“A Ortodoxia manifesta-se, não dá prova de si”

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

São Igúmeno e Míst., Savas, o Consagrado, da Palestina, Doutor da Vida Monástica (+ 532) - 05/18 dez

A desconhecida aldeia de Mutalasca, na província de Capadócia, tornou-se famosa por meio desse grande luminar da Igreja Ortodoxa. Sabas nasceu ali, de seus pais João e Sofia. Aos oito anos deixou a casa de seus pais e foi tonsurado monge numa comunidade monástica próxima, dedicada a Flaviano. Dez anos depois, transferiu-se para os mosteiros da Palestina e permaneceu por mais tempo no Mosteiro de Santo Eutímio, o Grande (20 de janeiro), e Teoctisto. O clarividente Eutímio profetizou que Sabas viria a ser um monge famoso e mestre de monges e que haveria de fundar uma laura [Nota do tradutor: laura é uma comunidade monástica de grande porte] maior do que todas as lauras daquela época. Após a morte de Eutímio, Sabas retirou-se para o deserto, onde viveu por cinco anos como eremita numa caverna que lhe foi indicada por um anjo de Deus. Posteriormente, ao tornar-se perfeito na vida monástica, ele começou a reunir ao seu redor, pela Providência divina, muitos que desejavam a vida espiritual. Em pouco tempo um número tão grande havia se reunido que Sabas teve que construir uma igreja e muitas celas. Alguns armênios também vieram a ele, e a estes ele providenciou uma caverna na qual poderiam celebrar os ofícios na língua armênia. Quando seu pai morreu, sua idosa mãe Sofia veio até ele e ele a tonsurou monja. Ele deu a ela uma cela localizada à distância de seu mosteiro, onde ela viveu uma vida de ascetismo até a morte. Esse Santo Padre suportou muitas investidas de todos os lados: dos que lhe eram próximos, dos hereges e dos demônios. Mas ele a todos sobrepujou: a seus próximos, através da amabilidade e da indulgência; aos hereges, por meio da inabalável confissão da Fé Ortodoxa; e aos demônios, pelo sinal da Cruz e pelo apelo à ajuda divina. Travou um combate particularmente grande contra os demônios no Monte Castélio, onde fundou seu segundo mosteiro. Sabas fundou sete mosteiros ao todo. Ele e Teodósio, o Grande, seu vizinho, são considerados as maiores luzes e pilares da Ortodoxia no Oriente. Admoestaram imperadores e patriarcas em matérias de Fé e a todos serviram de exemplo de humildade santa e do poder miraculoso de Deus. Após uma vida trabalhosa e muito frutífera, São Sabas repousou no ano de 532, aos noventa e quatro anos. Entre suas muitas obras boas e admiráveis, mencione-se ao menos que foi ele o primeiro a compilar a Ordem dos Ofícios para uso em mosteiros, agora conhecida como Típico de Jerusalém.

Hino de Louvor
O Venerável Sabas, príncipe dos monges,
Comandante espiritual dos heróis do Cristo,
Foi glorificado pelo jejum, pelas vigílias e mansidão,
Pela oração, pela fé e bendita misericórdia.
Ensinaste aos monges a não se preocuparem com o pão;
Confiaste-te aos Céus, com trabalho e oração.
Não buscastes a precedência, nem qualquer posição que fosse.
Rarissimamente provaste do azeite e do vinho.
Guardaste todos os ofícios, no tempo estabelecido.
"Que o ofício seja uma alegria e não um fardo pesado,"
Dizia São Sabas aos monges,
E o demonstrou a todos pelo seu exemplo.
Como um sábio jardineiro, cercou a sua horta,
E plantou com cuidado muitos jovens.
Os jovens cresceram e produziram fruto:
Um regimento de monges, para a glória de Sabas.
Quinze séculos se passaram,
E o jardim espiritual de Sabas ainda floresce:
Mil monges, cem mil,
Cresceram na comunidade de Sabas até hoje.
São Sabas, glorioso recluso,Ó servo de Deus, ora também por nós.

Reflexão
Um homem pode ser grande em alguma habilidade, como um estadista ou um líder militar, mas ninguém dentre os homens é maior do que o homem grande na fé, na esperança e no amor. Quão grande era São Sabas, o Santificado, na fé e na esperança em Deus é algo que se pode avaliar melhor pelo seguinte incidente: certo dia, o ecônomo do mosteiro veio a Sabas e informou-lhe que no sábado e no domingo seguintes ele não poderia tocar o semantro [Nota do tradutor: placa de madeira ou ferro suspensa, na qual se bate com um martelo, e usado no lugar dos sinos em certos mosteiros ortodoxos] , conforme a tradição, para convocar os irmãos para o ofício e a refeição comuns, porque não havia nem um vestígio sequer de farinha no mosteiro, e tampouco qualquer coisa que fosse para comer ou beber. Por essa mesma razão, nem a Divina Liturgia seria possível. O santo respondeu sem hesitação: "Não cancelarei a Divina Liturgia por falta de farinha; fiel é Aquele que nos ordenou que não nos preocupássemos com coisas corporais, e poderoso é Ele para nos alimentar em tempo de fome". E depositou toda a sua esperança em Deus. Nessa necessidade extrema, ele estava disposto a enviar alguns dos vasos ou paramentos eclesiásticos para serem vendidos na cidade, a fim de que nem os ofícios divinos e nem a refeição costumeira dos irmãos fossem suprimidas. Todavia, antes do sábado, alguns homens movidos pela Providência divina trouxeram trinta mulas carregadas de trigo, vinho e azeite ao mosteiro. "Que dizes agora, irmão?", perguntou Sabas ao ecônomo. "Não devemos tocar o semantro e reunir os padres?" O ecônomo se envergonhou de sua falta de fé e implorou o perdão ao abade. O biógrafo de Sabas descreve esse santo como "severo com os demônios, mas suave com os homens". Certa vez, alguns monges se rebelam contra São Sabas, e por isso foram expulsos do mosteiro por ordem do Patriarca Elias. Construíram eles mesmos umas cabanas às margens do rio Tecoa, onde suportaram a privação de tudo. Ao ouvir que passavam fome, São Sabas carregou mulas com farinha e as trouxe a eles pessoalmente. Vendo que não tinham igreja, construiu uma para eles. A princípio os monges o receberam com ódio, mas mais tarde responderam ao seu amor com amor e se arrependeram de suas anteriores más ações contra ele.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Santa Virgem Megalomártir, Bárbara, de Nicomédia e sua companheirta Juliana (+ 306) - 04/17 dez

Essa gloriosa seguidora de Cristo foi prometida a Cristo desde sua tenra infância. Seu pai, Dióscoro, era um pagão, renomado por sua posição e riqueza na cidade de Heliópolis, no Egito. Dióscoro encarcerou Bárbara, sua filha única, brilhante de mente e de belo porte, numa alta torre. Rodeou-lhe de todo conforto, deu-lhe servas, ergueu ídolos para o culto e construiu-lhe uma sala de banhos com duas janelas. Ao olhar pela janela para a terra abaixo e os céus estrelados acima, a mente de Bárbara foi aberta pela graça de Deus. Ela reconheceu o único Deus Verdadeiro, o Criador, apesar do fato de não ter um mestre humano para conduzi-la a esse conhecimento. Certa vez, enquanto seu pai estava fora da cidade, ela desceu da torre e, de acordo com a Providência de Deus, encontrou algumas mulheres cristãs que lhe revelaram a verdadeira Fé do Cristo. O coração de Bárbara ficou inflamado de amor pelo Cristo Senhor. Ordenou que uma terceira janela fosse aberta na sala de banhos, para que as três janelas representassem a Santa Trindade. Sobre uma parede ela traçou com seu dedo uma cruz, e a cruz gravou-se fundo na pedra, como se tivesse sido entalhada com um cinzel. Uma poça d'água brotou de suas pegadas no chão do banheiro, a qual mais tarde trouxe a muitos a cura de doenças. Ao saber da fé de sua filha, Dióscoro espancou-a severamente e retirou-a da torre. Ele a perseguiu com a intenção de matá-la, mas um penhasco se abriu e escondeu Bárbara de seu pai brutal. Quando ela reapareceu, seu pai a levou a Marciano, o magistrado, que a entregou à tortura. Eles despiram a inocente Bárbara e a açoitaram até que seu corpo ficasse coberto de sangue e chagas, mas o próprio Senhor aparece a ela na prisão com Seus Anjos e a curou. Uma certa mulher, Juliana, vendo tudo isso, desejou para si o martírio. Ambas foram severamente torturadas e conduzidas pela cidade em meio ao escárnio. Seus seios foram amputados e muito sangue verteu deles. Enfim, foram levadas ao local de execução, onde o próprio Dióscoro executou sua filha e Juliana foi morta pelos soldados. Naquele mesmo dia, raios atingiram a casa de Dióscoro, matando a ele e a Marciano. Santa Bárbara sofreu no ano de 306. Suas relíquias milagrosas repousam em Kiev. Glorificada no Reino de Cristo, apareceu em muitas ocasiões até em nossos próprios dias, às vezes sozinha e às vezes na companhia da Santíssima Deípara.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

"Sobre os dois mundos"

No princípio Deus criou o céu e a terra (Gn. 1:1).

