“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Festa da Concepção de São João, o Grande Profeta, Precursor e Batista de Nosso Senhor Jesus Cristo - 23 set/06 out

Neste dia, celebram-se a misericórdia, os milagres e a sabedoria de Deus. A Sua misericórdia para com os devotos e justos pais de São João, os idosos Zacarias e Isabel, que durante toda a vida desejaram e imploraram um filho a Deus; o Seu milagre, o da concepção de João no idoso ventre de Isabel; e a Sua sabedoria, na dispensação da salvação do homem. Deus tinha um desígnio especialmente grande para João, a saber: o de que ele fosse o Profeta e o Precursor do Cristo Senhor, o Salvador do mundo. Por meio de Seus anjos, Deus anunciou o nascimento de Isaac à estéril Sara, o de Sansão à estéril mulher de Manué e o de João, o Precursor, aos estéreis Zacarias e Isabel. Todos eram pessoas para quem Ele tinha planos especiais, e Ele predisse seus nascimentos por meio de Seus anjos. Como puderam nascer filhos de pais idosos? Quem deseja compreender isso não o deve perguntar aos homens, pois os homens não o sabem; nem estudar a lei natural, pois isso ultrapassa a lei natural. Deve antes voltar o olhar ao poder de Deus Onipotente, que criou o mundo inteiro do nada e que não precisou de pais – velhos ou jovens – para a criação do primeiro homem, Adão. Em vez de sermos curiosos, demos graças a Deus, que com freqüência nos revela Seu poder, misericórdia e sabedoria de maneiras que ultrapassam a lei natural (na qual estaríamos aprisionados sem esses milagres especiais de Deus, e cairíamos no desespero e no esquecimento de Deus).

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Início do Ano Eclesial ou Início do Julgamento – 01/14 set

O Primeiro Concílio Ecumênico (Nicéia, 325) decretou que o ano eclesial começasse em 1º. de setembro. Para os antigos hebreus, o mês de setembro era o início do ano civil (Êxodo 23:16), mês de realizar-se a colheita e de ofertar ações de graças a Deus. Foi na ocasião desta festa em que o Senhor Jesus entrou numa sinagoga em Nazaré (Lucas 4: 16-21), abriu o livro do Profeta Isaías e leu as palavras: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim para pregar boas-novas aos humildes; enviou-me para reerguer o angustiado, proclamar a liberdade aos cativos, abrir a prisão aos aprisionados e proclamar um ano da graça do Senhor, o dia da vingança de nosso Deus e confortar todos os aflitos (Isaías 61: 1-2). O mês de setembro também é de suma importância para a história do Cristianismo, porque o Imperador Constantino, o Grande, derrotou Maxêncio, inimigo da fé cristã, em setembro. Após a vitória, Constantino conferiu liberdade de confissão à Fé Cristã em todo o Império Romano. Por muito tempo, o ano civil do mundo cristão seguia o ano eclesial com o início em 1º de setembro. Mais tarde, o ano civil foi modificado, transferindo seu começo para 1º de janeiro. Primeiramente, a mudança ocorreu na Europa Ocidental e, tempos mais tarde, na Rússia, sob Pedro, o Grande.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Degolação de São João Profeta, Precursor e Batista de Nosso Senhor Jesus Cristo - 29 ago/11 set

Herodes Antipas (filho do Herodes, que matou as crianças de Belém, na época do nascimento de Cristo) era governante da Galiléia, quando João, o Batista, estava pregando. Ele era casado com a filha de Aretas, um príncipe árabe. Mas, Herodes, um rebento maligno de uma raiz maldita, largou sua legítima esposa e infidedignamente tomou Herodias como sua concubina. Herodias era a esposa de seu irmão Felipe, que anda vivia. João, o Batista, levantou-se contra esta depravação e firmemente denunciou Herodes, que, por sua vez, lançou João à prisão. Durante um banquete em sua corte em Sebastia, na Galiléia, Salomé (filha de Herodias e Felipe) dançou diante dos convidados. Herodes, bêbado por causa do vinho, ficou tão inebriado pela dança que prometeu a Salomé qualquer coisa que ela lhe pedisse, até que fosse a metade seu reino. Persuadida por Herodias, ela pediu a cabeça de João, o Batista. Herodes, então, deu ordens aos guardas, João foi decapitado na prisão, e sua cabeça foi dada de presente a ela num prato. Os discípulos de João levaram o corpo de seu mestre à noite e honrosamente o enterraram, mas Herodias perfurou várias vezes a língua de João com um prego e enterrou sua cabeça num lugar impuro. O que veio a acontecer, mais tarde, à cabeça de João, o Batista, pode ser lido em 24 de fevereiro. Entretanto, a punição divina rapidamente caiu sobre o grupo de malfeitores. Príncipe Aretas, vingando-se da honra da filha, declarou guerra com seu exercito contra Herodes e derrotou-o. Derrotado, Herodes foi sentenciado pelo César Romano, Calígula, ao exílio (a princípio na Gália, mais tarde na Espanha). Herodes e Herodias viveram em extrema pobreza e humilhação no exílio, até que a terra abriu-se e engoliu-os. Salomé veio a ter uma terrível morte no Rio Sicaris (Sula). A decapitação de São João ocorreu bem antes da Páscoa, mas estabeleceu-se sua celebração em 29 de agosto, porque uma igreja que havia sido construída sobre seu túmulo em Sebastia (pelo Imperador Constantino e a Imperatriz Helena) foi consagrada em 29 de agosto. As relíquias dos discípulos de São João, o Batista – Eliseu e Audius – também foram depositadas nesta igreja.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Dormição da Toda Santa, Toda Pura Mãe de Deus e sempre Virgem Maria - 15/28 agosto

