“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Grande Festa da Proteção da Santa Mãe de Deus - 01/14 out

Desde tempos imemoriais, a Igreja tem celebrado a Santíssima Mãe de Deus como padroeira e protetora do povo cristão que, por suas orações intercessoras, implora a misericórdia de Deus por nós, pecadores. O auxílio da Santíssima Mãe de Deus tem sido claramente manifesto várias vezes, tanto para indivíduos como para nações, na paz e na guerra, nos desertos monásticos e nas cidades densamente povoadas. O evento que a Igreja comemora e celebra hoje confirma a proteção contínua do povo cristão. No dia 1º. de outubro de 911, no reinado do Imperador Leão, o Sábio, houve uma vigília noturna na Igreja da Mãe de Deus de Blaquerné, em Constantinopla. A igreja estava lotada de gente. Santo André, o Louco por Cristo, estava de pé, no fundo da igreja, com seu discípulo Epifânio. Às quatro da manhã, a Santíssima Mãe de Deus apareceu acima das pessoas, segurando seu omofórion e estendendo-o como um manto protetor sobre os fiéis. Estava vestida em púrpura cravejada de ouro e irradiava-se com um inefável fulgor, rodeada pelos apóstolos, santos, mártires e virgens. Santo André disse ao Bem-aventurado Epifânio: "Vês, irmão, a Rainha e Senhora de tudo rogando por todo o mundo?" Epifânio respondeu: Sim, pai, e estou boquiaberto de espanto!" A Festa da Proteção da Mãe de Deus foi instituída para comemorar esse evento e para nos lembrar que podemos receber em oração a incessante proteção da Santíssima Mãe de Deus em quaisquer momentos de dificuldade.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Grande Festa da Exaltação Universal da Venerável e Vivificante Cruz - 14/27 set

Neste dia, comemoram-se dois eventos relacionados com a Honorável Cruz do Cristo; o primeiro é a descoberta da Honorável Cruz no Gólgota, e o segundo é o retorno da Honorável Cruz a Jerusalém, vinda da Pérsia. Ao visitar a Terra Santa, a santa Imperatriz Helena decidiu encontrar a Honorável Cruz do Cristo. Um idoso judeu de nome Judá era o único que sabia onde estava a Cruz e, pressionado pela Imperatriz, revelou que a Cruz estava enterrada debaixo do templo de Vênus que o Imperador Adriano construíra sobre o Gólgota. A imperatriz ordenou que esse templo idólatra fosse demolido e, ao cavar fundo abaixo dele, descobriu três cruzes. Enquanto a imperatriz refletia sobre como haveria de verificar qual delas era a do Cristo, uma procissão fúnebre passava por perto. O Patriarca Macário disse ao povo para que depusessem as cruzes, uma de cada vez, sobre o morto. Enquanto a primeira e, depois, a segunda cruz foram postas sobre o cadáver, o defunto permaneceu como estava. Quando lhe depuseram a terceira cruz, o morto voltou à vida. Foi assim que descobriram que esta era a Preciosa e Vivificante Cruz do Cristo. Então depuseram a Cruz sobre uma mulher enferma e ela ficou sã. O Patriarca ergueu a Cruz para que todas as pessoas pudessem vê-la, e o povo, entre lágrimas, cantou: "Senhor, tem piedade!" A Imperatriz Helena mandou fazer uma urna de prata e nela dispôs a Venerável Cruz. Tempos mais tarde, o imperador persa Cosroés conquistou Jerusalém, escravizou muita gente e levou a Cruz do Senhor à Pérsia. A Cruz permaneceu na Pérsia por quatorze anos. No ano 628, o Imperador grego Heráclio derrotou Cosroés e, com muita cerimônia, trouxe a Cruz de volta a Jerusalém. Enquanto adentrava na cidade, o imperador Heráclio carregava a Cruz nas costas; mas a certa altura, de repente, não conseguiu dar mais nenhum passo. O Patriarca Zacarias viu um anjo que impedia o imperador de conduzir a Cruz pela mesma trilha em que o Senhor caminhara descalço e humilhado. O Patriarca comunicou essa visão ao imperador. O imperador despiu-se de suas indumentárias e, descalço e em andrajos, tomou a Cruz, carregou-a ao Gólgota e depositou-a na Igreja da Ressurreição, para alegria e consolo de todo o mundo cristão.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Festa do Nascimento da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 08/21 set


A Santíssima Virgem Maria nasceu de pais idosos, Joaquim e Ana. Seu pai provinha da linhagem de Davi, e sua mãe da de Aarão. Deste modo, ela tanto tinha nascimento real por parte do pai quanto sacerdotal por parte de sua mãe. Nestes nascimentos, ela prefigurou Aquele que dela nasceria como Rei e Sumo Sacerdote. Seus pais eram muito velhos e não tiveram filhos, pelo que viviam envergonhados perante o povo e humilhavam-se diante de Deus. Em sua humildade, eles oravam a Deus em lágrimas para que Ele lhes trouxesse esta alegria em sua velhice, dando-lhes um filho, tal como Ele concedera essa alegria, Isaac, ao idoso Abraão e à sua esposa Sara. O Altíssimo Deus, que tudo vê, recompensou-os com uma alegria que ultrapassou todas as expectativas e os mais belos sonhos do idoso casal. Pois Ele lhes concedeu não apenas uma menina, mas a Mãe de Deus. Ele os iluminou não apenas com uma alegria temporal, mas também com a eterna. Deus deu-lhes apenas uma filha, que tempos mais tarde lhes daria um único neto – mas que filha e que neto! Maria, cheia de graça, Bendita és entre as mulheres, Templo do Espírito Santo, Altar do Deus Vivo, Mesa do Pão Celestial, Arca da Santidade de Deus, Árvore do Dulcíssimo Fruto, Glória da Raça Humana, Louvor da Feminilidade, Fonte da Virgindade e Pureza – eis a filha entregue por Deus a Joaquim e a Ana. Ela nasceu em Nazaré e, aos três anos de idade, foi levada ao Templo de Jerusalém. Em sua jovem feminilidade, ela retornou novamente a Nazaré, onde, breve tempo depois, ouviu a Anunciação do Santo Arcanjo Gabriel sobre o nascimento do Filho de Deus, o Salvador do mundo, de seu puríssimo corpo virginal.

Hino de Louvor
Imensamente desejada e longamente esperada,
Ó Virgem, foste obtida do Salvador por lágrimas!
Templo corporal do Santíssimo Espírito, tendes-te tornado,
E hás de ser chamada Mãe do Eterno Verbo.
Ardente Sarça, chamam-te,
Pois recebeste dentro de ti o Fogo Divino:
Inflamada em chamas, mas não consumida,
Gerarás o Dourado Fruto e oferecê-Lo-á ao mundo.
Serás a Portadora d'Aquele Que porta os céus,
A Quem, todos no céu levantam louvores!
Milagre dos milagres passar-Se-á dentro de ti,
Pois trouxeste o céu, tu que és "mais vasta do que os céus!"
És-nos a mais preciosa, ó Virgem, mais do que preciosas pedras,
Pois tu és a fonte de salvação da humanidade.
Por isso, que o universo Te glorifique,
Ó Santíssima Virgem, ó Alva Pomba!
O Rei dos Céus deseja entrar no mundo,
E passará por ti, ó Belíssimo Portal!
Ó Virgem, quando te tornares mulher gerará Cristo por nós;
De teu corpo, o Sol raiará.
Tropário da Natividade, t.4
O teu Nascimento, ó Puríssima Virgem, anunciou a alegria a todo o Universo, pois de ti nasceu o Sol de Justiça, o Cristo nosso Deus que, levantando a maldição, nos abençoou e, destruindo a morte, nos deu a Vida Eterna.
Kondakion da Natividade, t.4
Com o teu Nascimento, ó Puríssima Mãe, Joaquim e Ana libertaram-se da desonra da esterilidade, Adão e Eva da corrupção e da morte. O teu povo, também liberto da escravidão do pecado e que hoje festeja o teu Nascimento, exclama: “Aquela que era estéril deu à luz a Mãe de Deus e nossa Mãe”.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

COMEÇO DA INDICÇÃO – NOVO ANO ECLESIÁSTICO - 01/14 setembro

O Primeiro Concílio Ecumênico (Nicéia, 325) decretou que o ano eclesial começasse em 1º. de setembro. Para os antigos hebreus, o mês de setembro era o início do ano civil (Êxodo 23:16), mês de realizar-se a colheita e de ofertar ações de graças a Deus. Foi na ocasião desta festa em que o Senhor Jesus entrou numa sinagoga em Nazaré (Lucas 4: 16-21), abriu o livro do Profeta Isaías e leu as palavras: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim para pregar boas-novas aos humildes; enviou-me para reerguer o angustiado, proclamar a liberdade aos cativos, abrir a prisão aos aprisionados e proclamar um ano da graça do Senhor, o dia da vingança de nosso Deus e confortar todos os aflitos (Isaías 61: 1-2).

O mês de setembro também é de suma importância para a história do Cristianismo, porque o Imperador Constantino, o Grande, derrotou Maxêncio, inimigo da fé cristã, em setembro. Após a vitória, Constantino conferiu liberdade de confissão à Fé Cristã em todo o Império Romano. Por muito tempo, o ano civil do mundo cristão seguia o ano eclesial com o início em 1º de setembro. Mais tarde, o ano civil foi modificado, transferindo seu começo para 1º de janeiro. Primeiramente, a mudança ocorreu na Europa Ocidental e, tempos mais tarde, na Rússia, sob Pedro, o Grande.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Degolação de São João Profeta, Precursor e Batista do Senhor - 29ago/11set


Herodes Antipas (filho do Herodes, que matou as crianças de Belém, na época do nascimento de Cristo) era governante da Galiléia, quando João, o Batista, estava pregando. Ele era casado com a filha de Aretas, um príncipe árabe. Mas, Herodes, um rebento maligno de uma raiz maldita, largou sua legítima esposa e infidedignamente tomou Herodias como sua concubina. Herodias era a esposa de seu irmão Felipe, que anda vivia. João, o Batista, levantou-se contra esta depravação e firmemente denunciou Herodes, que, por sua vez, lançou João à prisão. Durante um banquete em sua corte em Sebastia, na Galiléia, Salomé (filha de Herodias e Felipe) dançou diante dos convidados. Herodes, bêbado por causa do vinho, ficou tão inebriado pela dança que prometeu a Salomé qualquer coisa que ela lhe pedisse, até que fosse a metade seu reino. Persuadida por Herodias, ela pediu a cabeça de João, o Batista. Herodes, então, deu ordens aos guardas, João foi decapitado na prisão, e sua cabeça foi dada de presente a ela num prato. Os discípulos de João levaram o corpo de seu mestre à noite e honrosamente o enterraram, mas Herodias perfurou várias vezes a língua de João com um prego e enterrou sua cabeça num lugar impuro. O que veio a acontecer, mais tarde, à cabeça de João, o Batista, pode ser lido em 24 de fevereiro. Entretanto, a punição divina rapidamente caiu sobre o grupo de malfeitores. Príncipe Aretas, vingando-se da honra da filha, declarou guerra com seu exercito contra Herodes e derrotou-o. Derrotado, Herodes foi sentenciado pelo César Romano, Calígula, ao exílio (a princípio na Gália, mais tarde na Espanha). Herodes e Herodias viveram em extrema pobreza e humilhação no exílio, até que a terra abriu-se e engoliu-os. Salomé veio a ter uma terrível morte no Rio Sicaris (Sula) (veja “Reflexão” abaixo). A decapitação de São João ocorreu bem antes da Páscoa, mas estabeleceu-se sua celebração em 29 de agosto, porque uma igreja que havia sido construída sobre seu túmulo em Sebastia (pelo Imperador Constantino e a Imperatris Helena) foi consagrada em 29 de agosto. As relíquias dos discípulos de São João, o Batista – Eliseu e Audius – também foram depositadas nesta igreja.

