“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Santo Mártir Longino o Centurião, Testemunha da Crucifixão (+séc.I) - 16/29 out

O divino Mateus, o Evangelista, ao descrever a paixão do Senhor Jesus Cristo, diz: Quando o centurião e aqueles que estavam com ele, vendo Jesus, viram o terremoto e as coisas que aconteceram, tiveram grande medo, dizendo, Verdadeiramente este era o Filho de Deus (Mateus 27: 54). Esse centurião era o bem-aventurado Longino, que com outros dois soldados vieram a crer em Jesus, o Filho de Deus. Longino era o chefe dos soldados que testemunharam a Crucificação do Senhor no Gólgota e chefe dos vigias que guardaram o túmulo. Quando os anciãos judeus souberam da Ressurreição de Cristo, subornaram os soldados para difundir as falsas notícias de que Cristo não ressuscitara, mas que Seus discípulos roubaram o corpo. Os judeus também tentaram subornar Longino, mas ele não se deixou levar pelo suborno. Os judeus, portanto, fizeram uso de sua estratégia usual: decidiram matar Longino. Tomando conhecimento disso, Longino retirou seu cinto militar, foi batizado junto de dois companheiros seus por um apóstolo, partiu de Jerusalém secretamente e mudou-se para a Capadócia com seus companheiros. Lá, ele se devotou ao jejum e à oração; como uma viva testemunha da Ressurreição de Cristo, converteu, pelo seu testemunho, muitos pagãos à verdadeira Fé. Depois disso, retirou-se numa vila da propriedade de seu pai. Mesmo naquele lugar, a malícia dos judeus não o deixou em paz. Por causa das calúnias dos judeus, Pilatos despachou alguns soldados para decapitar Longino. São Longino pressentiu, em espírito, a aproximação dos executores e saiu para encontrá-los. Levou-os à sua casa, não lhes revelando quem era. Foi um bom anfitrião aos soldados e, em pouco tempo, eles caíram no sono. São Longino, no entanto, levantou-se para orar e orou a noite inteiro, preparando-se para a morte. De manhã, chamou seus dois companheiros, vestiu-se em brancas indumentárias fúnebres e instruiu os demais membros de sua família a enterrá-lo numa pequena colina particular. Então, ele se dirigiu aos soldados e revelou-lhes ser a pessoas que eles procuravam. Perplexos e envergonhados, os soldados não puderam sequer pensar em decapitar Longino, mas este insistiu que os soldados cumprissem a ordem de seu superior. Longino e seus dois companheiros, portanto, foram decapitados. Os soldados levaram a cabeça de Longino a Pilatos, que a entregou aos judeus. Os judeus jogaram-na num amontoado de esterco fora da cidade.


Hino de Louvor
De pé, São Longino contemplava a Cruz,
Quando, sobre ela, Cristo deu Seu último suspiro.
Longino viu a ira do suave céu,
Testemunhou a terra tremendo,
O brilhante sol quando perdeu seus raios
E revestiu todo o mundo de escuridão.
Abriram-se os túmulos de muitos,
E ressurgiram muitos dos mortos.
Bravo Longino, de temor, encheu-se,
E bradou com um suspiro de remorso:
"Este homem era o Filho de Deus!
Pecadores crucificaram o Inocente!"
Perto deles, dois outros soldados
Ecoaram o brado de seu centurião.
Testemunha da Ressurreição, foi Longino,
E também podia atestar de Sua humilhação.
Testemunha oracular, verdadeira,
Longino não desejava ocultar a verdade,
Mas proclamou-a em todas as partes que ia,
E glorificava o ressuscitado Cristo Deus!
Até a morte, manteve-se soldado de Cristo;
E, por Cristo, Longino entregou sua cabeça.


