Messias e Salvador. Os pastores ouviram uma multidão de anjos de Deus cantando: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens (Lucas 2:14). Naquela ocasião, três sábios chegaram do Oriente, conduzidos por uma estrela prodigiosa, trazendo presentes: ouro, incenso e mirra. Adoraram-No como Rei dos Reis e ofereceram-Lhe seus presentes (Mateus 2). Assim entrou no mundo Aquele cuja vinda fora predita pelos profetas e que nasceu exatamente como havia sido profetizado: de uma Virgem Santíssima, na cidade de Belém, da linhagem de Davi segundo a carne, no tempo em que não haveria em Jerusalém um rei da linhagem de Judá mas antes quando Herodes, um estrangeiro, reinasse. Após muitos tipos e prefigurações, mensageiros e arautos, profetas e justos, sábios e reis, enfim apareceu Ele, o Senhor do mundo e o Rei dos Reis, para realizar a obra da salvação da humanidade, que não poderia ser realizada por Seus servos. A Ele seja a glória e o louvor eternos! Amém.

Hino de Louvor
Por amor ardente, Tu vieste dos céus;
Da beleza eterna, desceste à dor monstruosa;
Da luz eterna, desceste às espessas trevas do mal.
Estendeste Tua mão santa aos sufocados no pecado.
O Céu deslumbrou-se, a terra tremeu.
Bem-vindo, ó Cristo! Ó nações, rejubilai!
Por amor ardente, pelo qual criaste o mundo,
Como escravo rebaixaste-Te para alforriar os escravizados,
Para restaurar a casa que Adão destruíra,
Para iluminar os obscurecidos, libertar os pecadores.
Amor que não conhece temor nem humilhação –
Bem-vindo, ó Cristo! Mestre da Salvação!
Por amor ardente, ó Rei de toda beleza,
Deixaste o resplendor dos belos querubins,
Desceste à gruta da vida humana,
Aos homens desesperados, com uma tocha e paz.
Como conter-Te? – a terra se apavora.
Bem-vindo, ó Cristo! O Céu Te resiste!
A belíssima Virgem esperou em Ti por longo tempo.
A terra a eleva a Ti, para que por meio dela desças
Do trono elevado, da cidade celestial,
Para trazer a saúde e livrar o homem do pecado.
Ó Santa Virgem, Turíbulo de Ouro –
A Ti sejam a glória e o louvor, ó Mãe cheia de graça!

Reflexão
O Senhor Jesus, nascido em Belém, foi adorado primeiro por pastores e sábios (astrólogos) do Oriente – os mais simples e os mais sábios deste mundo. Ainda hoje, aqueles que mais sinceramente adoram o Senhor Jesus como Deus e Salvador são os mais simples e os mais sábios deste mundo. A simplicidade pervertida e a sabedoria aprendida pela metade foram sempre os inimigos da divindade do Cristo e de Seu Evangelho. Mas quem eram esses sábios do Oriente? Essa questão foi estudada em especial por São Demétrio de Rostov. Ele sustenta que eram reis de certas regiões menores ou cidades individuais na Pérsia, na Arábia e no Egito. Eram, ao mesmo tempo, versados no conhecimento da astronomia. Essa estrela prodigiosa apareceu a eles, anunciando o nascimento do Novo Rei. Segundo São Demétrio, essa estrela lhes apareceu nove meses antes do nascimento do Senhor Jesus, isto é, no instante de Sua concepção pela Santíssima Deípara. Consumiram nove meses no estudo dessa estrela, na preparação para a jornada e na viagem. Chegaram a Belém pouco depois do nascimento do Salvador do mundo. Um deles se chamava Melquior. Era velho, com barbas e cabelos brancos e compridos. Ofereceu ao Senhor o presente de ouro. O segundo chamava-se Gaspar; tinha o rosto rosado, era jovem e imberbe. Ofereceu ao Senhor o presente de incenso. O terceiro chamava-se Baltazar, era de tez escura e tinha uma barba muito densa. Ofereceu ao Senhor o presente de mirra. Depois de suas mortes, seus corpos foram levados a Constantinopla, de Constantinopla a Milão e de Milão a Colônia. Pode-se acrescentar que esses três sábios eram representantes das três principais raças de homens, que descendem dos três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé. O persa representou os jafitas, o árabe representou os semitas e o egípcio representou os camitas. Assim pode-se dizer que, por meio desses três, toda a raça humana adorou o Senhor e Deus Encarnado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"Sobre o Justo José"

Então José, seu marido, como era justo (...) fez como o anjo do Senhor lhe ordenara (Mateus 1:19,24).

