“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Santa Grã-Mártir Eufêmia


Eufêmia nasceu em Calcedônia. Seu pai Filofrono, um senador, e sua mãe Teodorísia eram cristãos devotos. Eufêmia era uma bela virgem de corpo e de alma. Quando o Procônsul Prisco celebrou uma festa ofereceu sacrifícios a Ares em Calcedônia, quarenta e nove cristãos rejeitaram essa estulta festa sacrifical e se esconderam. Entretanto, foram descobertos e trazidos perante Prisco. Entre eles estava Santa Eufêmia. Quando o arrogante Prisco perguntou-lhes por que haviam desafiado o decreto imperial, responderam: "Tanto as ordens do imperador quanto as tuas devem ser obedecidas, se não forem contrárias ao Deus do céu; mas, se forem contrárias a Deus, devem não apenas ser desobedecidas, como também resistidas." Por dezenove dias consecutivos, Prisco lhes impôs várias torturas. No vigésimo dia, ele separou Eufêmia dos demais e começou a bajulá-la por sua beleza, tentando conquistá-la para a idolatria. Como suas lisonjas fossem em vão, ele ordenou que a virgem fosse torturada de novo. Primeiro a torturaram na roda, mas um anjo de Deus apareceu a Eufêmia e despedaçou a roda. Lançaram-na, então, numa fornalha flamejante, mas ela foi preservada intacta pelo poder de Deus. Vendo isso, dois soldados, Vítor e Sóstenes, vieram a crer no Cristo, pelo que foram lançados às feras selvagens e assim terminaram com glória as suas vidas terrenas. Eufêmia foi então jogada num poço cheio de água e de toda sorte de bichos venenosos; mas ela fez o sinal da Cruz sobre a água e permaneceu incólume. Finalmente, foi lançada às feras selvagens e, com uma oração de agradecimento a Deus, entregou seu espírito. Seus pais enterraram honrosamente seu corpo. Eufêmia sofreu no ano de 304 e adentrou no júbilo eterno. Ela é comemorada também em 11 de julho.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Santo Mártir Aniceto

Aniceto era godo de nascimento. Foi discípulo de Teófilo, Bispo dos Godos, que participou no Primeiro Concílio Ecumênico [Nicéia, 325]. Quando o príncipe godo Atenarico começou a torturar cristãos, São Nicetas apresentou-se diante do príncipe e o censurou pelo seu paganismo e sua desumanidade. Duramente torturado em seguida, Nicetas confessou sua fé em Cristo com ainda mais firmeza e orou a Deus em ação de graças. Sua mente estava constantemente elevada até Deus, e sobre o peito, coberto pelo manto, ele trazia um ícone da Santíssima Deípara com o Menino Cristo Pré-Eterno de pé e segurando a Cruz em Suas mãos. São Aniceto trazia este ícone porque a Santa Deípara aparecera para ele e o consolara. Finalmente, o torturador lançou ao fogo o soldado do Cristo, onde o santo mártir deu seu último suspiro, mas seu corpo permaneceu intocado pelas chamas. Seu companheiro Mariano levou seu corpo da terra dos godos (Valáquia e Bessarábia) à vila de Mopsuéstia, na Cilícia. Lá, ele construiu uma igreja dedicada a São Nicetas e nela depositou as relíquias milagrosas do mártir. Aniceto sofreu e foi glorificado no ano 372.

sábado, 26 de setembro de 2009

Consagração da Igreja da Ressurreição de Cristo

Quando a Imperatriz Helena descobriu a Cruz de nosso Senhor em Jerusalém, ela permaneceu na Cidade Santa por algum tempo e erigiu igrejas no Getsêmani, em Belém e sobre o Monte das Oliveiras, como também em outros lugares significativos da vida e atividade do Senhor Jesus Cristo. No Gólgota, onde foi descoberta a Venerável Cruz, ela deu início à construção de uma enorme igreja. Essa igreja foi projetada para abranger o Lugar da Caveira, onde o Senhor foi crucificado, e também o local onde Ele foi enterrado. A santa imperatriz desejava incluir o lugar de Seu sofrimento e o de Sua glória sobre o mesmo teto. Entretanto, Helena repousou no Senhor antes que essa majestosa igreja fosse concluída. Ao chegar a época de seu término, Constantino festejava o trigésimo ano de seu reinado, celebrando-se portanto no mesmo dia (13 de setembro de 335) a consagração da igreja e o jubileu do imperador. Na ocasião, reunia-se um concílio local de bispos em Tiro. Esses bispos e muitos outros vieram a Jerusalém para a solene consagração da Igreja da Ressurreição do Senhor. Estabeleceu-se, então, que este dia – o dia da vitória e do triunfo da Igreja de Cristo – fosse solenemente comemorado a cada ano.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hieromártir Autônomo

Durante as perseguições de Diocleciano, Autônomo partiu da Itália para a Bitínia asiática, para um lugar chamado Soréus. Lá, ele converteu muitos ao Cristianismo e construiu-lhes uma igreja dedicada ao santo Arcanjo Miguel. Autônomo vivia na casa de um devoto cristão, Cornélio, quem ele primeiro ordenou como presbítero e, mais tarde, consagrou ao episcopado. Não muito longe de Soréus, havia um lugar chamado Limanas, habitado somente por pagãos. Santo Autônomo dirigiu-se àquela região e, em breve tempo, iluminou a muitos com o Evangelho de Cristo, o que enfureceu os pagãos. Um dia, os pagãos invadiram a Igreja do Santo Arcanjo Miguel em Soréus em pleno serviço divino, assassinaram Autônomo no santuário e mataram muitos cristãos na igreja. No reinado do Imperador Constantino, Severiano, um nobre real, edificou uma igreja sobre o túmulo de Santo Autônomo. Duzentos anos depois de sua morte, Santo Autônomo apareceu a um soldado chamado João. João exumou as relíquias do santo, encontrando-as completamente incorruptas, e muitos enfermos receberam curas a partir das relíquias de Autônomo. Assim Deus glorifica aquele que O glorificava enquanto vivia na carne.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Início do Ano Eclesial ou Início do Julgamento

