A alma cristã desapegada do mundo, não tem senão um desejo para o tempo e para a eternidade: estar unida a Jesus Cristo, com aquela união inefável cuja pintura nos transporta no cântico misterioso do amor divino. “Meu amado vive em mim, e eu nele; descansa entre lírios até que amanheça a aurora, e as sombras declinem” (Cânt, 2,16,17).
Que buscas tu na sociedade dos homens? Entra, entra em ti, prepara ao celeste esposo uma morada digna dele; Ele virá, e nela descansará, porque Suas delícias são habitar no coração que o chama. Então, só com Jesus, longe do bulício do mundo, no silêncio das criaturas, Ele te falará “como um amigo fala a seu amigo” (Ex. 33,11)
Ele está de nosso amor tão avarento que não sofre com nenhuma outra coisa. E com razão: porque onde o amor vai, tudo leva após de si. Bom pastor e senhor desta alma, levai-a para Ti, e não permitas que nenhuma criatura dela se aposse. Todo misericordioso Tu és, meu Senhor, todo brando, todo suave, seja minha consolação neste mundo, para seres depois o enlevo da minha alma na eternidade.
domingo, 9 de dezembro de 2007
“Da vida interior”
sábado, 8 de dezembro de 2007
Antífona
Do grego αντιφόν, de anti (do lado oposto) + phoné (voz): canto alternado. Cântico executado alternadamente por dois cantores ou por dois coros, ou à oitava, segundo o uso litúrgico antigo. Atualmente, constitui um salmo antifonado, cujos versículos são intercalados por um refrão. Esta palavra é freqüentemente usada em referência aos três grupos de hinos cantados no começo da Sagrada Liturgia, Salmos 103, 146 e Bem-aventuranças compondo a 1ª, 2ª e 3ª antífonas. Também, referem-se aos Anavathmoi das Matinas de domingo. As antífonas foram introduzidas por S. Inácio, o Teóforo, bispo de Antioquia que teve uma visão do cântico dos anjos (antifonado) glorificando a Deus.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
"Reflexões sobre Abstinência e Jejum"
Geralmente quando ouvimos falar em jejum e abstinências o primeiro sentimento que temos não é muito agradável, normalmente é o de privação. A 1ª idéia que nos vem à cabeça é ter que abdicar de coisas que nos agradam e talvez de outras que até já nem sabemos viver sem elas, e claro, consideramos isso muito desagradável. Isso se nos apresenta como um impedimento à satisfação das nossas necessidades, ou como uma restrição à nossa liberdade de escolha.
Na verdade esta questão é completamente falsa. O que acontece é exatamente o contrário. Prestando atenção veremos que existe um processo natural que se manifesta em quase todas as áreas de atividade da nossa vida. Quando almejamos algo de importante valor para o projeto de vida que temos, o imediato movimento interior que se instala em nós é o de concentrar o maior esforço possível para atingir nosso objetivo.
Eis aí um clássico exemplo do que é verdadeiramente ABSTINÊNCIA! Fica demonstrado que (des) invertendo o entendimento - consequentemente a vivência - a abstinência não é uma privação, é de fato a possibilidade de um ganho. Vejamos bem, o movimento de concentração em algo, exige necessariamente renúncia a outras coisas. Esta renúncia não é uma imposição ou constrangimento, mas uma escolha livre e soberana em vista de um bem maior. Somente a guisa de ilustração: Seria uma temeridade que um virtuose do piano também quisesse jogar vôlei, um atleta, não querer abandonar as noitadas com bebidas e tabaco, um adulto não querer abrir mão da peladinha, todas as tardes, com os amiguinhos da rua ou alguém desejar viver um grande amor sem deixar de flertar com todas as possibilidades românticas que lhe surgem. Assim é na profissão, no amor e em quase tudo o mais na vida. Querendo muito alguma coisa temos que concentrar os nossos esforços nisso, abdicando de tudo que nos atrapalhe ou desvie do nosso objetivo. Caso contrário, enfrentaremos dificuldades práticas e uma série de questões que imediatamente se impõe à nossa mente: Porque não deu certo? Faltou esforço? Não era mesmo para acontecer? Deus não quis? Queríamos de verdade ou apenas achávamos bom que acontecesse? Nesta altura já estamos, à deriva, em plena tempestade psíquica.
