“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

OrtoFoto

Polônia
autor: o.Serafim Telep

Patriarcas Bartolomeu I e Alexis II buscam melhorar relações entre Constantinopla e Moscou

Kiev, 30 jul (RV) - Foram dados passos avante no caminho para a unidade da Ortodoxia. Bartolomeu I e Alexis II, em colóquio em Kiev, na Ucrânia, estabeleceram aliança para melhorar as relações entre Constantinopla e Moscou e superar as divisões entre os ortodoxos ucranianos.

“Decidimos trabalhar juntos para melhorar as relações entre as duas Igrejas ortodoxas, a da Rússia e a de Constantinopla, porque ambos somos responsáveis pela unidade da ortodoxia.” Assim se expressou o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, após o encontro com o patriarca de Moscou e de todas as Rússias, Alexis II. O colóquio, realizado a ‘portas fechadas’, teve lugar no domingo passado em Kiev, na residência do metropolita Vladimir, na conclusão das celebrações pelos 1020 anos de cristianismo na Ucrânia.

Se, por um lado, os festejos foram precedidos de dissabores e incompreensões entre Moscou e Constantinopla, por outro, o êxito dos eventos satisfez ambas as partes. Bartolomeu I defendeu a utilidade de “análogos encontros” “para fins de um diálogo construtivo, especialmente se existem problemas entre as Igrejas ortodoxas irmãs”. A afirmação refere-se às divisões existentes e crescentes entre os ortodoxos ucranianos.

Hoje em Kiev _ disse Alexis II _ “foram aprofundadas as questões controversas e concordamos sobre o fato de que as delegações das nossas comunidades devem dar respostas a esse respeito”.

O clima positivo foi coroado com uma Liturgia ecumênica presidida por Bartolomeu I e concelebrada por Alexis II juntos aos arcebispos ortodoxos de Atenas (Grécia), Hieronymos, e de Tirana (Albânia), Anastasios, ao metropolita de Kiev, Vladimir, e aos representantes das Igrejas ortodoxas locais.

Em sua homilia, o patriarca de Constantinopla chamou a atenção para a questão da unidade da Igreja e sobre o perigo de divisões que ofendem a Deus e tornam “os dons do Espírito Santo ineficazes para aqueles que são causa da divisão ou para aqueles que são indiferentes a ela”.

Em sua saudação, Alexis II declarou que “a unidade da ortodoxia russa não pode evitar que os Estados soberanos sucessores da Rus’ de Kiev vivam plenamente a sua existência”, ressaltando que a Igreja de Moscou “respeita a sua soberania e está interessada em incrementar o bem-estar de seus povos”.

No final dos festejos o patriarca de Moscou e de todas as Rússias fez um anúncio importante: o de querer participar do Sínodo pan-ortodoxo previsto para se realizar em Istambul em outubro próximo, após uma ausência de 8 anos. (RL)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

OrtoFoto

Polônia
autor: Piotr Sterlingow

Antigo manuscrito da Bíblia estará disponível na Internet

Por Dave Graham
BERLIM (Reuters) - Mais de 1.600 anos depois de ser escrita em grego, uma das cópias mais antigas da Bíblia se tornará globalmente acessível via Internet pela primeira vez esta semana.

A partir de quinta-feira, partes da Codex Sinaiticus, que contém o Novo Testamento mais velho e completo, estarão disponíveis na Internet, afirmou a Universidade de Leipzig, um dos quatro conservadores do texto antigo.

Imagens em alta resolução do Evangelho de Marco, diversos livros do Velho Testamento e observações dos trabalhos feitos ao longo de séculos estarão em www.codex-sinaiticus.net, num primeiro passo para a publicação online integral do manuscrito até julho próximo.

Ulrich Johannes Schneider, diretor da Biblioteca da Universidade de Leipzig, afirmou que a publicação online do Codex permitirá que qualquer um estude uma peça "fundamental" para os cristãos.

Alguns textos estarão disponíveis com traduções em inglês e alemão, acrescentou.

Especialistas acreditam que o documento, datado de aproximadamente do ano 350, possa ser a cópia mais antiga conhecida da Bíblia, junto com o Codex Vaticanus, outra versão antiga da Bíblia, colocou Schneider.

"Acho que é fantástico que graças à tecnologia agora podemos tornar acessíveis os artefatos culturais mais antigos -- aqueles que de tão preciosos não poderiam ser vistos por ninguém -- numa qualidade realmente alta", explicou Schneider.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Restos descobertos em 2007 são dos filhos do tzar Nicolau II

MOSCOU (AFP) — Os restos humanos descobertos em 2007 na região de Ekaterinburgo (Urais) são do filho do tzar, o tzarevich, e de sua irmã Maria, assassinado com toda a família imperial há 90 anos, concluiu a promotoria russa citada nesta quarta-feira pela agência Interfax.

A promotoria confirmou que todos os resultados científicos de um teste de DNA coincidem com a hipótese de que esses fragmentos de corpos são do filho e de uma das quatro filhas do último tzar da Rússia, Nicolau II.

