“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

OrtoFoto

Grécia
autor: Aleksa Stojkovic

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

“Sobre a ira útil”

Irai-vos, mas não pequeis (Sl. 4:4)
Irai-vos convosco mesmo, irmãos, e não pequeis mais. Despertai a ira pelos vossos pecados dos pensamentos e obras. Irai-vos com Satanás, pai das mentiras (João 8: 44), e não façais mais a vontade dele. Irai-vos com o pecado do mundo e a humilhação da santa igreja de Deus por homens iníquos, mas acautelavai-vos para não curardes o pecado pelo pecado. Irai-vos com vossos amigos quando pecarem, mas com a intenção de corrigi-los, não enfurecê-los ainda mais. A ira de um amigo para com o outro, de um pai com os filhos – de Deus para com os homens – não é uma tempestade que arranca uma árvore pelas raízes, mas um vento que retorce a árvore e arranca dela os frutos podres, para que abundem, em quantidade e beleza, frutos sadios. Mas, que vossa ira tenha medidas, para ser curativa, não venenosa. Para que adquirais esse tipo de controle, sempre mantende Deus diante de vossa ira. Não há maior refreio à ira do que Deus. Toda ira que não seja no nome de Deus e da retidão de Deus é pecado. Não vos ireis pelo bem da insolência, mas irai-vos pelo que Deus está irado. Se vossa vontade estiver solidamente edificada na lei de Deus, sabereis quando e como será necessário irardes. Não se pode expressar isso inteiramente em palavras, nem sequer pode-se explicá-lo aos não-educados. Ira, em seu lugar, age como a misericórdia age em seu lugar. Ó irmãos meus, vedes como vários poderes são postos em nossas almas, e o homem, pela sua livre vontade, pode utilizá-los para a vida ou à morte? A ira para consigo mesmo nunca é demais de ser recomendada. Este é um maravilhoso exemplo: quanto mais o homem aprende a irar-se consigo mesmo, menos ele se ira com os demais. Tomado pela ira com sua própria fraqueza, ele nem sequer percebe a fraqueza dos demais ou, quando o vê, julga-os humildemente.

Senhor Deus, único Justo, planta em nós a lembrança do Dia de Tua justa ira, para que nos protejamos do pecado espiritual.

A Ti, sejam a honra e a glória para sempre. Amém.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

OrtoFoto

Romênia
autor: Lazar Lekovic

"Sobre o temor e a alegria em Deus"

Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos com tremor (Sl. 2,11)

O profeta de Deus profere essas palavras aos reis e juizes terrenos, pois estes são inclinados ao orgulho e à lascívia, provenientes do poder e das riquezas que lhes são dadas. Ó reis e juizes – nuvens de poeira sob os pés de Deus – não vos esqueçais de que não passais de servos de Deus, assalariados por hoje até amanhã! O que pensa um assalariado, cavando o campo por todo o dia? No pagamento que receberá à noite. Do que se orgulha o assalariado? Não do trabalho, mas do pagamento. Em quê se alegra o assalariado? No trabalho, no suor, ou no pagamento? Naturalmente, no seu pagamento. Ó reis e juízes, vosso serviço no campo desta vida é o trabalho de um assalariado. Portanto, com temor servi vosso Senhor que vos contratou, pois não sabeis como vosso Senhor avaliará vosso trabalho no final e que pagamento Ele vos dará. Servi com grande humildade, dizendo a si mesmos: Somos servos inúteis (Lucas 17:10). Se recebereis uma recompensa ou uma punição quando descerdes ao túmulo e vos apresentardes diante do Rei e Juiz, não se sabe. Logo, o temor deve ocupar todos os dias de vosso serviço.

Alegrai-vos n'Ele com tremor. Alegrai-vos com um júbilo puro e santo, como os anjos se alegram no Deus Vivo e inacessível. O júbilo do Paraíso tem o odor da pureza e da santidade, mas o júbilo malicioso do Hades é acompanhado da gargalhada rebelde. Portanto é eterno o júbilo do Paraíso, ao passo que a gargalhada do inferno transforma-se em grunhidos e rangidos.

Servi com temor, pois o Senhor é justo; alegrai-vos com tremor, pois o Senhor é excelso e santo.

