“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Santo Profeta Naum, um dos doze Pequenos Profetas (+séc.VII a.J.C.) - 1/14 dez

São Nahum nasceu na cidade de Elqosh na Galiléia, da Tribo de Simeão. Seu nome significa “consolação”. Ele profetiza durante o tempo dos reis Ezequias e Manassés, aproximadamente 700 anos antes de nossa era. Contado entre os doze profetas menores, ele deixou um pequeno livro de profecias, no qual prediz a destruição próxima de Ninive, a capital do reino da Assíria, pelos Medas (em 612), a sua completa devastação e a restauração do reino de Judá. Ele descreve com grandiosidade a cólera do Senhor contra os inimigos do Seu povo e ao mesmo tempo a ternura de Deus para com os Seus eleitos.

De longe ele vê vindo Àquele que deve conceder a paz definitiva ao povo de Deus: o Cristo.

Após haver realizado a sua missão, Nahum adormece em paz e é sepultado na terra dos seus ancestrais.

Tropário do Profeta, t.2
Celebrando, Senhor, a memória do Teu Profeta Nahum, por suas orações, nós Te suplicamos, salve as nossas almas.

Oração

Nós Te damos graças, Senhor, Deus da nossa salvação, por tudo o que fazes para o bem da nossa vida, a fim de que, sem cessar, os nossos olhos estejam voltados para Ti, Salvador e Benfeitor das nossas almas. Pois Tu nos fizeste repousar durante a noite, despertaste-nos dos nossos leitos e fizeste-nos levantar para a adoração do Teu nome venerável. Por isso Te pedimos, Senhor, concede-nos graça e força, a fim de que sejamos dignos de cantar continuamente em Tua honra, com temor e tremor, realizando a nossa própria salvação, com o auxílio do Teu Cristo. Lembra-Te, Senhor, daqueles que ao nascer do dia clamam para Ti; atende-os, tem piedade deles e esmaga a seus pés os inimigos invisíveis. Pois que Tu és o Rei da Paz e Salvador das nossas almas e nós Te damos glória, Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

OrtoFoto

Ordenação de Diácono – 09/09/07
Catedral Metropolitana de Santa Maria Madalena
Varsóvia, Polônia

"A sede pelo bem"

A alma do ser humano tem sede, conforme sua natureza, de unir-se ao bem e de todas as formas esforça-se em aprender, reunir-se e encontrar o bem. O bem é como se fosse feito de fios dos quais o ser humano tece para si as vestes com as quais estará um dia frente a frente ao altar Divino onde permanecerá para sempre. Esta vestimenta tecida de fios do bem e do amor, clareará e brilhará com a luz Divina. Se tecida pelos fios do mal, atos maus, escurecerá ainda mais em contraste à luz Divina, trará vergonha e uma dor amarga, àquele que estiver vestido com ela. Através das nossas próprias mãos, isto é, através de nossa própria vontade e arbítrio — apesar de pouco desenvolvidos, enfraquecidos pelo pecado mas com facilidade, nós podemos vestir a vestimenta da alegria ou, da vergonha. Nossa liberdade - aquilo de bom, que Nosso Senhor nos deu, como prêmio de Sua criação - direito ao qual Ele mesmo nos garante e não faz a menor pressão para nos influenciar em nossas escolhas. Porém nós não cuidamos deste nosso livre arbítrio e freqüentemente sem pensarmos nas conseqüências nos colocamos a serviço do pecado. Submissos ao pecado, como poderemos nos restabelecer no bem, quando as nossas forças encontram-se enfraquecidas? Somente com as nossas forças não podemos consertar a situação, mas com a graça de Deus isto é possível: A Deus tudo é possível! Enquanto nossa alma ainda permanece no caminho rumo ao Reino de Deus, enquanto ainda há tempo, vamos reforçar e fortalecer nossa vontade, enfraquecida, inerte, com a graça da força de Deus e vamos encontrar nela a força indispensável e o apoio na luta com o mal.


A vida exige um grande esforço. É necessário aprender a viver com sabedoria em Cristo e então tudo ao redor de nós irá adquirir significado e valor para a eternidade. Se nós formos atentos, então as circunstancias que nos rodeiam ficarão a nosso favor. Os “Santos Mestres” nos ensinarão a obediência a Deus, nos ajudarão com paciência e amor a percorrer nosso caminho na vida e conquistar a salvação. Onde quer que estejamos, em todos os lugares estaremos cercados por situações que poderão nos salvar; em quaisquer situações que a vida nos coloque — sempre poderemos amadurecer espiritualmente e nos aperfeiçoar. Nossa vida em cada circunstancia pode ser o caminho que nos conduz ao bem, a bem-aventurança - que está acessível aqui mesmo, na Terra.

