Ó Amor, Amor divino, cuja paz e o amor não têm limites.
Ó Amor, divino Amor, que por amor pelo homem criaste o universo visível e invisível, que tudo manifesta, tudo mostra, tudo canta, tudo glorifica, tudo celebra, dia e noite, por toda parte e sempre a Tua presença invisível, dulcíssima e jubilosa:
A infinidade da Tua sabedoria,
A infinidade do Teu amor,
A infinidade da Tua misericórdia,
Com o seu silêncio, sua beleza, seu perfume, seu hino de louvor secreto.
Ó dulcíssima e odorante, secreta e silenciosa doxologia que as criaturas dirigem ao Seu Criador.
Ó meu Deus, meu Deus! Abre os olhos da minha alma afim de que eu possa ver, eu também, a grandeza da Tua natureza. Abre os ouvidos de minha alma para que eu ouça, eu também, esta salmodia, esta melodia que Te é destinada.
Ó Amor, divino Amor, que nos ofertaste gratuitamente os Teus Sacramentos por amor pelo homem.
Gratuitamente a graça do Batismo,
Gratuitamente a Crismação,
Gratuitamente o Teu Santo Corpo e o Teu Santo Sangue,
Gratuitamente até o Teu Paraíso.
Ó Amor, Amor divino, que por amor pelo homem deixou o céu e veio para levar uma coroa de espinhos e ser pregado na Cruz.
Ó Amor, divino Amor, que por amor espera que venhamos nós para junto de Ti, e que vieste Tu-Próprio entre nós. Tu vieste entre nós e Te manifestaste de maneira diferente a cada um de nós.
Tu Te tornaste visível, Te deixaste tocar, foste sacrificado; nós Te comemos, nós Te bebemos.
Ó Amor, Amor divino, deixe-me aproximar para provar um pouco deste amor que é o Teu, ele que sem cessar arde em mim a tal ponto que não posso encontrar o repouso e saciar um pouco de minha sede.
“E a lembrança de Deus estava em meu coração, como um fogo devorador que penetra até dentro dos meus ossos”.
Ó sêde, sêde, minha doce sêde; quando serei eu desalterado? Pois quanto mais eu bebo, mais tenho sêde de Ti; tenho sede e não posso ser saciado nem desalterado, antes ainda ardo mais desta minha sêde.
Ó Amor, divino Amor, mais tento eu Te provar para ser saciado de Ti, quanto mais me aproximo de Ti, mais longe me encontro.
“Aqueles que Me comem terão ainda fome, aqueles que Me bebem ainda terão sede”.
Ó Amor, divino Amor, que por nós homens exclamou e não deixa ainda e clamar: “Eu sou a Luz do mundo; Eu, Luz vim ao mundo”.
Ó Luz, Luz de toda eternidade. Luz, minha dulcíssima Luz, ilumina também as minhas trevas, dissipa a minha insensibilidade, a minha vertigem.
Ó Luz, Luz, quando ver-Te ei?
Vem Luz, Luz de minha alma; eu não tenho mais paciência, não a tenho mais.
Ó minha alma, minha alma, até quando guardarás os olhos fechados?
Fui eu quem os fechei por esta desobediência.
Ó minha alma, minha alma; como fui injusto para contigo; ao me recordar choro amargamente como um outro Pedro, eu deito lágrimas mui amargas.
Mas, vem tu também para a Luz, posto que estás cego e Ele que é a Luz Te abrirá os olhos. Verás então novamente e tal como um outro Tomé, exclamarás: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Ó Verdade eterna...
Amém.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Oração
às
11:03
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Incêndio na floresta de Platina na Califórnia ameaça o Mosteiro de São Herman do Alasca
Pedido de oração
O Reverendíssimo Bispo Maxim da Diocese americana Ocidental, do Patriarcado da Sérvia pede a todo povo ortodoxo orações pela proteção do Mosteiro Ortodoxo de São Herman.
O fogo está se aproximando ameaçadoramente do Mosteiro e são grandes as possibilidades de ser inteiramente destruído.
A comunidade monástica foi evacuada para a cidade próxima de Redding, onde encontraram abrigo nas casas de paroquianos da Igreja de Santo André.