Ó Senhor nosso Deus, justo e exaltado, temível e santo: toda nossa vida sobre a terra é serviço a Ti e alegria em Ti. Se não Te servimos, servimos nossa própria destruição; e se não nos alegramos em Ti, alegramo-nos em nossas próprias obras malignas. Adoramos-Te e oramos a Ti que nos ajudes, para que nosso serviço seja guiado pelo temor de Ti e que nossa alegria seja purificada pelo tremor perante de Ti.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

História Resumida do Patriarcado da Bulgária

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O cristianismo no território da atual Bulgária surgiu muito cedo. O apóstolo Paulo durante sua segunda viagem missionária em torno do ano 52 visitou esta região. Relembra isso em sua Epístola aos Romanos: “...pela força de sinais e prodígios, na força do Espírito de Deus: como de Jerusalém e arredores até a Ilíria, eu levei a termo o anúncio do Evangelho de Cristo,...” (Rm 15, 19). De acordo com a Santa Tradição, também o Santo Apóstolo André pregou no litoral do Mar Negro, na foz do rio Dunai.

O rápido desenvolvimento do cristianismo ocorreu particularmente nos séculos III e IV. Depois do édito de Milão do ano de 313, existia aqui, uma estrutura eclesiástica já bastante organizada. Em 343 em Sardyka (Sófia) teve lugar um Concílio Local em defesa da ortodoxia de Nicéia e a condenação do arianismo. O traço característico do cristianismo nos Bálcãs foi seu caráter nacional. Os cristãos desta região não foram forçados nem à cultura romana nem à helenística. Ainda antes do século VII eram usados aqui os idiomas litúrgicos nacionais.

No começo do século V a Igreja Búlgara enfrentou o problema de invasões de povos bárbaros: hunos, visigodos, ostrogodos e tribos eslavas. No ano de 681 o soberano Asparuch (Isperych 681-702), filho de Kubrata, depois da ocupação de Dobrudja e do baixo Mezja fundou o primeiro país búlgaro-eslavo com capital em Pliska. Os novos soberanos intencionavam a total dominação dos povos nativos dos Bálcãs. Destruíram sua cultura e tradições. Muitas igrejas e mosteiros forma destruídos. Com o tempo, entretanto, os invasores depois de familiarizaram-se com a cultura local eles mesmos renderam-se à cristianização.

Em 865 (ou como citam outros historiadores, em 25.05.866) o soberano búlgaro Boris I aceitou o batismo, em Bizâncio, e com a ajuda de clérigos gregos iniciou a cristianização do país. Em 870 o Concilio em Constantinopla estabeleceu no território da Bulgária um arcebispado autônomo, cujo primeiro bispo foi José. Esta independência parcial favoreceu um desenvolvimento dinâmico da Igreja.

No tempo do filho de Boris, Simeão o Grande (893-927), a Bulgária tornou-se uma potência no caráter político e militar. O exército búlgaro conquistou quase toda a Península Balcânica. Simeão proclamou-se, então, “czar–imperador dos Búlgaros”.

Em 919 aconteceu o Concilio de todos os bispos búlgaros, no qual foi anunciada a Autocefalia da Igreja Búlgara. O arcebispado foi elevado à dignidade de patriarcado com sede na capital PresBavie. O primeiro líder tornou-se Leôncio. Apesar dos protestos da parte de Bizâncio, no reinado de filho mais jovem de Simeão foi assinado um acordo búlgaro-bizantino, à força do qual foram aceitas as conquistas territoriais da Bulgária, ratificado o titulo imperial de seus soberanos, confirmada a independência da Igreja e ao patriarca foi concedido o título de seu líder. Como primeiro patriarca foi reconhecido, entretanto, não Leôncio, mas seu sucessor Demétrio.

No ano de 979, o imperador bizantino João Tsimski invadiu e conquistou a Bulgária oriental, e posteriormente a subordinou a si, politicamente e eclesiasticamente. Neste mesmo ano o patriarcado e a independência eclesiástica foram liquidados. Apenas na parte ocidental e independente da Bulgária foi conservada a independência política e eclesiástica. Foi transferida a cátedra patriarcal para Triadic, capital do país búlgaro-ocidental do czar Samuel (976-1014). Nesta parte da Bulgária conseguiu-se preservar a autocefalia, mas apesar disso a Igreja estava bastante enfraquecida.

