“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

ok

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

“Dos admiráveis efeitos do Amor Divino”

“Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus nele (Jo. 4,16)”.
Mas o amor tem seus tempos de prova, como seus momentos de gozo; e esta vida transitória deve ser de contínuo exercício, de amor, ou a consumação dum grande sacrifício, cujo prêmio será uma vida eterna ou um amor imutável.
Todos os caracteres da caridade, enumerados por São Paulo, nos recordam a idéia de sacrifício; e o mesmo amor infinito não pode manifestar-se plenamente a nós senão por um sacrifício infinito. “Deus amou de tal modo o mundo que deu por ele Seu Filho unigênito” (Jo. 3, 16).
E nosso amor para com Deus não pode tampouco manifestar-se senão por um sacrifício, não igual, o que seria impossível, mas semelhante pelo dom de todo nosso ser ou uma perfeita obediência de nosso espírito, de nosso coração e de nossos sentidos à vontade daquele que tão extremosamente nos amou.
Então se verifica aquela união inefável que, na sua última hora, pedia Jesus Cristo a seu eterno Pai operasse entre Ele a criatura resgatada. Enquanto a natureza viver ainda em nós, alguma coisa nos separa de Deus e de Cristo, e o amor de Jesus nos impede a que consumemos o sacrifício, e pronunciemos aquela última palavra que o mundo não compreende, mas que repojiza o céu: “Tudo está consumado!” (Jo.19, 31).

Oração de São Macário, o Grande (VI)

Ao despertar do sono, ó Salvador, eu Te ofereço um hino ao meio da noite, e prostrando-me dirijo-Te este clamor: Não me deixes adormecer na morte do pecado, antes sê misericordioso para comigo, Tu que foste crucificado voluntariamente; apressa-Te em arrancar-me do leito da preguiça e salva-me a mim, afim de que possa dedicar-me à vigília e à oração; faz brilhar sobre mim, após o sono, um dia sem pecado, ó Cristo Deus e salva-me.

domingo, 11 de novembro de 2007

Sakkos

Sakkos do Metropolita Photios, século XIV
Museu de Cultura Bizantina

Sakkos é o paramento superior largo, com mangas também largas e bem ornamentado. O nome provém do grego sakkos, que significa saco. Na antigüidade era o traje de coroação dos imperadores bizantinos. Em sinal de respeito os soberanos passaram a oferecer o sakkos aos patriarcas, que inicialmente só o usavam nas grandes festas. Com o tempo, o sakkos passou a ser um paramento de todos os bispos.

OrtoFoto

Paróquia de São Jorge, o Vitorioso
Maricá, Rio de Janeiro

Sabemos nós o significado da palavra “paróquia”?

Ao desenvolver uma autêntica compreensão cristã e ortodoxa de nossa vida na Igreja podemos ser por vezes auxiliados dando o verdadeiro significado as palavras que são, as mais óbvias e mais usuais, mas que, no entanto não são com freqüência bem entendidas.

Uma destas palavras é o vocábulo “paróquia”, que também existe em outras línguas sob uma variedade de formas (parohia, parafia, etc...). Utilizada desde as mais antigas origens do Cristianismo para designar uma comunidade cristã local. Aparece nos escritos dos Santos Padres da Igreja e nos cânones promulgados pelos Concílios recentes. O original do grego de paroikia significa “temporário”, ou residência “secundária”.

O “lar” permanente, a Casa, é sempre designado como oikos. E para os cristãos, esta Casa é o Reno de Deus, o Templo onde Deus habita, a Nova Jerusalém. No entanto, por não estarmos ainda lá, Deus estabeleceu para nós na Terra uma casa temporária – a Tenda, onde Jesus, o Verbo Encarnado habita conosco pelo Espírito Santo, da mesma maneira com que habitou com os judeus no deserto quando estavam a caminho da Terra Prometida. Todavia, no Antigo Testamento esta divina presença na Terra tinha somente a forma simbólica de uma Arca do Concerto. No Novo Testamento a comunhão com Deus é direta e real – no Corpo e no Sangue de Cristo.

Logo, a “paróquia”, a paroika nos conduz bem próximos à Casa. Mas, pode servir este propósito somente se não vemos nela “nosso” cumprimento, nem o “nosso” orgulho – ou ainda pior – um clube orientado a “permanentes objetivos” neste mundo, completamente fora do Reino.

A paróquia é o local onde nos oferecemos nós mesmos a Deus, onde ajudamos os outros, onde nós nos tornamos membros da Igreja de Cisto, que é chamada a salvar, não somente a nós como indivíduos, como famílias, como grupos, mas antes o mundo inteiro, guiando-o ao Reino que há-de-vir.

Eis o significado e as implicações que a Igreja atribui a esta palavra simples e tão usual: a Paróquia. Talvez pudéssemos meditar acerca disto antes de cada assembléia paroquial...
“Boletim Interparoquial”, Outubro de 2007

Oração do Santo Hierarca João Crisósotomo

Ó Senhor Jesus Cristo, abre os olhos do meu coração afim de que eu possa ouvir a Tua Palavra, compreender e realizar a Tua vontade, eu que sou um peregrino sobre a terra, não esconda de mim os Teus Mandamentos, mas antes abre os meus olhos para que receba as maravilhas da Tua Lei. Revela-me os segredos e o quê de oculto de Tua sabedoria. Em Ti eu ponho a minha esperança, ó meu Deus; possas Tu iluminar a minha mente e meu entendimento com a luz do Teu conhecimento, afim de que não somente me compraza de tais obras, mas antes as realiza; que ao ler as vidas e os escritos dos Santos, eu não peque, mas que sirva isto então para a minha restauração, iluminação e santificação; para a salvação da minha alma e a herança da vida sempre eterna. Para a iluminação daqueles que perecem nas trevas, e que por Ti realizem toda boa obra e todo dom.
Amém.

sábado, 10 de novembro de 2007

Santa Mártir e Mística, Anastásia, de Roma (+256) - 29 out/11 nov

Santa Anastásia de Roma ficou órfã aos 3 anos de idade. Ela foi educada em um mosteiro perto de Roma, onde se tornou monja. Durante o império de Décio (249-251), Anastácia completou 21 anos. Ela era muito bela e muitos nobres romanos pediram sua mão em casamento, mas ela rejeitava todos, preferindo se manter como noiva de Cristo.