Irmãos, tudo o que Deus deseja revelar aos homens é revelado e tudo o que Ele não deseja revelar permanece oculto. Moisés, o único a ver Deus, não pôde dizer mais nada acerca o céu além de que, no princípio, Deus o criou. Tendo dito isto, continuou a descrever em detalhes a criação da terra. Porque Moisés não fala detalhadamente sobre a criação do céu? Porque Deus não quis revelar-lhe mais nada, uma vez que os homens de seu tempo não eram nem maduros o suficiente e nem capazes de compreender assuntos celestiais além de seus sentidos. Apenas depois que muitos séculos se passaram e o Novo Testamento de Deus veio aos homens é que Deus revelou muito mais acerca do mundo celestial aos Seus fiéis e eleitos. Apenas os cristãos começaram a ver os céus abertos. São João, o Teólogo, dá testemunho disso: depois disso olhei, e eis que uma porta estava aberta no céu (Ap 4:1). Santo Estevão, o Protomártir, testemunha: eis que vejo os céus abertos (At 7:56). O Apóstolo Paulo, que foi arrebatado ao terceiro céu (...) e ouviu palavras inefáveis (II Cor 12:2,4) fala dos coros angélicos, dos Tronos, Dominações, Principados e Potestades, e diz: tudo foi criado por Ele e para Ele (Col 1:16). Seu discípulo, São Dionísio, descreve a hierarquia celeste com tão grande detalhes quanto Moisés descreve o mundo terreno em sua criação. Assim quis a insondável sabedoria de Deus: aquilo que Deus não quis revelar a Moisés, Ele revelou aos Apóstolos e seus seguidores. O que não podia ser dito a crianças é dito a homens maduros. A revelação dos mistérios veio através da maturidade espiritual.

Aqui está uma bela lição para todos nós. Sejamos diligentes na busca da Verdade, e ainda mais diligentes na purificação de nossos corações, pacientes na espera, e inabaláveis na Fé; e Deus nos dará tudo no tempo oportuno, da maneira e na medida necessária à nossa salvação.

Ó Senhor Sapientíssimo e Filantropo, que nos ensinas e nos conduz à salvação, sem pressa e sem atraso; a Ti, ó Gracioso, seja a glória e o louvor.

A Ti seja a glória e o louvor para sempre. Amém.

Santo Profeta Sofonias, um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 03/16 dez

Sofonias era nativo do Monte Sarabata, da Tribo de Simeão. Viveu e profetizou no VII século a.C., no tempo de Josias, o piedoso rei de Judá. Sofonias era contemporâneo do Profeta Jeremias. Tendo grande humildade e uma mente pura elevada a Deus, foi julgado digno de discernir o futuro. Profetizou o dia da ira de Deus e do castigo de Gaza, Ascalon, Azoto, Acaron, Nínive, Jerusalém e Egito. Ele viu Jerusalém como uma cidade provocadora e redimida (...); seus príncipes estão no meio dela como leões rugidores; seus juízes, como os lobos da Arábia (...); seus profetas são levianos, homens escarnecedores; seus sacerdotes profanam as coisas santas e transgridem a Lei (Sofonias 3:1-4). Prevendo o advento do Messias, exclamou com entusiasmo: Rejubila, ó filha de Sião; exclama, ó filha de Jerusalém; alegra-te e deleita-te de todo o coração, ó filha de Jerusalém (Sofonias 3:14). Este vidente de mistérios repousou em sua terra natal, à espera da Ressurreição Geral e de sua recompensa de Deus.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Santo Profeta Habacuc um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 02/15 dez

Habacuc era filho de Asafá, da Tribo de Simeão. Profetizou 600 anos antes de Cristo, ao tempo do Rei Manassés, e previu a destruição de Jerusalém. Quando Nabucodonosor, Rei da Babilônia, atacou Jerusalém, Habacuc buscou refúgio na terra dos ismaelitas. Dali retornou à Judéia, onde viveu como fazendeiro. Certo dia, enquanto levava almoço aos trabalhadores nos campos, um anjo do Senhor lhe apareceu subitamente e disse: Leva a Babilônia esse jantar que tens, para o dares a Daniel, que lá está no lago dos leões (Daniel 12 - Bel e o Dragão:34). Mas Habacuc respondeu: Senhor, eu nunca vi Babilônia, e não sei onde é o lago (Daniel 12 - Bel e o Dragão:35). O Anjo então o tomou pelos cabelos e o trouxe no mesmo instante a Babilônia, por uma distância imensa, até o lago dos leões, onde Daniel fora lançado pelo Rei Ciro, como punição por não ter adorado os ídolos. Daniel, Daniel, clamou Habacuc, toma o jantar que Deus te enviou (Daniel 12 - Bel e o Dragão:37), e Daniel tomou-o e comeu. Então o anjo de Deus novamente tomou Habacuc e o levou de volta para seu campo na Judéia. Habacuc também profetizou a libertação de Jerusalém e o tempo da vinda do Cristo. Ele repousou em idade muito avançada e foi sepultado em Quelá. Suas relíquias foram descobertas durante o reinado de Teodósio, o Grande.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Santo Profeta Naum, um dos Doze Pequenos (+séc.VII aJ.C.) - 01/14 dez

Naum nasceu da Tribo de Simeão, em uma localidade chamada Elcosh, para além do Jordão. Viveu mais ou menos 700 anos antes de Cristo e profetizou a destruição de Nínive, cerca de 200 anos depois do Profeta Jonas. Por causa da pregação de Jonas, os ninivitas haviam se arrependido e Deus, com isso, preservou-os da destruição. Mas, com o decorrer do tempo, esqueceram-se da misericórdia de Deus e corromperam-se novamente. O Profeta Naum profetizou sua destruição e, uma vez que não houve arrependimento, Deus não os preservou. Toda a cidade foi destruída por terremotos, enchentes e pelo fogo, de modo que sua localização já não é mais conhecida. São Naum viveu quarenta e cinco anos e repousou no Senhor, deixando-nos um pequeno livro com estas profecias verdadeiras.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Santo Apóstolo, André, de Betsaida, o Primeiro-Chamado (+62) - 30 nov/13 dez

André, filho de Jonas e irmão de Pedro, nasceu em Bestaida e era pescador de profissão. No começo era discípulo de São João Batista, mas quando São João apontou para o Senhor Jesus e disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus (Jo 1:36), André deixou seu primeiro mestre e seguiu o Cristo. Depois André trouxe seu irmão Pedro ao Senhor. Após a descida do Espírito Santo, coube por quinhão a Santo André, o primeiro apóstolo do Cristo, pregar o Evangelho em Bizâncio e na Trácia, depois nas terras ao longo do Danúbio e na Rússia ao redor do Mar Negro e enfim no Epiro, na Grécia e no Peloponeso, onde padeceu. Em Bizâncio, designou Santo Estáquis como seu primeiro bispo; em Kiev, fincou uma Cruz num local elevado e profetizou um brilhante futuro cristão para o povo russo; pela Trácia, Epiro, Grécia e Peloponeso, converteu multidões de pessoas para a Fé e ordenou para eles bispos e padres. Na cidade de Patras, realizou muitos milagres em nome de Cristo e ganhou muitos para o Senhor. Entre os novos fiéis estavam o irmão e a mulher do Procônsul Egeates. Enfurecido com isso, Egeates submeteu Santo André à tortura e depois o crucificou. Enquanto o Apóstolo do Cristo estava ainda vivo na Cruz, dava instruções benéficas aos cristãos reunidos à sua volta. O povo queria retirá-lo da cruz, mas ele se recusou a permitir-lhes. Então o Apóstolo orou a Deus e uma luz extraordinária o envolveu. Essa iluminação brilhante durou meia hora e, quando desapareceu, o Apóstolo rendeu sua santa alma a Deus. Assim terminou sua trajetória terrena o Apóstolo Protocleto, o primeiro dos Doze Grandes Apóstolos a conhecer o Senhor e segui-lo. Santo André sofreu pelo seu Senhor no ano de 62. Suas relíquias foram levadas a Constantinopla; sua cabeça mais tarde foi levada a Roma, e uma mão foi levada a Moscou.