Em 1018, Bizâncio sob a autoridade de Basílio II, o Matador de búlgaros (976-1025), finalmente conquistou e subordinou toda a Bulgária a si. Destronado o patriarca Davi. João tornou-se líder de toda a Igreja Búlgara, com o título de arcebispo de Ochryd. Em 1020 foi anulado o patriarcado. O imperador Basílio conservou, entretanto, a independência da Igreja Búlgara. Ratificou as leis que a Igreja obteve de soberanos anteriores. Os búlgaros não queriam concordar com a perda da independência. Desejavam a autonomia política e eclesiástica. Em 1186 explodiu a insurreição dos irmãos Pedro e Asen Asenow, que abrangeu praticamente todo o território da Bulgária. Depois de alguns meses chegaram à assinatura de um armistício. O país búlgaro renasceu parcialmente. Em 1187 Asen é aclamado czar. Renasce, então, também a Igreja Búlgara independente. Para além de suas fronteiras permaneceram, entre outros, o arcebispado de Ochryd. As relações com Constantinopla eram bastante tensas. Nessa situação o czar Kalojana (1197-1207) começou a buscar apoio no papa. O papa Inocente III aproveitando-se desta situação ofereceu ao czar a coroa real, e ao arcebispo concedeu o título de primaz. Desta maneira a Igreja Búlgara tornou-se dependente de Roma.

O rompimento dos contatos com Roma ocorreu no governo do czar Ivan Asen II (1218-1241), que em 1235 estabeleceu um acordo com o imperador bizantino João III Vatatzes (1222-1254). Por força deste acordo, o bispo Joaquim II obteve o título de patriarca búlgaro.

Em 1393 os turcos dominavam a Bulgária, e negativamente relacionaram-se com os cristãos locais. Foram destruídas tanto as estruturas estatais como eclesiásticas, então existentes. Sob pressão das autoridades, muitos cristãos aceitaram o islamismo. Igrejas e mosteiros foram demolidos ou transformados em mesquitas. Os cristãos foram obrigados a pagar altos impostos. Todas as manifestações de rebelião eram sufocadas sangrentamente. A Igreja Búlgara foi privada do patriarcado e autocefalia e ficou subordinada em parte ao patriarca de Constantinopla e em parte ao arcebispo de Ochryd. Em 1767 quando a independência do arcebispado de Ochryd foi aniquilada toda a Igreja ficou subordinada à jurisdição de Constantinopla.

Na interface dos séculos XVIII e XIX começou a surgir um forte sentimento de distinção nacional nos búlgaros. Como precursor do renascimento búlgaro é considerado o monge Paísios do mosteiro Chilander do Monte Atos, que escreveu “História eslavo-búlgara do país, dos czares, dos santos, e de todos os acontecimentos da história búlgara”. A obra foi escrita no idioma nacional com incrível fidelidade à verdade histórica sobre o país, a nação e a Igreja Búlgara. Neste livro foram relembradas a glória e a independência do patriarcado e ao mesmo tempo era um apelo à preservação das tradições nacionais e à luta pela independência. O processo de renascimento da Bulgária não se seguiu imediatamente. A idéia desenvolveu-se aos poucos. No começo desejava-se a independência da Igreja. Graças à firmeza dos búlgaros, em 1848, o patriarca de Constantinopla sagrou quatro bispos de nacionalidade búlgara. Em 1851 Hilarion, líder do movimento nacionalista búlgaro, foi sagrado como bispo titular.

No dia 28 de fevereiro de 1870 o sultão, com decreto, estabeleceu o Exarcado Autônomo Búlgaro. Sua liderança era exercida pelo Sínodo Búlgaro. Em importantes questões dogmáticas ele tinha que consultar Constantinopla de onde obtinha o santo óleo, assim como era obrigado comemorar o nome do patriarca de Constantinopla nos ofícios litúrgicos. Em 1872, Antym I foi escolhido como primeiro exarca. O patriarca de Constantinopla opôs-se duramente à esta decisão, que estava em acordo apenas com o sultão e sem a aprovação do patriarca ecumênico e excomungou o episcopado. Iniciaram-se, assim, 73 anos de cisma.

Em 1878, depois da guerra turco-russo, a Bulgária obteve independência como principado, e em 1908 foi proclamada a restauração da monarquia. O príncipe Ferdinando foi aclamado como czar e proclamado o terceiro reino búlgaro.

Não se encerrava, entretanto, o processo de formação da moderna nação búlgara. Em conseqüência da guerra do Bálcãs no começo do século XX, apesar da conquistas à custa da Turquia, o país perdeu parte de seus territórios para a Romênia, Grécia e Sérvia. Durante a I Guerra Mundial a Bulgária lutou do lado das potências centrais (Alemanha e Itália). Em 1917 ocorre a revolução bolchevique. De modo a não permitir a propagação no ocidente das tendências comunistas, foi assinado em Tessalônica um acordo de paz por força do qual a Bulgária recuperava as fronteiras anteriores à guerra. Entretanto, o país encontrava-se a beira de uma crise econômica. Até o momento da eclosão da II Guerra Mundial a Bulgária lutava pela recuperação da economia do país.

