“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 9 de maio de 2008

OrtoFoto

Romênia
autor: Ovidiu-Mihail Coşerea

"Alguns Aspectos da Doutrina da Criação"

Eu gostaria, se eu puder, de tratar de algumas categorias que pertencem ao mistério e ao fato da criação.

Primeiramente, o fato de ser criado implica que nós fomos desejados por Deus e isto primeiramente, a partir do primeiro momento, estabelece entre nós e Deus, que nos criou, uma relação.

Deus não tinha necessidade de colocar face a face com Ele mesmo nenhum outro ser. E, contudo, por um ato da vontade Ele nos ordena ser, e Ele envolve não somente nosso destino, mas se eu posso colocar dessa forma, Seu destino, porque cada homem chamado do nada à existência torna-se uma presença para sempre, uma companhia de Deus por toda a eternidade.

O fato de que nós somos desejados por Deus é essencial porque aí pousa toda nossa segurança, toda nossa esperança, toda a nossa alegria de viver.

Nós não fomos criados sem um motivo; nós não somos necessários a Deus, mas nós não somos um acidente do ser. Deus decidiu chamar-nos ao ser, e isto já é um germinal e incipiente modo de relação de amor – e quando eu digo um germinal e incipiente modo não é porque o amor de Deus é incipiente, mas porque nós só conseguimos progredir a partir da existência para a realidade do ser, da vida para o mistério do amor que é mais que uma simples comunhão com Deus – que é estar partilhando a vida de Deus, tornando-se participantes da natureza divina. Então, na base de nossa existência há uma oferta de Deus, uma oferta de companheirismo, de amor e para sempre.

É este o único modo no qual nós somos relacionados a Deus? Antes de tudo deixe-me dizer que nós não nos relacionamos com Deus de qualquer modo genérico: nós não temos nenhuma raiz n’Ele pela natureza; nós não somos da Sua substância; nós não somos necessários à Sua existência, e o ato da criação como ele aparece na Bíblia é criação saindo do nada.

Agora, este “nada”, eu acredito, poderia ser entendido um pouco melhor do que usualmente é. Quando nós pensamos no nada, muito freqüentemente imaginamos Deus cercado pelo nada – talvez não você que é teologicamente mais desenvolvido – mas grande parte das pessoas, se você perguntar-lhes concretamente como eles entendem isto, dirão que eles vêm Deus em Seu trono, então um vasto espaço vazio do qual podem emergir pessoas, coisas, etc..., ao comando de Deus. Isto não é o “nada”, porque não existe uma coisa como Deus no centro e nada em redor e então o nada sendo povoado gradualmente por toda sorte de coisas! Nada não é uma coisa rarefazendo-se de existência e de matéria que torna-se imperceptível; isto não é “nada”, isto é “nulidade”. Não é “nada” como ausência radical – é “nada” em um comparativo e relativo senso de falta de concretude, de densidade, de presença; mas isto ainda é uma forma de presença. Isto não é o nada do qual nós fomos criados. O nada do qual a Bíblia fala é uma radical ausência, uma situação em que a criatura que agora existe, simplesmente não era e não poderia ser sem que Deus escolhesse comandá-la à ser. Antes de toda a criação há a intacta plenitude, a intacta abundância da presença divina, auto-suficiente e auto-abrangente. O ato da criação coloca alguma coisa que não era de forma alguma e que nunca teria se desenvolvido pelo seu próprio poder. Isto significa duas coisas: por um lado que nós dependemos absolutamente de Deus e por outro lado que sendo ou não sendo necessários a Deus nós somos independentes d’Ele de um modo estranho. Isto eu quero elucidar um pouco mais.

Deus não tem nenhuma necessidade de nós; se Ele nos cria, é um ato da livre vontade e livre amor; isto é que nos dá concretude e realidade. Se nós fôssemos necessários a Deus, por mais valiosos que nós fôssemos, nós seríamos somente uma paupérrima sombra de Sua existência. Se nós fôssemos alguma sorte de emanação de Deus, por mais gloriosa emanação, Deus seria infinitamente mais glorioso e mesmo a nossa luz seria nada mais do que uma sombra. Se nós fôssemos conectados a Deus mesmo por necessidade ou por um elo genérico, nós não seríamos nada comparados com nossa origem. O que faz a nossa grandiosidade – porque o homem é grande – não é a nossa origem na natureza, é o amor de Deus que chama-nos ao ser e que nos apavora. Isto é verdade, mesmo nas relações humanas. A pessoa adquire plenitude do ser, plenitude de presença, quando ela é amada. Falando de nós, tendo em vista Deus, nós somos nada; e agora, o valor que Deus nos transmite é a vida, o sofrimento e a morte de Seu Filho unigênito. Este é nosso valor real. Mas este valor real não está enraizado no que nós somos, mas no amor de Deus por nós. Nós somos merecedores disso tudo porque nós somos muitíssimo amados e por isso Deus deu Seu Filho unigênito com a finalidade de que o mundo possa ser salvo. E então nossa situação é absolutamente segura e totalmente precária. Tanto quanto nós estamos em nós mesmos, nós dificilmente sairemos da não-existência e a nossa verdadeira existência é precária, transitória. Tanto quanto nós somos amados por Deus, nós não podemos cair de volta ao não-ser porque nós somos chamados à eterna companhia no interior do amor de Deus. Se tivermos em conta nós mesmos, então, nós podemos tanto achar imensa inspiração e alegria neste fato de não ter raízes de necessidades em Deus quanto nós podemos nos sentir extremamente deprimidos.

Lembrem-se da primeira Bem-aventurança: “Bem-aventurados os pobres em espírito”. Pobreza nós possuímos por natureza. Nós não temos nada que seja nosso. Nós fomos chamados do nada e nós não temos nenhuma raiz, mesmo no nada, porque nada é “nada”. Foi-nos dado a vida que já é participação em alguma coisa dinâmica e concreta, que existe somente em Deus. Nós somos dotados de um corpo, com um coração, com uma mente, com uma vontade, com inumeráveis possibilidades, e agora, quando nós levamos isso em conta, nós estamos em posse de nada. Nós não podemos proteger nada do que possuímos contra a decadência ou desaparecimento. Nossa vida caminha para um final e por mais que nos apeguemos a ela, nós não podemos retê-la. Nossa saúde está a mercê do mais frágil acidente. A mente mais grandiosa pode ser apagada por um minúsculo vaso rompendo dentro do seu cérebro. No momento quando nós desejamos dar a alguém toda nossa simpatia, todo nosso amor, todo nosso entendimento e nosso interesse, nós descobrimos que nosso coração é frio e incapaz de agitar-se. Nós desejamos fazer o bem mas fazemos o mal. E então, tudo que nós somos, ou que nós imaginamos que somos, nós somos somente de um modo emprestado, como um presente. Nada do que nós somos é nosso. Nada do que possuímos é nosso. E se nós pararmos nesse ponto, que é o próprio ponto da criação tal qual ele era, continuando por toda nossa vida e por todo destino da humanidade, e do mundo criado, nós podemos chegar ao absoluto desespero. O que há? O que sou eu? Quanto do nada é meu? Quanto eu estou à mercê de tudo que me circunda, tudo que há dentro de mim, e Deus acima!

E agora, o Senhor diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito”, porque nós podemos entender esta pobreza em outros termos, que são os termos da alegria e de significação. Se nós não possuímos o que temos, então tudo quanto nós temos a cada momento, a cada segundo da nossa vida, é um presente e um sinal da divina solicitude e divino amor. E então, a própria precariedade de nossas posses torna-se a mais preciosa posse que nós temos. Se eu pudesse dizer que meu corpo, minha alma, meu coração, minha mente, qualquer coisa que eu tenho, ou qualquer coisa que eu sou, isto seria retirado da relação entre Deus e eu. Se eu sou consciente de que nada é meu, e agora, olhe: Eu vivo! Eu sou! Eu penso! Eu sinto! Eu tenho um corpo e uma alma! Eu tenho um ambiente e uma vocação! E tudo isto é um concreto ato de Deus, então nós podemos dizer: minha alegria é plena e realizada. Então, realmente, pobreza torna-se abençoada – porque pobreza, unida com esta riqueza de destino e de ser, significa que Deus continua a amar ativamente, concretamente, inteligentemente, de um elaborado e sutil modo.

