“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

OrtoFoto

Montenegro
autor: Maranata

Ofício da Meia-noite

Ofício destinado a ser realizado à meia-noite. O silêncio da noite favorece à concentração e à oração para o louvor a Deus. Para os primeiros cristãos a noite era o período mais favorável para uma oração imperturbável. Ofício da Meia-noite menciona e admoesta os fiéis a lembrarem a segunda vinda de Cristo, o Julgamento Final e os seus parentes defuntos. O Ofício da Meia-noite desdobra-se em três tipos diversos: o dos dias feriais, o de sábado e o de domingo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Santo Apóstolo e Discípulo do Senhor e Mártir, Onésimo dos Setenta, Apóstolo da Ibéria, Grécia e Ásia Menor (+109) – 15/28 fev

Onésimo (cujo nome significa “útil”) viveu no século I e início do século II, na Frígia, região da Ásia Menor, e antes de converter-se ao cristianismo foi escravo de um importante cidadão chamado Filemón. Um dia, Onésimo roubou seu amo e fugiu para Roma. Ali, recorreu ao apóstolo São Paulo e, depois de escutar sua palavra, foi perdoado, arrependeu-se, confessou sua culpa e converteu-se. Uma vez batizado, São Paulo enviou-o de volta a Filemón com uma carta em que dizia : “Venho suplicar-te por Onésimo, meu filho, que eu gerei na prisão. Ele outrora não te foi de grande utilidade, mas agora será muito útil ,tanto a mim como a ti. Eu envio-o a ti como se fosse o meu próprio coração. Quisera conservá-lo comigo, para que me servisse em teu lugar, nas prisões, em benefício do Evangelho. Sem dúvida, ele se apartou de ti por algum tempo para que tu o recobrasses para sempre, mas não já como servo, mas como irmão caríssimo, sobretudo para mim, mais ainda para ti, não só segundo as leis do mundo, mas também no Senhor”

Assim, por obra de São Paulo, Onésimo foi perdoado e passou a trabalhar com a palavra e o exemplo. Foi nomeado bispo de Éfeso e, em sua missão episcopal, a fama de suas virtudes transcendeu os limites de sua sede.

Foi preso na época do imperador Domiciano e levado a Roma, onde morreu apedrejado.

Pelas orações de Santo Onésimo, ó Cristo Nosso Deus, tem piedade de nós!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

OrtoFoto

Kosovo
autor: Vladimir Popović

Ode

Do grego ώδή, em eslavão pesn: ode, cântico. Título aplicado:

  • a certas orações e composições poéticas de origem bíblica;
  • às nove (na prática oito) subdivisões do cânon (originalmente destinadas a acompanhar a leitura dos cânticos bíblicos.

Os nove cânticos bíblicos são indicados para o uso em Matinas como abaixo:
Cada ode é constituída de: 1 Irmos (Eirmos) + 3 ou 4 tropários.
Katavásia (ao final de cada ode, nas Matinas Festivas e Grandes Matinas)
Katavásia (apenas ao final da 3a, 6a, 8a e 9a odes), nas Matinas Comuns.


1a. Ode – Cântico de Moisés. Travessia do Mar Vermelho. Ex 15, 1-19.
2a. Ode – Cântico do povo depois de passar pelo Mar Vermelho (Dt 32, 1-43). Ode penitencial, cantada somente na Grande Quaresma.
3a. Ode - Cântico de Santa Ana, mãe do profeta Samuel (1 Sm 2, 1-10).
4a. Ode – Cântico do profeta Habacuque (Hb 3, 2-19).
5a. Ode – Cântico do Profeta Isaías (Is 26, 9-20).
6a. Ode – Cântico do Profeta Jonas (Jn 2, 3-10).
7a. Ode – Cântico dos 3 santos meninos no interior da fornalha (Dn 3, 26-56).
8a. Ode – Cântico dos 3 santos meninos depois da saída do interior da fornalha (Dn 3, 57-90).
9a. Ode – Cântico de Zacarias do Evangelho de São Lucas: (Benedictus - Lc 1, 68-79)

Cântico da Theotokos (Magnificat – Lc 1, 46-55)

O Magnificat e o Benedictus, embora a princípio sejam dois cânticos distintos, são tratados nas Matinas bizantinas como se fossem só um. Fora o Magnificat todos estes cânticos são omitidos, exceto durante a Grande Quaresma.