Em 1941, sob pressão alemã, a Bulgária desistiu da posição de país neutro e partiu para a guerra ao lado da Alemanha. Porém, não se subordinava à ideologia fascista. Graças a protestos conseguiu-se deter totalmente a propaganda anti-semita. A Bulgária foi um dos poucos países onde os judeus escaparam de perseguições abertas.

No dia 22 de fevereiro de 1945, por iniciativa da Igreja Russa deu-se a reconciliação da Igreja Búlgara com o patriarcado de Constantinopla. O patriarca retirou o anátema da Igreja Búlgara e novamente concedeu-lhe a autocefalia. A restituição do patriarcado seguiu-se, com a aprovação de Constantinopla, no Sínodo Búlgaro de 1953 em Sófia. O primeiro patriarca, depois de vários séculos de intervalo, foi Cirilo.

Em 1992 ocorre um cisma na Igreja Búlgara. Quatro bispos do Metropolita Estevão questionaram a canonicidade da eleição de Máximo, patriarca em exercício, e acusaram-no de atividades prejudiciais à Igreja. Com apoio do departamento búlgaro de questões religiosas criaram uma hierarquia paralela. O conflito durou até outubro de 1998. Nos dias 30 de setembro e 1º. de outubro de 2001 teve lugar em Sófia, um encontro dos líderes de todas as Igreja Ortodoxas Autocéfalas. Em conseqüência das conversações, três bispos cismáticos com o patriarca de Sófia à frente, em nome dos demais apresentaram um ato de arrependimento. Foram recebidos de volta à unidade canônica, entretanto, os bispos cismáticos de novo opuseram-se ao patriarca Máximo e queriam sua demissão. O cisma na Igreja Búlgara dura até hoje.
A Igreja Búlgara conta com 8 milhões de fiéis, 26 bispos e 2300 clérigos. Em 123 mosteiros vivem 500 monges e monjas. A Igreja possui 3200 igrejas e 500 capelas (dados de 1995). Além das dioceses nacionais a Igreja possui duas dioceses nos Estados Unidos e uma na Europa Ocidental. A formação dos futuros clérigos se dá em dois seminários clericais e em duas Academias Teológicas.

Na liderança da Igreja Ortodoxa Búlgara está Máximo, o 21º. patriarca búlgaro. O patriarca Máximo nasceu a 29 de outubro de 1914. Em 30 de dezembro de 1950 foi elevado à dignidade de bispo. A eleição de Sua Beatitude Máximo, como Chefe da Igreja Búlgara teve lugar a 4 de junho de 1971 e sua entronização neste mesmo dia.

O Chefe da Igreja Búlgara tem direito a usar o título de: “Sua Santidade Patriarca Búlgaro, Metropolita de Sófia”.

A residência e cátedra patriarcal dedicada a Santo Alexandre Newski situam-se em Sófia.


Sua Santidade MÁXIMO
Patriarca da Bulgária
Metropolita de Sophia

sábado, 11 de outubro de 2008

História Resumida do Patriarcado da Romênia

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O cristianismo no território da atual Romênia surge já no tempo dos apóstolos. O apóstolo André e os discípulos do Santo apóstolo Paulo (Atos 16, 17 e 20; Rm 15, 19) proclamaram o Evangelho nesta região. A influência do cristianismo nesta região fortaleceu-se, particularmente, após a conquista da Dácia pelo imperador Trajano no ano 106. Colônias gregas de Schytia Menor (atual Dobrudja) mantiveram intensos contatos com as cidades do Oriente Próximo e conseqüentemente com os cristãos destas cidades. Isto nos confirma Tertuliano, que no ano de 196 escreveu: “...também povos e localidades distantes de Roma, na Gália e Bretanha, sarmaci e dakowie1, dobrudjanos, e muitas outras nações de províncias distantes são fiéis a Jesus e confessam o Seu nome”.

Depois da proclamação do Édito de Milão em 313 pelo imperador Constantino, o Grande, os bispos de Schytia Menor desenvolvem uma intensa atividade, cuja prova são as participações com delegações numerosas nos Concílios Ecumênicos (2o. em 381, 3o. em 431 e 4o. em 451).