Deve-se temer mais a Deus do que aos homens e deve-se obedecer mais a Deus do que aos homens. Essa é a lição da vida do Justo José, o parente e guardião da Santa Virgem Maria. Ele viveu na época da junção entre a Lei e a graça, e foi fiel à Lei até a graça aparecer; e então, quando a nova graça de Deus apareceu, fez-se fiel à graça. Obediente à letra da Lei, quis rejeitar a Santa Virgem quando ela concebeu o Salvador do mundo em seu puríssimo corpo. Mas quando um anjo de Deus lhe anunciou que Maria havia concebido do Espírito Santo (Mateus 1:20), abandonou sua intenção e não a rejeitou, antes fez como o anjo do Senhor lhe ordenara. Não raciocinou consigo mesmo, mas obedeceu a vontade de Deus. Por isso Deus o fez digno de grande glória, tanto na terra como no céu. Quieta e secretamente ele serviu a Deus; e Deus o glorificou abertamente. Não apenas ele foi feito digno do Reino de Deus, mas também seus filhos e filhas. Que pai desejaria algo mais além de que seu filho fosse um apóstolo de Cristo? E José teve dois filhos que foram apóstolos. É assim que Deus glorifica aqueles que O temem e O obedecem.

Ó grande Senhor, Deus do justo José, ajuda-nos também a nós pecadores a amar a Tua justiça e a temer somente a Ti.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

OrtoFoto

Romênia
autor: Florina Stan

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

"Sobre Davi"

E disse Davi a Natã: "Pequei contra o Senhor" (II Reis 12:13).
Minhas lágrimas têm sido o meu pão do dia e da noite (Salmo 41:4).

O Rei Davi pecou contra Deus e se arrependeu, e Deus o perdoou. O pecado do rei foi grande, mas ainda maior foi o seu arrependimento. Ele era culpado perante Deus de dois pecados graves: adultério e homicídio. Mas quando Natã, o profeta de Deus, o censurou, ele exclamou angustiado: Pequei contra o Senhor! Dessa forma ele confessou seu pecado e se arrependeu amargamente, muito amargamente. Prostrado pelo pesar, orava a Deus chorando, jejuando, jazendo em terra e suportando mansamente os terríveis golpes que Deus mandava contra ele, sua casa e seu povo por causa de seus pecados. Em seus salmos penitenciais, ele diz: Eu sou verme e não homem (Salmo 21:7); Pela voz de meu gemido, o meu osso aderiu à minha carne (Salmo 101:6); Vigilei (...) pois comi cinzas como pão e misturei com lágrimas minha bebida (Salmo 101:8,10); Meus joelhos enfraquecem pelo jejum (Salmo 108:24). Aqui está o verdadeiro arrependimento; aqui está um verdadeiro penitente! Ele não se empederniu no pecado nem caiu em desespero; mas, esperando na misericórdia de Deus, arrependeu-se incessantemente. E Deus, Que ama o penitente, usou de misericórdia para com este modelo de penitência. Deus o perdoou e o glorificou acima de todos os reis de Israel; Ele lhe deu a grande graça de compor as mais belas orações penitenciais e de profetizar a vinda ao mundo do Santo Salvador, que viria da sua estirpe. Irmãos, vedes quão maravilhosa é a misericórdia de Deus para com os penitentes? Tanta misericórdia Deus teve para com esse penitente Davi que Ele não se envergonhou de tomar para Si a carne da estirpe de Davi. Bem-aventurados os que não se petrificam no pecado, nem caem em desespero por causa do pecado. O arrependimento salva do mal tanto um como o outro.

Ó Senhor Misericordioso, abranda nossos corações com lágrimas de arrependimento.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Santos Mártires Sebastião, General Romano, e seus companheiros (+287) – 18/31 dez

