sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Santo. Mártir Lupus de Nobes – Mísia, escravo de São emétrio da Tessalônica (+séc. IV) - 23 ago/05 set
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
«Cristianismo corre perigo no Oriente», Adverte o arcebispo ortodoxo de Aleppo (Síria)
L’AQUILA, segunda-feira, 1º de setembro de 2008 (ZENIT.org).- «O cristianismo corre perigo no Oriente» é a advertência lançada na quinta-feira passada pelo arcebispo ortodoxo de Aleppo (Síria), Dom Gregorios Yohanna Ibrahim, no «Fórum internacional sobre o diálogo inter-cultural no Mediterrâneo», celebrado na cidade italiana de L’Aquila. Para o prelado, são os números que falam: «Esses 15 milhões de cristãos, contra 300 milhões de muçulmanos, podem ficar, por enquanto, professando o Evangelho e promovendo a imagem do homem bom. Mas se as guerras continuarem, eles se verão obrigados a migrar e, uma vez tenham ido embora, já não voltarão». O arcebispo de Aleppo explicou que na Síria o governo promove o diálogo entre as duas principais religiões, cristã e muçulmana, e que os cristãos lá presentes participam dos ritos muçulmanos, compartilham as mesmas escolas, os mesmos lugares de trabalho e lazer, «mas o crescimento do fanatismo islâmico deve nos fazer refletir sobre o futuro», acrescentou.
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12:40
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Santo Mártir Agatônico, de Selíbria, e seus comps. Mártires Zótico, Teoprépio, Acíndino, Severiano e outros - 22 ago/04 set
Santo Agatônico era cidadão da Nicomédia e, pela fé, cristão. Com grande zelo, ele converteu os Helenos da idolatria e instrui-os na verdadeira fé. Sob as ordens do Imperador Maximiano, o governador regional perseguiu cruelmente os cristãos. O deputado capturou São Zótico num lugar chamado Carpe. Ele crucificou os discípulos de Zótico, que foi levado para a Nicomédia, onde o deputado também capturou e prendeu Agatônico. Princeps, Teoprépio, Acíndio, Severiano, Zeno e muitos outros. Firmemente aprisionados, todos eles foram levados a Bizâncio. Durante o percurso da viagem, São Zótico, Teoprépio e Acíndio morreram por causa dos muitos ferimentos e exaustão. Severiano foi morto perto de Calcedônia. Já Agatônico e os demais foram levados para Selibria, na Trácia, onde, depois de muitas torturas na presença do imperador, eles foram decapitados, entrando na vida e alegria eternas de seu Senhor.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
"Buscar o Reino de Deus"
Se você perguntar a muitas pessoas por que elas não vão à Igreja para orar, geralmente elas lhe responderão: Eu não tenho tempo, eu tenho que trabalhar! Olhe para essas pessoas que apenas trabalham e não freqüentam a igreja, colocando toda sua confiança em seu trabalho, e compare-as com as que compartilham o tempo tanto para o trabalho como para a oração. Você rapidamente se convencerá de que as últimas estão mais bem-de-vida e, o mais importante, estão mais contentes. Eis uma história de dois alfaiates vizinhos que eram muito diferentes em seus pontos-de-vista sobre o trabalho e a oração, assim como em posses e satisfação. Um deles tinha uma grande família, enquanto que o outro era solteiro. O primeiro tinha o hábito de ir à igreja toda manhã para oração, mas o solteiro jamais ia à igreja. Não somente o primeiro trabalhava menos, como também era menos habilidoso do que o outro. O solteiro perguntou ao vizinho como este tinha tudo, se trabalhava menos. Seu amigo orante respondeu-lhe, dizendo que ele freqüentava a igreja todos os dias e encontrava ouro perdido pelo caminho! Ele convidou o solteiro a ir orar com ele e, assim, eles compartilhariam o ouro. Ambos os vizinhos começaram a freqüentar regularmente a igreja e, em pouco tempo, equiparam-se em abundância e satisfação. Obviamente, eles não encontraram nenhum ouro no caminho, mas encontraram o verdadeiro ouro da benção de Deus, que multiplica a abundância dos verdadeiros devotos. Aos que buscam primeiro o Reino de Deus e Sua retidão (Mateus 6:31), Deus adiciona e aumenta tudo o que é necessário para a vida física.