Eis o que a Igreja recebeu da antiga tradição patrística, em relação à Dormição da Toda Santa Mãe de Deus: Chegado o tempo em que era agradável a Nosso Senhor conduzir para junto de Si sua divina Mãe, Ele anuncia-lhe, através ao arcanjo Gabriel, três dias antes, de sua passagem desta vida transitória à vida eterna e bem-aventurada. Ouvindo a mensagem, a Virgem dirigiu-se ao monte das Oliveiras para orar e agradecer a Deus. Depois retorna à sua casa e prepara o necessário ao seu enterro. Entretanto, os Apóstolos, avisados pelo Espírito Santo e transportados em nuvens luminosas, reúnem-se – vindos das mais diferentes extremidades da terra, onde se encontravam, dispersos, a pregar o Evangelho – na casa da Santa Virgem. Ela lhes explica, então, a razão daquele chamado tão inesperado, os consola maternalmente e depois levanta as mãos aos céus, ora pela paz no mundo, abençoa os apóstolos e, subindo ao leito, cruza os braços e rende assim sua alma toda santa às mãos de seu Filho e seu Deus.

Os Apóstolos conduzem o seu santo Corpo e o enterram em Gethsêmani. Porém, três dias mais tarde, durante uma reunião onde, segundo o hábito, partiam o pão em nome de Jesus, a Virgem lhes aparece no Céu e lhes diz: “Salve!” Eles assim ficam sabendo que ela subira aos céus com o seu corpo.

A festa de hoje tem por origem o aniversário da dedicação de um Santuário da Virgem, situado entre Jerusalém e Belém, que comemorava, talvez, uma “estação” onde, segundo as tradições, a Virgem Maria, fatigada da viagem, teria repousado antes de chegar a Belém para dar a luz à criança.

A primeira evidência clara acerca dessa festa remonta à época do 3° Concílio Ecumênico em Éfeso (431). No entanto, essa evidência refere-se a uma festa pré-existente da Dormição de Maria. No início do V° século, por exemplo, uma antologia armênia chama o 15/28 de agosto “o dia de Maria, a mãe de Deus.” Porém, festas desse tipo tanto no Oriente quanto no Ocidente eram dedicadas à memória de Maria em geral e não à sua Dormição, em particular. Gradualmente, entretanto, essas festas começam a convergir para o dia presumível de sua morte, 15/28 de agosto, talvez como resultado indireto da construção, em Gethsêmani, de uma igreja em sua honra, que incluía seu próprio túmulo, segundo a Tradição. Ao final do século VI°, no entanto, a festa de Dormição foi estendida a todo império bizantino, pelo imperador Maurício.

Tropário da Dormição da Santa Mãe de Deus
“Conservando intacta a glória da Tua virgindade, Tu geraste e deste à luz o Verbo de Deus. Na Tua Dormição, Tu não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus. Tu foste transferida para a vida, sendo a Mãe da Vida e, pelas Tuas orações, Tu resgatas as nossas almas da morte”.
Boletim Interparoquial, agosto de 2007

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Santa Mirófora, Maria Madalena, Igual aos Apóstolos (+Séc.I) - 22 jul/04 ago

Nasceu em Magdalena (de onde surge o seu nome), uma vila a 4 km ao Norte de Tiberíade, na Síria. Na juventude foi possuída por forças do mal, mas quando recebida na fé cristã tornou-se sã. O Evangelho narra que Cristo passou pelas cidades e vilas proclamando a Boa Nova sobre o Reino dos Céus e iam com Ele os doze apóstolos e algumas senhoras, as quais Ele curou dos espíritos malignos e de doenças: “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios, Joanna, esposa de Cuza, procurador de Herodes e Suzana e muitas outras que O serviam com seus bens (Lc. 8,3)”.