Esta é uma das coisas essenciais sobre nossa criação, ser desejado, e ainda nossa criação do nada do qual nós continuamos possuir esta qualidade: nada é nosso. Nós existimos somente, como Filarete de Moscou o coloca no século XIX, como pessoas apoiadas na vontade de Deus, entre dois imensos abismos. Abaixo o abismo do nada do qual a palavra criativa de Deus chamou-nos e acima, em torno, na verdade todos os lugares em torno de nós, o abismo da divina realidade no qual nós já estamos no momento em que nós somos chamados ao ser e no qual nós somos chamados a crescer mais e mais profundamente até nós verdadeiramente e realmente tornarmo-nos participantes da divina natureza, deuses pela participação, filhos do Pai Eterno. Esta é a primeira coisa que eu quero mencionar.

O segundo ponto é que juntos com a primeira criatura que aparece, junto com o primeiro evento que inicia um encadeamento de eventos, de mudanças, de devir – o tempo aparece. E tempo é uma das categorias essenciais da história e da vida humana. Tempo e criação são correlativos; tempo e vir a ser são correlativos, e tempo precisa ser salvo e redimido. Esta é uma categoria preciosa: não é simplesmente uma estrada na qual nós andamos, que não tem sentido. Tem sentido porque tempo e tornar-se são inseparavelmente um. Agora, nós somos chamados a alguma coisa que cresce mais que o tempo e suplanta o tempo. Isto é eternidade. Mas nós precisamos estar conscientes de que a eternidade não é uma linha final do tempo; não é tempo que não tem fim; não é tempo que terá se expandido a uma medida que não é a nossa medida. Ela é alguma coisa profundamente diferente. Você se lembrará de Cristo parado face a face com Pilatos: “O que é verdade?” Disse Pilatos; e Cristo não deu resposta, porque para Pilatos Ele não tinha resposta a dar. Ele deu uma resposta a Seus discípulos quando Ele disse, “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. A verdade não é alguma coisa – ela é Uma. Nos mesmos termos pode-se dizer que eternidade não é alguma coisa – ela é Uma.

Nós somos chamados ao abismo da comunhão com Deus que é a vida eterna. Cristo disse isto – que a vida eterna é conhecer Deus. Não é uma categoria do ser, uma nova forma de caminho, uma nova dimensão do tempo. É Deus Ele Mesmo e a divina realidade compartilhada e vivida. Em certo sentido alguém poderia dizer que o tempo, como nós o imaginamos, é alguma coisa que se desenvolve e na qual as coisas mudam e movem-se, não é destruído pela eternidade, mas torna-se profundamente diferente. Se nós imaginarmos que vida eterna é um crescimento indo para dentro da profundidade de Deus, um crescimento desdobrado do mistério de Deus perante nós, um crescimento partilhado neste mistério, objetivamente falando, tempo é como movimento contínuo. Mas tempo no sentido de um momento decaído desaparece na comunhão que é um eterno “agora”. Da mesma forma em que alguém pode estar em movimento e ainda em completa imobilidade, tempo pode desaparecer em um modo, enquanto continua em outro.

Por último, a categoria da dependência e da liberdade. Nós dependemos de Deus e nós somos livres. Hoje em dia, eu me impressiono mais e mais pelo fato de que nossa noção de liberdade parece ser tão contraditória ou, muito freqüentemente, tão ingênua. Quando uma pessoa diz a uma outra: “Porque você não atinge o que você quer? Porque você não se torna aquilo que você é chamada a tornar-se? Você não é livre para escolher?” Esta pessoa pergunta algo que é infinitamente ingênuo e irreal. Não é suficiente querer ou desejar. Por outro lado, se nós falamos do ser determinado e incapaz de tornar-se ou de fazer, nós estamos também menosprezando algo de essencialmente verdadeiro.

A primeira coisa que eu acredito que nós precisamos nos lembrar aqui é que a liberdade do ser criado não é idêntica à liberdade de Deus, se nós falamos da presente situação, antes da realização de todas as coisas. A liberdade de Deus é incondicional. Ele é e Ele é Liberdade em Si mesmo, bem como Ele é Eternidade, e Verdade, e Vida, e Realidade. Nossa liberdade é uma liberdade condicionada: uma liberdade que é tão condicionada que algumas vezes parece não existir. A primeira limitação está no próprio começo da criação. Sem o nosso acordo ou consentimento Deus mandou-nos ser, e nós não somos livres a não ser. Nós não podemos retornar ao nada. Danação não é o retorno ao nada. Cair nas trevas exteriores não é retornar ao nada. É continuar a existir, ao mesmo tempo em que deixa de estar vivo. O ato da criação, o comando dado por Deus de que nós deveríamos ser, é a primeira limitação da nossa liberdade e não nos permite andar para trás ou para fora disto. A liberdade nos é dada. Agora nós sabemos que no fim de nossa vida privada e individual, bem como no fim da história quando todas as coisas estiverem consumadas, nós estaremos sob julgamento. Nós não somos livres para fazer o que Ivan Karamazov queria fazer: devolver a Deus seu “ticket” para a vida e dizer: “Eu rescindo o contrato e eu vou”. Nós não somos livres para dizer a Deus: “A vida que Você imaginou, planejou e desejou não é a vida que eu quero; fique com ela que eu vou seguir meu caminho”, porque não há caminho. “Eu sou o Caminho”, e não há outro. Há trevas exteriores, mas não há caminho dentro dessas trevas. Então novamente, nossa liberdade é limitada (na própria conclusão das coisas) – no próprio fim das coisas pelo fato de que o que quer que nós pensemos do ato da criação de Deus, nós permaneceremos e seremos responsáveis, ambos pelo que nós tivermos feito na vida e, se você quiser colocar deste modo, pela decisão de Deus de nos criar. Nós enfrentamos isso: há duas forças, Deus e nós inseparáveis, e não há caminho fora disto.

Em terceiro lugar, tudo que é a nossa vida, nossa própria existência, nosso corpo, alma e o resto, mesmo as circunstâncias que nos cercam, na forma de outras criaturas, são também elementos dados por Deus. Toda esta linha entre o comando de Deus “Seja” e a pergunta de Deus, “O que você fez da sua existência?” Também é determinada, dentro de certos limites. E então, se eu colocar isto da forma em que eu coloquei certa vez em uma transmissão na Rússia, nós nos encontraremos como um besouro num copo. Em todos os lados há limitação. Há um fundo do copo, há um lado e outro. Onde está nossa liberdade, então? Mover-se desta forma, isto é liberdade? Dificilmente, mesmo se o copo é grande, mesmo se você não puder imaginar seus limites. É limitado, e não há liberdade mesmo se houver um possível limite, mesmo que longe. Alguém pode consolar outro dizendo o que muitas vezes se diz, que liberdade é a capacidade de escolher, de escolher direito ou esquerdo, para cima ou para baixo. Isto é liberdade? Isto é a liberdade de um ser normal? Isto é liberdade real, estar entre o bem, o mal e hesitar? É normal, saudável, são, estar entre morte, vida e hesitar? Esta é a marca de um ser intacto, ver Deus e Satã e não saber qual deles escolher? Esta forma de liberdade não é liberdade, essencialmente. Esta é a liberdade da criatura decaída que não sabe como ir diretamente à Verdade, à Vida, a Deus, e hesita. A liberdade de escolha já é uma marca da queda. Não é liberdade.

Agora deixe-me dizer rapidamente alguma coisa sobre liberdade trazendo à tona três palavras que, eu acredito, nos dá uma saída da determinação, uma saída desta prisão da vida. A primeira é a palavra latina libertas, liberdade. A palavra significa o estado de uma criança nascida livre em uma família livre. O liber é uma criança nascida livre em contraste com o puer, o pequeno escravo, o que nas colônias chamam “um rapaz”, apesar de sua idade. No interior desta relação de uma família de pessoas livres e uma criança nascida livre, a criança é educada para ser livre, estar na posse de si e de bens. E a vontade do seu pai não é uma compulsão externa, uma limitação, é o limite na direção que tende à expansão de todas as habilidades e capacidades da criança. Ele é ensinado a ser livre, ele mesmo. Isto é verdade em nossa relação com Deus.

