sábado, 9 de fevereiro de 2008
Litania
Do grego συναπτή, έκτένια ou έκτένής, em eslavão ekteniyá. Uma forma de oração, com uma série de súplicas, orações, petições, louvações curtas entoadas pelo diácono ou presbítero em que se conclama os fiéis a rezar para várias intenções. Intercaladas com cada súplica o coro e povo respondem: “Kyrie, eleison” (Senhor, tem piedade) ou “Concede, Senhor”. Na maior parte dos casos o presbítero lê em voz baixa uma oração e ao final exclama em voz alta a ecfonese (do grego έκφώνησις, em eslavão vózglas) em louvor da Santíssima Trindade com a qual a Litania é concluída. Litanias ocorrem em todos os ofícios litúrgicos ortodoxos. Os principais tipos de Litania são:
- Litania pela Paz ou Grande Litania.
- Pequena Litania, de diversos tipos com ecfoneses próprias.
- Litania pela Igreja.
- Litania pelos defuntos.
- Litania pelos catecúmenos.
- Litania de Súplica.
- Litania Fervorosa.
- Litania pelos fiéis.
- Litania de preparação para comunhão.
- Litania de Ação de graças.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Laudes
Compostas pelos três últimos Salmos do Saltério 148, 149 e 150, que são lidos ou cantados, dependendo do Típikon, antes da doxologia em Matinas, que possuem teor laudatório; a palavra louvor aparece repetidamente. Dependendo da categoria da festa poderão ser cantados 4, 6, 8, 10 ou mais estikera entre os versículos do Salmo 150. Aos domingos canta-se, normalmente, 8 ou mais estikera.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
"Em busca da felicidade"
Cada um de nós deseja para si a benção da felicidade. Deus nos deu a Terra para uma feliz permanência nela, para que nós vivamos em estado de graça, para que nós participássemos da glória de Deus. Porém freqüentemente somos obrigados a ouvir que a nossa vida não nos traz nenhuma alegria. Um dia após o outro nós acordamos, trabalhamos, cansamos, sempre a mesma coisa se repetindo, tudo nos cansa, é chato e tão cinza ao redor. De fato, se nós prestarmos atenção, nós trabalhamos o dia todo, ficamos preocupados, estressados, magoados, brigamos por causa de bobagens e sentimo-nos infelizes, inúteis e solitários. Dessa forma nós tornamo-nos verdadeiramente infelizes, pois somos escravos de coisas e vivemos mecanicamente e nos subordinamos a uma interminável corrente de fatos. Toda a nossa energia é colocada em coisas insignificantes, que hoje existem e talvez amanhã não existam mais.
A transitoriedade de nossa vida com suas mágoas, julgamentos e invejas, nós consideramos como nossa vida verdadeira. Irritando-nos e magoando-nos nós perdemos a paz interior em nosso coração e submergimos na escuridão. Para nós tudo é desagradável, os amigos parecem inimigos, até a luz do sol parece que não nos ilumina e os pássaros não cantam para nós. Neste estado está escondida de nós mesmos a fonte de nosso bem, de nossa alegria. Nós não conseguimos enxergar nada de bom dentro de nós e nem nos outros. Tudo para nós parece ruim. Por que isso acontece? O que está estragando a nossa vida? Nós estamos vivendo com um coração obscurecido. Nós aceitamos a posse temporária de nós pelas forças escuras — este estado em pecado de nossa alma — na realidade, por nossas culpas. Nós andamos na escuridão e quem anda na escuridão, tropeça. Colado a nós está o pecado e o mal: através da irritação, críticas, raiva e que nos tiram a paz. Relacionando-se com outras pessoas sem paz no íntimo, nós despertamos um estado de conflitos e estranhamento uns com os outros. Sentindo conflito, nós nos sentimos mal, infelicidade e de fato sofremos.
Onde está nos dias da semana o estado de graça e a alegria? Como iluminar a nossa vida? Como achar o caminho para a luz? Deus é a fonte da luz e da alegria, enquanto o mal nos traz a escuridão. Nós nos tornamos escravos do mal. O mal atrai a escuridão para o nosso coração e na escuridão nós enxergamos a vida erradamente. A escuridão de nosso coração distorce a nossa vida. Nós damos passos errados, falamos o que não devíamos, fazemos movimentos inadequados, até não enxergamos mais a aparência real das outras pessoas e avaliamos as pessoas incorretamente, acreditando que o seu estado de espírito temporário é de fato o definitivo. Aceitando a aparência como se fosse realidade, nós nos encontramos num estado que nos leva a uma infelicidade mútua e conflitos. Nossos longínquos antepassados foram criados sem pecado. Desde os tempos do pecado original, parece que o pecado faz parte do nosso estado natural, cola-se a nós e nos mantém como seus escravos. Tudo em nós vem misturado com o pecado e com o pecado nós perdemos a alegria da vida.