Reflexão
A primeira aparição do Santo Mártir Longino foi assim: passado muito tempo desde seu martírio, aconteceu que uma viúva da Capadócia ficou cega. Os doutores eram incapazes de fazer qualquer coisa por ela. De repente, veio-lhe a idéia de ir a Jerusalém e venerar os Lugares Santos, onde ela esperava encontrar ajuda. Ela tinha um único filho, um garoto, que lhe serviu de guia; mas, assim que chegaram a Jerusalém, o garoto morreu de uma enfermidade. Oh, quão enorme era seu desespero! Perdera seus olhos, agora seu único, cujos olhos a guiaram. Todavia, em sua dor e desespero, São Longino apareceu-lhe e confortou-a com a promessa de que ele restauraria sua visão e revelou à mulher a glória celestial na qual seu filho agora habitava. Longino contou-lhe tudo sobre si mesmo e mandou que ela saísse dos muros da cidade a um amontoado de esterco, que escavasse sua cabeça e que ela mesma veria o que aconteceria depois. A mulher levantou-se e, tropeçando, conseguiu de algum modo sair da cidade. Ela gritava para que alguém a conduzisse ao amontoado de estrume e a deixasse lá. Conduzida ao montão de estrume, ela ajoelhou-se e começou a cavar com suas mãos, com forte fé de que encontraria o que o santo lhe pedira. Escavando, tocou a santa cabeça do mártir. Seus olhos voltaram a enxergar, e ela viu a cabeça de um homem em suas mãos. Transbordando de gratidão a Deus e em imensa alegria, ela levou a cabeça de São Longino, lavou-a, incensou-a e depositou-a em sua casa como o mais precioso tesouro sobre a terra.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

OrtoFoto

Bielsk Podlaski - Polônia
autor: Partizan

"Sobre como os anjos batalham pelos justos "

O anjo do Senhor acampa ao redor daqueles que O temem e os liberta (Salmo 34:7).

O anjo do Senhor fará batalha por aqueles que temem a Deus. Isso tem sido claramente demonstrado muitas vezes, conforme registrado, e têm ocorrido em inúmeras ocasiões que não foram registradas. O Arcanjo Miguel pegou em armas por Josué, filho de Nun. Um anjo batalhou pelo justo Rei Ezequias e, numa noite, destruiu o exército dos caldeus. Quantas vezes os anjos visitaram os apóstolos e mártires cristãos na prisão, fortalecendo-os e fazendo-os regozijar? A consolação do justo vem de saber que Deus é Onividente e vê seu infortúnio; que Deus é Onipotente e tem poder de salvá-lo do infortúnio; e que Deus é Todo-Misericordioso e o salvará do infortúnio. Deus enviará Seu anjo radiante em auxílio do justo. O justo não terá que lutar contra seu tirano, pois o anjo de Deus batalhará em seu lugar. Quando o anjo de Deus pega em armas, que exército se atreve a confrontá-lo? Que império moverá guerra contra ele? Num Salmo anterior, diz o Profeta Davi: Nenhum rei é salvo pela multidão de um exército; um forte não é salvo por sua grande força. Um cavalo é uma esperança vã de segurança (Salmo 33:16-17).

Daí que não os ajuda em nada se os injustos, os mundanos, forem aliados. Quando o anjo de Deus pegar em armas, tudo rebentará como bolhas na água. Mesmo já rei, Davi se lembrava de como, sendo um simples menino pastor, ele matou com uma funda Golias, um gigante armado até os dentes. Em muitas ocasiões, Davi sentia a assistência do anjo de Deus. Eis por que ele podia, com confiança, consolar o oprimido justo com aquelas palavras de conforto e força: o anjo do Senhor acampa ao redor dos que O temem e que O servem, e um anjo de Deus os libertará.
Irmãos meus, não duvidemos dessas palavras, mas com coração ponderemos, no dia a dia, como o anjo de Deus nos abandona com tristeza quando pecamos e como ele se apressa ao nosso auxílio com alegria e inefável poder, quando nos arrependemos e imploramos a misericórdia de Deus.
Senhor Deus, nosso Criador, Rei de miríades de anjos: perdoa-nos, salva-nos e proteja-nos pelos teus santos anjos.
A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