Deus não nos criou escravizados. Ele é A Suprema Liberdade que nos chama a ser tão livres quanto Ele é, ensinando-nos como alguém é livre. Originalmente, no Pacto com Adão, um pacto de amor mútuo e confiança, mais tarde, por vários pactos que limitam a arbitrária e destruída liberdade do homem com o objetivo de dar à liberdade um novo formato e uma nova direção. Khomyakov, um escritor russo do século XIX, diz: “A vontade de Deus é liberdade para os anjos e os santos. Esta é a lei para aqueles que estão no processo de formação. Esta é a maldição dos demônios, a mesma vontade de Deus”.

Metropolita Anthony de Sourozh
Boletim Interparoquial

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Santo Apóstolo e Evangelista, Marcos (+ 63) - 25 abr/08 mai


Carismático evangelista de Cristo, judeu de uma tribo de Levi, inicialmente João depois tomou um nome romano, criador do gênero literário Evangelho como autor do segundo dos evangelhos sinóticos e considerado fundador da igreja do Egito e da cidade italiana de Veneza.

A principal fonte de informações sobre sua vida está no livro Atos dos Apóstolos. Filho de Maria de Jerusalém e primo de Barnabé, não pertenceu ao grupo dos doze apóstolos originais. Foi convertido à fé cristã depois da morte de Jesus e batizado pelo próprio Pedro, que costumava freqüentar a casa de seus pais, juntamente com Maria mãe de Jesus e outros cristãos primitivos.

Assim já fazia parte de uma das primeiras famílias cristãs de Jerusalém, quando Paulo e Barnabé chegaram a Jerusalém (44) trazendo os auxílios da Igreja de Antioquia, na hoje Turquia. Depois acompanhou Barnabé e Paulo na volta à Antióquia, em viagem missionária, onde atuou como auxiliar de Paulo, mas quando chegaram a Perge, na Panfília, desentendeu-se com o apóstolo, deixou-os e voltou para Jerusalém.

Depois, com Barnabé, embarcou para à ilha de Chipre (50), na sua primeira viagem apostólica, onde fundou Comunidades e depois foi para Roma, visitar e vencer suas mágoas com Paulo, prisioneiro naquela cidade. Seu nome aparece nas epístolas de Paulo, que se refere a ele como um de seus colaboradores que enviavam saudações de Roma.

Em Roma, trabalhou com Pedro durante um tempo considerável do seu ministério, gozando da sua íntima amizade, e auxiliando-o como seu intérprete ou secretário com Pedro, pois este, dirigindo-se aos fiéis do Ponto, da Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, saúda-as em nome do evangelista, a quem afetuosamente chamava de filho.

Neste paríodo começou a escrever seu evangelho (56) com base nas pregações de Pedro, sendo o primeiro a tratar sobre a vida de Jesus, cronologicamente. É possível que tenha deixado Roma antes da perseguição de Nero (64), pois depois (67) o apóstolo de Tarso, prisioneiro pela segunda vez, escrevia a Timóteo pedindo-lhe que levasse consigo, de Éfeso para Roma, o seu discípulo e colaborador, já que este lhe era muito útil em seu ministério. Passou difundindo seu evangelho por Chipre, na Ásia Menor e fixou-se no Egito, na cidade de Alexandria.

Segundo a tradição, na cidade egípcia fundou e foi o primeiro Patriarca da Igreja Copta Egipícia. Após os martírios (67) de Pedro e Paulo, ele também foi martirizado em Alexandria, no dia da Páscoa, enquanto celebrava o santo sacrifício da missa, e teve seu corpo arrastado por uma parelha de cavalos, aos 54 anos. Seu Evangelho, que teria sido concluído antes de sair de Roma (64), destinou-se aos cristãos provenientes do paganismo e tem um estilo simples e vigoroso e com seus 661versículos.

É o mais curto se comparado aos demais, mas traz uma visão toda especial, de quem conviveu e acompanhou a paixão de Jesus quando ainda era criança. Contou com maestria a vida do divino personagem que sequer chegou a conhecer, conseguindo narrar os milagres de Jesus de forma mais simples e clara. No século II, o bispo Pápias de Hierápolis, Anatólia, afirmou que ele teria sido intérprete de Pedro. Embora sejam parcas as informações sobre o evangélico, é indiscutível sua importante participação nos primeiros tempos da igreja cristã. Na Itália seu nome está ligado à cidade de Veneza, para onde mercadores venezianos provenientes de Alexandria, transportaram o que diziam ser as suas relíquias (828) e a cidade veneziana o tomou como padroeiro desde então.

Seu símbolo como evangelista é o leão e a Santa Igreja Ortodoxa festeja seu dia em 25 de abril/ 08 de maio, data em que o evangelista teria sido martirizado. Alguns estudiosos defendem que a casa onde se celebrou a Última Ceia, quando Jesus instituiu a eucaristia, era a de seus pais e que o Jardim de Getsêmani pertencia a sua família. E que, também, foi naquela casa que os apóstolos receberam a visita do Espírito Santo, após a ressurreição.

Pelas orações do Santo Apóstolo e Evangelista Marcos, ó Cristo nosso Deus, tem piedade de nós!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

OrtoFoto

Egito
autor: fr.Seraphim

"A Beleza como Revelação de Deus e Oferenda do homem"

A Beleza do Culto:

A Liturgia da Igreja Ortodoxa é inteiramente um ícone da liturgia celeste, uma imagem do século futuro. Tudo nela é utilizado a fim de revelar ao coração do homem a beleza do Reino de Deus. Tanto em grego como em hebraico, a mesma palavra significa por vezes o Belo e o Bom.

Para compreender isto, o homem deve adquirir este espírito de infância pelo qual nos convida Cristo, não na ingenuidade ou de forma amaneirada, mas nesta faculdade insubstituível de maravilhamento pela qual Deus deixa-se descobrir no mais profundo de nós mesmos. Somente os corações puros, simples e humildes diante de Deus podem alcançar esta beleza na qual Deus nos mostra a Sua face, no esplendor radiante de Seu amor.

O ensinamento da hinografia, a riqueza dos textos litúrgicos, tal como o conjunto daquilo que podemos chamar de estética litúrgica, não dirigem-se unicamente à razão. Eles falam também diretamente ao coração do homem. Desta forma, a liturgia é feita para englobar o homem, alimenta-lo, ilumina-lo. O fiel que participa à oração da igreja não vem a se concentrar intelectualmente sobre um ensinamento petrificado, mas vem para impregnar-se da beleza da liturgia, deixar-se mergulhar na sua atmosfera, a fim de nutrir-se, alma, coração e também espírito. Repetimos que é necessário estar na liturgia tal como uma criança que saboreia as maravilhas do mundo, o que significa uma atitude pacífica, descontraída, ainda que concentrada.

É por isso que os ofícios geralmente longos não são vividos como uma contradição, mas como uma vida na vida, onde o tempo é suspenso, em um antegozo do reino, necessitando de uma ascese, no esforço de estar em pé e atento.

Na liturgia, a beleza não é somente um ícone da glória de Deus. Ou ainda, ela só é este ícone porque é consagrada a Deus. Por “consagrada”, é necessário compreender literalmente “oferta a Deus como uma oferenda de sacrifício”.
Ao seio da liturgia, o homem é chamado a aportar a Deus tudo aquilo que compõe a sua vida, tudo aquilo que a torna preciosa, em definitivo, tudo aquilo que constitui um dom de Deus e que Lhe é trazido em ação de graças. Ora, o senso do belo é certamente a marca mais profunda da imagem divina no homem. Ao desenvolver a beleza litúrgica em todos os seus aspectos, o homem oferece a Deus não somente os talentos que Deus nele pôs para os realizar, mas também esta faculdade inestimável de poder maravilhar-se diante da beleza modulada pelo homem, para torná-la em ícone do reino.

