“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

ok

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

OrtoFoto

Romênia
autor: Florina Stan

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

"Sobre Davi"

E disse Davi a Natã: "Pequei contra o Senhor" (II Reis 12:13).
Minhas lágrimas têm sido o meu pão do dia e da noite (Salmo 41:4).

O Rei Davi pecou contra Deus e se arrependeu, e Deus o perdoou. O pecado do rei foi grande, mas ainda maior foi o seu arrependimento. Ele era culpado perante Deus de dois pecados graves: adultério e homicídio. Mas quando Natã, o profeta de Deus, o censurou, ele exclamou angustiado: Pequei contra o Senhor! Dessa forma ele confessou seu pecado e se arrependeu amargamente, muito amargamente. Prostrado pelo pesar, orava a Deus chorando, jejuando, jazendo em terra e suportando mansamente os terríveis golpes que Deus mandava contra ele, sua casa e seu povo por causa de seus pecados. Em seus salmos penitenciais, ele diz: Eu sou verme e não homem (Salmo 21:7); Pela voz de meu gemido, o meu osso aderiu à minha carne (Salmo 101:6); Vigilei (...) pois comi cinzas como pão e misturei com lágrimas minha bebida (Salmo 101:8,10); Meus joelhos enfraquecem pelo jejum (Salmo 108:24). Aqui está o verdadeiro arrependimento; aqui está um verdadeiro penitente! Ele não se empederniu no pecado nem caiu em desespero; mas, esperando na misericórdia de Deus, arrependeu-se incessantemente. E Deus, Que ama o penitente, usou de misericórdia para com este modelo de penitência. Deus o perdoou e o glorificou acima de todos os reis de Israel; Ele lhe deu a grande graça de compor as mais belas orações penitenciais e de profetizar a vinda ao mundo do Santo Salvador, que viria da sua estirpe. Irmãos, vedes quão maravilhosa é a misericórdia de Deus para com os penitentes? Tanta misericórdia Deus teve para com esse penitente Davi que Ele não se envergonhou de tomar para Si a carne da estirpe de Davi. Bem-aventurados os que não se petrificam no pecado, nem caem em desespero por causa do pecado. O arrependimento salva do mal tanto um como o outro.

Ó Senhor Misericordioso, abranda nossos corações com lágrimas de arrependimento.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Santos Mártires Sebastião, General Romano, e seus companheiros (+287) – 18/31 dez

Esse glorioso santo nasceu na Itália e foi criado na cidade de Milão. Ainda jovem, dedicou-se ao serviço militar. Por ser instruído, belo e corajoso, recebeu o favor do Imperador Diocleciano, que o designou capitão de sua guarda imperial. Em segredo, confessava a fé cristã e orava ao Deus Vivo. Como um homem honorável, justo e misericordioso, Sebastião era muito amado por seus soldados. Sempre que pôde, salvou cristãos da tortura e da morte; e, quando incapaz de fazê-lo, exortou-os a morrer por Cristo Deus Vivo sem voltar atrás. Dois irmãos, Marcos e Marcelino, que haviam sido presos por Cristo e já estavam a um passo de repudiá-lo e adorarem os ídolos, foram confirmados na Fé por Sebastião, que os revigorou para o martírio. Enquanto falava com eles, encorajando-os a não temer a morte por Cristo, sua face se iluminou. Todos viram seu rosto radiante como o de um anjo de Deus. Sebastião também confirmou suas palavras com milagres: curou Zoé, mulher do carcereiro Nicóstrato, que era muda havia seis anos; levou ela, Nicóstrato e sua família inteira ao batismo; curou os dois filhos doentes de Cláudio, o comandante, e trouxe ele e sua família ao batismo; curou Tranquilino, pai de Marcos e Marcelino, de gota e dores nas pernas que o atormentavam havia onze anos, e levou-o ao batismo com toda a sua casa; curou o Eparca romano Cromácio da mesma doença e trouxe ele e seu filho Tibúrcio ao batismo. O primeiro deles a sofrer foi Santa Zoé, capturada junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, onde orava a Deus. Depois de a torturarem, lançaram-na no Rio Tibre. Em seguida prenderam Tibúrcio, e o juiz pôs carvões em brasa diante dele, dizendo-lhe que escolhesse entre a vida e a morte, isto é, atirar incenso sobre os carvões e incensar os ídolos ou permanecer descalço sobre os carvões quentes. São Tibúrcio fez o sinal da Cruz, pisou descalço sobre os carvões incandescentes e permaneceu ileso. Depois disso, foi degolado. Nicóstrato foi morto com uma estaca, Tranquilino foi afogado, e Marcos e Marcelino foram torturados e trespassados por lanças. Então Sebastião foi trazido perante o Imperador Diocleciano. O imperador censurou-lhe por sua traição, mas Sebastião disse: "Eu sempre orei ao meu Cristo pela tua saúde e pela paz do Império Romano". O imperador ordenou que ele fosse despido de suas vestes e cravejado de flechas. Os soldados o alvejaram com flechas, até o mártir ficar tão completamente coberto de flechas que o seu corpo não podia mais ser visto por causa delas. Quando todos pensaram que ele estava morto, apareceu vivo e plenamente são. Então os pagãos o mataram com cajados. Padeceu gloriosamente pelo Cristo seu Senhor e tomou posse de sua morada no Reino de Cristo no ano de 287, no tempo de Diocleciano, o imperador, e Gaio, o Bispo de Roma.

