“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Sobre a evidente vinda de Deus"

Nosso Deus virá e não manterá silêncio (Salmo 50:3)

A vocação de um comandante é diferente da de um juiz. O comandante não se mostra logo ao inimigo, mas permite que o inimigo pense o que quer dele, pois o principal objetivo do comandante é conquistar. O juiz, por sua vez, mostra-se logo àqueles que ele tem que julgar

Também, a vocação de um professor é diferente da do juiz. Para o professor, o principal objetivo é ensinar seus pupilos. Eis por que ele se pôs ao nível de seus alunos e fala com eles como amigo. Um juiz, entretanto, do começo ao fim, está fadado a mostrar-se apenas como um juiz.

A vocação de um médico é diferente da de um juiz, e a diferença entre elas pode ser comparado aos dois casos mencionados acima.

Irmãos, Deus apareceu ao mundo no corpo de um homem. Revelou-Se como Comandante, como Mestre e como Médico. Mas, não ainda como Juiz. No primeiro caso, decidiu permanecer em silêncio e não expressar abertamente Sua grandessíssima dignidade, mas permitiu, pelo contrário, que Seus inimigos, pupilos e pacientes fizessem seus julgamentos a respeito d’Ele pelo que conheciam. Aqueles que acertaram no julgamento O conheceriam como Deus na carne pela evidência de Suas palavras, Suas obras, Seu amor pela humanidade e pelos sinais divinos de Seu nascimento, Crucificação, Ressurreição e Ascensão. Todavia, aqueles cujas mentes estão obscurecidas pelas paixões malignas não O reconheceram, nem O aclamaram como Deus. Porém, quando Ele vier como Juiz, então ninguém perguntará “Tu és Ele?” ou “Quem és Tu?”, porque todos saberão, sem dúvida, Quem Ele é. Os anjos tocarão as trombetas diante d’Ele, Sua Cruz fulgurará nos céus diante d’Ele: Um fogo O antecede e consome Seus inimigos ao redor (Salmo 97: 3). Então, tanto o crente como o incrédulo, o justo quanto o injusto, reconhecerá o Juiz. Neste momento, somente os que O reconheceram de antemão como Deus, na caverna e na Cruz, alegrar-se-ão. Verdadeiramente, ficarão alegres, pois reconhecerão no Juiz Aquele por Quem eles lutaram guerras, de Quem eles aprenderam e por Quem foram curados

Graciosíssimo Salvador, tem piedade de nós e põe-nos de pé diante de Tua Segunda Vinda

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ssobre Deus Espírito Santo, o Glorificador "

Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar (João 16:14).

O Espírito Santo é igual ao Pai e ao Filho em poder. Tudo o que o Pai pode fazer, o Filho pode fazer, e também o Espírito Santo o pode. Tudo o que o Pai sabe, o Filho sabe, e também o sabe o Espírito Santo. Mas, de acordo com o amor infinito de Um pelo Outro e a Sua sabedoria infinita acerca da dispensação da salvação do homem, Eles aparecem aos homens Um de cada vez, do ponto de vista temporal. Como o Pai glorifica o Filho, assim o Filho glorifica o Pai e o Espírito Santo glorifica o Filho. Ele Me glorificará. O Filho não glorificou a Si mesmo? Sim, Ele o fez, mas não na medida em que poderia tê-lo feito; antes o fez apenas na medida em que os homens daquele tempo poderiam recebê-lo e suportá-lo. A seu tempo, o Espírito Santo revelará uma glória ainda maior do Filho de Deus, quando Ele, o Onigracioso, encher os fiéis com Seus dons da graça. Ele Me glorificará. Irmãos, o Senhor também fala essas palavras como uma lição para nós, para que, caso façamos alguma boa obra, deixemos que outros nos glorifiquem e não busquemos glorificarmo-nos a nós mesmos. Porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar.

Com essas palavras, o Senhor revelou a unidade do Espírito de Deus com Ele, e não a subordinação do Espírito. Antes Ele dissera: Ele vos guiará em toda a verdade (João 16:13). Para que os discípulos não pensassem que o Espírito sabe mais da verdade do que o Filho, ou que o Espírito é maior do que o Filho, Ele revelou que o Espírito há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar. O Cristo era capaz de guiar os discípulos em toda a verdade, mas àquela altura os discípulos não estavam preparados para receber toda a verdade. Portanto, o Espírito Santo os guiará em toda verdade, no tempo oportuno. E contudo, ao revelar-lhes toda a verdade, o Espírito não revelará nada que não seja conhecido pelo Filho, e muito menos alguma coisa que seja contrária ao conhecimento e à vontade do Filho. É por isso que o Senhor disse: Porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar.

Ó unidade maravilhosa da Santa Trindade, ó poder da Chama Triuna, luz e amor de um só e mesmo fogo! Ó Santa e Santíssima Trindade, acende o amor divino em nossos corações.

Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

“Sobre a divindade do Filho e Sua unidade de Essência com o Pai”

Quem Me vê a Mim vê o Pai (João 14:9)

