“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

OrtoFoto

"A Bênção", 1999
autor: Vladimir Shcherbinin

“Monte Athos – A Montanha Santa"

Chamado pelos cristãos ortodoxos de Montanha Sagrada, este Estado-monástico-teocrático, no norte da Grécia, permanece isolado e distante da vida profana, como bem simbolizam a maioria de seus mosteiros no alto de penhascos sobre o mar Egeu. Os vinte mosteiros que compõem o conjunto, jamais visitados por uma mulher, guardam a arte, a rigidez ascética e a memória de mil anos de cristianismo. O cotidiano dos quase 1500 monges inclui de cinco a oito horas de orações, além de jejum e trabalho dedicados a Deus e à padroeira do Monte Atos, a Virgem Maria.

Não se sabe, exatamente, desde quando a vida monástica está presente no Monte Atos. Sabe-se, entretanto, que já no século VII lá peregrinavam ascetas do oriente e Egito perseguidos pelos árabes. Neste período chega no Monte Atos muitos monges procurando segurança, silêncio e isolamento indispensável para o desenvolvimento espiritual e, por isso intencionavam, viver longe do mundo.

Uma tradição milenar e a imutável hierarquia dos vinte mosteiros, onde vivem 1500 monges, guardam a memória do cristianismo ortodoxo desde o século X da nossa era. Sobre um promontório, com seu ápice no Monte Atos a 2033 metros de altura, os monges vivem imunes às turbulências da vida moderna, as paredes dos mosteiros preservam milhares de ícones, relicários, imagens sagradas e afrescos valiosos da arte da Macedônia e cretense. Ali, nessa república autônoma, monástico-teocrática o tempo não conta. Até o calendário usado no Monte Atos é diferente: está atrasado 13 dias em relação ao civil, é utilizado o calendário Juliano, que é o calendário litúrgico de toda a Igreja Ortodoxa. As horas os monges começam a contar a partir do crepúsculo.

Ao norte da Grécia, a província conhecida como Macedônia – terra de Alexandre, o Grande, apresenta uma grande península, a região da Calcídia. Na forma aproximada de um tridente, a Calcídia lança três faixas de terra sobre o Mar Egeu: as penínsulas de Cassandra, Longos e Athos, que é a mais oriental delas, medindo cerca de 60 quilômetros de comprimento por oito a doze de largura.

Com o litoral recortado por baías e enseadas, o local já foi conhecido como Pequena Grécia. Os gregos chamam o Monte Atos de Agion Oros, que significa Monte Santo. O politeísmo da Grécia antiga narra-nos lendas sobre os primórdios da península. Uma delas afirma que uma briga feroz entre o deus das profundezas marinhas, Posêidon (Netuno, para os romanos) e o gigante Atos, que teria atirado um imenso rochedo sobre o deus. Errou o alvo e acabou lançando ao mar o Monte Atos. Outra versão diz que Posêidon teria sido o agressor, arrancando um fragmento da península de Palena para golpear o oponente.

A Tradição Cristã nos diz que, após a Ressurreição de Jesus Cristo, a Virgem Maria teria viajado em um barco, acompanhada do apóstolo João, rumo à ilha de Chipre. Lá visitaria Lázaro, que, havia sido ressuscitado algum tempo antes pelo Messias, durante sua estada em Betânia, uma aldeia próxima a Jerusalém. Uma forte tempestade teria surpreendido a Virgem Maria e São João no meio do caminho e eles foram obrigados a procurar refúgio na península de Atos, no local onde hoje se encontra o mosteiro de Iveron. De acordo com a Tradição, a Virgem Maria ficou impressionada com a beleza do lugar e orou para que seu filho lhe concedesse a soberania eterna do Monte Atos. Em resposta ao pedido, ouviu-se uma voz que parecia vir do céu, dizendo: “Que este lugar seja teu prêmio, teu jardim, teu paraíso e um refúgio para todo aquele que deseja a salvação”. Por causa disso, todos os mosteiros construídos na região foram dedicados à Virgem Maria, considerada protetora eterna do lugar.