Infelizmente, esta precoce organização da Igreja foi destruída no período das migrações das populações nos séculos VI e VII. O renascimento da Igreja inicia-se depois da missão na Moldávia de São Cirilo e Metódio, na segunda metade do século IX por intermédio da Bulgária. Por mais de 200 anos os cristãos locais, em questões administrativas, estavam subordinados à Igreja Búlgara. Emanciparam-se, parcialmente, em 1014 depois da derrota da nação búlgara pelo imperador bizantino Basílio II, o matador de búlgaros (976-1025). A diocese local da Valáquia ficou subordinada ao arcebispo de Orchryd e posteriormente ao arcebispo de Tyrnow, que usava, então, o título de “Arcebispo de Tyrnow, Primaz dos búlgaros e dos valaquianos”. A emancipação da Igreja dava à Igreja Romena a possibilidade de desenvolvimento em diversas direções. Surgiram, então, os mais antigos mosteiros e igrejas locais. Sob a influência de famosos padres, como São Nicodemos, desenvolveu-se o hesicasmo. Floresce a cultura e a arte. Não é de se estranhar que nos anos 1389-1394 o bispado da Ungaro-Valáquia foi elevado ao nível de metropolia. A partir do ano 1396 a metropolia passa para a supervisão de Constantinopla. Em 1456 (depois da queda de Bizâncio em 1453) novamente volta para a supervisão de Orchryd.

Por volta do final do século XV o sultanato otomano abrangia toda a Ásia Menor, Península Balcânica até depois dos rios Sawa e Dunai, assim como estendia sua supervisão sobre a Valáquia (1396), Krymsk (1475) e Moldávia (1501). Durante o domínio turco a Igreja Romena conservou uma relativa independência. A Romênia situava-se no extremo do império otomano. Logo ao lado encontravam-se países europeus independentes que aguardavam o enfraquecimento da Turquia e procuravam pretextos para aumentar, às custas dela, seus territórios. Os mulçumanos não puderam, então, se permitir uma demasiadamente clara perseguição aos cristãos romenos. Entretanto, sufocaram sangrentamente os mais significativos sinais de insurreição. Tentaram islamizar o país, o que, porém, terminou em total fracasso.

No final do século XVII a Turquia cada vez mais intensamente tendia para o declínio. No ano de 1699, depois da guerra austríaco-turca, por força do acordo de paz de Karlowack, a Áustria recebeu uma grande parte do território romeno. A Igreja ortodoxa pode respirar aliviada do jugo mulçumano, mas ao mesmo tempo ficou sujeita a uma forte propaganda uniata. O país reconhecia apenas quatro confissões religiosas, todas ocidentais: católica romana, luterana, calvinista e uniata. Ao longo de todo o século XVIII de diversas maneiras induziram os ortodoxos à subordinação ao bispo de Roma. Esta mesma política, conduziram em Siedmiogrodz. A maior parte daqueles cristãos era formada de cristãos ortodoxos da Romênia. O clero ortodoxo foi rebaixado ao status de servos campônios. Em conseqüência das pressões, significativa parte dos romenos de Siedmiogrodz aceitou em 1701 a união com Roma. Os que permaneceram com a Ortodoxia ficaram privados de seus próprios bispos e entregues à supervisão do clero sérvio. Só em 1810 obtiveram seu próprio bispo, Basílio Moga (1810-1846).

No século XIX entre os romenos aumentava o desejo de independência. Encontraram solidariedade e apoio da Rússia e de países da Europa Ocidental. Sob as pressões destes países a Turquia consentiu, que em 1861 os principados de Moldávia e Valáquia unissem–se em um só país – a Romênia. Em 1864 o país chegou a uma revolução política, em conseqüência da qual todas as autoridades aceitaram a soberania do príncipe Aleksander Jan Kuza. Durante seu governo a Igreja Ortodoxa Romena proclamou sua autocefalia em 1865, que em novembro de 1878 foi confirmada, com decreto, pelo patriarca de Constantinopla Joaquim III. As determinações do decreto e ratificação final da autocefalia ocorreu somente em 25 de abril de 1885. Isto coincidiu com o Congresso de Berlim, que reconheceu a independência da Romênia e ao mesmo tempo aumentou o seu território anexando Dobrudz. Para a Igreja Romena haviam chegado os anos de muito trabalho interno em função da ampliação da estrutura das dioceses e desenvolvimento da atividade educacional e caritativa. Revitalizaram-se, também nesta época, os antigos mosteiros.

Depois da 1a. Guerra Mundial para a Igreja Romena tornaram-se incluidas as dioceses das terras anexadas à Romênia: Moldávia, Siedmiogrod, Transilvânia e Bukowina.

Em 4 de fevereiro de 1925 o Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico tomou a decisão de criação do patriarcado romeno com sede do patriarca em Bucareste. As Igrejas Locais expressaram sua concórdia para esta decisão.