Hino de Louvor
O santo Sebastião foi coberto de flechas –
Com um saco de flechas seu corpo foi vestido.
Mas por baixo das flechas, sua alma estava intacta;
Seu coração se elevava até os céus em oração.
Sebastião suportou sofrimento pelo Cristo.
Que são reinos poderosos, que são grandes riquezas,
Comparados a essa honra, comparados a essa iluminação –
Ser cravejado de flechas por amor ao Deus Vivo?
O maravilhoso Sebastião desejou isso:
Ser crucificado pelo Salvador crucificado,
Confirmar a verdade pelo sofrimento e pelo sangue,
Testemunhar a Fé perante o céu e a terra.
O Senhor Onividente, que vê toda a criação,
Mediu e contou cada gota de sangue,
E recompensou Sebastião no Reino Eterno,
Banhando-o de bênçãos sem medida.
Ó Mártir gloriosíssimo, que sofreste pelo Cristo,
E por meio de teu sofrimento ampliaste a Igreja:
Ora a Deus pela Igreja na terra,
Para que ela se torne cada vez mais bela e ainda maior.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Santo Profeta, Daniel, e os três três Santos Jovens: Ananias, Azarias e Misael (+séc.VI a.C.) -- 17/30 dez

Todos os quatro eram da tribo real de Judá. Quando Nabucodonosor destruiu e saqueou Jerusalém, Daniel, ainda menino, foi levado como escravo junto com o rei judeu Joaquim e inúmeros outros israelitas. Um relato detalhado de sua vida, sofrimentos e profecias pode ser encontrado em seu livro.

Completamente devotado a Deus, São Daniel desde o início de sua juventude recebeu de Deus o dom de grande discernimento. Sua fama entre os judeus na Babilônia começou quando denunciou dois anciões devassos e iníquos, juízes judeus, e salvou a casta Susana de uma morte injusta. Mas sua fama entre os babilônios começou no dia em que decifrou e interpretou o sonho do Rei Nabucodonosor. Por isso, o rei fez dele um príncipe em sua corte. Quando o rei fez um ídolo de ouro na planície de Dura, as Três Crianças se recusam a adorá-lo, e por isso foram lançados à uma fornalha ardente. Mas um anjo de Deus apareceu na fornalha e resfriou o fogo, de modo que as crianças caminhavam pela fornalha intocadas pelo fogo, cantando: Bendito és Tu, ó Senhor Deus de nossos Pais! (Daniel 3 - Oração de Azarias e Hino dos Três, 2) O rei viu esse milagre e se assombrou. Trouxe então as crianças para fora da fornalha e concedeu-lhes grandes honrarias.

No tempo do Rei Baltasar, estando o rei e seus convidados comendo e bebendo num banquete com vasos consagrados retirados do Templo de Jerusalém, uma mão invisível escreveu três palavras na parede: Mane, Tekel, Fares (Daniel 5:25-28). Ninguém foi capaz de interpretar essas palavras, exceto Daniel. Naquela noite, o Rei Baltasar foi assassinado. Daniel foi lançado duas vezes na cova dos leões por causa de sua fé no Deus Uno e Vivo, e em ambas as vezes o Senhor o salvou e ele permaneceu vivo. Daniel viu Deus num trono com as hostes celestiais; viu anjos; discerniu o futuro de certas pessoas, de reinos e de toda a raça humana; e profetizou o tempo da vinda do Salvador à terra. Segundo São Cirilo de Alexandria, Daniel e as três crianças viveram até a velhice na Babilônia e foram decapitados pela verdadeira Fé. Quando decapitaram Ananias, Azarias estendeu seu manto e recolheu a sua cabeça; depois disso, Misael recolheu a cabeça de Azarias e Daniel recolheu a cabeça de Misael. Um anjo de Deus trasladou seus corpos até a Judéia, ao Monte Gebal, e os depositou sob uma rocha. Segundo a Tradição, esses quatro servos de Deus ressuscitaram no momento da morte do Cristo Senhor, apareceram a muitos e adormeceram novamente. Daniel é contado entre os quatro Grandes Profetas (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel). Ele viveu e profetizou quinhentos anos antes de Cristo.