O Primeiro Concílio Ecumênico (Nicéia, 325) decretou que o ano eclesial começasse em 1º. de setembro. Para os antigos hebreus, o mês de setembro era o início do ano civil (Êxodo 23:16), mês de realizar-se a colheita e de ofertar ações de graças a Deus. Foi na ocasião desta festa em que o Senhor Jesus entrou numa sinagoga em Nazaré (Lucas 4: 16-21), abriu o livro do Profeta Isaías e leu as palavras: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim para pregar boas-novas aos humildes; enviou-me para reerguer o angustiado, proclamar a liberdade aos cativos, abrir a prisão aos aprisionados e proclamar um ano da graça do Senhor, o dia da vingança de nosso Deus e confortar todos os aflitos (Isaías 61: 1-2). O mês de setembro também é de suma importância para a história do Cristianismo, porque o Imperador Constantino, o Grande, derrotou Maxêncio, inimigo da fé cristã, em setembro. Após a vitória, Constantino conferiu liberdade de confissão à Fé Cristã em todo o Império Romano. Por muito tempo, o ano civil do mundo cristão seguia o ano eclesial com o início em 1º de setembro. Mais tarde, o ano civil foi modificado, transferindo seu começo para 1º de janeiro. Primeiramente, a mudança ocorreu na Europa Ocidental e, tempos mais tarde, na Rússia, sob Pedro, o Grande.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Venerável Pímem, o Grande


Pímem era egípcio por nascimento e um grande asceta do Egito. Ainda garoto, costumava visitar os mais renomados mestres espirituais, dos quais colheu um conhecimento considerável, como as abelhas colhem mel das flores. Pímem, certa vez, implorou ao ancião Paulo que o levasse a São Paísio. Ao ver Pímem, Paísio disse a Paulo: “Este menino salvará a muitos; a mão de Deus está sobre ele.” Com o tempo, Pímem foi tonsurado monge e atraiu dois irmãos seus à vida monástica. Numa ocasião, a mãe deles veio-lhes visitar. Pímem não a permitiu entrar, mas pediu a ela por detrás da porta: “Desejas ver-nos mais aqui ou lá, na eternidade?” A mãe partiu, com grande alegria, dizendo: “Já que certamente encontrarei meus filhos lá, então não desejo vê-los aqui!” No mosteiro em que esses três irmãos moravam (governado pelo Abade Anúbis, irmão mais velho de Pímem), sua regra era a seguinte: à noite, eles passavam quatro horas fazendo trabalhos manuais, quatro horas dormindo e quatro horas lendo o Saltério. Durante o dia, eles alternavam trabalho e oração desde a manhã até o meio dia, faziam as leituras desde o meio-dia até as Vésperas, depois das quais preparavam a Ceia para si mesmos. Essa era a única refeição em vinte-e-quatro horas e geralmente se constituía de algum tipo de legume. Diz-se que Pímem havia comentado: “Comemos o que nos foi dado. Ninguém jamais dissera ‘Dei-me mais’ ou ‘Eu não o quero’. Desta maneira, passamos toda a nossa vida em silêncio e em paz.” Pímem conduziu uma vida de ascetismo no quinto século e pacificamente repousou em avançada idade.

Hino de Louvor
Fonte de sabedoria foi o Venerável Pímem,
Grande tocha da chama de Cristo.
Desde o dia em que renunciou ao mundo de ilusões,
Repreendia a ninguém, elogiava a ninguém.
Uma vez, dois irmãos discutiam em sua presença,
Mas Pímem permaneceu em silêncio. Alguns o repreendiam:
“Como ouves a discussão, como se houvesse nada de errado?”
Pímem respondeu: “Morri muito tempo atrás”
Outro lhe perguntou: “Como posso ser salvo,
Para minha mente não se disperse atrás das calúnias do inimigo?”
Disse Pímem: “Moscam fogem da água quente,
O Mal foge de uma alma aquecida.”
“O que é mais valioso”, perguntou outro,
“A fala de meu irmão ou o silêncio?”
“Tanto por um como pelo outro, Deus é glorificado.
Para glória de Deus, escolha para ti mesmo.”
“Como posso defender-me do Maligno?”
“O Mal não derrota o Mal,
Faça o bem ao que faz o mal,
O que inflamará até o seu coração.
Não se constrói a casa de um, destruindo a de outro:
Nisso, apenas o terceiro – o Maligno – beneficia-se.”
“Duas perniciosas paixões envenenam nossa alma;
Temos nenhuma liberdade, enquanto elas nos esmagam:
O prazer carnal e a ilusão do mundo – Somente uma alma santa é livre delas.”

Reflexão
Os grandes ascetas ortodoxos, em sua difícil ascensão ao Reino de Deus, são como aqueles que penosamente escalam uma íngreme montanha, agarrando-se com mãos e pés para subir um pouco mais, sem pensar em olhar para trás. Suas labutas e conquistas são, de fato, impressionantes. São Pímem não queria ver sua mãe, quando ela veio visitá-lo. Noutra ocasião, um príncipe queria ver Pímem, mas este recusou. Entretanto, o príncipe arquitetou um astuto plano para forçar o ancião a recebê-lo. Ele capturou o sobrinho de Pímem e disse à mãe (irmã de Pímem) do rapaz que ele libertaria seu filho somente quando Pímem em pessoa viesse falar com ele. A irmã partiu ao deserto e, batendo à porta de Pímem, implorou ao irmão que saísse e salvasse seu filho. Mas, Pímem não saiu. A irmã começou a censurá-lo e amaldiçoá-lo. Quando o príncipe tomou conhecimento disso, ela ordenou que uma carta fosse escrita a Pímem, dizendo que, se o ancião pedisse por escrito (já que ele não queria oralmente) ao príncipe que soltasse o garoto, o príncipe assim o faria. Pímem replicou: “Poderoso príncipe, levante profundas informações sobre a culpa do rapaz e, se sua culpa for tão grave que mereça a morte, que ele morra, a fim de que, pela punição temporal, ele escape dos tormentos da eternidade. Entretanto, se o crime dele não merece a pena de morte, então o castigue de acordo com a lei e liberte-o.” Ao ler uma carta tão justa e imparcial, o príncipe ficou completamente abismado. Ele libertou o jovem, e seu respeito por Pímem aumentou em dobro.

