terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Oração da Protese
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Mensagem de Natal do Santo Sínodo de Bispos da Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia
“Ó Cristo, o que Te oferecer como presente por ter aparecido na terra na nossa humanidade? Cada uma de Tuas criaturas, na verdade, expressa a sua ação de graça, trazendo para Ti, os Anjos, os seus cantos, o Céu, uma estrela, os Magos os seus presentes, os Pastores, a adoração, a Terra, a gruta, os campos, a manjedoura, e nós mesmos, uma Mãe Virgem, Deus anterior aos séculos, tenha piedade de nós”. (Estiquera das Vésperas do Natal)
O Senhor Jesus Cristo com seu amor e bondade ilimitados para com o gênero humano, desceu à terra do Trono de Glória de Seu Reino. Aceitou nossa natureza, de modo a unir em si duas naturezas distantes – céu com a terra, anjos com os homens, “a fim de criar em si mesmo um só Homem Novo, estabelecendo a paz; Assim, ele veio e anunciou a paz a vós que estáveis longe e paz aos que estavam perto, pois, por meio dele, nós, judeus e gentios, num só Espírito, temos acesso ao Pai”. (Ef 2, 15, 17-18).
Irmãos e Irmãs! O Santo Profeta David nos convoca: “Vinde cantemos ao Senhor: cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação”. (Sl 95, 1). Este apelo é para nós particularmente adequado nestes dias santos do Santo Nascimento de Cristo. Em nossas igrejas ecoa o cântico angélico: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa-vontade” (Lc 2, 14), tal cântico ressoava junto à manjedoura de Cristo, enquanto nosso pensamento transporta-se para a humilde gruta, onde Cristo nasceu.
São João Crisóstomo fala, que a Festa do Nascimento de Cristo, para o homem, encontra-se no centro das outras festas. Sem Seu Nascimento não haveria nada do que resultou do salvífico acontecimento na história do mundo, que chamamos de Encarnação de Deus. Sem o Nascimento de Cristo não teria havido a Cruz e nem a Ressurreição, coroando o mistério da economia da nossa salvação.
Irmãos e Irmãs! O Cristo Salvador nos trouxe o dom do entendimento e do conhecimento pela fé. A profunda escuridão da ignorância sobre Deus revestia o mundo até Sua chegada na terra. O homem criado por Deus, traiu a glória do ser humano indestrutível. Cometendo o delito da desobediência, no paraíso, rejeitou o Criador e o Seu chamado. O homem perdeu com isso, também, seu estado natural, decaiu em estado de pecado, sendo este estado contrário à natureza. O Cristo Salvador pela Sua Encarnação restitui ao homem a possibilidade de retorno não apenas ao primitivo estado paradisíaco como também dá a ele a perspectiva de alcance de um estado supranatural de união com Deus. O Nascimento de Cristo mostra ao mundo a verdade consoladora: Deus com seu amor desce dos céus para a criação decaída, para cada um de nós. O Amor Divino faz ao fiel com que: “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!”. (Rm 8, 38-39)
Irmãos e Irmãs! Regozijando-se com a alegria que flui da Festa do Nascimento de Cristo, agradeçamos ao Deus Altíssimo por todas as graças e bens, que concedeu à nossa Igreja e a cada um de nós no ano que terminou.
Para a nossa Igreja foi um tempo de momentos espirituais incomuns. No aniversário de 60 anos da “Ação Vístula” oramos ao Filho de Deus Encarnado pela paz da alma de nossos antepassados, que deram suas vidas pela fé ortodoxa. Graças à perseverança deles, pela sua fé e pelo exemplo de ilimitado amor à Igreja podemos hoje continuar testemunho da Santa Ortodoxia. Oramos também por aqueles, que sobreviveram e conservaram a Santa Ortodoxia até hoje.
O Senhor nos fez, também, dignos de especial alegria – as relíquias de Santa Catarina de Alexandria, que vieram para nós do Monte Sinai santificaram nossa Igreja. Estas relíquias estão conosco no Santo Monte de Grabarka, que no dia da Festa da Transfiguração do Senhor completou 60 anos de fundação do mosteiro feminino das Santas Marta e Maria.