Maria Madalena foi zelosa cristã cuja fé e amor por Cristo nada podia derrotar ou abalar no mundo. A Santa, como fiel discípula, foi com Seu Senhor, acompanhou-O até o Gólgota e foi a primeira a encontrar o túmulo vazio “... dois anjos vestidos de branco, sentados...” os quais anunciaram-na a Ressurreição de Cristo. Assim como foi a primeira para quem o Senhor Ressuscitado se manifestou e enviou-a aos discípulos com a Boa Nova.

Depois disso em toda a sua vida, Maria Madalena foi exemplo de devoção e serviço a Igreja. A Tradição relata que pregando em Roma, ela chegou ao palácio do imperador Tibério. Na audiência com o imperador ela lhe contou sobre o Senhor Jesus Cristo sobre seu ensinamento e ressurreição dos mortos. O imperador duvidou do milagre da ressurreição e pedia provas a Maria Madalena. Então ela pegou um ovo cozido que estava em cima da mesa e entregando-o ao imperador disse “Cristo Ressuscitou!” Durante estas palavras o ovo branco ficou vermelho carmim nas mãos do imperador.

Depois, como os apóstolos, viajou pregando a Boa Nova aos países entre a Itália e a Ásia Menor. Quando aportou em Éfeso, uniu-se ao Apóstolo João, o teólogo, a fim de junto com ele propagar a Fé Cristã, e assim até o fim de sua vida. Morreu em Éfeso e as sua relíquias em 899 foram trazidas pelo Imperador Bizantino Leão VI, o sábio, para Constantinopla.

Conforme a tradição Maria Madalena foi chamada “igual aos apóstolos”, e seu culto é, em geral, na Igreja Ortodoxa como na Igreja Romana.

A memória de Santa Maria Madalena, a Igreja comemora em 22 julho/4 agosto e no Domingo das Miróforas (III Domingo da Páscoa.)

As Santas Mulheres – Pequeno dicionário bibliográfico, Jaroslaw Charkiewicz
Mosteiro Ortodoxo da Dormição da Mãe de Deus
Boletim Interparoquial agosto de 2004

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Festa do Nascimento de São João Batista, Profeta e Precursor - 24 jun/07 jul


Seis meses antes da aparição à Santíssima Virgem Maria em Nazaré, Gabriel, Arcanjo do Senhor, apareceu para Zacarias o Sumo Sacerdote no templo de Jerusalém. Antes de revelar a miraculosa concepção por uma virgem que não havia conhecido homem, o Arcanjo revelou a maravilhosa concepção por uma mulher velha e estéril. Zacarias foi incapaz de acreditar de imediato nas palavras do arauto de Deus, e por isso sua língua foi posta em mudez e assim permaneceu até oito dias após o nascimento de João. Nesse dia reuniram-se os parentes de Zacarias e Isabel para a circuncisão da criança e escolha de seu nome. Quando perguntaram ao pai como ele queria que o filho chamasse, ele, estando ainda mudo escreveu numa lousa: “João”. Nesse instante sua língua foi liberada e ele voltou a falar. A casa de Zacarias era nas colinas entre Belém e Hebron. A notícia da aparição do Arcanjo a Zacarias, de sua mudez e da liberação de sua língua no exato momento que ele escreveu “João”, foi espalhada por todo Israel, chegando aos ouvidos de Herodes. Assim, quando ele enviou homens, para matar todas as crianças em torno de Belém, ele também enviou homens para a casa da família de Zacarias nas montanhas, para matar João mas Isabel escondeu o menino a tempo. O Rei enraiveceu-se com esse fato, e enviou um executor ao templo para matar Zacarias (pois era o turno de Zacarias servir ao templo novamente). Zacarias foi morto entre o pátio e o templo, e seu sangue coagulou e solidificou-se nas lajes da pavimentação lá permanecendo como um testemunho permanente contra Herodes. Isabel escondeu-se com a criança numa caverna, onde morreu logo depois. O jovem João permaneceu no deserto sozinho, cuidado por Deus e Seus Anjos.
Texto extraído de The Prologue from Ochrid, Lazarica Press, Birmingham.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ascenção de Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo

Essa festa já se encontrava instituída e era celebrada em Jerusalém no século IV. Tem por objetivo o triunfo do Salvador que, corporalmente, adentra aos céus para, Ele próprio, assentar nossa humanidade sobre o Trono Divino.