Hino de Louvor
Ó São João, admirável Precursor,
Foste o Precursor do Glorioso Salvador,
Tua pureza tocou as almas humanas
E ressoou qual temível trombeta desde o Jordão.
Despertando os homens do sono e do vício da indolência,
Quando o machado estiver fincado à raiz da árvore.

A ti, eu me curvo; a ti, eu oro:
Ajuda-me a resistir a todos os ataques.
Ó mais poderoso de todos os profetas, a ti eu me curvo,
E, diante de ti, ponho-me de joelhos; diante de ti, eu rogo:
De teu coração, concede-me a força de um leão;
De teu espírito, concede-me o testemunho angélico.

Concede-me tua força, para que pela prática eu possa obter
Submissão a Deus e auto-controle,
Ser batizado pelo jejum, purificado pelas vigílias,
Adocicado pela oração e pela vista celestial;
Encarar qualquer martírio sem temor,
Com tua coragem e inabalável fé.

Ó São João, homem de Deus,
Glorioso Mártir da suprema justiça:
É a ti que os iníquos exércitos temem.
Não deixes de ouvir minha oração,
Para que eu possa apresentar-me, como uma verdadeira vela,
Diante do Senhor.

Reflexão
Se você observar a maneira em que uma pessoa morre, você descobrirá que a morte de um homem geralmente se assemelha a seu pecado: Pois todo aquele que tomar da espada pela espada morrerá (Mateus 26:52). Todo pecado é como uma faca, e os homens frequentemente são mortos pelo pecado que eles mais prontamente cometem. Um exemplo disso é o de Salomé – a tola filha de Herodias – que pediu e recebeu a cabeça de João Batista numa tigela. Vivendo na cidade espanhola de Lérida, com Herodes e Herodias exilados, Salomé cruzou, um dia, o rio congelado de Sicaris. O gelo, entretanto, quebrou, e ela afundou até a altura do pescoço. Fragmentos de gelo começaram a cercar seu pescoço, enforcando-a, e ela lutava sacudindo os pés na água, como certa vez ela dançara na corte de Herodes. Ela nem sequer conseguia erguer-se da água nem afundar, até que uma lâmina de gelo cortou-lhe a cabeça. A correnteza levou o corpo embora, mas sua cabeça foi levada a Herodias numa tigela, como outrora foi trazida a cabeça de João, o Batista. Observem o quão terrível uma morte assemelha-se ao pecado cometido.

Tropário, t. 2
A memória do justo é acompanhada de elogios, mas a ti Precursor, é suficiente o testemunho do Senhor; verdadeiramente te mostraste como o maior de todos os Profetas; tu foste digno de batizar nas águas do Jordão Aquele que eles haviam apenas anunciado; sobre a terra lutaste pela verdade, até nos Infernos, cheio de alegria, tu anunciaste o Deus manifestado na carne, que tira o pecado do mundo e nos concede a graça da salvação.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Grande Dodeca-Festa da Dormição da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 15/28 ago



O Senhor, Que no Monte Sinai, declarou o Quinto Mandamento, Honrará teu pai e tua mãe, mostrou com o próprio exemplo que se deve respeitar os pais. Pendurado na Cruz, em agonia, Ele Se lembrou de Sua Mãe e, apontando ao Apóstolo João, Ele Lhe disse: Mulher, eis o Teu filho. Depois disto, Ele disse a João: Eia a tua Mãe. E assim, cuidando de Sua Mãe, Ele deu o último suspiro. João possuía uma casa no Monte Sião, em Jerusalém, na qual, então, a Teotokos passou a morar. Ela morou lá até o fim de Seus dias sobre a terra. Com suas orações, gentil acompanhamento, humildade e paciência, ela imensamente assistiu os apóstolos do Filho. Ela passou a maior parte de sua vida restante sobre a terra em Jerusalém, geralmente visitando os lugares que A faziam lembrar dos grandes momentos e das grandes obras do Filho. Ela visitava especialmente o Gólgota, Belém e o Monte das Oliveiras. Já de Suas poucas viagens mais distantes, está registrada Sua visita a Santo Inácio, o Portador de Deus, em Antioquia; assim como Sua visita a Lázaro (aquele que o Senhor ressuscitou no quarto dia), Bispo de Chipre. Ela também visitou Monte Atos, que Ela abençoou; e Ela permaneceu em Éfeso com São João, o Evangelista, na época da grande perseguição aos cristãos em Jerusalém. Em Sua idade avançada, Ela geralmente orava a Seu Senhor e Deus no Monte das Oliveiras, o local da Ascensão, para que Ele A levasse deste mundo o mais breve possível. Numa dessas ocasiões, o Arcanjo Gabriel apareceu-Lhe e revelou-Lhe que Ela repousaria dentro de três dias. O anjo deu-Lhe uma ramo de palmeira, que deveria ser levado na procissão fúnebre d’Ela. Ela voltou para casa com grande alegria, trazendo em Seu coração a esperança de reencontrar os Apóstolos do Filho mais uma vez nesta vida. O Senhor realizou Seu desejo, e os apóstolos, trazidos pelos anjos nas nuvens, reuniram-se na casa do Monte Sião. Com imensa alegria, Ela os reencontrou, encorajou-os, aconselhou-os e confortou-os. Então, Ela, pacificamente, entregou Sua alma a Deus sem dores nem sofrimento físico. Os apóstolos conduziram-Na em Seu caixão, do qual exalava uma fragrância celestial. E, na companhia de muitos cristãos, carregaram o caixão ao Jardim do Getsêmani, ao sepulcro de Seus pais, Santos Joaquim e Ana. Pela Providência Divina, a procissão foi cancelada por uma turba de ímpios judeus. Mesmo quando Afitônio, um sacerdote judeu, agarrou o caixão a fim de virá-lo, um anjo de Deus prendeu-lhe as duas mãos. Ele, por sua vez, clamou aos apóstolos por ajuda e foi curado, declarando sua fé no Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo Tomé estava ausente – novamente, por Divina Providência – a fim de que um novo e gloriossíssimo mistério da Santa Teotokos fosse revelado. Tomé chegou apenas no terceiro dia e desejou venerar o corpo da Santa Puríssima. Porém, quando os apóstolos abriram o sepulcro, eles encontraram somente o sudário. O corpo não estava mais no túmulo! Naquela noite, a Teotokos, cercada pelo exército de anjos, apareceu aos apóstolos e disse-lhes: “Regozijai-vos! Eu estarei convosco para sempre.” Quanto à idade da Teotokos na ocasião de Sua Dormição, não se sabe exatamente, mas a opinião geral é a de que Ela ultrapassava os sessenta anos de idade.

Hino de Louvor
Assim falou o Pontentíssimo Senhor:
“De Teu coração, Virgem Pura,
Correrá água viva,
Os sedentos beberão Cristo.”
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Os sedentos beberão Cristo.
Por Ele, o amargo se torna doce;
Por Ele, a dor dos angustiados é sanada.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Doce bebida jorrada da eternidade,
Córrego que inunda nossa árida idade,
Mais uma vez, aos Céus, elevada,
Nosso mundo ressequido refresca-se.
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Glória a Ti, Puríssima!
Glória a Ti, Mãe de Deus!
Geraste para nós o Cristo Vivente,
A Água Viva da graça!
Ó Fonte doadora de vida,
Nós todos Te exaltamos!

Reflexão
Cada fiel pode aprender alguma coisa – de fato, muita coisa – a partir da vida da Virgem Teotokos. Eu queria mencionar duas coisas. Primeiro, Ela frequentemente ia ao Gólgota, ao Monte das Oliveiras, ao Jardim do Getsêmani, Belém e aos outros lugares que ainda traziam a fragrância de Seu Filho. Ela orava de joelhos em todos esses lugares, especialmente o Gólgota. Deste modo, Ela deu o primeiro exemplo e ímpeto aos fiéis a visitarem os santos lugares por amor Àquele Que, por Sua presença, paixão e glória, tornou esses mesmos lugares santos e significantes. Também, aprendemos como Ela orava por uma breve partida desta vida, para que, quando se separasse de Seu corpo, Sua alma não encontrasse o príncipe da escuridão, seus horrores; e, escondido das regiões tenebrosas, Ela não visse a punição dos enegrecidos pelo pecado. Vês o quanto é terrível para a alma atravessar as Mansões de Provação? Se Ela – que deu a luz ao Destruidor do Hades e que possuía tremendo poder sobre os demônios – assim orava, o que nos resta, então? Por extrema humildade, Ela Se entregou a Deus e não confiou em Suas próprias obras. Portanto, muito menos devemos confiar em nossas obras e mais ainda entregarmos às mãos de Deus, clamando por Sua misericórdia, especialmente no momento em que alma partir do corpo.

Tropário, t.2
Conservando intacta a glória da tua virgindade, tu deste à luz o Verbo de Deus. Na tua Dormição, tu não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus. Tu te juntaste a Fonte da vida, tu que concebeste o Deus vivo, e que pelas tuas orações resgatas as nossas almas da morte

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Grande Dodeca-Festa da Transfiguração de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo – 06/19 ago


No terceiro ano de Sua pregação, com bastante freqüência o Senhor Jesus falava aos seus discípulos sobre Sua paixão próxima, como também de Sua glória que se seguiria ao Seu sofrimento na Cruz. Para que Sua inevitável paixão não desolasse completamente Seus discípulos e para que ninguém desviasse d’Ele, Ele, o Todo-Sábio, queria mostrar-lhes uma porção de sua divina glória antes de Sua paixão. Por esta razão, Ele tomou consigo Pedro, Tiago e João e, à noite, foi ao Monte Tabor, onde Ele foi transfigurado diante dos discípulos. Sua face reluziu como o sol, e suas vestimentas tornaram-se brancas como a luz (Mateus 17:2). Moisés e Elias, os grandes Profetas do Antigo Testamento, também Lhe apareceram. Vendo isto, Seus discípulos ficaram estupefatos. Pedro disse: Senhor, é bom estarmos aqui! Se desejares, façamos aqui três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias (Mateus 17:4). Pedro ainda falava, quando Moisés e Elias partiram, e uma nuvem luminosa envolveu o Senhor e Seus discípulos. Da nuvem, provinha uma voz que dizia: Este é o Meu Filho bem-amado, em quem Me comprazo; escutai-O (Mateus 17:5). Ouvindo à voz, os discípulos caíram com face por terra, como mortos, e permaneceram neste estado, prostrados de medo, até que o Senhor chegou a eles e disse: Levantai e não tende medo (Mateus 17:7). Por que o Senhor levou somente três discípulos, e não todos, ao Tabor? Porque Judas não era digno de contemplar a divina glória do Mestre, quem ele trairia; e o Senhor não o queria sozinho no sopé da montanha, para que o traidor não justificasse sua traição por causa disso. Por que Se transfigurou Nosso Senhor numa montanha e não num vale? Para ensinar-nos duas virtudes: amor ao trabalho e pensamentos santos – pois escalar ao alto requer esforço, e as próprias alturas representam a elevação de nossos pensamentos às coisas de Deus. Por que Nosso Senhor transfigurou-Se à noite? Porque a noite é bem mais adequada do que o dia para a oração e aos bons pensamentos; e a noite, com sua escuridão, oculta toda a beleza da terra e revela a beleza dos céus estrelados. Por que Moisés e Elias apareceram? A fim de destruir a falácia judia de que Cristo era um dos profetas – Elias, Jeremias ou outro. Eis porque Ele apareceu como Rei, acima dos profetas, e Moisés e Elias como servos. Até este momento, nosso Senhor manifestou Seu poder aos discípulos em muitas ocasiões, mas, no Monte Tabor, Ele manifestou Sua natureza divina. A visão de Sua Divindade e o ouvir do celestial testemunho de ser Ele o Filho de Deus deveriam servir aos discípulos nos dias da paixão do Senhor – no fortalecimento de uma fé inabalável n’Ele e na Sua vitória final.