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Na tradição da nossa Igreja a Festa do Nascimento de Cristo possui um caráter familiar. Dirigimos nossa especial atenção para a família cristã ortodoxa, que hoje freqüentemente cai vítima das doenças dos nossos tempos e da dissolução. Lembremo-nos, que a saudável família ortodoxa como “Igreja doméstica” é a base e o berço para a adequada preservação da futura geração e fonte de amor à Igreja. Na família repousa a grande responsabilidade diante de Deus e da comunidade para a conservação da fé ortodoxa, sua língua, cultura e costumes.
Irmãos e Irmãs! Apelamos às famílias ortodoxas para o aprofundamento do nosso trabalho em favor da Igreja doméstica e da Igreja geral, para o desenvolvimento espiritual e o não enfraquecimento em nossas lutas.
Que a luz da doutrina de Cristo multiplique-se em nossos corações, atue e traga frutos, eternos e imutáveis da base da vida: paz, amor, boas obras, justiça e santidade. O Senhor diz: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente serei meus discípulos” (J 8, 31)
Cumprimentamos o venerável clero, monges, jovens, e crianças e todos os fiéis da nossa Igreja na grande Festa do Nascimento de Cristo e no Ano Novo de 2008, e junto com todos vocês pedimos ao Senhor, que nos dê no Ano Novo as suas bênçãos e nos favoreça com seu amor.
Junto à manjedoura do Deus-Menino levemos nestes dias santos nossas orações pela prosperidade das Santas Igrejas de Deus, e pedido de bênção para todas os nossos bons intentos, pelo afastamento de nós de toda tristeza, infelicidade, ira e necessidades, de modo que possamos perseverar em todos os dias com um fé inabalável, boa saúde, amor, trabalho e paz.
E que um “espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11, 2) esteja com todos vocês. Amém!
Humildemente:
+ Simeão, Arcebispo de Lodz e Poznan
+ Adão, Arcebispo de Przemysl e Novo Sacz
+ Jeremias, Arcebispo de Wroclaw e Szczecin
+ Abel, Arcebispo de Lublin e Chelm
+ Mirão, Bispo de Hajnówka
+ Tiago, Bispo de Bialystok e Gdansk
+ Gregório, Bispo de Bielsk Podlaski
+ Jorge, Bispo de Siemiatycze
+ Paísios, Bispo de Piotrkow
às
12:00
Marcadores: Notícias da Eparquia
domingo, 6 de janeiro de 2008
“As oito maneiras as quais o demônio tenta o homem"
À ocasião de uma visita de um Padre vindouro da Sérvia (Padre Athanasije Jevtich, hoje Bispo resignado na Bósnia-Herzegovínia) ao Mosteiro de Sihastria, o Arquimandrita Cleófas responde acerca das oito maneiras as quais o demônio tenta o gênero humano sobre a via da salvação: “Pelas costas, pela face, à esquerda, à direita, por baixo, por cima, do interior e do exterior”.
1. Pelas costas, o demônio tenta o homem quando este traz, então, à memória, constantemente, os pecados e as más ações cometidas no passado, repassando-as na sua consciência e examinando-as atentamente, refugiando-se no desespero ou no deleite.
2. Pela face, o homem é habitualmente tentado pelo temor do futuro que lhe é revelado: O Homem? O Mundo? Tempo de vida? Saúde? Doenças e enfermidades? Privações? Guerras? Eventos e acontecimentos importantes e perigosos? Esta tentação manifesta-se geralmente por estas suposições, previsões e profecias, assim como, por tudo aquilo que provoca em nós este temor pelo porvir. É uma tentação maligna do diabo, que lança esta dúvida turva na alma do homem.
3. À esquerda, o homem é tentado pelo demônio que o incita ao pecado direto, às ações ou acontecimentos, os quais ele próprio sabe que são pecados, mas apesar de tudo, realiza-os. Esta é a tentação pela inclinação aberta ao pecado; a tendência direta e intencional ao pecado.
4. À direita, a tentação do demônio produz-se sob duas formas. Primeiramente, quando o homem pratica boas ações; realiza boas obras, porém com maldade, intenção ou objetivo malicioso. Como, por exemplo, quando o homem faz o bem, age bem, mas por amor à vã-glória a fim de receber elogios, gloriando-se em vantagem. Ou, ainda, quando ele pratica o bem por vaidade, interesse. As boas obras – como, por exemplo, o jejum e a esmola – realizados por um mal objetivo, são ações pecadoras e nocivas. Os Santos Padres os comparam a um corpo sem alma, no sentido onde o objetivo pelo qual fazemos o bem é a alma deste bem e a obra, ela mesma, o corpo. Outra forma de tentação diabólica proveniente do lado direito produz-se por diversas aparições ou visões; quando o homem acolhe a aparição do demônio sob o aspecto de Deus ou de um Anjo de Deus. Esta confiança as aparições é chamada pelos Padres de confusão, ilusão.