Após a 3a. ode – Pequena Litania (com a ecfonese: “Pois Tu és o nosso Deus e nós Te damos glória, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!” ), Tropário-catisma (Siedalem) lido ou Hipakoi.


Após a 6a. ode – Pequena Litania (com a ecfonese: "Pois que Tu és o Rei da Paz e Salvador das nossas almas e nós Te damos glória, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!”), kontakion (cantado), Ikos (lido), Sinaxário (no Triódio).


Durante o canto da Katavásia após a 8a. ode o presbítero incensa todo o santuário, sai pela porta norte incensa as Portas Reais, o ícone de Cristo e todos os demais ao lado do de Cristo e pára em frente ao ícone da Virgem e quando o coro pára de cantar, exclama: “Mãe de Deus e Mãe da Luz, com hinos nós te glorificamos” . A seguir continua a incensação do restante da iconostase, o povo e toda a igreja. O coro canta o Magnificat, cada versículo do Magnificat é intercalado com o Hino à Virgem: “Tu mais venerável que os Querubins...” como refrão.


9a. ode – Cântico de Zacarias. Após a katavásia da 9a. ode (apenas nas Matinas Comuns) o coro canta: “Verdadeiramente é digno e justo...Tu mais venerável que os Querubins...” e Pequena Litania (com a ecfonese: "Pois que a Ti louvam todos os Poderes Celestes e nós Te glorificamos, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!”)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Mosteiro da Grande Lavra - Monte Atos

O mosteiro da Grande Lavra fica no sudeste da península e é o mais antigo e maior mosteiro no Monte Atos foi fundado por Santo Atanásio, o Atonita durante o governo dos imperadores Romano II (959-963) e Nicéforo Focas II (963-969). Este mosteiro serviu de modelo para os demais mosteiros construídos posteriormente. O Katholikon do mosteiro hoje é dedicado a São Atanásio, o Atônita, mas originalmente foi dedicado à Santíssima Virgem Maria. A biblioteca do mosteiro é uma das mais ricas de todo o Monte Atos. Encontra-se nela 1650 “kodeks”, dos quais 650 são pergaminhos. No terreno do mosteiro encontra-se 15 capelas, e fora de seus muros mais 19. Pertencem ao mosteiro as seguintes skits: de São João Batista, de Santa Ana, pequena skit de Santa Ana, de São Basílio e Karulia. Entre o grande número de relíquias que se encontra no Mosteiro da Grande Lavra encontra-se: um pedaço da Cruz de Cristo, relíquias de São Basílio, o Grande, a mão direita São João Crisóstomo. Entre os grandes ascetas e teólogos que viveram no Mosteiro da Grande Lavra destaca-se São Gregório Palamas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Comunicado do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Sérvia a respeito dos recentes eventos em Kosovo e Metohija

O Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Sérvia, no seu encontro especial no Patriarcado em 17 de fevereiro de 2008, traz o seguinte a público endereçado à mídia local e internacional a respeito dos últimos acontecimentos em Kosovo e Metohija:

Como a Igreja declarou inúmeras vezes no passado, também declara agora, que Kosovo e Matohija era e deve permanecer parte integral da Sérvia, de acordo com a Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas nº 1244, bem como em todas as outras convenções internacionais similares em direitos humanos, direitos dos povos e proteção de fronteiras internacionalmente reconhecidas. Qualquer outra decisão representa uma violação das leis Divina e humana, bem como uma agressão com tão grandes conseqüências, para ambos os Bálcãs e toda a Europa. Todas as convenções internacionalmente reconhecidas e ratificadas, não anuladas até agora por nenhum ato internacional, começando pelo Acordo concluído em 19l3, as resoluções internacionais datadas de 19l8 e 1945, até a Resolução 1244 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 1999, junto com a recente aceitação como membro das Nações Unidas da Sérvia integral, tudo confirma que excluindo Kosovo e Metohija da Sérvia representa uma forma de violência igual somente aos períodos de ocupações e tirania, os quais nós esperamos definitivamente pertencentes ao passado da Europa e do mundo. Neste caso particular ela representa a nova legalização da centenária tirania Otomana e seu impacto em toda a região, bem como uma repetição da aplicação da solução Fascista (aquela de Mussolini e Hitler) à questão de Kosovo no período da II Guerra Mundial, quando Kosovo e Metohija foram anexados à tão-falada Grande Albania, quando centenas de milhares de Ortodoxos Sérvios foram expulsos de suas casa, exatamente como em 1999, com o objetivo de jamais haver retorno para eles.