Tropário, t.8
Pela abundância de tuas lágrimas, fizeste florescer o árido deserto, com teus profundos gemidos, fizeste tuas dores produzir cem vezes mais, por teus espantosos milagres, te tornaste um farol que ilumina o mundo inteiro, venerável Pai Pímen, rogue a Cristo nosso Deus, para salvar as nossas almas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Santo Apóstolo Tadeu dos Setenta Discípulos do Senhor

Esse Tadeu pertencia ao círculo dos Setenta e não o dos Doze Apóstolos. São Tadeu, a princípio, encontrou-se com João Batista, pelo qual ele foi batizado; depois, ele descobriu o Senhor Jesus e seguiu-O. O Senhor contou-o entre os Setenta Menores Apóstolos, que Ele enviou dois a dois diante de Sua face (Lucas 10:1). Depois de Sua gloriosa Ressurreição e Ascensão, o Senhor enviou Tadeu a Edessa, terra natal do Apóstolo, de acordo com a promessa que Ele dera ao Príncipe Agbar, quando Ele devolveu a este a toalha com a imagem de Sua face sobre ela (Ícone do Senhor “Não-feito-de-mãos-humanas”, 16 de Agosto). Beijando a toalha, Agbar foi curado da lepra, mas não completamente. Quando o São Tadeu encontrou-se com Agbar, o Príncipe recebeu-o com grande alegria. O Apóstolo de Cristo instrui-o na Verdadeira Fé e, depois, batizou-o. Quando Agbar emergiu da água batismal, ele ficou totalmente curado. Glorificando a Deus, Príncipe Agbar também determinou que seu povo conhecesse o Verdadeiro Deus e glorificassem-No. O Príncipe reuniu todos os cidadãos de Edessa diante do Santo Apóstolo Tadeu, para ouvirem seus ensinamentos sobre Cristo. Ouvindo as palavras do Apóstolo e vendo seu príncipe miraculosamente curado, o povo rejeitou sua antiga idolatria e seu impuro modo-de-viver, abraçaram a Fé Cristã e foram batizados. Deste modo, a cidade de Edessa foi iluminada pela Fé Cristã. Príncipe Agbar trouxe muito ouro e ofereceu-o ao apóstolo, mas Tadeu lhe disse: “Desde que abandonamos nosso próprio ouro, como podemos receber ouro de outros?” São Tadeu pregou o Evangelho por toda a Síria e Fenícia. Repousou no Senhor na cidade fenícia de Beirute.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Santo Profeta Samuel (+c.1010 a.J.C.)

Samuel foi o décimo-quinto e último juiz de Israel. Ele viveu a mil e cem anos antes de Cristo. Samuel nasceu na tribo de Levi, de Elcana e Ana, num lugar chamado Ramata (ou Arimatéia), onde nasceria, tempos depois, o nobre José. Em prantos, a estéril Ana implorou a Deus pelo menino Samuel e dedicou-o a Deus, quando ele tinha três anos de idade. Vivendo em Silo, próximo à Arca da Aliança, Samuel teve uma verdadeira revelação de Deus aos seus doze anos de idade, sobre as punições que cairiam sobre a casa do sumo sacerdote Eli, por causa da imoralidade de seus filhos, Ofini e Finéias. Essa revelação logo se cumpriu: os filisteus derrotaram os israelitas, assassinaram os dois filhos de Eli e capturaram a Arca da Aliança. Quando o mensageiro informou a Eli essa tragédia, o sumo sacerdote caiu ao solo e morreu, aos noventa e oito anos de idade. O mesmo veio a aconteceu com sua nora, esposa de Finéias. Por vinte anos, os israelitas foram escravos dos filisteus. Depois, Deus enviou Samuel para pregar arrependimento ao povo, caso eles desejassem a salvação contra seus inimigos. O povo arrependeu-se, rejeitou os ídolos pagãos aos quais serviam e reconheceram Samuel como profeta, sacerdote e juiz. Então, Samuel partiu para a batalha contra os filisteus com um exército. Graças à ajuda de Deus, ele confundiu e derrotou os filisteus, libertando Israel. Após esses acontecimentos, Samuel julgou pacificamente seu povo até avançada idade. Considerando sua avançada idade, o povo pediu-lhe que se instalasse um rei para eles em seu lugar. Em vão, Samuel tentou dissuadi-los deste pedido, dizendo-lhes que Deus era o único verdadeiro Deus, mas o povo insistia irredutivelmente. Mesmo que não fosse do agrado de Deus, Ele ordenou que Samuel ungisse Saul, filho de Kish, da tribo de Benjamim, como rei. Saul reinou apenas por pouco tempo, antes de Deus rejeitar Saul por sua imprudência e desobediência. Deus, por Sal vez, ordenou que Samuel ungisse o filho de Jessé, Davi, como rei no lugar de Saul. Antes de sua morte, Samuel reuniu todo o povo e despediu todos eles. Quando Samuel morreu, todo o Israel chorou sua morte e enterrou-o honrosamente em sua casa, em Ramata.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Santo Tribuno e Mártir André Stratelates e seus 2593 comps., da Armênia (+ c. 284-305)

André era um oficial, um tribuno, do exército romano durante o reinado do Imperador Maximiano. Ele era sírio de nascimento e servia na Síria. Quando os persas ameaçavam o Império Romano com seus exércitos, André era designado a comandar o exército imperial em defesa contra os inimigos. Portanto, André foi promovido ao posto de general – “Stratelates”. Secretamente um cristão, mesmo sem ter sido batizado, André confiava no Deus Vivo e escolheu apenas os melhores dentre seus homens para entrar em batalha. Antes da batalha, ele disse aos soldados que, se estes invocassem a ajuda do único e verdadeiro Deus, Cristo Senhor, seus inimigos seriam dispersos como poeira diante deles. De fato, todos os soldados encheram-se de zelo por André e sua fé e invocaram Cristo por assistência. Então, eles atacaram. O exército persa foi sumariamente destruído. Quando o vitorioso André retornou a Antioquia, pessoas invejosas acusaram-no de ser cristão, e o representante imperial convocou-o à corte. André confessou abertamente sua inabalável fé em Cristo. Depois de torturá-lo desumanamente, o representante lançou-o na prisão e escreveu ao imperador de Roma. Tendo conhecimento do respeito com que as pessoas e o exército partilhavam por André, o imperador ordenou que o prisioneiro fosse solto e que buscasse outra oportunidade ou ocasião para matar André. Por revelação divina, André soube da ordem do imperador, logo, tomando consigo seus fiéis soldados, 2.593 ao todo, ele partiu para Tarsos, na Cicília, onde todos foram batizados pelo Bispo Pedro. Perseguidos até mesmo lá pelas autoridades imperiais, André e seu batalhão partiram para mais longe, para o Taurus, o monte armênio. O exército romano alcançou-os lá, enquanto oravam num campo, e todos eles foram decapitados. Nenhum tentou defender-se, mas todos desejaram sofrer o martírio por Cristo. Neste local, onde correu o sangue dos mártires, brotou uma fonte de águas curativas, que curava muitas pessoas de várias doenças. Bispo Pedro, em segredo, trouxe seu povo e honrosamente enterrou os corpos dos mártires onde eles haviam sido assassinados. Morrendo honradamente, eles foram coroados com os louros da glória e foram habitar no Reino de Cristo, nosso Senhor.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Santos Mártires e Irmãos, Floro e Lauro, de Ilírico (+ séc. II) - 18/31 ago