Santo Apóstolo Tadeu, dos Setenta Discípulos do Senhor (+ Séc. I) - 21 ago/03 set
Esse Tadeu pertencia ao círculo dos Setenta e não o dos Doze Apóstolos. São Tadeu, a princípio, encontrou-se com João Batista, pelo qual ele foi batizado; depois, ele descobriu o Senhor Jesus e seguiu-O. O Senhor contou-o entre os Setenta Menores Apóstolos, que Ele enviou dois a dois diante de Sua face (Lucas 10:1). Depois de Sua gloriosa Ressurreição e Ascensão, o Senhor enviou Tadeu a Edessa, terra natal do Apóstolo, de acordo com a promessa que Ele dera ao Príncipe Agbar, quando Ele devolveu a este a toalha com a imagem de Sua face sobre ela (Ícone do Senhor “Não-feito-de-mãos-humanas”, 16 de Agosto). Beijando a toalha, Agbar foi curado da lepra, mas não completamente. Quando o São Tadeu encontrou-se com Agbar, o Príncipe recebeu-o com grande alegria. O Apóstolo de Cristo instrui-o na Verdadeira Fé e, depois, batizou-o. Quando Agbar emergiu da água batismal, ele ficou totalmente curado. Glorificando a Deus, Príncipe Agbar também determinou que seu povo conhecesse o Verdadeiro Deus e glorificassem-No. O Príncipe reuniu todos os cidadãos de Edessa diante do Santo Apóstolo Tadeu, para ouvirem seus ensinamentos sobre Cristo. Ouvindo as palavras do Apóstolo e vendo seu príncipe miraculosamente curado, o povo rejeitou sua antiga idolatria e seu impuro modo-de-viver, abraçaram a Fé Cristã e foram batizados. Deste modo, a cidade de Edessa foi iluminada pela Fé Cristã. Príncipe Agbar trouxe muito ouro e ofereceu-o ao apóstolo, mas Tadeu lhe disse: “Desde que abandonamos nosso próprio ouro, como podemos receber ouro de outros?” São Tadeu pregou o Evangelho por toda a Síria e Fenícia. Repousou no Senhor na cidade fenícia de Beirute.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Santo Profeta Samuel (+ c. 1010 a. J.C.) - 20 ago/02 set
Samuel foi o décimo-quinto e último juiz de Israel. Ele viveu a mil e cem anos antes de Cristo. Samuel nasceu na tribo de Levi, de Elcana e Ana, num lugar chamado Ramata (ou Arimatéia), onde nasceria, tempos depois, o nobre José. Em prantos, a estéril Ana implorou a Deus pelo menino Samuel e dedicou-o a Deus, quando ele tinha três anos de idade. Vivendo em Silo, próximo à Arca da Aliança, Samuel teve uma verdadeira revelação de Deus aos seus doze anos de idade, sobre as punições que cairiam sobre a casa do sumo sacerdote Eli, por causa da imoralidade de seus filhos, Ofini e Finéias. Essa revelação logo se cumpriu: os filisteus derrotaram os israelitas, assassinaram os dois filhos de Eli e capturaram a Arca da Aliança. Quando o mensageiro informou a Eli essa tragédia, o sumo sacerdote caiu ao solo e morreu, aos noventa e oito anos de idade. O mesmo veio a aconteceu com sua nora, esposa de Finéias. Por vinte anos, os israelitas foram escravos dos filisteus. Depois, Deus enviou Samuel para pregar arrependimento ao povo, caso eles desejassem a salvação contra seus inimigos. O povo arrependeu-se, rejeitou os ídolos pagãos aos quais serviam e reconheceram Samuel como profeta, sacerdote e juiz. Então, Samuel partiu para a batalha contra os filisteus com um exército. Graças à ajuda de Deus, ele confundiu e derrotou os filisteus, libertando Israel. Após esses acontecimentos, Samuel julgou pacificamente seu povo até avançada idade. Considerando sua avançada idade, o povo pediu-lhe que se instalasse um rei para eles em seu lugar. Em vão, Samuel tentou dissuadi-los deste pedido, dizendo-lhes que Deus era o único verdadeiro Deus, mas o povo insistia irredutivelmente. Mesmo que não fosse do agrado de Deus, Ele ordenou que Samuel ungisse Saul, filho de Kish, da tribo de Benjamim, como rei. Saul reinou apenas por pouco tempo, antes de Deus rejeitar Saul por sua imprudência e desobediência. Deus, por Sal vez, ordenou que Samuel ungisse o filho de Jessé, Davi, como rei no lugar de Saul. Antes de sua morte, Samuel reuniu todo o povo e despediu todos eles. Quando Samuel morreu, todo o Israel chorou sua morte e enterrou-o honrosamente em sua casa, em Ramata.
