“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Oração

Senhor, nosso Deus, que submeteste os Poderes espirituais e intelectuais à Tua vontade, nós Te pedimos e suplicamos: aceita os nossos cânticos, pelos quais, nós e todas as criaturas, Te glorificamos na medida do nosso poder e concede-nos, em troca, as graças abundantes da Tua bondade. Pois por Ti ajoelham os seres celestes, terrestres e infernais e toda criatura canta a Tua glória inacessível, porque só Tu és um Deus verdadeiro e rico em misericórdia. Pois a Ti louvam todos os Poderes Celestes e nós Te glorificamos, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

OrtoFoto

autor: Isaak Levitan

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Ecfonese

Do grego έκφώνησις, em eslavão vózglas, exclamação em voz alta feita pelo bispo ou por um presbítero ao final de uma Litania em louvor da Santíssima Trindade, com a qual a Litania é concluída. Fórmula abreviada de doxologia trinitária, a palavra vem do advérbio grego que significa “em voz alta”.

domingo, 30 de dezembro de 2007

OrtoFoto

Rostov
autor: Belfry Zaitsev

Doxologia

Do grego δοξολογία, hino de glória, em eslavão slavoslóvie. Hino de grande antiguidade encontrado no final de Matinas (e em Pequenas Completas), que se inicia com as palavras: “Glória a Deus no mais alto dos céus e Paz na terra aos homens a quem Ele ama” (Lc 2, 14). Assume duas formas:

  • Grande Doxologia, cantada nas Grandes Festas, domingos e certos dias de Festa ou Festa de Santos (de acordo com a categoria da Festa)
  • Pequena Doxologia, lida nos dias comuns.

sábado, 29 de dezembro de 2007

OrtoFoto

Macedônia
autor: Slavicca

Doxastikon

Do grego δοξαστικόν, de δόξα “Glória”, é um tropário ou estikério inserido após o verso: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo” e antes de: “Eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos”. Em muitos casos não há doxastikon e a segunda parte se segue imediatamente à primeira. Encontra-se doxastikon, principalmente, em Vésperas e Matinas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Santo Pontífice e Mártir Eleutério, Bispo de Ilírico, e sua mãe, Santa Mártir Anthia- 15/28 dezembro


Santo Eleutério é nascido em Roma ao correr do século II. Órfão de pai, ele foi educado na fé cristã por sua mãe Anthia, a qual havia, ela mesma, ouvido a pregação dos discípulos de S. Paulo.

Para lhe assegurar a educação religiosa, ela o confia ao bispo de Roma, o papa Aniceto (155-166); este, percebendo as qualidades do jovem rapaz, o faz percorrer rapidamente todos os graus da hierarquia eclesiástica. Nenhuma regra impunha ainda uma idade mínima para as Ordens.


Eleutério se torna diácono aos 15 anos e presbítero aos 17; depois, aos 20 anos, foi sagrado bispo da Ilíria, esta província romana que se estendia sobre toda a costa oriental do Adriático, desde a Croácia até a Grécia continental passando pela Dalmácia e Albânia.


O apostolado do jovem bispo teve um tal sucesso entre os pagãos que o Imperador o mandou prender. De início torturado em praça pública, depois recolhido à prisão, em seguida conduzido a Roma para aí terminar o seu martírio. Seu corpo ainda aí repousa.


O nome de Eleutério, que significa “homem livre”, é utilizado, sob a forma grega ou eslava, por muitos albaneses e sérvios.

Tropário, t.5
Paramentado com os ornamentos pontificais e banhado pelos rios do teu sangue, triunfado sobre satanás, subiste para Cristo, o teu Mestre, ó Bem-aventurado Eleutério. Não deixes então de interceder por nós, os fiéis que veneram a tua memória sagrada.