Hino de Louvor
Todo o que teme o verdadeiro Deus
Não tem medo de homens, nem de demônios.
O Senhor recompensa os servos fiéis
E os guarda de todo mal.
Entre os leões,
O santo Daniel permaneceu incólume;
Na fornalha ardente,
As Três Crianças permaneceram vivas;
No meio do fogo, glorificaram a Deus,
Com um anjo, um mensageiro de Deus.
Como Noé no mundo mau,
Como o santo Ló na bestial Sodoma,
E como José no Egito decadente,
Assim Daniel no meio de Babilônia
Permaneceu fiel e justo
Com três de seus jovens amigos:
Ananias e Azarias
E o fiel jovem Misael.
As torturas vieram e as torturas passaram.
Os martirizados foram gloriosamente glorificadosNo Reino Imortal do Cristo.

Reflexão
A pureza corporal é primeiramente adquirida pelo jejum, e pela pureza corporal a pureza espiritual é também alcançada. A abstinência de alimento, de acordo com as palavras daquele filho da graça, Santo Efrém, o Sírio, significa: "Não desejar nem pedir comidas variadas, quer doces, quer caras; não comer nada fora do horário determinado; não sucumbir ao espírito da gula; não excitar a fome em si mesmo observando uma comida boa; e não desejar num momento um tipo de comida e noutro momento outro tipo de comida." Grande é a falácia de que o jejum e a alimentação de quaresma prejudicam a saúde do corpo. É fato notório que os ascetas viviam o máximo e eram os menos propensos a doenças. São Daniel e as Três Crianças na Babilônia nos oferecem um exemplo disso. Quando o rei ordenou o eunuco que alimentasse esses jovens com a comida da mesa real e que lhes desse bom vinho para beber, Daniel disse ao eunuco que não desejavam aceitar a comida e o vinho reais, mas queriam apenas hortaliças para comer (pois Daniel não queria comer o alimento aspergido com o sangue dos sacrifícios idólatras). O eunuco, temendo que os jovens enfraquecessem com os alimentos de jejum, relatou seu temor a Daniel. Então o profeta sugeriu que fizesse um teste e se convencesse de que a alimentação de jeum não os debilitaria: alimentasse os outros jovens da corte real com a comida da mesa do rei e alimentasse a eles quatro apenas com legumes, pelo decurso de dez dias, e depois fizesse uma comparação. O eunuco ouviu Daniel e fez o que ele sugeriu. Depois de dez dias, as faces dos quatro jovens ascetas eram mais radiantes e seus corpos mais fortes do que os corpos dos jovens babilônios que haviam comido e bebido da mesa do rei

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Romênia
autor: Ovidiu Man

"Sobre Moisés"

E Moisés era um varão muito manso, mais que todos os homens que havia sobre a terra (Números 12:3).

Um homem eleito, um grande taumaturgo, um tipo do Senhor Jesus Cristo em seus milagres, um vitorioso no Egito, um vitorioso no deserto, o líder de um povo – como poderia não ser orgulhoso? Mas caso tivesse se tornado orgulhoso, Moisés não teria sido tudo o que foi. Tornam-se orgulhosos os que pensam que fazem suas próprias obras e não as de Deus neste mundo, e os que pensam operar pelo seu próprio poder e não pelo poder de Deus. Mas o grande Moisés sabia que era executor das obras de Deus e o poder com o qual ele as operava era o poder de Deus e não o seu. É por isso que ele não se ensoberbeceu pelos assombrosos milagres que operava, nem pelas grandes vitórias que obtinha, e nem pelas sábias leis que dava ao povo. O Senhor é minha fortaleza e meu louvor (Êxodo 15:2), disse Moisés. Da assembléia inteira dos israelitas no deserto, nenhum sentia sua própria fraqueza particular tanto quanto ele, o maior daquela assembléia. Em cada tarefa, em cada lugar e a cada momento, ele esperava auxílio de Deus somente. "Que devo fazer?", clamava ele a Deus, e incessantemente ouvia a resposta de Deus e buscava o poder de Deus. "Mais manso do que todos os homens da terra". Pois todos os outros se consideravam alguma coisa, confiavam ser alguma coisa, mas ele nada. Ele era completamente absorto em Deus, completamente humildado perante Deus. Se o povo precisasse de alimento ou bebida, ele se voltava para Deus; se fosse necessário mover batalha contra os inimigos, ele erguia suas mãos aos céus; se fosse necessário acalmar uma rebelião entre o povo, ele clamava a Deus. O manso, o todo-manso Moisés! E Deus recompensou Seu fiel servo com grande glória e o fez digno de aparecer sobre o Monte Tabor com Elias ao lado do Senhor Salvador.

