“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Stº Apóstolo do Senhor TIAGO, o filho de Alfeu, um dos Doze – 9/22 out

Tiago, filho de Alfeu, era um dos Doze Apóstolos. Era irmão de sangue do Apóstolo e Evangelista Mateus. Foi testemunha das verdadeiras palavras e milagres de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, uma testemunha de Seus sofrimentos, Ressurreição e Ascensão. Depois da descida do Espírito Santo em Pentecostes, a sorte que caiu a Tiago foi pregar o Evangelho de Cristo em Euleuterópolis e nas áreas circunvizinhas e, então, no Egito, onde ele sofreu pelo seu Salvador. Com grande poder em palavras e obras, Tiago disseminou as salvíficas boas-novas do Verbo de Deus Encarnado, destruindo a idolatria, expulsando os demônios dos homens, curando toda enfermidade e doença no nome do Senhor Jesus Cristo. Seu zelo e labor foram coroados com grande sucesso. Muitos pagãos vieram a acreditar em Cristo, igrejas foram construídas e organizadas, padres e bispos, ordenados. Tiago sofreu na cidade egípcia de Ostracina, sendo crucificado pelos pagãos. Deste modo, este magnânimo e genial apóstolo de Cristo tomou posse de sua habitação no Reino Celestial, para reinar eternamente com o Rei da Glória.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Santas Mártires Sofia e suas filhas, Fé, Esperança e Caridade, de Roma (+ c. 137) - 17/30 set

Todas viveram e sofreram em Roma, durante o reinado do Imperador Adriano. Sofia era sábia, como indica seu nome. Caíra na viuvez e firmara bem a si própria e a suas filhas na fé cristã. Quando a mão perseguidora de Adriano estendeu-se até sobre a virtuosa casa de Sofia, Fé tinha apenas doze anos de idade, Esperança tinha dez anos e Caridade, nove. Trazidas perante o imperador, as quatro seguravam as mãos uma das outras "como uma coroa entretecida"; humilde mas firmemente confessaram sua fé no Cristo Senhor e se recusaram a oferecer sacrifícios ao ídolo pagão de Ártemis. Antes de seus sofrimentos, a mãe exortou as filhas a perseverarem até o fim: "Vosso Noivo Celestial, Jesus Cristo, é a saúde eterna, a beleza inefável e a vida eterna. Quando vossos corpos forem mortos pela tortura, Ele vos revestirá de incorrupção e as chagas de vossos corpos brilharão nos céus como as estrelas." Os torturadores infligiram cruéis torturas a uma de cada vez, primeiro a Fé, depois a Esperança e depois a Caridade. Espancaram-nas, açoitaram-nas, atiraram-nas às chamas e ao piche fervente e, finalmente, degolaram-nas com a espada, uma após a outra. Sofia levou os corpos mortos de suas filhas para fora da cidade e as enterrou honrosamente. Permaneceu em seu túmulo por três dias e três noites, orando a Deus. Em seguida, rendeu seu espírito a Deus, partindo para o Paraíso, onde as almas benditas de suas gloriosas filhas esperavam por ela.


Hino de Louvor
Sofia, toda-sábia, glorificou o Senhor,
Como um sacrifício a Ele, ofereceu três belíssimas filhas.
A suas filhas disse: "Não temais, filhas minhas;
Fortalecei-vos no Cristo, perseverai na Fé,
E não temeis torturas nem infortúnios cruéis.
Não chorais por vossos corpos – melhor é no céu.
Deus vos dará corpos maravilhosos no céu.
Não chorais por vossa beleza – com a beleza divina
Resplendecereis entre os anjos no Reino de Deus,
Como filhas do Rei dos Reis!
Não chorais pela vida – de que vale esta vida terrena?
Não passa de no máximo cem anos.
No céu, a vida sem fim vos aguarda:
Vida sem fim, vida sem início.
Não chorais pela companhia de amigos terrenos,
Pois a companhia dos Santos maravilhosos vos aguarda ali.
Nem a companhia de parentes mundanos vos deve fazer chorar –
Pois vossa parentela, nos céus, são os mártires gloriosos."
Assim a pia mãe instruía as suas santas filhas,
Enquanto, uma a uma, partiam elas para o céu:
Três pombas brancas, inocentes e puras,
Voaram ligeiras para o seio do Cristo.
E com sua alma elevada, sua mãe partiu atrás delas,
E juntou-se a suas filhas gloriosas no Paraíso;
E nosso misericordioso Deus recebe as suas orações.

Tropário
Como uma oliveira carregada dos seus frutos, venerável mártir Santa Sofia, tu cresceste nos átrios do Senhor e, por meio de nobres combates, ofereceste a Cristo o teu fruto mais dôce, as três filhas saídas do teu seio, Vera Esperança e Agápia. Ora com elas em benefício de todos nós.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Degolação de São João Profeta, Precursor e Batista do Senhor - 29ago/11set


Herodes Antipas (filho do Herodes, que matou as crianças de Belém, na época do nascimento de Cristo) era governante da Galiléia, quando João, o Batista, estava pregando. Ele era casado com a filha de Aretas, um príncipe árabe. Mas, Herodes, um rebento maligno de uma raiz maldita, largou sua legítima esposa e infidedignamente tomou Herodias como sua concubina. Herodias era a esposa de seu irmão Felipe, que anda vivia. João, o Batista, levantou-se contra esta depravação e firmemente denunciou Herodes, que, por sua vez, lançou João à prisão. Durante um banquete em sua corte em Sebastia, na Galiléia, Salomé (filha de Herodias e Felipe) dançou diante dos convidados. Herodes, bêbado por causa do vinho, ficou tão inebriado pela dança que prometeu a Salomé qualquer coisa que ela lhe pedisse, até que fosse a metade seu reino. Persuadida por Herodias, ela pediu a cabeça de João, o Batista. Herodes, então, deu ordens aos guardas, João foi decapitado na prisão, e sua cabeça foi dada de presente a ela num prato. Os discípulos de João levaram o corpo de seu mestre à noite e honrosamente o enterraram, mas Herodias perfurou várias vezes a língua de João com um prego e enterrou sua cabeça num lugar impuro. O que veio a acontecer, mais tarde, à cabeça de João, o Batista, pode ser lido em 24 de fevereiro. Entretanto, a punição divina rapidamente caiu sobre o grupo de malfeitores. Príncipe Aretas, vingando-se da honra da filha, declarou guerra com seu exercito contra Herodes e derrotou-o. Derrotado, Herodes foi sentenciado pelo César Romano, Calígula, ao exílio (a princípio na Gália, mais tarde na Espanha). Herodes e Herodias viveram em extrema pobreza e humilhação no exílio, até que a terra abriu-se e engoliu-os. Salomé veio a ter uma terrível morte no Rio Sicaris (Sula) (veja “Reflexão” abaixo). A decapitação de São João ocorreu bem antes da Páscoa, mas estabeleceu-se sua celebração em 29 de agosto, porque uma igreja que havia sido construída sobre seu túmulo em Sebastia (pelo Imperador Constantino e a Imperatris Helena) foi consagrada em 29 de agosto. As relíquias dos discípulos de São João, o Batista – Eliseu e Audius – também foram depositadas nesta igreja.

