“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Tesouros da Igreja Ortodoxa da Finlândia

No Santuário da Catedral de Uspenski, em Helsínquia, reina uma atmosfera calma e reverente. Neste local sagrado, encontram-se pequenos candeeiros que tremeluzem entre importantes ícones antigos que pendem das paredes e velas de cera que impregnam o ar com um odor a mel. As figuras sagradas do ícone que domina a sala olham do alto da sua armação dourada para as pessoas que se deslocam sobre o magnífico chão de mármore, com passos silenciosos e cautos.

Fig. 1 - Interior da Catedral de Uspenski, Helsínquia.
A maior e mais famosa das igrejas ortodoxas da Finlândia é o tesouro da nossa herança espiritual. Nas suas paredes, mesas e armários, encontram-se dezenas de objetos valiosos: um belo altar decorado com ouro e pedras esplendorosamente pintados, candelabros com ícones em miniaturas neles primorosamente gravados.

Fig. 2 - (da esquerda para a direita): Estola do início do século XIX. Capa de asperges usada pelo superior do mosteiro nos serviços de culto, início do século XIX. Paralelamente usado pelo bispo, princípio do século XIX, doados ao Mosteiro de Valamo pelo Czar Alexandre I.
Os tesouros da Igreja Ortodoxa Finlandesa, toda a propriedade cultural da nação, acrescentam um suavizante toque oriental e da mística bizantina à nossa herança europeia e nórdica. O interesse pela Igreja Ortodoxa e pela religião é muitas vezes despertado pela qualidade dos objetos.

Fig. 3 - Ícone funerário da Virgem do século XIX (Mosteiro de Petsamo). As mãos e o rosto são de têmperas sobre madeira. O vestido e a auréola são de contas de vidro e diversas jóias coloridas.
No século XVI, a Reforma derrubou a Igreja Católica Romana na Finlândia, mas a Igreja Ortodoxa manteve uma base na Carélia. O Mosteiro de VaIamo, situado numa ilha do lago Ladoga, transformou­se no seu centro mais importante. O Mosteiro de Konevitsa também teve a sua base aqui. Existiram cinco mosteiros na região de Kakisalmi e outro em Petsamo.
Fig. 4 - Cruz de madeira com o crucifixo em têmperas. Suurlabri, Aanisniemi.
Nos anos 40, a fé ortodoxa foi espalhada pela Finlândia por refugiados da Carélia, que reforçaram as pequenas congregações já existentes. Mais de 50 000 finlandeses pertencem à Igreja Ortodoxa.
Fig. 5 - Virgem de Tibvina. Ícone do século XVII. Têmpera sobre madeira de tília. Igreja se Santo Elias, em Vyborg.
As congregações ortodoxas possuíam tesouros artísticos insubstituíveis, quase todos salvos da destruição durante a guerra e trazidos para a Finlândia. Os tesouros não estão preservados apenas na Catedral de Uspenski. O Mosteiro de Valamo alberga um ícone da Virgem de Konevitsa, o mais antigo da Finlândia. Diversas igrejas e o Museu da Igreja Ortodoxa, em Kuopio, exibem ícones a óleo maravilhosamente dourados.
Fig. 6 - S. Basílio o Grande, S. Gregório de Nissa e S. João Crisóstomo. Ícone do século XVIII. Mosteiro de Valamo.
Normalmente, quando abandonamos a Catedral de Uspenski, sentimo-nos como se tivesse-mos estado em contacto com a espiritualidade da Igreja Ortodoxa.
Fig. 7 - Toalha decorativa do século XIX (Mosteiro de Petsamo).
As palavras do patriarca grego S. Basílio, do século IV, adaptam-se perfeitamente a este templo:
« Aquilo que a palavra diz ao ouvido, oferece a arte silenciosamente em imagens.»

