“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 21 de março de 2008

Sináxis

Do grego σύναξις assembléia, concílio. Um título aplicado entre outras coisas, a certas comemorações caindo no dia imediatamente após uma Grande Festa, em honra a algum personagem intimamente relacionado com o tema da Festa em si mesma. Por exemplo, sináxis da Mãe de Deus a 8 de janeiro (dia posterior ao Natal), de São João Batista a 20 de janeiro (dia posterior à Teofania), do Arcanjo Gabriel a 8 de abril (dia posterior à Festa da Anunciação), dos 12 apóstolos após Festa dos Corifeus São Pedro e São Paulo a 13 de julho; a do Arcanjo Gabriel a 26 de julho; a do Arcanjo Miguel e todas as Hostes Celestes a 21 de novembro. Nem toda Grande Festa é seguida por uma Sináxis. Num sentido mais geral, ‘sináxis’ significa uma assembléia para veneração.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Sináxario

Do grego συναξάριον, também denominado Menologion, do grego μηνολόγιον. Uma curta explanação da vida de um santo cuja festa está sendo celebrada, ou um comentário sobre o significado do mistério que está sendo comemorado. No uso grego o Sinaxário é lido diariamente em Matinas entre as odes 6 e 7 do cânon, imediatamente após o kontakion e seu ikos. Estas leituras estão contidas num livro especial, com o mesmo nome ‘Sinaxário’ ou ‘Menologion’ (de Menaion, do mês, + logos, palavra), livro litúrgico que contém a vida dos Santos, organizado por meses ao longo do ano litúrgico iniciado em setembro: correspondem, aproximadamente, ao Martirológio Romano. As leituras do Sinaxário estão, também, incorporadas no Menaia grego em pontos relevantes. Os livros eslavos de serviço litúrgico contém Sinaxários apenas no Triódio e no Pentacostário. O Menaia grego os inclui todo dia na forma de breves notações sobre os santos comemorados.

quarta-feira, 19 de março de 2008

OrtoFoto

Rússia
autor: Vladimir Neelov

A Liturgia dos Dons Pré-Santificados

A Liturgia dos Dons Pré-Santificados, como o próprio nome indica, é uma Liturgia onde, a comunhão dos fiéis é administrada na forma de Dons anteriormente consagrados. Desde já, a Liturgia dos Dons Pré-Santificados difere das de São João Crisóstomo e São Basílio, o Grande, por nem ofertório (protesis), nem consagração dos Santos Dons ocorrerem.

No “Suplemento” da quinta edição de “Antigas Liturgias”, publicado em São Petersburgo em 1878, afirma-se: “Incluída entre as antigas liturgias está a dos Dons Pré-Santificados, que é realizada durante o santo jejum da Grande Quaresma. Na Igreja Ortodoxa é, predominantemente, celebrada nas quartas e sextas-feiras das primeiras seis semanas, na quinta-feira da quinta semana e segundas, terças e quartas-feiras da Semana Santa. Sua origem e estrutura têm sido atribuídas ora ao Leste, ora ao Oeste, por vários estudiosos da Antigüidade eclesiástica. Vários escritores orientais atribuem sua formulação original ao Oeste, especificamente a Santo Pontífice e Doutor, Gregório I, do Diálogo, o Grande, Papa de Roma Gregório, enquanto, os ocidentais, em sua maioria, atribuem-na ao Leste, supondo a comunicação ainda existente quando as Igrejas ainda se relacionavam. Os ritos, embora se diferenciem em detalhes específicos, na estrutura geral de suas orações apresentam considerável semelhança, o que é uma clara evidência da origem comum do ofício em ambas as partes do mundo cristão e da fonte comum de todas as formas subseqüentes, o Cristianismo original. O ambiente especial da Igreja nos três primeiros séculos, que identicamente afetou o Mistério Eucarístico tanto no Leste, como no Oeste, fundou as bases do que, pouco a pouco, se tornaria a celebração conhecida como Liturgia dos Dons Pré-Santificados...”

