“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

História Resumida do Patriarcado da Sérvia

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O Cristianismo nos territórios da atual Sérvia começou a desenvolver-se já no primeiro século de nossa era. A Tradição fala que a Boa Nova trouxeram aqui os próprios apóstolos, durante suas viagens missionárias: Apóstolo André e o Apóstolo Paulo, que para os Bálcãs enviou seu discípulo Tito. No século IV nos Bálcãs já havia o arcebispado de Tessalônica e a Metropolia de Sirmijum. As posteriores invasões dos Awar quase totalmente destruíram a, então existente, estrutura da Igreja. No século VII a cristianização destas terras rivalizava entre si Roma e Constantinopla. Até o ano de 732 a Sérvia encontrava-se na jurisdição da Igreja do Ocidente. Em 732 o imperador Leão III, Isáurico realizou nova divisão do império, em conseqüência da qual a Sérvia passa para a jurisdição do Patriarcado de Constantinopla.

Posteriormente, o cristianismo fortaleceu-se com a atividade missionária dos irmãos Cirilo (826-869) e Metódio (820-885). Em 869 por recomendação do imperador Basílio dirige-se para a Sérvia um grupo de clérigos gregos. Em 879/880 sob o governo do príncipe Mutimir, ocorre o batismo oficial da nação sérvio. Foi aberto, então, o bispado com capital em Ras, subordinado ao patriarca de Constantinopla. Em conseqüência da conquista da Sérvia pelo rei búlgaro Simeão I, o Grande (893-927), a Igreja sérvia tornou-se parte da Igreja búlgara. No ano de 1018, depois da derrota da Bulgária pelo imperador bizantino Basílio II, o Matador de búlgaros o bispado foi anexado ao arcebispado independente de Ochrid do patriarcado de Constantinopla.

Significado decisivo na história da nação sérvia e da Igreja foi o governo do rei Estevão I Nemani (1159-1195). Ele facilitou a reconstrução tanto da independência do país quanto da Igreja. Ele apoiou o desenvolvimento da Igreja, fundou mosteiros, templos, hospitais e asilos. O rei Estevão em 1196 recebeu os votos monásticos com o nome de Simeão e estabeleceu-se no Monte Atos. O poder transmitiu a seu filho Estevão, o Jovem. Junto com ele no Monte Atos esteve seu segundo filho – São Sawa. Juntos construíram o mosteiro sérvio de Chilandar no Monte Atos. Depois de 20 anos de trabalhos no mosteiro, São Sawa voltou ao país para enterrar o pai, morto no ano de 1200.

Em 1219, São Sawa foi elevado à dignidade de bispo e tornou-se, de fato, o criador da Igreja Sérvia independente. Ele dirigiu a Igreja por 14 anos. Este é o período mais esplendoroso do desenvolvimento da cultura religiosa sérvia. Em 1221 no dia da Ascensão do Senhor, São Sawa coroou seu irmão Estevão, o Jovem como primeiro rei da Sérvia.

Em 1346, no concílio em Skopije com a presença de arcebispos búlgaros e de Ochrid assim como de monges do Monte Atos, foi criado o patriarcado sérvio com capital em Pecz. O primeiro patriarca eleito foi Joanicio II (1346-1354). A criação do patriarcado ocorreu sem negociações com Constantinopla e por isso Calisto, o patriarca de Constantinopla, não apenas não reconheceu a criação do patriarcado sérvio como também o excomungou em 1352. Somente depois de conversas e negociações, em 1353, as decisões do concílio em Skopije foram aceitas como canônicas.

O patriarcado sérvio usufruiu um período muito curto de independência. Depois da sofrerem derrota pelos turcos no Kosovo em 1389 a Sérvia praticamente deixou de existir em 1459 e tornou-se parte do país turco. A Igreja encontrou-se em situação muito difícil e ficou privada de seus direitos e da proteção do estado. A maioria das igrejas foram transformadas em mesquitas. Foram fechados mosteiros e as atividades educacionais e editoriais vinculadas a eles suspensas. A Igreja Sérvia tornou-se uma jurisdição subordinada ao patriarca de Constantinopla. Os cristãos ortodoxos eram compelidos a converterem-se ao islamismo à força ou com pressões administrativas.

