“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

ok
Mostrando postagens com marcador Pastoral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pastoral. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Sobre a elevação do homem por meio de Cristo ressuscitado"

Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a Seus pés (Ef 1:21-22).

Eis as alturas às quais Deus exalta o ser do homem! Aqui, a natureza divina de Cristo não é o assunto, mas antes a Sua natureza humana. Isso não é sobre o Verbo eterno de Deus, mas antes sobre o homem Jesus, a quem Deus ressuscitou dos mortos e exaltou – não apenas acima deste mundo inteiro visível e mortal, mas também acima do invisível e imortal, muito acima de todas as ordens de anjos e de poderes celestes; muito acima de todas as maravilhosas hierarquias dos céus, conhecidas e desconhecidas; muito acima de todo ser criado, conhecido e desconhecido; e muito acima de todo o nome nos mundos material e espiritual. Meus irmãos: vedes como nosso Todo Glorioso Criador cumpriu a promessa que fez a Adão quando o baniu do paraíso, e que repetiu com mais clareza a Abraão, e que repetiu com ainda mais clareza pelos profetas e por David? Vedes como o Senhor Sabaoth começou a glorificar a raça humana através da glorificação do homem Jesus, o Filho de Deus, em quem a divindade de Deus se encarnou? Como o primeiro em glória, Deus glorificou a Ele primeiro, e depois, em ordem, todos aqueles que são contados com Ele, e que pela graça do Espírito Santo estão designados e escritos no Livro da Vida para a glória eterna. Não é sem motivo que a Igreja canta para a Mãe de Deus: "Mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins". Onde o Senhor Ressuscitado e exaltado, sua Santíssima Mãe é também exaltado como o são também Seus Santos Apóstolos, de acordo com Suas palavras a Seu Pai Celestial. Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo (Jo 17:24).

Tal é a ilimitada conseqüência da descida de Deus a terra. Tais são os inefáveis frutos de Seus padecimentos.

Ó Senhor Jesus Cristo nosso Salvador, igual apenas a Teu Pai e ao Espírito Santo; ajuda-nos a desenredarmo-nos da profundeza do pecado pútrido e da estultícia sensual antes do fim.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Sobre a evidente vinda de Deus"

Nosso Deus virá e não manterá silêncio (Salmo 50:3)

A vocação de um comandante é diferente da de um juiz. O comandante não se mostra logo ao inimigo, mas permite que o inimigo pense o que quer dele, pois o principal objetivo do comandante é conquistar. O juiz, por sua vez, mostra-se logo àqueles que ele tem que julgar

Também, a vocação de um professor é diferente da do juiz. Para o professor, o principal objetivo é ensinar seus pupilos. Eis por que ele se pôs ao nível de seus alunos e fala com eles como amigo. Um juiz, entretanto, do começo ao fim, está fadado a mostrar-se apenas como um juiz.

A vocação de um médico é diferente da de um juiz, e a diferença entre elas pode ser comparado aos dois casos mencionados acima.

Irmãos, Deus apareceu ao mundo no corpo de um homem. Revelou-Se como Comandante, como Mestre e como Médico. Mas, não ainda como Juiz. No primeiro caso, decidiu permanecer em silêncio e não expressar abertamente Sua grandessíssima dignidade, mas permitiu, pelo contrário, que Seus inimigos, pupilos e pacientes fizessem seus julgamentos a respeito d’Ele pelo que conheciam. Aqueles que acertaram no julgamento O conheceriam como Deus na carne pela evidência de Suas palavras, Suas obras, Seu amor pela humanidade e pelos sinais divinos de Seu nascimento, Crucificação, Ressurreição e Ascensão. Todavia, aqueles cujas mentes estão obscurecidas pelas paixões malignas não O reconheceram, nem O aclamaram como Deus. Porém, quando Ele vier como Juiz, então ninguém perguntará “Tu és Ele?” ou “Quem és Tu?”, porque todos saberão, sem dúvida, Quem Ele é. Os anjos tocarão as trombetas diante d’Ele, Sua Cruz fulgurará nos céus diante d’Ele: Um fogo O antecede e consome Seus inimigos ao redor (Salmo 97: 3). Então, tanto o crente como o incrédulo, o justo quanto o injusto, reconhecerá o Juiz. Neste momento, somente os que O reconheceram de antemão como Deus, na caverna e na Cruz, alegrar-se-ão. Verdadeiramente, ficarão alegres, pois reconhecerão no Juiz Aquele por Quem eles lutaram guerras, de Quem eles aprenderam e por Quem foram curados

Graciosíssimo Salvador, tem piedade de nós e põe-nos de pé diante de Tua Segunda Vinda

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ssobre Deus Espírito Santo, o Glorificador "

Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar (João 16:14).

O Espírito Santo é igual ao Pai e ao Filho em poder. Tudo o que o Pai pode fazer, o Filho pode fazer, e também o Espírito Santo o pode. Tudo o que o Pai sabe, o Filho sabe, e também o sabe o Espírito Santo. Mas, de acordo com o amor infinito de Um pelo Outro e a Sua sabedoria infinita acerca da dispensação da salvação do homem, Eles aparecem aos homens Um de cada vez, do ponto de vista temporal. Como o Pai glorifica o Filho, assim o Filho glorifica o Pai e o Espírito Santo glorifica o Filho. Ele Me glorificará. O Filho não glorificou a Si mesmo? Sim, Ele o fez, mas não na medida em que poderia tê-lo feito; antes o fez apenas na medida em que os homens daquele tempo poderiam recebê-lo e suportá-lo. A seu tempo, o Espírito Santo revelará uma glória ainda maior do Filho de Deus, quando Ele, o Onigracioso, encher os fiéis com Seus dons da graça. Ele Me glorificará. Irmãos, o Senhor também fala essas palavras como uma lição para nós, para que, caso façamos alguma boa obra, deixemos que outros nos glorifiquem e não busquemos glorificarmo-nos a nós mesmos. Porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar.