Ó Senhor, Deus dos mansos, Bom Pastor, torna-nos também mansos como Moisés e os Apóstolos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Ageu, um dos Doze Santos Profetas Menores (+séc.Va.J.C) - 16/29 dez

Ageu nasceu na Babilônia, na época do cativeiro de Israel. Era da tribo de Levi e profetizou por volta de 470 a.C. Ainda jovem visitou Jerusalém. Incitou Zorobabel e Jesus, o sacerdote, a restaurarem o Templo do Senhor em Jerusalém, profetizando para esse Templo glória maior do que a do antigo Templo de Salomão: Porque grande será a glória desta casa, a última superior à primeira, diz o Senhor Onipotente (Ageu 2:9), pois que o Senhor e Salvador haveria de aparecer nesse novo Templo. Viveu o bastante para ver uma parte do Templo construída por Zorobabel. Morreu na velhice, juntando-se a seus ancestrais.

domingo, 28 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Basílica de São Basílio, Moscou, Rússia
autor: Mariusz Broszkiewicz

"Sobre José"

E tendo [José] deixado suas vestes nas mãos dela, fugiu e foi embora (Gênesis 39: 12).

O inocente e casto José suportou duas grandes e difíceis tentações e as venceu: a tentação da inveja maligna por parte de seus irmãos de sangue e a tentação da paixão adulterina da tentadora egípcia. O ciúme o vendeu como escravo e a paixão do adultério levou o inocente à prisão. Em ambos os casos ele pagou o mal com o bem: ele deu alimento a seus irmãos famintos e preservou a vida, o trono e o povo do Faraó atemorizado. Seus irmãos pensaram em matá-lo, mas Deus o salvou; a mulher adúltera pensou em destruí-lo, mas Deus o salvou. Da escravidão e do encarceramento, Deus o coroou de glória e de autoridade ilimitada. E aquele a quem seus irmãos maldosos poderiam ter matado com um só golpe e a quem a poderosa mulher de Putifar poderia ter esmagado num instante, Deus o fez senhor ilimitado das vidas de milhões de pessoas e o único provedor de seus irmãos famélicos. Assim é a admirável misericórdia de Deus para com o justo. Assim sabe o Senhor como salvar e glorificar os inocentes e os castos. Na grandeza do destino de José, vemos a grandeza da misericórdia de Deus. Há um olho que nunca dorme, meus irmãos. Apeguemo-nos a Deus e não temamos ninguém. Sejamos inocentes e castos e não temamos o mal, nem a calúnia, nem a prisão, nem o ridículo e nem o infortúnio. Pelo contrário, rejubilemo-nos quando nos sobrevier tudo isso por causa de nossa inocência e castidade; rejubilemo-nos e aguardemos com fé a revelação das maravilhas de Deus para conosco. Que em toda tempestade aguardemos o trovão da justiça de Deus -- e depois a bonança.

Ó Senhor misterioso, que secreta mas vigilantemente acompanhas o justo na escravidão e na prisão, e manifestas a Tua misericórdia em Teu próprio tempo, ajuda-nos a sermos inocentes e castos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Sto. Pont. e Márt., Eleutério, Bp. de Ilírico, e sua mãe, Sta. Márt. Anthia, e seus comp., Pont. e Márt., Coremonus e dois carrascos que sofreram com

