“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"Sobre Moisés"

E Moisés era um varão muito manso, mais que todos os homens que havia sobre a terra (Números 12:3).

Um homem eleito, um grande taumaturgo, um tipo do Senhor Jesus Cristo em seus milagres, um vitorioso no Egito, um vitorioso no deserto, o líder de um povo – como poderia não ser orgulhoso? Mas caso tivesse se tornado orgulhoso, Moisés não teria sido tudo o que foi. Tornam-se orgulhosos os que pensam que fazem suas próprias obras e não as de Deus neste mundo, e os que pensam operar pelo seu próprio poder e não pelo poder de Deus. Mas o grande Moisés sabia que era executor das obras de Deus e o poder com o qual ele as operava era o poder de Deus e não o seu. É por isso que ele não se ensoberbeceu pelos assombrosos milagres que operava, nem pelas grandes vitórias que obtinha, e nem pelas sábias leis que dava ao povo. O Senhor é minha fortaleza e meu louvor (Êxodo 15:2), disse Moisés. Da assembléia inteira dos israelitas no deserto, nenhum sentia sua própria fraqueza particular tanto quanto ele, o maior daquela assembléia. Em cada tarefa, em cada lugar e a cada momento, ele esperava auxílio de Deus somente. "Que devo fazer?", clamava ele a Deus, e incessantemente ouvia a resposta de Deus e buscava o poder de Deus. "Mais manso do que todos os homens da terra". Pois todos os outros se consideravam alguma coisa, confiavam ser alguma coisa, mas ele nada. Ele era completamente absorto em Deus, completamente humildado perante Deus. Se o povo precisasse de alimento ou bebida, ele se voltava para Deus; se fosse necessário mover batalha contra os inimigos, ele erguia suas mãos aos céus; se fosse necessário acalmar uma rebelião entre o povo, ele clamava a Deus. O manso, o todo-manso Moisés! E Deus recompensou Seu fiel servo com grande glória e o fez digno de aparecer sobre o Monte Tabor com Elias ao lado do Senhor Salvador.

Ó Senhor, Deus dos mansos, Bom Pastor, torna-nos também mansos como Moisés e os Apóstolos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Ageu, um dos Doze Santos Profetas Menores (+séc.Va.J.C) - 16/29 dez

Ageu nasceu na Babilônia, na época do cativeiro de Israel. Era da tribo de Levi e profetizou por volta de 470 a.C. Ainda jovem visitou Jerusalém. Incitou Zorobabel e Jesus, o sacerdote, a restaurarem o Templo do Senhor em Jerusalém, profetizando para esse Templo glória maior do que a do antigo Templo de Salomão: Porque grande será a glória desta casa, a última superior à primeira, diz o Senhor Onipotente (Ageu 2:9), pois que o Senhor e Salvador haveria de aparecer nesse novo Templo. Viveu o bastante para ver uma parte do Templo construída por Zorobabel. Morreu na velhice, juntando-se a seus ancestrais.

domingo, 28 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Basílica de São Basílio, Moscou, Rússia
autor: Mariusz Broszkiewicz

"Sobre José"

E tendo [José] deixado suas vestes nas mãos dela, fugiu e foi embora (Gênesis 39: 12).

O inocente e casto José suportou duas grandes e difíceis tentações e as venceu: a tentação da inveja maligna por parte de seus irmãos de sangue e a tentação da paixão adulterina da tentadora egípcia. O ciúme o vendeu como escravo e a paixão do adultério levou o inocente à prisão. Em ambos os casos ele pagou o mal com o bem: ele deu alimento a seus irmãos famintos e preservou a vida, o trono e o povo do Faraó atemorizado. Seus irmãos pensaram em matá-lo, mas Deus o salvou; a mulher adúltera pensou em destruí-lo, mas Deus o salvou. Da escravidão e do encarceramento, Deus o coroou de glória e de autoridade ilimitada. E aquele a quem seus irmãos maldosos poderiam ter matado com um só golpe e a quem a poderosa mulher de Putifar poderia ter esmagado num instante, Deus o fez senhor ilimitado das vidas de milhões de pessoas e o único provedor de seus irmãos famélicos. Assim é a admirável misericórdia de Deus para com o justo. Assim sabe o Senhor como salvar e glorificar os inocentes e os castos. Na grandeza do destino de José, vemos a grandeza da misericórdia de Deus. Há um olho que nunca dorme, meus irmãos. Apeguemo-nos a Deus e não temamos ninguém. Sejamos inocentes e castos e não temamos o mal, nem a calúnia, nem a prisão, nem o ridículo e nem o infortúnio. Pelo contrário, rejubilemo-nos quando nos sobrevier tudo isso por causa de nossa inocência e castidade; rejubilemo-nos e aguardemos com fé a revelação das maravilhas de Deus para conosco. Que em toda tempestade aguardemos o trovão da justiça de Deus -- e depois a bonança.