Com essas palavras, o Senhor revelou a unidade do Espírito de Deus com Ele, e não a subordinação do Espírito. Antes Ele dissera: Ele vos guiará em toda a verdade (João 16:13). Para que os discípulos não pensassem que o Espírito sabe mais da verdade do que o Filho, ou que o Espírito é maior do que o Filho, Ele revelou que o Espírito há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar. O Cristo era capaz de guiar os discípulos em toda a verdade, mas àquela altura os discípulos não estavam preparados para receber toda a verdade. Portanto, o Espírito Santo os guiará em toda verdade, no tempo oportuno. E contudo, ao revelar-lhes toda a verdade, o Espírito não revelará nada que não seja conhecido pelo Filho, e muito menos alguma coisa que seja contrária ao conhecimento e à vontade do Filho. É por isso que o Senhor disse: Porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar.

Ó unidade maravilhosa da Santa Trindade, ó poder da Chama Triuna, luz e amor de um só e mesmo fogo! Ó Santa e Santíssima Trindade, acende o amor divino em nossos corações.

Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

“Sobre a divindade do Filho e Sua unidade de Essência com o Pai”

Quem Me vê a Mim vê o Pai (João 14:9)

Disse-Lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta (João 14:8). A essas palavras o Senhor Jesus replicou: Estou há tanto tempo convosco, e não Me tendes conhecido, Filipe? Quem Me vê a Mim vê o Pai (João 14:9). Assim respondeu o Senhor a Seu discípulo. Filipe queria ver Deus com seus olhos corporais. E contudo, por três anos olhara para o Cristo e não O reconhecera como Deus. Por quê? Porque antes da descida do Espírito Santo Filipe olhava com o corpo para o corpo. Em outras palavras, percebia com olhos corporais e via o Senhor Jesus Cristo como um homem. Não vira ainda a divindade no Filho de Deus Encarnado, e já desejava ver Deus Pai! Quem Me vê a Mim vê o Pai. Com isso o Senhor não quis dizer que era Deus Pai, mas que Ele e o Pai são de uma só Essência. Tanto quanto pôde Deus Se revelar aos homens, revelou-Se através do Filho, que apareceu aos homens como homem. Deus Pai não Se fez encarnado; Deus Espírito Santo não Se fez encarnado; mas Deus Filho Se fez encarnado. Como é que Ele poderia então mostrar Seu Pai aos olhos corporais de um homem mortal? É precisamente por isso que o Filho Se fez encarnado, para revelar-Se aos homens -- revelar a Si mesmo, ao Pai e ao Espírito Santo: unidade consubstancial, em três Pessoas. Quem Me vê a Mim vê o Pai. Aqui o Senhor fala de Sua natureza divina. Nela Ele é completamente igual e de uma só Essência com o Pai. Tanto é assim que se Felipe tivesse percebido a natureza divina do Cristo, não teria feito o pedido: Mostra-nos o Pai. Naturalmente, ele não poderia ter visto a natureza divina, pois que ela é espiritual e invisível; mas poderia ver – e ver claramente – as grandes obras do Cristo como uma manifestação de Sua natureza divina. Irmãos, até hoje alguns homens dizem "Mostrai-nos Deus, e acreditaremos!" Deveríamos dizer-lhes: "Eis que vos mostramos o Senhor Jesus, crede!" "Estou há dezenove séculos convosco, e não Me tendes reconhecido, ó homens?" Dezenove séculos repletos de Sua glória, milagres, poder, graça, misericórdia, santos e mártires! E há ainda estultos que perguntam: "Onde está Deus?"

Ó Senhor Cristo nosso Deus, abre os olhos espirituais daqueles que ainda não vêem, para que possam ver a majestade de Tua glória.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

domingo, 4 de outubro de 2009

“Sobre o único Caminho, Verdade e Vida"

Eu sou o Caminho, e a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (João 14:6).

Irmãos, essas palavras não foram somente ditas, mas foram embebidas com sangue, confirmadas pela Ressurreição, instiladas pelo Espírito Santo nos corações dos fiéis e comprovadas reiteradamente pela Igreja durante os séculos dos séculos. De todos os tesouros da terra, o que os homens mais amam é a vida – amam-na mais do que à verdade, a despeito de não haver vida sem verdade. Assim, o mais alto bem é a vida, mas a verdade é o fundamento da vida. Quem ama a vida, também tem que amar a verdade. Mas onde está o caminho para a verdade? O Nosso Senhor diz: Eu sou o Caminho. Ele não disse "Eu sou um caminho", para que ninguém pensasse haver um outro caminho para a verdade além do Senhor Jesus. E Ele não é apenas o Caminho, mas também a Verdade e a Vida, para que ninguém pensasse haver alguma outra verdade e alguma outra vida além do Senhor Jesus. Para isso é que Ele nasceu como homem: para mostrar aos homens o caminho. Para isso é que Ele foi crucificado: para marcar o caminho com o Seu sangue. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim. Isso se dirige àqueles que enganam a si mesmos pensando que podem conhecer Deus e adquirir o Reino de Deus sem o Senhor Jesus Cristo. Com aquelas palavras o Senhor afastou completamente essa falsa esperança e auto-engano desesperado. O apóstolo que ouviu e escreveu essas palavras no Evangelho as exprimiu em sua Epístola desse modo: Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai (I João 2: 23).

Ó Bendito Senhor Jesus Cristo, Fonte de todas as bênçãos, verdadeiramente és para nós o único Caminho, a única Luz, a única Verdade, a única Vida e Vivificador. Reconhecemos-Te perante os homens e os anjos como nosso único Deus e Salvador. Tem piedade de nós e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sábado, 3 de outubro de 2009

“Sobre o sofrimento do Cristo”

Agora a Minha alma está perturbada; e que direi Eu? "Pai, salva-Me desta hora"? Mas para isto vim a esta hora (João 12: 27).