SS. Márts. Nazário, Gervásio, Protásio e Celso, de Milão (+c.54-68) - 14/27 out

Nazário nasceu em Roma de pai judeu e mãe cristã. Sua mãe, Perpétua, fora batizada pelo próprio Apóstolo Pedro. Confessando a Fé de sua mãe, Nazário cumpria de coração todos os preceitos da Igreja. Pregando destemidamente o Evangelho, Nazário foi a Milão. Lá encontrou os cristãos Gervásio e Protásio na prisão e pregou a eles com grande amor. Sabendo disso, o eparca local ordenou que Nazário fosse flagelado e banido da cidade. Sua mãe apareceu a ele numa visão e lhe disse para ir à Gália e pregar o Evangelho lá; e isso foi o que Nazário fez. Após vários anos, Nazário retornou a Milão, desta vez com um discípulo, o jovem Celso, a quem batizara na Gália. Ali encontrou os irmãos Gervásio e Protásio ainda na prisão, à qual ele mesmo foi pouco depois lançado junto com eles, por ordem do governador Anulino. Os mártires de Cristo alegraram-se com essa reunião promovida pela providência de Deus. O imperador Nero ordenou que Nazário fosse morto; o governador retirou Nazário e Celso da prisão e os decapitou. Pouco tempo depois, o General Astásio, passando por Milão a caminho da batalha contra os morávios, decapitou São Gervásio junto com São Protásio. Tendo ouvido que esses dois irmãos não sacrificariam aos ídolos e temendo que pudesse perder a batalha por cair no desfavor dos falsos deuses, mandou que os dois fossem executados imediatamente. Gervásio e Protásio eram gêmeos, nascidos de seus beatos pais Vitálio e Valéria, que também foram martirizados pela Fé. As relíquias de São Nazário foram trasladadas por Santo Ambrósio de um jardim fora da cidade à Igreja dos Santos Apóstolos. As relíquias de São Gervásio e São Protásio lhe foram reveladas numa visão miraculosa.

Santa Eremita Parasceva de Ternov – Sérvia (+séc.XI) - 14/27 out

Essa gloriosa santa era de ascendência sérvia e nasceu na cidade de Epivate, entre Selímbria e Constantinopla. Os pais de Santa Parasceva eram cristãos abastados e devotos. Tinham também um filho, Eutímio, que foi tonsurado monge enquanto os pais ainda viviam e tornou-se, mais tarde, o famoso Bispo de Maditos. A virgem Parasceve sempre aspirou pela vida ascética por amor a Cristo. Depois da morte dos pais, ela deixou o lar e partiu primeiro para Constantinopla e depois para o deserto do Jordão, onde levou uma vida ascética até a velhice. Quem pode exprimirr todas as lutas, sofrimentos e tentações demoníacas que Santa Parasceva suportou no decurso de seus longos anos? Em sua velhice, apareceu-lhe uma vez um anjo de Deus e disse: "Deixa o deserto e retorna à tua terra; é necessário que rendas teu corpo à terra lá e a tua alma à casa do Senhor." Santa Parasceva obedeceu e voltou a Epivate. Ali viveu por dois anos em incessantes jejuns e orações, entregando, finalmente, sua alma a Deus e tomando posse de sua morada no Paraíso. Santa Parasceva repousou no século XI. Ao longo do tempo, suas relíquias foram trasladadas a Constantinopla, a Ternov, depois de volta a Constantinopla e, então, para Belgrado. Suas relíquias agora repousam na Romênia, na cidade de Iasi. Em Belgrado, o poço de Santa Parasceva cura miraculosamente os enfermos que dele se aproximam com fé em Deus e amor a essa santa.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

OrtoFoto

Mosteiro de Dejani - Romênia
autor: Mihai Fătuşanu

Santa Virgem e Mátir, Pelágia de Antioquia (+ 303) - 08/21 out

Pelágia foi uma pecadora penitente. Nasceu em Antioquia, de pais pagãos, e foi-lhe dada por Deus uma grande beleza física. Pelágia usou sua beleza para a destruição de sua própria alma e da dos outros. Como resultado de sua prostituição, ficou muito rica. Certa vez, caminhando atrás da Igreja do Santo Mártir Juliano, na qual o Bispo Nono estava pregando, ela parou e ouviu o sermão sobre o Temível Julgamento e a punição dos pecadores. Aquelas palavras tanto a impressionaram e transformaram, que ela sentiu na hora repulsa por si mesma, adquiriu o temor de Deus, arrependeu-se de todos seus pecados e caiu aos pés de São Nono, implorando para que este a batizasse. "Tem piedade de mim, uma pecadora, santo padre. Batiza-me e ensina-me a penitência, pois sou um mar de iniqüidade, um abismo de destruição, um ninho e arma do demônio." Deste modo, implorou essa penitente, com lágrimas, ao hierarca de Cristo, e ele a batizou. No seu batismo, a Bem-aventurada Romana, diaconisa da Igreja, foi sua madrinha. Romana, na qualidade de mãe espiritual de Pelágia, fortaleceu-a firmemente na Fé Cristã. Mas Pelágia não se satisfez unicamente com o batismo. Estava mordazmente consciente da multidão de seus pecados e, atormentada pela consciência, decidiu-se pela imensa labuta ascética. Doou sua imensa riqueza, luxuriosamente adquirida, aos pobres e secretamente partiu para Jerusalém como monge Pelágio. Lá, trancou-se numa cela no Monte das Oliveiras e iniciou uma penosa ascese de jejum, oração e vigílias noturnas. Passados três anos, o diácono de São Nono, Tiago, visitou-a e encontrou-a ainda viva, mas, ao visitá-la novamente vários dias mais tarde, foi-lhe dito que ela repousara e que veneravelmente enterraram seu corpo. Santa Pelágia entrou no repouso em torno do ano 461. Assim, essa ex-terrível pecadora agradou a Deus com seu arrependimento e labor, foram perdoados seus pecados e santificou-se. Sua alma purificada e iluminada foi digna do Reino de Deus.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