5. Por baixo, o homem é tentado pelo demônio, quando podendo realizar boas ações e praticar santas virtudes, ele não as conclui por falta de vontade; quando ele sabe e pode fazer esforços e obrar para, espiritualmente progredir (nas virtudes e nas boas ações), no entanto, não o faz ou encontra justificativas para a sua condição adotada. Este homem falha espiritualmente e realiza muito menos, em relação aquilo que poderia, em verdade.
6. A tentação que vem por cima produz-se, igualmente, sob duas formas. Primeiramente, quando o homem empreende obras espirituais superiores à sua capacidade, realizando, desta forma, esforços anormais. Isto acontece, por exemplo, quando alguém estando doente põe-se a jejuar, ou, geralmente, quando exagera no labor espiritual, depassando suas forças tanto corporais como espirituais. Tal obstinação é sinal de ausência de humildade e de uma confiança, sem medidas, em si próprio. A segunda forma produz-se quando o homem deseja penetrar os mistérios da Santa Escritura – e, mais, geralmente, os mistérios divinos – de uma forma não proporcionada à sua estatura espiritual, quer dizer, quando ele quer elucidar e comentar, ele mesmo, os mistérios de Deus nas Santas Escrituras (ou em relação aos Santos e, em geral, no mundo e na vida) ensinando-os, em seguida, aos outros, sem ter, no entanto, atingido conhecimento e experiência necessários. Os Santos Padres comparam tal homem àquele que almeja moer ossos com dentes de leite. Acerca deste tema nos fala São Gregório de Nissa em sua obra A Vida de Moisés: “Deus ordenou aos israelitas, enquanto imperfeitos, de comerem somente a carne do cordeiro pascal (que é tenra para os dentes) com ervas amargas; concernindo os ossos do cordeiro, Ele ordena-lhes de nem comê-los, nem quebrá-los, mas queimá-los no fogo (Livro do Êxodo)”. Isto significa que, das Santas Escrituras (e, em geral, da nossa Fé em Deus) devemos somente comentar os mistérios que estão espiritualmente ao nosso acesso, devendo comê-los (assimilá-los) com ervas amargas, quer dizer, com tudo que a vida nos aporta de sofrimentos e amarguras. Quanto aos grandes mistérios, elevados e profundos das Escrituras Sagradas, da ciência divina, que como ossos duros, não se comem com dentes de leite, eles não se consomem que no fogo, eles só podem ser alcançados por aqueles que já atingiram a maturidade espiritual, cujas almas são provadas e experimentadas ao fogo da graça divina.
7. Ao interior, o homem é tentado por tudo aquilo que se encontra em seu próprio coração e dele provém.O Senhor disse claramente que do coração duro dos homens saem “os maus pensamentos, mortes, adultérios,...”(Mt. 15,19) – pelos quais o diabo tenta o homem, o amor interior do homem pelo pecado que sai de um coração não purificado.
8. Enfim, a oitava forma de tentação que o demônio propõe o homem vem do exterior, pelas sugestões exteriores; tudo aquilo que vem ao homem de fora e, que ele recebe pelos seus sentidos, os quais são como janelas à alma. Estas peculiaridades exteriores não são más, em si mesmas, porém podem, por intermédio dos sentidos, tentar e conduzir o homem ao mal e ao pecado.
Estas são as oito formas de tentação que o homem encontra no mudo ou mesmo estando isolado dele. Contra todas estas tentações - pelas costas, pela face, à esquerda, à direita, por baixo, por cima, do interior e do exterior – nos é necessário, de uma parte, combater pela sobriedade, quer dizer, pela atenção, a guarda e a vigilância do corpo e da alma, a vivacidade e o despertar do espírito, a prudência, a atenção fixada sobre os nossos pensamentos e os nossos atos pelo discernimento. De outra parte, nos é necessário combater estas tentações pela invocação constante do Nome do nosso Senhor Jesus Cristo, pela oração contínua.
