“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

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Mosteiro de Yuryev
autor: Denis Makhanko

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Idiomélio

Do grego idiomelon de idio, próprio, e melon melodia, tom (plural idiomela). É um estikério que originalmente, tinha seu próprio tom, e não seguia nenhum outro. São encontrados, geralmente, nos ofícios das Grandes Festas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

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autor: Alicja Ignaciuk

Oração de São Simeão, o Novo Teoólogo

Meu Deus, porque gostas de perdoar,
faze crescer em mim o brilho
de Tua luz inacessível,
para encher de alegria o meu coração.
Ah! Não Te irrites, não me abandones,
mas faze minha alma resplandecer
de Tua luz,
porque a Tua luz és Tu mesmo,
ó meu Deus!
Afastei-me do caminho reto e divino,
lamentavelmente caí da glória
que me fora dada.
Fui despojado da veste luminosa e divina,
caí nas trevas e nelas estou caído,
e não sei que estou privado de luz.
Mas Tu que és todos os bens,
Tu os dás, incessantemente, aos Seus servos,
aos que vêem a Tua luz.
Quem possui, possui tudo,
realmente, em Ti.
Que eu não fique privado de Ti,
Mestre e Criador!
Humilde estranho que sou, ó Misericordioso.
Põe-me junto de Ti,
mesmo se pequei mais que todos os homens.
Acolhe minha oração como a do publicano,
como a da prostituta,
mesmo se eu não choro como chorava ela,
mesmo se não te enxugo os pés
da mesma maneira
e se não gemo nem me lamento
do mesmo modo.
Tu és a fonte de piedade, manancial
de misericórdia, rio de bondade.
A esses títulos, tem piedade de mim!
Tu que tiveste as mãos
e os pés pregados à cruz
e Teu lado aberto pela lança,
ó Senhor tão compassivo,
tem piedade, tira-me do fogo eterno,
faze que Te sirva como devo,
não mereça condenação,
mas seja acolhido em Teu festim de bodas,
onde partilharei de Tua felicidade,
meu bom Senhor,
na alegria inexprimível,
por todos os séculos. Amém.

domingo, 20 de janeiro de 2008

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The Kiev caves
autor: Saida Afonina

sábado, 19 de janeiro de 2008

Iconostase


Do grego είκονοστάσιον. Uma parede ornamentada com ícones separando o santuário do corpo da igreja, e aberta por três portas. Nos tempos primitivos, a Iconostase era provavelmente uma tela colocada na parede no extremo oriental da igreja (uma tradição ainda preservada na Rússia pelos velhos crentes ou velhos-ritualistas*), mas posteriormente foi trazida da parede para frente como uma barreira entre a Nave e o Altar, com a abertura de cortinas tornando o Altar visível ou invisível, anteriormente somente cortinas separavam o Altar da Nave, tais cortinas remontam ao templo de Jerusalém, quando estas separavam o Santo dos Santos do restante do templo. Somente bem mais tarde depois do 7º Concílio Ecumênico e do ano 843 quando cessaram definitivamente as polêmicas iconoclastas e, principalmente, depois da queda do Império Bizantino (século XV) é que a Iconostase toma a forma parecida com a atual.


Os Santos Padres da Igreja previram o prédio da igreja como consistindo de três partes místicas. Assim, de acordo com São Simeão, o Novo Teólogo “o vestíbulo, corresponde à terra, a nave corresponde ao céu, e o santuário, ao que está acima dos céus”. Seguindo estas interpretações, a Iconostase possui, também, um significado simbólico. É como se fosse o limite entre dois mundos: o Divino e o humano, o eterno e o transitório. Os santos ícones indicam que o Salvador, Sua Mãe e os Santos, de quem eles representam habitam tanto no Céu como entre os homens. Assim, a Iconostase, tanto separa o Mundo Divino do mundo humano, quanto une estes dois mundos num todo – um lugar onde toda separação é superada e onde a reconciliação entre Deus e o homem é conseguida. Situando-se no limite entre o Divino e o humano, a Iconostase revela, por meio de seus ícones, os caminhos para esta reconciliação.