Reflexão
Por que Nosso Senhor, no Tabor, não manifestou Sua divina glória a todos os discípulos, ao invés de apenas três deles? Primeiro, Ele Mesmo concedeu a Lei pela boca de Moisés: Pela boca de duas ou três testemunhas, estebelecer-se-á a questão (Deuteronômio 19:15). Deste modo, três testemunhas são suficientes. Estas três testemunhas representam as três principais virtudes: Pedro – a Fé, pois ele foi o primeiro a confessar sua fé como o Filho de Deus; Tiago – a Esperança, pois com a fé na promessa de Cristo, ele foi o primeiro que renegou sua vida pelo Senhor, sendo o primeiro a ser morto pelos judeus; João – o Amor, pois ele repousou a cabeça sobre o peito do Senhor e permaneceu ao pé da Cruz do Senhor até o fim. Deus não é chamado o Deus de muitos, mas o Deus dos escolhidos. Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e Jacó (Êxodo 3:6). Muitas vezes, Deus valorizou um simples fiel do que uma nação inteira. Assim, em muitas ocasiões, desejou Ele destruir a nação judaica inteira, porém – pelas orações do justo Moisés – Ele poupou a nação, para que esta pudesse existir. Deus atentou mais ao fiel Profeta Elias do que a todo o reino incrédulo de Acab. Em atenção às orações de um único homem, Deus salvou cidades e povos. Por conseguinte, a cidade pecadora de Ustiug seria eliminada pelo fogo e granizo, se não fosse salva pelas orações do único homem justo que nela residia, São Procópio, o Loco-por-Cristo (8 de Julho).

Tropário, t.7
Ó Cristo, nosso Deus, que Te transfiguraste sobre o monte Tabor, mostrando a Teus discípulos a Tua glória, tanto quanto lhes era possível contemplá-la, faz brilhar também sobre nós pecadores a Tua Luz eterna, pelas orações da Mãe de Deus. Glória a Ti, Senhor, que nos fizeste ver a verdadeira Luz!

Kondakion, t. 7
Ó Cristo, nosso Deus, Tu Te transfiguraste sobre o monte, mostrando a Teus discípulos a Tua glória, tanto quanto lhes era possível contemplá-la, a fim de compreenderem, quando Te vissem crucificado, que aceitaste livremente a Tua Paixão e anunciarem ao mundo que Tu és verdadeiramente o esplendor

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os Santos Apóstolos Pedro e Paulo – 29 de junho/ 12 de julho


No tempo após o Pentecostes consideramos algumas festas liturgicamente secundárias. Voltemos agora às três grandes festas deste período. A primeira pela data (29 de junho/12 de julho) é a dos Apóstolos Pedro e Paulo. Existe um estreito laço espiritual entre esta festa e a do Pentecostes, pois o testemunho dos apóstolos é o fruto direto da descida do Espírito Santo sobre eles. A importância da festa de São Pedro e São Paulo no ciclo litúrgico bizantino é indicada pelo fato de uma quaresma especial - chamada de “quaresma dos apóstolos” - prepara os fiéis para esta solenidade. Este período de jejum começa na 2ª feira que se segue ao 1º domingo após o Pentecostes e termina no dia 28 de junho/11 de julho.

“Exaltemos Pedro e Paulo, estes dois luzeiros da Igreja pois eles brilham no firmamento da fé...” Assim cantamos nas vésperas da festa, na noite de 28 de junho. Nas matinas como nas vésperas os hinos parecem partilhar igualmente o louvor entre os dois apóstolos, a quem nos dirigimos um a cada vez. Entretanto o evangelho lido nas matinas trata especialmente sobre o apóstolo Pedro. Aí ouvimos nosso Senhor (Jo. 21,14-25) perguntar três vezes a Pedro: “Tu me amas?”. Na primeira vez Jesus diz: “Tu me amas mais do que estes?” Três vezes Pedro responde com uma humildade às vezes triste e às vezes chorosa: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. E três vezes Jesus lhe diz para apascentar o rebanho do Bom Pastor: “Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas...” Depois Jesus prediz a Pedro de maneira velada “o gênero de morte pelo qual Pedro devia glorificar a Deus”. Este evangelho tem duas coisas para nos dizer. Primeiro, coloca claramente a pergunta única, pergunta que temos e que teremos que responder: “Tu me amas?” Tudo, na vida cristã, se reduz a esta pergunta. Podemos nós responder como Pedro: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo?” Não seriam nossas ações um lamentável desmentido desta afirmação? Entretanto responder simplesmente que não amamos o Senhor seria desconhecer e sufocar as aspirações - por mais fracas que sejam - que o Espírito Santo põe em nossos corações e dirige para Cristo. Digamos, então, a Jesus: “Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo. Não espero nada de mim; espero tudo da Graça”. O segundo ensinamento dado por este evangelho concerne a natureza da autoridade na Igreja. O Senhor confere aqui a Pedro uma autoridade especial. Percebemos primeiro que esta autoridade está fundamentada sobre uma primazia do amor - “tu me amas mais do estes?” - e em seguida que ela consiste em um serviço humilde e desinteressado - “apascenta minhas ovelhas...”. Entre cristãos toda preeminência que não for uma preeminência de amor e de serviço não corresponde às intenções de nosso Senhor. Toda autoridade que, na Igreja, se expressasse em termos de prestígio ou de posse material ou de domínio tornar-se-ia estranha e hostil à solicitude verdadeiramente pastoral à qual Jesus chama Pedro para participar. Sobre estas palavras do Senhor a Pedro serão julgados todos aqueles que reivindicam uma autoridade no seio da comunidade dos fiéis.

A liturgia de 29 de junho/ 12 de julho manifesta, pelos textos que nos faz ouvir, o quanto o ministério de Pedro e o de Paulo são todos dois necessários e complementares. O evangelho (Mt.16,13-19) contém a confissão de Pedro em Cesaréia de Filipos: “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo...” e a resposta de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja, e as Portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Este texto levantou muitas controvérsias. Mas permanece certo que Jesus quis reconhecer e sancionar pela concessão de um poder espiritual eminente, o ato de Fé que Pedro acabava de formular. A epístola (2Co.11,21-12;9) - da qual ouvimos a maior parte no 19º domingo após o Pentecostes - enumera os títulos de Paulo, chamado diretamente ao apostolado por Cristo, foi considerado como igual ou mesmo superior em autoridade aos ministros do Evangelho já regularmente instituídos e reconhecidos: “Eles são ministros de Cristo?...Eu, mais do que eles...” Paulo fundamenta esta afirmação de um lado pelos sofrimentos que enfrentou, de outro pelas graças e revelações que lhe foram concedidas. Um estudo atento das relações dele com os Onze pode ensinar-nos muito sobre a questão da autoridade na Igreja. Paulo nunca levantou-se contra o elemento institucional representado pelo apostolado “histórico” dos Onze. Ele recebeu a imposição de mãos daqueles que já eram reconhecidos como possuindo o Espírito Santo. Ele submeteu à aprovação da Igreja reunida em Jerusalém seus próprios métodos de apostolado. Mas jamais admitiu nem que sua vocação extraordinária fosse inferior à vocação normal dos outros apóstolos, nem que seu conhecimento de Cristo, todo espiritual e recebido pela graça, fosse menor que o conhecimento que tinham de Jesus os seus primeiros discípulos; nem que ele devesse sacrificar suas próprias convicções face ao mais autorizado dos apóstolos: “quando Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe em face, porque ele estava errado”. Quanto mais a Igreja for dominada pelo Espírito Santo, mais ela ultrapassará toda tensão entre autoridade regularmente adquirida e a liberdade espiritual. Uma síntese deve estabelecer-se entre a tradição e a inspiração. Pedro e Paulo não podem ser separados; e é por isso que a Igreja os comemora no mesmo dia. Digamos com ela: “Rejubila, ó Apóstolo Pedro, tu, o grande amigo do Mestre, Cristo nosso Deus. Rejubila bem amado Paulo, pregador da fé e doutor do universo. Por isso, intercedei junto a Cristo nosso Deus pela salvação de nossas almas”.

A Igreja quer associar todos os outros apóstolos à homenagem que ela presta a Pedro e Paulo. Assim, no dia 30 de junho, ela dedica à comemoração coletiva dos Doze. Como diz o Kondakion do dia: “... comemorando hoje a sua memória, nós glorificamos Aquele que os glorificou”.
Tropário dos Apóstolos, t. 4
Príncipes dos divinos Apóstolos e doutores do Universo, intercedeis junto do Mestre Universal para que ao mundo Ele dê a Paz e que conceda às nossas almas a graça da salvação.
Kondákion dos Apóstolos, t. 2
Os infalíveis pregadores da palavra de Deus, os Corifeus dos teus Apóstolos, Senhor, encontraram junto de ti o lugar do seu repouso, no usufruto dos Teus bens, pois Tu acolheste os seus sofrimentos e suas mortes melhor que outra oferenda das primícias da terra, Tu, O único que pode ler o coração dos homens.
Extraído de “L’An de Grace du Seigneur” - Ed. du Cerf, 1988
Boletim Interparoquial, Julho de 2002

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Grande Festa da Ascenção de Nosso Senhor Jesus Cristo - 13 maio/30 abril


Essa festa já se encontrava instituída e era celebrada em Jerusalém no século IV. Tem por objetivo o triunfo do Salvador que, corporalmente, adentra aos céus para, Ele próprio, assentar nossa humanidade sobre o Trono Divino.