Hino de Louvor
Santo André, iluminado pelo Espírito,
E o Apóstolo Protocleto do Cristo,
Proclamava o Senhor dia após dia
E batizava o povo com a Cruz.
Como um jardineiro em seu próprio jardim,
Andava ele por cidades e aldeias,
E com talento enxertava árvores bravias,
Regando-as com a Água Viva,
Até chegar ao fim de seus dias
E ver a Cruz a aguardá-lo.
O jubiloso André disse à Cruz:
"Saudações, ó Cruz! Deus te santificou,
O Cristo te santificou com Seu corpo.
Ó Cruz, sê meu lugar de repouso.
Leva-me do pó da terra;
Ergue-me a Deus nas alturas
E deixa o Cristo tomar-me de ti;
O próprio Cristo que, por minha causa, foi crucificado em ti."
Discípulo do santo Batista
E apóstolo do Cristo Salvador,
Ó André, astro protocleto,Ajuda-nos pelas tuas orações.

Reflexão
São João Crisóstomo diz: "Tudo é dado aos apóstolos". Isto é, todos os dons, todos os poderes, toda a plenitude da graça que Deus dá aos fiéis. Vemos isto na vida do grande apóstolo, Santo André, o Protocleto: ele era apóstolo, evangelista, profeta, pastor e doutor (Efésios 4:11). Como evangelista, levou a boa nova do Evangelho aos quatro cantos da terra; como profeta, profetizou o batismo do povo russo e a grandeza de Kiev como cidade e centro cristão; como pastor, estabeleceu e organizou muitas igrejas; como doutor, ensinou incessantemente as pessoas, até e durante a sua própria crucificação, quando ensinou da cruz até o seu último suspiro. Em acréscimo a isso, ele foi um mártir, o que também é conforme o dom do Espírito Santo, e não é dado a todos. E assim vemos neste apóstolo, como nos outros, a plenitude da graça do Espírito de Deus. E toda grande obra que um seguidor do Cristo realiza deve ser atribuída àquela graça. São Frumêncio nos dá testemunho disso. Quando retornou de Alexandria para a Abissínia como um bispo consagrado, começou a operar os maiores milagres, convertendo assim grandes massas de gente à Fé. Então o rei perplexo lhe perguntou: "Tantos anos viveste entre nós e nunca te vimos realizar tais maravilhas. Como é que agora as fazes?" A isso o Beato Frumêncio respondeu ao imperador: "Isso não é obra minha, mas obra da graça do sacerdócio". O santo então explicou ao rei como ele tinha abandonado pais, casamento e o mundo inteiro pelo Cristo, e como ele havia -- pela imposição das mãos de Santo Atanásio -- recebido a graça do sacerdócio: a graça da taumaturgia.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Santo Eremita e Mártir, Estêvão o Novo, de Constantinopla, (+767) - 28 nov/11 dez

Tal como em certa ocasião Ana, a mãe de Samuel, orou a Deus para que lhe desse um filho, assim também fez Ana, a mãe de Estêvão. Orando dessa forma na Igreja de Blaquernas perante o ícone da Santíssima Deípara, um leve sono lhe sobreveio e ela viu a Santíssima Virgem radiante como o sol, e ouviu uma voz vindo do ícone: "Mulher, vai em paz. Conforme a tua oração, tens um filho em teu ventre." Ana de fato concebeu e deu à luz um filho, o santo Estêvão. Aos dezesseis anos, Estêvão recebeu a tonsura monástica no Monte Auxêncio, perto de Constantinopla, das mãos do ancião João, que também lhe ensinou a sabedoria divina e o ascetismo. Quando João repousou no Senhor, Estêvão permaneceu na montanha, numa vida de rigoroso ascetismo, tomando sobre si trabalho após trabalho. Sua santidade atraiu para ele muitos discípulos. Enquanto o Imperador Constantino Coprônimo perseguia ícones com maior ferocidade do que o seu tolo pai Leão, o Isauriano, Estêvão mostrou-se um zeloso defensor da veneração dos santos ícones. O imperador demente aceitou várias calúnias obscenas contra Estêvão e pessoalmente tramou intrigas para quebrantar Estêvão e tirá-lo do seu caminho. Estêvão foi banido para a ilha de Proconeso e depois levado a Constantinopla, acorrentado e lançado à prisão, onde veio a encontrar 342 monges, trazidos de toda parte e aprisionados por venerarem os ícones. Ali, na prisão, eles cumpriam o Típico inteiro da Igreja, como num mosteiro. Então o pérfido imperador condenou Estêvão à morte. O santo previu sua morte com quarenta dias de antecedência e pediu perdão aos irmãos. Os serviçais do imperador arrastaram-no da prisão e, aos murros e empurrões, arrastaram-no pelas ruas de Constantinopla, convocando todos os que fossem leais ao imperador para apedrejarem esse "inimigo do imperador". Um dos hereges acertou o santo na cabeça com um pedaço de madeira e o santo rendeu a sua alma. Assim como Santo Estêvão Protomártir sofreu nas mãos dos judeus, também este Estêvão sofreu nas mãos dos hereges iconoclastas. Esse glorioso soldado do Cristo sofreu no ano de 767, aos cinqüenta e três anos de idade, e foi coroado com a glória imperecível.

Hino de Louvor
Do mesmo nome que o primeiro Estêvão,
Estêvão, o Novo, também deu sua vida em batalha.
O orgulhoso imperador herege, o poder maligno encarnado,
Estava armado até os dentes com armas terrenas.
A arma de Estêvão era um poder que não tinha origem física,
Uma arma espiritual: a verdade celeste.
O imperador tinha soldados, defensores da falsidade,
Enquanto Estêvão era posto à vontade pelo Deus invisível.
Sereno como o céu, Estêvão aguardou a tortura,
A morte e a vida eterna depois deste século.
Enquanto, em seu ódio, o imperador rugia
E assinava a sentença de morte e suplícios para o homem justo.
Estêvão não desanimou, mesmo espancado e pressionado,
Unido que estava aos céus em espírito e em oração.
O imperador, mais forte que o corpo do santo, esmagou seu corpo;
Porém o santo era mais forte em espírito e acabou vitorioso.
Ó Santo Estêvão, cavaleiro espiritual,
Ajuda-nos a evitar as redes do demônio,
E a venerar com honra os santos ícones,
Para que sempre possamos seguir seu exemplo admirável

domingo, 7 de dezembro de 2008

Santa Megolomártir, e Virgem, Catarina de Alexandria (+c.305) - 24 nov/07

Catarina era filha do Rei Consto. Após a morte de seu pai, ela foi morar com sua mãe em Alexandria. Sua mãe era cristã em segredo e, através de seu pai espiritual, levou Catarina à fé cristã. Em uma visão, Catarina recebeu um anel do próprio Senhor Jesus como sinal de seu enlace com Ele. Esse anel continua em seu dedo até hoje. Catarina recebeu muitos dons de Deus e tinha grande conhecimento de filosofia grega, medicina, retórica e lógica. Além disso, era dotada de uma beleza física incomum. Quando o iníquo Imperador Maxêncio ofereceu sacrifício aos ídolos e ordenou que os outros fizessem o mesmo, Catarina enfrentou o imperador corajosamente e denunciou seus erros idólatras. O imperador, ao ver que ela lhe ultrapassava em sabedoria e conhecimento, intimou cinqüenta de seus homens mais sábios para discutir com ela assuntos relacionados à fé e envergonhá-la em público. Catarina os excedeu em sabedoria e os envergonhou. Enfurecido, o imperador ordenou que todos os cinqüenta homens fossem queimados. Pelas orações de Santa Catarina, todos os cinqüenta confessaram o nome de Cristo e se declararam cristãos antes da execução. Depois de Catarina ter sido encerrada na prisão, ela converteu o comandante do imperador, Porfírio, e mais duzentos soldados à fé cristã, assim como a própria imperatriz Augusta Basilissa. Todos eles sofreram por Cristo. Durante a tortura de Santa Catarina, um anjo de Deus veio até ela e destruiu a roda na qual a santa virgem estava sendo torturada. Depois disso, o Senhor Jesus Cristo apareceu para ela e a confortou. Após muitas torturas, Catarina foi decapitada com dezoito anos de idade, no dia 24 de novembro de 310. Ao invés de sangue, leite jorrou de seu corpo. Suas relíquias miraculosas estão no Monte Sinai.