Oração pelos Vivos - Comemorações

Lembra-Te, Senhor, em primeiro lugar da Tua Igreja una, santa, católica e apostólica, que Tu remiste com o Teu Sangue precioso; consolida-a, reforça-a, engrandece-a, multiplica-a, pacifica-a, e salva-a pelos séculos afora, contra as portas do inferno; apazigua as dissensões das Igrejas, apaga os erros dos pagãos, destrói e desarraiga rapidamente as heresias que aparecem, e converte cada um pelo poder do Teu Espírito Santo. (metanóia)

Senhor, Deus Todo-Poderoso e Eterno, em cuja mão reside todo o poder e todos os direitos dos povos, lembra-Te daqueles que nos governam, dos seus ministros e colaboradores, que receberam na Tua bondade o governo da nação, inspira em seus corações bons conselhos ao sujeito da Tua Igreja e de todo o Teu povo, a fim de que, constituídos em autoridade, nos governem em justiça, sob a proteção da Tua destra, para que, na tranqüilidade que nos asseguram, possamos levar uma vida em paz, na piedade e na santidade. (metanóia)

Salva, Senhor e tem piedade de Sua Santidade o nosso Patriarca N., do nosso Bispo N., de todos os demais Patriarcas e chefes de Igreja e de todo o episcopado ortodoxo, os Presbíteros, os Diáconos, e de todo o clero que Tu estabeleceste para guiar o Teu rebanho e pregar a Tua Palavra. Tem piedade deles e salva-me a mim, pecador. (metanóia)

Para os monges:
Salva, Senhor e tem piedade de meu Pai espiritual (nome), meu Igumeno e fraternidade (nomes), meus familiares (nomes), meus parentes e amigos (nomes), e todos os cristãos ortodoxos. (metanóia)

Para os demais cristãos:
Salva, Senhor e tem piedade de meus filhos (nomes), meu esposo / minha esposa (nome), meus familiares (nomes), meu Pai espiritual (nome), meu padrinho / minha madrinha (nome), meus parentes e amigos (nomes), e todos os cristãos ortodoxos. (metanóia)

Lembra-Te, Senhor, daqueles que vivem nos desertos, nas montanhas, nas cavernas e nos antros da terra; de todos os monges e monjas, das almas consagradas a Deus que vivem na virgindade, na piedade e na ascese. (metanóia)

Lembra-Te, Senhor, de todos os nossos irmãos em Cristo e de todo Povo que nos cerca; tem piedade deles e de nós, segundo a grandeza da Tua misericórdia. Cumula-os de todo bem, mantém as suas uniões matrimôniais na paz e na concórdia, instrui e educa os seus filhos e netos, abençoa as famílias; reanima os idosos, encoraja os pusilânimes, congrega os dispersos, reconduz os que se desviaram; liberta os oprimidos pelos espíritos impuros, acompanha todos aqueles que viajam por mar, terra e ar; sê o amparo das viúvas, o escudo dos órfãos, o libertador dos prisioneiros, o Médico dos doentes. (metanóia)

Salva, Senhor, e tem piedade daqueles que me odeiam, que me ofendem, que me perseguem e não os deixe se perder em virtude de mim, pecador. (metanóia)

Ilumina com a luz do Teu conhecimento aqueles que negaram a fé ortodoxa e aqueles que estão turbados pelas heresias mortais. (metanóia)

Lembra-Te, Senhor, dos que são julgados pelos tribunais humanos, dos condenados a trabalhos forçados e servis, dos exilados, dos emigrantes, de todos aqueles que se encontram em provação, perigo e necessidade; e, sobretudo daqueles que são perseguidos pelo Teu Nome e pela Fé Ortodoxa, dos pagãos e dos ateus, dos renegados e dos heréticos. Lembra-Te deles, visita-os, fortifica-os, concede-lhes a liberdade e a libertação. (metanóia)

Lembra-Te também daqueles que nos amam, de todos aqueles que pediram a nós, ainda que Teus servos indignos, orássemos por eles, e de todo o Teu Povo: lembra-Te de todos, Senhor nosso Deus, e tem piedade, atendendo as suas preces e concedendo-lhes a salvação. (metanóia)