Do ponto mais alto da península, avistam-se as lendárias costas da Macedônia e da Trácia e ainda o Monte Olimpo, situado a mais de 200 quilômetros de distância e considerado pelos antigos politeístas como a morada dos deuses. Mas é o cristianismo ortodoxo que governa o Monte Atos desde o século X.

A proximidade com Bizâncio, posteriormente chamada de Constantinopla depois da transferência da capital do império por Constantino, atual Istambul, na época uma cidade forte e próspera, favorecia a proteção e ao isolamento. De 330 quando da transferência da capital até 1453, Constantinopla, cidade fundada pelos gregos à margem do estreito de Bósforo, foi a capital do Império Romano do Oriente, também chamado Império Bizantino.

O Monte Atos foi o principal local de concentração de eremitas e anacoretas de toda a Grécia, moravam sozinhos ou em pequenas casas comunitárias para dois ou no máximo três monges. Praticavam ascetismo rigoroso – jejum e oração incessante. A exposição ao tempo frio e quente aliada à oração, dava a eles forças para resistir às paixões carnais. Viviam em total tranqüilidade no seio da natureza com o mínimo de necessidades e o mínimo de contato com o mundo exterior. Por estes motivos obtiveram respeito da população da península Calcídica e posteriormente de toda Grécia e hoje de todo o mundo. O período entre os séculos X e XII é considerado a “Era de Ouro” do Monte Atos, quando sua fama cruzou as fronteiras da península e atraiu monges ortodoxos da Sérvia, Rússia, Bulgária, Romênia e Geórgia. Durante este período o Monte Atos chegou a ter 120 mosteiros e mais de 20.000 monges.

O Santo Monte Atos constitui uma parte independente do país grego atuando sob orientação espiritual do Patriarcado de Constantinopla. A capital deste estado teocrático-monástico é a vila de Karyes que é a sede do governo civil e onde situa-se a residência do Protos (Primaz), que está diretamente ligado ao Ministério das Relações Exteriores. A Autoridade Legislativa está nas mãos da Santa Synaxeis, uma assembléia constituída de 20 membros, que se reúne duas vezes anualmente em Karyes. A Santa Comunidade é um corpo administrativo constituído de 20 membros com mandato anual sob a liderança do representante da Grande Lavra. Decisões judiciais são tomadas por várias autoridades: crimes e delitos leves são levados aos tribunais em Tessalônica; disputas entre diferentes mosteiros (dependendo da natureza) são resolvidos, ou pela Santa Comunidade ou pelo Santo Sínodo do Patriarcado de Constantinopla; enquanto problemas menores são julgados nos respectivos mosteiros. O corpo executivo dos comitês acima é a Santa Epistasia, que é composta de 4 membros representantes de quatro grupos de mosteiros do Monte Atos, nomeada a cada ano pela Santa Comunidade. Os 20 mosteiros existentes no Monte Atos são distintos pela denominação: real, aqueles que foram fundados por autorização de um decreto imperial e apoiados pelo Imperador bizantino; patriarcal e stavropegial, os que estão diretamente subordinados ao Patriarca de Constantinopla.

Atualmente vivem no Monte Santo em torno de 1500 monges ortodoxos de diversas nacionalidades em 20 mosteiros, em numerosas “kellia”, “kalyvae”, “skit” e eremitérios. “Kellion” é uma ampla sede de um só prédio com capela e contendo uma pequena área de terra para cultivo, acessível através do mosteiro destinada a grupos de três monges, que normalmente ocupam-se com agricultura, as “kellia” estão subordinadas a um dos 20 mosteiros principais. “Kalyva” é menor que uma “kellion” contendo uma capela, mas sem terra para cultivo associada, uma pequena mensalidade é paga por cada monge da “kalyva” ao mosteiro principal a que está ligada a “kalyva”. “Skit” são comunidades organizadas constituídas de várias “kalyvae”, normalmente são antigos mosteiros, localizados no terreno de um mosteiro principal; os monges que vivem em “skit” normalmente ocupam-se com artesanato e escultura. Eremitérios ou hesicastérios são normalmente grutas ou pequenas cabanas para aqueles que querem viver a vida ascética em inviolável solidão; os eremitérios encontram-se, principalmente em lugares isolados tais como na parte sudoeste da península.