Os sérvios não se renderam e lutaram pelo direito à independência política e liberdade de confissão da fé de seus antepassados. No tempo do patriarca Macário Sokolowicz (1557-1571) a Igreja Sérvia gradualmente revivifica-se e consegue independência. Foram feitas, também, tentativas no sentido de reinstalar o patriarcado. Os turcos entenderam que a fé é a força espiritual da nação e assim querendo lutar contra ela em 1594 queimaram nas proximidades de Belgrado as relíquias do primeiro arcebispo sérvio São Sawa. Entretanto, isto não refreou as aspirações de libertação nacional. Revoltas e insurreições explodiam a cada dezena de anos até metade do século XIX.

As autoridades turcas, todo o tempo, aspiravam destruir a independência religiosa sérvia. A liquidação final da autocefalia aconteceu a mando do sultão Mustafá III no dia 11 de setembro de 1766, no tempo do patriarca Samuel I de Constantinopla. O patriarcado de Pecz foi degradado ao nível das menores metropolias subordinadas ao patriarca de Constantinopla. Iniciou-se um tempo de dinâmica helenização da hierarquia, e posteriormente de toda a Igreja e nação sérvia. Os bispos sérvios ficaram privados de suas cátedras, e em seus lugares foram enviados gregos. A língua litúrgica passou a ser o grego. Foram proibidas as homilias em sérvio. As perseguições por parte dos turcos e fanariat 1 obrigou muitos sérvios emigrar.

Depois da guerra turco-russa (na qual os turcos foram derrotados) à força das decisões do Congresso de Berlim de 1878, a Sérvia obteve a independência política. O novo governo e as autoridades da Igreja enviaram moção ao patriarca Joaquim III solicitando a concessão da autocefalia. Em 1879 o patriarca concede a autocefalia à Igreja Sérvia, entretanto não para todos os territórios do antigo patriarcado. No ano de 1882 depois da formação do Reino Sérvio seguiu-se a reforma da lei interna. A finalização da formação administrativa da estrutura da Igreja Sérvia aconteceu em 1890. As novas regras não garantiam, entretanto, na medida do possível uma vida normal de Igreja, porque o país estava esfacelado politicamente. Diversas de suas partes encontravam-se sob o patronato de vários países (Turquia, Áustria, Hungria), e em conseqüência os bispados também, o que desfavoravelmente afetava a percepção da nova lei e condução da política de unidade da Igreja. Foram criadas metropolias distintas, por exemplo, Montenegro, e as Igrejas Autônomas na Bósnia, Herzegovínia e na Macedônia.

Na composição do patriarcado sérvio, então, entravam 21 dioceses. As dioceses foram divididas em três metropolias. Além delas a Igreja exercia proteção canônica sobre mais algumas poucas dioceses no Canadá, América do Norte e nos territórios da atual República Tcheca.

Em 1918, ocorre a unificação da Sérvia, Herzegovínia, Montenegro e Bósnia. Em 1919, uniram-se a esses países a Croácia e a Eslovênia. Assim surgiu o reino dos sérvios, croatas e eslovenos. O novo país recebeu o nome de Iugoslávia.

No dia 30 de agosto de 1920, no concílio em Sremsk Karlowca foi anunciada a restauração do patriarcado. O metropolita de Belgardo tornou-se o chefe da Igreja. Apesar do silêncio inicial o patriarca de Constantinopla ratificou este ato com decreto em 1921.

No ano de 1941os fascistas alemães atacaram e dominaram o território da Sérvia. Dominaram-na, aliados com as turbas croatas. O controle do país foi tomado por Ante Paveli. Este período foi para os sérvios o mais duro de toda a sua história. Os sérvios eram perseguidos pela sua fé e nacionalidade, porque a única fé permitida no país era a católica romana. Neste período sucumbiram um milhão e setecentos mil ortodoxos. Particularmente e ativamente combateram a hierarquia ortodoxa. O extermínio estava relacionado com a re-cristianização que foi conduzida com o uso da força. Freqüentemente a aceitação do batismo latino era a única saída para evitar a morte. O terror durou até a libertação da Iugoslávia.

Depois da guerra, as autoridades da Iugoslávia encontraram-se diante de um sério dilema, no território da Iugoslávia estavam em contato grandes grupos religiosos: ortodoxos, católicos romanos e mulçumanos. De modo a conduzi-los a uma convivência pacífica, já em 1946 foi registrado na constituição um artigo inteiro sobre as bases da Igreja no país.