Em 1925 o patriarca da Romênia participou na proclamação da autocefalia da Igreja Ortodoxa da Polônia.

Depois da II guerra mundial com relação à mudança das fronteiras nacionais, o patriarca perdeu a Metropolia de Bukowina e o arcebispado da Moldávia. Em 1948 retornaram para a Igreja Ortodoxa Romena os fiéis e clero uniata da Igreja Greco-Católica da Transilvânia.

No ano de 1946 a Frente Nacional-Democrática de diretriz comunista conquista a maioria dos mandatos na Assembléia Nacional. É proclamada a República Popular Romena. A situação do Patriarcado sob o seu governo foi favorável inicialmente. O país apoiava a reconstrução de tudo que havia sido destruído pela guerra, assegurava total tolerância e a igualdade de direitos. A partir da metade dos anos 60 inicia-se um período de martírio na história da Igreja Romena. No tempo do governo de G. Gheorghiu-Deja (até 1965) e N. Ceausescu (1967-1989) cai sobre o patriarcado as mais terríveis perseguições. Foram destruídas, neste período, igrejas e mosteiros, dioceses liquidadas e dos 10 mil clérigos de então, 5 mil foram presos acusados de inimigos do sistema. Foram proibidas as atividades editoriais e catequéticas. Dificultada a vida litúrgica. O patriarcado começa a revitalizar-se após a queda do regime de N. Ceausescu em 1989.

Atualmente o número de fiéis do patriarcado chega 20 milhões, o que constitui 86% da população do país. O patriarcado divide-se em 22 dioceses e 123 decanatos. A igreja possui 8941 paróquias com 12546 igrejas. A assistência pastoral é exercida por 40 bispos e aproximadamente 9400 padres e diáconos. A Igreja dispõe de 14 departamentos teológicos nas universidades federais, 33 seminários e 12 escolas para salmistas. Atualmente existem na Romênia 400 mosteiros e eremitérios, nos quais oram e trabalham 4100 monges e 4500 monjas.

Na liderança da Igreja Ortodoxa Romena está o patriarca que usa o título: Sua Beatitude Arcebispo de Bucareste, Metropolita da Ungaro-Valáquia e patriarca de toda a Romênia.

Atualmente o chefe da Igreja Romena e sexto patriarca da Romênia é Daniel. Nasceu a 22 de julho de 1951, na localidade de Dobrestia nas proximidades de Lugoj. Eleito em 12 de setembro de 2007, foi entronização em 30 de setembro na catedral patriarcal em Bucareste dedicada a São Constantino e Santa Helena, iguais aos apóstolos.

A Igreja Ortodoxa da Polônia foi representada pelo Arcebispo Jeremias de Wroclaw e Szczecin.


Sua Beatitude DANIEL
Patriarca da Romênia
Metropolita da Ungro-Vlachia
Arcebispo de Bucarest

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

OrtoFoto

Mosteiro de Gracanica - Kosovo
autor: Ziomek z Hanoi

“Sobre a última oração do Cristo pelos fiéis”

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. (Jo. 17, 21)

Irmãos, a misericórdia de Deus é grande. Quando um justo a sente, chora; mas quando um pecador a sente, envergonha-se. Pela misericórdia de Deus, somos purificados, iluminados, salvos, adotados e unidos ao próprio Deus. Contudo ninguém deve deduzir que, por essa unidade com Deus, tornamo-nos da mesma Essência de Deus e iguais a Deus. Jamais seremos de uma só Essência com Deus, e nem iguais a Deus, do modo em que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são de uma só Essência e iguais em Ser. Para que todos sejam um, o Salvador diz ao Seu Pai em prol de Seus discípulos, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e Eu em Ti; e aqui ele está pensando na unidade de amor, e não na unidade de natureza. Do amor fluem a obediência mútua, o auxílio mútuo, a misericórdia mútua, a mansidão, a humildade, a bondade, a boa vontade e o sacrifício. E quando o Senhor diz: Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus (Mateus 5: 48), Ele não quer dizer que os homens podem ser iguais a Deus, mas quer mostrar-lhes o exemplo supremo de perfeição em tudo o que é bom. Pois muitos mestres dos homens apontaram como exemplos de perfeição alguma coisa ou alguma pessoa, mas não Deus. Com demasiada freqüência, ensinaram aos homens o mal e o indicaram como exemplo de perfeição. É por isso que o Senhor ensina aos homens que tomem o Pai Celestial como exemplo de toda a perfeição e que trabalhem e se esforçem por essa verdadeira perfeição e não por alguma outra. Pela graça de Deus, somos todos adotados por Deus e nos tornamos um em Cristo Jesus (Gálatas 3: 28). Contudo, não nos tornamos deuses; não nos tornamos iguais às Pessoas da Santa Trindade. Não vos esqueçais do que dizem as Escrituras: Nem os céus são puros aos Seus olhos (Jó 15: 15). Nem as majestosas potestades dos céus são iguais a Ele; o que dizer então do homem? Todavia, pela graça de Deus e por causa dos sofrimentos do Senhor Jesus, os fiéis são exaltados à unidade com Deus, em amor e em espírito. Portanto esforcemo-nos para fazer a vontade de Deus, para que em verdade possamos ser exaltados a tais alturas majestosas.