É portanto, para nós também, um dia triunfal: por nossa união com o Cristo, na unidade de Seu Corpo místico, fazemos igualmente nossa entrada no céu, pelo menos em direito, esperando que o Senhor venha novamente para julgar o universo e chame seus eleitos, para introduzi-los em Seu Reino.
Tropário, t.4
Tu foste elevado em glória, ó Cristo nosso Deus, enchendo de alegria Teus Discípulos com a promessa do Espírito Santo e confirmando-os pela bênção, pois Tu és o Filho de Deus, o Salvador do mundo.
Kondákion, t.6
Tendo realizado em nosso favor Tua obra de salvação, após haver unido os céus e a terra e os homens a Deus, Tu Te elevaste em glória para o céu, ó Cristo nosso Deus, sem nos abandonar mas permanecendo entre nós, garantindo para aqueles que Te amam: “Eu estou sempre convosco e ninguém poderá nada contra vós”.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Apresentação no Templo da Santa Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 21 nov/04 dez


Nesse dia festejamos a Entrada no Templo da Mãe de Deus. Foi quando Joaquim e Ana, seus pais, a conduziram ao Templo, em cumprimento à promessa que haviam feito antes de Seu nascimento, de consagrarem-na a Deus. Maria contava, então com 3 anos.

Joaquim fez convocar jovens raparigas entre os hebreus de raça pura, a fim de escoltá-la com tochas e precedê-la em direção ao Templo, para que, trazida pela luz, a criança não fosse tentada a voltar atrás em busca de seus pais. Porém, a Santa Virgem, Toda Pura ultrapassa as virgens de sua escolta e, sem um único olhar ao mundo, lança-se aos braços do Sumo-Sacerdote Zacarias, que a esperava sob o pórtico, em companhia dos anciãos. Zacarias a abençoou dizendo: “O Senhor glorificou teu nome de geração em geração. É em ti que, nos últimos dias, Ele revelará a Redenção que preparou para seu povo”. E, coisa inaudita para os homens da Antiga Aliança, ele faz a criança entrar no Santo dos Santos, onde somente entrava o Sumo-Sacerdote uma vez por ano, no dia da Festa da Expiação. Sentou-a no terceiro degrau do Altar e o Senhor fez descer a Sua graça sobre ela, que se levantou e pôs-se a dançar a fim de expressar sua alegria. Todos os presentes maravilharam-se contemplando esse espetáculo promissor das grandes maravilhas que Deus em breve realizaria nela.

Tendo, dessa forma, abandonado o mundo, seus pais e qualquer ligação com as coisas sensíveis, a Santa Virgem permaneceu no Templo até a idade de 12 anos, quando os sacerdotes e anciãos confiaram-na a José, para que fosse o guardião de Sua virgindade, tornando-se seu noivo.

Quando a Mãe de Deus penetrou no Santo dos Santos, o tempo de preparação e de provação da Antiga Aliança teve fim e, nesse dia, celebramos os esponsais de Deus com a natureza humana. Eis porque a Igreja rejubila e exorta a todos a retirarem-se também ao templo de seus corações, a fim de preparar a vinda do Senhor, pelo silêncio e pela oração.

A imagem de Maria ultrapassando as ordens angélicas reencontram-se no hino cantado na Liturgia de São João Crisóstomo e repetido em cada celebração: “Verdadeira é digno e justo que te bendigamos, ò bem aventurada Mãe de Deus! Tu mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins, deste à luz o Verbo de Deus conservando intacta a glória da tua virgindade. Nós te glorificamos, ó Mãe do nosso Deus”.

A Igreja escolheu coloca essa Festa no início do Advento, período onde nós revivemos a espera do Messias pelo Povo Judeu. Maria representa toda Israel, Ela engloba em Sua pessoa, a espera, Ela realiza a Promessa.
Tropário da Apresentação, t.4
Hoje é o prólogo da benevolência de Deus e a proclamação antecipada da salvação dos homens. No Templo de Deus a Virgem é apresentada para anunciar à todos os homens a vinda do Cristo. Em sua honra, nós também, à plena voz cantamos-lhe: Rejubila-te, ó Virgem em quem se realiza o plano do Criador.

Kondákion da Apresentação, t. 4
O Templo puríssimo do Salvador, Sua preciosa câmara nupcial, a sempre Virgem, tesouro sagrado da glória de Deus, é hoje conduzida à casa do Senhor, transportando n’Ela a graça do Espírito Divino e diante dela os Anjos de Deus cantam: “É este o Tabernáculo Celeste!”

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Santas 7 crianças emparedadas (os “Sete Adormecidos”) de Éfeso: Maximiliano, Jâmblico, Martiniano, João, Dinis, Constantino e Antonino (+c.150)

Houve uma grande perseguição de cristãos no tempo do reinado de Décio. O imperador em pessoa viajou a Éfeso, onde realizou uma tumultuosa e barulhenta celebração em honra dos ídolos sem vida – como também, uma matança desumana de cristãos. Sete jovens soldados, todos soldados, absteram-se da impura oferenda de sacrifícios. Eles oraram fervorosamente ao único Deus para que o povo cristão fosse salvo. Eles eram filhos dos anciães mais influentes de Éfeso, e estes eram seus nomes: Maximiliano, Jâmblico, Martiniano, João, Dinís, Constantino e Antonino. Tendo sido acusados diante do imperador, os jovens refugiaram-se numa colina fora de Éfeso, chamada Celion, onde se esconderam numa gruta. Quando o imperador tomou conhecimento disso, ele ordenou que um muro fosse erguido a fim de obstruir definitivamente a entrada da gruta. Todavia, Deus – de acordo com Sua Providência que atinge os confins do universo – realizou um grande milagre: um longo sono caiu sobre os jovens. Os cortesãos imperiais Teodoro e Rufino (eles mesmos eram cristãos em segredo) confeccionaram uma caixa de couro e depositaram-na dentro do muro. Esta caixa continha placas de chumbo sobre as quais estavam registrados os nomes dos sete rapazes e as mortes martíricas do reinado de Décio. Passaram-se mais de duzentos anos. No reinado do Imperador Teodósio, o Grande, surgiu uma calorosa discussão sobre a ressurreição dos mortos, e houve alguns que passaram a duvidá-la. O Imperador Teodósio agoniava-se em grandes aflições em resultado dessa disputa entre os fiéis e orou a Deus para que Ele, de algum modo, revelasse a verdade aos homens. Por conseguinte, alguns pastores de Adolius, que eram proprietários da colina de Ceilon, estavam construindo cercas para suas ovelhas, utilizando pedras da gruta. Eles removiam pedra por pedra. Subitamente, os jovens despertaram de seu sono, tão joviais e sadios como no dia em que adormeceram. Notícias deste milagre espalharam-se em todas as direções, tanto que Teodósio em pessoa chegou acompanhado de um grande séqüito e conversou, para seu deleite, com os jovens. Após uma semana, eles mais uma vez e profundamente repousaram no sono do qual haviam despertado, a fim de aguardarem a Ressurreição Geral. O Imperador Teodósio quis que seus corpos fossem depositados em caixões de ouro, mas eles lhe apareceram em sonhos e disseram-lhe para deixarem os corpos na terra, onde eles haviam jazido.


Hino de Louvor

Quando os últimos raios de sol ruborizavam o oeste
A Deus, oravam os Sete Jovens
Para que na manhã eles pudessem encontrar-se mais uma vez sãos e salvos;
Porém, perante o Imperador foram trazidos para tortura,
E deitaram-se para dormir longa, bem profundamente.
O tempo caminha a largos passos.
Numa manhã, o sol ergueu-se no leste,
E os Sete acordaram de seu profundo sono.
Então, Jâmblico, o mais jovem, correu para Éfeso,
Para ver, ouvir e indagar de tudo:
Décio ainda não os caçava para matá-los?
E foi comprar pão para os Sete.
Mas, vede a maravilha: este não é o mesmo portão!
E como diferente está a cidade!
Por todos os lados, belas igrejas, domos e cruzes!
Jâmblico perguntou a si mesmo: Não serão sonhos?
Nenhuma face familiar, nenhum conhecido em nenhum lugar:
Não há mais perseguidores, não há mais mártires!
“Dizei, irmãos, o nome desta cidade,
E dizei-me o nome do imperador que agora reina,”
Indagou Jâmblico. O povo olhou para ele,
E ele foi alvo de muita especulação!
“Esta cidade é Éfeso, como sempre fora;
O Imperador Teodósio agora reina em Cristo!”
Ouviu isto o procônsul, assim como o bispo dos cabelos grisalhos;
Perplexa ficou toda a cidade, e todos correram para a gruta,
Vendo o milagre, glorificaram a Deus
E os ressuscitados servos do Cristo Ressuscitado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Grande Festa da Procissão da Venerável e Vivificante Cruz - 01/14 de agosto

Essa festa foi instituída por mútuo acordo entre os gregos e os russos na época do Imperador grego Manuel e o do Príncipe russo André, em comemoração pelas vitórias simultâneas dos russos sobre os búlgaros e dos gregos sobre os sarracenos. Em cada uma das batalhas, cruzes – das quais emanavam raios celestiais – foram transportadas pelos exércitos. Deste modo, ficou estabelecido que, em 1º. de agosto, a Cruz seria levada em procissão primeiro ao meio da Igreja da Divina Sabedoria [Haghia Sophia] e, em seguida, pelas ruas da cidade para veneração das pessoas, como comemoração pelo miraculoso auxílio da Cruz nas batalhas. Esta não era uma cruz comum, mas a própria Verdadeira Cruz, que estava sendo guardada na igreja da corte imperial. Em 31 de julho, trouxeram a Venerável Cruz da corte imperial à Igreja de Haghia Sophia e, de lá, foi levada pelas ruas, para consagração da terra e do ar. Finalmente, em 14 de agosto, ela retornou à corte do palácio imperial.

Tropário da Santa Cruz, t. 1
Salva, Senhor, o Teu povo e abençoa a Tua herança. Concede aos Teus fiéis a vitória sobre os seus adversários e, pela Tua Cruz, protege as nossas cidades.

Kondákion da Santa Cruz, t. 4
Tu Te submeteste livremente de ser elevado sobre a Cruz, ao povo novo chamado pelo Teu Nome concede a Tua benevolência, ó Cristo nosso Deus, dê força aos Teus fiéis servidores, proteja-os de toda adversidade: que Tua aliança lhes seja uma arma de paz, um troféu invicto.
Hino de Louvor
Diante da Venerável Cruz de Cristo,
Prostram-se todos veneravelmente:
Pelo poder dela, a Cruz de Cruz,
Somos libertados das adversidades.
A Santa Cruz é mais poderosa que os demônios,
E do que qualquer rei da terra.
A Cruz nos salva das doenças,
E dos assaltos dos bárbaros.
Pelo poder da Cruz, o Príncipe André
Resgatou sua terra subjugada;
O Imperador Manuel, pelo poder da Cruz,
Gloriosamente derrotou os Sarracenos.
Incomensurável poder, mostrou-se a Cruz ser
Mais do que os exércitos dos pagãos,
Mais do que a violência dos agressores,
Mais do que todos os males.

domingo, 12 de julho de 2009

Santos Gloriosos e Omnilouváveis Proto-Corifes dos Apóstolos, Pedro e Paulo (+ 67) - 29jun/12jul


No tempo após o Pentecostes consideramos algumas festas liturgicamente secundárias. Voltemos agora às três grandes festas deste período. A primeira pela data (29 de junho/12 de julho) é a dos Apóstolos Pedro e Paulo. Existe um estreito laço espiritual entre esta festa e a do Pentecostes, pois o testemunho dos apóstolos é o fruto direto da descida do Espírito Santo sobre eles. A importância da festa de São Pedro e São Paulo no ciclo litúrgico bizantino é indicada pelo fato de uma quaresma especial - chamada de “quaresma dos apóstolos” - prepara os fiéis para esta solenidade. Este período de jejum começa na 2ª feira que se segue ao 1º domingo após o Pentecostes e termina no dia 28 de junho/11 de julho.