OrtoFoto

Grécia
autor: Aleksa Stojkovic

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

“Sobre a ira útil”

Irai-vos, mas não pequeis (Sl. 4:4)
Irai-vos convosco mesmo, irmãos, e não pequeis mais. Despertai a ira pelos vossos pecados dos pensamentos e obras. Irai-vos com Satanás, pai das mentiras (João 8: 44), e não façais mais a vontade dele. Irai-vos com o pecado do mundo e a humilhação da santa igreja de Deus por homens iníquos, mas acautelavai-vos para não curardes o pecado pelo pecado. Irai-vos com vossos amigos quando pecarem, mas com a intenção de corrigi-los, não enfurecê-los ainda mais. A ira de um amigo para com o outro, de um pai com os filhos – de Deus para com os homens – não é uma tempestade que arranca uma árvore pelas raízes, mas um vento que retorce a árvore e arranca dela os frutos podres, para que abundem, em quantidade e beleza, frutos sadios. Mas, que vossa ira tenha medidas, para ser curativa, não venenosa. Para que adquirais esse tipo de controle, sempre mantende Deus diante de vossa ira. Não há maior refreio à ira do que Deus. Toda ira que não seja no nome de Deus e da retidão de Deus é pecado. Não vos ireis pelo bem da insolência, mas irai-vos pelo que Deus está irado. Se vossa vontade estiver solidamente edificada na lei de Deus, sabereis quando e como será necessário irardes. Não se pode expressar isso inteiramente em palavras, nem sequer pode-se explicá-lo aos não-educados. Ira, em seu lugar, age como a misericórdia age em seu lugar. Ó irmãos meus, vedes como vários poderes são postos em nossas almas, e o homem, pela sua livre vontade, pode utilizá-los para a vida ou à morte? A ira para consigo mesmo nunca é demais de ser recomendada. Este é um maravilhoso exemplo: quanto mais o homem aprende a irar-se consigo mesmo, menos ele se ira com os demais. Tomado pela ira com sua própria fraqueza, ele nem sequer percebe a fraqueza dos demais ou, quando o vê, julga-os humildemente.

Senhor Deus, único Justo, planta em nós a lembrança do Dia de Tua justa ira, para que nos protejamos do pecado espiritual.

A Ti, sejam a honra e a glória para sempre. Amém.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

OrtoFoto

Romênia
autor: Lazar Lekovic

"Sobre o temor e a alegria em Deus"

Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos com tremor (Sl. 2,11)

O profeta de Deus profere essas palavras aos reis e juizes terrenos, pois estes são inclinados ao orgulho e à lascívia, provenientes do poder e das riquezas que lhes são dadas. Ó reis e juizes – nuvens de poeira sob os pés de Deus – não vos esqueçais de que não passais de servos de Deus, assalariados por hoje até amanhã! O que pensa um assalariado, cavando o campo por todo o dia? No pagamento que receberá à noite. Do que se orgulha o assalariado? Não do trabalho, mas do pagamento. Em quê se alegra o assalariado? No trabalho, no suor, ou no pagamento? Naturalmente, no seu pagamento. Ó reis e juízes, vosso serviço no campo desta vida é o trabalho de um assalariado. Portanto, com temor servi vosso Senhor que vos contratou, pois não sabeis como vosso Senhor avaliará vosso trabalho no final e que pagamento Ele vos dará. Servi com grande humildade, dizendo a si mesmos: Somos servos inúteis (Lucas 17:10). Se recebereis uma recompensa ou uma punição quando descerdes ao túmulo e vos apresentardes diante do Rei e Juiz, não se sabe. Logo, o temor deve ocupar todos os dias de vosso serviço.