Disse-Lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta (João 14:8). A essas palavras o Senhor Jesus replicou: Estou há tanto tempo convosco, e não Me tendes conhecido, Filipe? Quem Me vê a Mim vê o Pai (João 14:9). Assim respondeu o Senhor a Seu discípulo. Filipe queria ver Deus com seus olhos corporais. E contudo, por três anos olhara para o Cristo e não O reconhecera como Deus. Por quê? Porque antes da descida do Espírito Santo Filipe olhava com o corpo para o corpo. Em outras palavras, percebia com olhos corporais e via o Senhor Jesus Cristo como um homem. Não vira ainda a divindade no Filho de Deus Encarnado, e já desejava ver Deus Pai! Quem Me vê a Mim vê o Pai. Com isso o Senhor não quis dizer que era Deus Pai, mas que Ele e o Pai são de uma só Essência. Tanto quanto pôde Deus Se revelar aos homens, revelou-Se através do Filho, que apareceu aos homens como homem. Deus Pai não Se fez encarnado; Deus Espírito Santo não Se fez encarnado; mas Deus Filho Se fez encarnado. Como é que Ele poderia então mostrar Seu Pai aos olhos corporais de um homem mortal? É precisamente por isso que o Filho Se fez encarnado, para revelar-Se aos homens -- revelar a Si mesmo, ao Pai e ao Espírito Santo: unidade consubstancial, em três Pessoas. Quem Me vê a Mim vê o Pai. Aqui o Senhor fala de Sua natureza divina. Nela Ele é completamente igual e de uma só Essência com o Pai. Tanto é assim que se Felipe tivesse percebido a natureza divina do Cristo, não teria feito o pedido: Mostra-nos o Pai. Naturalmente, ele não poderia ter visto a natureza divina, pois que ela é espiritual e invisível; mas poderia ver – e ver claramente – as grandes obras do Cristo como uma manifestação de Sua natureza divina. Irmãos, até hoje alguns homens dizem "Mostrai-nos Deus, e acreditaremos!" Deveríamos dizer-lhes: "Eis que vos mostramos o Senhor Jesus, crede!" "Estou há dezenove séculos convosco, e não Me tendes reconhecido, ó homens?" Dezenove séculos repletos de Sua glória, milagres, poder, graça, misericórdia, santos e mártires! E há ainda estultos que perguntam: "Onde está Deus?"

Ó Senhor Cristo nosso Deus, abre os olhos espirituais daqueles que ainda não vêem, para que possam ver a majestade de Tua glória.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

domingo, 4 de outubro de 2009

“Sobre o único Caminho, Verdade e Vida"

Eu sou o Caminho, e a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (João 14:6).

Irmãos, essas palavras não foram somente ditas, mas foram embebidas com sangue, confirmadas pela Ressurreição, instiladas pelo Espírito Santo nos corações dos fiéis e comprovadas reiteradamente pela Igreja durante os séculos dos séculos. De todos os tesouros da terra, o que os homens mais amam é a vida – amam-na mais do que à verdade, a despeito de não haver vida sem verdade. Assim, o mais alto bem é a vida, mas a verdade é o fundamento da vida. Quem ama a vida, também tem que amar a verdade. Mas onde está o caminho para a verdade? O Nosso Senhor diz: Eu sou o Caminho. Ele não disse "Eu sou um caminho", para que ninguém pensasse haver um outro caminho para a verdade além do Senhor Jesus. E Ele não é apenas o Caminho, mas também a Verdade e a Vida, para que ninguém pensasse haver alguma outra verdade e alguma outra vida além do Senhor Jesus. Para isso é que Ele nasceu como homem: para mostrar aos homens o caminho. Para isso é que Ele foi crucificado: para marcar o caminho com o Seu sangue. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim. Isso se dirige àqueles que enganam a si mesmos pensando que podem conhecer Deus e adquirir o Reino de Deus sem o Senhor Jesus Cristo. Com aquelas palavras o Senhor afastou completamente essa falsa esperança e auto-engano desesperado. O apóstolo que ouviu e escreveu essas palavras no Evangelho as exprimiu em sua Epístola desse modo: Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai (I João 2: 23).

Ó Bendito Senhor Jesus Cristo, Fonte de todas as bênçãos, verdadeiramente és para nós o único Caminho, a única Luz, a única Verdade, a única Vida e Vivificador. Reconhecemos-Te perante os homens e os anjos como nosso único Deus e Salvador. Tem piedade de nós e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sábado, 3 de outubro de 2009

“Sobre o sofrimento do Cristo”

Agora a Minha alma está perturbada; e que direi Eu? "Pai, salva-Me desta hora"? Mas para isto vim a esta hora (João 12: 27).

Nada mais real veio a este mundo terreno do que o Senhor Jesus Cristo: nada mais real enquanto Deus e nada mais real enquanto homem. Em verdade, perante Jesus Cristo, este mundo inteiro é como uma miragem. Nem a terra, nem a água, nem o ar, nem a luz sequer chegam perto de Sua realidade. Eis que tudo isso passará, mas Ele permanecerá. De fato, Ele é a pedra fundamental do mundo eterno e imperecível; e somente Ele e aqueles que se apegarem a Ele tomarão parte nessa realidade eterna e imperecível. As tumultuosas mas impotentes ondas do tempo furiosamente assaltaram (e continuam a assaltar) a realidade da divindade do Cristo e até da Sua humanidade. Assim como muito esforço foi necessário para que os cristãos abrissem os olhos dos pagãos e provassem a Divindade do Cristo, tanto foi igualmente necessário para abrir os olhos dos hereges e provar a Sua humanidade. O onisciente Espírito Santo previu isso e, através dos Evangelistas, preparou as armas dos guerreiros cristãos. Agora a Minha alma está perturbada. Sentiria o Senhor aflições, se não fosse um verdadeiro homem, sujeito a todas as fraquezas da natureza física, exceto o pecado? E Ele haveria de sentir não apenas aflição, mas também medo: Pai, salva-Me desta hora! Isso é dito pela fraca natureza humana que teme a morte (pois se refere à morte). Entretanto, Sua natureza humana não era pecaminosa, mas impecável, pois nosso Senhor imediatamente acrescenta: Mas para isto vim a esta hora. Vedes quão importante é a morte de Cristo? Por ela é que somos redimidos e por ela é que somos salvos. Portanto, que ninguém pare nos ensinamentos de Cristo; mas, antes, dirija-se ao Gólgota e contemple com horror o sacrifício sangrento na Cruz, que foi oferecido pelos nossos pecados, pela nossa salvação das imundas mandíbulas da serpente do hades.