“Exaltemos Pedro e Paulo, estes dois luzeiros da Igreja pois eles brilham no firmamento da fé...” Assim cantamos nas vésperas da festa, na noite de 28 de junho. Nas matinas como nas vésperas os hinos parecem partilhar igualmente o louvor entre os dois apóstolos, a quem nos dirigimos um a cada vez. Entretanto o evangelho lido nas matinas trata especialmente sobre o apóstolo Pedro. Aí ouvimos nosso Senhor (Jo. 21,14-25) perguntar três vezes a Pedro: “Tu me amas?”. Na primeira vez Jesus diz: “Tu me amas mais do que estes?” Três vezes Pedro responde com uma humildade às vezes triste e às vezes chorosa: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. E três vezes Jesus lhe diz para apascentar o rebanho do Bom Pastor: “Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas...” Depois Jesus prediz a Pedro de maneira velada “o gênero de morte pelo qual Pedro devia glorificar a Deus”. Este evangelho tem duas coisas para nos dizer. Primeiro, coloca claramente a pergunta única, pergunta que temos e que teremos que responder: “Tu me amas?” Tudo, na vida cristã, se reduz a esta pergunta. Podemos nós responder como Pedro: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo?” Não seriam nossas ações um lamentável desmentido desta afirmação? Entretanto responder simplesmente que não amamos o Senhor seria desconhecer e sufocar as aspirações - por mais fracas que sejam - que o Espírito Santo põe em nossos corações e dirige para Cristo. Digamos, então, a Jesus: “Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo. Não espero nada de mim; espero tudo da Graça”. O segundo ensinamento dado por este evangelho concerne a natureza da autoridade na Igreja. O Senhor confere aqui a Pedro uma autoridade especial. Percebemos primeiro que esta autoridade está fundamentada sobre uma primazia do amor - “tu me amas mais do estes?” - e em seguida que ela consiste em um serviço humilde e desinteressado - “apascenta minhas ovelhas...”. Entre cristãos toda preeminência que não for uma preeminência de amor e de serviço não corresponde às intenções de nosso Senhor. Toda autoridade que, na Igreja, se expressasse em termos de prestígio ou de posse material ou de domínio tornar-se-ia estranha e hostil à solicitude verdadeiramente pastoral à qual Jesus chama Pedro para participar. Sobre estas palavras do Senhor a Pedro serão julgados todos aqueles que reivindicam uma autoridade no seio da comunidade dos fiéis.

A liturgia de 29 de junho/ 12 de julho manifesta, pelos textos que nos faz ouvir, o quanto o ministério de Pedro e o de Paulo são todos dois necessários e complementares. O evangelho (Mt.16,13-19) contém a confissão de Pedro em Cesaréia de Filipos: “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo...” e a resposta de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja, e as Portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Este texto levantou muitas controvérsias. Mas permanece certo que Jesus quis reconhecer e sancionar pela concessão de um poder espiritual eminente, o ato de Fé que Pedro acabava de formular. A epístola (2Co.11,21-12;9) - da qual ouvimos a maior parte no 19º domingo após o Pentecostes - enumera os títulos de Paulo, chamado diretamente ao apostolado por Cristo, foi considerado como igual ou mesmo superior em autoridade aos ministros do Evangelho já regularmente instituídos e reconhecidos: “Eles são ministros de Cristo?...Eu, mais do que eles...” Paulo fundamenta esta afirmação de um lado pelos sofrimentos que enfrentou, de outro pelas graças e revelações que lhe foram concedidas. Um estudo atento das relações dele com os Onze pode ensinar-nos muito sobre a questão da autoridade na Igreja. Paulo nunca levantou-se contra o elemento institucional representado pelo apostolado “histórico” dos Onze. Ele recebeu a imposição de mãos daqueles que já eram reconhecidos como possuindo o Espírito Santo. Ele submeteu à aprovação da Igreja reunida em Jerusalém seus próprios métodos de apostolado. Mas jamais admitiu nem que sua vocação extraordinária fosse inferior à vocação normal dos outros apóstolos, nem que seu conhecimento de Cristo, todo espiritual e recebido pela graça, fosse menor que o conhecimento que tinham de Jesus os seus primeiros discípulos; nem que ele devesse sacrificar suas próprias convicções face ao mais autorizado dos apóstolos: “quando Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe em face, porque ele estava errado”. Quanto mais a Igreja for dominada pelo Espírito Santo, mais ela ultrapassará toda tensão entre autoridade regularmente adquirida e a liberdade espiritual. Uma síntese deve estabelecer-se entre a tradição e a inspiração. Pedro e Paulo não podem ser separados; e é por isso que a Igreja os comemora no mesmo dia. Digamos com ela: “Rejubila, ó Apóstolo Pedro, tu, o grande amigo do Mestre, Cristo nosso Deus. Rejubila bem amado Paulo, pregador da fé e doutor do universo. Por isso, intercedei junto a Cristo nosso Deus pela salvação de nossas almas”.

A Igreja quer associar todos os outros apóstolos à homenagem que ela presta a Pedro e Paulo. Assim, no dia 30 de junho, ela dedica à comemoração coletiva dos Doze. Como diz o Kondakion do dia: “... comemorando hoje a sua memória, nós glorificamos Aquele que os glorificou”.

Boletim Interparoquial, julho 2002
Extraído de “L’An de Grace du Seigneur” - Ed. du Cerf, 1988

terça-feira, 7 de julho de 2009

Grande Festa do Nascimento de São João, Profeta, Precursor e Batista de Nosso Senhor Jesus Cristo – 24 jun/07 jul

No dia 24 junho/07 julho comemora-se a natividade de São João Batista, Profeta e Precursor.

Seis meses antes da aparição à Santíssima Virgem Maria em Nazaré, Gabriel, Arcanjo do Senhor, apareceu para Zacarias o Sumo Sacerdote no templo de Jerusalém. Antes de revelar a miraculosa concepção por uma virgem que não havia conhecido homem, o Arcanjo revelou a maravilhosa concepção por uma mulher velha e estéril. Zacarias foi incapaz de acreditar de imediato nas palavras do arauto de Deus, e por isso sua língua foi posta em mudez e assim permaneceu até oito dias após o nascimento de João. Nesse dia reuniram-se os parentes de Zacarias e Isabel para a circuncisão da criança e escolha de seu nome. Quando perguntaram ao pai como ele queria que o filho chamasse, ele, estando ainda mudo escreveu numa lousa: “João”. Nesse instante sua língua foi liberada e ele voltou a falar. A casa de Zacarias era nas colinas entre Belém e Hebron. A notícia da aparição do Arcanjo a Zacarias, de sua mudez e da liberação de sua língua no exato momento que ele escreveu “João”, foi espalhada por todo Israel, chegando aos ouvidos de Herodes. Assim, quando ele enviou homens, para matar todas as crianças em torno de Belém, ele também enviou homens para a casa da família de Zacarias nas montanhas, para matar João mas Isabel escondeu o menino a tempo. O Rei enraiveceu-se com esse fato, e enviou um executor ao templo para matar Zacarias (pois era o turno de Zacarias servir ao templo novamente). Zacarias foi morto entre o pátio e o templo, e seu sangue coagulou e solidificou-se nas lajes da pavimentação lá permanecendo como um testemunho permanente contra Herodes. Isabel escondeu-se com a criança numa caverna, onde morreu logo depois. O jovem João permaneceu no deserto sozinho, cuidado por Deus e Seus Anjos.

Boletim Interparoquial, julho de 2002

domingo, 7 de junho de 2009

PENTECOSTES - Grande Festa da Santíssima Trindade - Festa da Descida do Espírito Santo - Festa do vivificante corpo místico de Cristo: A IGREJA


Esta era, para os judeus, que a chamavam “festa das semanas”, a festa das primícias da colheita: “festa das semanas” pois ela caía sempre 7 semanas mais um dia, após a Páscoa, de onde seu nome grego de “Pentecostes” ou do 50º dia. Comemorava-se esse 50º dia, festa agrícola por excelência, através da oferenda de sacrifícios especiais; as oferendas eram recomendáveis.

Ele revestia-se, assim, de um caráter familiar: todas as pessoas da casa, incluindo os escravos, deveriam tomar parte no festim. Ao agradecer a Deus pela colheita, Israel não deveria esquecer que ele próprio havia sido pobre e escravizado no Egito. O Pentecostes enquadra-se, portanto, no ciclo das festividades pascais, o qual fecha solenemente.

Jesus, tendo tornado-Se Primícia da humanidade, envia Seus discípulos a juntar o resto da colheita, e Pentecostes não é senão a inauguração desse trabalho espiritual que ocupará, a partir de agora, toda a duração do tempo: a colheita dos séculos!

Senhor, Tua colheita recomeça sempre em nossas almas ou em qualquer novo país. Como ceifador judeu de antigamente, nós Te proclamamos Mestre da terra, ao Te oferecer esses presentes repletos de amor.

Celebrada 50 dias após a Páscoa, Pentecostes era também uma festa “jubilar”, a exemplo do ano jubilar celebrado a cada 50 anos: ela é também a festa da libertação da escravatura, fruto da intervenção redentora de Deus. O ano jubilar comportava 3 obrigações: repouso da terra, retorno do solo aos primeiros proprietários e libertação dos escravos. Josefo acrescenta (antiguidades 3,12,3) até mesmo a extinção das dívidas. Jesus apresentou-Se como o Libertador (Lc. 4,21). No dia de Pentecostes, os discípulos, por sua vez, iniciam seu papel de arautos da liberdade, da salvação total das almas e do grande perdão. Pelo Espírito Santo, nós retornamos à graça e amizade de Deus, à liberdade dos filhos de Deus, à herança e à posse do Reino. Festa da liberdade e da redenção, Pentecostes nos convida a um reconhecimento e à alegria.

Na tradição judaica posterior a Nosso Senhor, atribuía-se essa data de Pentecostes à promulgação da Lei dita por Moisés sobre o Sinai (historicamente o acontecimento coloca-se no 3º mês após a saída do Egito e, portanto, no mínimo 60 dias após a Páscoa). Para nós, Pentecostes é a proclamação da nova humanidade, o Evangelho que sucede a Lei. Como diz Santo Isidoro, é a festa do Evangelho. Da mesma forma que no Sinai, há também aqui o som do trovão, o fogo proveniente do céu e a força do Espírito Santo. E no entanto, grande é a diferença: a Lei era somente para o povo judeu; o Evangelho é para todas as nações, ou melhor, para todos os homens, sem distinção de nação, de raça, de cultura ou de religião. A Lei era inscrita em uma pedra, o Evangelho é impresso em nossos corações.

Nosso reconhecimento – para nós cristãos – deve ser superior ao dos judeus, de que a nova lei é a mais magnânima. Deus, nela, nos chama a uma intimidade mais estreita, mais definitiva, mas gratuita.

Na liturgia, esse dia tomou as características de uma festa da Trindade, sendo a descida do Espírito Santo festejada sobretudo no próprio dia da festa. Às Vésperas (dia anterior) recita-se, e de joelhos, uma série de longas orações (rito da genuflexão), de caráter penitencial bastante acentuado.