Santo Profeta Samuel
Amado Juiz de seu povo:
Ele reverenciava a Deus – Deus acima de tudo!
Por ele, a vontade era um mandamento.
Pela vontade de Deus, ele corrigia a vontade do povo,
E arrependia-se diante d’Ele pelos pecados do povo.
Sacerdote, Profeta, justo Juiz:
Em três maneiras, glorificava a Deus Samuel.
Com cada palavra sua, com cada gesto seu,
Em labutas, em oração, em sacrifício e alimento,
Com todo seu ser, ele servia a Deus.
Ele ofereceu um exemplo aos governantes do mundo:
“Ninguém pode fazer bem ao povo,
Se se afastar da Lei de Deus,
Que atenta a si mesmo e ao povo, mas não a Deus.
Tal homem os conduzirá às profundezas do abismo sem sim,
Tal como caíra Saul, e os outros com ele –
Todos os companheiros que compartilharam do pecado do povo.
Um governante deve ser escravo de Deus apenas
Para beneficio de seu povo eternamente.”
Eis o que Samuel ensinou em obras e palavras,
Esta verdade ressoa pelos séculos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Santo. Tribuno e Mártir André Stratelates - 19 ago/01 set
André era um oficial, um tribuno, do exército romano durante o reinado do Imperador Maximiano. Ele era sírio de nascimento e servia na Síria. Quando os persas ameaçavam o Império Romano com seus exércitos, André era designado a comandar o exército imperial em defesa contra os inimigos. Portanto, André foi promovido ao posto de general – “Estratelates”. Secretamente um cristão, mesmo sem ter sido batizado, André confiava no Deus Vivo e escolheu apenas os melhores dentre seus homens para entrar em batalha. Antes da batalha, ele disse aos soldados que, se estes invocassem a ajuda do único e verdadeiro Deus, Cristo Senhor, seus inimigos seriam dispersos como poeira diante deles. De fato, todos os soldados encheram-se de zelo por André e sua fé e invocaram Cristo por assistência. Então, eles atacaram. O exército persa foi sumariamente destruído. Quando o vitorioso André retornou a Antioquia, pessoas invejosas acusaram-no de ser cristão, e o representante imperial convocou-o à corte. André confessou abertamente sua inabalável fé em Cristo. Depois de torturá-lo desumanamente, o representante lançou-o na prisão e escreveu ao imperador de Roma. Tendo conhecimento do respeito com que as pessoas e o exército partilhavam por André, o imperador ordenou que o prisioneiro fosse solto e que buscasse outra oportunidade ou ocasião para matar André. Por revelação divina, André soube da ordem do imperador, logo, tomando consigo seus fiéis soldados, 2.593 ao todo, ele partiu para Tarsos, na Cicília, onde todos foram batizados pelo Bispo Pedro. Perseguidos até mesmo lá pelas autoridades imperiais, André e seu batalhão partiram para mais longe, para o Taurus, o monte armênio. O exército romano alcançou-os lá, enquanto oravam num campo, e todos eles foram decapitados. Nenhum tentou defender-se, mas todos desejaram sofrer o martírio por Cristo. Neste local, onde correu o sangue dos mártires, brotou uma fonte de águas curativas, que curava muitas pessoas de várias doenças. Bispo Pedro, em segredo, trouxe seu povo e honrosamente enterrou os corpos dos mártires onde eles haviam sido assassinados. Morrendo honradamente, eles foram coroados com os louros da glória e foram habitar no Reino de Cristo, nosso Senhor.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Dormição da Toda Santa, Toda Pura Mãe de Deus e sempre Virgem Maria - 15/28 agosto
Os Apóstolos conduzem o seu santo Corpo e o enterram em Gethsêmani. Porém, três dias mais tarde, durante uma reunião onde, segundo o hábito, partiam o pão em nome de Jesus, a Virgem lhes aparece no Céu e lhes diz: “Salve!” Eles assim ficam sabendo que ela subira aos céus com o seu corpo.
A festa de hoje tem por origem o aniversário da dedicação de um Santuário da Virgem, situado entre Jerusalém e Belém, que comemorava, talvez, uma “estação” onde, segundo as tradições, a Virgem Maria, fatigada da viagem, teria repousado antes de chegar a Belém para dar a luz à criança.
