“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 4 de julho de 2008

“Extrato das Instruções Espirituais de São Serafim de Sarov a Motovilov”

... Era uma quinta-feira; o dia estava cinzento, o solo coberto de uma espessa camada de neve. Caíam ainda alguns grandes flocos de neve, quando o Staretz Serafim começou a falar-me na clareira vizinha ao seu “deserto”, às margens do rio. Ele fez-me sentar sobre um tronco de árvore, recentemente cortado, e pôs-se, ele próprio diante de mim.

“O Senhor revelou-me, disse-me ele, que em tua infância, desejavas saber o objectivo da vida cristã; tendo posto tal questão, por tantas vezes a eminentes hierarcas”.

Eu devo dizer que em efeito com a idade de doze anos esta questão me preocupava enormemente; eu perguntava frequentemente a este respeito, sem, no entanto, jamais ter recebido uma digna resposta”.

“Ora, ninguém te dizia algo de precioso. Aconselhavam-te a orar, a ir à igreja, a dar esmolas, a fazer o bem, dizendo-te ser este o objectivo da vida cristã. Alguns chegavam mesmo a dizer-te: Não procures saber aquilo que não te compete. Eis que então eu, miserável servidor de Deus, procurarei explicar-te qual é este objectivo: a oração, o jejum, as obras de misericórdia e a caridade..., tudo isto é muito bom, mas representam somente meios, e não o próprio objectivo da vida cristã. O verdadeiro objectivo é a aquisição do Espírito Santo”.

“Em que sentido expressas esta aquisição? – perguntei-lhe então: – Eu não compreendo muito bem!”

“Adquirir significa ganhar, respondeu-me ele, compreendes, o que quer dizer ganhar dinheiro? E então, o mesmo acontece com o Espírito Santo. O objectivo da vida para alguns é o de ganhar dinheiro, de receber honras, títulos, distinções... O Espírito Santo, Ele também, constitui um ganho, mas um ganho eterno. Nosso Senhor compara a nossa vida a um comércio e as obras desta vida à uma compra: “Aconselho que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças.” (Ap.3, 18) – diz Ele – fazendo-nos ainda o dom das palavras do Apóstolo que diz “Do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Ef. 5, 16). Os únicos valores da terra são as boas obras feitas por amor a Cristo; elas nos revelam a graça. Nenhuma boa obra pode nos aportar os frutos do Espírito Santo se ela não for realizada por amor a Cristo. Razão pela qual o próprio Senhor faz escrever “Quem comigo não ajunta, espalha” (cf. Mt. 12, 30).

“Na parábola do Evangelho é dito às virgens loucas: “Ide, antes aos que o vendem, e comprai-os para vós” (Mt. 25, 9); mas, no entanto, ao partirem em busca de óleo, a porta da câmara das bodas lhes foi fechada, não podendo mais entrar. Alguns explicam-nos que esta falta de óleo é uma falta de boas obras, mas esta explicação não é verdadeira. Que boas obras poderiam faltar-lhes se, apesar de serem loucas, elas haviam guardado a virgindade? A virgindade é uma das maiores virtudes, um estado que nos torna “semelhante aos anjos” e que poderia reunir todas as virtudes. Apesar de minha indignidade, ouso pensar que o que lhes faltava era a graça do Espírito Santo. Pois o essencial não é fazer o bem pelo bem, mas adquirir o Espírito Santo, fruto de todas as virtudes, sem o qual não há questão de salvação. Escrito está que “é pelo Espírito Santo que toda a alma vive e é elevada pela purificação; ela é amparada pela Trina Unidade num mistério sagrado”. (Anavathmi próprio dos dias festivos – ofício de Matinas)

“Este Espírito Santo, o Todo-Poderoso, nos é dado com a condição de que saibamos adquiri-Lo. Então Ele vem habitar em nós, e prepara em nossas almas e em nossos corpos uma morada para o Pai, segundo a palavra do Profeta: “Dai ouvidos à Minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o Meu Povo; e andai em todo o caminho que Eu vos mandar para que vos vá bem” (Jr. 7, 23).

“Dentre as obras realizadas pelo amor de Cristo é a oração que pode obter mais facilmente a graça do Espírito Santo, pois ela está sempre ao nosso alcance. Pode acontecer que queiras dirigir-te à igreja, não havendo no entanto igreja alguma nas proximidades; ou então desejes socorrer algum pobre mas não disponhas dos meios, ou não encontres nenhum à tua vista; ou mesmo ainda, se gostasses de guardar a castidade, mas a fraqueza de tua natureza impede-te em resistir às tentações. A oração está ao alcance de todos e cada um pode nela vaguear, tanto o rico como o pobre, o sábio como o ignorante, o forte como o fraco, o doente como o são, o pecador como o justo. Imenso é o seu poder; mais do que tudo, ela atrai em nós a graça do Espírito Santo. É-nos necessário, então, orar até que o Espírito venha em nós e não desistir até que enfim Ele digne-Se visitar-nos; até que este divino Consolador já permaneça em nós e conosco”.