A Igreja : Local Sagrado

O edifício da igreja tem uma arquitetura que responde às necessidades da celebração segundo o rito da Igreja Ortodoxa. O que diferencia a igreja de todo e qualquer outro lugar, é o altar. É sobre o altar que se realiza o mistério da Eucaristia, o cume de todas as celebrações da Igreja, onde o pão e o vinho tornam-se o Corpo e o Sangue de Cristo. Ele é assimilado no sacramento ao túmulo de Cristo, onde teve lugar a Ressurreição de Seu corpo. O espaço que rodeia o altar, o santuário, é delimitado por uma divisão que suporta ícones, a iconostase. No centro desta divisão abre-se uma porta. Encontramos geralmente o ícone de Cristo à direita, e aquele da Mãe de Deus, à esquerda. Somente os celebrantes franqueiam esta porta. Da mesma forma, somente aqueles que são chamados ao serviço litúrgico entram no santuário. Esta disposição do altar no santuário e da iconostase caracteriza todas as igrejas ortodoxas, (mesmo se o lugar de culto não passe de um lugar improvisado). À esquerda do altar, uma pequena mesa serve à preparação dos santos dons: a protese (proskomídia). Antes do início da celebração, o cálice e a patena (disco sobre o qual vem a repousar a prósfora durante a celebração) são dispostos sobre a mesa da protese. O celebrante enche o cálice de vinho e de água e retira, dispondo-a sobre a patena, a parte central (e especial) da prósfora, (esta parte chamamos de cordeiro o qual será imolado pela remissão dos nossos pecados) que tornar-se-á, pela Epiclesis, o Corpo de Cristo.
No momento do ofertório, durante a celebração da eucaristia, o cálice e a patena (disco) são solenemente levados em procissão à partir da protese até o altar. Os celebrantes saem do santuário por uma porta lateral, vêm ao centro da igreja e em seguida entram no santuário fazendo-os pousar sobre o altar.
À direita do altar encontra-se o diaconicon ou sala de paramentação, onde são arrumados os ornamentos e os objetos litúrgicos.

Fora do santuário, os fiéis, o coro e os chantres permanecem na nave. É na nave que a comunhão é distribuída aos fiéis. É lá também que acontece a maior parte dos sacramentos; à exceção do sacramento da ordenação, que tem lugar no altar, e a unção dos enfermos que pode ser feita na casa do enfermo ou no hospital.

O nartéx é um vestíbulo entre a nave e o exterior onde permanecem os penitentes. Os monges, que são penitentes antes de qualquer coisa, aí dizem os ofícios tipicamente monásticos. Aquando dos ofícios litúrgicos solenes, aí pronunciamos uma grande oração chamada litia, destinada à intercessão pelo mundo, a fim de o preservar das calamidades e das catástrofes anuais.

Ao exterior encontramos enfim um peristilo, um gênero de pátio com uma fonte. Às vezes estas duas partes, o nártex e o peristilo são encontradas somente nas igrejas construídas. Quando um simples local é improvisado em vias de celebração, contentamo-nos, geralmente, com o santuário, a iconostase e a nave.

Em uma igreja construída, a elevação em altura é realizada sempre em harmonia com o plano ao solo, de maneira que as proporções sejam agradáveis ao homem, para que ele possa sentir-se ele próprio, inspirando-lhe, em tudo, um sentimento de elevação de espírito. A harmonia das proporções cria uma impressão de paz e de bem-estar, em quaisquer que sejam as medidas do edifício.É desta forma, que a igreja de Santa Sofia de Constantinopla, um dos mais maravilhosos exemplos da arquitetura litúrgica ortodoxa, mas também uma das maiores basílicas da cristandade, não engendra sensação alguma de desarmonia, ao contrário de muitas catedrais de estilo gótico. A cúpula hemisférica desta basílica reúne o espaço interior, reproduzindo a harmonia do cosmos recapitulada na igreja. Esta cúpula encontra-se na maioria das igrejas ortodoxas, ultrapassando a nave. Um afresco representando Cristo Pantocrator (Todo-Poderoso) que quer dizer “Soberano do Universo” nela é pintado.

A maioria das paredes são também ornadas de afrescos pintados segundo a mesma técnica representativa dos ícones; eles representam as cenas da vida de Cristo e das figuras de santos. O fiel encontra-se, desta forma, “ambientado em uma ordem de testemunhas”. Esta onipresença da santidade e do mistério da obra de Cristo tem a grande vantagem de criar pela sua profusão um clima psicológico particularmente propício à oração e à paz interior. As cores utilizadas nestes afrescos combinam-se ao jogo de luzes particularmente estudado na construção do edifício, as quais contribuem também à criação do ambiente inexplicável da liturgia ortodoxa.

O Ícone: Janela para o Reino

A veneração dos ícones é bem conhecida do grande público à propósito da ortodoxia. O mistério do ícone é de ordem sacramental: o sacramento da presença daquele que é representado. Uma foto de alguém querido para nós traz-nos à memória a sua presença, e fazendo a memória dele, nós nos sentimos próximos, pelo menos sobre o plano afetivo. O ícone isto desenvolve à medida do mistério da liturgia. Pois o ícone não tem por objeto lisonjear nossos sentimentos pela sua beleza, mas nos permite de orar em presença daquele que está representado, seja face à face direta com Cristo, a Mãe de Deus ou dos Santos. Venerado pelos fiéis, incensado pelos celebrantes, levado em procissão, o ícone está integrado à liturgia da igreja. À cada festa litúrgica corresponde um ícone em expressão visual, tal como os cânticos litúrgicos são a expressão verbal.

Fazendo-se carne habitando entre os homens, Deus “saiu” de Sua transcendência a fim de humilhar-Se e tornar-Se assim visível e descritível sob os traços de um homem, a própria pessoa do Filho de Deus. E esta face não é anônima, ela traz um nome, aquele de Jesus, o Salvador e o Senhor do mundo, Deus verdadeiro e homem verdadeiro (símbolo da fé de Nicéia- Constantinopla).

Antes do fato inaudito da Encarnação, nenhuma representação era possível, pois que a revelação de Deus não estava ainda realizada com uma tal clareza, sem uma tal plenitude : a face de Deus não era ainda mostrada. Quem viu o Filho viu o Pai (Jo.14,9), mas também o espírito que repousa sobre Ele. Em efeito, nenhuma representação do Pai e do Espírito é possível. O único ícone da Trindade que é aceite pela ortodoxia é um ícone simbólico: aquele dos três anjos acolhidos por Abraão nos carvalhais de Manre.

O ícone não é o próprio Cristo, mas a Sua imagem, imagem pela qual Ele torna-Se misteriosamente presente. O ícone é um meio, um suporte da oração e um sustento do amor. A veneração que a ele é feita é uma veneração relativa, ela não é dirigida ao objeto em si próprio, mas aquele que nele está representado. No lugar de ser uma realidade fechada em si mesma, tal como seria um ídolo, ele é uma “janela para o reino”, um meio de acesso ao invisível. É por isso que ele reponde a cânones e à uma estética que lhe são próprias. Ao inverso de um retrato ou de uma foto, o ícone descreve de maneira dinâmica um estado que não é deste mundo: aquele da natureza humana transfigurada, tal como ela apareceu aos discípulos aquando da transfiguração de Cristo no Monte Tabor; mas também a todos aqueles que viram Cristo ressuscitado. Nos ícones, qualquer que seja o momento da vida da existência de Cristo ou dos santos representados, a carne já está ressuscitada, iluminada ao interior por uma luz que não é deste mundo. É por esta razão que as formas, a perspectiva, as cores, o sentido da luz e a ausência de sombras no ícone trazem-lhe este aspecto próprio, totalmente estranho e incomum à qualquer arte figurada, que só busca imitar a realidade visível.

O Canto : Louvor de Deus

O canto litúrgico é complementar ao ícone e ocupa um grande espaço na liturgia. O homem é particularmente sensível aquilo que ouve, e a música exerce nele uma influência muito grande, tanto em seu espírito como em seu corpo. A igreja, ao tomar os usos do antigo testamento (os salmos, por exemplo, são antes de tudo, orações cantadas) sempre utilizou o canto em suas celebrações. Ela criou assim um universo sonoro apto a elevar o espírito do homem pacificando-o, para o abrir à contemplação dos mistérios celebrados.

O canto litúrgico responde à exigências precisas, em todos os pontos comparáveis àquelas que governam a iconografia. Ele não visa exprimir sentimentos ou emoções humanas; tal como um ícone ele tem por objetivo abrir o espírito do homem à presença de Deus, fazendo-o esquecer os laços deste mundo para elevar-se ao seu criador. O uso de instrumentos musicais é interditado pela igreja ortodoxa. Somente a voz humana é apta a louvar o Senhor.