Hino de Louvor
Ó São João, admirável Precursor,
Foste o Precursor do Glorioso Salvador,
Tua pureza tocou as almas humanas
E ressoou qual temível trombeta desde o Jordão.
Despertando os homens do sono e do vício da indolência,
Quando o machado estiver fincado à raiz da árvore.

A ti, eu me curvo; a ti, eu oro:
Ajuda-me a resistir a todos os ataques.
Ó mais poderoso de todos os profetas, a ti eu me curvo,
E, diante de ti, ponho-me de joelhos; diante de ti, eu rogo:
De teu coração, concede-me a força de um leão;
De teu espírito, concede-me o testemunho angélico.

Concede-me tua força, para que pela prática eu possa obter
Submissão a Deus e auto-controle,
Ser batizado pelo jejum, purificado pelas vigílias,
Adocicado pela oração e pela vista celestial;
Encarar qualquer martírio sem temor,
Com tua coragem e inabalável fé.

Ó São João, homem de Deus,
Glorioso Mártir da suprema justiça:
É a ti que os iníquos exércitos temem.
Não deixes de ouvir minha oração,
Para que eu possa apresentar-me, como uma verdadeira vela,
Diante do Senhor.

Reflexão
Se você observar a maneira em que uma pessoa morre, você descobrirá que a morte de um homem geralmente se assemelha a seu pecado: Pois todo aquele que tomar da espada pela espada morrerá (Mateus 26:52). Todo pecado é como uma faca, e os homens frequentemente são mortos pelo pecado que eles mais prontamente cometem. Um exemplo disso é o de Salomé – a tola filha de Herodias – que pediu e recebeu a cabeça de João Batista numa tigela. Vivendo na cidade espanhola de Lérida, com Herodes e Herodias exilados, Salomé cruzou, um dia, o rio congelado de Sicaris. O gelo, entretanto, quebrou, e ela afundou até a altura do pescoço. Fragmentos de gelo começaram a cercar seu pescoço, enforcando-a, e ela lutava sacudindo os pés na água, como certa vez ela dançara na corte de Herodes. Ela nem sequer conseguia erguer-se da água nem afundar, até que uma lâmina de gelo cortou-lhe a cabeça. A correnteza levou o corpo embora, mas sua cabeça foi levada a Herodias numa tigela, como outrora foi trazida a cabeça de João, o Batista. Observem o quão terrível uma morte assemelha-se ao pecado cometido.

Tropário, t. 2
A memória do justo é acompanhada de elogios, mas a ti Precursor, é suficiente o testemunho do Senhor; verdadeiramente te mostraste como o maior de todos os Profetas; tu foste digno de batizar nas águas do Jordão Aquele que eles haviam apenas anunciado; sobre a terra lutaste pela verdade, até nos Infernos, cheio de alegria, tu anunciaste o Deus manifestado na carne, que tira o pecado do mundo e nos concede a graça da salvação.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Santo Apóstolo Filipe

Filipe nasceu em Betsaida, às margens do Mar da Galiléia, tal como Pedro e André. Instruído nas Sagradas Escrituras desde a juventude, Filipe respondeu imediatamente ao chamado do Senhor Jesus e O seguiu (João 1:43). Após a descida do Espírito Santo, Filipe pregou com zelo o Evangelho por muitas regiões da Ásia e da Grécia. Na Grécia, os judeus quiseram matá-lo, mas o Senhor o salvou por meio de Seus poderosos milagres. Dessa forma, um alto sacerdote judeu que corria rumo a Filipe para espancá-lo foi subitamente cegado e ficou completamente negro. Houve então um grande terremoto, a terra se abriu e engoliu o pérfido perseguidor de Filipe. Muitos outros milagres se manifestaram, especialmente a cura dos doentes, pelos quais muitos pagãos acreditaram no Cristo. Na cidade frígia de Hierápolis, São Filipe se viu num trabalho evangélico conjunto com sua irmã Mariana, São João o Teólogo e o Apóstolo Bartolomeu. Nessa cidade havia uma serpente perigosa que os pagãos alimentavam cuidadosamente e adoravam como um deus. O apóstolo de Deus matou a serpente pela oração, como que por uma lança, mas incorreu também na ira do povo ignorante. Os pérfidos pagãos capturaram Filipe e o crucificaram de cabeça para baixo em uma árvore; depois crucificaram Bartolomeu também. Nisso, a terra se abriu e engoliu o juiz e muitos outros pagãos com ele. Com grande temor, o povo correu para resgatar os apóstolos crucificados, mas apenas Bartolomeu ainda estava vivo; Filipe já havia expirado. Bartolomeu ordenou Estáquio bispo para aqueles a quem ele e Filipe haviam batizado. Estáquio fora cego por quarenta anos; Bartolomeu e Filipe haviam-no curado e batizado. As relíquias de Filipe foram mais tarde trasladadas para Roma. Esse admirável apóstolo padeceu no ano de 86, ao tempo do Imperador Domeciano.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla

João nasceu em Antioquia no ano de 354 A.D., de seu pai, o Comendador Segundo e sua mãe Antusa. Estudando a filosofia grega, João ficou enojado com o paganismo helênico e adotou a Fé Cristã como a verdade que tudo abrange. Melécio, Patriarca de Antioquia, batizou João e, depois disso, seus pais também receberam o batismo. Após a morte de seus pais, João foi tonsurado monge e começou a viver uma vida de ascetismo intenso. Ele então escreveu um livro "Sobre o Sacerdócio" após o que os santos Apóstolos João e Pedro apareceram para ele, profetizando para ele um grande serviço, grande graça, mas também um grande sofrimento. Na altura em que ele seria ordenado padre, um anjo de Deus apareceu ao mesmo tempo para o Patriarca Flaviano (sucessor de Melécio) e para o próprio João. Enquanto o Patriarca deitava suas mãos sobre João (ordenando-o), todos viram uma brilhante pomba branca sobre a cabeça de João. Glorificado pela sua sabedoria, ascetismo e poder com as palavras, João foi escolhido, segundo desejo do Imperador Arcádio, como Patriarca de Constantinopla. Como patriarca, ele governou a Igreja por seis anos com zelo e sabedoria inigualáveis. Ele enviou missionários aos pagãos celtas e citas; erradicou a simonia na Igreja, depondo muitos bispos – os simonistas; ele ampliou as obras de caridade da Igreja; escreveu uma ordem especial da Divina Liturgia; envergonhou os heréticos; denunciou a Imperatriz Eudóxia; interpretou as Santas Escritura com sua mente e língua douradas e legou à Igreja muitos livros preciosos com suas homilias. O povo o glorificava, os invejosos o abominavam e a Imperatriz, em duas ocasiões, o mandou para o exílio. João passou três anos no exílio e morreu na Festa da Elevação da Venerável e Santa Cruz, 14 de setembro de 407, na cidade de Comana na Armênia. Antes da sua morte, os Santos Apóstolos João e Pedro lhe apareceram novamente, assim como o Santo Mártir Basilisco (22 de maio) na igreja de quem ele recebeu Comunhão pela última vez. Suas últimas palavras foram: "Glória a Deus por todas as coisas!" E com essas palavras a alma do patriarca de boca de ouro foi levada ao Paraíso. Quanto às relíquias de Crisóstomo, sua cabeça repousa na igreja da Dormição em Moscou e seu corpo no Vaticano, em Roma.