A primeira evidência clara acerca dessa festa remonta à época do 3° Concílio Ecumênico em Éfeso (431). No entanto, essa evidência refere-se a uma festa pré-existente da Dormição de Maria. No início do V° século, por exemplo, uma antologia armênia chama o 15/28 de agosto “o dia de Maria, a mãe de Deus.” Porém, festas desse tipo tanto no Oriente quanto no Ocidente eram dedicadas à memória de Maria em geral e não à sua Dormição, em particular. Gradualmente, entretanto, essas festas começam a convergir para o dia presumível de sua morte, 15/28 de agosto, talvez como resultado indireto da construção, em Gethsêmani, de uma igreja em sua honra, que incluía seu próprio túmulo, segundo a Tradição. Ao final do século VI°, no entanto, a festa de Dormição foi estendida a todo império bizantino, pelo imperador Maurício.
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10:03
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
"Sobre a Relação do homem com o Deus Pessoal"
O Senhor havia dito a Pilatos: “Eu vim ao mundo para testemunhar da Verdade”. Pilatos havia replicado, de forma curta: “O que é a verdade?”, e seguro de que não havia resposta a tal questão, nada esperando de Cristo, sai de Sua presença e dirige-se aos judeus que estavam do lado de fora. Em certo sentido, Pilatos tinha razão; se por verdade entende-se Verdade enquanto fonte de tudo aquilo que existe, a questão: “O que é a Verdade?” não pode ter resposta.
Mas, no entanto, referindo-se à Verdade primária ou a Verdade em si, se tivesse posto sua questão de forma como a qual deveria ter sido posta: “Quem é a verdade?”, ele teria recebido em resposta a palavra que, há pouco tempo então, prevendo a questão de Pilatos, o Senhor havia dito durante a Santa Ceia aos Seus Discípulos Bem Amados e, por eles, ao mundo inteiro: “Eu sou a Verdade” (Jo.14,6;18,327-38).
Enquanto a ciência e a filosofia põem em questão: “O que é a verdade?”, uma consciência autenticamente cristã está sempre orientada à verdade pessoal: “Quem é a Verdade?”.
Os representantes da ciência e da filosofia vêem, geralmente os cristãos como sonhadores e consideram-se, eles próprios, como fundamentos estabelecidos sobre uma base sólida, e, com isso nomeiam-se “positivistas”. Coisa estranha, eles não compreendem a que ponto sua concepção de verdade impessoal é negativa; eles não compreendem que a verdade autêntica e absoluta só pode ser uma Pessoa, um Sujeito, “quem?”, e não um objeto, “o que?”, porque a verdade não é uma fórmula ou uma idéia abstrata, mas a Vida em Si, “Eu Sou Aquele que é” (Ex.3,14).
De fato, o que poderia haver de mais abstrato e de mais negativo que uma verdade impessoal, um “que?” Nós encontramos esse paradoxo em todo o desenvolver histórico da humanidade após a queda de Adão. Fascinada pela sua razão, a humanidade vive uma espécie de vertigem. Desta forma, a ciência “positiva” e a filosofia não são, elas, as únicas a indagar, tal como Pilatos: “O que é a verdade?”, mas poderíamos observar esta mesma tendência na própria vida religiosa da humanidade. Mesmo lá, os homens estão constantemente inclinados à busca de uma verdade “objetiva”.
A razão humana presume que desde que ela tenha possessão desta verdade objetiva, desfrutará de poderes mágicos e tornar-se-á mestra da existência cósmica.
Na vida espiritual, o homem que emprega a via da busca racional cai inevitavelmente em uma forma de panteísmo. cada vez que um teólogo tenta conhecer a verdade sobre Deus pelas suas próprias forças, estando consciente ou não, ele cai fatalmente no mesmo erro que a ciência, a filosofia e o panteísmo; à saber: a busca de um princípio universal trans-pessoal.
A “Verdade-Pessoa” não pode, de forma alguma, ser conhecida pela razão. o Deus pessoal só pode ser conhecido por Revelação (Mt.11,27) e comunhão existencial, o que quer dizer, pelo Espírito Santo.
O próprio Senhor fala assim: “Se alguém Me ama, guardará a Minha Palavra, e meu Pai o amará, e viremos para Ele e faremos n`Ele morada” e ainda “mas aquele Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu Nome, Esse vos ensinará todas as coisas” (Jo.14,23e26). O starets Silouane reforçava constantemente isso.
