“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

"Sobre a ausência de mal nas obras de Deus"

E viu Deus que isso era bom (Gênesis 1).

Irmãos, a primeira revelação sobre este mundo que as Sagradas Escrituras nos comunicam é que este mundo proveio do bem e não do mal, de Deus e não de algum poder contrário a Deus, e não de alguma mistura primordial imaginária de bem e de mal. A segunda revelação, irmãos, sobre este mundo é que tudo o que o bom Deus criou é bom. A luz é boa, o firmamento do céu é bom, a terra é boa, o mar é bom, a relva, a vegetação e as árvores frutíferas são boas, os luminares celestes – o sol, a lua e as estrelas -- são bons, as criaturas vivas na água e os pássaros do ar são bons, todos os seres vivos conforme suas espécies são bons, o gado, os animaizinhos e as feras da terra são bons. E finalmente, o homem – o senhor, sob a suserania de Deus, de todas as coisas criadas – também é bom. E viu Deus que isso era bom. O avaliador do valor deste mundo não é e não pode ser alguém que veja este mundo superficial e parcialmente, mas apenas Aquele que vê toda a criação por inteiro e cada parte individualmente, Aquele que conheceu o seu número, nome, composição e essência incomparavelmente melhor do que todos os homens da Terra. E viu Deus que isso era muito bom (Gênesis 1:31). Mas, não obstante, homens há que caluniaram a obra de Deus, dizendo que este mundo é mau em sua essência, que cada criação individual é má, e que a matéria, da qual todos os seres terrenos são formados, é má. Todavia, o mal se encontra no pecado, e o pecado vem do espírito maligno; portanto, o mal habita no espírito do mal e não na matéria. Esse espírito, decaído perante Deus, é o semeador do mal no mundo, do qual vem o joio no trigo de Deus. O espírito do mal se empenha em usar tanto o espírito humano quanto as coisas materiais em geral como as suas armas do mal. Também é ele que inculca na mente humana o pensamento de que todo o mundo criado é mal e que a matéria, da qual a criação foi formada, é fundamentalmente maligna. Ele calunia as obras de Deus para ocultar as suas próprias obras; acusa Deus para não ser acusado. Ó meus irmãos, guardemo-nos da astúcia do espírito maligno. Guardemo-nos, em particular, dos maus pensamentos que ele semeia em nossas mentes.

Ó Senhor Jesus Cristo, nosso verdadeiro Iluminador e Salvador; em Tuas mãos entregamos nossas mentes e nossos corações. Ilumina-nos com Tua luz verdadeira.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

São Igúmeno e Míst., Savas, o Consagrado, da Palestina, Doutor da Vida Monástica (+ 532) - 05/18 dez

A desconhecida aldeia de Mutalasca, na província de Capadócia, tornou-se famosa por meio desse grande luminar da Igreja Ortodoxa. Sabas nasceu ali, de seus pais João e Sofia. Aos oito anos deixou a casa de seus pais e foi tonsurado monge numa comunidade monástica próxima, dedicada a Flaviano. Dez anos depois, transferiu-se para os mosteiros da Palestina e permaneceu por mais tempo no Mosteiro de Santo Eutímio, o Grande (20 de janeiro), e Teoctisto. O clarividente Eutímio profetizou que Sabas viria a ser um monge famoso e mestre de monges e que haveria de fundar uma laura [Nota do tradutor: laura é uma comunidade monástica de grande porte] maior do que todas as lauras daquela época. Após a morte de Eutímio, Sabas retirou-se para o deserto, onde viveu por cinco anos como eremita numa caverna que lhe foi indicada por um anjo de Deus. Posteriormente, ao tornar-se perfeito na vida monástica, ele começou a reunir ao seu redor, pela Providência divina, muitos que desejavam a vida espiritual. Em pouco tempo um número tão grande havia se reunido que Sabas teve que construir uma igreja e muitas celas. Alguns armênios também vieram a ele, e a estes ele providenciou uma caverna na qual poderiam celebrar os ofícios na língua armênia. Quando seu pai morreu, sua idosa mãe Sofia veio até ele e ele a tonsurou monja. Ele deu a ela uma cela localizada à distância de seu mosteiro, onde ela viveu uma vida de ascetismo até a morte. Esse Santo Padre suportou muitas investidas de todos os lados: dos que lhe eram próximos, dos hereges e dos demônios. Mas ele a todos sobrepujou: a seus próximos, através da amabilidade e da indulgência; aos hereges, por meio da inabalável confissão da Fé Ortodoxa; e aos demônios, pelo sinal da Cruz e pelo apelo à ajuda divina. Travou um combate particularmente grande contra os demônios no Monte Castélio, onde fundou seu segundo mosteiro. Sabas fundou sete mosteiros ao todo. Ele e Teodósio, o Grande, seu vizinho, são considerados as maiores luzes e pilares da Ortodoxia no Oriente. Admoestaram imperadores e patriarcas em matérias de Fé e a todos serviram de exemplo de humildade santa e do poder miraculoso de Deus. Após uma vida trabalhosa e muito frutífera, São Sabas repousou no ano de 532, aos noventa e quatro anos. Entre suas muitas obras boas e admiráveis, mencione-se ao menos que foi ele o primeiro a compilar a Ordem dos Ofícios para uso em mosteiros, agora conhecida como Típico de Jerusalém.