às
12:56
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terça-feira, 24 de junho de 2008
“Testemunhar em uma Sociedade Secularizada”
A Igreja ortodoxa conheceu no século XX a confrontação com o mundo secularizado sob diversas formas. A dispersão dos ortodoxos pelo mundo inteiro, por razões econômicas e políticas, teve por efeito levar culturas de países tradicionalmente ortodoxos à existência minoritária nos países ocidentais em vias de lenta secularização – fenômeno iniciado já há algum tempo, mas fortemente acelerado no século XX.
É a secularização que conhecemos todos em nossos países industrializados, em particular da Europa ocidental. Trata-se deste estado de sociedade onde o ser humano é mais ou menos consciente e implicitamente definido pelas suas dominantes necessidades de base econômicas e sexuais.
Resultado, a necessidade de transcendência, a nostalgia de Deus, nas sociedades “tolerantes” tornou-se uma das múltiplas facetas da existência, reconhecidas como um dos “direitos” que o ser humano pode reivindicar. Trata-se, cada vez mais, de um direito “privado” para um ser humano fortemente compartimentado, sem grande relação com os outros compartimentos que sobressaem da vida social e política, únicos aspectos verdadeiramente “sérios” da vida humana.
Conhecemos todos estes tipos de secularização que caracterizam nosso mundo livre, fundada sobre o bem-estar material e sobre uma concepção implicitamente materialista do homem, onde a transcendência é uma opção “a mais”. É uma secularização mais ou menos inconsciente, resultado de certo desenvolvimento cego, em partes, de um humanismo fechado: o homem é um ser auto-suficiente, fechado em si-mesmo, divinizado em si-mesmo. Não tem mais lugar ou razão de ser. Ele (o humanismo) não serve mais, ou melhor, a rigor, para revelar o quê ainda permanece, pelo momento, inexplicável cientificamente.
A Igreja Ortodoxa, quanto a ela, conheceu ao curso deste século e nunca conheceu em outros tempos, uma secularização dum outro tipo: uma secularização totalmente consciente, ideologicamente fundamentada, um ateísmo ativo cujo objetivo confessado era a erradicação, a termo, da dimensão religiosa do homem, torná-lo um ser inteiramente social, sem transcendência alguma. Tratava-se de uma secularização que tornou-se religião de Estado.
Eu gostaria de falar, poderíamos melhor compreender, da Igreja Ortodoxa Russa da qual faço parte. Não é pelo espírito de paróquia que o faço, mas antes porque tenho a convicção de que o quê a Igreja russa vive desde a Revolução bolchevista de 1917 afetou a Igreja ortodoxa inteiramente, e não por ser por lá: o quê ela viveu, e o quê ela vive, concerne a outros cristãos do mundo e, ainda mais longe, a todos os homens.
Em efeito, o quê se passou em 1917 na Rússia foi o fim brutal e sangrento de uma situação multi-secular. Parece-me importante não esquecer que a queda do Império russo não passou de um acontecimento puramente político. Tratava-se da supressão repentina, e talvez para sempre, duma situação na e da Igreja, vista por muitos, como quase que perfeita: o império cristão.
Depois da queda de Constantinopla em 1453, aos olhos de muitos ortodoxos o archote de Bizâncio foi retomado, pouco tempo depois, pelo que devia vir a ser o Império da Rússia. Ora, ainda uma vez, aos olhos de muitos ortodoxos, a célebre “sinfonia” bizantina é a existência ideal para a Igreja daqui de baixo: o casamento perfeito entre a Igreja e o Império cristão, onde o Imperador, enquanto primeiro leigo da Igreja (leigo no sentido nobre, ativo), é tão responsável pela fé e pela vida da Igreja como o patriarca e o episcopado.
Isto é a tal ponto a convicção íntima de muitos ortodoxos, sobretudo russos, para os quais o Império é uma realidade perfeitamente recente, que não somente consideram esta situação político-religiosa como uma imagem do Reino celeste, mas como sugeria um teólogo ortodoxo falecido recentemente, o Padre Alexandre Schmemann, eles invertem a proposição e pensam, quase que conscientemente, que o Reino dos Céus será necessariamente à imagem do Império sinfônico de tipo bizantino. (Os ortodoxos que conhecei aqui não são, a este respeito, representativos).
Foi o desabamento repentino desta situação, considerada como imutável e representando como espécie de garantia, a perenidade do ideal bizantino, que a Igreja ortodoxa do mundo inteiro assistiu.