Nossa vida tumultuada é o caminho para a vida real de fato. Vamos transformar os meios em metas. Nossos passos reais, oriundos do irreal, carregam consigo o mal, a tristeza e o sofrimento. Nós caminhamos como se estivéssemos dormindo e submersos na escuridão dos pecados e tentações, olhamos e enxergamos somente a escuridão. O demônio impede-nos de ver a luz. Nós nos transformamos em armas cegas das forças escuras, daí sofremos. Nós nos tornamos não criadores da vida, mas seus escravos.
Como fazer? É necessário abrir os olhos. Conquistar e receber a graça do bem — é um fato possível. É necessário apenas esforçar-se para receber estas preciosidades. Este é um tesouro dentro de nós e ao redor de nós.
Nós queremos viver felizes e bem. Mas o que nós fazemos para conquistar isso? Até as orações matinais e noturnas não descortinam perante nós o nosso estado lamentável. É indispensável, que nós entremos no significado das orações e então encontraremos a consciência de nossos pecados e a certeza da misericórdia de Deus. Essas orações determinam toda a nossa vida e atividade e apontam o que devemos fazer e o que devemos evitar.
Nas orações noturnas e matinais nós estamos frente à face de Deus e examinamos a nós próprios. Essas orações nos mostram para nós mesmos. É importante que aquele pouco que é destinado a nós durante o dia, nós iluminemos com a razão de Deus.
Nossa alma existe para a eternidade e nós simplesmente não nos preocupamos com ela. Nós nos esforçamos em conquistar os mais diversos tesouros, menos o tesouro da eternidade. Nós somos maus negociantes e valorizamos muito pouco nossa alma. Mas não existe nada mais precioso que a nossa alma. Nós adquirimos somente o que não tem nenhum valor na eternidade, porém aquilo que é valioso na eternidade nós não adquirimos. Isso acontece porque, tudo em nós é confuso, todas as preciosidades desequilibradas: o pecado obscureceu nossa mais verdadeira harmonia das coisas. Quando nós de fato percebermos toda a ilusão e erros de nossa vida, então ocorrerá de verdade um ótimo acordo. O ser humano frente à luz de Deus começa a colocar ordem no tumulto de sua vida e esforça-se em direção ao bem e o eterno.
É importante para que cada dia não se encaminhe vazio para a eternidade; é necessário achar preciosidades no dia-a-dia de nossa vida. Cada dia nos é dado para extrairmos um mínimo daquela benção, daquela alegria, a qual na realidade é a eternidade e a qual irá conosco para a vida futura. Para extrairmos preciosidades de cada um dos dias, é necessário relacionarmo-nos criativamente com cada momento de nossa vida. Com criatividade nós podemos superar nossa inércia, livrarmo-nos da escuridão e das tentações que nos dominam. A vitória sobre o pecado leva a uma alegre percepção da vida, conhecimento de Deus e trás junto de nós a experimentação da real vida para a qual foi destinado o ser humano.
Como se aproximar desta vida criativa? A fonte de nossa vida é o coração. Nosso coração é a arena da luta do demônio com Deus e esta luta acontece a todas as horas e a cada minuto. É necessário o tempo todo com muita atenção sentir o coração, perceber as intenções do demônio e combatê-las. Então nós teremos um relacionamento criativo com cada momento de nossa vida. Nós o tempo todo estamos na divisa entre o bem e o mal. Em nossa vontade está inclinarmo-nos para o bem, ou fracos e sem forças submetermo-nos ao mal. O demônio quer nos dominar, mas nós devemos resistir a ele. O demônio nos empurra ao pecado com aparência de bem e nos estimula a coisas, que não são o bem para nós. Ele sob a imagem de felicidade nos empurra para o pecado.
Em cada ser humano há mais bem do que mal, só que o bem está misturado com o mal. Vocês vão dizer para mim: “Mas, como é isso? Por que nós vemos nos outros tanto mal? Um mar inteiro de mal.” O mal está sempre se esvaindo de nós, fica evidente aos nossos olhos, porém o bem está oculto em nós, não está reunido. O mal é agressivo, o bem é modesto. O mal é a escuridão, o pecado, a nossa fraqueza, desunião, infelicidade, morte. O bem é a luz, a união, força, ímpeto, alegria, a vida da alma.