Em outros tempos, os Santos Padres nos diziam que o combate contra todas as tentações e paixões consistia em guardar o intelecto, tal como a alma e o corpo. Isto constitui o labor e a ascese, de nosso lado - humano. Mas, ao mesmo tempo, do outro lado - divino - nos é necessário invocar, sem cessar, na oração, a ajuda de nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo. Pela oração principal e constante dos hesycastas, dita “Oração de Jesus”: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!
Evlogitaria
Do grego εύλογητάρια, de εύλογητός, abençoado; em eslavão neporóchnyi. Tropária cantados em Matinas após a leitura dos Salmos; eles eram acompanhados pelo refrão: “Tu és Bendito, ó Senhor: ensina-me pelos Teus estatutos”. Assumem duas formas:
- Evlogitaria anastasima (do grego εύλογητάρια άναστάσιμα) nas Matinas de Domingo após o Salmo 118 ou o Polileos. Também são chamados de tropários da Ressurreição.
- Evlogitaria Necrósima (ou funerária) (do grego εύλογητάρια νεκρώσιμα) nas Matinas com Litanias para os defuntos após o Salmo 118.
sábado, 5 de janeiro de 2008
Estikério
Do grego στιχηρόν (plural stichera ou estikera) são estâncias inseridas entre os versículos (estichos) tirados dos Salmos. Eles ocorrem em particular:
- Em Vésperas, entre os versículos dos Salmos do Lucernário;
- Em Matinas, entre os versículos do Salmo 150 em Laudes, nas Matinas Festivas
- Na Apóstica de Matinas Comuns.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Estichos
Do grego στίχρος, stichos (plural στίχροι, stichoi), versículos das Escrituras, quase sempre dos Salmos, que separam os estikera, como nos Salmos do Lucernário, na Apóstica ou em Laudes. Também usados com os Catismas-poéticos e sempre acompanhando os Prokimena. Os estichos são chamados simplesmente de versículos.
Santa Megalomártir Anastásia de Roma - 22dez/04jan
Era uma jovem mulher de uma grande beleza. Seu pai, Prestextato, era um pagão rico e ilustre. Sua mãe, Fausta, era cristã e havia educado-a na fé, dando-lhe o nome de Ressurreição e a confiando a Chysógono, um homem versado no conhecimento das Santas Escrituras.
Casada, contra a sua vontade com um pagão libertino, Anastácia se encontra livre ao final de três meses; pois seu marido perece em um naufrágio ao curso de uma expedição para a Pérsia.
Desde então a jovem viúva fica totalmente livre para visitar os cristãos na prisão e para cuidar das chagas dos Mártires.
Descoberta, sofre, ela própria, o martírio aproximadamente em 290.
Oração de São Basílio, o Grande (Ofício de Nona)
Mestre e Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, que Te mostraste paciente diante de nossas faltas, e nos conduziste até a hora presente, onde sobre a Cruz Vivificante abriste ao Ladrão arrependido a porta do Paraíso. Tu, que pela morte venceste a morte, tem piedade de nós pecadores, Teus indignos servos; pois nós pecamos, cometemos a iniqüidade, e não somos dignos de levantar os olhos e contemplar as alturas celestes, tendo abandonado a via da justiça e marchado sobre os desejos de nossos corações. Mas na Tua inefável Bondade, concede-nos a Tua graça, Senhor, e na Tua infinita Misericórdia, salva-nos, pois nossos dias passam em vão. Livra-nos da mão do Inimigo, mortifica nossos pensamentos carnais, a fim de que despojados do homem velho, nos revistamos do novo e vivamos por Ti, nosso Mestre e Defensor; concede-nos que ao cumprirmos os Teus Preceitos alcancemos o Repouso Eterno, lá onde os justos permanecem na alegria. Pois Tu és na verdade a jóia e a alegria daqueles que Te amam, Cristo nosso Deus, e nós Te glorificamos assim como ao Teu Pai Eterno e a Teu Bom e Vivificante Espírito, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
“A vida do céu na Terra”
O mais importante desafio do homem cristão — é a consolidação da vida divina na Terra. “Sede pois perfeitos como também vosso Pai é perfeito” (Mateus 5:48). O cristianismo é um dever do ser humano. O cristão conquista o bem perdido, para o qual ele foi criado e combate aquilo que destrói o seu bem estar.