Floro e Lauro eram irmãos de carne, de espírito e de vocação. Ambos eram fervorosos cristãos e eram cortadores de pedras por profissão. Eles viviam na Iliria. Aconteceu que um príncipe pagão contratou-os para construir um templo aos ídolos. Durante a execução da obra, um pedaço de pedra saltou e acertou o olho do filho do sacerdote pagão Merentius, que estava observando o trabalho dos construtores curiosamente. Vendo o olho do filho cego e sangrando, o sacerdote pagão começou a vociferar contra Floro e Lauro e queria agredir os dois. Então, os santos irmãos disseram-lhe que, se ele acreditasse no Deus n’O qual eles acreditava, seu filho seria curado. O sacerdote pagão prometeu. Floro e Lauro, em lágrimas, oraram ao único, vivente Senhor Deus, e traçaram o sinal da Cruz sobre o olho ferido do garoto. O menino ficou imediatamente curado, e seu olho ficou totalmente são, como antes. Merentius e seu filho foram batizados. Pouco tempo depois, ambos sofreram por Cristo, sendo torturados no fogo. Quando os irmãos completaram o templo, Floro e Lauro colocaram uma cruz sobre ele, reuniram todos os cristãos e consagraram-no no nome do Senhor Jesus, com uma vigília noturna e cântico de hinos. Ouvindo isto, o deputado iliriano queimou muitos desses cristãos que participaram da consagração, e Floro e Lauro foram lançados num poço. O deputado, então, encheu o poço com terra para sufocá-los. Mais tarde, suas relíquias foram reveladas e transladadas para Constantinopla. Esses dois admiráveis irmãos sofreram, foram martirizados por Cristo e glorificados por Ele no segundo século.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Santo Profeta Miquéias (+ SécVIII a. J.C.) - 14/27 ago

Miquéias pertencia à tribo de Judá e era natural da vila de Morast, pelo qual ele era chamado “o Morastita” Ele era contemporâneo dos profetas Isaías, Amós e Oséias, assim como dos reis judeus Joatã, Acaz e Ezequias. Miquéias repreendeu o povo por causa de seus vícios e os falsos profetas que profetizavam vinho e forte bebida (Miquéias 2:11). Ele predisse a destruição da Samaria. Ele também profetizou a destruição de Jerusalém, que aconteceria em conseqüências de seus líderes aceitarem suborno, de seus sacerdotes ensinarem por dinheiro e de seus profetas, por dinheiro, profetizarem boas-sortes. Portanto, por vossa causa, Sião será ceifada como uma lavoura e Jerusalém tornar-se-á como um amontoado (Miquéias 3:12). Mas, de todas as suas profecias, a profecia mais importante refere-se a Belém como local do nascimento do Messias. Não se sabe exatamente se esse profeta foi assassinado pelos judeus ou se teve uma morte pacífica (cf. Jeremias 26: 18-19). Contudo, sabe-se que ele foi enterrado em sua vila. Teodósio Magno e Bispo Zevim de Eleuterópolis tiveram uma visão mística que os levaram a encontrar as relíquias de Miquéias juntamente com as do profeta Habacuque.

Hino de Louvor
Miquéias, profeta de Deus, incendiado com o fogo divino,
Predizendo miséria e proclamando salvação:
“Escutai, ó lideres da casa de Jacó:
Quando o fogo irromper, o refogo não será salvo.
Odiais o bem e deleitais no mal;
Defraudais impiedosamente o povo de Deus;
Abandonastes a Lei e os profetas de antigamente;
Escutais não a Deus, mas aos feiticeiros!
Desgraça, dor e lamento advirão;
Clamareis aos Céus, mas em vão, tarde demais.
Samaria será um campo de debulho para os Assírios,
E Jerusalém, para os bárbaros Caldeus!
Mas tu, Belém, pequena Efrata,
Embora a última, és-Me a mais querida.
De ti, virá o Líder que precisamos.
Sua descendência será do coração dos Céus;
De Seu fervoroso amor, Ele virá com prontidão.
Ele guiará Seu povo com Seu poderoso cajado.
Ele será grande até os confins da Terra.
Os Céus e a Terra cantarão a Sua misericórdia,
E a paz reinará – Ele será a paz.
Ele glorificará a raça dos homens em Si mesmo.

Tropário, t. 5
Encontrando em tua alma um puríssimo instrumento, a graça do Espírito nela fixa a Sua morada e a desperta para que ela exponha como presente o futuro, ó Profeta que anuncias o Cristo; por isso então não interrompas de interceder por nós que veneramos, como se deve, neste dia, a tua lembrança.

domingo, 23 de agosto de 2009

Santos Mártires Arquidiácono Lourenço; Sixto, Papa de Roma e seus companheiros - 10/23 ago

Quando o Papa Estevão foi assassinado (2 de agosto), Sisto, ateniense de nascimento, foi designado para ocupar seu lugar. Sixto já fora filósofo uma vez e, então, tornou-se um cristão. Era uma época em que os bispos de Roma eram mortos um após o outro: tornar-se um Bispo de Roma significava ser condenado ao martírio. O Imperador Décio estava determinado em aniquilar o Cristianismo. Rapidamente, o Papa Sisto foi trazido a julgamento, juntamente com dois diáconos: Felicíssimo e Agapito. Sendo os três lançados à prisão, o Arquidiácono Lourenço disse ao Papa: “Aonde vais, ó pai, sem vosso filho? Onde, ó bispo, sem o vosso arquidiácono?” O Papa consolou-o, profetizando que Lourenço sofreria maiores torturas ainda por Cristo e que em breve ele seguiria seu caminho. De fato, assim que decapitaram Sixto e seus dois diáconos, Lourenço foi aprisionado. Lourenço previamente realizara suas tarefas e pusera em ordem todos os assuntos relacionados à Igreja. Na qualidade de tesoureiro e administrador da Igreja, ele removeu todos os objetos de valor da Igreja para a casa do viúvo Ciríaco. (Nesta ocasião, ele curou Ciríaco de uma terrível dor de cabeça por um simples toque seu e restaurou a visão a um cego, Crescêncio). Depois de ter sido lançado à prisão, Lourenço curou de cegueira a Lucílio, prisioneiro de muitos anos, batizando-o em seguida. Testemunhando isso, Hipólito, o carcereiro, também foi batizado. Mais tarde, este veio a sofrer por Cristo (13 de agosto). Visto que Lourenço não negaria Cristo, pelo contrário aconselhou Décio a rejeitar seus falsos deuses, espancaram sua face com pedras, e seu corpo foi flagelado com o scorpion (uma corrente com dentes afiados e pontudos e um cabo encurvado à semelhança de uma causa de escorpião). Romanus, que estivera presente na tortura, converteu-se à fé cristã e foi imediatamente decapitado. Por último, eles colocaram Lourenço nu sobre uma enorme grelha e ascenderam fogo debaixo dele. Consumindo-se pelo fogo, São Lourenço dava glórias a Deus e zombava o imperador por seu paganismo. Depois, Lourenço entregou sua heróica e pura alma a Deus. Hipólito levou seu corpo na calada da noite à casa de Ciríaco e, depois, para uma gruta, onde Hipólito honrosamente enterrou-o. São Lourenço com os outros sofreram no ano 258.