A família imperial russa foi executada na madrugada de 17 de julho de 1918 na região de Ekaterinburgo por ordem dos bolcheviques, que tomaram o poder na revolução de outubro de 1917.

Os resultados publicados hoje foram obtidos graças a três análises na Rússia, no Instituto de Genética Vavilov, nos Estados Unidos, em um laboratório do Pentágono, e na cidade austríaca de Innsbruck, informou Vladimir Soloviev, pesquisador da promotoria russa à televisão Rossia.

Os corpos dos demais membros da família Romanov - os do tzar, sua esposa e suas outras três filhas -, extraídos de uma vala comum de Ekaterinburgo em 1991, foram oficialmente identificados em 1998 pelo governo russo e enterrados com grande pompa na antiga capital imperial de São Petersburgo.

Então ocorreu uma forte polêmica sobre a autenticidade dos corpos. A Igreja ortodoxa russa colocou em dúvida os resultados dos exames de DNA.

Centenas de fiéis russos ortodoxos se preparam em Ekaterinburgo para comemorar o 90º aniversário da morte de Nicolau II e sua família.

Aumentou a visita de seus seguidores a Igreja do Sangre Derramado, o santuário erguido no local onde Nicolau II, sua esposa e seus cinco filhos foram executados.

"Nicolau amava seu povo. Ele levantou a Rússia e fez da Rússia uma grande potência", declarou religiosa Nina, de 71 anos.

A imagem da família do tzar mudou depois da queda da União Soviética e quando a Igreja Ortodoxa canonizou seus membros.

Ekaterinburgo é o lugar central das comemorações, cujo momento mais importante será na quinta-feira, data exata dos 90 anos da execução.

Não está prevista a presença do presidente russo Dimitri Medvedev, levando em conta a atitude prudente a respeito dos temas soberanos de seu predecessor Vladimir Putin.


segunda-feira, 28 de julho de 2008

OrtoFoto

Polônia
autor:Adam Falkowski

Patriarcas ortodoxos de Constantinopla e da Rússia celebram liturgia em Kiev

KIEV (AFP) — O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, líder espiritual dos ortodoxos, e o patriarca ortodoxo russo, Alexis II, celebraram juntos neste domingo, em Kiev, uma liturgia, num clima de tensão eclesiástica entre Rússia e Ucrânia.

Os dois religiosos participaram na Ucrânia nas celebrações dos 1020 anos da cristianização da Rússia de Kiev (principado eslavo situado na atual Ucrânia e uma parte da Rússia ocidental).

A liturgia foi realizada ante o monumento de São Vladimir, o príncipe que impôs o cristianismo de rito grego à Rússia de Kiev.

O presidente ucraniano, Viktor Iuchtchenko, aproveitou as festividades para pedir ao patriarca de Constantinopla a bênção para a criação na Ucrânia de uma Igreja ortodoxa unida, independente do patriarcado de Moscou, que considera esta ex-república soviética sob sua jurisdição.

domingo, 27 de julho de 2008

História Resumida do Patriarcado de Constantinopla

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução do Rev. Ighúmeno Lucas

O fundador da primeira comunidade cristã em Bizâncio (pequena cidade junto ao estreito de Bósforo, no local onde o Imperador São Constantino, o grande construiu no século IV a cidade-capital de Constantinopla) foi o apóstolo André. Como cita o texto “Milagres de Santo André” de autoria de São Gregório de Tours (538-594) ele sagrou como bispo seu discípulo Eustáquio e seguiu para o norte para os lados das terras da futura região de Kiev.

As regiões do posterior patriarcado foram cristianizadas, também, por outros apóstolos. Por lá seguiram os caminhos missionários da viagem apostólica de São Paulo e Barnabé. A Igreja de Éfeso por vários anos foi dirigida pelo apóstolo João , o teólogo. Para o desenvolvimento da Igreja contribuíram, também, fatores de natureza político-econômica. No século IV Constantinopla tornou-se a capital do império, graças a isso cresceu também significativamente o papel da Igreja local e seu bispo. A nova capital era chamada “Nova Roma” e no 2° Concílio Ecumênico (381) foi concedida ao bispo de Constantinopla a primazia de honra depois do bispo de Roma.

A Igreja de Constantinopla conquistou no mundo cristão daquele tempo ampla autoridade graças a notáveis personalidades que ocuparam sua cátedra.

Foram bispos de Constantinopla, entre outros: São Gregório de Nazianzo (379-381), São Nectário (381-397) e São João Crisóstomo (398-404).

No tempo do patriarca Nectários foram tomadas as primeiras iniciativas com o objetivo de concessão ao bispo de Constantinopla autoridade jurisdicional sobre um território maior, porque até este tempo sua jurisdição abrangia exclusivamente a região da cidade de Constantnopla,. Foi criado um sínodo fixo junto à cátedra patriarcal chamado sínodo endymes. Em sua composição entravam bispos presentes, no momento, na capital do império sem importar qual a sua jurisdição.