É portanto, para nós também, um dia triunfal: por nossa união com o Cristo, na unidade de Seu Corpo místico, fazemos igualmente nossa entrada no céu, pelo menos em direito, esperando que o Senhor venha novamente para julgar o universo e chame seus eleitos, para introduzi-los em Seu Reino.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sermão sobre a Anunciação da Santa Mãe de Deus


Nossa presente assembléia em honra da Santíssima Virgem me inspira, irmãos, a falar Dela uma palavra de louvor, também em favor daqueles que vieram para esta solenidade da igreja. Esta palavra inclui um louvor às mulheres, uma glorificação ao seu gênero, cuja glória é trazida por Ela, Ela que é ao mesmo tempo Mãe e Virgem. Ó desejada e maravilhosa assembléia! Celebre, ó natureza, na qual é rendida honra à Mulher; rejubila, ó raça humana, na qual a Virgem é glorificada. “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rom.5;20). A Santa Mãe de Deus e Virgem Maria nos reuniu aqui, Ela o puro tesouro da virgindade, o paraíso planejado para o Segundo Adão – o lugar exato, em que foi cumprida a co-união das naturezas, em que foi confirmado o Conselho da salvífica reconciliação.

Quem alguma vez viu, quem alguma vez ouviu, que dentro de um ventre o Ilimitado Deus poderia habitar, Aquele que os Céus não podem conter, Aquele que o ventre de uma Virgem não pode limitar?

Aquele que nasceu da mulher não é somente Deus e Ele não é somente Homem. Este que nasceu fez da mulher, sendo a antiga porta do pecado, a porta da salvação; onde o Mal, pela desobediência, despejou seu veneno, lá o Verbo fez para Ele próprio,pela obediência, um templo vivificante, de onde o arqui-pecador Caim saltou para fora, lá sem semente nasceu Cristo o Redentor da raça humana. O Amante da Humanidade não desdenhou nascer da mulher, uma vez que isto concedeu a Sua vida. Ele não estava sujeito à impureza, sendo assentado dentro do ventre, que Ele mesmo adornou livre de toda iniqüidade. Se por acaso esta Mãe não permanecesse Virgem, então aquele que nascesse Dela poderia ser um mero homem, e o nascimento não seria nenhum sábio milagre; mas uma vez que Ela depois do nascimento permaneceu uma Virgem, então como é que Aquele que nasceu de fato – não é Deus? É um mistério inexplicável, uma vez que de uma maneira inexplicável nasceu Ele Que sem nenhum impedimento passa através das portas quando elas estão fechadas. Tomé, confessando Nele a co-união de duas naturezas, gritou: “Meu Senhor, e meu Deus” (Jô.20:28).

O Apóstolo Paulo diz, que Cristo é “escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (I Cor. 1:23): eles não perceberam o poder do mistério, uma vez que Ele era incompreensível para a mente: “porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da Glória” (I Cor.2:8). Se o verbo não fosse colocado dentro do ventre, então a carne não teria ascendido com Ele ao Trono Divino; se Deus tivesse desdenhado entrar no ventre, que Ele criou, então os Anjos também poderiam ter desdenhado servir à humanidade.

Aquele, que por Sua natureza não estava sujeito aos sofrimentos, através de Seu amor por nós sujeitou-Se a muitos sofrimentos. Nós cremos, não que Cristo através de alguma gradual elevação em direção à natureza Divina foi feito Deus, mas que sendo Deus, através da Sua misericórdia Ele foi feito Homem. Nós não dizemos: “um homem feito Deus”; mas nós confessamos, que Deus encarnou e se fez Homem. Sua Serva foi escolhida para Ele mesmo como Mãe por Aquele que, em Sua essência não tinha mãe, e Aquele que, através da Divina providência apareceu sobre a terra na imagem de homem, não tem pai aqui. Como alguém, Ele mesmo pode ser ambos sem pai e sem mãe, de acordo com as palavras do Apóstolo: “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida...” (Heb. 7:3)? Se Ele – fosse somente um homem, então Ele não poderia ser sem mãe – mas verdadeiramente Ele teve uma Mãe. Se Ele – fosse somente Deus, então Ele não poderia ser sem Pai – mas de fato Ele tem um Pai. E ainda como Deus o Criador Ele não tem mãe, e como Homem Ele não tem pai.