Tendo dito isto, o que nos deixa profundamente atônitos é o fato que, de acordo com as palavras de um embaixador Americano, com o recente anúncio do ilegítimo e ilegal reconhecimento pelos governos dos Estados Unidos da América, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, e outros, da auto-declarada independência de Kosovo – Sérvia e Montenegro foram bombardeadas em primeiro lugar. Conseqüentemente, a presumida proteção dos direitos humanos e das minorias das bombas, usando bombardeios com o pseudônimo de “Anjo Misericordioso” representou somente a preparação para esta violação final da justiça e para arrancar o coração da Sérvia do seu peito.

Então, considerando esta proclamação da independência de Kosovo como ilegítima, um ato violento contra a justiça, o Santo Sínodo dos Hierarcas e nossa Igreja inteira, na esperança da mais breve vitória da justiça de Deus e dos verdadeiros direitos humanos, rogamos a Sua Graça Bispo Artemije de Ras e Prizren, seu clero, monges e todo o povo Sérvio Ortodoxo de Kosovo-Metohija, bem como a todos aqueles colocados em perigo em Kosovo por este ato injusto, a permanecerem em seus lares e com seus lugares santos, preservando a paz e a confiança na vitória final da justiça de Deus, tendo amor para com todos como a si mesmos. Possais vós, nas palavras do apóstolo Paulo, nestes tempos de dificuldade, como tem sido até agora, especialmente nesta contínua sofrida história de Kosovo, “Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias,...na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra...” (2 Co 6: 4-8). Vamos sempre ter diante dos nossos olhos e em nossos corações a palavra vitoriosa do Deus verdadeiro: “Aquele que perseverar até o fim será salvo”.

Nós esperamos das Nações Unidas e do Conselho de Segurança que, no espírito de sua Carta 1244, bem como de suas obrigações internacionais, que eles defendam e protejam esta violação dos direitos humanos, religiosos e estatais da República Sérvia.

Tradução: Bispo Ambrósio do Recife

OrtoFoto

Ucrânia
autor: Сергій Ц

Octoecos

Do grego octoechos (de octo, oito e echos, tom), livro litúrgico que contém os vários hinos dos ofícios divinos que vão desde o Domingo de Todos os Santos (1º Domingo após o Pentecostes) até ao domingo que antecede o Domingo do Fariseu e do Publicano (10º Domingo antes da Páscoa), altura em que é introduzido o Triódio, livro que contém os ofícios litúrgicos da Quaresma até ao Domingo de Páscoa. É atribuída a São João Damasceno a composição da maior parte dos hinos contidos no Octoecos.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O Retorno ao Pai - Domingo do Filho Pródigo


Esse Domingo continua a desenvolver o tema do arrependimento e do perdão, já tratado no Domingo do Fariseu e do Publicano. Mas a Epístola (1Co. 6: 12-20) abre um parêntese e aborda um assunto especial: o da contenção corporal. Isso se explica pelo fato que, oito dias depois desse domingo, nós entraremos no período do jejum; e, já agora, a Igreja nos faz ouvir uma advertência de São Paulo concernente a esse assunto. O Apóstolo diz aos Coríntios que todas as coisas são lícitas, mas não convenientes. Não nos devemos deixar que sejamos dominados por nada, mesmo pelo que é lícito. Os alimentos são para o ventre; o ventre é para os alimentos. Mas nem o ventre nem os alimentos têm importância para a via espiritual, pois Deus aniquilará os alimentos e o ventre. Alargando o seu tema, o Apóstolo fala agora da impureza. Se os alimentos são para o ventre, nosso corpo não é para a fornicação. Nosso corpo é para o Senhor: o Senhor é para nosso corpo. Aqui nos é apresentado um argumento bem característico de Paulo, o qual julga tudo “em termos de Cristo”. Poder-se-ia ouvir que o Apóstolo condena a impureza colocando-se no plano moral, aquele da lei, dos vícios e das virtudes. Mas Paulo vê as coisas de um outro ângulo. “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo?” Então “Fugi da prostituição”. O jejum alimentar não é nem a única e nem a mais alta forma de jejum. A pureza sexual, a do coração e do pensamento, assim como a do próprio corpo é, segundo a condição de cada um, exigido de nós pelo Senhor de uma maneira imperativa.