Nada mais real veio a este mundo terreno do que o Senhor Jesus Cristo: nada mais real enquanto Deus e nada mais real enquanto homem. Em verdade, perante Jesus Cristo, este mundo inteiro é como uma miragem. Nem a terra, nem a água, nem o ar, nem a luz sequer chegam perto de Sua realidade. Eis que tudo isso passará, mas Ele permanecerá. De fato, Ele é a pedra fundamental do mundo eterno e imperecível; e somente Ele e aqueles que se apegarem a Ele tomarão parte nessa realidade eterna e imperecível. As tumultuosas mas impotentes ondas do tempo furiosamente assaltaram (e continuam a assaltar) a realidade da divindade do Cristo e até da Sua humanidade. Assim como muito esforço foi necessário para que os cristãos abrissem os olhos dos pagãos e provassem a Divindade do Cristo, tanto foi igualmente necessário para abrir os olhos dos hereges e provar a Sua humanidade. O onisciente Espírito Santo previu isso e, através dos Evangelistas, preparou as armas dos guerreiros cristãos. Agora a Minha alma está perturbada. Sentiria o Senhor aflições, se não fosse um verdadeiro homem, sujeito a todas as fraquezas da natureza física, exceto o pecado? E Ele haveria de sentir não apenas aflição, mas também medo: Pai, salva-Me desta hora! Isso é dito pela fraca natureza humana que teme a morte (pois se refere à morte). Entretanto, Sua natureza humana não era pecaminosa, mas impecável, pois nosso Senhor imediatamente acrescenta: Mas para isto vim a esta hora. Vedes quão importante é a morte de Cristo? Por ela é que somos redimidos e por ela é que somos salvos. Portanto, que ninguém pare nos ensinamentos de Cristo; mas, antes, dirija-se ao Gólgota e contemple com horror o sacrifício sangrento na Cruz, que foi oferecido pelos nossos pecados, pela nossa salvação das imundas mandíbulas da serpente do hades.

Ó Senhor Jesus Cristo, que sofreste por nós e pela nossa salvação, tem piedade de nós, agora e sempre.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Sobre a unidade de Essência entre o Pai e o Filho"

Eu e o Pai somos um (João 10: 30)

Quanto mais milagres o Senhor Jesus operava, e quanto mais Ele Se aproximava de Sua morte, tanto mais abertamente Ele falava de Si mesmo. Os numerosos milagres e a crescente duração do tempo para contemplá-los promoviam mudanças tanto nos bons quanto nos ímpios. Os bons se tornavam receptivos à revelação dos elevados mistérios de Deus. Os ímpios, agarrando-se ao mal, obscureciam-se cada vez mais e se tornavam incapazes de receber esses mistérios. É por isso que os os ímpios pegaram (...) em pedras para O apedrejar (João 10: 31).

Eu e o Pai somos um. O Pai e o Filho são um em Essência, mas não são um em Pessoa (Hipóstase). Do contrário, não se poderia chamá-los por dois nomes, Pai e Filho. Tanto o Filho quanto o Espírito Santo têm todos os atributos da Essência do Pai. Entretanto, os atributos da Pessoa do Pai pertencem apenas ao Pai, os atributos da Pessoa do Filho pertencem apenas ao Filho, e os atributos da Pessoa do Espírito Santo pertencem somente ao Espírito Santo. Mas quando o discurso é sobre a Essência Divina, o Filho pode dizer "Eu e o Pai somos um"; e o Pai pode dizer "Eu e o Filho somos um"; e o Espírito Santo, pode dizer "Eu, o Pai e o Filho somos um."

O Senhor Jesus Cristo exprimiu a unidade de Seu Ser com o Pai nas seguintes palavras: O Pai está em Mim e Eu Nele (João 10:38). Pode a Divindade do Filho ser expressa com mais clareza? Pode a língua humana comunicar a unidade do Deus Triuno em termos mais fortes? O dogma da divindade do Filho de Deus, bem como o dogma da unidade do Ser de Deus, foi revelado e exposto pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Portanto, que ninguém dê crédito às mentiras de certos incrédulos e hereges, que supõem que o Senhor Jesus não revelou a Sua divindade, e alegam que esse dogma foi introduzido pela Igreja muito mais tarde. Se Cristo não tivesse proclamado a Sua divindade, por que os judeus lhe teriam dito: Tu (...) Te fazes Deus a Ti mesmo (João 10: 33)? E por que pegaram em pedras contra Ele?

Senhor Jesus, Cristo, Filho de Deus, uno em Essência com o Pai e o Espírito Santo, tem piedade de nós e salva-nos pelo poder e bondade de Tua onipotente e onijusta divindade.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

"Sobre o Senhor, o Detentor do Poder "

Tenho poder para a dar [a Minha vida], e poder para tornar a tomá-la. (João 10: 18).

O poder divino de nosso Senhor Jesus Cristo manifestou-se em Seu pleno poder sobre Si mesmo. Se o poder divino pudesse ser separado do amor divino, então se poderia dizer do Cristo que Ele teria sido capaz de encarnar, ou de não encarnar; ou ainda, que teria sido capaz de morrer, ou de não morrer. Mas Ele encarnou, de acordo com Seu divino amor pelos homens, e de acordo com esse mesmo inexprimível amor, Ele Se entregou à morte, como um Bom Pastor por Suas ovelhas (João 10:11). Um homem que se mata não tem verdadeiramente poder sobre sua vida, pois ele não se mata por seu próprio poder, mas antes pelo poder do pecado, ou pelo poder do diabo, ou pelo poder de alguma outra circunstância grave. Assim também um homem a quem outros matam não tem poder sobre sua vida, nem pode falar pela sua vida perante seus assassinos: não pode dizer tenho poder para a dar, pois tem que dá-la contra a vontade. Somente nosso Senhor Jesus Cristo pôde dizer na presença de seus assassinos, os judeus: tenho poder para a dar. Tendo tal poder, Ele podia, por um milagre que Lhe teria sido fácil, fazer todos os judeus perecerem antes de O crucificarem na Cruz. Contudo Ele antevia os frutos salvadores de Sua morte, e é por isso que Ele voluntariamente Se entregou para ser morto.