Como se processa dentro do ser humano a renovação da vida divina na Terra? Cristo veio como homem, para abençoar a Terra e para que o ser humano visse e se conscientizasse da vida divina e a vivenciasse pelo feito humano de Cristo — Sua vida na Terra, o sofrimento na cruz e a morte. Por isso crucificar-se junto a ele, romper com o homem antigo e vestir-se com o novo — é o caminho da recuperação da vida divina, que se dá através do esforço da luta com o pecado: “...O Reino dos Céus adquire-se à força e são os violentos que o arrebatam” (Mateus 11:12).
Entregando-se às tentações e pecados, o ser humano vive sob a ação do demônio e está pronto para submeter-se a ele, ao invés de benção receber uma pseudo “felicidade.” O demônio disse a Cristo: “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mateus 4:9). A luta com o mal é uma cruz para o ser humano, mas através da cruz é que se inicia o poder de Deus em seu coração, a vida divina. A vida divina não é deste mundo, ela é o Reino dos Céus na Terra. E ao mesmo tempo esta vida é a mais verdadeira e a mais real — em sua mais elevada revelação, na relação com Deus. Relação com Deus!.. Aparentemente um desafio muito elevado e como ele é possível nos limites da nossa vida de pecado e atribulações? Porém a relação com Deus é possível aqui na Terra. Nos homens santos nós percebemos a recuperação da ordem perdida na vida: a harmonia e a volta ao estado original, o qual nos conduz à relação com Deus. Relacionar-se com Deus é uma benção verdadeira, que cada ser humano pode conseguir.
Este caminho é através da crucificação junto de Cristo. Não é possível conquistar a benção, evitando o caminho de Cristo. Somente andando atrás de Cristo o ser humano adquire o seu bem. Cristo veio à Terra, para salvar cada ser humano pecador “colocar a ovelha perdida sobre os Seus ombros” e trazê-la para Deus, reunindo-a novamente com a vida divina. A vida divina não é um ideal teórico, mas uma exigência prática. Deus não pode recusar-se do evidente amor ao ser humano, desejando-lhe o bem. Cristo ergue cada pecador, mostrando-lhe, que ele é feito à imagem de Deus. Ele volta-se para o ser humano e a suas possibilidades, para que, se aperfeiçoando, possa viver para o bem. O pecado obscureceu a imagem de Deus dentro de nós, nós não conhecemos a nós próprios e não enxergamos nos outros a imagem de Deus. Cristo veio para recuperar a imagem de Deus no ser humano. Lutando contra o pecado, nós na nossa imagem tiramos o pó e o suor do pecado e assim a imagem clareia, revelando a imagem de Deus em nós — e que é a verdadeira imagem do ser humano. O símbolo de Deus na nossa era — renovação dos ícones — é o símbolo e o chamado de Deus para nos afastarmos do ser humano antigo e a criação do novo. Este pode ser, o chamado de Deus à humanidade em suas última horas.
O nosso estado em pecado é anormal e estraga a harmonia da vida. O necessário equilíbrio entre alma, espírito e corpo, vem através da superposição da alma sobre o corpo, e depois através do espírito sobre a alma, o que devolve ao ser humano a harmonia original na sua criação. Então o ser humano ressurge em sua realeza e torna-se rei de sua natureza. Nós percebemos que para as pessoas, que cumprem a vontade de Deus, como São Serge Radonejsky, São Serafim Sarovsky, a eles, obedecem animais selvagens e a natureza. E nisso não há nada de espantoso, pois o ser humano retorna ao seu destino neste mundo. Existindo apenas na vida física-material, nós somente de vez em quando percebemos a presença do Espírito Santo :"O vento sopra onde quer, e tu ouves o seu ruído, mas não sabes donde ele vem, nem para onde vai...” (João 3:8).
Tradicionalmente os efeitos do Espírito Santo não se manifestam em nós, pois estamos algemados pelo pecado. À medida que o ser humano liberta-se do pecado, então o Espírito Santo começa a manifestar-se nele. Nós observamos, como os santos ultrapassam o espaço e realizam milagres. Num milagre não existe nada de estranho, ele é uma manifestação de Deus através da força de Seu poder. Para um coração despreparado os milagres não são aceitos e as pessoas procuram as mais variadas explicações, não enxergando as ações de Deus. Os milagres eram negados até mesmo na época da vida de Cristo na Terra, como por exemplo no milagre do cego de nascença. Milagres originados a partir de pessoas santas, não abalam leis da natureza, mas pelo contrário as renovam.
