Do grego έκφώνησις, em eslavão vózglas, exclamação em voz alta feita pelo bispo ou por um presbítero ao final de uma Litania em louvor da Santíssima Trindade, com a qual a Litania é concluída. Fórmula abreviada de doxologia trinitária, a palavra vem do advérbio grego que significa “em voz alta”.
domingo, 30 de dezembro de 2007
Doxologia
Do grego δοξολογία, hino de glória, em eslavão slavoslóvie. Hino de grande antiguidade encontrado no final de Matinas (e em Pequenas Completas), que se inicia com as palavras: “Glória a Deus no mais alto dos céus e Paz na terra aos homens a quem Ele ama” (Lc 2, 14). Assume duas formas:
- Grande Doxologia, cantada nas Grandes Festas, domingos e certos dias de Festa ou Festa de Santos (de acordo com a categoria da Festa)
- Pequena Doxologia, lida nos dias comuns.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Doxastikon
Do grego δοξαστικόν, de δόξα “Glória”, é um tropário ou estikério inserido após o verso: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo” e antes de: “Eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos”. Em muitos casos não há doxastikon e a segunda parte se segue imediatamente à primeira. Encontra-se doxastikon, principalmente, em Vésperas e Matinas.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Santo Pontífice e Mártir Eleutério, Bispo de Ilírico, e sua mãe, Santa Mártir Anthia- 15/28 dezembro
Para lhe assegurar a educação religiosa, ela o confia ao bispo de Roma, o papa Aniceto (155-166); este, percebendo as qualidades do jovem rapaz, o faz percorrer rapidamente todos os graus da hierarquia eclesiástica. Nenhuma regra impunha ainda uma idade mínima para as Ordens.
Eleutério se torna diácono aos 15 anos e presbítero aos 17; depois, aos 20 anos, foi sagrado bispo da Ilíria, esta província romana que se estendia sobre toda a costa oriental do Adriático, desde a Croácia até a Grécia continental passando pela Dalmácia e Albânia.
O apostolado do jovem bispo teve um tal sucesso entre os pagãos que o Imperador o mandou prender. De início torturado em praça pública, depois recolhido à prisão, em seguida conduzido a Roma para aí terminar o seu martírio. Seu corpo ainda aí repousa.
O nome de Eleutério, que significa “homem livre”, é utilizado, sob a forma grega ou eslava, por muitos albaneses e sérvios.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
“Os Santos Mistérios – A Vida da Igreja no Espírito Santo”
A Nova Vida
A Igreja é rodeada pelo mundo pecador, privado de luz: todavia, ela é em si uma nova criação, criadora de uma nova vida. E cada um de seus membros é chamado a receber e a criar nele esta nova vida que deveria ser precedida, da parte do futuro membro da Igreja, por uma ruptura com a vida “do mundo”. No entanto, esta ruptura com o “mundo” não significa um afastamento total de toda vida terrestre, de toda co-habitação com o resto da humanidade, geralmente descrente e corrompida: porque então, como escreve o Apóstolo Paulo, vos seria necessário sair do mundo (I Cor. 5,10). Uma fronteira nítida deve ser traçada entre si próprio e o “mundo”, e eis porque, abertamente e com retidão, nos esforçamos em renunciar ao diabo, pois não podemos servir a dois mestres. “Alimpai-vos pois do fermento velho, para que sejais uma nova massa” (I Cor. 5,7).
Em consequência, desde as épocas mais antigas da Cristandade, a entrada na Igreja é precedida por um a “renunciação ao diabo” especial, à qual sucede o Batismo, com a purificação da mancha do pecado. As leituras catequéticas de São Cirilo de Jeusalém nos informam de maneira detalhada a este respeito. Em suas homilias aos catecúmenos, vemos que as “orações de exorcismo”, figuradas na celebração atual do Batismo ortodoxo, bem como a verdadeira “renunciação à Satanás” pronunciada pela pessoa que se apresenta ao Batismo são fundamentalmente muito similares ao Antigo rito cristão. É seguidamente que a entrada no Reino da graça, o renascer “da água e do espírito” é franqueado (Jo. 3, 5-6).
As palavras do Salvador nos ensinam como crescer, em seguida, nesta nova vida: “O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga” (Mc. 4, 26-28). Assim, esta nova vida – na medida em que é acolhida interiormente, onde um homem deseja sinceramente permanecer nela, onde, de seu lado, ele se esforça para nela permanecer – age nele com o poder místico do Espírito Santo, ainda que este processo possa lhe parecer insensível.