Tropário, t.3
Aceso pelo Espírito divino, como brasa consumiste as ervas daninhas do erro, ó vitorioso mártir Lourenço; como um incenso de espiritual suavidade tu queimaste por Aquele que te glorificou, atingindo assim com o teu fogo o último tom da perfeição; de todo dano, Arcediácono de Cristo, guarde os fiéis que veneram a tua memória.

sábado, 22 de agosto de 2009

Santo Apóstolo Matias (+c.63) – 09/22 ago

Matias nasceu da tribo de Judá, em Belém. Foi instruído por São Simeão, que recebeu Deus nos braços em Jerusalém. Quando o Senhor partiu para pregar sobre o Reino de Deus, Matias juntou-se aos demais que amavam o Senhor – pois ele próprio O amava de todo coração, ouvia Suas palavras e testemunhava Suas obras com alegria. A princípio, Matia foi contado entre os setenta discípulos menores de Cristo; entretanto, seguindo-se à Ressurreição do Senhor e o lugar de Judas ficando vago, os apóstolos lançaram a sorte, assim elegendo Matias como um dos Doze Grandes Apóstolos (Atos 1: 23-26). Recebendo o Espírito Santo em Pentecostes, Matias partiu para pregar o Evangelho, primeiramente na Judéia e, em seguida, na Etiópia, onde ele passou por grandes torturas por amor a Cristo. Acredita-se que ele pregou por toda a Macedônia, onde tentaram cegá-lo, mas ele ficou invisível aos torturadores e, deste modo, escapou do perigo. O Senhor apareceu-lhe na prisão, encorajou-o e libertou-o. Finalmente, ele retornou mais uma vez à sua atividade na Judéia. Na Judéia, ele foi acusado e levado à corte, perante o sumo-sacerdote Ananias, diante do qual destemidamente testemunhou Cristo. Ananias (o mesmo que assassinara o Apóstolo Tiago) condenou Matias a morte. Tiraram-no da presença do sumo-sacerdote, apedrejaram-no e, então, decapitaram-no com um machado. (Esse era o costume romano de matar uma pessoa sentenciada à morte, e os hipócritas judeus aplicaram esse método a Matias a fim de demonstrar aos romanos que o apóstolo tinha sido inimigo de Roma). Por conseguinte, esse grande apóstolo de Cristo repousou e acolheu sua habitação na eterna alegria de seu Senhor.

Hino de Louvor
De Cristo, Matias, o Apóstolo, dizia,
Abertamente O testemunhava aos judeus:
“Ele é o Messias, de Quem as Escrituras falam;
Ele é o Filho de Deus, Que desceu das Alturas;
Ele é o Verbo de Deus, a Divina Hipóstase.
Dele, claramente proclamaram os Profetas!
Moisés profetizou: ‘Deus vos erguerá um Profeta,
Como a mim, do meio de teu povo;
E Sua glória brilhará entre vós.’
Disse Rei Davi: ‘Todas as gerações da terra
Serão glorificadas e benditas por Ele.’
O valente Isaías arrebatou-se aos céus em espírito,
Viu e disse: ‘Uma virgem conceberá e dará a luz a um Filho, que será chamado
Emanuel, que quer dizer Deus está conosco.
Imagem de Seu sepultamento foi Jonas –
Como prefigurava ele o sepultamento, quanto mais a ressurreição:
Quando Jonas esteve no ventre da baleia por três dias,
E foi novamente agraciado por Deus com a vida.
Cumpridas foram as profecias, dissiparam-se as sombras,
As palavras da promessa foram realizadas na carne!”
Em vão, porém, um desperto fala aos que ainda dormem:Aquele que dorme por todo o dia, não pode crer no dia

Tropário, t.3
Escolhido por sorte, graças ao Espírito, completaste o círculo dos doze Apóstolos divinos; com eles proclamaste o Verbo que por nós Se aniquilou em nossa carne, foste coberto de maravilhas pelo Senhor, aos que te cantam, ilustre Apóstolo Matias, rogue a Cristo para conceder o perdão das faltas e a graça da salvação.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Santo Pontífice e Confessor , Emiliano, Bispo de Cízico (+820) – 08/21 ago

Emiliano serviu com bispo em Cizicus durante o reinado do execrável imperador Leo, o Armeno, o iconoclasta. Dado que ele não se dispôs a submeter-se aos decretos do imperador, que ordenava a remoção dos ícones das igrejas, Emiliano e outros bispos ortodoxos foram condenados ao exílio, onde o santo bispo passou cinco anos, sofrendo por muita dor e humilhação por amor a Cristo. Emiliano morreu no ano 820 e tomou posse de sua habitação entre os cidadãos dos Céus.

Tropário, t.1
A imagem do Verbo, tu a fizeste brilhar, pontífice Emiliano, pela retidão da tua vida; e ao ícone do Cristo encarnado tu ensinaste piedosamente a veneração; por isso nós te honramos como Pastor e Confessor te cantando: Glória Aquele que te deu este poder, glória Aquele que te coroou, glória Aquele que concede, pelas tuas orações, o perdão a todos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Santo Hierodiácono e Mártir, Domécio, o Persa, e seus dois discípulos (+363) - 07/20 ago