A Igreja ortodoxa russa, de sua parte, se encontrava repentinamente desapossada de uma situação que instalou-se havia um pouco mais de 200 anos: Igreja do Estado, mais ou menos funcionalizada. Seu Santo Sínodo tornara-se um ministério do Estado dentre os outros, tendo um ministro leigo na maior parte do tempo. O clero era uma classe social à parte (era-se geralmente padre de pai a filho); devia-se ser membros nominalmente da Igreja (com obrigação pelos funcionários de realizar um mínimo de dever religioso). Em outros termos, presenciava-se a uma situação mais ou menos secularizada, no sentido da secularização lenta, questionada mais acima.
Com certeza, só evoco aqui aspectos negativos de uma situação da Igreja russa que tinha outras coisas a dizer. O período dito “sinodal” da Igreja russa viu outras coisas positivas: o resplandecer de um São Serafim de Sarov, o renascimento do pensamento religioso e dos estudos patrísticos, a Filocalia, o concílio de 1917, a vinda para o cristianismo de socialistas marxistas ou marxizantes – Serguei Bulgakov, Nicolas Berdiaev, Georges Fedotov – que trouxeram com eles, do socialismo, a preocupação social e então política.
De um dia para o outro, a Igreja se encontrou privada de todos os seus privilégios e, sobretudo confrontada com uma questão crucial: a Igreja estava ligada até a identificação com o Estado “cristão” que acabava de desaparecer? Se sim, ela não pode mais existir sob o novo regime ateu e perseguidor. (Alguns o pensaram e continuam ainda a pensar).
Todavia, dentre os responsáveis da Igreja russa que sobreviveram às execuções, aos emprisionamentos e à deportação, muitos compreenderam que não somente, a Igreja da Rússia, não estava identificada ao Império, o quanto cristão que ele fosse, mas se lembraram e descobriram que a Igreja, em todos os tempos e em todos os lugares não pode se identificar com nenhum regime sócio-político, porque ela não é deste mundo. Em contrapartida, compreenderam que ela pode e deve existir sob não importa qual regime sócio-político (que seja até anticristão) porque ela é chamada a existir para a salvação do mundo, e não para o seu bem-estar interno.
A respeito disto, é interessante constatar que um dos bispos que tomaram em mãos os afazeres da Igreja após a morte do Patriarca Tikon, o futuro Patriarca Sérgio, havia dito a seus estudantes desde 1905 que a Igreja não podia em caso algum se identificar a uma situação sócio-política qualquer e, por conseguinte, “se instalar” nela. É ele também que diz com nitidez, pouco depois de 1925, que o marxismo e o cristianismo eram filosoficamente incompatíveis (antropologia), mas que um cristão podia ser um cidadão leal de seu próprio país, sendo este marxista ou ateu.
Em seguida, a Igreja na Rússia pagava a preço de sangue dos mártires e também, é necessário dizer, o preço dos compromissos da parte dos responsáveis (geralmente contrários e forçados a discursarem mentiras). E portanto esta Igreja reduzida ao silêncio, por um regime que prega uma sociedade totalmente secularizada, encontra (em seu silêncio) um papel profético no seio desta sociedade. O admirável trabalho que fazem um grandíssimo número de pastores (bispos e padres) por detrás das cortinas da mentira traz frutos: cada vez mais as pessoas vêem pedir o batismo nesta Igreja, num momento onde nos perguntamos acerca da morte e do verdadeiro sentido da vida. A educação recebida, o marxismo-leninismo não tem nada a oferecer.
A partir do exemplo da Igreja russa, os outros ortodoxos quase todos tiraram uma lição vital: o lembrete, sem dúvida, quisto por Deus, que a Igreja não é identificável a nenhuma situação sócio-política e que ela é, por conseguinte, chamada a esclarecer todas as situações sócio-políticas: que o esclarecimento, ou o testemunho pode ter formas diversas, segundo as situações sócio-políticas (e segundo também a vocação de cada um) indo da pregação sobre os telhados ao silêncio, onde somente o comportamento testemunha o Cristo.
No que concerne aos ortodoxos vivendo em minoria, geralmente enfermos, em países onde, com os outros cristãos, são confrontados à sociedade que se seculariza, de maneira menos militante que nos países do Leste, foram eles também obrigados a tomarem algumas lições de história. Desraigados de partida, minoritários em seguida, tiveram a escolha entre a vida fechada em um gueto, bem protegido no meio de um mundo no qual participamos (ou recusamos participar), “por outro lugar” (quer dizer, fora de seu cristianismo ortodoxo) e o encontro com os outros cristãos (e os não cristãos), o que implica a questão fundamental: o que faz a própria essência íntima do cristianismo ortodoxo?