Hino de Louvor
A sábia Catarina, uma princesa terrestre,
Se tornou uma mártir por Cristo, o Salvador.
O tolo Maxência lhe ofereceu a vida:
Se ela aceitasse se tornar sua esposa!
A santa Catarina, pura como ouro,
Respondeu ao imperador da seguinte maneira:
"Meu noiva é o Cristo Ressuscitado,
E não desejo o amor de um homem corrupto.
Buscar meu corpo: aquele que é podre busca a corrupção,
Assim como o espírito incorrupto busca a imortalidade.
O revestimento físico deve definhar-se,
O homem verdadeiro cuida da sua alma imortal.
Faz o que quiseres, e me torture-
Queime-me no fogo, me vire em uma roda;
Não posso renunciar minha própria alma,
Nem adorar ninguém como Deus a não ser Cristo.
Lembra-te, ó Imperador, que em breve morrerás,
E vermes surgiram do teu cadáver-
Vermes te glorificarão e verme te comerão,
Uma maldição irá te acompanhar, e uma maldição irá te encontrar;
Pois ousas lutar contra Cristo, Que é mais poderoso do que a morte.
Permaneces embaixo da Rocha e Ele irá te esmagar''.
Santa Catarina, virgem de Cristo,
Desprezastes o trono pela verdade eterna;
E por isso agora reinas no Reino eterno,
E cantas com os anjos, no meio do doce Paraíso.

Tropário, t.5
Cantemos à ilustre esposa de Cristo, Santa Catarina, a protetora do Sinai, aquela que é para nós refúgio e socorro; ela fez calar com a espada do Espírito, brilhantemente, os sofismas dos ímpios; doravante, coroada mártir, por nós todos ela implora a graça da salvação.

Kondakion, t.2
Neste dia, amigos dos Mártires, fazei um coro divino para glorificar a sapientíssima Catarina; sob a arena, de fato, ela proclamou o Cristo, e esmagou aos pés a serpente, ela que desprezou o saber dos filósofos

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Grande Dódeca Festa da Apresentação no Templo de Jerusalém da Santíssima Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria - 21 nov/04 dez

Nesse dia festejamos a Entrada no Templo da Mãe de Deus. Foi quando Joaquim e Ana, seus pais, a conduziram ao Templo, em cumprimento à promessa que haviam feito antes de Seu nascimento, de consagrarem-Na a Deus. Maria contava, então
com 3 anos.


Joaquim fez convocar jovens raparigas dos hebreus de raça pura, a fim de escoltá-la com tochas e precedê-la em direção ao Templo, para que, trazida pela luz, a criança não fosse tentada a voltar atrás em busca de seus pais. Porém, a Santa Virgem, Toda Pura é elevada por Deus, desde Seu nascimento, a um grau de virtude e de Seu amor às coisas celeste, superior a qualquer outra criatura, põe-se a correr em direção ao Templo. Ultrapassa as virgens de sua escolta e, sem um único olhar ao mundo, lançasse aos braços do Sumo-Sacerdote Zacarias, que a esperava sob o pórtico, em companhia dos anciãos. Zacarias a abençoou dizendo: “O Senhor glorificou teu nome de geração em geração. É em ti que, nos últimos dias, Ele revelará a Redenção que preparou para seu povo”. E, coisa inaudita para os homens da Antiga Aliança, ele faz a criança entrar no Santo dos Santos, onde somente entrava o Sumo-Sacerdote uma vez por ano, no dia da Festa da Expiação. Sentou-A no terceiro degrau do Altar e o Senhor fez descer a Sua graça sobre Ela, que se levantou e pôs-se a dançar a fim de expressar Sua alegria. Todos os presentes maravilharam-se contemplando esse espetáculo promissor das grandes maravilhas que Deus em breve realizaria Nela.

Tendo, dessa forma, abandonado o mundo, seus pais e qualquer ligação com as coisas sensíveis, a Santa Virgem permaneceu no Templo até a idade de 12 anos, quando os sacerdotes e anciãos confiaram-na a José, para que fosse o guardião de Sua virgindade, tornando-se seu noivo.

Quando a Mãe de Deus penetrou no Santo dos Santos, o tempo de preparação e de provação da Antiga Aliança teve fim e, nesse dia, celebramos os esponsais de Deus com a natureza humana. Eis porque a Igreja rejubila e exorta a todos a retirarem-se também ao templo de seus corações, a fim de preparar a vinda do Senhor, pelo silêncio e pela oração.

O Templo
Moisés recebeu no Monte Sinai, a prescrição do Senhor para lhe fazer um Templo: “E me farão um santuário e habitarei no meio deles. Conforme a tudo que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus vasos, assim o fareis” (Ex. 25, 8-9).

Era a Tenda da Congregação, primeiro modelo do Templo de Jerusalém. Lá, Moisés colocou as Tábuas da Lei na Arca da Aliança, caixa de madeira preciosa recoberta de ouro e colocada sob a proteção de 2 querubins feitos de ouro puro, com as asas abertas. Em todos os lugares onde o povo parava, durante sua marcha pelo deserto, a Tenda era montada e a presença de Deus habitava.

Quando, finalmente, o povo judeu penetrou na Terra Prometida, após numerosas batalhas e conquistas de Josué, Saul e David, coube a Salomão a missão de construir, em Jerusalém, uma Morada Suntuosa, digna do Senhor. É em cerca de 950 a.C. que o Templo de Salomão é erguido. A Arca da Aliança, Trono de Deus, foi colocada no “Santo dos Santos”.

Alguns séculos mais tarde, o povo judeu sofreu uma grande provação: a ruína de Jerusalém e a destruição do Templo, sob Nabucodonosor em 586 a.C.. A seguir a essa derrota, os judeus foram levados cativos para a Babilônia. O Profeta Ezequiel, também deportado para a Babilônia, teve então a visão de Israel restaurada e do Templo restaurado de suas ruínas.

No retorno do exílio, o Templo foi reconstruído por Zorobabel, porém não correspondia à visão de Ezequiel, nem possuía a grandeza magnífica do constuído pó Salomão. Herodes, para marcar a importância de seu reinado e se fazer perdoar por sua dependência do Império Romano, enriqueceu e embelezou o Templo, uma vintena de anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Esse Templo foi destruído para sempre em 70 d.C. por Tito, segundo as profecias de Cristo (Lc. 19, 43-44).

O Ofício de Vésperas dessa festa nos propõe 3 leituras: são as 3 etapas da história do Templo antes da restauração. Elas nos revelam que o Templo é um edifício temporal, destinado à destruição. Existe, no entanto, um Templo Eterno, “não feito de mão de homem”. A única e verdadeira edificação do Templo se fará na Ressurreição do Cristo (Jo. 2, 18-22).

Primeira Leitura (Êxodo 40, 1-5; 9-10;16 e 34-35): o protótipo do Templo, a Tenda da Congregação plantada por Moisés

Segunda Leitura (I Reis 8, 1-11): o Templo de Salomão e a entrada solene da Arca no “Santo dos Santos”

Terceira Leitura (Ezequiel 43, 27-44.4): a profecia de Ezequiel, visão do Templo restaurado.

Cada uma das 3 leituras do Antigo Testamento concernente ao Templo, termina pela mesma visão: A Glória do Senhor preenchendo a casa do Senhor.

Maria entra no Templo e prepara-Se para tornar-Se, ela própria, a casa do Senhor. É pelo Espírito Santo que o Verbo de Deus toma carne Nela. Ela torna-se, portanto, o Templo do Espírito Santo.

Durante a Liturgia, o tema do Templo é retomado com a leitura do Novo Testamento (Hb. 9, 1-7). Essa Epístola nos apresenta o Templo e suas prescrições segundo a Lei, em vistas a acolher o Cristo. Ele será o Único Templo verdadeiro, pois o Corpo de Cristo é a Igreja que reúne todos os seus fiéis.

A Arca da Aliança
Nós vimos a importância da Arca nas Escrituras, sua entrada solene no Templo e seu lugar no “Santo dos Santos”, sob as asas dos Querubins. E, no entanto, Ezequiel, em sua visão profética, não restabeleceu a Arca.

De fato, após a restauração, no retorno da Babilônia, a Arca da Aliança não foi encontrada. Para nós, esse fato não é fortuito e concorda com o sentido da Festa. A Arca continha o dom de Deus: a Lei e o Maná. Agora, uma Arca viva vai conter mais que o dom, mas o próprio Deus: o Verbo feito carne, o Pão Celeste. Aí está todo o sentido de nossa Festa: Maria entra no Templo como a Arca reencontrada, e seu lugar é no “Santo dos Santos”.