Assim, como indicado acima, a Liturgia dos Dons Pré-Santificados tem suas origens nos tempos remotos do Cristianismo. Entretanto, supõe-se que sua última edição foi estabelecida na forma escrita por São Gregório o Grande, que viveu no sexto século (foi Papa de 590 a 604).

A Liturgia dos Dons Pré-Santificados é celebrada somente durante a Grande Quaresma. O propósito de tal instituição é permitir aos fiéis comungar nos dias de semana deste período, quando, pelo Typicon (ustav), a celebração de uma Liturgia convencional não é indicada. Quando presentes na realização do Mistério Eucarístico, os antigos cristãos ficavam tão eufóricos em Cristo Salvador que chamavam-no de “Páscoa”. Por conseguinte, era considerado que tais sentimentos eram incompatíveis com o arrependimento e a contrição dos pecados, para os quais os dias da Grande Quaresma seriam indicados. Por isso, a realização de uma Liturgia comum era descolocada. Entretanto, como os antigos cristãos consideravam impossível manterem-se sem a comunhão dos Santos Mistérios de Cristo por toda a semana, a Liturgia dos Dons Pré-Santificados foi introduzida, removendo-se toda a festividade e, por esse princípio, a parte mais solene da Liturgia, ou seja, a transformação dos Santos Dons.

A Comunhão que é dada aos fiéis durante a Liturgia dos Dons Pré-Santificados é anteriormente consagrada em uma liturgia regular, de São João Chrisóstomo ou de São Basílio, o Grande. Para isso, em adição ao cordeiro único, durante a Protesis, dois ou mais são preparados (dependendo do número de vezes em que o ofício será celebrado). Sobre estes, as mesmas orações e ações, direcionadas ao cordeiro que será utilizado no dia, serão executadas. Durante a Consagração, o padre pronuncia as palavras usuais sobre todos os Cordeiros, sem mudá-las do singular para o plural, pois Cristo é UM em TODOS. Quando o padre realiza a Elevação, ele, de igual modo, eleva juntos os cordeiros destinados à Liturgia dos Dons Pré-Santificados. Quando a comunhão do clero se aproxima, após a adição de água quente ao Santo Cálice, em sua mão esquerda (normalmente utilizando a esponja), o sacerdote, “deita” o cordeiro sem parti-lo. Então, tomando a Colher em sua mão direita adiciona a ele um pouco do Puríssimo Sangue de Cristo (no lado onde a cruz é traçada, na parte macia do “pão”). Isto é, ele toca o lado do cordeiro que foi cortado em forma de cruz. Unindo assim o Sangue com o Corpo de Cristo, que será armazenado no receptáculo destinado a tal (Ortofório), onde é mantido até o dia da celebração.

Como, pela regra da Igreja, nos dias de semana da Quaresma (ou seja, todos os dias menos Sábado e Domingo) refeições são permitidas uma vez ao dia, durante o anoitecer, a Liturgia dos Dons Pré-Santificados é realizada após a Nona Hora e Vésperas. Antes disso, uma “ordem” que consiste em Tércia, Sexta e Nona Horas e Typica é celebrada. Após estas, a Despedida é pronunciada e, em conjunção com o Ofício de Vésperas a Liturgia começa com a usual exclamação: “Bendito seja o Reino do Pai...”.

Traduzido e adaptado por Felipe Nerval da Silva e Jessyca Romero do livro “Archbishop Averky – Liturgics”.

terça-feira, 18 de março de 2008

OrtoFoto

Polônia
autor: Adam Falkowski

Saltério

Originalmente o instrumento de cordas que era utilizado para acompanhar o canto dos salmos na liturgia judaica. Hoje significa o conjunto de 150 salmos, que fazem parte tanto da Bíblia judaica como da cristã, guardada apenas, as pequenas diferenças na divisão e contagem dos mesmos. Ver Catisma.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Prokímenon

Prokímenon, do grego προκείμενον (plural Prokimena), o que é anunciado; o que é indicado para ser lido. São versículos dos Salmos, lidos imediatamente antes da leitura das Sagradas Escrituras (Evangelho, Epístola ou Paremia). Um prokímenon ocorre, entre outros ofícios:

  • Em Vésperas, após o hino: “Ó Luz jubilosa....”
  • Em Matinas, aos domingos e festas antes da leitura do Evangelho.
  • Na Sagrada Liturgia, antes da leitura da Epístola.
  • Horas Reais.
  • Molebien.