O que é então a vida espiritual, ou celestial e como se adaptar a ela? Não é possível compreender a vida espiritual, não se aproximando dela. Ela é o oposto da vida corporal e de pecados. “Mas o homem físico não percebe aquelas coisas que são do Espírito de Deus” (1Corintios 2:14). Eles falam diversas línguas: um dentro de uma igreja recebe alegria, outro está deprimido. O coração em pecado não escuta os sons divinos que vem do céu. Exatamente como são incompreensíveis os sons musicais sem uma adequada educação musical, exatamente assim são impossíveis de serem alcançados as evoluções espirituais, às pessoas entupidas pelo pecado e que não lutam com ele. Somente em resultado do processo de luta com o pecado, nós começamos a entender a vida espiritual. O semelhante reconhece o semelhante e Deus é reconhecido pela santidade. O que nos aproxima de Deus é o fato que nós somos descendentes Dele. E somos descendentes pelos efeitos refletidos em nós pelo Espírito Santo. A escada para relacionar-se com Deus é a santidade. O estado da santidade não deve ser encarado como absolutamente sem pecados, mas como afirmação no ser humano dos frutos do Espírito Santo, por exemplo pela paz no coração. O estado de santidade afirma-se em nós na luta contra o pecado e com a vitória sobre uns e outros estados de pecado do corpo e da alma. Esta luta é de dificuldades e unida à cruz e a esforços, mas leva a santidade. O objetivo final é a união com Deus, mas o caminho até Ele é a santidade. Deus abre-se a nós em resultado de nossa vontade e esforço. “Porque Deus é o que opera em nós o querer e o executar, segundo o seu beneplácito” (Filipenses2:13). Ele dá a nós a Sua graça, ilumina aos bons e maus, pois é o Deus do amor.
Como reconhecer a vida espiritual? Ela torna-se conhecida pelos seus frutos. A fonte da vida espiritual é o Espírito Santo. Os frutos do Espírito Santo surgem de acordo com a vontade, do ser humano, orientada para a luta com o pecado, com a benção de Deus. Os frutos do Espírito Santo, de acordo com o apóstolo Paulo são : “a caridade, o gozo, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a longanimidade, a mansidão, a fidelidade, a modéstia, a continência, a castidade” (Gálatas 5:22). Os feitos do corpo são tais que é melhor não falarmos neles: pelas palavras do apóstolo, são “o adultério, a fornicação, a impureza, as inimizades e outras coisas semelhantes”... (Gálatas5:19). No mundo, os frutos do Espírito Santo nós observamos nos homens santos. O próprio Cristo — encarnado como o Deus-palavra — veio ao mesmo ambiente que o nosso, para que nós não nos atemorizássemos com o brilho de Deus e através do ser humano possamos assimilar o que vem de Deus. A permanência de Deus na Terra foi um descobrimento para as pessoas de vida ligada a Deus em condições terrenas. Na Terra, Cristo entreabriu sua Glória, como isso aconteceu na Transfiguração do Senhor no monte Tabor. “Sobre o monte transfigurou-se, e eu encontrava-se entre seus alunos, Sua Graça, Cristo Deus eu vi.” Quando dentro do ser humano age o Espírito Santo, nele estabelece-se a paz, a humildade, a alegria pelo Espírito Santo, acontece o clareamento do homem pecador, ou a sua transfiguração. Com o reinado do Senhor inicia-se o Reino de Deus em nós e o coração torna-se o abrigo das ações do Espírito Santo. E isso pode ser possível para cada um de nós. Assimilarmos o Espírito Santo — é o mais importante desafio de nossa vida.
A ação do Espírito Santo nos traz o estado da paz, o que é a verdadeira vida. Essa paz conquista-se através de uma luta diária, vencendo-se o pecado, familiar ao ser humano material. O material é o óbvio, o da natureza. Tudo de bom em nós é um presente de Deus. O cristão deve utilizar isto para construir dentro de si sua vida espiritual. O desafio do cristão — é vencer dentro de si o mal e multiplicar o bem. Essa aproximação ao Deus-Pai, como o retorno do filho pródigo, o qual após sofrer muitas humilhações, finalmente, decide-se voltar ao seu pai. Ele levanta-se e retorna ao pai, e o pai sai ao seu encontro. Acontece uma recíproca ação entre o ser humano e Deus. Para o esforço e força de vontade o Senhor responde com a sua graça e esse processo chama-se salvação da alma. Derrubando os muros que represam nosso pecado, nós com a ajuda da graça de Deus, mudamos para o estado da santidade, pois em nós reflete-se a imagem de Deus. Esses momentos de vitória sobre o pecado e que são resultado da ação do Espírito Santo, são a vida santificada.