Esse glorioso santo nasceu na Itália e foi criado na cidade de Milão. Ainda jovem, dedicou-se ao serviço militar. Por ser instruído, belo e corajoso, recebeu o favor do Imperador Diocleciano, que o designou capitão de sua guarda imperial. Em segredo, confessava a fé cristã e orava ao Deus Vivo. Como um homem honorável, justo e misericordioso, Sebastião era muito amado por seus soldados. Sempre que pôde, salvou cristãos da tortura e da morte; e, quando incapaz de fazê-lo, exortou-os a morrer por Cristo Deus Vivo sem voltar atrás. Dois irmãos, Marcos e Marcelino, que haviam sido presos por Cristo e já estavam a um passo de repudiá-lo e adorarem os ídolos, foram confirmados na Fé por Sebastião, que os revigorou para o martírio. Enquanto falava com eles, encorajando-os a não temer a morte por Cristo, sua face se iluminou. Todos viram seu rosto radiante como o de um anjo de Deus. Sebastião também confirmou suas palavras com milagres: curou Zoé, mulher do carcereiro Nicóstrato, que era muda havia seis anos; levou ela, Nicóstrato e sua família inteira ao batismo; curou os dois filhos doentes de Cláudio, o comandante, e trouxe ele e sua família ao batismo; curou Tranquilino, pai de Marcos e Marcelino, de gota e dores nas pernas que o atormentavam havia onze anos, e levou-o ao batismo com toda a sua casa; curou o Eparca romano Cromácio da mesma doença e trouxe ele e seu filho Tibúrcio ao batismo. O primeiro deles a sofrer foi Santa Zoé, capturada junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, onde orava a Deus. Depois de a torturarem, lançaram-na no Rio Tibre. Em seguida prenderam Tibúrcio, e o juiz pôs carvões em brasa diante dele, dizendo-lhe que escolhesse entre a vida e a morte, isto é, atirar incenso sobre os carvões e incensar os ídolos ou permanecer descalço sobre os carvões quentes. São Tibúrcio fez o sinal da Cruz, pisou descalço sobre os carvões incandescentes e permaneceu ileso. Depois disso, foi degolado. Nicóstrato foi morto com uma estaca, Tranquilino foi afogado, e Marcos e Marcelino foram torturados e trespassados por lanças. Então Sebastião foi trazido perante o Imperador Diocleciano. O imperador censurou-lhe por sua traição, mas Sebastião disse: "Eu sempre orei ao meu Cristo pela tua saúde e pela paz do Império Romano". O imperador ordenou que ele fosse despido de suas vestes e cravejado de flechas. Os soldados o alvejaram com flechas, até o mártir ficar tão completamente coberto de flechas que o seu corpo não podia mais ser visto por causa delas. Quando todos pensaram que ele estava morto, apareceu vivo e plenamente são. Então os pagãos o mataram com cajados. Padeceu gloriosamente pelo Cristo seu Senhor e tomou posse de sua morada no Reino de Cristo no ano de 287, no tempo de Diocleciano, o imperador, e Gaio, o Bispo de Roma.

Hino de Louvor
O santo Sebastião foi coberto de flechas –
Com um saco de flechas seu corpo foi vestido.
Mas por baixo das flechas, sua alma estava intacta;
Seu coração se elevava até os céus em oração.
Sebastião suportou sofrimento pelo Cristo.
Que são reinos poderosos, que são grandes riquezas,
Comparados a essa honra, comparados a essa iluminação –
Ser cravejado de flechas por amor ao Deus Vivo?
O maravilhoso Sebastião desejou isso:
Ser crucificado pelo Salvador crucificado,
Confirmar a verdade pelo sofrimento e pelo sangue,
Testemunhar a Fé perante o céu e a terra.
O Senhor Onividente, que vê toda a criação,
Mediu e contou cada gota de sangue,
E recompensou Sebastião no Reino Eterno,
Banhando-o de bênçãos sem medida.
Ó Mártir gloriosíssimo, que sofreste pelo Cristo,
E por meio de teu sofrimento ampliaste a Igreja:
Ora a Deus pela Igreja na terra,
Para que ela se torne cada vez mais bela e ainda maior.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Santo Profeta, Daniel, e os três três Santos Jovens: Ananias, Azarias e Misael (+séc.VI a.C.) -- 17/30 dez

Todos os quatro eram da tribo real de Judá. Quando Nabucodonosor destruiu e saqueou Jerusalém, Daniel, ainda menino, foi levado como escravo junto com o rei judeu Joaquim e inúmeros outros israelitas. Um relato detalhado de sua vida, sofrimentos e profecias pode ser encontrado em seu livro.

Completamente devotado a Deus, São Daniel desde o início de sua juventude recebeu de Deus o dom de grande discernimento. Sua fama entre os judeus na Babilônia começou quando denunciou dois anciões devassos e iníquos, juízes judeus, e salvou a casta Susana de uma morte injusta. Mas sua fama entre os babilônios começou no dia em que decifrou e interpretou o sonho do Rei Nabucodonosor. Por isso, o rei fez dele um príncipe em sua corte. Quando o rei fez um ídolo de ouro na planície de Dura, as Três Crianças se recusam a adorá-lo, e por isso foram lançados à uma fornalha ardente. Mas um anjo de Deus apareceu na fornalha e resfriou o fogo, de modo que as crianças caminhavam pela fornalha intocadas pelo fogo, cantando: Bendito és Tu, ó Senhor Deus de nossos Pais! (Daniel 3 - Oração de Azarias e Hino dos Três, 2) O rei viu esse milagre e se assombrou. Trouxe então as crianças para fora da fornalha e concedeu-lhes grandes honrarias.