No 4º Concílio Ecumênico em Calcedônia (451) ratificaram finalmente o lugar da Igreja de Costantinopla entre as outras igrejas locais. Os padres do concílio com o cânon geral, deliberaram: “...reunidos no Concílio do tempo do piedoso imperador Teodósio decidimos quanto aos privilégios da Santa Igreja de Constantinopla, Nova Roma e deliberamos o mesmo. Visto que os Padres concederam privilégios à cátedra da antiga Roma, porque era a cidade do imperador. Por estes mesmos motivos 150 bispos concederam privilégios iguais à cátedra da Nova Roma, justamente tendo ponderado, que a cidade, que elevou-se em dignidade ser cidade do imperador e do Conselho Superior, assim como possui os mesmos privilégios que o antigo império romano, ficará também elevada em questões eclesiásticas de igual modo a Roma, e será a primeira imediatamente após ela...”. Este cânon provocou forte oposição da parte dos bispos de Roma, que não queriam aceita-la vendo nele ameaça à Igreja de romana. O imperador Justiniano querendo regularizar a situação entre os patriarcados (Roma e Constantinopla) e definir sua hierarquia emitiu um édito especial: “Em concordância com as decisões (dos concílios) decidimos que Sua Santidade o Papa da antiga Roma é o primeiro entre todos os bispos, enquanto o Santo Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma, ocupa a segunda capital em hierarquia, depois da santa capital apostólica em Roma, mas que tenha primazia ante todas as outras capitais”. Finalmente afirmaram, então, que alegrando-se com a mesma honra que Roma nos dípticos eclesiásticos, Constantinopla passa a ocupar o lugar após ela.

No século VII na composição do patriarcado de Constantinopla entravam 418 bispados, 33 metropolitas e 34 arcebispos. Importantes papéis na vida da Igreja desempenharam, também, os monges. Em 536 somente em Constantinopla havia 68 mosteiros, enquanto em Calcedônia (parte da cidade do lado asiático do Bósforo) havia em torno de 40. De igual modo aconteceu em todo o território do patriarcado.

Constantinopla desenvolveu-se como centro cristão de ciência, cultura e arte, aqui ocorreram os debates do 2º, 5º e 6º Concílios Ecumênicos.

Infelizmente, também, em Constantinopla tiveram lugar os mais tristes acontecimentos da história da Igreja. No dia 16 de julho de 1054 representantes do papa Leão IX – o cardeal Humberto, o arcebispo Pedro de Analfia e Frederico de Lotaríngia excomungaram o patriarca Miguel Celulário e a Igreja do oriente. O sínodo patriarcal respondeu com igual decisão. Este cisma do ano de 1054 não foi ainda a separação definitiva da Igreja oriental e ocidental. A separação definitiva ocorreu depois da 4ª cruzada, que ao invés de libertar a Terra Santa, em 1204 invadiu e saqueou Constantinopla. Seus templos foram profanados. Milhares de moradores sucumbiram, outros tiveram que fugir da cidade. De parte do império bizantino criaram o “Império Latino do Oriente”, com patriarca latino subordinado ao papa.

O patriarca ortodoxo e autoridades civis do império transferiram-se para Nicéia. O imperador Miguel VIII Paleólogo em 25 de julho de 1261 derrotou os cruzados e recuperou Constantinopla. No renovado patriarcado foram criadas 35 metropolias, 7 arcebispados e dezenas de bispados. Havia chegado o tempo chamado de “Renascença dos Paleólogos”, que caracterizou-se não apenas por excepcional desenvolvimento da vida monástica (hesicasmo) mas também por sua influência na cultura, arte e mesmo na política. Os mais eminentes nomes deste período foram São Gregório Palamas, São Gregório, o Sinaíta, e São Nicolau Cabasilas. Não foram, entretanto, anos felizes para o império. DE todos os lados os inimigos ameaçavam-no. Os imperadores tentando salvá-lo voltavam-se com pedido de ajuda até mesmo para a cavalaria do ocidente. Em suas tentativas até mesmo concordaram com o conteúdo das decisões dos Concílios Uniatas (visavam a reunificação da Igreja) de Lion (1274) e de Florença (1431). Além da confusão religiosa e intranqüilidade interna não trouxeram nenhum efeito.

No dia 29 de maio de 1453 os turcos ocuparam Constantinopla e Bizâncio deixa de existir. A Igreja, entretanto, não foi destruída, pois as autoridades turcas permitiram às minorias religiosas conservar sua autonomia interna, e isto abrangia também os cristãos. O sultão Maomé II passou a autoridade patriarcal às mãos de Genádio II. Os patriarcas pessoalmente responsabilizaram-se pela lealdade dos cristãos face às autoridades turcas e às suas decisões no território de todo o império otomano.

Depois da mal-sucedida insurreição grega em 1821, na noite de Páscoa enforcaram o patriarca Gregório V, 14 arcebispos – membros do Santo Sínodo, importantes fanares (gregos ricos do bairro de Fanar em Constantinopla), assim como limitaram os direitos do patriarca e a liberdade dos cidadãos cristãos.