E poder para tornar a tomá-la. Com essas palavras Ele predisse Sua Ressurreição. Portanto, o Senhor tanto morreu quanto ressuscitou pelo Seu divino poder.

Ó Senhor Onipotente e Filantropo, quão belamente planejaste a salvação dos homens pelo Teu divino amor e poder. Ajuda-nos, ó ajuda-nos, para que possamos abraçar essa salvação!

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Sobre o duplo testemunho do Filho de Deus"

Eu sou O que testifico de Mim mesmo, e de Mim testifica também o Pai que Me enviou (João 8:18).

Está escrito na Lei que duas testemunhas são necessárias para se provar alguma coisa. Antes de tudo, o Senhor ofereceu aos incrédulos judeus três grandes testemunhas de Si mesmo: o Pai, Suas próprias obras e a Sagrada Escritura (João 5: 36 - 39). E contudo, mesmo depois de Seus inúmeros milagres e depois de ter exposto amplamente os Seus ensinamentos, Ele lhes disse que o Seu próprio testemunho de Si mesmo era verdadeiro e suficiente (João 8:14). Finalmente, Ele de novo enfatizou dois testemunhos – o Dele e o de Seu Pai –, de acordo com a letra da Lei, que exigia duas testemunhas. Assim o Senhor sela os lábios dos incrédulos de todas as maneiras e não lhes deixa escapatória alguma a não ser o crime de homicídio, que é o último recurso daqueles que se recusam a se deixar convencer pela verdade, a despeito da razão ou das provas. Neste último caso em particular, com a apresentação, pelo Senhor, dos testemunhos Seu e de Seu Pai, Ele também quis mostrar que era uma Pessoa [Hipóstase] separada do Pai e, mesmo assim, uno em Essência com o Pai. Portanto, Ele apresenta dois testemunhos: o Seu próprio testemunho em separado e o testemunho de Deus Pai. Confirmam isso as seguintes palavras: Se vós Me conhecêsseis a Mim, também conheceríeis a Meu Pai (João 8: 19). Aqui, está expressa a completa unidade essencial do Pai e do Filho, e não resta a menor dúvida sequer de que o Senhor estava pensando em Sua igualdade essencial com Seu Pai. As palavras aqui se referem à Natureza Divina e não a natureza humana. Quem quer que conceba a Santa Trindade como três seres corpóreos engana a si mesmo. Apenas o Filho de Deus apareceu na carne, em prol da salvação do mundo. O Pai e o Espírito Santo não tomaram a carne. De acordo com Sua Natureza Divina, o Filho, mesmo na carne, permaneceu igual ao Pai e ao Espírito Santo. Ele Se revestiu da natureza humana e acrescentou-lhe Sua Natureza Divina por amor à humanidade, para que assim Ele Se revelasse aos homens e os salvasse.

Ó Santa Trindade, una em Essência e indivisa, que nos iluminou e esclareceu pelo Verbo Encarnado de Deus, sustenta-nos até o fim pela Tua santidade, Tua força e Tua imortalidade, e salva-nos.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sábado, 26 de setembro de 2009

"Sobre como o mundo aborrece o testemunho de seu pecado"

O mundo não vos pode aborrecer, mas ele Me aborrece a Mim (João 7: 7)

Por que o mundo aborrece (isto é, odeia) o Cristo Senhor? O Senhor em pessoa prontamente explica o motivo: Porquanto dele testifico que as suas obras são más (João 7:7). Não há nada que os homens aborreçam tanto quanto o testemunho de seus pecados. Por isso, as piores atrocidades do mundo são cometidas durante a noite, na escuridão. Mas não vê Deus na noite, na escuridão? De fato Ele vê, mas os malfeitores não vêem Deus. E, mesmo que alguns deles creiam em algo sobre Deus, pensam (devido à própria iluminação insuficiente) que a escuridão é a cortina entre Deus e os homens. O próprio Senhor Jesus Cristo revelou claramente que Deus é o que vê tudo, e não há escuridão que impeça Seus olhos de verem algo. Ele mesmo avistara homens à distância, como Natanael debaixo da figueira. Ele viu uma mula e seu potrinho numa outra vila. Sua visão desconhecia qualquer distância espacial. Previu a negação de Pedro, a traição de Judas, Sua própria morte e Ressurreição, a destruição de Jerusalém, a eternidade de Sua Igreja, o sofrimento de Seus seguidores e os eventos dos finais dos tempos. Sua visão desconhecia a distância de tempo. Há porém algo mais para mencionar? Há algo mais oculto do que o coração dos homens? Não é o coração encoberto pela fina cortina do corpo? Não são os pensamentos do coração mais ocultos do que o próprio coração? No entanto Ele penetrou na escuridão dos corações dos homens e ali leu seus pensamentos: Por que pensais mal em vossos corações? (Mt 9:4) Irmãos, não admira que todos cujo pensamento e obra sejam maldade temam tamanha e tão poderosa testemunha. É de admirar, portanto, que os malfeitores O aborreçam?

O mundo não vos pode aborrecer. Quem? Todos vós que participais no mal do mundo e que, dada sua aquiescência nessa participação, não vos atreveis a testemunhar contra o mundo. Como pode os que temem os homens testemunhar contra estes? Como pode os que buscam a glória dos homens trazerem a condenação contra esses mesmos homens?

Irmãos meus, melhor para nós que o mundo nos aborreça e o Cristo nos ame, do que o mundo inteiro nos ame e nos glorifique e o Cristo vire Sua face de nós, dizendo: não vos conheço. Se o mundo nos aborrece, confortemo-nos com as palavras do Salvador: Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim (Jo 15:18).