Ó Senhor Jesus Cristo, que sofreste por nós e pela nossa salvação, tem piedade de nós, agora e sempre.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Sobre a unidade de Essência entre o Pai e o Filho"

Eu e o Pai somos um (João 10: 30)

Quanto mais milagres o Senhor Jesus operava, e quanto mais Ele Se aproximava de Sua morte, tanto mais abertamente Ele falava de Si mesmo. Os numerosos milagres e a crescente duração do tempo para contemplá-los promoviam mudanças tanto nos bons quanto nos ímpios. Os bons se tornavam receptivos à revelação dos elevados mistérios de Deus. Os ímpios, agarrando-se ao mal, obscureciam-se cada vez mais e se tornavam incapazes de receber esses mistérios. É por isso que os os ímpios pegaram (...) em pedras para O apedrejar (João 10: 31).

Eu e o Pai somos um. O Pai e o Filho são um em Essência, mas não são um em Pessoa (Hipóstase). Do contrário, não se poderia chamá-los por dois nomes, Pai e Filho. Tanto o Filho quanto o Espírito Santo têm todos os atributos da Essência do Pai. Entretanto, os atributos da Pessoa do Pai pertencem apenas ao Pai, os atributos da Pessoa do Filho pertencem apenas ao Filho, e os atributos da Pessoa do Espírito Santo pertencem somente ao Espírito Santo. Mas quando o discurso é sobre a Essência Divina, o Filho pode dizer "Eu e o Pai somos um"; e o Pai pode dizer "Eu e o Filho somos um"; e o Espírito Santo, pode dizer "Eu, o Pai e o Filho somos um."

O Senhor Jesus Cristo exprimiu a unidade de Seu Ser com o Pai nas seguintes palavras: O Pai está em Mim e Eu Nele (João 10:38). Pode a Divindade do Filho ser expressa com mais clareza? Pode a língua humana comunicar a unidade do Deus Triuno em termos mais fortes? O dogma da divindade do Filho de Deus, bem como o dogma da unidade do Ser de Deus, foi revelado e exposto pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Portanto, que ninguém dê crédito às mentiras de certos incrédulos e hereges, que supõem que o Senhor Jesus não revelou a Sua divindade, e alegam que esse dogma foi introduzido pela Igreja muito mais tarde. Se Cristo não tivesse proclamado a Sua divindade, por que os judeus lhe teriam dito: Tu (...) Te fazes Deus a Ti mesmo (João 10: 33)? E por que pegaram em pedras contra Ele?

Senhor Jesus, Cristo, Filho de Deus, uno em Essência com o Pai e o Espírito Santo, tem piedade de nós e salva-nos pelo poder e bondade de Tua onipotente e onijusta divindade.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santas Mártires Fé, Esperança e Caridade, e sua Mãe Sofia

Todas viveram e sofreram em Roma, durante o reinado do Imperador Adriano. Sofia era sábia, como indica seu nome. Caíra na viuvez e firmara bem a si própria e a suas filhas na fé cristã. Quando a mão perseguidora de Adriano estendeu-se até sobre a virtuosa casa de Sofia, Fé tinha apenas doze anos de idade, Esperança tinha dez anos e Caridade, nove. Trazidas perante o imperador, as quatro seguravam as mãos uma das outras "como uma coroa entretecida"; humilde mas firmemente confessaram sua fé no Cristo Senhor e se recusaram a oferecer sacrifícios ao ídolo pagão de Ártemis. Antes de seus sofrimentos, a mãe exortou as filhas a perseverarem até o fim: "Vosso Noivo Celestial, Jesus Cristo, é a saúde eterna, a beleza inefável e a vida eterna. Quando vossos corpos forem mortos pela tortura, Ele vos revestirá de incorrupção e as chagas de vossos corpos brilharão nos céus como as estrelas." Os torturadores infligiram cruéis torturas a uma de cada vez, primeiro a Fé, depois a Esperança e depois a Caridade. Espancaram-nas, açoitaram-nas, atiraram-nas às chamas e ao piche fervente e, finalmente, degolaram-nas com a espada, uma após a outra. Sofia levou os corpos mortos de suas filhas para fora da cidade e as enterrou honrosamente. Permaneceu em seu túmulo por três dias e três noites, orando a Deus. Em seguida, rendeu seu espírito a Deus, partindo para o Paraíso, onde as almas benditas de suas gloriosas filhas esperavam por ela.

Hino de Louvor
Sofia, toda-sábia, glorificou o Senhor,
Como um sacrifício a Ele, ofereceu três belíssimas filhas.
A suas filhas disse: "Não temais, filhas minhas;
Fortalecei-vos no Cristo, perseverai na Fé,
E não temeis torturas nem infortúnios cruéis.
Não chorais por vossos corpos – melhor é no céu.
Deus vos dará corpos maravilhosos no céu.
Não chorais por vossa beleza – com a beleza divina
Resplendecereis entre os anjos no Reino de Deus,
Como filhas do Rei dos Reis!
Não chorais pela vida – de que vale esta vida terrena?
Não passa de no máximo cem anos.
No céu, a vida sem fim vos aguarda:
Vida sem fim, vida sem início.
Não chorais pela companhia de amigos terrenos,
Pois a companhia dos Santos maravilhosos vos aguarda ali.
Nem a companhia de parentes mundanos vos deve fazer chorar –
Pois vossa parentela, nos céus, são os mártires gloriosos."
Assim a pia mãe instruía as suas santas filhas,
Enquanto, uma a uma, partiam elas para o céu:
Três pombas brancas, inocentes e puras,
Voaram ligeiras para o seio do Cristo.
E com sua alma elevada, sua mãe partiu atrás delas,
E juntou-se a suas filhas gloriosas no Paraíso;
E nosso misericordioso Deus recebe as suas orações.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

"Sobre o Senhor, o Detentor do Poder "

Tenho poder para a dar [a Minha vida], e poder para tornar a tomá-la. (João 10: 18).