Arcebispo Sergio Korolev de Praga (1881-1952)
Traduzido por Boris Petrovich Poluhoff
www.fatheralexander.org

Santo Apóstolo André de Betsaida, o Primeiro Chamado (+62) - 30 nov/13 dez


Os gregos chamam a este ousado apóstolo "Protókletos", que significa: o primeiro chamado. Ele foi um dos afortunados que viram Jesus na verde planície de Jericó. Ele passava. O Baptista indicou-o com o dedo de Precursor e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". André e João foram atrás d'Ele. Não se atreveram a falar-Lhe até que Jesus se virou para trás e perguntou: "Que procurais?" - Mestre, onde habitas? - "Vinde e vede". A Igreja deve muito a Santo André. Terá sido martirizado numa cruz em forma de aspa ou X, que é conhecida pelo nome de cruz de Santo André.


André foi o primeiro a reconhecer o Senhor como seu mestre... O seu olhar percebeu a vinda do Senhor e deixou os ensinamentos de João Baptista para entrar na escola de Cristo... João Baptista tinha dito: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Eis aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou enviado, não como o esposo, mas como quem o acompanha (Jo 3,29). Vim como servo e não como mestre. Levado por estas palavras, André deixa o seu antigo mestre e corre para quem ele anunciava..., levando consigo João, o evangelista. Ambos deixam a lâmpada (Jo 5,35) e caminham para o Sol... Tendo reconhecido o profeta de quem Moisés dissera: "É a Ele que escutareis" (Dt 18,15), André conduz até ele o seu irmão Pedro. Mostra a Pedro o seu tesouro: "Encontramos o Messias (Jo 1,41), aquele que desejávamos; vem agora saborear a sua presença". Ainda antes de ser apóstolo, conduz a Cristo o irmão... Foi o seu primeiro milagre.


Após Pentecostes, Santo André foi pregar na Trácia, na Macedônia, na Grécia e na Ásia Menor. Foi também o pregador do Evangelho em Bizâncio. As numerosas conversões que obteve suscitaram o furor dos idólatras, que o acusaram e o levaram ao tribunal de Egea, pró-consul da cidade de Patrás, na Criméia. Obrigado a sacrificar oferendas aos deuses e tendo-se recusado, foi condenado a morrer crucificado. Durante sua lenta agonia exortava à verdadeira fé a multidão que o rodeava. E assim, com humildade e alegria, entregou seu espírito ao Senhor.


Pelas orações de Santo André, ó Cristo Nosso Deus, tem piedade de nós!

Doxastikon do Lucernário, t.4
Abandonando a pesca dos peixes, é aos homens que fisgas com o caniço da divina pregação e o anzol da fé, ilustre Apóstolo que resgata do abismo do erro as assembléias das nações. Tu o irmão do Corifeu, cuja voz ressoa para instruir o mundo inteiro, ó André, não pare de interceder por nós, os fiéis que celebram de todo coração a tua sagrada memória.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

OrtoFoto

Altar do Mosteiro de Santa Catarina
Monte Sinai, Egito
autor: Bruce White

Apodosis

Do grego άπόδοσις, em eslavão otdanie, o último dia de pós-festa no qual a festa se encerra. O ofício da festa é repetido quase que inteiramente neste dia, isto é, os tropários, kontakions e demais cânticos relativos à festa.

Oração de São Basílo (II)

Mestre e Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, que Te mostraste paciente diante de nossas faltas, e nos conduziste até a hora presente, onde sobre a Cruz Vivificante abriste ao Ladrão arrependido a porta do Paraíso. Tu, que pela morte venceste a morte, tem piedade de nós pecadores, Teus indignos servos; pois nós pecamos, cometemos a iniqüidade, e não somos dignos de levantar os olhos e contemplar as alturas celestes, tendo abandonado a via da justiça e marchado sobre os desejos de nossos corações. Mas na Tua inefável Bondade, concede-nos a Tua graça, Senhor, e na Tua infinita Misericórdia, salva-nos, pois nossos dias passam em vão. Livra-nos da mão do Inimigo, mortifica nossos pensamentos carnais, a fim de que despojados do homem velho, nos revistamos do novo e vivamos por Ti, nosso Mestre e Defensor; concede-nos que ao cumprirmos os Teus Preceitos alcancemos o Repouso Eterno, lá onde os justos permanecem na alegria. Pois Tu és na verdade a jóia e a alegria daqueles que Te amam, ó Cristo nosso Deus, e nós Te glorificamos assim como ao Teu Pai Eterno e a Teu Bom e Vivificante Espírito, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