Arca viva da esperança de Deus,
Jamais tocada por mão carnal,
Mãe de Deus,
Que os fiéis te cantem sem cessar,
Na alegria, a palavra do anjo:
“Virgem Pura, Tu és em verdade
O ápice da criação”
(Hirmos da 9ª Ode, tom 4)

Os Querubins que recobriam a Arca com suas asas, estão presentes no canto litúrgico e aclamam a entrada de Maria no Templo:

À entrada da Toda Pura,
Os anjos se maravilham:
“Como entra a Virgem
no Santo dos Santos?”
(Versículo da 9ª Ode)

A espera do Messias
A Igreja escolheu coloca essa Festa no início do Advento, período onde nós revivemos a espera do Messias pelo Povo Judeu. Maria representa toda Israel, Ela engloba em Sua pessoa, a espera, Ela realiza a Promessa.

Verdadeiramente é digno e justo
Que te bendigamos
Ó Bem Aventurada Mãe de Deus!
Tu mais venerável que os Querubins
E, incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins,
Desta à luz o Verbo de Deus
Conservando intacta a glória da Tua virgindade.
Nós Te glorificamos
Ò Mãe do Nosso Deus
(Hino cantado na Liturgia de São João Crisóstomo e repetido em cada celebração)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Santo Profeta Abdiass (Obadias), um dos doze Pequenos Profetas (+séc.IXa.J.C.) - 19 nov/02 dez

Abdias nasceu no vilarejo de Betarã, na região de Siquém. Viveu na corte do Rei Acab, mas quando o rei abandonou a verdadeira adoração e se prostrou perante os ídolos, Abdias não o seguiu, mas continuou a servir o Deus uno e verdadeiro. Quando a maligna Rainha Jezebel, tomada de ódio por Elias, levantou uma perseguição contra todos os profetas de Deus, Abdias reuniu uma centena deles, escondeu-os em duas cavernas, e os alimentou até o final da perseguição (I Reis 18:4). Contemporâneo do grande Profeta Elias, Abdias o reverenciava muito e o servia em todas as coisas, como um seguidor e discípulo. Ele viveu novecentos anos antes de Cristo e repousou em paz.

domingo, 30 de novembro de 2008

S. Pont. e Conf., Gregório, o Taumaturgo, Arcebispo de Neocesaréia (+ 270) - 17/30 nov

Esse homem de Deus e poderoso taumaturgo foi chamado de segundo Moisés. Gregório nasceu de pais pagãos, mas ricos e eminentes. Estudou as filosofias helênica e egípcia e se fez consciente da pobreza e insuficiência da filosofia pagã. Voltou-se então para os professores cristãos, em especial a Orígenes de Alexandria, com quem estudou por vários anos e de quem recebeu o batismo. Tendo a alma e o corpo puros, desejou se consagrar completamente ao Cristo Deus, razão pela qual foi viver no deserto, onde passou muitos anos em rigoroso ascetismo. Sua fama se espalhou por toda a parte. O Bispo Fedimo de Amaséia quis consagrá-lo bispo de Neocesaréia. O clarividente Gregório percebeu a intenção de Fedimo e se escondeu dos emissários do bispo no deserto. Finalmente, Fedimo o consagrou de uma maneira estranha, e Gregório teve que aceitar o cargo de bispo. A Santíssima Deípara e São João o Teólogo apareceram para ele numa visão e São João, por ordem da Deípara, deu-lhe o Símbolo de Fé que é conhecido pelo nome de Gregório. Quem pode enumerar todos os milagres desse segundo Moisés? Ele tinha poder sobre os espíritos malignos, sobre montanhas e águas, curava toda dor e enfermidade, podia se tornar invisível a seus perseguidores e com clarividência percebia eventos distantes e pensamentos dos homens. Terminou sua vida terrena no ano de 270, em idade muito avançada. Quando chegou a Neocesaréia como bispo, encontrou apenas dezessete cristãos naquela cidade pagã. Quando partiu desta vida, deixou a cidade cristã, com apenas dezessete pagãos, e recebeu os louros da glória de seu Senhor no Reino celestial.

Hino de Louvor
São Gregório, santo e glorioso,
Uma luz brilhante da Igreja e um herói Ortodoxo,
Elevou-se a Deus por um caminho estreito:
Através de sofrimento e lágrimas, alcançou a santidade.
Salvou a si próprio e ajudou a muitos.
Com sua vida exemplar, palavras e milagres,
Ajudou os incrédulos a acreditar,
E os crédulos a serem puros e verdadeiros com a Fé.
Os céus estavam abertos para ele,
E ele penetrava claramente os segredos dos homens.
Recebeu os ensinamentos místicos do céu;
E no centro deste ensinamento, ele ensinou a Santa Trindade -
A Divina Trindade, una em Essência,
E Cristo, alimento e bebida vivificantes.
Assim como as simples gotas de orvalho estão cheias da luz do sol,
Corações puros são a morada dos céus.
Com a ajuda de Deus, São Gregório
Venceu a escuridão da idolatria,
E batizou milhares de pagãos;
Então, partiu em paz, para permanecer com seu Rei!
São Gregório, implora a Deus
Que a Igreja Ortodoxa vença os seus adversários!

Reflexão
Que os seguintes exemplos da vida de São Gregório mostrem como Deus guarda e salva os justos dos ataques. Enquanto ele ainda estava na escola de filosofia em Alexandria, São Gregório guardou sua pureza de corpo e alma, como a preservou até o fim de sua vida. Nisso, ele era uma exceção entre os jovens libertinos daquele tempo. Isso causava inveja e raiva entre seus companheiros. Com a intenção de humilhar Gregório, eles encontraram uma prostituta para ajudá-los a por em prática um plano maligno. Certa vez, quando Gregório estava na praça com professores e filósofos eminentes, a tola mulher se aproximou dele e em voz alta exigiu que Gregório lhe pagasse aquilo que lhe devia por ter tido relações impuras com ela. Algumas das pessoas presentes ficaram escandalizadas, enquanto outras ficaram furiosas com a mulher sem-vergonha e começaram a perseguí-la; mas ela gritava ainda mais alto, exigindo dinheiro. O inocente Gregório enrubesceu, como qualquer homem descente teria perante tamanha caluniadora, mas não mostrou ódio nem fúria, e pediu a um amigo que desse a ela a quantia pedia para que ela partisse. O amigo atendeu a Gregório e deu a ela o dinheiro que ela queria. Mas, naquele momento, Deus permitiu que um espírito maligno entrasse na mulher e ela caiu no chão e começou a se contorcer e ter convulsões, ranger os dentes e sua boca começou a espumar. Ao ver isto, todos ficaram atemorizados. Só que São Gregório, inocente como um cordeiro, orou a Deus por ela e, a mulher foi curada e se levantou. Assim, ao invés de humilhação, Gregório adquiriu uma glória ainda maior.

Um outro exemplo: Quando aconteceu uma dura perseguição de cristãos, São Gregório aconselhou os cristãos a se esconder e, ele e seu diácono se esconderam numa colina. Mas os soldados imperiais os viram e foram atrás deles. Quando estavam quase chegando a eles, Gregório orou a Deus por ajuda, e Deus os tornou invisíveis para seus perseguidores. Os soldados os procuraram em vão e, finalmente partiram sem eles.

sábado, 29 de novembro de 2008

Santo Apóstolo e Evangelista, Mateus, um dos Doze Santos Apóstolos do Senhor (+60) - 16/29 nov