Hino de Louvor
A Igreja glorifica São João,
"A Boca de Ouro", abençoada por Deus,
Grande soldado de Cristo,
Que é o adorno e o orgulho da Igreja:
Profundo de coração e de mente,
E, com palavras, uma harpa de cordas de ouro.
Sondou as profundezas dos mistérios
E encontrou a pérola que brilha como as estrelas.
Exaltado em espírito até as alturas dos céus,
Expôs a verdade divina,
E sua visão é verdadeira por toda a história.
Ele deu tudo ao Filho de Deus.
Revelou-nos os horrores do pecado
E as virtudes que adornam o homem;
Mostrou-nos os mistérios mais preciosos
E toda a doce riqueza do Paraíso.
Evangelista, intérprete do Evangelho,
E portador da alegria espiritual,
Zeloso por Cristo como um apóstolo,
Não aceitava nenhuma injustiça.
Foi supliciado como qualquer mártir,
E recebeu seu suplício como um penhor de salvação.
Esse Servo de Cristo mostrou-se verdadeiro;Portanto, a Igreja glorifica Crisóstomo.

Reflexão
Punição e recompensa! Ambos estão nas mãos de Deus. Mas, como essa vida terrena é apenas uma sombra da verdadeira vida no céu, então punição e recompensa aqui são apenas uma sombra da verdadeira punição e recompensa da eternidade. Os principais perseguidores de Crisóstomo, o santo de Deus, foram Teófilo, Patriarca de Alexandria e a Imperatriz Eudóxia. Após a morte por martírio de Crisóstomo, uma grande punição recaiu sobre eles, a saber, Teófilio ficou maluco e a Imperatriz Eudóxia foi banida da corte imperial pelo Imperador Arcádio. Eudóxia rapidamente ficou doente de uma enfermidade incurável e feridas se abriram por todo o seu corpo e vermes saltavam de suas feridas. Tal era o fedor que emanava dela que não era fácil sequer para uma pessoa na rua passar pela sua casa. Os médicos usaram todas as melhores fragrâncias e aromas, mesmo incenso, tanto quanto era possível, para eliminar o odor da perversa imperatriz, mas não tiveram grande êxito e a imperatriz acabou morrendo no fedor e em agonia. Mesmo após a morte a mão de Deus caiu com peso sobre ela. O caixão com seu corpo sacudia noite e dia durante trinta e quatro dias até que o Imperador Teodósio trasladou as relíquias de São Crisóstomo para Constantinopla. E o que aconteceu a Crisóstomo após a morte? Recompensa – recompensa como somente Deus pode conceder. Adelfo, o bispo árabe, que recebeu o exilado Crisóstomo na sua casa em Cucuso, orou a Deus após a morte do santo para que Ele lhe revelasse onde a alma de João poderia ser encontrada. Certa vez, enquanto orava, Adelfo, como se estivesse fora de si, viu um jovem radiante que o conduziu pelos céus e o mostrou, em ordem, todos os hierarcas, pastores e mestres da Igreja, chamando cada um pelo nome, só que ele não viu João. Então, o anjo de Deus o levou para a saída do Paraíso e Adelfo se entristeceu. Quando o anjo lhe perguntou a razão de sua tristeza, Adelfo respondeu que sentia muito não ter visto seu amado mestre, João Crisóstomo. O anjo respondeu: "Nenhum homem que ainda esteja na carne pode vê-lo, pois ele está no trono de Deus com os Querubins e Serafins".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Santo Mártir Orestes

Orestes era da cidade de Tiana na Capadócia. Ele era Cristão de nascimento e médico por profissão. Ele foi duramente interrogado pelo perverso governador Máximo durante o reinado de Diocleciano. Quando, a princípio, o governador o aconselhou a negar a Cristo e adorar os ídolos, Orestes respondeu: "Se você conhecesse o poder do Crucificado, rejeitaria a falsidade dos ídolos e adoraria o Deus verdadeiro". Por isso, ele foi espancado e então, cortado e desconjuntado, depois foi queimado com um ferro vermelho de tão quente e finalmente foi jogado na prisão para morrer de fome. O jovem Orestes passou sete dias sem pão nem água. Ao oitavo dia, ele foi novamente levado à presença do governador que começou a ameaçá-lo com torturas terríveis. A isso Orestes respondeu : "Estou preparado a suportar qualquer dor tendo o sinal do meu Senhor Jesus Cristo inscrito no meu coração." O governador então ordenou que martelassem vinte pregos de ferro em seu pé, o atassem a um cavalo e o arrastassem por rochas e espinhos até que o mártir de Deus desse seu último suspiro. No lugar onde o corpo de Orestes foi jogado, um homem, brilhante como o sol, apareceu, juntou todos os ossos de Orestes e os levou a um monte perto da cidade de Tiana enterrando-os com honra. Esse maravilhoso santo apareceu a São Demétrio de Rostov e lhe mostrou todas as feridas em seu corpo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Santa igual aos Apóstolos, Tecla, a Protomártir de Icônio (Séc.I)