Igúmeno Lukas

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

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Panikhida
autor: veresh

Díptico

Lista de nomes de vivos e defuntos, que são lidos durante a realização da Proskomídia, na intenção dos quais roga-se a Deus pela saúde e uma vida reta dentro da Igreja (vivos) e o perdão dos pecados, descanso e salvação das almas para os defuntos. Cada Igreja Autocéfala possui o díptico com o nome dos hierarcas das demais Igrejas-Irmãs que são comemorados pelo Primaz da Igreja durante a Grande Entrada na Sagrada Liturgia, simbolizando a fraternidade e unidade da Igreja.

domingo, 23 de dezembro de 2007

OrtoFoto

utor: Andrzej Popławski

Dikerion

Candelabro para duas velas, que simboliza a dupla natureza de Cristo, com o qual o bispo dá bênçãos em alguns ofícios litúrgicos, segurando-o com a mão esquerda.

"Confessar os Pecados"

Antes da Confissão, cada cristão deveria recordar todos os seus pecados, pecados de todos os gêneros, voluntários ou involuntários: devendo examinar a sua vida e conduta com cuidado e atenção a fim de saber, o tanto quanto possível, de todos os seus pecados, e não somente aqueles que cometemos após as nossas confissões mais recentes, mas também aqueles que ainda não foram confessados. Somente desta maneira devemos nos aproximar da Cruz e do Evangelho: na compunção e humildade.

Confesse os teus pecados abertamente, pois não é a um homem os confessa mas a Deus, que apesar de já os conhecer de todas as formas deseja somente que tu próprio os reconheça. Tu não deves ter vergonha diante de teu Pai Espiritual, ele é um homem, igual a ti, que conhece a fraqueza humana e a inclinação do homem para o pecado. Não é ele um juiz irredutível. Mas, talvez tenha vergonha de confessar os teus pecados diante dele para que ele não perca a boa opinião que tem de ti.

Ao contrário, se é somente a boa opinião de teu Pai Espiritual que te é agradável, seu amor por ti será ainda maior ao ver que tua confissão é sincera e aberta. Além do que, se tens vergonha e teme revelar os teus pecados diante de um confessor, se não te purificares por um verdadeiro arrependimento, como suportarias tu esta mesma vergonha aquando do Julgamento Eterno, diante do Tribunal de Deus, onde todos os pecados, conhecidos ou desconhecidos, serão revelados diante d´Ele próprio e dos Seus Santos Anjos?

Confesse todos os teus pecados detalhadamente e cada pecado separadamente. São João Crisóstomo dizia: “Não nos basta somente dizer eu pequei, ou então, eu sou pecador. Nos é necessário nomear cada pecado”. “Revelar os pecados, dizia São Basílio o Grande, cai sob a mesma lei que a declaração das enfermidades de um corpo (as doenças).” Enquanto pecadores, somos doentes da alma, ao passo que o Pai Espiritual é o médico: torna-se necessário, por conseqüência, confessar teus pecados ao Pai Espiritual, da mesma maneira que aquele que está enfermo corporalmente descreve ao médico suas deficiências e enfermidades a fim de obter, pelo seu intermédio, a cura.

Procure não a mencionar outras pessoas à tua confissão, e não lamentes de quem quer que seja, senão qual gênero de confissão será esta? Não uma Confissão, mas um julgamento, logo, nada de outro que um novo pecado.

Não procures justificar-te, de maneira alguma sob o pretexto de fraqueza ou de hábitos. Na confissão, quanto mais nos justificamos menos somos justificados diante de Deus. Por esta razão, não devemos nos justificar durante a confissão, mas ao contrário, acusarmo-nos, criticarmo-nos e condenarmo-nos ao máximo possível, a fim de sermos dignos de obter o perdão de nosso Senhor.

E se teu Pai Espiritual apresentar-te alguma questão, não digas que não te lembras ou, que, talvez, tenhas pecado desta forma também. Deus ordenou que lembrássemos sempre de nossos pecados. E para que não sejamos justificados em virtude de esquecimento, devemos confessarmo-nos o mais geralmente possível.