O final dos anos oitenta foi um período de renascimento da Igreja. Os ortodoxos constituíam o mais numeroso grupo religioso na Iugoslávia. O número de ortodoxos ultrapassava os 10 milhões. A Igreja contava, então, com 21 dioceses no país e 10 na Europa Ocidental, USA, Canadá e Austrália. Em 3000 paróquias encontravam-se 4200 templos (no território do país), em torno de 200 mosteiros, nos quais viviam cerca de 1000 monges e monjas. A Igreja possuía 4 seminários (com capacidade para cerca de 600 alunos) assim como um departamento de teologia na universidade de Belgrado. Esta estrutura quebrou-se em 1991, quando explode na Iugoslávia a guerra civil. Ao longo das atividades de guerra, como também em conseqüência do fanatismo descontrolado, muitos templos foram destruídos. Quando a Croácia torna-se um país independente, a Igreja Ortodoxa não abandonou seus fiéis que permaneceram naquele território. A Igreja apelou para um perdão mútuo das culpas e a reconstrução de casas e igrejas.

Em 1999 explode novo conflito, desta vez entre a Sérvia e o os albaneses. Isto levou a uma intervenção da OTAN no Kosovo. Em conseqüência de ataques aéreos destruidores mais igrejas, templos, monumentos de arte sacra foram danificados ou totalmente destruídos. Depois da guerra a Igreja, novamente, renasce, entretanto, constantemente acontecem ataques de membros do Exército de Libertação do Kosovo em mosteiros e igrejas ortodoxas. Segundo dados da Igreja Ortodoxa Sérvia, no período de junho a outubro de 1999 foram danificados e saqueados 76 igrejas e mosteiros, 64 foram incendiados, 39 minados e o alicerce de 5 minados.

O patriarca atual da Igreja Sérvia é sua Santidade Patriarca Paulo, que é o 44o. patriarca na história da Igreja Sérvia. Nasceu em 11 de setembro de 1914, em Slavonia. Foi elevado à dignidade de bispo em 22 de setembro de 1957. Foi eleito, em 1 de dezembro de 1990, chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia e a entronização ocorreu no dia seguinte.

O chefe da Igreja Sérvia tem direito a usar o título de oficial de: Sua Santidade Patriarca Sérvio, Arcebispo de Belgrado-Karlowac. A residência do patriarca e sua catedral dedicada ao Arcanjo Gabriel situam-se em Belgrado. Sua Santidade, Patriarca Paulo realizou visita à Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia em 2001.

Sua Santidade PAULO I
Patriarca da Sérvia,
Arcebispo de Belgrado-Karlovci

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

OrtoFoto

Sérvia
autor: Sasa Lazarevic

“Sobre o sofrimento do Cristo”

Agora, a minha alma está perturbada; e que direi eu?
Pai, salva-me desta hora; mas para isso vim a esta hora. (Jo. 12, 27)

Nada mais real veio a este mundo terreno do que o Senhor Jesus Cristo: nada mais real enquanto Deus e nada mais real enquanto homem. Em verdade, perante Jesus Cristo, este mundo inteiro é como uma miragem. Nem a terra, nem a água, nem o ar, nem a luz sequer chegam perto de Sua realidade. Eis que tudo isso passará, mas Ele permanecerá. De fato, Ele é a pedra fundamental do mundo eterno e imperecível; e somente Ele e aqueles que se apegarem a Ele tomarão parte nessa realidade eterna e imperecível. As tumultuosas mas impotentes ondas do tempo furiosamente assaltaram (e continuam a assaltar) a realidade da divindade do Cristo e até da Sua humanidade. Assim como muito esforço foi necessário para que os cristãos abrissem os olhos dos pagãos e provassem a Divindade do Cristo, tanto foi igualmente necessário para abrir os olhos dos hereges e provar a Sua humanidade. O onisciente Espírito Santo previu isso e, através dos Evangelistas, preparou as armas dos guerreiros cristãos. Agora a Minha alma está perturbada. Sentiria o Senhor aflições, se não fosse um verdadeiro homem, sujeito a todas as fraquezas da natureza física, exceto o pecado? E Ele haveria de sentir não apenas aflição, mas também medo: Pai, salva-Me desta hora! Isso é dito pela fraca natureza humana que teme a morte (pois se refere à morte). Entretanto, Sua natureza humana não era pecaminosa, mas impecável, pois nosso Senhor imediatamente acrescenta: Mas para isto vim a esta hora. Vedes quão importante é a morte de Cristo? Por ela é que somos redimidos e por ela é que somos salvos. Portanto, que ninguém pare nos ensinamentos de Cristo; mas, antes, dirija-se ao Gólgota e contemple com horror o sacrifício sangrento na Cruz, que foi oferecido pelos nossos pecados, pela nossa salvação das imundas mandíbulas da serpente do hades.