Bendito Senhor, Fonte de todas as bênçãos, fortalece nossos corações, para que não temamos quando o mundo nos aborrecer. Apenas abençoa-nos e ama-nos, ó Benigno Salvador.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"De como a alma deve se alimentar do Cristo a fim de viver "

Quem de Mim se alimenta, viverá por Mim (João 6: 57)

Assim fala o Cristo, o Senhor, a Vida e Fonte da Vida. Uma árvore se alimenta de terra, ar e luz. Se uma árvore não se alimentar desses elementos, será ela capaz de crescer e viver? De que se alimenta um bebê nos seios da mãe, a não ser dela? Se o bebê não se alimentar de sua mãe, crescerá e viverá? Do mesmo modo nossa alma não crescerá, nem viverá, se não se alimentar do Cristo, o Vivente e Imortal. As palavras dessa passagem não se referem à vida em geral, pela qual vive a natureza, nem à vida deformada na qual vivem os pagãos, mas a uma vida especial, divina e eterna – vida plena e cheia de alegria. Apenas o Cristo concede essa vida aos homens, e ela vem apenas àqueles que se alimentam do Cristo. Cada homem é tão grande quanto a comida de que se alimenta; cada homem é tão vivo quanto a comida de que se alimenta. As palavras, aqui, não são sobre comida corporal, pois apenas o corpo do homem – não seu espírito – alimenta-se de comida material. Os homens se diferenciam tanto na vida física quanto no crescimento físicos, mas tais diferenças são totalmente insignificantes. Entretanto, a diferença na vida e no crescimento espirituais entre os homens é enorme. Ao passo que algumas pessoas, pelo amadurecimento das almas, mal conseguem se erguer sobre a terra, outros se erguem para os céus. A diferença entre Herodes e João Batista não é menor do que a diferença entre um rei e um anjo. Enquanto aquele arrasta o corpo e alma pela terra e impiamente defende seu trono, este coloca o próprio corpo sobre uma rocha no deserto e é levantado em alma aos céus, entre os anjos.

Ó irmãos meus, ergamos nossas almas aos Céus, onde o Cristo Senhor Se assenta no trono da eterna glória, e alimentemos e nutramos nossas almas e corações com Ele, a Vida pura e onipotente. Somente então, seremos feitos dignos de sermos Seus co-herdeiros no Reino dos Céus.

Senhor Jesus, nosso verdadeiro Deus, nosso doce alimento e Nutridor filantropo, não nos lances fora de Teu seio divino, pois somos fracos e desamparados. Alimenta-nos contigo mesmo, ó nosso misericordioso Nutridor.

A Ti, glória e louvor para sempre. Amém.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"Sobre o Cristo como o Pão da Vida"

Eu sou o Pão da vida (João 6:35).
Quem pode dar a vida, meus irmãos, se não o Único que a criou? Quem, em verdade, pode ser o Pão da vida senão o nosso Criador? Foi Ele quem criou, é Ele quem sustenta, é Ele quem alimenta e é Ele quem dá a vida. Se o trigo alimenta o corpo, o Cristo alimenta a alma. Se nosso corpo é sustentado pelo pão terreno, nossa alma é nutrida e vive pelo Cristo. Se nossas almas forem alimentadas por outro alimento qualquer, e não pelo Cristo, nossas almas caíram e perecerão; não viverão. Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna (João 6:27), assim falou o Senhor numa passagem anterior. Primeiro Ele examina a fome dos homens e, depois, oferece pão para satisfazê-los. Na realidade, Ele oferece a fome e, depois, o pão, pois os homens confundem-se sobre a fome. Os homens têm fome, mas não sabem do quê. Mesmo saciados pelo alimento terreno, mesmo quando empanzinados, sentem uma certa fome insaciável. Embora saibam que todo o mundo e todo o pão sobre a face da terra não conseguem satisfazer essa misteriosa fome, eles correm atrás de alimento mundano, competem pelo mundo e apenas pelo mundo. A verdadeira fome dos homens é a fome dos céus, da vida eterna, de Deus. O Senhor Jesus primeiro ressalta a fome e, depois, prepara a refeição para saciá-la. Ele próprio é esta refeição: Eu sou o Pão da vida, aquele que vem a Mim não terá fome (João 6:35). Eles serão saciados, regozijar-se-ão, serão revivificados, conhecerão Deus e a si mesmos. Ó meus irmãos, Ele os ressuscitará dos mortos! Alimentando-se unicamente do alimento que perece, sem a imortal comida espiritual, gradualmente a alma se embota e, no final, torna-se totalmente morta. Morta de quê? De fome. O corpo é da terra e sacia-se com comida terrena, mas a alma é do sopro da própria Fonte de Vida e busca comida e bebida de sua única e inigualável Fonte.

Senhor Jesus, Pão de vida eterna, Verdadeira e Imperecível Vida, dulcíssimo Pão, alimenta-nos de Ti mesmo.

A Ti, a glória e o louvor para sempre. Amém.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Sobre a cura da humanidade pelas feridas de Cristo."

Estamos curados pelas feridas de Cristo. Assim profetizou o Profeta de Deus, e agora sabemos que essa profecia é verdadeira. Pelos sofrimentos de Cristo, fomos salvos dos sofrimentos eternos. Por Seu puríssimo sangue, fomos purificados da lepra do pecado e fomos revivificados. Nosso sangue e corpo ficaram maculados pelas paixões pecaminosas, mas foi o espírito – o ninho e a fonte da impureza corporal – o primeiro a ficar maculado. Pode o impuro ser purificado pelo impuro? Pode o linho sujo ser lavado com água suja? Não, não pode.