É possível iluminarmos o apático passar de cada dia e horas, fazê-lo alegre, se nós extrairmos da vida o bem, a luz e o calor. Eu devo direcionar corretamente a minha atenção na vida que me rodeia. Se eu conduzir minha visão interna para a luz, então eu a vejo. A atenção concentrada é o maior ato da vida espiritual. Lute, reaja, obrigue-se a encontrar a luz e você a verá. Foi dito: “...Buscai e achareis” (Mateus 7:7). Nosso ser em seus dois terços é repleto de luz, porém essa luz interna não se revela somente a partir de nosso desejo. Vencendo a escuridão, nós trazemos luz ou Deus para o nosso coração. Esse momento já não é mais passivo, mas criativo. É necessário revelar-se criativo. Criando uma nova vida, nós podemos tocar a Fonte da luz, que a tudo ilumina.
O bem é eterno e vindo de Deus a Ele retorna. Esse movimento do bem na direção de Deus é a existência do Reino dos Céus na Terra. É necessário fazer força em relação ao bem e o bem irá na nossa direção. Eu caminho na direção do Deus Pai e o Deus Pai está vindo na minha direção (parábola do filho pródigo). Expulsando o demônio de nosso coração, nós liberamos lá um espaço para Deus. Deus entra em nosso coração e reina nele, com o que se estabelece o Reino dos Céus. Ele é uma benção real na Terra — essa alegria vem pelo Espírito Santo. Então em nós descortina-se a vida celeste e o ideal se torna real. Nós rezamos: “e venha a nós o Vosso reino” — pois isto é um fato real. A permanência no combate com o pecado é um estado na luz, na santidade, que tem como fonte o Espírito Santo que vem da Fonte da Luz — Deus. Por isso o apóstolo Paulo determina que “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça e paz e gozo no Espírito Santo” (Romanos 14:17). Neste estado o ser humano une-se a Deus e sente a alegria pelo Espírito Santo com todo o seu ser. Isso é porque o ser humano está voltando para Deus — seu Pai, e o seu lar.
A felicidade não pode ser obtida desrespeitando as Leis da vida, através do pecado. Como então começar a combater o pecado? É necessário encontrar a força necessária, que destrói e enfraquece o pecado. É necessário unir-se com a fonte da força do bem — Deus — rezar a Ele pedindo ajuda a nós, pois a força que nos domina enfraquece nossas tentativas e sem a ajuda de Deus nós não temos condições de alterar nossa natureza pecaminosa.
Deus está sempre perto, imediatamente vem ao nosso encontro e nos ajuda. Por meio de uma pequena súplica a Deus, com as palavras: “ Senhor, me ajude,” no instante que estamos reféns da força escura, nós da não existência para a existência clamamos pela nossa vida. Voltar-se para Deus é um ato de vontade, dirigido a Fonte da luz. O pensamento de voltar-se para Deus no momento de escuridão no coração: (irritação, raiva, inveja ou outra tentação qualquer), demonstrada pelas palavras: “Senhor, me ajude,” atravessa o espaço entre a Terra e o céu. No momento do chamado, de lá do Céu, invariavelmente vem a força necessária ao coração e que por uma luz dispersa a escuridão. O pensamento em Deus é a ação do Espírito Santo em nós. Chamando por Deus, nós através da vontade nos encaminhamos para uma nova parte da existência, o que já é um esforço especial, mas ele, o pensamento, vem junto com a luz de Deus. Voltando-nos para Deus — com a Palavra, nós recebemos em resposta a luz Divina, que surge como uma estrela condutora em nossa vida. Essa Luz desperta a vida — a energia do bem e então o ser humano cria condições para germinar nesta terra indiferente e congelada.
O momento quando chamamos o nome de Deus é o condutor da luz para dentro de nossa alma. Parece uma coisa pequena falarmos: “Deus me ajude,” mas perante nós é como se abrisse o céu expondo a morada de Deus e lançando luz, transfere-se a nós, enquanto nós mergulhamos na eternidade. A própria eternidade penetra em nossa vida, como que num momento, nos aproximando da fonte de luz. Esta luz colhe em nós as sementinhas do bem — no caos existente entre o bem e o mal, característico da nossa vida habitual. Deus começa a reinar em nosso coração e com isso estabelece-se o Reino de Deus — a alegria e a paz.