Domécio nasceu pagão na Pérsia, na época do reinado do Imperador Constantino. Ele conheceu a Fé cristã ainda jovem, largou o paganismo e foi batizado. Tanto amava Domécio a verdadeira Fé, que ele abdicou de todas as coisas mundanas e foi tonsurado monge num mosteiro próximo da cidade de Nisibis. Por algum tempo, ele conviveu com outros irmãos e, então, partiu para uma vida de silêncio com seu ancião, Arquimandrita Urbel (que dizem ter comido apenas comida crua por sessenta anos). O Ancião Urbel fez de Domécio um diácono e, quando ele desejava forçá-lo a receber o nível de padre, Domécio partiu para uma montanha isolada e se estabeleceu numa gruta. Pelo jejum, oração, vigílias noturnas e pensamentos santos, ele adquiriu tamanha perfeição, que ele curava miraculosamente os enfermos. Ao chegar a essas regiões, Juliano, o Apóstata, ouviu falar de Domécio e enviou homens para trancarem-no vivo dentro da gruta, com dois de seus discípulos. Assim, faleceu o santo de Deus e foi habitar no Reino de Deus, em 363.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Santas 7 crianças emparedadas (os “Sete Adormecidos”) de Éfeso: Maximiliano, Jâmblico, Martiniano, João, Dinis, Constantino e Antonino (+c.150)

Houve uma grande perseguição de cristãos no tempo do reinado de Décio. O imperador em pessoa viajou a Éfeso, onde realizou uma tumultuosa e barulhenta celebração em honra dos ídolos sem vida – como também, uma matança desumana de cristãos. Sete jovens soldados, todos soldados, absteram-se da impura oferenda de sacrifícios. Eles oraram fervorosamente ao único Deus para que o povo cristão fosse salvo. Eles eram filhos dos anciães mais influentes de Éfeso, e estes eram seus nomes: Maximiliano, Jâmblico, Martiniano, João, Dinís, Constantino e Antonino. Tendo sido acusados diante do imperador, os jovens refugiaram-se numa colina fora de Éfeso, chamada Celion, onde se esconderam numa gruta. Quando o imperador tomou conhecimento disso, ele ordenou que um muro fosse erguido a fim de obstruir definitivamente a entrada da gruta. Todavia, Deus – de acordo com Sua Providência que atinge os confins do universo – realizou um grande milagre: um longo sono caiu sobre os jovens. Os cortesãos imperiais Teodoro e Rufino (eles mesmos eram cristãos em segredo) confeccionaram uma caixa de couro e depositaram-na dentro do muro. Esta caixa continha placas de chumbo sobre as quais estavam registrados os nomes dos sete rapazes e as mortes martíricas do reinado de Décio. Passaram-se mais de duzentos anos. No reinado do Imperador Teodósio, o Grande, surgiu uma calorosa discussão sobre a ressurreição dos mortos, e houve alguns que passaram a duvidá-la. O Imperador Teodósio agoniava-se em grandes aflições em resultado dessa disputa entre os fiéis e orou a Deus para que Ele, de algum modo, revelasse a verdade aos homens. Por conseguinte, alguns pastores de Adolius, que eram proprietários da colina de Ceilon, estavam construindo cercas para suas ovelhas, utilizando pedras da gruta. Eles removiam pedra por pedra. Subitamente, os jovens despertaram de seu sono, tão joviais e sadios como no dia em que adormeceram. Notícias deste milagre espalharam-se em todas as direções, tanto que Teodósio em pessoa chegou acompanhado de um grande séqüito e conversou, para seu deleite, com os jovens. Após uma semana, eles mais uma vez e profundamente repousaram no sono do qual haviam despertado, a fim de aguardarem a Ressurreição Geral. O Imperador Teodósio quis que seus corpos fossem depositados em caixões de ouro, mas eles lhe apareceram em sonhos e disseram-lhe para deixarem os corpos na terra, onde eles haviam jazido.


Hino de Louvor

Quando os últimos raios de sol ruborizavam o oeste
A Deus, oravam os Sete Jovens
Para que na manhã eles pudessem encontrar-se mais uma vez sãos e salvos;
Porém, perante o Imperador foram trazidos para tortura,
E deitaram-se para dormir longa, bem profundamente.
O tempo caminha a largos passos.
Numa manhã, o sol ergueu-se no leste,
E os Sete acordaram de seu profundo sono.
Então, Jâmblico, o mais jovem, correu para Éfeso,
Para ver, ouvir e indagar de tudo:
Décio ainda não os caçava para matá-los?
E foi comprar pão para os Sete.
Mas, vede a maravilha: este não é o mesmo portão!
E como diferente está a cidade!
Por todos os lados, belas igrejas, domos e cruzes!
Jâmblico perguntou a si mesmo: Não serão sonhos?
Nenhuma face familiar, nenhum conhecido em nenhum lugar:
Não há mais perseguidores, não há mais mártires!
“Dizei, irmãos, o nome desta cidade,
E dizei-me o nome do imperador que agora reina,”
Indagou Jâmblico. O povo olhou para ele,
E ele foi alvo de muita especulação!
“Esta cidade é Éfeso, como sempre fora;
O Imperador Teodósio agora reina em Cristo!”
Ouviu isto o procônsul, assim como o bispo dos cabelos grisalhos;
Perplexa ficou toda a cidade, e todos correram para a gruta,
Vendo o milagre, glorificaram a Deus
E os ressuscitados servos do Cristo Ressuscitado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Grande Festa da Procissão da Venerável e Vivificante Cruz - 01/14 de agosto

Essa festa foi instituída por mútuo acordo entre os gregos e os russos na época do Imperador grego Manuel e o do Príncipe russo André, em comemoração pelas vitórias simultâneas dos russos sobre os búlgaros e dos gregos sobre os sarracenos. Em cada uma das batalhas, cruzes – das quais emanavam raios celestiais – foram transportadas pelos exércitos. Deste modo, ficou estabelecido que, em 1º. de agosto, a Cruz seria levada em procissão primeiro ao meio da Igreja da Divina Sabedoria [Haghia Sophia] e, em seguida, pelas ruas da cidade para veneração das pessoas, como comemoração pelo miraculoso auxílio da Cruz nas batalhas. Esta não era uma cruz comum, mas a própria Verdadeira Cruz, que estava sendo guardada na igreja da corte imperial. Em 31 de julho, trouxeram a Venerável Cruz da corte imperial à Igreja de Haghia Sophia e, de lá, foi levada pelas ruas, para consagração da terra e do ar. Finalmente, em 14 de agosto, ela retornou à corte do palácio imperial.

Tropário da Santa Cruz, t. 1
Salva, Senhor, o Teu povo e abençoa a Tua herança. Concede aos Teus fiéis a vitória sobre os seus adversários e, pela Tua Cruz, protege as nossas cidades.