O canto cria uma harmonia de sons que se une à harmonia das cores e das formas no seio do edifício litúrgico. O aspecto rítmico é também fortemente importante. O ritmo do canto deve combinar-se aquele da celebração, aos gestos do celebrante, sublinhando os momentos importantes ou criando tempos de transição necessários ao desenvolvimento da liturgia. Este aspecto rítmico é muito importante, pois contribui à criação da atmosfera particular da liturgia. Sensível aos sons e às cores, o homem o é igualmente aos ritmos. O ritmo litúrgico tende, antes de tudo, a pacificar os fiéis, chamando-os a ingressarem neles próprios a fim de participarem o mais profundamente possível à oração comum.

Este sentido de ritmo e de melodia encontram-se, da mesma forma, na leitura dos textos bíblicos, tal como os salmos, a epístola e o evangelho. Estes são lidos segundo uma maneira própria, sem jamais deixar lugar à mínima emoção.

O leitor, tal como o chantre, o celebrante ou o iconógrafo não buscam expressar seus próprios sentimentos. Mas, pelo contrário, abandonam sua individualidade para fazer lugar à inspiração do Espírito, deixando livre curso à palavra de Deus. A leitura deve somente entrar no coração dos fiéis sem que a personalidade do leitor a interfira, da mesma maneira, o iconógrafo deve apagar-se o máximo possível, a fim de representar de uma forma plena a expressão do reino futuro.

Boletim Interparoquial, 2003

terça-feira, 6 de maio de 2008

Santo Megalomártir, Jorge o Vitorioso da Nicomédia (+303) - 23 abr/06 mai


Estamos no ano 303, sendo Imperador dos romanos, Dioclesiano. Comprovando o sucesso da sua política, quer ao interior do império, quer face aos inimigos do exterior, em breve se apressou a cultuar com grande cuidado o que ele chamava de “respeito para com a divindade”.

Oferecia sem cessar numerosas vítimas aos seus deuses, sobretudo ao “deus” Apolo, em virtude da sua habilidade em predizer o futuro. Consultando um dia este deus (Apolo) sobre um assunto respeitante ao governo do Estado, obteve como resposta algo que o deixara perplexo: “os justos que estão na terra impedem-me de dizer a verdade”.

Consternado com o que lhe havia sido respondido, o infeliz imperador quis conhecer os justos que estavam sobre a terra. Um dos sacerdotes ao serviço de Apolo informou-o logo de seguida que os cristãos eram o motivo da resposta do mesmo deus. A partir desta data ficou o augusto príncipe mais enfurecido do que nunca, desencadeando aquela que viria a ser conhecida com a mais terrível e mais cruel de todas as perseguições que até então haviam sido movidas contra os cristãos.

Sabendo do assustador crescimento do número de cristãos no império e do desdém e desprezo que estes manifestavam diante das leis injustas que tinha promulgado, ordenou que todos os governadores e procuradores do Oriente se apressassem a reunir-se consigo na capital do império.

Nesta assembléia foram tomadas medidas drásticas e deliberações mais radicais com o intuito de reprimir, e mesmo aniquilar, a propagação do cristianismo nos territórios do império. Não satisfeito com o resultado obtido, mandou que fossem convocadas duas novas assembléias para ajuizarem a eficácia das decisões anteriormente aceites.

É precisamente na segunda destas duas assembléias que São Jorge vai estar presente. General dos exércitos imperiais, nascera na Capadócia, filho de pais cristãos de ilustre estirpe. Ainda menino, tiveram por bem os seus pais educá-lo segundo os princípios da Igreja de Cristo, introduzindo no seu dócil coração a piedade, a caridade e a compaixão que um dia viriam ser postas à prova.

Seu pai, também ele oficial e comandante de várias legiões, perece em combate, altura em que São Jorge se dirige para a Palestina, província donde era originária sua mãe. Em breve era nomeado tribuno militar (representante dos exércitos do senado), posto que lhe granjeou, pela sua coragem no campo de batalha, a fama de um soldado intrépido.

Desconhecendo a fé de São Jorge, Dioclesiano fá-lo comitês (companheiro). Presenciando a morte de sua mãe, após a partida dessa para o reino dos céus, toma todos os seus bens e vai encontrar-se com o imperador.

Desde o primeiro dia da assembléia, altura em que constatou de perto a crueldade e as atrocidades que, em virtude dos decretos do senado, muito rapidamente se iriam abater sobre os cristãos indefesos, deu início à distribuição de todos os seus haveres pelos pobres da cidade. É aconselhável que digamos que a sua fortuna pessoal era uma das maiores do império.

São Jorge tomara a decisão de, no terceiro dia da assembléia, enveredar pela defesa da sua Igreja e do seu Deus, divulgando perante tão douta e grandiosa reunião de personalidades, a sua fé.

Colocando-se de pé, no meio da assembléia, falou nestes termos: - “Imperador, senadores romanos, romanos! Até onde irá o nosso furor contra os cristãos? Leis sábias educaram-vos e alimentaram-vos e agora decretais contra os cristãos leis injustas e perseguis os inocentes. Eles tiveram a alegria de encontrar a verdadeira religião e vós quereis forçá-los a escolher a vossa, sem saberdes vós próprios se ela é verdadeira. Os vossos ídolos não são deuses; não, eu repito, não são deuses, não vos deixeis enganar pelo erro; o único Deus é Cristo; e Ele é ao mesmo tempo o único Senhor na glória de Deus Pai. Por Ele tudo foi feito e o Espírito Santo governa. Escolhei vós também, a verdadeira religião, ou, pelo menos, não provoqueis confusão e morte nas almas daqueles que a praticam”.

Boquiaberto com as palavras do jovem patrício, incumbiu o imperador ao cônsul Magnâncio, seu amigo, de lhe responder. Chamando-o à razão, Magnâncio pergunta-lhe: - “Quem te inspirou na palavra tamanha liberdade e audácia ?” São Jorge reponde-lhe – “A verdade !” – “Qual é a verdade ?” acrescenta o cônsul. – “A verdade é o próprio Cristo que vós perseguis” – “E tu, continua Magnâncio, és cristão?” – “Eu sou servidor de Cristo”, retorquiu São Jorge.

Vendo que o seu amigo Magnâncio nada consegue perante a determinação do general-menino, é o próprio imperador que toma a palavra e, falando com astúcia e malícia, enumera com uma doçura e suavidade de termos, que não lhe era peculiar, a fulgurante carreira, honras e glória que São Jorge tem à sua frente. Não conseguindo demovê-lo do seu firme propósito, manda que o ponham na prisão, conduzindo-o a golpes de lança.

Já no cárcere, é deitado no chão, os pés postos sob enormes traves e uma enorme pedra jogada sobre o seu peito, como havia o tirano desejado. São Jorge passa toda a noite louvando e glorificando o seu Senhor. Quando na manhã seguinte, fraco e dolorido, se apresenta ao soberano, as suas palavras tinham o mesmo fulgor e a mesma força. Disse que não temia a morte, uma vez que esta lhe iria possibilitar o tão desejado encontro com o Mestre e todas as torturas que lhe pudessem ser infligidas, por mais violentas que fossem jamais o fariam invocar a clemência do carrasco.

Trouxeram, então, uma roda armada de pontas de ferro onde o ataram com tal brutalidade que as correias que o ligavam se embrenhavam na sua carne. Encontravam-se, por baixo da roda, que estava suspensa do teto, várias mesas sobre as quais algumas dezenas de pontas de lança haviam sido fixadas, de modo que, ao aproximar-se das mesas a roda do suplício, na qual Jorge permanecia imóvel, possibilitava que todo o seu corpo fosse dilacerado pelas pontiagudas lanças. Jorge começou por orar em voz alta, depois em silêncio... Não deixou escapar um único suspiro.

Persuadido que ele estivesse morto, Dioclesiano dirigiu-se ao templo de Apolo para lhe agradecer por tê-lo livrado de tão impertinente e irreverente cristão. Pouco depois, desamarraram o cadáver do mártir e inauditamente, apareceu uma grande nuvem, da qual saíam relâmpagos e trovões. Então ouviu-se uma voz que dizia : “Jorge, não temas; Eu estou contigo”. Aproximou-se da roda um anjo vestido de branco. O seu rosto brilhava como o sol. Estendeu a mão ao mártir, abençoou-o e beijou-o. Quando o anjo desapareceu, aproximaram-se de Jorge e viram que o seu corpo não tinha ferimento algum.