Nós podemos ser convencidos disto pelo verdadeiro nome do Arcanjo, fazendo anunciação a Maria: seu nome é Gabriel. O que este nome significa? Ele significa: “Deus e homem”. Uma vez que Aquele sobre Quem ele anunciava era Deus e Homem, então seu verdadeiro nome aponta antecipadamente para este milagre, então com fé aceitamos o fato da Divina revelação.

Seria impossível para um mero homem salvar as pessoas, uma vez que todo homem necessita do Salvador: “Porque todos pecaram – diz São Paulo - e destituídos estão da glória de Deus” (Rom. 3:23). Desde que o pecado sujeita o pecador ao poder do demônio, e o demônio o sujeita à morte, então nossa condição torna-se extremamente infeliz: não existe nenhum caminho que nos livre da morte. Foram mandados médicos, isto é, os profetas, mas eles somente podiam apontar mais claramente a enfermidade. O que eles fizeram? Quando eles viram, que a doença estava fora do alcance da habilidade humana, eles chamaram do Céu o Médico; um deles disse “Abaixa, ó Senhor, os teus céus, e desce” (Salmos 143[144]:5); outros gritaram: “Cura-me, Ó Senhor, e eu serei curado” (Jer. 17:14); “faze resplandecer o Teu rosto, e seremos salvos” (Sl. 79[80]:3). E ainda outros:”Mas, na verdade, habitaria Deus na terra?” (I Reis 8:27); “apressa-te e antecipem-se-nos as tuas misericórdias, pois estamos muito abatidos” (Sl.78[79]:8). Outros disseram: “Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto” (Miq.7:2). “Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, apressa-te em ajudar-me” (Sl.69[70]:1). “Se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará” (Hab.2:3). “Desgarrei-me como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos” (Sl.118[119]:176). “Virá o nosso Deus, e não se calará” (Sl.49[50]:3). Aquele que, por natureza é Senhor, não desdenhou a natureza humana, escravizada pelo sinistro poder do demônio, o misericordioso Deus não consentiu que ela estivesse para sempre sob o poder do demônio, o Eterno veio e deu em resgate o Seu Sangue; para a redenção da raça humana da morte Ele deu Seu Corpo, que Ele aceitou da Virgem, Ele livrou o mundo da maldição da lei, aniquilando a morte pela Sua morte. “Cristo nos resgatou da maldição da lei” – exclama São Paulo (Gal. 3:13).

Portanto sabemos, que nosso Redentor não é simplesmente um mero homem, uma vez que toda a raça humana estava escravizada pelo pecado. Mas Ele da mesma forma não é somente Deus, não participante da natureza humana. Ele tinha um corpo, porque se Ele não tivesse Se revestido em mim, então Ele, da mesma maneira, não poderia ter me salvado. Mas, tendo habitado o ventre da Virgem, Ele Se vestiu em meu destino, e dentro deste ventre Ele concluiu uma mudança miraculosa: Ele concedeu o Espírito e recebeu um corpo, o Único Que verdadeiramente (habitou) com a Virgem e (nasceu) da Virgem. E então, Quem é Ele, que Se manifesta a nós? O Profeta Davi mostra isto para ti nestas palavras: “Bendito aquele que vem em Nome do Senhor” (Sl. 117[118]:26). Mas diga-nos mais claramente, Ó profeta, Quem é Ele? O Senhor é o Deus das Multidões, diz o profeta: “O Senhor é Deus, e ele Se nos manifestou” (Sl.117[118]:27). “O Verbo Se fez carne” (Jo.1;14): foram unidas as duas naturezas, e a união permaneceu sem se misturar.