Hino de Louvor
O Venerável Sabas, príncipe dos monges,
Comandante espiritual dos heróis do Cristo,
Foi glorificado pelo jejum, pelas vigílias e mansidão,
Pela oração, pela fé e bendita misericórdia.
Ensinaste aos monges a não se preocuparem com o pão;
Confiaste-te aos Céus, com trabalho e oração.
Não buscastes a precedência, nem qualquer posição que fosse.
Rarissimamente provaste do azeite e do vinho.
Guardaste todos os ofícios, no tempo estabelecido.
"Que o ofício seja uma alegria e não um fardo pesado,"
Dizia São Sabas aos monges,
E o demonstrou a todos pelo seu exemplo.
Como um sábio jardineiro, cercou a sua horta,
E plantou com cuidado muitos jovens.
Os jovens cresceram e produziram fruto:
Um regimento de monges, para a glória de Sabas.
Quinze séculos se passaram,
E o jardim espiritual de Sabas ainda floresce:
Mil monges, cem mil,
Cresceram na comunidade de Sabas até hoje.
São Sabas, glorioso recluso,Ó servo de Deus, ora também por nós.

Reflexão
Um homem pode ser grande em alguma habilidade, como um estadista ou um líder militar, mas ninguém dentre os homens é maior do que o homem grande na fé, na esperança e no amor. Quão grande era São Sabas, o Santificado, na fé e na esperança em Deus é algo que se pode avaliar melhor pelo seguinte incidente: certo dia, o ecônomo do mosteiro veio a Sabas e informou-lhe que no sábado e no domingo seguintes ele não poderia tocar o semantro [Nota do tradutor: placa de madeira ou ferro suspensa, na qual se bate com um martelo, e usado no lugar dos sinos em certos mosteiros ortodoxos] , conforme a tradição, para convocar os irmãos para o ofício e a refeição comuns, porque não havia nem um vestígio sequer de farinha no mosteiro, e tampouco qualquer coisa que fosse para comer ou beber. Por essa mesma razão, nem a Divina Liturgia seria possível. O santo respondeu sem hesitação: "Não cancelarei a Divina Liturgia por falta de farinha; fiel é Aquele que nos ordenou que não nos preocupássemos com coisas corporais, e poderoso é Ele para nos alimentar em tempo de fome". E depositou toda a sua esperança em Deus. Nessa necessidade extrema, ele estava disposto a enviar alguns dos vasos ou paramentos eclesiásticos para serem vendidos na cidade, a fim de que nem os ofícios divinos e nem a refeição costumeira dos irmãos fossem suprimidas. Todavia, antes do sábado, alguns homens movidos pela Providência divina trouxeram trinta mulas carregadas de trigo, vinho e azeite ao mosteiro. "Que dizes agora, irmão?", perguntou Sabas ao ecônomo. "Não devemos tocar o semantro e reunir os padres?" O ecônomo se envergonhou de sua falta de fé e implorou o perdão ao abade. O biógrafo de Sabas descreve esse santo como "severo com os demônios, mas suave com os homens". Certa vez, alguns monges se rebelam contra São Sabas, e por isso foram expulsos do mosteiro por ordem do Patriarca Elias. Construíram eles mesmos umas cabanas às margens do rio Tecoa, onde suportaram a privação de tudo. Ao ouvir que passavam fome, São Sabas carregou mulas com farinha e as trouxe a eles pessoalmente. Vendo que não tinham igreja, construiu uma para eles. A princípio os monges o receberam com ódio, mas mais tarde responderam ao seu amor com amor e se arrependeram de suas anteriores más ações contra ele.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

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Eslováquia
autor: Marianna Šmigová

"Sobre como é bom tudo o que é de Deus"

E viu Deus que isso era bom (Gênesis 1:4, 10, 12, 18, 21, 25).