Foram anunciar ao imperador o sucedido, mas este não quis acreditar, mesmo quando o trouxeram à sua presença. Os príncipes que ladeavam o soberano reconheceram-no, dois oficiais da guarda pretoriana, Anatol e Protoléon, que haviam sido iniciados no cristianismo, não podendo mais conter-se, gritaram bem alto : “O Deus do cristãos é o único e verdadeiro Deus”. Nesse instante, foram conduzidos para fora da Cidade, onde lhes cortaram a cabeça.

Ordenou o imperador que deitassem Jorge num poço cheio de cal viva durante três dias. No fim deste período, mandou que fossem ao poço buscar os ossos que tivessem restado para os esconder, receando que os cristão levassem-nos. Mas, qual não foi a admiração dos soldados, quando ao destaparem o poço, viram o mártir ileso, resplandecendo de luz ! Erguendo as mãos ao céu, Jorge deu graças a Deus pela sua misericórdia. Toda a multidão que comprovou este acontecimento rejubilou de alegria, entoando cânticos de louvor.

Assim que foi notificado, Dioclesiano exigiu que o colocassem diante de si, para o inquirir sobre a magia da qual certamente se valera para sair vivo de tais torturas. Novamente o aconselha a que reconsidere as suas propostas, caso contrário, ver-se-ia coagido a continuar com os suplícios. Inabalável, Jorge recusa a pseudo-bondade do soberano, persistindo no seu intento.

Desta vez, obrigaram-no a calçar uns pesados sapatos de ferro, armados de afiados pregos no interior, após terem sido aquecidos ao rubro no interior das chamas. Forçado a correr até a prisão, foi sendo vergastado com nervos de boi em cujas extremidades pendiam bolas de chumbo, ao mesmo tempo que os seus pés eram perfurados pelos pregos em brasas. Jorge não desfaleceu, passando o dia e a noite orando e louvando o seu Deus. Na manhã seguinte, de novo se apresentou ao imperador, que ficou estupefato ao vê-lo caminhar como se nada tivesse acontecido. Reunira o augusto príncipe o seu tribunal perto do teatro público, acompanhado de todo o senado.

Fora, uma vez mais, pelo imperador aconselhado a renunciar à sua fé, pois, segundo o mesmo, se Jorge não se submetesse à sua vontade, seria obrigado a encurtar o tempo de vida que este tinha à sua frente. Jorge em nada alterou a sua posição, razão pela qual Dioclesiano pediu que chamassem um conhecido “mago”, de nome Athanásio, cuja habilidade nas artes da magia era sobejamente conhecida.

Athanásio, por meio de três poções mortíferas, tentou retirar ao Bem-Aventurado mártir o sopro da vida. Não conseguiu! Em Jorge, as poções “mágicas” obtiveram o mesmo resultado que a límpida e cristalina água da fonte mais pura.

Constatando o seu fracasso, Athanásio achou por bem – já que o Mestre dos cristãos ressuscitava os mortos – proporcionar ao mártir a oportunidade de fazer o mesmo que o seu Deus.

A poucas dezenas de metros do local onde estava reunido o tribunal, encontrava-se um túmulo. Desataram Jorge das correias que o seguravam e ordenaram-lhe que se dirigisse ao túmulo.

Afirmara o imperador que, se conseguisse ressuscitar o defunto, ele e todos os seus súditos reconheceriam Cristo como o único Deus verdadeiro. Voltando-se para ele, Jorge retorquiu-lhe por doces palavras: “Se o meu Deus foi capaz de criar a partir do nada, também por meu ministério ressuscitará um morto, trazendo-o à vida“. Ajoelhou-se durante algum tempo, vertendo abundantes lágrimas. Em seguida, ergueu-se e orou em voz alta, de forma que todos o pudessem escutar. Apenas tinha concluído a sua prece, logo um barulho espalhou o terror naqueles que ali se encontravam. A pedra do sepulcro abriu-se e do seu interior saíra o ressuscitado que se agarrou a Jorge, proclamando bem alto ser Cristo o Deus verdadeiro. O próprio Athanásio (o mago) vem prostrar-se em face do mártir implorando-lhe que rogue a Cristo que lhe perdoe os seus malefícios.

O imperador, incrédulo, não cumprira o que havia prometido, acusou o mago de ter favorecido Jorge e mandou que lhe cortassem a cabeça, bem como ao morto ressuscitado. Quanto a Jorge, ordenou que o prendessem novamente até decidir o que fazer com ele.

Então a multidão, que tudo vira, abeirou-se dos guardas da prisão, ofereceu-lhes dinheiro e entraram nessa. Encontrando-o, pediram-lhe que os curasse, na medida em que muitos eram os que sofriam de doenças várias. Em nome de Cristo, a todos curou.

Surgira um camponês, de nome Glicério, cujo boi morrera de repente na lavoura, implorando a Jorge que lhe restituísse a vida. Jorge reenviou-o ao campo, dizendo-lhe que Deus trouxera à vida o seu boi. Tão depressa como foi, assim voltou o camponês, relatando por toda a cidade o que havia acontecido. Tendo sido encontrado por acaso pelos soldados, imediatamente foi conduzido ao Imperador, que, nesse momento, o sentenciou à morte. Feliz com a sentença, Glicério corria para o suplício como um jovem para um festim. Ia à frente dos soldados, para fora da cidade aonde lhe iam corta a cabeça, pedindo a Deus que aceitasse o seu martírio em vez do Batismo que não iria poder receber. Jorge foi acusado de sublevar o povo contra o imperador, criando instabilidade na almejada harmonia do império. Muitos dos adoradores dos falsos deuses se haviam convertido ao cristianismo.

De novo, Dioclesiano julgou necessário submeter Jorge a mais tormentos e, aconselhando-se com Magnâncio, deu ordem para prepararem o tribunal junto ao templo do deus Apolo.

No decorrer dessa noite, Cristo apareceu ao mártir em sonhos e levantando-o e beijando-o, pôs-lhe uma coroa na cabeça, dizendo-lhe: “Não temas, tem coragem, pois foste julgado digno de reinar comigo. Não tardes; vem ter Comigo para usufruir da alegria que te foi preparada”.

No dia seguinte, ao ser levado perante Dioclesiano, pediu-lhe que o deixasse entrar no templo do deus Apolo. Rejubilando de alegria, ao pensar que Jorge tinha por fim apostasiado, prontamente o imperador acedeu ao seu pedido. Todo o povo entrou no templo. Jorge aproximou-se da estátua de Apolo e perguntou-lhe: “Como te atreves tu, que não és nenhum deus, a querer receber o meu sacrifício, como se o fosse?”. O demônio que habitava a estátua respondeu-lhe: “Não, eu não sou nenhum deus, nem eu, nem os meus semelhantes. Não existe senão um único Deus; Aquele que vós anunciais”.

O Bem-Aventurado mártir inquiriu-o de novo: “Como ousas tu permanecer neste local, quando eu, adorador do Deus verdadeiro, aqui estou?”. A estas palavras, todas as estátuas do templo ruíram, acabando por desintegrar-se. Todos os demônios haviam abandonado aquelas paragens, quando de novo o imperador, cuja cólera nada podia conter, se apressou a ordenar aos soldados que levassem Jorge para fora da cidade, onde lhe seria cortada a cabeça.

Neste instante, a imperatriz Alexandra, esposa de Dioclesiano, que havia muito tempo nutria pelos cristãos uma profunda admiração, tendo ouvido tão invulgar turbulência na cidade e sabendo a aversão do soberano para com o cristianismo, abeirou-se dele, apelidando-o de injusto, cruel e ímpio.

O imperador, que não conhecia a misericórdia nem a compaixão, sentenciou a imperatriz Alexandra a perecer juntamente com o mártir. Conduzidos ao local da execução, ambos demonstraram uma coragem indômita comum aos mártires.

Assim, no dia 23 de abril no ano da graça de 303, partiu para o reino dos céus Jorge, com a idade de 20 anos, e Alexandra, imperatriz. A notícia de sua fé, do seu amor por Cristo, Nosso Deus e Salvador e da sua heroicidade, em breve se propagou por todo o império, incutindo em todos os cristãos uma arraigada e sincera temeridade que lhes permitiu suportar as injustiças e vencer todas as ciladas do demônio. Neste dia, a corrente inquebrantável que une, pela santidade e pelo exemplo de suas vidas, todos os heróis do cristianismo, viu-se acrescentada em mais dois elos, tão fortes e tão imprescindíveis como os anteriores. Aqueles que durante mil e novecentos anos sempre estiveram presentes na Igreja de Cristo, pelas suas orações e pela sua proteção aos cristãos, seus irmãos, são, desde o dia do seu nascimento nos céus, glorificados com o sublime e inefável nome de mártires.