Kondákion da Santa Cruz, t. 4
Tu Te submeteste livremente de ser elevado sobre a Cruz, ao povo novo chamado pelo Teu Nome concede a Tua benevolência, ó Cristo nosso Deus, dê força aos Teus fiéis servidores, proteja-os de toda adversidade: que Tua aliança lhes seja uma arma de paz, um troféu invicto.
Hino de Louvor
Diante da Venerável Cruz de Cristo,
Prostram-se todos veneravelmente:
Pelo poder dela, a Cruz de Cruz,
Somos libertados das adversidades.
A Santa Cruz é mais poderosa que os demônios,
E do que qualquer rei da terra.
A Cruz nos salva das doenças,
E dos assaltos dos bárbaros.
Pelo poder da Cruz, o Príncipe André
Resgatou sua terra subjugada;
O Imperador Manuel, pelo poder da Cruz,
Gloriosamente derrotou os Sarracenos.
Incomensurável poder, mostrou-se a Cruz ser
Mais do que os exércitos dos pagãos,
Mais do que a violência dos agressores,
Mais do que todos os males.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Santo Apóstolo e Evangelista João, o Teólogo (+c.117) - 08/21 maio

Apóstolo e Evangelista João, cognominado Teólogo, era filho de um pescador galileu, Zebedeu e Solomia. Zebedeu era uma pessoa abastada, ele tinha vários trabalhadores e era um membro importante da comunidade judaica, tendo acesso são sumo sacerdote. A mãe de João, Solomia, é mencionada como uma das mulheres que serviram Jesus com as suas propriedades.

Primeiro, João era discípulo do são João Batista. Ao ouvir a pregação dele sobre Cristo como o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo, ele junto com o André o Primeiro Chamado seguiu Jesus. No entanto era um pouco mais tarde que ele se tornou discípulo constante do Senhor, quando, após a milagrosa pesca no lago de Genezaré (mar de Galiléia) o Próprio Senhor chamou-o, junto com o seu irmão Tiago.

Ao apóstolo João, junto com o Pedro e o seu irmão Tiago foi concedida uma proximidade especial ao Senhor, pois estes três apóstolos estavam sempre junto com o Senhor nos momentos mais importantes e solenes da Sua vida na terra. Assim ele foi digno de presenciar a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração do Senhor no monte, ouvir as Suas palavras sobre os sinais da Sua segunda vinda, ser testemunha da Sua oração no Getsêmani. E durante a Ceia ele era apoiado no peito do Senhor, conforme ele mesmo testemunha.

Ele era tão humilde, que ao escrever sobre si no seu Evangelho, ele não menciona o seu nome, contentando-se a dizer somente "o discípulo predileto do Senhor." Este amor do Senhor teve a sua maior expressão nas palavras proferidas por Ele da cruz: "Eis aí a tua Mãe," desta forma encarregando-o de cuidar da Sua Puríssima Mãe.

Amando o Senhor com todo o seu coração, João era cheio de indignação dos que eram hostis ao Senhor, ou aqueles que estranharam Ele. Por isso ele proibia ao homem, que não andava junto com eles, de expulsar o demônio com o nome de Jesus e pediu a permissão ao Senhor de mandar descer o fogo sobre os habitantes de uma aldeia samaritana, que não queriam aceitá-Lo, quando Ele se dirigia ao Jerusalém, atravessando a Samária. Por causa disto, o Senhor chamou a ele e ao Tiago de "filhos de trovão." João sentiu a predileção do Senhor, mas ainda não era iluminado pela graça do Espírito Santo e portanto decidiu pedir para ele e para o seu irmão um lugar ao lado do Senhor no Reino dos Céus, e recebeu como resposta o anúncio dos futuros sofrimentos dos ambos.

Após a Ascensão vemos muitas vezes o apóstolo João junto com o apóstolo Pedro. Estes dois apóstolos são considerados os pilares da Igreja e o apóstolo João permanece na maior parte do tempo em Jerusalém e fiel ao mandamento do Senhor, cuida da Puríssima Virgem Maria, tornando-se o Seu filho mais fiel e somente após a assunção da Virgem, ele começa a pregar em outros países.

Na atividade missionária do apóstolo João percebemos uma particularidade: ele escolhe uma determinada região e se empenha com todas as suas forças para erradicar o paganismo e firmar lá o cristianismo. O seu alvo principal eram sete igrejas da Ásia Menor: Êfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Ele morava principalmente em Êfeso.

Sob o reinado do imperador Domiciano (81-96), o apóstolo João foi chamado para a Roma, pois ele era a único apóstolo ainda vivo, e sob a ordem do imperador foi jogado num caldeirão cheio de óleo fervendo, mas Deus salvou o seu fiel servo, que ficou ileso, igual aos três jovens na fornalha incandescente. Depois disto, Domiciano exilou o apóstolo para a ilha deserta de Patmos e foi aqui que ele escreveu o Apocalipse, que é uma revelação sobre o destino da Igreja e do mundo.

Após a morte de Domiciano o apóstolo João voltou do seu exílio para Êfeso. Os bispos e presbíteros da igreja de Êfeso lhe mostraram os três Evangelhos escritos pelos apóstolos Mateus, Marcos e Lucas. Ele aprovou estas obras, porém achou necessário completar ainda aquilo que foi omitido lá e que ele, como o último testemunha ocular ainda vivo conhecia bem de perto. Isto era muito importante, pois lá pelo final do século 1 se difundiam várias seitas gnósticas, que humilhavam ou até mesmo negavam a divindade do nosso Salvador, Jesus Cristo. E assim tornou-se absolutamente necessário proteger os fieis deste ensinamento.

O apóstolo João no seu Evangelho relatou os ensinamentos de Jesus, ditos por Ele na Judéia. Estes ensinamentos que eram dirigidos aos escribas cultos eram mais difíceis para a compreensão geral e provavelmente foi por isto que eles não foram relatados nos três primeiros Evangelhos, destinados aos pagãos recém convertidos. Antes de começar escrever o seu Evangelho, o apóstolo João impôs jejum à igreja de Êfeso e se retirou junto com o seu discípulo Prokhor para um monte, onde escreveu o Evangelho, que leva o seu nome.

O Evangelho de João era desde o começo chamado de "espiritual," pois nele, comparando com os três outros Evangelhos, são contidos os ensinamentos do Nosso Senhor sobre as verdades mais profundas da fé — sobre a encarnação do Filho de Deus, sobre a Trindade, sobre a redenção dos homens, sobre a ressurreição espiritual, sobre a graça de Espírito Santo e sobre a Comunhão. Logo no começo, nas primeiras palavras, João eleva os pensamentos dos fiéis para as alturas de procedência divina do Filho de Deus do Deus Pai: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). O apóstolo João explica assim a finalidade do seu Evangelho: "Esses foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e assim crendo tenhais a vida em Seu nome" (João 20:31).