Tecla nasceu em Icônio, de pais eminentes, mas pagãos. Aos dezoito anos, tornou-se noiva de um jovem, na mesma época em que o Apóstolo Paulo chegou em Icônio com Barnabé para pregar o Evangelho. Ouvindo o testemunho de Paulo por três dias e três noites, Tecla se converteu à Fé Cristã e fez voto de viver em virgindade. Sua mãe, ao ver que ela agora ignorava seu noivo e não pensava mais em casamento, tentou dissuadi-la; mais tarde a espancou e a torturou por meio da fome. Enfim, essa mãe pérfida entregou Tecla ao juiz e exigiu que Tecla fosse queimada. O juiz a lançou ao fogo, mas Deus a conservou incólume. Depois disso, Tecla seguiu o Apóstolo Paulo e foi a Antioquia com ele. Atraído pela beleza exterior de Tecla, um certo ancião da cidade quis tomá-la para si a força, mas Tecla escapou de suas mãos. O velho pagão a denunciou ao eparca como uma cristã que desprezava o casamento. O eparca a condenou à morte e fez com que fosse lançada às feras selvagens; mas as feras selvagens não tocaram o corpo dessa virgem santa. Assombrado com isso, o eparca lhe perguntou: "Quem és tu e que espécie de poder habita em ti, que nada consegue te fazer mal?" Tecla respondeu: "Sou uma serva do Deus Vivo." O eparca então a libertou e ela partiu para pregar o Evangelho. Conseguiu converter muitos à verdadeira Fé, entre os quais Trífena, viúva proeminente e honrada. Mais tarde, com as bençãos do Apóstolo Paulo, ela partiu para um lugar isolado perto de Selêucia. Ali viveu por longo tempo uma vida de ascetismo e, por curar os doentes com um poder miraculoso, converteu muitos ao Cristianismo. Os médicos e adivinhos de Selêucida tinham inveja dela e enviaram alguns jovens para a deflorarem, esperando que a perda de sua virgindade significasse também a perda de seu poder miraculoso. Tecla fugiu desses jovens arrogantes, mas quando estavam prestes a apanhá-la, rogou a Deus por socorro. Uma grande rocha se abriu e ocultou essa santa virgem e noiva do Cristo. Essa rocha foi o seu refúgio e a sua sepultura. Dessa maravilhosa heroína e santa cristã, São João Crisóstomo diz: "Parece-me quase que vejo essa bendita virgem: numa mão ela oferece a Cristo a virgindade e, na outra, o martírio."

sábado, 3 de outubro de 2009

Mártires, Eustáquio (ou Plácido), sua esposa, Teopista, e seus filhos Agápio e Teopisto, de Roma (+c.118)

Eustáquio foi um grande general romano durante os reinados dos Imperadores Tito e Trajano. Embora fosse pagão, Plácidas (pois esse era seu nome pagão) era um homem justo e misericordioso, semelhante a Cornélio, o Centurião, que foi batizado pelo Apóstolo Pedro (Atos 10). Certo dia, numa caçada, ele perseguia um veado. Pela Providência Divina, uma cruz apareceu entre os chifres do veado e a voz do Senhor veio a Plácido, ordenando-lhe que fosse ter com um sacerdote cristão e recebesse o batismo. Plácido foi batizado, junto com sua mulher e dois filhos. No batismo, recebeu o nome de Eustáquio; sua mulher, o de Teopista ("fiel a Deus"); e seus dois filhos, Agápio e Teopisto. Depois de batizado, voltou ao lugar em que tivera a revelação do veado e, de joelhos, deu graças a Deus por ter-lhe trazido à verdade. Nesse instante, mais uma vez a voz do Senhor se lhe manifestou, predisse-lhe que sofreria por Seu Nome e o encorajou. Então Eustáquio deixou Roma em segredo com a família, com a intenção de se esconder entre a gente simples e servir a Deus em ambientes humildes e desconhecidos. Chegando ao Egito, foi imediatamente acossado por provações. Um bárbaro mau raptou a sua mulher e os dois filhos foram capturados por feras selvagens e levados embora. Entretanto, o bárbaro logo perdeu a vida e os filhos foram salvos das feras selvagens por pastores. Eustáquio se estabeleceu na aldeia egípcia de Vadisis, onde viveu por quinze anos como trabalhador assalariado. A essa altura bárbaros atacaram o Império Romano e o Imperador Trajano deplorou não ter consigo o bravo General Plácido, que conseguira a vitória por todas as partes em que lutara. O Imperador enviou dois de seus oficiais para vasculhar o império inteiro em busca do grande comandante. Pela Providência de Deus, esses oficiais (que haviam sido outrora companheiros de Eustáquio) chegaram à aldeia de Vadisis, encontraram Eustáquio e levaram-no de volta ao Imperador. Eustáquio reuniu um exército e derrotou os bárbaros. No caminho de volta para Roma Estácio encontrou sua mulher e seus dois filhos. Nesse ínterim, o Imperador Trajano morrera e o Imperador Adriano ocupava o trono. Quando Adriano convocou o General Estácio para oferecer sacrifícios aos deuses, Estácio se recusou, declarando ser cristão. O imperador submeteu-lhe a ele, sua mulher e filhos às torturas. Foram lançados às feras selvagens, mas isso não lhes fez mal algum. Então foram enfiados dentro de um boi de metal oco e incandescente. Ao terceiro dia seus corpos mortos foram removidos, mas não haviam sido lesados pelo fogo. Assim, esse glorioso comandante deu a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Lucas 20:25) e tomou posse de sua morada no Reino Eterno do Cristo, nosso Deus.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Santas Mártires Fé, Esperança e Caridade, e sua Mãe Sofia

Todas viveram e sofreram em Roma, durante o reinado do Imperador Adriano. Sofia era sábia, como indica seu nome. Caíra na viuvez e firmara bem a si própria e a suas filhas na fé cristã. Quando a mão perseguidora de Adriano estendeu-se até sobre a virtuosa casa de Sofia, Fé tinha apenas doze anos de idade, Esperança tinha dez anos e Caridade, nove. Trazidas perante o imperador, as quatro seguravam as mãos uma das outras "como uma coroa entretecida"; humilde mas firmemente confessaram sua fé no Cristo Senhor e se recusaram a oferecer sacrifícios ao ídolo pagão de Ártemis. Antes de seus sofrimentos, a mãe exortou as filhas a perseverarem até o fim: "Vosso Noivo Celestial, Jesus Cristo, é a saúde eterna, a beleza inefável e a vida eterna. Quando vossos corpos forem mortos pela tortura, Ele vos revestirá de incorrupção e as chagas de vossos corpos brilharão nos céus como as estrelas." Os torturadores infligiram cruéis torturas a uma de cada vez, primeiro a Fé, depois a Esperança e depois a Caridade. Espancaram-nas, açoitaram-nas, atiraram-nas às chamas e ao piche fervente e, finalmente, degolaram-nas com a espada, uma após a outra. Sofia levou os corpos mortos de suas filhas para fora da cidade e as enterrou honrosamente. Permaneceu em seu túmulo por três dias e três noites, orando a Deus. Em seguida, rendeu seu espírito a Deus, partindo para o Paraíso, onde as almas benditas de suas gloriosas filhas esperavam por ela.