“Padre, disse-lhe eu então, falas somente da oração; diga-me algo a respeito das outras boas obras feitas em Nome de Cristo”.

“Sim, respondeu o Padre Serafim. Tu podes adquirir a graça do Espírito Santo por meio de outras boas obras. Põe este capital no “banco do céu” e vê quanto ele vai lhe render. Se a oração e as vigílias te fazem alcançar mais graças divinas, vigie e ore; se são os jejuns, faça penitências; se são as doações, então realize-as. Sabes, amigo de Deus, sou descendente de uma família de comerciantes de Koursk, quando ainda estava no mundo, meu irmão e eu vendíamos sempre os artigos que nos traziam mais benefícios. Faz então, tu próprio, o mesmo, pois que para nós cristãos o senso da vida consiste não em aumentar o número de boas obras, mas sim em tirar delas o maior proveito, quero dizer, o Dom excelente do Espírito Santo”.

“Seja, por tua vez, dispensador desta graça, tendo como exemplo a vela que ilumina e comunica a luz a outras velas, sem, no entanto, apagar a sua própria chama. Se isto acontece ao fogo da terra, o que esperamos então do Fogo do Espírito Santo? Os bens terrestres esvaem-se quando os distribuímos, enquanto que as riquezas da graça divina não cessam de aumentar naqueles que as distribui. Eis porque nosso Senhor diz à Samaritana: “Quem beber desta água ainda terá sede, mas aquele que beber da água que Eu lhe der não terá mais sede; porque a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte que jorra para a Vida Eterna” (Jo. 3, 13-14).

“Padre, disse eu ainda uma vez, falas constantemente da graça do Espírito Santo como sendo o objectivo da vida cristã, mas como e onde poderei eu perceber uma tal graça? As boas obras são visíveis, mas o Espírito Santo, pode Ele ser visto? Como posso saber se Ele está presente em mim ou não?”

“Em nossos tempos, respondeu-me o Staretz, visto a morna condição de nossa fé e a pequena atenção que dirigimos às intervenções de Deus em nossas vidas, nós nos tornamos completamente afastados desta vida em Cristo. Eis porque as palavras da Sagrada Escritura nos são estranhas, como esta, por exemplo: “Adão viu o Senhor que passeava no jardim” (Gn. 3,8) ou ainda aquela que nos é narrada nos Atos dos Apóstolos, onde o Espírito Santo tendo impedido o Apóstolo Paulo de dirigir-se à Bitínia, conduziu-o à Macedônia (cf. At. 16,7). Muitas outras passagens da Escritura nos falam destas manifestações de Deus aos homens. Alguns dizem que estes textos são incompreensíveis ou negam a possibilidade ao homem de ver a Deus com os olhos da carne. Esta incompreensão vem do fato de termos perdido a simplicidade das origens cristãs e, através de nossas próprias “luzes” afundarmo-nos em trevas de ignorância. O que os antigos compreendiam facilmente nos escapa (refiro-me às compreensões das manifestações divinas). Assim é dito de Abraão, e de Jacob, os quais viram a Deus e Lhe dirigiram a palavra; o próprio Jacob lutou com Ele. Moisés contemplou-O igualmente, e todo o povo com ele, naquela coluna de fogo (que era a Graça do Espírito Santo), a qual servia de guia para o povo de Israel no deserto. Deus e a Graça do Espírito Santo não foram vistos em sonhos ou em êxtases, ou simplesmente na imaginação, mas na realidade, em verdade”.

“É porque nos tornamos indiferentes à obra de nossa salvação que não atingimos, como deveríamos, o sentido das palavras de Deus; não buscamos a Sua Graça e nosso orgulho não a deixa estabelecer-se em nossas almas. Não temos, desta forma, a Luz do Senhor; Luz que Ele concede àqueles que O esperam com fervor e sede de justiça”.

“Quando nosso Senhor Jesus Cristo, após Sua Ressurreição, dignou realizar a obra da nossa Salvação, Ele envia aos Apóstolos o Sopro da Vida perdido por Adão e lhes concede a Graça do Espírito. No dia de Pentecostes, Ele os gratifica pela força do Espírito Santo que neles penetra sob a forma de um vento violento com o aspecto de línguas de fogo, preenchendo-os do vigor de Sua Graça”.