As portas centrais, duplas, com uma cortina, são conhecidas como Portas Reais por que através delas é que saem e entram os Santos Dons, o Santo Cálice com a Eucaristia (o Rei da Glória) e a Santa Cruz. As portas laterais são chamadas de porta norte e porta sul, ou portas de diácono e são ornamentadas com os ícones dos arcanjos Miguel (porta sul) e Gabriel (porta norte).


Uma Iconostase típica (russa) consiste de uma ou mais fileiras de ícones. No centro da primeira, a mais baixa, onde estão as Portas Reais, nas quais estão colocados os ícones dos quatro Evangelistas que anunciaram ao mundo a Boa Nova – o Evangelho – do Salvador. No centro das Portas Reais está o ícone da Anunciação da Santíssima Theotokos, já que este evento é o prenúncio e o começo da nossa salvação. Sobre as Portas Reais é colocado um ícone da Última Ceia já que, mais adiante no Altar, o Mistério da Santa Eucaristia é celebrado em memória do Salvador que instituiu este sacramento na Última Ceia.


De cada lado das Portas Reais estão sempre colocados o ícone do Salvador (à direita) e o da Santíssima Theotokos (à esquerda). De cada lado das Portas Reais ao lado dos ícones do Salvador e de Sua Mãe, existem duas portas - as Portas de Diácono – onde estão representados Diáconos ou Arcanjos – que sempre servem no Altar Celeste ou como o fazem, os Diáconos, no Altar terrestre durante os Ofícios Divinos. Mais adiante do lado do ícone do Salvador é colocado o da igreja, isto é, o ícone do Santo ou evento em honra do qual a igreja foi denominada e dedicada. Outros ícones de significância particular local são também colocados na primeira fileira, por esta razão a fileira inferior é comumente chamada de ‘ícones locais’.


*Cisma ocorrido dentro da Igreja Russa na metade do século XVII, devido às reformas promovidas pelo Patriarca Nikon (1605-1681), parte do clero (bispos e padres) não aceitou as mudanças. Infelizmente, este cisma perdura até os dias de hoje.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Horas Reais

Horas Reais ou Horas Canônicas Reais, semelhante em estrutura às Horas Canônicas, entretanto, possuem Salmos próprios e são acrescentados: um Prokimenon, uma incensação, leituras próprias do Antigo e do Novo Testamento e uma leitura de Evangelho, para cada uma das Horas Canônicas. Celebradas seqüencialmente e seguidas imediatamente pelo ofício de Típika como se fossem um só ofício, nas Vigílias da Teofania e do Natal, assim como na manhã de Sexta-Feira Santa. Assumiram esta denominação, pois no tempo do Império Bizantino era costume do imperador assisti-las de seu lugar exclusivo dentro da igreja.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

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A Bíblia e o Celular

Já imaginaram o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular?

E se sempre carregássemos a nossa Bíblia no bolso ou na bolsa?
E se déssemos umas olhadas nela várias vezes ao dia?
E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa ou no escritório... ?
E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos?
E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?
E se a déssemos de presente às crianças?
E se a usássemos quando viajamos?
E se lançássemos mão dela em caso de emergência?

Mais uma coisa:

Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela “pega” em qualquer lugar. Não é preciso se preocupar com a falta de crédito porque Cristo já pagou a conta, e os créditos não têm fim.