Existe a opinião que os bons atos cristãos — são apenas feitos externos, como por exemplo as mais variadas situações de caridade. Muitos dos feitos cristãos são bons atos internos. E diferentes momentos de atos bons, constroem-se resultados bons que são como degraus de escadas que nos levam para o céu. Degraus que nos aproximam de Deus, indicados por Cristo no Seu sermão na montanha nos mandamentos do bem, e para os que os praticam, a sua percepção ainda aqui na Terra: “Bem aventurados os puros de coração, os humildes, os mansos...” Ver a Deus — a plenitude da graça — somente será possível na vida futura, mas por enquanto, conforme Deus estará iluminando-nos por dentro, iremos refletir a Glória de Deus. Fazendo o bem nós somos companheiros de Deus em Seus trabalhos. Fazer o bem — é a vida eterna. Nós colheremos os frutos do Espírito Santo se não fraquejarmos. “Não nos cansemos, pois, de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, não desfalecendo” (Gálatas 6:9).
Conservando o Espírito Santo abrem-se a nós os portões da eternidade, a morada no Céu na vida futura e aqui na Terra, o estado da Santidade: a paz e alegria pelo Espírito Santo. O Reino de Deus começa aqui na Terra, em nosso coração, preenchendo-o com santos sentimentos, os quais transfiguram nossa vida. Ao ser humano é estabelecido o desafio de refletir a Glória de Deus, a Luz de Cristo. Transfigurando-nos e relacionando-nos com Deus, nós refletimos os raios de Deus e com isso participamos na Glória de Deus. Dos homens santos fulguram os raios da Luz de Cristo. Os Raios do Céu, caído na Terra, tendo atravessado o ser humano e brilhando dentro dele com a graça de Deus, iluminam-se novamente e dirigem-se novamente ao Céu. A idéia definitiva do mundo — é a Glória de Deus e para cada ser humano é a salvação da alma, retornando o ser humano à sua imagem original. Amém.
Traduzido por Boris Petrovich Poluhoff
http://www.fatheralexander.org/
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Ciclos Litúrgicos
O Grande Ciclo da Vida
A vida de um cristão ortodoxo pode ser vista como sendo composta de 5 ciclos. O primeiro de todos abrange a vida inteira do homem, do nascimento à morte e que consiste de ações litúrgicas que não podem ser repetidas, ocorrendo apenas uma vez no período da vida de uma pessoa, são: o Santo Batismo, o Santo Crisma e o Ofício fúnebre. Em acréscimo, também pertencem a este grande ciclo, os sacramentos ou bênçãos sacramentais, que conferem uma graça especial para um ofício particular ou vocação com a comunidade. São eles o Santo Matrimônio, a Tonsura monástica e as Santas Ordens.
O Ciclo Diário
Um outro grande ciclo que envolve a vida inteira de um cristão ortodoxo é o ciclo diário de orações e louvores oferecidos pela Igreja uma vez a cada 24 horas. Estes ofícios expressam nossas lembranças de eventos que aconteceram em determinadas horas e contém petições relevantes a essas memórias. Na antiguidade considerava-se que o dia começava com o pôr-do-sol de acordo com a seguinte ordem. A noite começava às 18:00 h e era dividida em quatro partes (chamadas de ‘horas’ ou ‘turnos’ – hora das mudanças das guardas): noite - de 18:00 h até as 21:00 h; meia-noite - das 21:00 h até as 24:00h; madrugada - das 24:00 h até as 3:00 h e manhã - das 3:00 h até às 6:00 h. O dia começava às 6:00 h e também era dividido em quatro partes ou ‘horas’. Primeira hora (6:00 h até às 9:00 h); Terceira hora (9:00 h até às 12:00 h), Sexta hora (12:00 h até às 15:00 h) e Nona hora (15:00 até às 18:00 h). Os ofícios ficariam, assim, divididos para cada parte do dia:
- noite: Completas
- madrugada: Ofício da Meia-noite, Matinas, e 1ª Hora canônica.
- manhã: 3ª e 6ª Horas canônicas, Sagrada Liturgia (ou Típika).
- tarde: 9ª Hora canônica e Vésperas.