Apesar de tais terríveis repressões as insurreições não eram raras. As autoridades turcas locais as provocavam porque muito frequentemente violavam os direitos dos cristãos. Felizmente, com o passar do tempo os cristãos conquistaram cada vez maior simpatia das potências européias. Em conseqüência da ação comum dos países europeus (particularmente a Rússia) e insurrectos em 1830.

A Grécia consegue a independência. Isto forçou o sultão a reformas nas relações internas dos países. Os cristãos conseguiram mais direitos e liberdade. Em 1920 termina a guerra grego-turca. Como resultado do acordo de Lausane em 1923 a população grega foi expulsa. O patriarcado perdeu em torno de 1,5 milhões de fiéis, o que levou à extinção de muitas dioceses asiáticas. A redução da Igreja de Constantinopla também estava relacionada com a independência de igrejas locais, que receberam o status de Igrejas autocéfalas - por exemplo, a Igreja da Polônia em 1925.

Os traços característicos do patriarcado de Constantinopla nos tempos atuais são a abertura para o mundo e o movimento ecumênico. Este processo foi iniciado pelo patriarca Atenágoras I. Em 1965 isto levou à remoção recíproca da excomunhão de 1054 (encontro do patriarca Atenágoras I e do papa Paulo VI em Jerusalém em 1964).

Atualmente o patriarcado compõe-se de 5 dioceses na parte européia da Turquia (aproximadamente 30 mil fiéis), 35 dioceses no norte da Grécia, ao nas ilhas gregas, assim como muitas fora da Europa, por exemplo, em ambas as Américas (acima de 2 milhões de fiéis), Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, França, Áustria, Bélgica e Suécia. O patriarcado também possui numerosos centros monásticos, por exemplo: Athos, Pamos. Em Chambes perto de Geneve possui um centro no qual executa atividades educativas e ecumênicas. O patriarcado possui suas próprias escolas teológicas (a maioria fora da fronteiras da Turquia), editora e centros eclesiástico-ecumênicos. No mundo todo existe em torno de 5 milhões de fiéis do patriarcado de Constantinopla. Sob sua jurisdição permanece também a Igreja Autônoma da Finlândia.

Os patriarcas de Constantinopla usam o tradicional título bizantino – “Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma e Patriarca Ecumênico”. O patriarca atual é Bartolomeu I que é o 232º patriarca de Constantinopla. Nasceu a 12 de março de 1940 na ilha de Imbros (Turquia). No dia 25 de dezembro de 1973 ocorreu a sua quirotomia parta bispo. A eleição de Bartolomeu para chefe da Igreja de Constantinopla se deu em 22 de outubro e sua entronização no dia 2 de novembro de 1991.

A residência do patriarca e sua cátedra na Igreja de São Jorge, grande-mártir situam-se em Fanar (bairro de Istambul).

No ano de 1987 o patriarca Demétrio I realizou uma visita oficial à Igreja da Polônia. O atual patriarca ecumênico Bartolomeu I visitou a Igreja da Polônia duas vezes, em 1998 2 2000.



S. Santidade BARTOLOMEU I
Arcebispo de Constantinopla - Nova Roma
Patriarca Ecumênico

sábado, 26 de julho de 2008

Comemoração de São Gabriel,Arcanjo - 13/26 jul


São Gabriel é um dos poucos arcanjos mencionados pelo nome na Bíblia. Existem quatro aparições suas: no Antigo Testamento em Daniel 7 e 9 e no Novo Testamento anunciando o nascimento de São João Batista para Zacarias e anunciando a Maria a vinda de Jesus. Não é errado supor que fosse São Gabriel quem apareceu para São José e os pastores.

Ele é o anjo da Encarnação e da Consolação. Na tradição Cristã, Gabriel sempre aparece como anjo do perdão enquanto que Miguel é o anjo julgador. Simultaneamente, inclusive na Bíblia, Gabriel é, segundo seu nome, o anjo do Poder de Deus. Para os Judeus, no entanto, Gabriel é que é o julgador e Miguel o anjo do perdão.

Entre todos os anjos, foi Gabriel o escolhido para anunciar a Maria os desígnios de Deus e saúda-la com a oração "Ave Maria, cheia de graça; o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres" (Lucas I, 28). Esta oração se tornou uma das orações mais repetidas pelo povo Cristão.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

História Resumida do Patriarcado de Jerusalém

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Polônia de 2003
Tradução Igúmeno Lucas
A Igreja de Jerusalém é a mãe de todas as Igrejas. Em Jerusalém foi realizada a obra de nossa salvação e no dia de Pentecostes nasce a Igreja de Cristo. Por primeiro bispo da Igreja de Jerusalém considera-se São Tiago, irmão de nosso Senhor Jesus Cristo.