Pelas orações dos teus santos mártires Jorge e Alexandra, ó Cristo Nosso Deus, tem piedade de nós. Amém!

Revista ORTODOXIA - 1986

segunda-feira, 5 de maio de 2008

OrtoFoto

Monte Athos, Grécia
autor: Nikos Boulgaris

"Deve-se respeitar a Tradição"


Muitos santos Mártires, quando não conheciam o dogma, diziam: «Creio em tudo aquilo que os Santos Pais ensinaram». Se um afirmava isso, sofria o martírio. Ele não sabia trazer provas aos perseguidores de sua fé, nem sabia convencê-los, mas confiava nos Santos Pais. Refletia: «Como posso não confiar nos Santos Pais? Eles que foram mais sábios, mais virtuosos e santos! Como posso aceitar uma estupidez? Como posso tolerar alguém que insulta os Santos Pais?»

Devemos confiar na tradição.

Hoje, infelizmente, ingressou entre nós a gentileza européia e nos estão ensinando como se faz para sermos inteligentes. Querem mostrar-nos a superioridade e, no final, prostram-se diante do diabo cornudo. Dizem-nos: «Deve existir uma religião!» Mas colocam tudo num mesmo plano. Também vieram a mim alguns que me disseram: «Todos aqueles que crêem em Cristo devem professar uma única confissão religiosa». Respondi-lhes: «É como se agora que obrigasseis a unir o ouro com o cobre; unir um ouro de muitos quilates com tudo aquilo de que foi purificado, recolher tudo novamente e reuni-lo. É justo misturar tudo novamente? Perguntai a um ourives: É justo misturar o lixo com o ouro?»

Houve uma grande luta para purificar o dogma.

Os Santos Pais eram sábios ao proibir as relações com os hereges. Hoje dizem: «Não só se deve viver com o herege, mas também com o Budista e o adorador do fogo. Devemos rezar juntos. Os ortodoxos devem participar das orações comuns e dos seus encontros. Trata-se de uma presença». Que tipo de presença? Procuram resolver tudo com a lógica e justificam coisas injustificáveis. O espírito europeu crê que até as coisas espirituais podem ser inseridas no mercado comum.

Alguns dentre os ortodoxos superficiais que querem realizar «missões», convocam convenções com heterodoxos, para causar espanto. Assim crêem estar promovendo a Ortodoxia fazendo uma salada confusa entre as coisas ortodoxas e aquelas de quem não crê retamente. Depois disso, reagem os super-zelotas e se agarram a outra extremidade, inclusive chegando a blasfemar contra os Sacramentos de quem usa um novo calendário eclesiástico etc.

Tudo isso escandaliza muito as almas devotas e com sensibilidade ortodoxa. Os heterodoxos, por outro lado, aqueles que participam das convenções, se fazem de mestres, apossam-se de todo bom material ortodoxo, filtram-no através de seu estudo em seus laboratórios, aplicam-lhes sua cor e etiqueta e o apresentam como um protótipo original.

Diante dessas coisas, nosso estranho mundo de hoje se comove e depois se arruína espiritualmente. O Senhor, porém, quando for necessário, fará suscitar os Marco Eugênico e os Gregório Pálamas que recolherão todos os nossos irmãos tão escandalizados, para que professem a fé ortodoxa e consolidem a tradição com grande alegria para a Mãe Igreja.

Se vivêssemos patristicamente, todos teríamos saúde espiritual, pela qual teriam ciúme também todos os heterodoxos, a ponto de deixar seus erros doentios e salvar-se sem sermões. Hoje não se comovem com nossa tradição patrística, porque querem ver também a nossa continuidade patrística, ou seja, a nossa autêntica afinidade de parentesco com os nossos Santos.

O que se impõe a cada ortodoxo é que coloque em santa inquietude também os heterodoxos, de modo que entendam que se encontram no erro e que seu pensamento não se acomode de modo errado sendo privados, nesta vida, das ricas bênçãos da Ortodoxia e, na outra vida, das eternas bênçãos de Deus. À minha Kalivi (pequena cela monástica) chegam jovens católicos de muito boa vontade, dispostos a conhecer a Ortodoxia. «Queremos que nos diga algo para sermos ajudados espiritualmente», dizem-me. «Atenção»– digo-lhes – «tomai as Escrituras e vereis que há algum tempo estávamos unidos mas depois, eis aonde chegamos. Isso vos ajudará muito. Fazei isso e na próxima vez discutiremos muito sobre muitos temas».

Antigamente se respeitavam as coisas porque tinham pertencido ao avô, e eram guardadas como objetos preciosos. Conheci um advogado muito inteligente. Sua casa era simples e fazia descansar não somente a ele mas também aos visitantes. Uma vez me disse: «Pai, há alguns anos os meus conhecidos riam de mim por causa de meus velhos móveis. Agora vêm e os admiram como peças de antiquário. Mas, para mim, o fato de usá-los me dá alegria e me comove porque me recordam meu pai, minha mãe, os meus avós, mas aqueles que colecionam coisas velhas promovem salões que parecem locais de comércio e se esquecem dessas coisas e também querem esquecer a angústia cósmica».

Tempo atrás, uma pequena moeda antiga era guardada como um grande patrimônio de sua mãe ou de seu avô. Hoje, se alguém recebe de seu avô uma moeda de (rei) Jorge (1922-1923 e 1935-1947) se, por exemplo, percebe que tem 100 dracmas de diferença em comparação com uma moeda do tempo da rainha Vitória, vai trocá-la. Não aprecia e não estima nem a mãe nem o pai. O espírito europeu penetra lentamente e nos arrasta carregando tudo consigo.

Quando, pela primeira vez, estive no Monte Athos, me recordo dum mosteiro de um velho monge que tinha muita devoção. Conservava as coisas «de avô para avô», por devoção. De seus «avós» (espirituais) e de seus predecessores não tinha somente os kalimafquia (barretes monásticos), mas também as fôrmas com as quais se fazem os kalimafquia. Possuía também velhos livros e diversos manuscritos e os guardava cobertos de modo precioso na biblioteca, bem fechada, para que não entrasse pó. Não usava aqueles livros; guardava-os fechados. «Eu não sou digno de ler esses livros» – dizia. «Lerei esses outros que são simples: o Gherontikon e os Klímaka». Depois chegou um novo monge – que não permaneceu no Monte Athos – e lhe disse: «Por que guardas essa coisarada inútil?» Pegou as fôrmas para jogá-las fora e queimá-las. O pobre velho chorou: «Isso vem de meu avô – dizia – por que te incomodam? Temos tantas outras celas; guarda num cantinho!» Por devoção conservava não comente os livros, enfeites, kalimafquia, mas também as fôrmas.

Quando há respeito pelas pequenas coisas, também existe respeito pelas grandes. Quando não há respeito pelas pequenas, não existe também pelas grandes. Foi assim que os Pais conservaram a Tradição.
Extraído do livro: Γέροντος Παϊσίου Αγιορείτου, Λόγοι, τόμος Α', Ιερό Ησυχαστήριο Άγιος Ιωάννης ο Θεολόγος, Σουρωτή Θεσ/νίκη, pp. 347-350.
Tradução: Pe. José Artulino Besen
http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/dialogo_ecumenico/ecumenismo_e_tradicao.html

Mosteiro Xeropotamou - Monte Atos

O mosteiro situa-se no sudeste da península, a oeste do Mosteiro Simon Petras a 200 do mar. Segundo uma lenda o mosteiro teria sido fundado pela Imperatriz Pulcheria, irmã mais moça do Imperador Teodósio. Pulcheria teria doado para o mosteiro muitos presentes entre eles: parte da cruz de Cristo e relíquias dos 40 mártires de Sebástia. Depois da destruição do mosteiro pelos árabes, reconstruiu-o São Paulo no século X e foi seu primeiro igúmeno. Depois da queda Constantinopla, ataques turcos e dois destrutivos incêndios (em 1507 e 1609) provocaram muitos prejuízos ao mosteiro. O Katholikon do mosteiro é dedicado aos 40 mártires de Sebástia e foi construído pelo monge Kaisaros Dapontes em 1761-1763. O mosteiro possui ao todo 16 capelas e entre as preciosas relíquias conservadas pelo mosteiro encontra-se: o maior pedaço da cruz de Cristo dentre os encontrados no Monte Atos, além de pedaços da coroa de espinhos e de vestes de Cristo.


segunda-feira, 28 de abril de 2008

Mensagem Pascal do Santo Sínodo dos Bispos da Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia para os veneráveis clérigos, reverendos monges e para os fiés

“Dia da Ressurreição!
Resplandecei de alegria, povos todos.
Ó Páscoa, Páscoa do Senhor,
da morte para Vida, da terra para os Céus
Cristo Deus nos transportou,
a nós que cantamos este hino triunfal”
(Irmos da 1ª ode do Cânon Pascal)

CRISTO RESSUSCITOU!