Alegrai-vos n'Ele com tremor. Alegrai-vos com um júbilo puro e santo, como os anjos se alegram no Deus Vivo e inacessível. O júbilo do Paraíso tem o odor da pureza e da santidade, mas o júbilo malicioso do Hades é acompanhado da gargalhada rebelde. Portanto é eterno o júbilo do Paraíso, ao passo que a gargalhada do inferno transforma-se em grunhidos e rangidos.

Servi com temor, pois o Senhor é justo; alegrai-vos com tremor, pois o Senhor é excelso e santo.

Ó Senhor nosso Deus, justo e exaltado, temível e santo: toda nossa vida sobre a terra é serviço a Ti e alegria em Ti. Se não Te servimos, servimos nossa própria destruição; e se não nos alegramos em Ti, alegramo-nos em nossas próprias obras malignas. Adoramos-Te e oramos a Ti que nos ajudes, para que nosso serviço seja guiado pelo temor de Ti e que nossa alegria seja purificada pelo tremor perante de Ti.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

História Resumida do Patriarcado da Bulgária

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O cristianismo no território da atual Bulgária surgiu muito cedo. O apóstolo Paulo durante sua segunda viagem missionária em torno do ano 52 visitou esta região. Relembra isso em sua Epístola aos Romanos: “...pela força de sinais e prodígios, na força do Espírito de Deus: como de Jerusalém e arredores até a Ilíria, eu levei a termo o anúncio do Evangelho de Cristo,...” (Rm 15, 19). De acordo com a Santa Tradição, também o Santo Apóstolo André pregou no litoral do Mar Negro, na foz do rio Dunai.

O rápido desenvolvimento do cristianismo ocorreu particularmente nos séculos III e IV. Depois do édito de Milão do ano de 313, existia aqui, uma estrutura eclesiástica já bastante organizada. Em 343 em Sardyka (Sófia) teve lugar um Concílio Local em defesa da ortodoxia de Nicéia e a condenação do arianismo. O traço característico do cristianismo nos Bálcãs foi seu caráter nacional. Os cristãos desta região não foram forçados nem à cultura romana nem à helenística. Ainda antes do século VII eram usados aqui os idiomas litúrgicos nacionais.

No começo do século V a Igreja Búlgara enfrentou o problema de invasões de povos bárbaros: hunos, visigodos, ostrogodos e tribos eslavas. No ano de 681 o soberano Asparuch (Isperych 681-702), filho de Kubrata, depois da ocupação de Dobrudja e do baixo Mezja fundou o primeiro país búlgaro-eslavo com capital em Pliska. Os novos soberanos intencionavam a total dominação dos povos nativos dos Bálcãs. Destruíram sua cultura e tradições. Muitas igrejas e mosteiros forma destruídos. Com o tempo, entretanto, os invasores depois de familiarizaram-se com a cultura local eles mesmos renderam-se à cristianização.

Em 865 (ou como citam outros historiadores, em 25.05.866) o soberano búlgaro Boris I aceitou o batismo, em Bizâncio, e com a ajuda de clérigos gregos iniciou a cristianização do país. Em 870 o Concilio em Constantinopla estabeleceu no território da Bulgária um arcebispado autônomo, cujo primeiro bispo foi José. Esta independência parcial favoreceu um desenvolvimento dinâmico da Igreja.

No tempo do filho de Boris, Simeão o Grande (893-927), a Bulgária tornou-se uma potência no caráter político e militar. O exército búlgaro conquistou quase toda a Península Balcânica. Simeão proclamou-se, então, “czar–imperador dos Búlgaros”.

Em 919 aconteceu o Concilio de todos os bispos búlgaros, no qual foi anunciada a Autocefalia da Igreja Búlgara. O arcebispado foi elevado à dignidade de patriarcado com sede na capital PresBavie. O primeiro líder tornou-se Leôncio. Apesar dos protestos da parte de Bizâncio, no reinado de filho mais jovem de Simeão foi assinado um acordo búlgaro-bizantino, à força do qual foram aceitas as conquistas territoriais da Bulgária, ratificado o titulo imperial de seus soberanos, confirmada a independência da Igreja e ao patriarca foi concedido o título de seu líder. Como primeiro patriarca foi reconhecido, entretanto, não Leôncio, mas seu sucessor Demétrio.