Lembra-Te ainda de todos aqueles que nós, por negligência, ignorância ou por causa do grande número de nomes, não comemoramos; Tu, Senhor, conheces a idade e o nome de cada um deles, Tu os conheces desde o ventre de suas mães. Tem piedade deles e salva-os. (metanóia)

Tu és, Senhor, o amparo dos desprotegidos, a esperança dos desesperados, a âncora dos náufragos, o porto da salvação dos navegantes, o médico dos doentes. Sê tudo para todos, Tu que conheces cada qual bem como as suas petições, as suas moradas e todas as suas necessidades. Preserva, Senhor, esta cidade, todas as cidades e todo o país, da fome, da peste, dos tremores de terra, das inundações, do fogo, das guerras civis e do ataque dos povos inimigos. (3 metanóias)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mosteiro de Koutlomousiou - Monte Atos

O mosteiro de Koutlomusiou situa-se no nordeste do Monte Atos, muito próximo ao distrito de Karyes. A existência do mosteiro é confirmada por um documento datando sua fundação em 1169, porém o mosteiro em sua atual forma foi fundado no século XIII por Constantino, filho de Azzedyna II da família Kotlomousiu. O mosteiro conserva as seguintes relíquias: perna esquerda de Santa Ana, mãe da Virgem Maria, mão esquerda de São Gregório, partículas das relíquias de São Pantaleão e São Caralampo. O mosteiro possui 7 capelas e a skit de São Pantaleão fundada pelo hieromonge Caralampo antes de 1785.




Oração

Em todo o tempo e em toda a hora, no céu e sobre a terra, Tu és adorado e glorificado, ó Cristo nosso Deus; lento para a cólera, compassivo e rico em piedade; amas os justos e perdoa aos pecadores. Chamas todos os homens à Salvação para a promessa dos bens futuros. Tu próprio, Senhor, recebe agora os nossos pedidos, e dirige a nossa vida segundo os Teus Mandamentos; santifica as nossas almas e torna castos os nossos corpos, purifica os nossos pensamentos. Livra-nos de toda a angústia, de todo o mal e de toda a dor. Envolve-nos dos Teus Santos Anjos como de uma fortaleza, a fim de que guardados pelo seu poder e, sob a sua condução, alcancemos a unidade da Fé e no conhecimento da Tua Glória Inacessível, pois Tu és bendito pelos séculos dos séculos. Amém!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

OrtoFoto

Torre do Mosteiro de Koutloumousiou, Monte Atos
autor: Θεολόγος Τατς

Oração

Senhor, nosso deus, que dissipaste de nós a indolência do sono e que nos fizeste ouvir um santo chamamento para que durante a noite elevássemos as mãos para Te honrarmos pelos Teus julgamentos justos, recebe os nossos pedidos, as nossas súplicas, as nossas homenagens, as nossas adorações noturnas. Concede-nos, ó Deus, uma Fé que não possa ser confundida, uma Esperança firme, uma Caridade não fingida; abençoa as nossas palavras, os nossos desejos e concede-nos chegar ao princípio do dia, cantando e bendizendo a imensidão da Tua bondade indescritível. Pois que o Teu Santo Nome é bendito e o Teu Reino glorificado, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

domingo, 13 de abril de 2008

O Quinto Domingo da Grande Quaresma – Domingo de Santa Maria do Egito

Não é possível estabelecer com precisão o que é a história e o que é lenda nas tradições relativa a “Santa Maria do Egito”. Deve-se admitir simplesmente o fato de a Igreja ter querido fazer dela, como o cantamos nas matinas: “um exemplo de arrependimento”. Ela é um símbolo de conversão, de contrição e de austeridade. . Ela exprime, neste último domingo da Quaresma, o derradeiro, o apelo mais urgente que a Igreja nos dirige antes dos dias sagrados da Paixão e da Ressurreição.

A Epístola lida na Liturgia (Hb. 9, 11-14) compara o ministério de Cristo ao do Sumo Sacerdote hebreu, que entrava uma vez por ano no Tabernáculo; mas Cristo “entra de uma vez por todas no santuário nos garantindo a salvação eterna”. O Sumo Sacerdote purificava e santificava os fiéis derramando sobre eles o sangue e os restos mortais das vítimas. “Quando mais o sangue de cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu ele mesmo sem mácula a Deus, purificará nossa consciência das obras mortas afim de que prestemos um culto a Deus Vivo?”.