O desenvolvimento local do Cristianismo não foi um processo tranqüilo, desde o começo foi acompanhado de perseguições – deram suas vidas por Cristo o santo Arcediago Estevão (At. 6,8 – 7,60) e o apóstolo Tiago. Em 51 teve lugar aqui o chamado Concílio de Jerusalém no qual foi resolvida a questão sobre a forma de recebimento dos pagãos na Igreja. No ano de 70, depois da insurreição judia contra o poderio dos imperadores romanos, Jerusalém é destruída e seus moradores são obrigados a abandonar as ruínas da cidade. As relações entre cristianismo e judaísmo são finalmente rompidas. Em 135 o imperador Adriano, sobre os escombros da antiga cidade de Jerusalém, constrói nova cidade chamada Aelia Capitolina. Para a cidade voltam os cristãos, sobre os quais o cuidado espiritual exercia o bispo Marcos. Os cristãos passam a proteger os lugares santos e a organizar missões entre as populações das redondezas. A Igreja de Jerusalém começa a desenvolver-se dinamicamente e a obter importância cada vez maior em toda a região.

O bispado de Aelia (Jerusalém) apesar do status particular e significância espiritual, administrativamente estava subordinado ao Metropolita da cidade de Cesárea Palestina, que era a capital da província.

Os primeiros séculos para os cristãos de Jerusalém assim como para os cristãos de todo o império romano, foi um tempo de perseguições da parte dos imperadores pagãos. As perseguições cessam apenas no governo de Constantino, o Grande que restituiu à cidade o seu nome e esplendor antigo. Limpou-a de todos os templos pagãos e construiu novas igrejas relacionados com a vida e atividade do Salvador. Destacava-se entre outros o templo da Ressurreição do Senhor, que junto com outras construções sagradas constituía o conjunto da Basílica do Túmulo do Senhor. Nestes tempos também surge o dinâmico movimento do monasticismo. Surgem vários mosteiros os mais famosos são o Mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai e o mosteiro de São Sava, o iluminado. A Igreja de Jerusalém conseguia prestígio cada vez maior e fica elevada acima de todas as Igrejas locais das redondezas.

Os bispos de Jerusalém envidavam esforços para a concessão à Igreja Santa e a dignidade de patriarcado tanto no século IV como no século V. Isto foi causa de vários conflitos com o Metropolita de Cesárea Palestina a quem Jerusalém era subordinada. No III Concílio Ecumênico em 431, o bispo de Jerusalém, Juvenal, exigia o desligamento da Igreja de Antioquia: Palestina, Fenícia, Arábia e ainda subordinação deles ao novo Patriarcado com sede em Jerusalém. Opuseram-se a isso tanto, o então, Patriarca de Antioquia João como seus sucessores. Esta questão permaneceu sem solução até o IV Concílio Ecumênico em 451. Neste concílio o bispado de Jerusalém foi elevado à dignidade de patriarcado sendo concedido a ele o quinto lugar na hierarquia das Igrejas da antiguidade, depois de Roma, Constantinopla, Alexandria e Antioquia.

Heresias afligindo toda a Igreja Cristã da antiguidade não evitaram a Palestina também. Contra a heresia do arianismo foi convocado aqui, em 335, o Concílio de Tiro. O maior defensor foi, então, São Cirilo bispo de Jerusalém. No período de querelas monofisitas, em defesa da fé, participou ativamente o Santo Patriarca Juvenal e sofreu no exílio por seu fervor ortodoxo. Depois do retorno do exílio em 457 convocou um concílio, que ratificou as decisões do IV Concílio Ecumênico da Calcedônia. Do mesmo modo em fases posteriores da luta contra o monofisismo, o patriarcado de Jerusalém e seu patriarca Elias, inflexivelmente defenderam a pureza da fé. Opuseram-se aos pedidos de união dos imperadores Zenon e Anastácio. Continuaram a luta com a heresia monofisita os patriarcas de Jerusalém até o fim das querelas, o que ocorreu apenas no governo do Imperador Justino (518-527). Durante todo o período das desavenças dogmáticas, a Igreja de Jerusalém foi apoiada pelos monges palestinos. Grandes monges como Santo Eufêmio (+473) e São Teoctisto (+464) deram começo a uma linhagem de monges cultos e instruídos chamados “teólogos do deserto”.

No período das desavenças dogmáticas surge um significativo esfriamento das, até então, amistosas relações entre a Igreja de Jerusalém e a de Roma. Contribuiu para isso o Papa Hormisda (514-523), que desejou a exclusão dos dípticos das igrejas de todos os patriarcas de Constantinopla que (de Acácio a Timóteo) que assinaram a união com o Imperador Zenon. O Patriarca de Jerusalém, afirmou que tais patriarcas fizeram isto com o objetivo de manutenção da paz na Igreja e não porque fossem heréticos.

Depois do Imperador São Constantino, o Grande os seus sucessores protegeram Jerusalém. O maior período de florescimento da Igreja de Jerusalém deve-se ao Imperador Justiniano (527-565). Seu excepcional interesse pelo patriarcado mostra-se pela construção de templos e mosteiros, como por exemplo a Igreja da Mãe de Deus junto ao templo de Salomão (543). Com igual preocupação distinguiram-se imperadores de períodos posteriores. Heráclito, em resposta à ofensiva persa na Palestina no começo do século VII, não só organizou uma expedição, que em 614 libertou Jerusalém. Como também resgatou o Patriarca Zacarias raptado pelos persas, assim como reconstruiu templos destruídos por eles.