Além do Evangelho e do Apocalipse, o apóstolo João escreveu ainda três epístolas, que também foram incluídas no conjunto dos livros do Novo Testamento, pois eram dirigidas à toda a comunidade cristã. O primeiro e principal ensinamento é sobre o amor dos cristãos: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo aquele que ama nasce de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é Amor" (1 João 4:7-8).

"O amor que Ele nos tem terá seu cumprimento no dia do Juízo, infundindo-nos confiança. Porque como Ele é, também nós somos neste mundo. No amor não há lugar para o temor: o perfeito amor expele o temor, pois o temor supõe castigo e o que teme não é perfeito no amor. Quanto a nós, amemos à Deus, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém diz: ‘Amo a Deus’ e detesta seu irmão, ele mente. Pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, não é possível que ame a Deus, a Quem não vê. Sim, eis o mandamento que d’Ele recebemos: quem ama a Deus, ame também a seu irmão" (1 João 4:17-21).

A tradição nos deixou várias informações muito valiosas sobre as atividades do apostolo João, que nos mostram todo o seu amor que ele sentiu por todos. Durante a sua visita a uma das igrejas da Ásia Menor, João notou no meio da multidão um jovem que se destacava por talentos excepcionais e o confiou aos cuidados especiais de um bispo. Mais tarde este jovem fez amizade com maus elementos e enfim virou chefe de bandidos. Ao saber disto do próprio bispo, João foi até as montanhas, onde os bandidos atacavam as pessoas, foi capturado por eles e trazido até o chefe deles.

Quando o jovem viu o Apóstolo, ele ficou tão desconcertado, que se pôs a correr. João correu atras dele, o encorajou com as suas palavras cheias de amor, levou-o pessoalmente até a igreja, dividiu com ele a penitencia e não sossegou, enquanto não o reconciliou completamente com a Igreja. Nos últimos anos de sua vida o Apóstolo não se cansou de repetir sempre: "Meus filhos, amem uns aos outros." Os discípulos perguntaram: "Porque repetes sempre a mesma coisa?" O Apóstolo respondeu: "Porque este é o mandamento principal. Quem cumpre este mandamento, cumpre toda a lei Divina."

Este amor se transformava num ardente zelo, quando o Apóstolo se deparava com heresiarcas, que deturpavam os ensinamentos, privando as pessoas da eterna salvação. Uma vez, num edifício público ele se encontrou com um heresiarca Querinto, que rejeitava a divindade do Nosso Senhor Jesus Cristo. "Vamos sair rapidamente daqui, — disse o Apóstolo ao seu discípulo, — pois tenho medo que este prédio cairá encima de nos."


São João Teólogo era o único apostolo que morreu de morte natural na idade de quase 105 anos, durante o reinado do imperador Trajano. As circunstancias da morte dele eram extraordinárias e até misteriosas. Por insistência do próprio apostolo ele foi enterrado vivo. No dia seguinte, quando abriram o túmulo do apostolo, se verificou que ele era vazio. Este acontecimento confirmou a suposição de alguns cristãos, que o apóstolo não ia morrer, mas que ficaria vivo até a Segunda Vinda do Nosso Senhor e acusaria o Anticristo. O motivo desta suposição eram as palavras proferidos por Jesus um pouco antes da Sua ascensão. Respondendo a uma pergunta do apostolo Pedro sobre o que aconteceria com o apostolo João, Nosso Senhor respondeu: "Assim Eu quero que ele permaneça até que Eu venha (pela segunda vez), e que te importa isso?" E o apostolo João continua, a respeito disso: "Espalharam-se por isso entre os irmãos essas palavras de que tal discípulo não morreria" (João 21:22-23).


Tropário, t.2

Apóstolo Bem-amado de Cristo nosso Deus, apressa-te a livrar um povo indefeso. Aquele que te permitiu repousar em Seu peito, acolher-te-á prostrado a Seus pés, para intercederes por nós. Ora-Lhe, São João o Teólogo, para que dissipe a nuvem persistente do paganismo e nos conceda a Sua paz e a Sua grande misericórdia.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Santa Megalomártir, Irene, Princesa da Tessalônica (+séc.II) - 05/18 mai

Santa Irene, que era de origem, eslava, viveu na segunda metade do século I e era filha de Licínio, prefeito da cidade de Maggedona na Macedônia. Ainda muito jovem Irene compreendeu a inconsistência do paganismo e aceitou a fé cristã. Conforme a tradição, apóstolo Timóteo, discípulo do apóstolo Paulo, batizou-a. Santa Irene decidiu dedicar a sua vida a Deus e recusou o casamento.

Aprofundando-se cada vez mais nos ensinamentos de cristianismo, santa Irene começou a persuadir também os seus pais a se tornarem cristãos. O pai dela, que no começo ainda ouvia as palavras dela com uma certa benevolência, mais tarde ficou com raiva dela e quando ela se recusou a venerar os ídolos pagãos, enfurecido jogou ela debaixo dos cavalos selvagens. Porém os cavalos nem tocaram na santa, mas se jogaram contra o Licínio e o mataram. Quando, após uma oração fervorosa da santa Irene o pai dela ressuscitou, ele e toda a sua família e junto com eles ainda 3.000 pessoas se converteram.

Após disto, santa Irene começou pregar abertamente o cristianismo entre os habitantes da Macedônia, pelo que muitas vezes foi humilhada e sofria muito. O prefeito de Sedêcia muitas vezes mandava jogar santa Irene num buraco fundo cheio de serpentes, várias vezes tentavam serrá-la, ou amarravam à roda do moinho. Mas todos estes sofrimentos da santa eram acompanhados de milagres, o que atraía muitas pessoas e muitos se convertiam. Assim: as serpentes nem tocavam no corpo da santa, as serras não lhe causavam nenhum ferimento e a roda do moinho não girava. O próprio torturador Vavodon se converteu e foi batizado. No total, Irene converteu mais de dez mil pagãos.

Quando o Senhor anunciou a ela o dia de sua morte, Irene se retirou para uma gruta perto da cidade de Éfeso e pediu aos outros de fechar a entrada da gruta com um monte de pedras. Após quatro dias, os seus conhecidos voltaram à gruta e abrindo-a e entrando nela não encontraram o corpo da santa Irene. Todos compreenderam, que Deus a levou ao céu.

Santa Irene era muito venerada no Bizâncio antigo. Lá foram construídas várias igrejas suntuosas, das quais ela era a santa padroeira.