Em efeito, aqueles que não vivem por suas almas, muito raramente, por negligência, e desta maneira, esquecem seus pecados, são eles próprios responsáveis e, por esta razão, não podem esperar o perdão dos pecados, os quais não confessaram. É por isso que devemos, sem falta, nos recordar de nossos pecados. Quando alguém, contra nós, comete qualquer ato indesejável, logo não lembramos com tantas mágoas deste gesto, mas, em contrapartida, não agimos da mesma forma para com a nossa alma, diante d´Aquele a quem chamamos Deus. Não será isto uma extrema negligência para conosco?

Confesse, então, todos os teus pecados com Fé em nosso Senhor Jesus Cristo, esperando sempre na Sua misericórdia divina. Pois somente pela Fé e Esperança em Cristo Jesus podemos obter o perdão dos pecados; sem Fé, torna-se absolutamente impossível, assim como o exemplo daquele que traiu o Senhor, Judas.

Eis então, meus irmãos, uma pequena noção quanto à Confissão dos pecados e o Arrependimento dentro do convite que a Igreja faz à nossa Salvação. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”. (I Jo. 1-9)
"Boletim Interparoquial"

sábado, 22 de dezembro de 2007

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autor: Adam Falkowski

Entrada

Do grego είσοδος, em eslavão vkhod. Uma procissão na qual o presbítero e o diácono, precedidos por uma ou mais velas processionais, saem pela porta norte da Iconostase para o centro da igreja, e retornam ao santuário pelas Portas Reais. A Entrada ocorre como a seguir:

- Nas Grandes Vésperas e Vésperas Festivas: aqui o diácono ou presbítero leva o turíbulo (e o Evangeliário, se houver leitura do Evangelho).

- Na Liturgia, há duas Entradas:

  1. Pequena Entrada: o diácono ou o presbítero leva o Evangeliário (e turíbulo na Liturgia Pontifical);
  2. Grande Entrada: o clero leva os Santos Dons preparados, mas ainda não consagrados para a Eucaristia, da mesa da Protese para o Santo Altar. O diácono, segurando o turíbulo leva a Patena, e o presbítero o Santo Cálice. Ambos, Patena e Santo Cálice, cobertos com véus.

"A luz que vem do céu"

Deus criou o mundo e disse: “E faça-se a luz.” Na nossa vida criativa nós somos um reflexo do Criador que criou o mundo. Quando nós estamos atentos e dirigimos nossa atenção para a esfera da luz, dentro de nós surge um pensamento bom, como reflexo natural do criativo pensamento de Deus. Um pensamento bom é a luz, pois Ele tem origem na Fonte de luz. Ele é o início criativo, Ele penetra no caos entre o bem e o mal existentes nos relacionamentos humanos e cria uma nova vida. Ele nos desperta para vencermos a escuridão. Foi dito: “Enquanto tendes luz, crede na luz para que sejais filhos da luz” (João 12:36). A luz de Deus permanentemente esparrama-se pelo mundo. A escuridão de nossa alma o afasta. Quando nós desvanecemos a escuridão, nós nos iluminamos. Existe até uma expressão: Eu tive uma idéia luminosa. É como se um raio de luz caísse do céu e iluminasse tudo dentro de nós e ao redor de nós. É assim que se manifesta a força de Deus. É como se o Senhor falasse através de nós: “Seja feita a luz.” E a luz surge e frente aos nossos olhos abre-se uma nova vida, de cuja existência nós nunca suspeitávamos. Nós podemos transformar nossa vida acinzentada numa nova existência, se fixarmos nossa atenção num pensamento bom. Um pensamento bom, como impulso de nossa vida, irá empurrar nossa vontade para vencer o mal, iluminar e criar para nós um novo caminho na vida. Para evitar isso, o mal de todas as formas luta para capturar nossa atenção. É necessário permanentemente estarmos em guarda e combatermos a aproximação do mal.


A luz da vontade de Deus ilumina tudo dentro de nós. Ela deve existir dentro de nós permanentemente. Porém nós escolhemos aquilo que nos parece mais fácil, aquilo que parece ser mais conveniente à nossa natureza. Nós freqüentemente nos deixamos seduzir e entregamo-nos ao pecado repetidas vezes em nossas vidas.