Ele veio para salvar, mas teve também que sofrer. O que um tem em comum com o outro? Um mero homem não pode salvar; e Deus em Sua natureza não pode sofrer. Por que meios foi feito um e outro? Como que Ele, Emanuel, sendo Deus, foi feito também Homem; Ele salvou através do que Ele era – e isto, Ele sofreu pelo que Ele foi feito. Razão pela qual quando a Igreja observou que a multidão dos Judeus O coroou com espinhos, lamentando a violência dos espinhos, ela disse: “Filhas de Sião, saiam e vejam a coroa, de quê é coroado Ele, Filho da Sua Mãe” (Cant. 3:11). Ele usou a coroa de espinhos e destruiu o julgamento sofrendo pelos espinhos. Ele, somente Ele, é Aquele que é ambos no seio do Pai e no ventre da Virgem; Ele, somente Ele, é Aquele – nos braços da Sua Mãe e nas asas dos ventos (Sl.103[104]:3); Ele, a Quem os Anjos inclinam-se em adoração, ao mesmo tempo reclina-se na mesa dos publicanos. Ele, sobre Quem os Serafins não ousam fitar, sobre Ele, ao mesmo tempo, Pilatos pronunciou a sentença. Ele é Aquele e o Mesmo, a Quem o servo golpeou e perante O Qual toda a criação treme. Ele foi pregado na Cruz e subiu ao Trono de Glória – Ele foi colocado no sepulcro e Ele estendeu os céus como uma tenda (Sl.103[104]:2) – Ele foi contado no meio dos mortos e Ele esvaziou o inferno; aqui sobre a terra, eles blasfemaram contra Ele como um transgressor – lá no Céu, eles exclamaram a Ele glória como o Todo-Santo. Que mistério incompreensível! Eu vejo os milagres, e eu confesso, que Ele é Deus; eu vejo os sofrimentos, e eu não posso negar, que Ele é Homem. Emanuel abriu as portas da natureza, como homem, e preservou intacto o selo da virgindade, como Deus: Ele emergiu do ventre da mesma maneira com que Ele entrou através da Anunciação; da mesma forma maravilhosa Ele foi ambos, nascido e concebido: sem paixão Ele entrou, e sem dano Ele emergiu; como se referindo a isto o Profeta Ezequiel diz: "Então me fez voltar para o caminho da porta do santuário exterior, que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor: Esta porta estará fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor Deus de Israel entrou por ela: por isso estará fechada” (Ez.44:1-2). Aqui ele claramente indica a Santa Vigem e Mãe de Deus, Maria. Cessemos toda contenda, e deixemos que as Sagradas Escrituras iluminem nossa razão, assim nós também receberemos o Reino dos Céus por toda a eternidade. Amém!

São Proklos, Patriarca de Constantinopla
Traduzido pelo Sr. Dom Ambrósio, Bispo Ortodoxo do Recife
Boletim Interparoquial de Abril de 2004

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Santo Encontro de Nosso Senhor Jesus Cristo – Hypapante - 02 / 15 fevereiro

São Lucas é o único evangelista que nos mostra José e Maria fiéis às prescrições da Lei e ao cumprimento de seus preceitos. Assim como fizeram circuncidar Jesus ao 6º dia, eles o apresentam ao Templo 40 dias após seu nascimento.

Lei de Moisés
Todo varão primogênito será consagrado ao Senhor (Ex 13, 2)

São Lucas cita as palavras do Êxodo a fim de explicar a viagem de Maria e José. Com efeito, desde que o povo de Israel saíra do Egito, na noite mesmo da partida, o Anjo do Senhor fez abater sobre os egípcios uma terrível punição, a décima praga: a morte de todos os primogênitos desde o filho do Faraó, passando pelo primogênito de cada família e atingindo até os rebanhos. Para escapar ao anjo exterminador, os judeus deveriam sacrificar um cordeiro ou cabra de um ano, um animal para cada família e espalhar seu sangue nos umbrais de suas portas. Quando da passagem do anjo com sua espada mortífera, à vista do sangue sobre os umbrais, os lares hebreus foram poupados.

Nessa mesma noite o povo inteiro deveria consumir o animal sacrificado, cada judeu, de cada família, permanecer pronto, os rins cingidos, sandálias nos pés, bastão na mão, para partir a qualquer instante. Essa foi a primeira Páscoa comemorada depois desse dia em todos os anos, em memória do Êxodo, em memória da libertação do povo judeu, da passagem da servidão à liberdade.

Ao fornecer para Moisés as prescrições em relação à Páscoa, Deus manda que cada varão primogênito nascido entre as crianças de Israel, seja consagrado a Deus, em memória da saída do Egito. A criança consagrada é oferecida diante do altar e remida como primícia, primeiro fruto do seio materno. Essa oferenda é uma ação de graças em memória dos primogênitos judeus que foram poupados na noite do massacre Egípcio.

O Filho primogênito de Maria, Aquele que abriu o seio virginal da sempre Virgem Maria Mãe de Deus, é oferecido segundo as prescrições da Lei, Ele, o autor da Lei. A Igreja se maravilha com esta contradição e sublinha mais uma vez a humilhação do Filho de Deus, sua Kenose. (Do grego Kenosis – esvaziar-se, negar-se.)