Somente o limpo pode lavar o sujo. Até mesmo os pagãos sentiam que a humanidade era impura. Mas, eles queriam purificar a impureza pela impureza: invocando espíritos impuros, adorando-os, oferecendo-os sacrifícios impuros, sejam eles homens ou animais. Uma gota do sangue do Puríssimo Cristo pode lavar a humanidade muito mais do que todos os sacrifícios idólatras, desde o princípio do mundo. Por que? Porque o sangue de Cristo é puro, e tudo o mais é impuro. Engolindo apenas uma gota de um eficiente medicamento, os médicos podem vacinar muitas pessoas e protegê-las de qualquer doença. Nós engolimos o sangue de Cristo com água e, então, nós o bebemos na Comunhão, pois se diz que, quando perfuraram o corpo do Senhor com a lança, jorraram sangue e água (João 19:34). Tamanho é o poder numa gota de Seu sangue que o mundo inteiro poder inflamar-se dela. É o sangue sem-pecado, o único imaculado; o sangue mais puríssimo, o único verdadeiramente puro que há no mundo.

Ah, se os homens apenas descobrissem o poder de tão absoluta pureza! Todo o pecador, todo impuro apressar-se-ão para purificar-se pelo Puríssimo Cristo, assim como todos os aflitos para comungar do Corpo e Sangue de Cristo, e todos os incrédulos acreditariam em Cristo. Pois, há uma trindade aqui, todos os três são puros e purificam – puro espírito, puro sangue e puro corpo. Somente o puro pode purificar o impuro, somente o sadio pode curar o enfermo e apenas o poderoso pode erguer o necessitado.

Onipotente Senhor Nosso, purifica-nos pelo Sangue de Tuas feridas, Tuas inocentes e puríssimas feridas.

A Ti, sejam a honra e a glória para sempre. Amém

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"Sobre a admirável pedra de Sião "

Vide, eu, em Sião, por fundamento, uma pedra, uma pedra lapidada, preciosa rocha angular, segura fundação: aquele que nela acreditar jamais será envergonhado (Isaías 28:16).

Irmãos, essa maravilhosa Pedra é nosso próprio Senhor Jesus Cristo. Pois se o profeta achasse que fosse uma pedra comum, ele jamais exportaria fé nela, pois estaria profetizando idolatria. O Profeta Daniel também fala de uma pedra que foi extraída de uma montanha, esmigalhou o grande ídolo e cresceu numa grande montanha que enchia toda a terra (Daniel 2:34-35). A profecia sobre a pedra em Daniel dirige-se aos pagãos, ao passo que a profecia da pedra em Isaías é para os judeus. O Senhor Jesus Cristo é a Pedra que foi lançada: primeiro, como fundamento de toda a criação de Deus – pois Ele é o Verbo de Deus e a Sabedoria de Deus; segundo, como fundamento da preparação, o Antigo Testamento; e terceiro, como fundamento do cumprimento, o Novo Testamento. A pedra angular é a mais firme e mais forte pedra numa construção: ela conecta e junta as outras pedras da construção e prende as paredes em suas várias direções, compondo uma unidade e uma inteireza. Se observássemos o Senhor Cristo dentro de nós, Ele é a Pedra-angular que une e liga todas as nossas capacidades espirituais em unidade e inteireza, para que tudo trabalhe para um único objetivo: Deus e Seu Reino. Se nós observássemos Cristo, o Senhor, por toda a história da humanidade, Ele é a Pedra-angular que une e liga o Judaísmo e o paganismo em uma única Casa de Deus – a Igreja de Deus. Pois nenhum homem pode lançar outro fundamento, que é Cristo Jesus (I Coríntios 3:11), diz o Apóstolo do Novo Testamento, de acordo com o profeta do Antigo Testamento. Quem quer que creia nesta Pedra de Salvação não ficará envergonhado. Nem ninguém ficará quem nela crer. Pois essa Pedra é um seguro fundamento e verdadeiramente uma pedra escolhida, preciosa e honrada.

Senhor Jesus, nossa Pedra de Salvação, fortalece em nós aquela santa e salvífica fé em Ti, nosso único Salvador.

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

domingo, 30 de agosto de 2009

"Sobre a Divina Criança Portadora do Espírito"

E o Espírito do Senhor repousará sobre Ele, o espírito de sabedoria e entendimento, espírito de conselho e poder, espírito de conhecimento e temor do Senhor (Isaías 11:2).

O Santo Espírito de Deus não Se separa do Pai, nem Se separa do Filho; nem o Pai se separa do Filho e do Espírito; nem o Filho Se separa do Pai e do Espírito. O Espírito Santo profetizou sobre o Filho pelos profetas; o Espírito Santo envolveu a Santíssima Virgem e preparou-a para o nascimento do Filho de Deus; o Espírito Santo permaneceu inseparavelmente sobre o Filho durante todo o tempo de Sua permanência no mundo e no corpo. O espírito de sabedoria – as visões dos mistérios celestiais; o espírito de entendimento – a compreensão dos laços entre os mundos visível e invisível; o espírito de conselho – a separação do bem e do mal; espírito de poder – autoridade sobre a natureza criada; o espírito de conhecimento – conhecimento da essência das coisas criadas; espírito de temor do Senhor – o reconhecimento do poder divino sobre os dois mundos e a submissão à vontade de Deus. Quem, em algum momento entre os homens, usufruiu dessa plenitude de riquezas dos dons do Espírito Santo? Ninguém, a não ser Jesus Cristo. Portanto, o Espírito Santo distribui Seus dons livremente e dá-os aos homens, este a alguns, aqueles a outros. Mas, o universo da plenitude indivisível de Seus dons brilha somente no Filho de Deus.

Por que o Senhor Jesus precisou ter medo de Deus, se Ele próprio é Deus? Como Deus, Ele não precisava temer a Deus; mas como homem, Ele teve temor de Deus, como exemplo para nós. Assim como Ele jejuava, fazia vigília e laborava como um homem pelo bem de ensinar os homens, assim Ele temia Deus como um homem, para o bem de ensinar os homens. O que é mais eficiente na cura dos homens infectados com o pecado do que o temor a Deus? Ele, o Sadio, tomou sobre Si mesmo o remédio para o pecado, para que assim Ele pudesse encorajar-nos, os enfermos, a tomar o mesmo remédio. Não fazem os pais a mesma coisa com as crianças doentes, que têm medo de tomar o medicamento prescrito?