O poder divino de nosso Senhor Jesus Cristo manifestou-se em Seu pleno poder sobre Si mesmo. Se o poder divino pudesse ser separado do amor divino, então se poderia dizer do Cristo que Ele teria sido capaz de encarnar, ou de não encarnar; ou ainda, que teria sido capaz de morrer, ou de não morrer. Mas Ele encarnou, de acordo com Seu divino amor pelos homens, e de acordo com esse mesmo inexprimível amor, Ele Se entregou à morte, como um Bom Pastor por Suas ovelhas (João 10:11). Um homem que se mata não tem verdadeiramente poder sobre sua vida, pois ele não se mata por seu próprio poder, mas antes pelo poder do pecado, ou pelo poder do diabo, ou pelo poder de alguma outra circunstância grave. Assim também um homem a quem outros matam não tem poder sobre sua vida, nem pode falar pela sua vida perante seus assassinos: não pode dizer tenho poder para a dar, pois tem que dá-la contra a vontade. Somente nosso Senhor Jesus Cristo pôde dizer na presença de seus assassinos, os judeus: tenho poder para a dar. Tendo tal poder, Ele podia, por um milagre que Lhe teria sido fácil, fazer todos os judeus perecerem antes de O crucificarem na Cruz. Contudo Ele antevia os frutos salvadores de Sua morte, e é por isso que Ele voluntariamente Se entregou para ser morto.

E poder para tornar a tomá-la. Com essas palavras Ele predisse Sua Ressurreição. Portanto, o Senhor tanto morreu quanto ressuscitou pelo Seu divino poder.

Ó Senhor Onipotente e Filantropo, quão belamente planejaste a salvação dos homens pelo Teu divino amor e poder. Ajuda-nos, ó ajuda-nos, para que possamos abraçar essa salvação!

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Sobre o duplo testemunho do Filho de Deus"

Eu sou O que testifico de Mim mesmo, e de Mim testifica também o Pai que Me enviou (João 8:18).

Está escrito na Lei que duas testemunhas são necessárias para se provar alguma coisa. Antes de tudo, o Senhor ofereceu aos incrédulos judeus três grandes testemunhas de Si mesmo: o Pai, Suas próprias obras e a Sagrada Escritura (João 5: 36 - 39). E contudo, mesmo depois de Seus inúmeros milagres e depois de ter exposto amplamente os Seus ensinamentos, Ele lhes disse que o Seu próprio testemunho de Si mesmo era verdadeiro e suficiente (João 8:14). Finalmente, Ele de novo enfatizou dois testemunhos – o Dele e o de Seu Pai –, de acordo com a letra da Lei, que exigia duas testemunhas. Assim o Senhor sela os lábios dos incrédulos de todas as maneiras e não lhes deixa escapatória alguma a não ser o crime de homicídio, que é o último recurso daqueles que se recusam a se deixar convencer pela verdade, a despeito da razão ou das provas. Neste último caso em particular, com a apresentação, pelo Senhor, dos testemunhos Seu e de Seu Pai, Ele também quis mostrar que era uma Pessoa [Hipóstase] separada do Pai e, mesmo assim, uno em Essência com o Pai. Portanto, Ele apresenta dois testemunhos: o Seu próprio testemunho em separado e o testemunho de Deus Pai. Confirmam isso as seguintes palavras: Se vós Me conhecêsseis a Mim, também conheceríeis a Meu Pai (João 8: 19). Aqui, está expressa a completa unidade essencial do Pai e do Filho, e não resta a menor dúvida sequer de que o Senhor estava pensando em Sua igualdade essencial com Seu Pai. As palavras aqui se referem à Natureza Divina e não a natureza humana. Quem quer que conceba a Santa Trindade como três seres corpóreos engana a si mesmo. Apenas o Filho de Deus apareceu na carne, em prol da salvação do mundo. O Pai e o Espírito Santo não tomaram a carne. De acordo com Sua Natureza Divina, o Filho, mesmo na carne, permaneceu igual ao Pai e ao Espírito Santo. Ele Se revestiu da natureza humana e acrescentou-lhe Sua Natureza Divina por amor à humanidade, para que assim Ele Se revelasse aos homens e os salvasse.

Ó Santa Trindade, una em Essência e indivisa, que nos iluminou e esclareceu pelo Verbo Encarnado de Deus, sustenta-nos até o fim pela Tua santidade, Tua força e Tua imortalidade, e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Mártir Aniceto

Aniceto era godo de nascimento. Foi discípulo de Teófilo, Bispo dos Godos, que participou no Primeiro Concílio Ecumênico [Nicéia, 325]. Quando o príncipe godo Atenarico começou a torturar cristãos, São Nicetas apresentou-se diante do príncipe e o censurou pelo seu paganismo e sua desumanidade. Duramente torturado em seguida, Nicetas confessou sua fé em Cristo com ainda mais firmeza e orou a Deus em ação de graças. Sua mente estava constantemente elevada até Deus, e sobre o peito, coberto pelo manto, ele trazia um ícone da Santíssima Deípara com o Menino Cristo Pré-Eterno de pé e segurando a Cruz em Suas mãos. São Aniceto trazia este ícone porque a Santa Deípara aparecera para ele e o consolara. Finalmente, o torturador lançou ao fogo o soldado do Cristo, onde o santo mártir deu seu último suspiro, mas seu corpo permaneceu intocado pelas chamas. Seu companheiro Mariano levou seu corpo da terra dos godos (Valáquia e Bessarábia) à vila de Mopsuéstia, na Cilícia. Lá, ele construiu uma igreja dedicada a São Nicetas e nela depositou as relíquias milagrosas do mártir. Aniceto sofreu e foi glorificado no ano 372.

sábado, 26 de setembro de 2009

"Sobre como o mundo aborrece o testemunho de seu pecado"