“Este mesmo sopro abrasado é recebido pelos fiéis de Cristo no dia do Batismo e selado pelo ritual do crisma nos membros de seus corpos a fim de que eles sejam também receptáculos da graça. Eis porque o sacerdote acompanha a unção do santo óleo com estas palavras: “Pelo Selo do Dom do Espírito Santo!”. Esta graça é tão grande, tão necessária e tão vivificante, que ela não nos será jamais retirada; mesmo aquele que a renega, guardá-la-á até sua morte. Isto é para que compreendas que se nós não tivéssemos pecado após nosso Batismo, permaneceríamos santos, isentos de toda a mancha do corpo e da alma, tal como os justos de Deus. O mal é que ao avançarmos em idade, não avançamos em graça e em sabedoria mas, ao contrário, pela nossa crescente perversidade, nos afastamos da graça do Espírito Santo e tornamo-nos grandes pecadores”.

“Mas, ó maravilha divina, a Sabedoria busca sempre a nossa salvação. Se nestas estâncias o homem escuta Sua voz e decide, por amor, tornar-se vigilante, se ele persevera em boas obras e alcança o verdadeiro arrependimento, então o Espírito Santo age nele e estabelece nele o Reino de Deus. A graça do Espírito Santo dada no momento do Batismo em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo resplandece em nosso coração como uma luz divina, mesmo apesar das quedas e trevas de nossas almas. É ela que exclama ao Pai de misericórdia: “Aba, Pai!”, é ela que reveste a alma com a túnica incorruptível tecida por nós, pelo Espírito Santo”.

“Para melhor esclarecer-te neste assunto, amigo de Deus, devo dizer-te que o Senhor manifesta geralmente a ação desta graça naqueles que Ele santifica e ilumina. Lembra-te de Moisés após seu “encontro” com Deus no Monte Sinai: o povo não podia vê-lo em virtude da luz resplandecente que iluminava o seu rosto, não podendo permanecer diante dele, senão coberto por um véu. Lembra-te também da Transfiguração de nosso Senhor: “Sua Face resplandecia como o sol e Suas vestes tornaram-se alvas e resplandecentes com a luz” e “os discípulos caíram, prostrados por terra, estupefactos”. Quando Moisés e Elias aparecem iluminados por esta luz, é-nos dito que uma nuvem vem cobrir os discípulos com sua sombra afim de atenuar o resplendor da graça divina, que lhes cegava os olhos. E, bom ... é por meio desta Luz inefável que se manifesta a ação da Graça do Espírito Santo a todos aqueles a quem Deus quer revelá-la”.

“Mas como poderei eu saber se me encontro na graça do Espírito Santo?”

“É muito simples, amigo de Deus, respondeu-me o Padre Serafim. Pois tudo é simples para aqueles que adquiriram a inteligência. Nosso mal consiste em não buscarmos mais a sabedoria que vem de Deus. Os apóstolos, eles sabiam se o Espírito de Deus repousava neles ou não, e quando O possuíam, confessavam-no através de suas obras, santas e agradáveis a Deus. Apoiados nesta certeza fundamental, enviavam suas epístolas como sendo a expressão da imutável verdade, necessária a todos os fiéis. Vês então, amigo de Deus: é muito simples!”

Saint Séraphim – l’Ange de Sarov
Par Valentine Zander – Editions Bénédictines 2000
Tradução: Monja Rebeca
Boletim Interparoquial, julho de 2003

quarta-feira, 2 de julho de 2008

OrtoFoto

Rússia
autor: Борис Борт

Oração para a mãe no dia do parto

Mestre e Senhor Todo-poderoso, que cura toda fraqueza e toda doença, restabeleça também Tua serva (N), que acaba de dar a luz, e faça que ela se levante da cama onde se inclina; porque, segundo a palavra do profeta David, é na iniqüidade que nós fomos concebidos e somos todos nós impuros em presença de Ti. Guarde-a, tanto quanto a criança que ela trouxe à vida, à sombra de Tuas asas, protege-a, desde agora até ao seu fim derradeiro, pela intercessão da puríssima Mãe de Deus e de todos os Santos. Porque Tu és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