Hino de Louvor
Sofia, toda-sábia, glorificou o Senhor,
Como um sacrifício a Ele, ofereceu três belíssimas filhas.
A suas filhas disse: "Não temais, filhas minhas;
Fortalecei-vos no Cristo, perseverai na Fé,
E não temeis torturas nem infortúnios cruéis.
Não chorais por vossos corpos – melhor é no céu.
Deus vos dará corpos maravilhosos no céu.
Não chorais por vossa beleza – com a beleza divina
Resplendecereis entre os anjos no Reino de Deus,
Como filhas do Rei dos Reis!
Não chorais pela vida – de que vale esta vida terrena?
Não passa de no máximo cem anos.
No céu, a vida sem fim vos aguarda:
Vida sem fim, vida sem início.
Não chorais pela companhia de amigos terrenos,
Pois a companhia dos Santos maravilhosos vos aguarda ali.
Nem a companhia de parentes mundanos vos deve fazer chorar –
Pois vossa parentela, nos céus, são os mártires gloriosos."
Assim a pia mãe instruía as suas santas filhas,
Enquanto, uma a uma, partiam elas para o céu:
Três pombas brancas, inocentes e puras,
Voaram ligeiras para o seio do Cristo.
E com sua alma elevada, sua mãe partiu atrás delas,
E juntou-se a suas filhas gloriosas no Paraíso;
E nosso misericordioso Deus recebe as suas orações.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Santa Grã-Mártir Eufêmia


Eufêmia nasceu em Calcedônia. Seu pai Filofrono, um senador, e sua mãe Teodorísia eram cristãos devotos. Eufêmia era uma bela virgem de corpo e de alma. Quando o Procônsul Prisco celebrou uma festa ofereceu sacrifícios a Ares em Calcedônia, quarenta e nove cristãos rejeitaram essa estulta festa sacrifical e se esconderam. Entretanto, foram descobertos e trazidos perante Prisco. Entre eles estava Santa Eufêmia. Quando o arrogante Prisco perguntou-lhes por que haviam desafiado o decreto imperial, responderam: "Tanto as ordens do imperador quanto as tuas devem ser obedecidas, se não forem contrárias ao Deus do céu; mas, se forem contrárias a Deus, devem não apenas ser desobedecidas, como também resistidas." Por dezenove dias consecutivos, Prisco lhes impôs várias torturas. No vigésimo dia, ele separou Eufêmia dos demais e começou a bajulá-la por sua beleza, tentando conquistá-la para a idolatria. Como suas lisonjas fossem em vão, ele ordenou que a virgem fosse torturada de novo. Primeiro a torturaram na roda, mas um anjo de Deus apareceu a Eufêmia e despedaçou a roda. Lançaram-na, então, numa fornalha flamejante, mas ela foi preservada intacta pelo poder de Deus. Vendo isso, dois soldados, Vítor e Sóstenes, vieram a crer no Cristo, pelo que foram lançados às feras selvagens e assim terminaram com glória as suas vidas terrenas. Eufêmia foi então jogada num poço cheio de água e de toda sorte de bichos venenosos; mas ela fez o sinal da Cruz sobre a água e permaneceu incólume. Finalmente, foi lançada às feras selvagens e, com uma oração de agradecimento a Deus, entregou seu espírito. Seus pais enterraram honrosamente seu corpo. Eufêmia sofreu no ano de 304 e adentrou no júbilo eterno. Ela é comemorada também em 11 de julho.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Santo Mártir Aniceto

Aniceto era godo de nascimento. Foi discípulo de Teófilo, Bispo dos Godos, que participou no Primeiro Concílio Ecumênico [Nicéia, 325]. Quando o príncipe godo Atenarico começou a torturar cristãos, São Nicetas apresentou-se diante do príncipe e o censurou pelo seu paganismo e sua desumanidade. Duramente torturado em seguida, Nicetas confessou sua fé em Cristo com ainda mais firmeza e orou a Deus em ação de graças. Sua mente estava constantemente elevada até Deus, e sobre o peito, coberto pelo manto, ele trazia um ícone da Santíssima Deípara com o Menino Cristo Pré-Eterno de pé e segurando a Cruz em Suas mãos. São Aniceto trazia este ícone porque a Santa Deípara aparecera para ele e o consolara. Finalmente, o torturador lançou ao fogo o soldado do Cristo, onde o santo mártir deu seu último suspiro, mas seu corpo permaneceu intocado pelas chamas. Seu companheiro Mariano levou seu corpo da terra dos godos (Valáquia e Bessarábia) à vila de Mopsuéstia, na Cilícia. Lá, ele construiu uma igreja dedicada a São Nicetas e nela depositou as relíquias milagrosas do mártir. Aniceto sofreu e foi glorificado no ano 372.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hieromártir Autônomo

Durante as perseguições de Diocleciano, Autônomo partiu da Itália para a Bitínia asiática, para um lugar chamado Soréus. Lá, ele converteu muitos ao Cristianismo e construiu-lhes uma igreja dedicada ao santo Arcanjo Miguel. Autônomo vivia na casa de um devoto cristão, Cornélio, quem ele primeiro ordenou como presbítero e, mais tarde, consagrou ao episcopado. Não muito longe de Soréus, havia um lugar chamado Limanas, habitado somente por pagãos. Santo Autônomo dirigiu-se àquela região e, em breve tempo, iluminou a muitos com o Evangelho de Cristo, o que enfureceu os pagãos. Um dia, os pagãos invadiram a Igreja do Santo Arcanjo Miguel em Soréus em pleno serviço divino, assassinaram Autônomo no santuário e mataram muitos cristãos na igreja. No reinado do Imperador Constantino, Severiano, um nobre real, edificou uma igreja sobre o túmulo de Santo Autônomo. Duzentos anos depois de sua morte, Santo Autônomo apareceu a um soldado chamado João. João exumou as relíquias do santo, encontrando-as completamente incorruptas, e muitos enfermos receberam curas a partir das relíquias de Autônomo. Assim Deus glorifica aquele que O glorificava enquanto vivia na carne.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Venerável Teodora

Teodora era de Alexandria e mulher de um jovem. Persuadida por uma adivinha, ela cometeu adultério com outro homem e imediatamente começou a sentir terríveis crises de consciência. Ela cortou seus cabelos, vestiu-se em roupas masculinas e entrou no Mosteiro de Octodecatos, com o nome masculino de Teodoro. Seu labor, jejum, vigilância, humildade e arrependimento banhado em lágrimas surpreenderam toda a irmandade. Quando uma jovem promíscua a acusou, dizendo que "Teodoro" a havia engravidado, Teodora não se defendeu, mas considerou a acusação como uma punição de Deus por seu pecado anterior. Expulsa do mosteiro, passou sete anos vivendo na floresta e na solidão, e ainda cuidando do filho da jovem devassa. Ela sobrepujou todas as tentações demoníacas: recusou-se a adorar Satanás, recusou-se a aceitar comida das mãos de um soldado e a ceder aos apelos do marido para que voltasse para ele – tudo isso não passava de uma ilusão diabólica, e tão logo Teodora fazia o Sinal da Cruz, tudo desaparecia como fumaça. Passados sete anos, o abade a recebeu de volta no mosteiro, onde viveu por mais dois anos e repousou no Senhor. Só então os monges ficaram sabendo que ela era uma mulher: um anjo apareceu ao abade e lhe explicou tudo. Seu marido compareceu a seu enterro e, depois, permaneceu na cela de sua ex-mulher até o dia em que ele repousou. Santa Teodora possuía muita graça de Deus: amansou animais selvagens, curou enfermidades e fez brotar água de um poço seco. Assim Deus glorificou uma verdadeira penitente que, com heróica paciência, arrependeu-se nove anos por um único pecado. Ela repousou em 490.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Venerável Pímem, o Grande