Kondákion, t.6
Nós te veneramos, Venerável Pai, todos nós a uma só voz, esplendor dos Bispos e modelo dos Atletas vitoriosos. Pontífice e mártir Eleutério, nós te suplicamos, livra-nos dos múltiplos perigos, pois celebramos a tua memória com todo coração, e sem cessar, interceda em favor de todos nós.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

OrtoFoto

Oração
autor: Pavel Ryzhenko

“Os Santos Mistérios – A Vida da Igreja no Espírito Santo”

A Nova Vida
A Igreja é rodeada pelo mundo pecador, privado de luz: todavia, ela é em si uma nova criação, criadora de uma nova vida. E cada um de seus membros é chamado a receber e a criar nele esta nova vida que deveria ser precedida, da parte do futuro membro da Igreja, por uma ruptura com a vida “do mundo”. No entanto, esta ruptura com o “mundo” não significa um afastamento total de toda vida terrestre, de toda co-habitação com o resto da humanidade, geralmente descrente e corrompida: porque então, como escreve o Apóstolo Paulo, vos seria necessário sair do mundo (I Cor. 5,10). Uma fronteira nítida deve ser traçada entre si próprio e o “mundo”, e eis porque, abertamente e com retidão, nos esforçamos em renunciar ao diabo, pois não podemos servir a dois mestres. “Alimpai-vos pois do fermento velho, para que sejais uma nova massa” (I Cor. 5,7).

Em consequência, desde as épocas mais antigas da Cristandade, a entrada na Igreja é precedida por um a “renunciação ao diabo” especial, à qual sucede o Batismo, com a purificação da mancha do pecado. As leituras catequéticas de São Cirilo de Jeusalém nos informam de maneira detalhada a este respeito. Em suas homilias aos catecúmenos, vemos que as “orações de exorcismo”, figuradas na celebração atual do Batismo ortodoxo, bem como a verdadeira “renunciação à Satanás” pronunciada pela pessoa que se apresenta ao Batismo são fundamentalmente muito similares ao Antigo rito cristão. É seguidamente que a entrada no Reino da graça, o renascer “da água e do espírito” é franqueado (Jo. 3, 5-6).

As palavras do Salvador nos ensinam como crescer, em seguida, nesta nova vida: “O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga” (Mc. 4, 26-28). Assim, esta nova vida – na medida em que é acolhida interiormente, onde um homem deseja sinceramente permanecer nela, onde, de seu lado, ele se esforça para nela permanecer – age nele com o poder místico do Espírito Santo, ainda que este processo possa lhe parecer insensível.

A vida inteira da Igreja é atravessada pelas ações místicas do Espírito Santo. “A causa de toda preservação repousa no Espírito Santo. Se Ele pensa que é bom soprar sobre um homem, Ele o eleva acima das coisas da terra, o faz crescer e o estabelece no alto” (Antífonas das Matinas Dominicais, sexto tom). Em consequência, cada oração na Igreja, pública ou privada, inicia-se pela invocação do Espírito Santo: "Rei dos Céus, Consolador, Espírito de Verdade, Tu que estás presente em tudo e enches tudo, Tesouro de bem e Doador de Vida, vem e habita em nós. Purifica-nos de toda a impureza e salva as nossas almas, Tu que és Bom”. Assim como a água e o orvalho, caindo sobre a terra vivificam, alimentam e fazem crescer tudo o que é susceptível ao crescimento, desta mesma maneira, os poderes do Espírito Santo agem na Igreja.

Nas Epístolas dos Apóstolos, as ações do Espírito Santo são chamadas grandeza do poder – “excelência do poder” – (II Cor. 4,7) , “divino poder” (II Pe. 1,3), ou “pelo Espírito Santo”. Todavia, mais frequentemente elas são designadas pela palavra “graça”. Aqueles que entram na Igreja, entram no Reino da graça, e são convidados a chegarem com confiança ao trono da graça, para que possam alcançar misericórdia e achar graça, afim de serem ajudados em tempo oportuno (Hb. 4, 16).