Se a resposta é uma identificação nostálgica deste cristianismo com uma situação geográfica, política, étnica e cultural, então não há verdadeiro encontro: existe somente uma confrontação comparativa. Se a resposta não é esta identificação, então ela conduz à necessidade de distinguir o secundário do fundamental. Ela leva a uma redescoberta, por um processo de humildade, de despojamento, de kenosis da Igreja a partir de sua natureza mais profunda: o anúncio da Boa Nova do Cristo morto e ressuscitado que oferece a todos os homens a participação à vida nova. A Igreja, o Corpo de Cristo, é o local (não geográfico) onde esta participação já é possível. Consequentemente, seu lugar no mundo é aquele do coração desta vida nova, já invisivelmente e misteriosamente presente. Seu papel é o de descobrir no senso profundo do “uncover”, de desvendar, em todas as situações, em todos os sofrimentos humanos o esclarecer divino.
O papel profético da Igreja não é o de predizer o porvir (prometendo um mundo melhor para amanhã). Um bispo da Igreja da Inglaterra do século XVII, Lancelot Andrewes, grande pregador, dizia que no Antigo Testamento, quando o Espírito Santo falava aos profetas, Ele anunciava o Cristo; no Novo Testamento, a profecia, é o Espírito Santo que fala pelos pregadores (todos aqueles que de uma maneira ou de outra anunciam a Boa Nova) e não é mais a predição do porvir, mas a abertura, a descoberta, de cada situação em sua dimensão divina, em seu esclarecimento divino. Pois que toda situação é susceptível de ser transfigurada quando nós (a Igreja) nos lembramos pelas nossas palavras e pela nossa vida (por vezes pelo preço de nossa vida) que o homem é à imagem de Deus e que por conseqüência, ele responde, a cada instante, enquanto sacerdote e rei, por tudo o que Deus criou. Em primeiro lugar, pelos homens, nossos contemporâneos.
Nosso papel na sociedade secularizada, não é antes de tudo o de mudar as estruturas para que elas mudem o homem. Nosso papel é o de buscar deixar Deus falar a cada ser humano que encontramos para que em sua situação, em seu sofrimento, em sua alegria, ele descubra que ele é à imagem de Deus e amado de Deus, e que se ponha também a difundir o resplendor desta descoberta em torno de si. Assim então as estruturas podem, elas também, melhorar, em conseqüência de uma maior consciência dos seres humanos.
Quanto as nossas estruturas na Igreja, no estado atual do mundo secularizado, tenderiam pela fraqueza humana a se secularizarem, elas também, e a tornarem-se por ai mais um objeto de escândalo do que um instrumento de salvação. A nós cabe-nos lembrar, com uma memória ativa, que nossas estruturas devem refletir a natureza profunda da Igreja, Corpo de Cristo, imagem do Pai e portadora do Espírito Santo. Consequentemente, não podem elas ser carismáticas e jamais políticas. Não são estruturas de poder. Hierarquia não é dominação. Se na humildade, na kenosis, nossas estruturas de Igreja não deixam de tornar-se carismáticas, no próprio sentido, quer dizer, vividas como o exercício em Igreja dos dons do Espírito Santo, podem tornar-se um sinal profético para o mundo que crê.
Eu gostaria de acrescentar que para nós ortodoxos, a este respeito, o desafio ecumênico é particularmente precioso. Ele deveria nos forçar a nos recordarmos de maneira permanente e sempre renovada da verdadeira natureza da Ortodoxia, aquela que subsiste no melhor de nosso ensinamento e é nada além do que a fidelidade à fé católica e apostólica. Ele deveria, então, nos forçar a nos re-convertermos perpetuamente à pureza da Ortodoxia, em nossa existência histórica tanto quanto em nosso ensinamento.
Contacts – revue française de l´orthodoxie
XXXVIII année – nº136 / 4e trimestre 1986
Tradução do Manastir Sv. Apostola Petra i Pavla, BiH.