A tradição ascética ortodoxa rejeita, como errônea, a via da contemplação abstrata. Aquela cuja meditação religiosa estaciona-se à contemplação abstrata do Bem, da Beleza, da Eternidade, do Amor, etc... Faz falsa rota, caminha por estrada falsa. Aquele que não rejeita todas as imagens e os conceitos empíricos ainda não encontrou a Via Verdadeira.
A contemplação ortodoxa não é uma contemplação abstrata do Bem e do Amor. Ela não é mais do que um simples rejeitar pelo intelecto todas as imagens e os conceitos empíricos. A verdadeira contemplação é concedida por Deus, pela Sua vinda à alma; e então a alma contempla Deus e vê que Ele Ama, que Ele é Bom, que Ele é Belo, que Ele é Eterno; ela vê Sua transcendência e seu caráter inefável.
A verdadeira via espiritual não se situa sobre o plano da imaginação. Ela é plenamente concreta e positiva. A verdadeira comunhão com Deus só pode ser buscada por uma oração pessoal dirigida ao Deus pessoal. A verdadeira experiência espiritual cristã é uma comunhão com um Deus absolutamente livre, ela não depende, então, somente dos esforços do homem, nem da sua vontade, tal como nas experiências não cristãs.
Nossas palavras eram impotentes a descrever aquilo que tanto nos tocava nos relacionamentos com o starets. Apesar de toda a sua simplicidade e a doçura da conversação, sua palavra era extremamente eficaz, tal como uma fonte que jorra de uma profunda experiência da existência, tal como a palavra de um homem que porta verdadeiramente o Espírito da Vida.
A aparição de Cristo ao starets Silouane foi um encontro pessoal, tal como sua orientação a Deus, tomou um caráter profundamente pessoal. Quando ele orava, ele orava com Deus face a Face. A percepção do Deus pessoal purifica a oração da imaginação e das especulações abstratas, e a faz penetrar ao interior de uma comunhão viva e íntima. Concentrando-se no interior, a oração deixa de ser um “apelo no espaço”, o espírito se recolhe e põe-se à escuta. Quando ele invocava a Deus pelos nomes divinos – Pai, Senhor e outros – o starets encontrava-se em um estado que “não convinha o homem falar” (IICo.12,4); mas aquele que já teve ele próprio a experiência da presença do Deus vivo, compreenderá.
Um venerável asceta do mosteiro, Padre Trófimo, observa este estado no starets Silouane; o que provocava nele tal temor e perplexidade, os quais ele nos fez saber após a morte do starets.
Tendo chegado a questão da oração “face à face”, que marca, à nosso parecer, o princípio da percepção no homem da “imagem de Deus”, parece-nos necessário aportar alguns esclarecimentos concernentes a este aspecto de nossa vida espiritual.
A última etapa da Revelação é aquela do Deus Pessoal, Hypostático. O Deus Hypostático só pode ser conhecido por Revelação, que toma forma através de uma manifestação de Deus ao homem em uma comunhão imediata “face à Face”. Normalmente, esta revelação é concedida ao homem em oração; na sua realidade, a mais profunda, uma tal oração é a energia do próprio Deus agindo ao interior do homem. É indispensável - a fim de retomar os termos do starets Silouane – que “Deus, é primeiramente quem nos procura e Se manifesta a nós”.
Quando o Deus Hypostático Se revela ao homem, não sendo ainda “como em um espelho” (IICo.3,18), surge, então, no homem, tal como uma nova luz, a tomada de consciência de seu próprio caráter hypostático, no qual se reflete, antes de tudo, “a imagem de Deus”.
Ao homem “revestido de carne e vivente no mundo” é dado principalmente a experiência de sua individualidade limitada. O surgimento nele de uma nova dimensão da sua consciência é pressentido como um “nascimento do Alto” (Jo.3,3), em virtude do qual sua oração franqueia os limites de tudo aquilo que é temporal e material, então o homem sente com força que ele é introduzido na Eternidade divina.
A manifestação do Deus Hypostático ao homem fá-lo tomar consciência de que o princípio hypostático é o modo de existência do Absoluto, do Eterno, que a Hipóstase não é uma dimensão limitativa, mas que ela é Aquele que vive realmente: “Eu Sou” (Ex. 3,14; Jo.8,58). Fora desta dimensão do Deus Hypostático, nada existe e nem pode existir. Em Deus não há “essência” que se situaria para além da Hipóstase. É por isso que a oração dirige-se ao Deus Hypostático. Ela não é uma busca orientada à uma essência trans-pessoal.