Naquele tempo o imperador organizou uma grande perseguição contra os cristãos. Os pagãos arrebataram até o administrador da cidade. Ela era acusada de desdenhar os pretendentes nobres e ricos, além de venerar o Cristo crucificado.

O administrador Probus ordenou que ela levasse um sacrifício aos ídolos, mas Anastásia se negou a renunciar a Cristo. Diante da sua recusa ela foi brutalmente torturada: de seus dedos foram arrancadas as unhas, depois cortaram seus pés e mãos e em seguida quebraram todos seus dentes. A santa, esvaindo-se em sangue, começou a desfalecer e pediu água. Cirilo, presente nessas torturas, ficou com pena e deu-lhe de beber. As torturas continuaram; cortaram a língua da santa Anastácia, com a qual ela ininterruptamente louvava a Deus. Exaustos, os carrascos finalmente a decapitaram. Decidindo que Cirilo, aquele que deu água para a mártir, era um cristão oculto, os carrascos agarraram-no e também o executaram.

Tropário de Santa Anastásia, t.4
Sendo virgem pura, pela ascese brilhaste em santidade, tingiste de púrpura com o sangue da tua luta o ornamento da tua candura; é por isso, venerável mártir Anastásia, que tu irradias as graças das curas sobre o mundo, implorando ao Salvador em favor de nossas almas.

Artoklasia

Do grego αρτοκλασία, literalmente quebra e não benção do pão. É uma cerimônia que ocorre no final de Grandes Vésperas nas Vigílias das Grandes Festas, e em certos outros dias nos quais acontece a Lítia (Grandes Completas nas Vigílias do Natal e Teofania). Uma mesa é colocada no centro da igreja ou do lado de fora, e sobre ela um utensílio com três dispositivos destinados para óleo, vinho e grãos de trigo (no uso grego utilizam-se apenas dois dispositivos: para o vinho e óleo); e um outro dispositivo mais elevado para os cinco pães. Durante o canto do tropário Apolitikion o sacerdote incensa esta mesa e diz a oração da benção, relembrando os cinco pães que alimentaram cinco mil pessoas no deserto (Mt 14, 15-21). O utensílio com os pães, o vinho, o óleo e o trigo é levado para dentro do santuário, pelas Portas Reais, os pães são cortados em pequenos pedaços e molhados com o vinho. Após a leitura do Evangelho os fiéis veneram o Evangeliário e em seguida são ungidos com o óleo recém-abençoado recebendo, então, o pão molhado com o vinho.

Oração de São Macário, o Grande (V)

Senhor, que em Tua grande bondade e na Tua abundante misericórdia, concedeste a mim, Teu servidor, de passar o tempo desta noite sem perigo, ao abrigo de todo mal adverso. Tu-Próprio, Mestre e Autor de todas as coisas, torna-me digno da Tua luz verdadeira e permita que, de um coração iluminado eu realize a Tua vontade, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Amém.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

“Da pureza da mente e da intenção reta”

Com duas asas o homem se eleva acima das coisas da terra: a simplicidade e a pureza.
A simplicidade deve constituir na intenção, a pureza, no afeto.
A simplicidade procura Deus, a pureza o alcança e frui.
Nenhuma boa ação te causará embaraço se, no mínimo, estiveres livre de afeições desordenadas.
Se nada mais desejares que o beneplácito de Deus e a utilidade do próximo gozarás de absoluta liberdade interior.
Se o teu coração fosse reto, encontrarias em todas as criaturas um espelho de vida e um livro de santa doutrina.
Não há criatura tão pequena e tão vil, que não dê testemunho da bondade de Deus.
Se fosses bom e puro, interiormente, então tudo verias sem dificuldades e compreenderias bem.
Um coração puro penetra o céu e o inferno.
Cada um julga das coisas exteriores, conforme suas disposições interiores.
Se existe alegria no mundo, tem-na, de certo, o homem de coração puro.
E se algures há tribulações e angústias, é a conseqüência má que as experimenta.
Assim como o ferro no fogo perde a ferrugem e fica todo incandescente, da mesma sorte o homem que se converte inteiramente a Deus, sacode o torpor e se transforma em um homem novo.
Quando alguém começa a esfriar no fervor. Logo receia o menor trabalho e, de bom grado, aceita consolações exteriores.Quando, porém, principia a vencer-se, perfeitamente, a si mesmo e a caminhar varonilmente pelas vias do Senhor, tem por leves as coisas que dantes lhe pareciam pesadas.

OrtoFoto

Igreja em Thassos, Grécia
autor: Costyn

Santo Mártir Nestor da Tessalônica - 27 out/09 nov

Tropário do Santo Mártir Nestor da Tessalônica, t.5
Invencível Campeão da fé, tendo partilhado a vida e os pensamentos de São Demétrio, tu, ó Bem-aventurado Nestor, lutaste valentemente. Com a ajuda divina, abateste o Tirano Leon. Na verdade, como vítima sem mancha foste tu oferecido, imolado, ao Supremo Árbitro, o nosso Deus.