Processo semelhante também acontece na busca espiritual que se vive ao interior da Igreja.
Sabemos que, por Sua infinita misericórdia, o perdão, a cura e a salvação são concedidos por Deus aos homens, Ele é a origem de tudo, Ele opera a salvação pela Graça, de graça, e exclusivamente porque Ele quer. Portanto, não se pode, nem por um segundo, desconsiderar-se o mistério da Economia salvífica do Cristo. Mas o homem não foi criado para um joguete nas mãos de um deus despótico; ao contrário, o homem foi criado para uma participação ativa, soberana e efetiva na dinâmica da Criação como um todo. Conseqüentemente, no drama da sua salvação pessoal, o homem também é chamado à participação.
A parte que nos cabe neste diálogo participativo, em vista da salvação pessoal, é o que podemos chamar de: ascese, exercícios de fé, esforços espirituais. Ou seja, se quisermos verdadeiramente e de uma forma profunda viver uma vida santa, guiados pelo Espírito de Deus, então teremos necessariamente, nós mesmos, tão somente que abrir “espaço” em nosso interior para que Deus opere. Era sobre isso que o santo Apóstolo dos Gentios se referia quando disse: ...logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; (Gl. 2,20). Mas como é impossível que a luz coabite com a escuridão também é certo, claro e cristalino que para o Senhor coabitar em nossos corações é condição imprescindível renúncia à todas as coisas que sejam contrárias ou que nos distraia deste chamado que Deus nos faz, o de que sejamos templos do Espírito Santo.
Portanto, se resolvemos nos entregar a este divino propósito, o de sermos Discípulos do Cristo, Amigos do Senhor, ou mesmo apenas buscamos os salutares benefícios das consolações espirituais concedidos por Deus, então é necessário e inevitável, concentrar esforços para purificar a criatura que somos; isso se faz no exercício das virtudes cristãs. É preciso consciência. Afinal são as próprias palavras do Senhor que nos alerta: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios”, (Mc. 7, 21). Preocupante, mas como o Mal entra no coração? As Sagradas Escrituras nos diz algo a respeito: “...porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. (Mt. 6, 21), e ainda “São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas.” (Lc. 11, 34). Este “olhar” podemos entendê-lo como uma imagem do: para o quê direcionamos a nossa vontade. Precisamos reconquistar a soberania sobre este nosso olhar, decidir quais tesouros almejar, purificar o olhar para “não se perder o rumo”.
Mas é possível ao homem comum experimentar tal estado de pureza interior?? Mais uma vez é o próprio Senhor que nos responde: “...Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível”. (Mt. 19, 26). O homem não tem como adquirir, por si próprio, um estado de verdadeira pureza. O Senhor Altíssimo, Criador dos céus e da terra é a fonte única, também, de todas as virtudes. Assim é que a participação na divina Pureza se revista do caráter de uma dádiva que, como tal, só pode ser concedida, unicamente, por Deus. Nós apenas precisamos oferecer-nos à obra da Graça. É a Luz afastando a escuridão. A nossa alma será purificada, com a Graça de Deus, toda vez que nos abstermos de colaborar com o adversário. Era a isso que S. Serafim de Sarov chamava de “Comércio espiritual”. Rejeitamos a solidariedade com as coisas deste mundo, materiais ou psíquicas, em troca dos bens espirituais. Esta é a nossa entrega: recusamos-nos contribuir com os inimigos de Deus e, neste vazio de alma resultante, ficamos à espera do Senhor de misericórdia agir.
É preciso saber que o Adversário não perde nenhuma oportunidade de “alimentar-se” com os nossos vãos pensamentos. Pois, em nossas imaginações, nossos desejos e fantasias, ou seja, o nosso psíquico “olhar” interior, é onde o demônio encontra munição e facilidades para as suas armadilhas e sugestões. São principalmente destes vãos pensamentos que necessitamos praticar a abstinência e o jejum. Ou seja, é urgente vigiar a mente e exercitarmo-nos na prática de pensamentos virtuosos, objetivos e realistas. O resultado disso é que, espiritualmente, de fato, “mata-se de fome” o demônio. Sublime maravilha! Nós nos recusamos alimentar o inimigo e como recompensa deste acirrado combate ficamos com a alma nutrida pela Graça. Esta é a abstinência que sacia.