Duas idéias principais se desprendem do ofício do dia. A primeira é a descida da Santidade Divina, para unir todos os povos na confissão da Trindade. O Espírito Santo possui uma obra a realizar na Igreja e os fiéis devem abandonar-se à sua ação. Ao comunicar-se, Ele santifica as almas; elas vivem a partir de então, a vida do Cristo em união à Santíssima Trindade.

A segunda idéia é que apenas os apóstolos receberam o Espírito Santo, para transmiti-lo aos fiéis. Portanto, aquele que, deliberadamente, procurar o Dom do Espírito Santo fora da Igreja não conseguirá chegar à participação da vida divina. A festa de Pentecostes encerra a cinqüentena pascal. Ela é seguida de um período pós-festa, durante o qual nos é permitido comer de todos os alimentos, mesmo à quarta e à sexta-feira. Ela termina no sábado seguinte.

terça-feira, 7 de abril de 2009

"Sermão sobre a Anunciação da Santíssima Mãe de Deus"

Nossa presente assembléia em honra da Santíssima Virgem me inspira, irmãos, a falar Dela uma palavra de louvor, também em favor daqueles que vieram para esta solenidade da igreja. Esta palavra inclui um louvor às mulheres, uma glorificação ao seu gênero, cuja glória é trazida por Ela, Ela que é ao mesmo tempo Mãe e Virgem. Ó desejada e maravilhosa assembléia! Celebre, ó natureza, na qual é rendida honra à Mulher; rejubila, ó raça humana, na qual a Virgem é glorificada. “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rom.5;20). A Santa Mãe de Deus e Virgem Maria nos reuniu aqui, Ela o puro tesouro da virgindade, o paraíso planejado para o Segundo Adão – o lugar exato, em que foi cumprida a co-união das naturezas, em que foi confirmado o Conselho da salvífica reconciliação.

Quem alguma vez viu, quem alguma vez ouviu, que dentro de um ventre o Ilimitado Deus poderia habitar, Aquele que os Céus não podem conter, Aquele que o ventre de uma Virgem não pode limitar?

Aquele que nasceu da mulher não é somente Deus e Ele não é somente Homem. Este que nasceu fez da mulher, sendo a antiga porta do pecado, a porta da salvação; onde o Mal, pela desobediência, despejou seu veneno, lá o Verbo fez para Ele próprio,pela obediência, um templo vivificante, de onde o arqui-pecador Caim saltou para fora, lá sem semente nasceu Cristo o Redentor da raça humana. O Amante da Humanidade não desdenhou nascer da mulher, uma vez que isto concedeu a Sua vida. Ele não estava sujeito à impureza, sendo assentado dentro do ventre, que Ele mesmo adornou livre de toda iniqüidade. Se por acaso esta Mãe não permanecesse Virgem, então aquele que nascesse Dela poderia ser um mero homem, e o nascimento não seria nenhum sábio milagre; mas uma vez que Ela depois do nascimento permaneceu uma Virgem, então como é que Aquele que nasceu de fato – não é Deus? É um mistério inexplicável, uma vez que de uma maneira inexplicável nasceu Ele Que sem nenhum impedimento passa através das portas quando elas estão fechadas. Tomé, confessando Nele a co-união de duas naturezas, gritou: “Meu Senhor, e meu Deus” (Jo.20:28).

O Apóstolo Paulo diz, que Cristo é “escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (I Cor. 1:23): eles não perceberam o poder do mistério, uma vez que Ele era incompreensível para a mente: “porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da Glória” (I Cor.2:8). Se o verbo não fosse colocado dentro do ventre, então a carne não teria ascendido com Ele ao Trono Divino; se Deus tivesse desdenhado entrar no ventre, que Ele criou, então os Anjos também poderiam ter desdenhado servir à humanidade.

Aquele, que por Sua natureza não estava sujeito aos sofrimentos, através de Seu amor por nós sujeitou-Se a muitos sofrimentos. Nós cremos, não que Cristo através de alguma gradual elevação em direção à natureza Divina foi feito Deus, mas que sendo Deus, através da Sua misericórdia Ele foi feito Homem. Nós não dizemos: “um homem feito Deus”; mas nós confessamos, que Deus encarnou e se fez Homem. Sua Serva foi escolhida para Ele mesmo como Mãe por Aquele que, em Sua essência não tinha mãe, e Aquele que, através da Divina providência apareceu sobre a terra na imagem de homem, não tem pai aqui. Como alguém, Ele mesmo pode ser ambos sem pai e sem mãe, de acordo com as palavras do Apóstolo: “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida...” (Heb. 7:3)? Se Ele – fosse somente um homem, então Ele não poderia ser sem mãe – mas verdadeiramente Ele teve uma Mãe. Se Ele – fosse somente Deus, então Ele não poderia ser sem Pai – mas de fato Ele tem um Pai. E ainda como Deus o Criador Ele não tem mãe, e como Homem Ele não tem pai.

Nós podemos ser convencidos disto pelo verdadeiro nome do Arcanjo, fazendo anunciação a Maria: seu nome é Gabriel. O que este nome significa? Ele significa: “Deus e homem”. Uma vez que Aquele sobre Quem ele anunciava era Deus e Homem, então seu verdadeiro nome aponta antecipadamente para este milagre, então com fé aceitamos o fato da Divina revelação.

Seria impossível para um mero homem salvar as pessoas, uma vez que todo homem necessita do Salvador: “Porque todos pecaram – diz São Paulo - e destituídos estão da glória de Deus” (Rom. 3:23). Desde que o pecado sujeita o pecador ao poder do demônio, e o demônio o sujeita à morte, então nossa condição torna-se extremamente infeliz: não existe nenhum caminho que nos livre da morte. Foram mandados médicos, isto é, os profetas, mas eles somente podiam apontar mais claramente a enfermidade. O que eles fizeram? Quando eles viram, que a doença estava fora do alcance da habilidade humana, eles chamaram do Céu o Médico; um deles disse “Abaixa, ó Senhor, os teus céus, e desce” (Salmos 143[144]:5); outros gritaram: “Cura-me, Ó Senhor, e eu serei curado” (Jer. 17:14); “faze resplandecer o Teu rosto, e seremos salvos” (Sl. 79[80]:3). E ainda outros: "Mas, na verdade, habitaria Deus na terra?” (I Reis 8:27); “apressa-te e antecipem-se-nos as tuas misericórdias, pois estamos muito abatidos” (Sl.78[79]:8). Outros disseram: “Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto” (Miq.7:2). “Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, apressa-te em ajudar-me” (Sl.69[70]:1). “Se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará” (Hab.2:3). “Desgarrei-me como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos” (Sl.118[119]:176). “Virá o nosso Deus, e não se calará” (Sl.49[50]:3). Aquele que, por natureza é Senhor, não desdenhou a natureza humana, escravizada pelo sinistro poder do demônio, o misericordioso Deus não consentiu que ela estivesse para sempre sob o poder do demônio, o Eterno veio e deu em resgate o Seu Sangue; para a redenção da raça humana da morte Ele deu Seu Corpo, que Ele aceitou da Virgem, Ele livrou o mundo da maldição da lei, aniquilando a morte pela Sua morte. “Cristo nos resgatou da maldição da lei” – exclama São Paulo (Gal. 3:13).

Portanto sabemos, que nosso Redentor não é simplesmente um mero homem, uma vez que toda a raça humana estava escravizada pelo pecado. Mas Ele da mesma forma não é somente Deus, não participante da natureza humana. Ele tinha um corpo, porque se Ele não tivesse Se revestido em mim, então Ele, da mesma maneira, não poderia ter me salvado. Mas, tendo habitado o ventre da Virgem, Ele Se vestiu em meu destino, e dentro deste ventre Ele concluiu uma mudança miraculosa: Ele concedeu o Espírito e recebeu um corpo, o Único Que verdadeiramente (habitou) com a Virgem e (nasceu) da Virgem. E então, Quem é Ele, que Se manifesta a nós? O Profeta Davi mostra isto para ti nestas palavras: “Bendito aquele que vem em Nome do Senhor” (Sl. 117[118]:26). Mas diga-nos mais claramente, Ó profeta, Quem é Ele? O Senhor é o Deus das Multidões, diz o profeta: “O Senhor é Deus, e ele Se nos manifestou” (Sl.117[118]:27). “O Verbo Se fez carne” (Jo.1;14): foram unidas as duas naturezas, e a união permaneceu sem se misturar.

Ele veio para salvar, mas teve também que sofrer. O que um tem em comum com o outro? Um mero homem não pode salvar; e Deus em Sua natureza não pode sofrer. Por que meios foi feito um e outro? Como que Ele, Emanuel, sendo Deus, foi feito também Homem; Ele salvou através do que Ele era – e isto, Ele sofreu pelo que Ele foi feito. Razão pela qual quando a Igreja observou que a multidão dos Judeus O coroou com espinhos, lamentando a violência dos espinhos, ela disse: “Filhas de Sião, saiam e vejam a coroa, de quê é coroado Ele, Filho da Sua Mãe” (Cant. 3:11). Ele usou a coroa de espinhos e destruiu o julgamento sofrendo pelos espinhos. Ele, somente Ele, é Aquele que é ambos no seio do Pai e no ventre da Virgem; Ele, somente Ele, é Aquele – nos braços da Sua Mãe e nas asas dos ventos (Sl.103[104]:3); Ele, a Quem os Anjos inclinam-se em adoração, ao mesmo tempo reclina-se na mesa dos publicanos. Ele, sobre Quem os Serafins não ousam fitar, sobre Ele, ao mesmo tempo, Pilatos pronunciou a sentença. Ele é Aquele e o Mesmo, a Quem o servo golpeou e perante O Qual toda a criação treme. Ele foi pregado na Cruz e subiu ao Trono de Glória – Ele foi colocado no sepulcro e Ele estendeu os céus como uma tenda (Sl.103[104]:2) – Ele foi contado no meio dos mortos e Ele esvaziou o inferno; aqui sobre a terra, eles blasfemaram contra Ele como um transgressor – lá no Céu, eles exclamaram a Ele glória como o Todo-Santo. Que mistério incompreensível! Eu vejo os milagres, e eu confesso, que Ele é Deus; eu vejo os sofrimentos, e eu não posso negar, que Ele é Homem. Emanuel abriu as portas da natureza, como homem, e preservou intacto o selo da virgindade, como Deus: Ele emergiu do ventre da mesma maneira com que Ele entrou através da Anunciação; da mesma forma maravilhosa Ele foi ambos, nascido e concebido: sem paixão Ele entrou, e sem dano Ele emergiu; como se referindo a isto o Profeta Ezequiel diz: ”Então me fez voltar para o caminho da porta do santuário exterior, que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor: Esta porta estará fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor Deus de Israel entrou por ela: por isso estará fechada” (Ez.44:1-2). Aqui ele claramente indica a Santa Vigem e Mãe de Deus, Maria. Cessemos toda contenda, e deixemos que as Sagradas Escrituras iluminem nossa razão, assim nós também receberemos o Reino dos Céus por toda a eternidade. Amém!