Irmãos, do bom Criador procedem apenas boas obras. Portanto, que se calem todos aqueles que dizem que tanto o bem como o mal provêm de Deus. Após cada ato Seu, o próprio Deus afirma que ele é bom. Seis vezes Ele repetiu que o que criara era bom, e finalmente, pela sétima vez, ao ver tudo em sua plenitude, pronunciou Seu juízo de que tudo o que havia criado era muito bom (Gênesis 1:31). Dessa forma, Ele repetiu ao todo sete vezes que tudo o que veio à existência pela Sua santa vontade era bom. Não é um grande espanto que algumas pessoas se levantem com a ímpia afirmação de que tanto o bem como o mal procedem igualmente de Deus? Deus, como que sabendo que tais calúnias seriam lançadas contra Ele – ou melhor dizendo, que tais calúnias seriam lançadas ao longo dos séculos – ofereceu de antemão a Sua defesa e repetiu-a sete vezes, para todos os tempos e para todas as gerações. O mal vem do pecado, e não há pecado em Deus. Portanto, Deus não pode fazer mal algum. Ele é chamado Onipotente porque é poderoso para fazer qualquer bem. Maldosos e confundidos são os comentaristas de Deus que alegam que Deus é "Onipotente" porque pode fazer tanto o bem quanto o mal. Deus é a fonte do bem e não é obscurecido por nada, e nada que seja contrário ao bem pode proceder Dele. É óbvio a qualquer homem normal que o mal é contrário ao bem. Sabei, irmãos, que aqueles que falam de dualidade de Deus, a Fonte eterna do bem, são aqueles em quem se encontra a dualidade do bem e do mal. No entanto, todos aqueles que amam o bem, seguem o caminho da bondade e anseiam pelo bem têm dentro de si uma revelação clara de que Deus é bom, e apenas bom.

Ó Deus nosso e Criador nosso, és o Criador de todo bem e todas as Tuas obras são boas.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santa Virgem Megalomártir, Bárbara, de Nicomédia e sua companheirta Juliana (+ 306) - 04/17 dez

Essa gloriosa seguidora de Cristo foi prometida a Cristo desde sua tenra infância. Seu pai, Dióscoro, era um pagão, renomado por sua posição e riqueza na cidade de Heliópolis, no Egito. Dióscoro encarcerou Bárbara, sua filha única, brilhante de mente e de belo porte, numa alta torre. Rodeou-lhe de todo conforto, deu-lhe servas, ergueu ídolos para o culto e construiu-lhe uma sala de banhos com duas janelas. Ao olhar pela janela para a terra abaixo e os céus estrelados acima, a mente de Bárbara foi aberta pela graça de Deus. Ela reconheceu o único Deus Verdadeiro, o Criador, apesar do fato de não ter um mestre humano para conduzi-la a esse conhecimento. Certa vez, enquanto seu pai estava fora da cidade, ela desceu da torre e, de acordo com a Providência de Deus, encontrou algumas mulheres cristãs que lhe revelaram a verdadeira Fé do Cristo. O coração de Bárbara ficou inflamado de amor pelo Cristo Senhor. Ordenou que uma terceira janela fosse aberta na sala de banhos, para que as três janelas representassem a Santa Trindade. Sobre uma parede ela traçou com seu dedo uma cruz, e a cruz gravou-se fundo na pedra, como se tivesse sido entalhada com um cinzel. Uma poça d'água brotou de suas pegadas no chão do banheiro, a qual mais tarde trouxe a muitos a cura de doenças. Ao saber da fé de sua filha, Dióscoro espancou-a severamente e retirou-a da torre. Ele a perseguiu com a intenção de matá-la, mas um penhasco se abriu e escondeu Bárbara de seu pai brutal. Quando ela reapareceu, seu pai a levou a Marciano, o magistrado, que a entregou à tortura. Eles despiram a inocente Bárbara e a açoitaram até que seu corpo ficasse coberto de sangue e chagas, mas o próprio Senhor aparece a ela na prisão com Seus Anjos e a curou. Uma certa mulher, Juliana, vendo tudo isso, desejou para si o martírio. Ambas foram severamente torturadas e conduzidas pela cidade em meio ao escárnio. Seus seios foram amputados e muito sangue verteu deles. Enfim, foram levadas ao local de execução, onde o próprio Dióscoro executou sua filha e Juliana foi morta pelos soldados. Naquele mesmo dia, raios atingiram a casa de Dióscoro, matando a ele e a Marciano. Santa Bárbara sofreu no ano de 306. Suas relíquias milagrosas repousam em Kiev. Glorificada no Reino de Cristo, apareceu em muitas ocasiões até em nossos próprios dias, às vezes sozinha e às vezes na companhia da Santíssima Deípara.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