Ó Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, Que és o Deus de toda misericórdia e bondade, guarda-nos em Tua misericórdia até o fim, e não Te encolerizes conosco, mas antes perdoa-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Santo Igúmeno e Místico Sérgio de Radonége (+ 1392) - 25 set/08 nov


Sérgio foi um grande asceta, uma luz da Igreja Russa. Nasceu em 1313, em Rostov, de pais devotos, Cirilo e Maria. Após a morte de seus pais, Bartolomeu (pois esse era seu nome de batismo) tornou-se monge e fundou o Mosteiro da Santa Trindade nas florestas de Radonezh. Como um silencioso e gentil servo de Deus, conhecia apenas o trabalho e a oração. Por causa da pureza de seu coração, foi feito digno do dom da taumaturgia, chegando até a ressuscitar os mortos em nome do Cristo. A Santa Deípara lhe apareceu muitas vezes. Príncipes e bispos iam até ele em busca de conselho. Abençoou o Príncipe Demétrio Donskoy e predisse a sua vitória na batalha pela libertação da Rússia dos tártaros. Via o interior dos corações dos homens, bem como eventos futuros. Seu mosteiro era repleto de monges, já durante sua vida, e, século após século, tem se mantido como um dos mais importantes centros da vida espiritual e dos milagres de Deus. São Sérgio repousou no ano de 1392. Após seu repouso, apareceu muitas vezes a diversas pessoas.
Hino de Louvor
Venerável Sérgio de Radonége
Exemplo de mansidão orante
Desde sua juventude, o santo Sérgio
Amava Deus e a beleza de Deus
E instilava em si a serenidade e a bondade.
Encheu a selva com a oração incessante
E transformou a floresta num lugar santo de Deus.
Não se importava com a vaidade mundana,
Nem jamais se enraiveceu.
Totalmente calado e manso com todos,
Mas nada manso, porém, com o pérfido adversário.
Com o inimigo de Deus, o pai de toda a mentira,
Que busca devorar as almas dos homens,
Sérgio lutou com bravura uma dura batalha,
Incansável e potente até a vitória final.
Assim o ancião repousou, mas o santo ficou
Como uma coluna de fogo para o povo russo,
Rogando a Deus por todas as bênçãos
E trazendo as bênçãos do Céu a seu povo.
Santo Sérgio, não deixes de brilhar,
Não cesses de orar ao Deus Altíssimo
Pelo bem da Igreja, pelo bem da Rússia,Na glória do Cristo, ó São Sérgio!

Reflexão
Um santo não brilha exteriormente. Todas as suas riquezas são internas: estão em sua alma. Um camponês veio de longe ao mosteiro para ver São Sérgio. Quando perguntou aos monges pelo abade, disseram-lhe que trabalhava na horta. O camponês foi à horta e viu ali um homem em roupas pobres e esfarrapadas, cavando como qualquer outro camponês de fazenda. Insatisfeito, o camponês retornou ao mosteiro, achando que os monges haviam feito chacota dele. Assim, para deixar as coisas claras, perguntou mais uma vez pelo glorioso santo padre, Sérgio. Nesse exato momento Sérgio voltou ao mosteiro e deu as boas-vindas ao camponês, servindo-lhe à mesa. O santo vira o interior do coração do visitante e sabia do baixo conceito que ele tivera de sua aparência. Consolou-lhe prometendo que veria Sérgio dentro de pouco tempo. Então um príncipe e seus boiardos chegaram ao mosteiro e todos se prostraram perante São Sérgio, pedindo-lhe a benção. Os monges então retiraram o camponês do aposento a fim de acomodar os novos visitantes. Consternado, o camponês observava à distancia, verificando que aquele a quem procurava estivera por perto o tempo todo. O camponês se censurou por sua ignorância e ficou muito envergonhado. Quando o príncipe partiu, o camponês se aproximou depressa do santo, caiu aos seus joelhos e começou a implorar seu perdão. O grande santo abraçou-o e lhe disse: "Não lamentes, meu filho, pois és o único que descobriu a verdade sobre mim, considerando-me um nada; enquanto outros se iludiram, tomando-me por grande coisa."