De uma boa árvore, vêm bons frutos. Esse santo maravilhoso teve pais nobres e muito eminentes. Eleutério nasceu em Roma, onde seu pai era procônsul imperial. Sua mãe Ântia ouviu o Evangelho do grande Apóstolo Paulo e foi por ele batizada. Tendo enviuvado cedo, confiou seu único filho ao estudo e ao serviço sob os cuidados de Aniceto, Bispo de Roma. Vendo como Eleutério era bem-dotado por Deus e iluminado pela graça de Deus, o Bispo o ordenou diácono aos quinze anos de idade, presbítero aos dezoito e bispo aos vinte. A sabedoria dada por Deus a Eleutério compensava aquilo que lhe faltava em idade, e esse eleito de Deus foi designado Bispo da Ilíria, com sé em Valona (Avlona), na Albânia. O bom pastor guardava bem seu rebanho e aumentava seu número a cada dia. O Imperador Adriano, um perseguidor dos cristãos, enviou o comandante Félix com seus soldados para capturar Eleutério e trazê-lo a Roma. Quando o encolerizado Félix chegou a Valona e entrou na igreja, viu e ouviu o santo hierarca de Deus; de repente, seu coração mudou e ele se tornou cristão. Eleutério batizou Félix e partiu para Roma com ele, regressando com alegria, como se fosse a uma festa e não a juízo e tortura. O imperador submeteu o nobre Eleutério a severa tortura: foi açoitado, assado num leito de ferro, cozido em piche e queimado numa fornalha em chamas. Mas Eleutério foi liberto de todas essas torturas mortais pelo poder de Deus. Ao ver tudo isso, Caribo, o eparca romano, declarou que também ele era cristão. Caribo foi torturado e depois degolado, tal como o Beato Félix. Por fim, os carrascos imperiais cortaram a honorável cabeça de Santo Eleutério. Quando sua mãe, a santa Ântia, veio e inspecionou o corpo morto de seu filho, também ela foi degolada. Seus corpos foram trasladados a Valona, onde até hoje Santo Eleutério glorifica o Nome de Cristo por meio de seus muitos milagres. Padeceu durante o reinado de Adriano, no ano de 120.

Hino de Louvor
Eleutério, santo de Deus,
Não escondeste dos homens a Verdade de Deus,
Mas com a Verdade de Deus iluminaste os homens
E ofereceste a salvação a cada um e a todos.
Que a Igreja de Deus rejubile;
Que toda a Ilíria rejubile.
Eis que Deus lhe enviou um homem maravilhoso:
Eleutério, um verdadeiro santo.
Seu próprio nome quer dizer "liberdade":
Eleutério traz a liberdade,
A verdadeira liberdade da escravidão do pecado.
A verdadeira liberdade não existe sem o Cristo.
Que a cidade de Valona rejubile também.
Nela repousam as relíquias do santo:
Relíquias milagrosas que curam os doentes,
Chama da qual fogem os demônios.
Bendita é a mãe que dá à luz um santo.
Santa Ântia, três vezes bendita,
Agora é consolada nos jardins do Paraíso,
E fixa os olhos em seu filho, Eleutério.
Ó Eleutério, ora por nós,
Para de que o Deus gracioso tenha piedade também de nós.

sábado, 27 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Montenegro
autor: Hadzi Miodrag Miladinovic

"Sobre Jacó"

Pois vi Deus face a face, e minha alma foi salva (Gênesis 32:30).

O Deus de Abraão e Isaac é também o Deus de Jacó, o obediente, o misericordioso e o manso. O manso contemplador de Deus, Jacó, pode ser chamado "aquele que viu Deus". Pois em verdade ele era manso, viu Deus e falou com Deus, e viu os anjos de Deus e a escada que leva da terra aos céus. Por sua mansidão derrotou Labão, seu sogro, e Esaú, seu irmão; por sua mansidão promoveu a paz entre suas mulheres, Lia e Raquel; por sua mansidão foi querido até ao Faraó. A mansidão de Jacó é uma prefiguração da mansidão do Cristo. Bem-aventurados os mansos, diz o Senhor, porque eles herdarão a terra (Mateus 5:5). Essas palavras também se cumpriram em Jacó. Ele herdou a terra de seus pais; seus descendentes foram libertos do Egito e herdaram a Terra Prometida; por meio do Cristo Senhor, seu descendente segundo a carne, ele herdou a terra inteira, isto é, a Igreja de Deus que se espalhou pelo mundo inteiro. Vi Deus face a face. Jacó viu Deus na forma de homem, mas não como um verdadeiro homem. E mesmo essa visão foi apenas uma prefiguração da verdadeira Encarnação de Deus como homem. E minha alma foi salva. Sua alma foi salva do medo e de toda iniqüidade. Se Jacó foi salvo por contemplar uma mera visão de Deus, quão mais fácil a salvação é para nós, que conhecemos Deus como verdadeiro homem e como Deus-homem.

Ó manso Senhor, força e glória do manso: assim como salvaste Jacó pela Tua visão, salva também a nós pelo Teu verdadeiro Corpo e Teu verdadeiro Sangue.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.