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Romênia - Maramures
autor: Tomi Tohaneanu

"Sobre os dois mundos"

No princípio Deus criou o céu e a terra (Gn. 1:1).

Irmãos, tudo o que Deus deseja revelar aos homens é revelado e tudo o que Ele não deseja revelar permanece oculto. Moisés, o único a ver Deus, não pôde dizer mais nada acerca o céu além de que, no princípio, Deus o criou. Tendo dito isto, continuou a descrever em detalhes a criação da terra. Porque Moisés não fala detalhadamente sobre a criação do céu? Porque Deus não quis revelar-lhe mais nada, uma vez que os homens de seu tempo não eram nem maduros o suficiente e nem capazes de compreender assuntos celestiais além de seus sentidos. Apenas depois que muitos séculos se passaram e o Novo Testamento de Deus veio aos homens é que Deus revelou muito mais acerca do mundo celestial aos Seus fiéis e eleitos. Apenas os cristãos começaram a ver os céus abertos. São João, o Teólogo, dá testemunho disso: depois disso olhei, e eis que uma porta estava aberta no céu (Ap 4:1). Santo Estevão, o Protomártir, testemunha: eis que vejo os céus abertos (At 7:56). O Apóstolo Paulo, que foi arrebatado ao terceiro céu (...) e ouviu palavras inefáveis (II Cor 12:2,4) fala dos coros angélicos, dos Tronos, Dominações, Principados e Potestades, e diz: tudo foi criado por Ele e para Ele (Col 1:16). Seu discípulo, São Dionísio, descreve a hierarquia celeste com tão grande detalhes quanto Moisés descreve o mundo terreno em sua criação. Assim quis a insondável sabedoria de Deus: aquilo que Deus não quis revelar a Moisés, Ele revelou aos Apóstolos e seus seguidores. O que não podia ser dito a crianças é dito a homens maduros. A revelação dos mistérios veio através da maturidade espiritual.

Aqui está uma bela lição para todos nós. Sejamos diligentes na busca da Verdade, e ainda mais diligentes na purificação de nossos corações, pacientes na espera, e inabaláveis na Fé; e Deus nos dará tudo no tempo oportuno, da maneira e na medida necessária à nossa salvação.

Ó Senhor Sapientíssimo e Filantropo, que nos ensinas e nos conduz à salvação, sem pressa e sem atraso; a Ti, ó Gracioso, seja a glória e o louvor.

A Ti seja a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Sofonias, um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 03/16 dez

Sofonias era nativo do Monte Sarabata, da Tribo de Simeão. Viveu e profetizou no VII século a.C., no tempo de Josias, o piedoso rei de Judá. Sofonias era contemporâneo do Profeta Jeremias. Tendo grande humildade e uma mente pura elevada a Deus, foi julgado digno de discernir o futuro. Profetizou o dia da ira de Deus e do castigo de Gaza, Ascalon, Azoto, Acaron, Nínive, Jerusalém e Egito. Ele viu Jerusalém como uma cidade provocadora e redimida (...); seus príncipes estão no meio dela como leões rugidores; seus juízes, como os lobos da Arábia (...); seus profetas são levianos, homens escarnecedores; seus sacerdotes profanam as coisas santas e transgridem a Lei (Sofonias 3:1-4). Prevendo o advento do Messias, exclamou com entusiasmo: Rejubila, ó filha de Sião; exclama, ó filha de Jerusalém; alegra-te e deleita-te de todo o coração, ó filha de Jerusalém (Sofonias 3:14). Este vidente de mistérios repousou em sua terra natal, à espera da Ressurreição Geral e de sua recompensa de Deus.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

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Sérvia
autor: Aleksa Stojkovic

"Sobre as jubilosas revelações da primeira frase da Bíblia"

No princípio Deus criou o céu e a terra (Gn. 1:1).