Mestre e Senhor nosso Deus, Tu que nasceste de nossa Senhora, a puríssima Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, que foste reclinado, recém-nascido, sobre uma manjedoura e carregado nos braços como um bebê, tenha piedade da Tua serva (N), que acaba de trazer ao mundo esta criança, perdoa-lhe suas faltas voluntárias e involuntárias; guarde-a das investidas do demônio; preserve seu recém nascido de todo veneno, de toda malevolência, de toda inquietude provocada pelo inimigo e os espíritos maus, de dia e de noite. Sob Tua mão poderosa guarde-a, concedendo-lhe um pronto restabelecimento; purifique-a e cure suas dores, dê à sua alma e ao seu corpo vigor e saúde; reconforte-a através da ofuscante claridade de Teus Anjos e protege-a de todo assalto dos espíritos invisíveis. Sim, Senhor, afaste dela a fraqueza e a doença, inveja e ciúme, sortilégios e infortúnios; em Tua grande misericórdia, tenha piedade dela e de sua criança, purifique seu corpo, liberte suas entranhas de toda espécie de complicação. Em Tua benevolência e compaixão, apresse o restabelecimento de seu corpo debilitado, e faça que seu rebento possa um dia se prostrar no templo terrestre que Tu preparaste para glorificar o Teu Santo Nome. Pois a Ti pertence toda glória, honra e adoração, Pai, Filho e Espírito Santo eternamente agora e sempre, e pelos séculos dos séculos . Amém

Senhor nosso Deus, que quis descer dos céus e nascer da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria para a salvação dos pecadores que nós somos; Tu que conhece a fraqueza da natureza humana, concede Tua graça e Tua misericórdia à Tua serva (N), que acaba de dar a luz. Tu mesmo, Senhor, que disseste: "Crescei e multiplicai, enchei a terra e sujeitai-a.". Eis porque nós também, Teus servos, Te rogamos e, confiantes da Tua clemência e Teu amor pelos Homens, nós invocamos com temor o Santo Nome de Teu Reino: guarda-nos do alto céu e considere nossa impotência de condenados; concede Tua graça à Tua serva (N), a toda a casa onde nasceu esta criança, à todos aqueles que lhe são próximos e todos aqueles que se encontram aqui agora; porque Tu és um Deus de bondade, pleno de amor pelos homens, e somente Tu tens o poder de perdoar os pecados, pelas orações da Santa Mãe de Deus e de todos os Santos. Pois a Ti pertence toda glória, honra e adoração, Pai, Filho e Espírito Santo eternamente agora e sempre, e pelos séculos dos séculos, Amém.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Mosteiro de São Herman do Alasca, Platina, Califórnia


De acordo com o último comunicado do Hieromonge Damasceno em http://westsrbdio.org/prayer_appeal/st_herman_of_alaska_monastery.html, os monges voltaram ao Mosteiro ontem, 30 de junho. O incêndio está controlado e não há mais possibilidades de retrocesso de acordo com os bombeiros florestais da Califórnia. Frei Damasceno agradece as orações de todos.

OrtoFoto

Mosteiro de Supraśl, Polônia
autor: Iwona Zinkiewicz

Oração à Santa Mãe de Deus

Ó minha Santíssima Soberana, Mãe de Deus, pelas Tuas santas e fervorosas orações, afasta para longe de mim, Teu humilde e miserável servidor o desgosto, o esquecimento, o desentendimento, a negligência bem como todo pensamento impuro, perverso ou ímpio, vindo de meu pobre coração e de minha inteligência obscurecida. Extingue as chamas de minhas paixões, posto que sou indigente e miserável; liberta-me das inúmeras e amargas lembranças e ações e livra-me de toda obra maligna. Pois Tu és Bendita dentre todas as gerações, e glorificado é o Teu nome todo honrável por todos os séculos. Amém.

Rejubila, ó Virgem Mãe de Deus, ó Maria Cheia de Graça, pois o Senhor é con’Tigo. Bendita és Tu dentre as mulheres e bendito é o Fruto do Teu ventre, pois deste à luz o Salvador de nossas almas.

Gloria ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo, e agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Kyrie eléison. Kyrie eléison. Kyrie eléison.

Pelas orações dos nossos Pais, Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, tem piedade de nós e salva-nos. Amém.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Mosteiro de São Gregório - Monte Atos

O mosteiro de São Gregório fica entre os mosteiros de São Dionísio e o de Simonospetras a 20 m do nível do mar, sobre uma rocha na parte sudoeste do Monte Atos. O mosteiro é dedicado a São Nicolau, entretanto possui o nome de seu fundador São Gregório do Sinai, que depois de muitas experiências na Ásia Menor seguiu para o Monte Atos..