A Graça
A palavra “Graça”, nas Escrituras Santas tem vários sentidos. Ela significa em geral a misericórdia de Deus: Deus é o Deus de toda graça (I Pe. 5,10). Aqui, compreendida em um sentido mais amplo, a graça é a benevolência de Deus a respeito dos homens dignos da história da humanidade, e particularmente dos Justos do Antigo Testamento, tais como Abel, Enoque, Noé, Abraão, o Profeta Moisés, e os últimos Profetas.

Em um sentido mais precioso, o conceito de graça se refere ao Novo Testamento onde distinguimos dois sentidos fundamentais deste conceito. Primeiramente, a graça de Deus – a graça de Cristo – significa a inteira economia de nossa salvação, realizada pela vinda do Filho de Deus sobre a terra, pela Sua vida terrestre, Sua morte sobre a Cruz, Sua Ressurreição e Sua Ascensão ao céu: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2, 8-9). Em segundo lugar, a graça é o nome aplicado aos dons do Espírito Santo que foram enviados e são enviados à Igreja de Cristo sobre a terra, para santificação de seus membros, para seu crescimento espiritual e para o acesso ao Reino dos Céus.

O Novo Testamento, nesta segunda concepçaão da palavra “graça”, designa uma energia enviada do alto a baixo, a energia de Deus que está na Igreja de Cristo, que dá nascimento, que dá a vida, aperfeiçoa e que gratifica o cristão crente e virtuoso da aquisição da salvação, trazida pelo Senhor Jesus Cristo.

Os Apóstolos em seus escritos conferem geralmente à palavra charis: “graça” – um sentido idêntico à palavra dynamis: “energia ou força agindo (agente)”. O termo “graça” no sentido de “energia” dada do alto para a vida santa aparece várias vezes nas Epístolas dos Apóstolos (II Pe. 1,3;Rom. 5,2; Rom. 16, 20; I Pe. 5, 12; II Pe.3, 18; II Tm. 2,1; I Cor. 16, 23; II Cor. 13, 14; Gl. 6, 18; Ef. 6, 24; e outras passagens). O Apóstolo Paulo escreve: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Cor. 12, 9).

É importante sublinhar esta distinção entre as duas significações da palavra “graça”, assim como a sua interpretação preponderante nas Escrituras Sagradas do Novo Testamento, enquanto que energia divina, sobretudo porque o ensinamento do Protestantismo, à respeito da graça, concerne unicamente a significação geral da grande tarefa de nossa redenção do pecado pelo prodígio do Salvador sobre a Cruz, depois do qual – como pensam os protestantes – um homem que chega a crer e que recebeu a remissão dos pecados já está salvo. Todavia, os Apóstolos nos ensinam que um cristão, recebendo a justificação pela graça geral da redenção, encontra-se nesta vida como um indivíduo somente “salvo” (I Cor. 1, 18) e tem necessidade do suporte das energias dadas pela graça. “Temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm. 5, 12); “Porque em esperança somos salvos” (Rm. 8, 24).

Como age então a graça salvadora de Deus?

O nascimento espiritual e em seguida o crescimento espiritual têm lugar sob a ação mútua de dois princípios. Um deles é agraça do Espírito Santo; o outro é a abertura do coração do homem para a receber, uma sêde por ela; o desejo de recebê-la, tal como uma terra sedenta e seca recebe a humidade da chuva – em outro termos, um esforço pessoal pela recepção, a preservação e a ação na alma dos dons divinos.

No que concerne a sinergia ou cooperação destes dois princípios, o Apóstolo Pedro diz: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento d’Aquele que nos chamou por sua glória e virtude; pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por ela fiqueis participantes da natureza divina, havendo escpado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude a ciência. E à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência piedade. E à piedade amor fraternal; e ao amor fraternal caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados”. (II Pe. 1, 3-9). Acerca deste mesmo propósito, nós lemos no Apóstolo Paulo: “E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Fp. 2, 11-13); quer dizer, vós próprios cooperais, mais recordai-vos que tudo vos é dado pela graça de Deus. “Se o Senhor não constroe a casa das virtudes, em vão nós obramos” (Hino dos degraus das Matinas Dominicais, terceiro tom).