O mundo não vos pode aborrecer, mas ele Me aborrece a Mim (João 7: 7)

Por que o mundo aborrece (isto é, odeia) o Cristo Senhor? O Senhor em pessoa prontamente explica o motivo: Porquanto dele testifico que as suas obras são más (João 7:7). Não há nada que os homens aborreçam tanto quanto o testemunho de seus pecados. Por isso, as piores atrocidades do mundo são cometidas durante a noite, na escuridão. Mas não vê Deus na noite, na escuridão? De fato Ele vê, mas os malfeitores não vêem Deus. E, mesmo que alguns deles creiam em algo sobre Deus, pensam (devido à própria iluminação insuficiente) que a escuridão é a cortina entre Deus e os homens. O próprio Senhor Jesus Cristo revelou claramente que Deus é o que vê tudo, e não há escuridão que impeça Seus olhos de verem algo. Ele mesmo avistara homens à distância, como Natanael debaixo da figueira. Ele viu uma mula e seu potrinho numa outra vila. Sua visão desconhecia qualquer distância espacial. Previu a negação de Pedro, a traição de Judas, Sua própria morte e Ressurreição, a destruição de Jerusalém, a eternidade de Sua Igreja, o sofrimento de Seus seguidores e os eventos dos finais dos tempos. Sua visão desconhecia a distância de tempo. Há porém algo mais para mencionar? Há algo mais oculto do que o coração dos homens? Não é o coração encoberto pela fina cortina do corpo? Não são os pensamentos do coração mais ocultos do que o próprio coração? No entanto Ele penetrou na escuridão dos corações dos homens e ali leu seus pensamentos: Por que pensais mal em vossos corações? (Mt 9:4) Irmãos, não admira que todos cujo pensamento e obra sejam maldade temam tamanha e tão poderosa testemunha. É de admirar, portanto, que os malfeitores O aborreçam?

O mundo não vos pode aborrecer. Quem? Todos vós que participais no mal do mundo e que, dada sua aquiescência nessa participação, não vos atreveis a testemunhar contra o mundo. Como pode os que temem os homens testemunhar contra estes? Como pode os que buscam a glória dos homens trazerem a condenação contra esses mesmos homens?

Irmãos meus, melhor para nós que o mundo nos aborreça e o Cristo nos ame, do que o mundo inteiro nos ame e nos glorifique e o Cristo vire Sua face de nós, dizendo: não vos conheço. Se o mundo nos aborrece, confortemo-nos com as palavras do Salvador: Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim (Jo 15:18).

Bendito Senhor, Fonte de todas as bênçãos, fortalece nossos corações, para que não temamos quando o mundo nos aborrecer. Apenas abençoa-nos e ama-nos, ó Benigno Salvador.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

Consagração da Igreja da Ressurreição de Cristo

Quando a Imperatriz Helena descobriu a Cruz de nosso Senhor em Jerusalém, ela permaneceu na Cidade Santa por algum tempo e erigiu igrejas no Getsêmani, em Belém e sobre o Monte das Oliveiras, como também em outros lugares significativos da vida e atividade do Senhor Jesus Cristo. No Gólgota, onde foi descoberta a Venerável Cruz, ela deu início à construção de uma enorme igreja. Essa igreja foi projetada para abranger o Lugar da Caveira, onde o Senhor foi crucificado, e também o local onde Ele foi enterrado. A santa imperatriz desejava incluir o lugar de Seu sofrimento e o de Sua glória sobre o mesmo teto. Entretanto, Helena repousou no Senhor antes que essa majestosa igreja fosse concluída. Ao chegar a época de seu término, Constantino festejava o trigésimo ano de seu reinado, celebrando-se portanto no mesmo dia (13 de setembro de 335) a consagração da igreja e o jubileu do imperador. Na ocasião, reunia-se um concílio local de bispos em Tiro. Esses bispos e muitos outros vieram a Jerusalém para a solene consagração da Igreja da Ressurreição do Senhor. Estabeleceu-se, então, que este dia – o dia da vitória e do triunfo da Igreja de Cristo – fosse solenemente comemorado a cada ano.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"De como a alma deve se alimentar do Cristo a fim de viver "

Quem de Mim se alimenta, viverá por Mim (João 6: 57)

Assim fala o Cristo, o Senhor, a Vida e Fonte da Vida. Uma árvore se alimenta de terra, ar e luz. Se uma árvore não se alimentar desses elementos, será ela capaz de crescer e viver? De que se alimenta um bebê nos seios da mãe, a não ser dela? Se o bebê não se alimentar de sua mãe, crescerá e viverá? Do mesmo modo nossa alma não crescerá, nem viverá, se não se alimentar do Cristo, o Vivente e Imortal. As palavras dessa passagem não se referem à vida em geral, pela qual vive a natureza, nem à vida deformada na qual vivem os pagãos, mas a uma vida especial, divina e eterna – vida plena e cheia de alegria. Apenas o Cristo concede essa vida aos homens, e ela vem apenas àqueles que se alimentam do Cristo. Cada homem é tão grande quanto a comida de que se alimenta; cada homem é tão vivo quanto a comida de que se alimenta. As palavras, aqui, não são sobre comida corporal, pois apenas o corpo do homem – não seu espírito – alimenta-se de comida material. Os homens se diferenciam tanto na vida física quanto no crescimento físicos, mas tais diferenças são totalmente insignificantes. Entretanto, a diferença na vida e no crescimento espirituais entre os homens é enorme. Ao passo que algumas pessoas, pelo amadurecimento das almas, mal conseguem se erguer sobre a terra, outros se erguem para os céus. A diferença entre Herodes e João Batista não é menor do que a diferença entre um rei e um anjo. Enquanto aquele arrasta o corpo e alma pela terra e impiamente defende seu trono, este coloca o próprio corpo sobre uma rocha no deserto e é levantado em alma aos céus, entre os anjos.