No ano de 979, o imperador bizantino João Tsimski invadiu e conquistou a Bulgária oriental, e posteriormente a subordinou a si, politicamente e eclesiasticamente. Neste mesmo ano o patriarcado e a independência eclesiástica foram liquidados. Apenas na parte ocidental e independente da Bulgária foi conservada a independência política e eclesiástica. Foi transferida a cátedra patriarcal para Triadic, capital do país búlgaro-ocidental do czar Samuel (976-1014). Nesta parte da Bulgária conseguiu-se preservar a autocefalia, mas apesar disso a Igreja estava bastante enfraquecida.

Em 1018, Bizâncio sob a autoridade de Basílio II, o Matador de búlgaros (976-1025), finalmente conquistou e subordinou toda a Bulgária a si. Destronado o patriarca Davi. João tornou-se líder de toda a Igreja Búlgara, com o título de arcebispo de Ochryd. Em 1020 foi anulado o patriarcado. O imperador Basílio conservou, entretanto, a independência da Igreja Búlgara. Ratificou as leis que a Igreja obteve de soberanos anteriores. Os búlgaros não queriam concordar com a perda da independência. Desejavam a autonomia política e eclesiástica. Em 1186 explodiu a insurreição dos irmãos Pedro e Asen Asenow, que abrangeu praticamente todo o território da Bulgária. Depois de alguns meses chegaram à assinatura de um armistício. O país búlgaro renasceu parcialmente. Em 1187 Asen é aclamado czar. Renasce, então, também a Igreja Búlgara independente. Para além de suas fronteiras permaneceram, entre outros, o arcebispado de Ochryd. As relações com Constantinopla eram bastante tensas. Nessa situação o czar Kalojana (1197-1207) começou a buscar apoio no papa. O papa Inocente III aproveitando-se desta situação ofereceu ao czar a coroa real, e ao arcebispo concedeu o título de primaz. Desta maneira a Igreja Búlgara tornou-se dependente de Roma.

O rompimento dos contatos com Roma ocorreu no governo do czar Ivan Asen II (1218-1241), que em 1235 estabeleceu um acordo com o imperador bizantino João III Vatatzes (1222-1254). Por força deste acordo, o bispo Joaquim II obteve o título de patriarca búlgaro.

Em 1393 os turcos dominavam a Bulgária, e negativamente relacionaram-se com os cristãos locais. Foram destruídas tanto as estruturas estatais como eclesiásticas, então existentes. Sob pressão das autoridades, muitos cristãos aceitaram o islamismo. Igrejas e mosteiros foram demolidos ou transformados em mesquitas. Os cristãos foram obrigados a pagar altos impostos. Todas as manifestações de rebelião eram sufocadas sangrentamente. A Igreja Búlgara foi privada do patriarcado e autocefalia e ficou subordinada em parte ao patriarca de Constantinopla e em parte ao arcebispo de Ochryd. Em 1767 quando a independência do arcebispado de Ochryd foi aniquilada toda a Igreja ficou subordinada à jurisdição de Constantinopla.

Na interface dos séculos XVIII e XIX começou a surgir um forte sentimento de distinção nacional nos búlgaros. Como precursor do renascimento búlgaro é considerado o monge Paísios do mosteiro Chilander do Monte Atos, que escreveu “História eslavo-búlgara do país, dos czares, dos santos, e de todos os acontecimentos da história búlgara”. A obra foi escrita no idioma nacional com incrível fidelidade à verdade histórica sobre o país, a nação e a Igreja Búlgara. Neste livro foram relembradas a glória e a independência do patriarcado e ao mesmo tempo era um apelo à preservação das tradições nacionais e à luta pela independência. O processo de renascimento da Bulgária não se seguiu imediatamente. A idéia desenvolveu-se aos poucos. No começo desejava-se a independência da Igreja. Graças à firmeza dos búlgaros, em 1848, o patriarca de Constantinopla sagrou quatro bispos de nacionalidade búlgara. Em 1851 Hilarion, líder do movimento nacionalista búlgaro, foi sagrado como bispo titular.