Em 637 Jerusalém foi conquistada pelo califa Omar. Oficialmente o patriarcado não perdeu os direitos sobre os lugares santos. Os soberanos reconheceram o estatuto interno e específico do culto do patriarcado. Apesar disso, a ocupação da Cidade Santa foi o começo de sua lenta queda. No período da dominação árabe a maioria dos califas desejava a islaminização das nações dominadas por eles. Grandes perseguições tiveram lugar na época do califa Omar II (711-720) e intensificaram-se ainda mais na 2ª metade do século X, quando o Patriarca João VII (964-966) foi assassinado. Neste período, na gestão do califa Al-Hakima (966-1020) foi incendiado o templo da Ressurreição do Senhor. Apesar de tão duro jugo a Igreja de Jerusalém permanecia o centro da Ortodoxia. Isto foi particularmente visível durante a luta iconoclasta, tempo no qual um dos mais famosos defensores do culto aos ícones foi São João Damasceno (+749).

A dominação árabe e as perseguições iconoclastas não foram, entretanto, as maiores atribulações do patriarcado. Seu destino tornou-se ainda mais amargo quando os turcos tomaram o poder sobre a Palestina em 1078. Eles praticamente não tinham idéia de tolerância religiosa e os tempos cristãos foram fechados. Cessaram todas as peregrinações. Isto levou à uma efervescência em toda a Europa e foi a causa direta da organização das cruzadas. Em 1099 os cavaleiros da primeira cruzada conquistaram Jerusalém e fundaram aí um estado latino. Simão o patriarca grego de Jerusalém foi exilado e morreu na ilha de Chipre. Para o trono patriarcal foram nomeados latinos, forçando o clero grego a submeter-se a eles. Os latinos também tomaram posse da maior parte dos lugares santos. Aos gregos restou o direito a apenas parte do templo da Ressurreição do Senhor, do túmulo do Senhor e de alguns mosteiros próximos ao rio Jordão. Nesta época os patriarcas de Jerusalém eram escolhidos e conduziam sua atividade pastoral em Constantinopla.

O período de dominação doa cruzados sobre os lugares santos, entretanto, não durou muito. Mamelucos, bárbaros de procedência turca, que assumiram o poder sobre o Egito por volta de 1254, e em 1268 assumiram o controle sobre a Palestina e Síria. Depois da expulsão dos cruzados de Jerusalém, os gregos novamente tomaram posse dos lugares santos. Lentamente foi verificada a tradição ortodoxa aqui. Ainda assim, neste período não faltaram perseguições.

Em 1517, assumiram o poderio sobre Jerusalém os sultões de Constantinopla (Selim I). Isto significava a diminuição da já limitada tolerância religiosa. Sério problema, também, constituía a falta de meios materiais para a reconstrução dos templos destruídos. Ajuda ocorreu procurar fora das fronteiras do império otomano. Foram estabelecidas, então, relações bastante próximas com a Rússia. Estas relações foram tão importantes, que neste período da história da Igreja de Jerusalém caracterizou-se por anos de disputas e lutas pela guarda dos lugares santos entre cristãos de diversas confissões. Diversas vezes tais disputas se agravaram a ponto de serem contestadas em fórum internacional. Apoio financeiro e diplomático de potências ortodoxas mostrou-se, então, indispensável. O problema foi resolvido, finalmente em Paris em 1856. Foi incluído então, um sistema tripartite entre a Turquia, França e Rússia, na força do quais todos os lados pretendentes do direito de guarda dos lugares santos, comprometeram-se com as reformas e reconstruções de templos destruídos. Tal sistema, com pequenas mudanças, mantém-se até hoje.

Em 8 de dezembro de 1917 os ingleses entraram na Palestina. Encontraram o patriarcado imerso em disputas entre ortodoxos de procedência árabe e grega. O problema árabe consistia das limitações ao acesso a funções eclesiásticas superiores. No ano de 1926 foi convocada uma comissão com objetivo de solucionar este conflito. A disputa entre os árabes e gregos foi amenizada pelo patriarca Timóteo (a partir de 1931). Lentamente ele aumentou a participação dos árabes no comando da Igreja. Já no seu tempo foram restaurados uma série de templos assim como foi organizada a solenidade dos 1500 anos de existência do patriarcado.

Em 1957 sobe ao trono o patriarca Benedito I. Em sua versátil atuação conseguiu grande reconhecimento por dois acontecimentos. Graças a seus esforços em 1958 o rei Hussein da Jordânia editou resolução que obrigava o seu governo a dar plena proteção ao patriarcado. Em 1964, em Jerusalém, ocorreu o encontro do patriarca de Constantinopla Atenágoras com o papa católico Paulo VI. Infelizmente, tais promissoras relações com a Igreja Católica Romana não foram duradouras. Em 1989 o patriarcado de Jerusalém afastou-se do movimento ecumênico em sinal de protesto em face o crescente proselitismo por parte da Igreja Católica Romana. Depois da morte do patriarca Benedito I, a partir de 1981 o patriarca de Jerusalém passa a ser Diódoros I.