Entre as relíquias do mosteiro conserva-se: madeira da Cruz de Cristo, as tíbias direita e esquerda assim como a mão direita de Santa Anastácia de Roma, partículas de pele de São Caralampo, osso da face e outras relíquias de São Dionísio, o Aeropagita, Santa Júlia e de São Cosme e Damião.




sexta-feira, 27 de junho de 2008

Oração

Ó Amor, Amor divino, cuja paz e o amor não têm limites.
Ó Amor, divino Amor, que por amor pelo homem criaste o universo visível e invisível, que tudo manifesta, tudo mostra, tudo canta, tudo glorifica, tudo celebra, dia e noite, por toda parte e sempre a Tua presença invisível, dulcíssima e jubilosa:
A infinidade da Tua sabedoria,
A infinidade do Teu amor,
A infinidade da Tua misericórdia,
Com o seu silêncio, sua beleza, seu perfume, seu hino de louvor secreto.
Ó dulcíssima e odorante, secreta e silenciosa doxologia que as criaturas dirigem ao Seu Criador.
Ó meu Deus, meu Deus! Abre os olhos da minha alma afim de que eu possa ver, eu também, a grandeza da Tua natureza. Abre os ouvidos de minha alma para que eu ouça, eu também, esta salmodia, esta melodia que Te é destinada.
Ó Amor, divino Amor, que nos ofertaste gratuitamente os Teus Sacramentos por amor pelo homem.
Gratuitamente a graça do Batismo,
Gratuitamente a Crismação,
Gratuitamente o Teu Santo Corpo e o Teu Santo Sangue,
Gratuitamente até o Teu Paraíso.
Ó Amor, Amor divino, que por amor pelo homem deixou o céu e veio para levar uma coroa de espinhos e ser pregado na Cruz.
Ó Amor, divino Amor, que por amor espera que venhamos nós para junto de Ti, e que vieste Tu-Próprio entre nós. Tu vieste entre nós e Te manifestaste de maneira diferente a cada um de nós.
Tu Te tornaste visível, Te deixaste tocar, foste sacrificado; nós Te comemos, nós Te bebemos.
Ó Amor, Amor divino, deixe-me aproximar para provar um pouco deste amor que é o Teu, ele que sem cessar arde em mim a tal ponto que não posso encontrar o repouso e saciar um pouco de minha sede.
“E a lembrança de Deus estava em meu coração, como um fogo devorador que penetra até dentro dos meus ossos”.
Ó sêde, sêde, minha doce sêde; quando serei eu desalterado? Pois quanto mais eu bebo, mais tenho sêde de Ti; tenho sede e não posso ser saciado nem desalterado, antes ainda ardo mais desta minha sêde.
Ó Amor, divino Amor, mais tento eu Te provar para ser saciado de Ti, quanto mais me aproximo de Ti, mais longe me encontro.
“Aqueles que Me comem terão ainda fome, aqueles que Me bebem ainda terão sede”.
Ó Amor, divino Amor, que por nós homens exclamou e não deixa ainda e clamar: “Eu sou a Luz do mundo; Eu, Luz vim ao mundo”.
Ó Luz, Luz de toda eternidade. Luz, minha dulcíssima Luz, ilumina também as minhas trevas, dissipa a minha insensibilidade, a minha vertigem.
Ó Luz, Luz, quando ver-Te ei?
Vem Luz, Luz de minha alma; eu não tenho mais paciência, não a tenho mais.
Ó minha alma, minha alma, até quando guardarás os olhos fechados?
Fui eu quem os fechei por esta desobediência.
Ó minha alma, minha alma; como fui injusto para contigo; ao me recordar choro amargamente como um outro Pedro, eu deito lágrimas mui amargas.
Mas, vem tu também para a Luz, posto que estás cego e Ele que é a Luz Te abrirá os olhos. Verás então novamente e tal como um outro Tomé, exclamarás: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Ó Verdade eterna...
Amém.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Incêndio na floresta de Platina na Califórnia ameaça o Mosteiro de São Herman do Alasca

Pedido de oração

O Reverendíssimo Bispo Maxim da Diocese americana Ocidental, do Patriarcado da Sérvia pede a todo povo ortodoxo orações pela proteção do Mosteiro Ortodoxo de São Herman.

O fogo está se aproximando ameaçadoramente do Mosteiro e são grandes as possibilidades de ser inteiramente destruído.