Pímem era egípcio por nascimento e um grande asceta do Egito. Ainda garoto, costumava visitar os mais renomados mestres espirituais, dos quais colheu um conhecimento considerável, como as abelhas colhem mel das flores. Pímem, certa vez, implorou ao ancião Paulo que o levasse a São Paísio. Ao ver Pímem, Paísio disse a Paulo: “Este menino salvará a muitos; a mão de Deus está sobre ele.” Com o tempo, Pímem foi tonsurado monge e atraiu dois irmãos seus à vida monástica. Numa ocasião, a mãe deles veio-lhes visitar. Pímem não a permitiu entrar, mas pediu a ela por detrás da porta: “Desejas ver-nos mais aqui ou lá, na eternidade?” A mãe partiu, com grande alegria, dizendo: “Já que certamente encontrarei meus filhos lá, então não desejo vê-los aqui!” No mosteiro em que esses três irmãos moravam (governado pelo Abade Anúbis, irmão mais velho de Pímem), sua regra era a seguinte: à noite, eles passavam quatro horas fazendo trabalhos manuais, quatro horas dormindo e quatro horas lendo o Saltério. Durante o dia, eles alternavam trabalho e oração desde a manhã até o meio dia, faziam as leituras desde o meio-dia até as Vésperas, depois das quais preparavam a Ceia para si mesmos. Essa era a única refeição em vinte-e-quatro horas e geralmente se constituía de algum tipo de legume. Diz-se que Pímem havia comentado: “Comemos o que nos foi dado. Ninguém jamais dissera ‘Dei-me mais’ ou ‘Eu não o quero’. Desta maneira, passamos toda a nossa vida em silêncio e em paz.” Pímem conduziu uma vida de ascetismo no quinto século e pacificamente repousou em avançada idade.

Hino de Louvor
Fonte de sabedoria foi o Venerável Pímem,
Grande tocha da chama de Cristo.
Desde o dia em que renunciou ao mundo de ilusões,
Repreendia a ninguém, elogiava a ninguém.
Uma vez, dois irmãos discutiam em sua presença,
Mas Pímem permaneceu em silêncio. Alguns o repreendiam:
“Como ouves a discussão, como se houvesse nada de errado?”
Pímem respondeu: “Morri muito tempo atrás”
Outro lhe perguntou: “Como posso ser salvo,
Para minha mente não se disperse atrás das calúnias do inimigo?”
Disse Pímem: “Moscam fogem da água quente,
O Mal foge de uma alma aquecida.”
“O que é mais valioso”, perguntou outro,
“A fala de meu irmão ou o silêncio?”
“Tanto por um como pelo outro, Deus é glorificado.
Para glória de Deus, escolha para ti mesmo.”
“Como posso defender-me do Maligno?”
“O Mal não derrota o Mal,
Faça o bem ao que faz o mal,
O que inflamará até o seu coração.
Não se constrói a casa de um, destruindo a de outro:
Nisso, apenas o terceiro – o Maligno – beneficia-se.”
“Duas perniciosas paixões envenenam nossa alma;
Temos nenhuma liberdade, enquanto elas nos esmagam:
O prazer carnal e a ilusão do mundo – Somente uma alma santa é livre delas.”

Reflexão
Os grandes ascetas ortodoxos, em sua difícil ascensão ao Reino de Deus, são como aqueles que penosamente escalam uma íngreme montanha, agarrando-se com mãos e pés para subir um pouco mais, sem pensar em olhar para trás. Suas labutas e conquistas são, de fato, impressionantes. São Pímem não queria ver sua mãe, quando ela veio visitá-lo. Noutra ocasião, um príncipe queria ver Pímem, mas este recusou. Entretanto, o príncipe arquitetou um astuto plano para forçar o ancião a recebê-lo. Ele capturou o sobrinho de Pímem e disse à mãe (irmã de Pímem) do rapaz que ele libertaria seu filho somente quando Pímem em pessoa viesse falar com ele. A irmã partiu ao deserto e, batendo à porta de Pímem, implorou ao irmão que saísse e salvasse seu filho. Mas, Pímem não saiu. A irmã começou a censurá-lo e amaldiçoá-lo. Quando o príncipe tomou conhecimento disso, ela ordenou que uma carta fosse escrita a Pímem, dizendo que, se o ancião pedisse por escrito (já que ele não queria oralmente) ao príncipe que soltasse o garoto, o príncipe assim o faria. Pímem replicou: “Poderoso príncipe, levante profundas informações sobre a culpa do rapaz e, se sua culpa for tão grave que mereça a morte, que ele morra, a fim de que, pela punição temporal, ele escape dos tormentos da eternidade. Entretanto, se o crime dele não merece a pena de morte, então o castigue de acordo com a lei e liberte-o.” Ao ler uma carta tão justa e imparcial, o príncipe ficou completamente abismado. Ele libertou o jovem, e seu respeito por Pímem aumentou em dobro.

Tropário, t.8
Pela abundância de tuas lágrimas, fizeste florescer o árido deserto, com teus profundos gemidos, fizeste tuas dores produzir cem vezes mais, por teus espantosos milagres, te tornaste um farol que ilumina o mundo inteiro, venerável Pai Pímen, rogue a Cristo nosso Deus, para salvar as nossas almas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Santo Apóstolo Tadeu dos Setenta Discípulos do Senhor