Segundo São João Maximovitch, bispo de Xangai e São Franciso, o prokímenon em Vésperas é remanescente do tempo em que sempre havia uma leitura das Escrituras neste ofício.

Os Prokimena recitados imediatamente antes da leitura do Evangelho são chamados de Aleluia, por que são intercalados com o cântico da tríplice Aleluia. Prokimena cantados ocorrem nas Vésperas de Grandes Festas e durante a Grande Quaresma, possuem então a denominação de “Grande Prokímenon”.

domingo, 16 de março de 2008

O Primeiro Domingo da Grande Quaresma - Domingo da Ortodoxia

A palavra “Ortodoxia” foi tomada originalmente, com relação a esse domingo, em um sentido bastante restrito. Ela designava, quando essa festa foi instituída, em 842, a derrota do iconoclasmo e a proclamação da legitimidade do culto dos ícones. Mais tarde, o significado da palavra estendeu-se. Passou-se a entender por “Ortodoxia” o conjunto dos dogmas professados pelas igrejas em comunhão com Constantinopla. Um documento oficial, o SYNODIKON, que anatematizava nomeadamente todos os hierarcas, era lido, nesse domingo, nas igrejas. Parece que, no início da quaresma, a cristandade bizantina havia considerado como um dever e uma necessidade o confessar a sua crença.

Em nossos dias manifestamos, talvez, uma preocupação maior, o que antes não era o caso, de expressarmo-nos com mais cuidado acerca daqueles que erram e de separarmos, em seu pensamento, aquilo que é a parte da verdade e o que é erro. Porém, era bom e necessário que a Igreja “Ortodoxa” afirmasse sem ambigüidade sua própria atitude. As preocupações “ecumênicas” que ela partilha hoje em dia com as outras igrejas não poderiam significar um abandono ou uma diminuição de suas crenças fundamentais. Além é necessário eliminar do campo da Ortodoxia as ervas parasitas e não profanar o adjetivo “Ortodoxo” aplicando-o àquilo que poderia ser superstição.

Os textos lidos ou cantados às Vésperas e às Matinas desse domingo insistem sobre a realidade da Encarnação. Com efeito, a vinda de Cristo na carne constitui o fundamento do culto das imagens. O Cristo encarnado é a imagem essencial, o protótipo de todas as imagens. Algumas frases do Triódio exprimem bem o sentido profundo do culto concedido aos ícones.

”Em verdade, a Igreja de Cristo foi revestida do mais belo ornamento com os Santos Ícones de Cristo, nosso Salvador, da Theotokos e de todos os santos glorificados... Ao guardar o ícone de Cristo que nós louvamos e veneramos, não nos arriscamos a perdermo-nos. Pois nossa inclinação diante do Filho encarnado, e não a adoração de Seu ícone, é uma glória para nós”.

Os santos glorificados foram imagens vivas, ainda que imperfeitas, de Deus. Foram reproduções enfraquecidas da verdadeira imagem divina, que é o Cristo. Durante a Liturgia desse domingo, na leitura da Epístola aos Hebreus (Hb. 11, 24-26; 32-40), nós escutamos o inspirado escritor descrever os sofrimentos de Moisés e de David, dos Patriarcas e dos Mártires de Israel, daqueles dos quais o mundo não era digno, que foram flagelados, serrados, decapitados e cuja fé, entretanto, venceu o mundo. Estes foram as imagens inscritas, não sobre a madeira, mas sob a própria carne. Eram já uma prefiguração, já anunciavam o ícone definitivo, a Pessoa do Salvador.