A comunidade monástica foi evacuada para a cidade próxima de Redding, onde encontraram abrigo nas casas de paroquianos da Igreja de Santo André.




terça-feira, 24 de junho de 2008

OrtoFoto

Metropolita Basílio ( 1914-1998), Biała Podlaska - Polônia
autor:Tadeusz Żaczek

“Testemunhar em uma Sociedade Secularizada”

A Igreja ortodoxa conheceu no século XX a confrontação com o mundo secularizado sob diversas formas. A dispersão dos ortodoxos pelo mundo inteiro, por razões econômicas e políticas, teve por efeito levar culturas de países tradicionalmente ortodoxos à existência minoritária nos países ocidentais em vias de lenta secularização – fenômeno iniciado já há algum tempo, mas fortemente acelerado no século XX.

É a secularização que conhecemos todos em nossos países industrializados, em particular da Europa ocidental. Trata-se deste estado de sociedade onde o ser humano é mais ou menos consciente e implicitamente definido pelas suas dominantes necessidades de base econômicas e sexuais.

Resultado, a necessidade de transcendência, a nostalgia de Deus, nas sociedades “tolerantes” tornou-se uma das múltiplas facetas da existência, reconhecidas como um dos “direitos” que o ser humano pode reivindicar. Trata-se, cada vez mais, de um direito “privado” para um ser humano fortemente compartimentado, sem grande relação com os outros compartimentos que sobressaem da vida social e política, únicos aspectos verdadeiramente “sérios” da vida humana.

Conhecemos todos estes tipos de secularização que caracterizam nosso mundo livre, fundada sobre o bem-estar material e sobre uma concepção implicitamente materialista do homem, onde a transcendência é uma opção “a mais”. É uma secularização mais ou menos inconsciente, resultado de certo desenvolvimento cego, em partes, de um humanismo fechado: o homem é um ser auto-suficiente, fechado em si-mesmo, divinizado em si-mesmo. Não tem mais lugar ou razão de ser. Ele (o humanismo) não serve mais, ou melhor, a rigor, para revelar o quê ainda permanece, pelo momento, inexplicável cientificamente.

A Igreja Ortodoxa, quanto a ela, conheceu ao curso deste século e nunca conheceu em outros tempos, uma secularização dum outro tipo: uma secularização totalmente consciente, ideologicamente fundamentada, um ateísmo ativo cujo objetivo confessado era a erradicação, a termo, da dimensão religiosa do homem, torná-lo um ser inteiramente social, sem transcendência alguma. Tratava-se de uma secularização que tornou-se religião de Estado.

Eu gostaria de falar, poderíamos melhor compreender, da Igreja Ortodoxa Russa da qual faço parte. Não é pelo espírito de paróquia que o faço, mas antes porque tenho a convicção de que o quê a Igreja russa vive desde a Revolução bolchevista de 1917 afetou a Igreja ortodoxa inteiramente, e não por ser por lá: o quê ela viveu, e o quê ela vive, concerne a outros cristãos do mundo e, ainda mais longe, a todos os homens.

Em efeito, o quê se passou em 1917 na Rússia foi o fim brutal e sangrento de uma situação multi-secular. Parece-me importante não esquecer que a queda do Império russo não passou de um acontecimento puramente político. Tratava-se da supressão repentina, e talvez para sempre, duma situação na e da Igreja, vista por muitos, como quase que perfeita: o império cristão.

Depois da queda de Constantinopla em 1453, aos olhos de muitos ortodoxos o archote de Bizâncio foi retomado, pouco tempo depois, pelo que devia vir a ser o Império da Rússia. Ora, ainda uma vez, aos olhos de muitos ortodoxos, a célebre “sinfonia” bizantina é a existência ideal para a Igreja daqui de baixo: o casamento perfeito entre a Igreja e o Império cristão, onde o Imperador, enquanto primeiro leigo da Igreja (leigo no sentido nobre, ativo), é tão responsável pela fé e pela vida da Igreja como o patriarca e o episcopado.

Isto é a tal ponto a convicção íntima de muitos ortodoxos, sobretudo russos, para os quais o Império é uma realidade perfeitamente recente, que não somente consideram esta situação político-religiosa como uma imagem do Reino celeste, mas como sugeria um teólogo ortodoxo falecido recentemente, o Padre Alexandre Schmemann, eles invertem a proposição e pensam, quase que conscientemente, que o Reino dos Céus será necessariamente à imagem do Império sinfônico de tipo bizantino. (Os ortodoxos que conhecei aqui não são, a este respeito, representativos).

Foi o desabamento repentino desta situação, considerada como imutável e representando como espécie de garantia, a perenidade do ideal bizantino, que a Igreja ortodoxa do mundo inteiro assistiu.