Vejamos agora a idéia central desse Domingo. Ela está exposta no Evangelho que nos é lido durante a Liturgia: é a paráboça do filho pródigo. Entre as parábolas evangélicas, essa do filho pródigo (Lc. 15, 11-31) é talvez a mais conhecida, a mais familiar. Ela é, seguramente, uma das mais tocantes. Pode ser que não reconheçamos onde está o centro dessa paráboça. Esse centro está na mudança de espírito do jovem que deixou o pai, dissipou seus bens numa vida de dissolução, passou fome, invejou as bolotas que os porcos comiam, e decidiu partir e retornar à casa do pai. Certas as palavras do jovem: “ Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: pai, pequei contra o céu e perante ti, já não sou digno de ser chamado teu filho”. Essas palavras contêm uma impressão profundamente comovente de arrependimento. A resolução do filho pródigo: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai....” enfatiza a importância do ato enérgico, o ato da vontade (não podemos ir ter com o Pai se não nos levantamos e partimos). A pessoa central da parábola é o Pai. Com Ele estamos na presença de uma bondade que espera, que vigia, que espreita o retorno do filho pródigo e que, vendo-o ainda longe, não se segura mais, e corre para Seu filho, lança-se ao seu pescoço e beija-o. E o Pai, sem dirigir nenhuma condenação ao filho, ordena que lhe ponham no dedo o anel (símbolo de herdeiro), nós pés, alparcas (símbolo do homem livre, diferente do escravo) e que matem o bezerro cevado para festejar. Faz trazer o “melhor vestido” e reveste o filho; chamemos a atenção que não se trata do melhor vestido que o filho possuia antes de sua partida, mais o melhor vestido que existia na casa. Deus não dá ao pecador arrependido simplesmente a graça que ele tinha antes de pecar. Ele concede a maior graça que o pecador arrependido possa receber, um máximo de graça.

A história do filho pródigo é a nossa própria história. A partida voluntária, a vida culposa, a depressão, o arrependimento e o perdão: nós já vivemos tudo isso e quantas vezes! Estejamos atentos ao papel que desempenha um terceiro personagem: o irmão mais velho do filho pródigo. Na parábola, esse personagem se mostra invejoso de seu irmão. Ele se irrita com o perdão dado generosamente. Ele se recusa, apesar das instâncias do Pai, a tomar parte nos festejos. É o contrário do que se passa no verdadeiro retorno do pecador. Todo filho pródigo que retorna é incitado ao regresso pelo filho primogênito, a quem o pai diz: “filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas”, pois o verdadeiro e único primogênito é o Senhor Jesus Cristo, que toma o pecador pela mão e o conduz ao Pai com ardente afeição.

As Vésperas e Matinas desse domingo contém passagens que comentam eloqüentemente os ensinamentos da parábola. Eis alguns:

“Tendo dilapidado os dons paternais, eu, o infeliz, pastei com as bestas mudas e, tendo fome, desejei seus alimentos.... Eis porque retornarei à casa de meu Pai, chorando e lhe dizendo: recebe-me como a um de Teus servos, eu que me ajoelho diante do Teu amor pelos homens... Ó Salvador condescendente, tem piedade de mim, purifica-me... e concede-me de novo o melhor vestido de Teu reino”.


Nosso objetivo, irmãos, é compreender o poder desse mistério. Pois quando o filho pródigo afasta-se do pecado e retorna o refúgio paterno, seu pai bondoso o abraça e devolve-lhe todas as insígnias de glória.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

OrtoFoto

Monje, Montenegro
autor: Željko Šapurić

Nártex

Do grego νάρθηξ, em eslavão pritvór. Um vestíbulo na parte ocidental da igreja. Em alguns mosteiros, o ofício de Completas é normalmente feito lá e, às vezes, o Ofício da Meia-noite e as Horas. A Lítia nas Grandes Vésperas das Vigílias das Grandes Festas é feita no nártex. Nos primórdios do Cristianismo os lapsi, os penitentes e os catecúmenos permaneciam no nártex, os catecúmenos após sua despedida da Liturgia. Por isso certos ofícios, ou parte deles, eram celebrados no nártex para que este grupo de pessoas pudesse participar, ouvindo os Salmos, as orações e também rezassem.

*Os lapsi eram cristãos que temendo pela vida ou por medo das torturas renegavam o Cristianismo, mas ao final das perseguições pediam o reingresso na Igreja. O retorno dos lapsi*, foi durante muito tempo tema polêmico no seio da Igreja, dando margem a discussões inflamadas, por fim, a Igreja decidiu aceitá-los de volta depois de um período de penitência.