Boletim Interparoquial, junho de 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Mosteiro de Xenofontes - Monte Atos
O mosteiro de Xenofontes encontra-se na planície junto ao mar na parte sudoeste do Monte Atos. Segundo a tradição São Xenofontes fundou o mosteiro no ano de 520. Dados históricos testemunham, que o mosteiro foi fundado por outro São Xenofonte no século X. Em 1817 o mosteiro incendiou-se e o igúmeno Filoteo o reconstruiu.
Neste mosteiro preserva-se: madeira da Cruz de Cristo, a mão direita de Santa Macrina, partículas de relíquias de São Jorge, partículas do osso da face de Santo Estevão e ossos faciais de São Trifon.
às
08:48
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
“Serão salvos os heterodoxos?”
Se a Fé ortodoxa é a única fé verdadeira, poderão os cristãos de outras confissões, serem salvos?
Poderá uma pessoa que tenha levado uma vida perfeitamente justa ser salva confiando na sua ascendência, mesmo não sendo batizada como Cristã?
Respostas às perguntas acima: “Pois diz Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Rm. 9, 15-16). Na Igreja Ortodoxa nós temos o caminho da salvação indicado a nós e nos são dados os meios pelos quais uma pessoa pode ser purificada moralmente e ter uma promessa direta de salvação. Nesse sentido São Cipriano de Cartago diz que “fora da Igreja não há salvação”. Na Igreja é dado aquilo do que o Apóstolo Pedro escreve aos cristãos (e só aos cristãos): “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência. E à ciência temperança,e a temperanca, paciência, e à paciência piedade, e à piedade amor fraternal; e ao amor fraternal caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pe. 1, 3-8). E o que é que se deve dizer daqueles fora da Igreja, que não pertencem a ela? Outro Apóstolo nos provê com uma idéia: “Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai pois dentre vós a esse iníquo” (1 Co. 5, 12-13).. Deus “compadece-se de quem quer...” (Rm. 9, 18). Só é necessário mencionar uma coisa: que “levar uma vida perfeitamente justa”, como expressa a pergunta do início do texto, significa viver de acordo com os mandamentos das beatitudes - o que está além das forças de alguém fora da Igreja, sem a ajuda da graça que é concedida dentro dela.
A pergunta: Poderão os heterodoxos, isto é, aqueles que não pertencem a Ortodoxia - a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica - serem salvos, tornou-se particularmente dolorosa e aguda em nossos dias.
Tentando responder essa pergunta, é necessário antes de tudo, lembrar que em Seu Evangelho o próprio Senhor Jesus Cristo menciona só um estado da alma humana que infalivelmente conduz à perdição: blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt. 12, 1, 32). O Espírito Santo é, acima de tudo o Espírito de Verdade, como o Senhor se referia a Ele. Consequentemente, blasfêmia contra o espírito Santo é blasfêmia contra a Verdade, oposição consciente e persistente a Ela. O mesmo texto deixa claro que mesmo blasfêmia contra o Filho do Homem, isto é, o Senhor Jesus Cristo, o Filho Encarnado do próprio Deus, pode ser perdoado, pois ela pode ser pronunciada em erro, e/ou ignorância, e subseqüentemente pode ser apagada por conversão e arrependimento (um exemplo de tal conversão e arrependimento de um blasfemo é o Apóstolo Paulo) - ver Atos 26, 11 e 1Tm. 1, 13. Se, no entanto, alguém se opõe à verdade que claramente aprendeu por sua razão e consciência, esse alguém torna-se cego e comete suicídio espiritual, pois com essa atitude ele iguala-se ao demônio, que acredita em Deus, mas tem medo d’Ele, ou melhor, odeia-O, blasfema-O e se opõe a Ele.
Assim, a recusa do homem em aceitar a Verdade Divina, e sua conseqüênte oposição, faz dele um filho da danação. De acordo com esse fato, mandando Seus discípulos pregar o Evangelho o Senhor lhes disse: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc. 16,16); esse último ouviu a Verdade do Senhor e foi chamado a aceitá-La, no entanto recusou-A, herdando por isso a condenação daqueles que “...não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade” (2 Ts. 2, 12).