A Igreja ortodoxa russa, de sua parte, se encontrava repentinamente desapossada de uma situação que instalou-se havia um pouco mais de 200 anos: Igreja do Estado, mais ou menos funcionalizada. Seu Santo Sínodo tornara-se um ministério do Estado dentre os outros, tendo um ministro leigo na maior parte do tempo. O clero era uma classe social à parte (era-se geralmente padre de pai a filho); devia-se ser membros nominalmente da Igreja (com obrigação pelos funcionários de realizar um mínimo de dever religioso). Em outros termos, presenciava-se a uma situação mais ou menos secularizada, no sentido da secularização lenta, questionada mais acima.

Com certeza, só evoco aqui aspectos negativos de uma situação da Igreja russa que tinha outras coisas a dizer. O período dito “sinodal” da Igreja russa viu outras coisas positivas: o resplandecer de um São Serafim de Sarov, o renascimento do pensamento religioso e dos estudos patrísticos, a Filocalia, o concílio de 1917, a vinda para o cristianismo de socialistas marxistas ou marxizantes – Serguei Bulgakov, Nicolas Berdiaev, Georges Fedotov – que trouxeram com eles, do socialismo, a preocupação social e então política.

De um dia para o outro, a Igreja se encontrou privada de todos os seus privilégios e, sobretudo confrontada com uma questão crucial: a Igreja estava ligada até a identificação com o Estado “cristão” que acabava de desaparecer? Se sim, ela não pode mais existir sob o novo regime ateu e perseguidor. (Alguns o pensaram e continuam ainda a pensar).

Todavia, dentre os responsáveis da Igreja russa que sobreviveram às execuções, aos emprisionamentos e à deportação, muitos compreenderam que não somente, a Igreja da Rússia, não estava identificada ao Império, o quanto cristão que ele fosse, mas se lembraram e descobriram que a Igreja, em todos os tempos e em todos os lugares não pode se identificar com nenhum regime sócio-político, porque ela não é deste mundo. Em contrapartida, compreenderam que ela pode e deve existir sob não importa qual regime sócio-político (que seja até anticristão) porque ela é chamada a existir para a salvação do mundo, e não para o seu bem-estar interno.

A respeito disto, é interessante constatar que um dos bispos que tomaram em mãos os afazeres da Igreja após a morte do Patriarca Tikon, o futuro Patriarca Sérgio, havia dito a seus estudantes desde 1905 que a Igreja não podia em caso algum se identificar a uma situação sócio-política qualquer e, por conseguinte, “se instalar” nela. É ele também que diz com nitidez, pouco depois de 1925, que o marxismo e o cristianismo eram filosoficamente incompatíveis (antropologia), mas que um cristão podia ser um cidadão leal de seu próprio país, sendo este marxista ou ateu.

Em seguida, a Igreja na Rússia pagava a preço de sangue dos mártires e também, é necessário dizer, o preço dos compromissos da parte dos responsáveis (geralmente contrários e forçados a discursarem mentiras). E portanto esta Igreja reduzida ao silêncio, por um regime que prega uma sociedade totalmente secularizada, encontra (em seu silêncio) um papel profético no seio desta sociedade. O admirável trabalho que fazem um grandíssimo número de pastores (bispos e padres) por detrás das cortinas da mentira traz frutos: cada vez mais as pessoas vêem pedir o batismo nesta Igreja, num momento onde nos perguntamos acerca da morte e do verdadeiro sentido da vida. A educação recebida, o marxismo-leninismo não tem nada a oferecer.

A partir do exemplo da Igreja russa, os outros ortodoxos quase todos tiraram uma lição vital: o lembrete, sem dúvida, quisto por Deus, que a Igreja não é identificável a nenhuma situação sócio-política e que ela é, por conseguinte, chamada a esclarecer todas as situações sócio-políticas: que o esclarecimento, ou o testemunho pode ter formas diversas, segundo as situações sócio-políticas (e segundo também a vocação de cada um) indo da pregação sobre os telhados ao silêncio, onde somente o comportamento testemunha o Cristo.

No que concerne aos ortodoxos vivendo em minoria, geralmente enfermos, em países onde, com os outros cristãos, são confrontados à sociedade que se seculariza, de maneira menos militante que nos países do Leste, foram eles também obrigados a tomarem algumas lições de história. Desraigados de partida, minoritários em seguida, tiveram a escolha entre a vida fechada em um gueto, bem protegido no meio de um mundo no qual participamos (ou recusamos participar), “por outro lugar” (quer dizer, fora de seu cristianismo ortodoxo) e o encontro com os outros cristãos (e os não cristãos), o que implica a questão fundamental: o que faz a própria essência íntima do cristianismo ortodoxo?