Ó Senhor Jesus Cristo, que sofreste por nós e pela nossa salvação, tem piedade de nós, agora e sempre.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Santo Pont. e Conf., Eumênio, Arcebispo de Gortina–Creta (+ séc. VII) - 18 set/01 out

Desde a juventude, Eumênio seguia ao Cristo de todo o coração, libertando-se de dois pesados fardos: o fardo da riqueza e o fardo da carne. Ficou livre do primeiro fardo distribuindo toda seu patrimônio aos pobres e necessitados; e do segundo jejuando com rigor. Deste modo, ele primeiro curou a si mesmo, e depois começou a curar os outros. Livre das paixões e cheio da graça do Espírito Santo, Eumênio brilhava com uma luz que não podia ser escondida. Conforme está escrito, não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte (Mateus 5:14), assim o santo Eumênio não podia ser escondido do mundo. Testemunhando sua bondade, o povo o elegeu Bispo de Gortina e ele governou o rebanho do Cristo como um bom pastor. Era um pai para os pobres, riqueza para os necessitados, consolação para os aflitos, médico para os enfermos e um prodigioso taumaturgo. Por suas orações, operou muitos milagres: dominou uma serpente venenosa, expulsou demônios e curou muitos doentes – e isso ele o fez não somente em sua própria cidade, mas também em Roma e na Tebaida. Numa época de seca na Tebaida, obteve de Deus a chuva pelas suas orações. Ali na Tebaida terminou a sua vida terrena e tomou posse de sua morada na casa eterna de seu Senhor. Viveu e labutou no século VII.

“Sobre o Senhor Ressuscitado e Vivo, que é a Ressurreição e a Vida”

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida;
quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá, (Jo. 11,25)

O Senhor Jesus Cristo falou essas santas palavras. Não apenas as falou, como também as comprovou com Seus atos. Ressuscitando a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e o Seu amigo Lázaro, Ele provou que é a ressurreição e a vida, o Ressuscitador e o Vivificante. E mesmo assim Ele as comprovou melhor pela Sua própria Ressurreição dentre os mortos. Pois estar vivo e assim ajudar os mortos eram coisas de que já se ouvira antes. Mas estar morto e enterrado, jazer no túmulo por três dias e dar a vida a si mesmo, isso era inaudito até a Ressurreição de Cristo. É o milagre dos milagres e a prova de um poder acima de qualquer outro poder. Esse milagre foi operado pelo nosso Senhor. O nosso Senhor manifestou esse poder. Logo, verdadeiras são Suas palavras, Eu sou a ressurreição e a vida: verdadeiras, santas e consoladoras para todos nós que viajamos rumo à inescapável morte do corpo e esperamos viver além do túmulo e ver o nosso Senhor Vivo em glória.

Entretanto, o Senhor não é somente o Ressuscitador do corpo mas também o Ressuscitador da alma. Durante Sua vida sobre a terra, ressuscitou apenas uns poucos corpos humanos, mas incontáveis almas -- para demonstrar que a ressurreição da alma é muito mais importante do que a ressurreição do corpo. Quase todas as almas humanas estavam mortas quando Ele veio ao mundo; e Ele ressuscitou inúmeras almas pelo Seu poder e imbuiu nelas a Sua vida. Tanto os judeus quanto os pagãos estavam mortos em alma e Ele avivou a uns e a outros. Meus irmãos, deixemos de lado todas as preocupações com a ressurreição de nossos corpos e batalhemos, enquanto ainda temos tempo, pela ressurreição de nossas almas. Pois se as nossas almas não ressuscitarem e não forem avivadas pelo Cristo ainda sobre a terra, não esperemos nenhum júbilo pela ressurreição de nossos corpos no Dia do Juízo, o Dia da Ira. Pois nessa ocasião os corpos de nossas almas mortas serão ressuscitados, não para a vida, mas para o tormento eterno.