A Santa Igreja Ortodoxa é o repositório da Verdade divinamente revelada, em toda sua totalidade e fidelidade à Tradição Apostólica. Consequentemente, aquele que deixa a Igreja, que intencionalmente e conscientemente sai fora dela, junta-se ao rol de seu Oponente e torna-se um renegado em relação à Tradição Apostólica. A Igreja anatematiza terrivelmente tais renegados, de acordo com as palavras do Apóstolo Paulo (Gl. 1, 8-9), ameaçando-os com a condenação eterna e chamando-os para regressar ao redil Ortodoxo. É, no entanto, claramente evidente, que os cristãos sinceros que são Católicos Romanos, ou Luteranos, ou membros de outras confissões não-ortodoxas, não podem ser qualificados como renegados ou heréticos, isto é, aqueles que com conhecimento perverteram a fé... Eles nasceram, foram criados e seguem vivendo de acordo com o credo que eles herdaram, como o faz a maioria daqueles que são ortodoxos; em suas vidas não houve um momento de renúncia consciente e pessoal da ortodoxia. O Senhor, “que quer que todos os homens se salvem...” (1Tm. 2, 4) e que ilumina todo homem nascido no mundo (Jo. 1, 43) indubitavelmente os está conduzindo para a salvação no Seu próprio modo.
Com referência a pergunta acima, é particularmente instrutivo lembrar a resposta dada certa vez a um inquiridor pelo abençoado Teófano o Recluso. Ele respondeu mais ou menos assim: “Tu perguntas, serão os heterodoxos salvos... Porque te preocupas com eles? Eles tem um Salvador que deseja a salvação de todos os seres humanos. Ele cuidará deles. Tu e eu não deveríamos estar aflitos com essa questão. Estudai a ti próprio e a teus pecados.... te contarei no entanto uma coisa: se, sendo ortodoxo e possuindo a Verdade completa, traires a Ortodoxia e entrares numa fé diferente, então perderás tua alma para sempre”.
Publicado por The Saint John of Kronstadt Press
Boletim Interpároquial, julho de 2002
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Oração de São Basílio, o Grande - Ofício de Sexta
Deus, Senhor dos Exércitos e Artesão de toda criação, que na imensidão da Tua incomparável misericórdia enviaste Teu Filho Único nosso Senhor Jesus Cristo, para a salvação do gênero humano. Que pela Sua preciosa Cruz, rasgou a sentença de nossos pecados e triunfou sobre os principados e os poderes das trevas, Tu, Senhor, Amigo dos homens, aceita as nossas orações de reconhecimento e de súplica, pecadores que somos. Protege-nos contra toda queda funesta e tenebrosa e contra todos aqueles que procuram nos fazer mal, nossos inimigos visíveis e invisíveis. Perfura a nossa carne com os cravos de Teu temor e não incline os nossos corações para palavras ou pensamentos perversos, mas fere as nossas almas de Teu desejo. A fim de que todos os dias elevemos nossos olhos para Ti, guiados pela luz que vem de Ti, e com o nosso olhar posto em Ti, luz inacessível e eterna, Te louvemos e ofereçamos uma ação de graças incessante, Pai Eterno, assim como ao Teu Filho Único e ao Teu Santíssimo, bom e vivificante Espírito, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Mosteiro de Stavronikita - Monte Atos
O mosteiro de Stavronikita situa-se na margem ocidental do Monte Atos numa rocha entre os mosteiros de Pantocrator e Iveron a 50 m de altitude. As primícias do mosteiro são bastante controversas. Mas provavelmentefoi fundado no século X. No ano de 1531 o mosteiro sofreu um período de decadência e foi vendido como kelia a Gregório Xeromeryt por 400 moedas de prata. Em 1533 o mosteiro novamente foi saqueado. Logo, em 1541, o Patriarca Jeremias I (1522-1545) o restaurou. O mosteiro de Stavronikita é o menor dos mosteiros no Monte Atos.
Entre as santas relíquias encontradas neste mosteiro pode-se cita: partícula do maxilar inferior de São João batista, óleo de São Nicolau, o Milagroso, partícula da mão esquerda de Santa Ana, partícula de Santa Macrina, irmão de São Basílio, partícula da mão de Santo Estevão, o primeiro mártir.
às
10:31
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Do mundo virtual ao espiritual
06-Jun-2008
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse 'tenho aula de meditação'! Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso, as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super-executivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação! Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto'? 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite'!
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega Aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais. A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções - é um problema: a cada semana que passa temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.
A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los aonde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque para fora ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's. Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz'.
