Ó irmãos meus, ergamos nossas almas aos Céus, onde o Cristo Senhor Se assenta no trono da eterna glória, e alimentemos e nutramos nossas almas e corações com Ele, a Vida pura e onipotente. Somente então, seremos feitos dignos de sermos Seus co-herdeiros no Reino dos Céus.

Senhor Jesus, nosso verdadeiro Deus, nosso doce alimento e Nutridor filantropo, não nos lances fora de Teu seio divino, pois somos fracos e desamparados. Alimenta-nos contigo mesmo, ó nosso misericordioso Nutridor.

A Ti, glória e louvor para sempre. Amém.

Hieromártir Autônomo

Durante as perseguições de Diocleciano, Autônomo partiu da Itália para a Bitínia asiática, para um lugar chamado Soréus. Lá, ele converteu muitos ao Cristianismo e construiu-lhes uma igreja dedicada ao santo Arcanjo Miguel. Autônomo vivia na casa de um devoto cristão, Cornélio, quem ele primeiro ordenou como presbítero e, mais tarde, consagrou ao episcopado. Não muito longe de Soréus, havia um lugar chamado Limanas, habitado somente por pagãos. Santo Autônomo dirigiu-se àquela região e, em breve tempo, iluminou a muitos com o Evangelho de Cristo, o que enfureceu os pagãos. Um dia, os pagãos invadiram a Igreja do Santo Arcanjo Miguel em Soréus em pleno serviço divino, assassinaram Autônomo no santuário e mataram muitos cristãos na igreja. No reinado do Imperador Constantino, Severiano, um nobre real, edificou uma igreja sobre o túmulo de Santo Autônomo. Duzentos anos depois de sua morte, Santo Autônomo apareceu a um soldado chamado João. João exumou as relíquias do santo, encontrando-as completamente incorruptas, e muitos enfermos receberam curas a partir das relíquias de Autônomo. Assim Deus glorifica aquele que O glorificava enquanto vivia na carne.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"Sobre o Cristo como o Pão da Vida"

Eu sou o Pão da vida (João 6:35).
Quem pode dar a vida, meus irmãos, se não o Único que a criou? Quem, em verdade, pode ser o Pão da vida senão o nosso Criador? Foi Ele quem criou, é Ele quem sustenta, é Ele quem alimenta e é Ele quem dá a vida. Se o trigo alimenta o corpo, o Cristo alimenta a alma. Se nosso corpo é sustentado pelo pão terreno, nossa alma é nutrida e vive pelo Cristo. Se nossas almas forem alimentadas por outro alimento qualquer, e não pelo Cristo, nossas almas caíram e perecerão; não viverão. Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna (João 6:27), assim falou o Senhor numa passagem anterior. Primeiro Ele examina a fome dos homens e, depois, oferece pão para satisfazê-los. Na realidade, Ele oferece a fome e, depois, o pão, pois os homens confundem-se sobre a fome. Os homens têm fome, mas não sabem do quê. Mesmo saciados pelo alimento terreno, mesmo quando empanzinados, sentem uma certa fome insaciável. Embora saibam que todo o mundo e todo o pão sobre a face da terra não conseguem satisfazer essa misteriosa fome, eles correm atrás de alimento mundano, competem pelo mundo e apenas pelo mundo. A verdadeira fome dos homens é a fome dos céus, da vida eterna, de Deus. O Senhor Jesus primeiro ressalta a fome e, depois, prepara a refeição para saciá-la. Ele próprio é esta refeição: Eu sou o Pão da vida, aquele que vem a Mim não terá fome (João 6:35). Eles serão saciados, regozijar-se-ão, serão revivificados, conhecerão Deus e a si mesmos. Ó meus irmãos, Ele os ressuscitará dos mortos! Alimentando-se unicamente do alimento que perece, sem a imortal comida espiritual, gradualmente a alma se embota e, no final, torna-se totalmente morta. Morta de quê? De fome. O corpo é da terra e sacia-se com comida terrena, mas a alma é do sopro da própria Fonte de Vida e busca comida e bebida de sua única e inigualável Fonte.

Senhor Jesus, Pão de vida eterna, Verdadeira e Imperecível Vida, dulcíssimo Pão, alimenta-nos de Ti mesmo.

A Ti, a glória e o louvor para sempre. Amém.

Venerável Teodora

Teodora era de Alexandria e mulher de um jovem. Persuadida por uma adivinha, ela cometeu adultério com outro homem e imediatamente começou a sentir terríveis crises de consciência. Ela cortou seus cabelos, vestiu-se em roupas masculinas e entrou no Mosteiro de Octodecatos, com o nome masculino de Teodoro. Seu labor, jejum, vigilância, humildade e arrependimento banhado em lágrimas surpreenderam toda a irmandade. Quando uma jovem promíscua a acusou, dizendo que "Teodoro" a havia engravidado, Teodora não se defendeu, mas considerou a acusação como uma punição de Deus por seu pecado anterior. Expulsa do mosteiro, passou sete anos vivendo na floresta e na solidão, e ainda cuidando do filho da jovem devassa. Ela sobrepujou todas as tentações demoníacas: recusou-se a adorar Satanás, recusou-se a aceitar comida das mãos de um soldado e a ceder aos apelos do marido para que voltasse para ele – tudo isso não passava de uma ilusão diabólica, e tão logo Teodora fazia o Sinal da Cruz, tudo desaparecia como fumaça. Passados sete anos, o abade a recebeu de volta no mosteiro, onde viveu por mais dois anos e repousou no Senhor. Só então os monges ficaram sabendo que ela era uma mulher: um anjo apareceu ao abade e lhe explicou tudo. Seu marido compareceu a seu enterro e, depois, permaneceu na cela de sua ex-mulher até o dia em que ele repousou. Santa Teodora possuía muita graça de Deus: amansou animais selvagens, curou enfermidades e fez brotar água de um poço seco. Assim Deus glorificou uma verdadeira penitente que, com heróica paciência, arrependeu-se nove anos por um único pecado. Ela repousou em 490.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Início do Ano Eclesial ou Início do Julgamento