Ó Senhor misterioso, que secreta mas vigilantemente acompanhas o justo na escravidão e na prisão, e manifestas a Tua misericórdia em Teu próprio tempo, ajuda-nos a sermos inocentes e castos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Sto. Pont. e Márt., Eleutério, Bp. de Ilírico, e sua mãe, Sta. Márt. Anthia, e seus comp., Pont. e Márt., Coremonus e dois carrascos que sofreram com

De uma boa árvore, vêm bons frutos. Esse santo maravilhoso teve pais nobres e muito eminentes. Eleutério nasceu em Roma, onde seu pai era procônsul imperial. Sua mãe Ântia ouviu o Evangelho do grande Apóstolo Paulo e foi por ele batizada. Tendo enviuvado cedo, confiou seu único filho ao estudo e ao serviço sob os cuidados de Aniceto, Bispo de Roma. Vendo como Eleutério era bem-dotado por Deus e iluminado pela graça de Deus, o Bispo o ordenou diácono aos quinze anos de idade, presbítero aos dezoito e bispo aos vinte. A sabedoria dada por Deus a Eleutério compensava aquilo que lhe faltava em idade, e esse eleito de Deus foi designado Bispo da Ilíria, com sé em Valona (Avlona), na Albânia. O bom pastor guardava bem seu rebanho e aumentava seu número a cada dia. O Imperador Adriano, um perseguidor dos cristãos, enviou o comandante Félix com seus soldados para capturar Eleutério e trazê-lo a Roma. Quando o encolerizado Félix chegou a Valona e entrou na igreja, viu e ouviu o santo hierarca de Deus; de repente, seu coração mudou e ele se tornou cristão. Eleutério batizou Félix e partiu para Roma com ele, regressando com alegria, como se fosse a uma festa e não a juízo e tortura. O imperador submeteu o nobre Eleutério a severa tortura: foi açoitado, assado num leito de ferro, cozido em piche e queimado numa fornalha em chamas. Mas Eleutério foi liberto de todas essas torturas mortais pelo poder de Deus. Ao ver tudo isso, Caribo, o eparca romano, declarou que também ele era cristão. Caribo foi torturado e depois degolado, tal como o Beato Félix. Por fim, os carrascos imperiais cortaram a honorável cabeça de Santo Eleutério. Quando sua mãe, a santa Ântia, veio e inspecionou o corpo morto de seu filho, também ela foi degolada. Seus corpos foram trasladados a Valona, onde até hoje Santo Eleutério glorifica o Nome de Cristo por meio de seus muitos milagres. Padeceu durante o reinado de Adriano, no ano de 120.

Hino de Louvor
Eleutério, santo de Deus,
Não escondeste dos homens a Verdade de Deus,
Mas com a Verdade de Deus iluminaste os homens
E ofereceste a salvação a cada um e a todos.
Que a Igreja de Deus rejubile;
Que toda a Ilíria rejubile.
Eis que Deus lhe enviou um homem maravilhoso:
Eleutério, um verdadeiro santo.
Seu próprio nome quer dizer "liberdade":
Eleutério traz a liberdade,
A verdadeira liberdade da escravidão do pecado.
A verdadeira liberdade não existe sem o Cristo.
Que a cidade de Valona rejubile também.
Nela repousam as relíquias do santo:
Relíquias milagrosas que curam os doentes,
Chama da qual fogem os demônios.
Bendita é a mãe que dá à luz um santo.
Santa Ântia, três vezes bendita,
Agora é consolada nos jardins do Paraíso,
E fixa os olhos em seu filho, Eleutério.
Ó Eleutério, ora por nós,
Para de que o Deus gracioso tenha piedade também de nós.

sábado, 27 de dezembro de 2008

OrtoFoto

Montenegro
autor: Hadzi Miodrag Miladinovic

"Sobre Jacó"

Pois vi Deus face a face, e minha alma foi salva (Gênesis 32:30).