No tempo do Rei Baltasar, estando o rei e seus convidados comendo e bebendo num banquete com vasos consagrados retirados do Templo de Jerusalém, uma mão invisível escreveu três palavras na parede: Mane, Tekel, Fares (Daniel 5:25-28). Ninguém foi capaz de interpretar essas palavras, exceto Daniel. Naquela noite, o Rei Baltasar foi assassinado. Daniel foi lançado duas vezes na cova dos leões por causa de sua fé no Deus Uno e Vivo, e em ambas as vezes o Senhor o salvou e ele permaneceu vivo. Daniel viu Deus num trono com as hostes celestiais; viu anjos; discerniu o futuro de certas pessoas, de reinos e de toda a raça humana; e profetizou o tempo da vinda do Salvador à terra. Segundo São Cirilo de Alexandria, Daniel e as três crianças viveram até a velhice na Babilônia e foram decapitados pela verdadeira Fé. Quando decapitaram Ananias, Azarias estendeu seu manto e recolheu a sua cabeça; depois disso, Misael recolheu a cabeça de Azarias e Daniel recolheu a cabeça de Misael. Um anjo de Deus trasladou seus corpos até a Judéia, ao Monte Gebal, e os depositou sob uma rocha. Segundo a Tradição, esses quatro servos de Deus ressuscitaram no momento da morte do Cristo Senhor, apareceram a muitos e adormeceram novamente. Daniel é contado entre os quatro Grandes Profetas (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel). Ele viveu e profetizou quinhentos anos antes de Cristo.

Hino de Louvor
Todo o que teme o verdadeiro Deus
Não tem medo de homens, nem de demônios.
O Senhor recompensa os servos fiéis
E os guarda de todo mal.
Entre os leões,
O santo Daniel permaneceu incólume;
Na fornalha ardente,
As Três Crianças permaneceram vivas;
No meio do fogo, glorificaram a Deus,
Com um anjo, um mensageiro de Deus.
Como Noé no mundo mau,
Como o santo Ló na bestial Sodoma,
E como José no Egito decadente,
Assim Daniel no meio de Babilônia
Permaneceu fiel e justo
Com três de seus jovens amigos:
Ananias e Azarias
E o fiel jovem Misael.
As torturas vieram e as torturas passaram.
Os martirizados foram gloriosamente glorificadosNo Reino Imortal do Cristo.

Reflexão
A pureza corporal é primeiramente adquirida pelo jejum, e pela pureza corporal a pureza espiritual é também alcançada. A abstinência de alimento, de acordo com as palavras daquele filho da graça, Santo Efrém, o Sírio, significa: "Não desejar nem pedir comidas variadas, quer doces, quer caras; não comer nada fora do horário determinado; não sucumbir ao espírito da gula; não excitar a fome em si mesmo observando uma comida boa; e não desejar num momento um tipo de comida e noutro momento outro tipo de comida." Grande é a falácia de que o jejum e a alimentação de quaresma prejudicam a saúde do corpo. É fato notório que os ascetas viviam o máximo e eram os menos propensos a doenças. São Daniel e as Três Crianças na Babilônia nos oferecem um exemplo disso. Quando o rei ordenou o eunuco que alimentasse esses jovens com a comida da mesa real e que lhes desse bom vinho para beber, Daniel disse ao eunuco que não desejavam aceitar a comida e o vinho reais, mas queriam apenas hortaliças para comer (pois Daniel não queria comer o alimento aspergido com o sangue dos sacrifícios idólatras). O eunuco, temendo que os jovens enfraquecessem com os alimentos de jejum, relatou seu temor a Daniel. Então o profeta sugeriu que fizesse um teste e se convencesse de que a alimentação de jeum não os debilitaria: alimentasse os outros jovens da corte real com a comida da mesa do rei e alimentasse a eles quatro apenas com legumes, pelo decurso de dez dias, e depois fizesse uma comparação. O eunuco ouviu Daniel e fez o que ele sugeriu. Depois de dez dias, as faces dos quatro jovens ascetas eram mais radiantes e seus corpos mais fortes do que os corpos dos jovens babilônios que haviam comido e bebido da mesa do rei

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Romênia
autor: Ovidiu Man