No dia 28 de fevereiro de 1870 o sultão, com decreto, estabeleceu o Exarcado Autônomo Búlgaro. Sua liderança era exercida pelo Sínodo Búlgaro. Em importantes questões dogmáticas ele tinha que consultar Constantinopla de onde obtinha o santo óleo, assim como era obrigado comemorar o nome do patriarca de Constantinopla nos ofícios litúrgicos. Em 1872, Antym I foi escolhido como primeiro exarca. O patriarca de Constantinopla opôs-se duramente à esta decisão, que estava em acordo apenas com o sultão e sem a aprovação do patriarca ecumênico e excomungou o episcopado. Iniciaram-se, assim, 73 anos de cisma.

Em 1878, depois da guerra turco-russo, a Bulgária obteve independência como principado, e em 1908 foi proclamada a restauração da monarquia. O príncipe Ferdinando foi aclamado como czar e proclamado o terceiro reino búlgaro.

Não se encerrava, entretanto, o processo de formação da moderna nação búlgara. Em conseqüência da guerra do Bálcãs no começo do século XX, apesar da conquistas à custa da Turquia, o país perdeu parte de seus territórios para a Romênia, Grécia e Sérvia. Durante a I Guerra Mundial a Bulgária lutou do lado das potências centrais (Alemanha e Itália). Em 1917 ocorre a revolução bolchevique. De modo a não permitir a propagação no ocidente das tendências comunistas, foi assinado em Tessalônica um acordo de paz por força do qual a Bulgária recuperava as fronteiras anteriores à guerra. Entretanto, o país encontrava-se a beira de uma crise econômica. Até o momento da eclosão da II Guerra Mundial a Bulgária lutava pela recuperação da economia do país.

Em 1941, sob pressão alemã, a Bulgária desistiu da posição de país neutro e partiu para a guerra ao lado da Alemanha. Porém, não se subordinava à ideologia fascista. Graças a protestos conseguiu-se deter totalmente a propaganda anti-semita. A Bulgária foi um dos poucos países onde os judeus escaparam de perseguições abertas.

No dia 22 de fevereiro de 1945, por iniciativa da Igreja Russa deu-se a reconciliação da Igreja Búlgara com o patriarcado de Constantinopla. O patriarca retirou o anátema da Igreja Búlgara e novamente concedeu-lhe a autocefalia. A restituição do patriarcado seguiu-se, com a aprovação de Constantinopla, no Sínodo Búlgaro de 1953 em Sófia. O primeiro patriarca, depois de vários séculos de intervalo, foi Cirilo.

Em 1992 ocorre um cisma na Igreja Búlgara. Quatro bispos do Metropolita Estevão questionaram a canonicidade da eleição de Máximo, patriarca em exercício, e acusaram-no de atividades prejudiciais à Igreja. Com apoio do departamento búlgaro de questões religiosas criaram uma hierarquia paralela. O conflito durou até outubro de 1998. Nos dias 30 de setembro e 1º. de outubro de 2001 teve lugar em Sófia, um encontro dos líderes de todas as Igreja Ortodoxas Autocéfalas. Em conseqüência das conversações, três bispos cismáticos com o patriarca de Sófia à frente, em nome dos demais apresentaram um ato de arrependimento. Foram recebidos de volta à unidade canônica, entretanto, os bispos cismáticos de novo opuseram-se ao patriarca Máximo e queriam sua demissão. O cisma na Igreja Búlgara dura até hoje.
A Igreja Búlgara conta com 8 milhões de fiéis, 26 bispos e 2300 clérigos. Em 123 mosteiros vivem 500 monges e monjas. A Igreja possui 3200 igrejas e 500 capelas (dados de 1995). Além das dioceses nacionais a Igreja possui duas dioceses nos Estados Unidos e uma na Europa Ocidental. A formação dos futuros clérigos se dá em dois seminários clericais e em duas Academias Teológicas.

Na liderança da Igreja Ortodoxa Búlgara está Máximo, o 21º. patriarca búlgaro. O patriarca Máximo nasceu a 29 de outubro de 1914. Em 30 de dezembro de 1950 foi elevado à dignidade de bispo. A eleição de Sua Beatitude Máximo, como Chefe da Igreja Búlgara teve lugar a 4 de junho de 1971 e sua entronização neste mesmo dia.

O Chefe da Igreja Búlgara tem direito a usar o título de: “Sua Santidade Patriarca Búlgaro, Metropolita de Sófia”.

A residência e cátedra patriarcal dedicada a Santo Alexandre Newski situam-se em Sófia.


Sua Santidade MÁXIMO
Patriarca da Bulgária
Metropolita de Sophia