De acordo com o ensinamento sagrado, o Concílio de Cartago, no tercerio século decreta: “Quem quer que disser que a graça de Deus, pela qual o homem é justificado pelo nosso Senhor Jesus Cristo, só serve à remissão dos pecados passados, e não a prevenir de cometer os futuros, que ele seja anátema, porque a graça de Cristo, não somente dá o conhecimento do nosso dever, como também nos inspira o desejo de poder realizar o que nós sabemos” (Cânones 125, e também 126 e 127).

A experiência dos ascetas ortodoxos inspira-nos a alertar os cristãos, de toda a sua energia, ao humilde reconhecimento de sua própria enfermidade, afim de que a graça salvadora de Deus possa agir. A este propósito, as expressões de São Simeão o Novo Teólogo (X século) são muito significativas: “Se o pensamento vos advêm, instigado pelo diabo, de que a vossa salvação é realizada, não pelo poder de vosso Deus, mas antes pela vossa própria sabedoria e pelo vosso próprio poder; e se a vossa alma esboça um tal pensamento, a graça a deixa. A luta contra esta batalha tão poderosa e tão árdua que se ergue na alma deve ser levada até o nosso último suspiro”. A alma deve, juntamente como o abençoado Apóstolo Paulo, clamar em plena voz, à atenção dos Anjos e dos homens: “Não sou eu, mas a graça de Deus que está em mim”. “Os Apóstolos e os Profetas, os Mártires e os Hierarcas, os santos Monges e os Justos, todos confessarm esta graça ao Espírito Santo, e pelo amor de tal confissão e com o seu auxílio, eles lutaram valentemente completando seus caminhos” (Homilias de São Simeão o Novo Teólogo, Homilia 4).

Aquele que traz o nome de cristão (nós o lemos no mesmo Santo Padre), “se ele não traz em seu coração a convicção de que a graça de Deus, dada pela fé, é a misericórdia de Deus... se ele não se esforça em receber a graça de Deus, inicialmente pelo Batismo, ou se a tendo possuido e ela o tenha deixado em virtude de seus pecados, ele não se esforça em fazê-la voltar pelo arrependimento, a confissão, e uma vida contrita; e se pela esmola, as vigílias, as orações e todo o resto, ele pensa que realiza gloriosas virtudes e boas ações, válidas nelas próprias, - então ele obra e se desgasta em vão” (Homilia 2).

Qual é então, o sentido da luta ascética? É um a arma contra “a concupiscência da carne, e a concupiscência dos olhos e o orgulho da vida” (Jo. 2, 15-16). É o decifrar do terreno da alma, o afastar de suas pedras, o arrancar de suas ervas daninas, a secura de seus mangues, afim de preparar as sementes sagradas que serão ceifadas do alto pela graça de Deus.

A Providência de Deus e a Graça
Do que vem a ser exposto, nos decorre a existência de uma diferença entre os conceitos da Providência Divina e a graça. A Providência é o que chamamos de poder de Deus no mundo, que suporta a existência do mundo, sua vida, nela compreendendo a existência e a vida da humanidade e de cada homem; enquanto que a graça é a energia ou a força que age do Espírito Santo, a qual penetra o ser interior do homem, e o conduz à perfeição espiritual e à salvação.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

OrtoFoto

Patriarca São Tikon
autor: Nataliya k. Miroshnik

Dogmatikon

Do grego δογματικόν (plural δογματικα dogmatika), é um termo aplicado à certos Theotokia, são assim chamados por que mencionam os dogmas do nascimento de Cristo e de Suas duas naturezas. Ocorrem nas Vésperas Festivas e Grandes Vésperas no final dos Salmos do Lucernário após o: “Eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos” sendo cantados durante a Procissão de Entrada.