O Primogênito do Pai, anterior aos séculos, apareceu como o Varão Primogênito de uma Virgem Imaculada e dirige suas mãos à Adão (Tropário da 3º Ode)

O Cântico de Simeão - Nunc Dimittis
E agora Senhor, deixa o teu servidor, segundo a Tua palavra partir em Paz. Porque os meus olhos viram a salvação, que vem de Ti. Que tu preparaste para ser apresentada a todos os povos, Luz que brilhará sobre todas as nações e glória de teu povo, Israel.

As primeiras palavras do Cântico pronunciado por Simeão, à vista da Criança, são um grito de júbilo ante a sua morte, já próxima. É uma resposta à promessa do Espírito Santo feita ao velho, ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor.
Simeão é o último vigia de Israel, ele espreita a aurora, ele vê enfim o apontar do dia e reconhece a luz do “Sol de Justiça”.

Israel agora está pronto para se abrir ao mundo, para fazer o dom da Revelação a todos os povos. De Israel levanta-se a luz que ilumina as nações e que permanece para sempre a glória do povo eleito (v. Epístola aos Romanos, 11). E esse cântico é sempre cantado ao final das vésperas, pois é esse o ofício onde revivemos a longa espera pelo Cristo no Antigo Testamento. Ele inicia-se com o salmo 104, récita da Criação, sendo seguido da leitura de outros salmos e de passagens da Bíblia, revelando a esperança de Israel. Essa esperança conduz ao encontro entre a antiga e a nova Aliança, encontro que é realizado na pessoa do Cristo. Com a luz do entardecer, o declínio do dia, nós contemplamos uma outra luz, luz jubilosa, a mesma que Simeão encontra no Templo.

Ó Luz Jubilosa da Santa Glória do Pai, Celeste Imortal, Santo e Bem-Aventurado Senhor Jesus Cristo. Chegados ao pôr do sol, contemplando a luz vespertina, nós cantamos o Pai e o Filho e o Espírito Santo de Deus. É digno que em todo o tempo, te louvemos com vozes puras, ó Filho de Deus, que dás a vida, todo o Universo te dá glória..

Visão de Deus
Simeão, como Moisés no Sinai, encontra Deus face a face. No entanto, Moisés viu a Deus dentro da nuvem e foi forçado a cobrir o rosto pois a Luz de Deus o cegava. Simeão recebe Deus em seus braços. A proibição de ver Deus no Antigo Testamento não significa que o homem do Novo Testamento seja mais digno ou mais puro que o homem da antiga Aliança, mas ele recebe a purificação pelo próprio Cristo, que tem o poder de tirar toda mancha. É por isso que no dia da Festa do Santo Encontro, encontro de cada um de nós com o Filho de Deus, a Igreja nos faz ler a passagem de Isaías contando sua visão no Templo (Is. 6, 1-12).

Quando Isaías viu o Senhor sentado em trono elevado e contemplou sua glória, quando escutou o cântico três vezes Santo dos Anjos, ele gritou: Ai de mim que vou perecendo, porque sou um homem de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, o Senhor Sabaoth! (Is. 6,5) Um Serafim lhe foi enviado com um carvão ardente tomado do altar, a fim de purificar os lábios do profeta.

Os hinos do dia nos explicam o sentido dessa leitura. A visão de Isaías é confirmada pelo encontro de Simeão no Templo e sua purificação pelo Cristo.

O Cristo apareceu outrora ao divino Isaías, como um carvão ardente preso por uma pinça. Agora Ele é dado ao ancião pelas mãos da Mãe de Deus. (Apósticas – tom 2)

Profecia de Simeão
Após seu cântico luminoso, Simeão profetiza, ele resume em apenas uma frase todo o drama do encontro entre o Cristo e seu povo, todo o drama que vai ser desenrolar a propósito do reconhecimento do Messias, Jesus é na verdade a Luz esperada e a glória de Israel, e no entanto, Ele será a dificuldade imprevista e a queda de uma parte de Israel (João 3, 19). Essa contradição causará a dolorosa divisão e terminará na Cruz.

Maria recebe sua parte da profecia, pois ela participa dos sofrimentos de seu Filho e permanece até o fim a seu lado (João 19, 25-27). Simeão prevê que sua alma será transpassada pelo gládio da Cruz.

Simeão viu a queda provocada por Jesus Cristo para uma parte do povo, cego diante do Messias. Mas ele menciona também o elevamento de um grande número de pessoas, esse elevamento é a ressurreição daqueles que inspiram o acordar dentre os mortos após a noite dos tempos. Simeão vai morrer e no entanto ele sabe que seu papel de profeta não se realiza nesta terra. Ele deve levar a “Boa Nova” da ressurreição, agora próxima, aos prisioneiros do Hades. Ele irá profetizar junto aos habitantes do inferno, vai anunciar a Encarnação do Filho de Deus a todos aqueles que esperam esse dia, após Adão, Moisés, Davi, os profetas e “toda alma justa que houver partido na fé”.