Este conhecimento nos revela que somos hipóstases criadas, dotadas da liberdade de uma autodeterminação que podemos exercer, seja negativamente, seja positivamente, à guisa do nosso Modelo primário. Neste caso presente fazemos referência à segunda hipótese.
Uma hipóstase livre, não determinada, só pode ser criada como uma pura potencialidade que deverá, atualizar-se. Desta forma, não somos nós ainda plenamente hipóstases; à partir de uma existência “atomatizada” passamos por um processo mais ou menos longo de atualização do modo hypostático de nossa existência. Não devemos confundir a noção de pessoa – hipóstase – com aquela de indivíduo. Pois que estes são os dois pólos opostos do ser humano. Um exprime o ponto extremo de finalização da divisão (em grego, indivíduo chama-se “átomo” – sendo um estado resultante da queda); o outro se refere à “imagem de Deus”, segundo a qual Adão foi criado e no seio do qual estava potencialmente concentrada toda a humanidade. É esta “imagem” que nos foi revelada pelo Verbo Encarnado. Em razão daquilo que vem a ser dito, quando pensamos em Deus, não projetamos o conceito limitativo do indivíduo sobre o Ser divino para, em seguida, negar n´Ele o momento hypostático e, por conseqüência, tender a um Absoluto suprapessoal. O movimento do nosso espírito se exprime na oração “face a Face”, o que quer dizer, da hipóstase criada dirigida à Hipóstase de Deus. Torna-se essencial desenvolver no homem seu princípio hypostático; iremos brevemente falar de vias que conduzem a estes objetivos.
Nós todos fomos chamados do nada à vida, somos postos em tempo e espaço relativos. Imagem do Deus Absoluto, o espírito do homem sente-se limitado no que concerne a este mundo material; ele se sente atado, tal como um prisioneiro condenado à morte. Os sofrimentos de seu espírito podem tomar a forma de um desespero, donde nasce uma oração que jorra com uma nova intensidade, com uma esperança para além de toda e qualquer esperança (Rm.4,8). Pode-se dizer que, para todos nós, filhos de nossa época, a experiência de um tal desespero é indispensável na realização do nosso nascimento para a eternidade*.
Após a sua vinda ao mundo, o homem se instrui junto de seus pais, seus amigos e seus mestres; tornando-se maior, ele procede com ardor em tudo aquilo que pode lhe aportar novos conhecimentos. Porém, mais cedo ou mais tarde, ele chega a conclusão de que o conhecimento “científico” não somente não o faz sair das dimensões do tempo e do espaço relativos, mas, ao contrário, sujeita mais estreitamente ainda sua consciência ao aspecto determinado da existência do mundo. O refúgio de nosso espírito em aceitar a morte como absurda, como retorno ao nada, faz nascer nele uma ardente oração e o incita a buscar nos livros sagrados o conhecimento do Eterno. Todavia nenhuma escola, sendo ela escola de teologia, nem um livro qualquer, mesmo a Santa Escritura, seriam suficientes, sem uma extrema tensão de nosso ser na oração pura, para levar o homem à certeza interior de que ele foi ouvido por Deus e admitido na Sua Eternidade.
Uma tal oração “desesperada” é seguramente um Dom de Deus. Ela nos transporta aos confins do tempo e da eternidade. O tempo, literalmente “esquecido” fica pára trás, e o olhar de nosso espírito volta-se inteiramente à eternidade. Uma tal transferência de nosso espírito ao “fim dos tempos”, na oração, abre nossa inteligência à compreensão de numerosas expressões da Santa Escritura que, até então, pareciam paradoxos. Eis aqui alguns exemplos: “Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (IIpe.3,8); “...fostes resgatados... com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de nós” (IPe.1,18-20); “ora tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (ICo.10,11); “Como também nos elegeu n´Ele antes da fundação do mundo” (Ef.1,4); “Escrevo-vos porque conhecestes Aquele que é desde o princípio” (IJo.2,13).
Qual o sentido destas expressões: “Últimos tempos” ou “fim dos séculos”? ou ainda, qual é o significado nos textos litúrgicos das seguintes expressões: “E Tu nos fizeste dom de Teu Reino Eterno” (Cânone da Liturgia de São João Crisóstomo); “Nós vimos a imagem da Tua Ressurreição e fomos saciados da Tua vida sem fim” (oração de conclusão da Liturgia de São Basílio).