Ó Triuno e Eterno Deus – diante de Quem as hostes celestiais se prostram, cantando o admirável hino Santo, Santo, Santo, Senhor Sabaoth, recebe também nossa adoração e salva-nos.

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

domingo, 23 de agosto de 2009

"Sobre a fraqueza dos pecadores"

Para o meu povo, crianças são seus opressores, e mulheres governam sobre eles (Isaías 3:12).

Tudo o que é de Deus é belíssimo e sapientíssimo. Todas as coisas criadas por Deus percorrem obedientemente seu respectivo rumo traçado por Ele. As estrelas movem-se, animais vivem, e as correntes atmosféricas correm – tudo de acordo com a ordem estabelecida por Deus. Apenas o homem, a mais inteligente criatura, abandona muitas vezes a trilha de Deus, caindo na ignorância e abrindo estranhos caminhos de acordo com suas idéias. Por causa disso, pode acontecer que crianças conduzam ao invés de anciães, e – ao invés de homens – mulheres passem a governar. Quando crianças governam, reina a opressão. Quando mulheres governam, geralmente reina a desordem. Quando essas coisas são permitidas por Deus – o que não acontece ao menos que o povo peque, ou pela permissão divina – o povo encontra-se sob punição de seus pecados no mesmo modo em que um inimigo tivesse subjugado a terra em uma guerra. Pois toda opressão é guerra, e toda desordem é punição dos pecados.

Do mesmo modo em que a opressão e a desordem são capazes de reinar sobre uma nação, elas também são de reinar na alma do homem. Imaturos e ímpios pensamentos são contribuídos por parte das crianças, e alimentar pensamentos sensuais e físicos é contribuição das mulheres. Ao prevalecerem pensamentos ímpios e impuros, eles oprimem o homem e lançam-no de mal a pior – como uma criança vingativa. Quando prevalecem os pensamentos físicos sobre os espirituais e a sabedoria masculina – que é de Deus, eles governam o homem qual uma mulher má. Sob o conceito espiritual de “mulheres”, o profeta compreende não apenas as mulheres, mas também homens com a fraqueza das mulheres.

Assim, para que a petulância das crianças e os caprichos de mulheres não dominem um homem (ou uma nação), é necessária aderir-se firmemente à lei prescrita por Deus para os homens, tal como todas as coisas criadas aderem-se às leis que lhes foram prescritas por Deus.

Senhor, Nosso Criador e Doador da Lei, ilumine-nos e fortalece-nos. Ilumine-nos com a graça do Espírito, para que possamos sempre conhecer Tua Lei. Fortalece-nos com o poder do Espírito, para que possamos sempre aderir-mos à Tua Lei.

A Ti, sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.

sábado, 22 de agosto de 2009

“Sobre o nada do pecador perante à majestade de Deus”

Adentre na rocha e esconde-te no pó, por temor do Senhor e pela glória de Sua majestade (Isaías 2:10).

Eis um mordaz escárnio de um Israel idolatra por parte do profeta. O povo rejeitara a fé no único verdadeiro Deus e passara a adorar os ídolos feitos de pedra e barro. “Que farás tu, ó povo maligno, quando o temor do Senhor vier? Para onde fugirás, quando se revelar a glória de Sua majestade? Foge para as montanhas das quais erigiste deuses para ti mesmo!” Oh, que terrível escárnio pelo consciente profeta! Quem poderá infiltrar-se na montanha e esconder-se? Quem poderá jogar-se no pó e ocultar-se do Altíssimo?

Entretanto, irmãos, deixemos de lado a idolatria dos judeus – por causa da qual eles já foram por demais punidos – e, por um momento, olhemos a idolatria que há entre nós, os cristãos. O que é um amontoado de ouro a não ser um ídolo? O que são campos lavrados a não ser um ídolo de terra? Que são roupas luxuosas a não ser ídolos feitos de peles e pêlos de animais? Esconder-se-ão os idolatras de nossas gerações, quando o temor do Senhor surgir e quando a glória do Senhor revelar-se? Foge para o ouro, adorador do ouro! Foge para a terra, cultuador da terra! Esconde-te nas peles de animais e enterre-te em pêlos de raposas e alimento de vermes mortais e perniciosos, ó idólatras! Oh, cruel ironia! Tudo isso será consumido pelo fogo no Dia do Senhor, naquele Temível Dia. O homem ficará cara a cara com o único Majestoso e Eterno. Todos os ídolos da humanidade serão destruídos às vistas dos homens; ao que o Imortal Juiz perguntará aos idólatras: “Onde estão vossos deuses?”

Isaías, filho de Amós, profeta de Deus, viveu neste mundo há muito tempo atrás, mas sua visão, até hoje, continua sendo temível, instrutiva e novamente temível.

És o Um, ó único Senhor vivente, e a Ti nós adoramos! Tudo o mais não passa de pó. Ajuda-nos, ó Senhor, ajuda-nos: que nossas mentes e corações não se unam ao transitório pó, mas a Ti, apenas a Ti, o único Vivente.