Esse Tadeu pertencia ao círculo dos Setenta e não o dos Doze Apóstolos. São Tadeu, a princípio, encontrou-se com João Batista, pelo qual ele foi batizado; depois, ele descobriu o Senhor Jesus e seguiu-O. O Senhor contou-o entre os Setenta Menores Apóstolos, que Ele enviou dois a dois diante de Sua face (Lucas 10:1). Depois de Sua gloriosa Ressurreição e Ascensão, o Senhor enviou Tadeu a Edessa, terra natal do Apóstolo, de acordo com a promessa que Ele dera ao Príncipe Agbar, quando Ele devolveu a este a toalha com a imagem de Sua face sobre ela (Ícone do Senhor “Não-feito-de-mãos-humanas”, 16 de Agosto). Beijando a toalha, Agbar foi curado da lepra, mas não completamente. Quando o São Tadeu encontrou-se com Agbar, o Príncipe recebeu-o com grande alegria. O Apóstolo de Cristo instrui-o na Verdadeira Fé e, depois, batizou-o. Quando Agbar emergiu da água batismal, ele ficou totalmente curado. Glorificando a Deus, Príncipe Agbar também determinou que seu povo conhecesse o Verdadeiro Deus e glorificassem-No. O Príncipe reuniu todos os cidadãos de Edessa diante do Santo Apóstolo Tadeu, para ouvirem seus ensinamentos sobre Cristo. Ouvindo as palavras do Apóstolo e vendo seu príncipe miraculosamente curado, o povo rejeitou sua antiga idolatria e seu impuro modo-de-viver, abraçaram a Fé Cristã e foram batizados. Deste modo, a cidade de Edessa foi iluminada pela Fé Cristã. Príncipe Agbar trouxe muito ouro e ofereceu-o ao apóstolo, mas Tadeu lhe disse: “Desde que abandonamos nosso próprio ouro, como podemos receber ouro de outros?” São Tadeu pregou o Evangelho por toda a Síria e Fenícia. Repousou no Senhor na cidade fenícia de Beirute.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Santo Profeta Samuel (+c.1010 a.J.C.)

Samuel foi o décimo-quinto e último juiz de Israel. Ele viveu a mil e cem anos antes de Cristo. Samuel nasceu na tribo de Levi, de Elcana e Ana, num lugar chamado Ramata (ou Arimatéia), onde nasceria, tempos depois, o nobre José. Em prantos, a estéril Ana implorou a Deus pelo menino Samuel e dedicou-o a Deus, quando ele tinha três anos de idade. Vivendo em Silo, próximo à Arca da Aliança, Samuel teve uma verdadeira revelação de Deus aos seus doze anos de idade, sobre as punições que cairiam sobre a casa do sumo sacerdote Eli, por causa da imoralidade de seus filhos, Ofini e Finéias. Essa revelação logo se cumpriu: os filisteus derrotaram os israelitas, assassinaram os dois filhos de Eli e capturaram a Arca da Aliança. Quando o mensageiro informou a Eli essa tragédia, o sumo sacerdote caiu ao solo e morreu, aos noventa e oito anos de idade. O mesmo veio a aconteceu com sua nora, esposa de Finéias. Por vinte anos, os israelitas foram escravos dos filisteus. Depois, Deus enviou Samuel para pregar arrependimento ao povo, caso eles desejassem a salvação contra seus inimigos. O povo arrependeu-se, rejeitou os ídolos pagãos aos quais serviam e reconheceram Samuel como profeta, sacerdote e juiz. Então, Samuel partiu para a batalha contra os filisteus com um exército. Graças à ajuda de Deus, ele confundiu e derrotou os filisteus, libertando Israel. Após esses acontecimentos, Samuel julgou pacificamente seu povo até avançada idade. Considerando sua avançada idade, o povo pediu-lhe que se instalasse um rei para eles em seu lugar. Em vão, Samuel tentou dissuadi-los deste pedido, dizendo-lhes que Deus era o único verdadeiro Deus, mas o povo insistia irredutivelmente. Mesmo que não fosse do agrado de Deus, Ele ordenou que Samuel ungisse Saul, filho de Kish, da tribo de Benjamim, como rei. Saul reinou apenas por pouco tempo, antes de Deus rejeitar Saul por sua imprudência e desobediência. Deus, por Sal vez, ordenou que Samuel ungisse o filho de Jessé, Davi, como rei no lugar de Saul. Antes de sua morte, Samuel reuniu todo o povo e despediu todos eles. Quando Samuel morreu, todo o Israel chorou sua morte e enterrou-o honrosamente em sua casa, em Ramata.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Santo Tribuno e Mártir André Stratelates e seus 2593 comps., da Armênia (+ c. 284-305)

André era um oficial, um tribuno, do exército romano durante o reinado do Imperador Maximiano. Ele era sírio de nascimento e servia na Síria. Quando os persas ameaçavam o Império Romano com seus exércitos, André era designado a comandar o exército imperial em defesa contra os inimigos. Portanto, André foi promovido ao posto de general – “Stratelates”. Secretamente um cristão, mesmo sem ter sido batizado, André confiava no Deus Vivo e escolheu apenas os melhores dentre seus homens para entrar em batalha. Antes da batalha, ele disse aos soldados que, se estes invocassem a ajuda do único e verdadeiro Deus, Cristo Senhor, seus inimigos seriam dispersos como poeira diante deles. De fato, todos os soldados encheram-se de zelo por André e sua fé e invocaram Cristo por assistência. Então, eles atacaram. O exército persa foi sumariamente destruído. Quando o vitorioso André retornou a Antioquia, pessoas invejosas acusaram-no de ser cristão, e o representante imperial convocou-o à corte. André confessou abertamente sua inabalável fé em Cristo. Depois de torturá-lo desumanamente, o representante lançou-o na prisão e escreveu ao imperador de Roma. Tendo conhecimento do respeito com que as pessoas e o exército partilhavam por André, o imperador ordenou que o prisioneiro fosse solto e que buscasse outra oportunidade ou ocasião para matar André. Por revelação divina, André soube da ordem do imperador, logo, tomando consigo seus fiéis soldados, 2.593 ao todo, ele partiu para Tarsos, na Cicília, onde todos foram batizados pelo Bispo Pedro. Perseguidos até mesmo lá pelas autoridades imperiais, André e seu batalhão partiram para mais longe, para o Taurus, o monte armênio. O exército romano alcançou-os lá, enquanto oravam num campo, e todos eles foram decapitados. Nenhum tentou defender-se, mas todos desejaram sofrer o martírio por Cristo. Neste local, onde correu o sangue dos mártires, brotou uma fonte de águas curativas, que curava muitas pessoas de várias doenças. Bispo Pedro, em segredo, trouxe seu povo e honrosamente enterrou os corpos dos mártires onde eles haviam sido assassinados. Morrendo honradamente, eles foram coroados com os louros da glória e foram habitar no Reino de Cristo, nosso Senhor.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Santos Mártires e Irmãos, Floro e Lauro, de Ilírico (+ séc. II) - 18/31 ago