Em razão de sua proximidade imediata com a Hipóstase divina do Verbo, ainda em vida sobre a terra, os apóstolos permaneceram por seus espíritos igualmente na eternidade. Para eles, tal como para todos e qualquer outro homem que conheceu por experiência um estado semelhante, o tempo toma fim. A idéia neotestamentária do tempo difere da concepção do tempo de Newton, de Einstein ou de outros diversos tipos de filósofos e gnósticos. Para os apóstolos, o tempo torna-se semelhante a um “espaço” o qual podemos franquear e “onde” é possível o primeiro encontro como o Criador. Observamos que a certos homens foi concedido de “ver o Reino de Deus vindo com poder, antes que provassem a morte” (Mc.9,1). É precisamente a estes homens que pertencem as expressões já antes reportadas.
No início, é Deus, o primeiro a nos buscar e a nos revelar a Sua Face; sem exercer violência alguma, Ele atira o homem na Sua Eternidade, mas em seguida, pode, novamente, o fazer “retornar” aos limites do tempo. Não nos parece haver outra explicação a este “retorno” do que a possibilidade oferecida ao homem de manifestar no ato de sua vida terrestre seu conhecimento d´Aquele que é (IJo.2,13), de ser testemunha de Seu amor pelos homens. Quanto ao homem, ele vive seu retorno como um “exílio longe do Senhor” (cf.IICo.5,6), como uma retirada da Graça, a sede de encontrar a plenitude da união com Deus incita a um esforço quem, enquanto um agir humano, torna-se seguidamente uma ciência, uma arte e uma cultura ascéticas. Para muitos homens da nossa época, esta cultura está perdida, ela tornou-se-lhes estranha, incompreensível.
A cultura ascética ortodoxa reveste-se de muitos aspectos: entre os quais se encontra a obediência monástica, ou mais exatamente, cristã. Como complemento do que dizemos acerca da obediência em outras partes deste livro, tentaremos aqui formular alguns pontos essenciais relativos aos sentidos e aos resultados desta obra. Tal como toda grande cultura, a obediência conhece variados níveis segundo a estatura espiritual daquele que a observa. De início, ela pode revestir o caráter de um abandono, por assim dizer passivo, da vontade diante do pai espiritual, em virtude da confiança que temos nele e em vista de um melhor conhecimento da vontade divina. Em uma forma mais perfeita, ela é uma atividade positiva de nosso espírito do seu esforço para realizar os mandamentos de Cristo, o qual amou infinitamente o mundo. Podemos caracterizar as disposições interiores de um discípulo que fez progressos, dizendo que ele deve tender sua atenção e sua vontade a fim de satisfazer o mais profundamente possível o pensamento ou a vontade de uma outra pessoa, e em seguida, de realizar, um ato de amor espiritual, o ideal ou a vontade de seu irmão. Por um tal ato de obediência, o coração daquele que obedece abre-se, seu espírito enriquece-se; uma nova vida penetra em sua alma. A um estado último, a obediência leva a compreender com mais sutileza cada homem, a perceber nele a imagem de Deus, o que denota no próprio discípulo a maturação de sua “humanidade”. São João o Evangelista escreve: “Se alguém diz: eu amo a Deus e aborrece seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também seu irmão” (IJo.4,20-21). “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo.14,15).
A mesma estrutura é encontrada sobre o plano da obediência. Aquele que tem amor pelo seu irmão, deseja naturalmente realizar sua vontade, apagando-se diante dele; mas se nós não somos humildes diante de nosso irmão e não somos obedientes nas coisas relativamente secundárias, como seríamos então humildes diante de Deus e O obedeceríamos nós o mandamento de amar nosso próximo como à nós mesmos, ou de amarmos nossos inimigos? Desta forma, a ascese da obediência é indispensável não somente em relação a Deus, mas ainda em relação ao nosso irmão, quando este nos pede algo de possível e que não se oponha ao espírito dos mandamentos de Cristo. A crucificante ascese da obediência ao irmão afina igualmente em nós a capacidade de perceber mais profundamente a vontade de Deus, E isto nos torna semelhante ao Filho Único do Pai; o espírito do homem torna-se capaz de assumir toda a humanidade, quer dizer, torna-se universal à semelhança da universalidade divina de Cristo. Sem esta cultura da obediência, o homem permanecerá inevitavelmente egoísta, sempre miserável diante da face da Eternidade. Qualquer que seja o nível de educação de um homem, sem obediência evangélica o acesso ao seu mundo interior é solidamente barrado, e o amor de Cristo não pode aí penetrar nem o impregnar de Sua presença.