No processo da luta com o pecado é como se nós renascêssemos: de irritadiços tornamo-nos calmos, de avarentos — generosos, de maus — bons, de cruéis — bondosos, de atormentados — ponderados. Em nós surgem novos sentimentos e preocupações. Em nós abre-se a visão. A escuridão de nosso coração é trocada pela luz e isso é um milagre que vem através da força de Deus. Isto é renovação, o afastamento do antigo ser humano (pecaminoso) e a construção do novo — nova criatura — transformada. O eterno, o celeste entra em nossa vida e nós exatamente com isso entramos na eternidade. Ao ser humano é dada uma força imensa - com a ajuda de Deus para transformar a vida de pecado numa nova, construir o Reino de Deus na Terra. O Espírito Santo começa a agir em nós, e o fruto do Espírito: “...a caridade, o gozo, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a longanimidade, a mansidão, a fidelidade, a modéstia, a continência, a castidade...” (Gálatas 5:22). Cada ser humano então se torna como que milagroso, pois vencendo o pecado, ele faz um milagre, encontrando dentro de si, Deus. Nós começamos a perceber toda a miragem que antes envolvia nossa vida.
Sem chamarmos a Deus e seguí-Lo nós não conseguiremos escapar da escravidão das coisas e situações, das quais tornamo-nos servos. É necessário o mais freqüentemente possível iluminar nosso cotidiano com a luz de Deus, como que abrindo uma janelinha dentro do céu, para que a luz do céu derrame-se para dentro de nosso coração. Quanto mais nós tivermos momentos assim luminosos, mais freqüentemente a nossa vida será iluminada com a luz de Deus. O mundo irá adquirir a sua beleza verdadeira e o ser humano a sua vida real e desfrutar a alegria da vida. O cristianismo não é a religião do sofrimento, mas a religião da alegria e bênçãos. O apóstolo Paulo diz: “Estai sempre alegres” (Tessalonicences 5:16). Isso é o começo daquela benção da qual se diz: “Nem o olho o viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no coração do homem, o que Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Corifeus 2:9).
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Kontakion
Kontakion (do grego κοντάκιον, de κοντός, estaca, haste, bastão: pergaminho enrolado em um bastão; plural κοντάκια, kontakia). Originalmente o kontakion era um longo poema, destinado a ser cantado na igreja. Ele consistia de uma curta estância preliminar seguida de 18-24 estrofes, cada uma delas conhecidas como ikos (do grego οίκος): a estância preliminar e cada ikos concluídos com o mesmo refrão. Com o passar do tempo o kontakion foi substituído pelo cânon, e nos livros litúrgicos hoje tudo o que permaneceu foi a breve estância preliminar (para a qual o título kontakion é agora particularmente associado), seguido do primeiro ikos. Estes são encontrados nas odes seis e sete do cânon em Matinas. O kontakion sem o ikos é também lido ou cantado na Liturgia após a Pequena Entrada e durante as horas canônicas. O mais famoso dentre os autores de kontakia é São Romano, o Mélodo (†556). Os kontakia do Menaia para o ofício do dia, ou para o ofício da Ressurreição aos domingos, são uma das partes variáveis das Horas. Os kontakia são uma das partes variáveis na Liturgia sendo cantados após a Pequena Entrada e os troparia.
às
19:20
Panikida
Ofício fúnebre que pode ser realizado após o nono dia de falecimento do fiel até o quadragésimo dia após seu falecimento, depois deste período a Igreja reserva vários dias ao longo do ano para a memória dos defuntos, para intercessão junto a Deus pelo descanso e salvação de suas almas. A Panikida constitui um ofício específico para a memória dos defuntos, além dela existem, também, dentro da Sagrada Liturgia uma Litania pelos defuntos e um ofício de Matinas com Litanias pelos defuntos. Tais Matinas são celebradas aos sábados da Grande Quaresma e em outros sábados do ano.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Katavásia
Do grego καταβασία, de καταβασίνω, desce, vai abaixo. Estância de fechamento em uma ode. Às vezes o irmos é repetido como katavásia (quando há vários cânones, o irmos do último cânon); mas aos domingos e certas festas a katavásia ao final de cada ode é especialmente indicada (ver Cânon). Aos domingos e festas há katavásia (plural katavasiae) no final de cada ode, mas nos dias ordinários de semana, apenas no final da terceira, sexta, oitava e nona odes. Katavásia é assim denominada, por que originalmente os membros do coro desciam de seus lugares e ficavam em pé no centro da igreja a fim de cantá-la.
