A vida inteira da Igreja é atravessada pelas ações místicas do Espírito Santo. “A causa de toda preservação repousa no Espírito Santo. Se Ele pensa que é bom soprar sobre um homem, Ele o eleva acima das coisas da terra, o faz crescer e o estabelece no alto” (Antífonas das Matinas Dominicais, sexto tom). Em consequência, cada oração na Igreja, pública ou privada, inicia-se pela invocação do Espírito Santo: "Rei dos Céus, Consolador, Espírito de Verdade, Tu que estás presente em tudo e enches tudo, Tesouro de bem e Doador de Vida, vem e habita em nós. Purifica-nos de toda a impureza e salva as nossas almas, Tu que és Bom”. Assim como a água e o orvalho, caindo sobre a terra vivificam, alimentam e fazem crescer tudo o que é susceptível ao crescimento, desta mesma maneira, os poderes do Espírito Santo agem na Igreja.
Nas Epístolas dos Apóstolos, as ações do Espírito Santo são chamadas grandeza do poder – “excelência do poder” – (II Cor. 4,7) , “divino poder” (II Pe. 1,3), ou “pelo Espírito Santo”. Todavia, mais frequentemente elas são designadas pela palavra “graça”. Aqueles que entram na Igreja, entram no Reino da graça, e são convidados a chegarem com confiança ao trono da graça, para que possam alcançar misericórdia e achar graça, afim de serem ajudados em tempo oportuno (Hb. 4, 16).
A Graça
A palavra “Graça”, nas Escrituras Santas tem vários sentidos. Ela significa em geral a misericórdia de Deus: Deus é o Deus de toda graça (I Pe. 5,10). Aqui, compreendida em um sentido mais amplo, a graça é a benevolência de Deus a respeito dos homens dignos da história da humanidade, e particularmente dos Justos do Antigo Testamento, tais como Abel, Enoque, Noé, Abraão, o Profeta Moisés, e os últimos Profetas.
Em um sentido mais precioso, o conceito de graça se refere ao Novo Testamento onde distinguimos dois sentidos fundamentais deste conceito. Primeiramente, a graça de Deus – a graça de Cristo – significa a inteira economia de nossa salvação, realizada pela vinda do Filho de Deus sobre a terra, pela Sua vida terrestre, Sua morte sobre a Cruz, Sua Ressurreição e Sua Ascensão ao céu: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2, 8-9). Em segundo lugar, a graça é o nome aplicado aos dons do Espírito Santo que foram enviados e são enviados à Igreja de Cristo sobre a terra, para santificação de seus membros, para seu crescimento espiritual e para o acesso ao Reino dos Céus.
O Novo Testamento, nesta segunda concepçaão da palavra “graça”, designa uma energia enviada do alto a baixo, a energia de Deus que está na Igreja de Cristo, que dá nascimento, que dá a vida, aperfeiçoa e que gratifica o cristão crente e virtuoso da aquisição da salvação, trazida pelo Senhor Jesus Cristo.
Os Apóstolos em seus escritos conferem geralmente à palavra charis: “graça” – um sentido idêntico à palavra dynamis: “energia ou força agindo (agente)”. O termo “graça” no sentido de “energia” dada do alto para a vida santa aparece várias vezes nas Epístolas dos Apóstolos (II Pe. 1,3;Rom. 5,2; Rom. 16, 20; I Pe. 5, 12; II Pe.3, 18; II Tm. 2,1; I Cor. 16, 23; II Cor. 13, 14; Gl. 6, 18; Ef. 6, 24; e outras passagens). O Apóstolo Paulo escreve: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Cor. 12, 9).
É importante sublinhar esta distinção entre as duas significações da palavra “graça”, assim como a sua interpretação preponderante nas Escrituras Sagradas do Novo Testamento, enquanto que energia divina, sobretudo porque o ensinamento do Protestantismo, à respeito da graça, concerne unicamente a significação geral da grande tarefa de nossa redenção do pecado pelo prodígio do Salvador sobre a Cruz, depois do qual – como pensam os protestantes – um homem que chega a crer e que recebeu a remissão dos pecados já está salvo. Todavia, os Apóstolos nos ensinam que um cristão, recebendo a justificação pela graça geral da redenção, encontra-se nesta vida como um indivíduo somente “salvo” (I Cor. 1, 18) e tem necessidade do suporte das energias dadas pela graça. “Temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm. 5, 12); “Porque em esperança somos salvos” (Rm. 8, 24).