Esse é o profundo e definitivo jejum! Todos os jejuns e abstinências que a Igreja nos pede são inicialmente apenas jejuns exteriores, jejuns do corpo carnal. Porém sabemos que o homem não é somente carne; junto com ela coexiste o, ainda desconhecido, “homem interior” de cada um.
A pessoa é um organismo composto e complexo, onde todas as suas “partes” estão intimamente interligadas. Portanto o jejum na carne não é apenas da carne, ele tem um conteúdo simbólico, na medida em que, através de uma relação de correspondência, estabelece uma estreita e misteriosa ligação com todo o resto do ser. Na verdade a abstinência de alimentos serve como uma espécie de ferramenta para a purificação da alma. Abstemos-nos dos alimentos carnais para nos fortalecermos espiritualmente para as abstinências da alma, para a abstinência dos pensamentos. Nós diminuímos a ingestão de matéria para o corpo em contrapartida o Senhor derrama na alma Suas Graças espirituais, a alma se ilumina e fortalece todo o ser.
Mas é possível ao homem comum manter uma tão rígida vigilância sobre a sua mente? Sim, mas para isso precisamos contar com uma poderosa aliada: a oração.
Mas isso já são contas de um outro rosário...
Arcebispo Chrisóstomo
Boletim Interparoquial, jun/2007
Santa Megalomártir e Virgem Catarina de Alexandria (+c.305) - 24 nov/07 dez
Chocado com a audácia da jovem, mas incapaz de responder a seus argumentos, Maxentius reuniu 50 sábios com a incumbência de provar-lhe que Jesus, morto numa cruz, não podia ser Deus. Quando informaram à Catarina a respeito da disputa que a aguardava, ela se entregou inteiramente a Deus. Imediatamente, um anjo do Senhor colocou-se ao seu lado e admoestou-a a permanecer firme, assegurando-lhe ser impossível que ela fosse derrotada por estas pessoas. Mais ainda, ela as converteria e as colocaria no caminho do martírio.
Então, Catarina foi levada à presença dos oradores. Indagou ela: "É justo colocar 50 homens contra uma moça, com a promessa de que, ao ganhar, receberão uma rica recompensa, forçando-me a lutar sem a esperança de prêmio ? Entretanto, minha recompensa será o Senhor Jesus Cristo, que é a esperança e a coroa daqueles que lutam por Ele."
Iniciaram-se os debates e ela sempre terminava vitoriosa. Graças a sua eloqüência chegou a converter ao cristianismo alguns de seus adversários, que foram sentenciados de morte.
Furioso por estar sendo derrotado, Maxentius prende Catarina. A imperatriz, curiosa por conhecer a jovem que desafiava seu marido, vai acompanhada de Porfírio, chefe das tropas, até a prisão. Catarina também os converte e eles são martirizados.
Catarina é condenada à morte na roda de tortura, mas basta que ela encoste na roda para que ela se parta e mate vários pagãos que assistiam. Quando deceparam sua cabeça, do seu pescoço começou a brotar leite ao invés de sangue.
Os relatos de seu martírio afirmam que os anjos desceram dos céus e levaram seu corpo para o monte Sinai, onde mais tarde surgiu o Mosteiro de Santa Catarina. De seus ossos ainda emana um óleo que é utilizado por todos enfermos que visitam seu sepulcro.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Mosteiro de Zavala
O Mosteiro de Zavala situa-se na Bósnia-Herzegovínia na região de Popovo e é dedicada a "Festa da Apresentação ao Templo da Santa Mãe de Deus".
As evidências de sua existência apontam para o ano de 1514 em um contrato de venda de um vinhedo.
Seus frescos datam de 1619 e foram pintados por Georgije Mitrofanovic, o mesmo que fez o refeitório e vários outros frescos no Mosteiro de Hilandar no Monte Athos.