Se a resposta é uma identificação nostálgica deste cristianismo com uma situação geográfica, política, étnica e cultural, então não há verdadeiro encontro: existe somente uma confrontação comparativa. Se a resposta não é esta identificação, então ela conduz à necessidade de distinguir o secundário do fundamental. Ela leva a uma redescoberta, por um processo de humildade, de despojamento, de kenosis da Igreja a partir de sua natureza mais profunda: o anúncio da Boa Nova do Cristo morto e ressuscitado que oferece a todos os homens a participação à vida nova. A Igreja, o Corpo de Cristo, é o local (não geográfico) onde esta participação já é possível. Consequentemente, seu lugar no mundo é aquele do coração desta vida nova, já invisivelmente e misteriosamente presente. Seu papel é o de descobrir no senso profundo do “uncover”, de desvendar, em todas as situações, em todos os sofrimentos humanos o esclarecer divino.

O papel profético da Igreja não é o de predizer o porvir (prometendo um mundo melhor para amanhã). Um bispo da Igreja da Inglaterra do século XVII, Lancelot Andrewes, grande pregador, dizia que no Antigo Testamento, quando o Espírito Santo falava aos profetas, Ele anunciava o Cristo; no Novo Testamento, a profecia, é o Espírito Santo que fala pelos pregadores (todos aqueles que de uma maneira ou de outra anunciam a Boa Nova) e não é mais a predição do porvir, mas a abertura, a descoberta, de cada situação em sua dimensão divina, em seu esclarecimento divino. Pois que toda situação é susceptível de ser transfigurada quando nós (a Igreja) nos lembramos pelas nossas palavras e pela nossa vida (por vezes pelo preço de nossa vida) que o homem é à imagem de Deus e que por conseqüência, ele responde, a cada instante, enquanto sacerdote e rei, por tudo o que Deus criou. Em primeiro lugar, pelos homens, nossos contemporâneos.

Nosso papel na sociedade secularizada, não é antes de tudo o de mudar as estruturas para que elas mudem o homem. Nosso papel é o de buscar deixar Deus falar a cada ser humano que encontramos para que em sua situação, em seu sofrimento, em sua alegria, ele descubra que ele é à imagem de Deus e amado de Deus, e que se ponha também a difundir o resplendor desta descoberta em torno de si. Assim então as estruturas podem, elas também, melhorar, em conseqüência de uma maior consciência dos seres humanos.

Quanto as nossas estruturas na Igreja, no estado atual do mundo secularizado, tenderiam pela fraqueza humana a se secularizarem, elas também, e a tornarem-se por ai mais um objeto de escândalo do que um instrumento de salvação. A nós cabe-nos lembrar, com uma memória ativa, que nossas estruturas devem refletir a natureza profunda da Igreja, Corpo de Cristo, imagem do Pai e portadora do Espírito Santo. Consequentemente, não podem elas ser carismáticas e jamais políticas. Não são estruturas de poder. Hierarquia não é dominação. Se na humildade, na kenosis, nossas estruturas de Igreja não deixam de tornar-se carismáticas, no próprio sentido, quer dizer, vividas como o exercício em Igreja dos dons do Espírito Santo, podem tornar-se um sinal profético para o mundo que crê.

Eu gostaria de acrescentar que para nós ortodoxos, a este respeito, o desafio ecumênico é particularmente precioso. Ele deveria nos forçar a nos recordarmos de maneira permanente e sempre renovada da verdadeira natureza da Ortodoxia, aquela que subsiste no melhor de nosso ensinamento e é nada além do que a fidelidade à fé católica e apostólica. Ele deveria, então, nos forçar a nos re-convertermos perpetuamente à pureza da Ortodoxia, em nossa existência histórica tanto quanto em nosso ensinamento.

Por Nicolas Lossky
Contacts – revue française de l´orthodoxie
XXXVIII année – nº136 / 4e trimestre 1986
Tradução do Manastir Sv. Apostola Petra i Pavla, BiH.
Boletim Interparoquial, junho de 2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mosteiro de Xenofontes - Monte Atos

O mosteiro de Xenofontes encontra-se na planície junto ao mar na parte sudoeste do Monte Atos. Segundo a tradição São Xenofontes fundou o mosteiro no ano de 520. Dados históricos testemunham, que o mosteiro foi fundado por outro São Xenofonte no século X. Em 1817 o mosteiro incendiou-se e o igúmeno Filoteo o reconstruiu.

Neste mosteiro preserva-se: madeira da Cruz de Cristo, a mão direita de Santa Macrina, partículas de relíquias de São Jorge, partículas do osso da face de Santo Estevão e ossos faciais de São Trifon.