Floro e Lauro eram irmãos de carne, de espírito e de vocação. Ambos eram fervorosos cristãos e eram cortadores de pedras por profissão. Eles viviam na Iliria. Aconteceu que um príncipe pagão contratou-os para construir um templo aos ídolos. Durante a execução da obra, um pedaço de pedra saltou e acertou o olho do filho do sacerdote pagão Merentius, que estava observando o trabalho dos construtores curiosamente. Vendo o olho do filho cego e sangrando, o sacerdote pagão começou a vociferar contra Floro e Lauro e queria agredir os dois. Então, os santos irmãos disseram-lhe que, se ele acreditasse no Deus n’O qual eles acreditava, seu filho seria curado. O sacerdote pagão prometeu. Floro e Lauro, em lágrimas, oraram ao único, vivente Senhor Deus, e traçaram o sinal da Cruz sobre o olho ferido do garoto. O menino ficou imediatamente curado, e seu olho ficou totalmente são, como antes. Merentius e seu filho foram batizados. Pouco tempo depois, ambos sofreram por Cristo, sendo torturados no fogo. Quando os irmãos completaram o templo, Floro e Lauro colocaram uma cruz sobre ele, reuniram todos os cristãos e consagraram-no no nome do Senhor Jesus, com uma vigília noturna e cântico de hinos. Ouvindo isto, o deputado iliriano queimou muitos desses cristãos que participaram da consagração, e Floro e Lauro foram lançados num poço. O deputado, então, encheu o poço com terra para sufocá-los. Mais tarde, suas relíquias foram reveladas e transladadas para Constantinopla. Esses dois admiráveis irmãos sofreram, foram martirizados por Cristo e glorificados por Ele no segundo século.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Santo Profeta Miquéias (+ SécVIII a. J.C.) - 14/27 ago

Miquéias pertencia à tribo de Judá e era natural da vila de Morast, pelo qual ele era chamado “o Morastita” Ele era contemporâneo dos profetas Isaías, Amós e Oséias, assim como dos reis judeus Joatã, Acaz e Ezequias. Miquéias repreendeu o povo por causa de seus vícios e os falsos profetas que profetizavam vinho e forte bebida (Miquéias 2:11). Ele predisse a destruição da Samaria. Ele também profetizou a destruição de Jerusalém, que aconteceria em conseqüências de seus líderes aceitarem suborno, de seus sacerdotes ensinarem por dinheiro e de seus profetas, por dinheiro, profetizarem boas-sortes. Portanto, por vossa causa, Sião será ceifada como uma lavoura e Jerusalém tornar-se-á como um amontoado (Miquéias 3:12). Mas, de todas as suas profecias, a profecia mais importante refere-se a Belém como local do nascimento do Messias. Não se sabe exatamente se esse profeta foi assassinado pelos judeus ou se teve uma morte pacífica (cf. Jeremias 26: 18-19). Contudo, sabe-se que ele foi enterrado em sua vila. Teodósio Magno e Bispo Zevim de Eleuterópolis tiveram uma visão mística que os levaram a encontrar as relíquias de Miquéias juntamente com as do profeta Habacuque.

Hino de Louvor
Miquéias, profeta de Deus, incendiado com o fogo divino,
Predizendo miséria e proclamando salvação:
“Escutai, ó lideres da casa de Jacó:
Quando o fogo irromper, o refogo não será salvo.
Odiais o bem e deleitais no mal;
Defraudais impiedosamente o povo de Deus;
Abandonastes a Lei e os profetas de antigamente;
Escutais não a Deus, mas aos feiticeiros!
Desgraça, dor e lamento advirão;
Clamareis aos Céus, mas em vão, tarde demais.
Samaria será um campo de debulho para os Assírios,
E Jerusalém, para os bárbaros Caldeus!
Mas tu, Belém, pequena Efrata,
Embora a última, és-Me a mais querida.
De ti, virá o Líder que precisamos.
Sua descendência será do coração dos Céus;
De Seu fervoroso amor, Ele virá com prontidão.
Ele guiará Seu povo com Seu poderoso cajado.
Ele será grande até os confins da Terra.
Os Céus e a Terra cantarão a Sua misericórdia,
E a paz reinará – Ele será a paz.
Ele glorificará a raça dos homens em Si mesmo.

Tropário, t. 5
Encontrando em tua alma um puríssimo instrumento, a graça do Espírito nela fixa a Sua morada e a desperta para que ela exponha como presente o futuro, ó Profeta que anuncias o Cristo; por isso então não interrompas de interceder por nós que veneramos, como se deve, neste dia, a tua lembrança.

domingo, 23 de agosto de 2009

Santos Mártires Arquidiácono Lourenço; Sixto, Papa de Roma e seus companheiros - 10/23 ago

Quando o Papa Estevão foi assassinado (2 de agosto), Sisto, ateniense de nascimento, foi designado para ocupar seu lugar. Sixto já fora filósofo uma vez e, então, tornou-se um cristão. Era uma época em que os bispos de Roma eram mortos um após o outro: tornar-se um Bispo de Roma significava ser condenado ao martírio. O Imperador Décio estava determinado em aniquilar o Cristianismo. Rapidamente, o Papa Sisto foi trazido a julgamento, juntamente com dois diáconos: Felicíssimo e Agapito. Sendo os três lançados à prisão, o Arquidiácono Lourenço disse ao Papa: “Aonde vais, ó pai, sem vosso filho? Onde, ó bispo, sem o vosso arquidiácono?” O Papa consolou-o, profetizando que Lourenço sofreria maiores torturas ainda por Cristo e que em breve ele seguiria seu caminho. De fato, assim que decapitaram Sixto e seus dois diáconos, Lourenço foi aprisionado. Lourenço previamente realizara suas tarefas e pusera em ordem todos os assuntos relacionados à Igreja. Na qualidade de tesoureiro e administrador da Igreja, ele removeu todos os objetos de valor da Igreja para a casa do viúvo Ciríaco. (Nesta ocasião, ele curou Ciríaco de uma terrível dor de cabeça por um simples toque seu e restaurou a visão a um cego, Crescêncio). Depois de ter sido lançado à prisão, Lourenço curou de cegueira a Lucílio, prisioneiro de muitos anos, batizando-o em seguida. Testemunhando isso, Hipólito, o carcereiro, também foi batizado. Mais tarde, este veio a sofrer por Cristo (13 de agosto). Visto que Lourenço não negaria Cristo, pelo contrário aconselhou Décio a rejeitar seus falsos deuses, espancaram sua face com pedras, e seu corpo foi flagelado com o scorpion (uma corrente com dentes afiados e pontudos e um cabo encurvado à semelhança de uma causa de escorpião). Romanus, que estivera presente na tortura, converteu-se à fé cristã e foi imediatamente decapitado. Por último, eles colocaram Lourenço nu sobre uma enorme grelha e ascenderam fogo debaixo dele. Consumindo-se pelo fogo, São Lourenço dava glórias a Deus e zombava o imperador por seu paganismo. Depois, Lourenço entregou sua heróica e pura alma a Deus. Hipólito levou seu corpo na calada da noite à casa de Ciríaco e, depois, para uma gruta, onde Hipólito honrosamente enterrou-o. São Lourenço com os outros sofreram no ano 258.

Tropário, t.3
Aceso pelo Espírito divino, como brasa consumiste as ervas daninhas do erro, ó vitorioso mártir Lourenço; como um incenso de espiritual suavidade tu queimaste por Aquele que te glorificou, atingindo assim com o teu fogo o último tom da perfeição; de todo dano, Arcediácono de Cristo, guarde os fiéis que veneram a tua memória.