Foram profanadas e quase totalmente destruídas pelo exército Croata no período 1991-1995, durante a guerra étnica dos Balcãs.
“Não cair em desânimo”
Não basta ser paciente com os outros, é preciso sê-lo também consigo mesmo. Certa desconsolação amarga e violenta que experimentamos depois de ter cometido alguma falta, vem antes do orgulho humilhado que do arrependimento sincero. O homem humilde que conhece sua fraqueza, não se admira de cair; chora sua queda, implora o perdão de sua culpa e levanta-se sossegado, para, para pelejar com renovado valor. Fraqueza e cair é sem dúvida grande mal; porém perturbar-se e perder ânimo depois de caído é por certo mal muito maior. A perturbação e o desalento têm sua origem numa sorte de despeito soberbo de ver-se o homem tão fraco ou da falta de confiança naquele que cura a nossa fraqueza. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”, e se, sobrevindo a tentação vos acontece sucumbir, vigiai e orai ainda mais; porém não percais nunca a paz, porque nosso Deus é o Deus da paz e na paz é que Ele nos chama. A graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de nosso Senhor Jesus Cristo “sejam pois sempre com todos nós, e levem-nos depois das provações deste tempo ao gozo da eterna bem-aventurança”.
Deus e Senhor todo-poderoso, que em nenhuma coisa mais manifestais Vosso infinito poder que em perdoar em ter misericórdia dos pecadores, que à Vossa imagem e semelhança criastes, acrescentai em nós Vossas grandes misericórdias e fazei que sobre todas as coisas Vos amem estes nosso terrenos corações, para que cheguemos às grandes mercês que nos prometestes, pois são tamanhas que excedem todo nosso desejo e merecem todo o desvelo de nosso coração.
Oração (VII)
Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a Tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das Tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra Ti, contra Ti somente pequei, e fiz o que a Teus olhos parece mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares. Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria. Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que Tu quebraste. Esconde a Tua Face dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da Tua presença e não retires de mim o Teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da Tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, e os pecadores a Ti se converterão. Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua louvará altamente a Tua justiça. Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o Teu louvor. Porque Te não comprazes em sacrifícios, senão eu os daria; Tu não Te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. Abençoa a Sião, segundo a Tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém. Então, Te agradarás de sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então, se oferecerão novilhos sobre o Teu altar.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
A Unidade da Igreja
A reconciliação em Cristo e o restabelecimento da unidade perdida entre os cristãos foram sempre problemas que tocaram fundo o coração de todos os santos Hierarcas da Igreja Ortodoxa. Todavia, porque a unidade só é autêntica quando realizada na plenitude da Fé e porque um certo comportamento dos Fiéis perante estes problemas é, não raro, meramente uma posição humanista, convém, sem por barreiras ao Amor, por barreiras ao erro, pois este está fora do Amor. Estas, em suma, as razões da presente Exortação.
A UNIDADE DA SANTA IGREJA é unidade de todos os homens com Deus em Jesus Cristo pela Graça do Espírito Santo. Fora desta "táxis" (ordem) não poderá haver nem unidade entre os homens nem unidade entre as diversas Igrejas.
O centro desta unidade, porque força poderosamente unificadora da Igreja, é nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e Homem. União feita a partir da vida de todos os cristãos que é espelho da Caridade Divina; a essência dessa vida na plenitude é união perfeita com Deus e em Deus, Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo.
Sendo a essência da vida cristã união com Deus, sendo a unidade em Deus união na Verdade porque Deus é Verdade, a unidade da Igreja cristã deve ser unidade na Verdade de Deus. Só Cristo é a Verdade porque Ele é a Luz e o Caminho; só o Espírito é Verdade - "enviar-vos-ei o Paráclito, o Espírito Santo, Espírito de Verdade, o qual procede do Pai" (Jo. 15,26); só o Pai é Verdade - "Aquele que Me vê, vê também o Pai " (Jo. 14,9); "o Meu alimento é fazer a vontade do d'Aquele que Me enviou a completar a Sua obra" (Jo. 4,34). Porque Deus é uno não há três Verdades mas a Verdade que reside inteira no seio da "TRINDADE". Esta Verdade em Deus fez-Se carne, fez-Se Luz e ícone de unidade e enviou os Apóstolos "fazer discípulos entre todas as nações, batizando-os em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt. 28,19). A Igreja a quem foi dada esta missão de pregar a Verdade é coluna e fundamento da Verdade e desta afirmação temos garantias, garantias dadas por Um da Trindade, o Verbo, quando disse: "Eis que Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt. 28,20).