O Evangelho (Mc. 10, 32-45) descreve a ida de Jesus a Jerusalém, antes de sua Paixão. Jesus toma à parte os doze Apóstolos e começa a lhes dizer que será preso, condenado, morto e que ressuscitará. No início da Semana Santa, nós somos levados à parte pelo Salvador para uma conversa íntima onde ele nos explica o mistério da Salvação. Nós pedimos ao Mestre para nos mostrar mais profundamente o que se passa, por nós, no Gólgota? Nós damos a Jesus a possibilidade de tal encontro secreto? Aproveitamos as ocasiões de um “tête-à-tête” com o Senhor? Pois eis que os filhos de Zebedeu se aproximam de Jesus e lhe pedem para sentar em Sua glória, um à Sua direita e outro à Sua esquerda. Jesus lhes faz - e nos faz esta pergunta: “podereis vós beber o cálice que eu bebo”? O Mestre explica pois aos discípulos que a verdadeira grandeza consiste em servir. “O Filho do homem... não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos”.

A tarde desse último domingo de Quaresma já deixa entrever os clarões da entrada na Semana Santa, domingo próximo. Domingo próximo será o domingo de Lázaro, que Jesus ressuscitou. As vésperas celebradas na tarde do quinto domingo de Quaresma anunciam já Lázaro, o pobre da parábola angélica. “Permita que eu fique com o pobre Lázaro e livra-me do castigo do rico... Concede-nos rivalizar com sua resistência e sua longevidade”. A Igreja, de certa forma impaciente para entrar nos santíssimos dias que começarão na próxima semana, nos empurra, neste último domingo de Quaresma, de ir adiante da Festa que celebramos em sete dias: Elevemos os cantos de oferenda para Domingo de Ramos, para que o Senhor, vindo gloriosamente a Jerusalém faça morrer a morte por seu poder divino... Preparemos com fé os estandartes da vitória gritando: “Hosana ao criador de todas as coisas!”

sexta-feira, 11 de abril de 2008

OrtoFoto

Cúpula da Igreja do Santo Sepulcro, Israel
autor: Catalina C.

Tropário

Do grego (τροπάριον). Um termo genérico para designar uma estância de um poema religioso. Em particular é aplicado:

  • ao apolitikion, também conhecido como “tropário-apolitikion” ou “tropário da festa”, ou “tropário do dia”;

  • às estâncias do cânon.

Oração

Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fizeste erguer de nossos leitos e que nos reuniste para a oração em comum, dá-nos a graças de abrirmos os nossos lábios e recebe as nossas ações de graças; ensina-nos a Tua justiça, pois não sabemos orar como deve ser, se Tu, Senhor, não nos ensinares pelo Teu Espírito Santo. É por isso que nós Te pedimos: livra-nos, reabilita-nos, perdoa-nos os nossos pecados cometidos em palavras, atos ou pensamentos, voluntária ou involuntariamente. Pois se Tu expias as nossas iniqüidades, Senhor, Senhor quem as pode manter, pois que se é em Ti que está a nossa redenção? Só Tu és Santo, Salvador e Poderoso Defensor da nossa vida e para Ti será o nosso cântico para sempre. Que a força do Teu Reino seja bendita e glorificada, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

OrtoFoto

Polônia
autor: Alicja Ignaciuk

Triságion

Do grego τρισάγιον, três vezes Santo, em eslavão trisvyatóe. As palavras “Deus Santo, Santo Forte, Santo Imortal, tem piedade de nós”. São repetidas três ou mais vezes, e ocorrem:

  • na Liturgia, após os hinos que seguem a Pequena Entrada e antes do prokímenon;

  • em Matinas, ao final da Grande Doxologia;

  • em quase todos os ofícios, como parte das orações iniciais precedendo a oração do Pai-Nosso.