O Primeiro Concílio Ecumênico (Nicéia, 325) decretou que o ano eclesial começasse em 1º. de setembro. Para os antigos hebreus, o mês de setembro era o início do ano civil (Êxodo 23:16), mês de realizar-se a colheita e de ofertar ações de graças a Deus. Foi na ocasião desta festa em que o Senhor Jesus entrou numa sinagoga em Nazaré (Lucas 4: 16-21), abriu o livro do Profeta Isaías e leu as palavras: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim para pregar boas-novas aos humildes; enviou-me para reerguer o angustiado, proclamar a liberdade aos cativos, abrir a prisão aos aprisionados e proclamar um ano da graça do Senhor, o dia da vingança de nosso Deus e confortar todos os aflitos (Isaías 61: 1-2). O mês de setembro também é de suma importância para a história do Cristianismo, porque o Imperador Constantino, o Grande, derrotou Maxêncio, inimigo da fé cristã, em setembro. Após a vitória, Constantino conferiu liberdade de confissão à Fé Cristã em todo o Império Romano. Por muito tempo, o ano civil do mundo cristão seguia o ano eclesial com o início em 1º de setembro. Mais tarde, o ano civil foi modificado, transferindo seu começo para 1º de janeiro. Primeiramente, a mudança ocorreu na Europa Ocidental e, tempos mais tarde, na Rússia, sob Pedro, o Grande.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Sobre a cura da humanidade pelas feridas de Cristo."

Estamos curados pelas feridas de Cristo. Assim profetizou o Profeta de Deus, e agora sabemos que essa profecia é verdadeira. Pelos sofrimentos de Cristo, fomos salvos dos sofrimentos eternos. Por Seu puríssimo sangue, fomos purificados da lepra do pecado e fomos revivificados. Nosso sangue e corpo ficaram maculados pelas paixões pecaminosas, mas foi o espírito – o ninho e a fonte da impureza corporal – o primeiro a ficar maculado. Pode o impuro ser purificado pelo impuro? Pode o linho sujo ser lavado com água suja? Não, não pode.

Somente o limpo pode lavar o sujo. Até mesmo os pagãos sentiam que a humanidade era impura. Mas, eles queriam purificar a impureza pela impureza: invocando espíritos impuros, adorando-os, oferecendo-os sacrifícios impuros, sejam eles homens ou animais. Uma gota do sangue do Puríssimo Cristo pode lavar a humanidade muito mais do que todos os sacrifícios idólatras, desde o princípio do mundo. Por que? Porque o sangue de Cristo é puro, e tudo o mais é impuro. Engolindo apenas uma gota de um eficiente medicamento, os médicos podem vacinar muitas pessoas e protegê-las de qualquer doença. Nós engolimos o sangue de Cristo com água e, então, nós o bebemos na Comunhão, pois se diz que, quando perfuraram o corpo do Senhor com a lança, jorraram sangue e água (João 19:34). Tamanho é o poder numa gota de Seu sangue que o mundo inteiro poder inflamar-se dela. É o sangue sem-pecado, o único imaculado; o sangue mais puríssimo, o único verdadeiramente puro que há no mundo.

Ah, se os homens apenas descobrissem o poder de tão absoluta pureza! Todo o pecador, todo impuro apressar-se-ão para purificar-se pelo Puríssimo Cristo, assim como todos os aflitos para comungar do Corpo e Sangue de Cristo, e todos os incrédulos acreditariam em Cristo. Pois, há uma trindade aqui, todos os três são puros e purificam – puro espírito, puro sangue e puro corpo. Somente o puro pode purificar o impuro, somente o sadio pode curar o enfermo e apenas o poderoso pode erguer o necessitado.

Onipotente Senhor Nosso, purifica-nos pelo Sangue de Tuas feridas, Tuas inocentes e puríssimas feridas.

A Ti, sejam a honra e a glória para sempre. Amém

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Venerável Pímem, o Grande


Pímem era egípcio por nascimento e um grande asceta do Egito. Ainda garoto, costumava visitar os mais renomados mestres espirituais, dos quais colheu um conhecimento considerável, como as abelhas colhem mel das flores. Pímem, certa vez, implorou ao ancião Paulo que o levasse a São Paísio. Ao ver Pímem, Paísio disse a Paulo: “Este menino salvará a muitos; a mão de Deus está sobre ele.” Com o tempo, Pímem foi tonsurado monge e atraiu dois irmãos seus à vida monástica. Numa ocasião, a mãe deles veio-lhes visitar. Pímem não a permitiu entrar, mas pediu a ela por detrás da porta: “Desejas ver-nos mais aqui ou lá, na eternidade?” A mãe partiu, com grande alegria, dizendo: “Já que certamente encontrarei meus filhos lá, então não desejo vê-los aqui!” No mosteiro em que esses três irmãos moravam (governado pelo Abade Anúbis, irmão mais velho de Pímem), sua regra era a seguinte: à noite, eles passavam quatro horas fazendo trabalhos manuais, quatro horas dormindo e quatro horas lendo o Saltério. Durante o dia, eles alternavam trabalho e oração desde a manhã até o meio dia, faziam as leituras desde o meio-dia até as Vésperas, depois das quais preparavam a Ceia para si mesmos. Essa era a única refeição em vinte-e-quatro horas e geralmente se constituía de algum tipo de legume. Diz-se que Pímem havia comentado: “Comemos o que nos foi dado. Ninguém jamais dissera ‘Dei-me mais’ ou ‘Eu não o quero’. Desta maneira, passamos toda a nossa vida em silêncio e em paz.” Pímem conduziu uma vida de ascetismo no quinto século e pacificamente repousou em avançada idade.