Anualmente no espaço de dois mil anos, neste dia chamado “dia Santo”, quando o Deus Altíssimo nos permite celebrar a sua gloriosa e salvífica Ressurreição, a Santa Igreja convoca: “Vinde, bebamos uma bebida nova, não miraculosamente tirada de uma pedra, mas que brota do túmulo de Cristo, em que está a nossa força” (Ikos Pascal)

Chegou a indizível alegria geral, que de acordo com a profecia vetero-testamentária deveria se tornar alegria para todos os povos e toda a criação.

Cristo Ressuscitou! “E a Luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam. Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo”. (J 1, 5, 9).

Cristo Ressuscitou! E todos nós nos tornamos participantes da vida da Igreja – “Um Único Corpo e permanecemos na unidade e alegria com Ele – o Vencedor da morte” (Ef 4, 1-6).

Cristo Ressuscitou! – o fato milagroso único na vida do mundo e, antes de mais nada, na vida de toda a humanidade. Este fato distingue o Cristianismo de todas as outras religiões e concepções do mundo.

Cristo Ressuscitou! O que preenche de sentido a vida humana, persuadindo-a da verdade da fé. A Ressurreição de Cristo tornou-se o maior milagre de todos os milagres, verdade autêntica e autêntica prova do Deus Todo-Poderoso. “Cristo em Sua Ressurreição revelou-se como Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos” (Rm 1, 4).

Desta maneira Ele, o Salvador do mundo, nosso Jesus morreu, mas também Ressuscitou: “o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8, 34). Ele encontra-se no centro da vida da Igreja, por isso a Igreja proclama a verdade da Ressurreição não apenas no período Pascal, mas todos os domingos, que são a lembrança da Ressurreição. Esta verdade, esta alegria e esta esperança ninguém pode tirar aos ortodoxos. Ela foi dada pelo próprio Deus a cada um e, por isso, para aquele que com fé aceita a Ressurreição de Cristo ela torna-se o mais importante fato em sua vida.

Caros irmãos e irmãs! A Páscoa de Cristo une em si o passado, o presente e o futuro: “Ontem eu estava sepultado conTigo, ó Cristo, hoje ressuscito conTigo, Tu que és o Ressuscitado. Ontem, estava crucificado conTigo. Glorifica-me conTigo em Teu Reino, ó Salvador” (3ªOde do Cânon Pascal, 2º tropário).

Para entrar na comunhão com tal alegria apelam-nos “os céus em regozijo e a terra radiante de alegria”. Esta alegria abrange todo o mundo, visível e invisível, “porque Cristo nossa alegria Ressuscitou”.

Nosso Senhor vive! “A sua alma não foi deixada no Hades, nem sua carne viu a corrupção” (At 2, 31) “E se Cristo não ressuscitou logo é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé” (1 Co 15, 14). Cristo vive! “Nós não vivemos apenas para a terra, mas também para o céu, para a eternidade”.

Em Sua Ressurreição o Salvador vivificou o mundo para uma nova vida, para que todas as nações nEle acreditassem (J 1, 12). São João Crisóstomo fala: “A Ressurreição de Cristo apaga o fogo da Geena, o verme morre, o abismo está estarrecido, o diabo caiu em desespero, o pecado está morto, os maus espíritos são derrotados, e aqueles que, são oriundos da terra correm para os céus, os que estão no abismo são libertados das garras do diabo e aproximando-se de Deus falam: Morte, onde está tua vitória?” (1 Co 15, 53-55). Muitas nações do mundo contemporâneo vivem com esta vitória. Ela traz para suas vidas nova força, novas ondas de graça, que iluminam seus esforços diários.

Irmãos e irmãs! Com o que fomos marcados, nós, membros de nossa Santa Igreja Ortodoxa, no ano em curso?

O ano de 2008 está marcado com a lembrança da destruição de igrejas ortodoxas setenta anos atrás. Nos anos 1938-1939 a Igreja Ortodoxa na Polônia sofreu perseguição, direcionada, se não, para a sua total aniquilação, pelo menos direcionada para um profundo enfraquecimento. Na região de Chelm e Podlasie num curto período de tempo foram destruídas em torno de 200 igrejas, muitas foram transformadas em templos de outras confissões. O patrimônio ortodoxo foi saqueado e roubado. Falou sobre isso na sessão da Assembléia Legislativa de 6 de julho de 1938 o deputado M. Wolkow. Entretanto, o Santo Sínodo de Bispos em sua carta de 8 de abril de 1938 escreveu: “Tenham coragem no Senhor, padres, irmãos e irmãs. Velai, pastores da Igreja, pois estes dias são maus. Perseverai na fé, até o fim, amados Filhos, confiantes em nossa preocupação”.

Aquele episcopado vendo a profanação de templos ortodoxos, perguntou: “Por que tudo isso? Em nome de que se desfere contra nós tal ataque e injustiças? Uma vez que na região de Lublin vivem em paz 250 mil cidadãos poloneses, cujos antepassados há séculos são ortodoxos”

Irmãos e irmãs! Nós, ortodoxos, não deveríamos mais existir, mas ainda existimos! Nossa Igreja vive! Vivemos nós, também. A Igreja é nossa alegria, é nosso Guia pelo alucinante mar da vida. A Igreja é nossa Mãe, nela está nosso fortalecimento e nossa salvação. “Fortaleça, Senhor, a santa fé ortodoxa e os cristãos ortodoxos”. Fortaleça, Senhor, a Igreja fortaleza daqueles que possuem em Ti a esperança, ela que adquiriste com o que há de mais caro: o Teu Sangue.

Caros Padres, Monges, Irmãos e Irmãs! A todos cordialmente cumprimentamos na Santa Festa, a Santa Páscoa.

Que o Senhor Ressuscitado dê a todos uma benção onipotente para as forças espirituais em direção ao Bem da Igreja.

Aos idosos e doentes que Ele dê forças e a cura; às viúvas e aos órfãos – ajuda e alívio; aos cônjuges – amor e concórdia, alegria às crianças; aos jovens e às moças – pureza e virtude, sucesso na conquista da sabedoria; às crianças um anjo da guarda, proteção e defesa.

A todos nós, que O Senhor Ressuscitado fortaleça a fé n’Ele, a esperança e o amor a Deus e ao próximo, de modo que possamos juntos com os anjos cantar: “Os anjos nos céus, ó Cristo Salvador, cantam a Tua Ressurreição, concede a nós que estamos na terra, de Te glorificar com um coração puro”.

EM VERDADE RESSUSCITOU!

Pela Misericórdia Divina, humildemente:
+ Sawa, Metropolita de Varsóvia e toda a Polônia
+ Simão, Arcebispo de Lodz e Poznan
+ Adão, Arcebispo de Peremysl e Novy Sonde
+ Jeremias, Arcebispo de Vratislávia e Estétino
+ Abel, Arcebispo de Lublin e Chelm
+ Miron, Bispo de Gajnovka
+ Tiago, Bispo de Bialystok e Gdansk
+ Gregório, Bispo de Bielski
+ Jorge, Bispo de Siemiatycz
+ Paísios, Bispo de Piotrkow

No Brasil:
+ Chrisóstomo, Arcebispo do Rio de Janeiro e Olinda-Recife
+ Ambrósio, Bispo do Recife

Páscoa de Cristo do Ano de 2008, Varsóvia.

domingo, 27 de abril de 2008

CRISTO RESSUSCITOU! EM VERDADE RESSUSCITOU!

CRISTO RESSUSCITOU!
EM VERDADE RESSUSCITOU!


sexta-feira, 25 de abril de 2008

OrtoFoto

Romênia
autor: Antonia