O principal desafio de nossas vidas — é expulsar a escuridão de dentro de nosso coração. “A noite está quase passada e o dia aproxima-se. Deixemos pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Romanos 13:12) fala o apóstolo Paulo. Trocando a escuridão de nossos corações pela luz, nós nos preenchemos com o Espírito Santo. O Espírito Santo cria uma nova vida, trazendo-a da não existência para a existência. É necessário fazer força para abrir nosso coração a Deus, o Qual entra dentro dele: “ Eis que estou à porta e bato.” (Apocalipse 3:20). É claro que o Reino dos Céus não é dado sem esforço, ele deve ser tomado à força. “...O reino dos Céus adquire-se à força...” (Mateus 11:12). O Reino dos Céus é o nosso bem, o bem comum e totalmente possível na Terra e não apenas atrás das nuvens. Para isso nós precisamos nos desafiar para a luta com o pecado. Este esforço trás junto de si uma nova vida, novas experiências, ainda não conhecidas por nós.


O esforço para a salvação freqüentemente é postergado para a velhice. O começo da salvação nós imaginamos empurrar para o futuro, esquecendo-se que talvez nós não iremos viver até a velhice. O futuro está sempre ao redor de nós, ele está ligado ao nosso arrependimento e a vontade de melhorar. O mistério da vida atual consiste em que a preocupação com a salvação não seja postergada para um futuro incerto, mas para que cada um de nossos passos seja iluminado pela luz da Verdade e Vontade de Deus e nessa luz esteja nossa melhoria. É indispensável lembrar-se que se nós vivemos pelo caminho do pecado, estaremos à beira da destruição, esta lembrança é fundamental para que a luz da verdade ilumine nossa vida.


Nós todos sempre estamos atentos a alegrias exteriores, mas aquilo que existe dentro de nós, nós desconhecemos. Por isso é que nós estamos envolvidos pela escuridão dentro e fora de nós. Em nossos corações está a escuridão do pecado e nós atribuímos às coisas e fatos significados que não são os verdadeiros. Nós nos embaraçamos em detalhes insignificantes, exaurimo-nos em situações sem nexo, o que deveria ser feito não é feito, e brigamos uns com os outros. Assim passa um dia após o outro, e determinados momentos passam e vão se embora sem aquele conteúdo divino que traz vida, e que poderia nos preencher. Nós não avaliamos o significado do tempo: os minutos, horas, dias, as coisas... Nós sentimo-nos como se estivéssemos cegos. Em nossa vida diária é exigida uma constante capacidade de ultrapassar obstáculos para termos bons relacionamentos, porém nós não temos consciência da importância disto. Nós caminhamos na escuridão e freqüentemente tropeçamos e por isso sofremos. Se nós tentássemos vencer a escuridão em nós mesmos, somente isso já iluminaria tudo em volta de nós. Se nós conseguirmos conquistar este momento de iluminação, então tudo muda, e todos os que nos rodeiam tornam-se subitamente muito familiares.

Arcebispo Sergio Korolev de Praga (1881-1952)
Traduzido por Boris Petrovich Poluhoff
http://www.fatheralexander.org/

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

OrtoFoto

autor: Andrey Popov

Completas

É um ofício de orações para antes do recolhimento noturno, principalmente realizado em mosteiros após o jantar. Existem dois tipos de Completas: Grandes Completas e Pequenas Completas. Este ofício começou como um rito seguido pelos monges em suas celas antes de ir dormir. Com o tempo foi dada uma expressão mais pública e fixou-se como é realizado hoje. Durante a maior parte do ano celebra-se Pequenas Completas de segunda a sexta-feira à noite. Nas vigílias do Natal e da Teofania, assim como nos dias de semana durante a Grande Quaresma, celebra-se Grandes Completas. O ofício de Pequenas Completas pode conter um cânon à Theotokos ou ao santo do dia, é consideravelmente mais curto, sendo considerado uma abreviação do ofício de Grandes Completas.