São Proklos, Patriarca de Constantinopla
Traduzido pelo Sr. Dom Ambrósio, Bispo Ortodoxo do Recife
Boletim Interparoquial de abril de 2004

domingo, 8 de março de 2009

O Primeiro Domingo da Quaresma - Domingo da Ortodoxia


A palavra “Ortodoxia” foi tomada originalmente, com relação a esse domingo, em um sentido bastante restrito. Ela designava, quando essa festa foi instituída, em 842, a derrota do iconoclasmo e a proclamação da legitimidade do culto dos ícones. Mais tarde, o significado da palavra estendeu-se. Passou-se a entender por “Ortodoxia” o conjunto dos dogmas professados pelas igrejas em comunhão com Constantinopla. Um documento oficial, o SYNODIKON, que anatematizava nomeadamente todos os hierarcas, era lido, nesse domingo, nas igrejas. Parece que, no início da quaresma, a cristandade bizantina havia considerado como um dever e uma necessidade o confessar a sua crença.

Em nossos dias manifestamos, talvez, uma preocupação maior, o que antes não era o caso, de expressarmo-nos com mais cuidado acerca daqueles que erram e de separarmos, em seu pensamento, aquilo que é a parte da verdade e o que é erro. Porém, era bom e necessário que a Igreja “Ortodoxa” afirmasse sem ambigüidade sua própria atitude. As preocupações “ecumênicas” que ela partilha hoje em dia com as outras igrejas não poderiam significar um abandono ou uma diminuição de suas crenças fundamentais. Além é necessário eliminar do campo da Ortodoxia as ervas parasitas e não profanar o adjetivo “Ortodoxo” aplicando-o àquilo que poderia ser superstição.

Os textos lidos ou cantados às Vésperas e às Matinas desse domingo insistem sobre a realidade da Encarnação. Com efeito, a vinda de Cristo na carne constitui o fundamento do culto das imagens. O Cristo encarnado é a imagem essencial, o protótipo de todas as imagens. Algumas frases do Triódio exprimem bem o sentido profundo do culto concedido aos ícones.

"Em verdade, a Igreja de Cristo foi revestida do mais belo ornamento com os Santos Ícones de Cristo, nosso Salvador, da Theotokos e de todos os santos glorificados... Ao guardar o ícone de Cristo que nós louvamos e veneramos, não nos arriscamos a perdermo-nos. Pois nossa inclinação diante do Filho encarnado, e não a adoração de Seu ícone, é uma glória para nós”.

Os santos glorificados foram imagens vivas, ainda que imperfeitas, de Deus. Foram reproduções enfraquecidas da verdadeira imagem divina, que é o Cristo. Durante a Liturgia desse domingo, na leitura da Epístola aos Hebreus (Hb. 11, 24-26; 32-40), nós escutamos o inspirado escritor descrever os sofrimentos de Moisés e de David, dos Patriarcas e dos Mártires de Israel, daqueles dos quais o mundo não era digno, que foram flagelados, serrados, decapitados e cuja fé, entretanto, venceu o mundo. Estes foram as imagens inscritas, não sobre a madeira, mas sob a própria carne. Eram já uma prefiguração, já anunciavam o ícone definitivo, a Pessoa do Salvador.

Evangelho do dia não tem relação direta com as imagens ou com a Ortodoxia. Na leitura evangélica (Jo. 1, 43-52), vemos o apóstolo Filipe trazer à Jesus, Natanael que também irá tornar-se um discípulo, Jesus diz a Natanael: “Antes que Filipe te chamasse, te vi eu estando tu debaixo da figueira”, Natanael, assombrado por esta revelação, declara: “Rabi, tu és o Filho de Deus!”. Jesus responde que Natanael veria ainda mais que essa visão: “daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus descerem e subirem sobre o Filho do homem”.

Essas palavras oferecem um enorme campo à nossa meditação. Nós não sabemos o que fazia ou pensava Natanael sob a figueira. Hora de tentação, ou de perplexidade, ou da graça? Ou simplesmente de repouso? Porém parece que o Senhor não mencionaria esse episódio se o mesmo não houvesse sido um momento decisivo, um ponto crucial na vida de Natanael. Na vida de cada um de nós houve um momento ou momentos onde estivemos “sob a figueira”, momentos críticos, onde Jesus, Ele próprio invisível, nos viu e interveio. Intervenção que foi aceita ou rejeitada? Recordemos esses momentos... Adoremos essas intervenções divinas. Mas não nos detenhamos nelas. Não nos fixemos sobre uma visão passada. “Tu verás ainda melhor”. Estejamos pronto para a graça nova, para a nova visão. Pois a vida do discípulo, se ela é autêntica, vai de revelação em revelação. Nós podemos ver “os céus abertos e os anjos de deus subirem” em direção ao Salvador ou descerem sobre nós. Indicação preciosa desta familiaridade com os anjos que deveria nos ser habitual. O mundo angélico não nos é mais distante nem menos desejável que o mundo dos homens.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

"O Santo Encontro de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo (Apresentação do Cristo no Templo - Hypapante)"

A Festa da Apresentação nasceu em Jerusalém. Conhecemos a celebração que se fazia nessa cidade no século IV, pela descrição do peregrino de Etérea. De Jerusalém a festa se expandiu para toda a Igreja. No ocidente, conservou-se até hoje a procissão solene e a bênção das velas que já se fazia em Jerusalém no século IV.

Esta festa que encerra o ciclo da Natividade, nos lembra que, no 40º dia após o nascimento de seu Filho “primogênito”, Maria leva-O ao templo, segundo a Lei de Moisés, para ali ser oferecido ao Senhor pelo sacrifício de duas rolas ou duas pombinhas (Lc. 2,22-37).

“Hoje, Aquele que havia dado a Lei a Moisés, sujeita-Se aos preceitos da Lei, fazendo-Se – por nós – semelhante a nós, em Seu amor pelos homens...” (Vésperas).

O Verbo divino Se abaixa dessa forma, pois Ele é verdadeiramente homem e Se submete à lei: “Tu que reproduzes fielmente a obra d´Aquele que Te engendra antes dos séculos, revestiste por compaixão da fraqueza dos mortais” (Ode VI).

Porém, esse ato de submissão à Lei é também o primeiro encontro oficial de Jesus com Seu Povo, na pessoa de Simeão. Por isso a Festa se chama Encontro (Hypapante). “ Aquele a quem os Espíritos suplicam com temor, é recebido aqui na terra nos braços corporais de Simeão, que proclama a união da divindade com os homens” (Grandes Vésperas). Encontro mas também manifestação. “Hoje a Santa Mãe de Deus, maior em dignidade que o Santuário, aí penetra para manifestar ao mundo Aquele que fez a Lei e também a cumpriu” (Grande Vésperas). A Virgem hoje acompanha a Criança em Sua primeira oferenda ao Pai, porém Ela também O acompanhará até a realização de Seu Sacrifício pela humanidade: “E Tu, imaculada, anunciou Simeão à Mãe de Deus, uma espada trespassará também a Tua própria alma, quando na Cruz vires Teu Filho” (Ode VII).

Os himnógrafos não criaram expressões belas o suficiente para louvar o papel da Virgem que se associa, dessa forma, à obra de Seu Filho. “Ornamenta tua câmara nupcial, Sião e recebe o Cristo Rei, abraçai, Maria, a Porta do Céu, pois Ela aparece semelhante ao trono dos Querubins. Ela traz o Rei da Glória. A Virgem é nuvem de luz trazendo em Sua carne Seu Filho nascido antes da estrela da manhã...” (Grandes Vésperas)

Ela é, certamente, a Porta do Céu, uma vez que faz entrar entre nós Aquele de quem não poderíamos nos aproximar e que nos liberta. É isso o que a Igreja exprime pela boca de Simeão:

“Agora, Senhor, deixa o Teu servidor, segundo a Tua palavra, partir em paz, porque os meus olhos viram a Salvação que vem de Ti. Luz que brilhará sobre todas as nações e glória de Teu povo Israel” (Ode VII)

E o ancião se faz profeta da alegria que virá: “Eu vou me juntar a Adão, preso nos infernos, e anunciar a Eva a boa nova” (Ode VII)

Hoje, juntamente com toda a Igreja, “vamos nós também, ao som dos cantos e hinos, ao encontro de Cristo, e acolhamos Aquele em quem Simeão viu a Salvação” (Grandes Vésperas).

Tropário, t.1
Salve, ó cheia de graça, Virgem Mãe de Deus, pois de Ti Se levantou o Sol de Justiça, o Cristo nosso Deus, iluminando aqueles que estavam nas trevas. Rejubila também, justo Simeão, que recebeste nos teus braços Aquele que liberta as nossas almas e nos dá a Ressurreição.

Kondákion, t. 1
Tu que santificaste, pelo Teu Nascimento, o seio virginal e abençoaste, na Tua Apresentação, as mãos de Simeão, salvaste-nos agora ao vir a nosso encontro, ó Cristo nosso Deus. Conceda a Paz à Tua Igreja confirma nossos pastores no Teu amor, Tu único Amigo do homem.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

NATAL DE NOSSO SENHOR, DEUS E SALVADOR JESUS CRISTO - 25 dez/07 jan

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho (Gálatas 4:4) para salvar a raça humana. E quando decorreram nove meses da Anunciação, na qual o Arcanjo Gabriel aparecera à Santíssima Virgem em Nazaré, dizendo: Salve, agraciada; (...) eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um Filho (Lucas 1:28-31), naquele tempo baixou-se um decreto de César Augusto ordenando que todo o povo do Império Romano fosse recenseado. De acordo com esse decreto, cada um deveria se dirigir à sua própria cidade e se registrar. É por isso que o justo José veio com a Santíssima Virgem a Belém, a cidade de Davi, pois eram ambos da linhagem real de Davi. Uma vez que muitos desceram a essa pequena cidade para o censo, José e Maria não conseguiram encontrar alojamento em casa alguma e procurarem abrigo numa gruta que os pastores usavam como redil. Nessa gruta, na noite de sábado para domingo, em 25 de dezembro, a Santíssima Virgem deu à luz o Salvador do mundo, o Senhor Jesus Cristo. Tendo dado-O à luz sem dor, tal como fora Ele concebido sem pecado pelo Espírito Santo e não por homem, ela mesma O envolveu em panos, adorou-O como Deus e deitou-O numa manjedoura. Então o justo José aproximou-se e adorou-O como o Fruto Divino do ventre da Virgem. Em seguida os pastores vieram dos campos, por ordem de um anjo de Deus, e O adoraram como Messias e Salvador. Os pastores ouviram uma multidão de anjos de Deus cantando: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens (Lucas 2:14). Naquela ocasião, três sábios chegaram do Oriente, conduzidos por uma estrela prodigiosa, trazendo presentes: ouro, incenso e mirra. Adoraram-No como Rei dos Reis e ofereceram-Lhe seus presentes (Mateus 2). Assim entrou no mundo Aquele cuja vinda fora predita pelos profetas e que nasceu exatamente como havia sido profetizado: de uma Virgem Santíssima, na cidade de Belém, da linhagem de Davi segundo a carne, no tempo em que não haveria em Jerusalém um rei da linhagem de Judá mas antes quando Herodes, um estrangeiro, reinasse. Após muitos tipos e prefigurações, mensageiros e arautos, profetas e justos, sábios e reis, enfim apareceu Ele, o Senhor do mundo e o Rei dos Reis, para realizar a obra da salvação da humanidade, que não poderia ser realizada por Seus servos. A Ele seja a glória e o louvor eternos! Amém.