Como age então a graça salvadora de Deus?
O nascimento espiritual e em seguida o crescimento espiritual têm lugar sob a ação mútua de dois princípios. Um deles é agraça do Espírito Santo; o outro é a abertura do coração do homem para a receber, uma sêde por ela; o desejo de recebê-la, tal como uma terra sedenta e seca recebe a humidade da chuva – em outro termos, um esforço pessoal pela recepção, a preservação e a ação na alma dos dons divinos.
No que concerne a sinergia ou cooperação destes dois princípios, o Apóstolo Pedro diz: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento d’Aquele que nos chamou por sua glória e virtude; pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por ela fiqueis participantes da natureza divina, havendo escpado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude a ciência. E à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência piedade. E à piedade amor fraternal; e ao amor fraternal caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados”. (II Pe. 1, 3-9). Acerca deste mesmo propósito, nós lemos no Apóstolo Paulo: “E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Fp. 2, 11-13); quer dizer, vós próprios cooperais, mais recordai-vos que tudo vos é dado pela graça de Deus. “Se o Senhor não constroe a casa das virtudes, em vão nós obramos” (Hino dos degraus das Matinas Dominicais, terceiro tom).
De acordo com o ensinamento sagrado, o Concílio de Cartago, no tercerio século decreta: “Quem quer que disser que a graça de Deus, pela qual o homem é justificado pelo nosso Senhor Jesus Cristo, só serve à remissão dos pecados passados, e não a prevenir de cometer os futuros, que ele seja anátema, porque a graça de Cristo, não somente dá o conhecimento do nosso dever, como também nos inspira o desejo de poder realizar o que nós sabemos” (Cânones 125, e também 126 e 127).
A experiência dos ascetas ortodoxos inspira-nos a alertar os cristãos, de toda a sua energia, ao humilde reconhecimento de sua própria enfermidade, afim de que a graça salvadora de Deus possa agir. A este propósito, as expressões de São Simeão o Novo Teólogo (X século) são muito significativas: “Se o pensamento vos advêm, instigado pelo diabo, de que a vossa salvação é realizada, não pelo poder de vosso Deus, mas antes pela vossa própria sabedoria e pelo vosso próprio poder; e se a vossa alma esboça um tal pensamento, a graça a deixa. A luta contra esta batalha tão poderosa e tão árdua que se ergue na alma deve ser levada até o nosso último suspiro”. A alma deve, juntamente como o abençoado Apóstolo Paulo, clamar em plena voz, à atenção dos Anjos e dos homens: “Não sou eu, mas a graça de Deus que está em mim”. “Os Apóstolos e os Profetas, os Mártires e os Hierarcas, os santos Monges e os Justos, todos confessarm esta graça ao Espírito Santo, e pelo amor de tal confissão e com o seu auxílio, eles lutaram valentemente completando seus caminhos” (Homilias de São Simeão o Novo Teólogo, Homilia 4).
Aquele que traz o nome de cristão (nós o lemos no mesmo Santo Padre), “se ele não traz em seu coração a convicção de que a graça de Deus, dada pela fé, é a misericórdia de Deus... se ele não se esforça em receber a graça de Deus, inicialmente pelo Batismo, ou se a tendo possuido e ela o tenha deixado em virtude de seus pecados, ele não se esforça em fazê-la voltar pelo arrependimento, a confissão, e uma vida contrita; e se pela esmola, as vigílias, as orações e todo o resto, ele pensa que realiza gloriosas virtudes e boas ações, válidas nelas próprias, - então ele obra e se desgasta em vão” (Homilia 2).
Qual é então, o sentido da luta ascética? É um a arma contra “a concupiscência da carne, e a concupiscência dos olhos e o orgulho da vida” (Jo. 2, 15-16). É o decifrar do terreno da alma, o afastar de suas pedras, o arrancar de suas ervas daninas, a secura de seus mangues, afim de preparar as sementes sagradas que serão ceifadas do alto pela graça de Deus.