Seguindo este padrão antigo, os cristãos ortodoxos começam cada parte do dia com oração em comum, o que resultou no agrupamento dos nove ofícios, normalmente divididos em dois grupos:
(1) Ofício da meia-noite, Matinas e primeira hora; terceira hora, sexta hora e Sagrada Liturgia (ou Típika).
(2) Nona hora, Vésperas e Completas.
A divisão acima é a mais comum nos Mosteiros ortodoxos, concentrando na madrugada (manhã) e ao cair da noite ofícios deixando o dia para os trabalhos rotineiros. Entretanto, cada mosteiro ou paróquia pode estabelecer sua rotina de ofícios.
A Sagrada Liturgia freqüentemente é incluída neste ciclo diário, sendo normalmente celebrada após a Sexta hora. Freqüentemente tratada como parte deste ciclo diário, a Sagrada Liturgia em um sentido teológico e místico, na realidade fica fora do tempo cronológico, uma vez que também serve como ponto de contato com o eterno, onde seus participantes são transportados a um ponto fora do tempo “onde não há passado, presente nem futuro, mas apenas o eterno Agora”. Nos dias em que não se celebra a Sagrada Liturgia, o Ofício de Típika é celebrado em seu lugar após a Sexta hora, formando, assim, parte do terceiro grupo de Ofícios Diários junto com a Terceira e a Sexta hora.
O Ciclo Semanal
Cada dia do ciclo semanal é dedicado a certas memórias e comemorações especiais:
- O domingo é dedicado à Ressurreição de Cristo (pequena Páscoa).
- A segunda-feira honra os Santos Poderes Celestes Incorporais (Anjos, Arcanjos, etc).
- A terça-feira é dedicada aos profetas e especialmente ao maior dos profetas, São João Batista, o Precursor.
- A quarta-feira é consagrada à Cruz e a lembrança da traição de Judas.
- A quinta-feira venera os Santos Apóstolos e Hierarcas, especialmente São Nicolau, bispo de Mira em Lícia.
- A sexta-feira também é dedicada à Cruz e rememora a Crucifixão de Cristo.
- O sábado é dedicado a Todos os Santos, especialmente a Mãe de Deus, e à memória todos aqueles que partiram desta vida na esperança da ressurreição e da vida eterna.
O Ciclo Anual das Festas Móveis
O ciclo anual das Festas Móveis está centrado na Festa da Páscoa e é chamado móvel por que a data da Páscoa, a Festa das Festas, desloca-se para frente ou para trás a cada ano. As Festas que estão incluídas neste ciclo são: o Domingo de Ramos (o Domingo anterior à Páscoa), a Festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo (40º dia após a Páscoa) e a Festa do Pentecostes (Descida do Espírito Santo sobre os apóstolos - 50º dia após a Páscoa).
O Ciclo Anual das Festas Fixas
Cada dia do ano é dedicado à memória de um evento particular ou de Santos e estas memórias sempre caem na mesma data a cada ano. Assim, em honra de cada evento ou Santo, cânticos especiais são acrescentados aos hinos usuais e orações do dia.
As Grandes Festas
Entre as Festas anuais da Igreja, um lugar de honra especial pertence à Festa das Festas, à Santa Páscoa. A seguir em importância vêm as 12 Grandes Festas, que podem ser divididas em dois grupos: Festas do Senhor e Festas da Mãe de Deus.
Grandes Festas do Senhor:
- Exaltação Universal da Venerável e Vivificante Cruz - 27 de setembro.
- Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Natal – 7 de janeiro.
- Teofania de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo – 19 de janeiro.
- Entrada de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém (Domingo de Ramos, domingo anterior à Páscoa).
- Ascensão de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (40 dias após a Páscoa).
- Descida do Espírito Santo (Santo Pentecostes – 50 dias após a Páscoa).
- Transfiguração de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus cristo (19 de agosto).
Grandes Festas da Mãe de Deus:
- Natividade da Santíssima Theotokos - 21 de setembro.
- Apresentação da Santíssima Virgem Maria no Templo - 4 de dezembro.
- Santo Encontro ou Apresentação de Nosso Senhor Jesus Cristo no Templo - 15 de fevereiro.
- Anunciação da Santíssima Virgem Maria, a Theotokos - 7 de abril.
- Dormição da Santíssima Virgem Maria, a Theotokos - 28 de agosto.