O Deus de Abraão e Isaac é também o Deus de Jacó, o obediente, o misericordioso e o manso. O manso contemplador de Deus, Jacó, pode ser chamado "aquele que viu Deus". Pois em verdade ele era manso, viu Deus e falou com Deus, e viu os anjos de Deus e a escada que leva da terra aos céus. Por sua mansidão derrotou Labão, seu sogro, e Esaú, seu irmão; por sua mansidão promoveu a paz entre suas mulheres, Lia e Raquel; por sua mansidão foi querido até ao Faraó. A mansidão de Jacó é uma prefiguração da mansidão do Cristo. Bem-aventurados os mansos, diz o Senhor, porque eles herdarão a terra (Mateus 5:5). Essas palavras também se cumpriram em Jacó. Ele herdou a terra de seus pais; seus descendentes foram libertos do Egito e herdaram a Terra Prometida; por meio do Cristo Senhor, seu descendente segundo a carne, ele herdou a terra inteira, isto é, a Igreja de Deus que se espalhou pelo mundo inteiro. Vi Deus face a face. Jacó viu Deus na forma de homem, mas não como um verdadeiro homem. E mesmo essa visão foi apenas uma prefiguração da verdadeira Encarnação de Deus como homem. E minha alma foi salva. Sua alma foi salva do medo e de toda iniqüidade. Se Jacó foi salvo por contemplar uma mera visão de Deus, quão mais fácil a salvação é para nós, que conhecemos Deus como verdadeiro homem e como Deus-homem.

Ó manso Senhor, força e glória do manso: assim como salvaste Jacó pela Tua visão, salva também a nós pelo Teu verdadeiro Corpo e Teu verdadeiro Sangue.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santos Mártires, Tirso (Firso), Léucio (Lúcio), e Calínico, de Nicomédia (+c.250) - 14/27 dez

São Lêucio e São Tirso eram cidadãos honrados de Cesaréia da Bitínia, sendo o primeiro batizado e o segundo um catecúmeno cristão. Calínico, porém, era um sacerdote pagão. Quando o herdeiro do Imperador Décio, Cumbrício, começou a torturar e matar impiedosamente os cristãos, o destemido Lêucio compareceu perante ele e, censurando-lhe, disse: "Por que moves guerra contra a tua própria alma, Cumbrício?" O juiz enfurecido ordenou que ele fosse açoitado, torturado e ao fim degolado. O torturado Lêucio foi à sua degola tão exultante como se fosse a um casamento. Testemunhando a morte do corajoso Lêucio, o abençoado Tirso, inflamado com o mesmo zelo divino de Lêucio, compareceu também perante o juiz e reprovou os seus crimes malignos e sua descrença no Único Deus Verdadeiro. Ele também foi açoitado e lançado à prisão. A mão invisível de Deus curou suas chagas, abriu a porta da prisão e conduziu-o para fora. Tirso dirigiu-se imediatamente a Filéias, Bispo de Cesaréia, a fim de ser por ele batizado. Depois de seu batismo, foi novamente capturado e torturado, mas suportou as torturas, como se fizessem parte de um sonho e não da realidade. Pelo poder de sua oração, muito ídolos desabaram. O sacerdote pagão Calínico, vendo isso, converteu-se à fé cristã e tanto ele quanto Tirso foram condenados à morte. Calínico foi decapitado e Tirso posto num caixão de madeira que seria serrado ao meio. No entanto, o poder de Deus não permitiu isso e a serra foi incapaz de cortar a madeira. Então São Tirso levantou-se do caixão e orou a Deus, rendendo-Lhe graças pelas torturas, e entregou em paz a sua alma ao Senhor. No final do século IV, o Imperador Flaviano construiu uma igreja a São Tirso perto de Constantinopla e depositou ali suas relíquias. O santo apareceu numa visão à Imperatriz Pulquéria e aconselhou-a a sepultar as relíquias dos Quarenta Mártires ao lado das suas.