OrtoFoto




Igreja Ortodoxa do Profeta Elias em Podujevo (Kosovo),
após a destruição e profanação em 19 de Março de 2004 por extremistas Albaneses



"Sem Kosovo, a Sérvia não existe"


Pristina, 11 dez 2007 - "Sem o Kosovo, a Sérvia não existe", garante o bispo Artemije, responsável pela diocese kosovar de Raska-Prizren da Igreja Ortodoxa Sérvia e uma das vozes sérvias mais influentes do território.

Em entrevista a jornalistas portugueses no mosteiro de Gracanica, onde reside, num enclave sérvio a meia dúzia de quilômetros de Pristina, o bispo afirma a sua completa oposição à independência do Kosovo, que deverá ser brevemente proclamada pelos kosovares albaneses. O Kosovo "é o berço da Sérvia" e deve manter-se como parte integrante da "pátria sérvia".

"A Sérvia não pode ficar parada se lhe tirarem 15% do seu território", nota o bispo, defendendo a tomada de posições por parte de Belgrado no caso da proclamação da independência pelos albaneses, como "a mobilização, o fechamento de fronteiras e outras medidas".

Para Artemije, "a Sérvia deve demonstrar que se importa que o Kosovo fique na Sérvia e, no caso de secessão violenta, deve atuar como qualquer outro Estado democrático atuaria".

O religioso procura realçar as suas palavras, dizendo que "não se trata de uma declaração de guerra" e que "não deseja a guerra". Contudo, "a Sérvia deve defender-se em caso de perigo", adverte.

Segundo o bispo, desde 1999, data da intervenção da Otan para pôr fim à guerra no Kosovo, pouco mudou nas condições de vida dos kosovares sérvios. "Continuamos sem direitos humanos, sem direito de associação, sem liberdade, sem educação", afirma. "Em 1999, havia dez mortos sérvios por dia às mãos dos albaneses e agora há menos, mas ainda há", acrescenta o bispo, denunciando ainda a destruição das condições de vida e da herança cultural sérvia no Kosovo. "Dezenas de milhares de casas de sérvios foram destruídas, bem como mais de 150 igrejas e mosteiros, toda uma herança cultural dos séculos XIII e XIV", assegura.

O bispo é também resolutamente crítico da intervenção internacional. "A resolução da ONU (que instituiu a administração internacional do território, em 1999) visava possibilitar a criação de condições de paz e segurança, mas essas condições só foram criadas para os albaneses, e não para os outros", afirma.

O religioso nota ainda que cerca de 250.000 sérvios foram forçados a fugir do Kosovo e que, apesar de a resolução 1244 da ONU afirmar que todos os refugiados têm direito a regressar, "nem 2% dos sérvios regressou". "Esses 250.000 sérvios foram forçados a fugir pelos albaneses, que fizeram ainda mais de 13.000 seqüestros e mil mortes", aponta o bispo, notando que, ainda hoje, há mais sérvios a sair do território do que a regressar. "Trata-se de crimes não punidos cometidos pelos albaneses. Nem um perpetrador foi identificado", garante.

Quanto à atuação da Kfor, a força da Otan que garante a segurança no Kosovo, Artemije diz também "não ter bases para confiar" nela. "Os crimes e o sofrimento aconteceram na presença da Kfor, que não garantiu a segurança", afirmou, exemplificando com os acontecimentos de março de 2004, em que questões aparentemente menores levaram a que multidões albanesas se voltassem contra os seus vizinhos sérvios.

O bispo elogia contudo as autoridades de Belgrado, considerando que o atual governo sérvio "tem um grande nível de preocupação, tentando proteger e manter o Kosovo na Sérvia".

Artemije manifesta ainda a esperança de que a independência não se verifique, adiantando que, a concretizar-se, "serão violadores, assassinos e terroristas que estarão a ser recompensados pela comunidade internacional com a independência".

Como solução para a crise kosovar, Artemije vê apenas "as várias propostas para uma solução mutuamente aceitável apresentadas pela equipe negociadora sérvia" nas negociações com a parte albanesa, mediadas pela troika internacional (UE, EUA e Rússia), sucessivamente rejeitadas por Pristina.