Hino de Louvor
Fonte de sabedoria foi o Venerável Pímem,
Grande tocha da chama de Cristo.
Desde o dia em que renunciou ao mundo de ilusões,
Repreendia a ninguém, elogiava a ninguém.
Uma vez, dois irmãos discutiam em sua presença,
Mas Pímem permaneceu em silêncio. Alguns o repreendiam:
“Como ouves a discussão, como se houvesse nada de errado?”
Pímem respondeu: “Morri muito tempo atrás”
Outro lhe perguntou: “Como posso ser salvo,
Para minha mente não se disperse atrás das calúnias do inimigo?”
Disse Pímem: “Moscam fogem da água quente,
O Mal foge de uma alma aquecida.”
“O que é mais valioso”, perguntou outro,
“A fala de meu irmão ou o silêncio?”
“Tanto por um como pelo outro, Deus é glorificado.
Para glória de Deus, escolha para ti mesmo.”
“Como posso defender-me do Maligno?”
“O Mal não derrota o Mal,
Faça o bem ao que faz o mal,
O que inflamará até o seu coração.
Não se constrói a casa de um, destruindo a de outro:
Nisso, apenas o terceiro – o Maligno – beneficia-se.”
“Duas perniciosas paixões envenenam nossa alma;
Temos nenhuma liberdade, enquanto elas nos esmagam:
O prazer carnal e a ilusão do mundo – Somente uma alma santa é livre delas.”

Reflexão
Os grandes ascetas ortodoxos, em sua difícil ascensão ao Reino de Deus, são como aqueles que penosamente escalam uma íngreme montanha, agarrando-se com mãos e pés para subir um pouco mais, sem pensar em olhar para trás. Suas labutas e conquistas são, de fato, impressionantes. São Pímem não queria ver sua mãe, quando ela veio visitá-lo. Noutra ocasião, um príncipe queria ver Pímem, mas este recusou. Entretanto, o príncipe arquitetou um astuto plano para forçar o ancião a recebê-lo. Ele capturou o sobrinho de Pímem e disse à mãe (irmã de Pímem) do rapaz que ele libertaria seu filho somente quando Pímem em pessoa viesse falar com ele. A irmã partiu ao deserto e, batendo à porta de Pímem, implorou ao irmão que saísse e salvasse seu filho. Mas, Pímem não saiu. A irmã começou a censurá-lo e amaldiçoá-lo. Quando o príncipe tomou conhecimento disso, ela ordenou que uma carta fosse escrita a Pímem, dizendo que, se o ancião pedisse por escrito (já que ele não queria oralmente) ao príncipe que soltasse o garoto, o príncipe assim o faria. Pímem replicou: “Poderoso príncipe, levante profundas informações sobre a culpa do rapaz e, se sua culpa for tão grave que mereça a morte, que ele morra, a fim de que, pela punição temporal, ele escape dos tormentos da eternidade. Entretanto, se o crime dele não merece a pena de morte, então o castigue de acordo com a lei e liberte-o.” Ao ler uma carta tão justa e imparcial, o príncipe ficou completamente abismado. Ele libertou o jovem, e seu respeito por Pímem aumentou em dobro.

Tropário, t.8
Pela abundância de tuas lágrimas, fizeste florescer o árido deserto, com teus profundos gemidos, fizeste tuas dores produzir cem vezes mais, por teus espantosos milagres, te tornaste um farol que ilumina o mundo inteiro, venerável Pai Pímen, rogue a Cristo nosso Deus, para salvar as nossas almas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"Sobre a admirável pedra de Sião "

Vide, eu, em Sião, por fundamento, uma pedra, uma pedra lapidada, preciosa rocha angular, segura fundação: aquele que nela acreditar jamais será envergonhado (Isaías 28:16).

Irmãos, essa maravilhosa Pedra é nosso próprio Senhor Jesus Cristo. Pois se o profeta achasse que fosse uma pedra comum, ele jamais exportaria fé nela, pois estaria profetizando idolatria. O Profeta Daniel também fala de uma pedra que foi extraída de uma montanha, esmigalhou o grande ídolo e cresceu numa grande montanha que enchia toda a terra (Daniel 2:34-35). A profecia sobre a pedra em Daniel dirige-se aos pagãos, ao passo que a profecia da pedra em Isaías é para os judeus. O Senhor Jesus Cristo é a Pedra que foi lançada: primeiro, como fundamento de toda a criação de Deus – pois Ele é o Verbo de Deus e a Sabedoria de Deus; segundo, como fundamento da preparação, o Antigo Testamento; e terceiro, como fundamento do cumprimento, o Novo Testamento. A pedra angular é a mais firme e mais forte pedra numa construção: ela conecta e junta as outras pedras da construção e prende as paredes em suas várias direções, compondo uma unidade e uma inteireza. Se observássemos o Senhor Cristo dentro de nós, Ele é a Pedra-angular que une e liga todas as nossas capacidades espirituais em unidade e inteireza, para que tudo trabalhe para um único objetivo: Deus e Seu Reino. Se nós observássemos Cristo, o Senhor, por toda a história da humanidade, Ele é a Pedra-angular que une e liga o Judaísmo e o paganismo em uma única Casa de Deus – a Igreja de Deus. Pois nenhum homem pode lançar outro fundamento, que é Cristo Jesus (I Coríntios 3:11), diz o Apóstolo do Novo Testamento, de acordo com o profeta do Antigo Testamento. Quem quer que creia nesta Pedra de Salvação não ficará envergonhado. Nem ninguém ficará quem nela crer. Pois essa Pedra é um seguro fundamento e verdadeiramente uma pedra escolhida, preciosa e honrada.

Senhor Jesus, nossa Pedra de Salvação, fortalece em nós aquela santa e salvífica fé em Ti, nosso único Salvador.

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.