Evangelho do dia não tem relação direta com as imagens ou com a Ortodoxia. Na leitura evangélica (Jo. 1, 43-52), vemos o apóstolo Filipe trazer à Jesus, Natanael que também irá tornar-se um discípulo, Jesus diz a Natanael: “Antes que Filipe te chamasse, te vi eu estando tu debaixo da figueira”, Natanael, assombrado por esta revelação, declara: “Rabi, tu és o Filho de Deus!”. Jesus responde que Natanael veria ainda mais que essa visão: “daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus descerem e subirem sobre o Filho do homem”.

Essas palavras oferecem um enorme campo à nossa meditação. Nós não sabemos o que fazia ou pensava Natanael sob a figueira. Hora de tentação, ou de perplexidade, ou da graça? Ou simplesmente de repouso? Porém parece que o Senhor não mencionaria esse episódio se o mesmo não houvesse sido um momento decisivo, um ponto crucial na vida de Natanael. Na vida de cada um de nós houve um momento ou momentos onde estivemos “sob a figueira”, momentos críticos, onde Jesus, Ele próprio invisível, nos viu e interveio. Intervenção que foi aceita ou rejeitada? Recordemos esses momentos... Adoremos essas intervenções divinas. Mas não nos detenhamos nelas. Não nos fixemos sobre uma visão passada. “Tu verás ainda melhor”. Estejamos pronto para a graça nova, para a nova visão. Pois a vida do discípulo, se ela é autêntica, vai de revelação em revelação. Nós podemos ver “os céus abertos e os anjos de deus subirem” em direção ao Salvador ou descerem sobre nós. Indicação preciosa desta familiaridade com os anjos que deveria nos ser habitual. O mundo angélico não nos é mais distante nem menos desejável que o mundo dos homens.

sábado, 15 de março de 2008

OrtoFoto

Polônia
autor: Jozef Klucha

Salmos do Lucernário

Em grego Κύριέ, έκέκραξα, em eslavão Góspodi, vozzvákh. As palavras de abertura do Salmo 141, aplicadas como título geral dos Salmos do Lucernário (141, 142, 130 e 117), que são cantados ou lidos diariamente em Vésperas ao longo do ano e possuem a sua contra-parte em Matinas, nos três Salmos conhecidos como Laudes. Estikera cantados podem ser introduzidos em número de 4, 6, 8 e 10 de acordo com o dia e a categoria da Festa, entre os versículos destes Salmos. A palavra Lucernário vem do latim lucerna=lanterna. Os Salmos do Lucernário são aqueles que se cantam antes do hino ‘Ó Luz Jubilosa’, quando se acendem as lamparinas do Altar.

sexta-feira, 14 de março de 2008

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Romênia
autor: Ovidiu Man

Ripídias

Chamadas pelos gregos de Exapteryga (έξαπτέρυγα, com seis asas). Abanadores litúrgicos posicionados na ponta de hastes ou bastões; eram assim denominados por que se desenhava a figura de serafins sobre eles. Hoje, são discos de metal com imagens dos serafins com seis asas engastados em uma haste também metálica. Primitivamente as ripídias eram ornamentadas com penas de pavão, como os abanadores usados no Oriente. Às vezes, tinham a forma de estrela, quadrados ou outra forma e destinavam-se a proteger os Santos Dons de insetos e pó. As ripídias simbolizam os anjos cercando o Trono de Deus (Altar) e invisivelmente participando do ofício. Eram (e ainda são) levados em procissão, especialmente nos ofícios pontificais: em particular, eram mantidos sobre o Evangeliário enquanto era lido o Evangelho no curso de Matinas ou Liturgia, e sobre os Santos Dons na Grande Entrada na Liturgia (de modo a evitar que insetos pousassem sobre os dons); eram levadas, também, em procissão diante da Santa Cruz a 27 de setembro.