A Ti sejam a glória e o louvor. Amém.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

“Sobre o estabelecimento da paz de Cristo”

Quão pictoricamente o profeta previu a Cristo, o Realizador da Paz! O profeta elucidou, um a um, os méritos do Salvador. Primeiro, revelou-O como o Doador da Nova Lei, uma lei para todos os povos sobre a terra. Por conseguinte, ilustrou Sua exaltação sobre todas as glórias terrenas e históricas. No trecho que lemos acima, o profeta apresenta-O como o Cumpridor da Paz, cujo poder e amor farão das espadas arados e das lanças podadeiras. Já se cumpriu essa grande profecia da paz? Sim, já, se bem que ainda existam guerras. Veja: as guerras entre os povos cristãos não são como as guerras entre os pagãos. Os pagãos lutam com orgulho, ao passo que os cristãos lutam com vergonha. As crenças pagãs concedem apenas seus próprios céus aos soldados, enquanto que a Fé Cristã promete o Céu aos santos. Como cristãos às vezes cometem, devido às suas fraquezas, os mesmos pecados dos pagãos, do mesmo modo aqueles também cometem o pecado de promover a guerra. Todavia, Deus perscruta os corações e conhece a disposição com que os pagãos pecam e a com que os cristãos pecam. Os Fariseus negaram a Cristo, e Pedro também O negou. Mas, os Fariseus negaram-Lhe com uma malícia irredutível, mas Pedro foi por vergonha, para arrepender-se e confessá-Lo novamente.

Irmãos, o que podemos dizer sobre as espadas e lanças das paixões, pelas quais assassinamos nossas almas e a alma de nosso próximo? Oh, quando transformaremos essas espadas em arados que lavrarão profundamente as almas e semearão a nobre semente de Cristo em nós mesmos? E quando faremos das lanças podadeiras, para extrairmos o joio de nossas almas e queimá-lo? Somente então, a paz de Cristo habitará em nossas almas, assim como habita nas dos santos. Quem, portanto, chegaria a pensar em guerra contra seus próximos ou povos vizinhos?

Oh, quão admirável é a visão de Isaías, filho de Amós, o profeta de Deus!

Oh, quão admirável é a visão de Isaías, filho de Amós, o profeta de Deus!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

“Sobre a nova Lei de Sião”

Pois de Sião, virá a Lei, e a Palavra do Senhor de Jerusalém (Isaías 2:3).

O profeta fala de uma nova Lei e de uma nova Palavra. A antiga Lei foi dada no Sinai; a nova Lei viria de Sião. A antiga Lei foi dada por Moisés; a nova Lei seria trazida pelo próprio Senhor Jesus Cristo. A primeira, a princípio, era destinada apenas aos judeus, ao passo que a última seria para todos os povos – toda a humanidade. Mesmo sendo essas palavras tão evidentes para nós, os judeus não conseguiram compreendê-las e ainda não as entendem até hoje. O significado dessas palavras é-lhes oculto por causa de seus corações de pedra. A quem eles aplicam essas palavras? A ninguém. Como as interpretam hoje em dia? Não interpretam. Eles passaram por elas assim como um cego passa por uma porta aberta. Se eles fossem capazes de compreendê-las, teriam eles agido de tal forma com que eles agiram com o profeta e o Profetizado? Teriam eles serrado Isaías ao meio e crucificado o Cristo na Cruz?

Os judeus consideravam a Lei de Moisés ser uma e única, a Lei final de Deus. Eis por que eles não eram capazes de entender a profecia da nova Lei de Sião, da Casa de Davi, pois Davi glorificou a Sião. Mas, se os judeus não sabiam que a nova Lei seria revelada pela antiga, nós, os Cristãos, sabemos que compreendemos a antiga Lei pela nova. Os judeus tinham uma árvore sem frutos, mas nós temos a árvore e o fruto. Eles tinham a imagem sem a realidade, ma possuímos tanto a imagem quanto a realidade. Eles aderiram apenas às promessas (as que eles interpretaram erroneamente), mas nós desfrutamos as promessas e seus cumprimentos.

Riquíssimo Senhor, Que nos enriqueceste com Tua Lei espiritual e Tua Palavra doadora-de-vida, a Ti unicamente adoramos e a Ti apenas rogamos. Concede-nos sabedoria e poder para viver de acordo com Tua Lei e sustentar-se em Tua santa Palavra, para que não nos tornemos pobres perante Te, Que nos fizeste ricos!

A Ti a glória e o louvor para sempre. Amém.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

“Sobre a exaltação da Igreja de Deus”

E acontecerá nos últimos dias que a montanha da casa do Senhor se estabelecerá sobre o topo das montanhas, será exaltada acima dos montes, e todas as nações a ela afluirão (Isaías 2:2).

Essa profecia pertence à Igreja de Cristo. Apesar de essa profecia ter parecido referir-se misteriosamente aos judeus antes de Cristo, está completamente óbvia para nós agora. A montanha, ou alturas, da casa do Senhor verdadeiramente se estabeleceu no topo das montanhas – nas alturas dos céus – pois a Igreja de Cristo é, primordialmente, sustentada não pela terra, mas pelos céus; e uma parte dos membros da Igreja (e, por enquanto, uma parte maior) encontra-se nos Céus, ao passo que a outra ainda se encontra na terra.

Além do mais, a Igreja de Cristo é exaltada acima dos montes – acima de toda grandeza humana e terrena. Filosofias e artes humanas, as culturas de todos os povos, assim como todos os valores terrenos, não passam de pequeninas colinas, comparadas às infinitas alturas da Igreja de Cristo. Ora, não é difícil para a Igreja criar todos estes montes, enquanto que nem um deles, nem mesmo todos juntos, no decorrer de muitos milhares de anos, seria capaz de criar a Igreja.

Por fim, os profetas dizem: Todas as nações a ela afluirão. De fato, até agora, a que todas as nações acorreram, a não ser à Igreja de Cristo? O Templo de Jerusalém era inacessível aos gentios sob pena de morte. Todavia, desde o princípio, a Igreja tem conclamado todas as nações sobre a terra para ela mesma – obediente à ordem do Senhor: Ide e ensinai a todas as nações (Mateus 28:19).

Eis a visão de Isaías, filho de Amós – desde sempre, uma visão fidedigna e maravilhosa.

Magnânimo Senhor, damo-Lhe incessantemente graças por ter-nos feitos dignos de sermos filhos de Tua Santa e Verdadeira Igreja, que é exaltada acima de todas as alturas do mundo.

A Ti sejam a glória e o louvor para sempre. Amém.