terça-feira, 7 de outubro de 2008

“Sobre Deus Espírito Santo, que procede do Pai“

Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim. (Jo, 15, 26)
Irmãos, as profundezas da Essência de Deus são impenetráveis. Mas Deus nem ocultou tudo de nós, e nem nos revelou tudo. Ele nos revelou tanto quanto nossa fraqueza pode suportar e o quanto é necessário para a nossa salvação. Sobre o Espírito Santo, foi-nos revelado que Ele procede do Pai e é enviado pelo Filho. Que ninguém busque mais que isso, para que não caia em erro. Dado que Ele procede do Pai, Ele é de uma só Essência com o Pai; dado que Ele é enviado pelo Filho para continuar a obra do Filho, Ele é igual ao Filho. O Senhor dissera antes: De Mim testifica (...) o Pai (João 8:18); e agora Ele diz do Espírito de Verdade que Ele testificará de Mim. Ambos os testemunhos são o mesmo: é por isso que o Senhor menciona um numa ocasião e o outro em outra ocasião. Aquele que testifica e Aquele que testificará são iguais em Essência – pois o Senhor não haveria de ter um testemunho futuro menor do que o testemunho passado. Dessa forma, falamos do tempo em termos humanos, mas na realidade os Três testificam eternamente no Céu, conforme as palavras do Evangelista: Porque Três são os que testificam no Céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes Três são Um (I João 5:7).

Há homens que afirmam que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Quem lhes revelou isso, e quando? Sabemos que o Espírito Santo procede do Pai, pois isso nos foi revelado pelo Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, rejeitamos tal acréscimo à nossa Fé Ortodoxa, pois que não se coaduna com as palavras do próprio Senhor. E ainda: para que compreendamos verdadeiramente as palavras do Puríssimo Senhor, nossos corações têm que se tornar muito puros. Por conseguinte, temos mais que fazer esforços para purificarmos os nossos corações das paixões do que obedecer à vã curiosidade intrometendo-nos, com o coração impuro, nas infinitas profundezas infinitas do ser de Deus; pois os que o fazem caem na heresia e perdem as suas almas.

Ó Senhor Deus, grande e poderoso, damos graças a Ti por teres vindo a nós por meio de nosso Salvador Jesus Cristo; daí sabemos que não somos a prole das trevas, mas antes os filhos da luz.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Festa da Concepção de São João, o Grande Profeta, Precursor e Batista de Nosso Senhor Jesus Cristo - 23 set/06 out

Neste dia, celebram-se a misericórdia, os milagres e a sabedoria de Deus. A Sua misericórdia para com os devotos e justos pais de São João, os idosos Zacarias e Isabel, que durante toda a vida desejaram e imploraram um filho a Deus; o Seu milagre, o da concepção de João no idoso ventre de Isabel; e a Sua sabedoria, na dispensação da salvação do homem. Deus tinha um desígnio especialmente grande para João, a saber: o de que ele fosse o Profeta e o Precursor do Cristo Senhor, o Salvador do mundo. Por meio de Seus anjos, Deus anunciou o nascimento de Isaac à estéril Sara, o de Sansão à estéril mulher de Manué e o de João, o Precursor, aos estéreis Zacarias e Isabel. Todos eram pessoas para quem Ele tinha planos especiais, e Ele predisse seus nascimentos por meio de Seus anjos. Como puderam nascer filhos de pais idosos? Quem deseja compreender isso não o deve perguntar aos homens, pois os homens não o sabem; nem estudar a lei natural, pois isso ultrapassa a lei natural. Deve antes voltar o olhar ao poder de Deus Onipotente, que criou o mundo inteiro do nada e que não precisou de pais – velhos ou jovens – para a criação do primeiro homem, Adão. Em vez de sermos curiosos, demos graças a Deus, que com freqüência nos revela Seu poder, misericórdia e sabedoria de maneiras que ultrapassam a lei natural (na qual estaríamos aprisionados sem esses milagres especiais de Deus, e cairíamos no desespero e no esquecimento de Deus).

domingo, 5 de outubro de 2008

OrtoFoto

Polônia
autor: Marek Lach