Juntar-me-ei a Adão preso nos infernos e anunciarei a Eva a Boa Nova, dizia Simeão cantando como os profetas: Tu és Bendito Deus de nossos Pais. (Tropário – 7ª Ode)

Cordeiro de Deus
Detenhamo-nos um pouco sobre o texto do Levítico a propósito da oferenda. Está escrito que uma mulher dever ser purificada após o parto. Ela traz à entrada do Templo, para sua purificação um cordeiro de um ano, vítima do holocausto. Se ela não tiver posses suficientes para o cordeiro, tomará dois pombos.

Maria, ainda que Virgem em sua maternidade submeteu-se, como seu Filho, à Lei e vem ao Templo para ser purificada. José traz os pássaros do rito da purificação. A primeira indicação que somos tentados a tirar do texto é sobre o meio social da família de Jesus. Mas o Levítico nos traz um outro sentido o que será confirmado pelo ícone. A ausência do cordeiro não é casual, não é só por falta de recursos que a vítima não é representada. Maria tem as mãos cobertas por um linho, de acordo com o rito da oferenda. Ela oferece a criança e a remete ao sumo sacerdote que a recebe abaixo do altar do sacrifício. Jesus é a vítima sem mancha, puro e inocente, Ele é o “Cordeiro de Deus” trazido em sacrifício.

Como Abel foi imolado no lugar de seu cordeiro, como Isaac foi oferecido em sacrifício por seu pai (e depois substituído por uma ovelha), como o servidor de Isaías deixou-se conduzir ao matadouro, ovelha dócil e sem defesa, da mesma forma Jesus é trazido hoje ao Templo e o padre o recebe sobre o altar, visão profética de sua imolação sobre a Cruz.

O Templo, lugar de encontro entre o Cristo e seu povo, toma sua dimensão eterna diante do Criador, não é mais o edifício frágil e efêmero que será destruído um dia, mas o Templo Celeste “não feito por mão de homem” (Hb. 9, 11). O altar sobre o qual o Senhor é oferecido é o trono de Deus, aquele da Jerusalém Celeste: e olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um cordeiro, como havendo sido morto ... (Apocalipse 5, 6)

Jesus é trazido ao Templo como vítima sem mancha, mas Ele é também o padre sacrificador, Ele é ao mesmo tempo holocausto e sacerdote, pois oferece-se a si próprio pela vida do mundo.
Boletim InterParoquial, Fevereiro de 1989

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Proteção da Santa Mãe de Deus - 01/14 de outubro

A festa da Santa Proteção da Mãe de Deus, comemorada em 01/14 de outubro, foi instituída após uma visão que teve nosso Santo Pai André, Louco em Cristo, um dia quando celebrava-se uma vigília na Igreja de Blachernes, em Constantinopla. À quarta hora da noite, o santo – mergulhado em oração – elevou os olhos em direção aos céus e viu a Santa Mãe de Deus permanecer acima da assembléia e recobrir seus fiéis com seu véu (mamphorion). André assegurou- se da realidade de sua visão junto a seu discípulo, que também havia sido digno de contemplar tal espetáculo. O santo precipitou-se então para dentro do Santuário abriu uma caixa que continha o precioso véu da Rainha do Mundo, e, diante, das portas santas (hoje, mais comumente chamadas de Portas Reais), ele o estendeu acima da multidão. O véu era tão grande que recobria toda a numerosa assembléia e, no entanto, permanecia suspenso no ar, sustentado por uma força misteriosa. A Mãe de Deus eleva-se então aos céus, envolta num fortíssimo clarão de luz e desaparece, deixando ao povo cristão seu véu, como garantia de sua proteção benevolente. Essa proteção, a Mãe de Deus mostrou numerosas outras vezes em relação à cidade imperial e, por analogia, a toda a santa Igreja de Cristo, a nova Jerusalém. É, com efeito, por todos os lugares e em todos os momentos que a Soberana do mundo estende misticamente seu véu sobre os cristãos, dirigindo a seu Filho e Senhor suas orações e suas intercessões para a salvação do mundo.

*Essa festa é particularmente solenizada nas Igrejas eslavas. Na Grécia, após 1960, ela foi transferida para o dia 28 de outubro, em memória da proteção concedida pela Mãe de Deus às tropas gregas que resistiram à invasão nazista no front albanês, em 1940.