As conversações não permitiram qualquer acordo entre as duas partes, com Belgrado, com o apoio da Rússia, a aceitar apenas conceder uma autonomia alargada ao território, enquanto os kosovares, suportados pelos Estados Unidos e alguns países europeus, não cedem na sua pretensão de independência.

"A outra parte teve o apoio dos Estados Unidos e de vários países europeus à sua pretensão de independência", podendo assim recusar as propostas sérvias, notou o bispo. Segundo ele, a acontecer a proclamação de independência, manter-se-á "uma situação de crise e poderá verificar-se uma cisão na União Européia e o alargamento da instabilidade aos Bálcãs e à Europa".

As perspectivas de reconciliação, no entender do bispo, só existirão quando as duas partes estiverem empenhadas nela. "Os sérvios já provaram essa vontade, ao permanecerem no Kosovo. Os albaneses, pelo contrário, continuam empenhados numa limpeza étnica", sublinha.
O bispo Artemije mantém contudo ainda algumas esperanças. "Um homem que acredita em Deus, também acredita num futuro melhor", conclui.

Nada, contudo, parece indicar que os kosovares albaneses tenham a intenção de desistir da proclamação da independência, que garantem para breve, mas em acordo com a comunidade internacional, como reafirmou recentemente o primeiro-ministro eleito kosovar Hasim Thaci.

Observadores internacionais em Pristina apontam para os dois primeiros meses do próximo ano como data possível para a declaração de independência do Kosovo. Onde o bispo Artemije garante que vai continuar.

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Manastir Sv. Apostola Petra i Pavla
Bósnia-Herzegovínia

Lucas (Lc 6, 29-30)

“Ao que te ferir numa face, oferece-lhe a outra, e a quem te tomar o manto não lhe estorves o tomar-te a túnica. Dá a todo aquele que te pedir, e não reclames de quem te toma o teu”


O amor do inimigo não é fácil. Nós nos colocamos em posição de defesa contra a injustiça; queremos vingança, se sofremos injustiça; pela retribuição pretendemos colocar o mal em xeque. “Assim como me fazes a mim, eu faço a ti” (cf. Mt 5,38). Cristo exige que o mal não seja retribuído com o mal; pelo contrário, ao mal não se retribua com o mal; ao mal não se ofereça resistência; o mal seja vencido pelo bem.. Estas normas valem para a injúria pessoal que nos é feita. Ao que te ferir numa face... Valem também para o caso de sermos lesados em nossas posses. A quem te tomar o manto...


A alegria do discípulo de Cristo em orar deve desconhecer limites. Dá a todo aquele que te pedir, sem levar em consideração nacionalidade, comunhão de fé, pontos de vista diferentes, dignidade... Sempre de novo, dá. Cristo vai mais longe ainda: propriedade tirada dolosamente e à força nem deve ser reclamada. Quem sofrer tais prejuízos não se defenda, não procure recuperar sua propriedade. Porventura a injustiça deve se tornar justiça?


Podemos ficar tranqüilos ouvindo essas exigências de Cristo? Não se revolta algo dentro de nós? Não se levanta a resistência, porque temos nossas dúvidas? Não se sacrifica a personalidade com os seus direitos? Não se abrem todas as portas ao desenvolvimento dos mais baixos instintos de homens perversos?


Por que os homens agem entre si segundo regras totalmente diferentes, os exemplos soam tão espantosamente paradoxais e escandalosos. Eles revelam como é contrário a Deus o procedimento dos homens, caso o domínio de Deus não os tenha mudado e transformado. Nós imaginamos que o mal é exterminado, quando lhe opomos resistência, quando o mal é retribuído com o mal. Cristo, porém, anuncia que o mal é vencido pelo bem. Ele traz o Reino de Deus. E pela soma de todos os bens, que no Reino se desenvolvem, surge o triunfo de bem sobre o mal.


O modo pelo qual Cristo fala é plástico e vivo. Ele pretende inquietar, despertar, sacudir, transformar. Exemplos são exemplos para uma atitude para a qual Ele nos conclama. Cristo não dá uma preleção sobre deveres morais, preleção que esclareça todos os “se” e “mas”. Com Suas palavras não pretende anunciar novo código de Leis, contido em quatro parágrafos: 1) ao que te ferir... 2) a quem te tomar o manto... Isto seria deturpar o sentido das palavras de Cristo. Este procedimento Ele o quer. E o discípulo deve, na multiplicidade dos acontecimentos da vida, realizar tal procedimento e leva-lo à ação.