Hino de Louvor
Por amor ardente, Tu vieste dos céus;
Da beleza eterna, desceste à dor monstruosa;
Da luz eterna, desceste às espessas trevas do mal.
Estendeste Tua mão santa aos sufocados no pecado.
O Céu deslumbrou-se, a terra tremeu.
Bem-vindo, ó Cristo! Ó nações, rejubilai!
Por amor ardente, pelo qual criaste o mundo,
Como escravo rebaixaste-Te para alforriar os escravizados,
Para restaurar a casa que Adão destruíra,
Para iluminar os obscurecidos, libertar os pecadores.
Amor que não conhece temor nem humilhação –
Bem-vindo, ó Cristo! Mestre da Salvação!
Por amor ardente, ó Rei de toda beleza,
Deixaste o resplendor dos belos querubins,
Desceste à gruta da vida humana,
Aos homens desesperados, com uma tocha e paz.
Como conter-Te? – a terra se apavora.
Bem-vindo, ó Cristo! O Céu Te resiste!
A belíssima Virgem esperou em Ti por longo tempo.
A terra a eleva a Ti, para que por meio dela desças
Do trono elevado, da cidade celestial,
Para trazer a saúde e livrar o homem do pecado.
Ó Santa Virgem, Turíbulo de Ouro –
A Ti sejam a glória e o louvor, ó Mãe cheia de graça!

Reflexão
O Senhor Jesus, nascido em Belém, foi adorado primeiro por pastores e sábios (astrólogos) do Oriente – os mais simples e os mais sábios deste mundo. Ainda hoje, aqueles que mais sinceramente adoram o Senhor Jesus como Deus e Salvador são os mais simples e os mais sábios deste mundo. A simplicidade pervertida e a sabedoria aprendida pela metade foram sempre os inimigos da divindade do Cristo e de Seu Evangelho. Mas quem eram esses sábios do Oriente? Essa questão foi estudada em especial por São Demétrio de Rostov. Ele sustenta que eram reis de certas regiões menores ou cidades individuais na Pérsia, na Arábia e no Egito. Eram, ao mesmo tempo, versados no conhecimento da astronomia. Essa estrela prodigiosa apareceu a eles, anunciando o nascimento do Novo Rei. Segundo São Demétrio, essa estrela lhes apareceu nove meses antes do nascimento do Senhor Jesus, isto é, no instante de Sua concepção pela Santíssima Deípara. Consumiram nove meses no estudo dessa estrela, na preparação para a jornada e na viagem. Chegaram a Belém pouco depois do nascimento do Salvador do mundo. Um deles se chamava Melquior. Era velho, com barbas e cabelos brancos e compridos. Ofereceu ao Senhor o presente de ouro. O segundo chamava-se Gaspar; tinha o rosto rosado, era jovem e imberbe. Ofereceu ao Senhor o presente de incenso. O terceiro chamava-se Baltazar, era de tez escura e tinha uma barba muito densa. Ofereceu ao Senhor o presente de mirra. Depois de suas mortes, seus corpos foram levados a Constantinopla, de Constantinopla a Milão e de Milão a Colônia. Pode-se acrescentar que esses três sábios eram representantes das três principais raças de homens, que descendem dos três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé. O persa representou os jafitas, o árabe representou os semitas e o egípcio representou os camitas. Assim pode-se dizer que, por meio desses três, toda a raça humana adorou o Senhor e Deus Encarnado.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Grande Dódeca Festa da Apresentação no Templo de Jerusalém da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 21 nov/04 dez

Nesse dia festejamos a Entrada no Templo da Mãe de Deus. Foi quando Joaquim e Ana, seus pais, a conduziram ao Templo, em cumprimento à promessa que haviam feito antes de Seu nascimento, de consagrarem-Na a Deus. Maria contava, então
com 3 anos.


Joaquim fez convocar jovens raparigas dos hebreus de raça pura, a fim de escoltá-la com tochas e precedê-la em direção ao Templo, para que, trazida pela luz, a criança não fosse tentada a voltar atrás em busca de seus pais. Porém, a Santa Virgem, Toda Pura é elevada por Deus, desde Seu nascimento, a um grau de virtude e de Seu amor às coisas celeste, superior a qualquer outra criatura, põe-se a correr em direção ao Templo. Ultrapassa as virgens de sua escolta e, sem um único olhar ao mundo, lançasse aos braços do Sumo-Sacerdote Zacarias, que a esperava sob o pórtico, em companhia dos anciãos. Zacarias a abençoou dizendo: “O Senhor glorificou teu nome de geração em geração. É em ti que, nos últimos dias, Ele revelará a Redenção que preparou para seu povo”. E, coisa inaudita para os homens da Antiga Aliança, ele faz a criança entrar no Santo dos Santos, onde somente entrava o Sumo-Sacerdote uma vez por ano, no dia da Festa da Expiação. Sentou-A no terceiro degrau do Altar e o Senhor fez descer a Sua graça sobre Ela, que se levantou e pôs-se a dançar a fim de expressar Sua alegria. Todos os presentes maravilharam-se contemplando esse espetáculo promissor das grandes maravilhas que Deus em breve realizaria Nela.

Tendo, dessa forma, abandonado o mundo, seus pais e qualquer ligação com as coisas sensíveis, a Santa Virgem permaneceu no Templo até a idade de 12 anos, quando os sacerdotes e anciãos confiaram-na a José, para que fosse o guardião de Sua virgindade, tornando-se seu noivo.

Quando a Mãe de Deus penetrou no Santo dos Santos, o tempo de preparação e de provação da Antiga Aliança teve fim e, nesse dia, celebramos os esponsais de Deus com a natureza humana. Eis porque a Igreja rejubila e exorta a todos a retirarem-se também ao templo de seus corações, a fim de preparar a vinda do Senhor, pelo silêncio e pela oração.

O Templo
Moisés recebeu no Monte Sinai, a prescrição do Senhor para lhe fazer um Templo: “E me farão um santuário e habitarei no meio deles. Conforme a tudo que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus vasos, assim o fareis” (Ex. 25, 8-9).

Era a Tenda da Congregação, primeiro modelo do Templo de Jerusalém. Lá, Moisés colocou as Tábuas da Lei na Arca da Aliança, caixa de madeira preciosa recoberta de ouro e colocada sob a proteção de 2 querubins feitos de ouro puro, com as asas abertas. Em todos os lugares onde o povo parava, durante sua marcha pelo deserto, a Tenda era montada e a presença de Deus habitava.

Quando, finalmente, o povo judeu penetrou na Terra Prometida, após numerosas batalhas e conquistas de Josué, Saul e David, coube a Salomão a missão de construir, em Jerusalém, uma Morada Suntuosa, digna do Senhor. É em cerca de 950 a.C. que o Templo de Salomão é erguido. A Arca da Aliança, Trono de Deus, foi colocada no “Santo dos Santos”.

Alguns séculos mais tarde, o povo judeu sofreu uma grande provação: a ruína de Jerusalém e a destruição do Templo, sob Nabucodonosor em 586 a.C.. A seguir a essa derrota, os judeus foram levados cativos para a Babilônia. O Profeta Ezequiel, também deportado para a Babilônia, teve então a visão de Israel restaurada e do Templo restaurado de suas ruínas.

No retorno do exílio, o Templo foi reconstruído por Zorobabel, porém não correspondia à visão de Ezequiel, nem possuía a grandeza magnífica do constuído pó Salomão. Herodes, para marcar a importância de seu reinado e se fazer perdoar por sua dependência do Império Romano, enriqueceu e embelezou o Templo, uma vintena de anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Esse Templo foi destruído para sempre em 70 d.C. por Tito, segundo as profecias de Cristo (Lc. 19, 43-44).

O Ofício de Vésperas dessa festa nos propõe 3 leituras: são as 3 etapas da história do Templo antes da restauração. Elas nos revelam que o Templo é um edifício temporal, destinado à destruição. Existe, no entanto, um Templo Eterno, “não feito de mão de homem”. A única e verdadeira edificação do Templo se fará na Ressurreição do Cristo (Jo. 2, 18-22).

Primeira Leitura (Êxodo 40, 1-5; 9-10;16 e 34-35): o protótipo do Templo, a Tenda da Congregação plantada por Moisés

Segunda Leitura (I Reis 8, 1-11): o Templo de Salomão e a entrada solene da Arca no “Santo dos Santos”

Terceira Leitura (Ezequiel 43, 27-44.4): a profecia de Ezequiel, visão do Templo restaurado.

Cada uma das 3 leituras do Antigo Testamento concernente ao Templo, termina pela mesma visão: A Glória do Senhor preenchendo a casa do Senhor.

Maria entra no Templo e prepara-Se para tornar-Se, ela própria, a casa do Senhor. É pelo Espírito Santo que o Verbo de Deus toma carne Nela. Ela torna-se, portanto, o Templo do Espírito Santo.

Durante a Liturgia, o tema do Templo é retomado com a leitura do Novo Testamento (Hb. 9, 1-7). Essa Epístola nos apresenta o Templo e suas prescrições segundo a Lei, em vistas a acolher o Cristo. Ele será o Único Templo verdadeiro, pois o Corpo de Cristo é a Igreja que reúne todos os seus fiéis.

A Arca da Aliança
Nós vimos a importância da Arca nas Escrituras, sua entrada solene no Templo e seu lugar no “Santo dos Santos”, sob as asas dos Querubins. E, no entanto, Ezequiel, em sua visão profética, não restabeleceu a Arca.

De fato, após a restauração, no retorno da Babilônia, a Arca da Aliança não foi encontrada. Para nós, esse fato não é fortuito e concorda com o sentido da Festa. A Arca continha o dom de Deus: a Lei e o Maná. Agora, uma Arca viva vai conter mais que o dom, mas o próprio Deus: o Verbo feito carne, o Pão Celeste. Aí está todo o sentido de nossa Festa: Maria entra no Templo como a Arca reencontrada, e seu lugar é no “Santo dos Santos”.

Arca viva da esperança de Deus,
Jamais tocada por mão carnal,
Mãe de Deus,
Que os fiéis te cantem sem cessar,
Na alegria, a palavra do anjo:
“Virgem Pura, Tu és em verdade
O ápice da criação”
(Hirmos da 9ª Ode, tom 4)

Os Querubins que recobriam a Arca com suas asas, estão presentes no canto litúrgico e aclamam a entrada de Maria no Templo:

À entrada da Toda Pura,
Os anjos se maravilham:
“Como entra a Virgem
no Santo dos Santos?”
(Versículo da 9ª Ode)

A espera do Messias
A Igreja escolheu coloca essa Festa no início do Advento, período onde nós revivemos a espera do Messias pelo Povo Judeu. Maria representa toda Israel, Ela engloba em Sua pessoa, a espera, Ela realiza a Promessa.

Verdadeiramente é digno e justo
Que te bendigamos
Ó Bem Aventurada Mãe de Deus!
Tu mais venerável que os Querubins
E, incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins,
Desta à luz o Verbo de Deus
Conservando intacta a glória da Tua virgindade.
Nós Te glorificamos
Ò Mãe do Nosso Deus
(Hino cantado na Liturgia de São João Crisóstomo e repetido em cada celebração)