O homem psiquicamente doente não é capaz de satisfazer o pensamento nem a vontade de uma outra pessoa. Por conseqüência, a ausência de disposição a obedecer em um homem é o mais seguro indício de sua doença psíquica*. Sem obediência o homem permanece sempre no sulco estreito de seu individualismo egoísta, oposto ao princípio da pessoa. Fora da cultura cristã da obediência, o princípio hypostático não se desenvolve nos homens, e eles ficam surdos e cegos à Revelação divina que nos foi dada pela Encarnação do Logos, que manifesta sobre o plano histórico nossa imagem pré-eterna. A partir disto podemos dizer que fora da cultura cristã da obediência a teologia verdadeira habita inacessível em suas últimas profundezas. Nós temos em vista a teologia compreendida como um estado de comunhão com Deus e não como uma erudição que pode estar extremamente afastada da vida verdadeira*.
Grande é a ciência da santa obediência. É nos indispensável orar, para que nossos olhos espirituais abram-se e possam ver a sua grandeza e sua santidade. Lembramo-nos como o starets Silouane, quando falava desta via oculta nos mandamentos de Cristo, saciava-se de um humilde sentimento de ternura diante da grandeza da vida que nos é dada em Deus.
Eis ainda uma remarcável conseqüência da ascese da obediência; aprendendo a perceber tanto os pensamentos como as vontades das outras pessoas, o discípulo aprende simultaneamente a viver seus diversos estados não somente como “os seus” próprios (individuais), mas ainda como uma forma de revelação daquilo que se passa na humanidade. Cada um dos seus confrontos, de suas dores, de seus sofrimentos físicos ou morais, tal como cada um dos seus sucessos ou de suas alegrias, ele as vive não somente nele próprio, egoisticamente, mas em espírito, ele se transporta nos sofrimentos ou nas alegrias de todos os homens; pois a cada instante, milhares de homens encontram-se em um estado semelhante ao seu. Isto o conduz naturalmente à oração pelo mundo inteiro. Orando pelos vivos, ele partilha a alegria de seu amor ou de suas assustadoras trevas.
Estando enfermo, ele ora por todos os doentes do mundo, sofre os leitos daqueles que estão imersos na solidão e indefesos diante da frieza da morte. Lembrando-se dos mortos, ele se transporta em espírito na noite dos séculos passados ou pôe-se sobre a invisível, mas temível, via pela qual passam, a cada dia, centenas de milhares de almas que deixaram seus corpos, na maioria dos casos, após uma dolorosa agonia. Desta forma, desenvolve-se na alma do discípulo a compaixão cristã por toda a humanidade; do Adão total, quer dizer “hypostático”, à imagem da oração de Cristo no Getsêmani. Através de uma tal oração, ele ressente sua unidade como toda a humanidade, e amar ao seu próximo, quer dizer, a cada ser humano, torna-se para ele natural. Este gênero de oração contribui ativamente para a salvação do mundo; cada cristão deve assim tender, mais em particular aqueles que estão nas ordens sagradas aquando da celebração da Divina Liturgia.
Não percamos de vista que a vida de ascese e de oração está ligada de uma maneira mais estreita à nossa consciência dogmática, quer dizer, à uma contemplação correta da Revelação que nos foi feita do Deus Uno em Três Hypóstases. Nós somos criados à imagem do Deus Trinitário e somos chamados à uma livre auto-determinação. Deus revela-Se ao homem e “espera” dele uma resposta ao Seu amor; Ele espera que nós mesmos, nós queiramos ser semelhantes a Ele. Do caráter de nossa resposta depende toda a nossa eternidade. Eis que nosso propósito era a obediência, retornemos ao nosso tema. Nós estimamos necessário sublinhar que a perda da teologia ortodoxa concernente ao princípio da Pessoa conduz inelutavelmente, ao conceder a pré-eminência ao “comum” sobre o “particular”, a buscar algum “princípio trans-pessoal”. Neste caso não usaríamos de obediência em relação a um homem, à uma pessoa, mas uma submissão “à lei”, à “regra”, à “função”, à “instituição”, etc... Refleti sobre aquilo que vos foi dito e vereis que com uma tal maneira impessoal de abordar a estrutura da sociedade humana se perde o autêntico sentido da obediência cristã expressa nos Mandamentos de Cristo, e que no seu lugar intervém a “disciplina”. esta última é indispensável e inevitável quando os homens vivem juntos, mas somente a um certo limite. A perda da obediência cristã não será compensada por nenhum sucesso.
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