Como é compacta e plena cada palavra de Deus! É como uma peça de tecido dobrada, que pode ser levada debaixo do braço e estendida sobre a grama por uma vasta área. Quantas, quantas coisas boas e inestimáveis nos revela esta palavra de Deus: No princípio, Deus criou o céu e a terra. Antes de tudo, isso nos mostra que Deus é o único Ser eterno e incriado. E essa primeira revelação suscita em nós a primeira inexprimível alegria. Neste redemoinho de mudanças e transitoriedade, somos inexprimivelmente felizes de que o nosso Criador esteja acima da mudança e da transitoriedade. Além disso, ela nos diz que o Deus uno, o único bom, é o Criador do mundo, e uma vez que Ele é o Criador, Ele também é o Todo-Poderoso e o Provedor. E essa segunda revelação suscita em nós uma segunda alegria inexprimível. O mundo não proveio do caos ou do acaso, sem pensamento ou propósito, mas proveio antes do Deus Onissapiente, Onisciente e Misericordiosíssimo, que está no controle dele e o está conduzindo ao seu objetivo desejado. Revela também a nós que este mundo teve um princípio, e conseqüentemente terá um fim. E essa terceira revelação suscita em nós uma alegria inexprimível. Seria triste se este mundo fosse eterno e se todos os seus objetivos, os imediatos e os distantes, houvessem de se encontrar apenas dentre dele próprio. Isto em verdade causaria uma confusão na mente do inteligente e tristeza no coração do justo. Por fim, ela nos assinala que Deus criou dois mundos, o celeste e o terrestre, ou o incorpóreo e o corpóreo. E essa quarta revelação suscita em nós uma quarta alegria inexprimível. Tal como nós agora erguemos o nosso olhar para as alturas e nos alegramos com o sol, a lua e as estrelas acima de nossas cabeças, assim também podemos erguer nosso espírito ao mundo espiritual, ao mundo angélico, o qual é semelhante a nós, mas mais puro e mais luminoso do que nós. Rejubilamo-nos, pois sabemos que há um mundo melhor do que o nosso, no qual também adentraremos e, como viajantes exaustos, voltaremos para casa e encontraremos repouso. Ó, quão triste perambularia o olhar do homem pelo mundo se este fosse o único mundo e não houvesses céus estrelados! E com quanto pesar perambularia o espírito do homem pelo mundo material, se não houvesse um mundo espiritual - o celeste!

Ó Senhor Graciosíssimo, a Ti a glória e o louvor.

A Ti somente sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Habacuc um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 02/15 dez

Habacuc era filho de Asafá, da Tribo de Simeão. Profetizou 600 anos antes de Cristo, ao tempo do Rei Manassés, e previu a destruição de Jerusalém. Quando Nabucodonosor, Rei da Babilônia, atacou Jerusalém, Habacuc buscou refúgio na terra dos ismaelitas. Dali retornou à Judéia, onde viveu como fazendeiro. Certo dia, enquanto levava almoço aos trabalhadores nos campos, um anjo do Senhor lhe apareceu subitamente e disse: Leva a Babilônia esse jantar que tens, para o dares a Daniel, que lá está no lago dos leões (Daniel 12 - Bel e o Dragão:34). Mas Habacuc respondeu: Senhor, eu nunca vi Babilônia, e não sei onde é o lago (Daniel 12 - Bel e o Dragão:35). O Anjo então o tomou pelos cabelos e o trouxe no mesmo instante a Babilônia, por uma distância imensa, até o lago dos leões, onde Daniel fora lançado pelo Rei Ciro, como punição por não ter adorado os ídolos. Daniel, Daniel, clamou Habacuc, toma o jantar que Deus te enviou (Daniel 12 - Bel e o Dragão:37), e Daniel tomou-o e comeu. Então o anjo de Deus novamente tomou Habacuc e o levou de volta para seu campo na Judéia. Habacuc também profetizou a libertação de Jerusalém e o tempo da vinda do Cristo. Ele repousou em idade muito avançada e foi sepultado em Quelá. Suas relíquias foram descobertas durante o reinado de Teodósio, o Grande.

domingo, 14 de dezembro de 2008

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Patriarca Alexis II - Memória Eterna
autor: Vladimir Kruglov