Senhor Jesus Cristo, nossa única ressurreição e vida, ajuda-nos pelo Teu poder e pela Tua misericórdia, para que sejamos ressuscitados e avivados por Ti para a salvação e a vida eterna.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

OrtoFoto

Herzegovínia

“Sobre o duplo testemunho do Filho de Deus”

Eu sou o que testifico de mim mesmo,
e de mim testifica também o Pai,
que me enviou. (Jo. 8, 18)

Está escrito na Lei que duas testemunhas são necessárias para se provar alguma coisa. Antes de tudo, o Senhor ofereceu aos incrédulos judeus três grandes testemunhas de Si mesmo: o Pai, Suas próprias obras e a Sagrada Escritura (Jo5, 36- 39). E contudo, mesmo depois de Seus inúmeros milagres e depois de ter exposto amplamente os Seus ensinamentos, Ele lhes disse que o Seu próprio testemunho de Si mesmo era verdadeiro e suficiente (João 8:14). Finalmente, Ele de novo enfatizou dois testemunhos – o Dele e o de Seu Pai –, de acordo com a letra da Lei, que exigia duas testemunhas. Assim o Senhor sela os lábios dos incrédulos de todas as maneiras e não lhes deixa escapatória alguma a não ser o crime de homicídio, que é o último recurso daqueles que se recusam a se deixar convencer pela verdade, a despeito da razão ou das provas. Neste último caso em particular, com a apresentação, pelo Senhor, dos testemunhos Seu e de Seu Pai, Ele também quis mostrar que era uma Pessoa [Hipóstase] separada do Pai e, mesmo assim, uno em Essência com o Pai. Portanto, Ele apresenta dois testemunhos: o Seu próprio testemunho em separado e o testemunho de Deus Pai. Confirmam isso as seguintes palavras: Se vós Me conhecêsseis a Mim, também conheceríeis a Meu Pai (Jo.8, 19). Aqui, está expressa a completa unidade essencial do Pai e do Filho, e não resta a menor dúvida sequer de que o Senhor estava pensando em Sua igualdade essencial com Seu Pai. As palavras aqui se referem à Natureza Divina e não a natureza humana. Quem quer que conceba a Santa Trindade como três seres corpóreos engana a si mesmo. Apenas o Filho de Deus apareceu na carne, em prol da salvação do mundo. O Pai e o Espírito Santo não tomaram a carne. De acordo com Sua Natureza Divina, o Filho, mesmo na carne, permaneceu igual ao Pai e ao Espírito Santo. Ele Se revestiu da natureza humana e acrescentou-lhe Sua Natureza Divina por amor à humanidade, para que assim Ele Se revelasse aos homens e os salvasse.

Ó Santa Trindade, una em Essência e indivisa, que nos iluminou e esclareceu pelo Verbo Encarnado de Deus, sustenta-nos até o fim pela Tua santidade, Tua força e Tua imortalidade, e salva-nos.
A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santa Mártir Eufêmia, a Grande, de Calcedônia (+ 304) - 16/29 set

Eufêmia nasceu em Calcedônia. Seu pai Filofrono, um senador, e sua mãe Teodorísia eram cristãos devotos. Eufêmia era uma bela virgem de corpo e de alma. Quando o Procônsul Prisco celebrou uma festa ofereceu sacrifícios a Ares em Calcedônia, quarenta e nove cristãos rejeitaram essa estulta festa sacrifical e se esconderam. Entretanto, foram descobertos e trazidos perante Prisco. Entre eles estava Santa Eufêmia. Quando o arrogante Prisco perguntou-lhes por que haviam desafiado o decreto imperial, responderam: "Tanto as ordens do imperador quanto as tuas devem ser obedecidas, se não forem contrárias ao Deus do céu; mas, se forem contrárias a Deus, devem não apenas ser desobedecidas, como também resistidas." Por dezenove dias consecutivos, Prisco lhes impôs várias torturas. No vigésimo dia, ele separou Eufêmia dos demais e começou a bajulá-la por sua beleza, tentando conquistá-la para a idolatria. Como suas lisonjas fossem em vão, ele ordenou que a virgem fosse torturada de novo. Primeiro a torturaram na roda, mas um anjo de Deus apareceu a Eufêmia e despedaçou a roda. Lançaram-na, então, numa fornalha flamejante, mas ela foi preservada intacta pelo poder de Deus. Vendo isso, dois soldados, Vítor e Sóstenes, vieram a crer no Cristo, pelo que foram lançados às feras selvagens e assim terminaram com glória as suas vidas terrenas. Eufêmia foi então jogada num poço cheio de água e de toda sorte de bichos venenosos; mas ela fez o sinal da Cruz sobre a água e permaneceu incólume. Finalmente, foi lançada às feras selvagens e, com uma oração de agradecimento a Deus, entregou seu espírito. Seus pais enterraram honrosamente seu corpo. Eufêmia sofreu no ano de 304 e adentrou no júbilo eterno. Ela é comemorada também em 11 de julho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