Texto retirado da internet, autor desconhecido

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Hipakoi

Do grego ύπακοή, de ύπακούω: escutar, dar ouvidos. Um tropário cantado em Matinas nas Grandes Festas e domingos:

  • Nas Grandes Festas (algumas poucas) ocorrem após a terceira ode do cânon, sendo às vezes, neste caso, designado por catisma-poético;
  • Aos domingos aparece no final da leitura do saltério (isto é, após o Evlogitaria da Ressurreição (tropários da Ressurreição) e Pequena Litania;
  • o Hipakoi de domingo também é lido no ofício da Meia-noite daquele dia, após o cânon à Trindade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

"Caminhando no Amor"

“Isto é amor; que caminhemos de acordo com Seus mandamentos. E este é o mandamento: como o tende ouvido desde o princípio, deveis nele caminhar”

Como é fácil dizer “eu te amo”! Mas, colocar seu amor em ação é um pouco mais difícil. Repare nas caminhadas de amor que fazemos liturgicamente: em volta das pias batismais, do tetrápode nas bodas, e em volta do altar nas ordenações. Sempre no sentido anti-horário, elas sumarizam o passado e seguem Cristo rumo ao futuro. Todas elas são repletas da alegria da antecipação, sinais da promessa futura. Ficamos felizes e desejosos de caminhar no amor expresso nas datas desses eventos únicos – isto é agradável. Mas, caminhar no amor e prosseguir com ele quando aquele que amamos está doente, aborrecido, ou passando por tempos difíceis – ficar com eles quando não estão com disposição para o afeto não é muito engraçado. Caminhar no amor em direção às casas de repouso e visitar os que não podem mais caminhar pode, por vezes, ser penoso. Ir ao tribunal com aquele que amamos, ou visitar os detentos, os hospitalizados, os que estão em privação e nos oferecer para dissipar a angústia de que sofrem requer um amor que nos é dado pela graça de Jesus Cristo por meio do Espírito Santo. Se você não estiver disposto a caminhar na e através da experiência de morte daquele que você diz que ama, você não atingiu o estado de amor pedido a um verdadeiro cristão.

Acompanhar alguém que amamos quando a polícia liga para comunicar um acidente com um membro da família dele, ou do hospital, quando alguém está em estado crítico – é aí que o amor é colocado em movimento. Caminhar no amor ao cemitério e lá estar quando os soluços e as lágrimas vêem, é caminhar no amor de Cristo com aquele que amamos.

Em nossos dias, vamos de carro para ficar com aquele que amamos, ou ficamos disponíveis perto do telefone para que ele ou ela saiba que está tudo bem nos visitar e conosco compartilhar seu estado emocional. Quando você caminha no amor, você dá sinais exteriores o tempo todo de que seu coração está aberto a visitas em qualquer horário. Não há horário executivo em que seu afeto não possa ser acessado. Você aprecia sua privacidade, contudo está pronto para colocá-la de lado sempre que aqueles que você ama precisam de conforto, ânimo ou afeto.

Quando você diz “Eu te amo”, se isto não quer dizer que você está preparado para entrar de boa vontade em qualquer situação, então você está colocando fronteiras e limites ao seu amor. O amor incondicional, imitando o amor de Jesus Cristo por todos os filhos de Deus, é o que o evangelista São João quer dizer em sua breve carta aos verdadeiros cristãos. É diferente do amor que aparece na maioria das canções populares, romances escapistas e artigos sobre celebridades. O amor cristão transcende a expressão sexual do amor, apesar do ardor da sensualidade. Quando contemplamos o nosso amoroso Senhor Jesus no crucifixo que usamos no pescoço ou penduramos nas paredes de casa, começamos a compreender as implicações do verdadeiro amor. Se não formos capazes de contemplar a resposta dos Santos ao Seu amor, caminhar com Maria Madalena e com as outras Miróforas ao sepulcro no dia da ressurreição, ou com a Santa Mãe de Deus e o próprio autor das palavras sobre o caminhar no amor, tal como ele fez com ela para ver Aquele que amavam ser morto de forma tão agonizante, deveríamos compreender que estamos longe de sermos capazes de compreender as implicações do caminhar no amor. Se este for o caso, então a nossa definição da caminhada no amor está mais próxima daquilo que o mundo diz a respeito daquilo que o evangelista está dizendo.

Boletim Interparoquial, dez 2007

domingo, 13 de janeiro de 2008