Assim, não pode haver união dos cristãos fora da Verdade, porque fora da Verdade não há nem Igreja, nem salvação, nem vida eterna. "Deus, nosso Senhor, quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade" (1 Tm. 2,4); "Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não possui a Deus, mas aquele que permanecer na doutrina (pelo Espírito), este possui o Pai e o Filho" (Jo. 1,9). Esta Verdade em Deus é Deus, Verdade revelada aos homens, Verdade imutável e eterna porque Verdade da Trindade eterna e imutável - "Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem; hoje e por toda a eternidade" (Hb. 13,8). "Ao Rei dos séculos, ao único Deus imortal e invisível, honra e glória, pelos séculos dos séculos! Amén!" (1Tm. 1,17).
Os santos Apóstolos condenam toda e qualquer forma de cristianismo que não seja aquela que recebemos diretamente, na Verdade e em Igreja; do Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo Paulo condena todas as religiões de origem humana, afirmando que aqueles que falseiam o Evangelho e fabricam por suas mãos outras doutrinas, se condenam a si próprios: "Repito mais uma vez o que já te disse: Se alguém pregar doutrina diferente da que recebeste, seja ele rejeitado!" (Gal. 1,9). "Depois de advertires até duas vezes o homem que fomenta a divisão, afasta-o, porque sabes que esse tal se perverteu e que, perseverando no seu pecado, se condena a si próprio" (Tm. 3,10-11). Como vemos, os Apóstolos interditam a "comunhão" com todos os que falseiam o Evangelho da Justiça, afastando-os da Igreja. Este ato de enorme gravidade é motivado porque as mutações na fé cristã ameaçam a salvação do homem e destroem a verdadeira unidade na medida em que se trata de "doutrinas humanas" que nada mais têm senão a "aparência de sabedoria" (Cf. Col.. 2,22-23). A Sagrada Escritura diz-nos que na Igreja nascerão sempre falsos doutores e falsos profetas mas que a Igreja fiel permanecerá até ao fim do mundo, até a gloriosa vinda do Senhor Jesus Cristo. Para os cristãos não há maior pecado do que trair o santo Evangelho de Cristo e de falsear os ensinamentos apostólicos. Tornar-se culpado deste pecado é tornar-se réu de traição para com Deus e para com toda a Igreja. A unidade da Igreja e a unidade dos cristãos não pode existir senão na unidade perfeita das doutrinas que os Padres da Igreja chamaram divinas. A maldição de Deus cairá sobre quem atraiçoar a Cristo que é a Verdade e a Vida.
Lá onde a verdade não anda misturada com o erro e lá também onde os ideais de perfeição cristã não estão misturados a falsos ideais do comportamento humano; lá onde homens perfeitamente conscientes das suas fraquezas e dos seus pecados dialogam com Deus na plenitude da Sua própria manifestação divina na Graça, lá está a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, que é a presença e a Força do Reino de Deus sobre a terra. Não pode haver senão nesta Igreja, que é a autêntica unidade dos cristãos, a unidade de todos os homens dada por Deus.
Oração (VI)
Glória a Ti, Rei, Deus, Todo-Poderoso, que em Tua divina Providência e no Teu amor pelos homens dignaste-me a mim, pecador e indigno, de despertar-me do sono e conhecer o acesso à Tua santa morada. Recebe, Senhor, a voz da minha oração como aquela dos Teus santos Poderes Espirituais e aceita em Tua benevolência o louvor que Te dirijo de lábios impuros, de um coração puro e um espírito humilhado. Que eu, pecador, possa associar-me às Virgens Prudentes com a chama de minha alma acesa para Te glorificar a Ti, Deus-Verbo, Que és glorificado no Pai e no Espírito Santo. Amém.
