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Romênia
autor: Ovidiu Man

“De como a alma deve se alimentar do Cristo a fim de viver”

Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai,
assim quem de mim se alimenta também viverá por mim. (Jo, 6: 57)
Assim fala o Cristo, o Senhor, a Vida e Fonte da Vida. Uma árvore se alimenta de terra, ar e luz. Se uma árvore não se alimentar desses elementos, será ela capaz de crescer e viver? De que se alimenta um bebê nos seios da mãe, a não ser dela? Se o bebê não se alimentar de sua mãe, crescerá e viverá? Do mesmo modo nossa alma não crescerá, nem viverá, se não se alimentar do Cristo, o Vivente e Imortal. As palavras dessa passagem não se referem à vida em geral, pela qual vive a natureza, nem à vida deformada na qual vivem os pagãos, mas a uma vida especial, divina e eterna – vida plena e cheia de alegria. Apenas o Cristo concede essa vida aos homens, e ela vem apenas àqueles que se alimentam do Cristo. Cada homem é tão grande quanto a comida de que se alimenta; cada homem é tão vivo quanto a comida de que se alimenta. As palavras, aqui, não são sobre comida corporal, pois apenas o corpo do homem – não seu espírito – alimenta-se de comida material. Os homens se diferenciam tanto na vida física quanto no crescimento físicos, mas tais diferenças são totalmente insignificantes. Entretanto, a diferença na vida e no crescimento espirituais entre os homens é enorme. Ao passo que algumas pessoas, pelo amadurecimento das almas, mal conseguem se erguer sobre a terra, outros se erguem para os céus. A diferença entre Herodes e João Batista não é menor do que a diferença entre um rei e um anjo. Enquanto aquele arrasta o corpo e alma pela terra e impiamente defende seu trono, este coloca o próprio corpo sobre uma rocha no deserto e é levantado em alma aos céus, entre os anjos.

Ó irmãos meus, ergamos nossas almas aos Céus, onde o Cristo Senhor Se assenta no trono da eterna glória, e alimentemos e nutramos nossas almas e corações com Ele, a Vida pura e onipotente. Somente então, seremos feitos dignos de sermos Seus co-herdeiros no Reino dos Céus.

Senhor Jesus, nosso verdadeiro Deus, nosso doce alimento e Nutridor filantropo, não nos lances fora de Teu seio divino, pois somos fracos e desamparados. Alimenta-nos contigo mesmo, ó nosso misericordioso Nutridor.

A Ti, glória e louvor para sempre. Amém.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Santo Pontífice e Mártir, Antônomo, Bispo de Bitínia (+ c. 313) - 12/25 set

Durante as perseguições de Diocleciano, Autônomo partiu da Itália para a Bitínia asiática, para um lugar chamado Soréus. Lá, ele converteu muitos ao Cristianismo e construiu-lhes uma igreja dedicada ao santo Arcanjo Miguel. Autônomo vivia na casa de um devoto cristão, Cornélio, quem ele primeiro ordenou como presbítero e, mais tarde, consagrou ao episcopado. Não muito longe de Soréus, havia um lugar chamado Limanas, habitado somente por pagãos. Santo Autônomo dirigiu-se àquela região e, em breve tempo, iluminou a muitos com o Evangelho de Cristo, o que enfureceu os pagãos. Um dia, os pagãos invadiram a Igreja do Santo Arcanjo Miguel em Soréus em pleno serviço divino, assassinaram Autônomo no santuário e mataram muitos cristãos na igreja. No reinado do Imperador Constantino, Severiano, um nobre real, edificou uma igreja sobre o túmulo de Santo Autônomo. Duzentos anos depois de sua morte, Santo Autônomo apareceu a um soldado chamado João. João exumou as relíquias do santo, encontrando-as completamente incorruptas, e muitos enfermos receberam curas a partir das relíquias de Autônomo. Assim Deus glorifica aquele que O glorificava enquanto vivia na carne.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

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Sérvia
autor: Aleksa Stojkovic