A Providência de Deus e a Graça
Do que vem a ser exposto, nos decorre a existência de uma diferença entre os conceitos da Providência Divina e a graça. A Providência é o que chamamos de poder de Deus no mundo, que suporta a existência do mundo, sua vida, nela compreendendo a existência e a vida da humanidade e de cada homem; enquanto que a graça é a energia ou a força que age do Espírito Santo, a qual penetra o ser interior do homem, e o conduz à perfeição espiritual e à salvação.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Dogmatikon
Do grego δογματικόν (plural δογματικα dogmatika), é um termo aplicado à certos Theotokia, são assim chamados por que mencionam os dogmas do nascimento de Cristo e de Suas duas naturezas. Ocorrem nas Vésperas Festivas e Grandes Vésperas no final dos Salmos do Lucernário após o: “Eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos” sendo cantados durante a Procissão de Entrada.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
“Monte Athos – A Montanha Santa"
Chamado pelos cristãos ortodoxos de Montanha Sagrada, este Estado-monástico-teocrático, no norte da Grécia, permanece isolado e distante da vida profana, como bem simbolizam a maioria de seus mosteiros no alto de penhascos sobre o mar Egeu. Os vinte mosteiros que compõem o conjunto, jamais visitados por uma mulher, guardam a arte, a rigidez ascética e a memória de mil anos de cristianismo. O cotidiano dos quase 1500 monges inclui de cinco a oito horas de orações, além de jejum e trabalho dedicados a Deus e à padroeira do Monte Atos, a Virgem Maria.
Não se sabe, exatamente, desde quando a vida monástica está presente no Monte Atos. Sabe-se, entretanto, que já no século VII lá peregrinavam ascetas do oriente e Egito perseguidos pelos árabes. Neste período chega no Monte Atos muitos monges procurando segurança, silêncio e isolamento indispensável para o desenvolvimento espiritual e, por isso intencionavam, viver longe do mundo.
Uma tradição milenar e a imutável hierarquia dos vinte mosteiros, onde vivem 1500 monges, guardam a memória do cristianismo ortodoxo desde o século X da nossa era. Sobre um promontório, com seu ápice no Monte Atos a 2033 metros de altura, os monges vivem imunes às turbulências da vida moderna, as paredes dos mosteiros preservam milhares de ícones, relicários, imagens sagradas e afrescos valiosos da arte da Macedônia e cretense. Ali, nessa república autônoma, monástico-teocrática o tempo não conta. Até o calendário usado no Monte Atos é diferente: está atrasado 13 dias em relação ao civil, é utilizado o calendário Juliano, que é o calendário litúrgico de toda a Igreja Ortodoxa. As horas os monges começam a contar a partir do crepúsculo.
Ao norte da Grécia, a província conhecida como Macedônia – terra de Alexandre, o Grande, apresenta uma grande península, a região da Calcídia. Na forma aproximada de um tridente, a Calcídia lança três faixas de terra sobre o Mar Egeu: as penínsulas de Cassandra, Longos e Athos, que é a mais oriental delas, medindo cerca de 60 quilômetros de comprimento por oito a doze de largura.
Com o litoral recortado por baías e enseadas, o local já foi conhecido como Pequena Grécia. Os gregos chamam o Monte Atos de Agion Oros, que significa Monte Santo. O politeísmo da Grécia antiga narra-nos lendas sobre os primórdios da península. Uma delas afirma que uma briga feroz entre o deus das profundezas marinhas, Posêidon (Netuno, para os romanos) e o gigante Atos, que teria atirado um imenso rochedo sobre o deus. Errou o alvo e acabou lançando ao mar o Monte Atos. Outra versão diz que Posêidon teria sido o agressor, arrancando um fragmento da península de Palena para golpear o oponente.
A Tradição Cristã nos diz que, após a Ressurreição de Jesus Cristo, a Virgem Maria teria viajado em um barco, acompanhada do apóstolo João, rumo à ilha de Chipre. Lá visitaria Lázaro, que, havia sido ressuscitado algum tempo antes pelo Messias, durante sua estada em Betânia, uma aldeia próxima a Jerusalém. Uma forte tempestade teria surpreendido a Virgem Maria e São João no meio do caminho e eles foram obrigados a procurar refúgio na península de Atos, no local onde hoje se encontra o mosteiro de Iveron. De acordo com a Tradição, a Virgem Maria ficou impressionada com a beleza do lugar e orou para que seu filho lhe concedesse a soberania eterna do Monte Atos. Em resposta ao pedido, ouviu-se uma voz que parecia vir do céu, dizendo: “Que este lugar seja teu prêmio, teu jardim, teu paraíso e um refúgio para todo aquele que deseja a salvação”. Por causa disso, todos os mosteiros construídos na região foram dedicados à Virgem Maria, considerada protetora eterna do lugar.