Mateus, o filho de Alfeu, era no começo um coletor de impostos e foi como tal que o Senhor o viu em Cafarnaum e lhe disse: "Segue-me". Ele, levantando-se, O seguiu (Mateus 9:9). Após isso, Mateus preparou um banquete em sua casa e lá proveu a oportunidade de o Senhor falar algumas grandes verdades a respeito de Sua vinda à terra. Após receber o Espírito Santo, Mateus pregou o Evangelho aos partas, medos e etíopes. Na Etiópia, ele designou seu discípulo Platão como bispo e retirou-se para orar sozinho numa montanha, onde o Senhor apareceu para ele. Mateus batizou a mulher e o filho do príncipe da Etiópia, o que deixou o príncipe muito encolerizado; ele enviou uma guarda para trazer Mateus perante si a julgamento. Os soldados foram, mas voltaram ao príncipe dizendo que tinham ouvido a voz de Mateus, mas que não o conseguiram ver com seus olhos. O príncipe então mandou uma segunda guarda. Quando esta guarda se aproximou do Apóstolo, ele resplandeceu com uma luz celestial tão brilhante que os soldados eram incapazes de olhar para ele. Amedrontados, largaram suas armas e foram embora. O príncipe, então, foi ele mesmo para lá. Quando ele se aproximou de Mateus, tanto brilho resplandeceu do santo que o príncipe ficou cego no mesmo instante. Mas o apóstolo tinha um bom coração: ele orou para Deus e a visão do príncipe foi restaurada – infelizmente, só no plano físico; seus olhos espirituais continuaram fechados. Ele prendeu Mateus e submeteu-o a severas torturas, duas vezes ateando fogo ao seu peito, mas o poder de Deus o manteve vivo e ileso. Então, o apóstolo rezou para Deus e entregou seu espírito nas Suas mãos. O príncipe ordenou que o corpo do mártir fosse colocado em um caixão de chumbo e jogado ao mar. O santo apareceu ao bispo Platão e lhe disse onde poderia encontrar o caixão com seu corpo; o bispo foi e os recuperou. Vendo essa nova maravilha, o príncipe foi batizado e recebeu o nome Mateus. Ele então deixou de lado toda vaidade terrena e se tornou um presbítero, servindo a Igreja de uma maneira agradável a Deus. Quando Platão faleceu, o apóstolo Mateus apareceu para o presbítero Mateus e o aconselhou a aceitar o episcopado. Então, ele se tornou um bispo e foi um bom pastor por muitos anos, até que Deus o levou para Seu Reino imortal. São Mateus Apóstolo escreveu seu Evangelho na língua aramaica. Pouco depois ele foi traduzido para o grego e o texto grego chegou até nós, ao passo que o texto aramaico se perdeu. Conta-se deste Evangelista que ele nunca comia carne, mas se alimentava apenas de frutas e hortaliças.

Hino de Louvor
Ao Seu Santo Apóstolo Mateus,
O Senhor apareceu na terra dos negros,
Dando grande conforto ao guerreiro torturado,
E muita força à sua alma heróica.
O Senhor lhe deu um bastão de Sua mão,
E disse a Mateus que o plantasse em frente à igreja.
Ele lhe disse que se tornaria verde e floresceria com muitas cores,
E daria frutos doces para todos provarem.
Uma fonte jorraria por debaixo de suas raízes
Uma fonte de água fresca para aqueles que tem sede.
A face de quem provasse dela com gratidão
Brilharia com uma luz maravilhosa.
O apóstolo fez como o Senhor havia dito,
E a madeira frutificou, e ficou adornada de rebentos,
E água viva jorrou de suas raízes,
E a igreja ficou repleta com uma multidão de pessoas.
Quem estava doente, era curado;
Quem estava saudável, ficava ainda mais saudável.
Os negros foram abençoados, suas faces ficaram radiantes,
E esse povo bravio se tornou a vinha de Deus.
Ó árvore maravilhosa, se nós pudéssemos tê-la!
Mas nós a temos, irmãos, todos nós a temos!
É Cristo, o Senhor, o Senhor dos Exércitos Ele é a Árvore da Vida e por Ele somos salvos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Santo Pontífice e Confessor, João, o Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla (+407) - 13/26 nov

João nasceu em Antioquia no ano de 354 A.D., de seu pai, o Comendador Segundo e sua mãe Antusa. Estudando a filosofia grega, João ficou enojado com o paganismo helênico e adotou a Fé Cristã como a verdade que tudo abrange. Melécio, Patriarca de Antioquia, batizou João e, depois disso, seus pais também receberam o batismo. Após a morte de seus pais, João foi tonsurado monge e começou a viver uma vida de ascetismo intenso. Ele então escreveu um livro "Sobre o Sacerdócio" após o que os santos Apóstolos João e Pedro apareceram para ele, profetizando para ele um grande serviço, grande graça, mas também um grande sofrimento. Na altura em que ele seria ordenado padre, um anjo de Deus apareceu ao mesmo tempo para o Patriarca Flaviano (sucessor de Melécio) e para o próprio João. Enquanto o Patriarca deitava suas mãos sobre João (ordenando-o), todos viram uma brilhante pomba branca sobre a cabeça de João. Glorificado pela sua sabedoria, ascetismo e poder com as palavras, João foi escolhido, segundo desejo do Imperador Arcádio, como Patriarca de Constantinopla. Como patriarca, ele governou a Igreja por seis anos com zelo e sabedoria inigualáveis. Ele enviou missionários aos pagãos celtas e citas; erradicou a simonia na Igreja, depondo muitos bispos – os simonistas; ele ampliou as obras de caridade da Igreja; escreveu uma ordem especial da Divina Liturgia; envergonhou os heréticos; denunciou a Imperatriz Eudóxia; interpretou as Santas Escritura com sua mente e língua douradas e legou à Igreja muitos livros preciosos com suas homilias. O povo o glorificava, os invejosos o abominavam e a Imperatriz, em duas ocasiões, o mandou para o exílio. João passou três anos no exílio e morreu na Festa da Elevação da Venerável e Santa Cruz, 14 de setembro de 407, na cidade de Comana na Armênia. Antes da sua morte, os Santos Apóstolos João e Pedro lhe apareceram novamente, assim como o Santo Mártir Basilisco (22 de maio) na igreja de quem ele recebeu Comunhão pela última vez. Suas últimas palavras foram: "Glória a Deus por todas as coisas!" E com essas palavras a alma do patriarca de boca de ouro foi levada ao Paraíso. Quanto às relíquias de Crisóstomo, sua cabeça repousa na igreja da Dormição em Moscou e seu corpo no Vaticano, em Roma.
Hino de Louvor
A Igreja glorifica São João,
"A Boca de Ouro", abençoada por Deus,
Grande soldado de Cristo,
Que é o adorno e o orgulho da Igreja:
Profundo de coração e de mente,
E, com palavras, uma harpa de cordas de ouro.
Sondou as profundezas dos mistérios
E encontrou a pérola que brilha como as estrelas.
Exaltado em espírito até as alturas dos céus,
Expôs a verdade divina,
E sua visão é verdadeira por toda a história.
Ele deu tudo ao Filho de Deus.
Revelou-nos os horrores do pecado
E as virtudes que adornam o homem;
Mostrou-nos os mistérios mais preciosos
E toda a doce riqueza do Paraíso.
Evangelista, intérprete do Evangelho,
E portador da alegria espiritual,
Zeloso por Cristo como um apóstolo,
Não aceitava nenhuma injustiça.
Foi supliciado como qualquer mártir,
E recebeu seu suplício como um penhor de salvação.
Esse Servo de Cristo mostrou-se verdadeiro;
Portanto, a Igreja glorifica Crisóstomo.
Reflexão
Punição e recompensa! Ambos estão nas mãos de Deus. Mas, como essa vida terrena é apenas uma sombra da verdadeira vida no céu, então punição e recompensa aqui são apenas uma sombra da verdadeira punição e recompensa da eternidade. Os principais perseguidores de Crisóstomo, o santo de Deus, foram Teófilo, Patriarca de Alexandria e a Imperatriz Eudóxia. Após a morte por martírio de Crisóstomo, uma grande punição recaiu sobre eles, a saber, Teófilio ficou maluco e a Imperatriz Eudóxia foi banida da corte imperial pelo Imperador Arcádio. Eudóxia rapidamente ficou doente de uma enfermidade incurável e feridas se abriram por todo o seu corpo e vermes saltavam de suas feridas. Tal era o fedor que emanava dela que não era fácil sequer para uma pessoa na rua passar pela sua casa. Os médicos usaram todas as melhores fragrâncias e aromas, mesmo incenso, tanto quanto era possível, para eliminar o odor da perversa imperatriz, mas não tiveram grande êxito e a imperatriz acabou morrendo no fedor e em agonia. Mesmo após a morte a mão de Deus caiu com peso sobre ela. O caixão com seu corpo sacudia noite e dia durante trinta e quatro dias até que o Imperador Teodósio trasladou as relíquias de São Crisóstomo para Constantinopla. E o que aconteceu a Crisóstomo após a morte? Recompensa – recompensa como somente Deus pode conceder. Adelfo, o bispo árabe, que recebeu o exilado Crisóstomo na sua casa em Cucuso, orou a Deus após a morte do santo para que Ele lhe revelasse onde a alma de João poderia ser encontrada. Certa vez, enquanto orava, Adelfo, como se estivesse fora de si, viu um jovem radiante que o conduziu pelos céus e o mostrou, em ordem, todos os hierarcas, pastores e mestres da Igreja, chamando cada um pelo nome, só que ele não viu João. Então, o anjo de Deus o levou para a saída do Paraíso e Adelfo se entristeceu. Quando o anjo lhe perguntou a razão de sua tristeza, Adelfo respondeu que sentia muito não ter visto seu amado mestre, João Crisóstomo. O anjo respondeu: "Nenhum homem que ainda esteja na carne pode vê-lo, pois ele está no trono de Deus com os Querubins e Serafins".
Tropário, t.8
Como uma lâmpada resplandecente, assim brilhou a graça da tua boca, iluminando o Universo, conservando para o mundo o precioso tesouro do desprendimento do dinheiro e fazendo-nos ver claramente a excelência da humildade. Por isso, ó Santo Padre João Crisóstomo, cujas palavras edificam os homens, roga a Cristo, Verbo de Deus, que salve as nossas almas.
Kondakion, t.4
Dos Céus recebeste a Graça divina, ó justo e Bem-Aventurado João Crisóstomo. E por aquilo que os teus lábios proferiram, ensinaste a todos a prostrarem-se diante de Deus, Uno na Trindade. Nós te cantamos, pois, os divinos louvores, pois não deixarás de ser o mestre que ilumina os insondáveis Mistérios Divinos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Comemoração dos Santos Arcanjos e Anjos: Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Jegudiel, Salatiel, Buraquiel e Jeremiel, Príncipes das Milícias Celestes, e


