“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

"O Essencial da Espiritualidade Ortodoxa"

O fim e os meios da Vida Cristã

O objetivo da vida do homem é a união (Sinergia) com Deus e a deificação (théosis).

Os Padres gregos deram ao termo “deificação” uma conotação mais ampla que aquela conferida pelos Latinos, não no sentido de uma identidade panteísta, porém no sentido de participação na vida divina através da graça. “...Por elas, as maiores e mais preciosas promessas nos foram dadas, afim de que vós vos tornásseis também partícipes da natureza divina...” (2P1,4)

A participação introduz o homem na própria vida íntima das Três Pessoas divinas e o coloca nessa corrente incessante e transbordante de amor que vai do Pai ao Filho e ao Espírito. Nessa corrente que expressa a verdadeira natureza de Deus. Ali encontra-se a verdadeira felicidade do homem. Sua felicidade eterna.

A união com Deus é a realização perfeita do Reino anunciado pelo Evangelho. A realização perfeita dessa caridade e desse amor que resumem a Lei e os Profetas. É quando une-se à vida das Três Pessoas que o homem pode amar a Deus com toda a sua alma, com todo o seu coração, com todo seu espírito e ao próximo como a si mesmo.

A união entre Deus e o homem não pôde ser realizada sem um mediador: O Verbo feito carne, Nosso Senhor Jesus Cristo. “Eu sou o caminho... Ninguém vai ao Pai, a não ser por mim” (Jo 14,6)

No Filho nós nos tornamos filhos. “Nós somos feitos filhos de Deus” disse Santo Atanásio.

Essa incorporação no Cristo é a única maneira de alcançarmos nosso fim sobrenatural. O Espírito Santo opera e aperfeiçoa essa incorporação. Santo Irineu escreveu: “É pelo Espírito que se vai ao Filho e pelo Filho, vai-se ao Pai”.

Nunca poderemos insistir o bastante sobre o fato de que o objeto da espiritualidade cristã é a vida sobrenatural da alma. Ela não é responsável por efeitos naturais normais ou sobrenaturais, obtidos por discípulos humanos, mesmo aqueles “ditos” religiosos. Trata-se aqui da ação de Deus (e não de ações humanas) sobre a alma. A essência da vida espiritual não é psicológica. Ela é ontológica. É por isso que um relato sobre a espiritualidade não consiste em descrever certos estados de alma, sejam eles místicos ou outros, ou a ver como, certos princípios teológicos, definidos podem aplicar-se a cada alma em particular. A ação salvadora de Nosso Senhor é o Alfa e o Ômega, e o centro da espiritualidade cristã.

Graça divina e vontade humana.

A incorporação do homem em Cristo e sua união com Deus requerem a cooperação de duas forças desiguais mas igualmente necessárias: a graça divina e a vontade humana.

A vontade (e não o entendimento ou o sentimento) é o instrumento humano da união com Deus. Não pode haver união íntima com Deus se nossa própria vontade não estiver submetida e conformada à Sua Vontade: “Tu não quiseste nem sacrifício, nem oblação... Vêde, eu venho para fazer, ó Deus, a Tua Vontade” (Hb 10, 5-9).

Nossa fraca vontade permanece impotente se não for informada e sustentada pela graça de Deus. “É pela graça do Senhor Jesus que seremos salvos” (Atos 15,11). Sua graça aperfeiçoa em nós a vontade e a ação.

O Oriente Cristão não precisou suportar as controvérsias que sublevaram no Ocidente as noções de graça e predestinação.

Na Igreja Ortodoxa, a idéia de graça guardou o frescor primaveril que a palavra charis evocava nos gregos. Beleza luminosa... Presente... Complacência... Harmonia.