Do ponto mais alto da península, avistam-se as lendárias costas da Macedônia e da Trácia e ainda o Monte Olimpo, situado a mais de 200 quilômetros de distância e considerado pelos antigos politeístas como a morada dos deuses. Mas é o cristianismo ortodoxo que governa o Monte Atos desde o século X.
A proximidade com Bizâncio, posteriormente chamada de Constantinopla depois da transferência da capital do império por Constantino, atual Istambul, na época uma cidade forte e próspera, favorecia a proteção e ao isolamento. De 330 quando da transferência da capital até 1453, Constantinopla, cidade fundada pelos gregos à margem do estreito de Bósforo, foi a capital do Império Romano do Oriente, também chamado Império Bizantino.
O Monte Atos foi o principal local de concentração de eremitas e anacoretas de toda a Grécia, moravam sozinhos ou em pequenas casas comunitárias para dois ou no máximo três monges. Praticavam ascetismo rigoroso – jejum e oração incessante. A exposição ao tempo frio e quente aliada à oração, dava a eles forças para resistir às paixões carnais. Viviam em total tranqüilidade no seio da natureza com o mínimo de necessidades e o mínimo de contato com o mundo exterior. Por estes motivos obtiveram respeito da população da península Calcídica e posteriormente de toda Grécia e hoje de todo o mundo. O período entre os séculos X e XII é considerado a “Era de Ouro” do Monte Atos, quando sua fama cruzou as fronteiras da península e atraiu monges ortodoxos da Sérvia, Rússia, Bulgária, Romênia e Geórgia. Durante este período o Monte Atos chegou a ter 120 mosteiros e mais de 20.000 monges.
O Santo Monte Atos constitui uma parte independente do país grego atuando sob orientação espiritual do Patriarcado de Constantinopla. A capital deste estado teocrático-monástico é a vila de Karyes que é a sede do governo civil e onde situa-se a residência do Protos (Primaz), que está diretamente ligado ao Ministério das Relações Exteriores. A Autoridade Legislativa está nas mãos da Santa Synaxeis, uma assembléia constituída de 20 membros, que se reúne duas vezes anualmente em Karyes. A Santa Comunidade é um corpo administrativo constituído de 20 membros com mandato anual sob a liderança do representante da Grande Lavra. Decisões judiciais são tomadas por várias autoridades: crimes e delitos leves são levados aos tribunais em Tessalônica; disputas entre diferentes mosteiros (dependendo da natureza) são resolvidos, ou pela Santa Comunidade ou pelo Santo Sínodo do Patriarcado de Constantinopla; enquanto problemas menores são julgados nos respectivos mosteiros. O corpo executivo dos comitês acima é a Santa Epistasia, que é composta de 4 membros representantes de quatro grupos de mosteiros do Monte Atos, nomeada a cada ano pela Santa Comunidade. Os 20 mosteiros existentes no Monte Atos são distintos pela denominação: real, aqueles que foram fundados por autorização de um decreto imperial e apoiados pelo Imperador bizantino; patriarcal e stavropegial, os que estão diretamente subordinados ao Patriarca de Constantinopla.
Atualmente vivem no Monte Santo em torno de 1500 monges ortodoxos de diversas nacionalidades em 20 mosteiros, em numerosas “kellia”, “kalyvae”, “skit” e eremitérios. “Kellion” é uma ampla sede de um só prédio com capela e contendo uma pequena área de terra para cultivo, acessível através do mosteiro destinada a grupos de três monges, que normalmente ocupam-se com agricultura, as “kellia” estão subordinadas a um dos 20 mosteiros principais. “Kalyva” é menor que uma “kellion” contendo uma capela, mas sem terra para cultivo associada, uma pequena mensalidade é paga por cada monge da “kalyva” ao mosteiro principal a que está ligada a “kalyva”. “Skit” são comunidades organizadas constituídas de várias “kalyvae”, normalmente são antigos mosteiros, localizados no terreno de um mosteiro principal; os monges que vivem em “skit” normalmente ocupam-se com artesanato e escultura. Eremitérios ou hesicastérios são normalmente grutas ou pequenas cabanas para aqueles que querem viver a vida ascética em inviolável solidão; os eremitérios encontram-se, principalmente em lugares isolados tais como na parte sudoeste da península.
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