Os anjos de Deus eram celebrados pelos homens desde os tempos mais remotos mas essa celebração era freqüentemente transformada em uma divinização dos anjos (II Rs 23:5). Os heréticos teciam todo tipo de fábulas a respeito dos anjos. Alguns deles viam os anjos como deuses; outros, apesar de não considerá-los deuses, os chamavam de criadores de todo o mundo visível. O Concílio Local de Laodicéia (quatro ou cinco anos anterior ao Primeiro Concílio Ecumênico) rejeitou a adoração dos anjos enquanto deuses e estabeleceu uma veneração adequada aos anjos no seu Trigésimo Quinto Cânone. No século quarto, durante o tempo de Silvestre, Papa de Roma e, Alexandre, Patriarca de Alexandria, a atual festa do Arcanjo Miguel e todos os outros poderes celestes foi instituída a ser celebrada no mês de novembro. Por que precisamente em novembro? Porque novembro é o nono mês após março, e março é considerado como sendo o mês em que o mundo foi criado. Também, enquanto nono mês após março, novembro foi escolhido para representar as nove ordens angélicas a serem criadas primeiramente. São Dionísio Aeropagita, um discípulo do Apóstolo São Paulo (que foi levado até ao terceiro céu), descreveu essas nove ordens angélicas em seu livro, Sobre as Hierarquias Celestes, como se segue: os Serafins de seis asas, Querubins com muitos olhos, Tronos Teóforos, Domínios, Poderes, Virtudes, Principados, Arcanjos e Anjos. O líder to todo exército dos anjos é o Arcanjo Miguel. Quando Satanás, Lúcifer, se afastou de Deus e levou consigo parte dos anjos para a destruição, Miguel se levantou e exclamou perante os anjos fiéis: "Estejamos atentos! Permaneçamos em pé! Permaneçamos em temor!'' e todo exército dos anjos fiéis exclamaram : ``Santo! Santo! Santo! Senhor Deus de Sabaoth! O Céu e a terra estão cheios da Tua glória!'' A respeito do Arcanjo Miguel, veja Josué 5:13-15 e Judas 1:9. Entre os anjos reina uma perfeita unidade da mente, unidade de alma e, de amor. As ordens inferiores mostram total obediência às ordens superiores, e todas juntas à santa vontade de Deus. Toda nação tem seu anjo guardião, assim como todo Cristão. Devemos sempre nos lembrar que tudo o que fazemos, abertamente ou em segredo, fazemos na presença do nosso anjo da guarda. No dia do Temível Julgamento, a multidão dos exércitos dos santos anjos celestes se reunirá ao redor do trono de Cristo e, as obras, palavras e pensamentos de todo homem serão revelados perante todos. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos salve pelas orações do Arcanjo Miguel e de todos os poderes incorpóreos. Amém.
Reflexão
A Sagrada Escritura testemunha clara e irrefutavelmente que os anjos se comunicam incessantemente com este mundo. A Sagrada Escritura e a Santa Tradição da Igreja Ortodoxa nos ensinam os nomes dos sete líderes dos poderes angélicos: Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Salatiel, Jegudiel e Baraquiel (um oitavo, chamado Jeremiel, é algumas vezes incluído).

"Miguel", na língua hebraica, significa "Quem é como Deus?" ou "Quem é igual a Deus?" São Miguel tem sido representado desde os mais antigos tempos cristãos como um comandante, que segura em sua mão direita uma lança com a qual ataca Lúcifer, satanás, e em sua mão esquerda um ramo verde de palmeira. No topo da lança há um laço de linho com uma cruz vermelha. O Arcanjo Miguel é especialmente considerado como o Guardião da Fé Ortodoxa, e um combatente contra as heresias.

"Gabriel" significa "Homem de Deus" ou "Poder de Deus". Ele é o arauto dos mistérios de Deus, especialmente da Encarnação de Deus e de todos os outros mistérios relacionados a ela. Ele é representado da seguinte maneira: em sua mão direita ele leva uma lanterna com uma vela acesa dentro, e na mão esquerda leva um espelho de jaspe verde. O espelho simboliza a sabedoria de Deus como um mistério escondido.
"Rafael" significa "A cura de Deus" ou "Deus, o Médico" (Tobias 3:17, 12:15). Rafael é representado levando Tobias (que carrega um peixe apanhado no rio Tigre) em sua mão direita, e segurando um jarro de alabastro de médico em sua mão esquerda. "Uriel" significa "Fogo de Deus", ou "Luz de Deus" (III Esdras 3:1, 5:20). Ele é representado segurando uma espada contra os persas em sua mão direita, e uma chama flamejante em sua mão esquerda.

"Salatiel" significa "Intercessor de Deus" (III Esdras 5:16). Ele é representado com seu rosto e olhos voltados para baixo, segurando as mãos contra o peito, em oração.

"Jegudiel" significa "Glorificador de Deus". Ele é representado segurando uma coroa de ouro em sua mão direita e um chicote de três pontas em sua mão esquerda.

"Baraquiel" significa "Bênção de Deus". Ele é representado segurando uma rosa branca contra seu peito.

"Jeremiel" significa "Exaltação de Deus". Ele é venerado como um inspirador e despertador de pensamentos exaltados que elevam o homem a Deus (III Esdras 4:36).

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Santo Pontífice e Mártir, Paulo I o Confessor, Patriarca de Constantinopla (+ 351) - 06/19 nov

Enquanto o Bem Aventurado Patriarca Alexandre estava deitado em seu leito de morte, os fiéis sofredores lhe perguntaram quem ele escolheria para o suceder enquanto pastor chefe do rebanho espiritual de Cristo. Ele disse: "Se desejais um pastor que vos ensine e que brilhe em virtudes, escolhei Paulo; mas se apenas desejais um homem adequado, exteriormente adornado, escolhei Macedônio". O povo escolheu Paulo. Infelizmente, isso não foi aceito pelos heréticos arianos nem pelo Imperador Constâncio, que estava em Antioquia. Paulo foi rapidamente deposto, e fugiu para Roma com Santo Atanásio, o Grande. Em Roma, o Papa Juliano e o Imperador Constante os receberam calorosamente e os confirmaram na sua Fé Ortodoxa. O Imperador Constante e o Papa Juliano se certificaram de que Paulo tivesse seu trono restituído, mas quando o Imperador Constante morreu os Arianos se levantaram novamente, e o Patriarca Paulo foi banido para Cúcuso na Armênia. Certa vez, enquanto Paulo celebrava a Divina Liturgia no exílio, ele foi atacado por Arianos e estrangulado com o seu omofório, no ano de 351. Em 381, durante o reinado do Imperador Teodósio, as relíquias de Paulo foram transferidas para Constantinopla, e no ano de 1236 foram transladadas para Veneza, onde ainda repousam. Seus amados sacerdote e notário, Marciano e Martírio (25 de Outubro), sofreram pouco tempo após seu patriarca.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