Os Padres gregos enfatizam a importância do livre-arbítrio na obra da salvação. Contraste chocante com Santo Agostinho. São João Crisóstomo escreveu: “Cabe a nós adentrar o reto caminho e a Deus nos ajudar nessa caminhada. Sua graça não impede nem força nossa liberdade, pois se assim fosse não gozaríamos de nosso livre-arbítrio”. Palavras que poderiam parecer tingidas de um semi-pelagianismo. Todavia, lembremo-nos que os Padres gregos nada tinham a ver com a heresia pelagiana. Ao contrário, combateram fortemente uma gnose fatalista oriental. São João Crisóstomo reconhece plenamente a graça amorosa e a sua necessidade. Ele escreveu: “Por vós mesmos, nada valeis: vós tudo recebestes de Deus. Dele, vós tendes recebido tudo o que possuis; sim, não isso ou aquilo, mas tudo aquilo que tendes. Vós não o deveis aos vossos próprios méritos, mas à graça de Deus. É inútil atribuí-lo à vossa fé, pois é à Sua graça que deveis fazê-lo”. Orígenes já havia dito que a graça reforça a energia da vontade, sem destruir a liberdade. Santo Efrém escreveu sobre a necessidade da ajuda de Deus.

Clemente de Alexandria inventou a palavra “sinergia” (cooperação), para exprimir a ação dessas duas energias combinadas: a graça e a vontade humana. Ainda hoje o termo e a idéia de sinergia resumem a doutrina da Igreja Ortodoxa sobre esse tema.

Ascetismo e Misticismo

A distinção entre a vontade humana e a graça divina, e sua interpretação nos ajudam a compreender como, na vida espiritual, o elemento ascético e o elemento místico podem, ao mesmo tempo, divergir e convergir.

Por ascetismo entende-se, geralmente, um “exercício” da vontade humana sobre ela mesma. Quanto ao termo “misticismo”, é lamentável que seja freqüentemente tão mal utilizado. “Místico” é confundido com “obscuro”, “poético”, “irracional”, etc. Psicólogos incréus (Delacroix, Janet), escritores cristãos (Von Hügel, Evelyn Underhill) permanecem bastante vagos em suas definições de misticismo. Definir o termo como o conhecimento experimental das coisas divinas é apenas uma aproximação. Os mestres da vida espiritual e, após eles, escritores católicos romanos (Garrigou-La-Grange, Guibert, Maritain) tiveram o mérito de precisar um pouco esses termos, dando às palavras “ascético” e “místico” um significado estritamente técnico. A “vida ascética” é uma vida na qual as virtudes dominantes são virtudes “adquiridas”. Por “virtudes adquiridas” entendo as virtudes resultantes de um esforço pessoal, acompanhado apenas pela graça que Deus concede a cada boa vontade. A “vida mística” é uma vida na qual os dons do Espírito Santo sobrepujam os esforços humanos. É uma vida na qual as virtudes “infusas” sobrepujam as virtudes “adquiridas”: a alma torna-se, aqui, mais passiva que ativa.

Tomemos uma comparação bastante básica. Entre a vida ascética (onde prevalece a ação humana) e a vida mística (onde prevalece a ação divina) há a mesma diferença que entre o remo e a vela. O remo representa o esforço ascético, a vela simboliza a passividade mística, que temos que desfraldar para poder gozar do vento divino.

Paralelo que se coloca bem na linha da Teologia dos Padres gregos. Esses nunca nos deram definições técnicas para o ascetismo ou o misticismo. Eles, no entanto, fazem uma distinção muito clara entre o estado onde o homem está “ativo” e aquele onde ele “sofre a ação”. O pseudo Diniz sublinha que o amor divino caminha na direção do êxtase, e faz o homem sair de si próprio, de sua condição normal.

Evitemos, porém, separar de maneira drástica a vida mística da vida ascética. A predominância dos dons não exclui a prática das virtudes adquiridas, assim como a predominância dessas virtudes não exclui os dons. Um desses dois elementos, é claro, será o predominante. A vida espiritual é, em geral, uma síntese entre o “ascético” e o “místico”.

Os carismas e os fenômenos extraordinários que acompanham alguns estados de oração (vozes interiores, visões, os estigmas, permanecem atributo dos ocidentais) fazem parte da via mística. Nem tais fenômenos, nem os carismas constituem a essência desta. Não importa quão grande o seu significado, não passa de um acidente. A via mística consiste na plenitude dos dons do Espírito Santo na alma.

Os carismas de ordem mística não são indispensáveis à salvação. A vida mística não é um sinônimo de perfeição cristã. A perfeição é feita de caridade e de amor. Ela pode ser conseguida por almas que nunca conhecerão nada além da observância simples e amorosa dos mandamentos. A maioria dos Padres gregos, com o seu santo otimismo, parecem favorecer a tese defendida pelos dominicanos e maritanos. Segundo esta tese, as graças místicas, longe de serem um privilégio da elite, são oferecidas a todas as almas de boa vontade. Sua raridade empírica vem do fato de que poucos respondem ao apelo. Elas são o desabrochamento normal, mas não necessário, da autêntica vida cristã. O Rei deseja que todo tomem faça parte no festim messiânico. Nosso Senhor veio para acender uma luz sobre a terra.. Que mais poderia ele querer, senão ver suas chamas acesas, e queimando em cada um de nós.

Oração e Contemplação.

A oração é um instrumento necessário à salvação. Cassiano, que fez eco aos Padres do deserto, distingue três graus ascendentes na oração cristã: súplica (por si), intercessão (pelos outros), ação de graça ou louvor. Esses três graus na oração reproduzem o itinerário completo da vida espiritual. Pouco importa se a oração é verbal ou mental, o essencial é que ela seja feita com amor.

Por outro lado, a contemplação não é necessária à salvação. Mas, de maneira geral, a oração assídua e fervorosa torna-se contemplativa.

Mas o que é a contemplação ? Ela não é sinônimo de especulações intelectuais muito elevadas, nem de uma interiorização extraordinária que pertença apenas a umas poucas e raras almas, previamente escolhidas. De acordo com os “clássicos” da vida espiritual, a contemplação começa pela “oração de simplicidade” ou “oração de olhar simples”. A oração de simplicidade consiste em se colocar na presença de Deus e a permanecer um momento em sua presença, guardando um silêncio interior tão perfeito quanto possível, concentrando-se inteiramente no objeto divino. Devemos nos esforçar para unificar a multiplicidade de pensamentos e sentimentos, para permanecermos calmos, sem palavras ou discursos interiores. A oração de simplicidade é a fronteira da contemplação. Ela é o seu degrau mais elementar. Ela não é difícil. Aquele que possui o hábito de orar, pelo menos um pouco, certamente já fez a experiência desta forma de contemplação, ainda que apenas por alguns instantes. Ela é portadora de frutos maravilhosos. É como uma chuva que cai sobre o jardim da alma. Ela reforça nossos esforços de ordem moral a fim de evitar o pecado e realizar a vontade de Deus.

Os atos de contemplação são benéficos, mas ainda melhor é ainda viver em estado de contemplação. Não pensemos, porém, que vida contemplativa signifique uma vida onde não se faz nada além de contemplar. Se assim o fosse, a vida contemplativa só seria possível no deserto, ou no interior de um claustro - e, no entanto, ela está disponível a todos. A vida contemplativa é simplesmente uma vida orientada para a contemplação. Uma vida ordenada à volta de freqüentes atos de contemplação, que constituem seu apogeu. Se a cada dia você conceder alguns minutos à oração de simplicidade, se você aprender a fazer abstração das pessoas e das coisas de forma a não se deixar agarrar por elas, se em seus pensamentos e em suas leituras você guarda sempre dentro de si a lembrança de Deus, a atenção à Sua presença, você está no caminho da vida contemplativa, mesmo que ainda viva no mundo.

O estado de contemplação é conseguido se os atos de contemplação forem resultado de um esforço pessoal. Ela é infundida se esses atos são produzidos pela graça divina, sem nenhum - ou quase nenhum - esforço humano. A contemplação adquirida releva da vida ascética. A contemplação infundida, da vida mística. Esta última é o ponto culminante da vida contemplativa.

Existe uma correspondência entre a classificação dos graus da contemplação no Ocidente e sua classificação no Oriente. Santa Tereza d’Ávila estabeleceu a classificação dos estados de contemplação que prevalecem no Ocidente. Ela distingüiu 4 aspectos:

1. A oração de concentração calma e silenciosa da alma em Deus, que ainda não exclui toda distração.
2. A união total na qual não há mais distrações. Ela é acompanhada de um sentimento de “união de forças da alma”.
3. A união extática, na qual a alma “sai de si própria”.
4. A união transformadora ou casamento espiritual.

Nos Padres gregos, nós encontramos talvez algo não tão preciso, mas algumas distinções análogas.

A oração de olhar simples, a oração de quietude e a união total são os degraus da “hésychia”, ela mesma - de uma forma ou outra, uma introdução à contemplação oriental. Para além da “hésychia” vem a união extática da qual encontramos exemplos no Novo Testamento. Ela é ainda bem descrita pelos Padres do deserto e pelo pseudo-Dinis (em sua teoria do êxtase e do movimento circular que conduz a alma a Deus). A união transformadora ou o casamento espiritual é descrita por aqueles que concebem a vida espiritual como uma deificação e também por aqueles que insistem na relação nupcial entre a alma e o seu Senhor. Uma transição imperceptível, um encadeamento de tintas e meias-tintas liga esses estados entre si. Eis porque, com os Ortodoxos, o nome de Jesus torna-se não somente o ponto de partida, mas também o suporte e o fim dos estados místicos que vão da “hésychia” à “ekstasis”.

Aquilo que falamos da vida mística pode ser repitido em relação à vida contemplativa. Ela não é um privilégio reservado a algumas poucas almas excepcionais. É verdade que o monaquismo oferece condições especialmente favoráveis ao seu exercício. Ainda assim, a contemplação está aberta a todos. O casamento, a vida familiar ou profissional não excluem de nenhuma maneira, nem a oração, nem as graças místicas. Ao contrário, o contemplativo ou o místico é uma benção para o seu meio-ambiente, que, no entanto, não deixa de lhe causar sofrimentos, deixando de lado os estados místicos mais elevados (como o êxtase e o casamento espiritual), lembremos que os estados hesicastas iniciais (a oração de simplicidade e os estados místicos que a seguem, principalmente a oração de quietude e a oração não extática de união) são o fim normal de toda e qualquer vida orante e cuidadosa, guardar e respeitar os preceitos do Senhor. A contemplação é freqüentemente a melhor maneira de Lhe ser fiel, pois ela faz crescer nosso amor e é o amor que nos auxilia na observância dos mandamentos - e não o contrário.

Não podemos deixar de insistir no fato de que nem a contemplação nem o misticismo devem ser identificados com a perfeição. A perfeição é caridade, amor. Uma vida contemplativa que desenvolve o exercício da caridade, no seu mais elevado grau, culmem caritatis, será igualmente o supremo grau da perfeição, culmen perfectionis. Ela será um fim em si própria e merecerá a oferenda de toda uma vida humana.

Extraído de Introduction a la spiritualité Orthodoxe, por “um monge da Igreja do Oriente”
Ed. Desclée de Brouwer
Bolertim Interparoquial, agosto de 2003

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Inauguração da Capela dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo em Pipiri, Paraíba

No domingo passado, dia 13, em Pipiri, arredores da cidade de Guarabira-PB, foi inaugurada a capela de uma Missão dedicada aos SS Apóstolos Pedro e Paulo.

Antes da Sagrada Liturgia o Hieromonge Jerônimo foi exaltado Arquimandrita e Abade do Mosteiro de S. Nicolau da Vila do Conde, na mesma oportunidade foi acolhido ao serviço do Santuário, como ceroferário, o Sr. Emiliano Camilo, líder do grupo de 22 pessoas que se converteram à Ortodoxia.

A referida capela foi construída com recursos e pelas próprias mãos das pessoas da região. Gente humilde e simples, mas com um magnífico tesouro em seus corações. Todos os presentes aos festejos saíram com a alma rejubilando com tal exemplo de amor a Cristo e Sua Igreja.








Tonsura no Mosteiro de São Nicolau

No ofício das Grandes Vésperas da última festa dos Corifeus dos Apóstolos SS. Pedro e Paulo, no mosteiro de S. Nicolau da Vila do Conde-PB, se entregou para se submeter à tonsura monástica o Igúmeno Lucas. Ao receber o pequeno hábito o professo tomou o nome de Jerônimo.

O ofício foi presidido pelo Sr. Dom Chrisóstomo coadjuvado pelo Bispo do Recife, o Sr. Dom Ambrósio presentes na assistência estavam fiéis do Recife e de João Pessoa e ainda o Seminarista Emanuel.

Que o Senhor conceda ao Arquimandrita Jerônimo ser salvo na ordem angélica!











OrtoFoto

Ucrânia
autor: Igor Sadowski

Oração de São Simeão o Novo Teólogo

De lábios imundos, de um coração impuro, de uma língua profanada e de uma alma maculada acolhe a oração, ó meu Cristo. Não me repulses em virtudes de minhas palavras e de minhas ações, nem mesmo porque não sei mais rugir. Antes, concede-me de Te dizer em toda a confiança o que desejo, ó meu Cristo; ou ainda, ensina-me o que devo dizer e fazer. Eu Te ofendi mais que a pecadora, ela que conhecendo onde Te encontravas, compra mirra e ousa vir ungir os Teus pés, ó meu Cristo, meu Senhor e meu Deus. Assim como não a repulsaste ao dirigir-se a Ti de todo o seu coração, não me afastes também, ó Verbo; dá-me os Teus pés para que eu os tenha, para que eu os beije e ouse banhá-los com minhas próprias lágrimas, no lugar de uma mirra preciosa. Lava-me com minhas lágrimas, purifica-me por elas, redime os meus pecados, e concede-me o perdão, ó Verbo. Tu conheces a multidão de minhas maldades, Tu sabes as minhas dores e vê as minhas feridas. Mas Tu conheces também minha fé, levas em conta o meu bem querer, e ouves os meus prantos. Nada Te é oculto, ó meu Deus, meu Criador e meu Redentor. Tu vês todas as minhas lágrimas, uma por uma e a menor parte de cada uma delas. O ato ainda não concluído Teus olhos já o conhecem, e o que ainda não realizado, sobre o Teu livro, já se encontra inscrito. Vê a minha humilhação, vê qual é a minha labuta, perdoa todos os meus pecados, ó Deus de todas as coisas, afim de que eu comungue aos Teus veneráveis e puríssimos Mistérios, com um coração puro, um espírito pleno de temor e uma alma contrita; pois aquele que Te come e Te bebe com um coração sem mancha é vivificado e divinizado. Tu disseste, em efeito, ó meu Mestre, “Aquele que come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele”. A palavra de meu Mestre é inteiramente verdade. Aquele que participa a estes dons divinos e deificantes, seguramente não mais está só, antes con’Tigo, ó meu Cristo, Tríplice Luz que ilumina o mundo. Afim de que eu não esteja mais só e nem separado de Ti, ó Doador da Vida, meu sopro, minha vida, meu júbilo, salvação do mundo, eu me aproximo de Ti, como vês, em lágrimas e com uma alma contrita. Concede-me o perdão das minhas faltas e faz-me participar, sem incorrer de condenação, aos Teus Mistérios vivificantes e imaculados afim de que, segundo a Tua palavra, permaneças em mim, três vezes infeliz que sou e que o enganador, encontrando-me excluído de Tua graça, não me tome perfidamente afastando-me de Tuas palavras deificantes. Eis porque eu me prostro diante de Ti e Te suplico humildemente: assim como acolheste o Filho Pródigo e a Pecadora que se aproximavam de Ti, recebe-me a mim, impuro e pródigo, com um coração contrito, ó Misericordioso. Eu o sei, ó Salvador, que ninguém pôde ofender-Te e nem pecar como eu o fiz. Mas, sei também que nem a gravidade de minhas faltas, nem a multidão de meus pecados, podem ultrapassar a grande paciência de meu Deus, bem como o Seu extremo amor pelos homens. Aqueles que ardem de arrependimento, Tu os purifica e tornando-os resplandecentes pelo óleo de Tua compaixão; Tu os fazes participar à Tua luz, e comungar à Tua divindade em plenitude, o que ultrapassa toda inteligência angélica ou humana; eis que geralmente Te relacionas com eles como que com Teus verdadeiros amigos: o que me torna audacioso, dando-me asas, ó meu Cristo. Confiando na riqueza de Teus benefícios, com júbilo e com temor juntamente, eu que sou palha recebo fogo, e milagre estranho, torno-me indizivelmente coberto de orvalho, como outrora a sarça que queimava sem ser consumida. Eis porque eu Te dou graças com o meu espírito e o meu coração, com todos os meus membros, com a minha alma e a minha carne, eu me prostro diante de Ti, ó meu Deus, e Te magnífico, Te exalto e Te glorifico, Tu que és bendito, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Mosteiro de Konstamonitou - Monte Atos

O mosteiro de Konstamonitou fica a 20 m de altitude na costa sudoeste do Monte Ato. Segundo a tradição o mosteiro foi fundado por Constâncio, filho do Imperador Constantino, o Grande. Outras versões dizem que o mosteiro foi fundado por certo eremita da cidade de Kastamou na Panflagôna. Dados históricos informam que o mosteiro surgiu no século X. No começo do século XIV os catalães destruíram o mosteiro, mas logo foi restaurado. O mosteiro incendiou-se pela primeira vez em 1433 e pela segunda vez em 1438. Até o final do século XVII o mosteiro ficou vazio.

Entre as relíquias do mosteiro encontra-se: pedaço da madeira da Cruz de Cristo, a mão direita de Santo Estevão, osso da face de São Basílio, partículas de ossos de São Constantino, o Grande.


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Oração de São João Damasceno antes da Santa Comunhão

Ó Mestre, Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, Tu que és o único com o poder de desligar os pecados dos homens, em Tua bondade e em Teu amor pelos homens, não leves em conta todas as minhas transgressões, cometidas com conhecimento ou por ignorância, e torna-me digno de comungar, sem incorrer de condenação, aos Teus santos, divinos, gloriosos, puríssimos e vivificantes Mistérios. Que eles não se convertam em meu castigo nem condenação, e não agravem os meus pecados, antes me purifiquem, me santifiquem, sejam uma garantia da Vida e do Reino futuros, uma proteção e um socorro, que eles dispersem os meus inimigos e aniquilem meus numerosos pecados. Pois Tu és um Deus bom, misericordioso e Amigo dos homens e nós Te damos glória com o Pai e o Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

domingo, 13 de julho de 2008

O Centurião

Neste Domingo (4º após o Pentecostes) ouvimos São Paulo dizer-nos que somos “justificados pela fé”. O evangelho do 4º domingo após o Pentecostes (Mt.8,5-13) mostra-nos que fé é esta que justifica. Um centurião romano, em Cafarnaum, obtém de Jesus a cura de seu servo doente. Esta cura é uma reposta ao ato de fé do centurião: “Vai, e como creste te seja feito...” O centurião não é um filho de Israel. Por outro lado, Jesus não lhe pede nenhuma profissão de uma fé intelectual; não o submete a nenhum teste doutrinal. E, contudo, é no centurião e não nos judeus os mais “ortodoxos” que Jesus encontra a fé que Ele deseja: “Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé...”. Em que consiste a fé vivida, a fé salvífica do centurião? Ela não se identifica nem à adesão a um dogma, nem à realização de um rito ou de um preceito legal. Ele é, antes de tudo, fundamentada sobre uma profunda humildade: “Senhor... não sou digno que entres sob meu teto...” pois ela é toda voltada para a palavra do Senhor: “...mas diz uma só palavra...”. A palavra do Senhor, aqui, não é somente recebida com respeito e fé, mas também é desejada, buscada, como um princípio de fé e de salvação. Aquela palavra pela qual o centurião espera com todo o seu ser, ele não a coloca numa esfera “religiosa”, estranha à vida cotidiana. “Diz somente uma palavra e meu servo será curado”. O centurião crê que a palavra de Jesus vai entrar em sua vida, irromper entre as realidades domésticas e operar um resultado definido. Enfim, a fé do centurião é uma disposição de obediência. “Eu sou homem sob autoridade”, diz o centurião: comando soldados e servos; o que lhes ordeno fazerem, eles fazem. Ele próprio está sob as ordens de oficiais superiores e executa as ordens deles. Portanto, acha natural que Jesus ordene e que suas ordens sejam imediatamente realizadas. Ele espera a ordem de Jesus. Esta é a fé do centurião, a fé que Jesus elogia. E esta é a fé que Jesus pede de nós: um dom confiante de todo o nosso ser na palavra que salva e que faz viver. Esta fé não exclui nem uma crença precisa nas verdades reveladas, nem uma prática exata da lei divina. Mas uma fé que fosse somente uma crença ou uma prática, sem o elã interior que leva o centurião até Jesus, seria uma fé morta. A fé viva do centurião - “um subalterno”- implica uma submissão da vontade à palavra de Jesus; no momento em que o centurião dirige seu pedido a Nosso Senhor, coloca-se sob Sua autoridade, “entre as suas mãos”. Devo, eu também, tornar-me um “subalterno”, um homem que, tendo colocado toda a sua vida sob a direção do Senhor, encontra a cada instante, nesta obediência e nesta confiança, a segurança e a certeza que aqueles que são regra para si mesmos ignoram.

A espístola deste domingo (Rm.6,18-23) é, também, um comentário sobre a verdadeira natureza da justificação pela fé (sem que, aliás, a Igreja tenha buscado estabelecer uma concordância entre a epístola e o evangelho deste dia). São Paulo continua a expor aos Romanos o que é a nossa justiça em Cristo. “...Pois se outrora oferecestes vossos membros à impureza, oferecei-vos hoje igualmente à justiça para santificar-vos... libertos do pecado... fortificai para a santidade”. Somos justificados pela fé, mas a fé não é nada se não transformar a nossa vida, se ela não der frutos, se não conduzir à santidade. A justificação não deve estar separada da santificação. “Santidade”: São Paulo não exita em colocar esta grande palavra, esta grande coisa, diante do conjunto da comunidade de Roma; ele considera a santidade como natural do cristão, como acessível a todos os fiéis. Para ele, a santidade não consiste em explorações ascéticas extraordinárias: o “santificai para a santidade” é simplesmente o serviço atento a Deus, a conformidade de nossa vontade à Sua.
Extraído de L’An de Grâce du Seigneur, Ed. du Cerf – 1988
Boletim Interparoquial de julho de 2002

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ícone da Mãe de Deus das “Três Mãos” - 28 jun/11 jul

É muito interessante essa devoção ao ícone da “Virgem das Três Mãos”, cujo culto nasceu de um ícone milagroso da Mãe de Deus, que teria intercedido em um milagre alcançado por São João Damasceno, no século VIII.

Considerado o último dos Santos Padres Orientais, mais tarde declarado Doutor da Igreja, passou sua vida inteira sob o governo de um Califa muçulmano. João nasceu numa família cristã, em 675, em Damasco, Síria. Nessa época as duas religiões ainda conviviam em relativa paz. Tanto, que seu pai, um cristão fervoroso, era um alto funcionário do Califa, o qual aprendeu a respeitar a sabedoria do pequeno João e acabou lhe dedicando uma sincera amizade. Devido a sua cidade natal, na juventude João era chamado de "o Damasceno" e se tornou um influente sacerdote da Igreja cristã da Síria. Foi um dos maiores e fortes defensores do culto das imagens sagradas (ícones) no difícil período dos hereges iconoclastas. Mesmo atacando abertamente o governo muçulmano, sempre foi protegido das vinganças, pelo próprio Califa.

Diz a tradição, que insuflado por uma mentira que tornava João Damasceno um conspirador do governo, o Califa se sentiu traído pelo velho amigo. Por isso, ordenou que lhe cortasse a mão direita, conforme a lei muçulmana. João Damasceno, porém, profundo devoto da Santíssima Virgem Maria, rezou com toda fé diante do seu ícone. No dia seguinte, a mão estava recolocada no lugar. Como prova de sua gratidão, ele pendurou uma mão de prata no ícone e mandou pintar um novo com esta mão votiva, diante do qual passou a fazer suas orações. Assim surgiu o ícone da "Virgem das Três Mãos" e sua devoção. Ao logo dos tempos o seu culto se difundiu e muitas cópias surgiram nos mosteiros e igrejas cristãs do Oriente.

No século XIII, São Sabas, filho de Estêvão I, fundador da dinastia e do Estado independente da Sérvia, antes de se retirar para o mosteiro do Monte Athos, esteve em Jerusalém e levou para seu país um ícone de Nossa Senhora das Três Mãos, para ser venerado na Catedral da capital Sófia. Mais tarde, seu pai abdicou o trono e se recolheu à vida religiosa. Então, juntos decidiram fundaram um mosteiro para os sérvios em Kilandar, chamado "Mosteiro da Santíssima Mãe de Deus" ou "Casa da Santíssima Mãe de Deus de Kilandar".

Em 1459, a Sérvia ficou completamente sob o domínio dos turcos muçulmanos. O ícone venerado em Sófia foi transferido para o Mosteiro de Kilandar, local que deu origem à outra tradição cristã. No início do século XVII, certo dia, os monges desse Mosteiro não conseguiam entrar em acordo para eleger o novo guia espiritual. Por isso, a Virgem das Três Mãos teria descido do altar para assumir essa função e comunicado os monges através de uma visão à um dos mais velhos. Daquela época em diante os religiosos de Kilandar rendem à Virgem das Três Mãos todas as honras devidas, especialmente no dia 28 de junho/11 de julho sua festa anual.

Com base nessas e outras tradições, a terceira mão que aparece no ícone foi interpretada como: mão auxiliadora da Mãe de Deus que sempre intercede pelos fiéis junto ao Senhor.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Santo. Presbítero e Anárgiro, Sansão, o Hospitaleiro de Constantinopla (+ c. 530) – 27 jun/ 10 jul

São Sansão, o Hospitaleiro foi filho de pais romanos ricos e ilustres que lhe deram uma educação excelente que o fizeram médico.Depois da morte do pais ele distribuiu os bens herdados entre os pobres e liberou os escravos. Logo depois se dirigiu para Constantinopla onde se estabeleceu numa pequena casa onde alojava viajantes, pobres e doentes. Pela sua vida ascética e de entrega ao próximo, Deus lhe deu o poder da cura,não só pelo conhecimento médico mas por suas virtudes. Sua fama se espalhou e o Patriarca resolveu ordená-lo presbítero.

Quando o imperador Justiniano (527-565) ficou doente, pediu que São Sansão o curasse. O santo impôs suas mãos sobre a área afetada e imediatamente ele se curou. Em gratidão o imperador ofereceu ouro e prata, mas o santo recusou e pediu a Justiniano que construísse uma casa para pobres. O imperador cumpriu o pedido prontamente.

São Sansão dedicou o resto de sua vida a servir o próximo. Ele sobreviveu até idade avançada e partiu pacificamente para Deus.

Mosteiro de São Pantaleão - Monte Atos

O mosteiro de São Pantaleão fica no litoral sudoeste do Monte Ato a pequena distância do mar. Em todos os manuscritos do século XIV e posteriores o mosteiro é mencionado como o mosteiro russo de São Pantaleão. No começo do século XIV um incêndio o destruiu, mas graças a doações de imperadores bizantinos e soberanos da Sérvia foi reconstruído. As instalações atuais do mosteiro foram feitas durante as duas primeiras décadas do século XIX e patrocinadas por soberanos da Moldávia e Valáquia (região atual da Romênia).

Entre as principais relíquias encontra-se: partícula da pedra do túmulo de Cristo, osso da face de São Pantaleão, partículas de relíquias dos santos apóstolos Pedro, André, Mateus, Lucas, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Barnabé e Prócoro.





quarta-feira, 9 de julho de 2008

Santo Eremita David de Tessalônica (+ c. 540) - 26 jun/09 jul

Durante anos ele praticou sua ascese sobre uma amendoeira.Tempos depois, se mudou para a Tessalônica e continuou sua vida de jejum, oração e vigília, purificando sua alma e sendo feito merecedor de inúmeros milagres.