O patriarcado de Jerusalém conta hoje com 16 metropolitas, dois arcebispos e dois bispos. A fraternidade do Túmulo do Senhor é um órgão colaborador do patriarcado. Sua composição compreende aproximadamente 130 pessoas; patriarcas, arcebispos, sacedortes, diáconos e monges. A Igreja de Jerusalém tem aproximadamente 300 mil fiéis. Parte deles vive na Jordânia, assim como na diáspora; na América, África e Austrália.

Oficialmente o título de patriarca é: “Beatíssimo Patriarca da Cidade Santa de Jerusalém e Toda a Palestina”. A residência do patriarca de Jerusalém situa-se em Jerusalém e a cátedra patriarcal é a catedral da Ressurreição de Cristo.

Em 22 de Agosto de 2005, o Santo Sínodo elegeu por unanimidade um novo patriarca, Theófilos III como novo Patriarca de Jerusalém. Pela primeira vez na história moderna do Patriarcado de Jerusalém um patriarca foi eleito de forma unânime".

Sua Beatitude THEOPHILOS III

terça-feira, 22 de julho de 2008

OrtoFoto

Tonsura Monástica
Mosteiro de São Nicolau
Vila do Conde, Paraíba

"Como Devemos Confessar"

Antes de ir confessar, cada um de vós, ortodoxos, deve tentar se lembrar de todos os seus pecados, voluntários e involuntários, deve atentamente perscrutar a sua vida para, se possível, se lembrar de todos os seus pecados, cometidos não só após a última confissão, mas de outros, antigos, não confessados por esquecimento. Depois, com humildade e sinceridade, deve se aproximar à Cruz e ao Evangelho, e começar a confessar os seus pecados.

1. Confessa os seus pecados com sinceridade, se lembrando que você está contando-os não à uma pessoa, mas ao próprio Deus, Que mesmo antes de você contar tudo, já conhece todos os seus pecados e tão somente quer a sua confissão do cometido. Também, não tenha vergonha do padre; ele também é homem como você, ele conhece perfeitamente as fraquezas dos homens e a propensão do homem ao pecado e por isso o padre não pode ser o seu juiz severo na confissão. - Mas, será que você está envergonhado e tem medo de perder a sua boa imagem perante ele? Pelo contrário, se você está procurando de impressioná-lo pela sua perfeição, o padre, vendo e ouvindo a sua sincera confissão, sentirá por você um amor ainda maior. Além disso, se você está envergonhado de abrir os teus pecados perante um padre, como você suportará esta vergonha, quando aparecerás no Último Juízo onde, se você não se livrar dos pecados mediante penitencia, todos eles se revelarão perante Deus, Seus anjos e todos os homens conhecidos e desconhecidos ? - Então, desejando se livrar dos pecados aqui e do sofrimento eterno lá, você deve obrigatoriamente contar abertamente ao padre todos os seus pecados. Porém confessando perante padre tudo abertamente, você não deve adicionar nada e não se deve culpar por atos não cometidos por você, como aliás muita gente faz; algumas pessoas, mesmo não tendo cometido certas coisas, sempre respondem "pequei" - e isto é muito mal.

2. Conta detalhadamente todos os seus pecados. Há muitas pessoas, que ao confessar dizem só: "Pequei, pequei contra tudo, por atos, palavras e pensamentos." Não é esta a confissão, exigida pela Santa Igreja. Na confissão, você deve abrir-se ao seu padre de tal forma, que ele entenda você; mas, quando você só diz: "pequei contra tudo por atos, palavras ou pensamentos," ele não poderá entender você; mesmo sem esta confissão, ele já sabe que você é pecador e não é um santo. Também, há outros que dizem: "pequei em cada meu passo." Isto também não está certo: nem sempre a pessoa peca em cada passo; há casos em que a pessoa andando faz boas ações - como, por exemplo, se com empenho cristão e alegria no coração se dirige à igreja para rezar, ou então para um outro lugar em busca de um bom conselho, ou para fazer algo de bom; nestes casos, cada passo é dirigido à um bom ato. Isto significa, que quando a pessoa, ao confessar, diz que "peca em cada passo," ela não fala verdade. Precisamos confessar cada pecado em separado. São João Crisóstomo diz: "Devemos não só dizer: pequei, ou sou um pecador, mas devemos mencionar todas as espécies do pecado," isto é, devemos mencionar cada pecado em separado. "A revelação dos pecados," diz São Basílio Grande, "é subordinada à mesma lei que a revelação das doenças do corpo." O pecador é uma pessoa, que tem a alma doente e o padre é o médico; portanto, devemos contar os nossos pecados ao nosso padre da mesma forma que um doente, que está procurando a cura, conta tudo sobre as suas dores ao médico.