SS. Márts., Galacteon e sua esposa Episteme, de Emesa – Fenícia - 05/18 nov

Galacteon e Episteme nasceram ambos na cidade de Emessa, na Fenícia. A mãe de Galacteon era estéril até ser batizada. Após seu batismo, ela converteu seu marido Clitofonte a verdadeira fé, batizou seu filho Galacteon e o educou na fé cristã. Quando Galacteon cresceu o suficiente para se casas, sua boa mãe, Leucipa, adormeceu, e seu pai desposou-o com uma donzela nascida pagã, chamada Episteme. Galacteon não queria de modo algum se casar, e convenceu Episteme a ser batizada e depois tonsurada monja ao mesmo tempo em que ele se tornava monge. Ambos se retiraram para o monte Publion – Galacteon para um mosteiro e Episteme para um convento. Eles se mostraram luzes radiantes em seus mosteiros. Eram os primeiros no trabalho, os primeiros na oração, os primeiros na humildade e na obediência e os primeiros no amor. Jamais deixaram seus mosteiros nem viram um ao outro até pouco antes da morte. Uma feroz perseguição começou e ambos foram trazidos perante o tribunal. Enquanto os pagãos açoitavam impiedosamente Galacteon, Episteme chorava. Então eles a açoitaram. Depois disso, eles amputaram as suas mãos, os seus pés e por fim as suas cabeças. Seu amigo Eutolio tomou os seus corpos e os sepultou dignamente. Eutolio fora escrava dos pais de Episteme, e mais tarde monge com Galacteon. Ela também escreveu a vida desses mártires maravilhosos de Cristo que sofreram e receberam suas coroas no céu no ano de 253.
Hino de Louvor
Galacteon, e com ele Episteme,
Abandonaram o mundo da fumaça passageira,
Crucificaram as paixões do corpo
E acenderam aos céus em espírito.
Seus corações lembravam-se de Cristo em cada batida,
E se crucificavam por amor Dele.
Então chegaram os carrascos.
Galacteon foi a sua tortura,
E Episteme correu atrás dele:
"Mais devagar, irmão", ela disse, "não corras!
Fui batizada por tuas mãos,
Agora leva-me contigo à tua tortura!
Mesmo sendo indigna, irmão,
Estou disposta a morrer pelo meu Cristo."
Galacteon, e com ele Episteme,
Proclamaram Cristo aos descrentes,
E entre amargas torturas por fim expiraram.
Entregaram suas almas a Cristo;
Agora vivem com os anjos no Paraíso,Galacteon e Episteme.
Reflexão
O amor físico, comparado ao amor espiritual, é menos do que uma sombra é para substância sólida. A irmandade de sangue e de corpo não é nada comparada a irmandade do espírito. O pai de Galacteon o desposou com a virgem Episteme. Galacteon batizou Episteme e, depois, receberam ambos a tonsura monástica. Seu amor físico foi substituído pela amor espiritual, um amor tão forte quanto a morte. Tão grande era o amor espiritual de Galacteon por Episteme que ele jamais desejou vê-la com seus olhos físicos. Nem o contato e nem a proximidade físicas são necessários para o amor espiritual. Tão grande era o amor espiritual de Episteme por Galacteon que quando ela soube que ele havia sido levado para a tortura, correu atrás dele, rogando-lhe para que não a rejeitasse, mas a recebesse como uma companheira de sofrimentos, uma vez que ele era seu pai e irmão espiritual. Quando os impiedosos torturadores açoitaram o corpo nu do santo Galacteon, a santa Episteme chorou. Contudo, quando os torturadores deceparam suas mãos e pés por Cristo, ambos rejubilaram e glorificaram a Deus. Tão grande era o poder de seu amor por nosso Senhor Jesus Cristo, e tão grande era o amor espiritual com que se amavam um ao outro. Em verdade, o amor físico é como uma borboleta colorida que passa depressa, mas o amor espiritual é duradouro.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Santos Apóstolos e Discípulos do Senhor, Eustáquio, Amplias, Urbano, Narciso, Apélio e Aristóbulo dos Setenta (+séc.I) - 31 out/13 nov

Todos pertenciam ao grupo dos Setenta. Estáquis foi assistente de Santo André, o Protóclito [isto é, o primeiro apóstolo a ser chamado pelo Cristo -- nota do tradutor]. Santo André o designou Bispo de Bizâncio. Estabeleceu a Igreja em Argirópolis e governou seu rebanho fiel e zelosamente. Depois de dezesseis anos como bispo, repousou em paz no Senhor. Âmplias e Urbano também trabalharam com Santo André e foram ordenados bispos por ele: Âmplias em Lida de Odissópolis na Judéia, e Urbano na Macedônia. Ambos morreram como mártires pelo Cristo Senhor. Narciso foi designado Bispo de Atenas pelo Apóstolo Filipe. Santo Apeles foi Bispo de Heracléia da Traquínia. Aristóbulo, irmão do Apóstolo Barnabé, pregou a Fé Cristã na Grã-Bretanha, onde repousou em paz.

sábado, 8 de novembro de 2008

Santo Grande Mártir, Demétrio, o Miroblita, Procônsul de Tessalônica (+c.306) -26 out/08 nov

Esse glorioso santo taumaturgo nasceu em Tessalônica, de pais nobres e devotos. Implorado a Deus por pais estéreis, Demétrio foi seu único filho e dessa forma foi criado e educado com grande cuidado. O pai de Demétrio era comandante em Tessalônica. Quando seu pai morreu, o Imperador Maximiano designou Demétrio como comandante em seu lugar. Ao designá-lo, Maximiano, um adversário do Cristo, recomendou em particular que ele perseguisse e exterminasse os cristãos de Tessalônica. Demétrio não apenas desobedeceu ao imperador como confessou abertamente e pregou o Senhor Jesus Cristo na cidade de Tessalônica. Quando o imperador soube disso, ficou furioso com Demétrio. Então, ao retornar da batalha contra os sármatas, Maximiano parou em Tessalônica para investigar o assunto. O imperador convocou Demétrio e o interrogou sobre sua fé. Demétrio reconheceu com franqueza sua Fé Cristã ao imperador e também condenou a idolatria do imperador. Maximiano lançou Demétrio à prisão. Sabendo o que o aguardava, Demétrio deu todos os seus bens ao seu fiel servo Lupo, para que os distribuísse aos pobres, e esperou com alegria o seu eminente padecimento pelo Cristo Senhor. Um anjo de Deus apareceu a ele na prisão, dizendo: "A paz seja contigo, ó sofredor do Cristo. Sê bravo e forte!" Passados vários dias, o imperador enviou soldados à prisão para matar Demétrio. Os soldados encontraram o santo de Deus orando e o trespassaram com as lanças. Os cristãos tomaram seu corpo às escondidas e o enterraram dignamente. Uma mirra medicinal fluía do corpo do mártir do Cristo e curava muitos doentes. Em breve uma pequena igreja foi construída sobre suas relíquias.

Um nobre ilírio, Leôncio, estava acometido de uma doença incurável. Correu em oração às relíquias de São Demétrio e foi completamente curado. Em agradecimento, Leôncio ergueu uma igreja muito maior no lugar da igreja velha. O santo apareceu a ele em duas ocasiões. Quando o Imperador Justiniano quis trasladar as relíquias do santo de Tessalônica para Constantinopla, centelhas flamejantes saíram do túmulo e se ouviu uma voz: "Pára e não toques!" E assim as relíquias de São Demétrio permaneceram por todo o tempo em Tessalônica. Como protetor de Tessalônica, São Demétrio apareceu muitas vezes e em muitas ocasiões salvou Tessalônica de grandes calamidades. Seus milagres são incontáveis. Os russos consideravam São Demétrio o protetor da Sibéria, que foi conquistada e anexada à Rússia em 26 de outubro de 1581.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ícone de Mãe de Deus chamada “Consolação de Todos os Sofrimentos” (1688) - 24 out/06 nov

Esse nome é dado a um dos ícones miraculosos da Santíssima Mãe de Deus. Neste dia, celebra-se esse ícone pela cura miraculosa de Eufêmia, em Moscou, irmã do Patriarca Joaquim, no ano 1688. Eufêmia tinha um sério ferimento no lado e, como os doutores falharam em seu tratamento, ela rogou em lágrimas à Santíssima Mãe de Deus. Então, ela ouviu uma voz: "Eufêmia, vá à Igreja da Transfiguração de meu Filho; lá, encontrarás o ícone 'Alegria em todas as aflições.' Solicita o padre orar por ti diante do ícone e serás curada." Eufêmia assim fez e imediatamente ficou sã.

Hino de Louvor
ao Ícone da Santíssima Mãe de Deus, "Consolação de Todos os Sofrimentos"
Ó Santíssima Mãe de Deus, "Alegria de todos os aflitos,"
Concede misericórdia a nós, pecadores.
Teu Filho, agora, assenta-se no trono do Reino Eterno,
Vês todas as nossas aflições; as conheces quando acontecem.
Sempre rogas a Cristo Deus pelos fiéis,
Tens aliviado tanta dor e miséria dos aflitos.
Ó Virgem Santa, jamais cesses, até o final dos tempos,
De rogar pela salvação de nossa raça.
Cristo Te fez até mais gloriosa que os Serafins:
Apressa-Te em auxiliar-nos, ó Alegria de todos os aflitos!