Hino de Louvor
Conhecestes a Fé, reconhecestes o Cristo,
Destes vossos corpos para salvardes vossas almas:
Por isso vossos nomes brilham nos céus
E um fogo inextinguível ilumina a Igreja.
Heróis imortais, orai por nós,
Para que as nuvens pecaminosas se afastem de nós.
Beato Lêucio e nobre Tirso,
Glorioso Calínico e digno Filêmon,
E os outros em ordem, que suportastes atrozes tormentos –
Agora sois cidadãos de um universo melhor.
Ó belos faróis, orai por nós;
Mártires de Deus, orai pela Igreja.
Conhecestes o amor, posse celestial,
A terra não o conheceu, nem sequer ao seu nome verdadeiro;
Vós o vistes inteiro no Filho de Deus,
No sinal da Crucifixão e em Seu semblante ensangüentado.
Agora estais próximos de Deus e contemplais a Sua Face.Cobris nossos pecados pelas vossas orações

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

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Polônia
autor: Alicja Ignaciuk

"Sobre o Cristo, Cabeça de Todos os Santos"

Segundo o Seu beneplácito (...) de tornar a congregar em Cristo todas as coisas (...) tanto as que estão nos céus como as que estão na terra (Efésios 1:10)

O pecado causa pânico e confusão. Um homem mergulhado no pecado e no vício é como uma galinha com a cabeça amputada que, morrendo, debate-se compulsivamente e corre para a frente e para trás. Antes da Encarnação do Cristo, todo o mundo pagão era confuso, um corpo sem cabeça morrendo em convulsões. O Cristo juntou a cabeça amputada com o tronco obscurecido e trouxe o corpo da raça humana de volta à vida. Ele é, e sempre foi, a Cabeça do exército celeste. E, como Verbo criador de Deus, Ele foi desde o princípio a Cabeça de tudo o que foi criado no mundo visível, em especial da raça humana. Mas o pecado, como uma espada, separou o tronco pecador de Adão da sua Cabeça. Entretanto, o Senhor reconciliou o Céu e a terra em sua Encarnação, trazendo o Céu à terra, erguendo a terra ao Céu e firmando tudo isso sobre Sua Mente, sobre Sua Capitania. Pelo Cristo somos reconciliados com a Trindade Santa, com os anjos de Deus, uns com os outros, e com a natureza criada ao nosso redor. A Cabeça perdida foi encontrada e tudo foi disposto harmoniosamente abaixo dela. O Apóstolo diz: Nós temos a mente de Cristo (I Coríntios 2:16) Como a cabeça está para o homem físico, também a mente está para o homem espiritual interior. Portanto, se somos do Cristo, em todas as coisas temos que pensar e julgar de acordo com nossa Cabeça, Jesus Cristo, e com Ele somente. Pensando e julgando por Ele, perceber-nos-emos como órgãos de um só corpo que inclui outros homens e os anjos: um só corpo, cuja Cabeça é o Cristo. Dessa forma o nosso amor por Deus é aceso, a nossa fé é fortalecida e a nossa esperança é iluminada. Apenas um corpo dormente não sente ligação alguma com sua cabeça. Despertemos, meus irmãos, despertemos enquanto é tempo.

Ó Senhor Jesus Cristo, nossa Cabeça Onissapiente, una-nos Contigo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

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Rússia
autor: Егор Иванов

"Sobre a vontade de Deus de que todos os cristãos sejam santos"

Como também nos elegeu Nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante Dele em caridade (Efésios 1:4)

Somente a Igreja ensina e mostra que primeiro houve um plano para o mundo e depois o mundo foi criado. Esse plano estava na sabedoria, vontade e poder de Deus. E nós, cristãos, como a Igreja de Deus, estamos nesse plano. De acordo com esse plano, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo para a santidade, a justiça e o amor. Deus nos escolheu de antemão e nos adotou através Dele – através de quem? Através do Senhor Jesus Cristo. Pois tudo o que somos para Deus, o somos para Ele através de Jesus Cristo. O homem não tem outra ligação, outro relacionamento ou outro parentesco com Deus além de Jesus Cristo, e assim a nossa escolha e adoção foram através do Senhor Jesus Cristo. Ele escolheu a nós, Sua Santa Igreja, segundo o beneplácito de sua vontade (Efésios 1:5), assim como havia outrora escolhido Israel dentre todas as nações da terra. Que ninguém diga que essa escolha de Deus destrói o livre arbítrio do homem, de modo que nem um cristão tem mérito por ser cristão e nem um pagão é condenado por ser pagão. Não; essa é uma interpretação totalmente errônea. Pois outrora Deus também escolheu Israel e alguns em Israel pereceram, enquanto outros foram salvos. Ele também escolheu Sua Santa Igreja, chamando a ela todas as nações e povos. Mas a salvação daqueles dentre os escolhidos não depende somente da escolha de Deus, mas também da vontade e esforço do homem.

Ó Deus eterno, nosso criador, que nos escolheste para a salvação antes mesmo de nos teres criado, tem misericórdia de nós e salva-nos!

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém