“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

ok

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Inauguração da Capela dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo em Pipiri, Paraíba

No domingo passado, dia 13, em Pipiri, arredores da cidade de Guarabira-PB, foi inaugurada a capela de uma Missão dedicada aos SS Apóstolos Pedro e Paulo.

Antes da Sagrada Liturgia o Hieromonge Jerônimo foi exaltado Arquimandrita e Abade do Mosteiro de S. Nicolau da Vila do Conde, na mesma oportunidade foi acolhido ao serviço do Santuário, como ceroferário, o Sr. Emiliano Camilo, líder do grupo de 22 pessoas que se converteram à Ortodoxia.

A referida capela foi construída com recursos e pelas próprias mãos das pessoas da região. Gente humilde e simples, mas com um magnífico tesouro em seus corações. Todos os presentes aos festejos saíram com a alma rejubilando com tal exemplo de amor a Cristo e Sua Igreja.








Tonsura no Mosteiro de São Nicolau

No ofício das Grandes Vésperas da última festa dos Corifeus dos Apóstolos SS. Pedro e Paulo, no mosteiro de S. Nicolau da Vila do Conde-PB, se entregou para se submeter à tonsura monástica o Igúmeno Lucas. Ao receber o pequeno hábito o professo tomou o nome de Jerônimo.

O ofício foi presidido pelo Sr. Dom Chrisóstomo coadjuvado pelo Bispo do Recife, o Sr. Dom Ambrósio presentes na assistência estavam fiéis do Recife e de João Pessoa e ainda o Seminarista Emanuel.

Que o Senhor conceda ao Arquimandrita Jerônimo ser salvo na ordem angélica!











OrtoFoto

Ucrânia
autor: Igor Sadowski

Oração de São Simeão o Novo Teólogo

De lábios imundos, de um coração impuro, de uma língua profanada e de uma alma maculada acolhe a oração, ó meu Cristo. Não me repulses em virtudes de minhas palavras e de minhas ações, nem mesmo porque não sei mais rugir. Antes, concede-me de Te dizer em toda a confiança o que desejo, ó meu Cristo; ou ainda, ensina-me o que devo dizer e fazer. Eu Te ofendi mais que a pecadora, ela que conhecendo onde Te encontravas, compra mirra e ousa vir ungir os Teus pés, ó meu Cristo, meu Senhor e meu Deus. Assim como não a repulsaste ao dirigir-se a Ti de todo o seu coração, não me afastes também, ó Verbo; dá-me os Teus pés para que eu os tenha, para que eu os beije e ouse banhá-los com minhas próprias lágrimas, no lugar de uma mirra preciosa. Lava-me com minhas lágrimas, purifica-me por elas, redime os meus pecados, e concede-me o perdão, ó Verbo. Tu conheces a multidão de minhas maldades, Tu sabes as minhas dores e vê as minhas feridas. Mas Tu conheces também minha fé, levas em conta o meu bem querer, e ouves os meus prantos. Nada Te é oculto, ó meu Deus, meu Criador e meu Redentor. Tu vês todas as minhas lágrimas, uma por uma e a menor parte de cada uma delas. O ato ainda não concluído Teus olhos já o conhecem, e o que ainda não realizado, sobre o Teu livro, já se encontra inscrito. Vê a minha humilhação, vê qual é a minha labuta, perdoa todos os meus pecados, ó Deus de todas as coisas, afim de que eu comungue aos Teus veneráveis e puríssimos Mistérios, com um coração puro, um espírito pleno de temor e uma alma contrita; pois aquele que Te come e Te bebe com um coração sem mancha é vivificado e divinizado. Tu disseste, em efeito, ó meu Mestre, “Aquele que come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele”. A palavra de meu Mestre é inteiramente verdade. Aquele que participa a estes dons divinos e deificantes, seguramente não mais está só, antes con’Tigo, ó meu Cristo, Tríplice Luz que ilumina o mundo. Afim de que eu não esteja mais só e nem separado de Ti, ó Doador da Vida, meu sopro, minha vida, meu júbilo, salvação do mundo, eu me aproximo de Ti, como vês, em lágrimas e com uma alma contrita. Concede-me o perdão das minhas faltas e faz-me participar, sem incorrer de condenação, aos Teus Mistérios vivificantes e imaculados afim de que, segundo a Tua palavra, permaneças em mim, três vezes infeliz que sou e que o enganador, encontrando-me excluído de Tua graça, não me tome perfidamente afastando-me de Tuas palavras deificantes. Eis porque eu me prostro diante de Ti e Te suplico humildemente: assim como acolheste o Filho Pródigo e a Pecadora que se aproximavam de Ti, recebe-me a mim, impuro e pródigo, com um coração contrito, ó Misericordioso. Eu o sei, ó Salvador, que ninguém pôde ofender-Te e nem pecar como eu o fiz. Mas, sei também que nem a gravidade de minhas faltas, nem a multidão de meus pecados, podem ultrapassar a grande paciência de meu Deus, bem como o Seu extremo amor pelos homens. Aqueles que ardem de arrependimento, Tu os purifica e tornando-os resplandecentes pelo óleo de Tua compaixão; Tu os fazes participar à Tua luz, e comungar à Tua divindade em plenitude, o que ultrapassa toda inteligência angélica ou humana; eis que geralmente Te relacionas com eles como que com Teus verdadeiros amigos: o que me torna audacioso, dando-me asas, ó meu Cristo. Confiando na riqueza de Teus benefícios, com júbilo e com temor juntamente, eu que sou palha recebo fogo, e milagre estranho, torno-me indizivelmente coberto de orvalho, como outrora a sarça que queimava sem ser consumida. Eis porque eu Te dou graças com o meu espírito e o meu coração, com todos os meus membros, com a minha alma e a minha carne, eu me prostro diante de Ti, ó meu Deus, e Te magnífico, Te exalto e Te glorifico, Tu que és bendito, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Mosteiro de Konstamonitou - Monte Atos

O mosteiro de Konstamonitou fica a 20 m de altitude na costa sudoeste do Monte Ato. Segundo a tradição o mosteiro foi fundado por Constâncio, filho do Imperador Constantino, o Grande. Outras versões dizem que o mosteiro foi fundado por certo eremita da cidade de Kastamou na Panflagôna. Dados históricos informam que o mosteiro surgiu no século X. No começo do século XIV os catalães destruíram o mosteiro, mas logo foi restaurado. O mosteiro incendiou-se pela primeira vez em 1433 e pela segunda vez em 1438. Até o final do século XVII o mosteiro ficou vazio.

Entre as relíquias do mosteiro encontra-se: pedaço da madeira da Cruz de Cristo, a mão direita de Santo Estevão, osso da face de São Basílio, partículas de ossos de São Constantino, o Grande.


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Oração de São João Damasceno antes da Santa Comunhão

Ó Mestre, Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, Tu que és o único com o poder de desligar os pecados dos homens, em Tua bondade e em Teu amor pelos homens, não leves em conta todas as minhas transgressões, cometidas com conhecimento ou por ignorância, e torna-me digno de comungar, sem incorrer de condenação, aos Teus santos, divinos, gloriosos, puríssimos e vivificantes Mistérios. Que eles não se convertam em meu castigo nem condenação, e não agravem os meus pecados, antes me purifiquem, me santifiquem, sejam uma garantia da Vida e do Reino futuros, uma proteção e um socorro, que eles dispersem os meus inimigos e aniquilem meus numerosos pecados. Pois Tu és um Deus bom, misericordioso e Amigo dos homens e nós Te damos glória com o Pai e o Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

domingo, 13 de julho de 2008

O Centurião

Neste Domingo (4º após o Pentecostes) ouvimos São Paulo dizer-nos que somos “justificados pela fé”. O evangelho do 4º domingo após o Pentecostes (Mt.8,5-13) mostra-nos que fé é esta que justifica. Um centurião romano, em Cafarnaum, obtém de Jesus a cura de seu servo doente. Esta cura é uma reposta ao ato de fé do centurião: “Vai, e como creste te seja feito...” O centurião não é um filho de Israel. Por outro lado, Jesus não lhe pede nenhuma profissão de uma fé intelectual; não o submete a nenhum teste doutrinal. E, contudo, é no centurião e não nos judeus os mais “ortodoxos” que Jesus encontra a fé que Ele deseja: “Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé...”. Em que consiste a fé vivida, a fé salvífica do centurião? Ela não se identifica nem à adesão a um dogma, nem à realização de um rito ou de um preceito legal. Ele é, antes de tudo, fundamentada sobre uma profunda humildade: “Senhor... não sou digno que entres sob meu teto...” pois ela é toda voltada para a palavra do Senhor: “...mas diz uma só palavra...”. A palavra do Senhor, aqui, não é somente recebida com respeito e fé, mas também é desejada, buscada, como um princípio de fé e de salvação. Aquela palavra pela qual o centurião espera com todo o seu ser, ele não a coloca numa esfera “religiosa”, estranha à vida cotidiana. “Diz somente uma palavra e meu servo será curado”. O centurião crê que a palavra de Jesus vai entrar em sua vida, irromper entre as realidades domésticas e operar um resultado definido. Enfim, a fé do centurião é uma disposição de obediência. “Eu sou homem sob autoridade”, diz o centurião: comando soldados e servos; o que lhes ordeno fazerem, eles fazem. Ele próprio está sob as ordens de oficiais superiores e executa as ordens deles. Portanto, acha natural que Jesus ordene e que suas ordens sejam imediatamente realizadas. Ele espera a ordem de Jesus. Esta é a fé do centurião, a fé que Jesus elogia. E esta é a fé que Jesus pede de nós: um dom confiante de todo o nosso ser na palavra que salva e que faz viver. Esta fé não exclui nem uma crença precisa nas verdades reveladas, nem uma prática exata da lei divina. Mas uma fé que fosse somente uma crença ou uma prática, sem o elã interior que leva o centurião até Jesus, seria uma fé morta. A fé viva do centurião - “um subalterno”- implica uma submissão da vontade à palavra de Jesus; no momento em que o centurião dirige seu pedido a Nosso Senhor, coloca-se sob Sua autoridade, “entre as suas mãos”. Devo, eu também, tornar-me um “subalterno”, um homem que, tendo colocado toda a sua vida sob a direção do Senhor, encontra a cada instante, nesta obediência e nesta confiança, a segurança e a certeza que aqueles que são regra para si mesmos ignoram.

A espístola deste domingo (Rm.6,18-23) é, também, um comentário sobre a verdadeira natureza da justificação pela fé (sem que, aliás, a Igreja tenha buscado estabelecer uma concordância entre a epístola e o evangelho deste dia). São Paulo continua a expor aos Romanos o que é a nossa justiça em Cristo. “...Pois se outrora oferecestes vossos membros à impureza, oferecei-vos hoje igualmente à justiça para santificar-vos... libertos do pecado... fortificai para a santidade”. Somos justificados pela fé, mas a fé não é nada se não transformar a nossa vida, se ela não der frutos, se não conduzir à santidade. A justificação não deve estar separada da santificação. “Santidade”: São Paulo não exita em colocar esta grande palavra, esta grande coisa, diante do conjunto da comunidade de Roma; ele considera a santidade como natural do cristão, como acessível a todos os fiéis. Para ele, a santidade não consiste em explorações ascéticas extraordinárias: o “santificai para a santidade” é simplesmente o serviço atento a Deus, a conformidade de nossa vontade à Sua.
Extraído de L’An de Grâce du Seigneur, Ed. du Cerf – 1988
Boletim Interparoquial de julho de 2002

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ícone da Mãe de Deus das “Três Mãos” - 28 jun/11 jul

É muito interessante essa devoção ao ícone da “Virgem das Três Mãos”, cujo culto nasceu de um ícone milagroso da Mãe de Deus, que teria intercedido em um milagre alcançado por São João Damasceno, no século VIII.

Considerado o último dos Santos Padres Orientais, mais tarde declarado Doutor da Igreja, passou sua vida inteira sob o governo de um Califa muçulmano. João nasceu numa família cristã, em 675, em Damasco, Síria. Nessa época as duas religiões ainda conviviam em relativa paz. Tanto, que seu pai, um cristão fervoroso, era um alto funcionário do Califa, o qual aprendeu a respeitar a sabedoria do pequeno João e acabou lhe dedicando uma sincera amizade. Devido a sua cidade natal, na juventude João era chamado de "o Damasceno" e se tornou um influente sacerdote da Igreja cristã da Síria. Foi um dos maiores e fortes defensores do culto das imagens sagradas (ícones) no difícil período dos hereges iconoclastas. Mesmo atacando abertamente o governo muçulmano, sempre foi protegido das vinganças, pelo próprio Califa.

Diz a tradição, que insuflado por uma mentira que tornava João Damasceno um conspirador do governo, o Califa se sentiu traído pelo velho amigo. Por isso, ordenou que lhe cortasse a mão direita, conforme a lei muçulmana. João Damasceno, porém, profundo devoto da Santíssima Virgem Maria, rezou com toda fé diante do seu ícone. No dia seguinte, a mão estava recolocada no lugar. Como prova de sua gratidão, ele pendurou uma mão de prata no ícone e mandou pintar um novo com esta mão votiva, diante do qual passou a fazer suas orações. Assim surgiu o ícone da "Virgem das Três Mãos" e sua devoção. Ao logo dos tempos o seu culto se difundiu e muitas cópias surgiram nos mosteiros e igrejas cristãs do Oriente.

No século XIII, São Sabas, filho de Estêvão I, fundador da dinastia e do Estado independente da Sérvia, antes de se retirar para o mosteiro do Monte Athos, esteve em Jerusalém e levou para seu país um ícone de Nossa Senhora das Três Mãos, para ser venerado na Catedral da capital Sófia. Mais tarde, seu pai abdicou o trono e se recolheu à vida religiosa. Então, juntos decidiram fundaram um mosteiro para os sérvios em Kilandar, chamado "Mosteiro da Santíssima Mãe de Deus" ou "Casa da Santíssima Mãe de Deus de Kilandar".

Em 1459, a Sérvia ficou completamente sob o domínio dos turcos muçulmanos. O ícone venerado em Sófia foi transferido para o Mosteiro de Kilandar, local que deu origem à outra tradição cristã. No início do século XVII, certo dia, os monges desse Mosteiro não conseguiam entrar em acordo para eleger o novo guia espiritual. Por isso, a Virgem das Três Mãos teria descido do altar para assumir essa função e comunicado os monges através de uma visão à um dos mais velhos. Daquela época em diante os religiosos de Kilandar rendem à Virgem das Três Mãos todas as honras devidas, especialmente no dia 28 de junho/11 de julho sua festa anual.

Com base nessas e outras tradições, a terceira mão que aparece no ícone foi interpretada como: mão auxiliadora da Mãe de Deus que sempre intercede pelos fiéis junto ao Senhor.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Santo. Presbítero e Anárgiro, Sansão, o Hospitaleiro de Constantinopla (+ c. 530) – 27 jun/ 10 jul

São Sansão, o Hospitaleiro foi filho de pais romanos ricos e ilustres que lhe deram uma educação excelente que o fizeram médico.Depois da morte do pais ele distribuiu os bens herdados entre os pobres e liberou os escravos. Logo depois se dirigiu para Constantinopla onde se estabeleceu numa pequena casa onde alojava viajantes, pobres e doentes. Pela sua vida ascética e de entrega ao próximo, Deus lhe deu o poder da cura,não só pelo conhecimento médico mas por suas virtudes. Sua fama se espalhou e o Patriarca resolveu ordená-lo presbítero.

Quando o imperador Justiniano (527-565) ficou doente, pediu que São Sansão o curasse. O santo impôs suas mãos sobre a área afetada e imediatamente ele se curou. Em gratidão o imperador ofereceu ouro e prata, mas o santo recusou e pediu a Justiniano que construísse uma casa para pobres. O imperador cumpriu o pedido prontamente.

São Sansão dedicou o resto de sua vida a servir o próximo. Ele sobreviveu até idade avançada e partiu pacificamente para Deus.

Mosteiro de São Pantaleão - Monte Atos

O mosteiro de São Pantaleão fica no litoral sudoeste do Monte Ato a pequena distância do mar. Em todos os manuscritos do século XIV e posteriores o mosteiro é mencionado como o mosteiro russo de São Pantaleão. No começo do século XIV um incêndio o destruiu, mas graças a doações de imperadores bizantinos e soberanos da Sérvia foi reconstruído. As instalações atuais do mosteiro foram feitas durante as duas primeiras décadas do século XIX e patrocinadas por soberanos da Moldávia e Valáquia (região atual da Romênia).

Entre as principais relíquias encontra-se: partícula da pedra do túmulo de Cristo, osso da face de São Pantaleão, partículas de relíquias dos santos apóstolos Pedro, André, Mateus, Lucas, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Barnabé e Prócoro.





quarta-feira, 9 de julho de 2008

Santo Eremita David de Tessalônica (+ c. 540) - 26 jun/09 jul

Durante anos ele praticou sua ascese sobre uma amendoeira.Tempos depois, se mudou para a Tessalônica e continuou sua vida de jejum, oração e vigília, purificando sua alma e sendo feito merecedor de inúmeros milagres.

"Onde deveremos procurar o Reino de Deus?"

"Teu reino vem!"

Lendo o Evangelho não podemos deixar de notar que ele fala com freqüência no Reino de Deus. Muitos diálogos e parábolas de Cristo são destinados a revelar a natureza, atributos e propósito do Reino de Deus. Isso era tão óbvio para os contemporâneos que eles chamavam o ensinamento do conjunto desses ensinamentos de "pregação das boas novas do Reino de Deus" (Mt. 4:23).

Mas no que implica este título? Significa ele a futura vida depois da morte, que vem depois da ressurreição dos mortos? Ou, talvez, ele signifique a condição espiritual presente do homem, sua prontidão para se comunicar com Deus? Implica ele numa sociedade construída segundo os princípios evangélicos? Ou o reino universal dos santos, de mil anos de duração descrito no livro do Apocalipse (Apocal. 20:4)?

A palavra "Reino" presume em si uma estrutura social extensiva e bastante complexa: um estado, um império. Agora, se tudo que existe é uma decorrência de Deus (pois nada existe que não tenha sido criado por Ele), então o Reino de Deus é, em principio e por projeto, o mundo inteiro de Deus, o imenso universo, que inclui todas as coisas visíveis e invisíveis. Esta parece ser uma afirmação correta.

Mas se nós sabemos que Deus é infinitamente bom e justo, de onde vem toda esta discórdia? Todas estas calamidades e desastres, miríades de malignidades: crimes, atos de violência e injustiça, doenças e mortes, que são vistas por toda parte? Porque aquilo que deve acontecer não se ajusta ao que acontece de fato?

"É por causa do pecado e desobediência a Deus, por causa da resistência consciente a Ele," explica a Sagrada Escritura.

É o dom da liberdade concedido aos homens (e aos anjos) pelo Criador, que pressupõe a habilidade para infringir a Sua vontade e leis, que traz desarmonia para a beleza e ordem que deveria ter existido em todo o universo. A liberdade da vontade é como fogo, que um selvagem pode usar para cozinhar sua comida ou esquentar a sua morada no tempo frio, ou então queimar toda a floresta e talvez até mesmo perecer neste fogo.

A principio Deus poderia nos ter "programado" para só fazermos o bem, não causarmos danos aos outros e a nós mesmos, e agirmos somente como predestinados: comer, dormir, multiplicar. Mas neste caso nós seriamos robôs ou animais, dirigidos pelos instintos naturais, e não como seres de espírito-livre. Nós seriamos espiritualmente deficientes e, além disso, estaríamos privados da real possibilidade do prazer do trabalho criativo, inspiração e de atos de livre-vontade de caridade e amor. Deus criou muitos seres sem liberdade moral, que, no entanto, vivem somente pelas leis físicas. Mas eles foram simplesmente um estágio preparatório antes da concretização do homem, para quem nosso Deus criou o mundo físico.

Em Seu incompreensível amor Deus não fez os homens como "mecanismos" cegamente submissos, mas nos criou como "filhos" livres, capazes de amor consciente, e desejosos por Ele como Protótipo e Ideal. Deus deu ao homem grandes dons espirituais, colocou-o no doce paraíso, fez dele dirigente de todas as criaturas e deu a ele a árvore da vida, para que ele fosse sempre saudável, pudesse se aperfeiçoar e amar a vida. Que honra e graça! E qual não deveria ser a gratidão das pessoas que habitavam no Éden!

Mas nós temos consciência da tragédia que ocorreu: o selvagem apreendeu a fazer fogo e tocou fogo na floresta. Felizmente, ele não a queimou inteiramente e para sempre!

Nós não vamos aqui recontar os detalhes da catástrofe espiritual do homem, descrita no capítulo 3 do Livro da Gênesis. É importante lembrar que devido a esta tragédia todas as pessoas nascem moralmente defeituosas e predispostas a pecar. O pecado original é como um defeito biológico da célula, que passa dos pais para as crianças.

A tragédia da humanidade é que as pessoas, com todas as suas boas intenções e esforços, não conseguem curar a podridão espiritual, que tem suas raízes muito fundas no nosso ser físico e espiritual.

Por misericórdia de Deus, nem a terra nem o inferno — a tenebrosa morada do mal, que os demônios fizeram para si próprios, — se espalharam através do Reino de Deus. Elas são mais como "ilhas" isoladas, "áreas de quarentena," ou manchas escuras no imensamente grande Reino da Luz e do Bem. Paz e harmonia reinam por toda parte, especialmente no mundo angélico. Todos rejubilam com a luz vivificante dada pelo Criador, agradecendo a Ele por Sua eterna bondade.

Mas murmúrios, gemidos e maldições são ouvidos na nossa sociedade, que se afastou do Criador. As pessoas enganam e ofendem umas às outras, "o homem tornou-se um lobo para com seu companheiro." Às vezes parece que as trevas espirituais absorverão o nosso mundo, fazendo dele um inferno real.

Mas isto nunca acontecerá! Nós sabemos, como nos foi prometido pelo Salvador, que o mal será permitido somente por um certo tempo. Vindo para o nosso mundo por uma segunda vez, o Filho de Deus ressuscitará todas as pessoas. Então todos os malignos, malfeitores, estupradores e malfeitores, todos os que odeiam a luz e estão felizes com o mal, serão jogados na ígnea Gehena, junto com os demônios. O mundo será completamente renovado. Todos aqueles que viveram pelo Evangelho, amaram o bem, procuraram a verdade, sofreram sem culpa, evitaram mentiras e violência, serão "salvos," o que significa que eles serão reunidos com o resto do Reino de Deus. E isto será a alegria inexplicável.

"E vi um novo céu, e uma nova terra," escreve o Apóstolo João no Apocalipse, "Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram... E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas... E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. E a cidade (Nova Jerusalém) não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro (Filho de Deus) é a sua lâmpada. E as nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra. E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite. E a ela trarão a glória e a honra das nações... E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio de sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para saúde das nações... E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia" (Apocalipse 21 e 22).

A natureza deste mundo é tão diferente do nosso universo físico que faltam palavras ao autor para descrevê-lo. É claro, no entanto, que este é o mais belíssimo mundo, e o simples entendimento do pecador condenado de que ele nunca chegará lá, parece ser a mais dolorosa tortura.

Ai está porque o Evangelho fica insistentemente chamando todo mundo para fazerem todos os esforços, sacrificando qualquer coisa inclusive esta própria vida temporal, para vivê-la no Reino de Deus. O Reino de Deus é nossa verdadeira pátria, enquanto este mundo, no estado presente, é estranho para Deus, e assim deve ser estranho para nós também.
Bispo Alexander (Mileant).
Tradução: Padre Pedro Oliveira