3. Na sua confissão, não fale sobre outras pessoas, como o faz muita gente: muitas vezes, na confissão os pais reclamam dos filhos, a sogra - da nora, o marido culpa a mulher de infidelidade, a mulher - do mesmo o marido, que confissão é esta? Isto não é uma confissão, isto é uma condenação e significa um novo pecado. Você deve falar exclusivamente dos seus própios pecados, sem envolver outras pessoas, Também, se o padre faz uma pergunta e a pessoa responde: "nisso, todo mundo peca," tais palavras são erradas; o que você tem com isso? Irmãos, na confissão devemos falar dos nossos pecados, e não dos de outras pessoas.

4. Não tente se justificar de alguma forma como, por exemplo, pela doença ou pelo costume, etc. Na confissão, quem mais se justifica, menos será justificado por Deus e quem mais se culpa, mais será perdoado. Portanto, não nos devemos justificar na confissão e pelo contrário, mais nos culpar, para sermos dignos de receber perdão de Deus.

5. Não responda a uma pergunta do padre: "Não sei, não me lembro, talvez até pequei contra isso." Deus mandou que nós nos sempre lembremos dos nossos pecados; e para não se justificar pela falta de memória, devemos confessar com a maior freqüência possível. Os antigos cristãos confessavam e comungavam todo domingo, ou pelo menos 1 vez por mês; e agora a Santa Igreja ordena, que todos confessem 4 vezes por ano nos jejuns, e obrigatòriamente pelo menos 1 vez por ano, na Santa Quaresma. Isto significa, que se algumas pessoas, por sua comodidade, não confessam durante vários anos e desta forma esquecem os seus pecados, nisto só elas mesmas são culpadas e por isso não podem esperar, que os pecados não confessados sejam perdoados. Por isso, obrigatòriamente devemos tentar nos lembrar de todos os pecados e não dizer: "Não me lembro, talvez até pequei contra isto." Quando alguém nos deve algo, nós nos sempre lembramos desta dívida, e mesmo assim esquecemos as nossas dívidas a Deus ! Será, que isto não é da nossa parte o máximo desleixo e a máxima falta de interesse pela nossa alma?

6. Sem ser perguntado pelo padre, nunca mencione aquilo, em que você não pecou, ou o que você não fez. Há muita gente que confessa assim: "Eu não matei ninguém, não roubei nada de valioso e também não cometi nenhum outro grande pecado." Isto significa, que você se vangloria igual ao fariseu da parábola do Evangelho e isto não é nenhuma confissão e portanto, você só aumenta a sua condenação. Ainda mais: como você pode dizer: "eu não cometi nenhum grave pecado"? Você se irritou com o seu irmão sem motivo algum, portanto, isto é um pequeno pecado? Isto, conforme a palavra de Deus é igual ao assassinato (1 João 3:15). Você criticava o outro, portanto, isto é um pequeno pecado? Mesmo, se você fosse um grande penitente, mesmo se você cumprisse a risca todos os mandamentos de Deus, mesmo assim você merece tormenta eterna por uma só condenação. Você invejou o outro? Mas a inveja, conforme a palavra de S.Basílio Grande, é uma grave falta, "inventada por demônios, é um obstáculo para uma vida pura, é o caminho direto para o fogo infernal e é a exclusão do reino de Deus." Daí, veja como são sérios os pecados: ira, crítica, inveja e outros tantos, que nos cometemos a todo dia e a toda hora.

7. Devemos confessar com humildade e tristeza no coração os nossos pecados, com os quais insultamos Deus. Está totalmente errado, quando alguém confessa os seus pecados com indiferença e sem qualquer arrependimento, como se fosse uma conversa qualquer, e pior ainda, quando uma pessoa - e há muitas assim - até acha graça nisso. Tudo isto é um sinal da falta de arrependimento e confessando assim, nos não nos livramos dos pecados, mas ao contrário, ainda aumentamo-los.

Finalmente, confessa os pecados com a fé em Jesus Cristo e com a esperança na misericórdia Dele. Pois, só tendo fé em Jesus Cristo e tendo esperança Nele, podemos receber o perdão dos nossos pecados e sem fé, nunca receberemos o perdão. Como exemplo, temos o Judas traidor: ele se arrependeu do que fez e não só perante uma pessoa, mas perante todos: "pequei, entregando o sangue inocente!" e até devolveu as moedas de prata. Mas, como ele não acreditou em Jesus Cristo, não procurou a misericórdia Dele e se desesperou, então não recebeu o perdão e morreu horrìvelmente (Mateus 27:3-6). Assim, na penitencia, é imprescindível ao homem pecador ter fé e esperança.

É assim, meus caros irmãos, que devemos confessar, para Deus nos perdoar todos os nossos pecados. "Se confessarmos nossos pecados, fiel e justo é Ele para perdoar-nos e purificar-nos de toda iniqüidade" (1 João 1:9) e isto tudo conseguiremos pela graça e amor de Jesus Cristo a Quem, junto com o Pai e o Espírito Santo, glória e adoração de nós, pecadores, sempre e por séculos e séculos.

Prot. A. Nikolski
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